Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de maio de 2026

.: Milla Fernandez desconstrói a própria experiência para questionar limites


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.comFoto: divulgação

Era época da pandemia da covid-19 e pouco antes de o mundo recolher as certezas em salas trancadas e telas acesas, Milla Fernandez descobriu que a sobrevivência material exigia dela uma coreografia inédita. O sustento de uma estrutura familiar inteira dependeu, por meses, do avanço de moedas virtuais em salas de transmissão erótica. 

Sem o verniz da condescendência ou o drama da autocomiseração, estavam postos o corpo, o dinheiro, a webcam e o cansaço de uma jovem atriz que, farta de esperar por testes para novos trabalhos, resolveu precificar os próprios limites diante de estranhos. Do fundo do poço sanitário que a crise de 2020 cavou na cultura, ela emergiu com o texto de "TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo"), monólogo que tem neste domingo , dia 31 de maio, a última apresentação em São Paulo, no Teatro YouTube, após uma passagem incômoda e premiada pelos palcos cariocas. 

Sob a direção precisa e rigorosa de Rodrigo Portella - que limpa a cena de fetiches óbvios para deixar apenas os tapetes vermelhos do sucesso e a crueza da caixa cênica - a atriz faz uma devassa sobre o quanto a sociedade da imagem cobra para manter de pé as ilusões diárias e as perdidas. 


Resenhando.com - No espetáculo "TIP", o gesto de "se atirar no fogo" parece uma estratégia: até que ponto essa exposição radical é controle, e não descontrole, da própria narrativa?
Milla Fernandez - Essa peça nasce de um segredo que pensei que guardaria a vida toda. Contá-lo com as minhas próprias palavras ainda é uma tentativa de controle, mas de outra natureza. Antes eu achava que controlar era prever o resultado e qualquer erro de cálculo era considerado um fracasso. Hoje, “me atirar no fogo” é aceitar que não posso adivinhar a reação das pessoas, só posso decidir não me paralisar diante dela. Ainda existe uma tentativa de controle nisso, mas menos como defesa e mais como a necessidade de colocar no mundo uma versão de mim que não caiba só no olhar do outro. Talvez, daqui a cinco anos, eu mesma mude de ideia sobre a versão que contei. E, estranhamente, aceitar essa instabilidade me libertou mais do que qualquer certeza.


Resenhando.com - Você transforma a lógica da gorjeta ("tip", em inglês) em dramaturgia. O aplauso, no teatro, também pode ser lido como uma moeda? 
Milla Fernandez - Eu não vejo exatamente o aplauso como moeda. Ele pertence a um campo muito mais contraditório: pode ser um encontro genuíno com a obra ou apenas um reflexo social quase automático. A pergunta que fica pra mim é: por que algumas trocas são legitimadas e outras são imediatamente moralizadas? Quem decide o que é nobre e o que é degradante?


Resenhando.com - O que muda quando o desejo do público deixa de ser simbólico e passa a ser literalmente pago?
Milla Fernandez - A experiência de camgirl me fez perceber que desejo, projeção, validação e fantasia existem em muitos tipos de relação entre público e performer, inclusive no teatro. Não da mesma maneira, obviamente. Mas também não tão separados quanto gostamos de imaginar. O dinheiro não cria a objetificação, às vezes ele só impede que certas idealizações permaneçam intactas. E talvez o desconforto venha menos da transação em si e mais do fim da fantasia.


Resenhando.com - Há um momento em que a atriz diz ter aprendido a "respirar debaixo d'água". Esse aprendizado vem antes ou depois de aceitar que talvez não exista superfície para voltar?
Milla Fernandez - Sempre existiu superfície. Acho que o que mudou foi eu parar de acreditar que a superfície era o destino. Por muito tempo, "respirar debaixo d'água" era uma habilidade emergencial, algo que eu fazia enquanto esperava voltar ao normal. Mas fui percebendo que atrofiei minha criatividade tentando me encaixar num molde que nem eu mesma havia escolhido conscientemente, o molde da carreira correta, da progressão esperada, da atriz que espera ser escolhida. O aprendizado de respirar lá embaixo veio quando parei de tratar a submersão como acidente e comecei a tratá-la como território. A superfície não desapareceu, eu é que deixei de precisar dela para existir.


Resenhando.com - Seu trabalho tensiona a fronteira entre autonomia e exploração. Existe um ponto em que essa distinção deixa de fazer sentido, ou ela precisa existir para que a obra se sustente?
Milla Fernandez - Essa tensão precisa existir, não só para que a obra se sustente, mas porque ela é real. Se eu dissesse que fui "livre", estaria mentindo. Se dissesse que fui "explorada", estaria simplificando. A verdade é que as duas coisas habitam o mesmo gesto. O que "TIP" tenta fazer não é resolver essa contradição, é recusar-se a dissolvê-la ou ignorá-la por conforto. Talvez autonomia seja isso: saber que estamos dentro da armadilha e ainda assim tentar decidir como atravessá-la. Acredito que parar de se perguntar é o começo de qualquer forma de violência.


Resenhando.com - O espetáculo parece desmontar a ideia de vocação artística como destino. Depois de tudo, ainda faz sentido falar em "amor à arte" ou as pessoas estão sempre falando, no fundo, de sobrevivência?
Milla Fernandez - Falar em amor à arte sem falar em sobrevivência é um privilégio que muita gente não tem e que o mercado usa para manter artistas em condição de gratidão permanente. “Amor à arte” é uma frase linda, mas muitas vezes usada para romantizar precariedade. Eu ainda acredito no amor, mas desconfio quando ele é exigido como prova de resistência. No fundo, arte e sobrevivência estão muito misturadas. Às vezes a gente cria porque ama; às vezes porque precisa; às vezes porque não sabe mais existir sem transformar a dor em alguma coisa.


Resenhando.com - Em cena, você revisita experiências potencialmente traumáticas com humor ácido. O riso é um mecanismo de defesa, de ataque ou de sedução para o público?
Milla Fernandez - O riso é tudo isso. Defesa, ataque e sedução. Ele protege porque cria distância da ferida, ataca porque desmonta o lugar da vitimização e seduz porque aproxima o público antes de empurrá-lo para um lugar desconfortável. Quando a plateia ri de uma situação constrangedora, ela se surpreende ao se perceber cúmplice. É aí que o espetáculo acontece de verdade, nesse instante em que o riso revela mais do espectador do que da personagem.


Resenhando.com - Ao trazer a família para dentro da narrativa - ainda que ficcionalizada - você desloca o eixo da exposição: o que é mais arriscado, falar de sexo ou falar de afeto?
Milla Fernandez - O sexo nunca esteve separado de afeto, carência ou vulnerabilidade na peça. Então não vejo essas coisas como opostas. O que muda quando a família entra em cena é que a exposição deixa de ser inteiramente administrável. Porque já não envolve só a minha versão sobre mim mesma. Mas o teatro também oferece uma espécie de deslocamento. Nada em cena é exatamente documento, nem totalmente invenção. A ficção não elimina completamente o risco, mas torna possível atravessá-lo.


Resenhando.com - Dirigida por Rodrigo Portella, a peça assume um minimalismo que escancara o próprio teatro. O que sobra quando se retira quase tudo?
Milla Fernandez - O minimalismo não dá chance pra esconderijos, ele obriga a cena a revelar suas “mentiras”, seus “truques”. Rodrigo tem por hábito, nos seus trabalhos, assumir a ficção como experiência compartilhada. Quando ele propõe tirar quase tudo, é uma escolha que reforça o pacto entre atriz e público. Um pacto que fala mais sobre a honestidade de construirmos uma realidade juntos do que de revelar uma grande e única verdade. Ele é um diretor que, antes de qualquer coisa, convoca o imaginário do espectador e aposta no poder do encontro.


Resenhando.com - Você afirma ter deixado de esperar ser escolhida. Esse gesto de autoria é libertador ou inaugura uma nova forma de solidão dentro do mercado artístico?
Milla Fernandez - É libertador e solitário. Durante muito tempo eu esperei ser escolhida pelo olhar do outro. Assumir autoria interrompe essa lógica, mas também revela que independência artística nunca é absoluta. É uma troca de vulnerabilidades: antes, a fragilidade estava em esperar permissão. Agora, está em sustentar a própria voz mesmo quando ela incomoda ou não encontra acolhimento imediato.


Resenhando.com - Se "TIP" é, no fim, uma pergunta que você se faz todos os dias, qual é a única resposta que você torce para nunca encontrar?
Milla Fernandez - Que teria sido melhor ficar calada. Mas essa preocupação eu não tenho. A partir de "TIP", a única coisa que eu vou conhecer é a vida pós-fogueira.


