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terça-feira, 14 de julho de 2026

.: Bianca Bin e Sérgio Guizé estreiam "Meu Deus!" dia 24 no Teatro das Artes


Produção da Morente Forte para texto da dramaturga israelense Anat Gov tem figurino de Fábio Namatame, luz de Wagner Pinto e cenário de Rebeca Oliveira. Foto: Caio Oviedo
 
A química entre os atores, o texto na ponta da língua e o timming imprimido durante o ensaio deram mostras do que está por vir. Numa tarde de sol e frio, final de maio, em um casarão na Vila Leopoldina, o encontro organizado pela produção apresentou o espetáculo à equipe e revelou uma dinâmica deliciosa de parceria entre os dois artistas. Morando em Indaiatuba, no Interior de São Paulo, Bianca Bin e Sérgio Guizé tirava proveito do trajeto de carro até a Capital para decorar o texto da peça "Meu Deus!", com estreia no dia 24 de julho no Teatro das Artes para temporada até 1º de novembro.
 
O casal aproveitou um ao outro o tempo todo. “Eu venho dirigindo de lá pra cá; da marginal até aqui dá mais ou menos uma hora. Ele, com o texto no banco do passageiro; a gente vem batendo as falas. Dá para fazer uma passada completa no percurso”, conta ela. O casal dribla a rotina e transforma a estrada em laboratório de ensaio. Uma cumplicidade que transborda no palco e na vida real.
 
"Meu Deus!", da dramaturga israelense Anat Gov, tem adaptação de Jorge Schussheim, tradução de Eloísa Cantom, versão brasileira de Célia Regina Forte e direção de Elias Andreato, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Pinto. Na trama, Deus (Sérgio Guizé), assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana (Bianca Bin) o ajude. Um texto espirituoso, com diálogos ágeis e verdadeiros, mesmo que aparentemente improváveis. Plateias do mundo inteiro surpreendem-se, riem, compactuam, torcem e, finalmente, se emocionam com essa sessão de terapia.
 
Ana (Bianca Bin) é uma psicóloga que vive uma rotina marcada por tensões pessoais: ela é mãe solo de Paulo, um filho adulto com autismo, e lida diariamente com os desafios emocionais dessa relação. Certo dia, recebe um telefonema urgente e misterioso de alguém que insiste em se consultar com ela imediatamente. Esse paciente, que se identifica apenas como “D”, revela-se nada menos que Deus — o Criador (Sérgio Guizé). Ele está profundamente deprimido.
 
Sentindo-se responsável pela “criação” que, segundo Ele, fugiu ao controle, Deus admite pensar no suicídio, tomado pela desesperança diante da humanidade e de tudo aquilo que se tornou. Ana tem apenas uma sessão para ajudar Deus a ver sentido novamente, a encontrar forças para continuar enfrentando o mundo. A peça entrelaça humor, emoção e questionamentos teológicos e existenciais. A história, embora pareça fantasiosa, aproxima o espectador através do diálogo com temas universais: culpa, fé, responsabilidade, abandono, esperança.
 

Os ensaios e o diretor 
A experiência e o talento do diretor Elias Andreato foi salientada pelos atores, que se sentiram à vontade para construir suas personagens. “A confiança em nos deixar livres, seguros e confortáveis para irmos em frente, sem ficar parando para marcar ou dar ênfase a alguns sentimentos, foi muito importante”, afirma Sérgio.
 
Guizé ressalta a troca como fator importante durante a etapa de ensaios. “Sob o olhar atento e a direção precisa do Elias, o processo ganhou muita sensibilidade. E dividir a cena com a Bianca é um privilégio absoluto; ela é uma atriz genial e a minha maior parceira na vida e na arte". Bianca completa: “Ter um grande diretor por trás faz toda a diferença. Elias pontua e extrai o melhor que a gente tem pra dar. Recebe e aproveita o que apresentamos. Sou muito fã desse cara”, fala.
 
Sobre a ótima interação de Bianca e Sérgio em cena, Andreato aponta: “Independente do fato de vocês se amarem, o jogo na cena é muito difícil quando a química não rola. Eles são maravilhosos”. Bianca concorda que dar certo na relação amorosa não garante que o mesmo aconteça na interpretação. “Eu me divirto muito com ele, na vida e no palco. Nessa história também”.
 
Elias Andreato cita a importância de reconhecer o talento do outro e trabalhar para que ele floresça. “O prazer é mais relevante que o sucesso, acredita Elias, comentando que hoje o mundo vive em função do ego e o mais importante é a escolha que fazemos como artistas”.
 
Para Andreato, o humor ácido de Meu Deus exige dos atores um caminho verdadeiro, sem buscar a graça no jogo cênico. “A situação inusitada já é suficiente. Assim, poderemos equilibrar a comédia e a visão crítica que a autora desenhou em sua dramaturgia, tão bem escrita e inteligente, ao trazer Deus para a terapia em um quadro de depressão”.
 
Sobre sua direção, reflete como ele próprio aprendeu com esse olhar mais jovem sobre a dramaturgia de uma autora que fala sobre o momento político mundial, de uma transformação gritante. “Somos representantes de um gueto. A gente pode tocar alguém, divertir, levar à reflexão, fazer a comédia com alguma utilidade”.
 

Leveza e humor
O Deus de Sérgio Guizé é humanizado, deprimido e com um humor ácido. “Às vezes até meio agressivo. Ele está em crise, tentando digerir os rumos do mundo e as próprias escolhas que fez nos últimos dois mil anos". Sobre como usar a leveza e o humor do texto sem esvaziar a gravidade de um personagem que cogita o suicídio, Sérgio diz: “A inteligência do texto já nos dá esse equilíbrio. O humor aqui não serve para mascarar a tragédia, mas para torná-la suportável. A leveza é o que nos permite mergulhar em um tema tão denso sem perder o fôlego”.
 
Acostumado a papéis intensos e explosivos na TV e no cinema, o ator conta como fazer para humanizar um Deus frágil e deprimido sem cair na caricatura: “O desafio é encontrar o humor na dor e na verdade, sem ceder à tentação da piada fácil. O trunfo está em construir um personagem vulnerável com o qual o público consiga se identificar, e não apenas rir dele”.
 
Terapeuta brilhante, mãe solo, ateia, sobrevivente de um casamento falido e dos desafios de uma maternidade exaustiva - assim Bianca enxerga sua personagem. “Ela acredita profundamente na razão, na ciência e na escuta, até que surge o maior desafio de sua carreira: receber Deus como paciente em seu consultório”. A mistura de força e vulnerabilidade da Ana encanta a atriz. “É uma mulher que cuida de todos, mas que também carrega suas próprias feridas e questionamentos”.
 
Conhecida pelo público em geral pelas protagonistas dramáticas que tem interpretado nas novelas de TV, a atriz rompe com este estereótipo para viver uma mulher exausta, que representa a "resistência humana" e precisa encarar Deus no divã. “Para mim, a próxima personagem é sempre o maior desafio, justamente por representar o desconhecido. Existe sempre um mistério a ser desvendado, e isso é o que mais me instiga na profissão. A Ana me convida a mergulhar em questões humanas muito profundas, e isso é especialmente estimulante".
 

Por que montar "Meu Deus!" de Anat Gov 
Por mais fantasiosa que a história possa parecer à primeira vista, no decorrer da peça plateias do mundo inteiro acreditam nesse encontro inusitado. Elas se surpreendem, riem, se reconhecem, torcem e, por fim, se emocionam com essa sessão de terapia tão improvável quanto plausível.
 
A trama acontece em um único dia na vida da psicóloga Ana, interpretada por Bianca Bin, que recebe um misterioso telefonema de um homem em desespero - papel de Sergio Guizé - insistindo em marcar uma consulta naquele mesmo instante. Quando chega ao consultório, ele se apresenta como sendo... Deus. Um Deus profundamente deprimido com a situação do Paraíso que um dia criou.
 
Ana tem apenas uma sessão para convencê-lo do contrário - e talvez salvar o mundo. É nesse embate que se desenrola uma comédia inteligente, cheia de humor ácido, revelações surpreendentes e reflexões que nos fazem imaginar: como seria, afinal, encontrar-se com Deus?
 

A importância de tratar desse tema
 
Vivemos um tempo em que todos, de alguma forma, sentem-se um pouco “deuses” - donos da verdade, juízes da vida alheia, criadores de suas próprias regras. As redes sociais amplificam essa sensação: cada opinião parece absoluta, cada gesto ganha dimensão divina, cada indivíduo acredita ter o poder de decidir o certo e o errado.
 
Montar "Meu Deus!" é mergulhar justamente nessa contradição. Ao colocar o próprio Deus numa sessão de terapia, a peça humaniza o divino e nos lembra da fragilidade que compartilhamos. Questiona o poder absoluto, relativiza certezas e convida o público a rir e refletir sobre nossas arrogâncias cotidianas.
 
Falar desse tema é urgente porque mostra que, quando todos se sentem deuses, corremos o risco de perder a humildade, a escuta, a compaixão. E talvez seja justamente no reconhecimento da nossa vulnerabilidade que esteja a verdadeira grandeza humana. (texto de Elias Andreato)
A fúria de Deus e a fúria dos homens 
Desde a criação, a relação entre Deus e os homens é atravessada pela fúria. A fúria de um Deus decepcionado, que vê sua obra escapar do controle e mergulhar em guerras, injustiças e destruição. Um Deus que se pergunta se valeu a pena criar o mundo, e que, no limite da sua impotência, ameaça virar as costas para a humanidade.
 
