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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

.: Espetáculo "Diário de Pilar na Amazônia" estreia no Teatro Vivo dia 23

Espetáculo Diário de Pilar na Amazônia convida o espectador a um encontro afetivo com a riqueza e os mistérios da floresta amazônica. Através da história da menina Pilar, que embarca com seus amigos para deter um grupo de madeireiros predadores, a peça é potencial ferramenta para a educação ambiental das novas gerações. Foto: Gal Oliveira

 

Depois do sucesso da menina Pilar na Grécia, Miriam Freeland volta aos palcos para levar a protagonista e sua turma a outro destino: a floresta amazônica. Com direção e roteiro de Symone Strobel, a peça estreia dia 23 de março no Teatro Vivo, em São Paulo, e segue em cartaz até 14 de abril. A peça é uma adaptação da obra homônima da escritora e roteirista Flavia Lins e Silva, autora da série literária "Diário de Pilar" e criadora da série "Detetives do Prédio Azul".

O espetáculo, um encontro afetivo com a riqueza e o mistério da floresta amazônica, abrange o público de todas as idades, trazendo canções originais, personagens da cultura e mitologia dos povos originários e um elenco diverso formado por indígenas, pretos e brancos de diferentes gerações para exaltar de forma poética e lúdica o povo, flora e fauna amazônicas.

A peça reúne informações pouco conhecidas e muito úteis sobre o bioma da floresta e sua preservação, tornando-se um potencial instrumento de educação ambiental através da arte. “Estou encantada com a adaptação do livro para a peça. O público vai fazer uma imersão sensorial na Amazônia e certamente sairá muito tocado e transformado”, vibra a autora, Flavia Lins e Silva (que também estreia em outubro D.P.A. a peça 2 – Os Detetives do Prédio Azul em um mistério em Magowood).

Estreada no Rio no ano passado, Diário de Pilar na Amazônia foi indicada a duas importantes premiações: Melhor Espetáculo Infantil no Prêmio APTR; Melhor espetáculo Infanto-juvenil e Melhor Atriz de Espetáculo Infanto-juvenil para Miriam Freeland, no Prêmio Musical Rio. Além dos palcos, Pilar vai ganhar também as telonas. De acordo com Miriam, a Disney está produzindo o filme, ainda este ano, um live-action de Diário de Pilar na Amazônia.

Encantamento e luta

Diário de Pilar na Amazônia une dois livros da heroína. O primeiro, publicado em 2011, fala de um encantamento pela floresta. E o segundo é uma atualização publicada em 2023 para contextualizar as ameaças sofridas pelo bioma nos últimos anos.

Symone Strobel, diretora e responsável pela adaptação para os palcos, lançou mão das duas versões do livro. “Nós também achávamos que falar de Amazônia agora era diferente e precisava de uma abordagem mais firme e comunicativa com os tempos atuais. Mas a gente não queria perder o encantamento, a poesia e a esperança com a floresta amazônica, porque estamos fazendo um espetáculo para crianças e suas famílias. Então é um espetáculo esperançoso e que termina pra cima”, explica Freeland.


Busca pela origem

Apesar de ter a proteção da floresta como tema central, a atriz conta que a peça continua a tocar em pontos que moldam a jornada de Pilar ao longo da saga literária. A personagem não tem pai, ela é criada pela mãe e pelo avô. “Essa busca dela pela figura paterna a acompanha em todos os livros da série. Nós não queríamos perder isso porque eu sempre senti que é uma característica de identificação. Um percentual imenso da nossa população não foi criado pelo pai, não conhece o pai ou, se conhece, não tem uma relação paternal efetiva”, contextualiza.

Para a atriz, a busca da personagem também acende a capacidade de reconexão do público com suas raízes e com a natureza em seu entorno. “A gente faz o espetáculo em um ambiente urbano. Então nosso desafio é conseguir, primeiro no nosso processo, dar um passo atrás e nos reconectarmos e reaprendermos a olhar para a natureza que está à nossa volta. E, depois, fazer isso com a plateia”, diz.


Sucesso na Grécia

A equipe encenou em 2018 a peça Diário de Pilar na Grécia, da mesma autora, com grande sucesso de público e crítica, ganhando prêmios, sendo apresentada em Portugal e seguindo em circulação por grandes teatros do país até hoje.

Freeland ressalta o encontro poderoso proporcionado pela montagem de Diário de Pilar na Grécia. Ao longo dos 5 anos em cartaz, a atriz lembra que todos os públicos saíam muito mobilizados pela história e pelas personagens. Essa capacidade de mobilização promete tornar a nova aventura amazônica em um novo fenômeno.

“Pilar tem um valor de vir da literatura brasileira que está dentro das escolas, uma literatura que tem um apelo pedagógico e de encontro. É muito engraçado porque os pais vão conversar com a gente depois do espetáculo e sempre fazem questão de dizer que também são apaixonados pelos livros da Pilar ou o livro instigou a leitura no filho ou na filha”, conta Miriam.


A montagem

O cenário de Natalia Lana preenche todo o palco com múltiplas e coloridas cordas suspensas em diferentes camadas que representam a floresta e sua profundidade, e por onde surgem e desaparecem os personagens ao logo da ação. Os bonecos de José Cohen, manipulados pelos atores, dão vida a diferentes animais da floresta. Há ainda outros elementos icônicos da região amazônica, como as coloridas e típicas redes para deitar, que recriam o grande barco-gaiola, além de uma representação figurativa da árvore Sumaúma (ou Samaúma), considerada a grande mãe da floresta.


Sinopse

Preocupados com o desmatamento e a destruição da floresta, a menina Pilar, seu amigo Breno e o gato Samba se transportam para a Amazônia onde, ao lado da indígena Maiara, enfrentam um perigoso grupo de madeireiros que depreda sem dó a floresta traficando madeira rio abaixo. Navegando pelos rios Amazonas, Solimões, Negro e Tapajós, os amigos têm encontros surpreendentes com seres encantados da floresta como Iara e Curupira, que se tornam fortes aliados na empreitada.


Ficha técnica:

Idealização: Miriam Freeland. Adaptação e direção: Symone Strobel. Baseado na obra de Flávia Lins e Silva. Ilustrações: Joana Penna. Elenco: Miriam Freeland, Fernando Melvin, Jorge Neves, Ludimila D’Angelis, Márcio Mattos, Sávio Moll e Valéria Alencar. Cenário: Natália Lana. Iluminação: Felipe Lourenço. Figurino: Luciana Buarque. Criação e Execução de Bonecos: José Cohen e Lucila Belcic. Direção Musical e Arranjos: Marco de Vita. Canções Originais: Symone Strobel e Marco de Vita. Pesquisa Sonora e Assistência de Direção: Pedro Scovino. Preparação Corporal, Coreografias e Assistência de Direção: Paula Águas. Preparação Vocal: Chiara Santoro. Visagista: Sid Andrade. Designer Gráfico: Leonardo Pires. Designer de Mídia Digital: Milena Lemos. Direção de Produção: Tatianna Trinxet e Miriam Freeland. Co-Produção: Constelar - Arte, Diversão e Cultura. Realização: Movimento Carioca Produções Artísticas - Roberto Bomtempo, Miriam Freeland e Regina Sampaio.


Serviço:

Diário de Pilar na Amazônia

Estreia dia 23 de março, sábado, às 15h.

Temporada: Sábados às 15h e domingos às 11h e às 15h. Até 14 de abril.

Duração: 65 minutos.

Classificação: Livre.

Ingressos: R$90 e R$45.

TEATRO VIVO – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi. Telefone: 11 3430-1524.

Bilheteria:

Funcionamento somente nos dias de peça, 2h antes da apresentação.

Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência: Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860) – Morumbi

Estacionamento no local: Valor R$25 - Funcionamento: 2h antes da sessão até 30 minutos após o término da apresentação.

- Crianças até 3 anos não pagam (devem sentar no colo do adulto responsável)

- Crianças de 3 a 12 anos pagam meia entrada.

Obs. O ingresso PROMOCIONAL no valor de R$39,60 é válido para todos os clientes e segue o plano de democratização da Lei Rouanet, havendo uma cota deste valor promocional por sessão. O comprovante de meia entrada deverá ser apresentado na entrada do espetáculo


terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

.: Com José Rubens Chachá e Caio Paduan, "Palhaços" estreia no teatro


Um dos mais importantes textos de Timochenko Wehbi, com montagem estrelada por José Rubens Chachá e Caio Paduan, e direção de Léo Stefanini, chega a São Paulo e conta com curta temporada no teatro a partir de 9 de março. Foto: Ronaldo Gutierrez.


"Palhaços", um dos mais importantes textos de Timochenko Wehbi, estreia no dia 9 de março, no Teatro Opus Frei Caneca, em São Paulo. A montagem, que conta com curta temporada no teatro, é estrelada por José Rubens Chachá, acompanhado do ator Caio Paduan. Com direção de Léo Stefanini, e escrita por Timochenko Wehbi na década de 1970, a montagem narra a história de um palhaço que tem a sua rotina alterada ao se deparar com um espectador em seu camarim. 

O encontro entre o palhaço Careta (José Rubens Chachá) e o vendedor de sapatos Benvindo (Caio Paduan) faz com que ambos questionem a vida e a própria existência de uma maneira espirituosa, opondo o palhaço profissional ao palhaço da vida. Durante a conversa, os personagens passam a se provocar, como em um jogo entre essas figuras opostas, desestabilizando crenças e valores, que se desnudam e refletem acerca de suas escolhas.

A todo instante, um dos personagens parece dominar a cena quando, com um simples gesto, o outro rouba a atenção e o poder momentâneo do diálogo. As distâncias e as proximidades existentes entre Careta e Benvindo, remetem à metáfora dos homens que lhes assistem na plateia. "Palhaços" é um convite à reflexão sobre nossas vidas, o que faz com que o público ultrapasse o espaço da lona, do espaço cênico, para ver de perto o verdadeiro palhaço.

Ficha técnica
Espetáculo "Palhaços".
Texto: Timochenco Wehbi.
Direção: Léo Stefanini.
Assistente de direção: Déo Patrício.
Elenco: José Rubens Chachá e Caio Paduan.
Cenotécnico: Tony Medugno.
Figurino Careta: Domingos de Lello.
Figurino Benvindo: Maitê Chasseraux.
Assistente de Produção: Rudah Chasseraux.
Desenho de Luz: Cesar Pivetti.
Trilha Sonora: Sérvulo Augusto.
Fotos: Ronaldo Gutierrez.
Assessoria de imprensa: Dobbs Scarpa Comunicação.
Realização: Foto3 Produções Artísticas.

Serviço
Espetáculo "Palhaços".
Teatro Opus Frei Caneca.
Shopping Frei Caneca - R. Frei Caneca, 569 - Consolação/São Paulo - https://teatroopusfreicaneca.com.br/
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos
Acessibilidade
Ar-condicionado
Capacidade: 600 pessoas
Temporada de 9 de março a 27 de abril. Sextas - 20h00. Sábados - 18h00. Domingo, às 17h00
Ingressos a partir de R$ 40,00
Confira a legislação vigente para meia-entrada. 

