Jornalista e escritor apresenta livro que revisita a morte de Juscelino Kubitschek e reúne documentos, depoimentos e perícia realizada décadas após o acidente. Foto: divulgação
Sobre o autor
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Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô", a jornalista e escritora Claudia Alexandre integra a programação oficial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Pesquisadora das tradições de matrizes africanas, ela participa de uma roda de conversa no Salão de Ideias, no dia 12 de setembro, ao lado da sambista e jornalista Lyllian Bragança. O encontro apresenta o livro infantil "Tia Ciata e o Mistério da Foto", com início às 19h30. Antes do bate-papo, às 17h00, Claudia autografa o lançamento no estande da Cortez Editora, na Rua G 26.
Resultado de uma pesquisa iniciada em 2008, "Tia Ciata e o Mistério da Foto" transforma em narrativa lúdica uma investigação sobre lacunas, contradições e registros históricos e fotográficos atribuídos à chamada "mãe do samba". A pesquisa lança um olhar curioso para as imagens que ajudaram a construir a memória de Tia Ciata e para aquilo que ficou de fora delas.
Na obra, Claudia também recupera a dimensão multifacetada de Tia Ciata, destacando sua atuação como rezadeira, musicista e personagem fundamental na história do samba. Entre os episódios revisitados está a criação de "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba gravado. A trajetória da autora passa ainda pelo Prêmio Jabuti Acadêmico. Claudia Alexandre venceu a premiação em 2024 com "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô" e voltou a ser reconhecida em 2025, desta vez pela obra coletiva "A Salvação da Pátria Amada". No ano passado, "Exu-Mulher" serviu de inspiração para o enredo que levou a Escola de Samba Pérola Negra ao título em São Paulo.
Serviço
Roda de conversa com Claudia Alexandre e lançamento de "Tia Ciata e o Mistério da Foto"
Sábado, dia 12 de setembro, às 17h00 - Sessão de autógrafos
Estande da Cortez Editora – Rua G 26
19h30 - Roda de conversa
Salão de Ideias - Programação Oficial da Bienal do Livro
Endereço da Bienal: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo
O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.
O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.
A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.
Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo
Os leitores de Thalita Rebouças que passarem pela Bienal do Livro SP 2026 terão a chance de encontrar a escritora, garantir um autógrafo e, de quebra, saber um pouco mais sobre a adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha Primeira Vez”, baseada no livro homônimo da autora. O encontro acontece no estande da editora Rocco em duas oportunidades: no sábado, 5 de setembro, às 15h00, e no domingo, 6, às 17h30. Durante as sessões de autógrafos, serão distribuídos marcadores de livro com QR Code que leva à compra de ingressos para o filme, que chega aos cinemas em 17 de setembro.
Dirigido por Claudia Castro, o filme tem roteiro assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta e mergulha no universo juvenil com leveza, humor e uma dose generosa de descobertas. Ritos de passagem, amadurecimento, amizade, sexualidade e a velha diferença entre estar com pressa e estar preparado para descobrir aparecem no caminho. No elenco principal estão Castorine, Duda Matte, Leticia Braga e Livia Silva. O quarteto divide a cena com Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.
A produção e a distribuição são da Na Paralela Filmes, com codistribuição da A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. A produção conta ainda com coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.
Quatro amigas, quatro descobertas e nenhuma fórmula pronta
Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” leva para o cinema as descobertas e os ritos de passagem da juventude de maneira leve, madura e descomplicada. A trama acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - enquanto cada uma descobre, à sua maneira, que o despertar da sexualidade não segue manual de instruções. Expectativas, amizade e as diferenças entre pressa e descoberta dão o tom da história. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.