Mas há também a fúria dos homens contra Deus. Homens que cobram respostas, que se revoltam diante do silêncio, que não compreendem a dor, a miséria, a desigualdade. Homens que ousam julgar o Criador, acusando-o de abandono ou crueldade. E, talvez ainda mais devastadora, está a fúria dos homens contra os próprios homens. A violência, o ódio, a indiferença cotidiana que revelam como nos tornamos deuses uns dos outros - prontos a punir, condenar, excluir.
 
Essa peça nasce desse conflito. Ao colocar Deus no divã, ela nos obriga a encarar nossa própria fúria refletida na fúria d’Ele. Rir desse encontro improvável é também rir de nós mesmos, e perceber que a salvação, se existe, talvez não esteja em um milagre divino, mas em nossa capacidade de escutar, perdoar e reinventar a convivência. (texto de Elias Andreato)

 
Ficha técnica
Espetáculo "Meu Deus!"
Texto Anat Gov.
Adaptação: Jorge Schussheim.
Tradução: Eloísa Canton.
Versão: Célia Regina Forte.
Direção Elias Andreato. 
Elenco Bianca Bin, Sérgio Guizé e D. Enzo Morente.
Cenário: Rebeca Oliveira.
Figurino: Fábio Namatame.
Iluminação: Wagner Pinto.
Música: original Jonatan Harold.
Designer gráfico: Vicka Suarez.
Fotos: Caio Oviedo.
Assistente de direção: Zé Guilherme Bueno.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira e Maurício Barreira – Arte Plural Comunicação.
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte. 
Lei Rouanet: Patrocínio Laboratório Cristália.
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais.
Realização: Ministério da Cultura, Governo do Brasil.


Serviço
Espetáculo "Meu Deus!"
De 24 de julho a 1.° de novembro. Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. Sessões: sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos - de R$ 25,00 a R$ 160,00. Vendas Eventim. Gênero: comédia. Duração: 80 minutos. Classificação indicativa: 12 anos.

.: Angel Ferreira estreia o sucesso "Sidarta" em São Paulo no Teatro Estúdio


Criada ao longo de 5 anos, a peça é inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse e narra a jornada interna do protagonista em busca de si mesmo. Espetáculo comemora 2 anos em cartaz e chega, pela primeira vez, na capital paulista. Foto: Claudio Pitanga

A vida e a iluminação de Buda são o ponto de partida para a criação do solo "Sidarta", do ator e diretor Angel Ferreira, que celebra dois anos em cartaz com este trabalho. O espetáculo estreia em São Paulo no Teatro Estúdio, de 8 a 31 de agosto, com apresentações aos sábados e domingos, às 17h00, com sessões extras às segundas, 20h00.

A peça, ambientada na Índia no período de vida do Buda histórico, é livremente inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que narra, de forma ficcional, uma viagem que o próprio autor realizou em sua juventude, abarcando temas de valor existencial e mergulhos na ambiguidade entre os pólos sagrado-profano, sucesso-fracasso, prazer-privação, solidão-pertencimento.

Nesta história, Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte. 

Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.

Sobre essa jornada interior em busca da essência,  Angel Ferreira comenta: “Quando a gente põe em perspectiva o nosso tempo de vida, a efemeridade de tudo, não faz sentido basear a vida numa busca distraída por sucesso, bens, poder. Gosto do conforto, e não sou um asceta, como os samanas da floresta que o Sidarta encontra. Se libertar do materialismo pra mim não é sobre abdicar e renunciar a vida material, ao mundo dos objetos e da relação com as coisas, pra mim é sobre aprender a brincar com elas, mas sem ficar obcecado, sem se viciar nesse jogo. Então, a peça me ensina a pensar e escolher quais hábitos me centram e me trazem calma. Como o trabalho é bastante físico, ele me convida a ter uma vida amorosamente disciplinada, com alongamento, fortalecimento, meditação - e se eu não faço eu me machuco em cena”.

Angel também destaca a relação da peça com temas atuais e urgentes, principalmente os ambientais. “Quando eu penso que nós vivemos num mundo em colapso climático, no qual o negacionismo encontra força justamente no fato de que deixamos de conviver com as árvores, os bichos, as águas limpas, fazer uma peça que conta a história de uma pessoa que encontra a paz se dedicando a ouvir a voz do rio, me encanta! Isso pra mim é urgente de ser trabalhado nas artes. Uma nova compreensão da centralidade da natureza nas nossas vidas”, acrescenta.

Preparado ao longo de cinco anos, o espetáculo narra a jornada do protagonista em busca de si mesmo, em uma apresentação que mescla narrador, personagens e ator a partir de uma montagem minimalista, com colaboração na direção de Beth Martins (Intrépida Trupe) e Renato Livera (Shell 2026 de Melhor Ator). Livera também é responsável pela iluminação da peça, ao lado de João Gioia, com quem foi indicado ao Prêmio Shell 2025 na categoria Iluminação.

“‘Sidarta’ é um desses projetos que te chamam para algo a mais do que a criatividade artística puramente dita. É um chamado também espiritual. Foi assim que recebi o convite do Angel Ferreira para estar junto. E como a espiritualidade está ligada a um movimento interno de conexão que vai para além de nós mesmos, entendemos que o resultado que tivemos com a iluminação seguiu o princípio desse sopro, dessa troca, da escuta e da generosidade. É uma luz muito simples, mas ela habita e dá lugar à imensidão da história contada. Isso foi reconhecido e resultou na indicação, a qual agradeço imensamente ao Angel, ao João Gioia e à Thatyane Calandrini. Sem esse coletivo inspirado e inspirador, nada disso teria acontecido”, comenta Livera.


Ficha técnica
Espetáculo "Sidarta"
Direção, adaptação e atuação: Angel Ferreira
Direção de produção: Marcela Casarin
Diretores colaboradores: Beth Martins e Renato Livera
Diretora assistente: Thatyane Calandrini
Interlocução dramatúrgica: Walter Daguerre
Iluminação: João Gioia e Renato Livera
Colaboração artística: Lavinia Bizzotto
Preparação em parateatro: João Maia P
Colaboração em movimento: Alexandre Maia
Fotografia: Philipp Lavra e Claudio Pitanga
Produção: Mãe Joana Produções
Agradecimentos: Felipe Habib, Nina Harper e Ricardo Cabral


Sinopse de "Sidarta"
Nesta história, acompanhamos Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte. Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.


Serviço
Espetáculo "Sidarta", com Angel Ferreira
Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026
Sábados e domingos, às 17h00. Segundas, às 20h00
Teatro Estúdio - R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
Bilheteria: segunda a sábado, a partir das 17h00; e aos domingos, a partir das 15h00
Serviço de Vallet com Estacionamento no local (a partir de 1h30 antes do início do espetáculo).
Duração: 120 minutos
Capacidade: 112 lugares
Classificação: 18 anos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. 

.: Musical brasileiro transforma clássico de Shakespeare em festa junina


Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, espetáculo ambientado nas festas juninas celebra a cultura brasileira ao misturar romance, comédia e fantasia. Foto: 
João Pedro Hachiya

Em uma vila tomada pelo céu estrelado e pela magia das festas juninas, nasce uma história de amor que vai conquistar o seu coração. Com direção de Thereza Falcão, que assina o texto com Mariana Mesquita, “Festa no Arraial, O Musical” estreia no Teatro Sabesp Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca, na Consolação, temporada de 24 de julho a 16 de agosto, com sessões de sexta a domingo em diferentes horários. No palco, um grande elenco com Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga.

Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, o espetáculo transporta para o universo das festas juninas uma trama envolvente sobre desejos, escolhas e os caminhos inesperados do amor. Vibrante, emocionante e divertido, mistura romance, comédia e fantasia para celebrar a cultura brasileira em uma experiência única para toda a família. "Festa no Arraial é um convite para que o público volte a acreditar na força dos encontros, dos sonhos e do amor. É uma história que celebra nossas raízes, nossa cultura e tudo aquilo que faz o coração bater mais forte. Queremos que cada pessoa saia do teatro com a sensação de ter vivido uma noite mágica", conta Thereza Falcão, diretora e autora do espetáculo.

O elenco, formado por 14 atores, cantores e instrumentistas, dão vida a personagens apaixonantes em uma história cheia de reviravoltas, encontros e desencontros, na qual o amor precisa enfrentar tradições, interesses e até forças encantadas da natureza. Com músicas que vão fazer você se divertir, se emocionar e cantar junto do início ao fim, o espetáculo convida o público a mergulhar em um universo onde o amor é desafiado, os sonhos ganham voz e a magia pode transformar destinos.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e criaturas encantadas da mata, “Festa no Arraial” nos lembra que o amor verdadeiro não se impõe, e sim floresce. Um musical inédito, brasileiro e feito para emocionar todas as idades. Venha se apaixonar, se divertir e celebrar. Porque nessa festa, o coração também entra na dança. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Brasilprev, com patrocínio do Laboratório Cristália, produção e marketing da Inova Brand e realização da Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

"Patrocinar um musical original e autoral como 'Festa no Arraial' reafirma nosso compromisso com a cultura nacional e a valorização de histórias que conectam gerações. Celebrar tradições como as festas juninas e suas múltiplas expressões, em um espetáculo que reúne música, dramaturgia e elementos da arte popular brasileira, é um estímulo para que mais pessoas vivenciem essa experiência e um meio de democratizar o acesso cultural", diz Laura Beltran, gerente de Comunicação da Brasilprev.


