“O Menor Palco do Mundo”, primeiro solo de Vladimir Brichta, transforma cartas, histórias e imaginação em uma reflexão sobre paternidade, distância, afeto e reconstrução dos vínculos. Foto: Julia Mataruna
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sábado, 12 de setembro de 2026
.: Vladimir Brichta em “O Menor Palco do Mundo” leva a paternidade ao teatro
“O Menor Palco do Mundo”, primeiro solo de Vladimir Brichta, transforma cartas, histórias e imaginação em uma reflexão sobre paternidade, distância, afeto e reconstrução dos vínculos. Foto: Julia Mataruna
terça-feira, 8 de setembro de 2026
.: “Sobre Poetas e Heresias” leva poesia, humor e ironia ao Sesc Pinheiros
Espetáculo com Jairo Mattos e direção de Carlo Milani aproxima Fernando Pessoa, Padre Antônio Vieira e outros autores em uma montagem que transforma literatura em jogo cênico. Foto: Adriano Escanhuela
Em cena, Mattos interpreta um bufão contemporâneo que assume a função de mestre de cerimônias e comentarista. Diante do público, ele revisita versos, pensamentos e discursos de diferentes épocas, conduzindo a narrativa com ironia e questionamentos. Sermões e poemas ganham novas possibilidades ao serem transformados em ações cênicas, comentários e situações marcadas pelo humor. A dramaturgia, alinhavada por Aloysio Burtin, coloca lado a lado autores de períodos e contextos distintos para abordar temas como poder, fé, amor e ódio. A palavra ocupa o centro da montagem e serve como ponto de partida para um diálogo entre diferentes vozes da literatura.
Ficha técnica
Serviço
.: “Nós, Ursos” leva ao teatro um amor que amadureceu em segredo
Espetáculo dirigido por André Corrêa adapta romance de Gilvan Azevedo e coloca em cena dois homens maduros diante das escolhas que fizeram — e das que ainda desejam fazer. Foto: Daniela Ferreira
O que acontece quando a vida construída durante décadas começa a pedir uma revisão de roteiro? É dessa inquietação que parte “Nós, Ursos”, espetáculo que chega ao Teatro Commune, em São Paulo, com direção de André Corrêa e adaptação teatral assinada pelo escritor Gilvan Azevedo. A montagem, que segue em cartaz até dia 27 no Teatro Commune, reúne no elenco o próprio autor e Mauricio Constantino, seu marido e parceiro na criação da Cia. Salor. O espetáculo adapta o romance “Éramos Ursos e Não Sabíamos”, obra que conquistou leitores ao tratar de amor, identidade e reinvenção na maturidade. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 20h00.
Em cena, Saulo e Rodney são dois homens maduros que passaram boa parte da vida seguindo os caminhos que pareciam previamente traçados. Pais de família, profissionais estabelecidos e acostumados a atender às expectativas alheias, eles se conhecem quando já carregam no currículo afetivo uma boa coleção de responsabilidades, escolhas e renúncias. A aproximação começa entre mensagens, viagens e encontros escondidos. Aos poucos, a relação ganha espaço e se transforma em algo difícil de manter nos bastidores. O romance passa então a conviver com afastamentos, conflitos internos, pressões familiares e as pequenas vitórias de quem decide, finalmente, olhar para a própria vida com outros olhos.
Misturando humor, drama e poesia, “Nós, Ursos” aborda amor, paternidade, masculinidades, liberdade, envelhecimento, desejo e reinvenção na vida adulta. A montagem também coloca em evidência relações LGBTQIA+ maduras, tema ainda pouco explorado pela dramaturgia brasileira contemporânea. Gilvan Azevedo, além de adaptar o romance, interpreta um dos protagonistas ao lado de Mauricio Constantino. A passagem da literatura para o palco nasceu da vontade de investigar o que o teatro poderia acrescentar à história.
"O teatro tem a capacidade de tornar visíveis conflitos que, no romance, acontecem dentro dos personagens. A adaptação não surgiu do desejo de ilustrar o livro, mas de explorar aquilo que o palco pode revelar de maneira única", afirma Gilvan Azevedo. Na direção, André Corrêa concentra a encenação nas relações entre os personagens e na passagem do tempo. A proposta combina interpretação, projeções e desenho de som, mantendo os atores e os vínculos estabelecidos entre eles no centro da narrativa.
"Vejo 'Nós, Ursos' como uma história sobre pessoas que chegam a um determinado momento da vida e precisam lidar com escolhas feitas, caminhos abandonados e possibilidades que ainda permanecem abertas. Buscamos uma encenação simples, focada nos atores e nos vínculos que eles constroem, combinando interpretação, projeções e desenho de som para ampliar a experiência emocional do público", afirma o diretor. O título da peça remete à cultura bear, surgida nos Estados Unidos na década de 1980 e difundida no Brasil a partir dos anos 1990.
