Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de julho de 2026

.: Fafy Siqueira: 50 anos de carreira em comédia que discute etarismo e TDAH


Sob direção de Isser Korik e idealização da atriz e produtora Rachel Gollassi, o espetáculo Já Dizia Minha Vó! estreia dia 2 de agosto no Teatro Uol, transformando questões sociais delicadas em comédia leve e emocionante. Foto: 
Saymon Sampaio

O riso é a ferramenta que aproxima gerações em "Já Dizia Minha Vó!": uma comédia que une humor, reflexão e impacto social. Idealizado a partir de uma proposta inicial de Gilberto Tadeu - pai da atriz Rachel Gollassi -, o espetáculo nasceu inspirado pelas histórias diversas de sua avó paterna, Dona Nilza. A peça estreia dia 2 de agosto, domingo, no Teatro Uol, em São Paulo, marcando os 50 anos de carreira de Fafy Siqueira. Com texto de Tiago Luchi e direção de Isser Korik, reúne no palco Fafy e a idealizadora Rachel Gollassi. O espetáculo conta com Gil Teles na assistência de direção, preparação corporal de Tito Soffredini - com base nas técnicas de Klaus Viana - concepção visual e figurinos de Marisa Rebollo, iluminação de César Pivetti e trilha de Wagner Bernardes.

A trama gira em torno da relação entre uma avó moderna (Dona Irene) e sua neta vulnerável (Gabriela). Enquanto a jovem busca forças para sair de um relacionamento tóxico, sua avó enfrenta o desafio de reingressar no mercado de trabalho e lidar com o preconceito contra a idade. De forma leve e acessível, o espetáculo aborda temas atuais e relevantes, como o combate ao etarismo e a importância de as mulheres fortes se apoiarem, promovendo a igualdade de gênero e o empoderamento feminino e despertando no público a consciência de que experiência, afeto e solidariedade são ferramentas poderosas de transformação.

O resgate da linguagem de interpretação do Teatro Popular na direção
O diretor Isser Korik é quem equilibra humor e reflexão em cena. Entusiasta do texto, ele destaca que a dramaturgia de Luchi tem ritmo natural e convida à interpretação. “'Já Dizia Minha Vó!' é aquele tipo de texto que dá vontade de atuar. Fiquei muito feliz com o convite para dirigir, porque é uma oportunidade de trabalhar de forma muito direta com as atrizes, mais focado na interpretação que na encenação".

O objetivo de Korik foi reforçar o vínculo afetivo entre avó e neta sem perder a agilidade do texto e o tom de comédia. Para isso, recorreu aos 40 anos de pesquisa em Teatro Popular Brasileiro, escola que estuda desde 1985, quando foi discípulo de Carlos Alberto Soffredini. O trabalho da linguagem de interpretação é reforçado pela parceria com Tito Soffredini na preparação corporal das atrizes, baseada na técnica de Klaus Viana. A concepção visual de Marisa Rebollo, a iluminação de César Pivetti e a trilha sonora de Wagner Bernardes buscam uma teatralidade deslocada do realismo, visando principalmente a diversão e o conforto pela plateia.


Leveza, humor e reflexão social
A comédia trata o preconceito de idade com leveza, mostrando como essa barreira limita e exclui profissionais valiosos no mercado. Ao dar voz a personagens que enfrentam esse cenário, o espetáculo estimula uma reflexão sobre convivência entre gerações e sobre valores como respeito e inclusão.

Embora a personagem Gabriela não tenha sido inspirada nas vivências de Rachel Gollassi, a atriz e idealizadora encontrou pontos de conexão com o papel durante o processo de ensaios. Ela esclarece que a história foi criada de forma totalmente independente pelo autor, mas que acabou gerando uma identificação posterior.

"O mais curioso é que o Tiago não conhecia minha história pessoal. Depois percebi que muitas das experiências da Gabriela dialogavam com as minhas, porque eu já vivi um relacionamento tóxico e compartilho alguns conflitos internos parecidos com os dela. Durante o processo de construção da personagem, passei a me identificar com algumas características associadas ao TDAH". Sem diagnóstico formal, a atriz pesquisou o tema a fundo para estruturar a personagem.

O espetáculo conta com o apoio da campanha "TDAH Levado a Sério", da Apsen, patrocinadora da temporada, e busca tratar o transtorno com responsabilidade. A produção defende que TDAH e ansiedade exigem acolhimento, terapia e acompanhamento — não rótulos. O interesse da Apsen em apoiar o projeto está ligado ao compromisso da farmacêutica com saúde e bem-estar, temas que aparecem na trama de forma orgânica, como nos cuidados de saúde que fazem parte da rotina de Dona Irene.

Fafy Siqueira e os 50 anos de palco
Depois de cinquenta anos de carreira, Fafy Siqueira pode escolher os projetos que aceita. O texto de Tiago Luchi a conquistou pela precisão das piadas. "O que me fez escolher esse texto foi a qualidade das piadas. Ver um texto de humor com piadas assim interessantes, elegantes e inteligentes, hoje em dia, é muito difícil. Isso para mim foi o fundamental".

Interpretar a elegante Irene trouxe também uma mudança bem-vinda. Depois de anos em papéis de TV que exigiam abrir mão da vaidade em nome do escracho, Fafy comemora viver uma mulher de 70 anos refinada, bem-vestida, quase uma "Meryl Streep da vida".

Fafy também comenta o etarismo enfrentado por sua personagem. Seu nome consolidado a protege de ser preterida individualmente, mas ela aponta que a indústria ainda erra ao não dar protagonismo a atores mais velhos, relegando-os com frequência a papéis de avós coadjuvantes. Por isso, o papel principal de Dona Irene é raro.

Entre o palco e a realidade, a atriz se diverte ao traçar a linha que a separa da personagem. "Eu não tive filhos porque não quis, mas tenho uma maternidade na minha alma muito grande. Outra coisa que tem de Fafy na Dona Irene é a alegria: a Dona Irene acredita na vida, a Fafy acredita na vida."

Personagens ditando o ritmo
Para evitar o tom panfletário, o autor Tiago Luchi revela que seu norte criativo foi deixar que o humor nascesse organicamente do choque geracional, e não de piadas sobre os temas em si. "O maior desafio foi justamente esse: não deixar que os temas conduzissem a história. Eu sempre parti das personagens.  A Gabriela vive tudo de forma intensa, impulsiva e imediata. Já a Dona Irene olha para a vida com a tranquilidade de quem já errou muito e aprendeu com isso. O choque entre essas duas formas de enxergar o mundo cria situações naturalmente engraçadas".

Segundo Luchi, a virada de chave foi construir uma identificação com as vivências da dupla, blindando a dignidade das personagens acima da piada fácil para fazer o público rir e, ao mesmo tempo, refletir. "Sempre tive o cuidado de que o público risse das situações e se identificasse com as personagens, nunca das suas dores. Acho que essa foi a chave para preservar a leveza. Eu queria que o espectador saísse do teatro com a sensação de ter dado muitas risadas, mas percebesse, já no caminho de casa, que também refletiu sobre a própria vida".

Ficha técnica
Espetáculo  "Já Dizia Minha Vó!"
Texto: Tiago Luchi. Colaboração: Ruan Reis. Direção: Isser Korik. Diretor Assistente: Gil Teles. Elenco: Fafy Siqueira e Rachel Gollassi. Idealização: Gilberto Tadeu . Participação Especial: Genezio de Barros, Fernanda Lorenzoni e Anastácia Custódio. Cenografia e Figurinos: Marisa Rebollo. Desenho de Luz: Cesar Pivetti. Trilha Sonora: Wagner Bernardes.  Preparação Corporal: Tito Soffredini. Preparação Vocal: Alessandra Zalaf. Coreografia de Sapateado: Carla Vasquez. Cenotécnica: Casa Malagueta.Direção de Produção: Maristela Bueno. Produção Executiva: Tiago Luchi e Rachel Gollassi. Produtor: Thomas Marcondes. Operador de Luz: Rodrigo Pivetti. Contrarregra: Pedro Sousa. Coordenação Administrativa: Art’ssi Produções e L Ponto Produções. Prestação de Contas: Pipoca Cultural. Design Gráfico e Redes Sociais: Gigi Prade. Gestão de Tráfego: Thiago Marques. Fotografia Artística: Saymon Sampaio. Assessoria de Imprensa: Arteplural - M. Fernanda Teixeira e Mauricio Barreira. Landing Page: Ivan Brasileiro. Vídeo de IA: Guil Valente.

 

Serviço
Espetáculo "Já Dizia Minha Vó!"
Teatro Uol - Shopping Pátio Higienópolis. Av. Higienópolis, 618 – Consolação. Estreia: 2 de agosto,  domingo, 18h. Temporada: de 2 de agosto a 25 de outubro. Sessões: sábados e domingos, às 18h. Ingressos: R$ 150,00 (inteira) e R$ 75,00 (meia-entrada). Ingressos Populares: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada).

segunda-feira, 27 de julho de 2026

.: "Pluft, o Fantasminha" ganha grandiosa montagem assinada por Tom Arruda


A avant première acontece no dia 10 de agosto, às 20h, no CCSP, onde segue em temporada gratuita até 9 de outubro. Foto: Pablo Marck



"Pluft, o Fantasminha", escrita por Maria Clara Machado, é a obra mais importante do teatro infantil brasileiro. A história do fantasminha que tem medo de seres humanos chega a São Paulo no dia 14 de agosto, no Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho, com temporada gratuita. A direção artística é assinada pelo produtor e diretor Tom Arruda, que se mantém fiel ao texto, mas inova não só na concepção do imaginário da obra, como na avant-première da peça, que terá uma noite de gala para convidados no dia 10 de agosto, às 20h00, no CCSP. Temporada: dias 14, 15, 16, 20, 21, 29 e 30 de agosto, 3, 4, 5 e 6 de setembro e 7, 8 e 9 de outubro, sempre às 15h00. No elenco, Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos, Douglas Britto

O enredo gira em torno do rapto da menina Maribel pelo malvado pirata Perna-de-Pau, que a esconde no sótão de uma velha casa abandonada para forçá-la a revelar a localização de um tesouro escondido. É neste local que vive Pluft com sua mãe - famosa por seus pastéis de vento - e seu Tio Gerúndio, que passa o dia dormindo em um baú. Ao encontrar Maribel, o fantasminha precisará superar o seu pavor de pessoas para ajudá-la a fugir.

