Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

.: Sem estrear, série "Harry Potter" ganha novos personagens na 2.ª temporada


HBO anuncia Rafe Spall, Molly Hewitt-Richards e Jasper Ambrose no elenco da nova fase da série, que já está em produção. Fotos: divulgação


A magia de Hogwarts vai ganhar novos rostos na segunda temporada de "Harry Potter". A HBO anunciou Rafe Spall como Arthur Weasley, Molly Hewitt-Richards como Murta que Geme e Jasper Ambrose como Colin Creevey. Os três atores passam a integrar o elenco da série original, que já está em produção. Para quem conhece a história, Arthur Weasley dispensa apresentações: pai de Rony, patriarca de uma das famílias mais queridas do universo bruxo e sujeito que nutre uma curiosidade quase infantil pelo mundo dos trouxas. Murta que Geme, por sua vez, segue fiel ao posto de fantasma mais inconveniente — e talvez mais dramático — dos corredores de Hogwarts. Já Colin Creevey chega com sua inseparável máquina fotográfica e aquela empolgação de fã diante do próprio ídolo.

A série acompanha Harry Potter desde o aniversário de 11 anos, quando uma carta de admissão para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts muda completamente sua vida. Até então, ele vive sob os cuidados dos tios, Petúnia e Válter Dursley, acreditando que sua existência pouco tem de extraordinária. A descoberta do universo mágico abre espaço para amizades, aventuras e, claro, perigos cada vez maiores ligados ao passado do garoto. Dominic McLaughlin interpreta Harry Potter, enquanto Arabella Stanton vive Hermione Granger e Alastair Stout dá vida a Ron Weasley. O elenco conta ainda com John Lithgow como Alvo Dumbledore, Janet McTeer como Minerva McGonagall, Paapa Essiedu como Severo Snape e Nick Frost como Rúbeo Hagrid.

A segunda temporada também terá Kit Harington como Gilderoy Lockhart, Bonnie Hill como Gina Weasley, Lenny Rush como Dobby e Billy Barratt como Tom Riddle. Baseada na série de livros de J.K. Rowling, "Harry Potter" tem roteiro e produção executiva de Francesca Gardiner. Mark Mylod é produtor executivo e também dirige diversos episódios da série. A produção executiva reúne ainda J.K. Rowling, Neil Blair e Ruth Kenley-Letts, da Brontë Film and TV, além de David Heyman, da Heyday Films. A série é produzida pela HBO em associação com a Brontë Film and TV e a Warner Bros. Television. Compre os produtos de Harry Potter neste link.

sábado, 12 de setembro de 2026

.: Francisco de Morais Mendes vence o Prêmio Academia Mineira de Letras


Livro de contos da Editora Sinete explora os ruídos da comunicação e os limites da linguagem em um presente saturado de informação. Foto: divulgação

O escritor mineiro Francisco de Morais Mendes venceu o Prêmio Academia Mineira de Letras 2026 com “A Bala dos Desarmados”, livro de contos publicado pela Editora Sinete em 2025. Patrocinada pela Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a premiação concede R$ 40 mil ao vencedor e está entre os principais reconhecimentos destinados à produção literária em Minas Gerais. A obra foi escolhida entre os livros publicados em primeira edição durante 2025 nas categorias poesia, ficção em prosa, crônicas e ensaios.

Em “A Bala dos Desarmados”, a linguagem ocupa o centro das histórias. A palavra aparece como elemento de ligação entre os contos, mas também como fonte de ruído, ambiguidade e desencontro. Em diferentes situações, aquilo que deveria aproximar personagens acaba escondendo intenções, embaralhando sentidos e dificultando a comunicação.

Francisco de Morais Mendes coloca essas histórias diante de um presente marcado pelo excesso de informação e pela dificuldade cada vez maior de separar fato, invenção e manipulação. Tecnologia, comunicação e linguagem entram em um jogo no qual até o que parece evidente pode ganhar outro significado. O título do livro leva essa ideia ao limite: a palavra pode atingir, ferir e até calar — inclusive quando a “bala” deixa de ser apenas uma imagem.

“Muita satisfação de ter o livro ‘A bala dos desarmados’ reconhecido por uma instituição com o prestígio e o respeito da Academia Mineira de Letras. Esse reconhecimento dá ao livro um lugar de destaque no acervo cultural do Estado, do País. Por isso o sentimento é de gratificação, uma imensa alegria”, afirma Francisco de Morais Mendes sobre a conquista.

Nascido em Belo Horizonte, em 1956, o autor é jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também publicou os livros de contos “Escreva, Querida”, “A Razão Selvagem”, “Onde Terminam os Dias” e “Sacrifício e Outros Contos”, lançado originalmente em Lisboa, em 2019, e posteriormente no Rio de Janeiro, em 2021. A trajetória literária de Francisco reúne oito prêmios, entre eles o próprio Prêmio Academia Mineira de Letras, o Prêmio Minas de Cultura, do Governo do Estado, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, da Prefeitura de Belo Horizonte, e o Prêmio Autor 2018, em Lisboa.

Para o escritor, o reconhecimento alcança quem escreve e também quem lê. “Para o autor o prêmio é um indutor, um estímulo forte para continuar escrevendo. Para a sociedade, o prêmio é um balizador, pois vai assinalar as obras que passaram pelo crivo de um corpo de especialistas. O livro destacado ganha visibilidade e pode chegar a um número maior de leitores”, destaca. Francisco também vê os prêmios literários como uma maneira de acompanhar o que está sendo produzido na literatura contemporânea. “sempre me guio pelos prêmios para ver o que trazem de novo as obras selecionadas. E sempre encontro boas surpresas”.

Criado para reconhecer escritores ligados a Minas Gerais, o Prêmio Academia Mineira de Letras contempla autores naturais do estado ou radicados em território mineiro há mais de cinco anos. A escolha é feita por indicação dos acadêmicos. Na edição de 2026, foram consideradas obras publicadas em primeira edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, nas categorias poesia, ficção em prosa, crônicas e ensaios. A entrega do prêmio será realizada em sessão solene da Academia Mineira de Letras. Vencedor de oito prêmios literários, Francisco de Morais Mendes recebeu, entre outros, o Prêmio Academia Mineira de Letras, o Prêmio Minas de Cultura, do Governo do Estado, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, da Prefeitura de Belo Horizonte, e o Prêmio Autor 2018, em Lisboa. Compre o livro “A Bala dos Desarmados”, de Francisco de Morais Mendes, neste link.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

.: Editora Fósforo assume edição da obra de Raduan Nassar com textos inéditos


Editora prepara novos lançamentos, textos inéditos, audiolivros e projetos de formação sobre o escritor vencedor do Prêmio Camões

A Editora Fósforo anuncia que, a partir de 2027, passa a publicar a obra de Raduan Nassar, vencedor do Prêmio Camões e autor de "Lavoura Arcaica", "Um Copo de Cólera" e "Menina a Caminho". Os três títulos estão entre os mais cultuados da literatura brasileira e chegam a uma nova etapa editorial sob o comando da jovem editora. Para acompanhar o projeto, a Fósforo criou um conselho editorial formado pela crítica e curadora Rita Palmeira, pelo professor e editor Augusto Massi, pelo editor e escritor Estevão Azevedo, autor de "O Corpo Erótico das Palavras: um Estudo da Obra de Raduan Nassar", e por Messias Barboza, assessor de Nassar.

É com honra e alegria que assumimos a tarefa de abrir um novo ciclo editorial para a obra de Nassar. O desafio da empreitada está à altura da grandeza de sua literatura e do trabalho extraordinário realizado pela Companhia das Letras ao longo de décadas, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Rita Mattar, sócia da Fósforo. 

Sobre a dimensão da produção literária de Nassar, Augusto Massi afirma: “Raduan representa um ponto de virada, criativo e crítico, comparável ao impacto das formas narrativas de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ele inventou uma linguagem própria cujo princípio formal é colocar o conflito no centro de suas narrativas. Em contraponto à brevidade da obra, sua prosa não para de crescer em importância, revelando um grau de extrema atualidade estética, histórica e política”.


Audiovisual
O cineasta Luiz Fernando Carvalho, responsável pela adaptação cinematográfica de "Lavoura Arcaica", ficará à frente dos desdobramentos audiovisuais da obra. Carvalho também trabalha na adaptação de "As Três Batalhas", texto inédito de Nassar. “Raduan Nassar é um universo, um poeta à frente de seu tempo. Os desdobramentos de sua pequena grande lavra são fundamentais. Sem falar que trata-se de um autor ainda não plenamente descoberto, possuindo material inédito que precisa ganhar visualidade”, afirma o cineasta.

O novo projeto editorial pretende ampliar o conjunto de livros disponíveis ao público. Além das obras já conhecidas, a Fósforo prevê a publicação de escritos inéditos e de reuniões de textos que Nassar publicou na imprensa durante mais de cinco décadas de participação no debate público. Também estão previstos livros dedicados à análise da produção do escritor e audiolivros.

“Um novo projeto editorial para Raduan deve, sem jamais abrir mão da coerência e do rigor que ele sempre demonstrou, contribuir para que novos leitores tenham a oportunidade e a sorte de se apaixonar por sua obra”, afirma Estevão Azevedo. Rita Palmeira aponta outra frente de trabalho do conselho editorial: “Além de colaborar com decisões editoriais, o conselho pretende contribuir para a organização do conjunto de documentos, fotos, manuscritos e periódicos que Raduan vem reunindo ao longo de décadas. É uma enorme responsabilidade e sobretudo uma grande honra fazer parte deste conselho".


Novos leitores
Os primeiros lançamentos estão previstos para o primeiro semestre de 2027. A programação inclui ainda cursos online gratuitos sobre a obra de Nassar e clubes de leitura abertos ao público. “Queremos dialogar com novos leitores, mas também com professores e pesquisadores dedicados ao estudo de Nassar", afirma Fernanda Diamant, sócia fundadora da Fósforo.