Na comunidade LGBTQIA+, "urso" identifica homens gays ou bissexuais associados a corpos robustos, pelos e barbas. A expressão também carrega ideias de acolhimento, autenticidade e pertencimento. A referência serve de ponto de partida para ampliar a conversa sobre corpos, afetos e diferentes formas de masculinidade, longe de caricaturas e estereótipos. "A peça apresenta dois homens gays, mas não pretende transformar a sexualidade no único eixo de leitura desses personagens. Eles também são filhos, pais, profissionais, amigos, pessoas tentando conciliar expectativas externas e necessidades internas", afirma Gilvan Azevedo.
O escritor vê na trajetória de Saulo e Rodney uma história capaz de conversar com questões que vão muito além da experiência específica dos protagonistas. "Por isso, embora a história parta de uma experiência específica, acredito que ela dialoga com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se a vida que construiu corresponde à vida que deseja viver”. Publicado inicialmente no Brasil e posteriormente lançado em inglês com o título “We Were Bears and Didn't Know”, o romance reúne leitores interessados em temas como identidade, afeto, corpo, pertencimento e as possibilidades que surgem depois dos 40 anos.
A adaptação marca, portanto, uma nova etapa para uma história que nasceu nas páginas de um livro e agora ganha corpo, voz e presença no palco. Porque algumas histórias de amor podem até demorar para começar. O problema é convencer o coração de que ele deveria continuar esperando. “Nós, Ursos” é uma produção da Cia. Salor, criada por Gilvan Azevedo e Mauricio Constantino a partir da experiência da Editora Salor. A companhia desenvolve projetos que aproximam literatura, teatro e outras linguagens artísticas.
“Éramos Ursos e Não Sabíamos” transforma crise de identidade em romance sobre liberdade
Publicado em 2024, o romance “Éramos Ursos e Não Sabíamos”, de Gilvan Azevedo, acompanha dois homens maduros inseridos no universo corporativo de São Paulo e diante de uma pergunta que costuma chegar sem convite: e se a vida que deu certo para todo mundo estiver errada para quem a vive?
Rodney é um executivo bem-sucedido, mas enfrenta um casamento desgastado e desejos que permanecem escondidos. A rotina ganha outro contorno quando ele conhece Paulo, também executivo e marcado por uma formação familiar conservadora. A aproximação entre os dois provoca uma sucessão de questionamentos sobre identidade, desejo, autonomia e as escolhas feitas ao longo da vida.
Com 213 páginas, o livro combina romance, conflitos familiares, discussões filosóficas e situações do cotidiano para acompanhar personagens que precisam decidir entre a segurança de uma existência conhecida e os riscos de uma vida mais autêntica. O título faz referência à cultura bear e à descoberta tardia de uma identidade que esteve ali o tempo todo, ainda que os próprios personagens não soubessem reconhecê-la.
A obra, que deu origem ao espetáculo “Nós, Ursos”, também propõe uma reflexão sobre o envelhecimento e as possibilidades de recomeço depois dos 40. Afinal, amadurecer pode trazer rugas, boletos e algumas certezas — mas também a coragem de descobrir que ainda há tempo para mudar o roteiro. Compre o livro “Éramos Ursos e Não Sabíamos”, de Gilvan Azevedo, neste link.
Ficha técnica
Espetáculo "Nós, Ursos"
Direção: André Corrêa. Texto e adaptação teatral: Gilvan Azevedo. Elenco: Mauricio Constantino e Gilvan Azevedo. Produção: Cia. Salor. Figurinos e preparação corporal: Lu Castro. Desenho de iluminação: Rodrigo Pivetti. Desenho de som e projeções: Giba. Coordenação de produção: Lu Castro. Assistência de produção: Diogo Castro. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli. Design gráfico: Werner Schultz. Fotos e filmagens: Daniela Ferreira. Realização: Cia. Salor. Apoios: Carne Fresca Clothing, Planeta’s Restaurante, Cantina Luna di Capri, Piolin, Instituto Marcio Kozonara e ABC Bailão.
Serviço
Espetáculo “Nós, Ursos”
Temporada: de 8 de agosto a 27 de setembro de 2026. Sessões: sábados e domingos, às 20h00. Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 70 minutos. Ingressos: R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia-entrada). Vendas: Sympla - https://www.sympla.com.br/evento/nos-ursos/3453018. Teatro Commune | Rua da Consolação, 1218, Consolação / São Paulo. Próximo à estação Higienópolis-Mackenzie.
sábado, 5 de setembro de 2026
.: “Nefelibato” retorna a São Paulo e coloca a loucura diante do espelho
Monólogo de Regiana Antonini, estrelado por Luiz Machado, investiga os limites entre lucidez e loucura e volta ao Teatro B32 para temporada de 4 a 27 de setembro. Foto: Claudia Ribeiro
A medida econômica mergulhou milhares de brasileiros em desespero e levou muitos à bancarrota. Anderson foi um deles. Perdeu o negócio, uma pessoa querida, um grande amor e, depois de tudo isso, acabou nas ruas. Entre a realidade e a imaginação, passa a perambular carregando consigo aquilo que restou de seu mundo. É nesse território de fronteira que “Nefelibato” encontra sua força. A peça investiga o quanto de loucura pode existir como mecanismo de sobrevivência e até onde alguém consegue ir para continuar vivo. Para Anderson, a rua se transforma numa espécie de refúgio possível diante de uma existência que deixou de caber nos moldes convencionais.
