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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

.: Marcos Damigo desmonta o mito bandeirante para rir de projeto colonial


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Heloísa Bortz

Entre o mito e a farsa, a história do Brasil sempre foi um território disputado - não apenas por quem a escreveu, mas por quem decidiu o que não poderia ser falado. Ao longo de três décadas de trajetória, Marcos Damigo tem feito do teatro um espaço de fricção entre passado e presente, revisitando narrativas oficiais para expor o grotesco escondido sob o verniz da civilização e do progresso. Ator, autor e diretor, ele transforma pesquisa histórica em jogo cênico, ironia e desconforto, recusando a ideia de que o palco deva apenas ilustrar a história. Antes, ele a interroga.

Em cartaz com "Entre a Cruz e os Canibais", comédia farsesca ambientada na São Paulo de 1599, até dia até dia 15 de fevereiro no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, Damigo desmonta o mito bandeirante ao revelar o desajuste entre o projeto colonial e a realidade violenta que o sustentou. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, o artista fala sobre humor como estratégia crítica, a permanência de estruturas coloniais no Brasil contemporâneo, o risco do fracasso como método criativo e o papel do teatro na disputa por outras formas de imaginar o passado e, talvez, o futuro.


Resenhando.com - Você começou a vida adulta estudando agropecuária e agronomia. Em que momento o Brasil real - do campo, da terra e da exploração - virou matéria estética e política do seu teatro, e não apenas uma lembrança biográfica?

Marcos Damigo - Desde sempre, na verdade. Quando fazia agronomia, participava do movimento estudantil e tive muita convivência com a MST. O primeiro texto que eu escrevi nesse viés de história do Brasil no teatro foi sobre a Guerra de Canudos, eu tinha lido “Os Sertões” do Euclides da Cunha com 16, 17 anos, e foi um livro que me impactou muito. Então, quando abandonei a agronomia e caí no teatro, trouxe essas vivências e interesses pro meu fazer artístico. Essa questão da disputa pela terra e de histórias do Brasil ainda dizem muito pra gente - e da gente - são emblemáticas de estruturas que ainda permanecem hoje no Brasil, e elas estão presentes no meu trabalho desde o começo. Um certo idealismo que germinou em mim quando era mais jovem forjou o artista que eu me tornei.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o riso nasce do grotesco. Você acredita que hoje o humor é mais eficaz do que o drama para desmontar mitos nacionais, ou ele corre o risco de anestesiar a violência histórica que denuncia?
Marcos Damigo - O humor e o drama têm, cada um, sua força. O drama opera mais pela identificação, talvez, e a comédia pressupõe um distanciamento crítico. E eu fui me inspirar numa tradição de comédia popular pra escrever esse texto, desde Aristófanes, que criticava os poderosos da Grécia, mas passando também pelos nossos grandes brasileiros, como Martins Pena e Artur Azevedo, por exemplo. O Dario Fo também faz isso muito bem na “Descoberta das Américas”, por exemplo. Nesse caso, de “Entre a Cruz e os Canibais”, operamos no desmonte de uma certa ideia bem sedimentada no nosso imaginário, que é o bandeirante como esse desbravador, destemido, que vai gerar essa cidade-trabalho. Não à toa, quando o mito bandeirante é forjado, na passagem do século 19 para o 20, quando os barões do café investem na construção dessa imagem dos bandeirantes como heróis e de São Paulo como locomotiva do Brasil, é também quando a cidade tem a sua explosão populacional. De uma certa maneira, a construção do mito bandeirante foi muito bem sucedida, né? E eu acho que através do riso e da farsa, e de desmontar e mostrar o absurdo disso, a gente consiga talvez abrir espaço para se pensar outros modos de vida e outros modelos de cidade.


Resenhando.com - O bandeirante já foi herói, vilão, estátua e nome de avenida. O que mais assusta você nessa figura: o passado que ela representa ou a facilidade com que ainda é celebrada no presente?
Marcos Damigo - As duas coisas estão intimamente conectadas: o passado que ele representa, na maneira como esse mito bandeirante foi construído, justifica e fundamenta a celebração dele no presente, na forma das estátuas, das estradas, do Palácio do Governo. É realmente assustador pensar que a gente não está conseguindo se libertar de um paradigma cujo fracasso está cada vez mais evidente, porque ninguém aguenta mais, essa é a verdade, a gente está cada vez mais precarizado, trabalhando cada vez mais, ganhando cada vez menos, tudo em nome desse desenvolvimento desenfreado, e esse paradigma está ancorado nessa imagem dos bandeirantes.


Resenhando.com - Seus trabalhos com Machado de Assis dialogam com ironia, ambiguidade e corrosão moral. Ao olhar para o Brasil colonial, você se sentiu mais próximo de Machado ou de um cronista indignado dos dias de hoje?
Marcos Damigo - Eu sinto que hoje a gente está mais literal, talvez, né? Os discursos estão mais explícitos e nós, como artistas, estamos sendo convocados a nos posicionar de uma maneira mais explícita, para que não haja dúvida do nosso posicionamento e a gente não sofra cancelamentos e tal. O Machado é um pouco o oposto disso, né? Ele vivia, como homem negro, numa sociedade escravista, e alçou uma posição entre uma elite branca e letrada. Então, ele precisava da ironia como arma, que é justamente esse mecanismo de dizer sem dizer. Ele foi desenvolvendo isso como ferramenta, e isso é um dos elementos que o torna genial. Então, de uma certa maneira, nesse equilíbrio precário entre uma posição e outra, eu acho que eu me sinto mais próximo do Machado.


Resenhando.com - Você afirma ter pedido aos atores que “destruíssem” o seu texto. O que mais interessa a você hoje: o controle autoral ou o risco do fracasso em cena?

Marcos Damigo - Eu não tenho nenhum apego ao meu texto, de verdade, eu acho que essa questão do controle autoral é uma armadilha, porque o texto precisa estar a serviço da cena, e não da vaidade do autor. E quando eu escrevo essas peças de conteúdo histórico, tem uma pesquisa prévia muito grande, então é natural que o texto fique um pouco “gordo”, com excesso de referências e tal. E aí é na cena, no ensaio com os atores, que as coisas vão ser testadas, e o que funciona fica, o que não funciona naturalmente cai. O próprio processo começa a se autogerir nesse sentido, e o trabalho do diretor passa a ser muito mais de abrir uma escuta para o que a cena pede do que exatamente impor um ponto de vista. Mas eu gosto de fazer essa dupla comigo mesmo, na dramaturgia e na direção, porque essas escolhas são fundamentadas na pesquisa que eu já fiz. No caso de “Entre a Cruz e os Canibais”, o “destruir o texto” que eu pedi para os atores no começo do processo era justamente nesse sentido de pegar aquilo que eu tinha estruturado através de uma pesquisa e colocar a serviço de uma cena que explicitasse o grotesco das situações.


Resenhando.com - Ao tratar personagens históricos como “tipos”, você rejeita a reconstituição fiel. Em tempos de disputas por narrativas históricas, o teatro deve disputar a verdade ou assumir a mentira como estratégia crítica?
Marcos Damigo - 
Hoje existe uma disputa sobre narrativas, a gente vê isso muito explicitamente na questão da ditadura empresarial-militar que existiu no Brasil, é importante usar essa denominação, que algumas pessoas ainda insistem em chamar de “revolução”. O que a peça faz, na verdade, é mais do que disputar a verdade: é revelar, pelas contradições, a farsa do projeto Moderno. Porque, de uma certa maneira, se a gente parar para pensar, toda a história é uma grande farsa, pelo menos da maneira como a gente conta sem pensar muito no que está dizendo. Se você pensar no Brasil colonial, bem no começo, ali, século 16, costumamos dizer “ah, o Brasil era colônia de Portugal”. Mas, na verdade, o que Portugal conseguiu ocupar eram pontinhos muito isolados de um imenso território. Ou mesmo o Tratado de Tordesilhas, que todo mundo aprende da escola: então quer dizer que um Papa, lá na época, reúne o rei de Portugal e o rei da Espanha, e fala “Vamos traçar uma linha nesse pedaço do mundo aqui e esse lado fica para você e esse outro fica para você”. Não é meio absurdo? Claro que esses absurdos foram se sedimentando no nosso imaginário e criando o mundo da maneira como ele é hoje. Mas a comédia tem essa função de revelar a farsa e talvez abrir possibilidades para outras formas de pensar o mundo.


Resenhando.com - Sua trajetória transita entre teatro, televisão, cinema e audiolivros. O que muda - ética e artisticamente - quando sua voz serve à ficção, à história oficial ou à memória traumática, como em "Última Parada: Auschwitz"?

