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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

.: Grupo Equale canta a obra de Aldir Blanc no álbum “Salve, Aldir!”


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação

Formado em 1990, o Equale é um importante grupo vocal carioca que reverencia a MPB com trabalhos interessantes, conhecidos pela originalidade nas performances e pelos arranjos personalizados em mais de três décadas de carreira. O álbum “Salve, Aldir!”, que a Biscoito Fino acaba de lançar, se juntará a outros tributos fonográficos do grupo a compositores brasileiros, mote de uma discografia que inclui os álbuns "Expresso Gil" (2000), "Equale Canta Milton Nascimento - Um Gosto de Sol" (2004) e "Na Praia de Caymmi" (2017) - este último, vencedor do Prêmio da Música Brasileira de 2018 como melhor grupo de MPB. 

Dessa vez, o Equale dá vozes ao cancioneiro do compositor Aldir Blanc (1946 - 2020), que completaria 80 anos em 2026. Nesta homenagem, o grupo rebobina parcerias não tão óbvias, com compositores como Djavan, Cristovão Bastos, Sueli Costa, Moacyr Luz e Maurício Tapajós, além de alguns clássicos  com João Bosco e Guinga, dois dos principais parceiros do bardo carioca.  

Com direção musical e regência do maestro André Protásio, produção musical do mesmo, em parceria com Flavio Mendes e Tom Andrade, o álbum conta com as participações especiais de Guinga, Ilessi, Marcos Sacramento e Cristóvão Bastos. A produção executiva do álbum é de Letícia Dias e da TAPA - Tom Andrade Produções Artísticas.

"Nação"

"Querelas do Brasil"

"Voisa Feita"

.: Há 92 anos, nascia Sylvia Telles, a voz da Bossa Nova


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação

Há 92 anos, nascia no Rio de Janeiro a cantora Sylvia Telles, a voz que serviu como a imagem da Bossa Nova. Com personalidade forte e cativante, ela acabou influenciando várias outras canypras com sua interpretação peculiar e moderna. Sempre a frente de seu tempo. Sylvia D´Atri Telles nasceu em uma família que tinha a música sempre próxima. Embora fosse atraída inicialmente pela dança (ballet clássico) eLa acabou se descobrindo como intérptrete estimulada pelo seu irmão mais velgo, Mario Telles, que tinha discos e já atuava na música.

O compositor Anibal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, ajudou ela a encontrar trabalho no início da carreira. E foi nessa época também que conheceu um músico baiano com quem teve um breve namoro: João Gilberto. Sylvinha, como wea apelidada pelos amigos, fez sucesso com a canção "Amendoim Torradinho" no ano de 1955. Essa  gravação foi determinante para a sua entrada no mercado fonográfico  e dos shows ao vivo. Nesse mesmo ano casa-se com José Candido de Mello Mattos, o Candinho, com quem teve a primeira e única filha, Cláudia Telles, que mais tarde se tornaria também cantora.

Ela passou a frequentar as reuniões no apartamento da família de Nara Leão, que se tornou o berlo do movimento musical batizado como Bossa Nova, que conquistaria o mundo nos anos seguintes, Ela logo se identificou com o novo estilo, sendo até apontada como a personificação da Bossa Bova como intérprete. Em 1960 casou-se pela segunda vez com Aloisio de Oliveira, de quem se separaria em 1964.

Infelizmente Sylvinha faleceria no dia 17 de dezembro de 1966, em um acidente automobilistco com seu namorado na época, Horacio de Carvalho, na região de Maricá, no Rio de Janeiro. Tinha apenas 32 anos e uma carreira em crescente ascensão. Meu  contato com a obra de Sylvia Telles aconteceu nos anos 80; no período em que busquei mais informações sobre os músicos e cantores que se destacaram na Bossa Nova. As interpretações de Sylvinha eram bem originais, fazendo com perfeição uma ponte entre a nossa MPB e o universo sofisticado do jazz.

Apesar de ter deixado um legado musical de valor inegável,  a obra fonográfica de Sylvinha Telles  permanece fora de catálogo. Felizmente há vídeos com diversas gravações e trechos de aparições na televisão. E nas platafoirmas de streaming você consegue encontar alguns discos lançados nos anos 50 e 60 pata ouvir. 

Em 2022, foi lançada sua primeira biografia, revelando-a dona de talento e comportamento a frente de seu tempo, símbolo de uma época e criadora de um estilo que permanece vivo e atual. Durante dez anos, o músico e pesquisador Gabriel Gonzaga mergulhou fundo em sua história; colecionou mais de 2500 recortes, reportagens, 200 fotos e cerca de 50 entrevistas que ajudam a contar os detalhes de uma vida intensa.