A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty recebe este ano um lançamento que promete tocar fundo em quem já enfrentou a dor da perda e a luta para se reerguer. Trata-se de “Sobre.Viver”, do artista visual, escritor e performer Thiago Vicente. O livro, que já está em pré-venda, chega à Flip em edição física e será apresentado ao público em duas sessões de autógrafos: uma no dia 24 de julho, às 16h00, e outra no dia 25, às 13h00, ambas no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. Durante toda a festa, a obra estará disponível para compra no mesmo estande.
“Sobre.Viver” é um relato autobiográfico escrito em formato epistolar: cartas endereçadas à mãe do autor, Maria, que faleceu em seus braços durante um grave acidente de carro em janeiro de 2023. Com as duas pernas quebradas e presas nas ferragens, Thiago sobreviveu, mas iniciou uma longa e dolorosa jornada de reabilitação física e emocional. O livro nasceu como uma forma de lidar com o luto e com todas as perdas que se seguiram: a morte da mãe, a do pai dias depois, a do cão de apoio emocional Yuri, a da irmã Rosane, e a perda do Ninho, a casa na roça que ele mesmo construiu com as próprias mãos.
“O livro são cartas que escrevi para minha mãe, depois de sofrer um acidente de carro, quebrar as duas pernas e perdê-la em meus braços. Conto nas cartas como tem sido sobreviver, e voltar a viver mesmo em reabilitação (que já dura mais de três anos) e os aprendizados que tenho tido nesse renascimento”, explica o autor. O processo de escrita, segundo ele, levou cerca de dois anos e foi “doloroso, difícil, com muita alma e lágrimas”, mas também transformador.
A obra é guiada por temas como luto, superação, resiliência, força, amor e autoconhecimento. “Utilizei da escrita para aliviar o peso da história e as dores, físicas e emocionais. E transformar em algo bom, bonito, até mesmo poético - para me curar, e ajudar outras pessoas também”, afirma Thiago. O livro, que ele define como sua “maior herança”, é a materialização de uma busca diária por equilíbrio e paz de espírito.
Nas páginas de “Sobre.Viver”, o leitor acompanha não apenas a sequência dos acontecimentos, mas também as reflexões do autor sobre o silêncio, a solidão e a reconstrução da identidade após um trauma. Thiago fala abertamente sobre a tentativa de suicídio, a depressão profunda, as acusações injustas que recebeu da própria família e o longo processo de fisioterapia e cirurgias, incluindo o uso de um fixador externo (a “gaiola” de Ilizarov) que o acompanhou por meses. A narrativa, no entanto, não se resume à dor: é também um testemunho de como a arte, a escrita e a fé podem ser ferramentas de cura. “Este livro é a minha maior herança: a transformação de muita dor em palavras, amor e afeto. Como gosto de dizer: em cor”, aponta. Compre o livro "Sobre.Viver" neste link.
Sobre o autor
Thiago Vicente é artista visual, escritor, designer e performer. Graduado em Design e Fotografia e mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE, em Lisboa (Portugal), sua trajetória atravessa as artes visuais, a literatura e a performance. Autor de livros infantis, desenvolve obras que unem produção editorial e artes visuais com sensibilidade e reflexão. Após o acidente e o longo processo de reabilitação, sua investigação artística passou a explorar com ainda mais profundidade temas como vulnerabilidade, silêncio e reconstrução. Residente em João Pessoa, na Paraíba, cria trabalhos que combinam instalação, performance, escrita e audiovisual. Na escrita livre, encontrou também um gesto de cuidado: uma forma de aliviar a alma e seguir colorindo a vida. Compre os livros de Thiago Vicente neste link.
Serviço | Agenda Flip 2026
Eventos: Sessões de autógrafos de Thiago Vicente com o livro “Sobre.Viver”
Dias 24 e 25 de julho (sexta e sábado, respectivamente)
Horário: no dia 24, às 16h00; no dia 25, às 13h00
Local: Estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota! - Flip, Paraty (RJ)
Vendas durante a Flip: O livro estará disponível no estande da com.tato durante toda a festa, pelo valor promocional de R$ 50,00.