Canais de venda oficiais
Uhuu.com – com taxa de serviço
https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/palhacos-12788 

Bilheteria física - sem taxa de serviço
Teatro Opus Frei Caneca (Shopping Frei Caneca)
De terça a domingo, das 12h às 20h (pausa almoço: 15h às 16h)

Formas de pagamento
Bilheteria do teatro: dinheiro, cartão de crédito e cartão de débito
Site da Uhuu.com e outros pontos de venda oficiais: cartão de crédito
Cartões de créditos aceitos: Visa, Mastercard, Diners, Hipercard, American Express e Elo
Cartões de débito aceitos: Visa, Mastercard, Diners, Hipercard, American Express e Elo
Estacionamento: R$ 14,00 por duas horas.

.: Comédia "Todos os Musicais que Nunca Fiz" estreia temporada em SP


Estrelado por Marília Di Lorenço, a comédia musical explora as dificuldades da profissão e ressalta a importância da resiliência e perseverança no mercado de trabalho. Foto: Estúdio 103

Chega essa sexta, 1º de março, no palco do Teatro do Mercado, localizado no El Mercado Ibérico, em São Paulo, a comédia musical "Todos os Musicais Que Nunca Fiz", produzida e estrelada por Marília Di Lorenço, que assina também a autoria do texto junto do carioca Natividade. 

A produção, que aborda com bom humor os altos e baixos da vida de uma atriz, em constante processo de audição em busca do tão sonhado "sim", tem direção de Gustavo Klein, direção musical de Adriano De Sidney e direção residente e coreografias de Mari Barros. "Todos os Musicais Que Nunca Fiz" promete uma jornada cômica e sincera pelas audacidades da carreira artística 

É baseada em suas próprias vivências como atriz que a artista multifacetada Marília Di Lorenço mergulha no universo das audições, dos "nãos" e das reviravoltas da carreira artística. Acompanhada dos atores André Gomes e Jean Cruz, além de convidados especiais que variam a cada sessão, como Cezar Rocafi, Daniel Haidar, Tauã Delmiro, entre outros, ela leva ao público uma experiência teatral única em seu monólogo musical autoral, "Todos os Musicais Que Nunca Fiz", que ganha uma primeira temporada no Teatro do Mercado, localizado no El Mercado Ibérico, em São Paulo, de 1 de março a 6 de abril.

A inspiração para o espetáculo, que tem direção de Gustavo Klein, direção musical de Adriano De Sidney e direção residente e coreografias de Mari Barros, nasce das próprias frustrações e aspirações de Marília, especialmente ao enfrentar repetidas vezes o processo de audição sem alcançar o tão desejado "sim". Movida pela paixão pelos palcos, estar nele tornou-se uma necessidade vital para a artista, que, a partir daí, decidiu criar sua própria oportunidade ao invés de esperar passivamente por ela.

Com uma vasta experiência em audições, adquirida ao longo de quase dez anos, foi em seu próprio repertório que ela encontrou a matéria-prima para dar vida ao monólogo, costurando o roteiro, escrito a quatro mãos com o ator e compositor Natividade, à uma trilha embalada por músicas cantadas em inglês e português, que refletem sua jornada. O resultado dessa parceria refletiu também  a identificação mútua, resultando em  um texto divertido e emocionado, marcado pela capacidade de trazer sinceridade e leveza à realidade vivida por todo artista, sujeito a uma carreira de altos e baixos, com frustrações, conquistas e muitas expectativas.

Apoiada na comicidade, mas sem deixar de falar sério sobre um assunto que acredita ser pouco explorado, Marília reconhece o papel do humor como uma ferramenta vital para lidar com os desafios e experiências dolorosas da profissão, em que, apesar das adversidades, aprendeu a aceitar as negativas da vida real como parte do processo, confiando no seu próprio talento e no curso natural das oportunidades.

“O humor é, muitas vezes, o mecanismo que o ser humano usa para seguir em frente, pois sem ele viveríamos dois lados de uma mesma depressão, conformismo ou revolta - que, nada mais são, do que estados de espírito que não nos levam a construir absolutamente nada. Claro que a dificuldade sempre pode ensinar algo, mas saber rir de si mesmo é fundamental para não desistirmos diante das dificuldades. E encontrar esse equilíbrio é importante. Eu já trabalho muito isso na minha vida e agora tenho a oportunidade de propor essa reflexão no palco. Costumo dizer que o monólogo é um grande riso de nervoso, mas também é uma grande sacaneada com o nosso ofício”, explica ela, que equilibra também as funções de autora, atriz e produtora do projeto, que abriu a cortina pela primeira vez em 2023, para duas únicas apresentações. 


Enfim, o "sim"
Na contramão do próprio espetáculo, Marília se prepara para colher os frutos do tão aguardado “sim”. A atriz, que chegou a se apresentar com o projeto infantil “Paxuá e Paramim”, do compositor, cantor e multi-instrumentista Carlinhos Brown, vestindo a fantasia de espuma da indígena Paxuá, conta os dias para integrar o elenco de seu primeiro grande musical, ainda a revelar, onde ocupará a importante função de swing, tendo a chance de assumir a forma de diversas personagens.

O momento de transição de um monólogo sobre as dificuldades de conseguir papéis, para uma oportunidade onde vários poderão ser interpretados, representa uma realização pessoal e profissional na vida da artista, que já deu início a uma rotina intensa de estudos e que vem buscando orientações de colegas experientes para usufruir desse momento com sabedoria; e sobre isso ela comenta:

“A ficha ainda não caiu por completo, mas sinto que estou vivendo um sonho. É muito significativo ter um espetáculo que fala sobre a dificuldade de passar em uma audição e sobre esse objetivo, que agora finalmente se tornou realidade. A Marília de 15 está muito feliz e louca para poder compartilhar com todos”, finaliza, enxergando a oportunidade como uma resposta à sua paixão e perseverança na carreira artística.

Ficha técnica

Texto: Natividade e Marília Di Lorenço 

Direção Geral: Gustavo Klein

Direção Residente e Coreografia: Mari Barros

Direção Musical: Adriano De Sidney

Elenco: Marília Di Lorenço, André Gomes e Jean Cruz

Figurino: Marília Di Lorenço

Desenho e Operação de luz: Sancler Pantano

Desenho de som: Thiago Venturi

Operação de som: Gabi Manaia

Edição de Som: Felipe Silotto

Designer gráfico: Camila Schmitsler

Produção Geral: ARTEA

Direção de Produção: Marília Di Lorenço 

Produção: Gabi Manaia e Paulo Pequeno

Assistência de Produção: Rafael Ramirez

Assessoria de Imprensa: GPress Comunicação - Grazy Pisacane 

Fotos de Divulgação: Estúdio 103 e Jean Cruz

Apoio: Studio Marconi Araújo


SERVIÇO:


“TODOS OS MUSICAIS QUE NUNCA FIZ” 


Local: Teatro do Mercado - El Mercado Ibérico

R. Pamplona, 310 - Bela Vista, São Paulo - SP, 01405-000

Quando: 01 de março a 06 de abril 

Sextas às 20h30, Sábados às 18h30 e 21h00 

Valor: à partir de R$50

Vendas: site Sympla (com taxa de conveniência)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

.: "Escute as Feras" reestreia em curta temporada no Teatro Cacilda Becker


Fruto de uma criação coletiva, a peça é ao mesmo tempo um espetáculo solo de Maria Manoella, e uma experiência artístico-sonora conduzida ao vivo pelo músico Lúcio Maia. Foto: Ariela Bueno 


Quando a experiência vivida nutre uma reflexão vertiginosa sobre o humano e o natural, a identidade e a fronteira, o tempo do mito e a história contemporânea. O livro "Escute as Feras" ganha livre adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin publicado na França em 2019 e no Brasil em 2021 pela Editora 34 em curtíssima temporada no Teatro Cacilda Becker, de 29 de fevereiro a 3 de março, realizando seis apresentações gratuitas com os artistas Maria Manoella e Lúcio Maia em cena.

A autora do livro teve o rosto desfigurado por um urso pardo em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria, e experimenta transformações físicas e espirituais se vendo às voltas com questões filosóficas sobre as relações entre a humanidade e a natureza. Sonhos, delírios provocados por intervenções médicas e memórias em meio aos vulcões: é preciso acreditar nas feras. Antes, o projeto, idealizado por Maria Manoella e Fernanda Diamant, foi contemplado pelo edital ProAC n.1 de produção inédita, teve sua temporada de estreia em novembro no Sesc Ipiranga. 

A adaptação teatral se concentra nos principais pontos de contato entre essa história e a realidade brasileira, entre essa mulher e todas as mulheres. A versão final, descarnada, se descola do realismo da obra e procura criar um microclima de sonho e estímulo dos sentidos. A atriz Maria Manoella então dá voz à narradora acompanhada pelo músico Lucio Maia, que executa a trilha ao vivo como uma extensão dramatúrgica, criando não só música, mas ambiências sonoras.

Daniela Thomas e Caetano Vilela colaboram para a instauração deste não-lugar onde a protagonista se encontra; Fabio Namatame e Vivien Buckup na expressividade e hibridação dessa mulher-animal; a escritora Ana Paula Pacheco contribui para a adaptação teatral ao lado de Fernanda Diamant e Mika Lins – que co dirigem o espetáculo. Nastassja Martin teve seu rosto desfigurado por um urso pardo em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria no ano de 2015. A autora então parte do relato desse acontecimento para pensar questões sociais, políticas e existenciais.

Sobre a adaptação
A atriz Maria Manoella estava à procura de um texto literário para transpor ao teatro quando a filósofa e editora Fernanda Diamant lhe apresentou essa obra ficcional que tinha acabado de ler, baseada numa história verídica, — e as duas, junto com a diretora Mika Lins, escreveram a adaptação teatral.

Fruto de uma criação coletiva, a peça é ao mesmo tempo um espetáculo solo de Maria Manoella, e uma experiência artístico-sonora conduzida ao vivo pelo músico Lúcio Maia. “Uma infinidade de instrumentos musicais acompanha as ações da atriz, a partir da concepção dos Dubs jamaicanos somados a minha experiência autoral de manejar múltiplos setups explorando novas sonoridades”, comenta Lucio.

O processo de adaptação do texto se concentrou nos principais pontos de contato entre essa história e a realidade brasileira, entre essa mulher e todas as mulheres resultando em uma hibridação – ela passa a ser miêdka, meio a meio. A versão final, descarnada, se descola do realismo da obra de não ficção e procura criar um microclima de sonho e estímulo dos sentidos. 

Para isso, conta também com a direção de arte de Daniela Thomas e a iluminação de Caetano Vilella, artistas hipnóticos. Fabio Namatame se soma a proposta estética com o figurino. Para expressar essa fisicalidade, foi essencial o trabalho de Vivien Buckup e também a colaboração dramatúrgica da escritora Ana Paula Pacheco, que acrescentou uma camada a mais ao trabalho desta adaptação. A diretora Mika Lins se encarrega de conduzir essa orquestra.

“Se afirmo sou humano, digo sou diferente dos animais. Toda identidade perpassa por uma noção de diferença, em que ser como se é depende do não-ser outra coisa. A partir do momento em que Nástia sobrevive à troca de olhares com um urso; ao encontro dos corpos físicos de dois mamíferos tão diferentes quanto iguais, se corporifica um não-lugar no que restou de Nástia. É isso que investigamos nessa obra, as incertezas geradas nesse embate”, conclui Maria Manoella.


