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domingo, 16 de junho de 2024

.: Betina González: "Só as mulheres têm a obrigação de ser grandes"


Em entrevista exclusiva, Betina González fala sobre as expectativas para o evento em São Paulo e dá opiniões contundentes sobre a vida, a literatura e de que maneira esses dois temas se misturam. Foto: Fernando de la Orden. Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com


Um dos expoentes da literatura contemporânea argentina, Betina González é uma das autoras confirmadas na terceira edição de A Feira do Livro, festival literário organizado pela Associação Quatro Cinco Um que começa no dia 29 de junho, terá nove dias de duração e reunirá alguns dos principais destaques da cena literária brasileira e internacional para debates gratuitos na Praça Charles Miller, Pacaembu, em São Paulo.

Cheia de sensibilidade e acidez, a escrita de Betina reflete a vida e os dilemas reais sem se dissociar da poética do cotidiano. O primeiro romance, "Arte Menor", que conta a história policial de uma filha em busca da memória da figura indescritível do pai falecido – ganhou o Prêmio Clarín e foi elogiado até pelo escritor português José Saramago: "Pode-se dizer que apenas o seu título é arte menor. O que vem depois do título é arte erudita”, afirmou o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura.

Nascida em Villa Ballester,​ na Grande Buenos Aires, Betina González estudou Comunicação Social na universidade da capital argentina, onde mais tarde atuaria como professora e pesquisadora. O reconhecimento internacional veio quando ganhou o Prémio Tusquets com o romance de iniciação "Las Poseídas", escrito em Pittsburgh sobre a “perda da inocência”, quando um grupo de mulheres “descobre com horror o que tinha acontecido no país” com os crimes da Junta Militar.

No Brasil, lançou pela editora Bazar do Tempo o livro "A Obrigação de Ser Genial", que propõe uma série de ensaios para desvendar os mistérios da criação literária."Não basta ser boa: é preciso ser genial", afirma. Nesta entrevista exclusiva, Betina González fala sobre as expectativas para o evento em São Paulo e dá opiniões contundentes sobre a vida, a literatura e de que maneira esses dois temas se misturam. Compre os livros de Betina González neste link.

Resenhando.com - Quais as suas expectativas para o evento A Feira do Livro?
Betina González
Nunca estive em São Paulo, então minhas expectativas são altas, sei que é uma cidade cheia de eventos culturais e estou muito animada para ir à Feira. Ainda não decidi sobre o tema da minha palestra, mas certamente terá a ver com como o patriarcado silenciou a escrita das mulheres e como algumas dessas operações ainda estão em vigor, mas com novos disfarces.


Resenhando.com - Por que entende que as pessoas hoje têm a obrigação de serem geniais?
Betina González - Não é isso que o título do meu livro significa. Só as mulheres têm a obrigação de ser grandes, os homens não. Os homens têm garantidos seus lugares, nas profissões, na literatura, só porque são homens. Podem dar-se ao luxo de ser medíocres, ainda vão chegar. As mulheres, não.


Resenhando.com - Que diferenças e semelhanças você percebe entre as literaturas contemporâneas argentina e brasileira?
Betina González - Não conheço literatura brasileira contemporânea o suficiente para julgar de forma tão enfática. Vejo muitas semelhanças entre autores latino-americanos em geral: um movimento ancorado na autoficção que vem acontecendo há décadas e, em paralelo, autores que seguem o caminho da invenção e do humor. Dito isso, o Brasil sempre se caracterizou por ter seus próprios movimentos. Basta pensar nas três fases do modernismo brasileiro para ver que o país tem uma literatura absolutamente única, com escritores maravilhosos como Machado de Assis, Guimarães Rosa e tantos outros. Dos contemporâneos, admiro muito Andrea del Fuego. "As Miniaturas" foi o primeiro livro que li por ela e me apaixonei por sua imaginação narrativa impressionante!

Resenhando.com - Eleja um autor argentino e um brasileiro que são seus favoritos.
Betina González - Clarice Lispector é, sem dúvida, uma das maiores escritoras não só do Brasil, mas do mundo. Sua escrita, seu universo eram únicos. Assim como Machado de Assis, sobre quem escrevi um dos capítulos de minha tese. Tem que escrever assim, textos que não se assemelham a nada. Se não, por que escrever?


Resenhando.com - No seu romance "Arte Menor" , você  conta a história de uma filha em busca da memória da figura paterna. Que elementos você utiliza da sua vida real para criar histórias?
Betina González - Bem, eu "roubei" essa história de um amigo, cujo pai era artista e tinha muitas amantes. Ocorreu-me que era uma grande história para contar que a filha procura todos os amantes que seu pai tinha de uma pequena estátua que ele fez para todos os seus amantes. Claro, depois coloquei no romance muitas coisas que eram da história argentina e da minha posição como escritora na periferia de Buenos Aires.

Resenhando.com - Qual é a importância da memória para sermos o que nos tornamos?
Betina González - Memória é tudo, não é? Sem memória não somos pessoas nem países. O direito de contar a própria história é muito importante.


Resenhando.com - O título do seu livro "El amor Es Una Catástrofe Natural" faz uma afirmação contundente. Você concorda com isso?
Betina González - Você tem que ler essa história (risos). É mais esperançoso do que parece pelo título. Ainda acredito que o amor verdadeiro é catastrófico, sempre nos transforma. Catástrofe em grego significava algo como um fim imprevisto!

Resenhando.com - O que há de autobiográfico em sua escrita? Em que você se expõe mais, e em que protege mais?
Betina González - Pouco. Não estou interessada em contar a minha vida, não acho que seja um assunto interessante. Infelizmente, a vida ainda se esconde em sorrisos.

Resenhando.com - Quem é Betina González pela própria Betina González?
Betina González - Escrevo desde os oito anos de idade para não ser a Betina González, então, neste momento, posso dizer que não sou ninguém. Na verdade, esse é o nome do meu próximo livro: "Como se Tornar Ninguém".


Serviço
A Feira do Livro
De 29 de junho a 7 de julho de 2024
Local: Praça Charles Miller – Pacaembu / São Paulo
Entrada gratuita

segunda-feira, 10 de junho de 2024

.: "Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir" chega a São Paulo


A leitura estreia dia 20 de junho no Sesc 14 Bis e fica em cartaz até 21 de julho, de quinta a domingo. Foto: Leila Fugii

Depois do sucesso da temporada de estreia do espetáculo "Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir" no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, entre os meses de abril e maio deste ano, a leitura dramática chega a São Paulo em 20 de junho, no Teatro Raul Cortez, do Sesc 14 Bis. A leitura celebra os 80 anos de carreira de Fernanda Montenegro e aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir (1908-1986) sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).

Sem personificar Simone, Fernanda se cerca de seus óculos, uma mesa, uma cadeira, da trilha sonora e da iluminação para emprestar sua experiência íntima com a obra, dividindo com a plateia o impacto que a liberdade evocada por Beauvoir teve nessa geração de mulheres. O tempo de preparação e refino para a criação de um ambiente sem interferências demasiadas privilegia a proximidade com o público, que testemunhará a prática da liberdade defendida pela escritora, na voz da atriz.

O encontro de Fernanda Montenegro com a compilação do pensamento de Simone de Beauvoir extraída da obra “A Cerimônia do Adeus“, é uma aproximação com essa escritora, pensadora e ensaísta, que revolucionou a visão do feminino. O espetáculo fica em cartaz até o dia 21 de julho, com apresentações de quinta a sábado, às 20h e às 18h, aos domingos. Os ingressos custam de R$ 18,00 a R$ 60,00 e começam a ser vendidos partir de 11 junho, às 17h00, pelo aplicativo Credencial Sesc e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br e presencialmente a partir de 12 junho, às 17h00, em todas as unidades do Sesc São Paulo.

“O Sesc celebra a oportunidade de democratizar o acesso de diversos públicos ao encontro entre uma das expoentes das artes brasileiras, e uma das principais pensadoras do século XX, sobretudo devido o potencial das manifestações culturais para estimular reflexões tocantes à experiência humana”, afirma o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Deoclecio Massaro Galina.

"Apresentar essa obra é celebrar o legado e inspirar as pessoas, pilares importantes para o Itaú na celebração de nossos 100 anos. Fernanda é uma inspiração, sempre. E estar ao lado dela nesse momento tão importante como artista e também com temas tão importantes para o nosso dia a dia é a prova de como ela faz jus a ser um dos nomes mais marcantes no Brasil, que perpassa o tempo e permanece relevante, se reinventando”, finaliza o diretor de marketing do Itaú Unibanco, Eduardo Tracanella.