Sinopse de “Festa no Arraial, O Musical”
Em uma pequena vila nordestina, tomada pela magia das festas juninas, na noite mais brilhante do ano, quando o céu se ilumina para celebrar, nasce uma história de amor guiada pelas forças da natureza encantada. Hérmia e Lisandro são dois jovens apaixonados que sonham em se casar durante a grande noite do arraial. Mas, quando algo inesperado surge em seus caminhos, seus planos tomam rumos imprevisíveis, o amor dos dois é colocado à prova e o destino de todos ao seu redor começa a se transformar.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e canções que embalam a festa, a trama ganha novos contornos quando a floresta revela seus mistérios e o mundo dos encantados atravessa o caminho dos personagens. Em meio a encontros e desencontros, cada um será levado a entender o que realmente significa amar. Livremente inspirado em Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, “Festa no Arraial, O Musical” é um espetáculo vibrante, emocionante e divertido, que mistura romance, comédia e fantasia em uma grande celebração da cultura brasileira, para toda a família.

Ficha técnica
“Festa no Arraial, O Musical”
Texto: Thereza Falcão e Mariana Mesquita
Direção: Thereza Falcão
Idealização e produção geral: Sérgio Lopes
Elenco: Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga
Marketing e comercial: Mauricio Tavares
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Pesquisa musical: Rodrigo Faour
Cenários e figurinos: Mauro Leite
Coreografias: Renato Vieira
Iluminação: Adriana Ortiz
Produção de elenco: Felipe Ventura
Assistente de direção: Luiz Fernando Bruno
Direção de produção: Filomena Mancuzo
Produção executiva: Neco Fx
Assessoria de imprensa: Carlos Pinho
Produção e marketing: Inova Brand
Realização: Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil


Serviço
“Festa no Arraial, O Musical”

Teatro Sabesp Frei Caneca - Shopping Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569, Consolação / São Paulo
Temporada São Paulo: de 24 de julho a 16 de agosto de 2026

Sessões
Sextas-feiras, às 20h00: dias 24 e 31 de julho; 7 e 14 de agosto.
Sábados, às 17h00: 1°, 8 e 15 de agosto.
Sábados, às 20h00: dias 25 de julho, 8 e 15 de agosto.
Domingos, às 18h00: dia 2, 9 e 16 de agosto.
Domingo, às 19h00: dia 26 de julho


Ingressos
Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca e no site https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/festa-no-arraial-o-musical-16282

Valores
Plateia I: R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia-entrada)
Plateia II: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada)
Plateia Superior: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)

Ingresso Solidário:
50% de desconto mediante a doação de 1kg de alimento não perecível
Classificação: livre
Duração: 90 minutos
Rede social: @festanoarraial

.: Estreia "Antes Que Seja Tarde" da obra de Carpinejar com Vânia Brito


Consagrado pelo público carioca e destacado pela Veja Rio como um dos melhores monólogos em cartaz em 2026, o espetáculo protagonizado pela atriz Vânia de Brito — inspirado na obra "Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar — emociona o público com uma delicada reflexão sobre a memória, os laços familiares e o afeto. Foto: Guga Melgar

Após três temporadas no Rio de Janeiro e apresentações em Niterói, Belo Horizonte e São José dos Campos, o monólogo "Antes Que Seja Tarde", inspirado na obra de Fabrício Carpinejar, chega a São Paulo para temporada de 8 a 30 de agosto, sempre aos sábados e domingos, na Sala Gil Vicente do recém-reinaugurado Teatro Ruth Escobar. Estrelado por Vânia de Brito, com direção de Delson Antunes e da própria atriz, e adaptação dramatúrgica de Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim, o espetáculo vem construindo, desde sua estreia em 2023, uma trajetória marcada pela forte identificação do público com sua delicada reflexão sobre memória, família e afetos.

Publicado em 2018 e considerado um dos maiores sucessos editoriais do escritor gaúcho, Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde parte da relação do autor com seus próprios pais para refletir sobre um tema universal: a dificuldade de cuidar de quem passou a vida cuidando de nós. Em uma sequência de crônicas, o autor aborda a inversão dos papéis entre pais e filhos, convidando o leitor a repensar a presença, o afeto e o tempo compartilhado antes que a ausência transforme o amor em saudade. 

Livremente adaptado, o monólogo acompanha uma mulher que revisita episódios da infância e da vida adulta, dando voz a personagens, lembranças e situações que atravessam diferentes fases da existência. Entre humor, emoção e poesia, a narrativa constrói um retrato sensível das relações familiares e do modo como o tempo transforma a nossa percepção do mundo. 

A produção marcou o retorno de Vânia de Brito aos palcos em 2023, após 16 anos afastada do teatro. Desde então, a atriz percorreu diferentes cidades brasileiras com o espetáculo, consolidando um trabalho construído de forma independente e sustentado pela permanência em cartaz e pela resposta do público ao longo de sucessivas temporadas. A encenação aposta na simplicidade como principal recurso dramático. O cenário de José Dias, a iluminação de Aurélio de Simoni e a trilha sonora original de Beatriz Parisi Pinheiro criam uma atmosfera intimista, na qual a palavra e a interpretação assumem o protagonismo. "O livro me pegou pelo coração. Foi ele que me fez voltar aos palcos. Essa história fala sobre a urgência da vida e do amor que tantas vezes deixamos para depois", afirma a atriz e produtora. 

Ao longo de sua circulação, "Antes Que Seja Tarde" transformou cada apresentação em um espaço de encontro entre palco e plateia. Não são raros os espectadores que permanecem no teatro após as sessões para compartilhar histórias despertadas pela narrativa - um reflexo da capacidade do universo literário de Fabrício Carpinejar de tocar experiências comuns e estabelecer conexões que permanecem muito além do encerramento da sessão. “Em tempo de relações cada vez mais apressadas, o espetáculo nos lembra que o amor nunca chega cedo demais - mas pode chegar tarde”, reflete Vânia.


Ficha técnica
Espetáculo "Antes Que Seja Tarde"
Baseado na obra "Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar
Direção: Delson Antunes e Vânia de Brito
Adaptação: Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim
Elenco: Vânia de Brito
Cenário: José Dias
Figurino: Vânia de Brito
Iluminação: Aurélio di Simoni
Trilha sonora original: Beatriz Parisi Pinheiro

 
Serviço
Espetáculo "Antes Que Seja Tarde"
Baseado na obra "Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar
Direção: Delson Antunes e Vânia de Brito
Adaptação: Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim
Elenco: Vânia de Brito
Duração: 60 minutos.
Recomendação: 8 anos.
Gênero: drama.
Temporada: de 8 a 30 de agosto, sábados e domingos, às 20h30.
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h
Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente (320 lugares)
Rua dos Ingleses, 209 - Morro dos Ingleses
Telefone (11) 3289.2358
Acessibilidade, cafeteria e valet

segunda-feira, 13 de julho de 2026

.: Musical “Os Últimos 5 Anos” retorna em edição comemorativa pelos 25 anos


Única produção da América do Sul destacada no programa oficial dos 25 anos da estreia da obra, montagem com Beto Sargentelli e Eline Porto volta ao Teatro Nair Bello para curta temporada em outubro. Foto: Gustavo Arrais


A montagem brasileira de “Os Últimos 5 Anos”, musical escrito por Jason Robert Brown, voltará aos palcos paulistanos entre os dias 9 e 18 de outubro, no Teatro Nair Bello, no Shopping Frei Caneca. Protagonizado por Beto Sargentelli e Eline Porto, o espetáculo, realizado pela H Produções Culturais, retorna em uma edição comemorativa criada para celebrar os 25 anos de “The Last Five Years” na Broadway, em um momento especialmente simbólico para sua trajetória no Brasil.

A produção estreou em 2018, com direção de João Fonseca, direção musical de Thiago Gimenes e direção de movimento de Keila Bueno. Desde então, passou por temporadas em 2018, 2019 e 2023, conquistando reconhecimento da crítica, importantes indicações e prêmios do teatro musical brasileiro - entre eles o de Melhor Ator para Beto Sargentelli no Prêmio Bibi Ferreira. Ao longo desse período, consolidou-se como uma das produções mais representativas do teatro musical contemporâneo no país e contribuiu para ampliar o alcance da obra entre o público brasileiro.

Esse novo retorno chega acompanhado de um reconhecimento inédito. A produção foi a única da América do Sul mencionada no programa oficial comemorativo dos 25 anos de "The Last Five Years", passando a integrar o material que registra a trajetória internacional do musical. "Enquanto o mundo celebra os 25 anos de 'The Last Five Years' com novas montagens, é uma honra para nós recolocar em cena a produção brasileira, que ajudou a escrever a história desse musical fora dos Estados Unidos e foi reconhecida no programa oficial comemorativo como a única montagem da América do Sul. Depois de conquistar 19 prêmios e indicações ao longo de cinco temporadas entre São Paulo e Curitiba, sentimos que essa celebração também pertence ao público brasileiro, que celebra não só esse marco da obra na Broadway, mas também os oito anos em nosso país”, afirma Beto Sargentelli.

A homenagem coincide com um período de grande projeção para o título ao redor do mundo. Em 2026, as comemorações reuniram novas montagens e concertos especiais em diferentes países, entre eles a produção estrelada por Ben Platt e Rachel Zegler, apresentada no London Palladium e posteriormente levada ao Hollywood Bowl e ao Radio City Music Hall, sob direção e regência do próprio Jason Robert Brown. A programação incluiu ainda o lançamento de um álbum ao vivo oficial, reafirmando a relevância do musical um quarto de século após sua estreia.

Estreado em Chicago, em 2001, "Os Últimos 5 Anos" acompanha o relacionamento entre Cathy e Jamie por meio de duas linhas narrativas que seguem direções opostas e se cruzam apenas uma vez. Enquanto ela revive a história do fim para o começo, ele percorre o caminho inverso, do primeiro encontro à separação. O sucesso do musical ultrapassou os palcos, inspirando uma adaptação cinematográfica em 2014, protagonizada por Anna Kendrick e Jeremy Jordan. Ao longo de seus 25 anos, a obra também atraiu alguns dos principais nomes do teatro musical e do entretenimento internacional, seja em montagens, concertos ou interpretações especiais de suas canções, entre eles Cynthia Erivo, Jonathan Bailey, Nick Jonas, Ariana Grande, Ben Platt e Rachel Zegler. A estrutura inovadora transformou a obra em um fenômeno internacional e consolidou seu autor como um dos principais nomes do teatro musical contemporâneo.

