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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

.: Crítica de teatro: "Adulto" faz da culpa o melhor espetáculo de todos os tempos


Com dramaturgia de Fran Ferraretto e direção de Lavínia Pannunzio, espetáculo transforma traição, saúde mental, dinheiro e relações afetivas em uma experiência teatral afiada, divertida e incômoda. Foto: Julieta Bacchin

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Fran Ferraretto já contou em entrevista que uma das personagens dos sonhos dela é Blanche DuBois, de "Um Bonde Chamado Desejo". Em "Adulto" - espetáculo que volta para quatro apresentações gratuitas no Itaú Cultural, em São Paulo, dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00 - ela parece ter criado e escrito para ela mesma a própria Blanche, em uma personagem que lhe caiu como uma luva. 

Em comum com a personagem do clássico de Tennessee Williams está Sara, uma mulher cheia de contradições, desejos, fragilidades, força, culpa e uma capacidade desconcertante de continuar funcionando quando tudo ao redor já deveria ter desabado. Foi no Sesc Santos que assistimos à montagem, e fica difícil sair dela sem pensar nas próprias escolhas - inclusive naquelas em que grande parte do público prefere esquecer.

"Adulto" é daqueles espetáculos em que o espectador ri para, logo depois, perceber que está vendo graça em alguma coisa dolorosamente familiar. O texto de Fran Ferraretto tem essa habilidade, já que ela trata de assuntos espinhosos com leveza, inteligência e uma acidez que chega na hora certa. Não há necessidade de transformar os personagens em exemplos de comportamento ou em vilões de ocasião. Eles erram, mentem, desejam e se arrependem, mas também tentam justificar o injustificável. 

A história acompanha dois casais de amigos envolvidos em uma crise que começa a revelar problemas antigos. João (Iuri Saraiva) e Sara (Fran Ferraretto) enfrentam uma crise conjugal, enquanto a chegada de Vitor (Sidney Santiago Kuanza) e Paula (Jennifer Souza) provoca novas discussões sobre amor, fidelidade, monogamia, maternidade, machismo, dinheiro e saúde mental. A dramaturgia ainda brinca com a própria construção da peça teatral, criando, de maneira mais do que genial, uma segunda camada em que uma das personagens escreve a ficção que o público está assistindo.

Fran sabe escrever personagens que estão longe de qualquer perfeição. Por isso é impossível não reconhecer alguma coisa de si em pelo menos algum desses personagens. O elenco está muito afiado e os atores conseguem ir do humor à intensidade em questão de segundos, sem que nenhuma mudança pareça calculada. Cada personagem possui uma personalidade muito própria, e o quarteto de atores encontra diferentes caminhos para mostrar força, fragilidade, arrogância, medo, culpa e revanchismo.

Iuri Saraiva, o nosso Johnny Deep brasileiro devido à versatilidade com que encara cada papel, começa com uma leveza despretensiosa e vai ganhando contornos cada vez mais complexos. É uma atuação que cresce diante do público e chega a um estado de perturbação bastante palatável, porque reconhecível. É aquele sujeito que poderia estar sentado ao lado de qualquer um, tomando uma cerveja e contando uma história que certamente teria outra versão se fosse narrada pela pessoa envolvida.

Sidney Santiago Kuanza tem uma presença que eleva qualquer montagem. Aqui, encontra um material à altura do próprio talento e constrói um personagem que sabe incomodar sem precisar forçar a mão. Jennifer Souza, por sua vez, é uma força da natureza. Pequena fisicamente, fica gigantesca quando entra em cena. O carisma é imediato, mas ela não depende dele: existe domínio de ritmo, precisão e uma capacidade impressionante de sustentar as mudanças da personagem.

Fran Ferraretto completa esse quarteto com uma atuação que confirma uma coisa que já se percebia em trabalhos anteriores: ela entende profundamente as mulheres que escreve. Depois de abordar o relacionamento abusivo para crianças em "A Minicostureira" e discutir desigualdade social no espetáculo infantil "Rua", a dramaturga encontra em "Adulto" um terreno mais complexo para falar sobre relações entre pessoas que deveriam saber melhor o que estão fazendo.

Além disso, Fran merece ser cada vez mais reconhecida como dramaturga. Existe uma inteligência rara no modo dela abordar temas delicados sem tratar o público como criança. Ela sabe onde colocar o dedo na ferida e, principalmente, quando tirá-lo. O resultado é um texto ácido, divertido e emocionalmente desconfortável na medida certa. A direção de Lavínia Pannunzio mantém o espetáculo em movimento e impede que a discussão sobre relacionamentos vire uma sucessão de discursos. A montagem lembra, em alguns momentos, a tensão do cinema em "Closer: Perto Demais", a atmosfera do recente drama "O Convite" e até a maneira como "Flores de Aço" transforma relações pessoais em matéria dramática. São referências que ajudam a localizar a peça, mas "Adulto" tem a própria mensagem.

No fundo, é um espetáculo sobre culpa, seja essa a de trair, a de permanecer, a de desejar, a de mentir, a de não saber amar e a de não conseguir fazer diferente. Também é sobre a tentativa de reparar aquilo que foi quebrado. Porque crescer, em qualquer idade, dói, já que continuar crescendo é uma das poucas obrigações que ninguém consegue terceirizar. A imagem do casaco amarelo, presente do início ao fim do espetáculo, resume isso de maneira especialmente bonita. Depois de ser lavado, ele passa a carregar o cheiro dela. É um detalhe simples, mas poderoso: aquilo que carregava a marca de outra pessoa volta a pertencer a quem o veste. "Adulto" afirma e reafirma que algumas coisas se consertam depois de quebradas. Outras mudam de forma. E algumas, depois de lavadas, finalmente voltam a ter o nosso próprio perfume.


Ficha técnica
Espetáculo "Adulto"
Texto e idealização: Fran Ferraretto. Direção: Lavínia Pannunzio. Elenco: Fran Ferraretto, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza. Desenho de luz: Gabriele Souza. Trilha sonora e operação de som: Rafael Thomazini. Cenário: Mira Andrade. Figurino: Anne Cerutti. Design gráfico: Murilo Thaveira. Fotos: Julieta Bacchin. Visagismo: Louise Helène. Operação de luz: Carol Dourado. Técnico de montagem: Diego França. Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo. Estratégia digital e social media: Fernanda Pilotto. Direção de produção: Paula Malfatti. Coordenação de produção: FATTO Realizações. Gestão administrativa: Mava Produções. Assessoria jurídica: José Otávio V. de S. Ferreira S.I. Advocacia. Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso e Salão Pier A.


Serviço
Espetáculo "Adulto" no Itaú Cultural
Dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00.
Avenida Paulista, 149 - São Paulo.
Apresentações gratuitas.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: Musical "Percy Jackson - O Ladrão de Raios" promete superprodução


Musical inspirado na obra de Rick Riordan estreia em outubro, em São Paulo, com centauro animatrônico, 60 figurinos, 3 toneladas de cenário e elenco que reúne João Lucas, Marianna Alexandre, Fernando Caruso e Caio Paduan

Prepare os deuses, os semideuses e principalmente os fãs de Percy Jackson. O universo criado pelo escritor Rick Riordan ganha a primeira montagem autorizada na América Latina com "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical", que estreia no dia 10 de outubro, no Teatro Liberdade, em São Paulo. Sucesso nos palcos da Broadway e do West End, o espetáculo combina mitologia grega, humor, rock e aventura para contar a história de Percy, adolescente que descobre ser filho de Poseidon e, de quebra, recebe a pequena tarefa de impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo. Nada muito complicado para quem ainda está tentando sobreviver à adolescência. 

O elenco brasileiro reúne João Lucas como Percy Jackson, Marianna Alexandre no papel de Annabeth Chase, Fernando Caruso como Sr. D e Caio Paduan interpretando Poseidon. A direção-geral é de Daniel Salve e a direção musical, de Rafael Marão. A versão brasileira chega pelas mãos da Lab Cultural, responsável pela adaptação e pela montagem oficial em português. A produção promete números robustos: são mais de três toneladas de cenário, 18 atores em cena, 60 figurinos e 15 perucas. E a mitologia ganha reforço tecnológico. Entre as atrações estão um centauro animatrônico criado e operado ao vivo, efeitos de ilusionismo desenvolvidos especialmente para a montagem e um sistema de projeção com 60 mil lumens de potência visual.

A história de Percy Jackson já conquistou leitores, espectadores e uma legião de fãs ao redor do mundo. A franquia também ganhou novo fôlego com a série do Disney+, cuja segunda temporada estreou no fim de 2025. O Brasil, por sua vez, ocupa a segunda posição entre as maiores bases de fãs da saga. Nos palcos, a aventura começou nos Estados Unidos em 2014, em uma produção off-Broadway. Em 2017, o musical chegou à Broadway, recebeu elogios da crítica e foi indicado ao Drama Desk Award. Em 2024, a produção desembarcou no West End, em Londres, onde também conquistou a crítica e passou a integrar uma turnê internacional.

Adaptado do best-seller de Rick Riordan por Joe Tracz, roteirista de Be More Chill, o musical conta ainda com uma trilha de rock assinada por Rob Rokicki. O resultado coloca deuses, monstros e adolescentes em uma mesma equação — combinação que, convenhamos, dificilmente poderia terminar em paz. "Poucas histórias conseguem unir de forma tão poderosa o imaginário dos livros, a emoção das telas e a energia do palco. Percy Jackson faz isso com verdade e sensibilidade — despertando o desejo por conhecimento, imaginação e pertencimento. Ver essa jornada chegar aos palcos brasileiros é celebrar o poder da arte de emocionar, formar e conectar gerações", afirma José Toro, CEO da Lab Cultural.

Com direção-geral de Daniel Salve, "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical" chega a São Paulo apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com patrocínio master da farmacêutica EMS, apoio da BOSCH e Rio Branco, GOL como companhia aérea oficial e Apê Smart como hotelaria oficial. A produção também conta com apoio de mídia de Omelete, Terra, Uol, Cena Musical, ASR Mídia, Zanzar e Editora Intrínseca. Compre os livros de Rick Riordan neste link.