Fernanda Montenegro sobre Simone de Beauvoir
"Minha aproximação com a obra de Simone de Beauvoir vem desde quando eu tinha 20 anos. Essa fundamental feminista é uma personalidade referencial na minha geração. O espetáculo, baseado em uma de suas obras, proposto a mim em 2007 por Sérgio Britto, já com a saúde extremamente debilitada, não se realizou. A ideia permaneceu em mim através de outra criação de Simone de Beauvoir – 'A Cerimônia do Adeus'. Organizei rigorosamente essa importante obra durante dois anos. Texto pronto, Bonarcado Produções Artísticas e Carmen Mello levaram à cena essa adaptação com o título de 'Viver Sem Tempos Mortos'. Encenação referencial de Felipe Hirsch. Direção de Arte importante de Daniela Thomas e Iluminação plena de Beto Bruel. Em março de 2023, na Academia Brasileira de Letras, realizei a 1ª leitura desse mesmo texto, organizado por mim. Seguiram duas apresentações no Teatro Poeira, já com aceitação total da plateia. Quando dessa leitura, trechos de outras obras dessa importante feminista e escritora já estavam incluídos nessas apresentações. Ao ler, no palco, Simone de Beauvoir, nós nos conscientizamos da liberdade que essa Mulher se impôs e propôs a todas as gerações que a sucederam", completa Fernanda Montenegro

Ficha técnica
Texto - Simone de Beauvoir
Dramaturgia e Direção - Fernanda Montenegro
Assistência de Direção - Carmen Mello
Seleção Musical - Fernanda Montenegro
Desenho de Som - André Omote
Desenho de luz - Diego Diener
Produção - Bonarcado Produçōes Artísticas & Trígonos Produções Culturais
Direção de Produção - Carmen Mello
Promoção e Comunicação visual - Nicolle Meirelles
Assessoria Jurídica - Janaína Bento
Contabilidade - Contsist
Controller - Elinete Barcellos
Assistência de Produção - Jadir Ferreira e André Nunes
Patrocínio: Itaú Unibanco
Realização: Sesc São Paulo


Serviço
De 20 de junho a 21 de julho; de quinta a sábado, às 20h00, domingo, às 18h00
Venda on-line de ingressos a partir de 11 de junho, às 17h00, pelo aplicativo Credencial Sesc e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br. Venda presencial a partir de 12 de junho, às 17h00, em todas as unidades do Sesc São Paulo. R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (credencial plena). Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 75 minutos. Teatro Raul Cortez - 2º andar. Sesc 14 Bis - R. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

.: "Chico Buarque: PARATODOS" no Sesc Santos, confira a programação completa


Foto: Chico Buarque_CorreioDaManhã_ArquivoNacional

 Imagens para imprensa Em comemoração aos 80 anos de vida do cantor e compositor Chico Buarque o Sesc Santos apresenta entre os dias 4 e 30 de junho o projeto "Chico Buarque: PARATODOS", uma programação inspirada na vida e obra do artista, com exibições de filmes, bate-papos, apresentações musicais e espetáculos.

Chico Buarque é um artista incontornável na cultura brasileira. Cantor, compositor, escritor, dramaturgo e jogador amador de futebol, Francisco Buarque de Holanda retrata e impacta o Brasil há mais de seis décadas. Nascido em 1944 em uma família de influentes intelectuais brasileiros, com “pai paulista, meu avô pernambucano, meu bisavô mineiro e meu tataravô baiano", Chico completa 80 anos de idade em 19 de junho de 2024.

Chico iniciou sua carreira musical na década de 1960, em um período de intensa agitação política devido ao início da ditadura civil-militar, que dominou o país por 21 anos. Além de sua musicalidade, suas canções são reconhecidas pela crítica social e política, assim como pela escrita singular, repleta de imagens poéticas marcantes. Seja abordando críticas políticas contundentes ou explorando os dramas de um eu lírico feminino lidando com relacionamentos fracassados, suas músicas abordam temas como amor, saudade, solidão e toda a gama das complexidades humanas.

A carreira musical desse ícone da MPB será relembrada em uma série de shows com nomes da Baixada Santista como Didi Gomes cantando as canções clássicas do compositor, o Grupo Torto da Antiga com Julinho Bittencourt, Roberto Biela, Paulinho Ribeiro e Michel Pereira fazendo um apanhado de toda produção do artista, a Roda de Samba do Ouro Verde, Monna e Conrado Pouza realizando uma roda de samba para cantar Chico e, as atrizes/cantoras Virgínia Rosa, Tânia Alves e Lucinha Lins revisitando o universo feminino a partir das canções de Chico Buarque.

Já a sua faceta literária será debatida semanalmente na série Poesia e Prosa de Chico Buarque: Interfaces. Diálogos abertos sobre as obras literárias e canções do compositor se cruzam a partir da leitura mediada de trechos dos seus livros propondo uma discussão com especialistas de múltiplas competências, do teatro, jornalismo e psicologia, que, junto ao mediador Manoel Herzog, instigam o público a uma participação reflexiva. E as adaptações dessas obras - "Estorvo", "Budapeste", "Saltimbancos - Os Trapalhões" e "O Abismo Prateado" - para o cinema também ganham destaque na Mostra Chico Buarque, com exibições gratuitas. 

 Ainda tem Chico para crianças com o espetáculo Saltimbancos, cantado e interpretado pela Banda Estralo e, a intervenção Você tem medo de que? com a Cia do Liquidificador, inspirado no livro Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, onde um contador de histórias e um ilustrador conversam com o público para contar, desenhar e transformar seus medos.

Conectando arte e política, em uma vasta obra em diferentes linguagens artísticas, Chico Buarque foi e continua sendo uma inspiração para a construção de um país menos bruto. E em comemoração aos 80 anos de vida desse artista único e como uma singela homenagem, o Sesc Santos convida à programação "Chico Buarque: PARATODOS". As apresentações gratuitas têm retirada de ingressos uma hora antes - e os espetáculos pagos abrem venda ao longo do mês. 


Serviço
"Chico Buarque: PARATODOS"
De 4 a 30 de junho
Sesc Santos
Programação completa em sescsp.org.br/projetos/chico-buarque-paratodos/ 


Cinema
Mostra Chico Buarque, com exibições dos filmes:

"Estorvo"
Dir: Ruy Guerra. 2000. 1h35
Depois de uma noite mal dormida, um homem acorda com a campainha da porta tocando insistentemente. Pelo olho mágico vê um desconhecido, que lhe lembra alguém que não consegue identificar. Não sabe o porquê daquele homem estar ali nem quem ele é, mas tem uma certeza imediata: ele representa uma ameaça sua vida.
Dia 4 de junho. Terça, 19h30 às 21h30
Auditório
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
18 anos 

 
"Budapeste"
Dir: Walter Carvalho. 2009. 1h53
José Costa é um bem-sucedido ghost writer. Ao retornar do Congresso de Escritores, em Istambul, uma ameaça de bomba faz com que seu voo aterrisse em Budapeste, na Hungria. Ao chegar, se apaixona pelo idioma local. Já de volta ao Rio ele reencontra Vanda, sua esposa, e o filho. Entretanto sua vida torna-se cada vez mais infeliz, o que faz com que comece a murmurar em húngaro enquanto dorme.
Dia 11 de junho. Terça, 19h30 às 21h30
Auditório
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
16 anos 
 

"Saltimbancos - Os Trapalhões"
Dir: J.B. Tanko.1981. 1h35
Funcionários humildes, quatro amigos se tornam a grande atração do circo Bartolo, graças à sua incrível capacidade de fazer o público rir. Mas o sucesso lhes tem um preço: a oposição do mágico Assis Satã e a ganância do Barão, o dono do circo.
Dia 15 de junho. Sábado, 14h30 às 16h
Auditório
Grátis -- Retirada de ingressos uma hora antes.
Livre. 
 

"O Abismo Prateado"
Dir: Karim Aïnouz. 2013. 1h53
Violeta é uma dentista casada e com um filho, que tem um dia normal de trabalho. Ao ouvir uma mensagem deixada na secretária do celular ela entra em desespero.
Dia 26 de junho. Quarta, 19h30 às 21h30
Auditório
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
14 anos 

Literatura
"Poesia e Prosa de Chico Buarque: interfaces"
  
Diálogos abertos sobre obras literárias de Chico Buarque e suas interfaces com a obra musical do artista, a partir da relação de quatro livros e quatro canções. Todos os encontros são mediados por Manoel Herzog, Santos, 1964, poeta e romancista, é autor de 13 livros, dos quais destacam-se "Companhia Brasileira de Alquimia", romance, 2013 pela editora Patuá, "A Comédia de Alissia Bloom", poesia, 2014, terceiro lugar no prêmio Jabuti, e "A Jaca do Cemitério É Mais Doce", romance, Cia das Letras, segundo lugar no concurso da Biblioteca Nacional, e o recente "A Língua Submersa". Criado na cidade de Cubatão, onde trabalhou na indústria química e exerceu a advocacia, vive em Santos.
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Bate-papos:
"Essa Gente/Caravanas"
Neste primeiro encontro, o livro "Essa Gente" e a canção "Caravanas", com participação de Arlindo Cândido Pereira Filho, psicólogo.
Dia 6 de junho. Quinta, 19h00 às 21h00.
Mezanino.
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
Não recomendado para menores de 14 anos - Autoclassificação  


"Leite Derramado/O Velho Francisco"
No segundo encontro, o livro "Leite Derramado" e a canção "O Velho Francisco", com participação de Carlos Careqa, ator e cantor.
Dia 13 de junho. Quinta, 19h00 às 21h00.
Mezanino
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
Não recomendado para menores de 14 anos - Autoclassificação 

 "Budapeste/Sonhos Sonhos São"
Neste terceiro encontro, o livro "Budapeste" e a canção "Sonhos Sonhos São", com participação de Marise Hansen, mestre e doutora em Literatura Brasileira.
Dia 20 de junho. Quinta, 19h00 às 21h00.
Mezanino
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
Não recomendado para menores de 14 anos - Autoclassificação 

 
"Anos de Chumbo/Sinhá"
O último encontro da série traz o livro "Anos de Chumbo" e a canção "Sinhá", com participação de Hernán Siculer, psicólogo.
Dia 27 de junho. Quinta, 19h00 às 21h00.
Mezanino
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
Não recomendado para menores de 14 anos - Autoclassificação 

 

Música
Shows: 
"Chico Buarque 80 Anos", com Grupo Torto da Antiga 
Julinho Bittencourt; Roberto Biela; Paulinho Ribeiro e Michel Pereira
Um apanhado da obra musical do cantor e compositor Chico Buarque, que completa 80 anos em 2024, apresenta desde as suas primeiras composições, como "A Banda", "A Rita", "Pedro Pedreiro", "Olê Olá", passando pela fase mais politizada, com "Tanto Mar", "Apesar de Você" entre outras. No repertório entra também as canções feitas para teatro, como "Gota D'água", "Beatriz" e "Roda Viva", as canções de amor, como "Trocando em Miúdos", "Olhos nos Olhos" e as feitas tanto no feminino quanto sobre a questão da mulher, como "Com Açúcar, com Afeto", "Mulheres de Atenas".