Ficha técnica
Espetáculo "Escute as Feras". Autora: Nastassja Martin / Tradução: Camila Boldrini e Daniel Lühmann / Idealização: Maria Manoella e Fernanda Diamant /  Adaptação: Fernanda Diamant, Mika Lins, Maria Manoella / Fala do Urso: Ana Paula Pacheco / Direção: Mika Lins /  Co- direção: Fernanda Diamant /  Com: Maria Manoella e Lúcio Maia /  Direção Musical, Produção, Composição e Execução: Lúcio Maia /  Direção de Arte: Daniela Thomas / Figurino: Fabio Namatame /  Iluminação: Caetano Vilela /  Direção de Movimento: Vivien Buckup /  Assistente de Direção: Luana Gouveia /  Direção de Produção: Carla Estefan /  Produção Executiva: Daniela D'eon /   Operação de Luz: Rodrigo Palmieri /  Operação de Som e Vídeo: Edézio Aragão / Direção de Palco: Diego Dac /  Assistente de Palco: Samuel Rodrigues / Fotos e vídeos: Ariela Bueno / Edição de Vídeo: Sergio Glasberg / Identidade Visual: Flávia Castanheira / Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro / Gestão de Projeto e Difusão: Metro Gestão Cultural. Este projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural – ProAC n. 1 – 2023, do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.


Serviço
Espetáculo "Escute as Feras". Teatro Cacilda Becker  – Rua Tito, 295 – Lapa – Curta temporada de 6 apresentações. De 29 de fevereiro a 3 de março de 2024. Reestreia quinta-feira dia 29 de fevereiro, às 18h00. Quinta, 29 de fevereiro e sábado, 2 de Março – sessões às 18h00 e 21h00. Sexta-feira, dia 1° de março, às 21h00. Domingo, dia 3 de março, às 19h00. Ingressos gratuitos distribuídos exclusivamente na bilheteria do teatro, uma hora antes do início das apresentações – Sujeito a lotação – 195 lugares. Recomendação etária – 16 anos. Duração – 70 minutos. Idealização: Maria Manoella e Fernanda Diamant. Adaptação teatral: Fernanda Diamant, Mika Lins, Maria Manoella. Direção: Mika Lins. Co- direção: Fernanda Diamant. Direção Musical, Produção, Composição e execução: Lúcio Maia. Direção de Arte: Daniela Thomas. Iluminação: Caetano Vilela. Figurino: Fabio Namatame. Direção de Movimento: Vivien Buckup.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

.: “Hileia: Semeadora das Águas”, da Cia Mundu Rodá, no Sesc Ipiranga


Cia. Mundu Rodá, conhecida pelo estudo das Manifestações Tradicionais Brasileiras, aborda na nova peça temas como ancestralidade, os rios e as águas, e o encontro com o feminino; obra tem trilha sonora original executada ao vivo. Foto: Susan Oliveira


A Cia. Mundu Rodá está em cartaz no Sesc Ipiranga com o espetáculo “Hileia: Semeadora das Águas”, realizado a partir da nova pesquisa do grupo, baseada em temas urgentes e universais: o útero, a ancestralidade, o mercúrio, a seca, a enchente e a água. A nova montagem, com dramaturgia de Dione Carlos, traz trilha original executada vivo e emerge de pesquisas do grupo realizadas nos últimos anos, envolvendo o delicado tema das questões ambientais, por meio do aprofundamento de um teatro imbricado nas tradições populares e nas corporeidades contemporâneas. Com direção de Ana Cristina Colla, do Lume Teatro, a peça fica em cartaz até 24 de março, no Sesc Ipiranga - Auditório, e os ingressos podem ser adquiridos em https://www.sescsp.org.br/programacao/hileia-semeadora-das-aguas/.

O espetáculo conta a história de Hileia, uma mulher prestes a perder a visão, acaba de herdar uma coleção da avó: rios engarrafados que a anciã reuniu durante toda a sua vida. Impactada diante do acervo, cria um altar para os objetos, passando a adorá-los, até ser transportada para uma realidade paralela na qual já não é apenas humana, mas um ser híbrido, meio bicho, meio planta, meio água. Navegando pelos rios soterrados de São Paulo, o espetáculo trama a história de mulheres-rios, em diferentes gerações.

"Da trajetória do meu antepassado avô, que semeava rios por onde passava, das vozes ancestrais que tanto nos alertam e me ensinam, peço licença para evocar memórias de mulher-rio. Da inquietude de transformar a mim e o que puder alcançar, lançamos sementes de águas para que possamos colher rios", evoca Juliana Pardo, atriz e uma das criadoras do espetáculo.

“Hileia: Semeadora das Águas” parte de uma pesquisa que entrelaça as memórias pessoais da atriz Juliana Pardo, uma das fundadoras da companhia, além de documentos e narrativas que demonstram a construção da capital paulista por meio do apagamento violento de seu desenho hídrico, e materiais levantados durante duas expedições realizadas pela Mundu Rodá na região Amazônica, pelos rios Xingu e Iriri em 2017 e Rio Acre e Tapajós (2019). 

O espetáculo teve como inspiração a história real do avô da atriz, que foi carreiro de boi e que coletava águas de rios em pequenas garrafinhas de vidro, autodenominando-se um “colecionador de rios”. Somam-se à construção do espetáculo elementos da cultura popular, pesquisa que tem orientado a criação teatral da Cia. Mundu Rodá desde o seu surgimento, no ano 2000. 

Na vida real da artista Juliana Pardo, a figura que guardava águas de rios em garrafas é seu avô Francisco Teles, mas na ficção proposta por Dione Carlos, a AVÓ Hileia é quem coleciona os rios nos potes de vidro. A peça transita também sobre o "ser mulher” em um mundo onde o machismo silencia, o medo imobiliza e o poder patriarcal subsiste há muitas gerações.


Ficha técnica
Espetáculo “Hileia: Semeadora das Águas”.
Direção: Ana Cristina Colla.
Co-Direção: Alício Amaral.
Atuação: Juliana Pardo.
Músico e Musicista em Cena: Alício Amaral e Amanda Martins.
Dramaturgia: Dione Carlos.
Designer Audiovisual: Yghor Boy.
Figurinos: Awa Guimarães.
Visagismo: Tiça Camargo.
Direção musical: Alício Amaral.
Criação musical: Alício Amaral, Amanda Martins e Juliana Pardo.
Cantigas: Baião de Princesas - Casa Fanti Ashanti, Família Menezes e Grupo A Barca e Canção dos Encantados - Maria Zenaide.
Investigação corporal - Butoh Dance: Yumiko Yoshioka.
Tradução e Mediação de Contato/Produção (Yumiko Yoshioka): Eduardo Okamoto.
Treinamento corporal: Lu Favoreto e Juliana Pardo.
Investigação vocal: Lari Finocchiaro, Andrea Drigo e Letícia Góes.
Concepção Cenário: Giorgia Massetani.
Luz: Eduardo Albergaria.
Operação de Luz: Felipe Stucchi e Kenny Rogers.
Captação das imagens Rio Jureia: Laboratórios Cisco.
Equipe de produção: Corpo Rastreado - Lucas Cardoso.
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Marina Franco.

Créditos da primeira etapa do projeto - Pesquisa e criação
Espetáculo “Hileia: Semeadora das Águas”. Assistência de Direção: Natacha Dias e Alício Amaral Designer Audiovisual: Clara Moor e Julia Ro Figurinos: Thaís Dias Cenário e Cenotecnia: Wanderley Silva Provocadores dos Estudos Cênicos I e II: Daniel Munduruku, Francois Moïse Bamba, Patrícia Furtado e Adriano Sampaio Tradução e Mediação de Contato / Produção (Francois Moïse Bamba): Laura Tamiana Captação das imagens Rio Jamari e das crianças da aldeia jupaú, T.I. Uru Eu Wau Wau - Povo Uru Eu Wau Wau; e desenhos criados pelas crianças da Aldeira Tubatuba, T.I.Xingu, Povo Yudjá: Clara Moor 

Serviço
Espetáculo “Hileia: Semeadora das Águas”.
De 23 de fevereiro a 24 de março, sextas às 21h30, e sábados e domingos às 18h30.
Local: Sesc Ipiranga - Auditório - Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga/São Paulo.
Duração: 60 minutos.
Classificação Indicativa: 12 anos.
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (credencial plena) | Vendas nas bilheterias das unidades do Sesc e no link: https://www.sescsp.org.br/programacao/hileia-semeadora-das-aguas/

.: Última apresentação de "Das Tripas: sete Histórias", com Mariana Muniz


Com direção de Clara Carvalho, espetáculo é uma construção coreográfica e teatral inspirada no livro Das Tripas Coração, da autora pernambucana Ezter Liu. Foto: Cláudio Gimenez


A Cia. Mariana Muniz de Dança e Teatro investiga o universo dos contos da pernambucana Ezter Liu em "Das Tripas: sete Histórias", inspirado no livro "Das Tripas Coração", que rendeu à escritora o V Prêmio Pernambuco de Literatura, em 2018. A última apresentação do espetáculo, em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade, será nesta segunda-feira, dia 26 de fevereiro. 

Com direção de Clara Carvalho e interpretação de Mariana Muniz, o espetáculo é uma construção coreográfica e teatral, na qual os movimentos e palavras dão voz e corpo ao universo poético e profundamente feminino retratado pela escrita de Liu.

Em 2019, Mariana Muniz, que também é pernambucana, fez uma abertura de processo de criação em dança-teatro que envolveu a adaptação de alguns dos contos do livro, dirigida por Carvalho. A apresentação foi realizada via zoom e veiculada pelo Grupo Tapa em seu Festival de Inverno de 2021, com o título “Sete Histórias”. Agora, o que a Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro propõe é o aprofundamento das descobertas cênicas desde essa abertura.

Os contos escolhidos do livro têm em comum a temática feminina e se expandem em narrativas cênicas. Suas histórias, cheias de peripécias inusitadas e concretas, nos convidam a mergulhar no universo poético da dança-teatro. Segundo a autora, desses contos “vieram da imaginação mesmo, já outros são mais empíricos, mas nada autobiograficamente descarado”.

O espetáculo ainda é a possibilidade de uma grande parcela do público jovem e amante das artes cênicas ter acesso direto às experimentações, vivências e processos de criação da Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro. E nasce de inquietações como: Quando os movimentos e os gestos dançados são fundamentais para fazer emergir no corpo do espectador sensações e pensamentos que o coloquem em sintonia com a estrutura narrativa escolhida? Quando o texto falado, a rede de palavras se torna imprescindível para dar clareza e sentido à dramaturgia? Como constituímos uma trama de palavras e movimentos que expressam caminhos comunicantes, sem perder a conexão com o espírito de cada conto selecionado?

Em sua escrita, Ezter Liu apresenta o "ser mulher" com uma força que se expande em múltiplas direções; são personas que coabitam e se revezam para descobrir o que faz de cada uma a protagonista da sua própria trama. A mulher que se sente deus, a mulher que escreve; a mulher que foge, a que acende fogueiras, que se torna parafuso, são algumas das várias faces do feminino que protagonizam as histórias criadas pela autora, que além de poeta é uma policial em Carpina, cidade da zona da Mata de Pernambuco.

