Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
.: Com single "Bruxa" lançado, Banda Gatos Feios prepara o primeiro álbum
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
.: Entrevista com Nuno Mindelis, um simpático músico ranzinza
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Ele se autodenomina um músico ranzinza. Mas está muito longe de ser algo parecido. Angolano radicado no Brasil há anos, Nuno Mindelis desenvolve uma carreira sólida como músico ligado principalmente ao blues, muito embora sua formação musical eclética inclua os medalhões da Gravadora Stax Records e os ícones do hard rock dos anos 60 e 70. E claro, alguns elementos de nossa música popular brasileira. Mindelis conseguiu a proeza de gravar discos com a icônica banda de apoio de um de seus ídolos (Steve Ray Vaughan), a Double Trouble. E chegou a ter seu talento reconhecido com destaque em publicações no Exterior. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta um pouco sobre sua trajetória na música e seus planos para o futuro. “O blues precisa ser reinventado, assim como toda forma de arte”.
Resenhando.com - Você é reconhecido como um dos nomes mais marcantes do Blues. Mas sua formação é mais eclética, abrangendo inclusive a soul music da gravadora Stax Records, Fale sobre suas principais influências musicais.
Nuno Mindelis - Antes, quero agradecer pela oportunidade da entrevista. Ouvi absolutamente tudo que se fez em música desde pelo menos os cinco anos, é quando me lembro de mim, até aos 17, em 1975, quando fui exilado de guerra, partindo para o Canadá e depois para o Brasil. Na época, perdi tudo e precisei de mais de década para me recompor, recomeçar. Nesse período, ouvi sempre muita coisa, mas já com outros ouvidos. Não gostava de nada do final dos anos 70: disco, punk etc, e nem dos anos 80. Mas, com o tempo, passei a gostar de algumas coisas. Quando era muito pequeno, ouvia muita música erudita, meus pais ouviam muito, todas as sinfonias de Beethoven, Wagner, Tannhäuser, considero o coro dos peregrinos espetacular, e outros. Lá pelos seis anos ouvi The Shadows e Beatles e ali a coisa mudou de figura. Aquelas guitarras eletrizantes me reviraram as moléculas corpo e do cérebro. Logo depois, aos nove anos, tive a sorte de um cara mais velho me mostrar Otis Redding e era tão criança que me lembro de ter que decifrar aquela massa sonora mais densa. Mas havia algo importante na época: respeito pelos mais velhos. Se alguém mais velho me aconselhava algo, era porque era para ser decifrado mesmo, nunca desistiria. Conheci tudo de Otis, da gravadora Stax, Booker T & The Mgs é a minha banda de cabeceira. Não gosto do clichê mas encaixa perfeitamente: as primeiras audições da música de Otis Redding eram como o primeiro sexo, pode doer mas você quer mais. Otis, Stax, Booker T & The MGs e todo o cast viraram meu templo. Costumo dizer que a minha vida mudou várias vezes, essa foi a terceira. A primeira, a descoberta da música, a música clássica e canção francesa: Gilbert Bécaud, George Brassens etc, que meu pai ouvia bem. A segunda: Beatles e Shadows e depois veio a, na época, chamada música progressiva: Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Pink Floyd etc., todos aqueles derivados do Blues, do Soul, do Country, Folk, Celta, depois o Woodstock que foi algo transcendental. Aos 11, ouvi Big Bill Broonzy e isso levou a ouvir todo o Blues produzido antes e depois no planeta, seja acústico, elétrico etc. O acesso a discos era tão fluido em Luanda como em Londres, vinha direto da fonte e rápido. Eu tinha cerca de 2000 LPs aos 17 anos, edições originais, fora as centenas de singles. Perdi tudo quando me exilei.
Resenhando.com - Em seu canal no YouTube há vários vídeos onde você comenta sobre determinados músicos ou outros assuntos ligados a música. Como foi que surgiu essa ideia?
