domingo, 4 de janeiro de 2026

.: Livro coloca leitor por dentro do "Boom" da literatura latino-americana


Um dos momentos mais importantes da história literária visto por dentro. "As Cartas do Boom", publicado pela editora Record, traz a vasta correspondência trocada entre quatro dos autores mais influentes e premiados da literatura latino-americana: Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. O livro reúne e documenta a relação entre os escritores e revela bastidores de publicações, parcerias e conflitos entre importantes nomes das letras. A tradução é de Mariana Carpinejar

As décadas de 1950 a 1970 testemunharam um dos momentos mais célebres da história literária do século XX: o Boom da literatura latino-americana.Muito além de uma simples coincidência de talentos, o que se formou foi uma constelação intelectual movida por afinidades eletivas, ambições estéticas e compromissos políticos que, juntos, produziram uma reconfiguração sem precedentes da literatura latino-americana. A projeção internacional de autores da região marcou um momento de inflexão em que a América Latina passou a ocupar o centro das atenções do circuito literário global.

O "Boom", ao contrário do que pode se pensar, não foi um fenômeno isolado e contou com uma pré-história e um rol de outros nomes que o antecedeu ou o acompanhou – Borges, Rulfo, Carpentier, entre tantos outros. Mas, em um recorte mais aproximado, é possível identificar quatro figuras-chave: Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Os autores surgem sob os holofotes não apenas pelo êxito de suas carreiras literárias, mas pela relação nutrida entre o quarteto, que se manteve próximo em diferentes níveis durante a extensão de seus anos dourados.

As cartas do Boom oferece ao leitor um acesso privilegiado à intimidade desse movimento por meio da correspondência trocada pelo quarteto, que registra com franqueza os bastidores da criação literária, os dilemas editoriais, as tensões ideológicas e os afetos - ora solidários, ora conflituosos - que compuseram esse momento de euforia e ruptura. Mais do que documentos biográficos, esses escritos epistolares revelam a complexa teia de relações que sustentaram o Boom, bem como seus inevitáveis desgastes. Aqui, estão desde as repercussões da publicação de Cem anos de solidão até as angústias pelos golpes de Estado no continente e os projetos de férias em grupo à beira-mar.

Esta edição permite não apenas reconstruir os bastidores de uma das mais decisivas revoluções literárias do século XX, mas também repensar o papel do escritor latino-americano diante de um mundo em incessante transformação. As cartas expõem tanto o fazer literário quanto as contradições e as grandezas de uma geração que ousou imaginar uma literatura capaz de dialogar com o universal sem trair suas raízes históricas e culturais. Compre o livro "As Cartas do Boom" neste link.

 
Sobre os autores
O escritor argentino Julio Cortázar (1914 - 1984) é reconhecido por sua literatura de verve fantástica, foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos contistas do século XX, além de ter atuado como tradutor e crítico. Envolvido nos movimentos políticos na América Latina, acompanhou de perto as revoluções em Cuba e na Nicarágua. Publicou, entre outros títulos, os livros de contos "Bestiário", "Histórias de Cronópios e de Famas" e "Todos os Fogos o Fogo", além do romance "O Jogo da Amarelinha".

O escritor mexicano Carlos Fuentes (1928 - 2012) foi um dos mais importantes literatos de seu país, e sua obra é marcada pelo engajamento com temas centrais da história latino-americana. Atuou como embaixador do México na França entre 1974 e 1977, permitindo a recepção de exilados dos regimes ditatoriais vigentes na América Latina. Publicou romances bem recebidos pela crítica como "A Morte de Artemio Cruz", "Aura" e "Terra Nostra", além de uma série de roteiros e argumentos para produções cinematográficas.

O escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927 - 2014) foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, autor de novelas, contos, ensaios, críticas de cinema e roteiros e um intelectual comprometido com os grandes problemas de nossa época. Entre suas obras estão os romances "Cem Anos de Solidão", "O General em Seu Labirinto", "O Amor nos Tempos do Cólera"; o livro de contos "Doze Contos Peregrinos"; e a autobiografia "Viver para Contar".

O escritor hispano-peruano Mario Vargas Llosa (1936 - 2025) foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2010, sua narrativa abriu um caminho fértil para toda a literatura em língua espanhola. Entre seus livros estão os romances "Pantaleão e as Visitadoras", "Tia Julia e o Escrevinhador" e "Travessuras da Menina Má", além de livros de contos, obras de teatro, ensaios e memórias. 
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