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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

.: "Bertoleza" ganha nova e curtíssima temporada no Teatro Alfredo Mesquita


Com direção de Anderson Claudir, adaptação da Cia. Gargarejo desloca o protagonismo no romance “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, para quem verdadeiramente o merece. Foto: José de Holanda


Sucesso de crítica e público em diversas temporadas, o musical "Bertoleza", da Gargarejo Cia Teatral, estreou em 2020 e conquistou o prêmio APCA de melhor espetáculo daquele ano. E, para quem ainda não conseguiu assistir ao trabalho, a Cia. Gargarejo faz uma nova temporada gratuita no Teatro Alfredo Mesquita, de 20 de fevereiro a 1º de março de 2026, às sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00. Aos domingos, terá intérprete de libras e roda de conversa. 

A montagem, com adaptação, direção e canções originais de Anderson Claudir, que também assina a dramaturgia ao lado de Letícia Conde, é inspirada no livro “O Cortiço”, clássico naturalista de Aluísio Azevedo. Mas, desta vez, o público conhece a história sob ponto de vista da Bertoleza, uma mulher negra que é tão importante para a construção do romance quanto o próprio João Romão, o protagonista original. Na trama, o oportunista Romão propõe uma sociedade à escrava Bertoleza, prometendo comprar a alforria dela. Eles começam uma vida juntos e constroem um pequeno patrimônio formado por um enorme cortiço, um armazém e uma pedreira.

Depois de acumular capital considerável, o ambicioso João Romão já não sabe como se tornar mais rico e poderoso. Envenenado pelo invejoso Botelho, ele decide se casar com Zulmira, a filha de Miranda, um negociante português recentemente agraciado com o título de barão. Mas, para isso, precisa se livrar da amante Bertoleza, que trabalha de sol a sol para lutar pelo patrimônio que eles construíram juntos.

Para a companhia, o grande desafio foi fazer com que uma narrativa do século 19 questionasse e problematizasse as relações criadas nos dias de hoje. Por isso, o projeto iniciado em 2015 foi ganhando novos contornos. “Quisemos investigar uma identidade brasileira, que vem da diáspora africana, e pensar em como isso nos afeta artisticamente. Assim, podemos criar novos signos para essa geração e dar uma voz para essa terra periférica”, conta Claudir.

No processo, o coletivo procurou a força da figura de Bertoleza em outras mulheres negras brasileiras negligenciadas pela História. Durante a encenação, o elenco relembra as histórias da vereadora Marielle Franco, militante da luta negra assassinada em março de 2018; da escritora Carolina Maria de Jesus, famosa pelo livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada"; da jornalista e professora Antonieta de Barros, defensora da emancipação feminina que foi apagada dos livros de História; da escritora Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira; e da guerreira Dandara, que viveu e lutou no período colonial.

A protagonista do espetáculo é interpretada pela atriz Lu Campos. E o elenco ainda conta com Ali Baraúna, Taciana Bastos, Roma Oliveira, Cainã Naira, Larissa Noel,  Palomaris, Edson Teles, Thiago Mota e Welton Santos e os stand-ins Lilian Rocha e Anderson Claudir. Completam a ficha técnica a direção musical de Eric Jorge, as músicas de Anderson Claudir, Andréia Manczyk, Eric Jorge e Juliana Manczyk, a preparação vocal e assistência de direção musical de Juliana Manczyk, a preparação de elenco de Eduardo Silva e a preparação corporal e coreografia de Taciana Bastos.


Relação profunda entre vida e obra
Para Lu Campos, interpretar Bertoleza tem um significado ainda mais profundo. No processo desde 2015, ela conta que vivenciou um chamado ancestral em 2017: suas antepassadas maternas deram-lhe a missão de quebrar o ciclo de opressão vivenciado por sua família desde os tempos de escravidão. “Espero que as mulheres pretas se sintam bem representadas na peça e a partir disso, busquem seus lugares de protagonismo nos variados âmbitos da vida”, conta.

Para a atriz, estar nesse processo contribui para a sua expansão de consciência. Em busca de mais respostas sobre sua ancestralidade, ela também cursou a pós-graduação em Matriz Africana pela Facibra/Casa de Cultura Fazenda Roseira. “As pessoas precisam perceber quão rica e diversificada é a matriz africana, por isso ela deve ser resgatada e valorizada. Afinal, a África é o ventre do mundo”, emociona-se.

Ficha técnica
Musical "Bertoleza"

Direção, adaptação e letras: Anderson Claudir
Dramaturgia final: Anderson Claudir e Letícia Conde
Direção musical: Eric Jorge
Músicas: Anderson Claudir, Andréia Manczyk, Eric Jorge e Juliana Manczyk
Preparação vocal e Assistência de direção musical: Juliana Manczyk
Preparador de elenco: Eduardo Silva
Preparação corporal e coreografia: Taciana Bastos
Cenografia e figurino: Dani Oliveira e Victor Paula
Assistente de cenografia e figurino: Gabriela Moreira
Visagista: Victor Paula
Diretor de palco: Léo Magrão
Designer e operação de Luz: Andressa Pacheco
Vídeos: Aline Almeida
Desenho de som: Labsom - Laboratório Sonoro
Operação de som e microfonação: Kleber Marques e Julia Mauro
Elenco: Lu Campos, Ali Baraúna, Taciana Bastos, Roma Oliveira, Cainã Naira, Larissa Noel,  Palomaris, Edson Teles, Thiago Mota e Welton Santos.
Stand-ins: Lilian Rocha e Anderson Claudir
Direção de produção: Manczyk Produções


Serviço
"Bertoleza", da Gargarejo Cia Teatral
Temporada: 20 de fevereiro a 1º de março de 2026
Sextas e sábados 20h00; domingos às 19h00
Aos domingos há intérprete de libras e roda de conversa
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana, São Paulo
Ingresso: gratuito | Retirada na bilheteria com uma hora de antecedência
Duração: 90 minutos
Recomendação etária: 12 anos
Acessibilidade: o espaço possui acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida

.: “Susi, o Musical” chega aos palcos em produção inédita que revisita memórias


Musical traz de volta a icônica boneca brasileira em uma história inédita que mistura memória afetiva, humor, crítica social e músicas originais, prometendo emocionar e divertir toda a família. Foto: Abílio Gil e Márcio Ribas

Um dos maiores ícones da infância brasileira está prestes a ganhar nova vida nos palcos. A boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e que marcou gerações, retorna agora como protagonista de “Susi, o Musical”, idealizado e escrito por Mara Carvalho (“Gala Dalí”), com músicas de Thiago Gimenes (“Tom Jobim, o Musical”) e concepção e direção de Ulysses Cruz (“Iron – O Homem da Máscara de Ferro”). 

Apresentado pelo Ministério da Cultura e com patrocínio do Itaú, o espetáculo une memória afetiva, crítica social, fantasia e canções inéditas. Produzido pela Ulysses Cruz Arte & Entretenimento, o musical estreia no dia 21 de fevereiro, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com ingressos disponíveis pelo site da Sympla e na bilheteria local.

Na pele da Susi Original estará a cantora e atriz Priscilla, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. O papel será alternado com a atriz Clara Verdier. Já a personagem Bárbara, rival simbólica que representa padrões importados e conflitos contemporâneos, será interpretada por Bruna Guerin. Representando outras versões e desdobramentos da boneca, estarão em cena Ariane Souza (Susi Safari), Luana Tanaka (Susi Fotógrafa), Daniela Dejesus (Susi Jogadora) e Beatriz Algranti (Susi Aeromoça/Swing). Entre os bonecos, o elenco conta ainda com Paulinho Ocanha (Kevin), Rodrigo Moraes (Falcon) e Leandro Melo (Beto). Já o pequeno Victor, filho da personagem Olga - vivida por Mara Carvalho - e protagonista infantil da narrativa, será alternado por Nico Takaki e Arthur Habert.

O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, hipnotizado pelo cotidiano limitante das telas que o impedem de enxergar o mundo como ele realmente é. Mergulhado em um sonho - ou seria um pesadelo? - Victor embarca em uma jornada fantástica na qual se defronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi e de um grupo de personagens marcantes. Entre amigos e antagonistas, ele atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.

Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento, enquanto Victor descobre sua vocação e encontra um caminho de reconexão com sua própria história. A Susi, por sua vez, luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações, multiplicando-se em cena em diferentes versões - representando diversas profissões e etnias - que refletem a pluralidade da mulher brasileira e evidenciam sua resistência cultural frente ao brilho importado da concorrente internacional.