“O público fica muito impactado, pois o espetáculo reflete uma realidade que tentamos fazer invisível, mas que está sempre à disposição de nossos olhos. Então, é muito interessante quando a plateia percebe que a atitude do personagem é consequência de um ato político e se aproxima ainda mais desta verdade social em que vivemos”, afirma Luiz Machado. O ator conta que se encantou pelo personagem desde o primeiro contato com o texto. "A história de Anderson me fascinou completamente, pois é um personagem que vive no limite da vida e do sonho, entre a lucidez e a loucura", conclui.
Fernando Philbert define a montagem como uma mistura de realidade, fantasia, humor e poesia, tendo como centro um personagem que carrega o próprio universo em um carrinho e, ao mesmo tempo, dentro de si. “Um fato real, que se mistura com a nuvem da fantasia, do drama, do épico, do louco, do homem, do ‘Nefelibato’ que mora na praça que cada um possui no meio do peito. O projeto ‘Nefelibato’ é um espetáculo teatral da dimensão humana que se refaz no humor, na poesia, na força, na busca por um lugar no mundo, seja o mundo real ou mundo imaginário. Este personagem que carrega seu próprio mundo em um carrinho, que tem seu próprio mundo dentro de si, vai como Dom Quixote, como Hamlet, como o capitão Ahab de “Moby Dick” à procura de sua baleia branca, em busca de enfrentar seus moinhos e demônios para ser feliz. Sim, ser feliz é o que todos queremos, este singelo momento que justifica a vida, sorrir ao acordar”, assim o diretor Fernando Philbert discorre sobre o tema da peça.
A trajetória de Anderson também coloca em cena uma pergunta incômoda: o que acontece quando a sociedade empurra alguém para fora dela e depois finge que não viu? Ao transformar a rua em escolha de sobrevivência, o personagem expõe as consequências de uma realidade social que costuma ser empurrada para debaixo do tapete. Com uma única pessoa em cena, Luiz Machado sustenta o espetáculo e transforma a instabilidade emocional do personagem em matéria teatral. A atuação foi reconhecida com indicação ao Prêmio Cenym de melhor ator e com o Prêmio Aplauso Brasil, na categoria especial de Destaque do Ano.
Ficha técnica
Espetáculo "Nefelibato"
Texto: Regiana Antonini. Supervisão artística: Amir Haddad. Direção: Fernando Philbert. Interpretação: Luiz Machado. Direção de produção: Gerardo Franco. Cenografia e figurino: Teca Fichinski. Iluminação: Vilmar Olos. Músicas: Maíra Freitas. Direção de movimento: Marina Salomon. Preparação vocal: Edi Montecchi. Design gráfico: Cláucio Sales. Assistente de direção: Alexandre David. Assistente de cenário: Juju Ribeiro. Realização: LM Produções Artísticas. Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro.
Serviço
Espetáculo "Nefelibato"
Teatro B32 | Espaço Experimental | Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi / São Paulo
Temporada: 4 a 27 de setembro, às 20h00. Domingos, às 18h00. Ingressos: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia-entrada). Classificação: 14 anos. Duração: uma hora. Lotação: 70 lugares. Atenção: não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
.: Crítica de teatro: "Adulto" faz da culpa o melhor espetáculo de todos os tempos
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
Fran Ferraretto já contou em entrevista que uma das personagens dos sonhos dela é Blanche DuBois, de "Um Bonde Chamado Desejo". Em "Adulto" - espetáculo que volta para quatro apresentações gratuitas no Itaú Cultural, em São Paulo, dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00 - ela parece ter criado e escrito para ela mesma a própria Blanche, em uma personagem que lhe caiu como uma luva.
Em comum com a personagem do clássico de Tennessee Williams está Sara, uma mulher cheia de contradições, desejos, fragilidades, força, culpa e uma capacidade desconcertante de continuar funcionando quando tudo ao redor já deveria ter desabado. Foi no Sesc Santos que assistimos à montagem, e fica difícil sair dela sem pensar nas próprias escolhas - inclusive naquelas em que grande parte do público prefere esquecer.
"Adulto" é daqueles espetáculos em que o espectador ri para, logo depois, perceber que está vendo graça em alguma coisa dolorosamente familiar. O texto de Fran Ferraretto tem essa habilidade, já que ela trata de assuntos espinhosos com leveza, inteligência e uma acidez que chega na hora certa. Não há necessidade de transformar os personagens em exemplos de comportamento ou em vilões de ocasião. Eles erram, mentem, desejam e se arrependem, mas também tentam justificar o injustificável.
A história acompanha dois casais de amigos envolvidos em uma crise que começa a revelar problemas antigos. João (Iuri Saraiva) e Sara (Fran Ferraretto) enfrentam uma crise conjugal, enquanto a chegada de Vitor (Sidney Santiago Kuanza) e Paula (Jennifer Souza) provoca novas discussões sobre amor, fidelidade, monogamia, maternidade, machismo, dinheiro e saúde mental. A dramaturgia ainda brinca com a própria construção da peça teatral, criando, de maneira mais do que genial, uma segunda camada em que uma das personagens escreve a ficção que o público está assistindo.