A inovadora montagem aposta em uma experiência multissensorial. Arruda cuidou pessoalmente de cada aspecto da produção para envolver o público com sensibilidade e apuro estético. O sótão em que a família de fantasmas vive ganha cores, com cenários e figurinos feitos à mão com tecidos e adereços que remetem às festas populares. A proposta visual integra o fantástico à realidade, unindo recursos tecnológicos, como projeções digitais, ao universo do circo, do teatro de rua e da cultura popular. O elenco multidisciplinar demonstra versatilidade ao dominar técnicas de atuação, música, dança, teatro de animação e circo contemporâneo.

“O resultado é um espetáculo pensado para toda a família: crianças se divertem com o movimento, jovens se identificam com a estética dinâmica, adultos redescobrem a magia atemporal e os mais velhos compartilham com as novas gerações uma história que marcou suas próprias infâncias”, resume a crítica teatral Kyra Piscitelli.


Sobre a autora
Maria Clara Machado (1921–2001) foi uma figura fundamental para a dramaturgia brasileira, sendo considerada a maior autora de teatro infantil do país. Sua trajetória é marcada pela criação de 27 peças infantis, além de diversos textos voltados para o público adulto e livros infantis.

O motor criativo de Maria Clara era sua profunda confiança na inteligência da criança. Ela não escrevia com tom simplista ou infantilizado; pelo contrário, estruturava suas peças com o rigor dramatúrgico de um clássico, comparável ao estilo de Molière. A autora acreditava no teatro como uma ferramenta vital de formação humana e artística, dedicando sua vida não apenas à escrita, mas também à fundação da escola de teatro O Tablado, que se tornou um celeiro de talentos no Brasil.

Sua genialidade era nutrida pelo convívio familiar com a elite intelectual da literatura moderna latino-americana, como Vinícius de Moraes e Pablo Neruda, amigos de seu pai, o escritor Aníbal Machado. Esse ambiente, aliado a uma formação que incluiu estudos em Londres, conferiu à sua obra uma qualidade poética e técnica que atravessa gerações. "Pluft, o Fantasminha", sua obra de maior projeção, foi escrita em apenas uma semana. Curiosamente, o texto foi concebido originalmente com a intenção de ser uma peça para teatro de bonecos.


Sobre o diretor
Tom Arruda possui vasta trajetória no teatro, na produção de programas televisivos e na realização de grandes eventos. Sua atuação diretiva caracteriza-se pelo envolvimento prático e profundo em todas as etapas da encenação. A polivalência de sua prática manifesta-se na participação direta na concepção de figurinos, adereços e cenários, integrando visão artística e execução técnica.

Esta atenção aos detalhes confere às suas produções um caráter autoral. Em Pluft, o Fantasminha, Arruda cuidou pessoalmente de cada aspecto da produção, aplicando esse rigor ao buscar a linguagem necessária para envolver o público com sensibilidade e apuro estético. O resultado desse processo é um espetáculo que convida o espectador a imergir no universo lúdico concebido pelo diretor.


Ficha técnica
Espetáculo "Pluft, o Fantasminha"
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualdo e Dorinha
Dramaturgia: Maria Clara Machado
Idealização: WWTom Produtora e TAUN produções artísticas
Direção artística: Tom Arruda
Elenco: Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos, Douglas Britto
Trilha sonora: PC Carvalho
Operação/Técnico de som: Arnaldo D'Avila
Cenografia: Tom Arruda
Fabricação Cenografia: Ocenica Cenografia
Criação e Operador luz: Eltom Ramos
Figurino: Tom Arruda
Criação e confecção de boneco: Pablo Marck
Adereços: Pablo Marck e Tom Arruda
Videografia/Cenotécnicos: Anjoscenicos
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualdo e Dorinha
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualda e Dorinha
Operação de som: Arnaldo D'Ávila
Designer/Identidade visual: Tadeu Pereira
Fotografia: Pablo Marck
Standin: Guilherme Franco, Pedro Rebeschini e Jadson Sanjes
Mídias sociais e colaboração de textos: Kyra Piscitelli
Assessoria de Imprensa: Flavia Fusco Comunicação e Andrea Duarte
Assessoria Jurídica: Renan Teiji Tsutsui / RTT Advogados
Direção de produção e Coordenação de produção: Taun Produções Artística e WWTom Produtora
Produção executiva: Taun Produções Artística
Assessoria Contábil: Onix Contabilidade
Apoiadores:  3 Corações, Além Da Mídia, Alpha Gráfica, Catarine Hills, Centro Cultural São Paulo, Ce que Sabe, Clinica Integrada, Clinica Vitalite, Dfe Educação, Elas Brihantes, G 12, Gh Marcenaria, Giuliana Flores, H Rosa, Luciane Franco, Luna De Capri, M Camicado, Onix, Pau Brasil, Planetas, Potenza, Prefeitura Municipal de São Paulo, Scarf Me, Thiaguinho Drinks, Van De Velde, Vital Flex


Serviço
Espetáculo "Pluft, o Fantasminha"
Dramaturgia: Maria Clara Machado
Idealização: WWTom Produtora
Direção artística: Tom Arruda
Elenco: Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos e Douglas Britto.
Gênero: infantil
Duração: 60 minutos
Recomendação: livre
Temporada: dias 14, 15, 16, 20, 21, 29 e 30 de agosto, 3, 4, 5 e 6 de setembro e 7, 8 e 9 de outubro, sempre às 15h00.
Ingressos gratuitos: os ingressos estarão disponíveis a partir das 14h00 e serão distribuídos em frente ao teatro, por ordem de chegada, até o limite da capacidade da sala. Não haverá emissão de ingressos pela bilheteria nem pelo site
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1.000
324 lugares | Acessibilidade | Cafeteria

.: "Antropoceno” estreia no Sesc Santos e transforma a crise climática


A obra traz JùpïRã Transeunte na dramaturgia, Marcos dos Santos na direção musical, Luiz Fernando Almeida na direção de ator e Eleonora Artysenk como preparadora corporal. Foto: divulgação


Lípari, performer e ator, apresenta “Antropoceno”, uma obra teatral dirigida por Douglas Lima. O projeto propõe uma discussão sobre a hipótese científica da era das mudanças irreversíveis nos processos biofísicos do planeta causadas pela humanidade. A obra traz JùpïRã Transeunte na dramaturgia, Marcos dos Santos na direção musical, Luiz Fernando Almeida na direção de ator e Eleonora Artysenk como preparadora corporal. O espetáculo faz sua estreia no Sesc Santos nesta quinta-feira, 30 de julho, às 20h00, integrando o projeto Baixada enCena. Os ingressos estão disponíveis no site e na bilheteria do Sesc.

Reconhecendo que as pautas climáticas necessitam de espaços de disseminação de conhecimento para além da academia, “Antropoceno” promove uma convergência vital entre ciência e arte. O teatro é utilizado como veículo de reflexão sobre o nosso papel como agentes transformadores, desmistificando a visão de que os territórios do Sul Global são apenas agentes propulsores de impactos ambientais e questionando pensamentos considerados complexos, como geopolítica, antropologia, sociologia e geologia, por meio da linguagem teatral.

Ficha técnica
Espetáculo "Antropoceno"

Idealização e atuação: Lípar
Dramaturgia: JùpïRã Transeunte
Direção: Douglas Lima
Direção de ator: Luiz Fernando Almeida
Direção musical: Marcos dos Santos
Preparação corporal: Eleonora Artsynck
Fotos: Cacá Bernardes


Ficha técnica
Espetáculo "Antropoceno"
Quinta-feira, dia 30 de julho, às 20h00.
Sesc Santos | Avenida Conselheiro Ribas, 136 - Santos / SP
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (inteira)

sábado, 25 de julho de 2026

.: Clássico de Nelson Rodrigues, "Valsa Nº 6" chega ao Teatro Arena B3


Monólogo estrelado por Luisa Thiré celebra 14 anos de sucesso nos palcos brasileiros e internacionais e ocupa a programação da semana da Arena B3. Foto: divulgação

A programação da semana do Teatro Arena B3 recebe um dos grandes clássicos da dramaturgia brasileira. Nos dias 25 e 26 de julho, a atriz Luisa Thiré apresenta o premiado monólogo "Valsa Nº 6", de Nelson Rodrigues, em uma temporada relâmpago com apenas quatro apresentações. Dirigido por Cláudio Torres Gonzaga, o espetáculo marca os 14 anos da montagem, que desde sua estreia, em 2012, no centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, conquistou reconhecimento de público e crítica, além de representar a dramaturgia brasileira em turnês por cidades da Espanha, Portugal e Cabo Verde.

Escrita em 1951, a peça acompanha Sônia, uma adolescente de 15 anos que, entre delírios e fragmentos de memória, reconstrói os acontecimentos que culminaram em seu assassinato. Embalada pela célebre "Valsa Nº 6", de Chopin, a narrativa transforma-se em um thriller psicológico que evidencia temas como violência contra a mulher, machismo estrutural, culpabilização da vítima e desigualdades de gênero — questões que permanecem atuais mais de sete décadas após a criação do texto.

Com elementos característicos da obra de Nelson Rodrigues, como paixão, ciúme, sedução, humor e tragédia, o espetáculo propõe uma reflexão sobre a permanência de estruturas sociais que naturalizam a violência e silenciam as vítimas. A montagem também se destaca pela concepção visual. O cenário, assinado pelo artista plástico Sérgio Marimba, aposta em uma estética não realista, enquanto o figurino criado por Teca Fichinski, premiado pela crítica especializada, torna-se parte essencial da narrativa. O vestido utilizado por Luisa Thiré possui uma saia de aproximadamente 12 metros de tecido, ocupando praticamente todo o palco e simbolizando a prisão da personagem em suas próprias lembranças.

Apaixonada pela obra de Nelson Rodrigues desde a época em que estudava Artes Cênicas na Unirio, Luisa idealizou o projeto e, ao lado de Cláudio Torres Gonzaga, construiu uma montagem que permanece em cartaz há mais de uma década. Após percorrer diversas cidades brasileiras e internacionais, "Valsa Nº 6" chega ao Teatro Arena B3 para uma rara oportunidade de ser assistida pelo público paulistano, em apenas um final de semana.


Serviço
Espetáculo "Valsa Nº 6", de Nelson Rodrigues
Elenco: Luisa Thiré
Direção: Cláudio Torres Gonzaga
Datas: 25 e 26 de julho de 2026
Apresentações: quatro sessões
Local: Teatro Arena B3 – Praça Antônio Prado, 48 – Centro Histórico de São Paulo
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 14 anos 

.: "Meu Corpo Está Aqui", no Sesc 24 de Maio, com reflexões sobre corpos PCDs


Espetáculo vencedor dos prêmios FITA e APTR e indicado ao Prêmio Shell tem temporada de 23 de julho a 9 de agosto. Foto: Nil Caniné

O Sesc 24 de Maio recebe, de 23 de julho a 9 de agosto, a temporada do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui", obra vencedora dos prêmios FITA e APTR e indicada ao Prêmio Shell. Com texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner, a montagem aborda afeto, desejo e sexualidade a partir das vivências de artistas com deficiência, tema inédito nos palcos brasileiros. Construído a partir das experiências pessoais do elenco, formado por artistas PCDs, o espetáculo apresenta personagens que falam abertamente sobre seus relacionamentos, seus corpos e seus desejos. A partir de depoimentos ficcionalizados, a obra convida o público a refletir sobre os estigmas, silenciamentos e apagamentos historicamente impostos às pessoas com deficiência.

