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quarta-feira, 19 de junho de 2024

.: Adaptação de romance, "Não Fossem as Sílabas do Sábado" estreia em julho


O espetáculo trata de temas como vida e impermanência, memória e apagamento, maternidade e luto, resistência e recomeços. A dramaturgia é de Liana Ferraz e elenco é formado pelas atrizes Carol Vidotti e Fábia Mirassos. Foto: Tomás Franco


Um trágico e absurdo acidente que muda a vida de duas mulheres é tema de "Não Fossem as Sílabas do Sábado", uma adaptação para o romance que rendeu à escritora e defensora pública Mariana Salomão Carrara o Prêmio São Paulo de Literatura em 2023. O espetáculo tem sua temporada de estreia no Sesc Belenzinho de 5 de julho a 4 de agosto, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h30.

A peça tem direção de Joana Dória, dramaturgia de Liana Ferraz e elenco formado por Carol Vidotti e Fábia Mirassos. A ideia de transportar o romance para o palco surgiu de um encontro casual entre Vidotti e a autora Mariana Salomão Carrara na plateia de outro espetáculo, em junho de 2023. “Eu perguntei para a Mariana se ela já tivera um livro seu adaptado para o palco e ela disse que adoraria que isso acontecesse. Nesse instante, a semente do projeto brotou na minha cabeça. Voltei para casa completamente eufórica, entendendo que ‘Não fossem as sílabas do sábado’ era a história que eu vinha buscando para contar numa peça. Tinha lido o livro numa quinta-feira de janeiro e me envolvido profundamente com essas personagens”, revela Vidotti, que assina a idealização da montagem. 

A trama se passa em uma manhã de sábado, quando Ana, que está em uma loja de molduras, liga para seu marido André, pedindo ajuda para carregar o quadro com o pôster do filme favorito do casal. Como a casa dos dois fica ali perto e André está demorando muito, a esposa começa a suspeitar do atraso. Um trágico acidente muda a vida de Ana e de sua vizinha Madalena, que moram no mesmo prédio, mas mal se conhecem: o marido de Madalena, ao pular da janela, desaba justamente sobre André. A partir de então, o que une as duas viúvas passa a ser justamente o que as separa. Em uma rotina de ausências, elas vão se aproximando e, juntas, atravessam a dor, a chegada de uma criança e as agruras do recomeço. Assim, nasce uma amizade que, talvez, expanda o que se entende por família.

“O luto vertiginoso que a narradora atravessa, as dores de ter seu plano de futuro perfeito destruído, as dificuldades com a maternidade, e a maneira como, acima de tudo, essas duas mulheres constroem uma relação de amizade e reformulam juntas o entendimento de família eram temas que vinham de encontro às minhas inquietações artísticas”, acrescenta Vidotti

Sobre a sensação de ver seu romance adaptado para a cena, Mariana Salomão Carrara relata: “Descobri que dentro da minha cabeça de escritora, possivelmente dentro de qualquer cabeça de escritora, existe uma espécie de palco. Só me dei conta disso quando vi, num ensaio, as atrizes materializando as palavras que em algum momento escutei dentro da minha cabeça.  Fiquei muito emocionada e perdida ouvindo a conversa num léxico que não é o meu – figurino, sombras, refletores – tentando compreender esse fenômeno que é tragarem para fora do livro e da cabeça de escritora essas vidas e essas dores que parecia que eu estava conhecendo de verdade apenas ali”.

A adaptação da obra para os palcos vem como disparador de temas caros de trazer para o debate público, como vida e impermanência, memória e apagamento, maternidade e luto, resistência e recomeços, amizade e amor. Tudo sob uma perspectiva feminina.

Já a diretora Joana Dória revela que se encantou pelo encontro das duas mulheres. “Mergulhamos no processo criativo querendo fazer peça do romance: manter seus traços estilísticos, suas imagens e adjetivos; explorar seu ritmo, seus fluxos, seus jorros, o transbordamento de palavras; e ter nossa prática teatral movimentada pela matéria da literatura. Como o texto literário pode ser transformado em expressão performativa, sonora, espacial e plástica? Como essas diferentes abordagens textuais podem dialogar entre si na criação cênica, sem que percamos de vista o objetivo simples de ser veículo de uma boa história?”, indaga. 

Além dos temas discutidos pela peça, as artistas destacam a importância de se trazer ao público uma adaptação de uma obra literária, instigando e incentivando as pessoas a tornar o ato de ler, acima de um hábito, uma prática social significativa para um avanço de nossa capacidade de estar no mundo.


Sinopse
Ana e Madalena são vizinhas, moram no mesmo prédio, mas mal se conheciam até um fato trágico marcar a vida das duas e mudar os rumos de suas histórias. O marido de Madalena, ao pular da janela, desaba justamente sobre o marido de Ana. E, a partir disto, o que as une é o que as separa. Na rotina das ausências, as duas viúvas vão se aproximando: atravessam a dor, a chegada de uma criança, as agruras do recomeço. Nasce uma amizade, que talvez expanda o que se entende por família. Não fossem as sílabas do sábado é uma adaptação teatral do romance homônimo de Mariana Salomão Carrara.


Bate -papo com Mariana Salomão Carrara, Carol Vidotti e Liana Ferraz
A recriação do romance "Não Fossem as Sílabas do Sábado" no teatro
Dia 3 de agosto de 2024
Horário: das 16h00 às 18h00
Local de realização: Área de Convivência


Ficha técnica
Idealização: Carol Vidotti
Elenco: Carol Vidotti e Fábia Mirassos
Direção: Joana Dória
Autora: Mariana Salomão Carrara
Dramaturgia: Liana Ferraz
Direção de movimento: Nina Giovelli
Assistência de direção: Abel Xavier
Trilha sonora e operação de som: Pedro Semeghini
Cenografia: Andreas Guimarães
Figurino: Érika Grizendi
Visagismo: Fábia Mirassos
Projeções, mapping e operação de vídeo: Vic Von Poser
Desenho e operação de luz: Henrique Andrade
Direção técnica: Giovanna Gonçalves
Fotos: Tomás Franco
Designer gráfico: Renan Marcondes
Intérprete de LIBRAS: Mirian Caxilé e Felipe Medeiros
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Apoio Cultural: Instituto Brasileiro de Teatro - IBT
Direção de produção: Marisa Riccitelli Sant’ana e Rachel Brumana
Produção executiva: Dani Correia e Paula Malfatti
Assistente de produção: Beatriz Falleiros
Gestão: Associação SÙ de Cultura e Educação


Serviço
"Não Fossem as Sílabas do Sábado"
Temporada: 5 de julho a 4 de agosto de 2024*
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h30
Sesc Belenzinho – Sala Espetáculos II – Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho
Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia-entrada) e R$12,00 (credencial plena)
Vendas online em sescsp.org.br. Venda presencial em qualquer unidade do Sesc São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700
Classificação: 12 anos
Duração: 1h20
Capacidade: 120 lugares
Acessibilidade: apresentações com tradução em LIBRAS acontecem nos dias 20 e 21 de julho. Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

terça-feira, 18 de junho de 2024

.: "Eu Sempre Soube...", com Rosane Gofman, terá única apresentação em SP


Atriz Rosane Gofman fará única apresentação de premiado monólogo na cidade de São Paulo, em que aborda o universo das mães de pessoas LGBTQIAPN+. 
Foto: Roberto Cardoso

O espetáculo "Eu Sempre Soube..." protagonizado pela atriz Rosane Gofman, com texto e direção de Márcio Azevedo, volta para São Paulo no dia 29 de junho no Teatro das Artes no Shopping Eldorado. A peça já fez oito temporadas no Rio de Janeiro, duas na capital paulista e também passou por diversas outras cidades do Brasil. Conquistou vários prêmios como Funarte de Dramaturgia 2018, melhor atriz prêmio Profest de Teatro 2020, Cenyn de melhor monólogo 2019 entre outros.

A peça conta a história da jornalista Majô Gonçalo que está lançando o livro "Eu Sempre Soube..." e palestrando. Em sua primeira aparição pública, nossa protagonista apresenta uma história de amor, do amor mais puro e incondicional que alguém pode sentir. O amor de mãe. Mães capazes de qualquer tipo de sacrifício por amor aos seus filhos. Mães que, mediante a realidade dos filhos se reinventam, se reconstroem para manter a dignidade de sua cria. Mães leoas que pulam em cima com garras afiadas daqueles que tentam por preconceito ou ignorância prejudicarem seus filhos. Mães pela diversidade, mães dispostas a reorganizar seus lares, suas famílias em respeito e dedicação às escolhas dos filhos.

Para escrever essa peça documentário, o autor entrevistou 98 mães, e agrupou essas mulheres e suas vivências em três momentos: Como as mães lidam no momento quando ouvem de seus filhos a frase: “sou gay”. A violência nas ruas que põe em risco a vida de seus filhos. O preconceito na escola, bairro, rua, prédio e principalmente dentro de casa.

Durante o espetáculo diversas dúvidas são relatadas pela protagonista como os casos de homofobia, como as mães recebem o fato que seus filhos estão transicionando? Como contar isso aos outros familiares? Os riscos das cirurgias? A readaptação do novo(a) filho(a) na sociedade? A luta dessas mães quando seus filhos comunicam em casa que estão com HIV? Como abraçar a causa desses filhos? Em todos os momentos e falas da personagem Majô Gonçalo ouvimos palavras de amor e esperança, de afeto e dor.

De janeiro a junho de 2022, o Brasil registrou 135 mortes de pessoas LGBTIAPN+, segundo a pesquisa do GGB (Grupo Gay da Bahia). Ainda de acordo com o levantamento, no 1º semestre de 2022, 63 gays e 58 mulheres trans ou travestis foram mortos. A atriz Rosane Gofman recebeu esse ano o título de embaixadora das Mães da Resistência pelo seu trabalho no espetáculo "Eu Sempre Soube...",  apoiando a luta do movimento LGBTQIAPN+.