“Assim como a autora escolhe criar uma narrativa sem vírgulas, apontando para a necessidade de um contar sem pausas, nós acreditamos na força da tradução deste movimento literário em ação cênica, tirando da adversidade a sua força e atravessando os próprios limites para dizer o que precisa ser dito sobre a questão do feminino, num país onde o feminicídio é uma realidade muito cruel e que continua fazendo milhares de vítimas por minuto”, revela Mariana Muniz. 

Ficha técnica
Espetáculo "Das Tripas: sete Histórias".
Coordenação Geral e intérprete: Mariana Muniz.
Assistente de Coordenação: Cláudio Gimenez.
Direção: Clara Carvalho.
Assistência de direção: Marcella Vicentini.
Iluminação: Wagner Pinto.
Espaço Cênico: Júlio Dojcsar.
Assistente de Iluminação: Gabriel Greghi e Carina Tavares.
Trilha Sonora: Mau Machado.
Figurino: Marichilene Artisevskis.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio.
Produção Geral: Movicena Produções.
Direção de Produção: Rafael Petri.
Produção Executiva: Jota Rafaelli.
Realização: Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura | Fomento à Dança Para a Cidade de São Paulo.


Serviço
Espetáculo "Das Tripas Coração: sete Histórias".
Última apresentação nesta segunda-feira, às 19h00.
Oficina Cultural Oswald de Andrade - Rua Três Rios, 363, Bom Retiro.
Ingressos: gratuitos – retirar uma hora antes na bilheteria.
Classificação: livre.
Duração: 60 minutos.
Acessibilidade: rampa de acesso, banheiros acessíveis e plateia com reserva de lugares.

.: “Violeta Parra em Dez Cantos” em cartaz no Teatro Itália Bandeirantes


Espetáculo, com texto do premiado Luís Alberto de Abreu, traça um paralelo entre a trajetória da multiartista chilena  e a colonização da América Latina. Foto: Dalton Valério

Violeta Parra (1917-1967) é uma das vozes mais sensíveis e competentes que cantaram a história da América Latina. Muitas das composições da artista chilena são comprometidas com a luta dos oprimidos e contra a injustiça social. A partir do dia 24 de fevereiro, a vida e obra da compositora, cantora, poeta, ceramista, bordadeira e artista plástica vai entrar em cena com o solo musical “Violeta Parra em Dez Cantos”, texto do renomado Luís Alberto de Abreu, direção de Luiz Antônio Rocha, atuação de Rose Germano e direção musical de Aline Gonçalves. A peça é a segunda de uma trilogia concebida pela atriz e pelo diretor sobre a relevância das mulheres latinas, a primeira, foi “Frida Kahlo, a deusa Tehuana”, em cartaz desde 2014.

“Violeta Parra em Dez Cantos” chega ao palco do Itália Bandeirantes na contramão dos grandes musicais americanos, com um solo musical em que evoca a sonoridade dos povos latino-americanos, tão pouco conhecida pelo público brasileiro. O dramaturgo, Luís Alberto de Abreu, foi muito feliz em fazer uma abordagem crítica e contemporânea sobre a contribuição cultural de Violeta Parra para a América Latina tendo na figura da artista a expressão de uma arte decolonial.

A atriz Rose Germano, acompanhada em cena pelo violonista paulista Bruno Menegatti, interpreta grandes sucessos da compositora chilena, como a canção: “Volver a los 17”, mais conhecida no Brasil nas vozes de Mercedes Sosa e Milton Nascimento e “Gracias a la Vida”, imortalizada nas vozes de Mercedes Sosa, Elis Regina, Fafá de Belém, Simone, Alcione entre outros.

Violeta explorou em suas composições a sonoridade de instrumentos como o charango, a quena, o bombo leguero e o guitarron chileno, que colorem seus sons com cores dessa terra. Reencontrar-se com essa música é reencontrar-se com esses caminhos que contornam nossa América”, avalia a diretora musical Aline Gonçalves, “

Violeta Parra, a 'peregrina que não cabia dentro de si', teceu o próprio destino com a sua capacidade de criar, interagir e copilar a sua cultura para dar voz aos esquecidos”, lembra Rose Germano. “Assim como ela, tantas outras mulheres artistas brasileiras, como Maria Carolina de Jesus, Clarice Lispector, Djanira e Leila Diniz, são símbolos de extrema importância na construção de uma identidade feminina própria, pois saíram do papel de figura representada para produzir arte, romper paradigmas e escrever sua própria história".

A atriz Rose Germano nasceu na Paraíba, num lugarejo chamado Riacho do Meio e traz toda a força e a luta das mulheres nordestinas, além da semelhança física com a cantora chilena. As duas histórias se entrelaçam, traçando paralelos entre a vida da atriz e da artista chilena, e aborda temas como a valorização dos povos oriundos de outras culturas, a difusão da cultura latina, a vida, o amor e a morte. "Quando trazemos a voz de uma mulher latina como protagonista, estamos trazendo à luz a cultura latina que, durante muitos anos, foi apagada pela imposição de uma cultura que não é genuinamente a nossa, e sim dos nossos colonizadores”, conta o diretor Luiz Antonio Rocha.

“Violeta Parra em Dez Cantos” é uma celebração emocionada da vida e da arte de uma das maiores artistas latinas, que cantou alto o amor, a revolta, as dores e as misérias de seu povo. Através da história e das músicas da chilena Violeta Parra, a peça traça, de maneira crítica, um “raio x” da colonização da América Latina.


Ficha técnica
Espetáculo "Violeta Parra em Dez Cantos".
Dramaturgia: Luís Alberto de Abreu.
Encenação: Luiz Antônio Rocha.
Elenco: Rose Germano.
Direção musical: Aline Gonçalves.
Músico: Bruno Menegatti.
Direção de Arte e Cenário: Eduardo Albini.
Figurino e Adereços: Wanderley Gomes.
Iluminação: Ricardo Fujji.
Preparador Vocal: Jorge Maya.
Gestão de Mídias Sociais: Inspira Teatro – Felipe Pirillo.
Cenotécnico: Nilton Souza.
Arte: Cristhianne Vassão.
Alfaiate: Darlan Kroger.
Assessoria de Imprensa: Flavia Fusco Comunicação.
Produção Executiva: Zilene Vieira.
Direção de Produção: Luiz Antônio Rocha e Rose Germano.
Realização: Espaço Cênico, Riacho do Meio Produções e teatro em Conserva.

Serviço
Espetáculo "Violeta Parra em Dez Cantos".
Dramaturgia: Luís Alberto de Abreu.
Direção: Luiz Antônio Rocha.
Atuação: Rose Germano.
Direção Musical: Aline Gonçalves.
Músico: Bruno Menegatti.
Duração: 60 minutos.
Recomendação: 12 anos.
Gênero: drama
Estreia: dia 24 de fevereiro.
Temporada: até dia 28 de abril. Sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00.
Ingressos: R$120 | R$ 60 meia.
Vendas pelo site: https://bileto.sympla.com.br/event/89840/d/231713/s/1575096.
Bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.
Teatro Itália Bandeirantes – 290 lugares.
Av. Ipiranga, 344 - República - São Paulo.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

.: Depois de sucesso no Rio, espetáculo "Para Meu Amigo Branco" chega a SP


No espetáculo, durante uma reunião escolar entre pais e professores, um homem levanta um importante debate sobre racismo: sua filha de oito anos foi chamada de “negra fedorenta” por um colega branco. Foto: Sabrina da Paz

Livremente inspirada em livro homônimo do jornalista e e ativista social Manoel Soares, a peça teatral "Para Meu Amigo Branco" faz estreia no Sesc Belenzinho, em São Paulo, entre os dias 1º e 24 de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h30, e, aos domingos, às 18h30. Com direção de Rodrigo França, que assina o texto com Mery Delmond, o espetáculo enfoca um caso de racismo na escola e estreia em São Paulo após esgotar sessões no Rio de Janeiro, em 2023.

No espetáculo, durante uma reunião escolar entre pais e professores, um homem levanta um importante debate sobre racismo: sua filha de oito anos foi chamada de “negra fedorenta” por um colega branco. A peça venceu o edital Sesc RJ Pulsar e foi indicada ao Prêmio Shell de melhor cenário 2023. Na trama, enquanto a escola prefere lidar com a questão da violência contra a garota apenas como um mero bullying, seu pai, interpretado por Reinaldo Junior, luta para mostrar aos presentes que a situação é bem mais complexa. O impasse ganha novos contornos quando um pai branco (Alex Nader), inicialmente solidário à causa, muda de comportamento ao descobrir que seu filho é o responsável pela agressão.

O texto é assinado por Rodrigo França, que atualmente concorre ao Prêmio Shell de Dramaturgia no Rio de Janeiro por "Angu", e Mery Delmond. A ideia é que personagens brancos e negros discutam o racismo em cena, estimulando a plateia a refletir sobre as suas ações cotidianas. Para isso, o público deixa de ser passivo. “A encenação faz o possível e o impossível para que as pessoas esqueçam que estão no teatro e mergulhem na realidade da reunião escolar. Ou seja, além de os espectadores estarem posicionados como se estivessem dentro da ação, a atriz que interpreta a professora circula entre todo mundo, incluindo todos os presentes naquele ambiente”, conta França.

“O espetáculo fala sobre uma figura paterna incansável, que não tolera o racismo e deixa isso bem claro. A peça clama por dignidade. O texto defende que só é possível respeitar o outro se enxergarmos a humanidade do outro”, defende França. Também foi importante para o diretor o fato de esse personagem combativo ser um pai. “Embora o abandono paternal seja uma realidade bastante presente, esse fato não é uma verdade absoluta. Acredito que devemos oferecer bons exemplos para as crianças e jovens, mostrando que é possível viver de uma maneira diferente”, argumenta.

Para Manoel Soares, o histórico de racismo no Brasil coloca as vitórias da comunidade negra sempre em segundo plano. “Tudo que os pretos têm de positivo acaba sendo ofuscado pela agenda da dor. Essa agenda só vai deixar de existir se for dividida com as pessoas de pele clara”, analisa o comunicador e ativista. Compre o livro "Para Meu Amigo Branco", de Manoel Soares, neste link.


Repercussão do espetáculo
A peça foi sucesso de público e crítica em suas duas primeiras primeiras temporadas no Rio de Janeiro, no Arena do Sesc Copacabana, em agosto de 2023, assistida por mais de 3.400 espectadores, e no Teatro Domingos Oliveira. Segundo a crítica, é um espetáculo “para ver e rever”, “traz verdades difíceis de engolir” e pode causar “uma bela revolução interior”. Por esse motivo, tem sido intensa a procura pela peça por instituições e empresas interessadas em debater o racismo no interior de suas engrenagens.

“Muitas pessoas que se dizem não racistas acabam reproduzindo o racismo sem se dar conta. Ao assistir ao espetáculo, elas percebem que precisam se autofiscalizar e modificar seus comportamentos”, comenta o diretor e dramaturgo. A idealização é do diretor, produtor e jornalista João Bernardo Caldeira.


Sobre a encenação
Em relação ao cenário, Clebson Prates buscou sublimar os padrões de conduta da branquitude dominante e hegemônica de uma escola de elite. Por isso, o linóleo, a lousa e as carteiras escolares têm a cor branca. Ao mesmo tempo, diversos livros de autores negros estão suspensos no ar. Por esse trabalho impactante, o cenógrafo concorre ao Prêmio Shell de 2023 pelo Rio de Janeiro.