Marcos Damigo - O que muda, principalmente, é que no teatro, especialmente nesses projetos que eu idealizo e que construo do zero, eu tenho uma autonomia maior para determinar os modos como essa obra vai operar com as questões. Quando eu estou a serviço de um outro produto, seja na televisão, no cinema ou mesmo no audiolivro, eu tento emprestar a minha sensibilidade e a minha visão de mundo para esses trabalhos, e isso obviamente é um importante na maneira como eu sou visto como artista e até do porquê eu sou contratado para esses trabalhos. Mas eu tenho muito menos autonomia, obviamente. Então quando eu pego um livro como esse que você mencionou, “Última Parada: Auschwitz”, eu fico muito feliz porque é um livro importante para entender o que aconteceu num momento tenebroso da história da humanidade.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o progresso nasce junto da barbárie. Você diria que São Paulo ainda vive sob essa mesma lógica colonial, apenas com nomes mais sofisticados?
Marcos Damigo - Desde a minha última peça, “Babilônia Tropical”, que estreou no CCBB BH em 2023, eu tive essa percepção muito evidente desse casamento entre “progresso” e “barbárie”. E cada vez mais vivemos essa distopia, essa dissociação entre o modo como as coisas realmente são e o que elas parecem ser. Então acredito que sim, tanto que eu cheguei a escrever uma frase, falando de “Entre a Cruz e os Canibais”, que é: “revelar o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”. E é isso, né? A gente hoje, por exemplo, vive uma situação de exploração absurda, mas através de uma captura do nosso desejo, por algo que alguns autores chamam de “servidão voluntária”. A gente não precisa mais ser obrigado a trabalhar porque a gente mesmo se obriga, a gente quer poder consumir, usufruir de uma vida confortável, e tudo certo, é legítimo, claro, mas isso mascara a violência e o absurdo da situação como um todo. Ainda mais no Brasil, que é um dos países com maior concentração de renda do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos revisitando a história do Brasil em cena, o que mais o incomoda: o que ainda não foi contado ou o que já foi contado demais, sempre do mesmo jeito?

Marcos Damigo - Essas duas questões andam juntas, porque o que a gente escolhe contar e a maneira como a gente escolhe contar diz muito de quem nós, coletivamente como sociedade, nos tornamos. Por exemplo, em “Leopoldina, Independência e Morte”, peça que eu escrevi sobre a imperatriz Leopoldina, questionando a maneira como a vida dela era contada, colocando ela só num lugar de mulher traída e abandonada, mãe… Isso mascarava a importância política que ela teve, porque não era interessante, numa sociedade patriarcal, que uma mulher fosse retratada tendo a importância e inteligência que ela teve naquela época. Então recontar histórias, que nos acostumamos a contar de um certo modo, de outros modos, é o que me move nessa pesquisa com a história do Brasil no teatro.


Resenhando.com - Se o espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais" fosse visto daqui a 50 anos, o que você gostaria que o público entendesse sobre nós: que finalmente aprendemos com o passado ou que seguimos rindo para não encarar a realidade?
Marcos Damigo - É interessante pensarmos um pouco nesse paralelo entre o tempo atual e o tempo da história que é retratada em “Entre a Cruz e os Canibais”, porque foram ambos tempos de grandes transformações. Ali, a gente estava nas navegações, a Europa descobrindo outros continentes, povos, culturas, cobiçando muito também essas riquezas e se transformando a partir de tudo isso que eles foram encontrando. Porque é uma via de mão dupla, sempre. E muitas vezes nos acostumamos a pensar a colonização como uma sociedade impondo seus valores sobre outra. Mas o inverso também ocorre, embora seja silenciado, obviamente. E hoje a gente está vivendo essa revolução digital, também um mundo em grande transformação. Então é difícil imaginar como é que o espetáculo seria visto daqui a cinquenta anos. Sendo muito otimista, eu espero que a gente tenha superado questões urgentes, que têm a ver com as crises climáticas, as crises democráticas do mundo. Para que a gente pudesse olhar para essa peça pensando “nossa, que loucura que era naquele tempo!”, e não se identificasse tanto com as questões que ela suscita.

.: Grátis no Rio: Armando Babaioff e Sergio Saboya em conversa sobre teatro


O ator e produtor Armando Babaioff e o diretor de produção Sergio Saboya participam de um bate-papo aberto ao público no Teatro Municipal Carlos Gomes, nesta quinta-feira, dia 29, das 14h00 às 16h00. A conversa é sobre teatro e empreendedorismo cultural, com foco na internacionalização do espetáculo "Tom na Fazenda". Com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do Instituto Guimarães Rosa, "Tom na Fazenda" vem se consolidando como um dos casos mais expressivos de circulação internacional do teatro brasileiro contemporâneo.

Ao longo de nove anos desde a estreia do espetáculo, Babaioff e Saboya compartilham com o público carioca as experiências, desafios, estratégias e aprendizados de uma produção independente criada no Rio de Janeiro, que já soma mais de 600 apresentações e um público superior a 200 mil espectadores em cinco países. 

A trajetória inclui participações em alguns dos mais importantes eventos das artes cênicas no mundo, como o Festival de Edimburgo, no Reino Unido, e o Festival de Avignon, na França. O encontro propõe uma reflexão sobre os caminhos possíveis para a internacionalização das artes, a sustentabilidade da produção teatral e o papel do empreendedorismo cultural no fortalecimento da cena artística brasileira.


Serviço
Bate-papo: “'Tom na Fazenda' e a internacionalização do Teatro Brasileiro”
Participantes: Armando Babaioff e Sergio Saboya
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes, s/n, Centro-RJ
Data: quinta-feira, dia 29 de janeiro
Horário: das 14h00 às 16h00
Entrada: gratuita (lotação mediante ordem de chegada)
Público-alvo: artistas, produtores culturais, estudantes de artes, gestores culturais e público interessado em teatro, economia criativa e internacionalização da cultura brasileira.
Este bate-papo é uma ação de democratização de acesso do Pronac 2412588 – Tom na Fazenda | Turnê Brasil, apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais. Realização: ABGV Produções, @minc e @govbr.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Gustavo Pinheiro desafia a crônica no teatro para provocar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Pino Gomes

Grande nome da dramaturgia contemporânea, Gustavo Pinheiro escreve para colocar conflitos em suspensão. Nas peças teatrais assinadas por ele, nada é o que parece: o encontro nunca é confortável, o afeto jamais é neutro e o silêncio costuma dizer mais do que qualquer discurso bem articulado. Autor de textos como "Dois de Nós", em cartaz no Teatro Tuca em São Paulo, "A Tropa", e "A Lista", ele construiu uma dramaturgia que observa o Brasil pelo detalhe íntimo: um quarto de hotel, um apartamento na pandemia, um quarto de hospital. Em comum entre os textos, está o tempo, que resolve pedir a palavra.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, Pinheiro reflete sobre o gesto de escrever para o palco como um exercício de escuta, sobre a fronteira por vezes ilusória entre o drama privado e a política, e sobre o compromisso ético de dialogar com o público sem subestimá-lo. Entre memória, maturidade e risco, o autor revela por que prefere provocar pensamento a oferecer respostas prontas e porque acredita que o teatro só faz sentido quando continua reverberando depois que as luzes se apagam.


Em "Dois de Nós", os personagens se veem frente a frente com versões mais jovens de si mesmos. Se você encontrasse hoje o Gustavo que escreveu "A Tropa", o que ele cobraria e o que você tentaria justificar?

Gustavo Pinheiro - Não sei dizer o que aquele Gustavo de dez anos atrás me cobraria. Na verdade, acho que ele ficaria orgulhoso e até um pouco surpreso com a versão de hoje. Mas sei o que eu diria hoje ao Gustavo “jovem”: que ele fosse menos ansioso, tivesse calma, fé no caminho, que tudo iria dar certo. E o que não deu, com certeza foi para abrir espaço para coisas melhores que vieram logo em seguida.


Seus textos parecem obcecados por encontros inevitáveis: pais e filhos, mães e filhas, casais que já deveriam ter ido embora, versões passadas que insistem em voltar. Você escreve para provocar reconciliação ou para expor o quanto ela é, muitas vezes, impossível?
Gustavo Pinheiro - Acho que cada relação tem sua própria dinâmica. Algumas relações podem ser irreconciliáveis, mas outras podem ser reconciliadas com o tempo, com a palavra certa, com o respeito ao sentimento alheio. As peças abordam situações muito diversas, é difícil generalizar. Mas gosto que o público acredite que pode fazer mais e melhor a partir do momento em que sai do teatro ao final da peça. O relato que recebemos dos espectadores nas redes sociais é que isso acontece muitas e muitas vezes.