Ficha técnica
Julinho Bittencourt: Voz e Violão
Roberto Biela: Voz e Percussão
Paulinho Ribeiro: Voz e Violão de 7 Cordas
Michel Pereira: Percussão
Dia 12 de junho. Quarta-feira, 20h00  
Auditório
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
Livre: autoclassificação 

"Audição comentada Chico Buarque"  
Com Julinho Bittencourt
No formato palestra/audição, o músico, jornalista e crítico de música Julinho Bittencourt, comenta a obra musical de Chico Buarque, dividida em quatro tópicos: O lirismo moderno travestido de tradição; a política na obra do autor; a poesia da letra; a mulher na obra de Chico.
Dia 14 de junho. Sexta, 19h 
Mezanino
Grátis - Retirada de ingressos uma hora antes.
14 anos 

 
"Didi Gomes Canta Chico Buarque" 
A cantora Didi Gomes preparou um espetáculo especial em homenagem aos 80 anos de Chico Buarque, onde apresenta uma seleção de clássicos do compositor. Com sua voz envolvente, Didi promete uma noite de celebração e nostalgia, abrangendo desde os sucessos mais conhecidos até pérolas menos exploradas da discografia de Chico. O show, uma jornada emocionante pelas letras poéticas e melodias que marcaram a história da música brasileira. Acompanhada de músicos renomados na região, Didi e a banda garantem uma experiência singular aos espectadores.
Dia 19 de junho. Quarta, 20h
Auditório
Grátis - retirada de ingressos uma hora antes.
Livre: autoclassificação 

 
Virgínia Rosa, Tânia Alves e Lucinha Lins apresentam "Palavra de Mulher"
Num espetáculo que encanta, faz rir e faz chorar, Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa emprestam corpo e voz a tantas outras mulheres para, num clima de cabaré, cantar amores, dores de amores, esperança, solidão, encontros, desencontros, sedução, felicidade, força, abandono, liberdade, sonhos e conquistas. Acompanhadas pelo maestro e pianista Ogair Júnior (também diretor musical e arranjador), Ramon Montagner (bateria e percussão) e Robertinho Carvalho (contrabaixo) essas três talentosas cantoras/atrizes trazem um repertório que inclui músicas como "À Flor da Pele", "Teresinha", "Meu Namorado", "Palavra de Mulher", "Bem-Querer", "O Meu Amor", "Folhetim", "Atrás da Porta", "Tango de Nancy", "Tatuagem", entre outras.

Ficha técnica
Concepção e direção-geral: Fernando Cardoso
Direção musical: Ogair Júnior
Músicos: Ogair Júnior ou João Cristal piano e acordeão
Contrabaixo: Robertinho Carvalho
Bateria e percussão: Ramon Montagner
Dia 29 de junho. Sábado, 20h
Teatro
Ingresso - R$50,00 / R$25,00 / R$15,00
Não recomendado para menores de 12 anos - Autoclassificação  


"Sambas de Chico"
Com Roda de Samba do Ouro Verde e participação de Monna e Conrado Pouza
A Roda de Samba do Ouro Verde, a mais tradicional da cidade de Santos, se apresenta há mais de 38 anos e relembra em suas apresentações grandes nomes do samba de raiz como: Cartola, Noel Rosa, Carlos Cachaça, Pixinguinha, Ataulfo Alves, Nelson Sargento, Ari Barroso, Wilson Batista, Elton Medeiros entre outros. Dessa vez presta uma homenagem aos 80 anos do cantor e compositor Chico Buarque, em um show inédito com a participação especial de Conrado Pouza e Monna, dois artistas da região que se identificam com o repertório do homenageado.

Ficha técnica
Fabio Rodrigues Gonçalves (Fabinho) - Rebolo
Flavio Ruas - Voz
Luís Carlos Alonso (Pio) - Voz
Luiz Alves Fernandes (Zinho) - Violão e Voz
Michel Pereira - Surdo e Tamborim
Reinaldo Ruas - Pandeiro
Renê Rivaldo Ruas (Rene) - Cavaco e Voz
Roberto Antônio Cardoso (Robertinho) - Cavaco
Convidados: Conrado Pouza e Monna
Direção Musical: Luiz Alves Fernandes (Zinho do Cavaco)
Produção Artística - Michel Pereira
Assistente de Produção - Laura Ribas
Todas as idades
Dia 30 de junho. Domingo, 15h
Convivência
Grátis
Livre: autoclassificação 


Crianças
"Banda Estralo Canta Saltimbancos"
Há quatro décadas, os "Saltimbancos" envolvem crianças e adultos mundo afora. Inspirado no conto dos irmãos Grimm "Os Músicos de Bremen", o musical italiano de Sergio Bardotti e Luís Enriquez Bacalov conta a história de quatro animais que se rebelam contra seus donos, depois de uma vida inteira de maus tratos. No Brasil, a peça ganhou uma adaptação em português feita pelo músico Chico Buarque e lançada em 1977, quando o país vivia sob o regime de ditadura militar.

Ficha técnica 
Elenco/Músicos: Marcos Lucatelli: Voz/Violão (Jumento)
Luanda Eliza: Voz (Galinha)
Lilyan Teles: Voz (Gata)
Mauricio Damasceno: Voz/Guitarra (Cachorro)
Edson Barreto: Baixo (Barão)
Tato Andreatta: Teclados
Rafael Mota: Bateria
Equipe técnica:
Técnico de Som: Hélio Pisca
Técnico de Luz: Marcelo Richard
Maquiagem: Dinho Rodot
Roadie: Felipe Simões
Produtora: Leticia Galvão
Direção musical: Marcos Lucatelli
Direção cênica: Luanda Eliza
Duração: 1h00
Dia 16 de junho. Domingo, 17h30 
Teatro
Ingresso - R$30,00 / R$15,00 / R$10,00
Grátis para crianças até 12 anos
Livre 


"Você Tem Medo de Quê?" 
Intervenção inspirada no livro "Chapeuzinho Amarelo", de Chico Buarque, onde um contador de histórias e um ilustrador conversam com o público para contar, desenhar e transformar seus medos. Com Cia do Liquidificador.
Dias 22 e 23 de junho. Sábado e domingo, 14h00 às 15h00.
Biblioteca
Grátis 
Livre: autoclassificação 


Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida      
(13) 3278-9800        

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes:      

On-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo:       
às terças-feiras, a partir das 17h00
Presencialmente, nas bilheterias das unidades: 
às quartas-feiras, a partir das 17h      

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento       
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30

terça-feira, 28 de maio de 2024

.: "Macunaíma" é tema de uma exposição interativa de realidade virtual em SP


A ideia é criar uma ponte entre o passado e o presente, utilizando tecnologia para interagir com o escritor e alguns dos mitos retratados em seu clássico.

O livro "Macunaíma" é tema de uma exposição interativa em realidade virtual que acontece até 4 de agosto na Casa Mário de Andrade em São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e gerenciada pela Poiesis. A ideia é criar uma ponte entre o passado e o presente, utilizando tecnologia para interagir com o escritor e alguns dos mitos retratados em seu clássico de maneira envolvente para a geração do século XXI. A entrada é franca e a mostra acontece de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

Assinado por Mário de Andrade, "Macunaíma" foi escrito em 1928 e ainda hoje é um livro de referência para compreendermos nossa diversidade cultural. A exposição “A Origem de Macunaíma” contará com três partes: uma experiência interativa em realidade virtual (VR); uma exposição sobre a expedição Koch-Grünberg de 1911, a partir da qual o autor descobriu os mitos de Macunaíma relatados por indígenas e registrados pelo etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg; e por fim poderá realizar uma visita virtual ao Monte Roraima, considerado sagrado pelos povos indígenas que vivem ao seu redor. 

A mostra, que foi produzida pelo Studio KwO, é composta por três estações de realidade virtual de última geração, com sessões individuais a cada 15 minutos e agendadas gratuitamente no site da Casa Mário de Andrade. Ao colocarem os óculos, os visitantes serão transportados para um encontro virtual com Mário de Andrade em seu escritório, e em seguida levados a uma visita ao Monte Roraima e seus mitos. Dentro da experiência o público poderá interagir com objetos e até conversar com um pajé em volta de uma fogueira, ouvindo as antigas histórias de seu povo. A experiência VR é aberta a todos acima de 12 anos. Segundo Francisco Almendra, curador da exposição e diretor do Studio KwO, a ideia da exposição surgiu em 2021, quando o mundo se encontrava ainda imerso na pandemia. 

“A proposta surgiu do desejo de viajar a algum lugar distante por conta do confinamento forçado, e voltei a sonhar com um desejo antigo e enigmático: o Monte Roraima – ou Rorõ-imã, que nas línguas indígenas Pemon significa “o grande verde-azulado” – uma muralha de pedra envolta em nuvens erguendo-se centenas de metros verticalmente ao redor das selvas e campos da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana”, explica Almendra. 

Localizado no coração da Amazônia, o Monte Roraima é um verdadeiro “Monte Olimpo” latinoamericano, pois segundo a tradição local, em seu cume compartilhado por três países vive o deus-herói complexo e ambivalente Makunaimã, nada menos que a entidade indígena que inspirou Mário de Andrade a escrever seu clássico modernista, Macunaíma. “Fiquei surpreso ao descobrir a ligação entre o Monte Roraima e Macunaíma, e a partir daí nasceu o desejo de criar uma narrativa imersiva, revelando os mitos indígenas da região para o público, e democratizando o acesso aos segredos dessa montanha icônica”, diz. Compre o livro "Macunaíma", de Mário de Andrade, neste link.


Experiência multifacetada
Para criar a experiência imersiva, a equipe técnica do Studio passou duas semanas no topo do Monte Roraima digitalizando seu relevo e flora em 3D. Além da realidade virtual, a mostra também trará imagens panorâmicas em grande formato realizadas durante a expedição, e um tour virtual do Monte Roraima. Um grande mapa cenográfico trará portais digitais para os pontos mais icônicos desta incrível montanha, acessíveis em 360° através de realidade aumentada com os celulares dos próprios visitantes. Será possível até tirar selfies no alto do Monte Roraima e compartilhar diretamente no Instagram. Não será necessário agendamento prévio, e a classificação é livre. 