Responsáveis por apresentar oficialmente o musical ao público brasileiro, Beto Sargentelli e Eline Porto voltam aos papéis de Jamie e Cathy em uma temporada que celebra não apenas os 25 anos da estreia da obra na Broadway, mas também a permanência de uma montagem que, ao longo de quase uma década, conquistou reconhecimento artístico e estabeleceu uma relação duradoura com o público.

"Voltar a 'Os Últimos 5 Anos' depois de tantas temporadas é um presente. Jamie e Cathy marcaram profundamente nossas trajetórias e reencontrar essa história justamente na celebração dos 25 anos do musical torna tudo ainda mais especial. Cathy é uma personagem de muitas camadas, que percorre diferentes estados emocionais ao longo da narrativa, e isso, somado à partitura desafiadora de Jason Robert Brown, faz deste espetáculo um mergulho artístico que continua me emocionando a cada nova temporada", completa Eline Porto.

Mais do que revisitar um clássico contemporâneo, esta edição comemorativa celebra a permanência de uma montagem que, ao longo de quase uma década, construiu uma trajetória própria no teatro musical brasileiro e segue emocionando plateias com uma narrativa atemporal e uma trilha sonora que transita entre o pop, o jazz, o folk e a música contemporânea.


Serviço
"Os Últimos 5 Anos" - Edição comemorativa de 25 anos na Broadway

Temporada: de 9 a 18 de outubro de 2026
Local: Teatro Nair Bello - Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 - Consolação / São Paulo

.: Hugo Possolo comemora 45 anos de carreira com espetáculo solo inédito


Em "Idiota Convicto", Hugo Possolo zomba da normalização crescente da mediocridade que vem tornando a sociedade cada vez mais embrutecida. Foto: Luiz Doroneto

Para comemorar seus 45 anos de carreira e 35 do grupo Parlapatões, o palhaço, ator, dramaturgo, diretor, cenógrafo, figurinista e aderecista Hugo Possolo apresenta o espetáculo solo inédito “Idiota Convicto”, todos os sábados até dia 29 de agosto, às 22h00, no Espaço Parlapatões, em São Paulo. A peça nasce das suas inquietações e desejo de abordar o fato de que a sociedade contemporânea está cada vez “mais intolerante, tensa e agressiva, mas que a solidariedade ainda é possível!”. A montagem reúne textos exclusivos de renomados dramaturgos e dramaturgas como Luís Alberto de Abreu, Ana Saggese, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri, e fica em cartaz até o dia 29 de agosto, sempre aos sábados, exceto dia 01/08, sem sessão.

Possolo, hoje com 63 anos, iniciou sua carreira em teatro profissional ainda na adolescência, em 1981. Com mais de 100 peças encenadas, ele segue voltado à pesquisa de teatro popular, comicidade e artes circenses para levar ao público um trabalho artístico divertido e que gere reflexões. O premiado palhaço - como faz questão de ser chamado - se consolidou em 1991, quando fundou os Parlapatões, que neste ano celebra 35 anos de trajetória, com 71 espetáculos produzidos. O grupo tem como característica a palhaçaria, o teatro de rua e popular, sempre buscando inovar a linguagem e ampliar o alcance de público. Já o Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, no Consolação, comemora também 20 anos de atividades. 

Em sua trajetória multifacetada, Possolo escreveu diversos textos infantis, dirigiu óperas, atuou em televisão e cinema, colaborou para jornais e revistas, foi gestor público e curador de concertos, balés e espetáculos das mais variadas linguagens. É um dos fundadores da SP Escola de Teatro. “Idiota Convicto” é o terceiro espetáculo solo do ator, que realizou “Prego na Testa” (2005, indicado ao Prêmio Shell de melhor ator), com texto de Eric Bogosian e direção de Aimar Labaki, com enorme sucesso e que seguiu no repertório do grupo por 20 anos; e “Eu Cão Eu”, do próprio Possolo (2012, indicado ao Prêmio Shell de melhor texto) com direção de Rodolfo García Vázquez.

A produção inédita traz o parlapatão em nova encenação que, pelo humor e com diferentes personagens, zomba da normalização crescente da mediocridade que vem tornando a sociedade cada vez mais embrutecida. Os textos independentes foram escritos especialmente para a celebração dos 45 anos de carreira como um presente para Possolo, que também contribuiu com textos e roteirização. A narrativa da memória de um ator preso em casa passeia por diversos quadros e temas. 

Luís Alberto de Abreu, que foi mestre de Possolo na dramaturgia, traz a situação insólita de um homem que encontra uma argola viva no meio da calçada, até entender que era uma pessoa que virou do avesso. Michelle Ferreira fala de um professor de cinema que, com sua arrogância diante dos alunos, trata a sua própria vida como um roteiro. Ana Saggese e Maíra Dvorek apresentam Deus no comando de tudo, tomando atitudes descontroladas e autoritárias. Sérgio Roveri mostra um pai que não aceita que o filho possa sonhar e ser feliz. O espetáculo nasce das inquietações de Possolo querendo abordar o fato de que a sociedade contemporânea está cada vez “mais intolerante, tensa e agressiva”. Nesta reflexão, ele leva em conta que diversos fatores históricos mundiais são significativos para isso.

“O advento das redes sociais e os comportamentos dela derivados; a volta e violência do fascismo e dos grupos de extrema direita, o militarismo a máfia miliciana; as guerras que ameaçam uma Terceira Guerra Mundial, com possibilidade de utilização de bombas atômicas; o aquecimento global e a destruição do planeta por interesses econômicos e, por fim, o desprezo às Ciências e às Artes, gerando incompreensíveis elogios à ignorância”, reflete Possolo.

Como tratar desses assuntos com comicidade? “No fundo, os desafios do humor estão em saber questionar os temas contemporâneos sem querer definir para o público quais são as soluções. Até mesmo porque não as temos”, completa o ator. Assim, Possolo procurou uma dramaturgia que definisse uma persona múltipla, que se mostra o idiota absoluto do título, totalmente convicto de que está sempre certo. Esse idiota, a persona central, é um ator que não consegue sair de seu apartamento, porque perdeu as chaves. Preocupado com sua memória, ele repassa o que fez antes, para tentar lembrar onde deixou a chave. 

Porém, seu esforço traz lembranças de outros fatos que o fazem reviver suas várias personagens, do passado e do presente. Os protagonistas que revive, enquanto tenta sair de casa, são um pouco dele mesmo e um pouco da visão que teve sobre essas personagens que representou um dia. Essas diversas pessoas e situações, a partir do momento em que ele se ridiculariza, chegam ao público igualmente idiotas. Possolo define a peça como “mais uma provocação parlapatônica, sem julgamentos condenatórios aos idiotas, até porque sou um. Quero deixar ao público as reflexões de como e porque nos tornamos assim, tão tolos e tão convictos de nosso destino errático e sem sentido”.

Se em “Prego na Testa” o foco estava nas personagens que enlouquecem com a solidão das grandes cidades e em “Eu Cão Eu” mergulhava na força que tem um vício em mudar a vida das pessoas, “Idiota Convicto” trata da dificuldade de relações sociais das personagens e de como isso as embrutece. O espetáculo resulta de um processo longo de pesquisa que vem celebrar junto a diversos artistas o trabalho em torno da palhaçaria e do teatro popular. Com comicidade e lirismo, o grupo busca trazer um diferente ângulo de visão que possa, com a comunicação direta com a plateia - típica da linguagem dos Parlapatões -, contribuir na construção de uma cidadania mais solidária.


Ficha técnica
Espetáculo "O Idiota Convicto"

Textos: Ana Saggese, Luís Alberto de Abreu, Hugo Possolo, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri.
Roteiro, direção, atuação, assistência de direção, cenário, figurino, assistência de limpeza, limpeza, iluminação, insistências, confusões, dívidas e dúvidas, paciência, paixão e algumas outras funções não menos importantes: Hugo Possolo
Sonoplastia e operação de som: Deivison Nunes
Locução (Voz Bíblica): Tadeu Pinheiro 
Adereços: Agentemesmoqueimandodedonacolaquente
Operação de iluminação: Walmerio e OBarros
Fotos: Luiz Doroneto
Vídeos: Deivison Nunes
Designer gráfico: Werner Schulz
Redes e comunicação Social: A Outra
Assessoria de imprensa: Fernanda Martins/Benu Comunicação
Produção executiva: Manoela Flor
Gestão de projetos: Cristiani Zonzini
Produção Espaço Parlapatões: Wira Bortoli
Assistência de produção Espaço Parlapatões: Sofia Falastro
Realização: Parlapatões e Nada de Novo Produções Artísticas


Serviço
Espetáculo "Idiota Convicto", Hugo Possolo e Parlapatões 
Data: dias 18 e 25 de julho; 8, 15, 22 e 29 de agosto - todos os sábados (exceto o dia 01/08, que é sem sessão), às: 22h00
Local: Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158 - Consolação / São Paulo
Capacidade: 96 lugares
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia-entrada); promoção para quem comprar até o dia 03 de julho: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada); vendidos pelo Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/122863
Mais informações: @parlapatoes / https://parlapatoes.com.br / @hugopossolo

domingo, 12 de julho de 2026

.: Cia. Cisne Negro apresenta tributo a David Bowie no Sesc Bom Retiro


A obra é um mergulho interpretativo na genialidade de Bowie. Foto: Cassiano Rosrio

A Cisne Negro Companhia de Dança apresenta o espetáculo "Ziggy - Tributo a David Bowie" neste domingo, dia 12 de julho, às 16h00, gratuitamente, na praça de convivência do Sesc Bom Retiro. Baseado no legado de David Bowie, artista muito à frente do seu tempo e que influenciou diversas gerações, o espetáculo, de 2016, conta com coreografia do professor e bailarino brasileiro Mário Nascimento, a convite da bailarina, empresária e fundadora da Companhia Cisne Negro de Dança, Hulda Bittencourt (1934 – 2021).