Serviço
"Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical"
Local: Teatro Liberdade
Rua São Joaquim, nº 129 - Liberdade - São Paulo
Abertura da casa: 1 hora antes do início do evento
Data: a partir de 10 de outubro de 2026
Duração: 2 horas
Classificação: livre
Ingressos on-line pelo site oficial de vendas. Ingressos físicos na bilheteria do Teatro Liberdade serão vendidos de terça a sábado, das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, das 13h00 até o início da apresentação. Em dias de espetáculos, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação.

.: No teatro J. Safra, "Os Perrengues do Mallandro" leva histórias inéditas


Sérgio Mallandro revisita situações inusitadas da carreira e do cotidiano em espetáculo de stand-up que acontece no dia 12 de setembro, em São Paulo

Sérgio Mallandro sabe que uma boa história, quando cai nas mãos certas, pode virar gargalhada. Em "Os Perrengues do Mallandro", o humorista reúne relatos inéditos e situações curiosas da própria trajetória para transformar carreira, cotidiano e alguns perrengues em matéria-prima para o humor. Conhecido por bordões que atravessaram gerações, ele chega ao Teatro J. Safra disposto a mostrar que ainda tem muita história para contar. E quem conhece o personagem sabe: provavelmente alguma delas envolve uma pegadinha.

A popularidade do humorista ganhou força nos anos 1980, quando ele integrou o elenco de "Show de Calouros". Depois, assumiu o comando de programas infantis que fizeram história, entre eles "Oradukapeta", atração que apresentou o impagável quadro "Porta dos Desesperados". No cinema, Sérgio Mallandro também deixou sua marca. Ele estrelou "Lua de Cristal" (1990), ao lado de Xuxa Meneghel, e "Inspetor Faustão e o Mallandro" (1991). A trajetória inclui ainda as famosas pegadinhas e um estilo acelerado que se tornou sua assinatura.

Agora, nos palcos, o humorista conversa com uma nova geração por meio do stand-up comedy e também do trabalho como podcaster. Em "Os Perrengues do Mallandro", ele revisita episódios da carreira e do dia a dia para compartilhar com o público os bastidores geralmente bem-humorados de uma vida dedicada ao entretenimento.


Serviço
"Os Perrengues do Mallandro", com Sérgio Mallandro
Data: 12 de setembro, sábado, às 20h00
Duração: 80 minutos
Gênero: stand-up comedy
Classificação: 14 anos
Ingressos: a partir de R$ 60
Compras on-line: Teatro J. Safra – ingressos para "Os Perrengues do Mallandro"
Bilheteria: quartas e quintas: das 14h00 às 21h00. Sextas, sábados e domingos: das 14h00 até o horário dos espetáculos
A bilheteria aceita cartões de débito e crédito Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone: (11) 3611-3042

Teatro J. Safra
Capacidade: 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo (SP)
Telefones: (11) 3611-3042 e (11) 3611-2561
A casa abre duas horas antes de cada espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do teatro.
Acessibilidade: para pessoas com deficiência física
Estacionamento: Valet Service, no estacionamento próprio do teatro – R$ 30

.: "Teatro em Três Pernas" transforma 40 anos de palco em poesia na Bienal


Marcelo Lazzaratto reúne quatro décadas de teatro em 40 poemas e participa de sessão de autógrafos neste sábado, 5 de setembro, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Foto: João Caldas

Quarenta anos de teatro cabem em um livro? Marcelo Lazzaratto decidiu testar a possibilidade e chegou a uma resposta em 40 poemas breves. Ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp, ele estreia na poesia com "Teatro em Três Pernas", publicado pela Editora Patuá. A obra será apresentada ao público durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com sessão de autógrafos marcada para sábado, 5 de setembro, às 14h00, no estande K45 da Editora Patuá.

Organizado em cinco atos, o livro transforma em poesia elementos que acompanham a trajetória de Lazzaratto nos palcos: ensaios, bastidores, processos de criação, pesquisa, presença, tempo e percepção. O teatro aparece como matéria-prima, mas a palavra ganha espaço próprio. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico e criador do sistema improvisacional Campo de Visão, Lazzaratto leva para os poemas o olhar construído em quatro décadas de convivência com a cena. A síntese também aproxima a obra da tradição do haicai, com atenção ao instante e à força da imagem. 

O resultado é um livro que condensa uma extensa experiência artística em textos curtos, alguns poéticos, outros bem-humorados, mantendo a inquietação característica de quem passou boa parte da vida investigando o que acontece quando um corpo ocupa um palco e uma palavra encontra alguém disposto a ouvi-la. A apresentação de "Teatro em Três Pernas" é assinada por Welington Andrade, editor da Revista Cult e crítico teatral. Ele estará ao lado do autor durante um bate-papo na data do lançamento. Compre o livro "Teatro em Três Pernas", de Marcelo Lazzaratto, neste link.


Sobre o autor
Marcelo Lazzaratto é ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, criou o sistema improvisacional Campo de Visão, referência na pesquisa sobre coralidade, alteridade e presença cênica. Ao longo de quatro décadas de carreira, dirigiu e atuou em espetáculos como "O Jardim das Cerejeiras", "Ricardo III", "A Grande Magia", "Tebas", "Ifigênia" e "O Outro Borges". É autor dos livros "Campo de Visão: Exercício e Linguagem Cênica", "Campo de Visão: um Exercício de Alteridade" e "Arqueologia de um Ator. "Teatro em Três Pernas" marca sua estreia na poesia. Compre os livros de Marcelo Lazzaratto neste link.

Serviço
Sessão de autógrafos | "Teatro em Três Pernas" | Autor: Marcelo Lazzaratto
Dia 5 de setembro de 2026, sábado, às 14h00
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Estande: K45 – Editora Patuá
Endereço: Distrito Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo/SP

.: Teatro: “O Convite” ganha montagem brasileira após sucesso no cinema


Peça espanhola que conquistou o público nos palcos e virou filme de sucesso chega ao teatro brasileiro pelas mãos de Marcos Veras e do produtor Carlos Grun. Fotos: divulgação


Do cinema para os palcos brasileiros. Depois de conquistar o público em diferentes versões e ganhar uma adaptação cinematográfica de sucesso, “O Convite” prepara a primeira montagem brasileira da peça espanhola “Los Vecinos de Arriba”. Os direitos da obra foram adquiridos pelo ator Marcos Veras em parceria com o produtor Carlos Grun, que conheceu o texto no início deste ano, durante uma temporada em Portugal com Mateus Solano. Na ocasião, a versão teatral ainda não havia chegado ao cinema.

Meses depois, Veras se apaixonou pela adaptação cinematográfica e procurou o sócio para propor a montagem brasileira. A surpresa veio quando descobriu que Grun já estava em negociação pelos direitos da peça.  A estreia está prevista para abril de 2027, no Rio de Janeiro, com Marcos Veras no elenco. Os demais nomes da montagem serão anunciados em breve. O título da versão brasileira ainda será definido. Uma coisa, porém, já está decidida: depois de passar pelo cinema, “O Convite” vai bater à porta do teatro brasileiro.


“O Convite” transforma jantar entre vizinhos em crise de relacionamento
Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) estão naquele estágio do relacionamento em que o casamento parece precisar de uma boa sacudida. A rotina pesa, a relação dá sinais de desgaste e um simples jantar com os vizinhos do andar de cima parece uma boa ideia. Em “O Convite”, dirigido por Olivia Wilde, a chegada de Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) transforma uma noite aparentemente civilizada em uma sucessão de revelações, constrangimentos e provocações. 

O casal convidado tem um estilo de vida bem menos convencional do que Joe e Angela imaginavam, e a conversa sobre relacionamentos, desejos e sexualidade rapidamente sai do território seguro do bate-papo entre vizinhos. Com roteiro de Rashida Jones e Will McCormack, o filme aposta em quatro personagens confinados praticamente ao mesmo espaço para fazer a temperatura subir aos poucos. O apartamento vira uma espécie de arena doméstica, onde cada taça, pergunta indiscreta ou comentário inconveniente pode colocar um casamento em xeque.

A estrutura aproxima “O Convite” do teatro, algo especialmente curioso agora que a obra também ganha uma montagem brasileira. Com poucos personagens, um único ambiente predominante e diálogos que conduzem boa parte da ação, o filme deixa os atores no centro da brincadeira. No meio de coquetéis, confissões e uma boa dose de vergonha alheia, a produção encontra espaço para falar sobre aquilo que costuma azedar relações duradouras: rotina, desejo, insegurança, ego e a dificuldade de enxergar o parceiro depois de tantos anos dividindo a mesma vida.

.: "Egoísta" leva mulher negra, viagens e liberdade ao palco da CAIXA Cultural SP


Espetáculo protagonizado por Ana Marlene transforma a história real da cearense Josefa Feitosa em uma conversa sobre maternidade, etarismo e o direito de escolher o próprio caminho

Mochileira, viajante, passageira do mundo. É assim que Josefa Feitosa, ou simplesmente Jô, se apresenta. Aos 64 anos, a cearense de Juazeiro do Norte já passou por mais de 60 países e decidiu fazer da própria vida uma espécie de mapa sem residência fixa. Agora, sua história ganha o palco em "Egoísta", espetáculo idealizado e dirigido por Juracy de Oliveira, com Ana Marlene no papel de Jô. A produção da Peixe-Mulher estreia em São Paulo com temporada de 3 a 13 de setembro, de quinta a domingo, na CAIXA Cultural São Paulo. Depois, segue para a CAIXA Cultural Fortaleza.

A peça parte da trajetória de uma mulher negra que resolveu contrariar o roteiro social reservado à terceira idade. Depois da aposentadoria, Jô colocou a mochila nas costas e saiu pelo mundo. Nada de recolhimento doméstico, rotina engessada ou obrigação de dedicar os dias aos netos. Para ela, a vida continua acontecendo enquanto houver caminho pela frente. "Egoísta" acompanha lembranças da infância, experiências de viagem e episódios da trajetória de Jô, aproximando essas memórias de temas como maternidade e etarismo. A relação com o público também faz parte da proposta, criando um espaço para que a história pessoal da personagem encontre outras experiências.

