Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
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sexta-feira, 13 de março de 2026
.: Crítica musical: com álbum antológico, Fagner também é Bossa Nova
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
.: Crítica musical: Banduo lança "Dobras", o primeiro disco
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
sexta-feira, 6 de março de 2026
.: “Cotidiano” de Andre Pivetti participa da Expo Arte SP
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
O artista visual carioca André Pivetti participa da próxima edição da Expo Arte SP, que acontece nos dias 28 e 29 de março de 2026, no Solar Fábio Prado, em São Paulo. A feira, reconhecida por valorizar artistas independentes e promover o acesso à arte contemporânea, chega à sua 45ª edição reunindo criadores de diferentes linguagens em um espaço de conexão direta com o público e o mercado.
Para a ocasião, Pivetti apresenta a coleção completa “Cotidiano”, composta por obras em acrílica sobre canvas. Com forte presença gestual, traço urbano e construção simbólica marcante, as peças possuem tiragem limitada a dez unidades cada, reforçando o caráter autoral e colecionável do conjunto.
A série “Cotidiano” investiga o caos urbano e as transformações emocionais provocadas pela vida nas grandes cidades. Pressões sociais, conflitos internos, vícios emocionais e a constante adaptação ao ritmo acelerado da vida contemporânea atravessam as narrativas visuais das obras, que convidam o público à identificação e ao reconhecimento de experiências universais.
O artista destaca que o público encontrará um espaço expositivo autêntico, com linguagem direta e múltiplas camadas de interpretação. “Minhas obras carregam significados claros, mas também permitem diferentes leituras. A principal sensação que desejo provocar é identificação. Todos, em algum momento, já se sentiram pressionados, sobrecarregados ou em conflito interno. Essa conexão emocional cria um diálogo imediato entre a obra e o espectador”, completa.
.: “Novos Tempos” de Claudia Amorim: novo álbum e show
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
O amor como antídoto e último artifício em meio ao caos. Um alerta para que o sentimento ocupe maior espaço em nossas vidas. Esse é o ponto de partida de “Novos Tempos”, quarto álbum da cantora Claudia Amorim, que conta com composições de hico Buarque, Ilessi, Thiago Amud, Cacau da Bahia, Beto Guedes, entre outros.
Com arranjos feitos por Bruno Danton e Aline Gonçalves, dois jovens e premiados músicos), O show de lançamento de "Novos Tempos" conta com a direção musical de Roberto Kauffmann, responsável pela adaptação dos arranjos do disco para o palco. A cantora, sempre que possível, procura compor a banda com instrumentistas mulheres, para reforçar e amplificar a atuação feminina no cenário musical.
O disco "Novos Tempos" traz à tona a reflexão sobre a humanidade diante de tantas questões climáticas, sociais e guerras. “Diante da possibilidade do fim, o que nos resta fazer? O que sobrevive depois que tudo acaba? Que sentimento fica?” - indaga a cantora. Esse novo trabalho acredita que o sentimento do amor pela família, arte, artistas, companheiros e companheiras, natureza e por fim o planeta é o que rege o ser humano em momentos de desespero e também de reconstrução. O projeto gráfico do álbum resume este conceito de devastação, mas com a firmeza da reconstrução (representada por uma flor de algodão) ao lado do sofrimento e das perdas (representadas por um coração sangrando).
A voz de Claudia Amorim é doce e suave, assim como suas interpretações. O clima de paz, tão necessário nesses conturbados tempos atuais, predomina nos arranjos que são executados por músicos, sem usar recursos de IA ou de computadores.Isso proporcionou um resultado final bem interessante no plano musical. Destaco as faixas "Musa Música", "Prá Onde Foi o Amor" e "Sal da Terra", essa última com um arranjo mais denso do que a versão original com Beto Guedes.
Intérprete com repertório diverso, Claudia Amorim é uma das pioneiras da música independente no Brasil e tem mais de 25 anos de estrada. Possui quatro álbuns lançados, sendo o disco “Sede” pré-selecionado ao Prêmio da Música Brasileira em 2013 e com menção honrosa como um dos 100 melhores álbuns do ano. E nesse novo trabalho ela confirma a sua vocação para produzir música com qualidade e bom gosto. Espero que continue lançando novos discos e se apresentando ao vivo. Os ouvintes da boa música irão agradecer de bom grado.