Os espectadores são convidados a se sentar nas carteiras, dispostas em formato circular. E, contribuindo ainda mais para unir público e atores, a iluminação de Pedro Carneiro é bastante viva, quase simulando um ambiente real. “Se uma sociedade é racista, suas instituições também são. E a escola é um espaço onde as máscaras não se sustentam por muito tempo. Assim, não foi difícil pensar nessa história. O livro do Manoel Soares é um manual antirracista, e eu, que sou professor há mais de 20 anos, já ouvi muitos absurdos de educadores e dos responsáveis pelos alunos nas reuniões”, conta França.

Inclusive, um levantamento divulgado pelo Ipec (Instituto de Referência Negra Peregum) e o Projeto SETA mostrou que 81% da população entre 16 e 24 anos afirma que o Brasil é um país racista e que 64% dos brasileiros dizem que racismo começa na escola. Mery Delmond ainda complementa: “a partir do olhar sobre a branquitude, a peça desnuda as problemáticas do racismo e localiza o ‘sujeito branco’ como um indivíduo racializado dentro da estrutura de uma sociedade ainda tão racista como a nossa”.

Ficha técnica
Espetáculo "Meu Amigo Branco".
Inspirado no livro de Manoel Soares.
Texto: Rodrigo França e Mery Delmond.
Direção: Rodrigo França.
Elenco: Reinaldo Junior e Alex Nader.
Atrizes convidadas: Stella Maria Rodrigues, Mery Delmond e Marya Bravo.
Direção de movimento: Tainara Cerqueira.
Cenário: Clebson Prates.
Figurino: Marah Silva.
Iluminação: Pedro Carneiro.
Trilha sonora original: Dani Nega.
Consultoria pedagógica: Clarissa Brito.
Consultoria de representações raciais e de gênero: Deborah Medeiros.
Fotografia: Afroafeto por Gabriella Maria, Sabrina da Paz e Agátha Flora.
Identidade visual: Nós Comunicações.
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Marina Franco.
Operação de som: Hugo Charret.
Operação de luz: Lucas da Silva.
Assistência de produção: Ludimila D´Angelis e Eduardo Rio.
Produção executiva: Júlia Ribeiro.
Contabilidade: Cristiano Geraldo Costa dos Santos.
Idealização e direção de produção: João Bernardo Caldeira.
Produção: São Bernardo.
Instagram: @parameuamigobranco.


Serviço
Espetáculo "Meu Amigo Branco".
Data: 1º a 24 de março de 2024.
Sextas e sábados, às 21h30. Domingos, às 18h30.
Local: Sala de Espetáculos I do Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho, São Paulo).
Capacidade: 100 pessoas.
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (credencial plena).
Duração: 80 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.

Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. 

Transporte Público
Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).

.: Inspirado em conto de Virginia Woolf, "A Cortina da Babá" tem apresentação


Teatro Sérgio Cardoso recebe teatro de sombras chinesas no espetáculo A Cortina da Babá, com o Grupo Sobrevento. Foto: divulgação 


O Grupo Sobrevento, renomado no cenário brasileiro do teatro de animação, traz ao público infantil o espetáculo de teatro de sombras "A Cortina da Babá". A apresentação gratuita, marcada por uma abordagem contemporânea da técnica tradicional chinesa, acontece no Teatro Sérgio Cardoso, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 2024, domingo, às 11h.

Inspirado no conto "Nurse Lugton's Curtain", escrito por Virginia Woolf, uma das maiores escritoras britânicas da história, "A Cortina da Babá" é a estreia do Grupo Sobrevento no universo encantador do teatro de sombras. A narrativa, originalmente concebida para uma sobrinha da autora, foi resgatada entre os manuscritos do icônico romance "Mrs. Dalloway".

"A Cortina da Babá" narra a história de uma criada, uma babá, que cochila enquanto costura uma grande cortina azul, bordada com figuras que representam animais e uma pequena aldeia. Ao quinto ronco, as figuras vão ganhando vida aos poucos. Primeiramente, os animais bordados no tecido começam a se mexer. Dirigem-se, então, a um lago para beber água. Depois, as pessoas que habitam uma aldeia, também representada no tecido, saem de suas casas e se divertem. 

Todos tentam agradar uns aos outros, pessoas e animais, pois sentem pena uns dos outros, por saberem-se encantados por uma feiticeira, por um gigante, por uma ogressa, que é a própria babá. Quando a babá acorda, despertada pelo voo de um inseto em torno de uma lâmpada que ilumina o seu trabalho de costura, tudo volta ao normal - os animais congelam, de volta, no tecido, e ela continua a costurar.

O espetáculo, que explora uma abordagem contemporânea do teatro de sombras, mantendo raízes na forma tradicional chinesa aprendida com Liang Jun, diretor da principal companhia de Teatro de Sombras da China, destaca-se pela utilização inovadora de diferentes suportes de projeção, materiais e fontes de luz.

Com música original composta por Pedro Paulo Bogossian e cenografia e figurinos assinados por André Cortez, "A Cortina da Babá" é uma experiência única para toda a família. O elenco, composto por quatro habilidosos atores-manipuladores, dá vida à história de forma cativante, encantando crianças e adultos.

Esta é a 18ª montagem do Grupo Sobrevento, que acumula 37 anos de carreira e se destaca internacionalmente como um dos maiores expoentes brasileiros do teatro de animação. Além de apresentações em todo o Brasil, A Cortina da Babá já encantou plateias no Chile, na Inglaterra e na China. O espetáculo é gratuito, livre para todos os públicos, e a entrada será por ordem de chegada. Não perca essa oportunidade de mergulhar no mundo mágico do teatro de sombras com o Grupo Sobrevento. Compre os livros de Virgínia Woolf neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "A Cortina da Babá".
Criação: Grupo Sobrevento.
Texto: Virginia Woolf.
Direção: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini.
Supervisão: Liang Jun | Cia. de Arte Popular de Shaanxi (China).
Atores-manipuladores: Anderson Gangla, Agnaldo Souza, Marcelo Paixão e Giuliana Pellegrini.
Direção musical: Pedro Paulo Bogossian.
Cenário e figurinos: André Cortez.
Assistência de figurinos: Thaís Larizzatti.
Iluminação: Renato Machado.
Operação de luz e som: Marcelo Amaral e/ou J. E. Tico.
Assessoria técnica: Alexandre Fávero | Clube da Sombra.
Concepção visual das silhuetas: Luis Felipe Cambuzano.
Construção dos bonecos: Anderson Gangla e Agnaldo Souza.
Assistência: Giuliana Pellegrini e J. E. Tico.
Direção de produção: Grupo Sobrevento.
Produção executiva e assessoria de comunicação: Maurício Santana.

Serviço
Espetáculo "A Cortina da Babá".
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno.
Endereço: R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo.
Data: 25 de fevereiro, domingo, 11h00.
Ingressos: gratuito| Retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do espetáculo
Duração: 50 minutos.
Ingressos: livre.
Capacidade da Sala: 143 lugares + 6 espaços de cadeirantes.

.: Com Karina Ramil e Jean Machado, peça teatral "Todo" segue em cartaz


O espetáculo "Todo: as Sete Leis do Hermetismo" segue em cartaz no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, do Complexo Cultural Funarte SP, até dia 3 de março. De quinta-feira a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00, o espetáculo gratuito conta com Karina Ramil e Jean Machado no elenco, interpretando um casal de Gurus, apegados à crença de serem detentores de recados divinos que se manifestam através do teatro do absurdo.

Em um jogo entre elenco e plateia, a dramaturgia escrita por André Sant’Anna e Rodrigo Arruda propõe um debate bem humorado sobre as questões mais profundas da natureza humana: Quem somos nós? De onde viemos? A peça ironiza sobre a tentativa de responder essas perguntas indecifráveis sobre a vida. Neste final de semana, dias 24 e 25 de fevereiro, e também 2 e 3 de março, haverá uma roda de conversa com o elenco após a apresentação. A partir de conceitos e símbolos da filosofia hermética, o espetáculo faz parte da premissa filosófica que existe um "todo" infindável e que habitamos um universo mental.

Os ingressos poderão ser adquiridos nas bilheterias do Complexo Cultural Funarte SP e do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, com pagamento somente em dinheiro, a partir de uma hora antes do espetáculo, evento ou atividade. A meia entrada do ingresso segue regulação vigente e os assentos das salas não são marcados.


Serviço
Espetáculo "Todo: as Sete Leis Herméticas"
Duração: 60 minutos
Classificação:14 anos


Complexo Cultural Funarte SP
(11) 95078-3004.
Acessibilidade: rampas de acesso para as salas de espetáculos, galerias e banheiros acessíveis.
Estacionamento: não possui.
Alameda Nothmann, 1058.


Teatro de Arena Eugênio Kusnet
(11) 95077-7050.
Acessibilidade: rampas de acesso para a sala de espetáculos e banheiro acessível.
Estacionamento: não possui.
Rua Dr. Teodoro Baima, 94.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

.: Sucesso de crítica e público, "A Idade da Peste" tem novas apresentações


Nos Teatros Cacilda Becker e Arthur Azevedo em março, Solo do Núcleo Caixa Preta tem atuação e direção da premiada atriz Cácia Goulart e dramaturgia do também premiado Reni Adriano. Foto: Cacá Bernardes 


O que aconteceria se uma mulher branca de classe média alta realmente se descobrisse branca? A que custo isso se daria, e qual o discurso possível dessa constatação? Foi a partir dessa provocação que o dramaturgo Reni Adriano e a atriz Cácia Goulart, artistas do Núcleo Caixa Preta conceberam o bem-sucedido solo A Idade da Peste. 

O espetáculo estreou em 2021 no Sesc Pinheiros e agora ganha novas apresentações gratuitas nos Teatros Arthur de Azevedo (de 14 a 17 de março) e Cacilda Becker (entre os dias 21 e 31 de março). A temporada de circulação é possível graças ao apoio da 17ª edição do Prêmio Zé Renato.

Na trama, Senhora C. assiste ao assassinato do filho da empregada, encurralado pela polícia, dentro da sua casa de classe média alta. O episódio desencadeia um profundo exame de consciência em que os desejos inconfessados da branquitude emergem como um marcador racial aterrorizante, questionando a própria possibilidade de justiça em um mundo feito à imagem e semelhança dos brancos. 

Escrita por um dramaturgo negro para atuação de uma atriz branca, a peça mobiliza e tensiona os marcadores identitários raciais de modo a evidenciar que, antes de ser um “problema de negros”, o racismo é um flagelo de brancos. O exercício de franqueza de uma mulher branca sobre a perversão de seu próprio status identitário torna A Idade da Peste uma assombrosa reflexão em que pensar o racismo é um debate sobre o mal.

Mas engana-se quem espera da atuação de Cácia Goulart uma personagem branca se autoelogiando como “antirracista” ou performando mea culpa e comiseração. “Senhora C. não tem esse complexo de Princesa Isabel; não pretende ser reconhecida como a ‘branca redentora’ da causa. Pelo contrário: ela é consciente da infâmia do lugar racial que ocupa, sabe que esse lugar é indefensável”, reflete Cácia, que também assina a direção da peça. 

Para ela, o risco da abordagem pelo viés escolhido seria a tentação de redimir a personagem, ou cobri-la de elogios por sua consciência racial. “Mas a desgraça dela é saber que não basta ter consciência: ela está, como branca, submersa na indignidade, uma vez que reconhece seu lugar na branquitude, mas é incapaz de desocupar esse lugar privilegiado”, conclui.