A montagem ainda oferece atividades complementares durante a temporada paulistana. No dia 5 de setembro, Jô ministra a oficina "A Fantástica Experiência de Viajar Sozinha", voltada para mulheres a partir de 50 anos. A partir da própria experiência como nômade, ela aborda questões práticas das viagens, como utilização de cartão de crédito, comunicação e orientação em diferentes lugares. As sessões dos dias 4 e 11 de setembro terão bate-papo com o público após a apresentação. Já as sessões dos dias 6 e 13 serão acessíveis ao público surdo, com intérprete de Libras.


De assistente social a cidadã do mundo
Jô nasceu em Juazeiro do Norte, é mãe, avó e assistente social por formação. Durante quase três décadas, trabalhou no sistema carcerário cearense, onde se dedicou à defesa dos Direitos Humanos. Também foi uma das responsáveis pela criação de alas exclusivas para pessoas trans no sistema prisional.

Fora do trabalho, criou sozinha três filhos e acompanhou a criação de um neto. A experiência fez com que a própria ideia de liberdade ganhasse contornos particulares. Para algumas mulheres, a maternidade solo também pode assumir a aparência de uma prisão. Depois de se aposentar, Jô decidiu viver como nômade. Passou um ano viajando e, quando retornou, doou tudo o que tinha. Dividiu o patrimônio, organizou a mochila e voltou para a estrada. Desde então, vive onde a mala está.

A tecnologia também entrou no roteiro durante os percursos. Hospedada em hostels e convivendo com viajantes mais jovens, aprendeu a utilizar aparelhos, redes sociais e ferramentas que facilitam a vida de quem não tem endereço fixo. Em troca, compartilhou com os novos amigos outras maneiras de olhar para o mundo. Hoje, suas viagens também podem ser acompanhadas pelas redes sociais, no perfil @joviajando.


Uma história que encontrou o teatro
A transformação da trajetória de Jô em espetáculo começou a partir do encontro dela com Juracy de Oliveira. O diretor conheceu a viajante por intermédio da irmã, que estava se tornando nômade. “Conhecer a Jô foi uma surpresa, a história de vida dela é inacreditável e por ter sido criado em uma família com uma maioria de mulheres, a coragem dela me atravessou, me fez lembrar das mulheres que são referência pra mim. Essa peça parte de um desejo genuíno de homenagear pessoas enquanto estão vivas, ainda que não sejam famosas”, explica Juracy, diretor do projeto.

A história também conquistou Ana Marlene. Com 46 anos de carreira, a atriz, fundadora da Trupe Caba de Chegar - primeiro grupo de teatro de rua de Fortaleza - encontrou em Jô uma personagem capaz de dialogar com sua própria trajetória. "A Jô me inspira. A história dela conta também uma parte da minha: uma mulher negra, que saiu de casa pra viver um sonho, que não teve medo de enfrentar o preconceito, não teve medo de ousar e se aventurar. Mesmo no alto dos seus 50, 60 anos, quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda, ela fez o contrário, apareceu mais ainda e pintou o cabelo de azul", conta a atriz.

"Egoísta" marca o primeiro solo de Ana Marlene, que recebeu indicação ao Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Atriz pela atuação. A produção já passou por mais de dez cidades brasileiras e teve duas temporadas no Rio de Janeiro. A primeira aconteceu em 2024, no Sesc Tijuca, com ingressos esgotados. Em maio de 2026, o espetáculo voltou ao estado e circulou pela capital e pelo interior, passando por seis cidades. Agora, chega a São Paulo com entrada gratuita. Para quem acredita que depois de certa idade o mundo deve ficar pequeno, Jô tem uma resposta prática: basta arrumar a mochila.


Ficha técnica
Espetáculo "Egoísta"
Direção e idealização: Juracy de Oliveira
Concepção dramatúrgica: Juracy de Oliveira e Sara Síntique
Texto: Sara Síntique
Elenco: Ana Marlene
Coordenação de Produção: Luana Caiubi
Coordenação de Comunicação: Renata Monte
Produção: Marisa Bezerra e Rodrigo Ferrera
Maquiagem: Rodrigo Ferrera
Figurino: Cris Rodrigues
Cenário: Li Coelho e Cris Rodrigues
Assistência de Direção: Alda Pessoa
Direção musical: Clau Aniz
Fotos: Matheus Tavares / Karla Brights
Redes sociais: Peixe-Mulher
Design: Lorena Araújo
Iluminação: Tayná Maciel
Realização: Peixe-Mulher

Serviço
"Egoísta"
Datas: 3, 4, 5, 6, 10, 11, 12 e 13 de setembro de 2026
Horário: quinta-feira a sábado, às 19h; domingo, às 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo — Praça da Sé, 111, São Paulo
Ingressos: gratuitos, distribuídos uma hora antes do início de cada apresentação, limitados a um por pessoa.
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

.: “Sobre Poetas e Heresias” leva poesia, humor e ironia ao Sesc Pinheiros


Espetáculo com Jairo Mattos e direção de Carlo Milani aproxima Fernando Pessoa, Padre Antônio Vieira e outros autores em uma montagem que transforma literatura em jogo cênico. Foto: Adriano Escanhuela

A literatura ganha ritmo, humor e provocação em “Sobre Poetas e Heresias”, espetáculo protagonizado por Jairo Mattos e dirigido por Carlo Milani, que estreia nesta quinta-feira, 20 de agosto, no auditório do Sesc Pinheiros, em São Paulo. A montagem reúne textos de Padre Antônio Vieira, José Régio, Fernando Pessoa e Wislawa Szymborska para criar um encontro entre poesia, pensamento e comicidade.

Em cena, Mattos interpreta um bufão contemporâneo que assume a função de mestre de cerimônias e comentarista. Diante do público, ele revisita versos, pensamentos e discursos de diferentes épocas, conduzindo a narrativa com ironia e questionamentos. Sermões e poemas ganham novas possibilidades ao serem transformados em ações cênicas, comentários e situações marcadas pelo humor. A dramaturgia, alinhavada por Aloysio Burtin, coloca lado a lado autores de períodos e contextos distintos para abordar temas como poder, fé, amor e ódio. A palavra ocupa o centro da montagem e serve como ponto de partida para um diálogo entre diferentes vozes da literatura.

“Escolhi o bufão porque ele não oferece respostas; ao contrário. Ri das certezas, desmonta discursos e convida o público a olhar o mundo por outro ângulo. Os poetas presentes também são hereges à sua maneira: recusaram aceitar o mundo como algo pronto e fizeram da poesia um ato de liberdade”, afirma Jairo Mattos.

O espetáculo também marca o reencontro artístico entre Mattos e Milani. A parceria entre ator e diretor parte da ideia de transformar a palavra em ação e estabelecer uma relação próxima com a plateia. A direção trabalha com diferentes ritmos para alternar a intimidade dos sermões, a dimensão poética dos textos e as provocações do bufão. O resultado é uma montagem que aproxima obras literárias do público por meio de uma encenação direta e bem-humorada. Entre citações, comentários e invenções, “Sobre Poetas e Heresias” convida a pensar sobre as certezas que atravessam a vida em sociedade sem abrir mão do prazer de rir delas.


Ficha técnica
Peça teatral "Sobre Poetas e Heresias"
Direção: Carlo Milani
Atuação: Jairo Mattos
Figurino: Luiza Curvo
Maquiagem: Beto França
Texto, luz e cenário: Jairo Mattos
Operador de Luz: Bruno Gutierres
Fotografia: Adriano Escanhuela
Direção de produção: Lilia Ladislau e Jorge Moreira
Consultoria: Adolfo Mazzarini
Produção: Orapronobis Produções Culturais


Serviço
Peça teatral "Sobre Poetas e Heresias"
Temporada: 20 de agosto a 12 de setembro de 2026. De quinta a sábado, às 20h30. Nos dias 4 e 11 de setembro, também às 16h.
Sessões com LIBRAS: 4 e 5 de setembro
Local: Sesc Pinheiros – Auditório – Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas: sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades do Sesc SP
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: auditório acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo/SP.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h00 às 22h00; sábados, das 10h00 às 21h00; domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento: com manobrista.
Como chegar de transporte público: 350 metros a pé da Estação Faria Lima (Metrô – Linha Amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM – Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: Raul Barretto estreia “Despalhaço” e revisita 44 anos de carreira em SP


Em primeiro solo adulto de sua trajetória, artista reúne teatro, circo, improvisação e audiovisual para refletir sobre tempo, envelhecimento, memória e o futuro da arte

Com 44 anos de carreira dedicados ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto transforma a própria trajetória em matéria-prima para “Despalhaço”, primeiro espetáculo solo adulto dele e também seu primeiro texto de autoria. A montagem estreia no dia 27 de agosto, no Auditório do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e segue em cartaz até 5 de setembro. Barretto assina o texto, a atuação, a criação e a direção do espetáculo, que combina teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais. 

Próximo dos 70 anos, o artista revisita experiências pessoais e mudanças vividas pela sociedade para colocar em discussão temas como passagem do tempo, envelhecimento, longevidade, memória e a permanência do artista em cena. A montagem integra as comemorações dos 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual Barretto faz parte ao lado de Hugo Possolo. O trabalho também chega 15 anos depois de “O Bricabraque”, seu primeiro solo voltado ao público infantil.

A relação do artista com a formação e a difusão teatral também atravessa a criação. Barretto é sócio cofundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena há 16 anos a Linha de Estudo em Humor. Em “Despalhaço”, essas experiências ganham novas camadas ao colocar em perspectiva o caminho percorrido e as transformações observadas dentro e fora dos palcos. A passagem do tempo aparece como um dos principais motores da dramaturgia, que também lança questões sobre o futuro em uma sociedade marcada pela velocidade e pela fragmentação.

A narrativa se desenvolve em três planos temporais. No passado, Barretto recupera episódios de sua trajetória e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente abre espaço para assuntos como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e o papel social do artista. Já o futuro surge como território de dúvidas, possibilidades e novas formas de pensar a relação entre humanidade e planeta. “O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.

A encenação aposta também no repertório circense do artista. Texto e improvisação dividem espaço com malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário de Diego Dac tem um tecido como elemento central, assumindo diferentes funções ao longo da apresentação. Projeções audiovisuais acompanham a encenação e incorporam imagens, vídeos e depoimentos relacionados à trajetória de Barretto.