Ficha técnica
Espetáculo “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)”
Dramaturgia e performance: Milla Fernandez
Direção: Rodrigo Portella
Direção musical: Federico Puppi
Trilha sonora original: Leonardo Bandeira (bateria) e Federico Puppi
Figurino: Karen Brusttolin
Cenário e luz: Rodrigo Portella
Colaboração: Georgina Vila Bruch
Vídeo design: Plinio Hit
Visagismo: Neandro Ferreira
Fotos: Ale Catan
Identidade Visual: José Mancini e Diego Navarro
Mídias Sociais e Gestão de Tráfego: Nathália Alves
Captação de apoio: RumoToloá
Produção: Ártemis e Virgínia Bravo (Ártemis Produções Artísticas)
Realização: Mil Atividades Artísticas
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany


Serviço
Espetáculo “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)”
Temporada até este domingo, dia 31 de maio
Teatro YouTube (antigo Eva Herz) - Av. Paulista, 2073/3º and, Conjunto Nacional, Bela Vista / SP (estacionamento no local)
Sexta-feira e sábado, às 20h00; domingo, às 17h00. Ingressos: R$120,00 e R$60,00 (meia) em https://www.eventim.com.br/artist/teatro-youtube/tip-antes-que-me-queimem-eu-mesma-me-atiro-no-fogo-4076460/ ou na bilheteria de segundas 13h00 às 21h00 / Capacidade: 166 espectadores / Duração: 90 minutos. Gênero: autoficção. Classificação: 18 anos. Acessibilidade teatro: sim / Temporada: até 31 de maio

sábado, 30 de maio de 2026

.: Dez motivos para não perder "Curto-circuito" com Luiz Fernando Guimarães

Luiz Fernando Guimarães e Leticia Augustin - Foto: Leo Aversa

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O espetáculo "Curto-circuito" que celebra os 50 anos de carreira do ator Luiz Fernando Guimarães por meio da comédia inteligente, leva ao palco do Teatro Renaissance o grande nome do humor brasileiro ao lado da atriz Leticia Augustin numa viagem mental hilária. O resultado são reflexões do cotidiano, desde faz um exame médico a uma prova do Enem. Para tanto, nós do Resenhando.com elencamos dez motivos para não perder a montagem dirigida por Gustavo Barchilon e escrita por Gustavo Pinheiro que fica em cartaz até o dia 31 de maio. Confira!

1. A peça de celebração aos 50 anos de carreira de Luiz Fernando Guimarães, que traz de volta aos palcos, externa reflexões hilárias sobre situações do cotidiano por meio do que se passa literalmente na mente de variados personagens. 

2. A homenagem à trajetória de Luiz Fernando Guimarães no teatro e televisão, leva o público a acompanhar a personificação de partes do cérebro em surto com o estresse moderno.

3. Garantindo boas risadas, a peça convida a pensar sobre as pressões que todos enfrentamos diariamente. Situações que chegam a parecer tão particulares, mas são comuns.

4. Assinada por Gustavo Pinheiro, um dos grandes dramaturgos atuais, a peça é inteligente, provocante e ácida.

5. O espetáculo cheio de ritmo e dinamismo tem direção de Gustavo Barchilon, que equilibra o ritmo de cada piada, assim como das pausas dramáticas.

6. A química perfeita entre o veterano Luiz Fernando e a versátil Leticia Augustin dita o tom da dupla afinada nas mais diversas cenas. 

7. A montagem focada nos perrengues cotidianos vai da tensão de fazer uma ressonância magnética, estando preso e sem poder ser mexer, dentro de uma máquina, liderar um grupo passando turbulência durante um voo, lutar contra a implacável insônia e até fazer a prova do Enem e até zerar. Não há como deixar de se identificar com alguma situação-limite.

8. A produção apresenta personagens inusitados em situações absurdas, como por exemplo, uma amígdala cerebral prestes a pedir demissão.

9. As múltiplas personas assumidas em esquetes rápidas pelo mestre do humor Luiz Fernando Guimarães tecem no palco dinamismo e entrosamento perfeito com Leticia Augustin, tendo ainda participações de vozes como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres.

10. Numa localização privilegiada, no sofisticado Teatro Renaissance, em São Paulo, o espetáculo de comédia tem ingressos acessíveis que podem ser adquiridos diretamente pelo site oficial.


Serviço
Espetáculo "Curto Circuito"
Local: Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233 – São Paulo / SP
Temporada até dia 31 de maio
Dias e horários: sábados, às 21h00, e domingos, às 18h30


Leia+

sexta-feira, 29 de maio de 2026

.: 11 motivos para assistir "Flashdance - O Musical" e se emocionar com clássico

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


Um clássico do cinema dos anos 80 está em cartaz no Teatro Claro Mais, em São Paulo numa adaptação cheia de energia coreográfica e muita música. Eis a superprodução brasileira "Flashdance - O Musical", montagem com coreografias que mesclam jazz e ritmos urbanos com movimentos intensos ao apresentar a história da jovem Alex Owens, uma operária que trabalha como soldadora durante o dia e como dançarina em um bar à noite. 

Enfrentando desafios e preconceitos para realizar o sonho de passar em um teste para um prestigiado conservatório de balé quando esbarra numa paixão confusa com um homem poderoso. Para tanto, nós do Resenhando.com listamos 11 motivos para você não perder o espetáculo da produtora 4ACT Entretenimento, com direção geral e idealização de Ricardo Marques!


1. É uma adaptação inédita e oficial do clássico nos palcos brasileiros, com uma roupagem exclusiva feita pela 4Act Entretenimento.

2. Testemunhar tamanha nostalgia no palco, diante dos olhos, é reviver a atmosfera dos anos 80 com uma trilha sonora que marcou gerações.

3. De trilha sonora inesquecível, o espetáculo conta com os maiores sucessos do filme como, "Maniac" e "I Love Rock 'n Roll". E, claro, apresenta uma sequência de tirar o fôlego do público com o hit vencedor do Oscar "Flashdance... What a Feeling".

4. Coreografias intensas e de encher os olhos do público mesclam jazz, dança de rua e balé. Assinadas por Tutu Morasi, as danças combinam a energia contagiante dos anos 80, exigindo uma performance física impressionante do elenco. 

5. A icônica e sensual sequência do banho de água na cadeira é recriada no palco com forte impacto visual, o que emociona muito o público.

6. O elenco talentoso, estrelado por Marisol Marcondes e Rhener Freitas, soma 24 artistas selecionados entre mais de 600 candidatos.

7. O espetáculo com música ao vivo ganha mais peso tendo a banda com seis músicos no fosso, diferente de produções com trilhas gravadas.

8. A trama de inspiração e superação sobre a jornada de Alex Owens, uma jovem operária que luta para realizar o sonho de se tornar bailarina profissional, tem identidade própria, sendo uma releitura autoral brasileira de 4Act Entretenimento. E o que se vê no palco é incrível!

9. A mágica montagem do clássico, com cenário de estrutura metálica industrial, escadas e iluminação azul intensa, emociona demais a ponto de fazer escorrer lágrimas de ver a história do filme clássico acontecer ao vivo, diante dos olhos do público. 

10. As apresentações acontecem no moderno e confortável Teatro Claro MAIS SP, dentro do Shopping Vila Olímpia, com acessibilidade e ingressos a preços democráticos, com diversos benefícios de meia-entrada e combos promocionais.

11. "Flashdance - O Musical"  está encerrando a temporada de apresentações em 31 de maio, sendo a última semana de chance para conferir a obra.


Serviço
"Flashdance, o Musical"

Temporada: 9 de abril a 31 de maio de 2026
Às quintas e sextas-feiras, às 20h; aos sábados, às 16h30 e às 20h30; e aos domingos, às 15h30 e às 19h30.
Teatro Claro Mais SP - Shopping Vila Olímpia - Olimpíadas, 360, 5º Piso - Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Ingressos: de R$ 25,00 a R$ 250,00
Vendas on-line em https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/flashdance-15824
Bilheteria: de segunda a sábado, das 10h00 às 22h00; e aos domingos e feriados, das 12h00 às 20h00
*Clientes Claro Clube têm 50% de desconto em até quatro ingressos
Classificação: 18 anos
Duração: 120 minutos
Capacidade: 801 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 



Leia +

terça-feira, 26 de maio de 2026

.: Hugo Bonemer: Ripley no teatro, ator reflete sobre identidade e obsessão

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.comFoto: divulgação

O talentoso Hugo Bonemer poderia ser apenas um jogo de palavras, uma referência ao romance de Patricia Highsmith, mas vira chave de leitura quando o espetáculo "O Talentoso Ripley", em cartaz no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro, até dia 31 de maio, aposta no fascínio ambíguo de personagens que orbitam o desejo de ser outro. Inspirado no universo do clássico literário criado em 1955, a peça teatral dialoga com a tradição do thriller psicológico que consagrou o personagem Tom Ripley - figura que atravessou décadas, adaptações e formatos, do cinema europeu de René Clément ao olhar sofisticado de Anthony Minghella na versão de 1999.