"Pra Onde Foi o Amor"
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
.: Keco Brandão lança novos singles do projeto "Com Vida 3"
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Keco Brandão lançou nas principais plataformas digitais os dois novos singles de seu projeto autoral "Com Vida", que já está na 3ª edição. “Nasceu Uma Voz” é uma parceria com o compositor e baixista mineiro Yuri Popoff e vocal de Simone Guimarães. E É Designio Sim, com participação do músico Breno Ruiz.
Em "Nasceu Uma Voz", a poesia criada por Keco faz referência a voz da cantora e compositora Simone Guimarães, que, além de homenageada, também protagoniza a faixa como intérprete convidada. A gravação também conta com a participação do violonista Marcus Teixeira. Aliás, Keco e Marcus, outrora, já haviam gravado com Simone Guimarães no disco “Virada pra Lua”, lançado em 2001 pela gravadora Lua Music.
Keco anunciou também o lançamento da canção "É Desígnio Sim", que irá compor o álbum. O convidado nesta faixa é o compositor, cantor e pianista Breno Ruiz, que também divide a parceria nessa composição, cuja gravação conta com participação de Toninho Ferragutti no acordeon. E o projeto não vai parar por aí. Novos singles estção em fase de produção e aguardam a confirmação de novos convidados. Entre eles está a cantora Claudya, de quem Keco sempre admirou a obra. “Ela é uma cantora extraordinária. Vai ser uma honra e tanto para mim”.
Outra surpresa em fase de produção é a composição de Filó Machado, Olhos Parados. Segundo Keco, essa canção estava nos planos de Elis Regina, que acabou falecendo antes de conseguir gravá-la. Os dois singles "Nasceu Uma Voz" e "É Desígnio Sim" já foram disponibilizados nas plataformas de streaming.
"Nasceu Uma Voz"
"É Desígnio Sim"
.: "Estava Escrito nas Estrelas": Dalmo Medeiros lança projeto autoral
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Integrante do grupo vocal MPB4, Dalmo Medeiros está lançando seu projeto autoral, que reúne composições gravadas por outros artistas e algumas canções inéditas. Intitulado "Estava Escrito nas Estrelas", o projeto apresenta a versatilidade da obra de Dalmo, que passeia com a com maestria tanto pelo samba-rock como nas canções mais introspectivas.
Ele escolheu algumas gravadas por artistas ou grupos, tais como, Roupa Nova, Elba Ramalho e MPB4. Para dividir os vocais nas faixas do disco, Dalmo convidou uma cantora da nova safra, Priscilla Frade, para cantar o Frevo “Proibir prá quê”, Composta em parceria com o saudoso baiano Carlos Pitta
O também parceiro Danilo Caymmi participa dividindo o bolero que fez há alguns anos atrás com Dalmo, com arranjos de Cristóvão Bastos e percussão de Marcelo Costa.E Zé Renato (Boca Livre) participa da canção Alta Costura. O projeto foi lançado pelo Sêlo Mills Records, com ProduçãoMusical Paulo Brandão e Dalmo Medeiros. Direção musical Paulo Brandão, Dalmo Medeiros, Paulo Malagutti Pauleira e Fábio Girão, gravado, mixado e masterizado no Brand Studio. O disco foi disponibilizado nas plataformas de streaming.
"O Vento e o Tempo"
"Porta Retrato"
"A Flor da Pele"
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
.: Entrevista: cantora Claudya completa 60 anos de carreira com novo show
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
A cantora Claudya está completando 60 anos de carreira com um novo show em que revisita as canções que marcaram a sua trajetória. Ela construiu um percurso singular na música popular brasileira, transitando com naturalidade entre o samba, a bossa nova, o soul, a canção romântica e a música internacional. Dona de uma voz marcante, de timbre quente e fraseado preciso, ela se destacou desde cedo não apenas como intérprete, mas como uma artista atenta ao tempo histórico, às transformações estéticas e às múltiplas linguagens da canção brasileira. Em entrevista para o portal Resenhando.com, Claudya conta algumas de suas passagens e a sua expectativa para reencontrar o público na nova turnê. “Levarei para o palco o melhor das canções que gravei”.