A pesquisa para a criação percorre diferentes campos do conhecimento e reúne referências como o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan, estudos sobre a formação das sociedades humanas, povos indígenas, consciência e inteligência. O espetáculo também estabelece diálogos com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.

O próprio título “Despalhaço” aponta para as transformações vividas pelo artista ao longo da vida e para a maneira como a palhaçaria continua presente nesse percurso. Para Barretto, preservar o olhar do palhaço significa manter viva uma combinação de inocência, crítica e disposição para o encontro. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, afirma.

Ficha técnica
Peça teatral “Despalhaço”
 
Texto, atuação e criação: Raul Barretto.
Preparação de ator e direção de cena: Antônio Januzelli
Assistência de direção: Helena Cerello.
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.
Cenário e adereços: Diego Dac, Luana Miyamoto e Xapiri Ateliê Artístico.
Figurino: Claudia Schapira.
Projeto de som e trilha sonora: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Iluminação e técnica de luz: Reynaldo Thomaz.
Projeto multimídia e audiovisual: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Colaboração no projeto multimídia e audiovisual: Marcelo Machado.
Técnica de audiovisual: Deivison Nunes.
Provocação artística: Suzana Aragão.
Arte gráfica: Werner Schulz.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Realização: Sesc.
Produção geral: Companhia Vadabordo e Rodri Produções.

Serviço
Peça teatral “Despalhaço”
Estreia: 27 de agosto de 2026
Temporada: de 27 de agosto a 5 de setembro de 2026
Dias e horário: quinta a sábado, às 20h30
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Sesc Vila Mariana – Auditório (Torre A, 1º andar)
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Capacidade: 130 lugares
Ingressos: R$ 15,00 (credencial plena), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (inteira)
Vendas: sescsp.org.br/programacao/despalhaco
Disponível para compra on-line a partir de 18 de agosto, às 17h00.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" desloca o olhar de Shakespeare


Espetáculo protagonizado por Aretha Sadick transforma a personagem de William Shakespeare em ponto de partida para discutir poder, raça, desejo, violência e os caminhos percorridos por quem decide conquistar um lugar de comando. Foto: Cacá Bernardes | Bruta Flor Filmes


A atriz Aretha Sadick protagoniza "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder", espetáculo que revisita uma das personagens mais marcantes de William Shakespeare a partir de uma perspectiva contemporânea. Com direção cênica e de movimento de Tainara Cerqueira e tradução e adaptação de Rodrigo França, a montagem estreia no Sesc Ipiranga nesta sexta-feira, 21 de agosto, e segue em cartaz até 13 de setembro de 2026. A pergunta que conduz a peça é direta: o que uma pessoa está disposta a fazer para chegar ao poder? E, depois de conquistar aquilo que tanto desejou, o que acontece?

Em "Macbeth", tragédia escrita por Shakespeare, a ambição pelo trono desencadeia uma sequência de assassinatos que conduz o casal protagonista à ruína. Lady Macbeth tem papel fundamental nesse percurso. É ela quem transforma a possibilidade anunciada pelas profecias em estratégia e incentiva o marido a ultrapassar o limite entre desejar a coroa e agir para conquistá-la. "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" coloca essa mulher no centro da narrativa. A montagem parte de monólogos fundamentais da personagem para investigar os mecanismos da ambição e as relações entre desejo e poder. O texto preserva trechos essenciais da obra original e incorpora reflexões filosóficas e sociológicas propostas por Rodrigo França.

Macbeth não aparece fisicamente em cena. Sua presença surge como um espectro com quem Lady Macbeth estabelece diálogo. A partir da carta enviada pelo marido, ela começa a elaborar o discurso que pretende usar para convencê-lo a assassinar o rei Duncan. As bruxas também ganham outra configuração: são interpretadas pela própria Aretha Sadick e aparecem logo no início da montagem. A dramaturgia está dividida em cinco atos e uma cena final, acompanhando Lady Macbeth desde a preparação do crime até o momento posterior à conquista da coroa.


O poder começa no corpo
A encenação começa em uma situação íntima: Lady Macbeth toma banho. Banheira, espelho e escada formam o espaço em que a personagem constrói, aos poucos, a própria estratégia. A escada acompanha essa transformação e ganha diferentes sentidos ao longo do espetáculo, relacionada à ascensão ao trono e também à presença de Macbeth. O ambiente íntimo se converte gradualmente em espaço de disputa, fazendo com que o percurso da personagem passe pelo desejo, pela estratégia, pelo crime e pela tentativa de sustentar o poder conquistado.

Em uma das passagens mais marcantes, Lady Macbeth modifica a própria aparência diante do público. Aretha Sadick aplica maquiagem branca no rosto e no corpo e coloca uma peruca loira. A transformação estabelece diálogo com a trajetória de Chica da Silva e com as reflexões de Frantz Fanon sobre assimilação e os mecanismos de construção de uma aparência associada à branquitude como estratégia de acesso a espaços de poder.

A presença de uma atriz negra no papel também amplia a leitura da personagem. A ambição de Lady Macbeth passa a dialogar com outra questão: o que significa desejar um lugar de poder em uma estrutura historicamente marcada pela exclusão de determinados corpos? Tainara Cerqueira, cuja pesquisa envolve dança e corpos negros em cena, trabalha a transformação física da personagem em parceria com Aretha. O corpo acompanha as mudanças internas de Lady Macbeth e faz do poder uma experiência concreta, física e teatral.


Figurino acompanha a ascensão
O figurino de Luiz Claudio Silva também participa da transformação. A personagem passa por três momentos principais: começa com uma peça preta de caráter íntimo, passa para um vestido azul quando se prepara para assumir a condição de rainha e chega à alfaiataria depois de conquistar o lugar que perseguia. O azul, historicamente relacionado à realeza e à ideia de "sangue azul", amplia a reflexão sobre a construção cultural da distinção e do poder.

A trilha sonora original de Dani Nega acompanha as diferentes fases da narrativa. Em alguns momentos, conduz os movimentos da atriz; em outros, permanece como uma camada sonora sobre os monólogos. Na iluminação de Carol Gracindo, a montagem aposta em uma lógica cinematográfica, com mudanças sutis e permanências prolongadas em determinados estados de luz. A escolha cria um ritmo próprio para o espetáculo e convida o público a observar as transformações da personagem sem a pressa característica das imagens contemporâneas.

Depois de conquistar a coroa, Lady Macbeth encontra seu principal ponto de virada. Até então, sua trajetória esteve ligada à falta e ao desejo de chegar ao poder. Quando finalmente alcança o objetivo, surge uma nova questão: o que fazer com aquilo que conquistou? A pergunta que acompanha a personagem desde o início retorna transformada. Depois de fazer tudo para chegar ao poder, qual é o preço de permanecer nele?


Sobre Aretha Sadick
Aretha Sadick é atriz e participou, em 2024, das séries "Reencarne" (Rede Globo), "Cidade de Deus" (MAX) e "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente" (MAX). Foi protagonista dos curtas-metragens "A Lama da Mãe Morta" e "Se Eu Tô Aqui é por Mistério", ambos de 2023. Também atuou na série infantil "A Caverna de Petra" (Canal Futura/Globoplay) e participou das séries "Me Chame de Bruna" (FOX) e "Os Ausentes" (MAX).

No teatro, interpretou Macunaíma em "Ópera Tupi" (2019), foi co-protagonista de "Jorge Para Sempre Verão" (2022), integrou o elenco de "AQUI - elevado a 1 trilhão" (2024) e participou do espetáculo "Avenida Paulista - da Consolação ao Paraíso", dirigido por Felipe Hirsch. Em 2026, protagoniza no cinema os filmes "Baricentro", dirigido por Raphael Gustavo e Rochelle Silva, da É Nois Kita Produções, e "Superketa", com direção de Gustavo Vinagre. Agora, estreia no teatro como protagonista de "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder".


Ficha técnica
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
A partir da obra de William Shakespeare
Tradução e adaptação: Rodrigo França
Direção cênica e direção de movimento: Tainara Cerqueira
Assistente de direção: Priscila Borges
Atuação e concepção cenográfica: Aretha Sadick
Trilha sonora original: Dani Nega
Iluminação: Carol Gracindo
Figurino e adereços: Luiz Claudio Silva
Visagista: Rosa Di Carlo
Técnico de luz: Givva
Produção e gestão cultural: Dani Correia, Gabi Correia, Rachel Brumana e Veni Barbosa
Associação: SÙ de Cultura e Educação
Direção de produção: Sadick Produções


Serviço
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
Sesc Ipiranga | R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga / São Paulo
De 21 de agosto a 13 de setembro de 2026
Sextas, às 21h00. Sábados e domingos, às 18h30.
Valores: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia) / R$ 15 (Credencial Plena)
Compra on-line pelo aplicativo e presencial.
Duração: 60 minutos.
Classificação: 16 anos.

domingo, 16 de agosto de 2026

.: " João, Joãozinho, Joãozito" transforma infância de Guimarães Rosa em musical


"João, Joãozinho, Joãozito" estreia em 29 de agosto e revisita os primeiros anos de Guimarães Rosa em uma montagem que mistura literatura, música, bonecos e cultura popular brasileira. Foto: Alê Catan

A criança curiosa que descobria o mundo entre livros, animais, histórias e brincadeiras ganhou um novo lugar na cena paulistana. "João, Joãozinho, Joãozito", musical inédito inspirado no livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, estreia em 29 de agosto no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp. Com direção artística, texto e adaptação de Marcio Araújo, a montagem acompanha os primeiros anos de João Guimarães Rosa (1908-1967), antes de o menino de Cordisburgo se tornar um dos nomes fundamentais da literatura brasileira.

A temporada segue até 13 de dezembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 11h00, e aos sábados e domingos, às 15h. Aos fins de semana, todas as apresentações contam com interpretação em Libras e audiodescrição. A produção foi idealizada por Daniel Palmeira e nasceu de sete anos de pesquisa dedicados a construir uma linguagem capaz de aproximar o universo de Guimarães Rosa do público infantil. 