A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu de uma conversa entre Mara Carvalho e Ulysses Cruz, ainda em 2023, quando ambos comentavam sobre o impacto do filme “Barbie”, de Greta Gerwig e Noah Baumbach. Foi então que Mara lançou a provocação: “Por que não fazemos um musical sobre a Susi?”. A partir daí, nasceu o projeto que vem sendo desenvolvido desde então.

O diretor Ulysses Cruz destaca que o desejo de dar vida à montagem vem da vontade de explorar a ousadia artística e resgatar memórias afetivas da infância. Inspirado pelo impacto cultural da boneca e pela própria experiência com os brinquedos da Estrela, ele buscou construir uma narrativa inovadora, divertida e reflexiva. “Quero fazer um musical artístico, ousado, que vá além do óbvio. teatro musical é terreno fértil para muitos assuntos. Susi está nos dando a oportunidade de falar  sobre temas que não são usuais dentro dessa linguagem. Susi é para divertir e refletir ao mesmo tempo”.

A autora e idealizadora Mara Carvalho também vê em Susi a oportunidade de dialogar com questões contemporâneas, como autoconhecimento, amor-próprio e padrões de consumo. Ao lado de Ulysses, ela construiu um enredo que combina humor, emoção e crítica social, além de resgatar um ícone da infância brasileira que foi substituído por referências estrangeiras. “Quis falar de um produto que é nosso e foi substituído. Susi é memória, identidade e também crítica ao país que cria e apaga seus próprios filhos. Espero que o musical emocione, resgate lembranças e traga questionamentos”, explica Mara, reforçando a intenção de criar algo humano e verdadeiro, capaz de tocar o público de forma profunda.

Com diálogos afiados, projeções visuais e um desfile final apoteótico, “Susi, o Musical” alterna entre o universo real do quarto de Victor e o mundo simbólico das bonecas, promovendo reflexões sobre memória, individualidade e pertencimento, ao mesmo tempo em que explora o impacto da cultura de massa e a influência das novas gerações digitais.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes, é parte essencial da dramaturgia: a instrumentação e a orquestração evidenciam de forma clara a identidade de cada personagem e o ritmo da narrativa. Entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e sonoridades dos anos 1970, a música acompanha a trajetória de Susi e Victor, funcionando como extensão do texto e revelando o subtexto da história. 

“A identidade de cada personagem ganha voz própria, transitando por estilos diversos. A ideia é fundir o eletrônico e o acústico, o antigo e o novo, criando uma narrativa sonora múltipla e integrada. A música faz a narrativa avançar, alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a história da Susi e sua trajetória atemporal”, explica Gimenes, reforçando o caráter inovador da proposta e a imersão que o público terá no musical.

Além de Susi e sua rival, o musical apresenta personagens icônicos como Beto e Falcon, em situações que equilibram humor e crítica. Propondo uma experiência lúdica e emocional, que mistura passado e presente, diversão e reflexão, o musical convida o público a revisitar memórias e refletir sobre o futuro, questionando padrões impostos e reafirmando a autenticidade como valor essencial.

A montagem, que conta com o licenciamento da Estrela, reúne um time de diferentes criadores: Thiago Gimenes, responsável pelas músicas originais; Mara Carvalho e Thiago Gimenes, que assinam as letras; Rubens Oliveira, nas coreografias e direção de movimento; Verônica Valle, no cenário; Caia Guimarães e Deborah Casares nos figurinos; Alisson Rodrigues, no visagismo; Aline Santini, no desenho de luz; Gabriel D’Angelo associado com Fernando Wada, no desenho de som; Vanessa Veiga, na direção de elenco; Thiago de Los Reyes, na direção executiva; Andresa Gavioli, na produção executiva e Mauro Pucca na produção técnica.


Ficha técnica
"Susi, o Musical"
Equipe criativa e técnica:
Concepção e Direção Geral: Ulysses Cruz
Texto e letras: Mara Carvalho
Diretor residente e stage manager: Nicolas Ahnert
Direção musical:Thiago Gimenes
Direção executiva: Thiago de Los Reyes
Produção executiva: Andresa Gavioli
Produção técnica: Mauro Pucca
Direção de arte e cenografia: Verônica Valle
Figurinista: Caia Guimarães
Figurinista: Debora Casares
Visagista: Alisson Rodrigues
Assistente de figurino: Carol Poletto
Coreografia e direção de movimento: Rubens Oliveira
Iluminação: Aline Santini
Direção de elenco: Vanessa Veiga
Assistente de direção musical: Johnny Mantelato
Assistente de produção: Luma Litaiff
Assistente de Produção: Fernanda Gavioli
Assistente de coreografia: Fernanda Salla
Contrarregra 1: Nicolas Ives
Contrarregra 2: Daniel Ribeiro Corsino
Contrarregra 3: Estevam Fernandes
Maquinista: Paulo Mafrense
Camareira 1: Erika Farias
Peruqueira e Camareira 2: Andrea Almeida
Iluminador assistente e operador: Caio Maciel
Sound designer: Gabriel D’Angelo
Sound designer associado: Fernando Wada
Operador de som: Cauê Palumbo
Microfonista 1: Gabriel Vilas
Microfonista 2: Adriana Lima
Designer gráfico: Márcio Ribas
Redes sociais e comunicação: André Massa
Redes sociais: Ofélio Falcão
Conteúdo audiovisual: Gabriel Metzer e Arthur Bronzato
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Copyista: Rodrigo Nascimento
Assessoria jurídica e contratos: Marcelo Beck
Prestação de contas e contabilidade: William Chagas

Elenco
Susi: Priscilla
Alternante Susi: Clara Verdier
Bárbara: Bruna Guerin
Susi Safari: Ariane Souza
Susi Fotógrafa: Luana Tanaka
Susi Copa do Mundo: Daniela Dejesus
Victor: Arthur Habert
Victor: Nico Takaki
Olga: Mara Carvalho
Beto: Leandro Melo
Falcon: Rodrigo Moraes
Kevin: Paulo Ocanha
Swing Feminino: Beatriz Algranti

Banda
Tecladista: Henry Gomes
Baixista: Evandro Moisés
Baterista: Ramiz Oliveira
Guitarrista: Carlos Augusto

Serviço
"Susi, o Musical"
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - São Paulo/SP 
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia-entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia-entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla ou bilheteria local 
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos 
Capacidade: 827 lugares


.: "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical" retorna ao Teatro Porto a partir de abril


Com Mel Lisboa, vencedora dos prêmios Shell e Fita, espetáculo dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois retoma temporada no Teatro Porto. Abertura de vendas em 19 de fevereiro. Foto: divulgação

 
Com 292 apresentações desde a estreia em abril de 2024 e visto por mais de 250 mil pessoas, "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical", estrelado por Mel Lisboa e dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois, retorna ao Teatro Porto no dia 18 de abril, após turnê nacional com patrocínio da Porto, que passou por 24 cidades em 19 estados. A venda de ingressos começa em 19 de fevereiro, pelo site www.sympla.com.br/teatroporto e na bilheteria oficial do teatro. Leia a crítica da temporada anterior neste link: "Rita Lee: Uma Autobiografia Musical" é um acontecimento histórico.

Fenômeno de público, o espetáculo estreou em 26 de abril de 2024 no Teatro Porto e, ao longo de mais de um ano em cartaz, teve todas as sessões esgotadas. Pelo trabalho, Mel Lisboa, que interpreta Rita Lee a pedido da própria artista, recebeu os prêmios Shell e Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra de melhor atriz, além de indicações aos prêmios DID, APCA e, recentemente, ao Prêmio APTR de Teatro. 

A montagem também foi contemplada com o Prêmio Arcanjo Especial e com o Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra pelo júri popular. No Prêmio PRIO do Humor, recebeu indicações nas categorias direção e atriz, com Débora Reis, por sua atuação como Hebe Camargo. Débora Reis venceu ainda o Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra de atriz coadjuvante.

“Voltar ao Teatro Porto é como voltar para casa, foi ali que tudo começou. Estreamos no Teatro Porto e ficamos em cartaz por um ano e dois meses ininterruptos, então esse retorno carrega muita memória. É um espetáculo com uma trajetória da qual nos orgulhamos muito. A história da Rita é atemporal, segue atravessando gerações e formando novos fãs. Enquanto as pessoas quiserem ouvir essa história e saírem emocionadas do teatro, a vontade de seguir em cena continua. É isso que nos move", declara Mel Lisboa.