Ficha técnica
Texto e direção: Márcio Azevedo
Elenco: Rosane Gofman -> personagem (Majo Gonçalo)
Direção de produção: Fabio Camara
Direção musical, trilha sonora: Tauã de Lorena
Músico: Pedro Mendonça
Luz: Aurélio de Simoni
Figurino: Anderson Ferreira
Cenógrafo: José Carlos Vieira
Visagista: Thiogo Andrade
Operador de luz: Jackson Oliveira
Programação visual: Gabriela Cima
Fotos cartaz: Nanah Garcia
Fotos cena: Roberto Cardoso
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Realização: Lugibi Produções Artísticas

Serviço
Local: Teatro das Artes.  (Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros). Shopping Eldorado. 769 lugares.
Sábado, dia 29 de junho, às 17h30
Ingressos: R$ 100,00 e R$ 50,00 (meia-entrada)
Informações: 11 (11) 3034-0075
Vendas pela internet: https://bileto.sympla.com.br/event/95065
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 17 de junho de 2024

.: Espetáculo "Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery" atualiza clássico


Espetáculo “Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery” atualiza clássico de Plínio Marcos com entregadores e universitários; interracialidade e falsa mobilidade social é tema da montagem. Com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo e idealização de Michel Pereira, apresentações únicas nos dias 28 e 29 de junho, no Sesc Avenida Paulista. Foto: Felipe Fefo
 


Escrita em 1966, a peça "Dois Perdidos numa Noite Suja", de Plínio Marcos, aborda a precariedade no mundo do trabalho e as práticas de destituição da vida. Em montagem dirigida por José Fernando Peixoto de Azevedo, essa temática é atualizada a partir de uma perspectiva inter-racial. Apresentações únicas nos dias 28 e 29 de junho, sexta e sábado, às 19h30, no Sesc Avenida Paulista. O espetáculo integra a programação do projeto "O Futuro é Cooperativo - Especial Trabalho"; que apresenta um conjunto de atividades com objetivo de debater e compartilhar saberes sobre o direito ao trabalho, cultura, democracia e suas relações com as plataformas de cooperação tradicionais e digitais.

Em "Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery", os atores Michel Pereira e Lucas Rosário mantém o texto de Plínio Marcos na íntegra. Entretanto, os personagens que eram carregadores de caminhão no original se transformaram em entregadores delivery nesta nova proposta. Além disso, na história dirigida por José Fernando, Tonho é um jovem negro e Paco um jovem branco. Ambos são da periferia e vivem em uma residência estudantil, pois estão lutando para se manter na universidade.


Sinopse
Tonho, um jovem negro, e Paco, um jovem branco, são da periferia e dividem uma residência estudantil. Eles têm um cotidiano ambivalente, entre a chegada na universidade e a dificuldade de permanência. Os dois ganham a vida como entregadores delivery. A mistura insuspeitada desses dois universos, verificável já hoje na vida universitária pós-cotas, dá o tom e a fisionomia de um país no qual as promessas de mobilidade social revelam o seu fundo falso no cotidiano supressivo.


Sobre o diretor
José Fernando Peixoto de Azevedo
(São Paulo, SP, 1974). Doutor em filosofia pela USP, é pesquisador, dramaturgo e diretor de teatro e filmes, além de professor da Escola de Arte Dramática (EAD) e do Programa de pós-graduação em artes cênicas, ambos da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde também colaborou no Curso Superior do Audiovisual do departamento de Cinema, Rádio e Televisão. Fundou, em 1997, o Teatro dos Narradores, onde realizou, entre outros espetáculos, “Cidade Vodu” (2016) e “Cidade Fim, Cidade Coro, Cidade Reverso” (2011). Também colabora como diretor e dramaturgo no grupo Os Crespos. Dirigiu recentemente “Um Inimigo do Povo” (2022), “As Mãos Sujas” (2019) e “Navalha na Carne Negra” (2018). Publicou “Eu, Um Crioulo” (editora n-1, 2018) e organizou “Próximo Ato: teatro de Grupo” (Itaú Cultural, 2011), com Antônio Araújo e Maria Tendlau. É autor de artigos e peças em revistas e livros no Brasil, EUA, Alemanha e Espanha. Tem desenvolvido trabalhos também em Berlim. É coordenador da coleção Encruzilhada da editora Cobogó. Desde agosto de 2023, é diretor do Teatro da Universidade de São Paulo.


Atores
Michel Pereira
é um ator mineiro residente em São Paulo. Iniciou sua formação em 2013 no GLOBE-SP, coordenado por Ulysses Cruz. Cursou também, em 2017, o NAC – Núcleo de Artes Cênicas, dirigido por Lee Taylor. Em 2018, integrou o Núcleo de Artes Cênicas do SESI SP, sob coordenação de Miriam Rinaldi. Formou-se, em 2023, na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD - ECA/USP). É palhaço, com técnica e aprendizado desenvolvidos no estúdio Oito Nova Dança, com Cristiane Paoli Quito. O artista está no elenco das séries “Chuva Negra” e “A Mesa”, ambas do Canal Brasil e disponíveis no Globoplay. Recentemente, gravou o longa-metragem “Passagrana”, com direção de Ravel Cabral, e a série “Sutura”, para o Star Plus.

Lucas Rosário é formado em Artes Cênicas no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, de Tatuí-SP (2011/2013). Em 2014, em Lençóis Paulista, criou o Grupo Tertúlia Teatro, atuando na peça “Quando as Máquinas Param”, de Plínio Marcos. Em 2016, em São Paulo, integrou o espetáculo “O Desconhecido” e iniciou seus estudos no NAC - Núcleo de Artes Cênicas, atuando no espetáculo “Doc.Eremitas” (2016/2017), com direção de Lee Taylor. Atualmente, cursa interpretação na EAD - Escola de Arte Dramática e Letras/Inglês na FFLCH - faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, ambos na USP - Universidade de São Paulo.


Ficha técnica
Espaço cênico, dispositivo de imagem e direção geral: José Fernando Peixoto de Azevedo
Atuação: Lucas Rosário e Michel Pereira
Músicos em cena: Mateus Jesus e Mariê Olops
Operador de câmera: Nycholas Alves
Operador de imagem: Diego Roberto
Assistente de direção: Thaina Muniz
Desenho de Luz: Denilson Marques
Cenotecnia: Zito Rodrigues e Nilton Ruiz
Assessoria de imprensa: Canal Aberto
Produção executiva: Michel Pereira
Produção: Corpo Rastreado

 
Serviço
"Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery"
Dias: 28 e 29 de junho de 2024. Sexta e sábado, às 19h30
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia) e R$ 12,00 (credencial plena). Vendas online a partir de 18/6, às 17h, e nas bilheterias das unidades do Sesc SP, no dia 19 de junho, às 17h00.
Classificação indicativa sugerida: 14 anos
Duração: 90 minutos
Local: Praça (Térreo).

Sesc Avenida Paulista
Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo
Fone: (11) 3170-0800
Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m
Horário de funcionamento da unidade:
Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, das 10h às 19h30. Domingos e feriados, das 10h às 18h30.

.: "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, estreia dia 18 no Espaço Ateliê Cênico


Encenação de Elias Andreato transforma obra vanguardista em uma experiência intensa. Estreia no dia 18 de junho no Espaço Ateliê Cênico. Foto: Ronaldo Gutierrez 


Escrita em 1913, a peça "O Marinheiro", do poeta e escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), é considerada o marco inicial do movimento modernista em Portugal. E essa obra provocadora será dirigida por Elias Andreato e estrelada por Cristina Mutarelli, Michele Matalon e Muriel Matalon. Minimalista e vanguardista, a peça foi escrita pelo poeta lusitano em dois dias, na mesma época em que ele criou seus três principais heterônimos. O espetáculo tem curta temporada no Espaço Ateliê Cênico, entre 18 de junho e 18 de julho, com apresentações às quartas e quintas-feiras, sempre às 20h00. 

Escrita quando ele tinha apenas 23 anos, a obra pré-anuncia o que viria a ser a vida de Fernando Pessoa, seus tormentos e sofrimentos. A trama traz três personagens, que velam uma morta durante toda a madrugada. Seus corpos semi-estáticos nesse ambiente funesto levam seus mais profundos pensamentos a um ambiente onírico no curso dos diálogos. E são nestas conversações que surgem as angústias que as atormentam; conflitos que nascem e se instalam na mente e nos pensamentos das três. 

"O Marinheiro" nos mostra um Pessoa influenciado pelos simbolistas e pelo movimento saudosista português, inspirado pelo dramaturgo, poeta e ensaísta belga Maurice Maeterlinck (1862-1949). No entanto, a partir dessas influências, Pessoa desenvolveu o que ele chamou de "sensacionismo integral", culminando na criação de seus três heterônimos mais conhecidos. 

A presença das três "veladoras" ao lado da morta não é mera coincidência. Elas também representam uma só entidade, embora se apresentem como distintas em alma. Unidas, compartilham a vida e o ofício. Com uma abordagem concisa e meticulosa, Andreato coloca a palavra como protagonista, preservando a pulsação das atrizes e mantendo uma suspensão que intensifica a emoção ao longo de toda a representação. Cada palavra, gesto e o ambiente cênico são cuidadosamente elaborados para proporcionar uma imersão profunda na narrativa. 

O elenco dá vida às personagens com uma entrega visceral, capturando a essência dos conflitos internos e das angústias presentes na obra. Presas na trama de suas próprias existências, as personagens se encontram diante de um cenário composto por mais de 12 mil metros de corda, no qual surgem imagens projetadas, delineando a jornada em busca de seus sonhos e do encontro com "O Marinheiro". A luz, recortada em um jogo de luz e sombras, complementa a atmosfera. 

O drama se desenvolve gradualmente até atingir um momento de terror e dúvida, onde, petrificadas, as três almas que falam anseiam pelo novo dia que está prestes a nascer. Esses elementos combinados criam um ambiente teatral singular, permitindo que o público mergulhe nas profundezas das emoções retratadas por Fernando Pessoa. Compre o livro "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, neste link.

Sobre Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa
(Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Ele é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português, ao ponto de escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. 

O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman Renascido" e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa, mas também da inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa, além disso traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para o inglês. 

Fernando Pessoa criou várias personalidades literárias conhecidas como heterônimos, sendo os mais estudados Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. Entre suas principais obras estão "Mensagem", "Livro do Desassossego", "Poemas de Alberto Caeiro", "Odes de Ricardo Reis" e "Poemas de Álvaro de Campos". Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros”


Sinopse
Sem a exata noção das horas no arrastar da noite negra, três figuras velam uma morta, seus corpos quase imóveis neste ambiente funesto. No entanto, suas mentes, libertas das amarras do real, vagam por um reino onírico conduzidas pelo fluxo dos diálogos. Da palavra surgem as angústias que as atormentam; conflitos que nascem e se instalam nas mentes e pensamentos das três. 

Durante a vigília, a segunda irmã narra um sonho sobre um marinheiro perdido em uma ilha deserta, que cria uma vida ilusória para si mesmo, imaginando um mundo inteiro para escapar da solidão e do desespero. Essa metáfora da condição humana reflete sobre o isolamento, a necessidade de criar significados e a fragilidade das percepções. À medida que a noite avança, as reflexões sobre a efemeridade da vida, a natureza dos sonhos e a busca por sentido dominam a conversa.