"Samba Torto"

"Samba de Uma Nota Só"

"Você e Eu"

sábado, 22 de agosto de 2026

.: "Revolver" 60 anos: a arma dos Beatles era a inovação


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Há 60 anos os Beatles lançavam o álbum "Revolver", explorando ao máximo os recursos técnicos no estudio de gravação. Mais do que apontar tendencias, o disco consolidou a nova fase da banda, que abandonou os shows ao vivo ´para dedicar seu tempo para trabalhos conceituais e mais elaborados. O som de "Revolver" não se parecia com os trabalhos anteriores. 

A começar que pela primeira vez George Harrison aparecia com três canções de sua autoria ("Taxman", "Love You To" e "I Want To Tell You"). Todas elas aliás são destaques nesse álbum. O detalhe curioso é que em "Taxman", o solo de guitarra foi feito por Paul McCartney e não por George, como ocorria habitualmente.

Na faixa "Eleanor Rigby", McCartney canta acompanhado somente por um octeto de cordas, em um dos momentos mais marcantes do disco. E sola os vocais na bela balada "Here There and Everywhere" e na animada "Got to Get You Into My Life", essa última com arranjo inspirado gravações da Motown e Stax, ícones da soul music nos anos 60. E também se destaca na balada "For No One", que fala do fim da relação dele com sua namorada na época, Jane Asher.

John Lennon apresenta momentos de flerte com o rock psicodélico em "She Said She Said", "I´m Only Sleeping" e "Tomorrow Never Knows". E Ringo sola o vocal em "Yellow Submarine". "Revolver", o álbum, foi o real divisor de águas na carreira musical dos Beatles. E o interessante é que passados 60 anos o trabalho continua relevante na atualidade, comprovando a força dos quatro músicos de Liverpool.

"Taxman"

"Here There and Everywhere"

"Eleanor Rigby"

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

: MPB-4 e Orquestra Petrobras revivem clássicos da nossa música


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

.Sob regência do maestro Felipe Prazeres, o concerto que lotou a Grande Sala da Cidade das Artes (RJ), em outubro de 2024, reuniu a Orquestra Petrobras Sinfônica com o grupo MPB4. Meses depois desta apresentação, que celebrou os 60 Anos da MPB, o quarteto e a orquestra voltaram a se encontrar para a gravação do álbum “MPB4 Sinfônico”, realizada na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição Progresso, eternizando a parceria e os arranjos criados para o concerto.

A formação atual do MPB4 conta com Aquiles Reis, Miltinho. Dalmo Medeiros e Paulo Malagutti Pauleira. Os dois primeios estão desde o início, nos anos 60. E os outros entraram mais tarde, mantendo sempre a unidade do grupo, bem como a qualidade dos trabslhos desenvolvidos na música.

No repertório, clássicos da música popular brasileira que marcam a trajetória do MPB4, como “Apesar de Você”, “Olê Olá”, “Roda Viva” (as três de Chico Buarque), “Samba do Avião” (Tom Jobim), “Porto” (Dori Caymmi), “Velas Içadas” (Ivan Lins / Vitor Martins) e “O Ronco da Cuíca” (João Bosco / Aldir Blanc), entre outros. Destaque também para a canção Porto, composta por Dori Caymmi para a primeira versão da novela Gabriela, da Rede Globo.

Os arranjos levam as assinaturas de Jaime Alem, Itamar Assiere, Gilson Santos e Paulo Malaguti Pauleira. O álbum “MPB4 Sinfônico” é um daqueles casos de rara beleza da nossa música popular. E ao unir essas canções com o acompanhanento da Orquestra Petrobras, o grupo potencializou  ainda mais a força das canções. Se você gosta da nossa MPB precisa conferir esse trabalho  do MPB4.

"Porto"

"O Cio da Terra"

"Roda Viva"




 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Renan Oliveira canta a nova edição de “Os pagodes Que a Gente Gosta”


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Em um momento em que o mercado da música redescobre a força dos medleys e da nostalgia como estratégia para conquistar novas gerações, Renan Oliveira segue apostando em um caminho que já virou marca registrada de sua carreira. Depois de a primeira parte do audiovisual “Os Pagodes Que a Gente Gosta – Volume 3”, já ultrapassou de 3 milhões de reproduções nas plataformas digitais em poucas semanas, o cantor lança a segunda etapa do projeto gravado na Quadra da Portela; no Rio de Janeiro,  tendo como destaque o encontro inédito com Thiago Soares.

A parceria acontece no medley “Entre a Cruz e a Espada / Namorada Nota Dez / História Combinada”, escolhido como faixa foco do lançamento. O encontro reúne dois artistas identificados com o pagode romântico em um repertório que atravessa diferentes gerações e reforça a proposta do projeto: revisitar clássicos que permanecem vivos na memória afetiva do público, sem abrir mão de uma interpretação contemporânea.

Gravado diante de cerca de quatro mil pessoas na Quadra da Portela, o audiovisual mostra que existe espaço para um pagode que cresce menos pela lógica dos desafios virais e mais pela conexão emocional com o público. O repertório reúne canções que marcaram os anos 1990 e 2000, período considerado um dos mais férteis da história do gênero, e transforma sucessos conhecidos em medleys que mantêm a energia de uma roda de samba.