A dramaturgia, escrita por Julia Spadaccini, também pessoa com deficiência, e Clara Kutner, mistura relatos pessoais e ficção para retratar os encontros entre desejo e afeto, evidenciando tanto as descobertas quanto os obstáculos vividos por corpos frequentemente colocados à margem das representações sociais. No elenco estão Bruno Ramos, artista surdo usuário de Libras; Juliana Caldas, atriz com nanismo, Pedro Fernandes, ator com paralisia cerebral com cognitivo preservado e usuário de cadeira de rodas; e Sara Bentes, artista cega. A direção de produção e coordenação geral do projeto são de Claudia Marques.

Em "Meu Corpo Está Aqui", a ficção surge como ferramenta de aproximação e reconhecimento. Ao evidenciar experiências afetivas e desejos que atravessam todas as pessoas, o espetáculo questiona preconceitos e amplia o debate sobre inclusão, autonomia e diversidade. A montagem propõe um olhar que reconhece as pessoas com deficiência como sujeitos plenos, capazes de viver e narrar suas próprias histórias.

Além da temporada, no dia 1º de agosto, às 18h00, o Sesc 24 de Maio recebe o lançamento do livro "Meu Corpo Está Aqui" e a exibição do documentário homônimo. A programação tem início com um bate-papo de aproximadamente 30 minutos, com a participação das diretoras do espetáculo e autoras do livro, Clara Kutner e Julia Spadaccini, da diretora do documentário, Camila Sokolowski, e do elenco da peça. Na sequência, será exibido o documentário, com 22 minutos, seguido de sessão de autógrafos do livro no foyer do teatro até o horário do espetáculo, às 20h00. Compre o livro do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui" neste link.


"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"
No Rio de Janeiro, quatro artistas PCDs, vindos de lugares diversos do Brasil, se reúnem para ensaiar uma peça teatral. Celebram alegria de seguir o caminho artístico, reafirmando no palco a potência de suas vozes e a luta contra o capacitismo. O que acontece quando o afeto e o desejo ocupam o centro do palco através de corpos que a sociedade, historicamente, tentou invisibilizar? Juntos, eles trazem para a cena vivências reais que misturam ficção, depoimentos e poesia visual. 

A diretora Camila Sokolowski acompanhou o grupo desde o dia 1 da chegada ao Rio, passando pelo processo de ensaio, as vivências individuais e pelos impactos dessa experiência na vida de cada um dos participantes.


"Meu Corpo Está Aqui" - Livro
Sucesso no teatro, a peça "Meu Corpo Está Aqui", que aborda a sexualidade das pessoas com deficiência, é lançada em livro pela editora Cobogó. Escrita por Julia Spadaccini e Clara Kutner, a dramaturgia foi construída a partir de experiências pessoais das atrizes e dos atores PCDs que estrelam o espetáculo, posteriormente ficcionalizadas para retratar vivências afetivas e sexuais. Agora publicada em livro, a obra conta com prefácio assinado por Benedita Casé e apresenta um jogo entre as pulsões e os obstáculos encontrados pelas personagens em suas descobertas afetivas e sexuais, tratando abertamente sobre essas experiências em cena.

Paradigmas culturais e históricos sobre a sexualidade das pessoas com deficiência são questionados com humor, sem que a urgência e a importância do tema sejam deixadas em segundo plano. O resultado é uma conexão entre cena e público, evidenciando as semelhanças que existem entre todos nós: almas habitando corpos diferentes.

Ficha técnica (espetáculo)
"Meu Corpo Está Aqui", da Fábrica de Eventos
Texto e direção: Julia Spadaccini e Clara Kutner
Elenco: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Intérpretes de Libras: Christofer Moreira
Direção de produção: Claudia Marques
Diretor assistente: Michel Blois
Produção: Fabricio Polido
Pesquisa de dramaturgia: Marcia Brasil
Colaboração de texto: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Haonê Thinar, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Figurino e cenografia: Beli Araujo
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Direção de movimento: Laura Samy
Música: Luciano Câmara
Visagismo: Cora Marinho
Operador de luz: Leandro Barreto
Operador de som: Carlos Gabriel
Realização: Fábrica de Eventos


Ficha técnica (documentário)
"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"

Gênero: documentário
Direção: Camila Sokolowski
Elenco: Haonê Thinar, Juliana Caldas, Bruno Ramos e Pedro Fernandes.
Produção: Julia Spadaccini
Fotografia: Felipe Marques, Geovane Ferreira e Victor Gautier
Duração: 22 minutos
Realização: Minhoca Filmes, Inova Filmes, Criativa Wip e Fábrica de Eventos


Serviço
Espetáculo "Meu Corpo Está Aqui"
Com Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Temporada: até dia 9 de agosto de 2026
Quintas, sextas e sábados, às 20h00 (exceto dia 6 de agosto). Domingos e feriados, às 18h00
Sessão extra no dia 8 de agosto, às 17h00.
Acessibilidade: intérprete de Libras em todas as sessões e audiodescrição nos dias 25 de julho, 1° e 8 de agosto.
Teatro do Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República / São Paulo
Classificação: 16 anos
Ingressos: no site sescsp.org.br/24demaio e no aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc)
Duração: 60 minutos


"Meu Corpo Está Aqui": documentário, lançamento do livro e bate-papo
Participantes: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes (elenco do espetáculo), as Clara Kutner e Julia Spadaccini (autoras e diretoras do espetáculo e livro) e Camila Sokolowski (diretora do documentário).
Dia 1° de agosto de 2026, às 18h00
Acessibilidade: Intérprete de Libras e audiodescrição
Classificação: 16 anos
Ingressos: gratuito com retirada de ingressos uma hora antes
Duração: 60 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: "Um Amigo Não Imaginário", em cartaz no Sesc Santo Amaro


Com direção e dramaturgia de Talita Cabral, espetáculo é uma história sobre a imaginação, amizade e os laços invisíveis que nos conectam. Foto: Alécio Cezar

A Cia. Navega Jangada fala sobre a importância da imaginação e como as pessoas aprendem a lidar com o intangível no infantojuvenil "Um Amigo Não Imaginário", com direção e texto de Talita Cabral. O espetáculo tem novas apresentações no Sesc Santo Amaro, de 21 de junho a 2 de agosto, aos domingos, às 16h. O trabalho ainda tem composições de Rodrigo Régis e traz no elenco Taynã Marquezone, Lucas Vedovoto e Thiago Ubaldo.

O espetáculo leva ao público a história de um amigo imaginário que, de forma inédita, nunca foi imaginado por uma criança. Em busca de ser real, esse ser singular se vê diante de um desafio: conquistar o imaginário de uma criança e, assim, ganhar vida. Na trama, acompanhamos a jornada de um amigo invisível que, ao longo do tempo, observa o desejo de ser imaginado por uma criança. Porém, o que torna essa história única é que, até então, esse amigo nunca foi "criado" por nenhuma mente infantil. Ele passa a viver a angústia de ser uma figura solitária no mundo da imaginação. Mas, quando um adulto sem perceber, entra em contato com ele, um confronto divertido e poético acontece, revelando a fragilidade e a força da imaginação, e como ela pode conectar mundos aparentemente distantes.

A peça não é apenas uma reflexão sobre a infância e a imaginação, mas também sobre como vemos e interagimos com o invisível e o intangível. A peça desafia as convenções de um mundo racional e adulto, apresentando um convite à redescoberta da capacidade de sonhar e de se conectar com aquilo que não se vê, mas que se sente profundamente. Também propõe uma reflexão divertida sobre a importância da imaginação na vida adulta, mostrando que, mesmo em uma sociedade racional, o imaginário tem seu poder.

A Cia. Navega Jangada de Teatro foi fundada em 2008 em Santo André, mas vinha desenvolvendo suas pesquisas na área do teatro de animação, circo, corporalidade do ator e música desde 2006. Criada por Talita Cabral (diretora e atriz) e Rodrigo Regis (compositor e diretor musical e músico) tem como principal característica em seus trabalhos a música como forma de narrativa. Possui um vasto repertório de espetáculos teatrais, que mesclam teatro de animação, popular, circo e linguagem não verbal. 


Ficha técnica
"Um Amigo Não Imaginário"
Dramaturgia e direção: Talita Cabral
Composições: Rodrigo Régis
Elenco: Taynã Marquezone, Lucas Vedovoto e Thiago Ubaldo
Figurinos: Talita Cabral
Cenário: Palhassada Ateliê e Talita Cabral
Maquiagem: A Cia
Concepção e operação de luz: Junior Docini
Técnico de som: Rodrigo Rossi
Contrarregra: Lui


Serviço
"Um Amigo Não Imaginário", com Cia Navega Jangada
Temporada até dia 2 de agosto de 2026
Aos domingos, às 16h00
Sesc Santo Amaro - R. Amador Bueno, 505 - Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada), R$ 12,00 (credencial plena) e grátis para crianças de até 12 anos não pagam ingressos
Vendas on-line em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: livre
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a pessoas com mobilidade reduzida

quarta-feira, 22 de julho de 2026

.: "Pergunte Alguma Coisa", com Daphne Bozaski e Gabriela Medvedovsky, juntas


Com direção de Guilherme Gobbi, texto inédito de Gustavo Pinheiro foi escrito especialmente para as duas atrizes. Foto: Brunno Rangel


Um atraso. Uma mentira. Um encontro inesperado. Este é o ponto de partida da peça "Pergunte Alguma Coisa", que reúne no palco, pela primeira vez, duas das mais queridas jovens atrizes do Brasil: Gabriela Medvedovsky e Daphne Bozaski. A amizade e parceria das duas vem de longe, quando protagonizaram a novela “Malhação - Viva a Diferença” (2017), o spin off “As Five” (2020) e, mais recentemente, na novela das nove “Três Graças” (2026). Com direção de Guilherme Gobbi, a estreia será no dia 6 de agosto, no Teatro Tucarena, em São Paulo.