A história parte da infância do escritor em Minas Gerais e acompanha sua trajetória desde o nascimento até a mudança para Belo Horizonte. Livros, bichos, natureza, línguas, brincadeiras e as histórias que circulavam em sua cidade natal formam o território de descobertas do pequeno João. A montagem transforma essas experiências em uma aventura musical sobre curiosidade, imaginação e conhecimento.

A relação entre o menino e o futuro escritor também aparece na dramaturgia por meio de referências ao universo literário de Rosa. Elementos associados a "Grande Sertão: Veredas" e um amigo imaginário inspirado em Miguilim entram na narrativa como pistas para quem já conhece a obra do autor e como primeiras portas de entrada para crianças que ainda vão descobrir sua literatura.

Um dos aspectos mais interessantes da encenação está na maneira como João é construído em cena. Os nove integrantes do elenco se alternam na interpretação do protagonista, fazendo com que a figura do menino passe de um corpo a outro. A escolha amplia a ideia de que a infância pertence a todos e transforma o próprio personagem em uma construção coletiva.

“Queremos que toda criança se veja no palco, que possa imaginar que também pode ser cientista, médica, escritora, viajar pelo mundo ou aprender outras línguas. Independentemente de onde venha, ela precisa acreditar que seu futuro também lhe pertence”, afirma Marcio Araújo. A gravata-borboleta, elemento associado à imagem pública de Guimarães Rosa, também ganha função cênica. Ao circular entre os artistas como laço, presilha ou gravata, o objeto funciona como elo entre as diferentes interpretações de João e reforça a ideia de identidade compartilhada. Compre o livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, neste link.

Música que vem da cultura popular
A trilha sonora original, assinada por Tato Fischer e Marcio Araújo, reúne nove canções e mergulha em manifestações tradicionais brasileiras. Folia de Reis, cururu, catira, cantos populares, viola caipira e sanfona ajudam a criar o ambiente sonoro da montagem. A direção musical e os arranjos são de Dagoberto Feliz. A música acompanha a trajetória do personagem e estabelece uma ponte entre as experiências da infância e as tradições culturais que atravessam o interior brasileiro.

No aspecto visual, a montagem aposta em bonecos artesanais, brinquedos antigos e objetos associados à infância do interior do país, especialmente de Minas Gerais. O cenário criado por Bruno Anselmo é formado por estruturas que mudam de função ao longo da apresentação, deixando espaço para que a imaginação do público complete as imagens.

Os figurinos de Clau Carmo seguem a mesma lógica e buscam referências em colchas de retalhos e brinquedos artesanais, criando uma atmosfera de memória e afetividade. Ao todo, são 19 bonecos criados por Jésus Sêda, conhecido também pelo trabalho em "Castelo Rá-Tim-Bum". Em cena, os nove artistas acumulam funções: atuam, cantam, tocam instrumentos, dançam e manipulam bonecos. Integram o elenco Beatriz Amado, Conrado Caputo, Daniel Aureliano, Elix, João Paulo Bienermann, Neusa de Souza, Rita Almeida, Thiago Claro França e Thiago Mota.

Para Tais Lara, diretora do Centro Cultural Fiesp, a montagem aproxima crianças e famílias da trajetória de Guimarães Rosa ao mesmo tempo em que amplia o contato do público com a literatura brasileira. A proposta está alinhada ao compromisso do Sesi-SP com a oferta gratuita de programação cultural e com a formação de novos públicos.

Uma infância antes do escritor
"João, Joãozinho, Joãozito"
olha para Guimarães Rosa antes do reconhecimento, dos livros consagrados e da carreira diplomática. É o menino que observa, pergunta, coleciona descobertas e encontra nos livros uma forma de ampliar o mundo ao redor. A montagem utiliza essa perspectiva para apresentar a infância como um período decisivo na formação do artista. A curiosidade do personagem, sua relação com a natureza e o contato com diferentes linguagens aparecem como elementos que ajudam a compreender o escritor que surgiria anos depois.

A proposta também encontra na cultura popular uma maneira de aproximar o universo roseano das crianças. Em vez de apresentar Guimarães Rosa como uma figura distante da literatura, o espetáculo recupera o menino que existiu antes do autor de Grande Sertão: Veredas e transforma suas primeiras experiências em matéria de teatro.


Ficha técnica
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito", a partir do livro de Claudio Fragata

Texto e adaptação: Marcio Araújo
Direção artística: Marcio Araújo
Músicas compostas: Tato Fischer/Marcio Araújo
Direção musical/arranjos: Dagoberto Feliz
Assistente de direção: Adriana Salcedo
Elenco/músicos: Rita Almeida, João Paulo Bienermann, Daniel Aureliano, Neusa de Souza, Elix, Conrado Caputo, Beatriz Amado, Thiago Claro França e Thiago Mota
Paisagista sonoro: Marcelino Ziggy
Desenho de som: Labsom – Kleber Marques, Juma e Marcelino Ziggy
Microfonista: Juma (Juliana Maria)
Técnico de som: Kleber Marques
Iluminador/desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Operador de luz: Felipe Bonfante
Cenografia: Bruno Anselmo
Cenotécnico: Reserva Cênica
Design: Leandro Madeiros
Figurino: Clau Carmo
Costureira/modelista: Salomé Abdala
Aderecista: Nilton Araújo
Bonequeiro: Jésus Sêda
Visagista: Jonathan Faria
Projeto gráfico: André Kitagawa
Fotógrafo: Ale Catan
Assistente de fotografia: Rafael Sá
Vídeos: Sucata Filmes – Vinícius Faé
Preparação corporal: João Paulo Bienermann
Preparação de manipulação de bonecos: Eduardo Alve
Direção de palco: Marco Loureiro
Maquinista: Atila Quirino (Chin)
Contrarregra: Arthur Gerizani
Camareira: Cris Quirino
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Mídias sociais: Tatiana Machado
Intérprete de Libras: Fabiano Campos
Áudio-descrição: Ver com Palavras
Produção executiva: William Gibson
Direção de produção: Daniel Palmeira
Coordenação financeira: Cleo Chaves
Assessoria contábil: DW Gonzalez Contábil
Assessoria jurídica: Marcelo Mayer
Coordenação geral/produção: Penta Querobin Produções


Serviço
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito"
Temporada: 29 de agosto a 13 de dezembro de 2026
Sessões: quintas e sextas, às 11h; sábados e domingos, às 15h
Atenção: Libras e audiodescrição em todos os sábados e domingos da temporada
Local: Centro Cultural Fiesp - Teatro Sesi-SP | Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô
Ingressos: gratuitos, com reservas pelo site www.sesisp.org.br/eventos
Classificação indicativa: livre, indicado para todas as idades

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Mirada 2026 homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 10 dias


Com 41 espetáculos de 15 países e 16 ações formativas, a 8ª edição do festival bienal aborda temas como os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e as relações entre trabalho, ócio e tempo. Foto: Macbeth_ft.Victor Otsuka / Papakuna_ft. Matias Canales / Vovó Surrealista_ft. Isaque Alves

De 3 a 13 de setembro de 2026, o Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas chega à sua 8ª edição bienal, tem o Equador como país homenageado e acontece em diferentes cidades da Baixada Santista. Realizada pelo Sesc São Paulo, a programação de dez dias apresenta montagens de teatro, dança, performance em palcos, praças e espaços históricos de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente, reunindo artistas de diversas origens e linguagens.
 
Com sete espetáculos, a mostra Equatoriana apresenta a pluralidade da produção desse país. Além disso a programação conta ainda com a Mostra Internacional e a Mostra Nacional, cada uma com 17 espetáculos. Com destaque para as estreias nacionais: "Casa do Norte" (Grupo Clariô de Teatro), "Macbeth" (Cia. Extemporânea), "Vovó Surrealista" (Cia. de Feitos) "e ...ao mesmo tempo..." (Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare), uma obra que dialoga com temas como o tempo, a memória e a continuidade, especialmente significativos em um ano de celebração dos 80 anos do Sesc.
 
"A programação desta edição reflete o compromisso do Sesc com a diversidade, a acessibilidade e a cooperação cultural. Ao ocupar teatros, ruas, praças e espaços históricos da Baixada Santista, o Mirada amplia o acesso à produção cênica contemporânea e promove encontros entre diferentes públicos e perspectivas. Neste ano, em que celebramos os 80 anos do Sesc, esse diálogo se fortalece com a presença de artistas de 15 países, incluindo a Guatemala pela primeira vez, ampliando as possibilidades de intercâmbio e construção de novos repertórios", afirma Luiz Galina, diretor do Sesc São Paulo.

A curadoria reuniu representantes do Sesc de diferentes regiões do país (AP, CE, MS, PA, PR, PE e RJ) e do Departamento Nacional, em um processo que incluiu ainda um fórum formado por uma equipe diversa de técnicos da linguagem que atuam no estado de São Paulo. Essa construção coletiva reafirma o compromisso da instituição com a diversidade, a acessibilidade, a cooperação transnacional e a cidadania. A programação organiza-se em quatro eixos: Mostra Equatoriana, Mostra Internacional, Mostra Nacional e Ações Formativas, que se relacionam e se complementam.
 

O Equador no centro da cena
Nesta edição, o Mirada coloca o Equador como país homenageado, direcionando o olhar para a produção das artes cênicas da América do Sul. Marcado pela presença dos Andes, da Amazônia e do litoral, o país traz ao festival uma cena que evoca ritos comunitários e tensiona feridas coloniais.
 
O espetáculo de abertura do festival é o "Me·de·as", do equatoriano Colectivo Mitómana. A obra revisita o mito de Medeia para discutir maternidade, luto coletivo e a subversão dos papéis atribuídos às mulheres, em uma releitura que une canto, dança e coralidade para abordar diferentes formas de resistência às imposições patriarcais.
 
O recorte equatoriano traz nomes e estéticas diversas. Entre os destaques estão o espetáculo "Papakuna - Agroteatro Cómico Musical" (da Colectiva Yama), que celebra as tradições milenares andinas e o cultivo de batatas nativas como ato de resistência cultural e comunitária, e "La Trocha" (da Runga Arte Experimental, em parceria com a artista argentina Melina Seldes), que investiga a travessia de migrantes na fronteira entre Colômbia e Equador.
 