Para o dramaturgo Reni Adriano, esse assunto costuma ser violentamente rechaçado por pessoas brancas, porque instintivamente reconhecem que subjaz a esse tema-tabu uma dose dolorosa de vergonha e infâmia. “Mas o status da branquitude se perpetua e se atualiza justamente nesse silenciamento”, pondera. Além disso, o autor, que é negro, ironiza que escrever para uma atriz branca funcionaria como uma espécie de mascaramento para que brancos possam ouvi-lo de boa vontade. 

“O fato de sermos um país em que negros não têm um dia sequer de descanso só é possível ao preço de que os brancos tenham uma dignidade muito frágil. Eu quero questionar essa dignidade frouxa dos brancos. Debater racismo com negros é fácil; o que eu quero é racializar os brancos em cena e situá-los no lugar de suas responsabilidades”, crava. 

Para o Núcleo Caixa preta chamar à responsabilidade pelo desnudamento da branquitude implica um vasto exercício de solidariedade para com todos os que a branquitude degredou como o outro do branco. O parâmetro de humanidade à semelhança da branquitude, ao custo da violação da diferença até o paroxismo predatório de pôr em risco a sobrevida do planeta, aqui é repensado à luz de uma comunidade de destino engajada em outras possibilidades do humano, balizadas notadamente pelo perspectivismo das culturas negras e ameríndias.


Ficha técnica
Espetáculo "A Idade da Peste".
Dramaturgia: Reni Adriano
Direção, Cenografia/Figurinos e atuação: Cácia Goulart
Ator convidado- Voz OFF: Samuel de Assis
Assistente Direção: Inês Aranha
Desenho de Luz: Wagner Pinto
Música original: Marcelo Pellegrini
Vídeomapping: (Um Cafofo)
Vídeo de cena: Nelson Kao
Designer gráfico: Osvaldo Piva
Fotos: Cacá Bernardes
Produção: Núcleo Caixa Preta da Cooperativa Paulista de Teatro/Cácia Goulart


Serviço
Espetáculo "A Idade da Peste".
Duração: 80 minutos.
Classificação: 16 anos.
Ingressos: gratuitos, retirar na bilheteria uma hora antes do espetáculo.


Teatro Arthur Azevedo
Av. Paes de Barros, 955, Mooca.
Capacidade: 349 lugares.
De 14 a 17 de março, de quinta a sábado, às 21h00, e no domingo, às 19h00.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Teatro Cacilda Becker
Rua Tito, 295, Lapa.
Capacidade: 200 lugares.
De 21 a 31 de março, de quinta a sábado, às 21h00, e domingos, às 19h00.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

.: Andréia Nhur apresenta duas sessões do espetáculo "Plasticus Dei" em SP


A obra relaciona religião e capitalismo através da dança, música e performance. Foto: Paola Bertolini


O espetáculo "Plasticus Dei", mais recente produção da artista sorocabana Andréia Nhur junto ao grupo Pró-Posição, e com a colaboração do coreógrafo moçambicano Horácio Macuacuá, faz curta temporada em São Paulo, no Sesc Consolação, dias 20 e 27 de fevereiro, terças-feiras, às 20h00. A entrada é gratuita.

"Plasticus Dei" mistura dança, música e performance em um trabalho que apresenta um corpo em colapso entre a repetição ritualística e o uso poético de objetos descartáveis de consumo, congregando sobreposição de cantos religiosos, respirações, ruídos, vocalizações, gestos, imagens, sons percussivos e fluxos exaustivos de movimento. 

Em diálogo com o solo "Mulher Sem Fim", criado por Andreia em 2017, o espetáculo é uma continuidade da investigação da artista, que agora centraliza a lógica da repetição do acúmulo e do movimento. O solo contou com colaboração do coreógrafo moçambicano Horácio Macuacuá, cujas lógicas trazidas pelas danças tradicionais de Moçambique e de sua pesquisa pessoal colaboraram com as ideias centrais da obra. 

"Ele trouxe provocações sobre a integração do corpo com o som, fazendo com que o movimento alterasse a voz e gerasse modificações na obra", conta Andréia. A artista-produtora Paola Bertolini também contribuiu com a obra, dividindo a direção com Andréia, além da peça contar com colaboração sonorocoreográfica da coreógrafa e musicista Janice Vieira. 

Em sua pesquisa, Andréia estabeleceu uma relação com cantos religiosos. "O repertório sonoro de 'Plasticus Dei' é inteiro religioso, sacro e ligado à uma ideia de espiritualidade e esses estados de rito têm a ver com as duas coisas - corpo e voz", conta. Na obra, estão presentes distorções vocais, drives, sons ingressivos e outras perspectivas sonoras que produzem uma fricção com as vozes trabalhadas na música litúrgica cristã, estabilizadas e mais "limpas". A ideia do plástico, que compõe o cenário e figurino, chega como uma reflexão sobre o excesso do consumo e do lugar do ritual como produto. 

"Plasticus Dei" também dialoga com as provocações do livro "O Desaparecimento dos Rituais: uma Topologia do Presente", do filósofo Byung-Chul Han (2021), que aborda o fim dos rituais como sintoma do atual momento do capitalismo. "Para Han, enquanto o ritual é repetitivo, permanente e compartilhado, o consumo é individual, exaustivo, seriado, apressado e extenuante", conta Andréia. O solo dá continuidade à pesquisa sonorocoreográfica desenvolvida por Andréia e o grupo Pró-Posição em obras anteriores e aprofunda os estudos realizados pela artista junto ao Instituto de Musicologia da Ghent University (Bélgica), entre 2020 e 2021.

Este solo é uma dança em looping ativada pela construção de um ambiente sonoro em tempo real. Um corpo em colapso, entre a repetição ritualística e o uso poético de objetos descartáveis de consumo, transita entre cantos religiosos, respirações, ruídos, distorções vocais, percussão, imagens e fluxos exaustivos de movimento.

O título, um trocadilho com a expressão latina "Agnus Dei", da missa cristã, sugere a adoração ao plástico. Hiperconsumo, ritual, repetição, religião e capitalismo são alguns dos fios que perpassam a obra, num jogo de acumulação de gestos, vocalizações, sacolas plásticas e um dispositivo de repetição sonora.


Ficha técnica
Espetáculo "Plasticus Dei"
Criação e performance: Andréia Nhur
Em colaboração com: Horácio Macuacuá (Moçambique/Espanha) e Paola Bertolini 
Colaboração sonorocoreográfica: Janice Vieira
Produção e fotos: Paola Bertolini 
Iluminação: Roberto Gill Camargo e Paola Bertolini
Operação de luz: Paola Bertolini ou Felipe Fly
Operação de som: Lucas Mercadante ou Jean Menezes
Arte gráfica: Flávio Queiróz 


Serviço
Espetáculo "Plasticus Dei"
Dias 20 e 27 de fevereiro, terças-feiras, às 20h00
Espaço Provisório (3º andar) do Sesc Consolação
R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque/ São Paulo.
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 45 minutos
Capacidade: 40 lugares
Gratuito. Retirada de ingressos on-line em Central de Relacionamento Digital e App Credencial Sesc SP, às 12h, e, presencialmente, nas bilheterias das Unidades do Sesc, às 14h00, no dia de cada apresentação.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

.: "Bom Dia, Eternidade" reflete sobre o envelhecimento dos corpos negros


Com dramaturgia de Jhonny Salaberg e direção de Luiz Fernando Marques Lubi, a peça estreia 20 de janeiro no Sesc Consolação; em cena, uma banda de quatro músicos 60+ que contracena com o elenco de O Bonde, mesclando histórias de suas vidas e ficções de um futuro outro. Foto: Júlio César Almeida 


O premiado O Bonde apresenta o espetáculo "Bom Dia, Eternidade" no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, até dia 25 de fevereiro, às sextas e aos sábados, às 20h00, e, aos domingos, às 18h00. Haverá sessão dia 22 de fevereiro, às 15h00. Com a proposta de aquilombar-se, O Bonde reúne artistas periféricos - Ailton Barros, Filipe Celestino, Jhonny Salaberg e Marina Esteves - que têm investigado, nos últimos trabalhos, as experiências de quase morte do corpo negro. Mais especificamente, a ideia é refletir sobre as heranças do período escravocrata. 

Em "Bom Dia, Eternidade", quatro irmãos idosos que sofreram um despejo quando crianças recebem a restituição do terreno após quase 60 anos e se encontram para decidir o que fazer. O tempo se embaralha em um jogo de cortinas e um mosaico de histórias reais e ficcionais é costurado no quintal da antiga casa acompanhado de um bom café e de um velho samba. Em cena, uma banda de quatro músicos, cada qual com mais de sessenta anos, em um jogo friccional com as narrativas dos atores/atriz d`O Bonde. Um espetáculo que descortina a realidade do passado olhando para o presente.

O espetáculo é a última parte da Trilogia da Morte, iniciada com a peça infantil "Quando Eu Morrer Vou Contar Tudo a Deus", com dramaturgia de Maria Shu e direção de Ícaro Rodrigues; em seguida veio "Desfazenda - Me Enterrem Fora Desse Lugar", com texto de Lucas Moura e direção de Roberta Estrela D’Alva, premiada como Melhor Espetáculo Virtual pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e indicada a Melhor Dramaturgia pelo prêmio Shell, em 2020. 


A encenação
"Bom dia, Eternidade", com dramaturgia de Jhonny Salaberg e direção de Luiz Fernando Marques Lubi, está focada na velhice. Na trama, quatro irmãos idosos que sofreram um despejo na infância recebem a restituição do terreno após quase 60 anos. Resta a eles se encontrar para decidir o que fazer. “Estamos construindo uma grande utopia, em que os negros envelhecem de forma saudável e digna”, comenta o ator Filipe Celestino.  

Aos poucos, conforme interagem com objetos afetivos, os personagens se descortinam para o público. Histórias reais e ficcionais se misturam e o tempo se embaralha em meio às lembranças. Toda a ação acontece no quintal da antiga moradia da família. “O cenário evoca essa atmosfera carinhosa, remetendo a uma casa de vó. Cores como bege e verde estão bastante presentes”, afirma Lubi, que também assina a cenografia e o figurino.    

Para deixar a plateia ainda mais imersa nesse universo das memórias, ainda são projetados vídeos com depoimentos dos integrantes da banda, naquela mistura de real e ficcional que é a marca registrada d’O Bonde. Tradicionalmente, O Bonde se dedica a estudar o poder das palavras e das narratividades. No infantil Quando eu morrer vou contar tudo a Deus, a pesquisa se deu com os griôs. Em "Desfazenda", a poesia falada e as batalhas de rimas foram as duas grandes referências para o espetáculo. Agora, os artistas exploram as potencialidades das histórias que são contadas por gerações e as músicas antigas que dão o tom de toda a narrativa.

A importância da música
Canções de Fernando Alabê, Djavan, Tim Maia, Jorge Aragão, Roberto Mendes Barbosa, Luiz Alfredo Xavier, Jorge Ben Jor, Lupicínio Rodrigues e Johnny Alf norteiam a narrativa. “Nossa banda é formada por Cacau Batera (bateria e voz), Luiz Alfredo Xavier (violão, contrabaixo e voz), Maria Inês (voz) e Roberto Mendes Barbosa (piano e voz), todos com mais de 60 anos e com uma trajetória incrível na área. Quisemos também que eles pudessem compartilhar as suas vivências, sem ninguém falando por eles”, conta Celestino.     