A nova etapa também consolida o crescimento do projeto “Os Pagodes Que A Gente Gosta”, que já realizou mais de dez edições, passou por diferentes cidades brasileiras, reuniu públicos superiores a 15 mil pessoas e acumula mais de 64 milhões de reproduções considerando os lançamentos anteriore

"Apaga / Pensa Bem / Nuvem"


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

.: Rodrigo Vellozo idealiza álbum que revisita a obra de Benito Di Paula


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Poucos artistas conseguiram construir uma obra tão popular e, ao mesmo tempo, tão singular quanto Benito Di Paula. Entre o samba, a canção romântica, a influência jazzística do piano e uma escrita profundamente brasileira, Benito criou um universo musical próprio que atravessa gerações há mais de sete décadas. Agora, ao completar 85 anos de vida e 55 anos de carreira, sua obra ganha uma nova leitura através de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça", álbum homônimo idealizado por seu filho, o cantor, compositor e pianista Rodrigo Vellozo lançado pela ADA/Companhia de Discos do Brasil.

 Ao lado de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça - artistas da cena contemporânea brasileira - Rodrigo Vellozo revisita canções marcantes do repertório de Benito sem recorrer à nostalgia. O álbum propõe um diálogo entre tradição e invenção, revelando a força e a modernidade de composições que continuam profundamente conectadas ao presente.

As cinco primeiras faixas de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça" funcionam como um verdadeiro primeiro ato do álbum e estabelecem uma conexão direta com um momento histórico da trajetória de Benito Di Paula. “Maria Baiana Maria”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Tudo Está Mudado” e “Meu Maior Afeto” reproduzem a sequência de abertura do disco lançado por Benito em 1976 pela Copacabana.

 Ao revisitar esse repertório na mesma ordem concebida originalmente, Rodrigo Vellozo e seus parceiros prestam homenagem não apenas às canções, mas também à arquitetura artística de um dos discos mais importantes da carreira do compositor. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente que norteia todo o projeto, revelando a permanência e a atualidade de uma obra que segue emocionando e inspirando novas gerações. O disco tem outros momentos interessantes, que mostram a força do trabalho de Benito. Que por sinal merece ser reverenciado como um dos compositores mais singulares de nossa MPB.

"Tudo Está no Seu Lugar"

"Maria Baiana Maria"

"Violão Não Se Empresta a Ninguém"

sexta-feira, 31 de julho de 2026

.: Com mais dez anos de trajetória, Soul de Brasileiro lança o primeiro album


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Formado por Negra Silva, José Junior e Ge Vieira, o trio Soul de Brasileiro lançou o primeiro álbum, “Sou” pelo Selo Toca Discos, com distribuição da Universal Music. O álbum conta com as participações especiais de Paula Lima, do músico Josiel Konrad e do rapper baiano Hiran. Junto com o álbum, será lançado o videoclipe da música “Oxum Rabane”.

Com mais de uma década de trajetória, o Soul de Brasileiro conecta soul music, samba, MPB, jazz, funk e matrizes afro-brasileiras. Nascidos na Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro, e unidos pela música, inicialmente em igrejas, Ge Vieira, José Junior e Negra Silva descobriram ainda jovens a potência de suas vozes e transformaram esse encontro em um projeto que celebra identidade, pertencimento, ancestralidade, afeto, espiritualidade, resistência e uma constante busca por excelência musical.

Depois dos singles “De Onde Eu Vim”, “Minha Vibe” e “Aí Tem Coisa”, o álbum “Sou” reafirma a maturidade criativa do grupo, que construiu uma linguagem própria na qual as vozes assumem protagonismo absoluto. Com direção artística de Constança Scofield e produção musical de Felipe Rodarte, gravado no icônico estúdio Toca do Bandido, o álbum reúne composições autorais que transitam com naturalidade entre o soul brasileiro, o neo soul, a MPB contemporânea, o R&B, o samba e diferentes expressões da música afrodiaspórica, dialogando com referências como Cassiano, Tim Maia, Sandra Sá, Jorge Ben, Marvin Gaye, Lauryn Hill, Jill Scott, Fela Kuti e Erykah Badu, sem abrir mão de um identidade profundamente brasileira.

 Em entrevista para o portal Resenhando.com, Gê Vieira disse que o trip conhece bem o público do Litoral Paulista. Eles se apresentaram no Sesc de Santos. “Foi uma energia muito positiva; Houve uma interação nem legal com o nosso trabalho.  Se houver possibilidade, queremos voltar, sim”.

"Aí Tem Coisa"

 "De Onde Eu Vim"

"Eu Sou"

.: O Baú da Hora Fértil": documentário inédito desvenda história dos Tribalistas


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O documentário inédito "Tribalistas - O Baú da Hora Fértil", dirigido por Dora Jobim, faz pré-estreia para convidados no 4º Curta! Festival, dia 3 de agosto.  O longa mergulha na história do grupo formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, revelando bastidores dos álbuns homônimos e do processo criativo do trio.