Augusto Massi acrescenta: “Penso que o fato de Raduan mudar de casa, ser revisitado por uma editora jovem, formada por uma equipe aguerrida, pode retirar a roupagem de clássico e nos trazer de volta o espírito radical de um escritor que sempre cultivou um campo de antagonismos, um Raduan capaz de reconduzir o leitor à cena contemporânea”.

Messias Barboza vê no projeto a possibilidade de apresentar uma dimensão menos conhecida da trajetória pública do escritor. Para ele, a nova edição deverá “apresentar o cidadão Raduan àqueles que não conhecem uma parte significativa de sua atuação na sociedade. A exemplo de sua escrita, que rompeu estilos e paradigmas, sua militância desafiou convenções. Será uma viagem no tempo por jornalismo, meio ambiente, educação e cidadania”.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

.: Prêmio Sesc de Literatura anuncia vencedores da edição 2026


Mariana do Nascimento Ramos, Anacã Agra e Guilherme de Miranda Ramos tiveram seus livros selecionados nas categorias Romance, Conto e Poesia; edição recebeu 2.969 inscrições. Na imagem, o
s autores vencedores: Mariana do Nascimento Ramos; Anacã Agra; Guilherme de Miranda Ramos

O Prêmio Sesc de Literatura anunciou as obras vencedoras da edição 2026: na categoria romance o ganhador foi “A Vontade das Coisas Mortas”, do Distrito Federal, escrito por Mariana do Nascimento Ramos; em Conto o livro “A Replicação do Sangue”, da Paraíba, de autoria de Anacã Agra; e em poesia “Geografia do Desconforto”, de Alagoas, por Guilherme de Miranda Ramos. Neste ano, o prêmio bateu recorde histórico de inscrições com 2.969 obras, sendo 1.203 de poesia, 960 romances e 806 livros de contos. As obras foram selecionadas por especialistas convidados para cada categoria.

“Chegar a 23ª edição com recorde de inscrições é um reconhecimento da força que o Prêmio Sesc de Literatura conquistou ao longo de sua trajetória. Os trabalhos recebidos este ano mostram que há uma produção literária diversa, potente e interessada em encontrar novos caminhos para contar as histórias do nosso país. Mais do que revelar novos autores, o prêmio reafirma o compromisso do Sesc com a literatura brasileira, criando oportunidades para que essas vozes sejam publicadas, circulem e cheguem a leitores de diferentes lugares”, afirma Diana dos Santos Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.

Criado para incentivar novos talentos da literatura nacional, o Prêmio Sesc de Literatura é voltado exclusivamente a autores inéditos, ou seja, aqueles que nunca tiveram livros publicados na categoria para a qual concorrem. Os vencedores têm seus livros publicados pela Editora Senac Rio e recebem uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil. Além disso, circulam pelo país em uma programação composta por eventos como clubes de leitores, bate-papos com o público e eventos de literários.


Romance
Vencedora na categoria Romance, Mariana do Nascimento Ramos, carioca de 45 anos que mora em Brasília, é a autora de “A Vontade das Coisas Mortas”. Escritora, professora e servidora pública, Mariana é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também concluiu mestrado em Ciência da Literatura. Atuou como professora de Literatura Brasileira na Argentina, na Costa Rica e na China.

“A Vontade das Coisas Mortas” conta a história de Bruna, professora de literatura de uma pequena cidade do interior que tenta reconstruir a própria vida depois de sobreviver a um massacre escolar. Entre sessões de terapia, o retorno ao trabalho, relações familiares e lembranças do passado, a personagem enfrenta o luto, a culpa e o trauma. A narrativa alterna presente e passado e aborda temas como memória, morte, solidão e as marcas deixadas por tragédias em pessoas e lugares. “Esse foi o primeiro romance que eu escrevi. O livro foi inspirado no caso de Suzano, em São Paulo, e tentei trazer intimidade de um lugar difícil, que é a violência. Procurei falar com lirismo e ternura, tratando a violência de forma silenciosa e que se entranha nas relações e nas coisas. Estou ansiosa para ver qual vai ser a percepção do público sobre a história”, conta.


Conto
Na categoria Conto, o escritor é o paraibano Anacã Agra, de 48 anos, com “A Replicação do Sangue”. Formado em Letras, com mestrado e doutorado em Literatura, Anacã é professor na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde ministra, desde 2017, um curso de criação literária. A literatura e a escrita estão presentes na vida dele desde a infância, com influência do pai, que também foi professor de literatura, letras e escritor. “Segundo meu pai conta, escrevi meu primeiro conto aos 13 anos e não parei mais”. Escritor de romances, contos, poemas e roteiros cinematográficos, Anacã publicou de forma independente os romances “A Face Interna da Carne”, “O Circo da Galileia”, “Amadis de Riorraso” e “Éramos Eternos”.

“A Replicação do Sangue” reúne contos marcados por tragédias humanas, violência, culpa, desejo e ironias do destino. As histórias colocam personagens comuns diante de situações extremas e exploram dramas familiares, paixões frustradas, vinganças, acidentes, crimes e encontros marcados pelo acaso. “Uma semana antes de receber a notícia do prêmio eu pensei em desistir de publicar. Faz mais de 30 anos que eu produzo e ainda não havia conseguido um ‘sim’. Agora eu não desisto mais”. Anacã diz que os contos que compõem o livro foram escritos ao longo do tempo, inicialmente sem a intenção de formar uma obra única. Posteriormente, o autor identificou aproximações temáticas entre os textos e os reuniu. “Parte das histórias tem origem em experiências próprias ou de pessoas próximas, enquanto outras nasceram de notícias, filmes e outras referências”, ele explica.

Poesia
O vencedor na categoria Poesia é o alagoano Guilherme de Miranda Ramos, 54 anos, com “Geografia do Desconforto”. Escritor, compositor e produtor cultural, Guilherme é autor de livros infantis e de crônicas e possui textos premiados em editais e concursos. Na música, é idealizador do Intermídia Estúdio de Criação e do projeto Quarentemas, além de compor trilhas sonoras para literatura, audiovisual e artes cênicas e produzir singles e álbuns autorais. Guilherme diz que o primeiro contato que teve com a arte foi criança, quando leu um poema em uma revista que sua mãe levou para casa. “Essa poesia me encantou, eu ficava reescrevendo como se o texto fosse meu”. Depois disso, se envolveu com arte na escola e passou a ler tudo, até bula de remédio, ele brinca.

Em “Geografia do Desconforto”, os poemas percorrem três territórios simbólicos: o sangue, o asfalto e o espelho. A primeira parte aborda memórias familiares, heranças afetivas, silêncios entre gerações, perdas e a busca por identidade. Na segunda, o olhar se volta para trabalhadores invisibilizados nas cidades, discutindo desigualdade, precarização, resistência e dignidade. Já a terceira parte mergulha em questões existenciais relacionadas ao corpo, ao tempo, à solidão, à saúde mental e ao sentimento de não pertencimento. Com linguagem simples e imagens marcantes, o livro constrói uma cartografia da memória e da condição humana. “Para esse livro eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos que antes eu não tinha coragem. Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu”.

Os autores vencedores serão apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano. Após a publicação, os livros serão vendidos em livrarias online e físicas por todo país e distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc. 

 
Os jurados em 2026
O júri do Prêmio Sesc de Literatura 2026 reúne nomes de destaque da literatura brasileira. Em Romance, Maria Esther Maciel, escritora, poeta e professora da UFMG, e Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado e vencedor dos prêmios Jabuti, LeYa e Oceanos. Em Conto, participaram Miriam Alves, escritora e importante voz da literatura afro-brasileira contemporânea, e Dau Bastos, escritor, ensaísta e professor da UFRJ. Já o júri de Poesia foi formado por Cida Pedrosa, vencedora do Jabuti por Solo para Vialejo, e Edimilson de Almeida Pereira, poeta, ensaísta e professor da UFJF, vencedor do Oceanos e do Prêmio São Paulo de Literatura.

Sobre o Prêmio Sesc de Literatura
Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura já recebeu cerca de 27 mil originais e revelou ao mercado editorial 46 novos autores. O processo de avaliação tem como base o anonimato dos autores, garantindo a lisura do projeto e a liberdade de análise das comissões julgadoras, que fazem a seleção pelo mérito literário, com soberania sobre a decisão final. Os autores devem ser inéditos nas categorias pelas quais concorrem, ou seja, sem obras publicadas na categoria escolhida. Ao longo de sua trajetória, a iniciativa vem contribuindo para a publicação e circulação de novos autores, aproximando suas obras de leitores de diferentes regiões do país.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

.: Dez motivos para ler "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral


Romance de estreia de Thiago Sobral mergulha em violência familiar, desejo, fé, racismo, homofobia e culpa para construir uma história em que ninguém é completamente inocente

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Poucas coisas são tão literárias quanto descobrir que o monstro da história pode ter sido vítima antes de virar monstro e que isso, definitivamente, não resolve o problema. Nessa história, há um pai morto, um filho tentando justificar o injustificável, um amor que poderia ter sido e uma cidade pequena onde todo mundo parece saber da vida alheia antes mesmo de a própria pessoa descobrir. É desse material inflamável que Thiago Sobral constrói "O Pai, a Faca e o Beijo", romance de estreia publicado pela Editora Patuá, que será lançado neste sábado, dia 5 de setembro, às 16h00, na Casa das Culturas de Santos. Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00, o lançamento será na Bienal Internacional do Livro, no Estande K45 da Editora Pauá.

Ambientado em Cubatão, no litoral de São Paulo, o livro acompanha Santiago e Davi, o Pirueta, em uma relação marcada por desejo, rejeição, violência e uma quantidade considerável de coisas que poderiam ter sido resolvidas com uma conversa. Ex-seminarista franciscano e professor de Língua Portuguesa, Thiago Sobral leva para a ficção questões ligadas à fé, à moral, à família e às contradições humanas. O resultado é um romance seco, provocador e pouco interessado em oferecer ao leitor aquela sobremesa reconfortante chamada redenção.