Ficha técnica 
Direção: Elias Andreato
Atrizes: Cristina Mutarelli, Michele Matalon e Muriel Matalon
Assistência de direção: Roberto Alencar
Cenário e figurino: Simone Mina
Assistente de cenografia: Annick Matalon
Música original: Jhonatan Harold
Direçãovocal interpretativa: Lucia Gayotto
Direção de movimento: Roberto Alencar
Iluminador: Wagner Freire
Projeto gráfico: Ciro Girard
Social mídia: Rafa Américo
Produção: “Muriel Matalon ” e “4 ever produções artísticas”
Direção de produção: Zé Guilherme Bueno

Serviço
"O Marinheiro", de Fernando Pessoa, com direção de Elias Andreato
Temporada: 18 de junho a 18 de julho, às quartas e quintas-feiras, às 20h
Espaço Ateliê Cênico – Rua Fortunato, 241, Vila Buarque
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)
Classificação: 12 anos
Duração: 50 minutos

.: "O Pai": 300 apresentações e nova temporada no Teatro Fernando Torres


Montada em mais de 30 países, a peça escrita pelo francês Florian Zeller rendeu ao intérprete brasileiro os Prêmios Shell e Bibi Ferreira de melhor ator. Foto: João Caldas F.º 


Vista por 100 mil pessoas desde a sua estreia em 2016, a versão brasileira da premiada peça teatral "O Pai", escrita pelo francês Florian Zeller e protagonizada pelo talentosíssimo Fulvio Stefanini, volta em cartaz em São Paulo para uma temporada em comemoração às 300 apresentações do trabalho. O espetáculo fica em cartaz no Teatro Fernando Torres, de 6 a 28 de julho, com apresentações aos sábados e domingos.

A montagem brasileira, que é dirigida por Léo Stefanini, e ainda celebra os 69 anos de carreira de Fulvio, que ganhou os prêmios Shell e Bibi Ferreira de melhor ator por este trabalho. A produção, que também ganhou a premiação nas categorias de cenografia e espetáculo, ainda traz no elenco Carol Gonzalez, Fulvio Filho, Wilson Gomes, Déo Patrício e Carol Mariottini.

Encenado em mais de 30 países, o texto foi adaptado pelo próprio autor para o cinema em um filme de 2020, estrelado por Anthony Hopkins, que levou o Oscar nas categorias de melhor ator e roteiro adaptado. Recentemente, Florian Zeller estreou outro drama nas telonas, “Um Filho” (2022). A obra ainda ganhou em 2014, na França o famoso Prêmio Molière, nas categorias de melhor espetáculo, ator e atriz. E, na Inglaterra, foi eleita a peça do ano pelo jornal The Guardian.

"O Pai" conta a história de André, um idoso de 80 anos, rabugento, porém muito simpático e divertido. Quando a memória dele começa a falhar, a sua única filha vive um dilema: deve levá-lo para morar com ela e contratar uma enfermeira para ajudá-la a cuidar dele ou deve interná-lo em um asilo – para poder curtir a vida ao lado de seu novo namorado? Com tom poético e um leve humor requintado, a peça trata desse tema comovente com leveza e sensibilidade, e nos convida a pensar sobre questões como a convivência familiar, o envelhecimento e as nossas escolhas na vida.


Sinopse
Fulvio Stefanini interpreta André, um idoso de 80 anos, rabugento, mas muito simpático e divertido. Com sua cabeça começando a falhar, sua filha vive um dilema: cuidar de seu pai, ou interná-lo em um asilo e ir curtir a vida com seu novo namorado.


Ficha técnica
Texto: Florian Zeller
Tradução: Carol Gonzalez e Lenita Aghetoni
Direção: Léo Stefanini
Elenco: Fulvio Stefanini, Carol Gonzalez, Wilson Gomes, Deo Patricio, Carol Mariottini e Fulvio Filho
Luz: Diego Cortez
Som: Raul Teixeira e Renato Navarro
Figurinos: Lelê Barbieri
Técnicos: Diego Cortez e Ronaldo Silva
Design: Giovani Tozi
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Realização: Cora Produções Artísticas


Serviço
"O Pai", de Florian Zeller
Temporada: de 6 a 28 de julho
Aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h
Teatro Fernando Torres - Rua Padre Estevão Pernent, 588, Tatuapé / São Paulo
Ingressos: aos sábados, R$120 (inteira) e R$60 (meia-entrada) | e aos domingos, R$100 (inteira) e R$50 (meia-entrada)
Venda on-line em https://bileto.sympla.com.br/event/94816/d/260291/s/1777252
Bilheteria (sem taxa de conveniência): de quarta a domingo, das 14h às 19h. E, em dias de espetáculo, das 14h até o início da apresentação.
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 685 lugares
Acessibilidade: o teatro é acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

domingo, 16 de junho de 2024

.: "Escola Modelo" propõe diálogo sobre racismo e os desafios da educação


Peça dirigida por Fernando Vilela traz em cena Pedro Granato e Letícia Calvosa refletindo as estruturas sociais sob diferentes perspectivas. Espetáculo estreia em junho no Sesc Ipiranga. Foto: José de Holanda


O espetáculo "Escola Modelo" convida os espectadores a uma jornada e reflexiva sobre os impactos das ações afirmativas e do racismo estrutural na formação escolar. Com direção de Fernando Vilella e dramaturgia de Bruno Lourenço, a está em cartaz no Sesc Ipiranga. A temporada segue até 21 de julho, com sessões sextas-feiras, às 21h30, e aos sábados e domingos, às 18h30. Sessão no feriado de 9 de julho, às 18h30.

Pot meio de experiências pessoais dos performers Pedro Granato e Letícia Calvosa, o projeto propõe uma narrativa que atravessa as fronteiras entre o público e o privado, o político e o pessoal. Calvosa, uma mulher negra que enfrentou dilemas sobre as cotas ao ingressar na universidade, e Granato, um homem branco que foi gestor público de formação, refletem sobre como o racismo moldou suas trajetórias educacionais. 

Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta a atriz.

Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços. "Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais", reflete.

A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo o dramaturgo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas), explica. Autores brasileiros importantes como Sílvio de Almeida, Sueli Carneiro, Lívia Sant'anna Vaz e Cida Bento também foram fontes de debates apresentados no texto.

A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.

“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela. 

A cenografia, inspirada no filme "Dogville", de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.


Ficha técnica
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa | Direção: Fernando Vilela | Dramaturgia: Bruno Lourenço | Assistente de direção: Jota Silva | Desenho de luz: Ariel Rodrigues | Direção de arte: Fernando Vilela | Figurino: Thais Sakuma | Preparação Vocal: Malú Lomando | Técnico de Palco: Victor Moretti l Técnico de Luz: Ariel Rodrigues l Técnico de Som: Jota Silva l Produção Executiva: Carolina Henriques l Assistência de Produção: Rommaní Carvalhol Fotos Divulgação: José de Holanda | Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli l Produção e Realização: Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato l Direção de Produção: Jessica Rodrigues.


Serviço
Espetáculo Escola Modelo - Estreia dia 14 de junho no Sesc Ipiranga.
Temporada: até dia 21 de julho de 2024 - Sexta-feira, às 21h30. Sábados e domingos, às 18h30.
Terça-feira, 9 de julho, às 18h30.
Classificação etária: Não recomendado para menores de 12 anos.
Duração: 60 minutos.
Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga
Horário de funcionamento: Terça a sexta, das 7h às 21h30; aos sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Local: auditório
Capacidade: 30 lugares.
Informações: (11) 3340-2035.
Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena)
Vendas pelo site sescsp.org.br/ipiranga e nas unidades do Sesc.

.: Comédia "Antes do Ano Que Vem", estrelada por Mariana Xavier, volta a SP


Texto de Gustavo Pinheiro trata com sensibilidade e leveza de um tema preocupante, saúde mental, sob direção de Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos. O espetáculo, que já fez mais de 100 sessões lotadas, é mais uma realização da Trampo Produções e da WB Produções, dos produtores associados Bruna Dornellas, Mariana Xavier e Wesley Telles. Foto: Adriano Dória


Logo depois de uma temporada de grande sucesso no Rio de Janeiro, a comédia "Antes do Ano Que Vem", estrelada pela atriz Mariana Xavier retorna a São Paulo para uma temporada popular no Teatro Itália Bandeirantes, de 19 de julho a 8 de setembro, com ingressos a R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada). As apresentações acontecem às sextas e aos sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00. Com texto inédito de Gustavo Pinheiro, o espetáculo trata com leveza e esperança nossas dores emocionais e nossa capacidade de se reinventar para contornar os desafios da vida. A montagem tem direção de Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos e direção de movimento de Márcio Vieira. 

O espetáculo já foi visto por mais de 45 mil pessoas em mais de 100 apresentações. O trabalho também já passou por Manaus (AM), Vitória (ES), Maceió (AL), Brasília (DF), Curitiba (PR), Campinas (SP), Teresina (PI), São José dos Campos (SP), Salvador (BA), Aracaju (SE), Uberlândia (MG), São Luís (MA), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Pelotas (RS), Caxias do Sul (RS), São Francisco do Sul (SC) e São Lourenço D’Oeste (SC).  

A nova temporada é possível graças ao projeto viabilizado através do Programa de Ação Cultural (ProAC), lei de incentivo do Estado de São Paulo, apresentado pela empresa Algar e com patrocínio da Foxconn. Mariana Xavier, a inesquecível Marcelina de "Minha Mãe É Uma Peça", se desdobra para dar vida a sete mulheres, que terão suas histórias conectadas através da Central de Apoio aos Desesperados, referência a atendimentos telefônicos voluntários que existem para tentar reverter situações que podem levar a medidas extremas. São elas:

Dizuite, a faxineira do CAD que só queria terminar o trabalho e passar a Virada com a família. Dra Telma, a terapeuta deprimida. Jussara, a atendente de telemarketing que sonha em voltar para o emprego de cozinheira. Gracinha, a anfitriã cujos convidados não aparecem na festa, mas se esconde na positividade tóxica. Maria de Lourdes, a socialite falida prestes a matar o marido. Michelle, a adolescente carente de atenção dos pais que foi traída pelo namorado e pela melhor amiga. Tia Xinda, a idosa que não sabe como pedir desculpas à sobrinha pela briga no Natal.

É noite de Ano Novo. Dra Telma, a psicóloga plantonista do CAD, não aparece para trabalhar e Dizuite, que não foi preparada para a função, mas administra com sabedoria popular as dores e delícias do próprio cotidiano, é quem acaba auxiliando as pessoas que estão do outro lado da linha em busca de ajuda, de um conselho, de um ombro ou apenas de alguém que as escute. Com sua “psicologia própria”, hilária e impulsiva, Dizuite assume a missão de mostrar a essas mulheres que vale a pena viver e que ainda dá pra ser feliz antes do ano que vem. O espetáculo é mais uma realização da Trampo Produções e da WB Produções, dos produtores associados Bruna Dornellas, Mariana Xavier e Wesley Telles. 