"A Lista", "A Tropa" e "Dois de Nós" lidam com conflitos íntimos marcados por contextos históricos e sociais. Existe, para você, alguma fronteira ética entre o drama privado e a crônica do Brasil, ou tudo acaba sendo político, mesmo quando surge do afeto?
Gustavo Pinheiro - Uma vez um colega, depois de assistir “A Lista” e “A Tropa” disse que eu faço uma dramaturgia que flerta com a crônica. Nunca tinha pensado nisso. Mas acho que faz um pouco de sentido, na medida em que tenho a formação de jornalista. Esse é o meu olhar para o mundo. Gosto de política, não da partidária, mas dos grandes temas que motivam e movem a sociedade. Tenho prazer que temas políticos, econômicos, comportamentais, sexuais e culturais invadam, sutilmente, a realidade dos personagens. Nesse sentido, minhas peças são políticas, mas sem serem panfletárias. Exponho o panorama, os personagens se defendem, defendem seus pontos de vista e o espectador é convidado a pensar por si mesmo. É por isso que públicos tão heterogêneos, de todo o Brasil, se identificam com as peças. Aconteceu várias vezes de, ao final de “A Tropa”, por exemplo, espectadores de esquerda e de direita darem os parabéns pelo espetáculo. A escuta e compreensão que não exerciam na vida aconteceu naquela hora dentro do teatro. Não pode haver melhor resposta que essa.


Você costuma colocar seus personagens em espaços fechados: um hospital, um apartamento, um quarto de hotel. Isso é escolha dramatúrgica ou confissão involuntária de que o Brasil anda sem espaço para o diálogo aberto?
Gustavo Pinheiro - São escolhas dramatúrgicas, mas por diferentes razões. No caso de “A Tropa”, queria confinar aqueles cinco homens em um quarto de hospital, um cenário que expõe uma tensão por si só, há sempre um perigo colocado, além disso casava com um dos pontos que a peça ressaltava, de um país adoecido pelas divergências. “A Lista” se passava em um apartamento porque a peça surgiu na pandemia e era onde todos estávamos: confinados em casa. Quando levamos a peça para o palco com plateia, aí ampliamos para a segunda parte, quando a peça vai para a praia de Copacabana: do isolamento à liberdade. E “Dois de Nós” se passa em um quarto porque é o cômodo-metáfora de um casal. Trata-se de um quarto de hotel porque eu queria que fosse um lugar que fizesse parte da jornada daquele casal, mesmo depois de tantos anos de história. Casais casam-se e separam-se, mas tem seus pontos de referência no caminho: uma música, uma comida, uma cidade, um quarto de hotel.


 Ao escrever para atores como Antonio Fagundes, Christiane Torloni e Lilia Cabral, o texto vem já “habitado” por essas personalidades ou você escreve como quem oferece um risco, esperando que eles contrariem tudo no palco?
Gustavo Pinheiro - Quando sei para quem estou escrevendo, como o Fagundes e a Lilia, sem dúvida a voz deles povoa o meu pensamento. Como sou espectador deles há muitos anos, imagino a inflexão, exploro caminhos que também os deixem felizes. Mas eles sempre me surpreendem. Onde eu enxerguei cinco metros, eles enxergam dez. Cavam novas possibilidades, divisões de frases, pausas, pontos de humor que eu sequer enxerguei. E isso é uma das coisas mais bonitas da profissão de autor. Nos casos em que não escrevi pensando em um ator específico, como a Chris, o Otavio Augusto, a Ana Beatriz Nogueira, Deborah Evelyn, sou surpreendido de maneira muito positiva. A verdade é que eu tenho a felicidade de ter sempre cruzado com atores e diretores geniais, com quem aprendi muito.


Seus textos emocionam sem apelar para sentimentalismo fácil. Em que momento você percebeu que o silêncio, a pausa e o não-dito podem ser mais violentos do que qualquer grande discurso?
Gustavo Pinheiro - Sou apaixonado por silêncios. Não qualquer silêncio, mas aquele silêncio preenchido de sentido, silêncio que não abandona o público, ao contrário, faz ele entender exatamente o que o personagem está pensando. É um dos meus maiores prazeres como espectador: ver um personagem pensando, engendrando uma saída, uma resposta, um caminho de pensamento. E fico feliz de poder proporcionar essa sensação a outros espectadores também.


Como jornalista, você foi treinado para observar a realidade; como dramaturgo, você a reinventa. Em qual dessas duas funções você se sente mais vulnerável e, portanto, mais verdadeiro?
Gustavo Pinheiro - Acredito que tanto o jornalista como o dramaturgo observam a realidade. Por isso Nelson Rodrigues escrevia tão genialmente, era um jornalista observador da condição e do comportamento humanos. A diferença entre o dramaturgo e o jornalista está com o que se faz com essa observação. O jornalista a relata de forma mais imparcial possível. O dramaturgo, pelo menos no meu caso, usa como material de trabalho. Tudo que leio, ouço, vejo no supermercado, no metrô, na fila do banco, no check in do avião, num velório, tudo pode virar inspiração para a ficção.


"Dois de Nós" fala sobre envelhecer sem endurecer. O teatro brasileiro está envelhecendo com dignidade ou repetindo fórmulas por receio de se tornar irrelevante?
Gustavo Pinheiro - Não creio que o teatro esteja envelhecendo, a cena sempre se renova. O que temos que estar atentos é se há alguém interessado em assistir o que está sendo mostrado no palco. Tenho prazer em comunicar, gosto de ser entendido, sem nivelar por baixo, priorizando a inteligência e a elegância. E tenho a honra de ser correspondido pelo público.


Há algum tema que você não ousaria escrever sob hipótese alguma, não por censura externa, mas por algum limite que você pensa que não ousaria ultrapassar?
Gustavo Pinheiro - Acho que se pode e se deve escrever sobre tudo. Nunca me ocorreu de querer escrever sobre algum assunto e me autocensurar. Mais do que perder tempo pensando no que não posso escrever, prefiro me concentrar no que de fato tenho vontade de escrever, com verdade e honestidade. Acho bonito que eu seja um homem escrevendo personagens femininos para tantas mulheres no teatro. É sinal que esse diálogo pode acontecer, é saudável que aconteça, uma comprovação que somos capazes de nos ouvir e nos entender. Em “Antes do Ano que Vem”, quis escrever sobre suicídio, mas com humor. Mariana Xavier embarcou comigo nessa aventura e estamos em cartaz há quatro anos. Recebemos centenas de relatos de espectadores que repensaram a própria vida - e a possibilidade do suicídio - depois de assistirem à peça. Nossa missão está cumprida.


Depois de tantas histórias sobre encontros, acertos de contas e afetos em crise, o que ainda assusta você mais como autor: repetir a si mesmo ou finalmente escrever algo que o público talvez não queira assistir?
Gustavo Pinheiro - Sem dúvida alguma, escrever algo que o público não queira assistir. É para o público que eu trabalho. Se eu quisesse escrever para mim mesmo, fazia um diário. É o público quem paga o ingresso, a quem devo respeito e consideração. E isso não tem nada a ver com ser condescendente, abordar apenas temas para agradar. Ao contrário, não subjugo a capacidade da plateia, tanto que exploro muitos assuntos duros nos espetáculos, mas os espectadores embarcam conosco, eles entendem perfeitamente a razão de aqueles temas estarem sendo abordados de determinada forma.


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.: Helena Ritto e Jonathan Farias do "Quintal da Cultura" em cartaz no teatro


"Ciranda das Flores" estreia no dia 31 de janeiro, no BTG Pactual Hall, e marca o retorno aos palcos de Helena Ritto e Jonathan Farias, intérpretes de Dorotéia e Osório no "Quintal da TV Cultura". Os atores estiveram em cartaz por um ano e meio com A Incrível Viagem do Quintal. O elenco conta ainda com a atriz e flautista Beatriz Amado, e a direção geral é de Bernardo Berro. Foto: divulgação


Criado por Helena Ritto e Fábio Brandi Torres, do "Quintal da Cultura", o musical infantil "Ciranda das Flores" propõe uma aproximação sensível com o universo da infância por meio da música e das narrativas populares. Flores e personagens simples são usados como metáforas para sentimentos humanos, abordando temas como afeto, escuta, amizade e respeito às diferenças. Em cena, uma trupe de teatro constrói histórias ambientadas em um jardim imaginário, narradas por uma personagem misteriosa. 

Helena Ritto e Jonathan Farias interpretam um casal que atravessa três narrativas interligadas, entre elas a de uma florista e um lenhador que vivem um amor silencioso, além das versões metafóricas de Cravo e Rosa e Alecrim e Botão de Rosa. Costurado por canções tradicionais de domínio público, o espetáculo aposta em humor, música ao vivo e interação com o público.