 Agora, as atrizes têm um primeiro encontro marcado nos palcos. Escrita especialmente para Daphne e Gabriela por Gustavo Pinheiro - autor de “Dois de Nós”, com Antonio Fagundes e Christiane Torloni, “A Lista”, com Lilia Cabral e “A Tropa”, com Otavio Augusto -, “Pergunte Alguma Coisa” discute e explora uma das questões mais recorrentes nos dias de hoje: quais são os limites entre o que é humano e o que é criado pela tecnologia? Ao longo da temporada, Gabriela e Daphne se revezam nas personagens em diferentes dias, fazendo com que o público nunca saiba quem estará interpretando qual papel.

“Temos visto, cada vez mais, recursos digitais e tecnológicos invadindo áreas que até então eram essencialmente humanas. Todo dia há alguma matéria no jornal falando sobre isso, jovens que fazem terapia com ChatGPT, pessoas se casando com inteligência artificial... as fronteiras entre verdade e mentira parecem cada vez mais borradas e o espetáculo, com duas excelentes atrizes, me parece uma oportunidade preciosa de discutirmos – e rirmos! – disso tudo, com inteligência e acidez”, explica o autor.

Gabriela concorda que a inteligência artificial está rompendo as barreiras da realidade. “Já não se pode confiar no que se vê. Vivemos um tempo de constante dúvida: o que é de fato real? A peça propõe aprofundar a reflexão do tempo em que vivemos, das relações que construímos, das verdades que acreditamos. Como atriz, me interessa trazer para pauta discussões como estas e que envolvam o público, para que a conversa comece no palco e siga reverberando fora dele”, diz Gabriela.

A opinião é compartilhada por Daphne Bozaski. “Até que ponto nós já estamos totalmente absorvidos pelas facilidades da tecnologia? Será que conseguimos pesquisar numa Barsa? E se um fio romper e ficarmos por muito tempo sem comunicação de internet… Será que conseguimos lidar com nossas vidas cotidianas sem nos expor, sem ter a validação do outro? Me questiono sobre isso! Quando Gustavo e Guilherme Gobbi nos chamaram para esse projeto, pensei: É sobre isso! Esse projeto me instiga, traz de uma maneira bem escrita e com uma boa dose de bom humor, temas que me atravessam. Que oportunidade boa para quem nos assiste, se divertir e se questionar sobre inquietações como essas minhas… Que oportunidade! Criar com esses artistas que tanto admiro. Acredito que a arte, mais principalmente o teatro, tem a grande importância de nos fazer refletir sobre a vida. Quem sabe encontramos juntos caminhos para responder essas minhas perguntas e tantas outras”, afirma.

Para Guilherme Gobbi, que estreia na direção em “Pergunte Alguma Coisa”, a peça oferece a oportunidade de trabalhar com duas atrizes que conhece bem: Gobbi foi o responsável por fazer a escalação das atrizes para o trabalho em “Malhação”. “A inteligência artificial já é uma realidade, e seus desdobramentos nas nossas vidas seguem despertando fascínio e medo. O teatro, para mim, é o lugar ideal para discutir temas urgentes como esse. Sempre admirei a maneira como o Gustavo imprime humor e sofisticação em sua escrita, e estou muito feliz em dirigir um texto seu. Soma-se a isso a alegria de trabalhar com duas atrizes extraordinárias, que acompanho há anos e que atravessam um momento brilhante de suas trajetórias”, explica Gobbi.

O diretor convidou a atriz e diretora Debora Lamm para a interlocução artística da montagem. “Desde que começamos a falar desse projeto, o nome da Debora Lamm me veio imediatamente à cabeça. Nossa afinidade artística vem de longe. Temos um olhar semelhante para o trabalho do ator e para a cena. Ao longo do tempo, fomos cultivando o desejo de nos encontrarmos nos palcos. Quando a ideia dessa peça surgiu, tive a sensação clara de que ele oferecia o terreno ideal para isso. Nossas inquietações convergem diretamente com o universo proposto pelo texto do Gustavo”, explica. A direção de produção de “Pergunte Alguma Coisa” é de Celso Lemos.

 
Ficha técnica
Espetáculo "Pergunte Alguma Coisa"
Elenco: Daphne Bozaski e Gabriela Medvedovsky
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: Guilherme Gobbi
Interlocução artística: Debora Lamm
Assistente de direção: Talita Franceschini
Direção de arte:  Natalia Miyashiro
Figurinos: Luiza Romar
Desenho de luz: Marina Meyer
Desenho de som: Lucas Marcier
Direção de movimento: Fabricio Licursi
Fotógrafo: Brunno Rangel
Programação visual: Vinicius Fadel
Assistente de produção: Will Siqueira
Assessoria de imprensa: Alan Diniz e Pedro Neves
Direção de produção: Celso Lemos
Realização: Musa Produções


Serviço
Espetáculo "Pergunte Alguma Coisa"
Teatro Tucarena - Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes / São Paulo | Telefone: (11) 3670-8455
Temporada: de 6 de agosto a 11 de outubro (quinta a domingo)
Horários: quintas, sextas e sábados, às 20h00, dom às 17h00
Ingressos: R$ 140,00 e R$ 70,00 (meia-entrada)
Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria de terça a sábado, de 14h00 às 20h00, e domingo, de 14h00 às 18h00
Capacidade: 388 espectadores
Acessibilidade: sim
Duração: 60 minutos
Gênero: comédia
Classificação: 12 anos
Redes Sociais: @perguntealgumacoisa

.: "2X Virgínia Rosa": cantriz em dois shows diferentes no Teatro BDO Jaraguá


Nos dois encontros, a cantora e atriz revisita seus dois primeiros discos acompanhada pelos músicos Dino Barioni e Swami Jr., respectivamente. Foto: Lee Kyung Kim

Influenciada por diversos ritmos da música brasileira, como samba, forró, maracatu e baião, a cantora e atriz paulistana Virgínia Rosa, que atualmente também brilha na novela "Coração Acelerado" (TV Globo), celebra sua brilhante trajetória e os 30 anos da produtora MESA2 no projeto "2X Virgínia Rosa" em duas noites no Teatro BDO Jaraguá. Em 25 de julho, às 20h00, ela sobe ao palco ao lado de Dino Barioni para apresentar o show A Voz do Coração. Em 26 de julho, às 18h00, convida Swami Jr. para mostrar o repertório de “Vou na Vida”.

Sobre o projeto de revisitar seus primeiros discos, Virgínia Rosa diz: “Sempre tive vontade de participar de um projeto no qual eu pudesse apresentar shows relacionados aos meus trabalhos fonográficos. Em A Voz do Coração, ao lado do excelente músico Dino Barioni, recrio meu segundo CD, gravado ao vivo. E no show Vou na Vida tenho o privilégio de reencontrar o maravilhoso Swami Jr, que produziu o Batuque, meu primeiro disco”.

Mesmo depois de 25 anos de sua estreia, A Voz do Coração é considerado um marco na carreira da cantora e do violonista e arranjador Dino Barioni. O show fez tanto sucesso na época, nos extintos Supremo Musical e Teatro Crowne Plaza, que a gravadora Lua Discos o registrou ao vivo e lançou-o em CD (2001), também muito bem recebido pelo público e crítica. Composições de Gilberto Gil, Lenine, Luiz Gonzaga, Chico César, Celso Fonseca, Luiz Melodia e outros estão nesse surpreendente repertório.

“Estou contente com o convite e a chance de relembrar esse show tão importante para nós. Meu set incluía guitarra, violão, viola caipira e bandolim e lembro que era divertido chegar carregando tudo aquilo. Era ao mesmo tempo um desafio e grande responsabilidade, pois o repertório exigia muito da minha performance e o papel de um acompanhador solo nos instrumentos de corda, sendo a única referência para a cantora e tendo que fazer todo o preenchimento exige muita concentração. Acho que fizemos uma linda parceria e estou animado para reviver isso”, revela Barioni.

Já “Vou na Vida” revisita o disco “Batuque” (1997), o primeiro e muito elogiado trabalho de Virgínia Rosa. O disco teve produção musical do próprio compositor, arranjador e violonista Swami Jr., que a acompanha novamente no palco. A música que deu título ao álbum, inclusive, foi composta pela dupla e acaba de ganhar uma nova versão na voz de Mônica Salmaso.

Virgínia e Swami se conheceram na histórica banda Mexe Com Tudo, que marcou a noite paulistana nos anos 80 e 90 e excursionou pela Europa, onde gravou e lançou um LP. Swami e Virgínia têm enorme cumplicidade musical e recriam neste lindo e emocionante show canções de Lenine, Chico César, Itamar Assumpção, Zé Miguel Wisnik e outros, além de composições do próprio Swami (diretor musical da cantora Omara Portuondo, diva do Buena Vista Social Club).  

“Além de ser uma glória estar ao lado de Virginia Rosa, esse show traz de volta memórias, afetividades de um encontro que nós tivemos no início da carreira dela. Quando lançamos ‘Batuque’, fizemos dezenas de shows juntos. Foi um período muito fértil e lindo, que eu guardo com carinho. É uma emoção e uma redescoberta reencontrá-la no show ‘Vou na Vida’ e ver que ela segue sendo uma artista incrível, surpreendente e muito vigorosa. É um prazer imenso dividir o palco com ela.”, declara Swami.


Sobre a MESA2
Criada em 1996 por Fernando Cardoso e Roberto Monteiro, inicialmente como uma produtora de vídeo, a MESA2 tem se destacado ao longo dessas três décadas por produzir espetáculos de música e peças de teatro, além de cuidar da carreira de grandes talentos dessas artes como a própria Virgínia Rosa, Debora Falabella, Naruna Costa, Lucinha Lins, Ailton Graça e outros tantos artistas.

Sobre Virgínia Rosa
Virgí­nia Rosa
nasceu e cresceu em São Paulo. Na adolescência, ela e seus primos participaram de festivais estudantis com o Grupo Lógica. Nos anos 1980, foi vocalista da banda Isca de Polí­cia, de Itamar Assumpção, e depois do grupo Mexe com Tudo. Ao longo da carreira, cantou forró, samba, choro, maxixe, jazz, reggae, carimbó, funk, blues, balada, baião, maracatu e até música erudita.

Em 1997, lançou seu primeiro CD solo: "Batuque" (foi indicada ao Prêmio Sharp de Cantora Revelação). Vieram depois "A Voz do Coração", "Samba a Dois", "Virgí­nia Rosa e Geraldo Flach - Voz & Piano", "Baita Negão" e "Virgí­nia Rosa Canta Clara" (que deu origem também a um especial de TV), em que a cantora homenageia Clara Nunes, que teve grande influência nas suas escolhas musicais.