O espetáculo tem como base a adaptação em 1999 da escritora e roteirista Phyllis Nagy. Na nova abordagem, Hugo Bonemer assume o papel que flerta com essa herança e desafia todos os intérpretes que já passaram por ele. O ator, conhecido por transitar entre televisão, teatro musical e dublagem, constrói um protagonista que vive na fronteira entre admiração e apropriação - um território dramático que o próprio Bonemer já descreveu como um espaço de “empatia perigosa”. A atuação sustenta o eixo central de uma história que se organiza a partir do desconforto da inquietação prolongada de reconhecer traços humanos em figuras moralmente instáveis.

Interpretando, dirigindo e produzindo a peça na pele de um dos protagonistas mais fascinantes da literatura do século XX, Hugo Bonemer revisita um clássico e propõe um jogo contemporâneo de máscaras. Ao assumir esse risco, em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele transforma o trocadilho inicial em provocação: até onde vai o talento de quem interpreta - e de quem assiste - sem se deixar capturar pelo abismo que observa?

Resenhando.com - Ripley atravessa a fronteira entre admiração e obsessão com rapidez brutal. Hoje, o que o assusta mais: quem se reconhece nele ou quem se encanta por ele?
Hugo Bonemer - Não me assusto com os dois cenários, acho eles naturais e previsíveis, já que um psicopata sedutor consegue o que quer fazendo as pessoas se sentirem exatamente assim: íntimas e familiares. Me assusta que nada disso faça a gente aprender a perceber até que seja tarde demais.


Resenhando.com - Você diz que interpretar Ripley exige visitar lugares desconfortáveis — em que momento esse desconforto deixa de ser ferramenta de criação e começa a ameaçar quem você é fora do palco?
Hugo Bonemer Eu somatizo muito e pra isso tenho feito, além do processo terapêutico de anos, muito cuidado holístico e de massagem com o terapeuta holístico Julius Mac, que tem vindo de Buzios fazer um tratamento físico comigo. É como tenho conseguido manter o corpo e a mente sãos.


Resenhando.com - Ripley é um mestre em desejar a vida do outro. Em algum momento da sua trajetória, você já desejou ser alguém a ponto de quase apagar quem você era?
Hugo Bonemer Muitas vezes! Até chegar num ponto de me amar de verdade eu vivia desejando a vida dos outros. Seja por ser um discípulo intelectual de alguém, seja para ser amado por alguém, ou por conviver com algum daqueles ícones de beleza inalcançável. Não sei se todo mundo passa por isso, mas eu já não me lembro quando foi que deixei de ser assim. Só sei que tem muitos anos que amo existir como eu sou, aperfeiçoar quem eu sou, sem precisar viver na sombra de ninguém.


Resenhando.com - A peça aposta em suspense e terror, gêneros pouco explorados no teatro brasileiro. O que mais o interessa: provocar medo no público ou fazer com que ele reconheça a si mesmo nesse medo?
Hugo Bonemer O terror que se dispõe a provocar medo não causa medo em ninguém. É pelo reconhecimento de si mesmo na trama que a vulnerabilidade aparece. A partir daí, é só uma brincadeira em conjunto. Um susto aqui, um outro ali… tudo nesse acordo silencioso entre artista e espectador.


Resenhando.com - Você acumula funções de ator, diretor, produtor e cenógrafo. Esse controle todo é uma necessidade artística ou uma forma de garantir que nada escape da sua própria narrativa?
Hugo Bonemer Começou como necessidade de produção. Eu tinha um orçamento. Aos poucos fui gostando, confesso, e faria novamente. Exceto as redes sociais, essa parte eu faço, mas detesto.


Resenhando.com - Há uma tradição de “humanizar monstros” na arte contemporânea. Até que ponto compreender Ripley não corre o risco de absolvê-lo e, por tabela, absolver violências muito reais?
Hugo Bonemer Monstros não são humanizados para serem entendidos e acolhidos, mas para serem identificados em nós mesmos. Quando ele é só monstro, ele é externo, vive fora, não é problema nosso. Mas quando você vê uma relação familiar conturbada, um trauma, você se pergunta onde que você não decidiu seguir aquele caminho amoral, e onde o personagem se perdeu na curva. E é aí que a maturidade acontece. O risco que eu às vezes me questiono é o de dar palco para figuras reais, que cometem crimes e ganham dramaturgia e holofotes. Não sei se é um problema, mas li que os psicopatas adoram isso. O Tom Ripley não é uma pessoa real que vai se envaidecer por ter sua história contada.


Resenhando.com - Você fala em “empatia perigosa”. Já houve algum momento em que essa empatia te fez justificar algo que, racionalmente, você condena?
Hugo Bonemer Muitas vezes, a empatia perigosa no caso do Ripley vem quando você percebe que ele está quebrado e tenta gostar dele mesmo ele dizendo na sua cara que vai te fazer mal. Como aquela história do escorpião que pede para o coelho uma carona no barco jurando que não vai avançar, avança e pede desculpas dizendo “é a minha natureza”. O psicopata é assim, e quando ele aparece na nossa vida, faz de tudo para você achar que é um brinquedo quebrado, e que só você é capaz de consertar.


Resenhando.com - A montagem parte de um texto que nunca havia sido encenado em português. O que se ganha e o que se perde quando uma história tão marcada por outros contextos culturais ganha sotaque brasileiro?
Hugo Bonemer Só se ganha. Tirei todos os anglicismos e cortei quase uma hora de peça transformando texto em símbolo. Acredito que quando temos uma dramaturgia mais perto da gente conseguimos dialogar mais a fundo com o que acontece agora.


Resenhando.com - O sucesso da peça foi, nas suas palavras, inesperado. Existe algo de Ripley nesse espanto — alguém que, no fundo, não acredita que merece o lugar que ocupa?
Hugo Bonemer Tem algo voltado mais sobre planilha de custos mesmo haha. Eu não investi em marketing e a peça lotou. Eu faço com tanto amor que acredito que nós merecemos a casa lotada, mas já acreditei em outros projetos que não tiveram o mesmo sucesso. Por isso inesperado.


Resenhando.com - Curiosamente, você chega a esse momento da carreira aos 37 anos interpretando um personagem criado em 1955. Se a arte é uma forma de driblar o tempo, que tipo de permanência você busca: ser lembrado ou ser compreendido?
Hugo Bonemer Obrigado pelos 37, eu faço 39 em junho. Eu não busco permanência, mas sim sentido. Crio sentido pra mim todo dia, toda hora, por meio da criatividade. Como, e se eu for lembrado com permanência, vai ser uma decisão nem de quem convive comigo, mas de quem está provavelmente nascendo agora. É impossível de controlar.


Serviço
Espetáculo "O Talentoso Ripley"
Teatro Laura Alvim -Av. Vieira Souto, 176 - Ipanema, Rio de Janeiro - RJ
Temporada: até dia 31 de maio
Sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00
Lotação: 190 lugares
Classificação: 18 anos
Duração: 1h50min
Direção: Hugo Bonemer
Co-direção: Kamilla Rufino
Elenco: Francisco Paz (Richard Greenleaf), João Fernandes (Marc e Freddie), Cassio Pandolfh (Herbert Greenleaf e Tenente Roverini), Laura Gabriela (Emily Greenleaf e Tia Dottie) e Tom Nader (Red, Fausto e Silvio).
Gênero: suspense/terror
Ingressos: a partir de R$ 35,00

.: Sesc 24 de Maio recebe as últimas apresentações da peça "Meninos"


Espetáculo do Grupo II aborda as relações masculinas no contexto familiar contemporâneo. Foto: Douglas Fontes


O Sesc 24 de Maio recebe o espetáculo "Meninos", do Grupo II, até dia 30 de maio, em curta temporada. A montagem lança um olhar sensível sobre a masculinidade contemporânea, investigando fraturas, afetos e possibilidades de reinvenção a partir das relações familiares. Dividida em três atos, a peça apresenta histórias marcadas pela ausência e pelo silêncio, traçando caminhos de afetividade entre tios e sobrinhos, irmãos, filhos e pais. A dramaturgia constrói um mosaico de vínculos masculinos, revelando tensões, heranças emocionais e formas possíveis de cuidado. 

A programação integra o projeto Cena Jovem, realizado pela unidade 24 de Maio desde 2019, com o objetivo de aproximar as juventudes da linguagem teatral. A iniciativa aposta em espetáculos que dialogam com temas de interesse dos jovens e valorizam diretores, dramaturgos e artistas emergentes, incentivando tanto a formação de público quanto o reconhecimento de novas vozes da cena contemporânea. Assinada por Lucas Mayor, Marcos Gomes e Rafael Cristiano, a dramaturgia dialoga com a obra Sendo um menino, de bell hooks, ao abordar a infância e a adolescência masculina sob a perspectiva do crescimento, da formação da identidade e das pressões sociais impostas aos homens desde cedo. 