Quarto romance do autor, "O Tardio" tem como pano de fundo o Brasil dos anos 1970 e acompanha a jornada de um homem que deixa sua vida para trás em busca de respostas sobre o irmão que nunca conheceu. Entre memória, liberdade e desencontros, a narrativa percorre diferentes regiões do país e revisita as marcas deixadas pela ditadura, pela contracultura e pelos sonhos de uma geração.
Maurício Melo Júnior é também jornalista, crítico literário e documentarista. Há 25 anos, apresenta o programa Leituras, da TV Senado, o primeiro dedicado à literatura e a conversas com escritores, pesquisadores e nomes do mercado editorial. Ao longo de sua trajetória, publicou 35 livros e dirigiu mais de 20 documentários. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.
A escritora e jornalista Letícia Ávila participa da programação paralela da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma sessão de autógrafos de seu romance de estreia, "Palco dos Que Sofrem". O encontro acontece neste sábado, dia 25 de julho, às 19h00, na Casa Pagã. O romance mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família.
Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)?
“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.
Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia.
O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias. Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa. Compre o livro "Palco dos Que Sofrem" neste link.
Sobre a autora
Letícia Ávila é escritora, jornalista e feminista. Nascida em Aracaju (SE), cresceu em São Paulo e atualmente vive em Ilhabela (SP). Formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM FMU, atua desde 2012 no mercado de cinema e entretenimento, experiência que influencia o ritmo e a construção de suas narrativas. Após concluir o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia na literatura com o romance "Palco dos que Sofrem", obra contemplada pelo ProAC PNAB. Em sua escrita, investiga temas como memória, trauma, redes de apoio e protagonismo feminino, entendendo a literatura como um espaço de acolhimento, cura e ressignificação. Compre os livros de Letícia Ávila neste link.
Serviço
Sessão de autógrafos - "Palco dos Que Sofrem"
Data: sábado. dia 25 de julho, às 19h00
Local: Casa Pagã – Rua Dona Geralda, 76 – Centro Histórico, Paraty (Rio de Janeiro)
O volume conta também com depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Compre a edição especial de 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, neste link.
Mais comemorações ao longo dos próximos meses
A celebração dos 70 anos de "Grande Sertão: Veredas" na Companhia das Letras inclui ainda o lançamento do audiolivro inédito narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio. Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro.
Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.
Nas redes sociais, a editora prepara uma série de com depoimentos de autores e especialistas contemporâneos, como Érico Melo, Caetano W. Galindo, Alison Entrekin e Bruna Kalil Othero. Haverá também um episódio especial do podcast Rádio Companhia, além de um zine comemorativo na campanha “Literatura Brasileira Viva”.
Nem tudo o que um povo sabe cabe nos livros. Parte desse conhecimento vive nas histórias contadas pelos mais velhos, nas palavras da língua materna, nos provérbios, nas receitas, nos gestos e na maneira de olhar o mundo. É desse saber coletivo que nasce "O Sangue da Buganvília", lançado pela Pallas Editora, novo livro da escritora angolana Ana Paula Tavares, 73 anos. Reunindo mais de 70 crônicas, a vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2025 aproxima poesia, história e tradição oral para mostrar como uma cultura continua sendo transmitida entre gerações.
Publicados originalmente na década de 1990 para a RDP África e agora reunidos em livro, os textos percorrem assuntos como língua, patrimônio, tradição oral, guerra, infância, culinária e literatura. Mas o que une essas crônicas é, sobretudo, o olhar da Ana Paula. Historiadora e antropóloga de formação, ela encontra nas pequenas experiências do cotidiano um caminho para entender Angola de um modo abrangente, sem separar o íntimo do coletivo nem a poesia da História.