Indicado para crianças a partir de três anos, "Ciranda das Flores" busca dialogar também com os adultos, valorizando a escuta, a imaginação e o prazer de compartilhar histórias. O espetáculo é uma produção da Morente Forte Produções Teatrais, que celebra 40 anos de atuação nas artes cênicas, em um percurso feito de encontros, escuta e criação, no qual cada projeto se constrói como parte de uma relação viva com o público e com o fazer artístico.


Ficha técnica
Espetáculo "Ciranda das Flores"

Texto: Helena Ritto e Fabio Brandi Torres
Elenco: Beatriz Amado, Helena Ritto e Jonathan Faria
Direção musical e direção artística: Bernardo Berro
Direção de movimento e coreografias: Zuba Janaina
Concepção de cenário, figurino: Helena Ritto e Jonathan Faria
Produtoras Selma Morente e Célia Forte
Assessoria de imprensa Thais Peres
Social media e conteúdo para redes sociais Isabella Pacetti
Camareiro e contrarregra: Toninho Pita
Assistente de produção Carol Ariza
Assistente administrativa Alcení Braz
Administração: Magali Morente
Coordenação de projeto: Egberto Simões
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais


Serviço
Espetáculo "Ciranda das Flores"
Duração: 50 minutos
Local: BTG Pactual Hall
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - São Paulo
Temporada: de 31 de janeiro a 5 de abril
Sessões: sábados e domingos, às 15h
Ingressos: R$ 60,00 a R$ 120,00
Classificação: livre
Acessibilidade: sessões acessíveis em todas as apresentações

Bilheteria
Terça a sábado, das 13h00 às 20h30
Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, até o início da apresentação

Vendas Sympla
https://bileto.sympla.com.br/event/113971/d/352884?algoliaID=2949d80673b5fd462c368e29d381d62c&_gl=1*11dxxo4*_gcl_au*NTg0NTAwNjQzLjE3Njc5MDc0ODk.*_ga*NjUyNzgzMDkyLjE3NTk4NjE4Nzc.*_ga_KXH10SQTZF*czE3NjgzMzE2NzUkbzYkZzAkdDE3NjgzMzE2ODEkajU0JGwwJGg3MTM4MDMzNjA.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

.: Teatro: tragédia "Medea", de Séneca, em estreia nacional no Sesc Consolação


A montagem traz três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. Foto: João Caldas

Ao atribuir a responsabilidade dos atos humanos aos próprios indivíduos, as tragédias do filósofo romano Séneca ficaram por séculos fora do palco, sob a ideia de que sua violência só poderia ser suportada na leitura. "Medea", na versão de Séneca, novo projeto do diretor Gabriel Villela, traz o desafio de colocar em cena a desmedida da fúria, da ira e da vingança. Até hoje, com raras montagens no Brasil, o espetáculo estreia dia 29 de janeiro de 2026, no Sesc Consolação, e a temporada segue até 8 de março.

Escrita cerca de quatro séculos depois da versão de Eurípides, a Medea de Séneca revisita o mito da mãe que mata os próprios filhos como vingança ao ser repudiada por Jasão, mas também apresenta outros debates como o etarismo. A ruptura entre Medea e Jasão expõe a lógica social que descarta mulheres com o avançar da idade; um tema que ressoa nas falas da peça. A montagem apresenta três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. A elas se somam Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro, completando o elenco.

A versão de Séneca também traz outras diferenças importantes. “Para começar, é mais curta e muito mais violenta. De modo geral, suas tragédias ampliam o que chamam de desmedida: a fúria, a ira, estão no centro de tudo o que escreve”, afirma Gabriel Villela. O diretor também destaca que, em Séneca, o conflito interno de Medea é mais evidente, com uma escalada dramática que conduz ao crime final.

Na tragédia do filósofo do período romano (Séneca foi preceptor do imperador Nero), Medea emerge como uma estrangeira, traída e politicamente silenciada, cuja revolta ecoa em questões femininas e na violência contra a natureza. A montagem desta Medea por Villela enfatiza essa dimensão: uma mulher que devolve ao mundo a fúria acumulada pelo desprezo de Jasão e a sentença de exílio proferida pelo rei Creonte, de Corinto. A natureza torna-se uma narradora trágica que responde às atrocidades cometidas pelos próprios homens.

“O texto é primoroso e parece importante hoje apontar a relação dele com a violência que ronda o nosso dia a dia. Nós temos nos confrontado com a barbárie o tempo inteiro, na política, nos assassinatos festivos, na internet que julga e sentencia, nos tornamos o vírus capaz de acabar com o planeta”, observa Villela. A equipe de criação destaca ainda a potência retórica de Séneca e sua capacidade de unir a palavra ao poder da imagem. “Isso é um valor importante de seu texto”, completa.

Com a cenografia de J. C. Serroni, a montagem cria um espaço duplo inspirado no circo-teatro mambembe e no palácio de Creonte. Os figurinos de Gabriel Villela são também um forte elemento cênico nesta montagem. Ao todo, são 27 peças usadas ao longo do espetáculo. Cada figurino traz a sobreposição de peças ou tecidos com elementos extraídos da natureza da floresta do cerrado mineiro.


Ficha técnica
Espetáculo "Medea"
Autor: Séneca
Tradução: Ricardo Duarte
Direção e figurinos: Gabriel Villela
Elenco: Walderez de Barros (participação especial), Rosana Stavis, Mariana Muniz, Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro
Cenografia: J C Serroni
Iluminação: Wagner Freire
Trilha sonora original: Carlos Zhimber
Diretor adjunto: Ivan Andrade
Assistente de direção: Gabriel Sobreiro
Costureira: Zilda Peres
Máscaras: Shicó do Mamulengo e Junior Soares
Assistente de cenografia: Débora Ferreira
Pintura de arte e texturização: Beatriz Leandro, Débora Ferreira, Flávia Bittencourt e Camila Myczkowski
Cenotécnicos: Alicio Silva e Douglas Vendramini
Assistentes de cenotecnia: Theo Piazzi, João Portella e Benilson Alves
Costuras cenográficas: Flávia Bittencourt
Músicos convidados: Daniel Doctors, Luca Frazão e Gustavo Souza
Maquiagem: Claudinei Hidalgo
Assistente de maquiagem: Patrícia Barbosa
Fotografia: João Caldas Fº
Assistente de fotografia: Andréia Machado
Ilustração do morcego: Guilherme Crivelaro
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Diretor de palco: Diego Dac
Operador de luz: Rodrigo Sawl
Operador de som: Ricardo Oliveira
Camareira: Ana Lucia Laurino
Produção executiva: Augusto Vieira
Direção de produção: Claudio Fontana


Serviço
Espetáculo "Medea"
Sesc Consolação - Teatro Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo - SP
Telefone para informações: 11 3234-3000
Temporada: 29 de janeiro a 8 de março de 2025
Horários: quintas, sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00

Sessões em horários diferenciados
Dia 14 de fevereiro, sábado, às 18h00
Dias 26 de fevereiro e 5 de março, quintas-feiras, às 15h00
Lotação: 280 lugares | Duração: 80 minutos | Classificação: 16 anos
Ingressos: R$70 (inteira) R$35 (meia entrada) e R$21 (credencial plena)   
Venda on-line a partir de 20/01 (terça), às 17h, em centralrelacionamento.sescsp.org.br e no App Credencial Sesc SP



.: Monólogo "Pagu - Do Outro Lado do Muro" entra em curtíssima temporada


Com texto escrito por Tereza Freire espetáculo tem a atriz Thais Aguiar no papel de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, e revela o resultado de uma investigação dos destroços mais profundos e pouco conhecidos da história da militante política e cultural, e uma das pioneiras do feminismo no Brasil. Foto: Arô Ribeiro


Há mais de cinco anos, Thais Aguiar começou suas pesquisas para levar aos palcos a biografia de Pagu, uma das percursoras da luta feminista no Brasil. O espetáculo “Pagu -Do Outro Lado do Muro” tem o texto de Tereza Freire que também é autora do livro em que o espetáculo foi inspirado e faz curtíssima temporada, nos dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro, no Teatro Arena Eugênio Kusnet, no Centro de São Paulo, com apoio da Funarte

“As pessoas precisam saber que Pagu foi muito além de ser a ‘mulher de Oswald de Andrade’, predicado injusto que é usado para descrevê-la. Ela me ensinou com sua trajetória de vida que o título de mulher e mãe nos é dado como um prêmio pelo patriarcado e que infelizmente esse prêmio nos serve mais como prisão e anulação dos nossos dons e escolhas. Os tempos mudaram”, explica Thais, que além de dar vida à personagem também assina a direção do espetáculo.

A atriz também destaca que “estamos nos fortalecendo como mulheres, recuperando nosso espaço de fala, de direito e Pagu já nos mostrava que o caminho seria árduo, mas possível! Escolhi dar vida a Pagu e com a dramaturgia de Tereza Freire, sem nenhum romantismo ou histórias pessoais e paralelas o espetáculo faz uma provocação extremamente atual sobre a luta por justiça social e retomando uma cultura de papel transformador. As pessoas poderão vivenciar uma jornada cheia de detalhes para entender toda a complexidade dessa personalidade”.