Ficha técnica
Espetáculo "Meninos"
Direção: Lucas Mayor e Marcos Gomes
Dramaturgia: Lucas Mayor, Marcos Gomes e Rafael Cristiano
Atuação: Eduardo Guimarães, João Bourbonnais, João Filho, Lucas Laureno, Rafael Cristiano e Ricardo Teodoro
Iluminação: Matheus Brant
Cenografia e Figurino: Grupo II
Produção: Maísa Sousa De Castro
Fotografia: Douglas Fontes


Serviço
Espetáculo "Meninos"

Até dia 30 de maio, de quarta a sábado, às 18h00
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô
Classificação: 14 anos
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades Sesc SP - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia) e R$ 15,00 (Credencial Sesc).
Acessibilidade: Tradução em Libras nos dia 29 de maio.
Duração do show: 60 minutos
Serviço de van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

.: Últimas apresentações do espetáculo “TIP” no Teatro YouTube


Dirigida por Rodrigo Portella e protagonizada por Milla Fernandez, peça é um corajoso relato de autoficção que partiu da experiência da atriz durante a pandemia. Foto: Ale Catan


Depois de três recentes temporadas no Rio de Janeiro e uma indicação ao Prêmio APTR de Jovem Talento, o espetáculo “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)” segue com as últimas apresentações no Teatro YouTube (antigo Teatro Eva Herz), no Conjunto Nacional, em São Paulo. Com dramaturgia e performance de Milla Fernandez e direção de Rodrigo Portella, a peça é um corajoso relato de autoficção que partiu da experiência da atriz durante a pandemia. 

Diante das necessidades urgentes de se prover, e da falta de perspectivas, Milla encontrou no sexo virtual, com o apoio do marido e da família, a possibilidade de garantir uma fonte de renda imediata. Sem ideia do que encontraria, mergulhou no mundo do entretenimento adulto, satisfazendo como cam girl desejos de clientes anônimos em troca de gorjetas (tips, em inglês). Com humor ácido, Milla Fernandez não se poupa e brinca com o medo do fracasso, revelando situações cômicas, constrangedoras e dolorosas que viveu na área do entretenimento e no universo pornô.

A vivência provocou na atriz uma reflexão sobre as ilusões de uma sociedade orientada pela imagem. Com humor ácido, Milla Fernandez não se poupa e brinca com o medo do fracasso. A partir das inúmeras situações cômicas, constrangedoras e dolorosas que viveu na área do entretenimento, ela destrincha, com ironia, as consequências de uma vida construída para realizar o desejo dos outros - seja na profissão, no âmbito familiar ou no universo pornô. O que acontece quando uma atriz vive sempre em função da plateia? E ainda, o que acontece quando essa mulher se cansa de tentar agradar?

Nas palavras de Milla Fernandez: “Na pandemia, sem ganhar um centavo como atriz, eu decidi molhar os pés no universo das camgirls. Acabei mergulhando de cabeça, me afogando num mar violento e só quando cheguei no fundo e pensei que ia morrer, descobri que dá pra respirar embaixo d’água. Durante anos meu objetivo foi me sentir segura. Hoje eu quero me sentir cada vez mais confortável na insegurança. Eu pensava que controlar tudo era sinônimo de força. Vivi uma vida inteira tentando estar preparada para quando o mundo caísse. Aí ele caiu e esmagou todas as verdades que eu tinha construído. Essa peça não é uma resposta, é uma pergunta que eu me faço todos os dias”.

Como diretor, Rodrigo Portella direciona seu foco para a visão da atriz sobre a própria experiência: “Eu fico abismado com a coragem dela. Eu jamais me exporia dessa forma. Apesar de que nem tudo corresponde à verdade (no que diz respeito aos fatos), essa é uma das peças mais 'de verdade' em que eu já estive envolvido. Essa peça, pra mim, é sobre uma jovem atriz que se atira no abismo, uma mulher que se lança no fogo ao invés de fugir ou paralisar. Não é só um ato de coragem, mas de resiliência e reparação. Uma espécie de revisão do seu processo de constituição como pessoa e artista.”

A peça foi ensaiada em Barcelona - onde vivem Rodrigo e Milla -, com apoio da Prefeitura da cidade. A encenação de Rodrigo Portella aposta no minimalismo. Como único elemento cenográfico, longos tapetes vermelhos representam a fama e o sucesso. Portella assume a própria arquitetura teatral como cenário, retirando os tradicionais panos pretos da caixa cênica, e assim lembrando aos espectadores que estão num teatro, e que a ilusão dará lugar à imaginação. A trilha de Federico Puppi e Leo Bandeira tem caráter essencialmente percussivo, complementado por Milla Fernandez, que toca sax durante o espetáculo. O figurino de Karen Brusttolin busca desviar dos clichês e dos fetiches.


Ficha técnica
Espetáculo “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)”
Dramaturgia e performance: Milla Fernandez
Direção: Rodrigo Portella
Direção musical: Federico Puppi
Trilha sonora original: Leonardo Bandeira (bateria) e Federico Puppi
Figurino: Karen Brusttolin
Cenário e luz: Rodrigo Portella
Colaboração: Georgina Vila Bruch
Vídeo design: Plinio Hit
Visagismo: Neandro Ferreira
Fotos: Ale Catan
Identidade Visual: José Mancini e Diego Navarro
Mídias Sociais e Gestão de Tráfego: Nathália Alves
Captação de apoio: RumoToloá
Produção: Ártemis e Virgínia Bravo (Ártemis Produções Artísticas)
Realização: Mil Atividades Artísticas
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany


Serviço
Espetáculo “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)”
Temporada até dia 31 de maio
Teatro YouTube (antigo Eva Herz) - Av. Paulista, 2073/3º and, Conjunto Nacional, Bela Vista / SP (estacionamento no local)
Sexta-feira e sábado, às 20h00; domingo, às 17h00. Ingressos: R$120,00 e R$60,00 (meia) em https://www.eventim.com.br/artist/teatro-youtube/tip-antes-que-me-queimem-eu-mesma-me-atiro-no-fogo-4076460/ ou na bilheteria de segundas 13h00 às 21h00 / Capacidade: 166 espectadores / Duração: 90 minutos. Gênero: autoficção. Classificação: 18 anos. Acessibilidade teatro: sim / Temporada: até 31 de maio

Trecho de “TIP (Antes Que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo)”

domingo, 24 de maio de 2026

.: "12º Round: A História de Emile Griffith" em nova temporada no TUSP


Com dramaturgia de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, espetáculo conta a história desse lutador que enfrentou o preconceito ao assumir sua bissexualidade e evidencia como o racismo e a homofobia sempre estiveram presentes no meio esportivo. Foto: Eduardo Filho


Racismo e a homofobia no esporte são pautas levantadas por "12º Round: A História de Emile Griffith", com texto de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, que estreou em 2025 no Sesc Ipiranga. A peça agora ganha uma nova temporada no TUSP - Teatro da USP, de 21 de maio a 14 de junho, com sessões de quinta a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00. Em cena, estão Alexandre Ammano, Fernando Vitor e Letícia Calvosa.

Apesar de ter feito uma brilhante carreira no boxe, o caribenho Emile Griffith, passou a enfrentar uma luta contra o preconceito dentro e fora dos ringues ao assumir sua bissexualidade. Traçando um voo panorâmico sobre temas como a violência no mundo do esporte, o racismo, a homofobia e as fronteiras da masculinidade negra, a peça também se propõe a discutir como essas tensões ainda ecoam até hoje na sociedade, abordando as contradições, violências e resistências vividas por corpos dissidentes. 

A estreia do espetáculo contou com importantes personalidades do boxe brasileiro, como Servilho de Oliveira, primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica no boxe; Danila Ramos, primeira brasileira negra campeã mundial de boxe; Genival Guerra Gomes, árbitro da Confederação Brasileira de Boxe; Marcela Souza, primeira árbitra brasileira brasileira em uma olimpíada; Márcia Souza, Diretora de Arbitragem da Federação Paulista de Boxe e Fernando Tucori, jornalista e autor da biografia de Adilson Maguila.

Cinco vezes campeão mundial em três categorias de peso diferentes, Griffith foi o primeiro atleta com este perfil a assumir publicamente sua bissexualidade. Sua vida foi profundamente transformada após vencer o combate com Kid Paret, que havia chamado Emile de "bicha" várias vezes em público e, no embate, foi nocauteado e faleceu, numa luta televisionada para todos os EUA em 1962. 

Negro e afro-caribenho, o lutador é uma figura de dimensões épicas, cuja trajetória nos permite discutir o quanto a sociedade contemporânea está — ou não — comprometida com a preservação dos direitos da população LGBTQIAPN+ e negra. O espetáculo busca dar corpo à memória de um herói complexo, que ousou desafiar as regras de seu tempo, um símbolo que rompeu paradigmas e enfrentou o peso do preconceito.

Idealizado pelo ator Fernando Vitor, que interpreta o protagonista, o espetáculo faz parte de uma longa pesquisa com o objetivo de dar luz a histórias queers e negras. “A trajetória de Griffith é uma das maiores histórias do mundo do esporte, e seu desconhecimento é resultado de um longo processo de apagamento de nossa história e nossas identidades. Estamos comprometidos em honrar sua trajetória, destacando o fato de Emile ter se tornado, além de tudo, um ativista da causa LGBTQIAPN+. O espetáculo está na encruzilhada de questões atuais. E num momento histórico onde a luta contra a homofobia e o racismo se fazem tão necessária, resgatar a história de Griffith nos inspira a seguir em frente”, revela.