A obra é um mergulho interpretativo na genialidade de Bowie, artista multidisciplinar que criou em diferentes linguagens e mídias, como na música, no cinema, nas artes plásticas, entre outras, marcando definitivamente a história da cultura pop na segunda metade do século XX, até as primeiras décadas do século XXI.


Serviço
Espetáculo "Ziggy - Tributo a David Bowie"
Com Cisne Negro Companhia de Dança
Domingo, dia 12 de julho, às 16h00
Sesc Bom Retiro | Alameda Nothmann, 185 | Campos Elíseos/São Paulo | Telefone: (11) 3332-3600
Praça de Convivência | Grátis
Venda de ingressos disponíveis pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/bomretiro, ou nas bilheterias.
O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com deficiência, além de bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529. Valores: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional (Credencial Plena). R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional (Outros). Horários: terça a sexta-feira: 9h00 às 20h00. Sábado: 10h00 às 20h00. Domingo: 10h00 às 18h00.
Transporte gratuito: o Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorrem na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.


sábado, 11 de julho de 2026

.: Crítica: “Mamma Mia!", musical aposta no feminino e sai vitorioso no palco


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Sucesso retumbante no Rio de Janeiro e agora em São Paulo, o musical “Mamma Mia!” cumpre exatamente o que promete: divertir, emocionar e colocar uma plateia inteira para cantar. Em cartaz até este dia 9 de agosto no BTG Pactual Hall, em São Paulo, a temporada do musical criado a partir dos sucessos do grupo ABBA reafirma a força popular com uma montagem eficiente, vibrante e consciente do próprio impacto. Dirigido por Charles Möeller, com versão brasileira e supervisão musical de Claudio Botelho, o espetáculo aposta em uma encenação ágil, colorida e afinada com o gosto do público.

A história é clássica: em uma ilha grega, Sophie, prestes a se casar, convida três antigos amores da mãe, Donna, na tentativa de descobrir quem é o pai dela. O enredo, que mistura romance e comédia, serve de base para uma sequência de hits que o público reconhece nos primeiros acordes - “Dancing Queen”, “Mamma Mia”, “The Winner Takes It All”, “Money, Money, Money”. O que faz a montagem ser inesquecível, no entanto, está no elenco. 

Giovanna Rangel, que interpreta Sophie, domina a cena com muito carisma. A presença dela é leve, segura e magnética, dessas que organizam o espetáculo ao redor sem esforço. Ao lado dela, Sérgio Menezes, no papel de Sam Carmichael, constrói uma relação convincente, com química e momentos que sustentam o envolvimento emocional da plateia com a história dos dois personagens. Claudia Netto assume a protagonista Donna com experiência e firmeza, enquanto Totia Meireles circula com naturalidade e precisão, encontrando o humor certo em cada entrada. 

Gottsha, por sua vez, impõe respeito desde a primeira nota: o vozeirão da artista não passa despercebido e funciona como um selo de qualidade dos espetáculos em que participa. Entre os papéis masculinos de destaque, Claudio Galvan, como Harry Bright, surge como uma surpresa valiosa. Famoso pelas dublagens, ele ostenta uma presença cênica forte, domínio vocal e timing que eleva todas as cenas em que participa. É um prazer vê-lo no palco. A interpretação de Renato Rabelo, no papel Bill Austin, aposta na suavidade, que agrada sem esforço. Figura conhecida nos lares brasileiros, pelas produções que participou ou pelo podcast que apresenta, a presença dele é algo que torna tudo ainda mais aconchegante para a plateia.

Com mais de 20 artistas em cena, o conjunto funciona bem e garante números musicais que mantêm o ritmo elevado. A direção aposta na comunicação direta com o público, sem rodeios, e acerta ao não complicar o que já nasce promissor: canções conhecidas, personagens carismáticos e uma história que flerta com o absurdo sem perder a afetuosidade. 

Há ainda um aspecto que se destaca: a leitura do espetáculo como um elogio à autonomia feminina. Donna se basta sozinha, Sophie questiona o próprio destino, as amigas exalando liberdade. O texto, escrito na década de 1990, encontra eco imediato em plateias atuais, que respondem com entusiasmo. “Mamma Mia!” não tenta reinventar o musical e nem precisa. A montagem brasileira é executada com competência, apostando no talento do elenco e na força de um repertório que atravessa gerações. O resultado é um espetáculo leve, afiado e irresistivelmente comunicativo. 

Na reta final de temporada, a produção se confirma como uma escolha certeira para quem quer sair do teatro com um refrão na cabeça e a sensação de que o palco ainda sabe reunir gente em torno de algo simples e bem feito. “Mamma Mia!” acerta ao apresentar personagens que erram, confundem, metem os pés pelas mãos e, ainda assim, encontram um caminho possível. É dessa matéria imperfeita, cheia de tropeços e recomeços, que o espetáculo extrai a força de reconhecer, no riso e na música, a humanidade de quem insiste em seguir em frente.


Ficha técnica
"Mamma Mia - O Musical" 
Um espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho
Uma superprodução Aventura
Direção, cenário e figurinos: Charles Möeller
Versão brasileira e supervisão musical: Claudio Botelho
Direção musical: Marcelo Castro
Coreografia/Diretora residente (SP): Mariana Barros
Desenho de luz: Vinícius Zampieri
Desenho de som: André Breda
Coordenação artística: Tina Salles
Direção de produção: Bianca Caruso
Direção artística e produção geral: Aniela Jordan
Direção de negócios e marketing: Luiz Calainho
Elenco: Claudia Netto (Donna Sheridan), Totia Meireles (Tanya), Gottsha (Rosie), Sérgio Menezes (Sam Carmichael), Claudio Galvan (Harry Bright), Renato Rabelo (Bill Austin) Giovanna Rangel (Sophie Sheridan), Eduardo Borelli (Sky), Tabatha Almeida (Ali), Mari Marques (Lisa), Vicenthe Delgado (Pimenta), Murilo Armacollo (Eddie), Ju Romano (Grega), Talita Silveira (Grega), Leo Wagner (Grego/Padre Alexandrios), Vinicius Cafer (Grego), Lorena Fraga (Grega), Bruno Kimura (Grego), Guilherme Lopes (Grego), Thiago Garça (Grego), Hugo Lopes (Grego), Isabela Yunes (Grega), Yas Fiorelo (Grega), Bruna Lemberg (Swing), Henrique Reinesch (Swing).


Serviço
Espetáculo "Mamma Mia! - O Musical"
Temporada 2026 no BTG Pactual Hall
Até dia a 9 de agosto
Sextas-feiras, às 20h00. Sábados, às 16h00 e 20h00. Domingos, às 15h00.
Ingressos (1º lote): de R$ 50,00 (balcão) a R$ 300,00 (Plateia VIP)
Classificação indicativa: 12 anos

.: Estreia "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo em nova montagem brasileira


Após temporada no Rio de Janeiro, o musical será apresentado no Teatro Viradalata em uma nova montagem brasileira da obra autobiográfica de Jonathan Larson, que inspirou o premiado filme estrelado por Andrew Garfield. Foto: Paulo Aragon


O musical "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo para uma curta temporada até dia 19 de julho, no Teatro Viradalata. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a produção da Play It! Produções leva à capital paulista uma nova montagem da obra, considerada um dos musicais mais emocionantes e pessoais do teatro musical contemporâneo. Aclamado desde sua estreia Off-Broadway, o espetáculo recebeu sete indicações ao Drama Desk Awards, incluindo Melhor Musical, e conquistou o Outer Critics Circle Award de Melhor Musical Off-Broadway. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Poucas obras retratam com tanta honestidade as dúvidas, as angústias e as esperanças de quem decide perseguir um sonho artístico quanto "tick, tick... BOOM!". Escrita por Jonathan Larson, criador do premiado musical "Rent", a obra nasceu de experiências pessoais do autor e acompanha Jon, um jovem compositor prestes a completar 30 anos que tenta concluir o musical que poderá mudar sua trajetória enquanto enfrenta as incertezas da vida adulta. Dividido entre a estabilidade e o desejo de viver da arte, ele se vê diante de escolhas que colocam à prova seus relacionamentos, suas convicções e o próprio futuro.

Embora ambientado no início da década de 1990, o musical permanece atual ao abordar temas como ansiedade, propósito, frustrações profissionais e o peso das decisões que acompanham a vida adulta. Com humor, emoção e uma trilha sonora vibrante, a obra transformou inquietações pessoais em uma narrativa universal, capaz de dialogar com artistas e com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se está no caminho certo.

A nova montagem brasileira reúne Matheus Boa no papel de Jon, Camille Dutra como Susan e Diego Montez como Michael. O elenco conta ainda com os covers João Ferreira e Mariana Ramirez. A direção é compartilhada por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires - que somam passagens por produções como "Beetlejuice", "Querido Evan Hansen" e a novela "Garota do Momento", da TV Globo -, com direção musical de Caio Loureiro, arranjos vocais e orquestrações de Stephen Oremus, versão de Bruno Narchi e Thiago Machado e regência de Thalyson Rodrigues. A equipe criativa conta ainda com direção de movimento da 53 Produções, cenografia de Pugli, design de som de Fernando Sagas, desenho de luz de Dans Souza e Rodrigo Sawl, produção executiva de Flavio Boa e coordenação de produção de Gabriel Barbosa.