O próprio autor explica que escreveu a história a partir da ideia freudiana de “matar o pai”, explorada em "Totem e Tabu", relacionando a morte do patriarca à busca de liberdade de Santiago. Depois do crime, porém, o personagem percebe que eliminar o pai não significa necessariamente eliminar aquilo que o pai deixou dentro dele. O romance também nasceu de uma provocação que Sobral ouviu em uma conversa, em 2022, quando alguém afirmou que, para o Brasil “ir para frente”, seria preciso “matar o seu pai”. A frase ficou rondando a cabeça do escritor até virar literatura. Em 2025, depois de retomar o projeto, ele pesquisou casos reais de parricídio e conceitos da psicanálise para dar corpo à narrativa. A seguir, dez motivos para colocar "O Pai, a Faca e o Beijo" na lista de próximas leituras. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.


1. Romance transforma o conflito entre pai e filho em uma guerra psicológica
Santiago e Severo não travam apenas uma disputa doméstica. O relacionamento entre os dois concentra violência, medo, desejo de aceitação e uma tentativa desesperada de romper com aquilo que o personagem entende como origem de todos os seus problemas. O resultado é uma relação familiar em que cada gesto parece carregar uma conta antiga. Santiago acredita que matar o pai poderá libertá-lo.


2. Um protagonista difícil de defender
Santiago está longe de ser um "mocinho de estimação". Negro e homossexual, ele carrega o peso do racismo e da homofobia, mas também reproduz contra si e contra os outros parte da violência que sofreu. É homossexual e homofóbico, racista e vítima do racismo, desejante e repressivo, amoroso e cruel. Essa coleção de contradições torna o personagem incômodo e difícil de digerir.


3. O livro pergunta se violência sofrida pode justificar violência cometida
Severo acredita estar protegendo o filho. As agressões são apresentadas por ele como uma forma de educação e de prevenção contra sofrimentos futuros. A mãe relativiza. Os irmãos reproduzem comportamentos. Santiago absorve tudo e, depois, despeja parte dessa brutalidade sobre Davi. Thiago Sobral transforma a violência em uma engrenagem familiar. Quem bate acredita corrigir. Quem se omite acredita evitar problemas. Quem sofre pode acabar repetindo o comportamento que aprendeu. A pergunta fica para o leitor: compreender a origem de uma violência significa perdoá-la?


4. Freud explica e entra na história de maneira indireta
A ideia de “matar o pai” percorre o romance como metáfora de libertação. Thiago Sobral, mesmo que de maneira indireta, mergulhou em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud, para construir a relação de Santiago com o pai morto e explorar a ideia de ruptura com a figura paterna. O detalhe mais interessante está na falha dessa libertação. Santiago mata o pai, mas não consegue matar aquilo que carrega dentro de si. A faca resolve uma parte do problema. O restante continua andando pela casa. Como resolver essa situação?


5. Cubatão, que já foi a cidade mais poluída do mundo, deixa de ser cenário e ganha personalidade
Localizada no litoral de São Paulo, Cubatão já foi considerada a cidade mais poluída do mundo pela ONU na década de 1980 e ficou conhecida como "Vale da Morte". Na geografia apertada entre a Serra do Mar, rios, mangues e a área industrial, a atmosfera da narrativa é construída. Thiago Sobral relaciona o espaço físico da cidade ao comportamento dos personagens e à sensação de sufocamento experimentada por Santiago. A própria indústria, com calor e fuligem, reforça essa atmosfera. Cubatão também aparece como território do julgamento. Em lugar pequeno, uma vida privada pode durar pouco tempo antes de virar assunto público.


6. A experiência religiosa do autor aparece sem virar catecismo
Thiago Sobral foi seminarista franciscano, e essa formação inevitavelmente deixa marcas na literatura. O romance trabalha com religião, fé, culpa e moralidade, mas não oferece respostas religiosas mastigadas. O padre Jorge, por exemplo, surge como personagem capaz de apresentar outra possibilidade de relação com a fé, enquanto a instituição religiosa aparece cercada pelas próprias limitações. No contexto do livro, a literatura não substitui a religião, mas pode abrir caminhos e possibilidades para o leitor.

7. Desejo, liberdade e um amor possível, desde que disposto
O personagem Davi, o Pirueta, funciona como contraponto ao protagonista. Ligado à dança, à poesia e à expressão artística, ele carrega uma relação diferente com o próprio corpo, com o desejo e com a liberdade. Enquanto Santiago se debate contra aquilo que sente, Davi parece encontrar na arte uma forma de existir. A relação entre os dois, por isso, ganha uma dimensão que ultrapassa o romance amoroso convencional. O beijo do título não é apenas um gesto de afeto. Ele também representa tudo aquilo que Santiago deseja e, ao mesmo tempo, rejeita.


8. Livro aposta na oralidade e na voz própria dos personagens
Thiago Sobral afirma que buscou reproduzir a oralidade típica de famílias cubatenses formadas por migrantes nordestinos, incluindo referências à própria história familiar. Os diálogos carregam insinuações, ironias, desconfianças e lacunas. Essa escolha aproxima o romance da vida cotidiana e evita personagens que parecem ter saído de um manual de literatura e desembarcado diretamente na página.


9. Machado de Assis aparece como influência sem virar fantasia de imitador
A ironia e a recusa de absolver os personagens aproximam o romance "O Pai, a Faca e o Beijo" da tradição machadiana. A referência está no prazer de observar seres humanos cometendo erros enquanto encontram excelentes justificativas para continuar cometendo os mesmos erros. O resultado é uma narrativa que desconfia das versões oficiais de todos aos fatos que vivem, inclusive daquela contada pelo próprio protagonista.


10. Romance se recusa a entregar a catarse que o leitor espera
"O Pai, a Faca e o Beijo" cria expectativas de reconciliação, redenção e libertação, mas não oferece nenhuma garantia de que isso vá acontecer. Thiago Sobral afirma que a literatura depende da cumplicidade do leitor e afirma que uma mesma narrativa pode produzir histórias diferentes a cada leitura. Diferentes leitores podem querer salvar Santiago, condená-lo, compreendê-lo ou simplesmente mandar todo mundo para terapia, uma alternativa que, infelizmente, não parece estar disponível no universo do livro.

Serviço | Lançamento de "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral

Casa das Culturas de Santos
Sábado, dia 5 de setembro, às 16h00
Rua Sete de Setembro, 49 - Vila Nova / Santos

Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00
Estande K45 da Editora Pauá



terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: "O Tardio" leva Maurício Melo Júnior à Bienal com viagem pelo Brasil de 1970


Quarto romance do escritor transforma uma busca familiar em uma jornada por memória, contracultura e liberdade durante a ditadura militar


O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.

O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.

A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior
é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social e possui pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em veículos como o "Correio Braziliense" e há 25 anos apresenta o programa "Leituras", da TV Senado. Também assina resenhas literárias para o jornal "Rascunho" e é colaborador da revista literária "Pernambuco". É autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Ao todo, já escreveu 35 livros. Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e também escreveu para o teatro. Compre os livros de Maurício Melo Júnior neste link.


Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

terça-feira, 28 de julho de 2026

.: "Era Uma Vez Minha 1ª Vez": adaptação do livro de Thalita Rebouças no cinema


A produtora e distribuidora Na Paralela Filmes divulgou o cartaz e o trailer oficial do longa “Era Uma Vez Minha 1ª Vez”, filme baseado no livro homônimo da autora Thalita Rebouças. Estrelado por Castorine, Duda Matte, Letícia Braga e Lívia Silva, o filme chega aos cinemas no dia 17 de setembro. O título tem produção e distribuição da Na Paralela Filmes, codistribuição da A Fábrica com parceria de RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio, coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme, e investimento do BRDE, através do Fundo Setorial do Audiovisual e Ancine.

Com direção de Claudia Castro e roteiro de Thalita Rebouças e João Paulo Horta, o longa é uma adaptação para os cinemas do livro homônimo da escritora que aborda, de forma leve, madura e descomplicada, as descobertas e os ritos de passagem da juventude. Na trama, as amigas Teresa, Clara, Tuca e Patty vão descobrir juntas que o despertar da sexualidade acontece de forma única para cada uma. O filme traz uma narrativa sensível sobre expectativa, amizade e o limite entre pressa e descoberta. 

Longe de ser um manual didático, a história adota o tom característico que consagrou as obras de Thalita Rebouças: uma abordagem sensível, leve e extremamente bem-humorada sobre o cotidiano jovem, livre de tabus e focada no poder da amizade feminina. Além do quarteto principal, o elenco também traz Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", que inspirou o filme, neste link.

.: "100 Dias": desafios e escolhas por trás da adaptação do livro de Amyr Klink


Filipe Bragança como Amyr Klink em “100 Dias”. Foto: Fabio Braga/ Pivô Audiovisual


Como transformar um relato autobiográfico em uma experiência cinematográfica sem perder a sua essência? Essa foi a principal reflexão que guiou o painel “100 Dias - Entre o Livro e o Filme: Os Caminhos para Transformar um Clássico da Literatura Brasileira em Experiência Cinematográfica”, realizado na última quinta-feira, dia 23 de julho, durante a 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Com mediação de Marcelo Tas, o encontro reuniu o navegador e escritor Amyr Klink, o diretor Carlos Saldanha, as roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares para conversar sobre os caminhos percorridos na adaptação cinematográfica de "Cem Dias Entre Céu e Mar", livro que inspirou o longa-metragem "100 Dias". Ao final do painel, o ator Filipe Bragança, que interpreta o navegador no filme, fez uma participação para contar a experiência de interpretar uma lenda viva da navegação mundial.

Ao longo de uma hora de debate, diante de uma plateia lotada, a conversa se afastou das histórias já conhecidas da travessia do Atlântico realizada por Amyr, em 1984, para mergulhar nos bastidores da construção narrativa do filme — incluindo histórias curiosas que arrancaram risadas do público. Entre os temas abordados estiveram as escolhas feitas durante o processo de adaptação, os elementos do livro preservados na versão para o cinema e as transformações necessárias para a linguagem audiovisual.