A peça é encenada em “rounds”, assim como uma luta de boxe, num formato que aproxima o espectador de uma linguagem singular, marcada pela repetição, pelo esforço e pelo esgotamento, elementos que tensionam os corpos em cena e tornam esse “ringue” um constante território de disputa.

A montagem marca a estreia do Coletivo Nocaute, grupo de teatro negro formado por Bruno Lourenço (indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator por ‘Brás Cubas’), Fernando Vitor (‘James Baldwin: Pode Um Negro Ser Otimista?’), Letícia Calvosa (‘Escola Modelo’) e Alexandre Ammano (‘O Avesso da Pele’ e ‘A Máquina’).

“Decidi escrever esta peça principalmente por achar imperdoável que um lutador de sua importância, um ser humano generoso e ativista de tantas e tão belas causas sociais não tivesse gravado seu nome na história. Griffith foi um ser humano excepcional, dentro e fora dos ringues. Senti que a dramaturgia poderia obedecer às regras do Boxe, no intuito de reproduzir o tempo de uma disputa na íntegra. Criei 12 cenas de três minutos, separadas por cenas menores, de um minuto, que correspondem aos intervalos do gongo, com o objetivo de ser fiel ao esporte. A narrativa surge entrecortada, com algumas idas e vindas no tempo, até que o arremate final se dá na última cena, na qual Griffith vive, aparentemente, o que teria sido o melhor dia de sua vida”, adianta Sérgio Roveri.

Neste percurso, a montagem dá voz a personagens reais e ficcionais que orbitam o universo de Griffith — sua mãe; seu maior adversário, Kid Paret; seu namorado; jornalistas e figuras simbólicas — oferecendo uma cartografia afetiva, política e histórica de sua trajetória e seu legado. A peça propõe uma reflexão sobre a complexidade da vida do boxeador, seus dilemas íntimos e os desafios impostos por uma sociedade que marginalizava sua identidade. A encenação busca captar a tensão entre o corpo como máquina de luta e o corpo como espaço de desejo, dor e resistência. O espetáculo conta ainda com projeções de imagens de arquivos em fotos e vídeos, utilizados com a finalidade de conferir verossimilhança às memórias fragmentadas, apresentar os rostos das personalidades reais e estabelecer diálogos entre os diversos tempos históricos.

“Esse foi o maior desafio da minha estreia na direção artística: transformar a luta em linguagem, em dança e em narrativa. E, mais do que isso, dar corpo e voz a uma história que me atravessa. Emile Griffith não é apenas uma figura biográfica, é um ancestral. Um campeão mundial praticamente apagado do nosso imaginário por conta da homofobia. Como é possível que saibamos tanto sobre Muhammad Ali, Pelé, Michael Jordan e quase nada sobre Griffith? Achei que essa lacuna precisava ser preenchida. Através da tensão entre elegância e violência, o espetáculo se constrói como uma espécie de teatro-documentário com uma pegada pop. A trilha sonora, marcada por clássicos do cinema, contribui para esse clima híbrido entre o real e a memória, entre o ringue, o vestiário e o clube noturno”, ressalta Bruno Lourenço.

O texto de “12º Round” foi contemplado em 2015 pelo PROAC (Programa de Apoio à Cultura do Estado de São Paulo) dentro da modalidade Concurso Para Bolsa de Incentivo à Dramaturgia - Criação Literária do Estado de São Paulo, obtendo o segundo lugar na classificação geral entre concorrentes de todo Estado.


Ficha técnica
Espetáculo "12º Round: A História de Emile Griffith"
Idealização de projeto: Fernando Vitor
Direção artística: Bruno Lourenço
Dramaturgia: Sérgio Roveri
Elenco: Alexandre Ammano, Fernando Vitor e Letícia Calvosa
Cenografia, figurino e direção de arte: Maíra Sciuto e Natália Burger
Assistência de cenografia: Matheus Muniz
Iluminação e técnica de luz: Ariel Rodrigues
Preparação de corpo: Tainara Cerqueira
Preparação de voz: Malú Lomando
Consultoria e treinamento de boxe: Wellinton Souza
Vídeo e projeções: Renan Almeida
Direção musical: Bruno Lourenço
Técnico de som: Fernando da Mata
Piano (gravação): Lisi Andrade
Vibrafone (gravação): Lua Oliveira
Sound design: Lua Oliveira
Gestão de projeto: Jéssica Rodrigues
Direção de produção: Natália Burger
Diretor de palco: Gabriel Diniz
Fotos: Rony Hernandes
Identidade Visual: João Vitor Lage
Cenotécnica: Alício Silva, Casa Malagueta
Stand-in: Thamiris Mandú
Apoio: Diamond Sports Brasil


Serviço
Espetáculo "12º Round: A História de Emile Griffith"
Temporada: até dia 14 de junho de 2026
De quinta a sábado, às 20h00; e aos domingos, às 19h00
TUSP - Teatro da USP - Rua Maria Antônia, 294 - Vila Buarque, São Paulo
Ingressos: gratuitos, liberados uma hora antes de cada sessão na bilheteria (sujeito à lotação do espaço), limitados a uma entrada por pessoa
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 70 minutos
Instagram: @12roundteatro
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: elevadores

.: Musical em homenagem à Dalva de Oliveira em cartaz com Soraya Ravenle


Escrito e estrelado por Renato Borghi, musical em homenagem à Dalva de Oliveira estrá em cartaz com Soraya Ravenle no papel da diva. Em temporada no Teatro do Sesi, localizado na Av. Paulista, o espetáculo traça a linda relação de Borghi com a estrela da era de ouro do rádio antes e depois de conhecê-la. A entrada é franca e os ingressos limitados. Foto: João Caldas

“Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, diz Renato Borghi.

É impulsionado por este amor incondicional, que Borghi revisita o tema para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. "Minha Estrela Dalva" é, na verdade, o acerto de contas do artista com essa história. Às vésperas de seu aniversário de 89 anos, ele sobe ao palco para reviver o delírio de ter sido amigo, confidente e "filho artístico" de Dalva de Oliveira. Em 2026, essa memória ganha novo corpo e voz no palco através de um encontro de gigantes. Soraya Ravenle, que iniciou sua brilhante carreira no teatro musical integrando o coro de "A Estrela Dalva" (1987), grande sucesso de Borghi com Marília Pêra, retorna agora para ocupar o centro do palco e encarnar a própria Estrela. 

Com potência vocal e sensibilidade rara, ela não interpreta apenas a "Rainha do Rádio", mas a força da natureza que cantou a dor rasgada antes disso virar moda, a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. Soraya traz à cena o mito humano, o "Rouxinol do Brasil" que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza.

“Dalva é a quarta mulher que transforma a minha vida. Não volto a ela apenas como intérprete, volto como alguém atravessada por sua coragem. Em cena, eu não a interpreto, eu a convoco, canto a mulher que desafiou seu tempo com o peito aberto e transformou dor em beleza. E estar ao lado de Renato Borghi é viver um encontro de amor e memória, ele escreve para sua musa e eu tenho a honra de dar corpo e voz a essa história diante do público”, comenta Ravenle.

Em um jogo cênico vertiginoso, Renato Borghi divide a cena com sua própria juventude. Elcio Nogueira Seixas, que além de dirigir o espetáculo, interpreta o Renato de 1969 - um jovem ator da contracultura que, entre a rebeldia do Teatro Oficina e o glamour do rádio, descobre em Dalva a alma do Brasil.

“Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato - que foi quem me aproximou do Renato. E no palco, sou ele jovem - o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva”, diz Elcio Nogueira Seixas.

Completando esse triângulo de paixões, Ivan Vellame empresta sua voz de rara beleza para dar vida aos amores de Dalva, com destaque para o compositor Herivelto Martins, trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos públicos e midiáticos que marcaram a era de ouro do rádio. “A Dalva que Renato nos traz é uma convocação para adentrarmos a vida de uma mulher que viveu de alma nua, vocacionada para o Amor e para a Arte. Eu entro representando uns cabras que estranhavam o Amor. Construindo com a direção chegamos à uma encenação não documental, onírica e mítica, mas que não perde o valor de reflexão de que esses homens, os estranhos ao Amor mas que amavam muito - Bruno, Herivelto e Kiko - viam o feminino como sinônimo de desqualificação do masculino. Eu espero que, principalmente os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões. Se eu for vaiado em cena, por perceberem que homens assim já não tão com nada há muito tempo, vai ser lindo. Eu espero que: - Homens, honremos a feminilidade que nos é intrínseca”, enfatiza Vellame. 

