segunda-feira, 5 de outubro de 2026

.: Musical “A Igreja do Diabo” volta com humor, música e uma boa dose de pecado


Musical inspirado em Machado de Assis retoma a temporada em São Paulo e coloca virtude, vício e hipocrisia no palco em uma comédia pop dirigida por Guilherme Gila. Foto: Pedro Veras

Depois de conquistar público, crítica e alguns prêmios pelo caminho, “A Igreja do Diabo - Um Musical Imoral e Hilário” está de volta a São Paulo. A montagem da companhia A Casa que Fala ganha uma curtíssima temporada em outubro, no Teatro Estúdio, com sessões às segundas e terças-feiras, às 20h00. Inspirado no conto homônimo de Machado de Assis, o espetáculo escrito, dirigido e musicado por Guilherme Gila pega a conhecida provocação do escritor do século XIX e a leva para um universo de humor, música pop brasileira, filosofia moral e coreografias de linguagem queer. A proposta é discutir virtude, vício, desejo e comportamento social sem deixar a graça pelo caminho.

Na história, a Diaba resolve fundar sua própria religião. A nova doutrina tem uma regra bastante simples: fazer o mal está liberado. Ser uma pessoa boa, por outro lado, passa a ser visto como um defeito. Parece uma receita perfeita para o caos e, considerando que Machado de Assis está na origem da história, seria estranho esperar que a humanidade obedecesse direitinho a qualquer manual de comportamento. Edyelle Brandão retorna ao papel da Diaba, personagem que lhe rendeu reconhecimento na primeira temporada. O elenco desta nova temporada reúne ainda Giovana Brandão, Olivia Lopes, Raphael Mota, Aron Luiz e Rupa Figueira.


Machado, pecado e música pop
Publicado originalmente no século XIX e posteriormente reunido em “Histórias sem Data”, de 1884, “A Igreja do Diabo” apresenta um Diabo cansado da falta de organização de seu próprio ofício. A solução encontrada por ele é fundar uma igreja, estabelecer regras e inverter a lógica das virtudes e dos pecados. Machado usa a premissa para cutucar a natureza humana e sua relação bastante particular com qualquer sistema moral. Afinal, seguir regras parece uma tarefa simples até que elas começam a contrariar desejos, hábitos e conveniências.

Guilherme Gila parte dessa mesma provocação para construir sua versão musical. Na montagem, a Diaba assume a missão de criar uma religião própria e apresenta aos seguidores os chamados “sete ditados capitais”. A doutrina rapidamente ganha adeptos, todos dispostos a experimentar um mundo em que a maldade virou virtude. Só que existe um pequeno problema: gente é gente. E a natureza humana costuma ter seus próprios planos.

A montagem utiliza música, dança e comicidade para aproximar a obra machadiana de questões contemporâneas. A sonoridade inspirada no pop brasileiro e a linguagem coreográfica queer dialogam com manifestações artísticas associadas a mulheres, pessoas pretas e integrantes da comunidade LGBTQ+, grupos historicamente submetidos a julgamentos sobre seus corpos, comportamentos e formas de expressão. Com isso, a filosofia moral ganha ritmo de teatro musical e o debate sobre virtude, vício, hipocrisia e desejo chega ao palco com uma dose generosa de humor.


Um musical premiado
“A Igreja do Diabo - Um Musical Imoral e Hilário” estreou em São Paulo em 2023 e acumulou mais de dez indicações durante sua primeira temporada. Entre os reconhecimentos estão o prêmio de Melhor Musical Off no Prêmio Bibi Ferreira e o prêmio de Dramaturgia Original para Guilherme Gila no Prêmio Destaque Imprensa Digital.

Edyelle Brandão também foi reconhecida como Atriz Revelação entre os Destaques do Ano de Miguel Arcanjo Prado, enquanto a produção apareceu entre os destaques na categoria Melhor Musical Off. A montagem ainda chegou ao Prêmio PRIO de Humor, com indicações para Edyelle, em Melhor Performance, e para a própria produção.

Gila, responsável pela direção geral, dramaturgia e músicas, já havia levado Machado de Assis ao teatro musical com “Dom Casmurro”, no qual também assinou direção musical, composições e letras. Em “A Igreja do Diabo”, a direção musical fica por conta de Samir Alves e as coreografias são de Gabriella Medeiros.

A equipe criativa conta ainda com Laís Damato na cenografia, Isis Patacho na cenotécnica, Pietro Di Pompeii no desenho do vitral, Fran Barros no desenho de luz e Graziela Bastos nos figurinos. Rebeca Reis assina a produção executiva, Dan Maschio responde pela identidade visual e Anne Beatriz pelas artes gráficas.

Com realização de A Casa que Fala, “A Igreja do Diabo – Um Musical Imoral e Hilário” retorna aos palcos para colocar Machado de Assis diante de uma plateia contemporânea — e, de quebra, provocar uma pergunta que continua bastante inconveniente: será que a humanidade conseguiria obedecer a uma religião cuja principal regra fosse fazer o mal?


Serviço
“A Igreja do Diabo - Um Musical Imoral e Hilário”
Temporada: de 5 a 25 de outubro | Segundas e terças-feiras, às 20h00
Local: Teatro Estúdio – Rua Conselheiro Nébias, 891 – Campos Elíseos – São Paulo/SP
Ingressos: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada para estudantes, professores e aposentados)
Duração: 80 minutos, sem intervalo
Classificação indicativa: 12 anos
Vendas: Sympla

Ficha técnica
Elenco: Edyelle Brandão, Giovana Brandão, Olivia Lopes, Raphael Mota, Aron Luiz e Rupa Figueira
Direção geral, dramaturgia e música: Guilherme Gila
Direção musical: Samir Alves
Coreografia: Gabriella Medeiros
Cenografia: Laís Damato
Cenotécnica: Isis Patacho
Desenho do vitral: Pietro Di Pompeii
Desenho de luz: Fran Barros
Figurino: Graziela Bastos
Produção executiva: Rebeca Reis
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Identidade visual: Dan Maschio
Artes gráficas: Anne Beatriz
Realização: A Casa que Fala
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