O texto é baseado no livro “Dos Escombros de Pagu”, resultado de uma tese de mestrado de Tereza Freire, que também assina o texto do espetáculo. A pesquisa resgatou a vida e a obra dessa importante precursora de comportamentos político-socioculturais brasileiros de uma feminista, militante política, ilustradora, comunista e crítica literária e teatral. Ela marcou a história do Brasil, revolucionando e chocando a sociedade dos anos de 1930, com suas ações e pensamentos inovadores.

Em “Pagu – Do Outro Lado do Muro”, a personagem volta para narrar sua trajetória de vida com todos os acontecimentos vividos e superados, sem qualquer sentimento de culpa e vitimização dos fatos. Uma interpretação que mergulha nas memórias da personagem e emociona pela veracidade dos acontecimentos vivenciados, deixando o público livre para interpretar a história como quiser e com isso a narração atinge uma amplitude para além da informação.

Sobre Patrícia Redher Galvão (Pagu)
Nasceu em São João da Boa Vista em 9 de junho de 1910 e morreu em Santos em 12 de dezembro de 1962. Foi autora do primeiro romance proletário brasileiro "Parque Industrial" e a primeira presa política deste país. Casada com Oswald de Andrade, destacou-se significativamente no movimento Modernista de 1922. Ainda jovem, trabalhou em fábricas e militou pelo Partido Comunista.

Escreveu contos policiais publicados pela revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que depois (1998) foram reunidos na obra "Safra Macabra". Em trabalhos, junto a grupo teatrais, revelou e traduziu grandes autores, até então inéditos no Brasil, como James Joyce, Eugène Ionesco, Arrabal e Octavio Paz.

Fundou um jornal de esquerda com Oswald de Andrade, empastelado pela polícia repressora da época. Foi perseguida pela ditadura Vargas. Militou na França, foi presa e deportada para o Brasil. Antes, presenciou a coroação do Imperador Pu Yi, da Manchúria. Presa em 1935, permaneceu encarcerada por cinco anos. Foi torturada e, somente libertada por motivos de doença, pesando cerca 40kg.

Tentou suicídio por conta de um tratamento de câncer mal sucedido. Em Santos, tornou-se uma das grandes incentivadoras do teatro amador, responsável pela descoberta de Plínio Marcos. Morreu aos 52 anos, vítima de câncer no pulmão. Seu último marido foi Geraldo Ferraz, crítico do jornal “A Tribuna”, de Santos, em que também foi colaboradora. Caiu no esquecimento da história oficial até que Augusto de Campos publicou sua antologia poética e “gritou”: Quem resgatará Pagu? 


Ficha técnica

Espetáculo "Pagu - Do Outro Lado Do Muro"
Atuação e direção: Thais Aguiar
Texto: Tereza Freire
Orientação e provocação: Erika Moura e Natália Siufi
Trilha sonora original e execução ao vivo: Paulo Gianini
Iluminação e operação: Tomate Saraiva
Fotografias: Arô Ribeiro
Produção: Jucimara Canteiro
Cenário: Livia Loureiro
Assessoria de imprensa: Antonio Montano
Design gráfico: Theo Siqueira
Realização: Espontânea Cia. de Teatro
Apoio: Funarte

Serviço
Espetáculo "Pagu - Do Outro Lado Do Muro"
Sextas e sábados, dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro
Horário de início do espetáculo: 20h00
Teatro de Arena Eugênia Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque / São Paulo
Gênero: drama
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada) via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/pagu---do-outro-lado-do-muro/3284227)

domingo, 25 de janeiro de 2026

.: "Shrek - O Musical" apresenta figurino de Fabi Bang e Myra Ruiz como Fiona


Atrizes vão se revezar no papel da princesa ogra em espetáculo no Teatro Renault em curtíssima temporada; ingressos já estão à venda. Foto: Jairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação

As estrelas do teatro musical Fabi Bang e Myra Ruiz já estão sentindo na pele o que será viver Fiona, a icônica princesa de "Shrek - O Musical". O Instituto Artium de Cultura apresentou o figurino das atrizes para o espetáculo que entra em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, em 15 de abril para uma breve temporada de três meses. Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona nessa história de amor e aventura, que tem o ator e cantor Tiago Abravanel no papel de Shrek.

O figurino de Fiona tem assinatura de Ligia Rocha e foi inspirado nos desenhos originais do britânico Tim Hatley, criados para as montagens internacionais de "Shrek - O Musical". A figurinista conta que cada detalhe foi pensado, das texturas dos tecidos aos tons de verde, para sustentar a transformação da personagem em cena e acompanhar as exigências de movimento ao longo do espetáculo.

"Trabalhar o figurino de Fiona é um exercício de dualidade. Precisamos unir a delicadeza da princesa à robustez da ogra, preservando a agilidade necessária para as cenas. Beber na fonte dos desenhos de Tim Hatley foi fundamental para garantir que o público brasileiro tenha a mesma experiência visual impactante da Broadway, mas com o toque e a excelência da nossa produção local", explica Ligia Rocha.

A montagem que será levada aos palcos do Teatro Renault pelo Instituto Artium de Cultura, em coprodução com o Atelier de Cultura (os mesmos responsáveis pelo fenômeno de bilheteria "Wicked – A História Não Contada das Bruxas de Oz"), tem a direção-geral de Gustavo Barchilon.

A história acompanha Shrek e seu inseparável parceiro, o Burro Falante, em uma jornada repleta de humor, música e aventura, desafiando preconceitos e mostrando que todos merecem um final feliz, mesmo fora dos padrões tradicionais dos contos de fadas."'Shrek' é uma história sobre quebrar moldes, e ter Fabi e Myra se revezando no papel de Fiona é a personificação desse talento sem fronteiras. A montagem no Teatro Renault não é apenas uma reprodução, é uma celebração da grandiosidade técnica que o teatro musical brasileiro alcançou. Estamos unindo o humor ácido e o coração gigante dessa história para criar um espetáculo que conversa com todas as gerações”, afirma Barchilon.

Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium, reconhecido por trazer ao país montagens da Broadway com elevado padrão de qualidade, garante que o público vai se surpreender e se encantar com "Shrek". “Vamos manter a essência e as referências dessa história que encantou o mundo, mas vamos além. O público brasileiro pode esperar uma produção grandiosa, com belos figurinos e cenografia, soluções criativas de cena e efeitos especiais que marcam nossas produções”, diz Cavalcanti. Os ingressos para "Shrek - O Musical" já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site ticketsforfun.com.br ou diretamente na bilheteria do Teatro Renault, sem cobrança de taxa de conveniência.


Serviço
"Shrek - O Musical"
Estreia:  15 de abril de 2026, às 20h
Temporada: semanalmente, quinta e sexta-feira às 20h00; sábado, às 15h00 e 19h30; domingo, às 14h00 e 18h30.
Local: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo – SP Bilheteria Oficial: Terça a domingo, das 12h às 20h, exceto feriados.
Venda de ingressos on-lineticketsforfun.com.br
Redes sociais oficiais: Instagram: @shrekomusicalbrasil;  TikTok: @shrekomusicalbrasilJairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação
Atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona, em "Shrek - O Musical", com Tiago Abravanel

sábado, 24 de janeiro de 2026

.: Adaptação da obra de Machado de Assis, "O Alienista" será encenado em SP


No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Foto: Ronaldo Gutierrez


Em comemoração aos 185 anos de nascimento de Machado de Assis, um dos maiores autores brasileiros, o ator Victor Garbossa une-se ao diretor Eduardo Figueiredo para trazer aos palcos uma adaptação de "O Alienista", clássico que atravessa gerações e mantém-se atual ao abordar questões profundas sobre a sociedade contemporânea. A obra provoca reflexões sobre temas como razão, loucura, diferenças sociais, poder, e civilidade - assuntos que, embora raros, são de extrema relevância nos dias de hoje. Dentro do Projeto Domingo no Teatro, dias 25 de janeiro e 1° de janeiro, às 11h00. no Teatro J. Safra.

No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Tudo começou quando ele "tropeçou" em Machado de Assis. A partir daí, a narrativa nos transporta de volta ao teatro e à obra de Machado, que, com sua habitual ironia e humor, apresenta o célebre personagem Simão Bacamarte, ilustre morador de Itaguaí. Bacamarte dedicou sua vida ao estudo das doenças mentais e da loucura, sendo um homem da ciência e um fervoroso investigador, cuja única vocação é a prática científica.