A direção do espetáculo é dividida com o renomado Elias Andreato. O ator e diretor empresta toda sua sensibilidade e experiência para extrair o melhor de cada ator e dar forma ao texto poético escrito por Borghi. “Em 'Minha Estrela Dalva', Renato Borghi escreve uma declaração de amor à sua musa eterna, Dalva de Oliveira. Ao lado de Elcio Nogueira Seixas, construímos um espetáculo que é memória, música e exposição profunda. Soraya Ravenle não interpreta Dalva, ela a faz pulsar, e ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro”, destaca Andreato.

“Minha Estrela Dalva” está em cartaz no Teatro do Sesi-SP (Avenida Paulista, 1313), de quinta a domingo, e os ingressos são gratuitos através do site www.sesisp.org.br/eventos. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a "Rainha da Voz" cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Neste "delírio documentado", passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas — que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. Borghi, interpretando a si mesmo, dialoga com uma Dalva no auge de sua glória e vulnerabilidade, vivida pela premiada atriz Soraya Ravenle. Ao lado deles, o ator Ivan Vellame dá vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, ampliando o olhar sobre sua trajetória pessoal.

A encenação ganha vida através da direção musical de William Guedes, que conduz a sonoridade afetiva do espetáculo, e da atmosfera visual criada pelo cenário de Márcia Moon, a iluminação de Wagner Pinto e os figurinos de Fábio Namatame. Juntos, eles constroem um universo onde o glamour das Rádios dos anos 50 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás do mito e o fã por trás do ídolo.


Dalva de Oliveira e o empoderamento feminino
Em "Minha Estrela Dalva", cada homem que passou pela vida de Dalva de Oliveira exerceu sobre ela uma variação do mesmo poder: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. Herivelto, o marido compositor, dizia "Fui eu que te fiz, sua caipira" — e cobrava a dívida como se o talento dela fosse propriedade dele. Kiko, o segundo marido, queria transformá-la numa diva europeia bem-comportada. Bruno roubou seu dinheiro e fugiu. A televisão acendeu um canhão de luz no seu rosto e disse que não havia como fazer um close naquela mulher envelhecida.


A resposta de Dalva, que atravessa a peça como um refrão, é uma só: "Eu não tenho dono."
Chamaram-na de Messalina, de indigna de ser mãe, de cafona, de acabada. Pelos jornais dos anos 1950, Dalva foi submetida ao mesmo linchamento público que as redes sociais aplicam hoje a qualquer mulher que ousa viver fora do roteiro. A tecnologia mudou. A lógica, não. Mas Dalva transformou cada golpe em canção. Quando o ex-marido a difamou, ela gravou "Errei sim" e devolveu: "Que venha logo a primeira pedra me atirar." Quando quiseram enterrá-la, cantou "Bandeira Branca" no Maracanã e o público se ajoelhou. "Se meu coração está machucado, deixo sangrar — eu canto melhor assim, de peito aberto."

Renato Borghi, que a amou desde os seis anos de idade, escreveu esta peça não para embalsamá-la em nostalgia, mas para devolvê-la ao palco viva, contraditória e indomável — uma mulher que bebe demais, que mostra as pernas, que faz reza forte contra os ex-companheiros, que briga com o diretor e reescreve as próprias cenas. Borghi tem a sabedoria de não idealizá-la, porque o que torna Dalva uma figura poderosa para as mulheres de hoje não é a perfeição — é a inteireza. 

No clímax do espetáculo, Dalva canta "Jenny dos Piratas", de Brecht e Kurt Weill: a história da mulher humilhada que um dia será a única de pé quando tudo ruir. É a convergência exata entre a emoção visceral da maior cantora popular brasileira e o teatro político. Quando lhe perguntam quem deve morrer, Jenny responde: "Todos." É a fantasia de justiça de todas as mulheres que foram esmagadas e se recusaram a ficar no chão. Dalva enfrentou o machismo dos anos 1940 aos 70 sem vocabulário feminista, sem rede de apoio, sem hashtag - com nada além da voz e de uma teimosia feroz de não se deixar apagar. Que sua história ressoe com tanta força em 2026 não é um tributo ao passado. É um diagnóstico do presente.


Ficha técnica
Musical "Minha Estrela Dalva"
Idealização: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Dramaturgia: Renato Borghi
Direção artística: Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas
Elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame
Músicos: Nath Calan (bateria e percussão), Giancarlo Barletta (baixo), Gustavo Fiel (piano elétrico), William Guedes (violão), Denise Ferrari (violoncelo), Eliza Monteiro (viola), Mica Marcondes (violino).
Direção de movimento: Roberto Alencar e Irupe Sarmiento
Direção musical e arranjos: William Guedes
Cenografia: Márcia Moon
Assistência de cenografia e direção de palco: Márcio Zunhiga
Assistência de produção e contrarregragem: Anderson Conceição
Cenotécnico: Denis Chimanski
Figurinista: Fábio Namatame
Assistência de figurino: Luisa Galvão
Produção de figurino: Eliana Liu
Modelagem: Juliano Lopes
Costura: Lenilda Moura e Fernando Reinert
Design de perucas: Feliciano San Roman
Camareiras: Aline Delgado e Maria da Graças
Colaborações na preparação vocal de Soraya: Felipe Abreu e Gilberto Chaves
Cabelo de Soraya: Beto Carramanhos
Desenho de luz: Wagner Pinto
Assistência e produção de luz: Carina Tavares
Operação e programação de luz: Jorge Forjaz
Desenho e operação de som: Cecília Lüzs
Desenho de som associado: Roberta Helena
Direção de Produção e Administração Financeira: Lukas Cordeiro
Produção Executiva: Camila Bevilacqua
Assessoria de Imprensa: Agência Taga
Projeto Gráfico: Werner Schulz
Fotografia: João Caldas
Assistência de Fotografia: Andréia Machado
Assessoria Jurídica: Carolina Wanderley
Contabilidade: Fato Assessoria Contábil
Audiodescrição: Gangorra Audiodescrição
Interpretação em Libras: Space Libras
Redes sociais
Instagram: @dalvaomusical


Serviço
Espetáculo “Minha Estrela Dalva”
Temporada: até dia 12 de julho
Centro Cultural Fiesp | Teatro do Sesi-SP – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)
Sessões: quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 19h00
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.
Ingressos gratuitos. Reservas pelo: www.sesisp.org.br/eventos

.: Grupo Trapo celebra 26 anos com nova temporada de "O Auto de Aparecida"


Criado pelo Grupo Trapo, que completa 26 anos de trajetória em 2026, o espetáculo mergulha no universo simbólico das águas e nas narrativas que atravessam gerações, partindo do imaginário em torno de Nossa Senhora Aparecida como ícone cultural do país. Foto: divulgação

Após uma estreia bem sucedida em 2025, o espetáculo O Auto de Aparecida - Onde as águas contam histórias retorna ao Complexo Cultural Funarte São Paulo em nova temporada ao longo do mês de maio, período simbólico dedicado às mães, reafirmando sua força como uma celebração da cultura popular brasileira. As apresentações ocorrem até dia 31 de maio, aos sábados e domingos, às 18h00. Criado pelo Grupo Trapo, que completa 26 anos de trajetória em 2026, o espetáculo mergulha no universo simbólico das águas e nas narrativas que atravessam gerações, partindo do imaginário em torno de Nossa Senhora Aparecida como ícone cultural do país.

A encenação propõe um olhar sobre a religiosidade popular como manifestação artística, coletiva e afetiva. Em cena, fé, mito, festa, música e memória se entrelaçam para construir uma experiência que dialoga diretamente com o público brasileiro. Inspirado pelas águas do rio Paraíba do Sul - local de origem da devoção à santa -, o espetáculo cria um território cênico onde o sagrado e o cotidiano convivem, revelando um Brasil profundo, sensível e pulsante.

Com influências dos autos populares, a obra estabelece um diálogo com "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, mas segue um caminho próprio. O Grupo Trapo investe na reinvenção da tradição, criando uma narrativa original que reúne personagens cômicos, devocionais e humanos em histórias que refletem as contradições e riquezas da cultura brasileira. “O nosso desejo foi criar um espetáculo que já habita o imaginário do nosso povo: as festas de rua, as histórias contadas às margens dos rios, o riso fácil, mas também a dor e a resistência que nos formam como sociedade. O Auto de Aparecida é, antes de tudo, um rito de celebração da cultura popular”, afirma o diretor Muriel Vitória.

Na montagem, os atores permanecem em cena como em um ritual contínuo, transitando entre personagens, imagens e situações. Entre altares, cantos e jogos cênicos, o espetáculo convida o público a uma experiência sensorial e coletiva, onde o teatro se torna espaço de encontro, memória e partilha. 