Nuno Mindelis - Comecei a fazer videos do tipo zoando, ironia sutis, série tipo crimes e castigos. Se você for flagrado tocando Blues como amplificador transistorizado. Pena: dois anos de reclusão + escutar Kenny G e Galvão Bueno por duas horas seguidas com fones irremovíveis. Esse tipo de coisa. Na verdade nos anos 80 eu tinha inventado essa série, quase sem querer, numa revista de música, Cover Guitarra, a convite do editor que era o Regis Tadeu. A turma lembrava disso até hoje, acredita? Viviam me relembrando disso. Então resgatei, meio sem querer, de novo. A galera pirou com esses videos, são tipo shorts, ainda estão no canal, depois passei para videos mais longos ficaram um pouco mais sérios e tal, e um dia perfilei um guitarrista e percebi que a galera engajou um monte, então continuei perfilando guitarristas. Quando acabarem todos os guitarristas da Terra farei parte 2 ou passarei a outra coisa qualquer. Ou já terei morrido (risos).
Resenhando.com - Na sua opinião, o blues pode ser reinventado ou deve permanecer na forma tradicional?
Nuno Mindelis - Deve ser reinventado, como toda a forma de arte, mas não porque seja uma obrigação técnica ou moral ou algo assim. É o próprio artista que normalmente é, ou deveria ser, irrequieto, que sente que precisa desconstruir. Como Miles Davis, o tradicional foi a grande escola dele mas depois ele foi lá e derreteu tudo. Hendrix idem. Picasso, Van Gogh etc. O que me parece é que há 60 anos ninguém, exceto talvez Jeff Beck e um ou outro mais, teve esse ímpeto. Jovens americanos, e não só, nascem por estes dias e continuam fazendo o que se fazia há 60 anos. É certo que é fundamental que se conheçam muito bem as regras e isso requer ouvir muito e aprender bem todo o tradicional mas é muito importante que se as quebrem depois de bem sabidas. Como dizia Zappa, "Without deviation from the norm progress is not possible" ("Sem desvios da norma, o progresso não é possível"). Vejo um monte de artistas de Blues que conhecem as regras como ninguém e não saem daquilo.
Resenhando.com - Você gravou dois discos com os músicos da mítica banda Double Trouble, que acompanhou Steve Ray Vaughan. Fale sobre essa experiência.
Nuno Mindelis - Ajustei com um produtor de Austin, no Texas (Eddie) para fazer um disco para a gravadora Antone’s. Ele tinha ouvido um disco meu e gostado muito. Antone’s é um selo e casa noturna altamente cult, gente como Buddy Guy, Muddy Waters e outros frequentaram e gravaram por ali. Ele me pediu uma fita demo para ter ideia do que eu pensava para o disco novo. Para saber que músicos chamar, se mais blues negro ou mais rock branco, essas coisas. Entrei no estúdio e gravei baixo, guitarra bateria e piano e mandei para ele o rascunho. Ele tocava aquilo na gravadora durante o dia, no sistema de som geral ,todo o mundo ouvia. Tommy Shannon entrou ali por alguma razão (pegar um cachê ou algo assim) e perguntou o que era. Ele explicou: “é um brasileiro que eu vou produzir, o Nuno etc." e ali o Eddie, falando sério fingindo ser brincando, sabe como é, para não parecer ousadia, perguntou: “quer participar?”. E o Tommy disse: “sim, gostaria”. Ele me ligou exultante, "Hey Beast", tinha saído artigo de capa da Revista Austin Blues “The Southamerican Beast Whos Coming To Your Town, "você não vai acreditar, Tommy vai gravar uma música no seu disco. E obviamente Chris também". Depois gravaram o disco todo. "Texas Bound" gravamos em 95, saiu em 96. Depois, gravei outro em 1999, "Blues On The Outside", saiu acho que já em 2000.
Resenhando.com - Como você avalia o blues na atualidade?
Nuno Mindelis - Na real, nem avalio mais. Quase não ouço. É tudo muito igual. E grandes revolucionários como Little Walter, John Lee Hooker, Skip James etc. são cada vez mais raros. Não é saudosismo, havia de fato algo que transcendia ali. Hoje parece meio fabricado em série, especialmente do lado branco. Atenção: não me refiro à habilidade, o pessoal detona pra caramba, são artistas altamente proficientes e habilidosos, músicos de quilate. Mas não saem daquilo, me refiro ao conceito, às suas obras. Qual será o legado? Haverá?
Resenhando.com - Você pretende lançar um novo disco?