Entre os diversos shows da cantora estão "Na Batucada da Vida", "Palavra de Paulista" e "Divina Elizeth", em que presta homenagem à Elizeth Cardoso – conhecida como "A Divina" –, que marcou o nascimento da bossa nova com o lançamento do disco "Canção do Amor Demais", em 1958. No formato voz e piano, Virgínia canta sucessos da cantora como “Barracão”, “Naquela Mesa”, “Canção de Amor” e “Na Cadência do Samba”. No musical "Cartola - O Mundo É Um Moinho (2016/2017), Virgí­nia interpretou Dona Zica ao lado de Flavio Bauraqui (Cartola).

"Palavra de Mulher" - com DVD lançado em 2015 - merece destaque especial. Nele, Virgínia Rosa, Lucinha Lins e Tânia Alves interpretam e cantam, em clima de cabaré, personagens femininas imortalizadas nas canções de Chico Buarque. O espetáculo estreou em 2008 e, desde então, viaja pelo país sempre arrebatando o público.

Mas Virgínia foi além do canto e começou uma carreira de atriz. Fez sua estreia na televisão na novela "Babilônia" (2015) depois atuou em "Pega Pega" (2017) e na versão de 2019 de "Éramos Seis", todas na Rede Globo. Os trabalhos de Virgínia Rosa incluem ainda a série "Rota 66: A Polícia que Mata", inspirada no livro homônimo de Caco Barcellos, disponível no Globoplay. Atualmente, está no ar como Nora, em Coração Acelerado, novela das 19h da TV Globo, que segue sendo exibida até meados de agosto. 


Serviço
Show "2X Virgínia Rosa"

Sábado, dia 25 de julho, às 20h00 - "A Voz do Coração", com Dino Barioni
Domingo, dia 26 de julho, às 18h00 - "Vou na Vida", com Swami Jr.
Ingressos: R$ 120,00 inteira e R$ 60,00 meia-entrada
Promo combo dois shows - R$ 100,00 (cem reais). Obrigatória a apresentação do ingresso do segundo show na entrada do teatro para obtenção do desconto do combo.
Teatro BDO Jaraguá: Rua Martins Fontes, nº 71, Centro (Metrô Anhangabaú),  (11) 2802-7075 @teatrobdojaragua www.teatrobdojaragua.com.br
Bilheteria: a partir das 17h de sextas-feiras ou pelo link: https://bileto.sympla.com.br/event/121534
Capacidade: 260 lugares |  Duração: 75 minutos | Indicação etária: livre |
Estacionamento na entrada principal do Hotel Nacional Inn Jaraguá Estapar com valor reduzido de R$ 30,00 (trinta reais) ao teatro por até 4h, valorizando a experiência “Bar do Clóvis + show + Restaurante W3 do hotel”

domingo, 19 de julho de 2026

.: "Viva" Vida!" celebra a Terra com a força camaleônica de Regina Casé


Por Eduardo Caetanojornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Regina Casé, musa de Caetano Veloso, para quem ele compôs a música “Rapte-me, Camaleoa” está em cartaz com o espetáculo “Viva! Vida!”, em São Paulo. O solo escrito por Estêvão Ciavatta e dirigido por Daniela Thomas traz Regina transbordando todo o seu talento enquanto apresenta a biografia da Terra. O DNA do Planeta é surpreendente, mas não tanto quanto a capacidade camaleônica de Regina em nos contar esta trajetória fascinante.

Domingo passado fui a São Paulo assistir ao espetáculo. Confesso que foi um "Programa Legal". Havia uma "Muvuca" na entrada do Teatro Sérgio Cardoso, todos ansiosos, mas talvez não tanto quanto eu. Fã da Regina desde muito criança, dos tempos de "TV Pirata", confesso que não estou nada seguro para escrever sobre este solo, mas vou atender ao pedido (e apelo) do meu grande amigo Helder Moraes Miranda para o Portal Resenhando.com.

Na plateia imensa e lotada, eu era pequenininho. Tipo um Plutão. E ela, no palco, gigante diante da Terra, brincava com aquela bolinha azul como se fosse Michael Jordan. Regina, que no latim significa rainha, reina diante do público e faz toda a galáxia gravitar ao seu redor. Poeira de estrelas que somos, Regina resgata a nossa condição galáctica ao mesmo que nos lembra do nosso parentesco com o outro, as samambaias e as baratas.

A jornada da vida na Terra tem milhões de anos e o Planeta outros tantos bilhões de existência. Atravessa do Sagrado ao científico. Vai da imensidão da floresta ao pé de boldo no quintal. Do cosmos ao toque do celular. Da teia de aranha ao colo de Nossa Senhora protegendo o Menino Jesus na fuga para o Egito. E cabe numa única célula. Literalmente, Regina tem o Mundo em suas mãos e nos faz repensar sobre as mãos que governam o mundo. 

Atriz, diretora, mulher, mãe, apresentadora, avó, esposa, roteirista e onça, a camaleoa interage com a plateia emprestando às árvores o seu protagonismo. Sobrinha da Tia Julinha, carioca da gema, soteropolitana por mérito e pernambucana legitimada pela lei, Regina é múltipla. Emociona e arranca gargalhadas com a mesma intensidade. Aborda a rotina, o algoritmo, o tomate do nhoque, o candomblé, os yanomamis e as cianobactérias. Vai do profano e ao Sagrado num piscar de olhos, costurando os temas, que nem vagonite.

Regina faz das notificações do WhtasApp e do toque do celular seus aliados, enquanto nos alerta sobre a urgência de uma sociedade sustentável. Com o aquecimento global, o Planeta Esquenta! Mas não do jeito que a gente gosta e merece. Mudança climática não é praia. É enchente. É deserto! Por isso, a importância de tratarmos a Terra com Amor de Mãe.

De quinta a domingo, até dia 2 de agosto, “Viva! Vida!” está em turnê em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso. Domingo é final de Copa do Mundo e alguém pode perguntar: “Que horas ela volta?” e a resposta é que neste dia o solo foi mais cedo, ao meio-dia.

Enquanto a Terra é gerada no ventre da sobrinha da Tia Julinha, refletimos sobre a potência da vida. Camaleoa, diante de nós Regina é o Sol. E para relembrar a capacidade de reinvenção da Mãe Natureza, a onça nos dá uma aula sobre fotossíntese utilizando o seu farol em verso, caetaneando: 🎶 “Luz do sol/ Que a folha traga e traduz/ Em verde novo/ Em folha, em graça, em vida, em força, em luz”🎶. Caetano que também sou, fui raptado.


Ficha técnica e serviço
Espetáculo “Viva! Vida!”

Elenco: Regina Casé
Roteiro: Estêvão Ciavatta
Direção: Daniela Thomas
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP)
Até dia 2 de agosto
Quinta-feira a sábado, às 20h00. Domingos, às 17h00.

sábado, 18 de julho de 2026

.: Teatro: "Abracadabra - O Circo Musical" une arte e conscientização sobre a água


Com patrocínio da Sabesp, a superprodução circense leva ao público uma experiência imersiva que combina música, acrobacias e mensagens sobre a importância da preservação dos recursos hídricos. Foto: divulgação / Sabesp

O espetáculo "Abracadabra - O Circo Musical", superprodução do Reder Circus em homenagem aos 90 anos de Dedé Santana, estará em cartaz até novembro, na Arena Sabesp, que fica no Mooca Plaza Shopping, em São Paulo. Patrocinada pela Sabesp por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a atração será apresentada na Arena Sabesp e promete reunir entretenimento, música, ilusionismo, acrobacias e tecnologia em uma experiência voltada para toda a família.

O espetáculo reúne mais de 60 artistas em cena, orquestra ao vivo e participação especial do medalhista olímpico Diego Hypólito. Além de celebrar a trajetória de um dos maiores nomes do humor brasileiro, a produção incorpora, de forma lúdica, mensagens sobre a importância da água, do saneamento e do uso consciente dos recursos hídricos, conectando entretenimento e conscientização ambiental.

Ao apoiar o projeto, a Sabesp reforça seu compromisso com o incentivo à cultura e com iniciativas que promovem educação, cidadania e desenvolvimento social. O patrocínio também amplia a presença institucional da Companhia por meio do naming Arena Sabesp, fortalecendo a associação da marca a experiências culturais de qualidade.

Durante toda a temporada, a Sabesp promoverá ativações voltadas ao público infantil e às famílias. Entre elas, estará um espaço dedicado ao Clubinho Sabesp, onde as crianças poderão participar de atividades educativas sobre água e saneamento. Ao longo das apresentações, o público também será convidado a participar de jogos de perguntas e respostas sobre o uso consciente da água e a importância do saneamento básico, com distribuição de brindes.

Com uma programação que combina arte, humor, música e tecnologia, o espetáculo transforma o universo do circo em um espaço de aprendizado e diversão, reforçando a importância da água como elemento essencial para a vida e para o desenvolvimento das cidades.
 

Serviço
"Abracadabra - O Circo Musical"
Temporada: de julho a novembro de 2026.
Horários: quintas e sextas-feiras, às 19h45. Sábados, às 16h00 e às 19h30. Domingos, às 15h00 e às 18h30.
Local: Arena Sabesp – Mooca Plaza Shopping
Rua Capitão Pacheco e Chaves, 313 – Vila Prudente – São Paulo/SP

Atrações
Dedé Santana, em comemoração aos seus 90 anos;
Participação especial de Diego Hypólito;
Mais de 60 artistas em cena;
Orquestra ao vivo;
Ilusionismo e acrobacias.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: Espetáculo "Olga" tem curtíssima temporada gratuita no Teatro Paulo Eiró


A Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, estreia em São Paulo em 25 de julho, com entrada gratuita. Com direção de Luiz Fernando Lobo, a peça relembra a trajetória da militante Olga Benario Prestes. Foto: divulgação


O espetáculo “Olga" será encenado pela primeira vez em São Paulo, no Teatro Paulo Eiró, a partir de 25 de julho. A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo parte de pesquisa em arquivos brasileiros, europeus e americanos, em documentos primários.  A Ensaio Aberto reabre arquivos, escava e traz à tona documentos que confrontam a história oficial. “Os documentos, mesmo os aparentemente mais claros, não falam senão quando sabemos interrogá-los”, diz o historiador Marc Bloch. E complementa: “Nunca, em nenhuma ciência, a observação passiva gerou algo de fecundo”.

“Olga” é um Teatro Documentário, que tem em Piscator e Peter Weiss seus precursores. A encenação realiza uma nova abertura da história ao apontar as contradições e camuflagens produzidas pela história oficial. Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes militou no movimento comunista desde a adolescência, enfrentando desde cedo a repressão policial. Foi treinada como agente do Comintern (Internacional Comunista) em Moscou e, em missão política, veio ao Brasil nos anos 1930 com Luiz Carlos Prestes. Foi presa em 1936 e deportada com 7 meses de gravidez para a Alemanha de Hitler, por ordem de Getúlio Vargas, colaborador da polícia nazista. Foi assassinada, em 1942, numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma mobilização internacional. Como diz a própria Anita Prestes: “Sou filha da solidariedade internacional”.