Apesar dos desafios, Thais Tavares destacou a confiança que Amyr depositou na equipe desde o início do projeto. “Na nossa primeira reunião com o Amyr, conversamos que teríamos que adaptar algumas partes da história. Ele respondeu: ‘O barco é meu filho, o filme é filho de vocês. Então fiquem à vontade’. Ele deu total liberdade para que encontrássemos a melhor forma de contar essa história no cinema”, relembrou a roteirista. Mesmo com as adaptações necessárias, Amyr ressaltou o cuidado da equipe em preservar a essência da obra e das pessoas que fizeram parte de sua trajetória.

“Desde a caracterização dos personagens, como o Fúria e a Philippine, que está impressionantemente parecida com a minha mãe, até o sotaque. Houve um cuidado e uma sensibilidade por parte da produção e de todos os envolvidos para construir essa história emocionante”, afirmou o navegador. Já Carlos Saldanha comentou sobre o desafio de traduzir para as telas o aspecto mais subjetivo da travessia.

“Um dos maiores desafios da adaptação de 100 Dias Entre Céu e Mar foi traduzir para o cinema a poesia dessa jornada, indo além dos aspectos técnicos da travessia. Buscamos construir uma narrativa visual que refletisse a conexão do Amyr com o mar, os animais e a natureza ao seu redor, para transmitir ao público as sensações e reflexões que o livro desperta”, destacou o diretor. Na reta final do encontro, Filipe Bragança falou sobre a importância da obra em sua preparação para interpretar Amyr Klink, revelando que o livro se tornou um de seus favoritos durante o processo.

“Ao conhecer mais sobre o temperamento dele, seu senso de humor, seus medos, suas angústias e a forma como viveu essa travessia internamente, consegui me aproximar ainda mais da sua história. O livro foi um grande companheiro durante a preparação e me ajudou a compreender melhor um personagem tão complexo e inspirador”, contou o ator. Ao privilegiar a literatura como ponto de partida da conversa, o painel reforçou como "100 Dias" nasce do encontro entre diferentes formas de contar histórias. Mais do que reconstituir uma travessia histórica, o filme propõe uma nova leitura de uma obra que inspira leitores brasileiros há mais de quatro décadas, agora apresentada sob a perspectiva do cinema.

Dirigido por Carlos Saldanha, "100 Dias" estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro e é inspirado em "Cem Dias Entre Céu e o Mar", clássico de Amyr Klink que narra a travessia solitária do Oceano Atlântico realizada pelo navegador em um barco a remo. No filme, sozinho em um pequeno barco desenhado por ele próprio, Amyr Klink desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma história inédita na navegação mundial. Dirigido por Carlos Saldanha e escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, "100 Dias" conta a travessia entre a África e o Brasil se transforma em uma batalha contra o medo, a solidão e os próprios demônios. Enquanto o corpo resiste ao mar, a mente enfrenta memórias, conflitos familiares e escolhas que moldam quem ele é. Mais do que cruzar um oceano, Amyr precisa atravessar a si mesmo. 

Dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança, o longa transforma uma das maiores aventuras da navegação mundial em uma experiência cinematográfica de grande escala. O elenco reúne a atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu ("Emily em Paris") no papel de Asa Klink, mãe do navegador, além de Felipe Camargo ("Além do Tempo") como Jamil Klink e João Vitor Silva (‘Impuros’) interpretando Tymur Klink, pai e irmão de Amyr, respectivamente.  O longa-metragem é produzido por Paula Cosenza, Justine Otondo e João Queiroz, pelo diretor e pelos produtores Denise Machado, Giuliano Cedroni e Marco Anton. O filme ainda reúne profissionais de destaque do audiovisual brasileiro e internacional, incluindo Rodrigo Monte (ABC) na direção de fotografia, Cassio Amarante (ABC) na direção de arte, Marcela Altberg na direção de elenco, Kika Lopes no figurino e Fernando Stutz na montagem. A trilha sonora original é assinada pelo compositor finlandês Tuomas Kantelinen.

O projeto é uma produção do Ventre Studio, com coprodução da Buena Vista International, Boipeba Filmes, Trema Filmes, O2 Filmes e Total Post em associação com Good Hand Film & TV. A distribuição é da Buena Vista International, selo da The Walt Disney Company. 100 DIAS’ foi produzido com recursos públicos geridos pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), além de apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Lei Paulo Gustavo. A produção conta ainda com patrocínio de Havaianas, Itaú, C6 Bank, BNDES e Honda, além de apoio da Estapar, Nutrimental, RioFilme, Business Finland e Film Tampere Finland. Compre o livro "Cem Dias Entre Céu e Mar", de Amyr Klink, que inpirou o filme "100 Dias", neste link.

domingo, 26 de julho de 2026

.: Entrevista: Thiago Sobral, o homem que ousou matar o pai na ficção


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

No romance de estreia "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, a conversa começa depois do que não tem volta: um filho diante do corpo do pai, tentando organizar a própria versão enquanto empurra todo o resto para fora do quadro. Não há espaço para testemunha, só para a fala que é despejada ali. A cidade observa de perto, como sempre, e o silêncio pesa mais do que qualquer grito.

O romance lançado pela Editora Patuá avança em cima de cortes secos, pistas falsas, desvios  e o leitor fica ali, insistindo, mesmo quando já entendeu o terreno em que está pisando. Ex-seminarista, professor, escritor estreante pela Patuá, o autor prefere o atrito à acomodação. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele fala de desconfiança, linguagem, fé sem amparo e personagens que não buscam aprovação dos leitores, o que torna tudo mais interessante. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, neste link.


Resenhando.com - Seu romance parece sabotar o leitor o tempo todo: quando ele pensa que encontrou um afeto, ou quando espera redenção, você oferece outra coisa. Escrever, para você, é um gesto de desconfiança?
Thiago Sobral - Acredito, em partes, que sim. Desconfiança das verdades estabelecidas, das certezas inquebrantáveis. No caso de “O Pai, a Faca e o Beijo”, o leitor talvez pense que, por tratar da relação entre pai e filho, encontre alguma esperança ou possibilidade de redenção, como em tantas outras histórias que se constroem em torno disso, como a parábola do Filho Pródigo, por exemplo. Mas, na história de Santiago e Severo, temos um filho que sofreu muito com as várias violências praticadas pelo pai. Por conta disso, ele não consegue mais olhar para o lado, dialogar com as diferenças e que, por isso, busca, de todas as formas, justificar o parricídio que acabou de cometer. Nessa tentativa, ele conta a sua versão dos fatos. Versão essa que não deixa espaço para a interferência das outras personagens. Todas as possibilidades de construir um novo olhar, de se abrir a novos sentimentos e experimentar novos afetos são sumariamente ignoradas. A pergunta que surge é: Santiago age assim porque é fruto de tudo isso, ou porque escolhe se fechar a qualquer possibilidade de agir e ser diferente?


Resenhando.com - Santiago é um personagem que concentra contradições quase insuportáveis, já que encarna aquilo que combate. Em algum momento você temeu que ele se tornasse tão intragável a ponto de o público não torcer por ele?
Thiago Sobral - Eu quis construir um personagem que, de cara, fosse identificado como vítima e que, ao longo da história, oferecesse elementos capazes de justificar o seu crime e assim ganhasse a confiança do leitor. Justamente por isso, penso que, por mais que sinta vontade de abandoná-lo em seu próprio ódio e condená-lo pelo seu ato, o leitor ainda torce por ele, deseja que supere tudo aquilo e encontre o seu caminho. As possibilidades existem, alguns personagens tentam fazê-lo enxerga-las. E é por isso que o leitor, talvez, deseje, até o final, que tudo acabe bem.


Resenhando.com - No seu livro, a violência aparece como forma de cuidado, omissão e até desejo. Você diria que a forma mais cruel de agressão é aquela que consegue se disfarçar de amor?
Thiago Sobral - Ah, sem dúvida. Quase sempre, nas relações humanas das quais se espera o cuidado, a violência é justificada por quem a pratica. As surras, as palavras pesadas, as ofensas, os puxões de orelha são sempre dados na tentativa de se evitar que algo ruim aconteça. No caso do Severo, ele esperava livrar o filho de certos sofrimentos e, principalmente, de julgamentos morais. Ioiô, a mãe, tenta convencer o filho de que aquele é o jeito do pai e que, uma hora ele vai mudar. Os irmãos homens de Santiago reproduzem aquilo que veem em seu dia a dia. E o próprio Santi reproduz essa violência com seu amigo Davi, seja no ato sexual em si, seja com as palavras que dirige a ele em cada tentativa de afeto recebido. No fim, a violência aparece como parte natural da vida daquela família e como substituta do diálogo, que nunca acontece por completo, porque não são capazes de se abrir à experiência com o outro, ao universo do próximo. Cada um se fecha em suas próprias verdades. E quando não se dialoga, o que resta é a tentativa de impor ao outro as suas próprias convicções; e, por não haver palavra trocada, restam puxões de cabelo, tapas, socos e xingamentos.


Resenhando.com - Severo, o pai opressor, parece agir movido por uma lógica interna que, para ele, faz sentido. O que mais interessava a você ao construí-lo: denunciar a violência ou revelar o quanto ela pode ser racionalizada por quem a pratica?
Thiago Sobral - Na cabeça do Severo, aquela era a melhor forma de educar o filho. Não eram atitudes inconscientes ou impulsivas. Ele queria livrar Santiago de coisas que ele mesmo julgava conhecer bem. E é muito comum nos depararmos com pessoas que pensam assim. Em minha trajetória como professor, já me deparei com pais que pensam e agem dessa forma. Quantas e quantas vezes não já ouvimos a frase: “Isso é falta de surra!”? Ou “Dou uns tapas que aí vira homem rapidinho!”? Então, a violência, nesses casos, é racionalizada, revela-se como um método e é quase institucionalizada. Quanta polêmica não foi feita na época em que se debateu a “Lei da Palmada”? Muita gente pensa que é um direito dos pais corrigirem os filhos com violência, quando julgarem necessário. Tivemos um caso recente no Paraná, de um pai que chutou a filha de três anos. Então, além de denunciar a violência sofrida por muitos filhos, eu quis, sobretudo, mostrar que ela não é mero fruto do acaso. Antes, faz parte de uma estrutura, de um arranjo social muito antigo e que está aos poucos sendo questionado e combatido. Mas ainda é preciso que se faça muito mais nesse campo. Para tornar a reflexão ainda mais complexa, o livro quer propor mais uma reflexão: as violências sofridas por Santiago justificam o crime que ele cometeu?
 