Nuno Mindelis - Há duas direções aqui. Do ponto de vista prático, preciso lançar algo mais rapidamente porque os números das plataformas caíram um pouco. Spotify e afins são como redes sociais, se parar de mexer caem os números, acredite. E eu parei de lançar coisa por um tempo. Entre 2022 e 2025 anunciei uma série “um single por mês” (acabou sendo um a cada dois ou três meses na real. Em 2025, só gravei mas não lancei. Então vou ver se lanço uma coletânea com isso tudo mais os inéditos de 2025. Serão cerca de 12 ou 13 faixas até onde vasculhei. Penso em criar algo físico, cassete ou pendrive. Esse negócio de não ser dono do produto não funciona. Nas plataformas, você não é dono de nada, o pessoal que curte quer algo para chamar de seu. LP não penso, porque é caríssimo no Brasil, absurdo, extorsivo. A segunda direção é um trabalho novo que desconstrua o que fiz até agora. Enquanto soar previsível, para mim mesmo, pelo menos, não farei nada. Estou atrás dessa inspiração e desse laboratório mas os videos do Youtube me tomam muito tempo e energia. Mas está na pauta, só preciso conseguir tempo e alguma inspiração. Também gostaria de trabalhar com alguém de nova geração com afinidade com produções eletrônicas mas parece que essa turma foge. No meu tempo, era ao contrário, idolatrávamos os pioneiros e faríamos de tudo para poder colaborar com eles. Vide U2 com BB King, Santana e o álbum "Supernatural", etc.
Resenhando.com - Como está o plano para shows ao vivo?
Nuno Mindelis - Vou fazer um em Florianópolis e soube que está “sold out” (com ingressos esgotados). Em 2026, não sei bem o que será, uma turnê média em Minas é certeza. Apresentações no Blue Note e no Bourbon Street em São Paulo podem acontecer.
"I Know What You Want"
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
.: George Martin, o centenário do quinto Beatle
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Sir George Henry Martin foi produtor musical, arranjador, compositor, engenheiro sonoro, músico e maestro britânico. Ele é considerado um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, com trinta canções chegando ao primeiro lugar das paradas no Reino Unido e 23 nos Estados Unidos.
De acordo com informações do portal Beatles Brasil, Martin estudou na Guildhall School of Music and Drama entre 1947 e 1950, estudando piano e oboé, sendo influenciado por uma grande variedade de estilos musicais. Após se formar, ele trabalhou no departamento de música clássica da BBC, entrando na EMI em 1950. Martin produziu canções cômicas no início da década de 1950, trabalhando com pessoas como Peter Sellers e Spike Milligan.
Ele foi o cara que ajudou a moldar o som desenvolvido pelos Beatles. Era o cara certo na hora certa para os quatro jovens de Liverpool . Chegou inclusive a tocar em algumas produções, como no álbum "Rubber Soul", que na faixa "In My Life" conta com um breve solo de piano executado por Martin.
A gravação de "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", lançados como single, somados com a produção do álbum "Seargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band" na segunda metade dos anos 60 ajudaram a escrever um novo capítulo na história do rock. Além dos Beatles, Martin trabalhou com outros artistas na década seguinte, como o grupo vocal América e o icônico guitarrista britânico Jeff Beck, produzindo álbuns marcantes nos anos 70 para ambos.
Martin esteve no Brasil nos anos 90, a convite do produtor Marcelo Fróes. Em uma dessas ocasiões se encontrou com o músico Tom Jobim, promovendo um encontro de gigantes da nossa música popular. Em 1998 produziu e gravou o álbum "In My Life", composto basicamente por versões de clássicos dos Beatles, cantados por vários artistas convidados, como Celine Dion, Phil Collins, Bobby McFerrin, Jeff Beck, além dos atores Sean Connery, Jim Carrey, Goldie Hawn e Robin Willians, entre outros.
O portal Beatles Brasil informa que, em uma carreira de seis décadas, Martin trabalhou em cinema, televisão e espetáculos ao vivo. Ele também teve vários cargos executivos em companhias midiáticas e contribuiu para várias de causas beneficentes, incluindo seu trabalho para o "The Prince’s Trust" em prol da Ilha de Montserrat. Como reconhecimento de suas contribuições para a música e cultura popular, ele recebeu um Knight Bachelor, condecoração dada pelo Reino Unido em 1996. Faleceu no dia 8 de março de 2016, aos 90 anos, na Inglaterra.