A obra, viabilizada em parceria com o Curta!, chegará ao canal com exclusividade no primeiro semestre de 27. Antes, no entanto, participa de festivais nacionais e internacionais. A produção é da Phonomotor, Kappamakki e Estúdio Morro Dois Irmãos.


Além da pré-estreia, o 4º Curta! Festival realiza na terça, 4, e quarta, 5, atividades presenciais gratuitas abertas ao público com retirada de senhas no Sympla neste link. Serão realizadas masterclasses com o cineasta Jorge Furtado e com o pesquisador de imagens Antônio Venâncio; sessões ‘Sala de Montagem’, com exibição de trechos exclusivos e bate-papo com profissionais das equipes dos longas “Dos à Deux”, de Roberto Bomtempo, “Aqueles Olhos de Carvão Acesso”, de Isabella Poppe, e “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira; além de um debate sobre “As Novas Fronteiras da Pós-Produção” reúne os profissionais Marcelo Pedrazzi e Thiago Anjos.


As atividades marcam a última etapa do evento, iniciado com exibição e votação de cerca de 170 produções de ficção e documental, entre filmes e episódios de séries. Os vencedores serão conhecidos na sexta, 7, em evento com transmissão ao vivo pelo youtube do canal: https://www.youtube.com/@canalcurta/streams.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Deep Purple segue no hard rock setentista com o lançamento de "Splat!"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A  banda britânica Deep Purple está com material novo na praça. Na contramão da tendência atual do mercado fonográfico,  o veterano grupo apresenta 13 cançoes inéditas no formato de um álbum convencional. E se mantém fiel a sonoridade baseada no hard rock da década de 70. 
Da formação considerada clássica, há três integrantes: Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo) e Ian Paice  (bateria). Complementam a formação Don Airey (teckados) e Simon McBride. Formação essa, aliás, que mostra um entrosamento incrível nesse novo disco intitulado "Splat!".

O grande acerto nesse álbum foi investir  em um material mais básico, com canções mais curtas e diretas e sempre baseadas no rock dos anos 70. Os riffs de guitarra são marcantes e se por um lado o vocal de Ian Gillan já não consegue alcançar  os antigos agudos, ele se moatra perfeitamente adaptado a sonoridade atual. Há também os tradicionais duelos de solos da guitarra com o órgão Hammond. Don Airey e Simon McBride  são excelentes músicos e conseguem entregar aquilo que o ouvinte fã de hard rock  gosta de ouvir. Nem preciso falar das performances de Ian Paice e Toger Glover, ambos mestres em seus respectivos instrumentos.

Há uma parcela dos críticos na imprensa que defende a aposentadoria da banda. Entretanto, se essa mesma parcela ouvir com atenção esse "Splat!" terá a oportunidade de mudar de opinião. Deixem os veteranos seguirem-na trilha do hard rock enquanto eles se sentirem motivados. Os fãs do grupo agradecerão.


Deep Purple - "Diablo"

Deep Purple - "Guilti Trppin"

Deep Purple - 
"Arrogant Boy"

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: "Foreign Tongues": Rolling Stones desafiam o tempo em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cada novo álbum dos Rolling Stones, o público acaba se surpreendendo de forma positiva. Os seus veteranos integrantes recusam solenemente uma eventual aposentadoria e seguem produzindo ótimas canções que mesclam as suas principais influências musicais, entre elas o blues e a música folk americana, além dos pioneiros do rock como Chuck Berry.

Em "Foreign Tongues", que acaba de ser lançado em formato físico e nas plataformas digitais, a fórmula se repete e da muito certo. A exemplo do que ocorreu no disco anterior,  o produtor Andrew Watt manteve intacta a formula dos Stones, sem se preocupar em soar mais contemporâneo. Mick Jagger (vocal ) e Keith Richards (guitarra e backing vocals) assinam a maior parte da autoria das canções, enquanto Ron Wood cumpre seu papel no grupo nos solos e guitarra base.

O disco abre com "Rough And Twisted", um blues rock bem ao estilo dos Stones. E segue  com  a animada  "In The Stars" que tem um forte apelo radiofônico nos riffs e no refrão. Nessas duas faixas o vocal de Jagger esta limpo e impecável,  assim como em todas as demais.Steve Jordan (batéria) e Daryl Jones (baixo) complrmentam a banda. Na faixa "Covered In You" o ex-beatle Paul McCartney participa tocando baixo,  enquanto Steve Winwood participa de várias faixas  tocando teclados. E a banda gravou  um cover de "You Know I'm No Good", de Amy Winehouse, que ficou acima da média. Os Stones não são highlanders do rock. Mas é fato que eles seguem desafiando o tempo. Pelo menos enquanto se sentirem capazes de dar conta do recado. 