O projeto foi viabilizado com apoio parcial através do edital de realidade virtual do PROAC-SP em 2021 para a criação da experiência imersiva, e o apoio da Casa Mário de Andrade, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, para a montagem da exposição. Em parceria com a Universidade de Marburg e o Museu Etnográfico de Berlim, a exposição trará reproduções dos mapas, diários, fotos, filmes e gravações fonográficas originais realizadas em 1911 pela expedição Koch-Grünberg, oferecendo uma visão detalhada da vida e mitologia dos povos que guardavam os mitos originais de Makunaimã. Anciãos e lideranças indígenas das comunidades Pemon de Paraitepuy e Kumarakapay também tiveram um papel importante ao trazer as versões atuais dos mitos, complementando os antigos registros feitos há mais de um século. Garanta o seu exemplar de "Macunaíma", escrito por Mário de Andrade, neste link.

Sobre a Casa Mário de Andrade
A exposição faz parte da programação de reabertura da Casa Mário de Andrade, um dos museus mais emblemáticos da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciado pela Poiesis. A Casa Mário de Andrade funciona no endereço da antiga casa do escritor Mário de Andrade, um dos principais mentores do modernismo brasileiro e da Semana de Arte Moderna de 1922. O Museu abriga uma exposição permanente, que é aberta à visitação, com objetos pessoais do modernista, além de documentos de imagem e áudio relacionados à sua trajetória. A instituição também realiza uma intensa programação de atividades culturais e educativas.

Serviço
Exposição "A Origem de Macunaíma"
Data: até 4 de agosto de 2024
Local: Casa Mário de Andrade – Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda – São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: livre
Experiência em realidade virtual: somente com agendamento pelo site: www.origemdemacunaima.com.br. Classificação 12 anos.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

.: Tércia Montenegro: "Cada personagem se aproxima e se distancia de seu autor"


"Cada personagem se aproxima e se distancia de seu autor", afirma Tércia Montenegro em entrevista para o Resenhando.com. Foto: Igor de Melo. Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 


Fotógrafa e professora da Universidade Federal do Ceará, Tércia Montenegro é um sopro de frescor na literatura brasileira. Autora de "Turismo para Cegos" "Em Plena Luz", ela acaba de lançar pela Companhia das Letras o romance "Um Prego no Espelho", , que conta a história de uma mulher que leva uma vida normal até que tem sua trajetória abalada quando pensa ver, em uma ação rotineira, o rosto do irmão falecido. Nascida em 1976, em Fortaleza, ela publicou vários livros de contos e crônicas, além de obras voltadas para o público infantil e juvenil. Nesta entrevista exclusiva, ela fala sobre literatura, processo de criação e identidade. Compre o livro "Um Prego no Espelho", de Tércia Montenegro, neste link.


Resenhando.com - O que você quis dizer com o título de seu livro?
Tércia Montenegro -
Um prego no espelho traz, desde o título, uma discussão sobre identidade. Dentro de uma narrativa familiar, como é o caso, cada pessoa se constitui com semelhanças que são reflexos de seus ancestrais.


O que é "um prego no espelho"?
Tércia Montenegro - 
O prego é esse elemento que surge como algo fixo, mas que despedaça, promove fragmentações e desvios também. Em outras palavras, a imagem do sujeito não é algo uniforme, mas sempre múltipla, no jogo de ramificações familiares.

Resenhando.com - Você acredita que os nossos antepassados têm influência na maneira que levamos a vida?
Tércia Montenegro - 
Neste livro, existe a premissa de que a vida de uma pessoa pode ser uma espécie de repetição do destino de seus antepassados, tudo de uma maneira inconsciente, é claro. "Um Prego no Espelho" trata exatamente dessa ideia de uma fissura na identidade, algo que corrompe a individualidade, cria um rasgo no sujeito. A protagonista, Thalia, decide se tornar atriz para viver várias vidas, sem saber que sua escolha acontece justamente por causa da morte de um irmão, ocorrida muito tempo atrás.

Resenhando.com - O que mais a aproxima e o que mais a diferencia de Thalia, a protagonista de seu livro?
Tércia Montenegro - 
Cada personagem se aproxima e se distancia de seu autor.  Embora Thalia seja a protagonista, ela não é a única figura importante. Claro que há pontos de semelhança entre nós, como o magistério e a incursão pelas artes, mas eu fui me surpreendendo muito enquanto escrevia Um prego no espelho. Surgiram algumas conexões, relações entre os personagens, que eu não tinha previsto inicialmente. No fundo, creio que eles se tornaram realmente uma família, e nesse aspecto chegaram a desenvolver um entendimento, uma espécie de pacto interno que eu não chegava a acessar. Em certos momentos, tive a sensação de ser uma espectadora, alguém que não podia interferir nos destinos que se desenrolavam ali, no papel. É uma experiência mágica, quando um livro ganha o próprio rumo. Talvez nesse sentido fique reforçada a ideia de que uma obra literária é quase um filho: nasce de uma pessoa, mas tem uma identidade diversa e imprevisível.

Resenhando.com - As protagonistas de seus livros sempre estão atreladas à alguma arte. Teatro, escultura, artes plásticas. Por quê?
Tércia Montenegro - 
Tenho muitas personagens ligadas às artes, porque este é um assunto que me interessa o tempo inteiro; estou sempre atenta às construções estéticas em várias linguagens. A arte me comove, fascina, inquieta; não saberia dizer sobre a importância dela para as pessoas em geral, porque só posso falar sobre mim, mas do meu ponto de vista a arte é um fator de encanto indispensável na vida.


Resenhando.com - Se pudesse relacionar seus livros a sentidos humanos, quais seriam os de "Um Prego no Espelho", "Turismo para Cegos" e "Em Plena luz"?
Tércia Montenegro - 
"Um Prego no Espelho" traz a visualidade pela cena teatral, já que a personagem Thalia é atriz. "Turismo para Cegos", a partir de uma história sobre uma artista plástica que sofre de retinose pigmentar, também é um livro que experiência o visual, assim como o táctil. "Em Plena Luz", livro sobre uma fotógrafa, mais uma vez reflete sobre as imagens. Essa é uma constante na minha literatura: penso e escrevo através das imagens; para mim, a literatura é uma arte visual.

Resenhando.com - Você se sente mais confortável como cronista, contista ou romancista? 
Tércia Montenegro - 
Cada gênero textual tem o seu apelo, dependendo do momento. Narrativas longas são propícias para momentos de retiro, quando o autor pode conviver demoradamente com seus personagens, vê-los nascer e se desenvolver. Contos já são como situações instantâneas, deflagradas  por uma ideia repentina, uma "inspiração". E crônicas são reflexões, assim como os ensaios; são maneiras de se debruçar sobre um comportamento ou um fato instigante, usando um estilo mais prosaico.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

.: Livro "O Talentoso Ripley", de Patricia Highsmith, ganha adaptação da Netflix


Publicado pela Intrínseca, o best-seller "O Talentoso Ripley", de Patricia Highsmith, uma das mais importantes autoras de thrillers psicológicos de todos os tempos, ganha uma nova adaptação audiovisual na Netflix. Baseada na obra vencedora do Grand Prix de Littérature Policière e indicada ao prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Romance, a minissérie é escrita, dirigida e produzida pelo vencedor do Oscar Steven Zaillian ("A Lista de Schindler"). Nesta nova versão, o britânico Andrew Scott, conhecido por seus trabalhos em "Fleabag" e "Sherlock", dá vida ao personagem-título, um dos sociopatas mais carismáticos da literatura mundial. A obra de 1955 foi adaptada para o cinema em 1999 em um filme de mesmo nome, indicado a cinco Oscars e estrelado por Matt Damon e Jude Law. A tradução é de José Francisco Botelho.

A história acompanha Tom Ripley, um charmoso vigarista tentando se estabelecer em Manhattan após fugir de seu lar disfuncional. Bom de lábia, exímio imitador e piadista, praticante de furtos e pequenos golpes, ele recebe a oportuna missão de ir à Itália para convencer Dickie Greenleaf, o filho de um rico industrial, a voltar para casa e assumir os negócios da família. Seduzido pelo estilo de vida refinado do playboy, Tom vê a relação de amizade entre os dois se complicar com a interferência de Marge, a típica boa menina americana, rica e apaixonada por Dickie. Ao perceber a rejeição do outrora amigo, ele dá vazão a seus desejos mais sombrios e rouba não só o dinheiro dele, mas também sua vida e sua personalidade.

Em 2021, ano do centenário de Patricia Highsmith, a Intrínseca lançou edições com projeto gráfico especial e novas traduções do livro e de sua continuação, "Ripley Subterrâneo". Admirada por expoentes da literatura brasileira como Rubem Fonseca e Caio Fernando Abreu, Highsmith tem influenciado gerações de escritores com o seu talento ao construir “heróis psicopatas”, expressão usada para tratar carinhosamente seus protagonistas. Compre o livro "O Talentoso Ripley", de Patricia Highsmith, neste link.


Sobre a autora
Nascida em Fort Worth, Texas, em 1921, Patricia Highsmith passou grande parte da vida adulta na Suíça e na França. Seu primeiro romance, Pacto sinistro, publicado em 1950, obteve grande sucesso comercial e virou filme, dirigido por Alfred Hitchcock. Autora de mais de vinte livros, é a criadora do personagem Tom Ripley, o sofisticado sociopata que estreou em "O Talentoso Ripley", de 1955, que, além de aparecer em outros quatro romances, figura em adaptações para o cinema e a televisão. Ao longo de sua carreira, Highsmith ganhou os prêmios Edgar Allan Poe, O. Henry Memorial, Le Grand Prix de Littérature Policière e o Award of the Crime Writer’s Association da Grã-Bretanha. Foto: Patricia Highsmith / Arquivo Diogenes Verlag. Garanta o seu exemplar de "O Talentoso Ripley", escrito por Patricia Highsmith, neste link.

domingo, 31 de março de 2024

.: Entrevista com a poeta piauiense Laís Romero, que explora o território "Mátria"


No livro de estreia "Mátria", lançamento da editora Paraquedas, a poeta piauiense Laís Romero mergulha em temas como corpo, ancestralidade e maternidade, explorando o feminino como um território de expressão. Dividido em três partes - "Desejo", "Mátria" e "Pathos" -, o livro é uma busca pelo lugar da mulher, especialmente da mulher nordestina, singular e marcada pela ancestralidade. 

