Editora prepara novos lançamentos, textos inéditos, audiolivros e projetos de formação sobre o escritor vencedor do Prêmio Camões
A Editora Fósforo anuncia que, a partir de 2027, passa a publicar a obra de Raduan Nassar, vencedor do Prêmio Camões e autor de "Lavoura Arcaica", "Um Copo de Cólera" e "Menina a Caminho". Os três títulos estão entre os mais cultuados da literatura brasileira e chegam a uma nova etapa editorial sob o comando da jovem editora. Para acompanhar o projeto, a Fósforo criou um conselho editorial formado pela crítica e curadora Rita Palmeira, pelo professor e editor Augusto Massi, pelo editor e escritor Estevão Azevedo, autor de "O Corpo Erótico das Palavras: um Estudo da Obra de Raduan Nassar", e por Messias Barboza, assessor de Nassar.
“É com honra e alegria que assumimos a tarefa de abrir um novo ciclo editorial para a obra de Nassar. O desafio da empreitada está à altura da grandeza de sua literatura e do trabalho extraordinário realizado pela Companhia das Letras ao longo de décadas, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Rita Mattar, sócia da Fósforo.
Sobre a dimensão da produção literária de Nassar, Augusto Massi afirma: “Raduan representa um ponto de virada, criativo e crítico, comparável ao impacto das formas narrativas de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ele inventou uma linguagem própria cujo princípio formal é colocar o conflito no centro de suas narrativas. Em contraponto à brevidade da obra, sua prosa não para de crescer em importância, revelando um grau de extrema atualidade estética, histórica e política”.
Audiovisual
O cineasta Luiz Fernando Carvalho, responsável pela adaptação cinematográfica de "Lavoura Arcaica", ficará à frente dos desdobramentos audiovisuais da obra. Carvalho também trabalha na adaptação de "As Três Batalhas", texto inédito de Nassar. “Raduan Nassar é um universo, um poeta à frente de seu tempo. Os desdobramentos de sua pequena grande lavra são fundamentais. Sem falar que trata-se de um autor ainda não plenamente descoberto, possuindo material inédito que precisa ganhar visualidade”, afirma o cineasta.
O novo projeto editorial pretende ampliar o conjunto de livros disponíveis ao público. Além das obras já conhecidas, a Fósforo prevê a publicação de escritos inéditos e de reuniões de textos que Nassar publicou na imprensa durante mais de cinco décadas de participação no debate público. Também estão previstos livros dedicados à análise da produção do escritor e audiolivros.
“Um novo projeto editorial para Raduan deve, sem jamais abrir mão da coerência e do rigor que ele sempre demonstrou, contribuir para que novos leitores tenham a oportunidade e a sorte de se apaixonar por sua obra”, afirma Estevão Azevedo. Rita Palmeira aponta outra frente de trabalho do conselho editorial: “Além de colaborar com decisões editoriais, o conselho pretende contribuir para a organização do conjunto de documentos, fotos, manuscritos e periódicos que Raduan vem reunindo ao longo de décadas. É uma enorme responsabilidade e sobretudo uma grande honra fazer parte deste conselho".
Novos leitores
Os primeiros lançamentos estão previstos para o primeiro semestre de 2027. A programação inclui ainda cursos online gratuitos sobre a obra de Nassar e clubes de leitura abertos ao público. “Queremos dialogar com novos leitores, mas também com professores e pesquisadores dedicados ao estudo de Nassar", afirma Fernanda Diamant, sócia fundadora da Fósforo.
Augusto Massi acrescenta: “Penso que o fato de Raduan mudar de casa, ser revisitado por uma editora jovem, formada por uma equipe aguerrida, pode retirar a roupagem de clássico e nos trazer de volta o espírito radical de um escritor que sempre cultivou um campo de antagonismos, um Raduan capaz de reconduzir o leitor à cena contemporânea”.
Messias Barboza vê no projeto a possibilidade de apresentar uma dimensão menos conhecida da trajetória pública do escritor. Para ele, a nova edição deverá “apresentar o cidadão Raduan àqueles que não conhecem uma parte significativa de sua atuação na sociedade. A exemplo de sua escrita, que rompeu estilos e paradigmas, sua militância desafiou convenções. Será uma viagem no tempo por jornalismo, meio ambiente, educação e cidadania”.













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