"Tough and Twisted"

"In The Stars"

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

.: “Tomo Controle Contigo”, novidade: Suzy McCalley lança novo single


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cantora brasileiro-americana Suzy McCalley está lançando um novo single. Bebendo na fonte das músicas brasileira e americana, Suzy está lançando a música “Tomo Controle Contigo”, pela Ada Brasil Music em todas as plataformas musicais. “A inspiração para essa música é o posicionamento da mulher no momento do flerte, da atração. Ela está entrando num clube, há aquele momento de tensão sexual, e no final é a mulher que escolhe o parceiro”, conta Suzy.

O single faz parte de um projeto chamado “Amor e Atitude”, que terá outras músicas lançadas ao longo do ano. No caso de “Tomo Controle Contigo”, a vocação de Suzy para extrapolar fronteiras aparece também numa batida meio caribenha, fruto da troca de experiências com o produtor Carlos Yael, vencedor de cinco Grammys.

Suzy nasceu no Brasil, filha de mãe brasileira e pai americano, ambos músicos. Mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos e mora lá até hoje, mas está sempre no Brasil e nos últimos três anos intensificou sua imersão musical, visitando Minas Gerais e o Nordeste, sempre em busca de novas influências e conhecimentos.  

Nos Estados Unidos, Suzy tornou-se uma espécie de embaixadora da cultura brasileira. Além de se apresentar com sua banda, realiza eventos que incluem, além de música, dança e gastronomia brasileiras. “É incrível compartilhar a cultura brasileira. Principalmente onde moro agora, na Carolina do Norte, onde as pessoas normalmente só conhecem “Garota de Ipanema” e uma ou outra música brasileira”,  concluiu.

"Tomo Contro Contigo"

sexta-feira, 3 de julho de 2026

.: Jornalista escreve crônicas sobre a luta contra o alcoolismo


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O que acontece quando a rotina de um jornalista é substituída pelo tremor do corpo e o vômito seco todas as manhãs? Escrito durante 110 dias de internação em uma clínica no Rio de Janeiro, "Garrafas ao Mar" é um relato corajoso sobre a fragilidade humana diante do alcoolismo. Em crônicas viscerais e sem autocompaixão, João Paulo Arruda expõe os fragmentos de sua própria queda e narra o processo de reconstrução de uma vida.

Com passagem por importantes redações cariocas, João começou a admitir que precisava de ajuda no início de 2024, quando tinha 48 anos. Andava cambaleante, tinha crises de sonambulismo e sofria apagões em casa ou na rua. Chegou a se internar duas vezes naquele ano, mas enxergava o tratamento apenas como uma etapa a ser cumprida. Recaiu, seu desempenho profissional piorou e foi demitido do jornal onde trabalhava há mais de duas décadas.

"Mergulhei na depressão e na autopiedade. Fiquei um mês deitado na rede da sacada, bebendo desesperadamente. A essa altura, eu já era conhecido como o bêbado do bairro", relembra, até ser levado por um amigo e a namorada a uma nova internação, desta vez encarada com humildade diante do reconhecimento de que estava doente e a morte era iminente. "Hoje, tenho consciência de que serei alcoólatra para o resto da vida. A doença é tão terrível que, mesmo estando bem, às vezes confundo paz com pasmaceira".

Sem poder usar computador, pelas regras da clínica, "Garrafas ao Mar" foi escrito inteiramente à mão, em tempo real, enquanto os fatos se desenrolavam. João preservou o olhar e a sensibilidade de repórter. Ele conta em detalhes sua rotina durante a internação e narra inúmeras histórias suas e da convivência com outros pacientes. Alguns, dependentes de álcool e drogas. Outros, que buscavam se libertar do vício em sexo e em jogos, contingente que vem se multiplicando nos últimos anos.

Mais do que um testemunho sobre a luta contra o alcoolismo, "Garrafas ao Mar" é o registro de alguém que precisou perder o chão para reaprender a caminhar. E pode servir como um espelho para tantas pessoas e famílias devastadas. “Limpo” desde setembro de 2025, João retomou sua carreira de jornalista. "Não escrevi os textos imaginando que publicaria um livro. Foi como se eu estivesse jogando garrafas ao mar, uma forma de reconexão comigo mesmo. Garrafas ao mar já está em pré-venda na Amazon e chega às melhores livrarias do país e com lançamento simultâneo em e-book em mais de 20 plataformas digitais".

sexta-feira, 26 de junho de 2026

.: Música: Prime Vídeo disponibiliza documentário de Paul McCartney


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O streaming Amazon Prime Video disponibilizou para os assinantes o documentário "Man On The Run" que narra a trajetória do ex-beatle Paul McCartney no período p´pós-Beatles e a criação da banda Wings, até chegar na sua atual carreira solo. O documentário é narrado por McCartney. Mas está longe de ser uma produção tipo chapa branca. Nele são mostrados não só os pontos positivos como também as mancadas homéricas, como a sua prisão em 1980 no Japão por porte de entorpecente.