Por meio de 50 poemas com métrica livre e estilo prosaico, Laís convida os leitores a atravessar a superfície e mergulhar no universo da "mére-mar-mãe-mátria", onde se reconectar com sua origem e encontrar a pausa da exaustão. O livro apresenta uma poesia que oferece um espelho para outras mulheres, proporcionando uma visão direta e pontual sobre suas experiências.

Laís Romero, nascida em Teresina, no Piauí, é mãe, mestra em letras pela UESPI e especialista em escrita e criação pela Unifor. Além de escritora, trabalha como revisora e editora. Sua escrita, marcada por uma urgência em resgatar a própria história, reflete conflitos internos e frustrações com a maternidade, além do apagamento histórico de sua família. Após um processo de criação que se estendeu por 15 anos, "Mátria" finalmente veio à luz em 2023, representando para Laís não apenas um livro, mas uma presença na linha do tempo da escrita sem fim. Sua trajetória acadêmica e literária, aliada ao seu constante desdobramento como mulher, mãe e escritora, evidencia uma voz singular no cenário literário contemporâneo. Confira uma entrevista com Laís, onde ela fala dos temas e das origens de seu fazer literário. Compre o livro "Mátria", de Laís Romero, neste link.


Como você começou a escrever? 
Laís Romero - 
Aos 11 anos escrevi um poema que venceu um concurso na escola. O poema virou uma atração na família, um marco. Lembro de datilografá-lo para que um tio, então professor de literatura, o levasse para uma aula de poesia.


Por que escolher o formato da poesia?
Laís Romero - 
Desde esse momento em que percebi o prazer de ser lida, e acreditei na relevância do que eu escrevia, continuei na empreitada da poesia. Também escrevo prosa, gosto bastante de contos, e submeto a palavra nesses caminhos também. Repito com frequência que a poesia é meu primeiro lar, quase de onde nasci, e me fascina a competência da imagem nos versos, o comprimido de linguagem.

Você tem algum ritual para escrever?
Laís Romero - Sou mãe, trabalho fora da escrita e estudo. Infelizmente não há salário para que possamos escrever literatura, daí uma verdadeira ausência de rituais: escrevo quando e como dá. As metas incluem não deixar de escrever e cumprir os prazos de entrega de materiais solicitados.

Como foi o processo de escrita?
Laís Romero - Esse livro é uma estreia solo que me assombrava há tempos. Assumir o espaço como escritora é algo que considero como sério, e essa ideia me força a continuar. Os poemas foram escritos ao longo de pelo menos 15 anos, e o livro como versão inicial ficou pronto em 2014. Em 2017 o artista Lysmark Lial fez a arte da capa após a leitura da obra, mas só em 2023 consegui materializar o Mátria, que inicialmente se chamava Temporário. Um título imbuído de quase nenhuma coragem. A edição da Paraquedas, através do olhar preciso da Tainã Bispo, solidificou as palavras.


Quais são as suas principais influências artísticas e literárias? 
Laís Romero - Muitas influências me amparam, entre prosa e poesia. Posso dizer que em Mátria respondo muitas mulheres que admiro na arte. Ana Cristina Cesar, Matilde Campilho, Maya Angelou, Renata Flávia, Cecília Meireles e Sophia de Mello são algumas que pontuam meus textos.

Se você pudesse resumir os temas centrais do livro, quais seriam? 
Laís Romero - Ancestralidade. Sexualidade. Maternidade. Feminismo. Brasil. Corpo. São temas que me escolheram. Nasci mulher, piauiense, não tive muita escolha aqui. Antes de desfiar outras questões menos urgentes precisei me abraçar ao que fundamentou minha caminhada. Aos 18 anos engravidei e segui com essa demanda, aos 32 tive meu segundo filho, o   que não pareceu mais fácil. A escolha desses temas veio de forma espontânea, de uma maneira mais direta, foi uma escolha através da urgência. Não sei muito mais que duas gerações antes do presente, não reconheço mais que a etnia em minha face entre a indígena e a negra, os sobrenomes se perderam nos apadrinhamentos. As mulheres foram sobrevivendo, sempre levando a família adiante. Em face dessa realidade onipresente no Brasil, declarei o território Mátria.

Você acha que o livro tem alguma mensagem a transmitir?
Laís Romero - Não penso em mensagens, mas em imagens. Uma visão de como a mulher conjuga os verbos enquanto sujeito é o que pretendo comunicar de maneira direta e pontual. O que sobra ali, enquanto palavra a ser compreendida, é a margem desse pensamento central. Passo caminhada no sexo e desejo, na maternidade e na paixão afetada, de maneira firme e puxando as imagens desimportantes do que vivo diariamente. Se for falar em mensagem, talvez ela esteja aí nesse parágrafo, mas não nos poemas, neles estão imagens.

O livro te transformou de alguma forma? 
Laís Romero - Esse livro representa um peso que me livrei. Tento falar de forma honesta, por isso as palavras de desapego ao que escrevi. Em outros momentos esse livro representa meu cansaço descomunal enquanto mulher, num desassossego (essa maravilhosa palavra cheia de esses). Por dentro consegui me sentir escritora, poeta, pois passei a existir no mundo. Essa obra é uma presença, não meço a dimensão, mas sinto como presença na linha do tempo da escritura sem fim.

O que vem por aí? 
Laís Romero - Estou trabalhando em um romance e tenho um livro de contos pronto, mas ainda nas leituras iniciais para que se firme o livro. O livro de contos une personagens vivendo e morrendo pelo amor desastroso, figuras que fui colecionando e percebi o fio condutor do amor e da morte como nota em comum. Tenho uma reunião de poesias  no prelo, intitulada "Exames aleatórios de imagem", escritos que se ancoram no agora, angústias e notícias transformadas em poesia. Uma maneira de aguentar a realidade.

Garanta o seu exemplar de "Mátria", escrito por Laís Romero, neste link.

domingo, 10 de março de 2024

.: Grupo Folias estreia "Coisas Estranhas que o Mar Traz", inspirado em romance


O Grupo Folias busca no Teatro de animação toda expressividade para contar "Coisas Estranhas que o Mar Traz", livremente inspirado do romance "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe. Com direção e dramaturgia de Cleber Laguna e Marcia Fernandes, espetáculo estreia na sede do grupo no dia 22 de março. Foto: Mariana Chama


O espetáculo "Coisas Estranhas que o Mar Traz", novo trabalho do Grupo Folias, é livremente inspirado no romance “O Filho de Mil Homens”, do autor português Valter Hugo Mãe. Estreia no dia 22 de março na sede do grupo, onde segue em cartaz até 13 de maio, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h00, e aos domingos e às segundas, às 19h00. A peça tem direção e dramaturgia de Cleber Laguna e Marcia Fernandes e traz no elenco Alex Rocha, Clarissa Moser, Lui Seixas, Marcella Vicentini e Marcellus Beghelle.

A trama se passa em um vilarejo à beira-mar, onde essas figuras solitárias têm suas histórias e sonhos cruzados. Como barcos à deriva, eles se aproximam, se reconhecem e reinventam um caminho em comum. Pequenas vidas marcadas por singelas tristezas e uma silenciosa esperança iluminam esta fábula sobre as diferenças e a mágica existência cotidiana. Trata-se de uma poesia visual e sonora sobre os vazios das pessoas e as possibilidades de felicidade ao simplesmente ser quem se é.

O grupo busca na expressividade do Teatro de Animação uma maneira de contar essa história, fazendo uso de máscaras, bonecos e Teatro de Sombras. A escolha por essa linguagem decorre do encantamento que ela evoca, traduzindo inquietações artísticas, existenciais e conceituais de seus fazedores, que a consideram mais do que simplesmente uma forma de criar o espetáculo, mas sim uma maneira de interpretar a realidade, transgredindo o mero funcionalismo dos objetos.

“A presença cênica de objetos, bonecos e máscaras é capaz de provocar um efeito impactante, como um choque, uma estranheza ou ao menos uma sacudidela, despertando algo ‘profundamente adormecido’ na psique do espectador, proporcionando uma experiência simbólica e ritualística muitas vezes esquecida nos dias de hoje”, revela o coautor e codiretor Cleber Laguna.

O livro "O Filho de Mil Homens" aposta no cuidado minucioso das relações, apresentando uma pluralidade de figuras humanas e universos, com personagens solitárias que acabam se encontrando e buscando formas de construir pequenas coletividades, reconhecendo-se nas diferenças e encontrando maneiras de se relacionar e conviver com elas.