Resenhando.com - Desde quando você sentiu que entraria no mundo da música?
Claudya - Desde menina. Lembro que a primeira vez que cantei foi em uma festa, com meu tio ao violão. Ao ouvir as palmas no final, senti que aquilo era o que queria fazer. E o interessante é que antes eu queria ser bailarina. O Ballet perdeu uma dançarina, mas acabou ganhando uma cantora
Resenhando.com - Você é reconhecidamente uma autodidata como intérprete. Como você cuida de sua voz?
Claudya - Eu passo por acompanhamento de uma fonoaudióloga, que sempre me recomenda alguns exercícios para manter a voz. E evito bebida alcóolica e o cigarro. Procuro viver para a minha arte de cantar.
Resenhando.com - Como você está preparando esse show para a turnê?
Claudya - Terei uma banda com nove integrantes. Os arranjos serão do Alexandre Vianna e terei a alegria de contar com minha filha, Graziela Medori no backing vocals. Para o show em São Paulo convidei a Alaíde Costa, que além de ser uma pessoa da melhor qualidade, ainda continua cantando muito bem. E convidei também o Ayrton Montarroyos, que representa com louvor a nova geração de intérpretes. Ele é muito talentoso e vai brilhar cada vez mais. Vou repassar alguns momentos importantes, como o repertório dos três discos que gravei pela Odeon entre 71 e 73. Essas são canções que marcaram a minha trajetória na música.
Resenhando.com - Você tem uma relação direta com os festivais de música.
Claudya - Em todos em que estive, consegui sempre classificar a canção ou ganhar como melhor intérprete. Teve um festival na década de 70 na Grécia em que cantei Minha Voz Virá do Sol da America, dos irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle. Gnhamos o primeiro lugar.
Resenhando.com - E foi marcante também a sua participação no musical Evita. Como foi essa experiência?
Claudya - Foi em 1983. Titubeei muito para aceitar, porque não era atriz e sabia que seria comparada a Bibi Ferreira e Marília Pêra. A trilha sonora era dificílima. Mas valeu a pena. O esforço foi recompensado com elogios da crítica, capas em jornais e revistas e indicação ao Prêmio Molière.
Resenhando.com - E a turnê começa em São Paulo. Há planos de estender para outras localidades?
Claudya - Com certeza. A estreia será na Casa Natura, em São Paulo. Mas estamos acertando algumas apresentações em unidades do Sesc. Quem sabe conseguimos uma data no Sesc de Santos, que tem um teatro maravilhoso? Quero levar esse repertório para o maior número de pessoas que for possível. E agradeço a todos que ajudaram a divulgar essa apresentação. Será um momento mais do que especial.
"Com Mais de 30"
"Deixa Eu Dizer"
"Pois É Seu Zé"
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
.: Entrevista com Guilherme Arantes: 50 anos de carreira e no jogo na música
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Leo Aversa
Resenhando.com - Passados 50 anos, o que o motiva a continuar produzindo novas canções?
Resenhando.com - Como foi trabalhar e ter canções gravadas por outros nomes da MPB?
Resenhando.com - Os anos 80 foram bastante produtivos?
Resenhando.com - Você tem uma produção autoral e algumas parcerias com nomes como Nelson Motta. Ronldo Bastos entre outros. Há alguma vontade de compor com outros parceiros?
Resenhando.com - Os tempos atuais são muito imediatistas?
.: Crítica: Guilherme Arantes explorando o interdimensional em novo álbum
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
"Enredo de Romance"
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
.: Entrevista com Leon Carvalho, da banda Gatos Feios: bons de rock
Resenhando.com - Na sua opinião, o que levou o Estado de São Paulo a revelar tanta banda de rock?