Fran sabe escrever personagens que estão longe de qualquer perfeição. Por isso é impossível não reconhecer alguma coisa de si em pelo menos algum desses personagens. O elenco está muito afiado e os atores conseguem ir do humor à intensidade em questão de segundos, sem que nenhuma mudança pareça calculada. Cada personagem possui uma personalidade muito própria, e o quarteto de atores encontra diferentes caminhos para mostrar força, fragilidade, arrogância, medo, culpa e revanchismo.
Iuri Saraiva, o nosso Johnny Deep brasileiro devido à versatilidade com que encara cada papel, começa com uma leveza despretensiosa e vai ganhando contornos cada vez mais complexos. É uma atuação que cresce diante do público e chega a um estado de perturbação bastante palatável, porque reconhecível. É aquele sujeito que poderia estar sentado ao lado de qualquer um, tomando uma cerveja e contando uma história que certamente teria outra versão se fosse narrada pela pessoa envolvida.
Sidney Santiago Kuanza tem uma presença que eleva qualquer montagem. Aqui, encontra um material à altura do próprio talento e constrói um personagem que sabe incomodar sem precisar forçar a mão. Jennifer Souza, por sua vez, é uma força da natureza. Pequena fisicamente, fica gigantesca quando entra em cena. O carisma é imediato, mas ela não depende dele: existe domínio de ritmo, precisão e uma capacidade impressionante de sustentar as mudanças da personagem.
Fran Ferraretto completa esse quarteto com uma atuação que confirma uma coisa que já se percebia em trabalhos anteriores: ela entende profundamente as mulheres que escreve. Depois de abordar o relacionamento abusivo para crianças em "A Minicostureira" e discutir desigualdade social no espetáculo infantil "Rua", a dramaturga encontra em "Adulto" um terreno mais complexo para falar sobre relações entre pessoas que deveriam saber melhor o que estão fazendo.
Além disso, Fran merece ser cada vez mais reconhecida como dramaturga. Existe uma inteligência rara no modo dela abordar temas delicados sem tratar o público como criança. Ela sabe onde colocar o dedo na ferida e, principalmente, quando tirá-lo. O resultado é um texto ácido, divertido e emocionalmente desconfortável na medida certa. A direção de Lavínia Pannunzio mantém o espetáculo em movimento e impede que a discussão sobre relacionamentos vire uma sucessão de discursos. A montagem lembra, em alguns momentos, a tensão do cinema em "Closer: Perto Demais", a atmosfera do recente drama "O Convite" e até a maneira como "Flores de Aço" transforma relações pessoais em matéria dramática. São referências que ajudam a localizar a peça, mas "Adulto" tem a própria mensagem.
No fundo, é um espetáculo sobre culpa, seja essa a de trair, a de permanecer, a de desejar, a de mentir, a de não saber amar e a de não conseguir fazer diferente. Também é sobre a tentativa de reparar aquilo que foi quebrado. Porque crescer, em qualquer idade, dói, já que continuar crescendo é uma das poucas obrigações que ninguém consegue terceirizar. A imagem do casaco amarelo, presente do início ao fim do espetáculo, resume isso de maneira especialmente bonita. Depois de ser lavado, ele passa a carregar o cheiro dela. É um detalhe simples, mas poderoso: aquilo que carregava a marca de outra pessoa volta a pertencer a quem o veste. "Adulto" afirma e reafirma que algumas coisas se consertam depois de quebradas. Outras mudam de forma. E algumas, depois de lavadas, finalmente voltam a ter o nosso próprio perfume.
Ficha técnica
Espetáculo "Adulto"
Texto e idealização: Fran Ferraretto. Direção: Lavínia Pannunzio. Elenco: Fran Ferraretto, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza. Desenho de luz: Gabriele Souza. Trilha sonora e operação de som: Rafael Thomazini. Cenário: Mira Andrade. Figurino: Anne Cerutti. Design gráfico: Murilo Thaveira. Fotos: Julieta Bacchin. Visagismo: Louise Helène. Operação de luz: Carol Dourado. Técnico de montagem: Diego França. Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo. Estratégia digital e social media: Fernanda Pilotto. Direção de produção: Paula Malfatti. Coordenação de produção: FATTO Realizações. Gestão administrativa: Mava Produções. Assessoria jurídica: José Otávio V. de S. Ferreira S.I. Advocacia. Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso e Salão Pier A.
Serviço
Espetáculo "Adulto" no Itaú Cultural
Dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00.
Avenida Paulista, 149 - São Paulo.
Apresentações gratuitas.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
.: Musical "Percy Jackson - O Ladrão de Raios" promete superprodução
Musical inspirado na obra de Rick Riordan estreia em outubro, em São Paulo, com centauro animatrônico, 60 figurinos, 3 toneladas de cenário e elenco que reúne João Lucas, Marianna Alexandre, Fernando Caruso e Caio Paduan
Prepare os deuses, os semideuses e principalmente os fãs de Percy Jackson. O universo criado pelo escritor Rick Riordan ganha a primeira montagem autorizada na América Latina com "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical", que estreia no dia 10 de outubro, no Teatro Liberdade, em São Paulo. Sucesso nos palcos da Broadway e do West End, o espetáculo combina mitologia grega, humor, rock e aventura para contar a história de Percy, adolescente que descobre ser filho de Poseidon e, de quebra, recebe a pequena tarefa de impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo. Nada muito complicado para quem ainda está tentando sobreviver à adolescência.