Partindo desse princípio, o coletivo fincou os pés no presente e revisitou as histórias das famílias e das migrações, além dos contos, dos causos, das teses, das lutas e tudo o que constitui a sociabilidade de um corpo negro e velho. Os músicos se transformam em personagens e os atores Ailton Barros, Filipe Celestino, Jhonny Salaberg e Marina Esteves são os duplos deles, em um jogo cênico carregado de simbolismo. A direção musical é assinada por Fernando Alabê.

“Dentro do que foi trazido pelo elenco, pela direção, na dramaturgia e nas encenações, a musicalidade apontou como resgate de cancioneiro e gêneros musicais difundidos entre os anos 1950 e 1980 mais elementos da cultura afrodiaspórica, que intrínsecos aos arranjos se mostram como contornos dos sonhos de antes e de quando se puderem realizar pelos baluartes que compõem a banda e espelham o futuro dos personagens”, explica Fernando Alabê, diretor musical do espetáculo. “Nesse caminho, Iroko (orixá da ancestralidade, das forças e manifestações da natureza) inicia o caminho com seu ritmo e chegança, a ‘hamuya’, transformado em funk para anunciar esse tempo que se molda à história dos quatro irmãos”, completa o percussionista, compositor e educador.

“Quando decidimos falar sobre envelhecimento, lemos muitos livros e assistimos a muitos filmes com essa temática. O que mais nos chamou a atenção foi o longa ‘Bom dia, Eternidade’ (2010), de Rogério de Moura. Criamos uma relação afetiva com essa produção, mas dela só pegamos emprestado o nome. Nossa dramaturgia não se assemelha com o que é contado na obra audiovisual”, detalha Lubi. 

Dentro deste resgate, estão canções como "Eu e a Brisa", de Johnny Alf, "Tenha fé", dos Originais do Samba, "Exemplo”, de Lupicínio Rodrigues, além de homenagem a Henricão, cantor, compositor, ator, primeiro Rei Momo Negro do Carnaval de São Paulo, fundador da Escola de Samba Vai-Vai, autor de gigantescos sucessos como "Está Chegando a Hora”, conhecida no mundo inteiro pelos estádios de futebol.


A dramaturgia
Segundo Jhonny Salaberg, este foi o primeiro trabalho com dramaturgia colaborativa d’O Bonde. “Foi um longo processo, um relicário cheio de detalhes e, a cada ponta, um mergulho. Foi preciso recortar o universo que se apresentava e propor caminhos que desse conta de tanta pesquisa. O jogo entre ficção e realidade, passado e presente, processual e documental brilhou em nossos olhos”, diz o dramaturgo.  

O texto é fragmentado e cabe ao público juntar as peças. “Além dos relatos pessoais, nos debruçamos sobre notícias de jornal, referências audiovisuais e dinâmicas processuais para montar esse quebra-cabeças; e ficcionalizamos em cima de todo esse material reunido. Até porque nossa intenção é coletivizar os sujeitos do espetáculo, não estamos falando somente dessas personagens ou das oito pessoas em cena, estamos ressoando e representando muitas outras, riscando uma denúncia ampla: o não envelhecimento digno da população negra no Brasil”, acrescenta.


O Bonde
Desde 2017, O Bonde é o que nós somos. Nominalmente reverenciados a ajuntamentos negros e periféricos com o objetivo de aquilombar-se, somos também as nossas próprias singularidades em movimento conjunto, podendo nos constituir como um núcleo, um grupo, um coletivo ou um Bonde. Somos artistas negros e periféricos, formados em diferentes períodos na Escola Livre de Teatro de Santo André. Temos como pesquisa de linguagem a palavra e a narratividade como ferramenta de acesso, denúncia e ampliação de discussões afrodiaspóricas e seus desdobramentos. A abordagem épica da palavra como distanciamento dramático e aproximação narrativa é eixo fundante dos nossos pensamentos, desejos e mergulhos na étnica-criação-racial em São Paulo.


Os músicos, por Fernando Alabê, diretor musical
Cacau Batera é um grande instrumentista e intérprete dos mais exímios. Desfilou sua arte do ritmo apoiando artistas como Jerry Adriani, Tim Maia, Johnny Alf e Jamelão. Seu dom expande a arte do cantar ao modo dos "crooners" de antigamente e sua voz tem a excelência e a elegância dos grandes cantores da música popular brasileira.

Luiz Alfredo Xavier é parceiro de Zé Ketti e Jamelão, assim como de tantos outros aos quais emprestou seu conhecimento teórico musical, escrevendo as partituras das letras que lhe chegavam, e assim ajustando a harmonização delas. Revisor da Editora Ricordi, responsável pelo aprendizado musical de muitas gerações ao longo de mais de sessenta anos de música como cantor, compositor, violonista e contrabaixista, sendo, deste modo, integrante da primeira banda que acompanhava os Originais do Samba, quando o grupo ainda se chamava "Os Sete Crioulos da Batucada".

Maria Inês é uma cantora por resistência, pois foi impedida pela família de exercer seu sonho de cantar, como fazia em programas de calouros aos 15 anos.  Abandonando a carreira artística e se dedicando à arte e ser cabeleireira por cinquenta anos, ao se aposentar, ingressou no Coral da USP, onde ficou por dez anos, todavia se ausentando deste por mais dez anos, retornando aos palcos agora para a peça "Bom Dia, Eternidade".

Roberto Mendes Barbosa é maestro, regente de coral, cantor e compositor. Formado pelo Mozarteum, se dedica a corais e liras pela cidade de São Paulo, bem como atua como músico de cena para teatro, deste modo firmando sua participação no elenco musical de "Bom Dia, Eternidade".


Ficha técnica
Espetáculo "Bom Dia, Eternidade".
Idealização: O Bonde.
Elenco: Ailton Barros (Carlos), Filipe Celestino (Everaldo), Jhonny Salaberg (Renato) e Marina Esteves (Mercedes).
Músicos em cena: Cacau Batera (bateria e voz), Luiz Alfredo Xavier (violão, contrabaixo e voz), Maria Inês (voz) e Roberto Mendes Barbosa (piano e voz).
Dramaturgia: Jhonny Salaberg.
Direção: Luiz Fernando Marques Lubi.
Diretora assistente: Gabi Costa.
Direção Musical: Fernando Alabê.
Videografia e operação: Gabriela Miranda.
Desenho de luz: Matheus Brant.
Cenografia e figurino: Luiz Fernando Marques Lubi.
Acompanhamento em dramaturgia: Aiê Antônio.
Música original: “Preta Nina” - Fernando Alabê, Luiz Alfredo Xavier e Roberto Mendes Barbosa.
Técnico de som: Hugo Bispo.
Técnica de videografia: Clara Caramez.
Captação de vídeo: Fernando Solidade.
Costura cenário: Edivaldo Zanotti.
Cenotecnia e contrarregragem: Helen Lucinda.
Fotos: Júlio Cesar Almeida.
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques.
Social media (criação de conteúdo): Erica Ribeiro.
Produção: Jack Santos – Corpo Rastreado.
Agradecimentos: Casa DuNavô, Coletivo Tem Sentimento, Família Barros, Família Celestino, Família Esteves, Família Martins, Família Salaberg, Guilherme Diniz, Grupo XIX de Teatro, Ilu Inã, Mercedes Gonzales Martins (in memoriam), Oficina Cultural Oswald de Andrade, Otávia Cecília (in memoriam), Teatro de Contêiner, Rogério de Moura e Willem Dias. 


Serviço
Espetáculo "Bom Dia, Eternidade".
Até dia 25 de fevereiro de 2024, às sextas-feiras, e aos sábados, às 20h00, e, aos domingos, às 18h00.
Sessão dia 22 de fevereiro, quinta-feira, às 15h00.
Teatro Anchieta – Sesc Consolação – R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque / São Paulo.
Ingresso: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Compre por este link https://centralrelacionamento.sescsp.org.br e no app Credencial Sesc SP e a partir do dia 10 de janeiro na bilheteria das unidades.
Duração: 120 minutos.
Classificação etária indicativa: 14 anos.

.: "Aqui Tem Vida Demais!" faz crianças e adultos refletirem sobre morte


Com texto de Bruno Canabarro e direção de Rodolfo Amorim, o espetáculo de estreia da companhia teatral CASCA cria espaço de troca a partir das experiências de perda, luto, consciência sobre a morte e do medo da finitude da vida. 
Foto: Jonatas Marques


O tabu de falar sobre a morte com crianças é deixado de lado na peça "Aqui Tem Vida Demais!", com dramaturgia de Bruno Canabarro e direção de Rodolfo Amorim. O espetáculo, que fez uma temporada de sucesso no Sesc Ipiranga em 2023, ganha novas apresentações no Sesc Bom Retiro aos domingos, dias 18 e 25 de fevereiro e 3 de março, às 19h00.

A ideia de montar a peça surgiu em 2019, quando os idealizadores Bruna Betito e Bruno Canabarro, que dão aulas para crianças há muitos anos, conversavam sobre seus estudantes e suas surpreendentes histórias. O projeto nasce justamente de um desses casos: um dos alunos de Bruna mandou para ela um áudio falando sobre um infeliz incidente que o fez matar “sem querer” um peixinho ao jogá-lo na privada.

Depois de se divertirem com essa narrativa tragicômica, eles se concentraram em organizar diversos materiais literários e audiovisuais que pudessem ajudar na construção da dramaturgia. Um ano depois, o mundo foi afetado por uma pandemia e o Brasil, sufocado por tantas mortes. Assim, o projeto tomou outros rumos com a impossibilidade de ser montado naquele contexto.

O elenco, além de Betito e Canabarro, conta com a participação de Paula Spinelli. Em cena, ainda estão Gabi Queiroz e Demian Pinto / Clara Kok (stand-in), que interpretam as canções originais da peça ao vivo. "Aqui Tem Vida Demais!" é um espetáculo para todas as idades, todas as infâncias, todas as pessoas vivas que sabem que a morte existe e pode estar por perto. Também permite que se criem espaços de trocas, diálogos, imaginação e fantasias a partir da perda, do luto, da consciência sobre a morte, do medo… sentimentos naturais quando tratamos da finitude da vida.

A trama conta a história dos irmãos Maria e Mário, crianças que precisam lidar com a morte sozinhas, longe de casa. Na tentativa de compreender o porquê se morre, o que acontece quando se morre e por que há tanta morte pela vida, as crianças acabam por ter que encarar a Morte de frente, cara a cara, em diversas faces, até conseguirem elaborar o luto, a perda e a descoberta do fim.

Num jogo entre o seguir-em-frente e o olhar-para-trás, as duas crianças embarcam numa ousada tarefa de buscar pistas que revelem o que é isso de algo ou alguém, puf, desaparecer. Sem partir das questões religiosas que estão coladas socialmente à ideia de morte, o espetáculo propõe que os espectadores criem suas próprias ideias sobre o que é morrer, para onde vai quem morre e as infinitas possibilidades de ressignificação que podemos criar sobre a Terra.