Ainda que mostre de uma forma superficial, a produção acaba conseguindo mostrarcomo o músico superou a desconfiança inicial da mídia sobre o seu trabalho na época. O Wings teve várias formações. permanecendo o aeu  nucleo com McCartney. Linda Eastman e Denny Lane. E deixou gravados álbuns antológicos, como o Band on the Run, de 1973 E Venus And Mars, de 1975.

Além de imagens raras da época, a produção utiliza como trllha sonora as canções clássicas de McCartney, acentuando o clima saudosista. Destaco a gravação de Band on TheRun, que foi realizada na Nigeria com vários problemas técnicos e situações turbulentas. Na prática, o documentário joga uma luz na trajetória vitoriosa do ex-beatle. Comprovando que nem sempre esse caminho foi um mar de rosas. Mas solidifivou o mito  e seu talento nato para a música pop mundial.

"Band On The Run"

"My Love"

Trailer de "Man On The Run"


sexta-feira, 19 de junho de 2026

.: Paul McCartney traz suas lembranças em novo disco


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Prestes a completar 84 anos e realizando mais uma turnê mundial, o ex-beatle Paul McCartney lança um novo disco no qual expõe suas lembranças do período da infância e da adolescência; "The Boys of Dungeon Lane" retrata como era sua vida no tempo em que vivia em Liverpool ainda como aspirante a músico.

E é preciso ressaltar o ato de coragem que McCartney teve ao lançar um álbum no formato tradicional. Isso numa época em que as pessoas envolvidas com música têm dado preferência aos singles que são lançados invariavelmente em doses homeopáticas. Gravar, produzir e lançar um álbum com 14 faixas  se tornou uma façanha que poucos conseguem realizar hoje em dia.

Comparando com os discos anteriores, "The Boys of Duingeon Lane" pode ser considerado um álbum conceitual;  A voz de McCartney já sente um pouco os inevitáveis efeitos da idade; Em alguns momentos ela soa um pouco trêmula e hesitante. E em outros ele se mostra um melodista competente, que ainda sabe como fazer pulsar uma banda.

Falando das faixas, citaria "The Days We Left Behind", "Montain Top" e "Down South" como destaques, assim como a igualmente ótima "Home Of Us", cantada em dueto com o ex-beatle Ringo Starr. Dessa forms, Ringo retribuiu a gentileza de McCartney que participou de faixas de um de seus discos mais recentes. Na faixa "Momma Gets By", McCartney homenageia o casamento dos seus pais.

Esse novo álbum está longe de ter a densidade de outros discos lançados nos anos 70, como o "Band On The Run". E creio que esse nem era o objetivo de McCartney. Se por um acaso McCartney anunciar uma aposentadoria, esse disco encerraria de forma digna a sua discogrsafis. Porem eu continuo torcendo para ouvir o seu próximo lançamento.

"As You Lie There"

"Ripples In a Pond"

"Never Know"

sexta-feira, 12 de junho de 2026

.: Crítica musical: Julie Wein, um talento entre pianos e canções


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Isabela Espindola

Cantora, compositora, atriz, instrumentista e Doutora em Neurociências pela UFRJ, Julie Wein celebra a tradição do piano popular na canção brasileira no álbum "Pianos e Canções", reunindo músicas de compositores como Johnny Alf, Tom Jobim, Ivan Lins e Benito di Paula. “A seleção desse repertório foi um mergulho na memória afetiva e um resgate da pluralidade que fundamenta a nossa identidade musical. Gravei compositores que sempre me inspiraram a escrever canções e a me acompanhar ao piano, cantando e tocando, aproximando no mesmo disco universos tão distintos quanto os de Benito di Paula e Tom Jobim”, pontua Julie Wein.

Além de figurarem no álbum como compositores, dois destes mestres dividem os vocais com Julie Wein: Francis Hime em “Trocando em Miúdos” (Francis Hime e Chico Buarque), e Ivan Lins em “Bilhete” (Ivan Lins e Vitor Martins). O repertório reúne ainda “Retalhos de Cetim” (Benito di Paula), “Rapaz de bem” (Johnny Alf), “Olha Maria” (Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque) e “Balada do Louco” (Arnaldo Batista e Rita Lee). A autoral “Homem Virtuoso”, composta por Wein e Matheus Prevot, completa a seleção.  

Em um país cuja tradição do violão na canção popular é muito presente, Julie Wein lembra que, em outras épocas, a cidade do Rio de Janeiro chegou a ser apelidada de “Pianópolis”: “Este disco nasce também do desejo de celebrar a tradição do piano popular brasileiro, através de artistas que tiveram o instrumento como elemento fundamental de suas composições. Espero produzir novos volumes, gravando compositores como João Donato, Marcos Valle, Guilherme Arantes, Eduardo Dusek, Flávio Venturini, Arrigo Barnabé, Tania Maria, Angela Ro Ro, entre outros”, finaliza Julie Wein.