O elenco brasileiro reúne João Lucas como Percy Jackson, Marianna Alexandre no papel de Annabeth Chase, Fernando Caruso como Sr. D e Caio Paduan interpretando Poseidon. A direção-geral é de Daniel Salve e a direção musical, de Rafael Marão. A versão brasileira chega pelas mãos da Lab Cultural, responsável pela adaptação e pela montagem oficial em português. A produção promete números robustos: são mais de três toneladas de cenário, 18 atores em cena, 60 figurinos e 15 perucas. E a mitologia ganha reforço tecnológico. Entre as atrações estão um centauro animatrônico criado e operado ao vivo, efeitos de ilusionismo desenvolvidos especialmente para a montagem e um sistema de projeção com 60 mil lumens de potência visual.
A história de Percy Jackson já conquistou leitores, espectadores e uma legião de fãs ao redor do mundo. A franquia também ganhou novo fôlego com a série do Disney+, cuja segunda temporada estreou no fim de 2025. O Brasil, por sua vez, ocupa a segunda posição entre as maiores bases de fãs da saga. Nos palcos, a aventura começou nos Estados Unidos em 2014, em uma produção off-Broadway. Em 2017, o musical chegou à Broadway, recebeu elogios da crítica e foi indicado ao Drama Desk Award. Em 2024, a produção desembarcou no West End, em Londres, onde também conquistou a crítica e passou a integrar uma turnê internacional.
Adaptado do best-seller de Rick Riordan por Joe Tracz, roteirista de Be More Chill, o musical conta ainda com uma trilha de rock assinada por Rob Rokicki. O resultado coloca deuses, monstros e adolescentes em uma mesma equação — combinação que, convenhamos, dificilmente poderia terminar em paz. "Poucas histórias conseguem unir de forma tão poderosa o imaginário dos livros, a emoção das telas e a energia do palco. Percy Jackson faz isso com verdade e sensibilidade — despertando o desejo por conhecimento, imaginação e pertencimento. Ver essa jornada chegar aos palcos brasileiros é celebrar o poder da arte de emocionar, formar e conectar gerações", afirma José Toro, CEO da Lab Cultural.
Com direção-geral de Daniel Salve, "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical" chega a São Paulo apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com patrocínio master da farmacêutica EMS, apoio da BOSCH e Rio Branco, GOL como companhia aérea oficial e Apê Smart como hotelaria oficial. A produção também conta com apoio de mídia de Omelete, Terra, Uol, Cena Musical, ASR Mídia, Zanzar e Editora Intrínseca. Compre os livros de Rick Riordan neste link.
Serviço"Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical"Local: Teatro LiberdadeRua São Joaquim, nº 129 - Liberdade - São PauloAbertura da casa: 1 hora antes do início do eventoData: a partir de 10 de outubro de 2026Duração: 2 horasClassificação: livreIngressos on-line pelo site oficial de vendas. Ingressos físicos na bilheteria do Teatro Liberdade serão vendidos de terça a sábado, das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, das 13h00 até o início da apresentação. Em dias de espetáculos, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação.
O elenco brasileiro reúne João Lucas como Percy Jackson, Marianna Alexandre no papel de Annabeth Chase, Fernando Caruso como Sr. D e Caio Paduan interpretando Poseidon. A direção-geral é de Daniel Salve e a direção musical, de Rafael Marão. A versão brasileira chega pelas mãos da Lab Cultural, responsável pela adaptação e pela montagem oficial em português. A produção promete números robustos: são mais de três toneladas de cenário, 18 atores em cena, 60 figurinos e 15 perucas. E a mitologia ganha reforço tecnológico. Entre as atrações estão um centauro animatrônico criado e operado ao vivo, efeitos de ilusionismo desenvolvidos especialmente para a montagem e um sistema de projeção com 60 mil lumens de potência visual.
.: No teatro J. Safra, "Os Perrengues do Mallandro" leva histórias inéditas
Sérgio Mallandro revisita situações inusitadas da carreira e do cotidiano em espetáculo de stand-up que acontece no dia 12 de setembro, em São Paulo
.: "Teatro em Três Pernas" transforma 40 anos de palco em poesia na Bienal
Marcelo Lazzaratto reúne quatro décadas de teatro em 40 poemas e participa de sessão de autógrafos neste sábado, 5 de setembro, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Foto: João Caldas
.: Teatro: “O Convite” ganha montagem brasileira após sucesso no cinema
Peça espanhola que conquistou o público nos palcos e virou filme de sucesso chega ao teatro brasileiro pelas mãos de Marcos Veras e do produtor Carlos Grun. Fotos: divulgação
Do cinema para os palcos brasileiros. Depois de conquistar o público em diferentes versões e ganhar uma adaptação cinematográfica de sucesso, “O Convite” prepara a primeira montagem brasileira da peça espanhola “Los Vecinos de Arriba”. Os direitos da obra foram adquiridos pelo ator Marcos Veras em parceria com o produtor Carlos Grun, que conheceu o texto no início deste ano, durante uma temporada em Portugal com Mateus Solano. Na ocasião, a versão teatral ainda não havia chegado ao cinema.