“A peça se passa na noite de Réveillon, quando há um aumento significativo no número de ligações com pedidos de ajuda. Datas como esta, de 'felicidade obrigatória', fazem aflorar ainda mais as emoções de quem não está lá muito satisfeito com a própria vida”, explica a atriz. A peça também se propõe a discutir questões fundamentais para a sociedade contemporânea, como solidão, empatia, solidariedade e a nova ditadura de felicidade imposta pelas interações virtuais. “O humor abre portas para novas percepções do mundo. Vivemos num tempo em que rir é o primeiro remédio para as nossas mazelas. Com este texto e o grande talento de Mariana, damos um salto além no humor atual que fala das mulheres”, afirma o diretor Lázaro Ramos.

Mariana Xavier também confessa: "Um misto de excitação e medo: é o que toma conta de tanta gente na noite de réveillon e também o que eu sinto nesse momento, encarando meu primeiro espetáculo solo. Antes do Ano Que Vem já é o maior desafio da minha carreira e prova que é possível fazer arte popular com qualidade e sensibilidade. Acredito na comédia como ferramenta não só de entretenimento, mas de crítica e reflexão. Acredito também no poder transformador da empatia e é através dela que esperamos que o público saia do teatro leve, afagado e um pouco transformado também".

Para o autor Gustavo Pinheiro, “o riso que propomos à plateia nesta comédia é o de compaixão, nunca do deboche. É o riso da empatia, de quem também tem suas dores e sabe que vivê-las e superá-las faz parte do jogo. Torço para que este espetáculo seja um convite para que cada pessoa na plateia também pense o que pode fazer por si mesmo, pela sua felicidade, o quanto antes. Se possível, antes do ano que vem”.

Sinopse
Hilária e impulsiva, com “psicologia própria”, Dizuite distribui conselhos de esperança por telefone para mulheres com dores emocionais e mostra a capacidade de se reinventar para contornar os desafios da vida e que vale a pena viver, que ainda dá pra ser feliz antes do ano novo chegar.

Ficha técnica
Elenco: Mariana Xavier
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos
Idealização: Mariana Xavier
Direção de produção: Bruna Dornellas e Wesley Telles
Direção de movimento: Márcio Vieira
Produção executiva: Erika Horn
Assistente de produção: Alana Carvalho
Gestão de projetos: Deivid Andrade
Assistente de produção: Lays Mattos
Consultoria terapêutica: Rossandro Klinjey
Criação de arte: Yasmin Campbell
Design gráfico: Jhon Lucas Paes
Design de luz: Adriana Ortiz
Cenário: Natalia Lana
Cenotécnico: André Salles e Equipe
Costureira de Cenário: Nice Tramontin
Figurino: Tereza Nabuco
Costureira Figurino: Adélia Andrade
Preparação vocal: Jorge Maia
Trilha sonora: Jarbas Bittencourt
Operador de Som: Júlio Coelho
Operador de Luz: Matheus Espessoto
Fotos de cena: Adriano Dória
Mídias Sociais: Ismara Cardoso
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Coordenação Administrativa: Vianapole Comunicação
Contabilidade: Gavacon Contabilidade
Assessoria jurídica: Maia, Miranda & Benincá Advocacia
Produtores associados: Bruna Dornellas, Mariana Xavier e Wesley Telles
Apresentado por: Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa, e Algar
Patrocínio: Foxconn
Realização: WB Produções e Trampo Produções


Serviço
"Antes do Ano Que Vem", com Mariana Xavier
Temporada popular: de 19 de julho a 8 de setembro
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro Itália-Bandeirantes – Avenida Ipiranga, 344, República
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
On-line pelo site ou app da Sympla
Na bilheteria do teatro durante a temporada, todos os dias de espetáculo 2h antes.
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Vendas Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/94383
Acessibilidade: Teatro com espaço acessível para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção. Intérprete de libras e audiodescrição todos os sábados da temporada.
Informações: wbproducoes.com ou pelo WhatsApp 2799293-7558.
Durante todos os sábados da temporada temos bate-papo após o espetáculo, onde a atriz Mariana Xavier e mais um convidado especial falam sobre o espetáculo e o tema da peça, saúde mental.

.: Elisa Lucinda faz nova temporada da peça “Parem de Falar Mal da Rotina”


Atriz e autora do espetáculo, Elisa Lucinda trata o cotidiano como espaço de estreia e criatividade, e não como uma repetição.Foto: Jonathan Estrella


Livro e peça teatral, "Parem de Falar Mal da Rotina" é um fenômeno. Não se tem notícia, pelo menos no Brasil, de outro monólogo criado e protagonizado por uma mulher negra que tenha arrastado milhares de espectadores pelo país inteiro e fora dele, por 22 anos. O espetáculo de Elisa Lucinda volta em cartaz em São Paulo no Teatro Liberdade no dia 22 de junho para uma curtíssima temporada.

Na peça, dirigida por Geovana Pires, a atriz e autora trata o cotidiano como espaço de estreia e criatividade, e não como uma repetição. Para tanto, desfila sua poesia e suas encantadoras histórias cênicas para revelar ao espectador os nossos óbvios, onde o público se vê. O resultado traz uma experiência na qual, por pouco mais de duas horas, o espectador ouve elogios à rotina, e é convidado a uma auto-observação de nossa dramaturgia diária. 

A chave, da qual parte a autora, é simples, porém fundamental: a rotina é feita de um conjunto de escolhas. Toda geografia de nossos atos cotidianos é desenhada por nossos desejos e decisões diante das opções, portanto, nós somos os responsáveis pelo que chamaremos de rotina e ninguém é culpado deste desenho. Só nós mesmos. Depois de nos levar a rir e chorar de nós mesmos, a sequência de cenas nos leva a crer no poder que temos, cada um, de atuar nessa rotina, de modo a otimizá-la, melhorá-la, trazê-la para mais perto dos nossos sonhos. Em verdade, nós temos o poder da mudança, nós somos os diretores, atores, autores, roteiristas e produtores das nossas próprias vidas.

“A peça nasceu das inúmeras lições que a natureza nos ensina todo dia. A grande lição é a capacidade de estreia que faz tudo na natureza acontecer de forma espetacular di-a-ri-a-men-te: o nascer do sol, o pôr do mesmo sol, o céu, a chuva, as estrelas, os ventos e as tardes. A natureza ensina a toda gente, mas, às vezes, alunos distraídos que somos, não vemos o lindo óbvio que ela nos oferece e as dicas que ela pode nos dar na condução de nossa vida diária”, conta a atriz e autora do espetáculo.

Junto com a Geovana Pires, Elisa Lucinda criou a Companhia da Outra, que assina o espetáculo. A linguagem desenvolvida nesta obra “engana” o público, pois, seu arcabouço de condução coloquial leva o espectador a achar que tudo é improviso, mas com as surpresas cênicas e algumas repetições de cena, acaba-se concluindo que tudo ali é marcado, ensaiado, ainda que muitos improvisos aconteçam realmente, fruto da interação com a plateia que o espetáculo propõe.

Deselitizando a poesia, Elisa fala o texto poético como quem conversa com o público, emociona e diverte com suas palavras gente de zero a cem anos, de todo o tipo e lugar. A experiência assemelha-se a uma espécie de autoajuda inteligente, uma aula de cidadania através da educação emociona.

Comemorando vinte e dois anos de estrada, o espetáculo abraça plateias e admiradores no Brasil e no exterior, com sucesso de público e crítica. A cerimônia de repeti-lo todos os dias especializou sua criadora na arte de estreá-lo diariamente. A escolha dessa linguagem de roteiro aparentemente imprevisível para quem vê, produziu um outro fenômeno que é a repetição do público. 

Ao final, Lucinda pergunta quantas pessoas já viram a peça. Geralmente a resposta positiva vem de 30 a 40% do público, que quer ver de novo uma, duas, três, oito, quinze, trinta vezes. Ele quer ouvir de novo aquilo que não refletiu direito da primeira vez, ou quer experimentar aquela sensação num outro dia. É muita informação. Sem contar que cada qual quer que seu pai, sua irmã, seu primo, seu novo amor, seu amigo que ainda não viu, veja. E não basta só indicar. Cada um quer trazer o amigo pessoalmente, levá-lo, assistir suas reações. 

Talvez o público não espere nunca que essa peça pare, pois está sempre disposto a estar presente nas próximas temporadas lotando os teatros, fazendo confusão de acesso de pessoas na porta. Como o espetáculo já atingiu sua maioridade, não é incomum que apareçam espectadores que foram acompanhados dos pais dentro da barriga, ou bebês ainda, e que hoje, adultos, voltam com esses pais e trazem novos amigos. De alguma maneira, a receita dessa obra leva uma comunicação transversal a toda a população brasileira e, por que não, mundial. Compre o livro "Parem de Falar Mal da Rotina", de Elisa Lucinda, neste link.


Ficha técnica
Texto e Atuação: Elisa Lucinda
Direção: Geovana Pires
Direção de Produção: Rafael Lydio
Cenografia: Gisele Licht
Figurinos: Christina Cordeiro
Iluminação: Djalma Amaral
Operador de Luz: Marcelo Demarchi
Operador de Som: Alessandro Aoyama - JAPA
Camareiro/contrarregra: Eduardo Brandão
Coordenador de Comunicação: Daniel Barboza
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio Assessoria de Imprensa
Realização: Casa Poema
Produção: Paragogí Cultural


Serviço
Espetáculo “Parem de Falar Mal da Rotina”
De 22 de junho a 20 de julho de 2024, em curta temporada
Horários: sábados, às 21h00     
Duração: duas horas
Gênero: teatro
Classificação: 14 anos
Local: Teatro Liberdade – Rua São Joaquim 129 – Bairro: Liberdade

.: Espetáculo "Circus Experience" celebra dez anos do Teatro J Safra


Por meio de performances exclusivas, o trabalho conta com jovens artistas com vasta experiência internacional. A idealização e criação do projeto é de Rodrigo Cauchioli. Foto: Ronnie Stein


Com performances do mais alto nível de dificuldade e complexidade, o espetáculo "Circus Experience", inédito em São Paulo, comemora os dez anos do Teatro J Safra em grande estilo. As apresentações acontecem nos dias 19 de julho, às 21h00, e 20 de julho, às 20h00. “O circo é o encontro de todas as artes, pois apresenta diversas disciplinas do mundo artístico em um único espetáculo, e tem a capacidade de entreter, encantar e inspirar aqueles que o assistem. Arte milenar, que se mistura com a história da humanidade e tem o poder de se reinventar e evoluir na mesma velocidade e intensidade que a raça humana”, comenta o diretor Rodrigo Cauchioli.