O musical tem roteiro e pesquisa de Guilherme Samora e direção musical de Marco França e Marcio Guimarães.  E ainda traz no elenco, interpretando personagens icônicos da nossa MPB, Bruno Fraga (Roberto de Carvalho), Fabiano Augusto (Ney Matogrosso), Tatiana Thomé (Censora Solange), Debora Reis (Hebe Camargo), Flavia Strongolli (Elis Regina), Yael Pecarovich (Gal Costa), Antonio Vanfill (Arnaldo Baptista e Charles Jones), Gustavo Rezende (Raul Seixas), Roquildes Junior (Gilberto Gil) e ainda o ator Lui Vizotto (swing).


Trajetória do espetáculo
Tudo começou quando Mel Lisboa pisou pela primeira vez em cena como Rita Lee, em 2014, no musical Rita Lee Mora ao Lado. Ela não poderia prever algumas coisas: primeiro, que seriam meses de casa cheia em um dos maiores teatros de São Paulo. Segundo, que a própria Rita Lee apareceria sem avisar, abençoaria sua performance e ainda voltaria para assistir ao espetáculo. Trabalho, aliás, que rendeu a Mel prêmios como melhor atriz e a colocou de vez entre os maiores nomes do teatro nacional, com uma frutífera e diversificada carreira. 

Desta vez, Mel conta a história de Rita com base no livro da cantora, lançado em 2016 e um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. O livro narra os altos e baixos da carreira de Rita com uma honestidade escancarada, a ponto de ter sido apontado como “ensinamento à classe artística” pelo jornal O Estado de São Paulo. 

A ideia do novo musical surgiu quando Mel gravou a versão em audiolivro, como Rita, em 2022.  O texto de Rita, numa narrativa envolvente e perfeita para um musical biográfico, conta do primeiro disco voador avistado por ela ao último porre. Sem se poupar, ela fala da infância e dos primeiros passos na vida artística; de Mutantes e de Tutti-Frutti; de sua prisão em 1976, na ditadura; do encontro de almas com Roberto de Carvalho; das músicas e dos discos clássicos; do ativismo pelos direitos dos animais; dos tropeços e das glórias. 

“A vida de Rita precisa ser contada e recontada. Sua existência transformou toda uma geração. E continua a conquistar fãs cada vez mais jovens. Rita não é ‘somente’ a roqueira maior. Ela compôs, cantou e popularizou o sexo do ponto de vista feminino em uma época em que isso era inimaginável. Ousou dizer o que queria e se tornou a artista mais censurada pela ditadura militar. Na época, foi presa grávida. Deu a volta por cima e conquistou uma legião de ‘ovelhas negras’. Ela se tornou a mulher que mais vendeu discos no país e a grande poetisa da MPB”, completa Mel.

Como diz Rita no livro, seu grande gol é ter feito um monte de gente feliz. E Mel, no palco como Rita, leva a sério essa missão: todas as vezes em que interpreta Rita, as pessoas se comportam como se estivessem num show. Cantando junto, batendo palma e, não raras as vezes, correndo para dançar na frente do palco no “bis” do espetáculo. "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical" cria, portanto, uma versão inédita que mostra todas as facetas dessa grande cantora, compositora, multi-instrumentista, apresentadora, atriz, escritora e ativista dos direitos humanos e uma das maiores artistas brasileiras.


O espetáculo em números 
*Estreia em abril de 2024
*292 apresentações desde a estreia
*Um ano e dois meses em cartaz no Teatro Porto
*Público superior a 250 mil pessoas
*Turnê nacional por 24 cidades
*Passagem por 19 estados

Prêmios e indicações
*Prêmio Shell de Teatro, Melhor Atriz, Mel Lisboa
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Melhor Atriz, Mel Lisboa
*Prêmio Arcanjo Especial, espetáculo
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Júri Popular
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Atriz Coadjuvante, Débora Reis
*Indicação ao Prêmio DID, Mel Lisboa
*Indicação ao Prêmio APCA, Mel Lisboa
*Indicações ao Prêmio PRIO do Humor, categorias Direção e Atriz, Débora Reis
*Indicação ao Prêmio APTR de Teatro, Mel Lisboa (ainda não divulgado resultado)

Ficha Técnica
Roteiro e pesquisa: Guilherme Samora
Texto: Márcio Macena
Direção geral: Débora Dubois e Márcio Macena
Direção musical: Marco França e Marcio Guimarães
Coreografia: Tainara Cerqueira
Assistente de coreografia: Priscila Borges
Figurinista: Carol Lobato e Giu Foti
Iluminação: Débora Dubois e Luiz Fernando Vaz Jr
Elenco: Mel Lisboa, Bruno Fraga, Fabiano Augusto, Debora Reis, Flavia Strongolli, Yael Pecarovich, Antonio Vanfill, Gustavo Rezende, Roquildes Junior, Tatiana Thomé e Lui Vizotto
Assessoria de imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação
Coordenação de produção: Edinho Rodrigues
Realização: Brancalyone Produções


Serviço
"Rita Lee, Uma Autobiografia Musical"
Reestreia 18 de abril de 2026.
Temporada: De 18 de abril a 28 de junho. Sextas e sábados, às 20h; Domingos, às 17h.
Ingressos: Plateia: R$220 (inteira) / Balcão e Frisas: R$180 (inteira)
Valor Especial: R$ 50,00 (inteira)
 *O ingresso Valor Especial é válido para todos os clientes e segue o plano de democratização da Lei Rouanet, havendo uma cota deste valor promocional por sessão.
Classificação: 12 anos.
Duração: 120 minutos.

Teatro Porto 
Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
Telefone (11) 3366.8700

Bilheteria
Aberta somente nos dias de espetáculo, duas horas antes da atração. 
Clientes Cartão Porto Bank mais acompanhante têm 50% de desconto.
Clientes Porto mais acompanhante têm 30% de desconto.
Capacidade: 508 lugares.
Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Gratuito para clientes do Teatro Porto.
O Teatro Porto oferece aos clientes uma van gratuita partindo da Estação da Luz em direção ao prédio do teatro. O local de partida é na saída da estação, na Rua José Paulino/Praça da Luz. No trajeto de volta, a circulação é de até 30 minutos após o término da apresentação. E possui estacionamento gratuito para clientes do teatro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

.: Cia. Ave Lola estreia "Sonho de Uma Noite de Verão" no Sesc Santo Amaro


A Ave Lola volta a São Paulo depois do sucesso de "Cão Vadio" e apresenta sua nova criação "Sonho de Uma Noite de Verão", com música ao vivo e o encontro direto com o público em temporada no Sesc Santo Amaro. Foto: Maringas Maciel


A trupe curitibana Ave Lola traz a São Paulo sua nova criação, "Sonho de Uma Noite de Verão", comédia de William Shakespeare, em temporada no Sesc Santo Amaro de 27 de fevereiro a 5 de abril. O grupo, que completa 15 anos de trajetória e soma mais de 300 mil espectadores em circulações nacionais e internacionais, apresenta uma montagem que integra música ao vivo, teatralidade popular e jogo físico como marcas da companhia.

Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, o espetáculo costura diferentes tradições cênicas, entre elas o teatro de pavilhão, a comédia e o melodrama, incorporando linguagem musical executada ao vivo por Arthur Jaime e Breno Monte Serrat. Em cena, o elenco formado por Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno e Willa Thomas recria as camadas de fantasia e desordem afetiva que atravessam o texto.

A história acompanha o entrelaçamento de tramas amorosas e disputas no limite entre sonho e realidade. Quatro jovens de Atenas se perdem na floresta enquanto tentam decidir seus destinos amorosos, ao mesmo tempo em que o reino das fadas vive suas próprias tensões, guiadas pela disputa entre Oberon e Titânia, e pela travessura de Puck, que embaralha desejos e identidades.

O espetáculo sublinha o caráter festivo e imaginativo do original, apostando no jogo e na teatralidade explícita como elementos fundamentais para um teatro sofisticado e popular. “Num país de dimensões continentais é sempre uma conquista poder levar espetáculos para públicos diversos.  É ao mesmo tempo desafiador e gratificante, se compreendemos que parte do nosso ofício é viajar.” conta a diretora Ana Rosa Genari Tezza.

Criado em 2024, o espetáculo aprofunda a pesquisa da Ave Lola sobre teatro popular e seu diálogo com dramaturgias clássicas. Ao longo de sua história, a companhia desenvolveu uma assinatura própria que combina potência estética, música e ênfase no trabalho do ator, o que permitiu ao longo dos anos estabelecer uma forte comunicabilidade com o público heterogêneo, consolidando-se como um dos grupos de referência da cena brasileira. “Na Ave Lola, a música não é apenas ao vivo, ela é dramatúrgica. Ela estabelece ritmo, forma e estrutura da cena, com o mesmo peso da palavra. A música é criada no processo no calor da cena, enquanto os atores improvisam e depois, executada ao vivo durante às apresentações, pelos compositores”.