Ficha técnica
Espetáculo "O Auto de Aparecida - Onde as Águas Contam Histórias"
Direção e concepção: Muriel Vittorea. Elenco:  Ismael Joaquim, Kalil Zarif, Marcio Lima, Nalu Oliveira, Nicolas Miranda, Pedro Henrique Meeta, Suellen Santos, Well Nascimento e Zé Carlos de Oliveira. Participação especial: Priscilla Rosa. Figurinos e adereços: Bruno Bertolli, Lis Nunes e Muriel Vittorea. Cenário: Muriel Vitória. Iluminação: Jottape Silva e Muriel Vittorea. Produção: Grupo Trapo. Produção artística: Diego Brito. Social media: Pedro Henrique Meeta. Fotos: Thaina Piauilino e Pedro Henrique Meeta. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Realização: Grupo Trapo.


Serviço
Espetáculo "O Auto de Aparecida - Onde as Águas Contam Histórias"
Últimas apresentações dias 24, 30 e 31 maio de 2026
Sábados e domingos, às 18h00
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada).
Venda on-line: www.sympla.com.br (link no Instagram - @grupotrapo).
Bilheteria: uma hora antes das sessões.
Duração: 100 minutos. Classificação: 14 anos. Gênero: Auto popular.
Complexo Cultural Funarte São Paulo
Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos. São Paulo/SP.
Sala Carlos Miranda (60 lugares). Acessibilidade: sim.
Telefone: (11) 95078-3004. Metrô Santa Cecília

.: Angela Dippe retorna em cartaz com comédia "Da Puberdade à Menopausa"


Com um toque autobiográfico, solo escrito pela própria atriz mistura de stand-up comedy e palestra para falar sobre a montanha-russa de hormônios na vida de uma mulher. Foto: Heloisa Bortz

As intensas transformações provocadas pelos hormônios ao longo de toda a  vida de uma mulher continuam dando o que falar na comédia de sucesso Da Puberdade à Menopausa, solo estrelado pela atriz e comediante gaúcha Angela Dippe. Depois de várias temporadas lotadas, o espetáculo está em cartaz no Teatro das Artes até dia 31 de maio.

Além da nova temporada, Angela segue discutindo esse tema tão importante para as mulheres em seu canal no YouTube com a série de entrevistas “Memórias da Puberdade à Menopausa”, na qual ela entrevista uma série de convidadas ilustres, como Ana Lúcia Torre, Marisa Orth, Heloísa Périssé, Miriam Mehler, Noemi Marinho, entre outras.

Com tintas autobiográficas e muito humor, o espetáculo compara a trajetória da mulher a uma “montanha-russa de hormônios”, em comparação com a vida dos homens, que segue em “movimento retilíneo e uniforme, sem atrito e sem aceleração”, segundo a própria atriz.

O espetáculo é uma mistura de stand-up comedy e palestra, com Angela apresentando ao público as diversas fases da vida de uma mulher, da puberdade à menopausa. Ao longo de seu relato, ela desenvolve temas como relacionamentos amorosos, padrão de beleza, cultura do patriarcado, machismo, sexo na maturidade e etarismo. A abordagem é pessoal, mas embasada em informações científicas e históricas que vão pontuando o texto, sempre com muita irreverência e quebrando temas que ainda hoje podem soar como tabus.

Atualmente com 61 anos, Angela garante que o texto se comunica com todas as faixas etárias. “Escrevi a peça em dez dias, mas reunindo ideias anotadas ao longo de anos. O título diz tudo, é da puberdade à menopausa. Todas as mulheres se identificam”, diz, reforçando que o público masculino também se diverte. “Homens se relacionam com mulheres, então as situações que aparecem na peça também dizem respeito a eles”, revela.


Sobre Angela Dippe
Atriz, comediante, bailarina e escritora, é gaúcha de São Borja. No teatro, já trabalhou com os diretores João Falcão, Cacá Rosset, Gabriel Villela e Mário Bortolotto, entre outros. Na televisão, é sempre lembrada pela personagem Penélope, do programa “Castelo Rá-Tim-Bum”, da TV Cultura, mas acumula participações em novelas e séries na TV aberta e no streaming

Histórico do espetáculo
Estreou em outubro de 2022 no Teatro Eva Herz. Em 2023, participou do Festival de Monólogos do Teatro Paiol, Festival Porto Verão Alegre em Porto Alegre e em Canoas, Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, apresentou no Samambaia Center, em Torres. Fez temporada no Teatro Cândido Mendes / RJ, Teatro Adélia lorenzoni, em Lençóis Paulistas e Teatro Colinas, em São José dos Campos.


Sinopse
O espetáculo é uma mistura de stand-up comedy e palestra, com Angela apresentando ao público as diversas fases da vida de uma mulher, da puberdade à menopausa. Ao longo de seu relato, ela desenvolve temas como relacionamentos amorosos, padrão de beleza, cultura do patriarcado, machismo, sexo na maturidade e etarismo. 


Serviço
Espetáculo "Da Puberdade à Menopausa"
Texto e interpretação: Angela Dippe
Temporada: até dia 31 de maio
Aos sábados, às 21h00, e domingos, às 19h00.
Teatro das Artes - Shopping Eldorado - Av. Rebouças, 3970, loja 409 - Pinheiros / São Paulo 
Ingressos: R$ 100,00
Bilheteria: de terça a domingo, das 13h00 às 20h00
Classificação: 14 anos
Duração: 75 minutos
Instagram: @angeladippe
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Espetáculo infantojuvenil "Antes de Dormir" está em cartaz no Sesc Ipiranga


Texto de Liana Ferraz aborda questões delicadas do último ato da infância, como o embate entre medo e a vontade de crescer. Em cena, estão Carol Vidotti, Dom Capelari e Fábia Mirassos. Foto: Luisa Moretti


Pipa descobre que crescer não é uma tarefa fácil no espetáculo infantojuvenil "Antes de Dormir", com texto de Liana Ferraz e direção de Joana Dória, que tem sua temporada de estreia até dia 19 de julho, no Sesc Ipiranga, com apresentações sempre aos domingos, às 11h00. Estrelado por Carol Vidotti, Dom Capelari e Fábia Mirassos, o espetáculo inédito foca questões delicadas do último ato da infância, como o embate entre o medo e a vontade de crescer, a complexidade das escolhas, as mudanças no pensar e no sentir, as chegadas e despedidas. 

Na trama, enquanto os adultos acreditam que as crianças já dormiram, Pipa, Maju e Nada transformam seu quarto em um território fértil para a imaginação, os sonhos, os pesadelos, os medos e as lembranças. Eles imaginam juntos os desafios e delícias de crescer. O tema toca pessoas de várias gerações, com a proposta de reconhecer a riqueza das reflexões das crianças sobre suas emoções e vivências. Contrariando o senso comum, elas não se cansam de nos surpreender com elaborações poéticas e até mesmo psicanalíticas e filosóficas. 

No intuito de não ceder aos hábitos de fruição cada vez mais hegemônicos (minúsculas durações, abordagens superficiais e dispositivos hipnóticos), o espetáculo articula música, composição visual e trabalho corporal como recursos para ampliar a conexão com a história e com a palavra corporificada nesse evento presencial, com frequência analógico e sempre coletivo chamado teatro.


Ficha técnica
Espetáculo "Antes de Dormir"

Idealização e direção: Joana Dória
Dramaturgia: Liana Ferraz
Atuação: Carol Vidotti, Dom Capelari e Fábia Mirassos
Musicista: Clara Dum
Assistência de direção: Manu Nahas
Direção de movimento: Karina Almeida
Iluminação: Henrique Andrade
Direção de arte: Nicolle de Bari
Visagismo: Fábia Mirassos
Direção de criação musical: Dom Capelari
Letras e melodias: Dom Capelari e Liana Ferraz
Arranjos: Dom Capelari e Clara Dum
Técnico e operador de som: Pedro Semeghini
Operador de luz: Henrique Andrade e Manu Nahas
Cenotécnico: Dahora cenografia - José Alves da Hora
Aderecista: Criando Planos
Design gráfico: Manuela Afonso
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Vídeo: Madu Araraki
Fotos: Tomás Franco
Direção de produção: Paula Malfatti
Administração: Marisa Riccitelli Sant’Ana - Superfície de Eventos
Gestão: Malfatti Paciência em Ato


Serviço
Espetáculo "Antes de Dormir"
Apresentações: até dia 19 de julho, sempre aos domingos, às 11h00
Sessão com Libras dia 27 de junho
Sesc Ipiranga - Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (credencial plena) Gratuito para crianças até 12 anos
Vendas on-line em sescsp.org.br ou presencialmente nas bilheterias de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: livre.
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Teatro: Luís Alberto de Abreu revisita memórias e lança coletânea em SP


Dramaturgo participa de palestra e apresenta o livro "Viva o Teatro! E Outras Crônicas", sobre teatro, cultura e memória do ABC paulista. Foto: divulgação


Nesta terça-feira, dia 26 de maio, a Escola Superior de Artes Célia Helena recebe o dramaturgo, roteirista e professor Luís Alberto de Abreu para uma programação que reúne palestra e lançamento editorial. A programação começa com a palestra “A Função Mítica do Stor”, voltada a estudantes do Célia Helena e convidados. No encontro, Abreu discute o papel do ator e do artista na construção do imaginário social e sua presença nas narrativas coletivas. Em seguida, o autor lança o livro "Viva o Teatro! e Outras Crônicas", publicado pela Editora Alpharrabio.