Ana Paula virá ao Brasil na próxima semana para se juntar à constelação de escritores na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2026. No sábado, 25 de julho, às 15h00, a escritora vai brilhar na mesa 'O boi é só. O boi é só. O boi', na qual conversará com o público presente sobre a sua carreira na literatura e a sua poesia, ambas marcadas pela história de Angola e da luta pela emancipação feminina. Falará também a respeito da sua ligação com o Brasil, a partir dos laços que unem os dois países.
Nas crônicas deste livro, um provérbio pode dialogar com Virginia Woolf (1882-1941), uma receita tem o poder de revelar tanto sobre um povo quanto um documento de arquivo e uma buganvília é capaz de explicar melhor um país do que qualquer estatística. Em suas páginas, a tradição oral e as vozes dos que chegaram antes deixam de ocupar um lugar periférico para assumir o centro da narrativa. É ali que a autora encontra aquilo que mais a interessa: as formas pelas quais uma cultura continua viva.
Para além de recordar o passado, Ana Paula escreve como quem recebe uma história para passar adiante. A sua literatura recusa a ideia de que a história de um país possa ser contada apenas pelos grandes acontecimentos, aqueles que saem no jornal. Ela também está na língua materna, nos mercados, nas árvores, nos objetos cotidianos, nas mulheres que preservam saberes ancestrais e nas histórias que circulam de uma geração à outra.
Não por acaso, a planta dá nome ao livro. Na crônica que inspira o título, a buganvília floresce apesar do vento, da seca e do tempo. A imagem costura silenciosamente toda a obra e acaba se confundindo com a própria escrita de Ana Paula Tavares, que insiste em florescer onde muitos enxergariam apenas ruínas. Pela Pallas, Ana Paula já publicou "Amargo como os Frutos - Poesia Reunida" (2010) e participou de "Verbetes para Um Dicionário Afetivo" (2021), ao lado de Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção. Agora é a vez de "O Sangue da Buganvília", que confirma algo que a autora vem construindo há décadas: escrever também pode ser uma forma de cuidar. Cuidar das palavras, da memória e das pessoas que fazem a História existir antes mesmo de chegar aos livros. Compre o livro "O Sangue da Buganvília" neste link.
A Biblioteca de São Paulo (BSP), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela SP Leituras, realiza, ao longo de julho, uma programação gratuita com atividades para diferentes públicos. A agenda reúne exposição multissensorial, sessões de cinema, contação de histórias, espetáculo, oficina de esgrima histórica, de amigurumis e xadrez, clubes de leitura e atividades especiais de férias. As atividades acontecem em diferentes espaços da biblioteca, são gratuitas e, em sua maioria, não exigem inscrição prévia, com vagas preenchidas por ordem de chegada.
Entre os destaques está a exposição "Sentir pra Ver: Gêneros da Pintura na Pinacoteca de São Paulo", em cartaz até 2 de agosto, no piso térreo. Com recursos multissensoriais, como reproduções em relevo, audiodescrição e videolibras, a mostra apresenta 14 reproduções fotográficas de obras do acervo da Pinacoteca, abrangendo natureza-morta, retrato, paisagem e abstração, com acesso garantido a pessoas com deficiência. Ao longo de julho, o espaço também recebe a programação Férias na Biblioteca, que ocupa o período de recesso escolar com atividades lúdicas para crianças e jovens, como gincana, campeonato de ping pong, jogos de tabuleiro e desafios de leitura dinâmica (datas e horários abaixo).
O BiblioCine exibe filmes para toda a família com distribuição de pipoca. No dia 19 de julho, às 15h00, a programação traz "DC Liga dos Superpets", animação que acompanha Krypto, o Supercão, em uma missão de resgate ao lado de animais com superpoderes. Já no dia 26 de julho, no mesmo horário, será exibido "Lego Ninjago - O Filme", em que pai e filho entram em um confronto épico para testar uma equipe de ninjas modernos.