Resenhando.com - A cidade de Cubatão não aparece apenas como cenário, mas como uma espécie de personagem que vigia, regula e rotula. Até que ponto a geografia, na sua escrita, é responsável pelo fracasso das relações?
Thiago Sobral - O espaço que se habita sempre exerce alguma influência sobre nós. O Determinismo, de Hippolyte Taine, ofereceu algumas ferramentas aos escritores naturalistas e estas exercem alguma influência sobre a minha literatura, embora não haja, de minha parte, uma adesão plena a esse pensamento. Mas todo cubatense compartilha, de alguma forma, um instinto bisbilhoteiro e comentador dos fatos cotidianos. Nossa geografia, espremida pela Serra do Mar, e bairros entrecortados por rios e mangues, nos aglutina de tal maneira, que, muitas vezes, temos a sensação de conhecer e saber alguma coisa sobre todo mundo. Além disso, temos as fábricas que ocupam parte significativa desse território, lançam muita fuligem no ar e esquentam a atmosfera, de modo que tudo parece sempre muito abafado. Morar em Cubatão é sufocante em boa parte do ano. E boa parte da vida, dos desejos e da personalidade de Santiago é também sufocada por ele em mesmo e pela vizinhança. Talvez por isso, a despeito da riqueza que a cidade arrecada com os impostos, seja, ainda hoje, um lugar que precisa se desenvolver e superar alguns fracassos do passado que insistem em nos marcar até os dias atuais.
 

Resenhando.com - Sua experiência como ex-seminarista aparece, de alguma maneira, no romance. Mas a fé que aparece ali não dá o conforto que as pessoas esperam de um ex-religioso. A literatura, para você, substitui a religião ou continua sendo uma forma de oração, ainda que sem resposta?
Thiago Sobral - Vejo a religião como uma institucionalização da fé. Por isso, não. A literatura não substitui a religião, embora muitos a coloquem num altar sacrossanto inalcançável. Gostei dessa ideia de ser uma forma de oração, sobretudo porque me faz pensar na experiência que orar proporciona ao que crê. É um ato de elevar o pensamento, vocalizar sentimentos e expressar desejos. A oração é a via-expressa utilizada por aquele que crê para se aproximar do Mistério Absoluto, do Totalmente Outro. Justamente por isso, nela não se encontra certeza, apenas se confia. A literatura também não nos dá certezas, antes, apresenta-nos caminhos, mostra possibilidades e, inclusive, nos permite viver aquilo que não cabe em uma única existência, podendo nos dar um gostinho de vida eterna. No livro, a religião surge como forma de opressão e de aprisionamento. Ainda que o personagem padre Jorge tente mostrar uma outra religião, aquela que se mantém fiel à “Inspiração da Boa Nova”, a que se sobrepõe é a “Instituição” religiosa. Essa coloca algemas no sacerdote, um peso sobre Severo e uma falsa convicção em Santiago. O que surge como outra possibilidade é o espírito artístico de Davi, o Pirueta, que, com sua dança e seus versos, nos deixa uma carta que se mostra quase como uma litania a Santi e um louvor ao amor e à vida.


Resenhando.com - Há ecos claros de Machado de Assis na sua ironia e no modo como você recusa absolver seus personagens. O que interessa mais a você nos diálogos que você escreve e nas tramas que constrói?
Thiago Sobral - Ao construir um personagem, é fundamental que ele tenha voz própria e que essa voz revele muito mais do que as palavras que ele diz. “O Pai, a Faca e o Beijo” é um livro que se constrói pelo que não é dito, mas que está ali; por aquilo que poderia ter sido, mas não foi. Assim, os diálogos pretendem revelar as intenções e a psicologia de cada personagem. Também busquei retratar a oralidade típica de muitas famílias cubatenses, que são formadas por migrantes nordestinos, como ocorre com a minha própria família. Para além disso, há lacunas frequentes nos diálogos entre Severo e Santiago, há insinuações, desconfianças, covardias e ironias que vão permeando as palavras ditas e não ditas. Os capítulos em que Santiago conversa diretamente com o cadáver do pai são carregados de sinceridade, ainda que esta seja calcada numa certa ilusão. Ao longo de praticamente toda a história, a forma como as falas do pai é apresentada traz quase que uma chave de leitura para todo o romance, mas que deixo para o leitor interpretar e decidir.


Resenhando.com - Em vários momentos, o leitor se vê torcendo pelo impossível, numa espécie de tentativa de salvar alguém que não está disposto a ser salvo. Você acredita que a literatura ainda pode operar algum tipo de redenção ou isso já é uma ilusão que o seu livro desmonta?
Thiago Sobral - A literatura, por si só, não opera nada. Ao mesmo tempo, a literatura pode tudo, desde que o leitor se coloque como cúmplice do que lê. Uma história só funciona realmente quando um pacto tácito e secreto é selado entre o narrador e o leitor. Feito isso, uma nova história nasce a cada leitura que se conclui de uma mesma narrativa. E é justamente essa nova história que pode operar tudo, seja uma redenção ou uma condenação. Meu livro pode levar a crer que não há redenção, mas isso ocorre por que as chances foram esgotadas, ou por que aquele que poderia redimir se recusou a olhar para os lados e enxergar outras possibilidades? Por fim, resta-nos pensar em quantas vezes não somos nós mesmos os culpados pelos fracassos e assassinatos metafóricos que cometemos ao longo da vida.


Resenhando.com - A ideia freudiana de “matar o pai” aparece como um gesto simbólico de liberdade. No seu romance, essa ruptura parece sempre incompleta. Existe liberdade possível sem destruição total?
Thiago Sobral - Essa é uma questão interessante, porque ela alcança o cerne do romance. Para escrever essa história, mergulhei no pensamento de Freud a partir dos escritos de “Totem e Tabu”. Essa ideia de matar o pai tirano para ocupar o seu lugar e assim gozar da liberdade e dos privilégios que tal posição lhe daria aparece frequentemente na conversa de Santiago com o pai defunto. Santi acredita piamente que todos os seus problemas decorrem de sua relação com o pai: o medo de que ele tenha certeza de sua orientação sexual, as surras que levou na infância e adolescência, a pele negra que ele tanto odeia e da qual se envergonha. Tudo isso forma a “herança maldita” à qual ele se refere ao longo da história e que alimenta seu discurso de ódio e preconceito contra os irmãos e contra si mesmo e que, inconscientemente, recai sobre Davi. Apesar de tudo isso, ele vai levando a vida, até que uma descoberta torna tudo insuportável para ele. É nesse momento em que seu complexo de Édipo invertido não superado se torna latente que ele passa a acreditar que o assassinato do pai será a via para a sua libertação. Porém, ao cometer o crime, se dá conta de que as coisas não são bem assim e tenta se convencer do contrário. No fim, ele destrói muita coisa, mas não destrói o principal, que está dentro de si mesmo. Por fim, não sei se é preciso destruição total para se alcançar a liberdade. Sei apenas que precisamos soltar a mão de certas coisas para que possamos ser aquilo que a nossa natureza pede de nós mesmos.
 

Resenhando.com - “O Pai, a Faca e o Beijo” termina sem oferecer catarse. Em um mercado editorial que muitas vezes aposta no conforto, você escolheu o incômodo. Escrever hoje é, para você, também uma forma de contrariar expectativas, um ato de indisciplina?
Thiago Sobral - Escrever exige, antes de tudo, constância e disciplina. Penso que justamente isso, constância e disciplina, seja uma forma eficaz de contrariar expectativas e fugir da “disciplina” adotada por muitos e, portanto uma “indisciplina” contemporânea. Esse paradoxo, acredito, perpassa o dia a dia de todo escritor, porque precisamos, muitas vezes, nos refugiarmos numa outra lógica, fora do tempo e do espaço que se constroem hoje. É como se a matéria de nossa dedicação (a palavra) precise ser buscada em lugares pouco frequentados. Não quero com isso dizer que o ofício do escritor seja algo elevado, superior. Muito pelo contrário. A palavra está na “vida ao rés do chão”, como disse o mestre Antônio Candido. Embora ele tenha usado essa expressão para se referir à crônica, penso que todo escritor precisa sentir a poeira da terra, “lamber o chão” para penetrar surdamente no reino das palavras e trazer à vida uma nova história. E isso é encarado como algo natural, ossos do ofício, pois não há nada de extraordinário na literatura. Ao mesmo tempo, ela é uma ação sublime capaz de dar ao leitor novas lentes para ver e decifrar o mundo.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip para lançar romance "O Tardio"


O escritor, jornalista e apresentador Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com seu lançamento de 2026, o romance "O Tardio", publicado pela Editora Rua do Sabão. No sábado, dia 25 de julho, à tarde, Maurício estará na Casa Oásis, ao lado dos escritores Alessandra Cysneiros e Luiz Biajoni, em um encontro com leitores durante a programação literária que movimenta Paraty no período da Flip.

Quarto romance do autor, "O Tardio" tem como pano de fundo o Brasil dos anos 1970 e acompanha a jornada de um homem que deixa sua vida para trás em busca de respostas sobre o irmão que nunca conheceu. Entre memória, liberdade e desencontros, a narrativa percorre diferentes regiões do país e revisita as marcas deixadas pela ditadura, pela contracultura e pelos sonhos de uma geração.

Maurício Melo Júnior é também jornalista, crítico literário e documentarista. Há 25 anos, apresenta o programa Leituras, da TV Senado, o primeiro dedicado à literatura e a conversas com escritores, pesquisadores e nomes do mercado editorial. Ao longo de sua trajetória, publicou 35 livros e dirigiu mais de 20 documentários. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.