Repleto de encanto e sofisticação, o trabalho apresenta o circo em uma concepção moderna. Assim, jovens artistas brasileiros com larga experiência no cenário internacional dedicam-se a números grandiosos, sempre acompanhados de um show de luzes e de uma trilha sonora inédita e exclusiva. Quem comanda a festança é o personagem Pialito, interpretado pelo clown Marcio Pial. Com muito bom humor, ele retrata situações cotidianas e típicas da cultura brasileira.

As performances do protagonista são intercaladas pelas de Thaina Feroldi na contorção, Cecília Dimitriev no bambolê, Lucas Lopes no malabarismo e Beatriz Mendes e Gabriel Manzini nas acrobacias. “O circo tem lugar cativo no coração e na memória afetiva do povo e é o único lugar no mundo onde se pode sonhar com os olhos abertos. Tem o poder de reunir familiares e amigos, proporcionando encanto e alegria a todas as idades”, completa Cauchioli.

Ficha técnica
Artistas: Marcio Pial (Clown), Thaina Feroldi (Contorção), Cecília Dimitriev (Hula Hoop), Lucas Lopes (Malabarista), Beatriz Mendes (Hand To Hand) e Gabriel Manzini (Hand To Hand)
Operador de Luz: Rodolfo Domânico e Alexandre Lage
Operador de PA e monitor: Silvio Romualdo
Produção Executiva: Cauchioli Produção
Diretora de Produção: Thais Blanco
Coordenador de Produção: Anderson Wilian Lana
Assistente de Produção: Ronnie Stein e Andrew Lana
Produção: Complementar Produções
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Coordenação Administrativa: Gustavo Sanna
Realização: Cauchioli Produções
Direção Geral: Rodrigo Cauchioli
Direção Artística: Rodrigo Cauchioli

Serviço
Em comemoração aos dez anos do Teatro J. Safra
Espetáculo: "Circus Experience"
Teatro J. Safra - Rua Josef Kryss, 318 - Parque Industrial Tomas Edson
Dias: 19 de julho, sexta-feira, às 21h, e ⁠20 de julho, sábado, às 20h
Classificação: livre
Duração: 60 min.
Valores: Plateia Premium: R$ 80,00; Plateia VIP: R$ 80,00; Mezanino: R$ 50,00; e Mezanino Visão Parcial: R$ 40,00
Link da venda: https://www.eventim.com.br/artist/circus-experience/?affiliate=JSA

sexta-feira, 14 de junho de 2024

.: Temporada de "As Aves da Noite" no Teatro Paulo Eiró começa no dia 20


O enredo de "As Aves da Noite" parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe que, em um campo de concentração nazista de Auschwitz, apresentou-se voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu sorteado para morrer no chamado “porão da fome”. Foto: Heloisa Bortz

O espetáculo "As Aves da Noite", drama escrito por Hilda Hilst, há 55 anos, vencedor do Prêmio APCA de Melhor Espetáculo Virtual, em 2022, estreia no Teatro Paulo Eiró no dia 20 de junho, quinta-feira, às 21h00, onde segue em cartaz até o dia 30 de junho, com ingressos gratuitos. A encenação, que se passa em um campo de concentração nazista, tem direção de Hugo Coelho e elenco formado por Marco Antônio Pâmio, Marat Descartes, Regina Maria Remencius, Rafael Losso, Walter Breda, Fernando Vítor, Marcos Suchara, Wesley Guindani e Heloisa Rocha.

O enredo de "As Aves da Noite" parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe que, em um campo de concentração nazista de Auschwitz, apresentou-se voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu sorteado para morrer no chamado “porão da fome” em represália à fuga de um prisioneiro. “Esta é uma versão contemporânea do texto de Hilda. Não é uma reconstituição de Auschwitz, partimos de Auschwitz. O espetáculo é um grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política”, afirma o diretor Hugo Coelho.

No porão da fome, a autora coloca em conflito os prisioneiros condenados a morrer na cela: o Padre, o Carcereiro, o Poeta, o Estudante e o Joalheiro, que são visitados pelo Oficial da SS, pela Mulher que limpa os fornos e por Hans, o ajudante da SS. Na montagem, eles aparecem isolados, confinados em gaiolas como um signo, uma alusão à prisão onde a história se passa. “A primeira coisa que os governos totalitários e ditatoriais fazem ao prender alguém é destituí-lo de sua dignidade e submetê-lo ao sofrimento extremado, e isso os nazistas fizeram com requintes inimagináveis de crueldade”, comenta o diretor. Segundo ele, a proposta de concepção de Hilda Hilst é muito clara, colocando as personagens em estado de reflexão sobre suas próprias condições no confinamento. A leitura que a autora faz dos aspectos éticos e humanos passam por questionamentos sobre Deus, sobre o mal e sobre a crueldade.

Nos diálogos estão o embate entre a vida e o que lhes resta, os devaneios entre o desespero e o delírio. O Poeta declama como se morto estivesse, o Estudante sonha com outro tempo, o Joalheiro ainda lembra-se da magnitude das pedras, enquanto a Mulher é humilhada em sua condição inferior. O Carcereiro, mesmo sendo um condenado, ironiza a condição dos demais e os trata com escárnio; o SS os chama de porcos e os agride e menospreza, enquanto o estado de debilidade emerge da vida e da já não existência desses humanos subjugados. 

A montagem de "As Aves da Noite" busca elucidar a humanidade e densidade contida no texto, mergulhando nas possibilidades inesgotáveis do drama para emergir na poética da tragédia. “O discurso racional não dá conta da realidade. A arte tem o papel de traduzir esse discurso como uma segunda realidade que passa pela razão, mas também pelo sensorial e pela emoção”, reflete Hugo Coelho.

O cenário, que traduz o cárcere com gaiolas humanas, foi concebido pelo diretor. O figurino (de Rosângela Ribeiro) faz alusão aos uniformes de presidiários, reforçando a imagem do encarceramento. A iluminação (de Fran Barros) dá foco a cada personagem, reforça o clima denso e claustrofóbico do ambiente, privilegiando o espaço teatral.  A trilha sonora, assinada por Ricardo Severo, traz uma canção original do texto que remete à tradição judaica, cantada pelas personagens, e segue a mesma orientação da iluminação..

A circulação de "As Aves da Noite' - que já passou pelos teatros Cacilda Becker e Arthur Azevedo e por duas unidades dos CEUs – foi viabilizada pela 17ª Edição do Prêmio Zé Renato, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. O espetáculo, idealizado pelo produtor Fábio Hilst, teve a primeira temporada apresentada virtualmente, devido à pandemia da covid-19. Foi gravado em vídeo, 80 anos após a morte de Maximilian Kolbe, exatamente no momento em que o mundo vivia uma experiência de confinamento. Kolbe morreu em Auschwitz, em 1941, e foi canonizado em 1982, pelo Papa João Paulo II. São Maximiliano é considerado padroeiro dos jornalistas e radialistas e protetor da liberdade de expressão.


Ficha técnica
Texto: Hilda Hilst (1968). Direção: Hugo Coelho. Elenco: Marco Antônio Pâmio (Pe. Maximilian), Marat Descartes (Carcereiro), Regina Maria Remencius (Mulher), Walter Breda (Joalheiro), Rafael Losso (Estudante), Fernando Vítor (Poeta), Marcos Suchara (SS), Wesley Guindani (Hans) e Heloisa Rocha. Direção de produção: Fábio Hilst. Assistência de direção e de produção: Fernanda Lorenzoni. Cenografia: Hugo Coelho. Figurino e objetos de cena: Rosângela Ribeiro. Desenho de luz: Fran Barros. Música original e desenho de som: Ricardo Severo. Cenotecnia: Wagner José de Almeida. Serralheria: José da Hora. Pintura de arte: Alessandra Siqueira. Assistência de cenotecnia: Matheus Tomé. Confecção de figurino: Vilma Hirata e Natalia Hirata. Fotos/divulgação: Priscila Prade e Heliosa Bortz. Design gráfico: Letícia Andrade. Gerenciamento de mídias sociais: Felipe Pirillo. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Realização: Três no Tapa Produções Artísticas. Apoio: Prêmio Zé Renato - 17ª Edição, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.


Serviço
Espetáculo "As Aves da Noite"
De 20 a 23 de junho - Quinta a sábado, às 21h00, e domingo, às 19h00.
De 28 a 30 de junho - Sexta e sábado, às 21h00, e domingo, às 19h00.
Domingo, dia 23 de junho  - Intérprete de Libras, audiodescrição e bate-papo com o público.
Duração: 75 min. Gênero: Drama. Classificação: 16 anos.
Na rede: @asavesdanoite.
Local: Teatro Paulo Eiró
Avenida Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro. São Paulo/SP.
Telefone: (11) 5546-0449. Capacidade: 467 lugares.
Ingressos: Gratuitos - Retirar na bilheteria uma hora antes das sessões.
Ingressos antecipados: Sympla - www.sympla.com.br.

.: Ato-Espetáculo "O Corpo É Um Só" celebra 20 anos do Grupo Grua


Com direção de Rogério Tarifa e mudança na composição do elenco,  as apresentações acontecem durante o mês de junho na Paideia Associação Cultural. 
Foto: Sato do Brasil

A ação poética estabelecida nos 20 anos de existência do Grua se deu, até hoje, por meio de interações com a ecologia urbana e foi construída nos trânsitos entre linguagens da dança, da performance e do audiovisual. Dessa forma, o grupo procura se atualizar e para dar continuidade à sua evolução, decidiu unir as ruas e os palcos para celebrar a sua história.  Com direção de Rogério Tarifa, o novo trabalho da companhia, "O Corpo É Um Só", faz apresentações nos dias 17, 19, 24, 25 e 26 de junho, às 19h00, e 18, 20 e 29 de junho, às 14h00, na Paideia Associação Cultural. 

“Sou do teatro, mas a minha relação com o Jorge Garcia, um dos idealizadores do Grua, é de longa data. Temos uma parceria há mais de 15 anos. Já dirigi alguns espetáculos dele ao “mesmo tempo em que ele fez direção de movimento para vários dos meus projetos. Gosto muito dessa intersecção entre as artes”, conta Tarifa.

Além de homenagear a trajetória do grupo, "O Corpo É Um Só" reflete sobre a sensação de estafa que tem afetado as pessoas, particularmente após a pandemia de covid-19. Para isso, a companhia mergulhou em um intenso processo e criou uma dramaturgia a partir dos seus próprios vídeos, fotos e do livro Sociedade do Cansaço (Editora Vozes, 2015), do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han

O pensador mostra que a sociedade disciplinar e repressora do século 20 descrita por Michel Foucault perdeu espaço para uma nova forma de organização coercitiva: a violência neuronal. Neste novo modelo, as pessoas se tornam carrascas das suas ações, já que estão sempre se cobrando por resultados e acreditando em teorias motivacionais. Assim, o ser humano, que poderia trabalhar menos e ganhar mais, se submete ao inverso: trabalhar mais e ganhar menos. 