“Espero que o público do Sesc Santo Amaro se envolva, se divirta e fique próximo da gente. Que encontre no espetáculo um lugar de afeto pelo teatro e por esse texto tão vivo, tão ligado à juventude, ao erotismo e ao amor pela vida”, completa a diretora. 

A temporada do espetáculo Sonho de uma noite de verão no Sesc Santo Amaro é uma ação viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio de Instituto Joanir Zonta, Guabi Nutrição e Saúde Animal, Tecbril, Ecogen Brasil Soluções Energéticas, Gemü, HD Ferragens para Móveis, Tecsul Equipamentos e Serviços e produção da Trupe Ave Lola e Entre Mundos Produções Artísticas e realização Sesc, Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro.

Sobre Ave Lola
A Ave Lola é uma companhia de teatro que há mais de uma década vem encantando o público com espetáculos premiados que circulam o Brasil e o exterior. Reconhecida por sua pesquisa no teatro popular brasileiro, a companhia busca constantemente aprimorar sua linguagem teatral. Além disso, assina produção de livros, filmes, exposições, oficinas e articulação com artistas do mundo todo – sendo berço de projetos artísticos de diversas áreas. A companhia já conquistou 35 prêmios, entre eles Shell, Gralha Azul e indicações para o Cesgranrio. Desde a fundação, em 2010, a Ave Lola soma um público de mais de 300 mil pessoas em seus espetáculos. 

Toda a gestão da trupe é feita por mulheres, garantindo espaço e visibilidade para elas no mundo das artes. A começar por Ana Rosa Genari Tezza, fundadora, diretora e dramaturga. Nascida em Curitiba e criada na Amazônia Brasileira (Rio Branco – AC), tem mais de 30 anos de teatro, tendo seus últimos trabalhos como diretora artística amplamente reconhecidos pelo público e pela crítica especializada. Conta com indicações e premiações nacionais e internacionais, além de parcerias firmadas com grupos do Chile, Alemanha, Dinamarca, Holanda e França.


Ficha técnica
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"
Companhia: Trupe Ave Lola
Autor: William Shakespeare
Tradução: Bárbara Heliodora
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Assistente de direção: Giovana de Liz
Direção musical e execução de música ao vivo: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat
Arranjos vocais: Julia Klüber
Composição da canção “Lullaby”: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat, Julia Klüber
Composição da canção “The Blue Boys Tale”: Cesar Matheus, Kauê Persona
Elenco: Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno, Willa Thomas
Coreografia e preparação corporal: Ane Adade
Preparação vocal: Julia Klüber
Iluminação: Beto Bruel, Rodrigo Ziolkowski
Cenografia: Daniel Pinha
Figurino: Ana Rosa Genari Tezza, Helena Tezza
Visagismo e adereços: Maria Adélia
Orientação de figurino: Eduardo Giacomini
Costura: Água Viva Decorações, Ari Lima, Marino Ferrera, Sandra Francisca Canonico
Camareira: Alyssa Riccieri
Montagem e operação de luz: Alexandre Leonardo Luft
Direção de palco: Marcelo Rodrigues
Assistentes de cenografia: Stella Pugliesi, Rita Sobrinho
Cenotécnicos: Anderson Quinsler, Paulo Batistela (Nietzsche), Vilson Kurz, Sérgio Richter
Assistente de cenotecnia: Anderson Bagio
Coordenação de projetos: Dara van Doorn, Laura Tezza
Direção executiva: Entre Mundos Produções Artísticas
Direção de produção: Dara van Doorn, Elza Forte da Silva Carneiro, Laura Tezza
Produção: Flavia Longo
Assistente de produção: Carlos Becker
Assistente financeiro: Alyssa Riccieri
Comunicação Ave Lola: Larissa de Lima, Agência Momo
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli
Assistência de comunicação: Cesar Matheus
Prestação de contas: Laura Tezza, Matheus Munhoz
Ilustrações e projeto gráfico: Raro de Oliveira
Registro audiovisual: Guilherme Danelhuk (Gnomos Filmes)
Registro fotográfico: André Tezza, Caíque Cunha, Maringas Maciel
Ave Lola São Paulo: Ricardo Grasson, Heitor Garcia
Residente internacional: Renata Lorca
Encontros que integraram o processo de criação do espetáculo: Oficina “Desconstrução da Palavra como Criação de Repertório Vocal e Corporal” com Luis Melo e “Conversas” com Chico Carvalho.

Serviço
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"

Duração: 120 minutos. Classificação: 12 anos
Sesc Santo Amaro  - Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro / São Paulo
De 27 de fevereiro a 5 de abril. Sextas e sábados, às 19h30, e aos domingos, às 18h.
Ingressos:  R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada), R$ 15,00 (credencial plena).
Venda disponível on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site https://centralrelacionamento.sescsp.org.br/, a partir de 17/02, ou nas bilheterias das unidades, a partir de 18 de fevereiro.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h00 às 18h30.
Sessões com Libras: 13 de março (19h30), 21 de março (19h30), 29/3 (18h).
Sessões com Audiodescrição: 13 de março (19h30), 20 de março (15h00) e 27 de março (1000h).
Como Chegar de Transporte Público: 300m a pé da Estação Largo Treze (metrô), 900m a pé da Estação Santo Amaro (CPTM), 350m a pé do Terminal Santo Amaro (ônibus).
Acessibilidade: A praça dá acesso a todos os andares (subsolo | térreo | 1º pav. | 2º pav.) do prédio e aos espaços de atividades por meio de dois elevadores. A Unidade possui banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, espaço reservado no Teatro e conta com seis vagas especiais no estacionamento.

.: "Escola Modelo" reestreia no Teatro Vivo e retoma debate sobre racismo


Peça dirigida por Fernando Vilela traz em cena Pedro Granato e Letícia Calvosa refletindo as estruturas sociais sob diferentes perspectivas. Foto: Camila Rios

Dirigido por Fernando Vilela, o espetáculo "Escola Modelo" propõe uma reflexão direta sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da educação brasileira. A montagem, protagonizada por Pedro Granato e Letícia Calvosa, reestreia no dia 28 de fevereiro, no Teatro Vivo, em São Paulo. A dramaturgia de Bruno Lourenço se constrói a partir do embate entre o privado e o público, o sonho e o trabalho, articulando referências de pensadores como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz.

O espetáculo parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para atravessar o que é íntimo e o que é estrutural, o que é memória individual e política pública. Em cena, uma mulher negra que viveu os dilemas das cotas no acesso à universidade e um homem branco que atuou como gestor público de formação, refletem sobre como o racismo moldou suas trajetórias educacionais. 

“Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta a atriz.

Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços. "Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais", reflete. 

A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas), explica. A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.

“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela. 

A cenografia, inspirada no filme "Dogville" de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.


Ficha técnica
Espetáculo "Escola Modelo"
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa. Direção: Fernando Vilela. Dramaturgia: Bruno Lourenço. Desenho de luz: Ariel Rodrigues. Direção de arte: Fernando Vilela. Figurino: Thais Sakuma. Preparação Vocal: Malú Lomando. Técnico de Palco e Técnico de Som: Diego Leo. Técnico de Luz: Ariel Rodrigues. Produção Executiva: Julia Terron. Assistência de Produção: Diego Leo. Fotos Divulgação: José de Holanda. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção e Realização:Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato. Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.


Serviço
Espetáculo "Escola Modelo"
Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi - São Paulo/SP - 04583-110
Capacidade do Espaço Convivência: 46 lugares
Temporada: De 28 de fevereiro a 29 de março de 2026. Sábados às 20h e domingos às 18h.
Ingressos: R$ 80,00 (inteira)/ R$ 40,00 (meia-entrada)
Duração: 75 minutos.
Classificação: 14 anos.
Bilheteria: (11) 3430-1524 - Horário de funcionamento da bilheteria: 2h antes da apresentação.
Estacionamento no local
Entrada pela Av. Roque Petroni Jr, 1464
Valor R$ 30,00 
Funcionamento duas horas antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão.