"I Am The Walrus" - com Jim Carrey
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação
"Confia em Mim"
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
.: “Libido da Alma”: Guilherme Arantes lança o primeiro single de novo álbum
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Leo Aversa
Chega às plataformas de música o single “Libido da Alma”, primeira amostra de "Interdimensional", o novo álbum de Guilherme Arantes. Gravada em seu estúdio na Espanha, a faixa retoma as referências musicais que marcaram a virada dos anos 1970 para os 1980, representadas no Brasil por nomes como Lincoln Olivetti e Robson Jorge, entre outros.
Esse universo é absolutamente familiar ao próprio Guilherme Arantes, que misturou soul e funk em peças de seu repertório que se tornaram clássicos da música brasileira, como “Aprendendo a Jogar” (lançado por Elis Regina), “Fio da Navalha" (tema da novela “Partido Alto”) e “Pedacinhos”, balada black-bossa que virou um dos grandes sucessos da carreira do cantor e compositor paulistano.
Com letra que celebra a possibilidade de ser feliz sozinho, “Libido da Alma” dá um passo adiante nessa brasilidade black. A gravação ressalta a melodia e o vocal aponta para o canto de João Gilberto, em emissão minimalista e delicada. O instrumental traz o swing das guitarras de Alexandre Blanc em diálogo com as percussões latinas e a bateria precisa de Gabriel Martini.
O arranjo combina timbres clássicos e contemporâneos, incluindo string machines reminiscentes de um Elka Rhapsody de 1974, órgão Hammond C3, Clavinet D3 Honner com wah wah, Rhodes Mark V, além do piano Yamaha CP70 com flanger Mutron, marca registrada do pop de Guilherme Arantes. Há ainda inserções em reverse áudio, típicas da era das fitas de gravação, e um coro de vozes rigorosamente soul, reforçando o caráter vintage e radiofônico da faixa. O baixo suingado com slaps é assinado por Milton Pellegrin, da banda de Ed Motta.
O single foi mixado por Sylvia Massy (Oregon) e masterizado por Felipe Tichauer. A capa foi criada por Guilherme Arantes a partir de uma foto de Márcia Arantes. Interdimensional, o álbum completo, tem lançamento marcado para o dia 15 de janeiro de 2026.
"Libido da Alma"
Tags
#LibidoDaAlma #Interdimensional #GuilhermeArantes #LuizGomesOtero #musica
sábado, 20 de dezembro de 2025
.: Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta: dois bicudos musicais
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
.: Mental Trigger lança álbum de estreia e se firma como nova força do metal
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
A banda paulistana Mental Trigger lançou em todas as plataformas digitais o seu primeiro álbum auto-intitulado. Um trabalho que reúne intensidade emocional, peso sonoro e uma entrega artística que consolida o grupo como uma das novas promessas da cena metal nacional.
Formada em 2024 na cena de São Paulo, a Mental Trigger surge com o propósito de dar voz às emoções mais viscerais e profundas. O grupo canaliza a energia crua do metalcore em cada nota, verso e grito, incorporando ainda influências de deathcore, new metal, djent e groove metal para criar uma sonoridade interessante.
A banda é integrada por Luis Bom Angelo (vocal), João Pedro Surian (bateria), Gustavo Aliberti (guitarra), Luiz Barreto (guitarra) e Raphael Esteves (baixo) que carregam em seus DNAs a força da inovação e intensidade emocional que marcam o metal contemporâneo.
Com oito faixas autorais e uma faixa bônus especial - um cover poderoso de “Perry Mason”, de Ozzy Osbourne - o álbum presta homenagem ao ícone do metal, falecido em julho deste ano, revisitando sua obra com respeito, agressividade e identidade própria. Produzido por Ryu Morita, o álbum foi gravado na capital paulista, foi mixado por João Felipe Favaro e masterizado por João Pedro Surian. A identidade visual do projeto ganha vida pelas mãos de Gustavo Aliberti, que assina a arte de capa.
Mental Trigger - "Where Angels Sin"
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
.: Moacir Luz e os 20 anos do Samba do Trabalhador
O Samba do Trabalhador, roda que surgiu em maio de 2005 no Renascença Clube, em Andaraí, no Rio de Janeoro, transformou-se em referência em todo o Brasil. Ao completar 20 anos, chega às plataformas o novo álbum “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador, 20 Anos", que a gravadora Biscoito Fino disponibilizou nas plataformas de música.