Olga, assim como outros militantes, foi expulsa do país sem nenhum processo legal, violando os princípios do direito internacional. “Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos. Durante muitos anos, repetiu-se à exaustão mentiras. A história oficial, no Brasil, negou aos revolucionários de 1935 qualquer papel relevante. O que era um levante armado, virou Intentona”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.

“Os torturadores de 1935, 1936 e 1937 nunca foram punidos. Vencedores e vencidos tiveram o mesmo tratamento da história: o esquecimento ou a falsificação da realidade. Mas há uma diferença. É o esquecimento que permite a impunidade e consequentemente a perpetuação de crimes abomináveis. Para os torturados, para os presos, para os deportados, para os mortos, só a rememoração dessas derrotas pode reabilitá-los diante da história e evitar, como diz Benjamin, ‘a segunda morte das vítimas do passado’”, diz Lobo.

“O levante de 1935 foi o primeiro levante armado contra os fascistas no mundo. Quase 100 anos depois, assistimos a extrema direita ganhar força em todo mundo. E esse é o papel do teatro documentário: estar à altura da realidade”, defende Tuca Moraes.

Comunista, internacionalista e antifascista, Olga começou a militar com 16 anos. Era uma mulher de grande coragem e inteligência. Aviadora, paraquedista, exímia atiradora, exímia nadadora, amazona. Com 18 anos, entra na clandestinidade por realizar uma ação armada para libertar seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima. Em 1935, Olga vem para o Brasil como segurança de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. E em 5 de março de 1936, quando a polícia “estoura” o esconderijo dos dois, já casados, no Méier, ela se coloca na frente de Prestes e o salva de ser morto pela polícia de Getúlio Vargas. Ela foi assassinada, mas sua luta continua até os dias de hoje.

O espetáculo tem dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo. O elenco é composto pelos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. Tuca Moraes interpreta Olga. A equipe artística do espetáculo é encabeçada por J.C. Serroni (cenário), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurino), Cesar de Ramires (iluminação), Felipe Radicetti (direção musical e trilha original) e Aninha Barros (produção executiva).

“Olga” foi apresentado em 30 sessões em agosto e setembro de 2025 no Armazém da Utopia, para onde volta em temporada em agosto e setembro de 2026. Nas apresentações na sede da Companhia Ensaio Aberto, há a triste coincidência de que foi deste porto do Rio de Janeiro que Olga Benario Prestes foi deportada no navio La Coruña para a Alemanha.

Sobre a Companhia Ensaio Aberto
A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992 com a proposta de retomar o teatro épico no Brasil e fazer dos palcos uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca retomar a função social do teatro, transformando a relação palco-plateia.


Ficha técnica
Espetáculo "Olga"
Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Lobo
Direção de produção: Tuca Moraes
Cenografia: J.C.Serroni
Figurinos: Beth Filipecki e Renaldo Machado
Iluminação: Cesar de Ramires
Direção musical e trilha original: Felipe Radicetti
Produção executiva: Aninha Barros
Elenco: Tuca Moraes (como Olga), Ana Clara Assunção, Bibi Dulles, Dani Arreguy, Daniel de Mello, Gilberto Miranda, Kyara Zenka, Leonardo Hinckel, Luiz Fernando Lobo, Mateus Pitanga e Rossana Rússia


Serviço
Espetáculo "Olga"
Gratuito
De 25 de julho a 2 de agosto
Local Teatro Paulo Eiró, Av.Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Horário quarta a sábado, às 20h00 | Domingo, às 19h00
Lotação 291 lugares

Ingressos
Retirada de ingressos antecipados por lotes pelo www.sympla.com/armazemdautopia
Abertura da casa uma hora antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia por ordem de chegada, sujeito a lotação. Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046.

Classificação indicativa: 14 anos.
Duração: 70 minutos.
Haverá intérprete de libras nos dias 30 de julho (quinta-feira) e 31 (sexta-feira)
A temporada do espetáculo Olga em São Paulo é patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
E também tem apoio do Termo de Fomento Transfere.Gov 934254/2022, celebrado entre o Instituto Ensaio Aberto e o Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

.: A nova temporada de "Autobiografia do Vermelho", com Bianca Comparato


Com direção de Daniela Thomas, espetáculo é inspirado no romance de Anne Carson e cria um retrato profundamente comovente de um jovem que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Foto: Matheus José Maria 


Inspirado no romance homônimo de Anne Carson, o espetáculo "Autobiografia do Vermelho", estreou em fevereiro no Sesc Avenida Paulista. E, agora, a peça estrelada pela atriz Bianca Comparato e dirigida por Daniela Thomas, ganha uma nova temporada no Teatro YouTube, dentro da Galeria Magalu no Conjunto Nacional, de 14 de agosto a 27 de setembro, com sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A peça é, ao mesmo tempo, um romance e um poema, uma recriação não convencional de um antigo mito grego e um romance de formação totalmente original ambientada no presente, no midwest estadunidense.

Com dramaturgia de Gabi Costa, Daniela Thomas e Bianca Comparato, a encenação conta ainda com a direção de movimento da artista e coreógrafa Malu Avelar e cenário de Daniela Thomas. Lello Bezerra assina a direção musical e a trilha sonora original, que é executada ao vivo pelo próprio músico. A produção é da South. “Encontre o que você ama e deixe isso te matar. Quem disse isso foi Bukowski. E, talvez, seja o que mais me atraiu a fazer a peça. Me lanço nesse abismo de 7 personagens, sem medo de errar. Aprendi com a Carson a errar deliberadamente, ela erra deliberadamente, inventa, engana. Este projeto é para mim maravilhosamente perturbador”, revela Bianca Comparato.

“Já na primeira leitura de Autobiografia do Vermelho, em preparação para dirigir Bianca no audiolivro, fui transportada para o ambiente no qual iniciei minha trajetória no teatro há quase 50 anos: o teatro experimental estadunidense do final dos anos 70, início dos 80, especificamente em Nova York, onde morava então. Lá assisti ou convivi ou trabalhei com artistas de grupos como Mabou Mines, Wooster Group, Living Theater, em teatros como o La Mama, Theater For the New City, Public Theater, e com criadores como Sam Shepard, Laurie Anderson, Richard Foreman, Jeff Weiss, Spalding Grey e por aí vai. Uma potência inventiva de grande impacto, que repercutiu mundo afora, balizou minha imaginação e a quem devo minha formação como artista do teatro”, conta a diretora Daniela Thomas.

“Passando as páginas do livro, fui descobrindo que o monstro alado Gerião (aquele morto pelo herói Hercules, no seu décimo trabalho, no mito clássico) que eu antecipava habitar a paisagem grega era, nessa versão, um jovem americano esquisito e solitário, vivendo na exata geografia dos meus heróis experimentais de Nova York.(...) Essa descoberta fez com que eu abraçasse a ideia de transformar o livro em um espetáculo que fosse tributário dessa cultura de teatro que me formou e por quem tenho uma admiração imensa”, conclui Thomas. Compre os livros de Anne Carson neste link.


Sinopse de "Autobiografia do Vermelho"
Gerião é o personagem principal da Gerioneida, um poema lírico narrativo escrito por volta de 650 A.C pelo poeta grego Estesícoro, cujos poucos fragmentos foram encontrados somente em 1967, no Egito. A peça conta a sua história misturando fragmentos da peça original grega com criações de Anne Carson e intervenções de Bianca e de Daniela. Gerião, um menino que também é um monstro vermelho alado, revela o terreno vulcânico de sua alma frágil e atormentada em uma autobiografia que ele começa a escrever aos cinco anos de idade. 

À medida em que cresce, Gerião escapa de seu irmão abusivo e de sua mãe afetuosa, mas ineficaz, encontrando consolo na construção da sua autobiografia e nos braços de um jovem chamado Hércules, um andarilho que abandona Gerião no auge da paixão. Anos depois, quando Hércules reaparece, Gerião confronta novamente a dor de seu desejo e embarca em uma jornada por terrenos vulcânicos. A paixão obsessiva por Hércules leva Gerião até seu destino inevitável. Ora excêntrica, ora assombrosa, erudita e acessível, ricamente complexa e enganosamente simples, Autobiografia do Vermelho é um retrato profundamente comovente de um jovem  que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Compre o livro "Autobiografia do Vermelho", de Anne Carson, neste link."


Mais sobre o livro e peça
A obra de Anne Carson, Autobiografia do vermelho, foi destaque no New York Times como “Livro notável do ano” e  finalista do National Book Critics Circle Award. Anne Carson também foi a primeira mulher a ganhar o TS Eliot Prize.

O que acontece com a mitologia clássica, que ainda ecoa no mundo contemporâneo nas formas atuais de pensar, viver e sentir, quando colocamos no centro da narrativa o que antes era periférico a ela? É essa pergunta que a autora nos faz em "Autobiografia do Vermelho". Se assim como Carson fez valer em sua maneira de contar essa história o monstro, é a partir de uma ética da monstruosidade - que faz conviver tudo que é estranho entre si - que percorreu o processo de criação do espetáculo. Tudo aquilo que está à margem, que não é aceito pelo mainstream, os queers, os “diferentes”, os que estão fora do padrão heteronormativo.

A obra é uma reinterpretação contemporânea do mito de Gerião, o monstro vermelho da mitologia grega, apresentando-o como um jovem sensível e introspectivo. Desde os cinco anos, Gerião enfrenta desafios relacionados à sua aparência monstruosa, com asas vermelhas, que é apresentado de maneira mais humana e introspectiva do que o mito original. Ele busca autocompreensão e amor, especialmente através de sua relação com Hércules.

A história mistura elementos de ficção e poesia, explorando questões de identidade, amor, desejo, e a busca pela aceitação. Gerião é retratado como um jovem isolado, que se vê marcado tanto por sua aparência quanto por seu destino trágico. Ele tem uma relação complexa com Hércules, o herói que deve matá-lo, mas a história se concentra também no desenvolvimento emocional e psicológico de Gerião.

Hércules, que inicialmente é visto como o herói que o mataria, passa também por uma transformação emocional. A morte de Gerião no contexto da obra não é apenas física, mas também simbólica, representando um encontro com o próprio destino e a aceitação de seu ser. Sem se ater a um fechamento “clássico” de um romance, mas mantendo uma reflexão sobre a morte, identidade e a verdade interna. A obra é profunda e aberta a múltiplas interpretações, convidando o espectador a questionar as fronteiras entre mito, realidade e a construção de futuros possíveis.