No dia 19 de julho, às 14h00, a BSP recebe o espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", da companhia Furunfunfum, na tenda da biblioteca. O microcirco ambulante acoplado a uma bicicleta mistura teatro de rua, circo, física e acústica em números interativos para todas as idades. O Clube de Leitura BSP - Histórias Compartilhadas acontece no dia 18 de julho, às 15h00, com discussão sobre a obra "Crônica de Uma Morte Anunciada", de Gabriel García Márquez, com mediação de Claudia Aratangy.
A programação inclui ainda a experiência coletiva "Contaí", que recebe a Trupe Arlequinos e Colombinas no dia 18 de julho, às 15h00, com atrizes e pesquisadoras da cultura popular e Libras no teatro. No dia 25 de julho, também às 15h00, o Contaí conta com participação da atriz, escritora e pesquisadora da narrativa oral e da Sociologia da Infância Kiara Terra. No dia 25 de julho, das 16h00 às 18h00, acontece mais uma edição da batalha de rima com Carandirap.
Nos dias 25 e 26 de julho, das 10h00 às 18h00, a Federação Paulista de Esgrima Histórica realiza a primeira edição da Copa SP – Torneio de Armas Mistas, com a AEEA Stahlfechter, em que atletas combatem com espadas de diversos períodos históricos, unindo esporte, estratégia e história. Confira a programação completa abaixo.
Exposição
Até 2 de agosto - "Sentir pra Ver: Gêneros da Pintura na Pinacoteca de São Paulo" (das 9h30 às 18h30, piso térreo)
Férias na Biblioteca
21 de julho - Campeonato de Ping Pong (15h00)
22 de julho - Leitura Dinâmica (15h00)
23 de julho - Gincana (15h00)
24 de julho - Jogo de Adivinhações O Termo (15h00)
BiblioCine
19 de julho - DC Liga dos Superpets (15h00, auditório)
26 de julho - Lego Ninjago – O Filme (15h00, auditório)
Contação de Histórias - "Contaí"
18 de julho - Arlequinos e Colombinas, com Trupe Arlequinos e Colombinas (15h00, piso térreo)
25 de julho - Kiara Terra (15h00)
Carandirap
25/07 - Batalha de rima com Carandirap (16h00)
Espetáculo
19 de julho - "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", com Furunfunfum (14h00 às 15h00, tenda)
Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre
19 de julho - Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre (16h00)
26 de julho - Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre (16h00)
Empreendedorismo BSP
18 de julho - Oficina de bordado livre (14h00)
25 de julho, 1° e 8 de agosto - Oficina de amigurumis, com Coletivo Meiofio (14h00 às 16h00, tenda)
Clubes de leitura
18 de julho - Clube de Leitura BSP - Histórias Compartilhadas: "Crônica de Uma Morte Anunciada", de Gabriel García Márquez (15h00)
Copa SP: Torneio de Armas Mistas
25 e 26 de julho - Copa SP: Torneio de Armas Mistas, com AEEA Stahlfechter (10h00 às 18h00, tenda)
Oficina de demonstração - Esgrima Histórica
26 de julho - Esgrima Histórica na BSP (10h00), com a AEEA Stahlfechter
Sarau da Juventude
26 de julho - Sarau da Juventude com Equipe BSP (14h00)
Serviço
Biblioteca de São Paulo
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana, Parque da Juventude, São Paulo/SP (ao lado do Metrô Carandiru – Linha 1-Azul)
Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados, das 9h30 às 18h30
Entrada gratuita.
Quarenta anos após a histórica travessia que marcou gerações de leitores, a jornada de Amyr Klink ganha um novo capítulo. Durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, o navegador, o ator Filipe Bragança, o diretor Carlos Saldanha e as roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares participam da mesa “100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os Caminhos para Transformar Um Clássico da Literatura Brasileira em Experiência Cinematográfica”, que abordará o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar" para o cinema.