Resenhando.com - Comlo está sendo a gravação do primeiro álbum de músicas autorais?
Resenhando.com - Como funciona o processo de produção musical da banda?
Resenhando.com - Como estão os planos para divulgar esse novo trabalho?
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
.: Benito de Paula canta seus sucessos pelo Brasil com o filho, Rodrigo Vellozo
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
.: Com single "Bruxa" lançado, Banda Gatos Feios prepara o primeiro álbum
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
.: Entrevista com Nuno Mindelis, um simpático músico ranzinza
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Ele se autodenomina um músico ranzinza. Mas está muito longe de ser algo parecido. Angolano radicado no Brasil há anos, Nuno Mindelis desenvolve uma carreira sólida como músico ligado principalmente ao blues, muito embora sua formação musical eclética inclua os medalhões da Gravadora Stax Records e os ícones do hard rock dos anos 60 e 70. E claro, alguns elementos de nossa música popular brasileira. Mindelis conseguiu a proeza de gravar discos com a icônica banda de apoio de um de seus ídolos (Steve Ray Vaughan), a Double Trouble. E chegou a ter seu talento reconhecido com destaque em publicações no Exterior. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta um pouco sobre sua trajetória na música e seus planos para o futuro. “O blues precisa ser reinventado, assim como toda forma de arte”.
Resenhando.com - Você é reconhecido como um dos nomes mais marcantes do Blues. Mas sua formação é mais eclética, abrangendo inclusive a soul music da gravadora Stax Records, Fale sobre suas principais influências musicais.
Nuno Mindelis - Antes, quero agradecer pela oportunidade da entrevista. Ouvi absolutamente tudo que se fez em música desde pelo menos os cinco anos, é quando me lembro de mim, até aos 17, em 1975, quando fui exilado de guerra, partindo para o Canadá e depois para o Brasil. Na época, perdi tudo e precisei de mais de década para me recompor, recomeçar. Nesse período, ouvi sempre muita coisa, mas já com outros ouvidos. Não gostava de nada do final dos anos 70: disco, punk etc, e nem dos anos 80. Mas, com o tempo, passei a gostar de algumas coisas. Quando era muito pequeno, ouvia muita música erudita, meus pais ouviam muito, todas as sinfonias de Beethoven, Wagner, Tannhäuser, considero o coro dos peregrinos espetacular, e outros. Lá pelos seis anos ouvi The Shadows e Beatles e ali a coisa mudou de figura. Aquelas guitarras eletrizantes me reviraram as moléculas corpo e do cérebro. Logo depois, aos nove anos, tive a sorte de um cara mais velho me mostrar Otis Redding e era tão criança que me lembro de ter que decifrar aquela massa sonora mais densa. Mas havia algo importante na época: respeito pelos mais velhos. Se alguém mais velho me aconselhava algo, era porque era para ser decifrado mesmo, nunca desistiria. Conheci tudo de Otis, da gravadora Stax, Booker T & The Mgs é a minha banda de cabeceira. Não gosto do clichê mas encaixa perfeitamente: as primeiras audições da música de Otis Redding eram como o primeiro sexo, pode doer mas você quer mais. Otis, Stax, Booker T & The MGs e todo o cast viraram meu templo. Costumo dizer que a minha vida mudou várias vezes, essa foi a terceira. A primeira, a descoberta da música, a música clássica e canção francesa: Gilbert Bécaud, George Brassens etc, que meu pai ouvia bem. A segunda: Beatles e Shadows e depois veio a, na época, chamada música progressiva: Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Pink Floyd etc., todos aqueles derivados do Blues, do Soul, do Country, Folk, Celta, depois o Woodstock que foi algo transcendental. Aos 11, ouvi Big Bill Broonzy e isso levou a ouvir todo o Blues produzido antes e depois no planeta, seja acústico, elétrico etc. O acesso a discos era tão fluido em Luanda como em Londres, vinha direto da fonte e rápido. Eu tinha cerca de 2000 LPs aos 17 anos, edições originais, fora as centenas de singles. Perdi tudo quando me exilei.