“O Convite” transforma jantar entre vizinhos em crise de relacionamento
.: "Egoísta" leva mulher negra, viagens e liberdade ao palco da CAIXA Cultural SP
Espetáculo protagonizado por Ana Marlene transforma a história real da cearense Josefa Feitosa em uma conversa sobre maternidade, etarismo e o direito de escolher o próprio caminho
Uma história que encontrou o teatro
Espetáculo "Egoísta"
terça-feira, 18 de agosto de 2026
.: Raul Barretto estreia “Despalhaço” e revisita 44 anos de carreira em SP
Em primeiro solo adulto de sua trajetória, artista reúne teatro, circo, improvisação e audiovisual para refletir sobre tempo, envelhecimento, memória e o futuro da arte
Com 44 anos de carreira dedicados ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto transforma a própria trajetória em matéria-prima para “Despalhaço”, primeiro espetáculo solo adulto dele e também seu primeiro texto de autoria. A montagem estreia no dia 27 de agosto, no Auditório do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e segue em cartaz até 5 de setembro. Barretto assina o texto, a atuação, a criação e a direção do espetáculo, que combina teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais.
Próximo dos 70 anos, o artista revisita experiências pessoais e mudanças vividas pela sociedade para colocar em discussão temas como passagem do tempo, envelhecimento, longevidade, memória e a permanência do artista em cena. A montagem integra as comemorações dos 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual Barretto faz parte ao lado de Hugo Possolo. O trabalho também chega 15 anos depois de “O Bricabraque”, seu primeiro solo voltado ao público infantil.
A relação do artista com a formação e a difusão teatral também atravessa a criação. Barretto é sócio cofundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena há 16 anos a Linha de Estudo em Humor. Em “Despalhaço”, essas experiências ganham novas camadas ao colocar em perspectiva o caminho percorrido e as transformações observadas dentro e fora dos palcos. A passagem do tempo aparece como um dos principais motores da dramaturgia, que também lança questões sobre o futuro em uma sociedade marcada pela velocidade e pela fragmentação.
A narrativa se desenvolve em três planos temporais. No passado, Barretto recupera episódios de sua trajetória e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente abre espaço para assuntos como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e o papel social do artista. Já o futuro surge como território de dúvidas, possibilidades e novas formas de pensar a relação entre humanidade e planeta. “O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.
A encenação aposta também no repertório circense do artista. Texto e improvisação dividem espaço com malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário de Diego Dac tem um tecido como elemento central, assumindo diferentes funções ao longo da apresentação. Projeções audiovisuais acompanham a encenação e incorporam imagens, vídeos e depoimentos relacionados à trajetória de Barretto.
A pesquisa para a criação percorre diferentes campos do conhecimento e reúne referências como o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan, estudos sobre a formação das sociedades humanas, povos indígenas, consciência e inteligência. O espetáculo também estabelece diálogos com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.
O próprio título “Despalhaço” aponta para as transformações vividas pelo artista ao longo da vida e para a maneira como a palhaçaria continua presente nesse percurso. Para Barretto, preservar o olhar do palhaço significa manter viva uma combinação de inocência, crítica e disposição para o encontro. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, afirma.
Ficha técnica
Peça teatral “Despalhaço”
Texto, atuação e criação: Raul Barretto.
Preparação de ator e direção de cena: Antônio Januzelli
Assistência de direção: Helena Cerello.
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.
Cenário e adereços: Diego Dac, Luana Miyamoto e Xapiri Ateliê Artístico.
Figurino: Claudia Schapira.
Projeto de som e trilha sonora: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Iluminação e técnica de luz: Reynaldo Thomaz.
Projeto multimídia e audiovisual: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Colaboração no projeto multimídia e audiovisual: Marcelo Machado.
Técnica de audiovisual: Deivison Nunes.
Provocação artística: Suzana Aragão.
Arte gráfica: Werner Schulz.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Realização: Sesc.
Produção geral: Companhia Vadabordo e Rodri Produções.
Serviço
Peça teatral “Despalhaço”
Estreia: 27 de agosto de 2026
Temporada: de 27 de agosto a 5 de setembro de 2026
Dias e horário: quinta a sábado, às 20h30
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Sesc Vila Mariana – Auditório (Torre A, 1º andar)
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Capacidade: 130 lugares
Ingressos: R$ 15,00 (credencial plena), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (inteira)
Vendas: sescsp.org.br/programacao/despalhaco
Disponível para compra on-line a partir de 18 de agosto, às 17h00.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
.: "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" desloca o olhar de Shakespeare
Espetáculo protagonizado por Aretha Sadick transforma a personagem de William Shakespeare em ponto de partida para discutir poder, raça, desejo, violência e os caminhos percorridos por quem decide conquistar um lugar de comando. Foto: Cacá Bernardes | Bruta Flor Filmes
A atriz Aretha Sadick protagoniza "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder", espetáculo que revisita uma das personagens mais marcantes de William Shakespeare a partir de uma perspectiva contemporânea. Com direção cênica e de movimento de Tainara Cerqueira e tradução e adaptação de Rodrigo França, a montagem estreia no Sesc Ipiranga nesta sexta-feira, 21 de agosto, e segue em cartaz até 13 de setembro de 2026. A pergunta que conduz a peça é direta: o que uma pessoa está disposta a fazer para chegar ao poder? E, depois de conquistar aquilo que tanto desejou, o que acontece?