.: "Hereditária", no Sesc Pompeia, tem canções originais e mitologia


Com indicações ao Prêmio Shell de Direção e Cenário, espetáculo inova na abordagem à acessibilidade, com audiodescrição e Libras integradas à dramaturgia. Foto: Thelma Vidales

 
Após temporadas no Rio de Janeiro, "Hereditária" estreou em São Paulo no Espaço Cênico do Sesc Pompeia e permanece em cartaz até o final do mês, de quarta a sexta-feira. Idealizado pela multiartista Moira Braga, o espetáculo parte da descoberta, aos sete anos de idade, de uma condição genética rara que causaria a perda de sua visão, para investigar os múltiplos sentidos da hereditariedade - do genético ao social. Há duas décadas, Moira vem construindo uma trajetória relevante na cena artística brasileira, especialmente no campo da cultura DEF. Atua como autora, bailarina, atriz e preparadora de elenco no teatro e no audiovisual.

A dramaturgia, escrita pela atriz em parceria com o diretor do espetáculo, Pedro Sá Moraes, entrelaça acontecimentos da vida pessoal e da ancestralidade de Moira a referências históricas, científico-sociais e mitológicas - como o mito grego das Moiras, três irmãs funestas que tecem o destino de todos os seres. Entre o biográfico, o poético e o político, a peça reflete sobre o quanto de nossas vidas é predeterminado e o quanto temos poder de escolha. 

"'Hereditária' aborda temas sensíveis, doença, morte, perdas. Mas não é sobre isso. Penso que esse espetáculo é sobretudo uma história de amor à Vida. O público é convidado a refletir sobre o que são nossas heranças e nossa hereditariedade: aquilo que nos chega pela ancestralidade, o que se perde pelo caminho e as heranças que escolhemos carregar. Heranças congênitas, sociais, culturais e simbólicas que atravessam corpos e histórias", explica Moira.

No Palco, a idealizadora contracena com duas outras atrizes: Luize Mendes Dias, que também é intérprete de Libras, e a multi-instrumentista Isadora Medella. A Língua Brasileira de Sinais e a audiodescrição estão integradas de forma orgânica desde a dramaturgia até as movimentações cênicas, expandindo as fronteiras do que tradicionalmente se compreende como acessibilidade.  

A narrativa é costurada por canções originais compostas por Pedro Sá Moraes, que também assina a direção musical ao lado de Isadora Medella. O trabalho foi inspirado no conceito de Teatrocanção, no qual a musicalidade orienta o ritmo da atuação e a pulsação das cenas. "A canção é uma forma de expressão muito poderosa, porque chega no corpo e no afeto, antes da racionalidade. As formas musicais brasileiras, em especial, são parte da nossa herança compartilhada e por isso possibilitam uma experiência mais íntima das metáforas e das reflexões do espetáculo. De certo modo, essa musicalidade ajuda a criar a ponte que sai da história da Moira, e vira história de cada um", comenta o diretor.

O cenário, concebido como uma instalação visual e sonora pelo músico e artista plástico Ricardo Siri, é formado por objetos que produzem sons ao serem pisados, tocados, percutidos ou deslocados em cena. Pessoas cegas e com baixa visão são convidadas a fazer uma visita guiada antes da abertura das portas, para explorar os elementos cenográficos de forma tátil, ampliando a experiência sensorial do espetáculo.

A direção de movimento, assinada por Edu O., performer e professor da UFBA, primeiro professor de dança cadeirante de uma universidade pública brasileira, Edu é referência nacional no debate sobre Arte DEF, incorporando à criação reflexões sobre capacitismo e o que define como bipedia compulsória.

A trajetória de Moira Braga ganhou projeção nacional a partir de 2022, com sua participação na novela Todas as Flores, da TV Globo, onde atuou como preparadora de elenco e intérprete da personagem Fafá. Em 2024, retornou à emissora como preparadora de elenco da novela Renascer e 2025 do longa-metragem Antártida.  Para a artista, esse reconhecimento reforça a importância de que profissionais com deficiência sejam convocados não apenas para falar sobre deficiência, mas para exercer plenamente suas funções criativas. 

Ficha técnica
Espetáculo "Hereditária"
Idealização: Moira Braga
Dramaturgia: Moira Braga e Pedro Sá Moraes.
Direção: Pedro Sá Moraes.
Elenco: Isadora Medella, Luize Mendes Dias e Moira Braga.
Canções originais: Pedro Sá Moraes.
Direção musical: Pedro Sá Moraes e Isadora Medella.
Direção de movimento: Edu O.
Cenografia: Ricardo Siri.
Figurino: Vania Ms. Vee.
Iluminação: Ana Luzia De Simoni.
Iluminador assistente (montagem e adequação de rider): Guiga Ensá.
Operação de luz: Eloah Mendes.
Técnico de som: Hernán Romero.
Identidade visual: Vinícius Santilli | Grambolart.
Designer (edição das peças gráficas): Fernando Alax.
Fotos: Junior Zagotto, Felipe Rodrigues, Pedro Sá Moraes, Thelma Vidales.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Consultoria em Libras: Jadson Abraão.
Consultoria em audiodescrição: Felipe Monteiro.
Contabilidade: Davi Andrade.
Produção executiva: Júlia Pires.
Direção de produção: Jordana Korich.
Co-realização: Movimento Falado Ltda., Sá Moraes Produções e Educação e Grande Mãe Produções. 


Serviço
Espetáculo "Hereditária" 
Até dia 27 de fevereiro de 2026.
Dias e horários: quarta a sexta-feira, às 19h30; quinta-feira também com sessão vespertina, às 16h00.
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
O espetáculo conta com tradução em Língua Brasileira de Sinais e audiodescrição em cena aberta, além de visita guiada ao cenário para pessoas cegas e com baixa visão.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Sem estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal: sescsp.org.br/pompeia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

.: Espetáculo "Escute as Feras" abre a programação teatral do Cultura Artística


Adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin, é protagonizado por Maria Manoella e com direção musical de Lúcio Maia. Foto: Ariela Bueno


Após receber os primeiros espetáculos teatrais desde sua reabertura em 2024, o Cultura Artística inicia 2026 com a temporada de "Escute as Feras", de 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00, no Pequeno Auditório. Idealizado por Maria Manoella e Fernanda Diamant, o projeto é uma livre adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin. De grande repercussão mundial, a obra recebeu o prêmio François Sommer de 2020 por sua contribuição à reflexão a respeito das relações entre homem e natureza.

Nastassja Martin teve seu rosto desfigurado por um urso pardo em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria, em 2015. A autora então parte do relato desse acontecimento para pensar questões sociais, políticas e existenciais. A adaptação teatral foi escrita pela atriz Maria Manoella, juntamente com a filósofa e editora Fernanda Diamant e a diretora Mika Lins. O texto se concentra em pontos de contato entre essa história e a realidade brasileira, entre essa mulher e todas as mulheres, em uma peça que se descola do realismo da obra de não ficção e estimula o sonho e os sentidos.

O resultado é ao mesmo tempo um espetáculo solo de Maria Manoella, e uma experiência artístico-sonora conduzida ao vivo pelo músico Lúcio Maia, que assina a direção musical. Além disso, conta com Daniela Thomas na direção de arte, Fabio Namatame no figurino, direção de movimento de Vivien Buckup, colaboração dramatúrgica de Ana Paula Pacheco e direção de Mika Lins.


Ficha técnica
Espetáculo "Escute as Feras"

Idealização: Maria Manoella e Fernanda Diamant
Adaptação teatral: Fernanda Diamant, Mika Lins, Maria Manoella Colaboração dramatúrgica: Ana Paula Pacheco
Direção: Mika Lins
Co- direção: Fernanda Diamant Com: Maria Manoella e Lúcio Maia
Direção Musical, Produção, Composição e execução: Lúcio Maia Direção de Arte: Daniela Thomas
Iluminação: Caetano Vilela Figurino: Fábio Namatame
Direção de Movimento: Vivien Buckup Produção: Corpo Rastreado


Serviço
Espetáculo "Escute as Feras"

De 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00 / domingos, às 18h00 Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação / São Paulo. Ingressos: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada) – disponíveis aqui.


 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

.: “A Baleia” desmonta o discurso fácil sobre compaixão e volta a ser o que era


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Ale Catan

O filme "A Baleia", dirigido por Darren Aronofsky, já era bom e foi injustamente patrulhado por uma crítica que parece ter alergia a qualquer obra que não venha embalada no manual do “politicamente correto performático”. Mas, no palco do Teatro Sabesp Frei Caneca até dia 1º de março, sob a direção de Luís Artur Nunes, o texto de Samuel D. Hunter respira melhor e parece ainda mais incômodo. Talvez porque o teatro não permita fuga: não há corte de câmera, não há trilha que manipule a lágrima: há somente atores diante do abismo e uma história a ser contada.