Diálogos internacionais e a efervescência da cena nacional
A Mostra Internacional registra a participação inédita da Guatemala e a expansão de presenças caribenhas, ao lado de produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. Os espetáculos abordam temas importantes do nosso tempo - como migração, ancestralidade, justiça climática, repressão política e igualdade de gênero. 

Os destaques são o espanhol "Seppuku - El Funeral de Mishima o El Placer de Morir" (da encenadora Angélica Liddell), baseado no código espiritual dos samurais, que combina erotismo, ritualística e o teatro nô japonês; o chileno "Vampyr" (direção de Manuela Infante), um falso documentário sobre criaturas que resistem à divisão entre natureza e cultura para tratar de sustentabilidade; o argentino "Ayoub - El Amor Me Enseña a No Amar" (Marina Otero), que critica o colonialismo afetivo a partir do relacionamento entre um casal no Marrocos; e o mexicano "Mi Madre y el Dinero" (Anacarsis Ramos), no qual o diretor e sua mãe, Josefina Orlaineta, sobem ao palco após uma década de distanciamento para mostrar a história de uma mulher que manteve mais de 40 negócios ao longo da vida em busca da sobrevivência em uma das áreas de maior índice de pobreza no México.
 
A Mostra Nacional apresenta um panorama dedicado à diversidade das artes cênicas brasileiras, incluindo estreias nacionais, como...ao mesmo tempo..., que reúne o Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare; uma versão contemporânea de "Macbeth" (Cia. Extemporânea), interpretada por um elenco de drag queens; e "Casa do Norte", no qual o Grupo Clariô de Teatro comemora duas décadas de história e afirmação cultural em Taboão da Serra.
 
Formação de novos públicos
A 8ª edição do Mirada reúne espetáculos voltados a públicos de diferentes idades, com obras que convidam crianças, jovens e adultos a se aproximarem das artes cênicas. Entre elas está "Vovó Surrealista", da Cia. de Feitos - baseado no livro de Carlos Canhameiro, o espetáculo acompanha uma avó analfabeta, que finge ler livros aos netos, mas inventa histórias e personagens. Já o áudio percurso "Tesoro, Santos" (da chilena Paula Aros Gho) convida o público a uma viagem lúdica pela cidade de Santos, guiada por vozes de crianças e jovens entre 7 e 15 anos.

Além dos espetáculos, o festival promove 16 ações formativas, com residências, vivências, oficinas, bate-papos e sessões de autógrafos de livros que privilegiam a escuta e a troca entre criadores e público, com o intuito de fomentar o pensamento crítico e a reflexão. Durante o período do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, o Sesc TV exibe filmes, documentários e séries relacionados ao universo do teatro, que também estão disponíveis no Sesc Digital. Acesse a programação completa em sescsp.org.br/mirada ou pelo aplicativo Mirada Festival Sesc SP.


Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas  
Criado em 2010 para evidenciar a diversidade de estéticas e as pesquisas nas artes cênicas dos países da América Latina e Península Ibérica, o Mirada chega à sua oitava edição reforçando as similaridades e pluralidades que se estabelecem entre a produção desses países em Santos e cidades vizinhas que carregam, além de beleza natural, a vocação de palco perfeito para evidenciar e proporcionar o intercâmbio entre os povos.


Sobre o Sesc
O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral. No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos. O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.


Serviço
Mirada 2026 – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas
De 3 a 13 de setembro de 2026
Sesc Santos, espaços públicos e equipamentos culturais em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Vendas de ingressos: a partir de 14 de agosto, às 15h00.
Programação e informações: sescsp.org.br/mirada e aplicativo Mirada Festival Sesc SP
Nas redes sociais pela hashtag #FestivalMirada 
Venda de ingressos a partir de 14 de agosto, às 15h, on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e Central de Relacionamento Digital (centralrelacionamento.sescsp.org.br), ou presencialmente nas unidades do Sesc São Paulo.


Valores ingressos
Espetáculos adultos 
R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada); R$ 10,00 (Credencial Plena)

Espetáculos para crianças  
R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada); R$ 10,00 (Credencial Plena)
Menores de 12 anos têm entrada gratuita nas atividades infantis, mas precisam de ingresso.
 
Gratuidade nos teatros da Baixada Santista
Todos os espetáculos nos teatros de Cubatão, Guarujá e Praia Grande são gratuitos. A retirada de ingressos antecipados é realizada por meio do aplicativo Credencial Sesc ou pela centralrelacionamento.sescsp.org.br.

Legendagem
Todos os espetáculos, nacionais e internacionais, são apresentados com legendas em português e espanhol, com exceção dos espetáculos de rua, que não têm legenda.

Acessibilidade
Todos os espaços do Mirada são acessíveis para pessoas em cadeiras de rodas. O evento oferece serviços de interpretação em Libras e audiodescrição, além de dispor de espaço para acomodação sensorial para alguns espetáculos. Algumas obras possuem elementos sensoriais que podem causar desconforto.

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida, Santos / SP
Terça a sexta, 9h00 às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 10h00 às 18h30
Informações em sescsp.org.br/mirada 

.: Companhia das Rosas estreia "Esse-Outro", espetáculo para bebês


A Companhia das Rosas estreia nova obra teatral para bebês e primeiras infâncias, centrada na construção dos primeiros vínculos, desde a gestação até as descobertas iniciais do mundo exterior. Foto: Em Cena Produtora

A Companhia das Rosas investiga os primeiros vínculos entre o eu e o outro por meio de uma narrativa não verbal no espetáculo "Esse-Outro". A montagem é uma criação de teatro para bebês que dialoga também com diversos públicos. Trata-se de um teatro que comunica sem palavras,  com trilha sonora original e um cenário de bambus que utiliza recursos acrobáticos e de jogo cênico da dupla de atrizes-circenses de Erica Stoppel e Luara Bolandini, sob a direção de Clarice Cardell. O espetáculo estreia em São Paulo nos dias 14, 15 e 16 de agosto - sexta-feira, às 10h00 e 15h00; sábado e domingo, às 11h00 - no Sesc 24 de maio com sessões gratuitas. E nos dias 22 e 23, 29 e 30 de agosto - sábados, às 15h00, e domingos, às 11h00 - no espaço Chiquita de Teatro Para Bebês.

Na trama, dois seres que chegam ao mundo se relacionam entre si e com o espaço, se movem com fluidez acrobática e constroem uma narrativa não verbal por meio da linguagem gestual, sonora e visual. Elas são duas personagens que se aproximam, se espelham, se estranham e brincam, revelando as delicadas transformações dos vínculos humanos nos primeiros anos de vida. A obra investiga, de forma poética e sensível, os primeiros encontros entre o eu e o outro: da experiência de fusão e acolhimento no ventre à descoberta do mundo exterior e dos primeiros movimentos de separação afetiva. 

“A questão do outro, dessa construção do processo identitário, que sempre passa por esse espelhamento do outro, foi um dos caminhos da pesquisa. É um espetáculo plástico. Ele é feito para os bebês, mas também para os adultos que os acompanham. A história fala basicamente desse processo de encontros e desencontros, que é a própria vida”, ressalta a diretora Clarice Cardell. O cenário é uma estrutura-casa em forma de pirâmide dupla de bambu, que se transforma continuamente ao longo da peça, criando paisagens de abrigo, passagem e descoberta. Em constante transformação, o espaço cênico traduz a passagem do interior para o exterior, refletindo o processo de descoberta, apropriação e recriação do mundo ao redor. Os figurinos representam dois seres em formação, sem definições de gênero ou identidade fixa. 

A trilha sonora original reúne percussões corporais, marimba, cello, violão, timbres produzidos com o bambu e arranjos vocais que ajudam a criar uma experiência imersiva que dialoga diretamente com a escuta e a imaginação dos bebês. A música constrói atmosferas, acompanha jogos e emoções das personagens e joga com a ideia de repetição e variação com um tema musical central chamado Esse- Outro. Este tema evoca a relação entre mãe e filho, reaparecendo ao longo da narrativa em momentos chave de significados. A narrativa se constrói junto às informações que a música traz, os silêncios e as expressões sonoras das personagens. Ao final do espetáculo, o público é convidado a entrar no espaço cênico e interagir com os objetos de bambu, prolongando a experiência estética por meio do toque, da exploração e da brincadeira compartilhada.

O encontro entre a Companhia das Rosas e a diretora Clarice Cardell consolidou afinidades que já vinham sendo desenvolvidas pelas artistas em suas pesquisas sobre a primeira infância. “Sempre buscamos uma comunicação profunda com os bebês, baseada na presença e na verdade do encontro. Compartilhamos da ideia de que os bebês nascem com capacidades expandidas de percepção do mundo e são capazes de se conectar com universos poéticos de modo muito profundo. Foi muito libertador perceber que compartilhamos dessas e outras ideias sobre a magnitude do ser humano na infância, enfatiza Erica Stoppel.

A atriz Luara Bolandini também comentou o resultado dessa conexão. "Na criação de Esse-Outro, fomos em busca de sentimentos próprios e muito verdadeiros. No encontro com a Clarice potencializamos nossa forma de comunicar sem palavras e explorar a dramaticidade no gesto, seja ele teatral ou acrobático. Apostamos em uma linguagem que prima por uma desacelaração do tempo e convida convida bebês e adultos à experiência sensível de contemplação compartilhada”.

Com mais de duas décadas de pesquisa voltada à arte para a primeira infância, Clarice Cardell (Cia Primeiro Olhar) iniciou essa trajetória na Espanha, onde fundou a companhia La Casa Incierta, referência internacional no teatro para bebês e responsável pela criação de 11 espetáculos apresentados em diversos países. De volta ao Brasil, passou a dirigir o Festival Primeiro Olhar e fundou a BebeLume, produtora dedicada ao desenvolvimento de filmes e conteúdos artísticos para a primeira infância, ampliando sua atuação para o audiovisual e a formação de educadores. 

