Monólogo de Regiana Antonini, estrelado por Luiz Machado, investiga os limites entre lucidez e loucura e volta ao Teatro B32 para temporada de 4 a 27 de setembro. Foto: Claudia Ribeiro
A medida econômica mergulhou milhares de brasileiros em desespero e levou muitos à bancarrota. Anderson foi um deles. Perdeu o negócio, uma pessoa querida, um grande amor e, depois de tudo isso, acabou nas ruas. Entre a realidade e a imaginação, passa a perambular carregando consigo aquilo que restou de seu mundo. É nesse território de fronteira que “Nefelibato” encontra sua força. A peça investiga o quanto de loucura pode existir como mecanismo de sobrevivência e até onde alguém consegue ir para continuar vivo. Para Anderson, a rua se transforma numa espécie de refúgio possível diante de uma existência que deixou de caber nos moldes convencionais.
“O público fica muito impactado, pois o espetáculo reflete uma realidade que tentamos fazer invisível, mas que está sempre à disposição de nossos olhos. Então, é muito interessante quando a plateia percebe que a atitude do personagem é consequência de um ato político e se aproxima ainda mais desta verdade social em que vivemos”, afirma Luiz Machado. O ator conta que se encantou pelo personagem desde o primeiro contato com o texto. "A história de Anderson me fascinou completamente, pois é um personagem que vive no limite da vida e do sonho, entre a lucidez e a loucura", conclui.
Fernando Philbert define a montagem como uma mistura de realidade, fantasia, humor e poesia, tendo como centro um personagem que carrega o próprio universo em um carrinho e, ao mesmo tempo, dentro de si. “Um fato real, que se mistura com a nuvem da fantasia, do drama, do épico, do louco, do homem, do ‘Nefelibato’ que mora na praça que cada um possui no meio do peito. O projeto ‘Nefelibato’ é um espetáculo teatral da dimensão humana que se refaz no humor, na poesia, na força, na busca por um lugar no mundo, seja o mundo real ou mundo imaginário. Este personagem que carrega seu próprio mundo em um carrinho, que tem seu próprio mundo dentro de si, vai como Dom Quixote, como Hamlet, como o capitão Ahab de “Moby Dick” à procura de sua baleia branca, em busca de enfrentar seus moinhos e demônios para ser feliz. Sim, ser feliz é o que todos queremos, este singelo momento que justifica a vida, sorrir ao acordar”, assim o diretor Fernando Philbert discorre sobre o tema da peça.
A trajetória de Anderson também coloca em cena uma pergunta incômoda: o que acontece quando a sociedade empurra alguém para fora dela e depois finge que não viu? Ao transformar a rua em escolha de sobrevivência, o personagem expõe as consequências de uma realidade social que costuma ser empurrada para debaixo do tapete. Com uma única pessoa em cena, Luiz Machado sustenta o espetáculo e transforma a instabilidade emocional do personagem em matéria teatral. A atuação foi reconhecida com indicação ao Prêmio Cenym de melhor ator e com o Prêmio Aplauso Brasil, na categoria especial de Destaque do Ano.
Ficha técnica
Espetáculo "Nefelibato"
Texto: Regiana Antonini. Supervisão artística: Amir Haddad. Direção: Fernando Philbert. Interpretação: Luiz Machado. Direção de produção: Gerardo Franco. Cenografia e figurino: Teca Fichinski. Iluminação: Vilmar Olos. Músicas: Maíra Freitas. Direção de movimento: Marina Salomon. Preparação vocal: Edi Montecchi. Design gráfico: Cláucio Sales. Assistente de direção: Alexandre David. Assistente de cenário: Juju Ribeiro. Realização: LM Produções Artísticas. Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro.
Serviço
Espetáculo "Nefelibato"
Teatro B32 | Espaço Experimental | Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi / São Paulo
Temporada: 4 a 27 de setembro, às 20h00. Domingos, às 18h00. Ingressos: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia-entrada). Classificação: 14 anos. Duração: uma hora. Lotação: 70 lugares. Atenção: não é permitida a entrada após o início do espetáculo.













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