“Aproveitamos essa ideia para discutir o papel do artista, que, por estar sempre tentando transformar o mundo, sem sucesso, acaba por entrar em um quadro de cansaço extremo, burnout e ansiedade. Inclusive, colocando para si o desafio de apontar caminhos para acabar com esse desconforto”, explica Tarifa. 


Sobre a encenação
Dividida em prólogo, três atos e epílogo, o Ato-espetáculo começa na rua, como é a marca registrada do grupo, e segue para dentro do teatro. “É como se brincássemos que a companhia, que surgiu com ex-integrantes do Balé da Cidade de São Paulo, tivesse saído do palco para descobrir o mundo e, agora, retorna para esse palco para compartilhar com o público tudo o que colheu nessas duas décadas”, comenta o diretor.  

Para esse projeto, foram convidadas quatro bailarinas mulheres, Alma Luz Adélia, Dani de Moraes, Natália Karam e Toshiko Oiwa, assimilando em seus trabalhos corpos diversos e abrindo espaços de discussões para todas e todos, ampliando as possibilidades criativas e de investigações.  

"O Corpo É Um Só" é um divisor de águas para o grupo. Por ser uma espécie de “retorno” a um espaço fechado, Grua e Tarifa propõem a camada audiovisual interagindo com a cena ao vivo, através de uma projeção que revela a trajetória e memórias do grupo, após duas décadas de atuação em espaços abertos. Também foram incorporados depoimentos pessoais no espetáculo, transformados em música para serem coreografados pelos bailarinos e bailarinas. É como se tudo funcionasse como um grande documentário. Essa camada audiovisual conduzida por Osmar Zampieri é parte fundamental nas investigações do Grupo, ao longo de sua trajetória. Nesses últimos três anos, por exemplo, o acirramento do diálogo entre linguagens engendrou obras audiovisuais potentes e independentes - os filmes.      


Dançarinos com múltiplos talentos
As sonoridades são assinadas pelo Fernando Martins, outro  integrante do Grua, que vem se aprofundando cada vez mais em suas investigações sobre o universo sonoro e musical do grupo. Desde 2021, quando as performances do Grua começaram a se tornar filmes também, essas investigações tem sido parte fundamental no entendimento na construção de trilhas sonoras tanto para a performance ao vivo, quanto para os filmes, contribuindo de forma integral para a experiência audiovisual do grupo. Neste espetáculo, Fernando contou com a parceria e a Direção musical  do diretor William Guedes, parceiro de Tarifa há 15 anos.

Da mesma maneira, o dançarino Roberto Alencar aproveitou outros dos seus talentos para o espetáculo. Por ter o hábito de registrar o grupo por meio de desenhos, ele se envolveu na criação de peças que compõem os figurinos e a cenografia. E Jerônimo Bittencourt, que escreve e pesquisa poesia, vem incorporando essa sua faceta à dramaturgia. O espetáculo é um projeto aprovado e viabilizado pela lei Municipal nº 13.279/2002 e Edital nº 03/2023/SMC/CFOC/SFA – 34ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo. 

Sinopse
Seres esgotados e sedentos de transformações dançam e evocam suas memórias e devires, buscando a fuga da exaustão contemporânea em direção a sítios de cura,  de compartilhamento e de geração de afetos reais. A pele, o terno: o corpo é um só.


Ficha técnica
Direção Geral: Rogério Tarifa
Direção Artística Grua: Jorge Garcia, Osmar Zampieri e Willy Helm
Artistas Criadores: Alma Luz Adélia, Dani Moraes, Fernando Martins, Jerônimo Bittencourt, Jorge Garcia, Natália Karam, Osmar Zampieri, Roberto Alencar, Toshiko Oiwa e Willy Helm
Dramaturgia: Grua e Rogério Tarifa
Comissão de Dramaturgia: Jerônimo Bittencourt, Natália Karam e Rogério Tarifa
Direção Musical: William Guedes
Trilha Sonora Original: Fernando Martins
Direção de vídeo: Osmar Zampieri
Figurinos: Juliana Bertolini e criação coletiva Grua
Costureira: Francisca Lima
Comunicação Visual: Sato do Brasil
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes
Produção: Lud Picosque - Corpo Rastreado

Serviço
"O Corpo É Um Só"
Datas: 17, 19, 24, 25 e 26 de junho, às 20h, e 18, 20 e 29 de junho, às 14h.
Local: Paideia Associação Cultural - Rua Darwin, 153 - Jardim Santo Amaro
Ingresso: gratuito
Duração: 60 minutos
Classificação: livre

terça-feira, 11 de junho de 2024

.: "Legalmente Loira - O Musical" chega ao Brasil estrelado por Myra Ruiz


Inspirado na franquia cinematográfica com Reese Witherspoon, a obra foi adaptada para os palcos em um musical de sucesso internacional e chegará ao Teatro Claro Mais SP em julho de 2024 trazendo uma reflexão sobre o empoderamento feminino e a misoginia. Foto: João Caldas Filho


Baseado no livro de Amanda Brown e adaptado para os cinemas em 2001, o grande sucesso de público "Legalmente Loira" ganhou os palcos da Broadway em formato musical em 2007, sendo indicado em sete categorias do Tony Awards e em dez categorias do Drama Desk Awards. A montagem de Londres aconteceu em 2010 e recebeu o prêmio de Melhor Musical no Olivier Awards. A produção por aqui conta com assinatura do Instituto Artium de Cultura e Atelier de Cultura, responsáveis por sucessos como "Wicked"; "Evita Open Air"; "Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate"; e "Cantando na Chuva" - atualmente em cartaz.

Inédita no Brasil, a montagem é apresentada por Ministério da Cultura e Brasilprev. Legalmente Loira fará uma curtíssima temporada em São Paulo a partir de 17 de julho no Teatro Claro Mais SP.  Na sequência de papéis grandiosos como Evita em "Evita Open Air", Elphaba em "Wicked" e Sra. Wormwood em "Matilda", Myra Ruiz protagonizará "Legalmente Loira" como Elle Woods, interpretada por Reese Witherspoon no cinema.

O espetáculo tem música e letras de Laurence O’Keefe e texto de Heather Hach. Na trama, Woods, jovem estudante de moda, espera ser pedida em casamento pelo seu namorado, mas ele termina com ela sob o pretexto de que quer cursar a Universidade de Harvard e o estereótipo de Elle não fará bem para sua carreira. Para provar que inteligência não depende de aparências, ela resolve entrar na mesma faculdade de Direito que o ex-namorado. O elenco completo será divulgado em breve. "Legalmente Loira - O Musical" é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Brasilprev, tem patrocínio da Momenta e apoio da PremieRpet, SegurPro, Rio Branco, Radisson Blu São Paulo e Dona Deôla.


Equipe criativa
Direção Geral: John Stefaniuk
Direção Musical: Andréia Vitfer
Cenário: Duda Arruk
Figurino: Ligia Rocha, Marco Pacheco e Jemima Tuany
Coreografia: Floriano Nogueira
Design de Som: Gabriel D'Angelo
Design de Luz: Guilherme Paterno
Design de Perucas: Feliciano San Roman
Design de Maquiagem: Cris Tákkahashi
Versão Brasileira: Victor Mühlethaler

Serviço
"Legalmente Loira - O Musical"
Local: Teatro Claro SP – Shopping Vila Olímpia - R. Olimpíadas, 360 - Vila Olímpia/São Paulo
Gênero: Teatro Musical
Temporada: 17 de julho a 8 de setembro de 2024
Sessões: Quartas, quintas e sextas-feiras, às 19h30. Sábados às 15h00 e às 19h30. Domingos, às 15h00 e 19h30
Capacidade: 801 pessoas
Classificação Etária: livre. Menores de 12 anos devem estar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais. A determinação da classificação etária poderá a qualquer momento ser alterada pelo Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude da Comarca de São Paulo - SP.
Duração do espetáculo: 150 minutos com 15 minutos de intervalo
Ingressos: de R$19,80 a R$370,00. A programação do Teatro Claro mais SP conta com acessibilidade física e de conteúdo.

Canais oficiais de venda
Bilheteria on-line
Garanta seu ingresso em: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/legalmente-loira-13228
Bilheteria física – sem taxa de conveniência
Bilheteria aberta das 10h às 22h de segunda a sábado e das 12h às 20h domingos e feriados.
Local: Shopping Vila Olímpia - R. Olimpíadas, 360 - Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000 - 1 Piso - Acesso A
Telefone: (11) 3448-5061

segunda-feira, 10 de junho de 2024

.: "Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir" chega a São Paulo


A leitura estreia dia 20 de junho no Sesc 14 Bis e fica em cartaz até 21 de julho, de quinta a domingo. Foto: Leila Fugii

Depois do sucesso da temporada de estreia do espetáculo "Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir" no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, entre os meses de abril e maio deste ano, a leitura dramática chega a São Paulo em 20 de junho, no Teatro Raul Cortez, do Sesc 14 Bis. A leitura celebra os 80 anos de carreira de Fernanda Montenegro e aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir (1908-1986) sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).

Sem personificar Simone, Fernanda se cerca de seus óculos, uma mesa, uma cadeira, da trilha sonora e da iluminação para emprestar sua experiência íntima com a obra, dividindo com a plateia o impacto que a liberdade evocada por Beauvoir teve nessa geração de mulheres. O tempo de preparação e refino para a criação de um ambiente sem interferências demasiadas privilegia a proximidade com o público, que testemunhará a prática da liberdade defendida pela escritora, na voz da atriz.

O encontro de Fernanda Montenegro com a compilação do pensamento de Simone de Beauvoir extraída da obra “A Cerimônia do Adeus“, é uma aproximação com essa escritora, pensadora e ensaísta, que revolucionou a visão do feminino. O espetáculo fica em cartaz até o dia 21 de julho, com apresentações de quinta a sábado, às 20h e às 18h, aos domingos. Os ingressos custam de R$ 18,00 a R$ 60,00 e começam a ser vendidos partir de 11 junho, às 17h00, pelo aplicativo Credencial Sesc e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br e presencialmente a partir de 12 junho, às 17h00, em todas as unidades do Sesc São Paulo.

“O Sesc celebra a oportunidade de democratizar o acesso de diversos públicos ao encontro entre uma das expoentes das artes brasileiras, e uma das principais pensadoras do século XX, sobretudo devido o potencial das manifestações culturais para estimular reflexões tocantes à experiência humana”, afirma o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Deoclecio Massaro Galina.

"Apresentar essa obra é celebrar o legado e inspirar as pessoas, pilares importantes para o Itaú na celebração de nossos 100 anos. Fernanda é uma inspiração, sempre. E estar ao lado dela nesse momento tão importante como artista e também com temas tão importantes para o nosso dia a dia é a prova de como ela faz jus a ser um dos nomes mais marcantes no Brasil, que perpassa o tempo e permanece relevante, se reinventando”, finaliza o diretor de marketing do Itaú Unibanco, Eduardo Tracanella.