Sinopse de "O Tardio"
O pano de fundo de "O Tardio", quinto romance de Maurício Melo Júnior, é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto - a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?

A vida de Sérgio parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo - à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão. Anos atrás, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos. Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito: “o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante”, “o calor sobe do chão como nuvem”“cada lugar carrega o peso de quem passou por ele”. O Brasil que emerge dessas páginas é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius.

"O Tardio" é o romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade. 


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense. Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE). Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. 

É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para "Não Me Empurre para os Perdidos" e "Sujeito Oculto". Ao todo, já escreveu 35 livros e "O Tardio" é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país. Garanta o seu exemplar de "O Tardio", escrito por Maurício Melo Júnior, neste link.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: BibliON opera em nova plataforma com acervo ampliado e novos recursos


A BibliON - a biblioteca digital do Estado de São Paulo adota nova plataforma que entra em funcionamento no dia 21 de julho de 2026. A mudança amplia o acervo e acesso simultâneo a mais títulos digitais, reunindo mais de 35 mil títulos e mais de 2 mil audiolivros, integrando também ferramentas de acessibilidade, como leitura em voz alta e tradução automática em Libras (HandTalk). 

O catálogo possui obras de autores brasileiros como Djamila Ribeiro, Ryane Leão, Sérgio Vaz, Conceição Evaristo, Ziraldo, Mauricio de Sousa e Rodrigo França, além de nomes da literatura mundial, como Gabriel García Márquez, Virginia Woolf, Mary Shelley e William Shakespeare.

Para continuar utilizando a biblioteca digital, os usuários atuais deverão instalar o novo aplicativo da BibliON e atualizar os dados cadastrais. O login continuará sendo feito por meio do e-mail já registrado, com a obrigatoriedade de inclusão do CPF para a vinculação da conta. Leitores que ainda não utilizam o serviço podem realizar o cadastro de forma gratuita diretamente no sistema.

O acesso via navegador (site) será redirecionado automaticamente para o novo endereço eletrônico na data da migração. As condições de utilização do acervo não sofrerão alterações. Cada usuário cadastrado poderá retirar até dois títulos de forma simultânea, por um período de 15 dias, com a possibilidade de renovação do prazo.

sábado, 18 de julho de 2026

.: Livro de Juliana Dal Piva é semifinalista do Jabuti Acadêmico


Obra "Crime Sem Castigo" é publicada pela Matrix Editora e esmiúça como foram descobertos os assassinos do ex-deputado federal após mais de 40 anos do desaparecimento. Foto: Custódio Coimbra


O livro "Crime Sem Castigo - Como os Militares Mataram Rubens Paiva", escrito pela jornalista investigativa Juliana Dal Piva e publicado pela Matrix Editora, é semifinalista na categoria Comunicação e Informação da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. A obra apresenta mais de quatro décadas de investigações sobre a prisão e o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, reunindo documentos inéditos sobre o caso desde os anos 1970.

A premiação, organizada e promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), prestigia obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais. Os cinco finalistas serão anunciados em 27 de julho, às 15h30, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).

Após anos apurando o desaparecimento, a autora decidiu estudar o caso em seu mestrado. Em 2014, foi aberto na Justiça Federal do Rio de Janeiro, um processo criminal contra cinco militares acusados pela morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva. Foi a primeira vez, em quase 30 anos, que um juiz federal aceitou denúncia criminal do Ministério Público Federal (MPF) por um homicídio cometido durante a ditadura. O fato se tornou, para os familiares das vítimas da ditadura militar, uma das maiores vitórias no Judiciário desde a redemocratização.

As páginas, porém, voltam a 16 de fevereiro de 1971, quando alguns dias após deixar a prisão, Eunice Paiva escreveu uma dolorosa e dura carta ao então ministro da Justiça e presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Alfredo Buzaid. Esses foram os primeiros escritos em que a esposa de Rubens relatou o drama vivido pela família e onde registra o início de sua busca pelo paradeiro do marido.

À época, ela contou aos conselheiros detalhes sobre a sua injustificada prisão, em 21 de janeiro daquele ano, junto com a filha adolescente. As principais reivindicações, entretanto, era a falta de informações dos órgãos responsáveis sobre a situação e a localização de Rubens. Por quase uma década, Eunice lutou, sem sucesso, pela abertura de uma investigação. O livro também retrata como ela atuou para que, já no governo Sarney, em 1986, a PF finalmente instaurasse um inquérito do caso, quase 15 anos depois do desaparecimento de Rubens.

Crime sem Castigo expõe que a busca pela identificação dos responsáveis pela prisão do ex-deputado federal ganhou decisivos contornos a partir de 2011, com a instalação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e o trabalho de investigação do Grupo de Justiça de Transição do MPF, no Rio de Janeiro.

Dois depoimentos inéditos de militares envolvidos na sindicância de 1971 e no Inquérito Policial-Militar (IPM) de 1986 e 1987, com novas informações sobre as circunstâncias da prisão e da morte de Rubens permitiram que o MPF finalmente pudesse oferecer uma denúncia apontando os responsáveis pelo crime. Ao longo do livro, a jornalista também expõe como o trabalho investigativo de alguns jornalistas foi fundamental para o avanço do caso.

Estão anexados à obra documentos inéditos sobre como o Serviço Nacional de Informações (SNI) monitorou Eunice e também as iniciativas de investigação do desaparecimento de Rubens Paiva. Além disso, a autora encontrou, no acervo do SNI, o primeiro documento produzido pela ditadura que identifica o ex-deputado como “falecido” em 1977. Até o fim do governo de João Figueiredo, o Exército sustentava que Paiva tinha “fugido”, em uma mentira escandalosa.

A autora também faz a trajetória do caso de 1971 até 2014. Juliana acompanhou e, descreve na obra, a única audiência no Judiciário em que os cinco militares apontados como assassinos de Paiva estiveram presentes. O lançamento é fundamental para quem deseja se aprofundar neste que é um dos casos mais emblemáticos do país, agora reavivado também no cinema brasileiro com o lançamento do filme “Ainda estou aqui”. Compre o livro "Crime Sem Castigo - Como os Militares Mataram Rubens Paiva" neste link.


Sobre a autora 
Juliana Dal Piva é jornalista formada pela UFSC com mestrado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da FGV-Rio. Atualmente, é repórter do Centro Latino-americano de Investigação Jornalística (CLIP) e colunista do ICL Notícias. Foi repórter especial do jornal O Globo e colunista do portal UOL. Venceu diversos prêmios de jornalismo. Entre eles, o prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em 2019. Apresentadora do podcast "A Vida Secreta do Jair" e autora do livro “O Negócio do Jair: a História Proibida do Clã Bolsonaro”, best-seller em 2022 e finalista do prêmio Jabuti de 2023. Compre os livros de Juliana Dal Piva neste link.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

.: A coleção que transforma memórias em experimentação literária


Inspiradas na cultura dos zines e do faça-você-mesmo (Do It Yourself/DIY), quatro autoras exploram identidade, infância, corpo e reconstrução em obras inéditas 


Desde 2024, o selo Tato Literário, da com.tato, publica uma coleção de plaquetes anual com curadoria e edição de Thaís Campolina e Karol Lopes. Inspirada na cultura "Do It Yourself" ("Faça Você Mesmo"), na estética dos zines e no formato livreto, a edição de 2026 traz uma novidade marcante: pela primeira vez, as obras compartilham de uma forte coesão temática. Embora transitem por gêneros, propostas e estilos diversos, os quatro títulos selecionados partiram da memória e de suas diferentes interpretações na construção do material produzido. As plaquetes serão lançadas na 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, em sessão de autógrafos com as autoras no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, onde a coleção também será comercializada.

A base desta coleção foi a 3ª edição do minicurso “Plaquetes: Espaço para Experimentação”, conduzido pela poeta e mediadora de leitura Thaís Campolina. Todos os participantes da oficina submeteram originais para seleção. A escolha dos quatro projetos finais aconteceu de forma orgânica, quando as curadoras perceberam a sinergia entre os textos: “Todos os materiais apresentados eram excelentes, o que trouxe um enorme desafio para a curadoria. Como não há definição de temática prévia e cada pessoa escreve e produz o que quer na oficina, aproveitamos a coincidência para construir algo novo e trazer, pela primeira vez, um tema-guia para a coleção”, comentam as curadoras.

Historicamente utilizadas para circular textos poéticos ou manifestos de forma rápida e acessível, as plaquetes ganham na Tato Literário um contorno de resistência editorial, liberdade criativa e abertura para a hibridez de linguagens. O formato enxuto permite que o leitor e autor experimentem a literatura de forma tátil, íntima e direta, celebrando o erro, o ensaio e a potência da palavra em seus mais diversos formatos. 


A memória e suas possibilidades: crônica, poesia e hibridez  
A coleção de 2026 é composta por quatro obras que, a suas maneiras, investigam o corpo, o tempo, as heranças individuais e coletivas e as miudezas do cotidiano:

"Passar Inteira pelo Buraco da Agulha" (Cacá Silveira): estreia solo da autora após publicações em revistas e coletâneas. A obra traz poemas que abordam as contradições humanas e a subjetividade da identidade. Com um olhar afetuoso e incômodo para as memórias, o eu-lírico transita entre tralhas e bugigangas, costurando a terra com o fio do mar para tecer roupagens para o existir.

"Viva Pelo Avesso" (Talita Franceschini de Carvalho): uma obra que nasce do diálogo com a poesia de Ana Cristina Cesar e Eunice Arruda. Tomando essas referências como norte, os poemas exploram os múltiplos sentidos do "avesso" — aquilo que se inverte, desloca ou revela por outro ângulo —, estabelecendo uma relação de enfrentamento, sensibilidade e voz própria. A memória aqui surge desse entrelace entre os dois grandes nomes de poetas já falecidas e a produção literária de Talita. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 24 de julho, às 20h00.