"O Alienista" oferece uma nova perspectiva da obra, por meio da linguagem teatral e com músicas interpretadas ao vivo, com uma dinâmica pensada para o público jovem e familiar, sem perder a essência da narrativa original. No palco, o ator Victor Garbossa (recentemente visto na novela “Paulo o Apóstolo” da Record) interpreta não apenas o excêntrico médico Simão Bacamarte, mas também uma série de personagens cômicos e irônicos da trama. A peça faz uso de diversos recursos cênicos, proporcionando uma experiência repleta de humor e crítica social.


Ficha técnica
"O Alienista", da obra original de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco: Victor Garbossa
Figurinos: Thais Boneville
Cenário: Demerson Campos
Máscaras: Murilo Inforsato
Desenho delLuz: Eduardo Figueiredo
Composições e versões musicais:  Victor Garbossa
Programação visual: Zurcc Studio Criativo
Fotografias divulgação: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação
Idealização e produção: Carlton's Produções


Serviço
Espetáculo "O Alienista", de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco:  Victor Garbossa
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Temporada: 25 de janeiro e 1º de fevereiro, domingos, às 11h.
Ingressos: R$ 20 | R$ 10 meia

Bilheteria
Quartas e quintas, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques. 
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042
Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - São Paulo – SP 
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: 2 horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro. 
Acessibilidade para deficiente físico 
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00 

.: Grátis: QINTI Companhia celebra a vida e a morte em "Temperos de Frida"


Com direção de Tatiana Motta Lima, espetáculo é embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo. Foto: Renato Mangolin

Em sua pesquisa sobre o universo feminino em intercâmbio cultural entre México, Brasil e Peru, a artista migrante peruana Rosana Reátegui criou o espetáculo "Temperos de Frida", que estreou no Rio de Janeiro em 2023. Agora, o trabalho, com direção de Tatiana Motta Lima, ganha duas apresentações gratuitas em São Paulo, nos dias 24 e 25 de janeiro, no Teatro Flávio Império. A peça tem como eixo temático central as simbologias que circundam vida e morte, suas manifestações nos espaços de convivência social e a criação de espaços sagrados e profanos nos cotidianos das mulheres, embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo.

Na trama, em plena noite de comemoração do "Dia dos Mortos", o público é convidado para conhecer o bar Viva La Vida, comandado por Rosana Reátegui, a dona da bodega. Nessa celebração da vida, também estão a cantora Natália Sarante e o violonista Luciano Camara para festejar a vida. Embalada por clássicos da música latino-americana, como La Llorona, La Bruja e  Cucurrucucu Paloma, Cariñito, Gracias a la Vida, Adelita e Explode Coração, interpretadas ao vivo, Reátegui traz à cena episódios da vida da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) e sua relação com Catrina, a Dona Morte.

Frida recebeu inúmeras vezes a visita de D. Catrina, sua madrinha, e do modo que podia e por sua conta e risco, como boa afilhada, sempre afirmou a vida. Fez arte, fez sexo e fez festa! Pois, como diz o escritor, professor e historiador brasileiro Luiz Antônio Simas, não se faz festa porque a vida é boa, mas justamente pela razão inversa. O público é convidado para um lugar provocador e cúmplice, no qual tempo e espaço se misturam, estabelecendo um ambiente de festa e memória para aproximar sagrado, profano, vida e morte. Em alguns momentos, o tempo cronológico e material para e flutua, sobretudo quando o principal oratório daquele bar se abre, pois assim é que se convoca Catrina.


Ficha técnica
Espetáculo "Temperos de Frida"
Concepção, atuação e dramaturgia: Rosana Reátegui
Direção: Tatiana Motta Lima
Canto: Natalia Sarante
Violonista: Luciano Camara
Figurinista e Adereços: Francisco Leite
Cenografia: Daniele Geammal e Renato Marques
Direção de palco: Francisco Leite
Colaboração dramatúrgica: Cadu Cinelli
Iluminação: Thiago Monte e Renato Marques
Operação de luz e montagem:Renato Marques
Confecção de Máscara da Catrina: Paul Colinó Vargas (Peru)
Preparação de máscara: Marise Nogueira
Designer cartaz: Pedro Pessanha
Designer visual e vídeos: Rodrigo Menezes
Fotografia: Renato Mangolin
Produção executiva e local: Adriana Silva
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Realização: QINTI Companhia


Serviço
Espetáculo "Temperos de Frida"
Dias 24 e 25 de janeiro, no sábado, às 20h00, e no domingo, às 18h00
Teatro Flávio Império - Rua Professor Alves Pedroso 600, Cangaíba. São Paulo. Prox Estação Engenheiro Goulart (linha 12)
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em SP


Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia. 
Foto: Osvaldo Gabrieli

A mais recente montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo, a partir de 24 de janeiro, com apresentações gratuitas aos sábados e domingos. Na peça, um jovem misterioso narra as aventuras de seu mestre Javier, um bonequeiro que percorreu o mundo contando histórias e apresentando suas peças de Teatro de Bonecos. Em suas viagens, Javier recolhia pedras “para aliviar o peso das montanhas”; a cada nova pedra recolhida, surgia uma nova história a ser contada. Após a sua morte, Javier deixa ao jovem pupilo a missão de seguir recolhendo pedras pelos caminhos da vida para contar histórias que se passam nos mais variados lugares e épocas.

Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia, atravessa a odisseia do rei Ulisses na ilha das sereias, alcança uma outra ilha mítica chamada Hy Brazil, desce até o sul do Chile para revelar a lenda do navio Caleuche, e culmina numa jornada pela Índia, onde Javier encontra a Árvore da Vida.

Esta montagem é uma homenagem ao poeta, escritor e bonequeiro argentino Javier Villafañe, personagem icônica do Teatro de Bonecos mundial. Sua obra envereda por caminhos onde o mágico, o surreal e o causo popular se misturam. A peça nasceu a partir de um personagem criado por Javier Villafañe - “O Homem que Carregava Pedras para Aliviar o Peso das Montanhas” - que funcionou como disparador da dramaturgia original deste projeto. Aqui, esse personagem ganha protagonismo e uma história pessoal, transformando-se numa espécie de pupilo que acompanhou, desde muito jovem, os passos do poeta titeriteiro.

“Aprendi a fazer teatro de bonecos ainda muito jovem guiado pelas histórias que meu mestre, Ariel Bufano, contava sobre Javier Villafañe, seu mentor — o velho titeriteiro errante cuja lenda atravessou a América Latina, Espanha e toda a Europa. Sempre me encantou o pensamento surrealista, delirante e luminosamente livre de suas obras. Este espetáculo nasce como um breve sopro dessa memória, contada para as novas gerações pela voz de um pupilo imaginário, para que o rastro poético de Javier continue sua caminhada a descobrir novas histórias para serem contadas”, afirma Osvaldo Gabrieli, autor e diretor.


XPTO Brasil
O Grupo Teatral XPTO é uma companhia de teatro brasileira fundada em 1984 que tem uma proposta de pesquisa baseada na integração de múltiplas linguagens artísticas, com destaque para o Teatro de Animação, Teatro Físico, Performance, Música, Artes Plásticas, Vídeo e Dança. Seu trabalho é conhecido por espetáculos (28 criações no total) com grande apelo visual e musical, que contribuem de forma substancial para a formação do teatro brasileiro contemporâneo.

O grupo recebeu 42 prêmios no Brasil – APCA, Mambembe, Shell, APETESP, Governador do Estado, Fundacen, Coca-Cola e Panamco, entre outros – e 2 prêmios internacionais: Prêmio Villanueva - Cinco melhores espetáculos internacionais de 2014 (Cuba) e Citação de Mérito da Organização Arlyn Award Society (Canadá), em 2019.

O XPTO já se apresentou em todas as regiões do Brasil e em mais 13 países, entre os quais Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Portugal, Espanha, França, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Hong Kong e Índia.

Ficha técnica
Espetáculo “As Pedras de Javier”

Dramaturgia, Direção, Cenografia e Iluminação: Osvaldo Gabrieli
Música original e sonoplastia: Beto Firmino
Ator contador de histórias: Tay Lopez
Videoartista: Tiago Carvalho
Operador de luz: Mauricio Aparecido Matos
Cenotécnico: Valdemir Leite
Produtora executiva: Sofia Safira Papo
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Produção: Grupo XPTO – Cooperativa Paulista de Teatro
Este projeto foi contemplado pela XXIª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

Teatro Arthur Azevedo
Avenida Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca / São Paulo
Telefone para informações – 11 26045558
Dias 24, 25 e 31 de janeiro e 01, 07, 08, 14 e 15 de fevereiro de 2026
Sábado e domingo às 16h00
Nos dias 1° e 8 de fevereiro haverá tradução em LIBRAS
Gratuito - Presencial
Duração: 45 minutos
Classificação Indicativa: livre / recomendado a partir de 7 anos
Gênero: Teatro de Animação / Teatro de Objetos / Contação de Histórias

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

.: Angela Figueiredo encara a ditadura e recusa suavizar a dor em “1975”


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comFoto: divulgação

Em "1975", espetáculo escrito por Sandra Massera e protagonizado por Angela Figueiredo, a memória dos desaparecimentos forçados durante a ditadura uruguaia ganha corpo em uma encenação solo, íntima e politicamente incisiva. Em cartaz na Arena B3, no Centro Histórico de São Paulo, a montagem recusa o conforto da distância histórica e aproxima o público brasileiro de um trauma que atravessa fronteiras e décadas.

