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sexta-feira, 20 de maio de 2022

.: Crítica musical: Nazareth se reinventa com CD "Surviving The Law"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Grupo que está na estrada do rock desde o final dos anos 60, Nazareth está lançando um novo disco com material inédito. E a nova formação da banda busca reinventar o seu hard rock consagrado na década de 70.

É difícil resumir em poucas palavras a história e influência na história do rock que o Nazareth teve. Os veteranos roqueiros do Reino Unido entrarão em seu 54º ano de existência em 2022 com este lançamento de seu 25º álbum de estúdio, “Surviving The Law".

A formação é a mesma do álbum anterior, composta por Jimmy Murrison (guitarrista), Lee Agnew (baterista desde a morte de Darrel Sweet em 1999), Pete Agnew (membro fundador, no baixo) e o vocalista Carl Sentance (que passou a substituir Dan McCafferty a partir de 2018, quando este teve que deixar a banda por problemas de saúde).

Com tantas mudanças, era de se esperar que o som da banda sofresse alguma alteração. Acabou ficando mais próximo do mainstream. É puro rock de arena com sabor setentista. Para constatar isso basta ouvir a faixa "Mind Bomb", com riff forte e preciso. A tônica se repete em quase todas as faixas, algumas mais aceleradas do que as outras. O vocal de Sentance se aproxima um pouco do de McCafferty, mas tem uma identidade própria. Mais enraizada no rock de arena. No final do disco tem uma ótima versão acústica de "Let The Whisky Flow", em clima de jam session.

Só não espere encontrar nesse disco canções do nível de álbuns essenciais da banda, como o "Hair Of The Dog" e "Rampant". Seria até injusto comparar essa fase atual com a do passado. Mas se você olhar apenas para o tempo presente, poderá curtir um bom disco de hard rock.

"Strange Days"

"Runaway"

 "Better Leave It Out"


sexta-feira, 13 de maio de 2022

.: Entrevista: Felipe Andreoli, baixista do Angra em carreira solo


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Considerado um dos melhores baixistas da atualidade, Felipe Andreoli está lançando o seu primeiro disco solo. "Resonance" é o resultado de muito estudo e das experiências em seu grupo, o Angra, na qual ele permanece como integrante.

O trabalho solo, intitulado "Resonance", é concentrado mais na música instrumental, embora também tenha uma faixa cantada ("Thorn In Our Side"). Em entrevista para o Resenhando.com, Andreoli conta como foi o processo de elaboração desse projeto solo e revela que o grupo Angra continua produzindo material inédito. “A música instrumental tem um público fiel e cativo”.


Apesar de estar há bastante tempo na música, somente agora você está lançando seu primeiro disco solo. Por que demorou para realizar esse projeto?
Felipe Andreoli - A vontade de fazer esse disco existia há muitos anos, mas sempre havia algum outro projeto que tomava minha atenção e meus esforços de composição, fosse o Angra ou alguma outra banda. Desta vez, na pandemia, eu estava em casa e sentindo muita falta de tocar. Meu filho havia nascido há poucos meses e eu estava curtindo muito acompanhar o crescimento dele, mas a música fazia muita falta. Foi aí que decidi começar a escrever músicas, como uma desculpa para tirar um tempo pra mim e voltar e ter contato com os instrumentos. Em pouco tempo, já tinha o esqueleto do disco praticamente feito. 


O que difere esse seu projeto solo dos desenvolvidos no Angra?
Felipe Andreoli - Existe uma diferença de estilo, já que o meu projeto transita muito entre o jazz fusion e o prog, além do fato que o baixo acaba sendo o instrumento de destaque e não a voz. Fora isso, em uma banda é preciso existir uma certa democracia nas decisões, o que de fato não ocorreu no meu álbum. Ele foi totalmente feito para saciar as minhas vontades e anseios. Depois de 25 anos tocando em bandas, foi bom ter esse controle total do processo criativo. 


Alguns músicos acham que o mercado para música instrumental é bem restrito no Brasil, sem muito espaço na mídia. Qual a sua opinião a respeito?
Felipe Andreoli - Não posso discordar. Cada ano que passa sinto que o interesse geral das pessoas se direciona para estilos mais populares, de músicas de rápido consumo. A música instrumental exige do ouvinte uma atenção à música que a maioria das pessoas não tem. Por outro lado, existe um público fiel e um circuito de casas de shows e festivais que ainda prestigiam a música instrumental, completamente independente da grande mídia. 