O álbum apresenta novas parcerias de Moacyr Luz com compositores como Dunga, Pedro Luís e Xande de Pilares. Alguns clássicos de Moacyr foram revisitados pelos integrantes da roda, como "Vila Isabel", cantada por Mingo Silva (parceria de Moacyr com Martinho da Vila); "Tudo o que Vivi", cantada por Gabriel Cavalcante (parceria de Moacyr e Wilson das Neves), e "Cachaça, Árvore e Bandeira", samba de Moacyr com Aldir Blanc, interpretado por Alexandre Marmita.
O novo projeto conta ainda com composições inéditas dos próprios integrantes do Samba do Trabalhador. "Vai Clarear" fala de esperança e retrata muito bem o momento atual de Moacyr Luz. Uma parceria de Moacyr Luz com Alexandre Marmita, Mingo Silva e Nego Álvaro. "Caboclo pára-raios", interpretada por Mingo Silva, é um samba do Mingo com Anderson Baiaco, que conta a história de um sujeito "carregado" de energia ruim. "Roda de Partido", interpretada por Gabriel Cavalcante, é uma parceria do próprio Gabriel com Roberto Didio, que homenageia os grandes partideiros da história. Já "Vou tentando", interpretada por Alexandre Marmita, é uma parceria do próprio Marmita com Moacyr Luz, que fala sobre a persistência nas dificuldades do dia a dia do músico.
A cantora e compositora Joyce Moreno participa do álbum em uma das faixas inéditas, "Eu Fiz um Samba pra Bahia", parceria de Moacyr com Sereno, do grupo Fundo de Quintal. O samba dolente "Água Santa", parceria inédita de Moacyr com Pedro Luís, foi gravado pelos dois parceiros e conta com a participação da icônica gaita do maestro Rildo Hora. A cantora Marina Iris surge nos vocais de “Dezesseis", inédita de Moacyr Luz e Aldir Blanc. Falando em Aldir, Moacyr gravou "Mitos Cariocas", outra parceria dos dois, em homenagem ao saudoso cartunista Lan.
Os arranjos são de Leandro Pereira, violonista que sempre esteve por perto, e que conseguiu, com perfeição, transpor para o estúdio o clima descontraído das célebres rodas do Renascença Clube. Moacyr Luz e Samba do Trabalhador é um disco entre amigos, para exaltar a obra de Moacyr Luz, dar espaço ao novo, e retratar com maestria a trajetória de 20 anos do grupo. Se você curte o samba de qualidade, vale a pena conferir.
"Roda de Partido"
"Todo Santo Dia"
sexta-feira, 21 de novembro de 2025
.: Crítica musical: "Who Are You", a despedida de Keith Moon
.: Quarta edição do Patfest homenageia a banda Leeds
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
.: Crítica musical: Mauro Marcondes canta o tempo e o amor
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
.: Crítica musical: Lô Borges... E o sol levou o trem azul
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
O Clube da Esquina perdeu um de seus fundadores esta semana. Com o falecimento de Lô Borges, encerra-se um dos capítulos mais importantes de nossa MPB. Lô tinha 73 anos e estava incrivelmente produtivo. Seja como artista solo, seja em trabalhos de parcerias com outros músicos, como Samuel Rosa e Tom Zé, só pra citar dois exemplos. Mas foi ao lado de Milton Nascimento que ele atingiu o topo da montanha ao gravar um dos álbuns mais influentes de nossa MPB em1972. O Clube da Esquina fez história pela força das canções e pelas vozes de Lô e Milton.
A sonoridade do trabalho de Lô no início dos anos 70 mesclava várias influências das coisas que ele ouvia naquela época. De Hendrix aos Beatles, ele conseguia unir tudo em sua música. São dessa época os seus primeiros discos em carreira solo: o "Lô Borges" (1972), conhecido como o disco do tênis, e "Via Láctea", que tem a célebre gravação da bela "Clube da Esquina nº 2", com a participação no vocal de Solange Borges.
Se por um lado os trabalhos mais recentes dele não tiveram o mesmo brilho dessa fase inicial, por outro ele teve o mérito de se manter na ativa, lançando material inédito com frequência, ao invés de se acomodar nos antigos hits. Seu trabalho mais recente é o álbum "Chão de Giz", gravado em parceria com Zeca Baleiro. Certamente sua obra deixará uma marca na nossa MPB. Um selo de qualidade referendado até por Tom Jobim, que não só admirava a turma do Clube da Esquina como chegou a regravar Trem Azul do Lô nos anos 90.