Resenhando.com - Em seu canal no YouTube há vários vídeos onde você comenta sobre determinados músicos ou outros assuntos ligados a música. Como foi que surgiu essa ideia?
Nuno Mindelis - Comecei a fazer videos do tipo zoando, ironia sutis, série tipo crimes e castigos. Se você for flagrado tocando Blues como amplificador transistorizado. Pena: dois anos de reclusão + escutar Kenny G e Galvão Bueno por duas horas seguidas com fones irremovíveis. Esse tipo de coisa. Na verdade nos anos 80 eu tinha inventado essa série, quase sem querer, numa revista de música, Cover Guitarra, a convite do editor que era o Regis Tadeu. A turma lembrava disso até hoje, acredita? Viviam me relembrando disso. Então resgatei, meio sem querer, de novo. A galera pirou com esses videos, são tipo shorts, ainda estão no canal, depois passei para videos mais longos ficaram um pouco mais sérios e tal, e um dia perfilei um guitarrista e percebi que a galera engajou um monte, então continuei perfilando guitarristas. Quando acabarem todos os guitarristas da Terra farei parte 2 ou passarei a outra coisa qualquer. Ou já terei morrido (risos).
Resenhando.com - Na sua opinião, o blues pode ser reinventado ou deve permanecer na forma tradicional?
Nuno Mindelis - Deve ser reinventado, como toda a forma de arte, mas não porque seja uma obrigação técnica ou moral ou algo assim. É o próprio artista que normalmente é, ou deveria ser, irrequieto, que sente que precisa desconstruir. Como Miles Davis, o tradicional foi a grande escola dele mas depois ele foi lá e derreteu tudo. Hendrix idem. Picasso, Van Gogh etc. O que me parece é que há 60 anos ninguém, exceto talvez Jeff Beck e um ou outro mais, teve esse ímpeto. Jovens americanos, e não só, nascem por estes dias e continuam fazendo o que se fazia há 60 anos. É certo que é fundamental que se conheçam muito bem as regras e isso requer ouvir muito e aprender bem todo o tradicional mas é muito importante que se as quebrem depois de bem sabidas. Como dizia Zappa, "Without deviation from the norm progress is not possible" ("Sem desvios da norma, o progresso não é possível"). Vejo um monte de artistas de Blues que conhecem as regras como ninguém e não saem daquilo.
Resenhando.com - Você gravou dois discos com os músicos da mítica banda Double Trouble, que acompanhou Steve Ray Vaughan. Fale sobre essa experiência.
Nuno Mindelis - Ajustei com um produtor de Austin, no Texas (Eddie) para fazer um disco para a gravadora Antone’s. Ele tinha ouvido um disco meu e gostado muito. Antone’s é um selo e casa noturna altamente cult, gente como Buddy Guy, Muddy Waters e outros frequentaram e gravaram por ali. Ele me pediu uma fita demo para ter ideia do que eu pensava para o disco novo. Para saber que músicos chamar, se mais blues negro ou mais rock branco, essas coisas. Entrei no estúdio e gravei baixo, guitarra bateria e piano e mandei para ele o rascunho. Ele tocava aquilo na gravadora durante o dia, no sistema de som geral ,todo o mundo ouvia. Tommy Shannon entrou ali por alguma razão (pegar um cachê ou algo assim) e perguntou o que era. Ele explicou: “é um brasileiro que eu vou produzir, o Nuno etc." e ali o Eddie, falando sério fingindo ser brincando, sabe como é, para não parecer ousadia, perguntou: “quer participar?”. E o Tommy disse: “sim, gostaria”. Ele me ligou exultante, "Hey Beast", tinha saído artigo de capa da Revista Austin Blues “The Southamerican Beast Whos Coming To Your Town, "você não vai acreditar, Tommy vai gravar uma música no seu disco. E obviamente Chris também". Depois gravaram o disco todo. "Texas Bound" gravamos em 95, saiu em 96. Depois, gravei outro em 1999, "Blues On The Outside", saiu acho que já em 2000.