Contudo, "Aqui Tem Vida Demais!" não vai em busca da Morte para desvendá-la ou enfrentá-la, ao contrário, apresenta caminhos para que nos concentremos na vida, no encontro com a novidade e a gravidade que é viver, enxergando que há vida, sim, mesmo no escuro. O espetáculo ganhou o prêmio DeusAteu de Melhor Direção, em 2023.


Ficha técnica
Espetáculo "Aqui Tem Vida Demais!".
Dramaturgia: Bruno Canabarro.
Direção: Rodolfo Amorim.
Elenco: Bruna Betito, Bruno Canabarro e Paula Spinelli.
Música ao vivo: Gabi Queiroz e Demian Pinto / Clara Kok (stand-in).
Música original: Gabi Queiroz e Demian Pinto (música) / Bruno Canabarro (letra).
Cenário: Rodolfo Amorim.
Figurinos, adereços e bordados no cenário: Felipe Cruz.
Flores de tricô: Rodrigo Carvalho e Frida Braustein Taranto.
Iluminação e operação de luz: Daniel Gonzalez.
Identidade visual e animações: Fernanda Zotovici.
Vídeo mapping: Vic Von Poser.
Preparação de elenco: Antônio Januzelli.
Consultoria em psicanálise: Rafael Costa.
Contrarregragem e cenotécnica: Lucas Asseituno.
Bonecos: Edson Gon.
Objetos cênicos: Zé Valdir.
Direção de produção: Andréa Marques.
Produção executiva: Fani Feldman.
Assistente de produção: Bruna Betito.
Fotografia: Camila Rivereto.
Idealização: Bruna Betito e Bruno Canabarro.
Realização:  Sesc SP.


Serviço
Espetáculo "Aqui Tem Vida Demais!".
Temporada: 4 de fevereiro a 3 de março, aos domingos, 12h (não haverá sessão no dia 11 de fevereiro).
Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos / São Paulo.
Ingressos: R$30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 10 (credencial plena). Crianças até 12 anos não pagam.
Venda online em sescsp.org.br.
Classificação: livre.
Duração: 60 minutos.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: Patty Pantaleão, 1ᵃ artista indoor de bolhas de sabão no Brasil, em show


Após o sucesso de público no último ano com o espetáculo "Entre Bolhas e Borboletas", a primeira artista indoor de bolhas de sabão no Brasil, Patty Pantaleão, oficializou uma temporada de apresentações no Teatro Arthur Azevedo em fevereiro. As apresentações, realizadas todos os fins de semana do mês, na sessão das 16h00, terão ingressos a partir de R$12,50.

O público presente terá acesso a um espetáculo para toda a família, oferecendo muita leveza, efeitos de mágica, cores, luzes, música e poesia, sem deixar de destacar as grandes bolhas de sabão. Sem dúvida, é um resgate à memória afetiva independente da idade. "Esta nova temporada é uma forma de retribuir toda a aceitação que tivemos do público da cidade de São Paulo no último ano; ao todo, foram mais de 3.000 pessoas impactadas de alguma forma pela nossa mensagem. O que posso adiantar é que cada sessão será única e com uma emoção que só quem estará lá será capaz de sentir", encerra a artista.


Serviço
Espetáculo "Entre Bolhas e Borboletas".
Teatro Arthur Azevedo.
Até dia 25 de fevereiro, às 16h00.
Sábados e domingos.
Ingressos neste link.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

.: “Jardim Vertical”: Grupo Pandora de Teatro estreia temporada neste sábado


O espetáculo retrata a realidade de uma família que opta por se isolar do mundo exterior em seu  seguro apartamento, trazendo à tona aspectos significativos da sociedade contemporânea, suas ilusões e falsas ideias de segurança. Peça teatral reflete sobre as relações familiares na contemporaneidade e a falsa ideia de segurança. Foto: Lucas Vitorino


Nos dias 17, 18, 19, 24, 25 e 26 de fevereiro de 2024, aos sábados e domingos, às 18h00, e segundas-feiras, às 17h00, com entrada gratuita, o Grupo Pandora de Teatro apresenta o espetáculo “Jardim Vertical”, no Teatro de Contêiner Mungunzá, que fica na Rua dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, em São Paulo. “Jardim Vertical” é uma fábula contemporânea que conta as histórias e as relações de uma família que vive isolada do mundo externo. 

De  forma cômica e satírica, o espetáculo transita pelo dia-a-dia dessa família que se relaciona de maneira superficial, deixando de lado a naturalidade para se adequar a um contexto que, aparentemente, é a garantia da segurança.

Um paraíso artificial que revela o autoritarismo presente em seu convívio, trazendo para a cena aspectos significativos da nossa sociedade, como o conceito de família, as ambições patriarcais, bem como os sonhos e desejos de mudança. Em um seguro apartamento, no quadragésimo sétimo andar de um edifício, em um contexto de compensação e artificialidade, será preciso abrir espaço no cotidiano para que os sonhos aconteçam. 

Com texto e direção de Lucas Vitorino, o espetáculo explora o universo nonsense, trazendo o olhar para a essência da personalidade autoritária no contexto brasileiro, imerso em um universo irreal, distópico e absurdo.  O processo de criação é resultado da pesquisa contínua do Grupo Pandora de Teatro em investigar os vestígios do teatro do absurdo e suas poéticas no contexto latino americano. As ações fazem parte do projeto "Pandora 20 Anos – Firmeza Permanente" realizado com apoio da 41° Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura, com o qual o grupo celebra 20 anos de trajetória. 


Sobre o Grupo Pandora de Teatro
Em 2024, o Grupo Pandora de Teatro comemora 20 anos de pesquisa contínua no bairro de Perus - SP. Com intensa produção artística, o coletivo aborda em suas criações temáticas pertinentes à história do Bairro de Perus e do Brasil, suas injustiças sociais e suas problemáticas, através de uma invenção poética que exalta a força da teatralidade.

O grupo comemora também os oito anos da Ocupação Artística Canhoba, um espaço público ocioso, que estava abandonado há seis anos sem cumprir qualquer função social, e que foi transformado em um importante polo cultural, aberto ao público, visando o fazer artístico como um ato social e político dentro do bairro de Perus. 


Ficha técnica
Espetáculo "Jardim Vertical".
Criação: Grupo Pandora de Teatro | Texto e Direção: Lucas Vitorino | Elenco: Caroline Alves, Cristian Montini, Rodolfo Vetore e Wellington Candido | Iluminação: Elves Ferreira | Sonoplastia: Rodolfo Vetore | Cenografia: Thalita Duarte | Cenotecnia: Marina Lima, Morsantap Revest e SN7 Cenografia |Figurinos: Thais Kaori | Customização de figurino: Anna Belinello, Marina Veneta e Cristian Montini | Operação de vídeo: Lucas Vitorino | Preparação corporal: Rodolfo Vetore | Preparação vocal: Caroline Alves | Produção: Thalita Duarte | Design gráfico: Levy Vitorino | Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini | Colaboração: Filipe Dias e Diego Meshi 


Serviço
Espetáculo “Jardim Vertical”
Duração: 80 minutos.
Classificação indicativa: 12  anos
Grátis
Capacidade: 99 lugares
Dias 17, 18, 19, 24, 25 e 26 de fevereiro de 2024 - Horário: sábado e domingo às 18h e segundas-feiras às 17h
Teatro de Contêiner Mungunzá - Endereço: R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo - SP, 01212-000 

Teaser de "Jardim Vertical"


.: Últimas apresentações da comédia "Ubu Rei" no Teatro Commune, em SP


Em fevereiro, a comédia absurda Ubu Rei, de Alfred Jarry. Após o sucesso na Mooca, Ubu Rei segue para o Teatro Commune.

Dias 17 e 24 de fevereiro, às 20h00, a tragicomédia absurda "Ubu Rei" será apresentada no Teatro Commune, em Higienópolis. O texto é baseado na obra de Alfred Jarry, com direção de Armando Liguori Júnior, tradução e concepção de Augusto Marin. No elenco, Esther Góes, Augusto Marin, Fabricio Garelli, Natalia Albuk, Armando Liguori, Paulo Dantas, Juliano Dip, Samara Montalvão e Ricardo Sequeira. A ação passa-se na Polônia, ou seja, em lugar nenhum, como o próprio Jarry afirmou na apresentação da peça. Ingressos a partir de R$ 30,00.

Ubu é um personagem monstruoso, despótico, corrupto e sem escrúpulos e homem da confiança do Rei. Manipulado pela esposa, assassina o Rei Venceslau e usurpa o trono polonês. Em seguida mata os nobres, juízes e os financistas e trai seus próprios apoiadores. Qualquer semelhança com "Macbeth", de Shakespeare, não é mera coincidência. Exercendo o poder de forma brutal e sanguinária ao longo de uma sucessão de episódios essencialmente absurdos, a sua política vai-se revelando catastrófica. Ubu na ânsia de dominar o mundo, vai à guerra e perde para os Russos e os Poloneses. 

Mais atual do que nunca, o texto mostra como a ganância e a vaidade exacerbada são capazes de motivar a tomada do poder. Ao chegar ao trono, Ubu se torna um tirano sanguinário, mas ingênuo e despreparado, o que leva a plateia ao riso. Essa é uma das principais características do trabalho de Alfred Jarry: encenar uma farsa que conduz à gargalhada diante da estupidez humana ao supor uma superioridade diante dos demais.

Ubu não é uma figura composta nos moldes tradicionais, mas uma espécie de síntese animada de rapacidade, crueldade, estupidez, glutonaria, covardia e vulgaridade. Com se o dramaturgo depurasse e, em seguida, ampliasse os perfis humanos mais perversos com uma lente paródica, para devolver ao espectador seu duplo monstruoso. É uma tragicomédia absurda, que já circulou por diversas cidades do interior de São Paulo e do Brasil tendo sido visto por mais de 70 mil pessoas.


Ficha técnica
Espetáculo "Ubu Rei".
Direção geral: Armando Liguori Júnior.
Tradução e concepção: Augusto Marin.
Elenco: Esther Góes, Augusto Marin, Fabricio Garelli, Natalia Albuk, Armando Liguori, Paulo Dantas, Juliano Dip, Samara Montalvão e Ricardo Sequeira.
Fotografia: Luiz Aureo, Bianca Vasconcelos, Francielle Arantes e Claudiones Frateschi.
Diretor de produção: Luciane Ortiz e Augusto Marin.
Direção musical: Sérvulo Augusto.
Diretor de Movimentos - Doria Gark.
Cenários: Paulo Dantas.
Figurinos: Aline Barbosa.
Adereços: Nani Catta Preta.
Design e operação de Luz: Andre Lemes.
Operação de som: Anderval Areias.
Programação visual e designer: Rony Costa.
Assessoria de imprensa: Miriam Bemelmans.
Realização: Commune.


Serviço
Espetáculo "Ubu Rei".
Dias 17 e 24 de fevereiro de 2024.
Horário: Sábados, às 20h00.
Teatro Commune. Rua da Consolação, 1218, Consolação / São Paulo.
Telefone: (11) 97665 2205.
Próximo ao Metrô Higienópolis-Mackenzie.
Capacidade: 99 lugares + 1 Cadeirante.
Duração: 80 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
Ingressos a partir de R$ 30,00.
Gênero: comédia.
Sympla: https://www.sympla.com.br/ubu-rei__2309500.
Sampa: https://www.sampaingressos.com.br/ubu+rei+no+teatro+mommune+teatro+commune.

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