A encenação aposta na proximidade entre artistas e plateia para transformar o público em parte da jornada de Jon. Cenário, figurinos, movimentação e construção das cenas foram concebidos para criar uma experiência imersiva, aproximando os espectadores dos conflitos, sonhos e emoções vividos pelo protagonista.A atmosfera é potencializada por uma banda formada por quatro músicos que executam ao vivo as composições de Jonathan Larson, preservando toda a força e a energia da trilha original. A formação é composta por Thalyson Rodrigues (piano e regência), Ingrid Cavalcanti (baixo elétrico), Jorge Ervolini (guitarra e violão) e Kiko Andrioli (bateria), que conferem ainda mais potência e dinamismo às canções que conduzem a narrativa.

O alcance da obra foi ampliado em 2021, quando "tick, tick... BOOM!" ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Lin-Manuel Miranda, em sua estreia como diretor. Estrelado por Andrew Garfield, o longa recebeu elogios da crítica internacional, conquistou duas indicações ao Oscar e rendeu ao ator o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical, apresentando Jonathan Larson e sua trajetória a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Produzido pela Play It! Produções, empresa carioca dedicada ao desenvolvimento de novos talentos do teatro musical, o espetáculo reúne uma equipe formada por artistas de diferentes trajetórias para revisitar uma obra que segue emocionando plateias ao transformar sonhos, frustrações e escolhas em uma narrativa profundamente humana. Mais de três décadas após sua criação, "tick, tick... BOOM!" reafirma seu lugar entre os títulos mais sensíveis e marcantes do teatro musical contemporâneo.


Serviço
Exspetáculo "tick, tick... BOOM!"

Temporada: 9 a 19 de julho de 2026
Sessões: Quintas e sextas, às 20h00. Sábados e domingos, às 16h00 e 20h00
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Vendas: Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/121848?share_id=1-copiarlink
Local: Teatro Viradalata
Endereço: Rua Apinajés, 1387 - Sumaré / São Paulo
Abertura da casa uma hora antes do espetáculo
Gênero: teatro musical
Classificação etária: 16 anos
Duração: 100 minutos 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Texto de Padre Antônio Vieira usa humor e música para falar de injustiça


De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, "Sermão de Santo Antônio aos Peixes", texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. Foto: Nil Caniné

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes", de Padre Antônio Vieira, é um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa. Com humor e crítica ácida, o espetáculo do século 17 toca em assuntos como desigualdade social, exploração econômica, corrupção e escravidão dos povos indígenas. De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, Sermão de Santo Antônio aos Peixes, texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical. A temporada é de 16 de julho a 8 de agosto.

O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o "Imperador da Língua Portuguesa". No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.

“Padre Antônio Vieira é o nosso Shakespeare. Como o inglês, Vieira escreveu textos para serem falados, alcançou enorme sucesso popular e sua obra permanece viva e atual. Vieira era performático. É impossível ler seus sermões sem imaginar sua atuação cênica. O púlpito era seu palco, sempre diante de uma audiência numerosa. Suas palavras são inteligentes, curiosas, engraçadas e dialogam com o nosso tempo”, afirma o diretor.

Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.

Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes" realizou temporadas no Sesc Copacabana e no Centro Cultural Baukurs Botafogo, ambos no Rio de Janeiro. Nesta montagem, Moacir Chaves revisita a obra de Padre Antônio Vieira três décadas após sua primeira aproximação com o autor, quando dirigiu Sermão da Quarta-feira de Cinza, espetáculo protagonizado por Pedro Paulo Rangel (1948–2022).

Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. “O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Texto: Padre Antônio Vieira. Direção, Concepção e Dramaturgia: Moacir Chaves. Elenco: Márcio Vito e Moacir Chaves. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Corsi. Cenário: Sergio Marimba. Figurino: Inês Salgado. Iluminação: Aurélio de Simoni. Assistentes de Direção: Maria Clara Schwerdtner e Isis Pessino. Direção Técnica: Anderson Bispo. Fotos: Nil Caniné. Arte e Design Gráfico: Maurício Grecco. Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes. Gestão e Conteúdo de Mídias: Sarah Marques. Produção Executiva: Flávia Primo. Produção: Ana Barroso e Monica Biel /BB Produções Artísticas.


Serviço
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran – R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP
De 16 de julho a 8 de agosto. Quinta a sábado, às 20h30. Dias 31 de julho e 7 de agosto, sessões às 16h00 e às 20h30
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Vendas em sescsp.org.br, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 minutos | Classificação: 14 anos.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Nos dias 31 de julho e 1° de agosto, as sessões contam com tradução em Libras.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h00 às 22h00. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: Cia. EmVersão fala sobre adoção e luto em "Jabuticaba Nasce no Tronco"


Com texto e direção de Bernardo Fonseca Machado, espetáculo encerra trilogia de peças Ensaios Sobre a Morte, composta ainda por Relicário Inventado e Epitáfio. Foto: Tomás Franco

Inspirado em casos reais de adoção, "Jabuticaba Nasce no Tronco", novo trabalho da Cia. EmVersão, com direção, texto e idealização de Bernardo Fonseca Machado, pode ser assistido até dia 12 de julho, no Teatro Alfredo Mesquita, com sessões gratuitas de quinta a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00. O espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.

O trabalho, que aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços, encerra a trilogia "Ensaios Sobre a Morte", que ainda contou com os trabalhos "Relicário Inventado" (2011), sobre a partida do outro; e "Epitáfio" (2013/2014), sobre a morte em si. Cada uma dessas obra é atravessada por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.

Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, Jabuticaba nasce no tronco acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs - Bento, Ifigênia, José e Miuza - que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.

Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.

Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens. 

A encenação tem como eixo simbólico o tecido - elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó - frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.

O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.

A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo) e o Tribunal de Justiça de São Paulo. O espetáculo faz parte de um projeto contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. 


Ficha técnica
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"
Texto, direção e idealização: Bernardo Fonseca Machado
Elenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez
Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba
Trilha sonora: Guti Vellutini
Consultoria musical: Fernando Growald
Cenário: Andreas Guimarães
Figurino: Kleber Montanheiro
Costureira: Mariluce Constantina
Iluminação: Lui Seixas
Assistente de iluminação: Júlia Fávero
Design gráfico: Renan Marcondes
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotos: Tomás Franco
Direção de produção: Paula Malfatti
Audiodescrição: Ver com Palavras
Roteiro e narração: Lívia Motta
Consultoria: Roseli Garcia
Libras: Verena Teixeira e Rive Agra
Estágio: Larissa Alves da Silva
Administração: La Do B Educação e Artes
Gestão: Malfatti Paciência em Ato
Apoio: Teatro do Célia e Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"

Até dia 12 de julho de 2026
De quinta-feira a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana/São Paulo
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 10 anos
Duração: 130 minutos
Acessibilidade:teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: Musical “Donatello”, de Vitor Rocha, realiza últimas sessões


Após temporadas de destaque entre Rio de Janeiro e São Paulo, o premiado musical brasileiro “Donatello” entra em suas últimas semanas de cartaz nos palcos paulistanos, em temporada curta no Teatro do Núcleo Experimental. Foto: Junior Mandriola


Após temporadas de destaque entre Rio e São Paulo e reconhecimento da crítica especializada, o musical brasileiro “Donatello” retornou ao Teatro do Núcleo Experimental e pode ser visto até dia 19 em uma nova temporada na capital paulista. Com realização do Ministério da Cultura e da Encanto Artístico e patrocínio da Colormix, o espetáculo escrito e protagonizado por Vitor Rocha inicia um novo ciclo após conquistar duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital, incluindo na categoria de Roteiro Original, além de três indicações ao Prêmio FITA, entre elas Melhor Espetáculo. Vitor também foi premiado como Revelação tanto como autor quanto ator na Festa Internacional de Teatro, consolidando o trabalho como um dos destaques recentes da cena autoral do teatro musical brasileiro. Pela primeira vez desde a estreia, a montagem passa a ocupar a grade regular de finais de semana, com sessões aos sábados e domingos. Os ingressos já estão à venda pela Sympla.

A nova temporada também reforça a trajetória da Encanto Artístico dentro da cena autoral paulistana. Responsável por montagens como “Cargas D’Água”, “Bom Dia Sem Companhia”, “O Mágico Di Ó” e “Se Essa Lua Fosse Minha”, a produtora vem consolidando um repertório marcado por musicais originais que transitam entre memória, relações humanas e identidade brasileira. Dentro desse percurso, “Donatello” retorna aos palcos após reunir mais de dois mil espectadores em sessões intimistas de lotação esgotada, reafirmando a força de produções autorais que seguem encontrando novas possibilidades de circulação no teatro musical contemporâneo. 

Com uma narrativa delicada e atravessada por humor, afeto e memória, “Donatello” constrói uma reflexão sobre envelhecimento, relações familiares e os impactos do Alzheimer na vida cotidiana. Sem recorrer ao melodrama, o texto acompanha as marcas deixadas pelo esquecimento enquanto propõe um olhar humano sobre aquilo que permanece vivo mesmo diante da perda gradual das lembranças. Ao longo da encenação, o musical também provoca reflexões sobre a maneira automática com que muitas vezes atravessamos a vida e como pequenas experiências afetivas acabam se tornando os vínculos mais duradouros da memória.