“Fazer teatro para bebês é, antes de tudo, um ato político. É reivindicar o ser humano em outra dimensão, longe desse olhar adultocêntrico que acredita que a criança é uma página em branco. Temos muito mais a aprender com as crianças do que algo a ensinar a elas. Acredito que a arte para a primeira infância é, antes de tudo, um reconhecimento da potência dos bebês como espectadores”, finaliza a diretora.  A Companhia das Rosas foi criada em 2017, a partir de uma pesquisa de Erica Stoppel e Luara Bolandini, centrada na relação entre a arte circense, o teatro de bonecos e a necessidade de dialogar com as crianças e dar voz às questões da infância.  

“Esse-Outro” é um espetáculo de teatro para bebés que traz duas personagens acrobáticas  que atravessam experiências de vínculo, descoberta e separação em um espaço cênico em constante transformação. O espetáculo narra, sem palavras, de forma poética e sensível, os primeiros encontros entre o eu e o outro: da experiência de fusão e acolhimento no ventre aos primeiros movimentos de separação afetiva e a descoberta do mundo exterior.


Ficha técnica
Peça teatral “Esse-Outro” 
Idealização: Companhia das Rosas - Erica Stoppel e Luara Bolandini. Direção: Clarice Cardell (Cia Primeiro Olhar). Assistência de direção: Vera Abud (Cia Pelo Cano / Cia As Graças).. Orientação de arte e corpo bambu: Poema Mühlenberg (Cia Nós no Bambu). Criação com bambus: Luis Calça Criação de luz: Marisa Bentivegna. Figurino: Chris Galvan. Trilha sonora original: Vinícius Politano. Assistente de Produção: Beatriz Alves Direção de produção: Rita Massini (Margarida Agência de Cultura). Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. 


Serviço
Peça teatral “Esse-Outro” 
Sesc 24 de maio (Local: Tecnologias e Artes - ETA | 4º andar)
R. 24 de Maio, 109 - República, São Paulo - SP, 01041-001 
Dias 14, 15 e 16 de agosto.  Sexta-feira, dia 14, às 10h00 e 15h00. Sábado e domingo, dias 15 e 16, às 11h00. Grátis.

Espaço Chiquita 
Rua Cel. Domingos Ramos, 54 Vl. Leopoldina/SP 
De 22 a 30 de agosto, sábados, às 15h00, e domingos, às 11h00.
Preço: RS 40,00 inteira R$ 20,00 meia
Classificação: livre. Duração:45 minutos
O trabalho foi pensado para sensibilizar bebês (0-3 anos) e seus acompanhantes por meio de estímulos táteis, sonoros e visuais adequados a essa faixa etária. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

.: Celso Frateschi e Zécarlos Machado em "Dois Papas", no TUCA até setembro

Com direção de Munir Kanaan, a peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, também adaptado para o cinema em filme da Netflix, dirigido por Fernando Meirelles, com 4 indicações ao Oscar. Foto: Ale Catan


Vista por mais de 25 mil pessoas e sucesso de público e crítica, "Dois Papas"segue em cartaz nos palcos do TUCA. Com direção original de Munir Kanaan, a peça leva aos palcos o encontro entre dois líderes da Igreja Católica com visões de mundo opostas: o conservador Papa Bento XVI, interpretado por Zécarlos Machado, e o progressista argentino Cardeal Jorge Bergoglio - futuro Papa Francisco - vivido por Celso Frateschi. A temporada vai até 27 de setembro de 2026 com sessões sempre sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h. 

O espetáculo foi vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura como Melhor Drama 2025, e os protagonistas foram indicados ao Prêmio APCA 2025, na categoria Melhor Ator. A peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, autor também do livro homônimo e do roteiro do filme da Netflix dirigido por Fernando Meirelles, indicado a quatro Globos de Ouro, cinco BAFTAs e três Oscars - incluindo o de Melhor Roteiro. 

A história parte do momento em que Bergoglio viaja à Roma decidido a pedir sua aposentadoria. Para sua surpresa, é convocado a uma conversa pessoal com Bento XVI, que considera renunciar ao cargo diante das pressões enfrentadas pela Igreja. O que se segue é um diálogo carregado de tensão, respeito e humor, no qual visões antagônicas encontram espaço para escuta, conflito e transformação.

“Em cena, é como se estivessem quatro papas. Temos em segundo plano o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, que são os papas públicos, conhecidos pelos grandes eventos e cerimônias, vistos pela TV e pela internet. E temos o mais interessante, o que busquei iluminar, a intimidade desses dois homens, aquilo que não vemos. A possibilidade do diálogo é o que move essa história, são duas visões de mundo completamente diferentes. Apesar de Bento XVI ser mais conservador, é ele quem chama Bergoglio para a conversa, que apesar de ser um homem mais aberto, chega hesitante para ter esse papo reto. São as complexidades desse encontro que conduzem o diálogo sobre a necessidade de mudanças”, enfatiza o diretor Munir Kanaan.

Além de Celso Frateschi e Zécarlos Machado, o espetáculo conta com a voz feminina que fica a cargo das atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, intérpretes de fortes personagens próximas aos protagonistas: Irmã Sofia, freira idealista transformada pela ditadura argentina e pelos ensinamentos de Bergoglio, e Irmã Brigitta, uma mulher rígida, editora de livros religiosos e amiga confidente de Bento XVI.

A encenação aposta em elementos visuais para potencializar a narrativa. O cenário branco, concebido como instalação cênica, se transforma a partir de figurinos, objetos e projeções, construindo desde ambientes sacros até os momentos mais íntimos dos personagens. O videomapping insere conteúdos documentais e amplia o impacto estético do espetáculo, enquanto a trilha sonora ambienta e guia as transições com sutileza.


Os Papas
“A cidade treme com vozes discordantes – marxistas, liberais, conservadores, ateus, agnósticos, místicos – e em cada peito o grito universal: “Eu falo a verdade!”. Essa é uma das falas do Papa Bento XVI que mais impressiona Zécarlos Machado em seu papel. Para o ator, a ideia do texto dialoga em cheio com a contemporaneidade. Bento XVI, ou Joseph Ratzinger, é um homem que tem atribuições enormes, pois a Igreja tem bilhões de fiéis, um líder com responsabilidades maiores que certos presidentes de alguns países.

“Ele é um homem com suas virtudes e contradições dentro do mundo religioso. Está em um momento de fragilidade física diante desse cargo que exige tanto. Apesar de ser um intelectual, ele tem muito humor, características que vão humanizando essa figura. Estamos em uma época em que cada um tem sua verdade. As discordâncias se acirram e se tornam, inclusive, violentas. Se tornam perversas, desrespeitosas, doentias, trazendo uma noção de desumanidade em altíssimo grau. As vozes são discordantes de Bento XVI e de Francisco, mas quando se reconhece o lado humano e se tem uma boa vontade, é possível encontrar um caminho em que a humanidade, de fato, se estabeleça. É uma peça que nos leva a um processo de avaliação desse mundo caótico atual."

Celso Frateschi encarna o cardeal argentino Jorge Bergoglio e volta a trabalhar com temas que permeiam a Igreja Católica, como ocorreu nas peças "O Grande Inquisidor" (adaptação de um trecho do romance "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski) e Processo de Giordano Bruno (texto do italiano Mário Moretti). O ator reforça que "Dois Papas" é bem construído dramaticamente e abre questões filosóficas que não ficam restritas somente ao mundo religioso. “São visões de mundo completamente diferentes, por mais que ambos sejam da mesma religião. Essa dramaturgia acaba falando de nós nesse exato momento em meio às discussões envolvendo polarização”.

Para construir o seu personagem, Frateschi relembra de sua criação católica que dialoga bem com as diretrizes do futuro Papa Francisco na peça. “Ele é um homem que retomou os rumos da Igreja, não tem nenhum limite em avaliar a si mesmo com transparência, possui uma capacidade de mudança e transformação, características que vão continuar durante o seu papado”.  A montagem marca um reencontro de Celso Frateschi e Zécarlos Machado nos palcos. A dupla esteve junta em Santa Joana, de Bernard Shaw, direção de José Possi Neto na década de 80. Os dois atuaram juntos na TV em alguns episódios da série "Sessão de Terapia", exibida originalmente pela GNT.


Estreia internacional e trajetória
Com estreia mundial em junho de 2019 no Royal & Derngate Theatre, na Inglaterra, a peça chegou ao Brasil com produção da Gengibre Multimídia. A montagem conta com uma equipe artística de excelência e recursos técnicos que valorizam a experiência do público. O espetáculo teve sua estreia nacional no SESC-SP, com sucesso de público e crítica, e foi convidado para inaugurar a Sala Nobre do Teatro Cultura Artística. Ainda na capital paulista, a peça chegou aos palcos do Itaú Cultural e BTG Pactual Hall, e também passou por outras cidades de São Paulo (Taubaté, Jundiaí, Araraquara, São José do Rio Preto, Jales, Bauru, Birigui e Sertãozinho), e outros estados como Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR).

Ficha técnica
Peça teatral "Dois Papas"
Elenco: Celso Frateschi (Cardeal Bergoglio), Zécarlos Machado (Papa Bento XVI), Carol Godoy (Irmã Sofia) e Eliana Guttman (Irmã Brigitta). Participação em vídeo: Rafa Steinhauser. Direção: Munir Kanaan.  Dramaturgia: Anthony McCarten. Tradução: Rui Xavier. Diretor Assistente: Gustavo Trestini. Trilha Sonora: Dan Maia. Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud. Cenário: Eric Lenate. Figurino: Carol Roz. Iluminação: Beto Bruel. Idealização: Munir Kanaan e Rafa Steinhauser. Produção: Gengibre Multimídia. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Patrocínio: La Serenissima e 2S Inovações. 