No papel que foi de Brendan Fraser no cinema, Emílio de Mello entrega algo que não se ensaia: doçura. O Charlie interpretado por ele não é um mártir e muito menos um monstro. É um homem que falhou tentando amar e que agora tenta amar falhando menos. No clássico "Moby Dick", escrito por Herman Melville, o capitão Ahab persegue a baleia como se quisesse matar o que não compreende. Em "A Baleia", Charlie é perseguido pelas escolhas que fez, como se fosse o Ahab de si mesmo. É apenas um homem que não se cansa de pedir desculpas e, quanto mais faz isso, mais revela a brutalidade da própria culpa.

O mar está para o espetáculo o tempo todo, seja como personagem, seja como pano de fundo: no som constante, na água como metáfora de limpeza, no dilúvio íntimo que sempre ameaça transbordar. E, inevitavelmente, nos amores líquidos apontados por Zygmunt Bauman como relações que escorrem pelos dedos antes que se aprenda a segurá-las.

O elenco atua com precisão. Luisa Thiré constrói uma amiga sobrecarregada, dividida entre o colo e o cansaço. A atuação dela é estupenda do início ao fim. Ela cuida, mas é enérgica; protege, mas explode; ama, mas está exausta da situação em que está inserida. Já Gabriela Freire, no papel da filha, tem a coragem de ser detestável enquanto personagem. A Ellie interpretada por ela oscila entre maturidade precoce e vulnerabilidade mal cicatrizada. Sádica, ela se vinga do pai com uma crueldade que nasceu do abandono, em uma vilania que não é gratuita. O jovem missionário vivido por Eduardo Speroni também se destaca. O traço dele é a hipocrisia que costuma se travestir de fé. A peça ainda presenteia o público com a participação especial de Alice Borges em uma cena decisiva.

A gordofobia e a homofobia coexistem em "A Baleia", mas o que se debate em cena é algo mais desconfortável do que essas temáticas: arrependimento e abandono. Com diálogos cortantes, é uma peça sobre o mal que se rebate com o bem, e erros que resultam em pequenas redenções, enquanto o caos acontece na vida que segue. No palco, "A Baleia" deixa de ser apenas a sombra de uma boa adaptação cinematográfica e volta a ser o que sempre foi: teatro em estado de graça.

Ficha técnica
Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.

Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026
Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 
Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza
Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

.: Crítica: no teatro, "A Baleia" é humana pela culpa e busca de aceitação


Por
 Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do portal Resenhando.com

Em fevereiro

O cinema consegue emocionar visualmente, mas o teatro, quando reúne um elenco impecável, é capaz de ir além e criar uma ponte única de aproximação com o público para mexer com sentimentos diversos, além de lançar inquietações. Ao testemunhar o espetáculo teatral "A Baleia", em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, cada provocação reverbera semanas depois. 

Em vivências posteriores, reflexões sobre o rumo da história surgem na mente, gerando debates internos a respeito da humanização de cada personagem que no palco tornam a montagem do diretor Luís Artur Nunes inesquecível. Há no protagonista de Emílio de Mello o ponto de partida do desenvolvimento de toda a trama, assim como a escolha determinante.

A interpretação mansa e comovente de Mello entranha no público estabelecendo uma conexão com profundidade emocional sobre dependência e isolamento. Com empatia, o público é convidado a assumir o posto de Charlie (Emílio de Mello), em meio a seus erros e acertos diante de um grande chamado. 

Cada personagem que interage pessoalmente com o protagonista, é agregado a ele, como tentáculos. Todos distantes, mas unidos num único motivo. Importantes para o homem que optou se anular aos poucos, mergulhando na comorbidade e que abraça uma visão amorosa, totalmente questionável, de uma filha execrável, Ellie (Gabriela Freire). 

Portanto, recai para Ellie o retrato do desamor e asco, que mantém vivo pelo pai e, com atitudes, faz o público sentir o mesmo por ela. Mérito inquestionável de Gabriela Freire, que com categoria entrega a interpretação de uma filha necessariamente horrorosa a um pai que a acompanhou sempre distante, apesar da admiração.

A enfermeira e amiga, Liz (Luisa Thiré) representa o equilíbrio e a razão diante dos fatos, alguns extremamente absurdos, respingando um pouco desta postura para a ex-mulher, Mary (Alice Borges). Há ainda a interferência do missionário Thomas de Eduardo Speroni com imposições religiosas questionáveis que fazem refletir sobre as escolhas, mas também rir quando, no debate, percebe que a vida não é uma lista de atividades a ser cumprida.

Em "A Baleia" há muita poesia na produção. Seja a sonoplastia que funciona como que um chamado ou na leitura amorosa de uma pequena análise de "Moby Dick". No entanto, o que mais conta é a total entrega de um elenco magistral que rapidamente leva o público para mergulhar num temporal de sentimentos que encaminham a baleia a seu destino final. Imperdível!

Sinopse: Charlie é um professor de inglês com obesidade severa que vive recluso e busca redenção. Após a morte do namorado, ele tenta se reconectar com sua filha adolescente, Ellie, de quem se afastou, enfrentando culpa e busca por aceitação. 


Ficha técnica

Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.


Serviço:

Teatro Sabesp Frei Caneca

Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026

Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.


Ingressos

Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)

Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)

Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)

Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)

Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 

Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza

Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.


Agradecimentos de "A Baleia"


Leia+ 


.: "Pietà - Um Fractal de Memórias" reestreia dia 28 na SP Escola de Teatro

Espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", ambientado nos anos 1980, aborda questões ligadas a depressão e ao suicídio, em curtíssima temporada na cidade de São Paulo. Foto: divulgação


Reestreia no dia 28 de fevereiro na SP Escola de Teatro o espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", texto de Marcelo Novazzi, com direção de Paulo Gabriel e protagonizado pelos atores Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto.  A peça teatral fez temporada em 2025 e recebeu indicação de melhor ator pelo site Arte 8 para Dan Rosseto. A peça se passa na década de 1980 em uma noite de Natal, data em que as pessoas estão mais sensibilizadas e emotivas. 

Os fantasmas, as frustrações e os traumas afloram no protagonista com intensas ideações suicidas. Movido por este ímpeto de dar cabo a sua vida, de dentro da sala de estar da sua casa iremos ver o testemunho fractal de suas memórias em relatos vertiginosos do jornalista Pedro, que já tomado pela depressão, não consegue mais separar com clareza o que é real e o que é ficção. Tomado por um peso enorme sobre si, busca as devidas justificativas para tirar sua vida.

Cenicamente, de um lado, a peça traz à tona as lembranças do protagonista que se traduzem em fragmentos de memória, que misturam realidade e imaginação, distorcidos pelo quadro depressivo já instalado. Neste mosaico de lembranças, Pedro evoca situações com pessoas que passaram e marcaram sua vida, como a sua mãe Odete (Giselle Tigre) e a namorada Carol (Mayara Mariotto). Já no outro extremo, vemos Pedro tentando sair dessa espiral que o congela para a vida. Aos poucos, ele se entrega aos cuidados da terapeuta Susan Helena (Giovana Yedid) que vai trazendo ao seu paciente certa lucidez e entendimento na caminhada de Pedro. Através de dinâmicas da recém-chegada ‘’Constelação Familiar’’ ao Brasil, vai desatando os nós e ressignificando os traumas da sua caminhada.

A peça aborda temas importantes e atuais, como a depressão, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o principal fator de risco para o suicídio considerado por especialistas, um dos grandes problemas do século. Outro tema abordado é a saúde mental, a conscientização e expansão da importância do assunto nos dias de hoje e da gama de processos terapêuticos convencionais e não convencionais, como forma de tratamento desses padrões comportamentais.

"Este é um dos trabalhos mais complexos, os temas abordados no texto são profundos, urgentes e necessários. Como ator eu preciso criar conexões com o personagem de forma técnica, para que o jogo cênico aconteça todos os dias e a plateia crie empatia comigo e com o personagem. Fui convidado para este projeto em 2019 e de lá pra cá, estamos tentando encontrar formas de viabilizar que ele acontecesse, por isso a importância de todos os envolvidos”, conta o ator Dan Rosseto.