O espetáculo expressa a pluralidade e diversidade em sua composição de artistas e técnicos da ficha técnica. A equipe é formada majoritariamente por mulheres e também é válido reafirmar que os lugares de protagonismo do projeto são ocupados por mulheres ou pessoas não-brancas e LGBTQI+.

Ficha técnica
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Direção: Daniela Thomas
Elenco: Bianca Comparato
Direção de produção: Fabiana Comparato
Dramaturgia: Gabi Costa, Bianca Comparato e Daniela Thomas
Cenografia: Daniela Thomas
Direção musical, composição e execução: Lello Bezerra
Direção de movimento e preparação corporal: Malu Avelar
Desenho de luz e operação: Sarah Salgado
Desenho de projeções: Henrique Martins
Figurino: Verônica Julian
Direção vocal: Leila Mendes
Visagismo: Walter Leal
Contrarregra: Luiz Carlos Ferreira
Operação de vídeo: Laura de Lago
Operação de som: Gabriel Edé
Operação de luz: Nicolas Manfredini
Assistente de produção: Gabriel Cillo
Coordenação executiva e financeira: Camilia Cillo
Designer gráfico: Henrique Martins
Fotos: João Kopv
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: South
Produção associada: 3C Produções
Produção associada: Ipa films e Flagcx
Apoio: Grupo Map
Produtores Executivos SOUTH: Bianca Comparato, Roberto Martini e Yana Chang
Equipe South: Pietra Veiga e Julia Faria
Assessoria: MCS Law
Produtora associada: Mariana Beltrão
Produtor executivo: Arlindo Hartz
Produtora de figurino: Lia Damasceno
Produção: Corpo Rastreado
Produtora: Gabi Gonçalves
Colaboração na direção de movimento: Renata Melo
Assistência: Mariana Faloppa
Equipe Corpo Rastreado: Gisely Alves, Tamara Andrade, Graciane Diniz
Apoio: Editora 34, Paradigm Agency, MAP, CASA LÍQUIDA, PMX, Supersônica.

Serviço
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Elenco: Bianca Comparato. Direção: Daniela Thomas. Baseado no romance em verso de Anne Carson
Temporada: 14 de agosto a 27 de setembro de 2026
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro YouTube - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 120,00  (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada)
Venda online em https://www.eventim.com.br/artist/autobiografia-do-vermelho/
Bilheteria: Avenida Paulista, 2073 (3º andar), no bairro da Bela Vista, em São Paulo - SP
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Duração: 90 minutos 
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 160 lugares


.: História de Olga Benário irá virar musical inédito em 2027

Com direção de Tadeu Aguiar, a história de Olga Benário ganhará versão musical inédita em 2027, ano que marca os 85 anos de sua morte em um campo de concentração nazista.. Na  fotografia, Tadeu Aguiar, Fernando Morais e Eduardo Bakr. Crédito: arquivo pessoal


O escritor Fernando Morais e o produtor, autor e diretor Eduardo Bakr voltam a unir forças nos palcos. Os dois estão desenvolvendo a adaptação musical de "Olga", um dos livros mais conhecidos da carreira de Fernando Morais, que ganhará uma montagem inédita produzida pela Estamos Aqui Produções. A direção será de Tadeu Aguiar e a direção musical de Thalyson Rodrigues.

O projeto marca o reencontro de Fernando Morais, Eduardo Bakr e Tadeu Aguiar, que trabalharam juntos em "Chatô e os Diários Associados", musical inspirado na trajetória de Assis Chateaubriand, baseado na obra de Fernando Morais, com adaptação para os palcos assinada por Fernando Morais e Eduardo Bakr e direção de Tadeu Aguiar. Agora, o trio volta a colaborar em um novo espetáculo baseado em uma das mais emblemáticas obras da literatura brasileira contemporânea. Com estreia prevista para o segundo semestre de 2027, a montagem iniciará seu processo de desenvolvimento nos próximos meses.

Publicado originalmente em 1985, "Olga" reconstrói a trajetória de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica que se apaixonou por Luís Carlos Prestes e foi deportada, grávida, pelo governo brasileiro para a Alemanha nazista, onde acabou assassinada em um campo de concentração. Considerado um dos maiores sucessos editoriais de Fernando Morais, o livro tornou-se uma referência da literatura biográfica brasileira e permanece como uma de suas obras mais conhecidas.

A história foi adaptada para o cinema em 2004, em filme dirigido por Jayme Monjardim e estrelado por Camila Morgado no papel-título. A produção alcançou grande repercussão de público e crítica, ampliando ainda mais o alcance da obra e apresentando a trajetória de Olga a novas gerações. Agora, após conquistar leitores e espectadores em diferentes formatos, o clássico da literatura biográfica brasileira ganhará sua primeira adaptação para o teatro musical, com estreia prevista para 2027, ano que marca os 85 anos da morte de Olga Benário.

A futura montagem contará com composições originais e arranjos de Laura Visconti, além de letras assinadas por Eduardo Bakr. O projeto reúne novamente profissionais ligados a alguns dos principais sucessos da Estamos Aqui Produções, responsável por musicais como de sucesso como "Quase Normal", "A Cor Púrpura", "Querido Evan Hansen" e "Diana - A Princesa do Povo", que recentemente cumpriu temporadas no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, e no Teatro Liberdade, em São Paulo. Compre o livro "Olga", de Fernando Moraes, neste link.

.: "Entre Irmãos" retorna a São Paulo em nova configuração cênica no Teatro Vivo


Após o sucesso em 2025, a comédia dramática que investiga os afetos masculinos retorna em uma encenação intimista, convidando o público a vivenciar, com ainda mais proximidade, o confronto visceral entre dois irmãos. Foto: Heloísa Bortz


Um dos espetáculos mais comentados da temporada paulistana de 2025 vai voltar. "Entre Irmãos", a comédia dramática de Otávio Martins, que divide o palco com Fernando Pavão, e direção de Marcos Damigo, retorna aos palcos de São Paulo em nova temporada no Espaço de Convivência do Teatro Vivo. As apresentações acontecem a partir de 24 de julho, às sextas e sábados, às 20h00, e aos domingos às 18h00, com classificação etária de 16 anos e duração de 75 minutos. 

A volta chega com um elemento que muda radicalmente a experiência do espectador: o Espaço de Convivência do Teatro Vivo permite uma configuração cênica de extrema proximidade entre plateia e atores, colocando o público literalmente dentro do velório, como convidado presente no momento mais íntimo e explosivo do reencontro entre os dois irmãos. Se o minimalismo já era a marca da produção, palco nu, sem cenografia, um único foco de luz representando o caixão do pai, agora esse recurso ganha uma dimensão ainda mais visceral. Não há onde se esconder. Nem para os personagens, nem para quem os assiste. 

"Vai ser interessante, inclusive para quem já viu a peça, experimentar essa nova configuração, onde os atores estão no mesmo espaço que os espectadores. A história ganha força com uma experiência assim, mais imersiva.", explica Marcos Damigo. 

Desde a estreia em fevereiro de 2025, no Teatro Colinas de São José dos Campos, com casa cheia, "Entre Irmãos" percorreu o Teatro FAAP em São Paulo e seguiu em turnê por diversas cidades do Brasil ao longo de 2025, acumulando cobertura em veículos como Veja SP, IstoÉ, Terraço Paulistano e R7 Entretenimento. O espetáculo foi recebido como um evento cultural de relevância por tratar, sem moralismo e sem fórmulas fáceis, de um tema profundamente universal: o que acontece com os afetos dentro de uma família quando o silêncio dura mais tempo do que o amor consegue suportar. 

A combinação de dois atores amplamente reconhecidos pelo público, Fernando Pavão, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator por Mary Stuart, e Otávio Martins, vencedor do Prêmio Contigo! De Melhor Ator por Sideman, uma direção precisa de Marcos Damigo e o texto de Otávio Martins que equilibra gargalhadas e emoção genuína transformou "Entre Irmãos" em mais do que teatro. Transformou numa conversa que o público leva para casa. 

"Há algo nessa peça que as pessoas reconhecem imediatamente, mesmo que nunca tenham vivido exatamente aquela situação. Todo mundo tem uma história de silêncio com alguém que ama. A gente só coloca isso em cena", diz o ator e dramaturgo Otávio Martins. Fernando Pavão reforça: "Fazer essa peça noite após noite nunca é igual. O público traz a energia do que está vivendo. Nas cidades por onde passamos, as pessoas ficavam na plateia depois do espetáculo sem querer ir embora. Isso diz muita coisa sobre o que 'Entre Irmãos' toca". 

O espetáculo narra o reencontro de dois irmãos no velório do pai após mais de duas décadas de afastamento. O mais velho sacrificou projetos e paixões para cuidar da família. O mais novo, hoje fotojornalista premiado, fugiu em busca de si mesmo pelo mundo. Quando se encontram diante do caixão, os ressentimentos acumulados emergem com força total. Mas uma revelação inesperada do passado obriga os dois a revisitar quem eram, o que sofreram e o que fizeram um ao outro. 

A peça coloca a saúde mental masculina no centro da narrativa: a dificuldade de nomear a dor, a culpa transmitida entre gerações, os mecanismos de defesa que impedem o cuidado emocional. Faz isso sem sermão e sem simplificação, com humor, com inteligência e com uma honestidade que raramente se vê em cena. Em um momento cultural em que o debate sobre masculinidade, herança emocional e vínculos familiares está no coração das conversas públicas, "Entre Irmãos" chega a essa nova temporada com ainda mais relevância do que tinha em sua estreia. 


Ficha técnica
Espetáculo "Entre Irmãos"
Texto: Otávio Martins 
Direção: Marcos Damigo
Elenco: Fernando Pavão e Otávio Martins 
Trilha sonora: Ricardo Severo 
Cello: Ana Eliza Colomar 
Iluminação: Beto de Faria 
Foto: Heloísa Bortz
Design gráfico e produção: Patrícia Scótolo
Realização: Engrenagem de Produção  

 


terça-feira, 14 de julho de 2026

.: Bianca Bin e Sérgio Guizé estreiam "Meu Deus!" dia 24 no Teatro das Artes


Produção da Morente Forte para texto da dramaturga israelense Anat Gov tem figurino de Fábio Namatame, luz de Wagner Pinto e cenário de Rebeca Oliveira. Foto: Caio Oviedo
 
A química entre os atores, o texto na ponta da língua e o timming imprimido durante o ensaio deram mostras do que está por vir. Numa tarde de sol e frio, final de maio, em um casarão na Vila Leopoldina, o encontro organizado pela produção apresentou o espetáculo à equipe e revelou uma dinâmica deliciosa de parceria entre os dois artistas. Morando em Indaiatuba, no Interior de São Paulo, Bianca Bin e Sérgio Guizé tirava proveito do trajeto de carro até a Capital para decorar o texto da peça "Meu Deus!", com estreia no dia 24 de julho no Teatro das Artes para temporada até 1º de novembro.
 