"Ficção que Chamo de Eu" (Luciana Palhares): em um mundo dominado por selfies e influencers, a multiartista e terapeuta holística investiga quem verdadeiramente é após 37 anos seguindo regras incompreendidas. Neste primeiro volume, a autora compartilha treze “causos” marcantes de sua primeira infância, acompanhando as inocências perdidas e as incompreensões de seus anos de formação. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 23 de julho, às 11h00.

"Tornozelo" (Bianca Smanio): essa é uma plaquete sobre as consequências de um salto único. O que era para ser apenas um pulo no pula-pula termina em um tornozelo quebrado e no hiato de uma rotina interrompida. Durante os meses de recuperação, surge uma coleção de descobertas anatômicas e existenciais que viraram texto. Essa é uma jornada sobre cair, quebrar, esperar e aprender a se reconstruir, pedrinha por pedrinha. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 23 de julho, às 13h00.


Agenda Flip
Sessões de autógrafos com autoras da nova coleção de plaquetes do Tato Literário 2026

23 de julho (quinta-feira)
11h00 - Sessão de autógrafos da plaquete “Ficção que Chamo de Eu”, de Luciana Palhares
13h00 -   Sessão de autógrafos plaquete “Tornozelo”, de Bianca Smanio.

24 de julho (sexta-feira)
20h00 - Sessão de autógrafos da plaquete “Viva pelo Avesso”, da Talita Franceschini de Carvalho
Local: estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, no Centro Histórico de Paraty (RJ).


Ficha técnica
Coleção de Plaquetes da Tato Literário 2026
Autoras: Bianca Smanio, Cacá Silveira, Luciana Palhares e Talita Franceschini de Carvalho
Gêneros: poesia e crônica
Editora: Tato Literário (selo da com.tato)
Ano: 2026

domingo, 12 de julho de 2026

.: Sesc reúne personalidades nacionais e internacionais na Flip 2026


Angela Davis, Socorro Acioli, Itamar Vieira Junior, Wole Soyinka, Tati Bernardi, Bruna Lombardi, Elisa Lucinda, Luiza Romão, Jamil Chade, Fabiana Cozza, Marcelino Freire e Eliana Alves Cruz são alguns nomes da programação. Na imagem, Sesc Santa Rita em Paraty. Foto: divulgação
 

Com uma agenda que valoriza a diversidade de vozes, linguagens, expressões artísticas e regionalidades, o Sesc estará presente mais uma vez na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Serão realizados cafés literários, shows, exposição, performances poéticas, rodas de conversa e oficinas. As atividades são gratuitas e acontecem de 23 a 26 de julho de 2026 em três espaços no Centro Histórico de Paraty: Sesc Santa Rita, Casa Edições Sesc e Casa Sesc. A instituição é ainda patrocinadora da programação oficial da Flip.

Além da pluralidade da literatura brasileira com convidados de diversas regiões do país, que já é marca registrada das ações do Sesc no evento, neste ano a programação contará ainda com convidados internacionais. A participação dialoga com duas importantes efemérides: os 80 anos do Sesc e os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, obra-prima de João Guimarães Rosa, que segue influenciando gerações de leitores e escritores. A partir disso, foi elaborado o conceito Múltiplas Veredas, compreendido como metáfora dos vários caminhos que conectam literatura, cultura, território e transformação social.

Memória e saberes ancestrais se destacam em diferentes mesas e encontros, assim como temas urgentes da contemporaneidade, como sustentabilidade, cidadania, democracia e os impactos das tecnologias na vida cotidiana. Debates sobre leitura e formação de leitores abordam os desafios da circulação de ideias e o papel das práticas coletivas, como clubes de leitura e mediação literária. Para a diversão do público infantil, serão realizadas narrações de histórias e mediação de leitura.

O público também poderá visitar, no Sesc Santa Rita, uma exposição especial em celebração aos 80 anos do Sesc. Com fotografias históricas e registros contemporâneos, a mostra apresenta um panorama da trajetória da instituição, destacando sua contribuição para o desenvolvimento social do Brasil ao longo de oito décadas.

“No ano em que celebra oito décadas de atuação, a participação do Sesc na Flip ganha ainda mais relevância. A cultura amplia repertórios, fortalece a cidadania, incentiva a leitura e a formação de novos públicos, ao mesmo tempo em que movimenta o turismo, impulsiona a economia local e gera trabalho e renda. Ao reunir autores, artistas e leitores, o Sesc contribui para o desenvolvimento dos territórios e demonstra que investir em cultura também é investir no desenvolvimento social e econômico do país”, destaca Diana Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.
 

Sesc na Flip acontece em três casas
No Sesc Santa Rita, unidade do Polo Sociocultural Sesc Paraty, o público poderá participar de atividades com a presença de autores como Eliana Alves Cruz, Marcelino Freire, Milena Martins Moura e Daniel Munduruku, primeiro escritor indígena a compor o acervo da Casa de Rui Barbosa que participa do encontro “Cosmologias da palavra” ao lado de Jama Wapichana.

A escritora Tati Bernardi comandará um talk show literário com os convidados Bruna Lombardi, Itamar Vieira Junior e Elisa Lucinda. O espaço também apresentará o espetáculo “Viola, Rosa e Sertão”, com o violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire. Haverá, ainda, na mesma casa, uma área de descompressão com enfoque em diversidade, equipada com sofás, pufes e fones com supressão de ruído, além de recursos de acessibilidade, como Libras, materiais em braile, assentos preferenciais e mobiliário adaptado.

Na Casa Sesc, as discussões abrangerão a circulação literária e novos formatos - como podcasts e plataformas digitais -, além de reflexões sobre acessibilidade, diversidade e inteligência artificial, com nomes como Nina da Hora, Sil Bahia e Lu Ain-Zaila. O público encontrará nomes centrais do pensamento contemporâneo, como a escritora e ativista americana Angela Davis, ao lado do Nobel Wole Soyinka; além do intelectual Muniz Sodré, em diálogo com o podcast "Angu de Grilo", de Flávia Oliveira e Isabela Reis.

Já na Casa Edições Sesc, autores da editora e convidados participam de debates que articulam literatura, artes visuais, pensamento crítico e temas contemporâneos. A programação - que conta também com mesas realizadas em parceria com o Senac São Paulo - promove encontros em torno de questões urgentes do presente, como geopolítica, saúde mental, educação midiática, sustentabilidade e direitos humanos.

Entre os destaques, estão conversas com Eustáquio Neves, artista visual em exposição na Bienal de Veneza; Jamil Chade, jornalista com atuação internacional em geopolítica; Bob Wolfenson, nome importante da fotografia brasileira; Natália Timerman, escritora e psiquiatra; e Mary del Priore, historiadora e autora referência em História do Brasil, além de encontros com autores, pesquisadores, educadores e artistas de diferentes áreas. Em uma parceria inédita entre o Sesc e a Estante Virtual, os vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025 participarão de uma mesa na Casa Estante Virtual, fortalecendo o compromisso das instituições com a valorização da literatura e o encontro entre autores e leitores.


Sesc Mesa Brasil na Flip 2026
Pelo segundo ano consecutivo, os participantes poderão realizar, no Sesc Santa Rita, doações de alimentos não perecíveis ou contribuições financeiras via Pix para o Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina. Os insumos serão distribuídos para instituições sociais de Paraty que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

Além disso, o público poderá participar de uma mesa de debate e experiência gastronômica com pesquisadoras e coletivos de Paraty para discutir os vínculos entre comida, memória e território e de uma oficina de escrita conduzida por Taís Bravo, que estimula os participantes a explorar memórias e afetos por meio da criação literária inspirada nos alimentos e nas refeições compartilhadas. Essas ações convidam à reflexão sobre o engajamento em ações solidárias e buscam estimular a consciência social, ampliando o impacto do Sesc na Flip para além da cultura. Toda a programação do Sesc é gratuita e está disponível no site sesc.com.br/sescnaflip.


Serviço
Espaços do Sesc no Centro Histórico de Paraty
Sesc Santa Rita - Rua Santa Rita, 133
Casa Sesc - Rua Marechal Santos Dias, 22
Casa Edições Sesc - Rua Marechal Santos Dias, 115

sábado, 11 de julho de 2026

.: Itamar Vieira Junior realiza palestra e inspira Ciclo de Leitura na Caixa Cultural


Programação aproxima o público das temáticas que atravessam a obra do autor de "Torto Arado". Foto: Divulgação / Caixa


Em julho, a programação da Caixa Cultural São Paulo reúne a palestra “É Mesmo Ficção?”, conduzida por Itamar Vieira Junior, e o Ciclo de Leitura: "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'", realizado pelo Programa Educativo Caixa Gente Arteira. As atividades têm como ponto de partida a produção literária do escritor e questões presentes em seus livros. Autor de "Torto Arado", "Salvar o Fogo", "Coração Sem Medo" e "Doramar ou a Odisseia", Itamar Vieira Junior conduz, no dia 18, a palestra “É mesmo ficção?”, estruturada a partir de leituras comentadas e conversas sobre literatura, memória, território e processos de criação narrativa.

Voltado a leitores, estudantes, educadores, pesquisadores e interessados em literatura contemporânea, o encontro oferece uma aproximação com referências, contextos e elementos presentes na trajetória e na produção literária do escritor.

Em diálogo com a palestra, a atividade promove a leitura compartilhada de "Torto Arado" e a mediação de conversas sobre aspectos literários, culturais e históricos abordados no romance, estimulando a troca de interpretações entre os participantes. Ao reunir a leitura da obra e o encontro com seu autor, a programação oferece ao público um espaço de reflexão sobre a literatura brasileira contemporânea e sobre os múltiplos sentidos presentes na escrita de Itamar Vieira Junior.


Serviço
Palestra: “É Mesmo Ficção?”, com Itamar Vieira Junior

Caixa Cultural São Paulo | Praça da Sé, 111 - Centro / São Paulo
Dia 18 de julho de 2026, das 15h00 às 17h00
Duração: 2 horas
Classificação indicativa: 18 anos
Capacidade: 140 participantes
Informações: (11) 3321-4400
Site: caixacultural.gov.br | Instagram: @caixaculturalsp


Ciclo de Leitura "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'"
Local: Sala de Oficinas
Datas: 11 e 25 de julho de 2026,  das 10h00 às 12h00
Duração: 2 horas por encontro
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 20 participantes por encontro
Programação gratuita, sujeita à capacidade dos espaços.