O filme "100 Dias" estreia em 29 de outubro e acompanha a histórica expedição de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada sozinho, em um barco a remo. Mais do que retratar uma travessia extraordinária, o longa acompanha a jornada de um homem confrontado por seus medos, limites e inseguranças. O painel durante a Flip propõe uma conversa sobre o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspirou o longa-metragem, compartilhando as escolhas narrativas e revelando os bastidores para levar às telas uma das histórias mais marcantes da literatura brasileira contemporânea.
A conversa abordará Amyr Klink revisitando a trajetória que transformou sua expedição pelo Atlântico Sul em um clássico da literatura brasileira, enquanto Carlos, Elena e Thais revelarão os bastidores da adaptação. Ao final, Filipe Bragança se junta ao grupo para compartilhar sua preparação para interpretar Amyr e os desafios de levar às telas um personagem inspirado em uma figura tão emblemática da navegação brasileira.
“100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os caminhos para transformar um clássico da literatura brasileira em experiência cinematográfica” acontecerá no dia 23 de julho, às 17h00, na Casa da Cultura, em Paraty, no Rio de Janeiro. A mediação ficará a cargo de Marcelo Tas, jornalista, apresentador e comunicador reconhecido por sua longa trajetória à frente de entrevistas e debates. Para maiores informações sobre a FLIP, acesse o site oficial do evento.
Além da participação do filme na programação da Flip, a Companhia das Letras aproveita o evento para lançar a nova edição de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspira o longa "100 Dias". Publicado originalmente em 1985, cerca de um ano após a histórica travessia de Amyr Klink a bordo da "lâmpada flutuante" - como o navegador carinhosamente apelidou seu barco -, o livro acompanha, em primeira pessoa, a expedição que transformou seu autor em um dos maiores nomes da literatura de viagem brasileira.
Com o texto revisado e novo projeto gráfico, a edição celebra os 41 anos da publicação e convida uma nova geração de leitores a revisitar a jornada que agora também ganha vida nas telas. Na sexta-feira, 24 de julho, Amyr Klink participará de uma sessão de autógrafos da nova edição, em um encontro com leitores durante a Flip. A sessão será realizada no Bar Atlântico, no Centro Histórico de Paraty, das 17h00 às 19h00, com acesso por ordem de chegada.
Uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea, a escritora curitibana Luci Collin lança pela Maralto Edições o livro "Acontecidos: Contos Escolhidos", coletânea que reúne 44 narrativas produzidas ao longo de quase três décadas de carreira. A obra percorre um arco temporal que vai de 1997 até textos inéditos escritos para esta edição, oferecendo ao leitor um panorama abrangente da produção contística da autora, reconhecida pela experimentação formal, pela musicalidade da escrita e pelo constante diálogo com os limites da linguagem. O livro será lançado na Flip - Festa literária Internacional de Paraty 2026 no próximo dia 23, às 12h30, na Casa Acaso. O evento contará com um bate-papo mediado pela escritora e artista visual Julie Fank.
Com prefácio do escritor e tradutor Caetano Galindo, o volume apresenta uma seleção criteriosa realizada a partir de cerca de 130 contos publicados por Luci Collin em oito coletâneas ao longo de sua trajetória. Organizado cronologicamente, Acontecidos funciona como uma espécie de cartografia literária de uma autora que sempre privilegiou a inventividade, a ruptura de convenções e a busca por novas possibilidades narrativas.
A seleção dos textos levou em consideração tanto a representatividade formal quanto temática da produção da escritora. O objetivo foi apresentar contos capazes de sintetizar as principais características de sua literatura, marcada por estruturas fragmentadas, jogos de linguagem, cortes narrativos, humor ácido e um afastamento deliberado das formas mais convencionais do gênero. “Foi um processo de escolha muito cuidadoso. Busquei contos que trouxessem essa marca de inventividade e transgressão dos padrões tradicionais da narrativa, reforçando uma linguagem mais ágil, fragmentada e menos realista, características muito presentes na literatura contemporânea”, afirma a autora.