“Assim como quem acompanha de perto uma semente brotando no asfalto, observamos com uma lupa essa pequena comunidade, essa vila de pescadores. Ao olhar a organização desse microcosmo comunitário, composto por pessoas tão diversas entre si, percebemos que ele é, ao mesmo tempo, algoz e salvação”, acrescenta a coautora e codiretora Marcia Fernandes. "Coisas Estranhas que o Mar Traz" foi contemplado pela 40ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Compre o livro "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Coisas Estranhas que o Mar Traz".
Dramaturgia e Direção: Cleber Laguna e Marcia Fernandes
Atuação e Animação: Alex Rocha, Clarissa Moser, Lui Seixas, Marcella Vicentini e Marcellus Beghelle
Assistência de Animação: Juliana Notari e Matias Ivan Arce
Bonecos: Juliana Notari
Máscaras: Juliana Notari e Cleber Laguna
Figuras para Sombras: Matias Ivan Arce
Iluminação Cênica e Atuação: Diego França
Sonoplastia e Atuação: Jô Coutinho   
Cenografia e Figurinos: Maria Zuquim
Assistência de cenografia e figurino: Murilo Yasmin Soares
Serralheria: Joseane Natali Domingos e Fábio Luiz Souza Gomes
Costureira figurinos: Rita de Cássia Martins
Costureira cenário: Mônica Cristina Rocha
Arte Gráfica: Renan Marcondes
Fotos: Mariana Chama
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Diarista: Fabiana Rodrigues
Direção de Produção: Tetembua Dandara
Assistente de Produção: Tati Mayumi
Realização: Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e Grupo Folias
Apoio: Cooperativa Paulista de Teatro

Serviço
Espetáculo "Coisas Estranhas que o Mar Traz"
Temporada: 22 de março a 13 de maio
Às sextas-feiras e aos sábados, às 20h00; e aos domingos e segundas-feiras, às 19h00
Galpão do Folias – Rua Ana Cintra, 213, Santa Cecília
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 10,00 (sócio morador)
Capacidade: 40 lugares
Duração: 60 minutos

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

.: "Grafias de Vida", de Silviano Santiago, defende escrita selvagem e libertária


Referência incontornável no campo dos estudos literários, Silviano Santiago possui produção extensa, entre romances, contos e ensaios. O premiado autor e influente crítico foi pioneiro ao propor uma abordagem histórica de nossa literatura que mobilizasse ideias das teorias pós-coloniais. "Grafias de Vida - A Morte" dá nova prova da criatividade e perspicácia discursiva de Santiago, em um estilo que lhe é próprio. 

Nos ensaios reunidos no livro, encontramos, entre outros temas, a crítica ao cânone único e ocidentalizante, a defesa de uma escrita selvagem e libertária, a problematização da domesticação, conceito caro ao autor, além de reflexões sobre o espaço e tempo do fazer artístico. Nas palavras do escritor, "são grafias desequilibradas de vida, que propõem a busca de equilíbrio entre o sentimento de mundo e o sentimento da vida, entre a mesa posta e a cadeira onde se toma assento, entre o corpo na casa e o pé no mundo, entre o alimento e a fome, entre o tronco de buriti do sertão e a ridícula cadeirinha ouro-pretana". Compre o livro "Grafias de Vida - A Morte", de Silviano Santiago, neste link.


Sobre o autor
Silviano Santiago nasceu em Formiga (MG), em 1936. Sua vasta obra inclui romances, contos, ensaios literários e culturais. Doutor em letras pela Sorbonne, Silviano começou a carreira lecionando nas melhores universidades norte-americanas. Transferiu-se posteriormente para a PUC-Rio e é, hoje, professor emérito da UFF. Foi cinco vezes premiado com o Jabuti. Pelo conjunto da produção literária, ganhou o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras e o José Donoso, do Chile. Recebeu do governo francês a distinção de Officier dans l'Ordre des Arts et Lettres e Chevalier dans l'Ordre des Palmes Académiques. Ganhou o prêmio Camões de 2022. Seus livros estão traduzidos em várias línguas. Silviano vive hoje no Rio de Janeiro. Garanta o seu exemplar de "Grafias de Vida - A Morte", escrito por Silviano Santiago, neste link.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

.: Romance "Angústia" começa a Coleção Graciliano Ramos lançada pela Todavia


A editora Todavia começa o mês de janeiro dando partida à publicação da Coleção Graciliano Ramos, um dos autores incontornáveis da nossa literatura. Originalmente publicado em 1936, "Angústia" é o primeiro título. Com organização, notas e apresentação de Thiago Mio Salla (USP), um dos principais especialistas contemporâneos na obra do autor alagoano, a coleção contará ainda com os famosos rodapés de jornal, nunca publicados em livro, que Antonio Candido escreveu sobre os romances.

Algumas das principais obras do grande escritor alagoano Graciliano Ramos, cuja produção acaba de entrar em domínio público. A coleção trará ainda uma seção que mostra as diferenças existentes entre as edições publicadas em vida pelo autor. Dessa forma, o leitor poderá acompanhar de perto o processo criativo de Graciliano Ramos, um dos escritores brasileiros que melhor condensa a noção de esmero textual.

Para o começo de 2025, estão previstos mais dois títulos, que serão divulgados em breve e que seguirão os mesmos critérios. Assim como as coleções Antonio Candido e "Todos os Livros de Machado de Assis", a Coleção Graciliano Ramos conta com um trabalho editorial de envergadura, revisitando a tradição de cada uma das obras em busca de restabelecer a última vontade do autor. Compre o livro "Angústia", de Graciliano Ramos, neste link.


Sinopse de "Angústia"
Estirado numa espreguiçadeira, saltando páginas de um romance que não presta, Luís da Silva percebe um vulto no quintal da casa ao lado. Em vez da senhora idosa que costuma regar as plantas toda manhã, quem surge é uma moça vermelhaça, de olhos azuis e cabelos amarelos: Marina. Essa aparição fortuita irá assaltar a vida do já não tão jovem funcionário público, e o desejo de seduzir a nova vizinha faz com que sua rotina monótona, marcada pela solidão e por um alheamento das coisas do mundo, aos poucos dê lugar a planos de futuro: o matrimônio, um lar a dois.

Em um primeiro momento, Marina cede de bom grado às investidas do pretendente e aceita a união, interessada na promessa de relativo conforto material. Quando conhece o burguês Julião Tavares, no entanto, desiste do noivado, o que encaminha Luís da Silva para um vertiginoso processo de degradação. Garanta o seu exemplar de "Angústia", escrito por Graciliano Ramos, neste link.

Diferenciais da coleção organizada por Thiago Mio Salla
Ao reunir obras pouco conhecidas, de um lado, e, de outro, fixar textos dos livros clássicos, restabelecendo a versão mais aproximada da última intenção autoral, a coleção destaca a riqueza - e novos ângulos - da trajetória do escritor alagoano. Confira alguns diferenciais presentes em "Angústia".

1. Introdução crítica e apresentação dos critérios adotados na nova edição.
2. Restituição inédita do texto, restabelecendo a forma mais aproximada da última vontade do autor;
3. Posfácio de Antonio Candido com o texto "Notas de crítica literária: III", de 1945, em versão nunca antes publicada em livro.
4. Notas contendo: explicação de termos e contextualização de dados históricos e espaciais; as relações entre Angústia e a obra do autor; variantes que revelam os estágios de composição do romance.
5. Seção “Intertexto” com os personagens de Angústia que depois ganhariam espaço em outros livros de Graciliano Ramos.

Sobre o autor
Graciliano Ramos de Oliveira
nasceu em 1892, no município de Quebrangulo, Alagoas. Considerado um dos maiores escritores da literatura nacional, é autor de clássicos como este "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938) e "Memórias do Cárcere" (1953). Antes de se dedicar prioritariamente à literatura, atuou como jornalista, comerciante, educador e político. Suas primeiras publicações se resumiam a poemas e crônicas em jornais e revistas, para os quais escrevia com pseudônimos.


Sobre o organizador
Thiago Mio Salla
é doutor em Ciências da Comunicação e em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Docente e pesquisador da Escola de Comunicações e Artes da USP e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da FFLCH/USP. Atualmente coordena e desenvolve projetos no Fundo Graciliano Ramos (IEB/USP).

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

.: Bethânia Pires Amaro: "A literatura feita por mulheres sempre foi fecunda"


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com.

Bethânia Pires Amaro é uma mulher cosmopolita. Pernambucana de nascimento, baiana de criação, ela mora atualmente em São Paulo. Apaixonada por literatura, tem diversos contos premiados em concursos nacionais.mas a grande chance veio ao vencer o Prêmio Sesc de Literatura na categoria Conto. Com o livro "O Ninho", lançado pela editora Record, ela mergulha em um mosaico de imperfeições e doenças familiares para jogar realidade nas idealizações que pairam sobre as relações familiares, sobretudo quando se trata de maternidade. 

O livro oferece 15 contos que acompanham personagens femininas enfrentando diversas adversidades e, através de suas histórias, o leitor é lembrado de que a casa, esse estranho ninho, não é tão sacra assim, nem tão segura. Vícios, suicídios, maternidades disfuncionais, abusos e violências devastadoramente reais podem ser encontrados na obra e, no entanto, a sensibilidade narrativa de Bethânia Pires Amaro ampara o leitor com belezas imperfeitas, que decorrem da tragédia cotidiana, e com a compaixão.

Graduada e pós-graduada em Direito pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo ela  Assinado por ela, o conto “O Adeus da Eletricidade”, premiado no Concurso de Contos Maximiano Campos, foi traduzido para o alemão pela editora Arara Verlag. Confira a entrevista exclusiva abaixo. Compre o livro "O Ninho", de Bethânia Pires Amaro, neste link.


Resenhando.com - Seus contos especificam a casa como lugar de segurança afetiva. Explique essa ideia.
Bethânia Pires Amaro -
Já durante a pandemia, tivemos muitos artigos e reportagens que trouxeram reflexões sobre o aumento da violência de gênero durante o isolamento social, levantando o debate sobre o quanto as mulheres podem realmente se sentir seguras dentro de casa. Para muitas mulheres, o lar não é somente um espaço de amor e aprendizado, mas também o berço de comportamentos tóxicos que elas mesmas reproduzem, geração a geração, é a fonte a partir da qual elas desenvolvem distúrbios alimentares ou de imagem, inseguranças e dores diversas. Todas nós somos moldadas, ao menos em parte, pelo ambiente familiar e existe uma idealização da família enquanto instituição. Estes ideais de perfeição, se observados de perto, rapidamente se desfazem. “O Ninho” quis realçar estas tantas sombras e sutilezas dentro das dinâmicas familiares, especialmente entre mulheres.