A obra reúne 40 crônicas selecionadas de um conjunto de cerca de 135 textos publicados semanalmente por Abreu no jornal Diário do Grande ABC entre 1995 e 1997. Os textos abordam a produção cultural no ABC paulista, em diálogo com os movimentos sindicais, políticos e com a ampliação do acesso à cultura no período. O livro é dividido em quatro núcleos temáticos sobre arte, cultura, criação e memória. O lançamento dá continuidade à relação editorial entre Abreu e a Alpharrabio, iniciada com A vida crônica (1999) e As artes do ofício: um olhar sobre o ABC (2000), livros escritos pela poeta e gestora cultural Dalila Teles Veras.

 
Sobre o autor
Nascido em São Bernardo do Campo em 1952, Luís Alberto de Abreu atuou na formação de diferentes gerações de artistas no ABC paulista. Foi professor da primeira turma da Escola Livre de Teatro de Santo André, participou da criação da Escola Livre de Cinema e Vídeo da cidade e coordenou iniciativas de formação em dramaturgia. No audiovisual, assinou roteiros de filmes como Kenoma e Narradores de Javé, ambos em parceria com Eliane Caffé. Na televisão, participou das microsséries Hoje é Dia de Maria, A Pedra do Reino, Capitu e da novela Velho Chico.


Serviço
Luís Alberto de Abreu na Célia Helena
Terça-feira, dia 26 de maio
Local: Escola Superior de Artes Célia Helena
Endereço: Av. São Gabriel, 462, Itaim Bibi, São Paulo (SP)

Palestra “A Função Mítica do Ator”
Horário: 19h00 às 20h30
Atividade voltada a estudantes do Célia Helena e convidados

Lançamento de "Viva o Teatro! e Outras Crônicas"
Horário: 20h30 às 22h30

sábado, 23 de maio de 2026

.: Luiz Fernando Guimarães e Letícia Augustin na comédia “Curto-Circuito”


O espetáculo dirigido por Gustavo Barchilon estreia dia 16 de maio, em São Paulo, com 06 sessões aos finais de semana. Foto: Edgar Machado

Diferentes personagens se expõem em hilárias situações-limite de suas “pequenas grandes” vidas: um paciente prestes a ser “trancado” no tubo da ressonância magnética; um estudante que não sabe nada da matéria na hora da prova do Enem; um comissário de bordo em um voo com turbulência; uma celebridade, a 10 metros de altura, sendo homenageada por uma escola de samba; um indivíduo enfrentando a pressão de uma urina que teima em não sair no mictório masculino; um insone que luta para dormir antes que a manhã chegue. Dando vida a tudo isso e costurando as histórias, a mente ativa e hilária de um dos maiores atores do Brasil: Luiz Fernando Guimarães, que divide a cena com Leticia Augustin. Esse é o ponto de partida de ‘Curto-Circuito’, escrita por Gustavo Pinheiro especialmente para celebrar os 50 anos de carreira do ator. Após temporada de estreia no Rio de Janeiro, o espetáculo, dirigido por Gustavo Barchilon, chega a São Paulo para sua segunda temporada, em cartaz, no Teatro Renaissance. Serão no total seis sessões aos fins de semana.

Para comemorar o meio século de carreira, iniciada no grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone com a montagem de “O Inspetor Geral” (1974), Luiz se cerca de figuras fundamentais em sua história (com participações em áudios de grandes amigas e parceiras de cena, como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Debora Bloch, Regina Casé, Patrycia Travassos), sem deixar de abrir os braços para as próximas gerações, dividindo a cena com a jovem Leticia Augustin que, entre outras intervenções, interpreta a amígdala cerebral do ator, prestes a pedir as contas e ir embora, exausta de viver dentro de uma mente que não para de pensar. “O Luiz tem uma coisa muito engraçada: um pensamento meio torto, nada óbvio e hilário para as coisas mais simples da vida. À medida em que ia conversando com ele, trocando ideia, me divertindo horrores, foi me caindo essa ficha: o jeito de ser e pensar do Luiz também tem que ser um personagem, tem que estar em cena. Então propus a ele uma comédia que se passa dentro da cabeça dele. Esse era o ponto de partida para aparecerem os personagens”, explica Gustavo Pinheiro. “Para mim, é uma enorme honra e alegria estar dividindo a cena e aprendendo com um dos maiores atores e comediantes do Brasil”, diz Leticia, em sua segunda incursão no teatro.

A escolha do texto se deu também por uma admiração mútua entre Luiz Fernando Guimarães e o autor. “Eu não escolhi. Na verdade, a peça me escolheu. Sempre procuro me associar a pessoas que eu tenho como exemplo. Já estava namorando o Gustavo, tenho acompanhado as peças que ele escreveu. Eu falei: ‘Gustavo, eu tenho muita vontade de trabalharmos juntos’. E eu acredito que a gente tenha muita coisa em comum. Ele tem uma brilhante escrita, é dinâmica, profunda, saborosa, divertida. Eu sou fã dele. Ele me trouxe esse texto sensacional, que foi amor à primeira vista”, explica Luiz Fernando. “Quando entreguei o texto, lemos juntos, demos muitas risadas e acho que consegui o meu principal objetivo: fazer uma dramaturgia que traduza o humor do Luiz”, celebra Gustavo Pinheiro.

Gustavo Barchilon também não esconde o entusiasmo com o texto e com o reencontro com o ator. “O que me atraiu foi justamente a oportunidade de revisitar o besteirol, do qual Luiz Fernando é uma das referências no gênero. Esse teatro tinha uma comunicação muito forte com o público jovem que, hoje em dia, já é adulto e trouxe um frescor que até hoje ecoa. Montar uma peça com ele é, para mim, uma forma de celebrar não só a carreira dele, mas os 45 anos do besteirol no Brasil”, exalta. “É um mergulho no espírito do besteirol, um teatro que nasceu da irreverência carioca, cheio de humor ácido, paródia e crítica social disfarçada de bobagem. É uma comédia que faz rir, mas também expõe nossas ansiedades e neuroses contemporâneas. O besteirol está em alta lá fora e aqui também começa a voltar, é um gênero que fala com o presente, que desarma o público e cria novas pontes com quem talvez não estivesse indo ao teatro”, acrescenta o diretor.

50 anos de carreira é um momento ímpar e Luiz Fernando Guimarães fez questão de voltar aos palcos com um texto inédito para essa celebração. “50 anos de carreira, matematicamente falando, têm um significado muito importante, porque 50 é metade de 100. E, diferente de todas as outras comemorações, é uma data para mim muito expressiva. Eu sempre procurei estar perto de pessoas que eu admiro e tenho como exemplo seguir”, afirma o ator.

A retomada da parceria com o diretor vem exatamente desse desejo de estar cercado de pessoas que admira, especialmente em uma data tão importante. “O Gustavo Barchilon foi realmente um encontro de almas, tivemos muita sintonia. Ele me convidou há um tempo para fazer ‘Ponto a Ponto’, que foi uma peça sensacional, um momento muito gostoso que a gente viveu. Ele é um diretor moderno, que está sempre à procura de soluções. É muito bom trabalhar com ele e vê-lo se divertindo, trocando com os atores, e eu me divertindo com a direção dele”, exalta Luiz Fernando.

Para Gustavo Barchilon esse reencontro também é muito importante. “Eu e o Luiz tivemos afinidade desde o nosso primeiro processo. Temos um humor parecido, gostamos das mesmas coisas e nosso dia a dia juntos é muito prazeroso. A minha função como diretor é conduzir o ritmo, as pausas, as respirações e criar o espaço para que ele brilhe. Como sempre, Luiz é generoso e, mesmo com tantos anos de carreira, ele gosta de ser dirigido, gosta quando marco intenções e proponho caminhos. Nossa troca é leve, divertida e, ao mesmo tempo, muito rica”, revela.

A história da comédia brasileira se entrelaça com a trajetória do ator Luiz Fernando Guimarães. Seja em momentos icônicos do teatro como o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone ou a montagem das peças "Fica Comigo Esta Noite" e "5x Comédia"; seja em clássicos do humor na televisão como "TV Pirata", "Brasil Legal", "Os Normais", "Programa Legal", "Vida ao Vivo Show", entre outros. “O Luiz é herói da minha infância e juventude! Ele estava em tudo que eu amava ver! Esse espetáculo é uma declaração de amor ao Luiz, ao jeito hilário de ser e pensar desse gênio, que faz o Brasil rir há cinco décadas”, celebra Gustavo Pinheiro. “A genialidade cômica do Luiz transforma qualquer direção em algo muito melhor”, exalta Gustavo Barchilon.


Serviço
Espetáculo "Curto Circuito"
Local: Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233 – São Paulo / SP
Temporada até dia 31 de maio
Dias e horários: sábados, às 21h00, e domingos, às 18h30
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.