Ao revisitar textos escritos ao longo de quase 30 anos, Luci Collin também encontrou uma oportunidade de refletir sobre sua própria trajetória. Segundo ela, os primeiros contos surgiram em um momento em que suas propostas literárias eram frequentemente percebidas como rebeldes por se distanciarem dos modelos narrativos mais tradicionais. Hoje, no entanto, a autora percebe um público mais familiarizado com procedimentos como a fragmentação, a montagem e os jogos linguísticos que sempre fizeram parte de sua escrita.
“Olhar para trás foi um exercício emocionante. Muita coisa mudou no mundo e na minha vida desde então. Permaneci acreditando em uma escrita experimental que sempre disse muito sobre quem sou. Ver essa trajetória reunida em um único volume é um presente indescritível”, comenta. Ao longo das páginas de "Acontecidos", o leitor encontra personagens excêntricos, diálogos marcados por ruídos de comunicação e narrativas que são uma reflexão sobre o próprio ato de escrever. A fragilidade da linguagem, os impasses da vida urbana contemporânea e as múltiplas formas de construção da identidade aparecem como temas recorrentes, tratados sempre com uma combinação singular de humor, ironia e refinamento formal.
Embora reconhecida pelo experimentalismo, Luci Collin destaca que sua literatura nunca abriu mão da comunicação com o leitor. “Escrever corresponde a uma necessidade profunda de comunicação. Não sou uma escritora radical em relação à forma. Tenho muitos leitores jovens que leem meus textos com facilidade, e isso me alegra porque mostra que o tratamento que dou à linguagem não a torna hermética ou inacessível”, afirma.
Outro elemento fundamental da obra de Luci Collin é sua estreita relação com a música. Pianista e percussionista profissional durante muitos anos, ela incorporou à escrita princípios como ritmo, melodia, pausas e contrapontos. Não por acaso, referências a compositores como Mozart e Beethoven aparecem em seus contos, assim como termos do universo musical. “O convívio com a música trouxe para a minha escrita recursos ligados à sonoridade, à cadência e à polifonia. Muitas vezes trabalho a narrativa pensando no ritmo da fala, nos silêncios e na musicalidade das palavras”, finaliza.
Com "Acontecidos", Luci Collin oferece aos leitores uma síntese poderosa de uma trajetória dedicada à experimentação estética e à reinvenção permanente da narrativa, reafirmando seu lugar entre os nomes mais inventivos da literatura brasileira contemporânea. A obra já está disponivel no ecommerce da Maralto Edições e também faz parte do Programa de Formação Leitora Maralto, uma iniciativa direcionada para escolas de todo o país.
Sobre a autora
A curitibana Luci Collin é escritora, tradutora e professora. Formou-se em Piano/Performance, Letras (Português/Inglês) e Percussão Clássica, é doutora em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (USP) e tem dois pós-doutorados em Tradução de Literatura Irlandesa. Lecionou na UFPR entre 1999 e 2019. Estreou na literatura em 1984 com Estarrecer e construiu uma carreira reconhecida na poesia e na prosa. Foi finalista do Prêmio Oceanos com Querer falar (2014), venceu o Prêmio Jabuti com A palavra algo (2016) e recebeu distinções como o Prêmio Clarice Lispector e o Prêmio Literário Biblioteca Nacional com Dedos impermitidos, (2021). Tradutora de autores como Virginia Woolf e Seamus Heaney, tem obras publicadas no Brasil e no exterior e integra a Academia Paranaense de Letras (Cadeira 32).
Serviços
Eventos de lançamento
Flip 2026
Data: 23 de julho, quinta-feira, às 12h30
Casa Acaso | O evento contará com um bate-papo mediado pela escritora e artista visual Julie Fank.
Lançamento em Curitiba
Data: 15 de agosto, sábado, às 14h00
Livraria Telaranha | R. Ébano Pereira, 269 – Centro