Serviço

Peça teatral "Dois Papas"
Local: TUCA  Endereço:  Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes, São Paulo - São Paulo.
Duração: 100 minutos.
Classificação: Livre. Indicação: 14+
Datas das apresentações: até dia 27 de setembro de 2026.
Sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00.
Ingressos: R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia-entrada)
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/118173/d/373929/s/2499495

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

.: Grátis: a temporada especial de dez anos de “Catadora de Ilusões”


Com direção de Naomi Silman, do LUME Teatro, o espetáculo revela com delicadeza e sensibilidade o universo de uma “recicladora de sonhos” que inventa um reino próprio para continuar existindo. Foto: divulgação

No mês de agosto, a atriz e diretora Gabriela Winter promove uma temporada especial celebrando dez anos do espetáculo “Catadora de Ilusões”. A temporada é gratuita e começa no sábado, dia 15 de agosto, às 20h00, com apresentação no Espaço Cultural Inventivo, na Zona Leste de São Paulo . Nos dias 21 a 23 de agosto de 2026, sexta-feira e sábado, às 20h00, e domingo às 19h00, as apresentações acontecem no Teatro Cacilda Becker, na Zona Oeste. E nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, sábado às 20h30, domingo às 19h30, as apresentações acontecem no  Centro Cultural São Paulo (CCSP), ao lado da estação Vergueiro do metrô. 

Em “Catadora de Ilusões”, Gabriela dá vida à palhaça Jurubeba, personagem que atravessa a cidade acompanhada de suas pequenas manias, silêncios, invenções, sonhos e desejos. Entre jornais, objetos recolhidos e um cotidiano inventado à própria maneira, Jurubeba cria um reino particular para continuar existindo. Um território íntimo, às vezes melancólico, às vezes absurdamente engraçado, onde a solidão ganha corpo e delicadeza. Com direção de Naomi Silman, do LUME Teatro, o solo “Catadora de Ilusões” revela com delicadeza e sensibilidade o universo de uma “recicladora de sonhos” que inventa um reino próprio para continuar existindo, em uma história de afeto, imaginação e dignidade. 

Ao longo dos últimos anos, Gabriela Winter se consolidou como um dos nomes mais atuantes da palhaçaria contemporânea brasileira. Fundadora do Clownbaret (@clownbaretbrasil), companhia criada em 2009, ela também desenvolve trabalhos de direção, formação e pesquisa. Sua investigação mais recente une neurociência e comicidade por meio da PNP – Programação Neuro Palhacística, metodologia criada a partir de sua pós-graduação em Neurociência e Comportamento pela PUCRS.

Além dos palcos, atuou em projetos humanitários com a Organização Palhaços Sem Fronteiras Brasil e Clowns Without Borders USA em países da África, América Latina e Europa, além de Brumadinho e Rio Grande do Sul. Entre os reconhecimentos de sua carreira estão o prêmio de Melhor Atriz no Sofie Awards (Nova York), em 2015, a direção e concepção da Gala de Circo da Cidade de São Paulo apresentado no Teatro Municipal, em 2023, e o Troféu Picadeiro de Melhor Espetáculo Circense Adulto, conquistado em 2025 com El Grand Clownbaret. 

Nesta temporada comemorativa, toda a equipe do projeto será formada por mulheres. Além das apresentações, a programação inclui acessibilidade em libras, workshop sobre criatividade e palhaçaria, conversa sobre processos de criação e vagas de estágio para jovens interessados em produção cultural e artes da cena. As ações fazem parte do  projeto "10 anos de Catadora de Ilusões" contemplando na décima edição do edital do Programa Municipal de Fomento ao Circo da cidade de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo “Catadora de Ilusões”
Direção: Naomi Silman (Lume Teatro). Palhaça Jurubeba: Gabriela Winter. Técnica de luz: Melissa Guimarães. Técnica de som: Mica Matos. Designer gráfica: Sabrina Motta. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini. Intérprete de Libras: Andressa Britto. Filmagem e fotografia: Carolina Scauri (Vibrante Filmes). Produção Executiva: Letícia Elisa Leal e Clownbaret. Produção de Campo: Letícia Elisa Leal. Gestão Financeira: Marina Mioni - Caruá Produções

Serviço
Espetáculo “Catadora de Ilusões”
Com Gabriela Winter. Grátis.

Primeiras apresentações: 
15 de agosto de 2026 (sábado) - 20h00
Espaço Cultural Inventivo - Rua Limeira, 19 - Quinta da Paineira, Zona Leste, São Paulo (SP). Sem necessidade de retirada de ingressos. Capacidade: 50 lugares. Acessibilidade: não. Estacionamento: não.

21 a 23 de agosto de 2026 - sexta-feira e sábado, às 20h00, domingo às 19h00.
22 de agosto (sábado) - 20h00 - sessão com tradução em Libras
Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295 - Vila Romana (Lapa), Zona Oeste, São Paulo (SP). Capacidade: 198 lugares. Bilheteria: retirada de ingressos 1h antes da sessão. Acessibilidade: banheiros adaptados para cadeirantes e estrutura com acesso adequado (rampas). Estacionamento: não. 

29 e 30 de agosto de 2026 - sábado às 20h30, domingo às 19h30
Centro Cultural São Paulo CCSP - R. Vergueiro, 1000. Paraíso - Sala Jardel Filho - Capacidade: 321 lugares. Acessibilidade: sim. Estacionamento: não. 

.: Inspirado em viagem real de bicicleta pelo Brasil, "A Viagem do Jiló" estreia


Espetáculo homenageia a diversidade cultural brasileira a partir da história de um palhaço que viaja de bicicleta com seu cachorro de São Paulo até Olinda. Foto: Herbert Baratella

Após circular por unidades do Sesc no interior paulista e conquistar crianças e famílias por onde passou, o espetáculo "A Viagem do Jiló" inicia nova temporada no Teatro Cacilda Becker no dia 15 de agosto, com sessões gratuitas até 30 de agosto de 2026. Aos sábados, o público é convidado a participar da oficina Recriando a Comicidade - Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje. Inspirada em uma viagem real de bicicleta realizada pelo artista e palhaço Giba Freitas, a montagem transforma uma experiência vivida nas estradas brasileiras em uma aventura poética, bem-humorada e repleta de referências à cultura nacional.

Em cena, Jiló decide seguir de bicicleta até Olinda, desconfiado da notícia de que o Carnaval deixará de existir. No caminho, encontra o Cachorro Caramelo, que se torna seu companheiro de estrada. Juntos, cruzam diferentes estados brasileiros, encontram personagens inspirados na cultura popular e descobrem que a informação não passava de uma fake news. A ideia surgiu a partir da experiência vivida por Giba Freitas em uma cicloviagem entre São Paulo e Olinda. Os encontros, as paisagens e os costumes observados ao longo do caminho deram origem à dramaturgia, assinada por Paulo Rogério Lopes, com direção de Fernando Sampaio e música executada ao vivo por Maral.

"'A Viagem do Jiló' nasce de uma experiência que mudou completamente a minha vida. Quando voltei da viagem, percebi que havia uma história muito potente ali. Hoje, o mais bonito é ver como as crianças acreditam na narrativa e embarcam nessa aventura do começo ao fim", afirma Giba Freitas. No palco, a cenografia de Andreas Mendes reproduz um grande mapa ilustrado do Brasil, permitindo que o público acompanhe o trajeto dos personagens. Placas inspiradas na sinalização das estradas indicam os estados visitados, enquanto figurinos inspirados em Charles Chaplin, O Gordo e o Magro e nos palhaços dos grandes circos ajudam a compor o universo da narrativa.

 Desde a estreia, a montagem consolidou sua relação com o público infantil. "Descobrimos a força da dramaturgia quando vimos as crianças acreditando em tudo o que acontece em cena. Elas viajam junto com Jiló e o Caramelo. Já os adultos costumam se surpreender ao descobrir, no final, que a história foi inspirada em uma viagem que realmente aconteceu", diz o artista.


Criação
O espetáculo nasceu a partir de uma experiência mambembe de Giba Freitas. Em dezembro de 2022, ele embarcou em uma cicloviagem com a palhaça Formiga (Marisa Silva) para chegar até o Recife a tempo de aproveitar o Carnaval. Depois, os amigos seguiram por mais 150 km até a Paraíba, complementando mais um estado. Durante o trajeto, o artista começou a refletir sobre como os costumes são importantes para a criação de uma identidade coletiva. E, a partir disso, quis investigar quais seriam as identidades de cada região do Brasil hoje: o que ficou pelo caminho e o que está enraizado em nós?

Giba encontrou figuras clássicas do imaginário brasileiro, como o caipira, as vizinhas, as madames, as famílias tradicionais decadentes e os caboclos. Então, ele buscou a essência de todos esses personagens, considerados até arquétipos, para falar com crianças e adultos sobre a imensidão que é o nosso Brasil. Assim, os espectadores das mais variadas idades poderão pensar sobre a diversidade cultural brasileira, principalmente em tempos de extrema polarização. “É necessário que o Brasil conheça o Brasil para que aprenda de fato a respeitá-lo”, defende o artista.

 
Sinopse
Jiló está de bike equipada para seguir rumo a maior festa do Brasil quando se depara com um cachorro caramelo cansado das ruas e precisando de um pouco de energia. De carona na bike, a dupla encontrará muitos desafios, aventuras, riso e diversidade. O trabalho é uma homenagem à identidade plural brasileira, enfatizando a beleza das diferenças e misturando a tradicionalidade do circo e o momento atual, ao tempo em que explora musicalidade e técnicas de manipulação de bonecos, dando vida a personagens inimagináveis.
 

Ficha técnica
Espetáculo "A Viagem de Jiló"
Direção: Fernando Sampaio
Texto: Paulo Rogério Lopes
Elenco: Giba Freitas e Maral
Assistência de direção: Marisa Silva
Cenário e figurinos: Andreas Mendes
Bonequeiro: Murilo Cesca
Direção musical e trilha sonora ao vivo: Maral
Preparação corporal: Larissa Pretti
Iluminação: Diego Gonçalves Cordeiro
Assistente de produção: Thauana Garcia
Produção executiva: Bruna Burkert
Coprodução: Híbrida Arte e Cultura


Serviço
Espetáculo "A Viagem do Jiló"
Temporada: de 15 a 30 de agosto, aos sábados e domingos, às 16h00
*Sessão com audiodescrição no dia 29 de agosto
Duração: 50 minutos | Classificação: 7 anos

Oficina Recriando a Comicidade - Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje
Dias 15, 22 e 29 de agosto, das 10h00 às 13h00
Com Giba Freitas e Maral

Bate-papo com Fernando Sampaio
Dia 22 de agosto, após a sessão
Local: Teatro Cacilda Becker R. Tito, 295, Lapa/ SP
Entrada gratuita
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