Ao assumir não apenas a atuação, mas também a co-direção, a tradução e a adaptação do texto, Angela Figueiredo transforma o palco em espaço de escuta e reflexão. A peça não busca reconstruir fatos de maneira documental, mas sustentar emocionalmente aquilo que foi apagado pela violência de Estado e pelo silêncio que se seguiu. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a atriz fala sobre memória, ética, solidão, juventude sob regimes autoritários e o teatro como lugar onde a dor não é suavizada.

Resenhando.com - "1975" fala de desaparecimentos forçados, mas também de tudo aquilo que nunca voltou a ser dito. O que dói mais em cena: a violência explícita do Estado ou o silêncio que se instala depois dela?
Angela Figueiredo - 
A dor e as emoções da personagem não estão apenas na violência explícita do Estado, mas também no silêncio, na angústia, na perda, nas dúvidas e nas reflexões da sua vida.

Resenhando.com - Em um espetáculo construído a partir de cartas, lembranças e ausências, o que você precisou inventar para dar corpo ao que historicamente foi apagado. E também o que você se recusou a inventar por respeito à memória real?
Angela Figueiredo - Precisei criar as partes que faltavam, misturando-as com a minha juventude e as experiências daquele período. Também troquei essas ideias com Sandra Massera, autora do texto, uruguaia e co-diretora com quem trabalhei no processo da primeira montagem. Percebemos que, mesmo vivendo em países diferentes, estávamos ligadas pelo mesmo pensamento juvenil da época. Não quis separar os sentimentos e as experiências que vivi no Brasil da história que estou contando. As ditaduras no Brasil e no Uruguai, tiveram muitas coisas em comum e despertaram sentimentos parecidos.

Resenhando.com - Há algo de profundamente político em escolher uma atuação solo para falar de um trauma coletivo. Você sente que essa solidão em cena dialoga com a solidão das famílias que esperaram por respostas que nunca vieram?
Angela Figueiredo - Não sinto solidão em cena, represento a dor das famílias que esperam por respostas que nunca tiveram.

 Resenhando.com - Depois de tantos anos transitando pela televisão, pelo cinema e pelo teatro, o que "1975" exige de você como atriz que nenhuma novela ousou exigir?
Angela Figueiredo - Este espetáculo me exige o domínio do todo, pois, além de co-dirigir e atuar, traduzi e adaptei o texto. Cuido de todos os detalhes. Já no cinema, na televisão e em espetáculos com equipes maiores, as funções são divididas: as equipes são grandes, muita gente para fazer muita coisa. Aqui, trabalho com uma equipe pequena e estou envolvida em todo o processo.

Resenhando.com - A peça revisita a ditadura uruguaia, mas o público brasileiro inevitavelmente faz suas próprias conexões. Em que momento você percebeu que "1975" deixou de ser “sobre o outro país” e passou a ser perigosamente próxima de nós?
Angela Figueiredo - Sempre pensei que a peça dialogava com a nossa história no Brasil, mas essa percepção se tornou ainda mais clara quando entendi que a violência e o trauma são os mesmos que vivemos aqui. A peça se passa no Uruguai, mas essa história poderia ser passada   em nosso país também.

Resenhando.com - Existe o risco de transformar a dor histórica em produto cultural “bem-acabado”. Como você e Sandra Massera lidaram com o limite entre encenação, ética e memória viva?
Angela Figueiredo - Busquei uma abordagem baseada no respeito à memória da história dolorosa do passado. A encenação foi pensada para manter essa memória viva, como a personagem faz, usando obviamente a poesia do texto para chegar diretamente ao público sem a preocupação de suavizar o sofrimento. Independentemente da dor, a vida segue de alguma forma, e alguns momentos apenas aliviam a dúvida sem fim.


Resenhando.com - O espetáculo propõe uma escuta sensível, quase íntima. Em tempos de discursos ruidosos, polarizados e violentos, você acredita que o teatro ainda é um espaço de escuta, ou virou um lugar de resistência silenciosa?
Angela Figueiredo - Acredito que o teatro é um espaço de escuta, reflexão, resistência e poesia também. Não sei se silenciosa ou barulhenta; depende de como as pessoas recebem o espetáculo.

Resenhando.com - Ao longo da carreira, você interpretou personagens em universos muito distintos. O que permanece em você depois de cada sessão de "1975" que não ficava após um dia de gravação na televisão?
Angela Figueiredo - As personagens não vão comigo para casa. Eu as deixo no camarim, depois que tiro o figurino, independentemente do texto.

Resenhando.com - Há uma geração inteira que não viveu as ditaduras latino-americanas e outra que tenta relativizá-las. O que você espera que esses jovens levem consigo ao sair do teatro: incômodo, informação ou responsabilidade?
Angela Figueiredo - Espero que o espetáculo possa informar, sensibilizar ou despertar a curiosidade daqueles que não vivenciaram ou não sabem o que aconteceu nesse período. Mais do que isso, o texto também traz uma reflexão sobre perda, solidão e memória.

Resenhando.com - Em cena, você carrega memórias que não são suas, mas que são transmitidas por você o tempo todo. Existe um momento em 1975 em que a atriz desaparece e sobra apenas alguém tentando sustentar aquilo que a história tentou enterrar?
Angela Figueiredo - A peça é uma ficção construída a partir da realidade daquela época. As memórias não precisam ser minhas para que eu possa expressá-las e transmiti-las. Durante todo o espetáculo, estou ali como atriz, vivendo aquela história. Naquele momento, tudo é real.

Ficha técnica
Espetáculo "1975"

Texto: Sandra Massera
Direção: Sandra Massera e Angela Figueiredo
Elenco: Angela Figueiredo
Direção de vídeos e fotos: Nanda Cipola
Assistente de direção: Claudinei Brandão
Cenografia e figurinos: Kléber Montanheiro
Iluminação: Amarílis Irani e Maria Julia Rezende
Trilha sonora: Branco Mello e Sandra Massera
Programação visual: Vicka Suarez
Operações técnicas: Nanda Cipola, Maria Julia Rezende
Realização: Casa 5 Produções

Serviço
Espetáculo "1975"

Dias 24 e 25 de janeiro, às 14h30 e 17h00
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114362/d/355042/s/2395274?

Sobre a B3
A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 

.: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um”: Nany People reestreia peça


Entre risos e lembranças, o espetáculo ficará em cartaz quintas, às 20h, até 29 de janeiro, e é inspirado na nova biografia da atriz e humorista, com passagens hilárias e episódios marcantes da sua trajetória. Foto: Moisés Pazianotto

Nany People começa o ano celebrando a sua vida e trajetória. A atriz e humorista está em plena comemoração dos seus 60 anos de idade, 50 anos de carreira, 40 anos da sua chegada a São Paulo e 30 anos de TV da forma que mais gosta: nos palcos. E agora, ela inicia 2026 em clima de festa em uma nova temporada do seu show: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”, até dia 29 de janeiro, no Teatro Mooca. Baseada na sua nova biografia, a peça ficará em cartaz todas as quintas do mês.

Em cena, Nany relata episódios, histórias, causos e inspirações da sua vida e carreira, de maneira muito bem-humorada e com muita beleza. O texto é de Flávio Queiroz e a direção artística/conceitual de Marcos Guimarães. Com a ajuda de projeções e números musicais, o espetáculo vai passeando por toda a trajetória da artista mineira, que se tornou um dos maiores ícones do humor brasileiro. Em um país em que se fala tanto de etarismo, Nany People é a prova viva de que a idade não impacta na produção ou na criatividade, quando se ama o que se faz!

“É um grande tributo à minha trajetória. 'Ser mulher não é pra qualquer um' é mais do que uma peça, é um mergulho divertido, emocionante e verdadeiro nas histórias que me transformaram na mulher que sou hoje”, conta Nany. Com o “jeitinho Nany de ser”, a humorista vai relembrando acontecimentos que marcaram a sua carreira, especialmente nos últimos dez anos, e que estão relatados em sua nova biografia: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - A Saga Continua”, também assinada por Flávio Queiroz, publicada pela Umanos Editora.