Fernanda Montenegro sobre Simone de Beauvoir
"Minha aproximação com a obra de Simone de Beauvoir vem desde quando eu tinha 20 anos. Essa fundamental feminista é uma personalidade referencial na minha geração. O espetáculo, baseado em uma de suas obras, proposto a mim em 2007 por Sérgio Britto, já com a saúde extremamente debilitada, não se realizou. A ideia permaneceu em mim através de outra criação de Simone de Beauvoir – 'A Cerimônia do Adeus'. Organizei rigorosamente essa importante obra durante dois anos. Texto pronto, Bonarcado Produções Artísticas e Carmen Mello levaram à cena essa adaptação com o título de 'Viver Sem Tempos Mortos'. Encenação referencial de Felipe Hirsch. Direção de Arte importante de Daniela Thomas e Iluminação plena de Beto Bruel. Em março de 2023, na Academia Brasileira de Letras, realizei a 1ª leitura desse mesmo texto, organizado por mim. Seguiram duas apresentações no Teatro Poeira, já com aceitação total da plateia. Quando dessa leitura, trechos de outras obras dessa importante feminista e escritora já estavam incluídos nessas apresentações. Ao ler, no palco, Simone de Beauvoir, nós nos conscientizamos da liberdade que essa Mulher se impôs e propôs a todas as gerações que a sucederam", completa Fernanda Montenegro

Ficha técnica
Texto - Simone de Beauvoir
Dramaturgia e Direção - Fernanda Montenegro
Assistência de Direção - Carmen Mello
Seleção Musical - Fernanda Montenegro
Desenho de Som - André Omote
Desenho de luz - Diego Diener
Produção - Bonarcado Produçōes Artísticas & Trígonos Produções Culturais
Direção de Produção - Carmen Mello
Promoção e Comunicação visual - Nicolle Meirelles
Assessoria Jurídica - Janaína Bento
Contabilidade - Contsist
Controller - Elinete Barcellos
Assistência de Produção - Jadir Ferreira e André Nunes
Patrocínio: Itaú Unibanco
Realização: Sesc São Paulo


Serviço
De 20 de junho a 21 de julho; de quinta a sábado, às 20h00, domingo, às 18h00
Venda on-line de ingressos a partir de 11 de junho, às 17h00, pelo aplicativo Credencial Sesc e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br. Venda presencial a partir de 12 de junho, às 17h00, em todas as unidades do Sesc São Paulo. R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (credencial plena). Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 75 minutos. Teatro Raul Cortez - 2º andar. Sesc 14 Bis - R. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo.

domingo, 9 de junho de 2024

.: Peça “Realpolitik” é encenada em sala comercial do coração financeiro de SP


Texto inédito da premiada autora Daniela Pereira de Carvalho chega a São Paulo em curta temporada, com direção de Guilherme Leme Garcia, co-direção de Gustavo Rodrigues e os atores Augusto Zacchi e Pedro Osorio. Foto: divulgação


"Realpolitik" (em alemão, "política realística") refere-se à política ou diplomacia baseada principalmente em considerações práticas, em detrimento de noções ideológicas. O termo é frequentemente utilizado pejorativamente, indicando tipos de política que são coercitivas, imorais ou maquiavélicas. A peça "Realpolitik" estreou no Rio no fim de 2022 e será encenada em São Paulo, em curta temporada, até o dia 30 de junho. Em ambas as cidades, os locais escolhidos para abrigar a encenação partiram do conceito de site specific e embora a obra não tenha sido criada a partir de um lugar, os elementos dialogam com o meio circundante. 

O texto reflete o drama da realpolitik no dia a dia do indivíduo. Após o rompimento de uma barragem com 150 vítimas, um jornalista confronta o CEO da empresa de mineração a MBS - Mineradora brasileira do Sudeste. O drama apresentado no texto busca entender o custo de uma vida no negócio das grandes corporações. O texto inédito é da premiada autora Daniela Pereira de Carvalho e a direção de Guilherme Leme Garcia e codireção de Gustavo Rodrigues.

Descrita como uma das peças mais peculiares (e pontiagudas) do ano (2022) por um dos críticos que assistiu ao trabalho, o acerto de contas entre um CEO de uma mineradora e um jornalista interpretados por Pedro Osorio e Augusto Zacchi, - dois homens refletem a agressividade e a arrogância de seus valores impositivos sobre os semelhantes e o meio ambiente, corroendo e enfraquecendo as estruturas tanto sociais quanto ambientais, pela lógica do capitalismo exploratório irresponsável.

“A peça deflagra reflexão através da tragédia do homem branco explorador a qualquer custo, amoral, capitalista voraz, sem medida e sem escrúpulos, que devora os recursos naturais e humanos como um câncer nas estruturas do nosso sistema”, complementa Osório. Escrita no decorrer da pandemia de Covid-19, a ideia, segundo a autora, foi pensar “em como, após as grandes tragédias, os responsáveis pelas empresas tinham que lidar com as questões humanas, éticas, morais e financeiras”. Desse modo, é disso que se trata o acerto de contas em torno do qual o enredo gira, isto é, a peça que é um thriller, com seus momentos de tensão, de surpresa, de susto, com seus outros momentos de virada e de humor. Sempre algum humor é possível, nem que seja o escárnio comedido de si mesmo, no meio da dureza da vida e das histórias.

“Nesse acerto de contas, entretanto, há brechas no teatro para a existência de um possível lugar de convívio cordial, de soluções e boas práticas individuais. Quem sabe, talvez, no meio corporativo, um despertar de consciência de boas práticas”, conclui Osório.

Daniela Pereira de Carvalho é dramaturga e foi duas vezes indicada ao Prêmio Shell Rio de Janeiro, por 'Tudo é Permitido" (2005) e por "Não Existem Níveis Seguros para o Consumo Destas Substâncias" (2006), pela qual recebeu o Prêmio APTR. Em 2007, foi indicada ao Prêmio Shell São Paulo e ao Prêmio APTR, pela peça "Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária" (2008). Daniela foi ainda indicada ao Prêmio APTR, pelo musical "Renato Russo" (2006).


Ficha técnica
Texto: Daniela Pereira de Carvalho
Direção: Guilherme Leme Garcia
Codireção: Gustavo Rodrigues
Atores: Augusto Zacchi e Pedro Osorio
Trilha sonora: Marcelo H
Figurino: Ana Roque
Idealização: Pedro Osorio
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro/Ofício das Letras


Serviço
Teatro B32 –  Subsolo
Localização: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.732 – Itaim Bibi. São Paulo/SP
Tel.: 3058-9149
Estacionamento com serviço de Vallet: Rua Lício Nogueira, 92, Itaim Bibi
Bilheteria: uma hora antes em dias de espetáculos
Sextas e sábados, às 20h00, até o dia 30 de junho
Domingo às 17h
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
60 lugares
Ingressos: TeatroB32 | ou
💲Pix (21999985276) inserir o nome no comprovante da compra
💰Valor: R$100,00 (inteira) | R$50,00 (meia)



.: Teatro: ator Ernani Moraes retorna os palcos paulistanos com a peça "Órfãos"


Ernani Moraes, Lucas Drummond e Rafael Queiroz brilham em papéis desafiadores em peça teatral que traz reflexões sobre família, afeto e sobrevivência. Foto: PH Costa Blanca


Ernani Moraes volta aos palcos paulistanos após um hiato de 15 anos para interpretar um homem de negócios sequestrado no espetáculo "Órfãos", de Lyle Kessler, que estreia no Teatro Faap, em 12 de junho. Com elenco estrelado e direção de Fernando Philbert, o espetáculo traz reflexões sobre família, afeto e sobrevivência ao contar a história de dois irmãos órfãos que sequestram um homem de negócios e encontram a figura paterna que sempre sonharam. Em cena, com ele, Lucas Drummond e Rafael Queiroz brilham em papéis desafiadores.

Natural do Recife, o ator morou por 12 anos em São Paulo, chegando aqui aos 27 anos, onde integrou o grupo Tapa em montagens como "A Megera Domada", "A Mandrágora" e "Viúva, Porém Honesta". Com mais de 30 anos de carreira, possui no currículo diversos espetáculos teatrais, filmes e mais de 51 trabalhos na televisão, entre eles 25 novelas. Em 1998, ganhou notoriedade ao interpretar o mecânico Boneca na novela "Torre de Babel", da Rede Globo. Recentemente, Ernani integrou também o elenco da série "Rensga Hits", do Globoplay. 

O trabalho em "Órfãos" rendeu a Moraes o prêmio APTR de Melhor Ator Acoadjuvante e uma indicação ao prêmio CENYM de Teatro, na mesma categoria. Dirigida por Fernando Philbert, a versão brasileira do espetáculi tem idealização e coordenação artística do ator e produtor Lucas Drummond, que está em cena ao lado de Ernani Moraes e Rafael Queiroz. A temporada no Teatro Faap vai até  1º de agosto, com sessões sempre às quartas e quintas, às 20h00.


Serviço
Espetáculo "Órfãos"
Estreia: 12 de junho, quarta-feira, às 20h00
Local: Teatro Faap – Rua Alagoas, 903 – Higienópolis / São Paulo
Temporada: 12 de junho a 1º de agosto – Quartas e quintas, às 20h00
Duração: 90 minutos
Capacidade: 477 lugares
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia)
Site de compras: https://teatrofaap.showare.com.br/
Instagram: @orfaosteatro


quarta-feira, 5 de junho de 2024

.: Com Samuel de Assis, "E Vocês, Quem São?" tem nova temporada em SP


Espetáculo escrito por Jonathan Raymundo é um grito de liberdade de pessoas pretas ao questionar o lugar ocupado pela branquitude em nossa sociedade extremamente desigual. Foto: Caio Lirio


Ao propor uma releitura da história brasileira, o monólogo "E Vocês, Quem São?", com direção e atuação de Samuel de Assis e dramaturgia de Jonathan Raymundo, discute a responsabilidade pela realidade brutal e violenta vivida pelas pessoas pretas. O solo, que estreou em 2023, tem uma nova temporada no Centro Cultural São Paulo, de 14 a 30 de junho, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h00, e aos domingos, às 19h00.

Definida pelo próprio Samuel de Assis como um texto forte, reflexivo e agressivo, para reverberar na cabeça de todos, a peça nasceu de um desabafo. “Eu pedi um texto ao Jonathan e ele me mandou a primeira versão em três horas. Acho que tudo já estava na cabeça dele e ele derramou o texto na tela. Então, peguei o texto proseado dele e fiz um trabalho de dramaturgismo para criar uma história. Como eu não sabia se isso ia dar certo, fiquei receoso de chamar alguém para dirigir, por isso todo o processo de ensaio fiz em frente ao espelho”, conta.