A história acompanha Amendoim, personagem vivido por Vitor Rocha, que revisita a relação com o avô após o diagnóstico da doença. Quando percebe que, apesar de esquecer nomes e acontecimentos, o avô ainda preserva lembranças ligadas aos sabores de sorvete, o jovem transforma experiências compartilhadas em sabores capazes de atravessar o tempo. Em pouco mais de uma hora de espetáculo, infância, adolescência e vida adulta se misturam em uma narrativa lúdica e sensível, conduzindo o público por diferentes fases da trajetória de Amendoim enquanto a relação entre os dois personagens ganha novas camadas emocionais ao longo da montagem.

A interatividade também ocupa papel importante na encenação e reforça o caráter vivo da experiência proposta pelo musical. A cada sessão, palavras sugeridas pelo público minutos antes do terceiro sinal são incorporadas à narrativa, criando pequenas variações no texto e transformando a dinâmica de cada apresentação. A proposta se une à direção de Victoria Ariante, que aposta em uma encenação intimista e sensível, embalada pelas músicas originais compostas por Elton Towersey e executadas ao vivo por Guilherme Gila ao piano, criando uma atmosfera que aproxima público e personagens de maneira delicada e afetiva.

Com direção de produção de Luiza Porto, preparação de elenco de Letícia Helena, design de luz de Wagner Pinto, design de som de Paulo Altafim, através da ÁUDIO S.A, e cenotecnia de Batata Rodriguez, “Donatello” segue ampliando sua trajetória dentro da nova geração de musicais brasileiros autorais que vêm encontrando no teatro intimista um caminho potente para aproximar público, memória e emoção.

Ficha técnica
Musical "Donatello"

Texto e letras: Vitor Rocha
Composição e direção musical: Elton Towersey
Direção: Victória Ariante
Assistente de direção e preparadora de elenco: Letícia Helena
Desenho de luz (original): Wagner Pinto
Remontagem de luz: Gabriel Greghi
Operadora de luz: Marina Gatti
Desenho de som: Guilherme Ramos (Mark)
Microfonista e operador de som: Thiago Venturi
Cenotécnica: Batata Rodriguez
Elenco: Vitor Rocha
Pianista e suporte cênico: Guilherme Gila
Produção executiva: Letícia Helena
Direção de produção: Luiza Porto
Coordenação de produção: Nathalia Gouvêa
Design
e comunicação: Xodó Comunicação
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Realização: Ministério da Cultura e Encanto Artístico
Patrocínio: Colormix


Serviço
Musical "Donatello"
Local: Teatro do Núcleo Experimental
Rua da Barra Funda, 637 - Barra Funda / São Paulo
Até dia 19 de julho de 2026
Horários: Sábados, às 20h00 | Domingos, às 19h00
Duração: 90 minutos
Classificação etária: +10 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

.: Seminário sobre Commedia Dell´ Arte, Máscara e Teatro de Dario Fo em SP


De 14 a 20 de julho acontece o Seminário sobre a Commedia Dell´ Arte, a Máscara e o Teatro de Dario Fo no Teatro Commune. Participam Fred Hunzicker, Helô Cardoso, Neyde Veneziano e Wanderley Martins. A mediação é de Augusto Marin. Grátis! Dario Fo, é autor, diretor e ator em mais de cem farsas, comédias, músicas e monólogos como Mistério Bufo, além de ter sido pintor, cenógrafo, figurinista, encenador, militante político e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1997. É considerado o autor mais encenado do mundo, depois de Shakespeare! Em março deste ano, comemora-se o centenário de Dario Fo, que morreu em 2016.

O teatro dele combina farsa, comicidade popular, crítica social e invenção cênica. Ele usa a tradição medieval para falar do presente, a ironia e o absurdo como armas contra o poder, a censura, e o medo. Segundo Fo: "O poder teme o riso porque o riso destrói o medo". Em suas peças, o público ri antes de perceber que está sendo levado a refletir sobre desigualdade, violência institucional e manipulação política.

As palestras integram o projeto 20 anos de uma Commune Teatral, realizado com recursos da Edição 41º, da Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de Sâo Paulo, tendo a parceria da Fondazione Dario Fo & Franca Rame, da Itália, e o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo, na celebração dos 100 anos de Dario Fo. 


"O Teatro de Dario Fo e a Commedia Dell´Arte"
Com Neyde Veneziano     
Dia 14 de julho, terça-feira – das 19h30 às 21h30 – Teatro Commune
Neyde falará de Dario Fo, um dos assuntos importantes que ressalta em suas obras, mas de uma forma cômica e popular. Sua obra continua atual e Neyde explicará, com detalhes, fatos, imagens, vídeos e técnicas do seu teatro que é muito mais que italiano: é universal.
Neyde Veneziano é Professora Doutora e Livre Docente pela ECA/USP. Fez pós Doutorado na Universidade de Bolonha entre 2000-2001. Neyde conviveu com o casal Fo e Rame durante em Milão, onde fez sua pesquisa denominada Rigor e Improviso na obra de Dario Fo. De volta ao Brasil, Neyde publicou seu primeiro livro, resultado de suas investigações, intitulado "A Cena de Dario Fo, o exercício da imaginação." Este é o único livro escrito em portuguesa, sobre Dario Fo.


"A História da Máscara Teatral Cômica e da Commedia Dell´Arte"
Com Helô Cardoso e Wanderley Martins
15 de julho, quinta-feira, das 19h30min às 21h30min – Teatro Commune
O encontro será uma viagem pela evolução da máscara teatral, desde o seu nascimento, suas transformações estéticas e sua permanência na cena atual, com a exibição de imagens de máscaras Gregas, Atelanas, de Commedia Dell´ Arte, brasileiras e do teatro contemporâneo. E sobre o processo de Confecção da Máscara, Moldes e Materiais. No teatro grego, se usava máscaras tanto na tragédia quanto na comédia. Com a expansão romana, a tradição grega foi adaptada nas Farsas Atelanas. Eram espetáculos populares, improvisados e irreverentes, com tipos, como: o velho avarento, o tolo, o fanfarrão, o glutão e o corcunda. No século XVI, surge a Commedia Dell' Arte, na Itália, que desenvolveu personagens fixos, cada qual identificado por uma máscara, que deixava de representar apenas um rosto para tornar-se uma verdadeira dramaturgia corporal: cada máscara exigia um corpo, um ritmo e uma voz específicos. Helô e Wanderley farão uma ponte com as máscaras brasileiras, que nascem do encontro entre culturas indígenas, africanas e europeias. Do Cavalo-Marinho, Bumba Meu Boi, a Folia de Reis e os "Clóvis" do carnaval carioca, máscaras que misturam comicidade, religiosidade e crítica social. Elas representam animais, figuras fantásticas, soldados, diabos e personagens caricatos, preservando uma tradição popular em que rir também significa questionar a ordem estabelecida.
Helô Cardoso, é artista visual, mascareira, cenógrafa e figurinista. Docente do Instituto de Artes da Unicamp, desde 1986, ministra disciplinas, como a de Criação e Confecção de Mascaras no Teatro e outras. Fez cursos de máscaras e escultura com Donato Sartori (Centro Maschere e Strutture Gestual, Itáliai e mascareiros na França, Bali - Indonésia, “Masks of Transformation” (Illinois – EUA). Participou de várias exposições, performances, congressos e festivais nacionais e internacionais. Recebeu prêmios e indicações em cenografia, figurino e artes gráficas. Participa das Quadrienais de Praga, desde 1995, representando o Departamento de Artes Cênicas e orientando alunos.
Wanderley Martins é professor do Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas. Graduado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo, possui ampla trajetória como diretor teatral, pesquisador e docente, sendo uma referência no ensino das artes cênicas no Brasil. Sua atuação concentra-se nas áreas de teatro, dramaturgia brasileira, encenação, direção musical e formação do ator. Participou dos Grupos de Teatro Mambembe, Pessoal do Victor, Teatro Paideia, Teatro Ventoforte e Teatro do Incêndio. É diretor cultural da ADUNICAMP.


"A Commedia Dell´ Arte e a Arte do Ator"
Com Fred Hunzicker
20 de julho, segunda-feira, das 19h30 às 21h30 – Teatro Commune
A Commedia dell'Arte revolucionou a história do teatro ao colocar o ator no centro da criação cênica. Diferentemente do teatro baseado em textos fixos, seus artistas trabalhavam a partir de roteiros, improvisando diálogos e situações diante do público. Para isso, desenvolviam uma técnica refinada de interpretação, que reunia domínio do corpo, da voz, da máscara, da música, da acrobacia e do tempo cômico. Mais do que decorar falas, o ator aprendia a escutar o público, responder ao inesperado e transformar cada espetáculo em um acontecimento único. A improvisação não era fruto do acaso, mas de uma técnica rigorosa construída ao longo de anos de treinamento. Essa tradição atravessou os séculos e influenciou profundamente o teatro moderno. Mestres como Jacques Lecoq, Dario Fo e Ariane Mnouchkine retomaram seus princípios para reafirmar a centralidade do ator como criador da cena. Fred fará algumas ligações entre a Commedia Dell´ Arte e manifestações e festas populares brasileiras, como Cavalo Marinho, Frevo, Bumba Meu Boi e Carnaval. Estudar a Commedia dell'Arte é compreender que o teatro acontece, antes de tudo, no encontro entre o ator e o espectador. É reconhecer que a técnica só ganha sentido quando está a serviço da imaginação, do jogo, da escuta e da presença. Em um tempo marcado pela velocidade e pelas tecnologias, a Commedia continua nos lembrando que a essência do teatro permanece a mesma: um ser humano diante de outro, compartilhando histórias por meio do corpo, da voz e da arte de representar.
Fred Hunzicker, é professor do departamento de Artes Cênicas da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto, MG). Graduou-se em Artes Cênicas pela Unicamp em 1997 e fez mestrado pela Universidade Estadual de Campinas em 2004. Ingressou na UFOP em 2006 no DEART. Doutor em Artes da Cena pela UNICAMP em 2015, defendo a tese de doutorado em ARTES DA CENA: A Academia Dell´arte - Uma análise histórica e artística sobre o fenômeno da Commedia Dell´Arte na Europa com reverberações no Brasil". Vários trabalhos artísticos como direção e interpretação na área teatral e circense. Ganhou o prêmio CIRCULA MINAS em 2016.