Ficha técnica
"Pietà - Um Fractal de Memórias"
Texto: Marcelo Novazzi
Adaptação e direção: Paulo Gabriel
Direção de produção: Fabio Camara
Elenco: Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto
Assistente de direção: Giovanna Campanharo, Isabelli Zavarello e Karla Marcon
Assistente de produção: Natália Rabelo
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Bruna Longo
Figurino e cenário: Fabio Camara
Arquitetura Cênica: Paulo Gabriel
Iluminador: Wagner Pinto e Carina Tavares
Operador de luz: Beto Boing
Operador de som: Sophia Dário
Fotos: Rafa Marques
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Produtora associada: Girassol em Cena Produções e Candeal Produtora
Realização: Applauzo Produções, Lugibi Produções e E!motion Cultural


Serviço
"Pietà - Um Fractal de Memórias" 
SP Escola de Teatro - Unidade Roosevelt, Praça Franklin Roosevelt 210 – Bela Vista. 60 lugares.
De 28 de fevereiro até 15 de março. Sextas e sábados, às 20h30. Domingos, às 18h00.
Outras informações: (11) 3775 8600
Vendas pela internet: https://www.sympla.com.br/eventos?s=piet%C3%A0,%20Um
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

.: Fernanda Montenegro reabre Teatro do Sesc Santos em ano histórico


Fernanda Montenegro inaugura o palco renovado do Teatro do Sesc Santos, marcando a reabertura do espaço com a leitura “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”. Foto: Guilherme Pires

Com Fernanda Montenegro no palco, o Teatro do Sesc Santos reabre as cortinas em grande estilo. A atriz inaugura oficialmente o espaço renovado com a leitura dramática “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”, entre os dias 20 e 22 de fevereiro, marcando o retorno da programação artística ao teatro após um amplo processo de modernização técnica. Na leitura dramática extraída da obra “A Cerimônia do Adeus”, Fernanda Montenegro apresenta reflexões centrais do pensamento de Simone de Beauvoir sobre o feminismo, a liberdade e sua relação com o filósofo Jean-Paul Sartre. O encontro entre a atriz e a pensadora francesa resulta em uma experiência íntima e potente, que aproxima o público de uma das vozes mais revolucionárias do século XX.

A reabertura acontece em um ano simbólico: o Sesc celebra 80 anos de atuação no país, enquanto o Teatro do Sesc Santos completa quatro décadas de história em 2026. Para celebrar esse duplo aniversário, a unidade apresenta uma programação especial que reúne grandes nomes da cena cultural brasileira e internacional, com espetáculos de teatro, dança e música voltados a públicos de todas as idades.

O espaço passou por uma renovação profunda da caixa cênica, dos bastidores e da infraestrutura técnica. Entre as melhorias estão a instalação de novos equipamentos de iluminação e audiovisual, a ampliação e automatização das varas de cenário e luz, além da substituição completa do piso do palco. O resultado é um teatro mais moderno, seguro e versátil, preparado para receber produções de alta complexidade técnica.

Após a estreia com Fernanda Montenegro, a programação de reabertura segue com a São Paulo Companhia de Dança, que apresenta, nos dias 26 e 27 de fevereiro, um programa com três obras internacionais: “Odisseia” (Joëlle Bouvier), “O Canto do Rouxinol” (Marco Goecke) e “Gnawa” (Nacho Duato). No dia 28/2, a cantora Fafá de Belém sobe ao palco ao lado do pianista André Mehmari com o show “BrasilEssenza”. Já no dia 1º de março, o público infantil é contemplado com o show “Zoró Zureta”, de Zeca Baleiro.

Os ingressos para a programação de reabertura do Teatro do Sesc Santos estarão disponíveis a partir de 3 de fevereiro, às 17h, pelo aplicativo Credencial Sesc SP e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br. As vendas presenciais começam em 4 de fevereiro, às 17h, nas bilheterias das unidades do Sesc SP. Para a leitura dramática “Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir”, os ingressos poderão ser adquiridos a partir de 6 de fevereiro, às 15h, tanto on-line quant o presencialmente.É recomendável consultar a classificação indicativa e o limite de ingressos por pessoa. A programação completa está disponível em sescsp.org.br/santos.


Um teatro renovado, técnico e contemporâneo
Considerado um dos principais equipamentos culturais da Baixada Santista, o Teatro do Sesc Santos foi inaugurado em 1986 e hoje tem capacidade para 765 pessoas. O espaço conta com plena acessibilidade, incluindo rampas, elevadores, áreas reservadas para cadeirantes, poltronas adaptadas para pessoas obesas e banheiros acessíveis.

Ao longo de 2025, o teatro passou por uma reestruturação técnica que o coloca em patamar equivalente ao dos grandes teatros brasileiros. Entre os principais avanços está a implantação de um sistema totalmente motorizado de varas cênicas: agora são 45 varas operadas por controle computadorizado, garantindo mais precisão, segurança e agilidade na montagem dos espetáculos.

Os sistemas de iluminação também foram atualizados, com novos equipamentos profissionais e maior uso de tecnologia LED, ampliando tanto a eficiência energética quanto as possibilidades criativas. Outro destaque é o novo piso do palco, com cerca de 600 m² em madeira Tauari, escolhida por seu conforto ergonômico, resistência à umidade característica do clima de Santos e possibilidade de revitalizações futuras. Com essas melhorias, o Teatro do Sesc Santos se reafirma como referência cultural na região, pronto para receber produções contemporâneas de diferentes linguagens e ampliar o diálogo com o público.

Serviço
“Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”
Datas: 20 a 22 de fevereiro
Horários: sexta e sábado, às 20h00; domingo, às 19h00
Classificação: não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia), R$ 70,00 (inteira)
Limite: até 2 ingressos por pessoa
Observação: não é permitida a entrada após o início da leitura

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

domingo, 1 de fevereiro de 2026

.: Entrevista: Victor Garbossa reinventa “O Alienista” para fazer o Brasil repensar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comFoto: Joaquim Araújo

Em um país onde o clássico frequentemente é visto como sinônimo de inacessível, "O Alienista" -adaptação teatral protagonizada por Victor Garbossa e dirigida por Eduardo Figueiredo - surge como uma espécie de rebelião poética: leve, irônica, musical e, ao mesmo tempo, profundamente crítica. Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem reimagina o médico Simão Bacamarte que, além de um estudioso da razão e da loucura, é também, alguém que faz parte das contradições e obsessões de nosso tempo.

Em cartaz até o dia 1º de fevereiro no Teatro J. Safra, em São Paulo, "O Alienista" convida cada espectador a revisitar Machado de Assis. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, Victor Garbossa fala sobre arte, identidade, redes sociais, fé cega e o ofício performático que transita entre palco, estúdio de dublagem e tela.

Com uma linguagem que dialoga diretamente com o público jovem e familiar, o espetáculo propõe uma aproximação radical entre palco e plateia - que começa ainda na recepção do teatro, quando um ator se mistura aos espectadores para compartilhar como a leitura de um clássico transformou sua vida. Ao longo de 60 minutos, humor e reflexão se misturam à música ao vivo e à multiplicidade de personagens encarnados por Garbossa, convidando o público a rir, pensar e questionar a própria noção de normalidade.


Resenhando.com - "O Alienista" é uma obra sobre o poder de definir quem é “normal”. Em 2026, quem você acredita que ocupa esse lugar de alienista na sociedade brasileira: a ciência, a política, o mercado ou as redes sociais?
Victor Garbossa - Eu acredito que o tribunal das redes sociais seja um antro onde pessoas de todos os segmentos se sentem autorizadas - e empoderadas - a julgar o que é certo, o que é errado, o que é normal e o que não é. Existe uma crença perigosa de que qualquer um pode opinar sobre qualquer assunto sem embasamento algum, e as redes sociais reforçam isso ao oferecerem anonimato e sensação de impunidade. Basta um perfil fechado ou falso para que atrocidades sejam ditas e, na maioria das vezes, nada acontece.


Resenhando.com - Ao se misturar ao público logo na recepção e contar sua própria “queda” em Machado de Assis, você rompe a quarta parede e também a hierarquia entre ator e espectador. Esse gesto é mais teatral ou mais político?
Victor Garbossa - É mais humano. A partir do momento em que busco equalizar a nossa relação, tento trazer para as pessoas uma proximidade que muitas vezes o estereótipo de um texto difícil cria logo de início. Quando somos apresentados a um texto clássico, geralmente temos a impressão de algo arcaico, chato ou de difícil leitura. O que eu busco dizer, por meio desse ato, é que estamos juntos. Ao fazer isso, rompo previamente uma barreira que, por exemplo, no cinema, existe de forma clara entre tela e espectador. Aqui, apesar de também existir uma separação, estamos todos dentro da mesma história.