Resenhando.com - Como você avalia o blues na atualidade?
Nuno Mindelis - Na real, nem avalio mais. Quase não ouço. É tudo muito igual. E grandes revolucionários como Little Walter, John Lee Hooker, Skip James etc. são cada vez mais raros. Não é saudosismo, havia de fato algo que transcendia ali. Hoje parece meio fabricado em série, especialmente do lado branco. Atenção: não me refiro à habilidade, o pessoal detona pra caramba, são artistas altamente proficientes e habilidosos, músicos de quilate. Mas não saem daquilo, me refiro ao conceito, às suas obras. Qual será o legado? Haverá?
Resenhando.com - Você pretende lançar um novo disco?
Nuno Mindelis - Há duas direções aqui. Do ponto de vista prático, preciso lançar algo mais rapidamente porque os números das plataformas caíram um pouco. Spotify e afins são como redes sociais, se parar de mexer caem os números, acredite. E eu parei de lançar coisa por um tempo. Entre 2022 e 2025 anunciei uma série “um single por mês” (acabou sendo um a cada dois ou três meses na real. Em 2025, só gravei mas não lancei. Então vou ver se lanço uma coletânea com isso tudo mais os inéditos de 2025. Serão cerca de 12 ou 13 faixas até onde vasculhei. Penso em criar algo físico, cassete ou pendrive. Esse negócio de não ser dono do produto não funciona. Nas plataformas, você não é dono de nada, o pessoal que curte quer algo para chamar de seu. LP não penso, porque é caríssimo no Brasil, absurdo, extorsivo. A segunda direção é um trabalho novo que desconstrua o que fiz até agora. Enquanto soar previsível, para mim mesmo, pelo menos, não farei nada. Estou atrás dessa inspiração e desse laboratório mas os videos do Youtube me tomam muito tempo e energia. Mas está na pauta, só preciso conseguir tempo e alguma inspiração. Também gostaria de trabalhar com alguém de nova geração com afinidade com produções eletrônicas mas parece que essa turma foge. No meu tempo, era ao contrário, idolatrávamos os pioneiros e faríamos de tudo para poder colaborar com eles. Vide U2 com BB King, Santana e o álbum "Supernatural", etc.
Resenhando.com - Como está o plano para shows ao vivo?
Nuno Mindelis - Vou fazer um em Florianópolis e soube que está “sold out” (com ingressos esgotados). Em 2026, não sei bem o que será, uma turnê média em Minas é certeza. Apresentações no Blue Note e no Bourbon Street em São Paulo podem acontecer.
"I Know What You Want"
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
.: George Martin, o centenário do quinto Beatle
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Sir George Henry Martin foi produtor musical, arranjador, compositor, engenheiro sonoro, músico e maestro britânico. Ele é considerado um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, com trinta canções chegando ao primeiro lugar das paradas no Reino Unido e 23 nos Estados Unidos.
De acordo com informações do portal Beatles Brasil, Martin estudou na Guildhall School of Music and Drama entre 1947 e 1950, estudando piano e oboé, sendo influenciado por uma grande variedade de estilos musicais. Após se formar, ele trabalhou no departamento de música clássica da BBC, entrando na EMI em 1950. Martin produziu canções cômicas no início da década de 1950, trabalhando com pessoas como Peter Sellers e Spike Milligan.
Ele foi o cara que ajudou a moldar o som desenvolvido pelos Beatles. Era o cara certo na hora certa para os quatro jovens de Liverpool . Chegou inclusive a tocar em algumas produções, como no álbum "Rubber Soul", que na faixa "In My Life" conta com um breve solo de piano executado por Martin.
A gravação de "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", lançados como single, somados com a produção do álbum "Seargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band" na segunda metade dos anos 60 ajudaram a escrever um novo capítulo na história do rock. Além dos Beatles, Martin trabalhou com outros artistas na década seguinte, como o grupo vocal América e o icônico guitarrista britânico Jeff Beck, produzindo álbuns marcantes nos anos 70 para ambos.