"Trem Azul"
"Paisagem na Janela"
"Sonho Real"
.: Crítica musical: Banduo, uma viagem musical pelo bandolim
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
.: “Uma Vida pelo Samba”: livro e álbum digital resgatam obra de Beth Carvalho
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Artista da maior importância da nossa MPB, Beth Carvalho teve resgatada a sua importante trajetória por intermédio do livro “Uma Vida pelo Samba”, escrito pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour. O trabalho, que complementa o álbum digital "Samba Book", mostra toda a discografia da cantora e ressalta a essência de seu trabalho como descobridora de talentos e sua forte conexão com o gosto popular.
O álbum digital "Samba Book Beth Carvalho" (Musickeria) conta com 26 faixas com canções interpretadas por vários nomes da música. As cinco primeiras edições homenagearam João Nogueira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, reunindo elencos estelares, em gravações exclusivas.
A sexta edição, em tributo a Beth Carvalho, inclui um caderno de partituras, com transcrição dos arranjos originais dos sambas; ambiente na web, com portal e redes sociais, além do livro “Uma Vida pelo Samba”, escrito pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour. O livro cataloga os álbuns de carreira e as participações de Beth em discos de outros artistas, compactos e projetos especiais, desde sua estreia em 1965.
Faour conta que a fase inicial da carreira de Beth foi o trecho que rendeu um trabalho maior de pesquisa. “Eu acompanhei a trajetória dela desde os primeiros discos de samba. Mas ela já vinha atuando na música antes, nos anos 60, mais envolvida com o pessoal da Bossa Nova e dos festivais”. Faour lembrou a canção Andança, que Beth Carvalho defendeu com o grupo Golden Boys no Festival Internacional da Canção de 1968 e ficou em terceiro lugar. A composição de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi se tornou um clássico da nossa MPB. “Ela tinha uma personalidade forte. Era uma artista que sabia o que queria e estava sempre conectada com o gosto do público. Prova disso são os seus grandes sucessos”. Compre o livro "Uma Vida pelo Samba", de Rodrigo Faour, neste link.
"Coisinha do Pai"
"Saco de Feijão"
"Firme e Forte"
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
.: Rush: nunca diga nunca, a volta da banda canadense
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
sábado, 18 de outubro de 2025
.: Crítica musical: Kiko Horta estreia em disco com "Sanfona Carioca"
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Celso Filho
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
.: Crítica musical: Delirio Cabana é 100 por cento Amazonas
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Laryssa Gaynett
O Delírio Cabana fez da paixão comum pela música popular brasileira um terreno fértil para germinar novas composições com ritmos tradicionais da Amazônia, como gambá, cumbia, carimbó, boi-bumbá, carimbó e beiradão. A mescla mostrou um resultado aurpreendente
“Tempero” marca a estreia da banda formada pelos amazonenses Bruno Mattos, Gabriella Dias, Luli Braga e Nando Montenegro, nascida em 2023, durante uma viagem de Manaus à vila de Alter do Chão, em Santarém no Pará. Foram duas semanas de convivência e criação à beira do Tapajós, uma experiência que selou a vontade de construir uma história coletiva a partir da paixão pela cultura amazônica.
Composição de Nando Montenegro, “Tempero” junta a musicalidade da Região Norte às demais influências da MPB contemporânea, do pop e da música latina. O arranjo é de Bruno Mattos e a produção musical é dividida entre ele e Lucas Cajuhy, que também assina engenharia de gravação, mixagem e masterização.
A canção conta com percussões de Tércio Macambira, mauesense que criou a pulsação que sustenta a canção marcada por células rítmicas de gambá, boi-bumbá, maracatu e carimbó. Os sopros ganham corpo com Marcelo Martins (trompete), Francirbone (trombone) e Crhistofer Santos (saxofone), enquanto Bruno Mattos gravou as linhas de baixo, violão e guitarra. O resultado é um single coletivo, com vozes muito bem divididas entre Nando, Luli, Bruno e Gabriella, que se complementam em timbres e texturas.
Os figurinos e acessórios utilizados pelos integrantes vêm da marca Yanciã Amazônia, curadora de peças confeccionadas por artesãos do Amazonas, que prioriza a matéria-prima natural oriunda do bioma da região e materiais de reaproveitamento. Além disso, a marca autoral amazonense Glitch confecciona alguns dos figurinos idealizados por Hendryl Nogueira, que também assina a maquiagem do quarteto. A produção traz uma ficha técnica 100% amazonense, reforçando o potencial criativo inesgotável da cena musical do Amazonas.