Resenhando.com - Como é ser a vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2023 na categoria Conto?
Bethânia Pires Amaro - 
Ter vencido o Prêmio Sesc representou para mim um grande reconhecimento do meu trabalho, pelo qual sou muito grata. É um prêmio muito especial para o autor estreante, porque nos oferece, junto à publicação do livro, um circuito de divulgação que é extremamente importante para que possamos alcançar mais leitores Brasil afora. Na minha formação enquanto leitora, o Prêmio Sesc sempre exerceu um papel relevante, na medida em que pude conhecer diversas obras e autores através da divulgação de edições passadas, e eu sinto que tenho uma dívida imensa com esta literatura brasileira contemporânea, que me inspirou e me acompanhou por diversos momentos de vida. 


Resenhando.com - Sérgio Rodrigues afirmou que você é uma das melhores contistas da literatura brasileira. Como você recebe esse elogio?
Bethânia Pires Amaro - 
Tenho uma admiração imensa pelo Sérgio Rodrigues, tanto como autor como quanto ser humano, e a obra dele me inspirou de diversas formas. “O Drible”, em especial, é um livro de cabeceira ao qual retorno muitas vezes, tanto para estudo como por lazer, de modo que foi para mim uma grande honra tê-lo como jurado e sou extremamente grata por toda a generosidade e incentivo que recebi do Sérgio nestes últimos meses. A melhor parte do Prêmio Sesc, na verdade, tem sido a oportunidade de aproximação com outros escritores que sempre tive como referência, pois o meu livro não se fez sozinho, ele fecundou através da obra de muitos autores, ele passou por caminhos que muitas mulheres abriram antes de mim, e pelas mãos de grandes professores, profissionais e colegas até enfim ter chegado ao papel impresso. O livro jamais teria chegado à publicação sem que tantas pessoas tivessem acreditado nele ao longo de toda essa trajetória.


Resenhando.com - O papel da mulher na sociedade é algo recorrente nos textos de "O Ninho". Como você vê o papel da mulher na literatura?
Bethânia Pires Amaro - 
Penso que a literatura feita por mulheres sempre foi fecunda e felizmente tem crescido o número de publicações femininas no Brasil, embora ainda estejamos longe de um equilíbrio nesse sentido. É muito importante que as mulheres ocupem esses espaços nas livrarias e nas estantes brasileiras, para que possamos compartilhar nossas vivências e experiências da forma mais plural possível, apesar das tantas desvantagens que historicamente afastaram as mulheres do mercado literário profissional. Mais ainda, precisamos repensar o papel da mulher na literatura para afastá-la de modelos tradicionais em que sempre somos representadas como “o sexo frágil”, que tratam de questões femininas de forma estereotipada ou que reforcem qualquer tipo de misoginia. Vejo com grande alegria que cada vez mais coletivos, clubes de leitura e teses vêm focando na redescoberta de vozes femininas marginalizadas e no incentivo a novas autoras. Um belo movimento nesse sentido é o “Um Grande Dia para as Escritoras”, idealizado pela Giovana Madalosso, que conseguiu reunir mais de duas mil mulheres pelo país inteiro, em prol da literatura e da expressão artística feminina.

Resenhando.com - O que há de autobiográfico nos contos de "O Ninho"? 
Bethânia Pires Amaro - 
“O Ninho” é um livro de ficção, mas algumas histórias foram baseadas em experiências minhas, de mulheres da minha família ou ainda de mulheres com as quais convivi das mais diversas formas. A maioria, porém, consiste numa representação de temas que me comovem e me inspiram enquanto mulher. A ideia foi tornar cada uma destas histórias uma espécie de fotografia, para compartilhar meus olhares sobre aspectos das vivências femininas dentro de suas famílias que muitas vezes permanecem na sombra, sobre as quais se fala em regra muito pouco. Os contos são, assim, uma janela para a intimidade das dinâmicas familiares, especialmente entre mulheres, que convidam o leitor a se aproximar e formar suas próprias opiniões sobre as realidades retratadas ali; não há respostas prontas, mas apenas relações humanas, com todas as falhas, pontos cegos e malícias que permeiam cada um de nós. É um livro que foi pensado para exigir muito do leitor, que busca a todo o momento fazê-lo reagir e interpretar suas próprias reações.


Resenhando.com - Qual é o seu conto favorito?
Bethânia Pires Amaro - 
Seria impossível eleger um conto favorito, seja dentre os meus ou de outros autores, porque cada um conversa com tipos diferentes de sensibilidade. Mas um conto ao qual venho retornando muito nos últimos tempos é o “Depois do Jeans”, do Raymond Carver. Gosto muito da obra dele pelo tratamento da linguagem e do prosaico, de modo que o conto parece quase banal até que todos os elementos se juntam e geram um impacto muito poderoso no leitor. Neste conto, um casal de idosos sai para uma noite de bingo, mas tudo dá errado na noite deles: a esposa descobre um sangramento vaginal, a vaga e a mesa que eles sempre ocupam são tomadas por um casal mais jovem, eles não ganham nada no bingo. O desenrolar desse conto, e sua conclusão, são uma reflexão magnífica sobre o envelhecimento, sobre as pequenas torturas que a passagem do tempo impõe ao corpo de alguém, mas ao mesmo tempo o conto é muito sensível e belíssimo. Há ali um equilíbrio difícil de conseguir, entre a descrição da realidade de uma forma direta e concreta, quase crua, e a ternura que desperta no leitor sem uso de qualquer poética evidente na linguagem. É um trabalho excepcional de técnica narrativa aliado a um olhar muito humano sobre a vida, que me comove e me inspira.


Resenhando.com - O que representa a literatura em sua vida?
Bethânia Pires Amaro - 
A literatura é para mim uma forma essencial de expressão e de compartilhamento da experiência humana com outras pessoas. Sempre li muito justamente por necessitar dessa conexão, por querer estar em contato com os olhares de outros seres humanos sobre o que é estar vivo, o que é se relacionar de tantas formas com o mundo e com os outros.

Resenhando.com - Na sua própria literatura, em que você se expõe mais, e por outro lado, em que você mais se preserva, em seus textos?
Bethânia Pires Amaro - 
Todos os textos expõem muito do autor e com “O Ninho” não é diferente: cada conto traduz um recorte na forma pela qual eu enxergo determinada situação ou conflito. A narrativa realça alguns pontos e deixa outros na sombra, à espera de que o leitor os descubra e construa suas próprias reações. Por isso, embora o livro busque destacar a experiência feminina em contextos familiares, as questões postas ali são universais, conversam com qualquer ser humano que se veja exposto àquelas realidades, que se mostre aberto a ingressar na vivência dessas mulheres e conhecer conflitos sobre os quais nem sempre falamos às claras.   

Resenhando.com - Que conselhos você dá para as pessoas que pretendem enveredar pelos caminhos da escrita?
Bethânia Pires Amaro - 
Penso que cada escritor precisará descobrir seu próprio caminho, no sentido de decidir o que funciona melhor para si, porque na escrita não há fórmulas ou estradas universais. Na minha experiência, ajuda muito ter uma ampla bagagem de leitura, dos clássicos e contemporâneos, e especialmente da literatura nacional, porque assim o escritor pode ter uma boa noção do que se vem fazendo tecnicamente em termos literários e se abre a temáticas com as quais pode não ter tanta familiaridade, expandindo seu repertório. Inserir-se também numa comunidade de escritores, para trocar ideias e textos, e principalmente para receber uma análise crítica do que escrevemos, para mim foi também fundamental. Quando escrevemos, nem sempre temos o distanciamento necessário do texto para garantir que estamos passando ao leitor aquilo que queremos, de modo que um retorno honesto de leitores do manuscrito é muito valioso.


Resenhando.com - Quais livros foram fundamentais para a sua formação enquanto escritora e leitora?
Bethânia Pires Amaro - 
Seria impossível listar todos os livros e autores que considero importantes para minha formação ou eleger um favorito, mas na escrita de “O Ninho” tive como principais referências grandes mulheres e contistas como Lucia Berlin, Alice Munro, Maria Fernanda Ampuero, Giovana Madalosso, Jarid Arraes e Cíntia Moscovich.


Resenhando.com - Como e quando começou a escrever?
Bethânia Pires Amaro - 
Escrevo desde muito pequena e, durante a universidade, incentivada por uma amiga, comecei a participar de concursos de contos, tendo integrado diversas antologias nesse período, quando comecei a conhecer melhor a produção de contistas brasileiros contemporâneos. Após a pandemia, decidi me dedicar mais aos aspectos técnicos de minha escrita literária e frequentei o Curso Livre de Preparação de Escritores - Clipe da Casa das Rosas de São Paulo e a Oficina de Criação Literária da PUC/RS, com o Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, além de outras oficinas e cursos.


Resenhando.com - É possível viver de literatura no Brasil?
Bethânia Pires Amaro - 
Uma vez que estou ingressando agora no mercado literário, precisaria de mais algum tempo para poder opinar com maiores fundamentos sobre esta pergunta. Parece-me, por uma impressão inicial, que viver de literatura no Brasil apresenta seus desafios e que é essencial um apoio mais sólido das políticas públicas para que o mercado leitor brasileiro consiga atingir seu pleno potencial.  


Resenhando.com - O quanto para você escrever é disciplina?
Bethânia Pires Amaro - 
Penso que disciplina contribui no exercício de qualquer atividade, inclusive para a escrita, embora cada autor deva respeitar seu próprio tempo interno e suas próprias inclinações. Eu, por exemplo, não escrevo todos os dias, nem estabeleço uma carga horária predeterminada ou número mínimo de caracteres, mas tento diariamente estar em contato com livros e outras formas de expressão artística que conversem com o meu texto, de modo a me colocar sempre num estado próximo ao da inspiração. Alimentar a inspiração por um esforço consciente, ao meu ver, é parte da transpiração necessária para escrever um livro, já que este tipo de projeto normalmente leva anos para ser concluído. Além disso, uma vez escrita a primeira versão de um texto, é necessário reescrevê-lo ainda algumas vezes, revisá-lo, passá-lo por alguns leitores, além de tantas outras etapas para que se chegue à versão final. “O Ninho” foi escrito e reescrito ao longo de dois anos e foi fruto de muitos estudos sobre a narrativa, de modo a construir um texto o mais intencional possível, então a ideia de um livro escrito num rompante de inspiração é realmente muito distante da minha experiência pessoal.