 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

.: Peça inspirada em livros de Édouard Louis segue em cartaz no Teatro Faap


Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e de Marcelo Grabowsky, espetáculo foi criado a partir de três livros do francês Édouard Louis, um fenômeno da literatura mundial. Foto: Elisa Mendes

Indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias de melhores direção, ator protagonista e direção de movimento depois de grande sucesso na capital carioca, "Eddy – Violência & Metamorfose" segue em temporada no Teatro FAAP até dia 6 de agosto, com sessões de terça a quinta-feira, às 20h00. O espetáculo tem direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky e traz no elenco João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro. A montagem reúne três contundentes obras - “O Fim de Eddy”, “História da Violência” e “Mudar: Método” - do premiado autor francês Édouard Louis, traçando um panorama ampliado da sua trajetória. Vale mencionar que o trabalho teve o aval caloroso do próprio autor: “É a primeira vez que uma proposta assim foi realizada no mundo”, diz Louis, que já teve seus livros levados à cena em diferentes países.

O espetáculo, que aborda temas urgentes como violência de classe, de gênero e sexual, homofobia, machismo e xenofobia, dá continuidade à pesquisa da Polifônica a respeito da violência e da dominação masculina nas relações humanas e suas devastadoras consequências. A montagem gira em torno de um episódio real vivido por Édouard Louis no Natal de 2012, em Paris. Após um jantar com amigos, ao voltar para casa, o escritor é abordado por um jovem de origem argelina, chamado Redá, e, então, os dois seguem para o apartamento do escritor. Mas, após uma noite de amor, na manhã seguinte, Édouard é violentado por este homem e quase assassinado. 

O episódio traumático, elaborado na obra “História da Violência”, dá início a uma jornada reflexiva e de elaboração a respeito das estruturas sociais que viabilizam a produção, a reprodução e a circulação da violência em nossas sociedades. Um ano após o terrível episódio, após lidar com uma série de procedimentos médicos, policiais e jurídicos relacionados ao caso, Édouard inicia uma viagem de retorno à sua cidade natal. Ele hospeda-se na casa da sua irmã, Clara, e é a partir deste reencontro que se inicia um jogo de relatos, de narrativas e de representações que reconstituem e investigam o ocorrido naquela noite, em que vêm à tona uma pluralidade de questionamentos e de reflexões acerca do machismo, do racismo e da homofobia enraizadas na nossa sociedade. 

Ao longo do espetáculo, a narrativa de “História da Violência” também é atravessada por trechos de “O Fim de Eddy” e culmina na recriação de fragmentos de “Mudar: Mtodo”, obra em que Édouard reconta sua trajetória de emancipação social e intelectual, desde a saída da sua cidade natal, Hallencourt, até a sua chegada e estabelecimento em Paris. “Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão; sobre como isso produz danos nos mais diferentes corpos — humanos, além de humanos e de toda a Terra —, mas, principalmente, em tudo aquilo que se aproxima ou é identificado como feminino”, elabora o diretor Luiz Felipe Reis.

“Meu interesse pela obra do Édouard surge como desdobramento dessa investigação contínua que venho realizando sobre diferentes modos de violência, sobretudo os que constituem o mundo masculino - seu ethos e psiquismo, as regras e normas das sociedades patriarcais e, sobretudo, do regime totalitário do capital sob o qual estamos todos subjugados. Édouard reflete e escreve sobre violência social, política, econômica, cultural, racial, sexual, de gênero, ou seja, sobre inúmeras formas de produção e de circulação da violência, sobre todo um circuito de violência que rege nossos comportamentos e pensamentos, sociais e individuais. Em outras palavras, Édouard descreve com precisão iluminadora os efeitos devastadores das forças de opressão e de destruição que constituem a nós e nossas sociedades contemporâneas ”, acrescenta.

O cineasta Marcelo Grabowsky, que já havia colaborado com a Polifônica no espetáculo “Amor em Dois Atos”, foi convidado para retomar sua parceria com o grupo, coassinado a direção e a dramaturgia de “Eddy - Violência e Metamorfose”, ao lado de Luiz Felipe Reis.“Admiro muito a forma como a companhia enxerga a cena teatral e propõe esse cruzamento de linguagens. Adaptar a obra do Édouard para o palco encontra a importância de encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena. Mesmo com o avanço e a legitimação de muitas vozes LGBTQIAP+ no Brasil, o conservadorismo e o preconceito insistem em revelar e exercer a sua violência. Édouard elabora de uma forma instigante seu olhar sobre a violência, encarando sua complexidade, e questionando sua origem. Consegue transformar suas próprias experiências, por mais duras que possam ser, em literatura, em arte, para alcançarem e sensibilizarem outras pessoas”, analisa Grabowsky.

"Eddy" também dá sequência à pesquisa estética da Polifônica acerca da noção de polifonia cênica, em que busca estabelecer uma relação criativa e não hierárquica entre o teatro e diferentes linguagens e formas de arte, como o cinema, a literatura e o som - pesquisa elaborada desde o primeiro espetáculo da companhia, “Estamos Indo Embora…” (2015), assim como em todos os trabalhos subsequentes: “Amor em Dois Atos” (2016), “Galáxias” (2018), “Tudo Que Brilha no Escuro” (2020), “Vista” (2023) e “Deserto” (2024) - esse último em cartaz atualmente no Teatro Poeira, com temporada prorrogada até agosto, devido ao sucesso, e indicações ao Prêmio APTR para Melhor Dramaturgia, Direção e Ator. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Sinopse de “Eddy - Violência & Metamorfose”
“Eddy - Violência & Metamorfose”é um espetáculo baseado em três obras do escritor francês Édouard Louis: “O Fim de Eddy”“História da Violência” e “Mudar: Método”. Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, o elenco conta com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro. Indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias Melhor Direção, Melhor Ator Protagonista e Melhor Direção de Movimento, “EDDY” aborda temas urgentes como violência sexual, homofobia, xenofobia, machismo e dominação masculina, a partir de um episódio real vivido pelo autor em Paris no Natal de 2012. Com esta imersão na obra de Édouard Louis a Polifônica dá sequência a uma pesquisa continuada, desenvolvida ao longo da última década, a respeito da violência e da dominação masculina nas relações humanas e suas múltiplas consequências. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Sobre Édouard Louis
Édouard Louis, nascido Eddy Bellegueule, em 1992, na região operária da Picardia, norte da França, é um dos principais nomes da literatura contemporânea europeia. Formado em sociologia pela École Normale Supérieure, foi aluno do filósofo e sociólogo Didier Eribon, cuja influência transparece em sua obra. Estreou em 2014 com “Para Acabar com Eddy Bellegueule, uma narrativa autobiográfica que retrata a infância marcada pela pobreza, homofobia e violência familiar. Em 2016, publicou “História da Violência”, um relato intenso sobre o estupro que sofreu e seus desdobramentos psicológicos e sociais. Em 2018, lançou “Quem Matou Meu Pai”, uma denúncia comovente sobre as consequências das políticas neoliberais no corpo e no destino de seu pai operário.

Já em 2021, publicou “Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher”, focando na trajetória de sua mãe, uma mulher que tenta romper com as amarras da submissão patriarcal. Os livros de Louis têm sido traduzidos para dezenas de idiomas e amplamente debatidos por seu teor político e sua fusão entre experiência pessoal e crítica social. Seus temas centrais - identidade, exclusão social, sexualidade, violência e desigualdade - conferem à sua obra um caráter profundamente político e transformador. Embora jovem, já recebeu reconhecimento significativo, como o Prêmio Pierre Guénin Contra a Homofobia (2014), e teve suas obras adaptadas para o teatro e analisadas em meios acadêmicos. Sua escrita, marcada por uma linguagem direta e sem ornamentos, faz da dor um ponto de partida para repensar as estruturas sociais que moldam e limitam as vidas marginalizadas. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Eddy - Violência & Metamorfose"
Idealização, produção e realização: Polifônica (Luiz Felipe Reis e Julia Lund)
Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky com João Côrtes, Julia Lund, Erom Cordeiro
A partir das obras de Édouard Louis - “O Fim de Eddy”, “História da Violência”, “Mudar: Método”
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto
Preparação corporal: Alexandre Maia
Cenografia: André Sanches
Assistente de cenografia: Débora Cancio e Nicole Suzana Santos da Silva
Direção de tecnologia: Julio Parente (Para Raio)
Iluminação: Julio Parente (Para Raio)
Figurino: Antônio Guedes
Assistente de figurino: Mari Ribeiro
Criação de vídeo: Daniel Wierman
Trilha sonora: Luiz Felipe Reis
Direção musical: Carol Mathias
Produção musical: Pedro Sodré
Técnico de luz: Rodrigo Lopes e Gabriel Lagoas
Operador de luz e vídeo: Rodrigo Lopes
Técnico-operador de som: Joy Espindola
Hair stylist: Salão Ará
Make: Sabrina Sanm
Fotografia de estúdio: Renato Pagliacci
Identidade visual: Guilherme Falcão
Assessoria de comunicação: Pombo Correio
Direção de produção: Luiz Felipe Reis e Julia Lund (Polifônica)
Produtor associado: Sérgio Saboya (Galharufa)
Produção executiva: Roberta Dias (Caroteno Produções)


Serviço
Espetáculo "Eddy - Violência & Metamorfose"
Temporada: até dia 6 de agosto de 2026
Terças, quartas e quintas-feiras, às 20h00
Teatro FAAP - Rua Alagoas, 903, Higienópolis / São Paulo 
Ingressos: R$ 130,00 (inteira) e R$ 65,00 (meia-entrada)
Bilheteria: de quarta a sábado, das 14h00 às 20h00, e domingo, das 14h00 às 17h00. Durante os dias de espetáculo, até o início da apresentação
Duração: 110 minutos
Classificação: 18 anos
Capacidade: 477 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.