Martin esteve no Brasil nos anos 90, a convite do produtor Marcelo Fróes. Em uma dessas ocasiões se encontrou com o músico Tom Jobim, promovendo um encontro de gigantes da nossa música popular. Em 1998 produziu e gravou o álbum "In My Life", composto basicamente por versões de clássicos dos Beatles, cantados por vários artistas convidados, como Celine Dion, Phil Collins, Bobby McFerrin, Jeff Beck, além dos atores Sean Connery, Jim Carrey, Goldie Hawn e Robin Willians, entre outros.
O portal Beatles Brasil informa que, em uma carreira de seis décadas, Martin trabalhou em cinema, televisão e espetáculos ao vivo. Ele também teve vários cargos executivos em companhias midiáticas e contribuiu para várias de causas beneficentes, incluindo seu trabalho para o "The Prince’s Trust" em prol da Ilha de Montserrat. Como reconhecimento de suas contribuições para a música e cultura popular, ele recebeu um Knight Bachelor, condecoração dada pelo Reino Unido em 1996. Faleceu no dia 8 de março de 2016, aos 90 anos, na Inglaterra.
"I Am The Walrus" - com Jim Carrey
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação
"Confia em Mim"
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
.: “Libido da Alma”: Guilherme Arantes lança o primeiro single de novo álbum
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Leo Aversa
Chega às plataformas de música o single “Libido da Alma”, primeira amostra de "Interdimensional", o novo álbum de Guilherme Arantes. Gravada em seu estúdio na Espanha, a faixa retoma as referências musicais que marcaram a virada dos anos 1970 para os 1980, representadas no Brasil por nomes como Lincoln Olivetti e Robson Jorge, entre outros.
Esse universo é absolutamente familiar ao próprio Guilherme Arantes, que misturou soul e funk em peças de seu repertório que se tornaram clássicos da música brasileira, como “Aprendendo a Jogar” (lançado por Elis Regina), “Fio da Navalha" (tema da novela “Partido Alto”) e “Pedacinhos”, balada black-bossa que virou um dos grandes sucessos da carreira do cantor e compositor paulistano.
Com letra que celebra a possibilidade de ser feliz sozinho, “Libido da Alma” dá um passo adiante nessa brasilidade black. A gravação ressalta a melodia e o vocal aponta para o canto de João Gilberto, em emissão minimalista e delicada. O instrumental traz o swing das guitarras de Alexandre Blanc em diálogo com as percussões latinas e a bateria precisa de Gabriel Martini.
O arranjo combina timbres clássicos e contemporâneos, incluindo string machines reminiscentes de um Elka Rhapsody de 1974, órgão Hammond C3, Clavinet D3 Honner com wah wah, Rhodes Mark V, além do piano Yamaha CP70 com flanger Mutron, marca registrada do pop de Guilherme Arantes. Há ainda inserções em reverse áudio, típicas da era das fitas de gravação, e um coro de vozes rigorosamente soul, reforçando o caráter vintage e radiofônico da faixa. O baixo suingado com slaps é assinado por Milton Pellegrin, da banda de Ed Motta.
O single foi mixado por Sylvia Massy (Oregon) e masterizado por Felipe Tichauer. A capa foi criada por Guilherme Arantes a partir de uma foto de Márcia Arantes. Interdimensional, o álbum completo, tem lançamento marcado para o dia 15 de janeiro de 2026.
"Libido da Alma"
Tags
#LibidoDaAlma #Interdimensional #GuilhermeArantes #LuizGomesOtero #musica
sábado, 20 de dezembro de 2025
.: Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta: dois bicudos musicais
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
.: Mental Trigger lança álbum de estreia e se firma como nova força do metal
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
A banda paulistana Mental Trigger lançou em todas as plataformas digitais o seu primeiro álbum auto-intitulado. Um trabalho que reúne intensidade emocional, peso sonoro e uma entrega artística que consolida o grupo como uma das novas promessas da cena metal nacional.
Formada em 2024 na cena de São Paulo, a Mental Trigger surge com o propósito de dar voz às emoções mais viscerais e profundas. O grupo canaliza a energia crua do metalcore em cada nota, verso e grito, incorporando ainda influências de deathcore, new metal, djent e groove metal para criar uma sonoridade interessante.