O casal aproveitou um ao outro o tempo todo. “Eu venho dirigindo de lá pra cá; da marginal até aqui dá mais ou menos uma hora. Ele, com o texto no banco do passageiro; a gente vem batendo as falas. Dá para fazer uma passada completa no percurso”, conta ela. O casal dribla a rotina e transforma a estrada em laboratório de ensaio. Uma cumplicidade que transborda no palco e na vida real.
 
"Meu Deus!", da dramaturga israelense Anat Gov, tem adaptação de Jorge Schussheim, tradução de Eloísa Cantom, versão brasileira de Célia Regina Forte e direção de Elias Andreato, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Pinto. Na trama, Deus (Sérgio Guizé), assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana (Bianca Bin) o ajude. Um texto espirituoso, com diálogos ágeis e verdadeiros, mesmo que aparentemente improváveis. Plateias do mundo inteiro surpreendem-se, riem, compactuam, torcem e, finalmente, se emocionam com essa sessão de terapia.
 
Ana (Bianca Bin) é uma psicóloga que vive uma rotina marcada por tensões pessoais: ela é mãe solo de Paulo, um filho adulto com autismo, e lida diariamente com os desafios emocionais dessa relação. Certo dia, recebe um telefonema urgente e misterioso de alguém que insiste em se consultar com ela imediatamente. Esse paciente, que se identifica apenas como “D”, revela-se nada menos que Deus — o Criador (Sérgio Guizé). Ele está profundamente deprimido.
 
Sentindo-se responsável pela “criação” que, segundo Ele, fugiu ao controle, Deus admite pensar no suicídio, tomado pela desesperança diante da humanidade e de tudo aquilo que se tornou. Ana tem apenas uma sessão para ajudar Deus a ver sentido novamente, a encontrar forças para continuar enfrentando o mundo. A peça entrelaça humor, emoção e questionamentos teológicos e existenciais. A história, embora pareça fantasiosa, aproxima o espectador através do diálogo com temas universais: culpa, fé, responsabilidade, abandono, esperança.
 

Os ensaios e o diretor 
A experiência e o talento do diretor Elias Andreato foi salientada pelos atores, que se sentiram à vontade para construir suas personagens. “A confiança em nos deixar livres, seguros e confortáveis para irmos em frente, sem ficar parando para marcar ou dar ênfase a alguns sentimentos, foi muito importante”, afirma Sérgio.
 
Guizé ressalta a troca como fator importante durante a etapa de ensaios. “Sob o olhar atento e a direção precisa do Elias, o processo ganhou muita sensibilidade. E dividir a cena com a Bianca é um privilégio absoluto; ela é uma atriz genial e a minha maior parceira na vida e na arte". Bianca completa: “Ter um grande diretor por trás faz toda a diferença. Elias pontua e extrai o melhor que a gente tem pra dar. Recebe e aproveita o que apresentamos. Sou muito fã desse cara”, fala.
 
Sobre a ótima interação de Bianca e Sérgio em cena, Andreato aponta: “Independente do fato de vocês se amarem, o jogo na cena é muito difícil quando a química não rola. Eles são maravilhosos”. Bianca concorda que dar certo na relação amorosa não garante que o mesmo aconteça na interpretação. “Eu me divirto muito com ele, na vida e no palco. Nessa história também”.
 
Elias Andreato cita a importância de reconhecer o talento do outro e trabalhar para que ele floresça. “O prazer é mais relevante que o sucesso, acredita Elias, comentando que hoje o mundo vive em função do ego e o mais importante é a escolha que fazemos como artistas”.
 
Para Andreato, o humor ácido de Meu Deus exige dos atores um caminho verdadeiro, sem buscar a graça no jogo cênico. “A situação inusitada já é suficiente. Assim, poderemos equilibrar a comédia e a visão crítica que a autora desenhou em sua dramaturgia, tão bem escrita e inteligente, ao trazer Deus para a terapia em um quadro de depressão”.
 
Sobre sua direção, reflete como ele próprio aprendeu com esse olhar mais jovem sobre a dramaturgia de uma autora que fala sobre o momento político mundial, de uma transformação gritante. “Somos representantes de um gueto. A gente pode tocar alguém, divertir, levar à reflexão, fazer a comédia com alguma utilidade”.
 

Leveza e humor
O Deus de Sérgio Guizé é humanizado, deprimido e com um humor ácido. “Às vezes até meio agressivo. Ele está em crise, tentando digerir os rumos do mundo e as próprias escolhas que fez nos últimos dois mil anos". Sobre como usar a leveza e o humor do texto sem esvaziar a gravidade de um personagem que cogita o suicídio, Sérgio diz: “A inteligência do texto já nos dá esse equilíbrio. O humor aqui não serve para mascarar a tragédia, mas para torná-la suportável. A leveza é o que nos permite mergulhar em um tema tão denso sem perder o fôlego”.
 
Acostumado a papéis intensos e explosivos na TV e no cinema, o ator conta como fazer para humanizar um Deus frágil e deprimido sem cair na caricatura: “O desafio é encontrar o humor na dor e na verdade, sem ceder à tentação da piada fácil. O trunfo está em construir um personagem vulnerável com o qual o público consiga se identificar, e não apenas rir dele”.
 
Terapeuta brilhante, mãe solo, ateia, sobrevivente de um casamento falido e dos desafios de uma maternidade exaustiva - assim Bianca enxerga sua personagem. “Ela acredita profundamente na razão, na ciência e na escuta, até que surge o maior desafio de sua carreira: receber Deus como paciente em seu consultório”. A mistura de força e vulnerabilidade da Ana encanta a atriz. “É uma mulher que cuida de todos, mas que também carrega suas próprias feridas e questionamentos”.
 
Conhecida pelo público em geral pelas protagonistas dramáticas que tem interpretado nas novelas de TV, a atriz rompe com este estereótipo para viver uma mulher exausta, que representa a "resistência humana" e precisa encarar Deus no divã. “Para mim, a próxima personagem é sempre o maior desafio, justamente por representar o desconhecido. Existe sempre um mistério a ser desvendado, e isso é o que mais me instiga na profissão. A Ana me convida a mergulhar em questões humanas muito profundas, e isso é especialmente estimulante".
 

Por que montar "Meu Deus!" de Anat Gov 
Por mais fantasiosa que a história possa parecer à primeira vista, no decorrer da peça plateias do mundo inteiro acreditam nesse encontro inusitado. Elas se surpreendem, riem, se reconhecem, torcem e, por fim, se emocionam com essa sessão de terapia tão improvável quanto plausível.
 
A trama acontece em um único dia na vida da psicóloga Ana, interpretada por Bianca Bin, que recebe um misterioso telefonema de um homem em desespero - papel de Sergio Guizé - insistindo em marcar uma consulta naquele mesmo instante. Quando chega ao consultório, ele se apresenta como sendo... Deus. Um Deus profundamente deprimido com a situação do Paraíso que um dia criou.
 
Ana tem apenas uma sessão para convencê-lo do contrário - e talvez salvar o mundo. É nesse embate que se desenrola uma comédia inteligente, cheia de humor ácido, revelações surpreendentes e reflexões que nos fazem imaginar: como seria, afinal, encontrar-se com Deus?
 

A importância de tratar desse tema
 
Vivemos um tempo em que todos, de alguma forma, sentem-se um pouco “deuses” - donos da verdade, juízes da vida alheia, criadores de suas próprias regras. As redes sociais amplificam essa sensação: cada opinião parece absoluta, cada gesto ganha dimensão divina, cada indivíduo acredita ter o poder de decidir o certo e o errado.
 
Montar "Meu Deus!" é mergulhar justamente nessa contradição. Ao colocar o próprio Deus numa sessão de terapia, a peça humaniza o divino e nos lembra da fragilidade que compartilhamos. Questiona o poder absoluto, relativiza certezas e convida o público a rir e refletir sobre nossas arrogâncias cotidianas.
 
Falar desse tema é urgente porque mostra que, quando todos se sentem deuses, corremos o risco de perder a humildade, a escuta, a compaixão. E talvez seja justamente no reconhecimento da nossa vulnerabilidade que esteja a verdadeira grandeza humana. (texto de Elias Andreato)
A fúria de Deus e a fúria dos homens 
Desde a criação, a relação entre Deus e os homens é atravessada pela fúria. A fúria de um Deus decepcionado, que vê sua obra escapar do controle e mergulhar em guerras, injustiças e destruição. Um Deus que se pergunta se valeu a pena criar o mundo, e que, no limite da sua impotência, ameaça virar as costas para a humanidade.
 
Mas há também a fúria dos homens contra Deus. Homens que cobram respostas, que se revoltam diante do silêncio, que não compreendem a dor, a miséria, a desigualdade. Homens que ousam julgar o Criador, acusando-o de abandono ou crueldade. E, talvez ainda mais devastadora, está a fúria dos homens contra os próprios homens. A violência, o ódio, a indiferença cotidiana que revelam como nos tornamos deuses uns dos outros - prontos a punir, condenar, excluir.
 
Essa peça nasce desse conflito. Ao colocar Deus no divã, ela nos obriga a encarar nossa própria fúria refletida na fúria d’Ele. Rir desse encontro improvável é também rir de nós mesmos, e perceber que a salvação, se existe, talvez não esteja em um milagre divino, mas em nossa capacidade de escutar, perdoar e reinventar a convivência. (texto de Elias Andreato)

 
Ficha técnica
Espetáculo "Meu Deus!"
Texto Anat Gov.
Adaptação: Jorge Schussheim.
Tradução: Eloísa Canton.
Versão: Célia Regina Forte.
Direção Elias Andreato. 
Elenco Bianca Bin, Sérgio Guizé e D. Enzo Morente.
Cenário: Rebeca Oliveira.
Figurino: Fábio Namatame.
Iluminação: Wagner Pinto.
Música: original Jonatan Harold.
Designer gráfico: Vicka Suarez.
Fotos: Caio Oviedo.
Assistente de direção: Zé Guilherme Bueno.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira e Maurício Barreira – Arte Plural Comunicação.
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte. 
Lei Rouanet: Patrocínio Laboratório Cristália.
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais.
Realização: Ministério da Cultura, Governo do Brasil.


Serviço
Espetáculo "Meu Deus!"
De 24 de julho a 1.° de novembro. Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. Sessões: sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos - de R$ 25,00 a R$ 160,00. Vendas Eventim. Gênero: comédia. Duração: 80 minutos. Classificação indicativa: 12 anos.

Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.