Foto Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), cedida pela família - em Madrid, prêmio Doutor Honoris Causa 1994
Nesta quarta-feira, dia 27 de maio, às 22h30, a TV Cultura estreia o documentário inédito "Milton Santos - O Gênio da Geografia", produção do jornalismo da emissora que celebra o centenário de nascimento de um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20. O filme revisita a trajetória pessoal, acadêmica e política do geógrafo baiano, reconhecido internacionalmente por sua visão crítica sobre a globalização.
Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúba, na Bahia, em 3 de maio de 1926. Filho de professores primários e neto de pessoas escravizadas, destacou-se ainda jovem como aluno prodígio. Durante o antigo ensino ginasial, ajudava os colegas em Matemática e dava suas primeiras aulas de Geografia - disciplina que o consagraria e o levaria a lotar auditórios em diferentes partes do mundo. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Iniciou a carreira como repórter em Ilhéus, na região cacaueira da Bahia, onde conheceu sua primeira esposa, Jandira.
Em Salvador, atuou como secretário de governo e integrou um grupo de estudos que propôs a taxação sobre grandes fortunas. Também visitou Cuba em uma comitiva do presidente Jânio Quadros e, depois, escreveu uma série de artigos sobre a ilha socialista, o que desagradou os militares. Com o golpe militar de 1964, passou a sofrer perseguição política e foi preso por três meses no Batalhão de Cabula, em Salvador. Libertado após sofrer um AVC, graças à intervenção de colegas franceses, foi convidado a lecionar na Europa. Já separado da primeira esposa, viveu 13 anos no exterior.
Milton Santos foi um dos principais críticos dos rumos da globalização, que considerava perversa. Defendeu uma geografia crítica e humanista e formulou reflexões que ganharam repercussão internacional. Em uma de suas obras mais difundidas, Por Uma Outra Globalização, dividiu o fenômeno em três dimensões: “globalização como fábula” (como nos é apresentada), “globalização como perversidade” (como ocorre na prática) e “globalização como possibilidade”.
Milton Santos morreu em 24 de junho de 2001, aos 75 anos. Seus escritos seguem atuais e continuam sendo objeto de estudo de pesquisadores no Brasil e no exterior. Entre eles estão o professor Fernando Conceição, biógrafo autorizado de Milton Santos e autor da obra Milton Santos, uma biografia – Um percurso em construção; o geógrafo e pesquisador do Laboratório de Geografia Política da USP Billy Malachias; e Nina Santos, neta de Milton e doutora em Comunicação.
No documentário, os três ajudam o público a compreender a vida e a obra de um dos maiores intelectuais brasileiros. A produção também traz trechos de uma entrevista concedida por Milton Santos ao cineasta Silvio Tendler quatro meses antes de sua morte, material que serviu de base para o filme "Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá".













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