Com direção e produção musical de Jorge Helder, “Pianos e Canções” repete a dobradinha da artista com a gravadora Biscoito Fino, por onde lançou seu projeto de estreia, “Infinitos Encontros”, em 2020. Com um currículo longo nas artes e na ciência, Julie Wein se destaca na nova cena musical brasileira. Seja na pesquisa acadêmica ou frente ao microfone, a música é a sua matéria-prima. Premiada no Festival de Música da Rádio MEC e eleita Melhor Intérprete de MPB pelo Prêmio Profissionais da Música (PPM), Julie foi vencedora do Prêmio TOCA 2025.

 Participou de espetáculos musicais como “Musical Noel Rosa: Coisa Nossa” (2023) e “Peça Dois Amores e Um Bicho (2017-2020), como atriz e cantora, e como preparadora vocal em peças como “Ayrton Senna - o musical” (2017) e “Haddad e Borghi”(2025). Em 2022, estreou o show “Julie Wein canta Chico Buarque”. É  pesquisadora do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino desde 2011, onde percorreu todas as etapas acadêmicas, da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado (posição atual). Graduada em Biofísica pela UFRJ. Doutoranda em Neurociências (Ciências Morfológicas - Biomedicina UFRJ), foi duas vezes premiada pela Jornada Giulio Massarani e Graduada com Dignidade Acadêmica. Recebeu também Menção Honrosa do Prêmio Juarez Aranha Ricardo.

"Retalhos de Cetim"

"Bilhete"

"Trocando em Miudos"

sexta-feira, 5 de junho de 2026

.: Crítica musical: os 60 anos dos Afro-Sambas


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Guilherme Ligiero

A gravadora Biscoito Fino lançou “Afro-Sambas 60 Anos”, novo álbum de Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker, dedicado à celebração das seis décadas de "Os Afro-Sambas", obra seminal de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançada em 1966. Mais do que uma homenagem, o disco propõe uma leitura contemporânea de um dos capítulos mais importantes da música brasileira. A partir do encontro essencial entre voz e violão - eixo que também estrutura o álbum original - Sacramento e Becker revisitam as oito canções de "Os Afro-Sambas" e incorporam outras quatro composições que orbitam esse mesmo universo poético, rítmico e espiritual: “Berimbau”, “Consolação”, “Tempo de Amor” e “Labareda”.

O ponto de partida do álbum é a formação íntima e potente construída pela voz de Marcos Sacramento, um dos grandes intérpretes da música brasileira, e pelo violão de Zé Paulo Becker, responsável também pela direção musical e pelos arranjos. A partir dessa base, o disco se expande, acolhendo participações especiais que ampliam as camadas sonoras, afetivas e simbólicas do projeto. Entre os encontros vocais, um dos momentos mais aguardados é a participação de Ney Matogrosso em “Canto de Ossanha”. O dueto com Marcos Sacramento reúne duas vozes de forte personalidade, presença cênica e enorme reconhecimento no campo da interpretação brasileira.

O álbum também recebe Roberta Sá em “Canto de Yemanjá” e Fabiana Cozza em “Tristeza e Solidão”, duas cantoras de trajetórias sólidas e profundamente ligadas à canção brasileira, ao samba e às matrizes afro-brasileiras. Suas participações reforçam a dimensão feminina, ritualística e emocional do repertório; A nova geração aparece representada por Juliane Gamboa, em “Bocochê”, e Ilessi, em “Canto de Xangô”, artistas que trazem frescor, intensidade e novas perspectivas para o universo dos afro-sambas.

O disco ganha densidade instrumental com presenças de grande destaque. Yamandu Costa participa de “Tempo de Amor”, ampliando o diálogo violonístico do álbum em um encontro com Zé Paulo Becker. O Trio Madeira Brasil participa de “Consolação”, reafirmando a relação de Becker com a música instrumental brasileira. Já Silvério Pontes se soma ao Samba do Sacramento em “Labareda”. Os percussionistas Netinho Albuquerque e Leonardo Dias também participam de algumas faixas ;.

Com direção musical e arranjos de Zé Paulo Becker, direção artística de Phil Baptiste e produção musical de Diego do Valle, “Afro-Sambas 60 anos” celebra a permanência e a atualidade de uma obra que, seis décadas depois, segue abrindo caminhos para a música brasileira.

"Tempo de Amor"

"Canto de Ossanha"

"Consolação"


sexta-feira, 22 de maio de 2026

.: Crítica musical: Sergio Santos lança CD "Todo Samba"

O cantor e violonista Sérgio Santos ao lado do clarinetista Nailor Proveta. Foto de divulgação: Isabela Espíndola

Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Chegou às plataformas o novo álbum do compositor, violonista, cantor e arranjador Sergio Santos. “Todo samba” reúne 13 canções inéditas, baseadas no samba e suas diferentes possibilidades, para o qual Sergio convidou o clarinetista, compositor e arranjador Nailor Proveta, mestre na linguagem do samba e do choro.