A banda é integrada por Luis Bom Angelo (vocal), João Pedro Surian (bateria), Gustavo Aliberti (guitarra), Luiz Barreto (guitarra) e Raphael Esteves (baixo) que carregam em seus DNAs a força da inovação e intensidade emocional que marcam o metal contemporâneo.
Com oito faixas autorais e uma faixa bônus especial - um cover poderoso de “Perry Mason”, de Ozzy Osbourne - o álbum presta homenagem ao ícone do metal, falecido em julho deste ano, revisitando sua obra com respeito, agressividade e identidade própria. Produzido por Ryu Morita, o álbum foi gravado na capital paulista, foi mixado por João Felipe Favaro e masterizado por João Pedro Surian. A identidade visual do projeto ganha vida pelas mãos de Gustavo Aliberti, que assina a arte de capa.
Mental Trigger - "Where Angels Sin"
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
.: Moacir Luz e os 20 anos do Samba do Trabalhador
O Samba do Trabalhador, roda que surgiu em maio de 2005 no Renascença Clube, em Andaraí, no Rio de Janeoro, transformou-se em referência em todo o Brasil. Ao completar 20 anos, chega às plataformas o novo álbum “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador, 20 Anos", que a gravadora Biscoito Fino disponibilizou nas plataformas de música.
O álbum apresenta novas parcerias de Moacyr Luz com compositores como Dunga, Pedro Luís e Xande de Pilares. Alguns clássicos de Moacyr foram revisitados pelos integrantes da roda, como "Vila Isabel", cantada por Mingo Silva (parceria de Moacyr com Martinho da Vila); "Tudo o que Vivi", cantada por Gabriel Cavalcante (parceria de Moacyr e Wilson das Neves), e "Cachaça, Árvore e Bandeira", samba de Moacyr com Aldir Blanc, interpretado por Alexandre Marmita.
O novo projeto conta ainda com composições inéditas dos próprios integrantes do Samba do Trabalhador. "Vai Clarear" fala de esperança e retrata muito bem o momento atual de Moacyr Luz. Uma parceria de Moacyr Luz com Alexandre Marmita, Mingo Silva e Nego Álvaro. "Caboclo pára-raios", interpretada por Mingo Silva, é um samba do Mingo com Anderson Baiaco, que conta a história de um sujeito "carregado" de energia ruim. "Roda de Partido", interpretada por Gabriel Cavalcante, é uma parceria do próprio Gabriel com Roberto Didio, que homenageia os grandes partideiros da história. Já "Vou tentando", interpretada por Alexandre Marmita, é uma parceria do próprio Marmita com Moacyr Luz, que fala sobre a persistência nas dificuldades do dia a dia do músico.
A cantora e compositora Joyce Moreno participa do álbum em uma das faixas inéditas, "Eu Fiz um Samba pra Bahia", parceria de Moacyr com Sereno, do grupo Fundo de Quintal. O samba dolente "Água Santa", parceria inédita de Moacyr com Pedro Luís, foi gravado pelos dois parceiros e conta com a participação da icônica gaita do maestro Rildo Hora. A cantora Marina Iris surge nos vocais de “Dezesseis", inédita de Moacyr Luz e Aldir Blanc. Falando em Aldir, Moacyr gravou "Mitos Cariocas", outra parceria dos dois, em homenagem ao saudoso cartunista Lan.
Os arranjos são de Leandro Pereira, violonista que sempre esteve por perto, e que conseguiu, com perfeição, transpor para o estúdio o clima descontraído das célebres rodas do Renascença Clube. Moacyr Luz e Samba do Trabalhador é um disco entre amigos, para exaltar a obra de Moacyr Luz, dar espaço ao novo, e retratar com maestria a trajetória de 20 anos do grupo. Se você curte o samba de qualidade, vale a pena conferir.
"Roda de Partido"
"Todo Santo Dia"


























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