O solo parte de alguns questionamentos recorrentes e debates bem atuais sobre raça, gênero, classe e outros temas fundamentais, como “O que é lugar de fala?”, “Quem detém o direito de construir a narrativa verdadeira sobre a realidade?” e “Qual é o valor da vida?”. "É um relato do que precisamos, infelizmente, mais do que nunca, falar. É um desabafo de dor, desespero, de basta e de liberdade. É um questionamento para aqueles que nunca foram questionados: os brancos! Nós, negros, ainda precisamos gritar pra eles: E vocês, quem são? O que merecem? Eu espero que a peça faça com que eles comecem a se perguntar!", revela Assis.

Em cena, Samuel vive um personagem que está sendo condenado por um crime. O público acompanha o relato que traz um apanhado histórico do Brasil, contando a verdadeira versão de um país racista e inquisidor. E o texto ainda é acompanhado por uma reflexão sobre Machado de Assis, um dos maiores autores negros brasileiros, que foi “embranquecido” pela história oficial. “Costumo dizer que esse espetáculo mudou minha vida, porque ele me ensinou muita coisa. Sou um homem preto que foi criado no mundo branco. Eu me reconheci, me aceitei e passei a reconhecer o mundo com um olhar de um homem preto já na vida adulta. Só aí comecei a entender de verdade o mundo real e comecei a lutar. E eu acredito que sou um homem melhor e mais forte depois desse espetáculo, que é feito pra todo mundo – pra quem é branco, preto, amarelo e quem está vivo”, reflete o ator e diretor.

A direção de arte do espetáculo é assinada por Marcio Macena, que criou uma cenografia minimalista composta apenas por um coração humano. “O Marcio é meu parceiro desde que comecei a fazer teatro. Quando eu disse que queria botar tudo o que estava guardado no meu peito para fora nesta peça, ele logo disse que a cenografia deveria refletir isso. Ela simboliza o fato de que eu estou colocando o meu coração nas mãos de todas as pessoas que estão ali assistindo à peça”, comenta Assis.

Já os figurinos foram criados pela marca de roupas "Meninos Rei", de Junior Rocha e Céu Rocha, que marcam sua estreia no teatro. A confecção baiana, que estreou na São Paulo Fashion Week em 2021, foi escolhida por representar a ancestralidade e a autenticidade da população preta. E a trilha sonora, tocada ao vivo pelos músicos Cauê Silva e Leandro Vieira, reúne músicas de cantores e compositores pretos famosos, incluindo uma canção original do rapper Coruja BC1 e outra de Larissa Luz, que ainda assina a direção musical ao lado do coletivo Os Capoeira. “Fico muito feliz ao ver que a trilha sonora da peça caminha junto com o texto e fala por si só. Acho que ver essas duas forças poderosas se complementando e falando juntas é muito bonito de se ver”, acrescenta Samuel de Assis. 


Ficha técnica 
Monólogo "E Vocês, Quem São?"
Atuação e direção geral: Samuel de Assis
Texto: Jonathan Raymundo
Direção musical: Larissa Luz e Os Capoeira (Felipe Roseno, Mestre Dalua, Cauê Silva e Leandro Vieira)
Direção coreográfica: Tainara Cerqueira
Direção de arte: Márcio Macena
Figurino: Meninos Rei por Junior Rocha e Céu Rocha
Arte do cenário: Carol Carreiro
Iluminação: César Pivetti
Músicos: Cauê Silva, Leandro Vieira, Rogério Roggi, Marcinho Black 
Op. Som: Silney Marcondes 
Op. Luz: Ari Nagô, Ian Bessa 
Camareira: Jacque Vilar 
Designer gráfico: Pietro Leal
Direção de produção: Morena Carvalho
Co-Produção: Estapafúrdia Produções 
Realização: Samukaju Produções


Serviço
Monólogo "E Vocês, Quem São?", de Jonathan Raymundo, com Samuel de Assis
Sala Jardel Filho
Temporada: 14 a 30 de junho
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h
Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000, Liberdade / São Paulo
Ingressos: grátis
Retirada de ingressos on-line
Retirada de ingressos na bilheteria do teatro
Terça-feira a sábado, das 13h00 às 22h00 
Domingos e feriados, das 12h00 às 21h00
Duração: 60 minutos 
Classificação indicativa: 14 anos 
Capacidade: 321 lugares

.: Drica Moraes comemora 40 anos de carreira ao lado de Fabio Assunção


Espetáculo estreia em 7 de junho no Teatro Procópio Ferreira em. Ingressos já estão à venda no site da Sympla. Foto: Leo Aversa


"Férias" é uma palavra reconhecida e cobiçada em todo mundo, e quem a pronuncia ou lê tem fortes chances de divagar, lembrando de momentos inesquecíveis, imaginando um destino sonhado ou uma nova oportunidade de fugir da rotina. Se for com a pessoa amada então, as férias tem sabor ainda mais especial. "Férias!" também é o nome da comédia escrita por Jô Bilac, que tem Drica Moraes e Fabio Assunção como o casal protagonista “H” e “M”, juntos há 25 anos, que ganham dos filhos um cruzeiro pelo Caribe, para comemorar suas bodas de prata.

Dirigida pelos atores Enrique Diaz e Débora Lamm, a comédia faz sua estreia nacional em São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira, onde fica em cartaz entre os dias 7 de junho e 4 de agosto. Encomendada por Drica Moraes a Jô Bilac, a peça comemora os 40 anos de carreira da atriz e marca sua volta aos palcos após 6 anos. Atuar com Fábio Assunção é sonho antigo da atriz.

“Eu fiz esse chamado ao Jô, queria falar sobre casais contemporâneos, numa comédia com alma e reflexão, que não fosse de humor inconsequente. Ela fala de um homem e uma mulher na faixa dos 50, é sobre sexo e prazer, sobre o tempo, a relação com dinheiro, filhos e o mundo moderno. Tudo com muito humor, ao mesmo tempo que filosofa sobre o valor da vida e do nosso prazer”, revela Drica. “Está sendo um prazer dividir a cena com o Fabio, um ator brilhante e muito tarimbado com quem eu tenho vontade de trabalhar há muito tempo, no teatro. É um sonho antigo sendo realizado”, enfatiza, a atriz.

Com 25 anos de casados “H” e “M” seguem sexualmente ativos e pode-se dizer que, com uma certa compulsão sexual, transam sem culpa. Os filhos, já crescidos, tiveram a ideia de mandar os pais de férias em um cruzeiro e, livres da rotina, fazendo bom uso da “liberdade”, comportam-se como adolescentes, se amam por todo o navio como se não houvesse amanhã, até que, flagrados pelas câmeras de segurança, são “gentilmente convidados” a se retirar da embarcação, quando ficam, literalmente, a “ver navios”, em uma praia colombiana.

E o que poderia ser o fim da aventura acaba por deixá-los ainda mais animados e encalacrados, obrigados a dividir um apartamento com um casal de mochileiros, que vive com a grana de um canal “caliente” na internet e transam com parceiros pescados em apps de relacionamento. Os gringos descolados, “X “e “Y”, também vividos por Drica e Fabio, aquecem e provocam os “cinquentinhas”, que não querem dar o braço a torcer para a dupla de “millenials” moderninhos, e acabam indo parar na delegacia.

“Hoje mais do que nunca, quando se discute o transumanismo, onde robôs e a inteligência artificial influenciam cada vez mais a vida humana, e a gente está 'virando' meio máquina, um texto que fala de amor é quase um ato de resistência. Esse casal que se ama, que se joga na vida juntos com humor e alegria, e que se pergunta o tempo todo sobre o valor do viver, cria identidade com o público, que também está diante das transformações do mundo. É nessas horas em que temos que se apegar ao que a gente é em essência, que somos seres que amam e que precisamos de alegria. É isso que a peça oferece ao público e convida a todos pra se divertir e pensar”, filosofa Fabio.

Fabio e Drica dividem o palco pela primeira vez, mas já contracenaram como um casal na série de comédia “A Fórmula”, da TV Globo, em 2017. Esta é a primeira comédia estrelada pelo ator em mais de dez anos. “Drica é uma gigante, uma atriz extraordinária, de muitos recursos. Uma grande parceira que acolhe com afeto. Sinto só coisas boas e aprendo com ela. Já trabalhei com Kike e Débora, eles se complementam, é um encontro feliz de atores que amam o que fazem”, complementa Fabio.

Para a direção, Drica convidou o ator e diretor Enrique Diaz, amigo de longa data, colega desde os tempos da Companhia dos Atores e seu primeiro namorado, que ao lado da também atriz e diretora Débora Lamm, divide a missão de dar vida ao casal criado por Jô Bilac. “Sou amigo da Drica há 40 anos, já fomos namorados, tivemos uma companhia teatral, uma história de amor e amizade muito linda, e trabalhar com ela é sempre um presente. Com Fabio também tenho uma ótima conexão e, apesar de serem grandes atores, bem diferentes, são igualmente brilhantes. A inteligência e a versatilidade deste texto do Jô tem forte comunicabilidade, mistura crônica, filosofia e retrata o amor de uma maneira bem legal. Foge de uma comédia mais imediata e produz interesse de um outro lugar, é fascinante. Acho que será divertidíssimo”, resume Enrique Diaz.

Debora Lamm celebra o fato de estar trabalhando com colegas que a influenciaram desde que assistia aos espetáculos da Cia. Dos atores, e enfatiza a beleza filosófica do texto que, mais que uma comédia romântica, trata-se de um espetáculo sobre o amor em todas as suas camadas. “'Férias' trata sobre o amor de um casal que comemora suas 'bodas de prata', fala da cumplicidade e da deliciosa intimidade depois de muito tempo juntos. A peça faz rir enquanto filosofa sobre vida e morte, a idade, as relações. O público se identificará com o casal vivido por esse dois atores queridos, muito expressivos. Será uma alegria para o público estar perto deles ao mesmo tempo que torcem pelo casal da trama”, finaliza Debora.

Ficha técnica
"Férias!", uma comédia de Jô Bilac, com Drica Moraes e Fabio Assunção.
Direção de Enrique Diaz e Débora Lamm.
Local: Teatro Procópio Ferreira.
Endereço: Rua Augusta, 2823 - São Paulo.
Temporada: 7 de junho a 4 de agosto às sextas, sábados e domingos.
Horários: Sextas e sábado, às 21h00. Domingos, às 18h00.
Valores: Inteira R$ 140,00.
Meia-entrada R$ 70,00.
Links de vendas: Sympla.
Bilheteria: de terça a domingo, das 14h às 19h ou até o horário de início da sessão caso haja espetáculo no dia.

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