O poder começa no corpo
Figurino acompanha a ascensão
Sobre Aretha Sadick
Ficha técnica
Serviço
domingo, 16 de agosto de 2026
.: " João, Joãozinho, Joãozito" transforma infância de Guimarães Rosa em musical
"João, Joãozinho, Joãozito" estreia em 29 de agosto e revisita os primeiros anos de Guimarães Rosa em uma montagem que mistura literatura, música, bonecos e cultura popular brasileira. Foto: Alê Catan
A criança curiosa que descobria o mundo entre livros, animais, histórias e brincadeiras ganhou um novo lugar na cena paulistana. "João, Joãozinho, Joãozito", musical inédito inspirado no livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, estreia em 29 de agosto no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp. Com direção artística, texto e adaptação de Marcio Araújo, a montagem acompanha os primeiros anos de João Guimarães Rosa (1908-1967), antes de o menino de Cordisburgo se tornar um dos nomes fundamentais da literatura brasileira.
A temporada segue até 13 de dezembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 11h00, e aos sábados e domingos, às 15h. Aos fins de semana, todas as apresentações contam com interpretação em Libras e audiodescrição. A produção foi idealizada por Daniel Palmeira e nasceu de sete anos de pesquisa dedicados a construir uma linguagem capaz de aproximar o universo de Guimarães Rosa do público infantil.
A história parte da infância do escritor em Minas Gerais e acompanha sua trajetória desde o nascimento até a mudança para Belo Horizonte. Livros, bichos, natureza, línguas, brincadeiras e as histórias que circulavam em sua cidade natal formam o território de descobertas do pequeno João. A montagem transforma essas experiências em uma aventura musical sobre curiosidade, imaginação e conhecimento.
A relação entre o menino e o futuro escritor também aparece na dramaturgia por meio de referências ao universo literário de Rosa. Elementos associados a "Grande Sertão: Veredas" e um amigo imaginário inspirado em Miguilim entram na narrativa como pistas para quem já conhece a obra do autor e como primeiras portas de entrada para crianças que ainda vão descobrir sua literatura.
Um dos aspectos mais interessantes da encenação está na maneira como João é construído em cena. Os nove integrantes do elenco se alternam na interpretação do protagonista, fazendo com que a figura do menino passe de um corpo a outro. A escolha amplia a ideia de que a infância pertence a todos e transforma o próprio personagem em uma construção coletiva.
“Queremos que toda criança se veja no palco, que possa imaginar que também pode ser cientista, médica, escritora, viajar pelo mundo ou aprender outras línguas. Independentemente de onde venha, ela precisa acreditar que seu futuro também lhe pertence”, afirma Marcio Araújo. A gravata-borboleta, elemento associado à imagem pública de Guimarães Rosa, também ganha função cênica. Ao circular entre os artistas como laço, presilha ou gravata, o objeto funciona como elo entre as diferentes interpretações de João e reforça a ideia de identidade compartilhada. Compre o livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, neste link.
Música que vem da cultura popular
A trilha sonora original, assinada por Tato Fischer e Marcio Araújo, reúne nove canções e mergulha em manifestações tradicionais brasileiras. Folia de Reis, cururu, catira, cantos populares, viola caipira e sanfona ajudam a criar o ambiente sonoro da montagem. A direção musical e os arranjos são de Dagoberto Feliz. A música acompanha a trajetória do personagem e estabelece uma ponte entre as experiências da infância e as tradições culturais que atravessam o interior brasileiro.
No aspecto visual, a montagem aposta em bonecos artesanais, brinquedos antigos e objetos associados à infância do interior do país, especialmente de Minas Gerais. O cenário criado por Bruno Anselmo é formado por estruturas que mudam de função ao longo da apresentação, deixando espaço para que a imaginação do público complete as imagens.
Os figurinos de Clau Carmo seguem a mesma lógica e buscam referências em colchas de retalhos e brinquedos artesanais, criando uma atmosfera de memória e afetividade. Ao todo, são 19 bonecos criados por Jésus Sêda, conhecido também pelo trabalho em "Castelo Rá-Tim-Bum". Em cena, os nove artistas acumulam funções: atuam, cantam, tocam instrumentos, dançam e manipulam bonecos. Integram o elenco Beatriz Amado, Conrado Caputo, Daniel Aureliano, Elix, João Paulo Bienermann, Neusa de Souza, Rita Almeida, Thiago Claro França e Thiago Mota.
Para Tais Lara, diretora do Centro Cultural Fiesp, a montagem aproxima crianças e famílias da trajetória de Guimarães Rosa ao mesmo tempo em que amplia o contato do público com a literatura brasileira. A proposta está alinhada ao compromisso do Sesi-SP com a oferta gratuita de programação cultural e com a formação de novos públicos.