"Tempero"
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
.: Crítica musical: Muñoz, a volta do psych rock
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Muñoz é um duo de heavy blues formado pelos irmãos Mauro e Samuel Fontoura. Naturais de Mineiros, município de Goiás, eles formaram a banda em Uberlândia, em Minas Gerais no ano de 2012. E se destacaram com o EP "Muñoz" em 2013 e o álbum "Nebula" em 2014, produzidos por Rafael Vaz no Caverna Estúdio. O seu mais recente lançamento é o CD "Twins", que reforça a sonoridade do duo no estilo psych rock.
A proposta de "Twins" foi produzir um trabalho que representasse com sinceridade a alma da banda: um duo barulhento, visceral e honesto. As letras, seguem uma linha surrealista, introspectiva e sarcástica, dentro do universo do psych rock, abordando temas como ego, solidão, tempo, sonho e loucura. No entanto, o foco do álbum não está nas palavras em si, mas na experiência sonora como um todo, onde voz, ruído e ambiência ocupam o mesmo espaço narrativo.
A capa do disco reforça o caráter íntimo e simbólico do projeto: uma fotografia dos irmãos ainda crianças, nos anos 90. A imagem remete à infância e à conexão fraterna que se traduz também na música - ora nostálgica, ora explosiva. Algumas faixas trazem uma pegada mais garageira, com espírito frenético, que remete à energia do garage rock como expressão juvenil. Se você curte ouvir bandas do segmento indie rock certamente irá se identificar com a sonoridade do Muñoz. Que está distante do som que você ouve nas rádios. E isso já serve como motivo para você conferir o trabalho desse interessante duo.
"Inner Voice"
.: Jair Oliveira e Luciana Mello revivem "Dois na Bossa"
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação.
A ideia partiu de Jair Oliveira (Jairzinho): resgatar a memória e celebrar os 60 anos de “Dois na Bossa”, primeiro álbum ao vivo de Jair Rodrigues, Elis Regina e o Jongo Trio, lançado em 1965 e que ultrapassou a marca de 500 mil cópias, um feito inédito na música brasileira até então. Para marcar a data simbólica, Jair subiu ao palco ao lado da irmã, Luciana Mello, em uma noite que reafirmou a vitalidade de um legado que atravessa gerações.
O espetáculo aconteceu no dia 13, no Amaturo Theater, parte do Broward Center for the Performing Arts, em Fort Lauderdale - um dos principais espaços culturais da Flórida, nos Estados Unidos. Os ingressos foram esgotados, evidenciando não apenas a potência de Jair e Elis, mas também o carisma e a solidez artística de Jairzinho e Luciana, que conquistam reconhecimento do público internacional como continuadores e inovadores da tradição musical brasileira.
O repertório inclui clássicos como "Disparada", "Como Nossos Pais", "Canto de Ossanha", "Arrastão", "Águas de Março" e "Upa, Neguinho", além de medleys que revisitam sambas e canções da bossa nova. O show teve ainda participações de Boca Melodia e da filha de Jair, Isabela Oliveira. “Fiquei ainda mais feliz por ter idealizado este show. ‘Dois na Bossa’ foi um marco na música brasileira e um grande momento na carreira do meu pai e de Elis Regina. Minha intenção sempre foi prestar essa homenagem e reviver toda a emoção que o álbum carrega. Estar fora do país, com ingressos esgotados em um teatro de tanta relevância, e dividir o palco com a minha irmã Luciana torna esse momento ainda mais especial”, afirma Jair Oliveira.
E completa: “De alguma forma, o Jairzão estará com a gente neste show, como se também dividisse o palco conosco - e isso nos emociona profundamente. Queremos que essa homenagem não se restrinja aos Estados Unidos: a ideia é levá-la ao Brasil em 2026, para que o público brasileiro também possa viver de perto essa celebração tão especial da nossa música”. A direção musical é de Jair Oliveira, acompanhado por Cássio Coutinho (teclados), Wesley Cosvosk (bateria) e Kai Sanchez (baixo).
"Medley Dois na Bossa"
sábado, 27 de setembro de 2025
.: Entrevista com Claudette Soares: "De Tanto Amor" na música
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Murilo Alvesso.