"Esse espetáculo é um presente que eu me dou e compartilho com o público! Uma viagem pelos últimos dez anos - das novelas às maratonas de shows, das viagens aos meus amores de quatro patas - e, claro, a alegria de ter meu nome reconhecido por inteiro. Tudo isso com muito humor, porque, afinal, ser mulher não é pra qualquer um!", brinca a diva.

Em “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”, Nany People celebra seis décadas de vida e uma carreira marcada por coragem, versatilidade e muito bom humor. Baseada em sua nova biografia, a peça percorre os momentos mais marcantes de sua trajetória - especialmente os últimos dez anos - com histórias, causos e revelações que passam pelas novelas na TV aberta, a maratona de viagens pelos palcos do Brasil e bastidores da sua vida pessoal.


Ficha técnica
“Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”
Um espetáculo de Nany People e Marcos Guimarães
Com Nany People
Texto: Flavio Queiroz
Direção de cena: Marcos Guimarães
Concepção visual: Marcos Guimarães
Direção musical: Ricardo Severo
Iluminação: Ronny Vieira
Figurino: Fábio Ferreira
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
Produção Executiva: MG8 Cultural

Serviço
"Ser Mulher Não é Pra Qualquer Um - O Espetáculo"
Temporada até 29 de janeiro, quintas
Horário: 20h00
Local: Teatro Mooca
Endereço: Rua Capitão Pacheco e Chaves, 313 - São Paulo
Valores: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 (meia-entrada)
Link de vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/113434/d/350086 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

.: Crítica: "Dois de Nós" transforma reencontro em matéria viva de teatro


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Poucos espetáculos fazem tanto sentido quanto "Dois de Nós", em cartaz até dia 17 de maio, de sexta-feira a domingo, no Teatro Tuca. E não é pelo encontro histórico entre Christiane Torloni e Antonio Fagundes que a dramaturgia que promove - isso, por si só, já seria pouco diante da grandeza dos intérpretes dos protagonistas da novela "A Viagem"-, mas porque o espetáculo decide não tratar esse reencontro na arte como evento e, sim, como matéria viva. 

Ao acompanhar o mesmo casal em diferentes fases da vida, confinado em um quarto de hotel, entre confissões atravessadas pelo tempo, pequenas crueldades e humor que nasce da ousadia de rir de si mesmo, a peça percorre uma vida inteira sem precisar sublinhar passagens. Tudo acontece no detalhe, no que escapa, no que se diz quase por acaso, como costuma ser quando o passado resolve pedir a pedra para atirar, quem sabe, para um acerto de contas definitivo.

Christiane Torloni surge em estado de graça. Há uma linha tênue entre a atriz e a personagem, e não no sentido confortável da identificação, mas naquele ponto em que a biografia chega a virar tensão dramática. Quando ela afirma, no texto do espetáculo, que a tragédia credencia para a vida, não soa como diálogo decorado. Ali está alguém que já atravessou o incêndio e voltou sem pressa para o lugar que a pertence. Torloni domina o espaço com uma elegância que impõe silêncio e contemplação. Da comédia ao drama no ritmo das nuances da personagem, ela é magnética sem recorrer a truques, intensa sem excessos, e faz do palco um lugar onde o tempo parece obedecer apenas a ela.

Antonio Fagundes opta por outro caminho igualmente eficaz. O personagem dele carrega o cansaço de quem andou demais e ainda assim não perdeu o gosto pela conversa. Há charme, claro, mas há sobretudo uma escuta refinada em cena. Fagundes constrói um homem em suspensão, errante sem ser perdido, e conduz o público a uma catarse que não vem do grito, mas do reconhecimento. O riso, às vezes, aparece quase como defesa, até deixar de ser.

Thiago Fragoso e Alexandra Martins aparecem como forças próprias. Fragoso injeta intensidade e urgência no mesmo homem que Fagundes sustenta com contenção - o encontro das duas camadas é um dos achados mais inteligentes do espetáculo. Um complementa o outro em lados antagônicos. Alexandra, por sua vez, evita qualquer sombra de imitação. A personagem que divide com Torloni, na versão dela, tem outra temperatura, outra pulsação, e isso enriquece o jogo cênico em vez de simplificá-lo. O resultado é um mosaico que não se fecha em nostalgia, mas se expande em complexidade.

O texto de Gustavo Pinheiro confirma uma maturidade que já se espera dele. Depois de "A Lista", ele aprofunda o gesto de mergulhar na alma humana e paralisar o espectador. As situações se encadeiam com humor afiado, mas há no texto dele uma escrita que provoca sem alarde, que cutuca sem destacar o óbvio, e que deixa o público com aquela sensação incômoda e preciosa de ter sido arrebatado por algo que continua depois da última fala.

Sob a direção precisa de José Possi Neto, "Dois de Nós" evita o risco do conforto que poderia rondar um elenco tão consagrado. Nada é automático nesse espetáculo e tudo funciona muito bem. O palco é espaço de risco, de escuta, de confronto íntimo. Isso faz com que o espetáculo não termine quando as luzes se apagam. O público sai diferente porque sai melhor. "Dois de Nós" é teatro para a vida. Ensina a rir de si mesmo, a encarar as próprias tragédias sem solenidade, a entender que crescer não significa endurecer. Em tempos de espetáculos apressados em agradar, esse prefere ficar na memória.

Ficha técnica
Espetáculo "Dois de Nós"
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: José Possi Neto
Assistente de direção: Antonio Fagundes
Elenco: Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins
Figurinos e cenários: Fábio Namatame
Desenho de luz: Wagner Freire
Desenho de som: Labsom
Música original: André Abujamra
Produção: Antonio Fagundes
Produção executiva: Gustavo de Souza e Alexandra Martins
Assistente de produção: Vanessa Campos
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany


Serviço
Espetáculo "Dois de Nós"
Teatro Tuca - Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / SP   
Telefone: (11) 3670-8455
Horários: quintas e sextas-feiras, às 21h00, sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia). Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria do teatro de terça-feira a sábado, das 14h00 às 20h00, e domingos, das 14h00 às 18h00, Capacidade:  672 espectadores. Acessibilidade: sim. Duração: 90 minutos. Gênero: comédia. Classificação: 12 anos. Temporada: até 17 de maio . Redes Sociais: @doisdenosteatro / @fafacultural



.: Teatro: "1975" revisita impacto humano e emocional de desaparecimentos


A Arena B3 recebe, nos dias 24 e 25 de janeiro, o espetáculo "1975", obra premiada escrita por Sandra Massera e protagonizada por Angela Figueiredo, que revisita o impacto humano e emocional dos desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar no Uruguai. A montagem constrói uma narrativa delicada e contundente a partir de cartas, lembranças e silêncios, lançando luz sobre histórias marcadas pela ausência, pela violência de Estado e pela persistência da memória.

Com atuação solo intensa e encenação intimista, o espetáculo propõe uma escuta sensível sobre as marcas deixadas pelo autoritarismo na vida cotidiana. Ao articular memória pessoal e história coletiva, "1975" conecta passado e presente, convidando o público a refletir sobre o tempo, o luto e a importância de manter vivas narrativas silenciadas.

Situada no Centro Histórico de São Paulo, a Arena B3 ocupa um dos prédios centenários da bolsa, antes palco dos tradicionais pregões viva-voz, e hoje se transforma em um ponto de encontro cultural com programação acessível aos finais de semana. A curadoria é assinada pela Aventura — produtora de espaços como a EcoVilla Ri Happy, Teatro YouTube, BTG Pactual Hall, Teatro Riachuelo Rio e Teatro TotalEnergies, além de musicais como "Hair", "A Noviça Rebelde", "Elis, o Musical", "Mamma Mia!" e "O Jovem Frankenstein". 

Ao assumir a Arena B3, a Aventura reforça sua presença em São Paulo e amplia o acesso do público a produções culturais de qualidade. Com sessões sempre às 14h30 e 17h00, ingressos acessíveis e classificação variada, janeiro no Teatro B3 reafirma a missão do espaço: democratizar o acesso à cultura e promover vivências transformadoras por meio da arte.


Ficha técnica
Espetáculo "1975"

Texto: Sandra Massera
Direção: Sandra Massera e Angela Figueiredo
Elenco: Angela Figueiredo
Direção de vídeos e fotos: Nanda Cipola
Assistente de direção: Claudinei Brandão
Cenografia e figurinos: Kléber Montanheiro
Iluminação: Amarílis Irani e Maria Julia Rezende
Trilha sonora: Branco Mello e Sandra Massera
Programação visual: Vicka Suarez
Operações técnicas: Nanda Cipola, Maria Julia Rezende
Realização: Casa 5 Produções

Serviço
Espetáculo "1975"

Dias 24 e 25 de janeiro, às 14h30 e 17h00
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114362/d/355042/s/2395274?

Sobre a B3
A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 


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