Uma Commune Teatral
O grupo, fundado em 2003, desenvolve pesquisa, produção, formação e intercambio teatral, tendo recebido diversos prêmios e se apresentado em Portugal e na Argentina. No repertório: Ubu Rei, de Alfred Jarry, com Esther Góes, Na Cama com Molière, baseado em O Doente Imaginário, e Otelo, de Shakespeare, ambos com direção de John Mowat, Anti Comics, uma paródia dos Super Heróis, de Sonia Daniel (coprodução internacional com apoio do IBERESCENA). Em 2014, foi declarada Patrimonio Cultural do Município de São Paulo, pelo CONPRESP. Desde 2006, é Ponto de Cultura com o Projeto Teatro Cidadão, que já formou mais de 2.000 jovens através de oficinas e da montagem de espetáculos. O Teatro Commune, sede do grupo, conta com 100 lugares, equipamento de luz e som, ar condicionado, acessibilidade, café, galeria de exposições e está aberto para quem quiser fazer peças, shows, stand-ups, ensaios, cursos e eventos corporativos.


Serviço
Seminário sobre a Commedia Dell´ Arte, a Máscara e o Teatro de Dario Fo
14 a 20 de julho, sempre das 19h30 às 21h30
Mediação de Augusto Marin

Dia 14, terça-feira - O Teatro de Dario Fo e a Commedia Dell´Arte com Neyde Veneziano

Dia 15, quinta-feira - A História da Máscara Teatral Cômica e da Commedia Dell´Arte com Helô Cardoso e Wanderley Martins

Dia 20, segunda-feira - A Commedia Dell´ Arte e a Arte do Ator com Fred Hunzicker

Teatro Commune | Rua da Consolação, 1218, Consolação, 01302-001, São Paulo/SP | Instagram @teatrocomunne

Próximo ao Metrô Higienópolis-Mackenzie

Capacidade: 98 lugares + 1 Cadeirante e 1 obeso

Inscrições: https://forms.gle/MWrwkZbyNh9WTevK6

Grátis.

.: “Dias Felizes”, de Samuel Beckett, em montagem da Armazém Cia. de Teatro


Entre ironia, desespero e beleza, a montagem de “Dias Felizes” pela Armazém Companhia de Teatro propõe uma experiência cênica intensa sobre o tempo, a memória e a persistência humana. Foto: Mauro Kury

“Dias Felizes”, de Samuel Beckett, retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, explorando, com ironia mordaz, o frágil equilíbrio entre o contentamento e o desespero. Neste clássico do século XX, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo. 

Sob a direção de Paulo de Moraes - vencedor em 2024 do Prêmio APTR de Melhor Direção por “Brás Cubas” -, a montagem ressignifica a jornada de Winnie (Patrícia Selonk – vencedora dos prêmios Shell, Mambembe e APTR), explorando a fina camada que separa o otimismo da resignação. A temporada de estreia em São Paulo será no Sesc Pompeia, até dia 19 de julho. No elenco, Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.

Enterrada até a cintura - e depois até o pescoço - Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho - e, mais ameaçadoramente, um revólver. Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na concepção da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia.

Beckett definiu Winnie como “um pássaro com óleo em suas penas”, uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta. (Paulo de Moraes)

Na montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.


Sobre a estética da montagem da Armazém, por Paulo de Moraes
"Dias Felizes" é uma peça sobre a insistência. E nosso cenário tenta tornar visível essa insistência: o deserto como palco, o horror como textura, a luz como testemunha. Na nossa montagem, a beleza não surge apesar do horror - ela nasce dele. O cenário parte desse princípio. A superfície inclinada, instável, quase desumana, não representa apenas a terra que engole Winnie: ela é um corpo estranho, áspero, um terreno que recusa qualquer promessa de conforto. Ainda assim, é ali, nesse espaço de ruína e desamparo, que procuramos um tipo raro de beleza - aquela que não suaviza o abismo, mas o revela.

A luz de uma espécie de sol impossível, é mais testemunha que outra coisa. não vem iluminar para proteger; ilumina para expor. É uma beleza que queima. Um brilho que denuncia a imobilidade, que embala com violência, que transforma a rotina de Winnie em uma espécie de ritual trágico. Ao mesmo tempo, essa luz cria uma poética própria: uma paisagem onde o horror ganha contornos nítidos e, paradoxalmente, delicados. É a beleza do inevitável, que existe quando a vida continua apesar de tudo.

Outro ponto fundamental, é que houve uma preocupação em nossa montagem de usar um procedimento que o próprio Beckett usou, quando fez sua versão em francês do texto originalmente escrito por ele em inglês. Como Beckett faz no texto diversas citações a autores e textos, quando traduziu sua obra para o francês, Beckett trocou as citações para autores e obras relacionadas à língua francesa. Da mesma forma, na tradução de Jopa Moraes, as citações foram substituídas por autores e obras da literatura em língua portuguesa. Mantém a essência beckettiana, mas aproxima um pouco mais o espectador brasileiro do universo da peça.


Ficha técnica
Espetáculo "Dias Felizes", de Samuel Beckett
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.
Tradução: Jopa Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Figurinos: Carol Lobato
Música original: Ricco Viana
Designer gráfico: Jopa Moraes
Fotografias: João Gabriel Monteiro
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Pedras cenográficas: Alex Grilli
Efeito sombrinha: Paulo Denizot
Videografismo: João Gabriel Monteiro e Paulo de Moraes
Assessoria para videografismo: Rico Vilarouca
Colaboração artística: Lorena Lima
Assistente de produção: Lorena Lima e Malu Selonk                                           
Produção São Paulo: Pedro Freitas | Périplo                       
Produção: Armazém Companhia de Teatro

Serviço
"Dias Felizes", de Samuel Beckett
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.
Local: Sesc Pompeia – Rua Cléia, 93, Pompéia, São Paulo
Temporada até dia 19 de julho de 2026
Horários: quintas-feiras, às 20h00, sextas, às 16h00 e 20h00, sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00.
Valor dos ingressos: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia-entrada) / R$ 21,00 (credencial plena)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos

terça-feira, 7 de julho de 2026

.: "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé" traz apresentações gratuitas para SP


Uma carroça cenográfica puxada por uma bicicleta, operada por um único artista, transforma o espaço público em um palco de curiosidades, ilusões e descobertas científicas. Foto: Paulo Rapoport

Diretamente do imaginário dos antigos Gabinetes de Curiosidades do século XVI e do realismo mágico da literatura, chega às ruas "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024. Conduzido e operado de forma solo pelo carismático artista Seu Lé, interpretado pelo ator Marcelo Zurawski, este microcirco ambulante acoplado a uma bicicleta viaja pelo espaço e pelo tempo para encantar públicos de todas as idades. As apresentações gratuitas acontecem dia 19 de julho, às 14h00, na Biblioteca de São Paulo, dia 25 de julho, às 16h00, no Parque da Luz, e dia 26 de julho, às 14h00, na Biblioteca Parque Villa-Lobos.

Misturando as linguagens clássicas do circo de rua e do teatro de variedades com o fascinante universo da física e da acústica, o espetáculo apresenta números interativos construídos com aparelhos completamente inusitados. No picadeiro itinerante do Seu Lé, a ciência não é uma matéria de laboratório, mas sim poesia em movimento que ganha vida através da participação ativa dos espectadores.

Nesta temporada de estreia, Seu Lé desafia a lógica dos sentidos e convida o público a interagir diretamente com três invenções extraordinárias. Há o Harmonógrafo: um aparato mecânico que traduz som em imagem, permitindo que a plateia veja a representação gráfica de frequências acústicas desenhadas bem diante dos seus olhos. A Cenoura Sonora: Uma demonstração lúdica de engenhosidade onde uma cenoura comum de feira é escavada ao vivo e transformada em um clarinete perfeitamente afinado e funcional. A Cadeira do Momento Angular: Uma experiência física e sensorial na qual os espectadores são convidados a sentar e sentir no próprio corpo os efeitos invisíveis da conservação do movimento através de um eixo giratório.

Inspirado no lendário cigano Melquíades - personagem de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, que maravilhava a isolada Macondo com imãs, gelo e telescópios -, o espetáculo resgata o papel histórico do circo como o grande difusor das novidades do mundo, democratizando o acesso à cultura e estimulando o pensamento crítico através do riso, do deslumbramento e da curiosidade.


Ficha técnica
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"
Concepção, direção e atuação: Marcelo Zurawski
Concepção e projeto da carroça: Silvia Gandolfi
Música original: Sérgio Zurawski
Construção da carroça: Rosane Gruman e Marcelo Zurawski
Desenvolvimento dos instrumentos científicos: Marcelo Zurawski
Contrarregragem: Anderson Siqueira
Projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024 Produção e Apresentação de Número Circense


Serviço
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"

Espetáculos gratuitos | Indicação: livre -  recomendado para toda a família
Duração: 50 minutos

Biblioteca de São Paulo
dia 19 de julho, domingo, às 14h00
Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Santana

Parque da Luz
dia 25 de julho, sábado, às 16h00
Praça da Luz, s/n - Bom Retiro

Biblioteca Parque Villa-Lobos
26 de julho, domingo, às 14h00
Av. Queiroz Filho, 1205 - Alto de Pinheiros

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