As canções de “Todo Samba” (Biscoito Fino) bebem da raiz fundamental, mas cada uma delas foi construída a seu modo, evitando os jargões melódicos e harmônicos. No repertório, “Serenadas Pedras” tem a autoria da melodia dividida com Francis Hime, e letra sensível de Olivia Hime. Quanto à poética, Sergio Santos recorreu à sua parceria com Paulo César Pinheiro, ícone da poesia musical brasileira, com quem já compôs mais de 300 canções. Há também, além de suas próprias letras, a estreia da parceria de Sergio com o escritor e poeta Marcílio Godói.

O trabalho conta ainda com participações especialíssimas, que dividem os vocais com Sergio em três faixas: em "Trate Bem Seu Bem", o compositor canta com Maíra Manga, jovem e talentosíssima cantora de suas Minas Gerais. Já “Inquietude” é dividida com a magnífica Leila Pinheiro. A canção “Preciosas Pedras” conta com a participação impecável dos parceiros Francis Hime e Olivia Hime.

"Todo Samba' é um disco que mostra bem a proposta de trabalho de Sérgio Santos, além de comprovar a genialidade de Nailor Proveta. Vai agradar quem curte a nossa MPB de qualidade.


Senhoras do Samba



Entortando o samba


A Ordem do Rei



sexta-feira, 15 de maio de 2026

.: Crítica musical: Luis Sérgio Carlini, a essência do rock nacional


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Se havia alguém que pudesse ser representatiuvo para a essência do nosso rock nacional, creio que o nome de Luis Sérgio Carlini deveria sempre ser lembrado como um dos arquitetos desse estilo musical. Foi mesclando elementos de blues com rock ´n roll e de psicodelia dos anos 60 que ele moldou seu inigualável timbre  na guitarra, reconhecido logo no primeiro acorde. A notícia de seu falecimento me pegou de surptesa. Sabia que ele vinha sendo o guitarrista da banda de Guilherme Arantes, com quem já vinha trabalhando desde os anos 80 (vide o disco "Coração Paulista"). Ao que parece, ele vinha enfrentando problemas de saúde há algum tempo.

Minha lembrança afetiva com o som da guitarra de Carlini veio do álbum "Fruto Proibido". Nele, Carlini está simplesmente impecável em todas as faixas, além de assinar a autoria de algumas delas. "Agora Só Falta Você", por exemplo.. Sim eu sei que o disco é da Rita Lee. Mas sem a guitarra de Carlini tudo desmoronaria, sem sombra de súvida. Sobre o solo antológico de "Ovelha Negra", há depoimento de Carlini que conta ter sonhado com a sequência de notas. Gravou um único take e quando se preparava para gravar novamente foi impedido pelo produtor do disco, Andy Mills, que disse - "Não vai mexer em mais nada. O solo é esse mesmo".

Além de Rita Lee e Guilherme Arantes, Carlini teve trabalhos com vários outros nomes conhecidos, como Erasmo Carlos e Barão Vermelho, só pra citar dois exemplos. Carlini, juntamente com os irmãos Baptista (dos Mutantes) e Vecchione (da banda Made In Brazil) foi um digno representante do nosso rock nacional. Em um tempo em que roqueiro brasileiro tinha cara de bandido. Através do seu inconfundível timbre, ele ajudou a abrir caminhos e influenciou uma nova geração de músicos que viria logo a seguir, invadindo as rádios nos anos 80.

"Ovelha Negra"

"Agora Só Falta Você"

.: Crítica musical: Giovani Cidreira lança album ao vivo


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O cantor e compositor baiano Giovani Cidreira celebra uma década de trajetória com o lançamento de “Coração Disparado (Ao Vivo)”, álbum gravado integralmente ao vivo na Casa de Francisca, em São Paulo, e disponibilizado nas plataformas digitais. O projeto foi antecipado pelo single “Denga”,que foi lançado ainda em março. Também no último dia 10 de março, Giovani Cidreira participou do Tiny Desk Brasil, reafirmando sua presença entre os nomes mais relevantes da nova geração da música brasileira e ampliando o alcance de sua obra para novos públicos.

Mais do que registrar um espetáculo, o disco nasce diretamente do palco. Em vez de tratar a performance como extensão do álbum, Cidreira faz o caminho inverso: o encontro com o público é o ponto de partida da criação. No centro da cena estão voz e violão, em arranjos que valorizam a proximidade sonora, a respiração da interpretação e a escuta compartilhada. 

 Cada apresentação funciona como uma experiência singular, em que silêncio, presença e participação da plateia moldam o acontecimento musical. Essa dimensão coletiva também atravessa o registro audiovisual do projeto: parte das imagens utilizadas nos vídeos e conteúdos visuais foi produzida pelos próprios espectadores, incorporando o público como personagem e também como criador.

 O repertório reúne canções inéditas e releituras que atravessam a formação afetiva de Giovani, dialogando com ritmos nordestinos e com elementos de seu território de origem, sem recorrer a enquadramentos regionalistas. A proposta é recolocar a canção brasileira em primeiro plano, ressaltando sua força melódica e sua dimensão popular contemporânea.

Giovani Cidreira - "Denga"

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