Uma infância antes do escritor
"João, Joãozinho, Joãozito" olha para Guimarães Rosa antes do reconhecimento, dos livros consagrados e da carreira diplomática. É o menino que observa, pergunta, coleciona descobertas e encontra nos livros uma forma de ampliar o mundo ao redor. A montagem utiliza essa perspectiva para apresentar a infância como um período decisivo na formação do artista. A curiosidade do personagem, sua relação com a natureza e o contato com diferentes linguagens aparecem como elementos que ajudam a compreender o escritor que surgiria anos depois.
A proposta também encontra na cultura popular uma maneira de aproximar o universo roseano das crianças. Em vez de apresentar Guimarães Rosa como uma figura distante da literatura, o espetáculo recupera o menino que existiu antes do autor de Grande Sertão: Veredas e transforma suas primeiras experiências em matéria de teatro.
Ficha técnica
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito", a partir do livro de Claudio Fragata
Texto e adaptação: Marcio Araújo
Direção artística: Marcio Araújo
Músicas compostas: Tato Fischer/Marcio Araújo
Direção musical/arranjos: Dagoberto Feliz
Assistente de direção: Adriana Salcedo
Elenco/músicos: Rita Almeida, João Paulo Bienermann, Daniel Aureliano, Neusa de Souza, Elix, Conrado Caputo, Beatriz Amado, Thiago Claro França e Thiago Mota
Paisagista sonoro: Marcelino Ziggy
Desenho de som: Labsom – Kleber Marques, Juma e Marcelino Ziggy
Microfonista: Juma (Juliana Maria)
Técnico de som: Kleber Marques
Iluminador/desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Operador de luz: Felipe Bonfante
Cenografia: Bruno Anselmo
Cenotécnico: Reserva Cênica
Design: Leandro Madeiros
Figurino: Clau Carmo
Costureira/modelista: Salomé Abdala
Aderecista: Nilton Araújo
Bonequeiro: Jésus Sêda
Visagista: Jonathan Faria
Projeto gráfico: André Kitagawa
Fotógrafo: Ale Catan
Assistente de fotografia: Rafael Sá
Vídeos: Sucata Filmes – Vinícius Faé
Preparação corporal: João Paulo Bienermann
Preparação de manipulação de bonecos: Eduardo Alve
Direção de palco: Marco Loureiro
Maquinista: Atila Quirino (Chin)
Contrarregra: Arthur Gerizani
Camareira: Cris Quirino
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Mídias sociais: Tatiana Machado
Intérprete de Libras: Fabiano Campos
Áudio-descrição: Ver com Palavras
Produção executiva: William Gibson
Direção de produção: Daniel Palmeira
Coordenação financeira: Cleo Chaves
Assessoria contábil: DW Gonzalez Contábil
Assessoria jurídica: Marcelo Mayer
Coordenação geral/produção: Penta Querobin Produções
Serviço
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito"
Temporada: 29 de agosto a 13 de dezembro de 2026
Sessões: quintas e sextas, às 11h; sábados e domingos, às 15h
Atenção: Libras e audiodescrição em todos os sábados e domingos da temporada
Local: Centro Cultural Fiesp - Teatro Sesi-SP | Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô
Ingressos: gratuitos, com reservas pelo site www.sesisp.org.br/eventos
Classificação indicativa: livre, indicado para todas as idades
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
.: Mirada 2026 homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 10 dias
Com 41 espetáculos de 15 países e 16 ações formativas, a 8ª edição do festival bienal aborda temas como os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e as relações entre trabalho, ócio e tempo. Foto: Macbeth_ft.Victor Otsuka / Papakuna_ft. Matias Canales / Vovó Surrealista_ft. Isaque Alves
Serviço
Valores ingressos
.: Companhia das Rosas estreia "Esse-Outro", espetáculo para bebês
A Companhia das Rosas estreia nova obra teatral para bebês e primeiras infâncias, centrada na construção dos primeiros vínculos, desde a gestação até as descobertas iniciais do mundo exterior. Foto: Em Cena Produtora
A Companhia das Rosas investiga os primeiros vínculos entre o eu e o outro por meio de uma narrativa não verbal no espetáculo "Esse-Outro". A montagem é uma criação de teatro para bebês que dialoga também com diversos públicos. Trata-se de um teatro que comunica sem palavras, com trilha sonora original e um cenário de bambus que utiliza recursos acrobáticos e de jogo cênico da dupla de atrizes-circenses de Erica Stoppel e Luara Bolandini, sob a direção de Clarice Cardell. O espetáculo estreia em São Paulo nos dias 14, 15 e 16 de agosto - sexta-feira, às 10h00 e 15h00; sábado e domingo, às 11h00 - no Sesc 24 de maio com sessões gratuitas. E nos dias 22 e 23, 29 e 30 de agosto - sábados, às 15h00, e domingos, às 11h00 - no espaço Chiquita de Teatro Para Bebês.
Ficha técnica
Peça teatral “Esse-Outro”
Serviço
Peça teatral “Esse-Outro”




