Resenhando.com - Machado de Assis escreveu "O Alienista" como sátira, mas muitos hoje o leem quase como profecia. Em cena, você ri mais de Simão Bacamarte ou sente medo dele?
Victor Garbossa - A primeira coisa que busco é a empatia. Não posso ser leviano ou ingênuo a ponto de dizer que nunca julguei algo com preconceito ao longo da minha trajetória, nem condenar o personagem como um tipo de monstro. Esse discernimento vem primeiro do lugar de leitor e espectador, para só depois se transformar em intérprete. Procuro entender as motivações do personagem, mas também faço questão de analisar o resultado final disso tudo nos dias de hoje. Existem pessoas com comportamentos muito semelhantes aos de Bacamarte, e elas me assustam. Como disse na primeira pergunta, a sensação de impunidade lhes dá uma falsa segurança para rotular, julgar e aprisionar pessoas e situações conforme lhes convém, sustentadas por atitudes egoicas, absurdas e prepotentes. Talvez o riso surja justamente desse desconforto: perceber que, ainda hoje, há quem prefira julgar em vez de acolher.


Resenhando.com - Interpretar vários personagens sozinho exige rapidez, precisão e risco. O que mais o assusta num solo: o silêncio da plateia ou o riso que vem no tempo errado?
Victor Garbossa - O que mais me assusta é suprir uma expectativa que muitas vezes eu mesmo crio. Fazer um solo exige, antes de tudo, estar despido de vaidade, permitir ser vulnerável e generoso a tudo o que pode acontecer. É evidente que ensaiamos muito e nos preparamos intensamente para que a piada entre no tempo certo, para que a comoção chegue até a plateia, mas também é fundamental estar atento e disponível para saber lidar com os reveses quando situações fora do nosso controle acontecem.


Resenhando.com - Sua carreira transita entre teatro, dublagem, televisão e literatura infantil. Em qual desses territórios você sente que pode errar mais - e por que errar ainda é essencial para um artista?
Victor Garbossa - Eu vejo o "erro"na verdade como o que funciona e o que não funciona às vezes uma técnica uma expressão uma piada funciona e/ou não funciona para um espetáculo em específico o teatro acaba sendo esse espaço mais fértil pois muitas vezes ele nasce desse inesperado ele nasce da experimentação de apostar de sair um pouco do óbvio Em contrapartida, a dublagem e a televisão exigem um estado de mais prontidão existe ensaio existe preparo mas poucas vezes você pode fugir muito a regra E são poucos os momentos em que você pode improvisar com algo que pode acontecer de inesperado numa apresentação com uma plateia diferente.


Resenhando.com - Como dublador, você empresta voz a outros corpos; como ator solo, empresta corpos a muitas vozes. O que essa inversão ensinou a você sobre identidade e atuação?
Victor Garbossa - Toda experiência artística nos transforma de alguma maneira. Mesmo quando utilizo apenas a minha voz, o corpo está atuando e vice-versa. Criar personagens amplia minha gama e meu repertório, para que, quando estou diante de um estande, eu tenha mais arsenal para trabalhar com a voz. O bonito do nosso trabalho é que, para aqueles que sabem aproveitar, toda ocasião se torna uma oportunidade de aprendizado e de enriquecimento do próprio ofício.


Resenhando.com - Machado de Assis ironiza a obsessão científica de Bacamarte. Hoje, que tipo de “fé cega” você enxerga substituindo a religião ou a ciência no imaginário coletivo?
Victor Garbossa - Acredito que hoje basta alguém pensar diferente para que um conflito se instale. Quando trazemos à tona questionamentos que demandam fatos e estudos, o mais coerente seria permitir que aquilo que se aproxima da verdade se sobreponha à sua antítese. No entanto, a disseminação de notícias falsas e o uso malicioso da inteligência artificial acabam confundindo e influenciando pessoas que chegam a confrontar fatos que não deveriam sequer ser contestados. Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam trazer à luz argumentos e opiniões infundadas apenas pelo prazer de estarem certas, mesmo quando não estão. Isso, por si só, já é suficiente para alimentar uma nova forma de “fé cega”, capaz de gerar atrito, ruído e discussão.


Resenhando.com - A montagem aposta em uma linguagem jovem e musical sem “simplificar” Machado de Assis. Existe um preconceito silencioso contra o público jovem quando o assunto é clássico brasileiro?
Victor Garbossa - Da nossa parte, é justamente o contrário. Acreditamos que o jovem tem plena capacidade de absorver e se entreter com um texto clássico, respeitando sua forma original, fazendo apenas as adequações necessárias. Talvez isso não se trata nem de preconceito, mas de uma preocupação genuína em resgatar, junto aos jovens, o acesso aos nossos livros clássicos e à nossa identidade cultural. Vivemos um tempo em que eles são diariamente bombardeados pelas redes sociais e, muitas vezes, têm acesso mais fácil ao que vem de fora do que ao que é nosso. Nesse contexto, o espetáculo acaba se tornando também um evento familiar, no qual o jovem pode trazer sua família e amigos para consumir e compartilhar arte e literatura brasileira.


Resenhando.com - Você atua em produções bíblicas na TV e, ao mesmo tempo, encarna um personagem que questiona moral, razão e poder. Como conciliar fé, dúvida e crítica no mesmo artista?
Victor Garbossa - Eu não vejo por que elas não podem coexistir. A fé não deveria nos enclausurar; deveria nos sustentar, mas também abrir espaço para o questionamento e para o conhecimento das coisas, como forma de nos apaziguar, e não de nos prender ou limitar. Como artista, acredito que personagens diversos e temas conflituosos tendem a nos enriquecer, ampliando nossa dialética e nosso repertório. O saber não deve ser visto como algo assustador, mas como algo libertador.


Resenhando.com - Se Machado de Assis sentasse hoje na plateia do Teatro J. Safra, o que ele estranharia mais: o espetáculo, o Brasil ou nós mesmos?
Victor Garbossa - Sinceramente eu espero que tudo. Ele faleceu em 1908, um salto centenário de princípios de valores, de regras que mudaram, de meios de se contar histórias. Eu espero que ele se choque com tudo, no entanto esperaria que ele tivesse a empatia de compreender essas mudanças e assimilar que elas fazem parte de um novo cotidiano.

.: "Rua" ocupa o Sesc Pinheiros e convida a juventude a olhar o outro lado


A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00. Foto: Sérgio Silva

O espetáculo "Rua", que estreia dia 1º de março no Auditório do Sesc Pinheiros, marca o terceiro projeto infantojuvenil da dramaturga e atriz Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA 2024 pelo texto de "Valentim Valentinho". Antes disso, ela estreou como idealizadora em "A Minicostureira", espetáculo dirigido por Débora Falabella e Cynthia Falabella, que se destacou na temporada de 2018 pelo sucesso de público e de crítica. Com direção de Eugênio Lima, fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o novo espetáculo propõe um olhar sensível e necessário sobre temas como desigualdade social, família, sonhos e oportunidades. O elenco reúne Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza e Rodrigo Pavon, em uma encenação que aposta na força da música, da dança e da linguagem urbana para dialogar com o público jovem.

A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00. Na trama, o público acompanha a história de Jeffinho, um menino talentoso que adora criar rimas e passos de dança. Morador de uma comunidade separada por apenas uma rua de um dos bairros mais ricos da cidade, ele conhece Lucas, garoto da mesma idade que vive “do outro lado”. A partir desse encontro, nasce uma amizade que atravessa diferenças sociais e revela, de forma lúdica e potente, descobertas sobre o mundo, a convivência e as desigualdades estruturais da sociedade.

Com ritmo, afeto e diversão, "Rua" fala sobre sonhos possíveis, oportunidades negadas e a força transformadora da amizade. Além da direção geral, Eugênio Lima assina também a direção musical, ao lado de Barroso, responsável pela trilha sonora original. A ficha técnica inclui ainda Luaa Gabanini na preparação corporal, Khalifa Idd no workshop de passinho, Claudia Schapira no figurino, Matheus Brant no desenho de luz e Vic von Poser na videografia. A produção é conduzida por Paula Malfatti, com coordenação da FATTO Realizações, e conta com assessoria de imprensa da Canal Aberto.


Ficha técnica
Espetáculo "Rua"

Idealização e texto: Fran Ferraretto
Direção: Eugênio Lima
Elenco: Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza, Rodrigo Pavon
Direção musical: Eugênio Lima
Trilha sonora: Barroso e Eugênio Lima
Preparadora corporal: Luaa Gabanini
Workshop Passinho: Khalifa Idd
Figurino: Claudia Schapira
Desenho de luz: Matheus Brant
Videografia: Vic von Poser
Operação de som: Viviane Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Design gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Mídias sociais: Rafael Américo
Fotos: Sérgio Silva
Direção de Produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Rua"
Temporada: 1° a 29 de março, aos domingos, às 15h00 e às 17h00. 

Sesc Pinheiros  
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados, 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista

Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.
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