Claudette Soares pertence a uma categoria rara de intérprete de nossa MPB. Capaz de reviver canções consagradas com sua interpretação suave e singular. Mesmo tendo surgido em um período fértil, com outras grandes cantoras, ela sempre conquistou o seu espaço com garra e perseverança. E continua na ativa: seu mais recente lançamento foi um disco com canções de Chico Buarque. Em entrevista para o Resenhando, ela conta como foi seu início na música e revela quem foram seus ídolos. “Sou muito grata a Deus pelo dom de cantar”.
Resenhando.com - Você surgiu em um período com outras grandes cantoras. Na sua opinião, o que havia no País para revelar tantas intérpretes talentosas ao mesmo tempo?
Claudette Soares - Era um momento de glamour, de grandes talentos e de estrelas maiores. Como dizia Elis Regina, cada cantora tinha um estilo e uma voz que você identificava na primeira frase musical. Era um momento muito lindo, muito grandioso e graças a Deus eu comecei nessa fase. E com as estrelas sempre respeitando as novas cantoras que surgiam . Eram realmente amigas mesmo.
Resenhando.com - No início quem eram os seus ídolos na música?
Claudette Soares - Bom, eu sempre gostei de música americana, jazz. Apesar de não ser uma cantora desse estilo. Eu adorava Judy Garland, Frank Sinatra. Nos Brasil, eu tinha como ídolo a grande musa da Bossa Nova, Sylvinha Telles, a primeira cantora moderna do Brasil. Ela foi uma das maiores amigas da minha vida. Eu também gostava muito da Dalva de Oliveira, maravilhosa e da Nora Ney, com aquela voz rouca e sensual. Eu queria ser igual a ela, ter aquela voz.
Resenhando.com - Você participou de festivais nos anos 60. Na sua opinião, hoje em dia esses festivais seriam positivos para revelar novos talentos?
Claudette Soares - Bom, eu acho que os festivais hoje não seriam como foram nos anos 60. A criatividade anda meio em baixa. Mas é claro que há exceções. Eu acho que a música brasileira moderna, criativa, não está tendo muito espaço. Musicalmente falando, os festivais hoje não teriam a grandiosidade e a musicalidade que tiveram nos anos 60.
Resenhando.com - Você gravou dois discos antológicos com o Dick Farney. Já pensou em realizar algo em parceria com outros nomes da música?
Claudette Soares - Olha, não pensei não em fazer uma parceria por enquanto. Minha parceria com o Dick Farney foi perfeita e me deu muito prestígio na música. O Dick Farney sabia, porque eu falava isso pra ele. Sou muito grata ao Dick por ele ter me escolhido para esse trabalho, que realmente se tornou antológico.
Resenhando.com - O seu maior sucesso foi o disco "De Tanto Amor", com a música de Roberto Carlos. Você chegou a gravar outras músicas dele?
Claudette Soares - Na verdade, eu já tinha gravado dele a "Como É Grande o Meu Amor por Você", com arranjo maravilhoso do Cesar Camargo Mariano.Foi em 1967, em pleno auge da Bossa-nova, eu ousei cantar algo que vinha da Jovem Guarda. O Roberto gostou tanto que falou que iria fazer uma música para mim. E acabou fazendo duas: "De Tanto Amor" e "Você", ambas lindas em parceria com o Erasmo Carlos.
Resenhando.com - Seu disco mais recente foi dedicado a obra de Chico Buarque. Foi difícil escolher o repertório?
Claudette Soares - Não foi difícil não escolher um repertório do Chico Buarque. Ele é incrível, um dos maiores desse mundo. Tenho verdadeira paixão por ele. A ideia era reviver canções dos anos 60 e 70 que não tinham sido regravadas, mescladas com outras da produção mais recente dele. E ele não só liberou as gravações como ainda participa cantando comigo em uma das faixas. Foi uma emoção enorme para mim.
Resenhando.com - Qual o segredo para manter essa sua extraordinária longevidade na música?
Claudette Soares - Sou muito grata a Deus pelo dom de cantar. Canto desde os dez anos de idade. Desde essa época eu só queria cantar. Graças a Deus eu sou muito disciplinada. Eu não grito, não tomo gelado. Conheço muitos cantores que tomam gelado e cantam acima de seu tom. Nada contra quem faz isso. Mas eu procuro me preservar.
"Carolina"















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