Resenhando.com - Você tem um ritual para escrever?
Bethânia Pires Amaro - 
Normalmente não tenho nenhum tipo de ritual, mas, quando estou no meio de um projeto, costumo desenhar a estrutura do livro e ter algumas metas compatíveis com minha rotina e carga de trabalho, em regra medidas em semanas ou meses ao invés de dias. Sou uma escritora que prefere escrever sem muitas amarras e definitivamente sem pressa, maturando as ideias que quero expressar no texto. Ao mesmo tempo, tento sempre me envolver em atividades que se relacionem ao projeto, seja ouvindo determinadas músicas, lendo determinadas obras, frequentando determinados espaços, de modo a me manter conectada com a história.


Resenhando.com - Em um processo de criação, o silêncio e isolamento são primordiais para produzir conteúdo ou o barulho não o atrapalha?
Bethânia Pires Amaro - 
Para mim, o silêncio e isolamento são essenciais. Costumo escrever à noite, em casa, num horário em que já encerrei as outras demandas do dia, para que nada me distraia do texto.


Resenhando.com - Como começar a ler Bethânia Pires Amaro?
Bethânia Pires Amaro - 
“O Ninho” foi planejado com um sequenciamento que tornasse a leitura do livro mais prazerosa e frutífera para o leitor, gerando uma determinada experiência sensorial. Ainda assim, os contos podem ser lidos separadamente, se for da preferência de quem lê.


Resenhando.com - Por qual de seus livros - ou personagem - você sente mais carinho?
Bethânia Pires Amaro - 
Tenho especial carinho pela narradora do conto “Espiral”, um conto que tenta mostrar o quanto distúrbios alimentares muitas vezes passam despercebidos pela família, sendo comumente passados de mãe para filha numa cadeia silenciosa de comportamentos nocivos à saúde da mulher. Os distúrbios alimentares, associados a distúrbios de imagem, são frequentes inclusive entre mulheres que não se imagina que teriam questões deste tipo, apresentam por vezes difícil diagnóstico e são sorrateiros, crescendo em crianças e adolescentes com poucos sinais externos, sem que ninguém ao redor desconfie.


Resenhando.com - Hoje, quem é Bethânia Pires Amaro por ela mesma?
Bethânia Pires Amaro - 
Sou uma autora brasileira que se vê inserida num coletivo de mulheres que vêm tentando abrir espaço na literatura nacional contemporânea para compartilhar nossas vivências e experiências, na esteira de muitas autoras que vieram antes de nós. Penso que caminhamos juntas e nos fortalecemos sempre que incentivamos e divulgamos os trabalhos umas das outras. Leiam mulheres!

Garanta o seu exemplar de "O Ninho", escrito por Bethânia Pires Amaro, neste link.

domingo, 31 de dezembro de 2023

.: "Nebulosas", de Narcisa Amália, livro cobrado pela Fuvest em 2026


"Nebulosas", de Narcisa Amália, é um dos livros cobrados pela Fuvest em 2026. Corajosa, erudita, sensível a questões humanitárias e ligadas ao universo feminino, a autora escreveu um único livro. À época de sua publicação, em 1872, pela mítica editora Garnier, essa obra fez com que seu talento fosse celebrado por ninguém menos que Machado de Assis e também pelo imperador Dom Pedro II

A obra foi escrita pela autora quando ela tinha 20 anos. No livro, a “jovem e bela poetisa”, como definiu Machado de Assis, declama poemas de exaltação à natureza, à pátria e de lembranças da sua infância. O livro foi publicado pela mais famosa editora brasileira à época, a Garnier, que patrocinou todos os gastos da impressão. 

A editora deu relevância ao livro, segundo Maria de Lourdes Eleutério, pelo fato incomum à época de uma mulher publicar um livro. Conforme relata Maria de Lourdes Eleutério “para as mulheres da República o sonho de publicar um livro era um projeto distante, a expressão feminina nesse período permanece circunscrita ao espaço privado”.

Em 1873, Narcisa recebeu o Prêmio Lira de Ouro por conta dessa obra. Em setembro de 1874, Narcisa recebeu o prêmio da Mocidade Acadêmica do Rio de Janeiro, uma pena de ouro entregue pelas mãos do conselheiro Saldanha Marinho. No livro, estão reunidos os 44 poemas originais. Alguns poemas líricos, com temas intimistas, femininos, e relacionados à natureza, outros de cunho social, em prol da abolição da escravatura. Compre o livro "Nebulosas", de Narcisa Amália, neste link. 


Sobre a autora
Narcisa Amália de Campos foi tradutora, poeta, escritora, crítica literária, jornalista brasileira e professora. Foi a primeira mulher a trabalhar como jornalista profissional no Brasil, além de abolicionista, republicana e feminista. Movida por forte sensibilidade social, combateu a opressão da mulher e o regime escravista. Segundo Sílvia Paixão, “um dos raros nomes femininos que falam de identidade nacional" e busca sua própria identidade “numa poética uterina que imprime o retorno ao lugar de origem”. Colaborou na revista A Leitura (1894-1896) e, bem a frente de seu tempo, escreveu muitos artigos de cunho feminista e republicano.

Filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos, Narcisa Amália nasceu em São João da Barra, no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1852. Ainda em São João da Barra, estudou latim e francês com o padre Joaquim Francisco da Cruz Paula, e recebeu aulas de retórica de seu pai. 

Aos 11 anos, mudou com a família para o município fluminense de Resende, onde, aos 14, se casa com João Batista da Silveira, artista ambulante de vida irregular, de quem se separou alguns anos mais tarde. Aos 28 anos, em 1880, se casou novamente com Francisco Cleto da Rocha, mas a união não durou e o casal se separou pouco tempo depois, obrigando-a a deixar Resende, em especial por conta dos boatos espalhados por seu marido na cidade. Por ter sido casada e divorciada em duas ocasiões, isso gerava forte estigma social na época.

O sucesso de Narcisa passou a incomodar o marido que, depois de separado, passou a difamar a escritora declarando que seus versos não eram de sua autoria, mas escritos por poetas com quem teria tido casos de amor. O escritor Múcio Teixeira fez coro à campanha contra Narcisa declarando que o livro “Nebulosas” tinha sido escrito por um homem com pseudônimo de mulher.

Narcisa iniciou sua carreira como tradutora de contos e ensaios de autores franceses, como a escritora George Sand (pseudônimo masculino da autora Amandine Aurore Lucile Dupin) e o paleobotânico Gaston de Saporta. Único livro da autora, "Nebulosas" foi publicado em 1872, em nova edição em 2017 pela Gradiva Editorial e a Fundação Biblioteca Nacional. A obra foi muito bem recebida na época de seu lançamento, tendo sido inclusive bastante comentado por Machado de Assis e Dom Pedro II. Em 1874, 1888 e 1917, ela contribui com o "Novo Almanaque de Lembranças", que era uma coletânea de textos diversos que tinha grande circulação em Portugal e no Brasil.

Com problema cardíaco e cansada das difamações em Resende, em 1888, com apenas 33 anos, foi para o Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão. Ainda na vida carioca continuou a escrever, mas cada vez menos e foi lecionar em uma escola pública. Narcisa Amália faleceu aos 72 anos, em 24 de julho de 1924, no Rio de Janeiro, vitimada por um diabetes. Ela já estava cega, pobre e com problemas de mobilidade. Além disso, sua obra foi praticamente esquecida depois de sua morte.

Antes de sua morte, deixou um apelo: “Eu diria à mulher inteligente [...] molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim deixarás como vestígio ressonância em todos os sentidos”. Garanta o seu exemplar de "Nebulosas", escrito por Narcisa Amália, neste link.

Fuvest 2026

"Opúsculo Humanitário" (1853) - Nísia Floresta Brasileira Augusta

"Nebulosas" (1872) - Narcisa Amália

"Memórias de Martha" (1899) – Julia Lopes de Almeida

"Caminho de Pedras" (1937) – Rachel de Queiroz

"O Cristo Cigano" (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen

"As Meninas" (1973) – Lygia Fagundes Telles

"Balada de Amor ao Vento" (1990) – Paulina Chiziane

"Canção para Ninar Menino Grande" (2018) – Conceição Evaristo

"A Visão das Plantas" (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

sábado, 30 de dezembro de 2023

.: Claudia Piñeiro, autora argentina da Netflix, assina com a Primavera Editorial



Autora de "As Viúvas das Quintas-feiras", romance adaptado pela Netflix, Claudia Piñeiro passa a integrar o portfólio de escritores da Primavera Editorial. Em 2024, a editora publicará o romance policial "Catedrais".


A Primavera Editorial anuncia a assinatura de um contrato com Claudia Piñeiro para a publicação do livro "Catedrais", em 2024. A autora, dramaturga e roteirista argentina já tem um livro publicado no Brasil: "As Viúvas das Quintas-feiras", adaptado pela Netflix. Nascida em Buenos Aires em 1960, Claudia conquistou diversos prêmios internacionais, concedidos por sua obra literária, teatral e jornalística.

Segundo Larissa Caldin, CEO da Primavera Editorial, Catedrais traz todos os elementos característicos da literatura construída por Claudia Piñeiro: a investigação dos laços familiares, os preconceitos sociais e as ideologias. “É um romance com uma trama intensa e que, apesar da busca pela verdade cadenciar a narrativa em tom policial, escancara as violências silenciadas em nome da tradição ou da fé. Estamos animadas em trazer um nome da literatura latino-americana com toda essa potência para o nosso catálogo”, afirma Larissa.

Publicado na Argentina pela Alfaguara, "Catedrais" é um romance policial que foge de uma estrutura convencional do gênero para construir uma narrativa polifônica, usando a memória dos sete personagens envolvidos na trama por um fato cruel: a morte de uma adolescente e o aparecimento do seu cadáver queimado e esquartejado. Uma obra que aborda o quanto a violência atinge tanto as vítimas quanto os seus perpetradores

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