Como foi que se elaborou o projeto "Resonance"?
Felipe Andreoli - Começou com um garimpo de ideias antigas e trechos que fui gravando ao longo dos anos sem um destino certo. Quando eu me juntei ao Dallton Santos, começamos a organizar essas ideias e acrescentar várias outras. A inspiração para compor foi se intensificando até que o processo tomou um ritmo rápido e logo o disco estava completo. 


Em quem você se espelhou como baixista? Fale sobre suas principais influências musicais?
Felipe Andreoli - Minhas principais influências são Cliff Burton, Billy Sheehan, Jaco Pastorius, Michael Manring, Geddy Lee, Gary Willis, John Patitucci, Victor Wooten, só para citar uma pequena parte. 


Como está o seu trabalho com o Angra? 
Felipe Andreoli - Estamos nos preparativos para a turnê comemorativa de 20 anos do "Rebirth", que acontece em junho/julho. Ao mesmo tempo, estamos já escrevendo músicas para o próximo disco e devemos entrar em estúdio em novembro. 


Você também é conhecido como um bom instrutor de workshop ensinando técnicas e atualizando o que há de melhor nos equipamentos. Hoje em dia, que equipamentos você recomenda para os baixistas iniciantes?
Felipe Andreoli - Eu sempre recomendo os baixos da Ibanez, não só por ser a marca que eu uso, mas também porque são instrumentos excelentes em todas as faixas de preço, mesmo os de entrada. Também recomendo muito os amplificadores da Aguilar, cordas D’Addario, pedais NIG, Boss e Darkglass. 


É verdade que você está convidando cantores das cidades onde irá se apresentar? Como tem sido essa experiência? 
Felipe Andreoli - Sim! No "Resonance" existe uma faixa chamada "Thorn In Our Side" que foi cantada pelo vocalista croata Dino Jelusick. Como não estou viajando com vocalista, achei que seria legal pegar talentos locais para executar essa música ao vivo, e dar a eles a oportunidade de mostrar seu trabalho. O primeiro show foi muito legal!


A tour "Resonance" já tem agendas previstas no Rio de Janeiro, Goiás, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Há chance de Santos conferir esse seu trabalho?
Felipe Andreoli - Esta é apenas a primeira perna da tour. Tem ainda muitas cidades que quero visitar e Santos é certamente uma delas.


"Metaverse"

"Not a Day Goes By"

 
"Thorn In Our Side"

sexta-feira, 6 de maio de 2022

.: MPB em festa: o cinquentenário do Clube da Esquina

Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Há 50 anos era fundado o clube mais amado da nossa MPB. Tendo Milton Nascimento como principal catalisador, um grupo de músicos acabou por produzir um álbum duplo intitulado Clube da Esquina, que se tornou um dos mais importantes lançamentos da cultura musical do País.

É difícil dimensionar a importância desse álbum. Até hoje tem artista que cita ele como fator importante na sua formação musical. E é interessante, porque na época o disco tinha um certo ar de vanguarda, com alguns arranjos que nos remetiam até ao jazz em alguns momentos.

No entanto, o segredo do Clube estava na dose certa e equilibrada entre a musicalidade e o senso do gosto popular. O núcleo criativo desse disco estava centralizado entre Milton Nascimento e Lô Borges. O primeiro já havia participado dos festivais nos anos 60, enquanto que o segundo estava com apenas 18 anos e com muitas influências dos Beatles e de outras vertentes do rock da época na mente.

Os arranjos e as letras das canções tiveram vários colaboradores, entre eles Toninho Horta, Wagner Tiso, Beto Guedes, Ronaldo Bastos, Fernando Brandt, Marcio Borges, Novelli, Robertinho Silva, Tavito, Luiz Alves, Tavinho Moura, Nivaldo Ornelas, Murilo Antunes, entre outros. Boa parte deles oriunda de Minas Gerais.

Esse grupo saiu de Minas para produzir e gravar as canções no Rio de Janeiro em 1972, no estúdio da EMI-Odeon. E mostrou uma mescla incrível da MPB com outras influências musicais. Há momentos em que o ouvinte se transporta para o interior do País, com uma música de raíz, onde até se ouve sinos badalando ou vislumbra uma janela lateral de onde se avista a igreja da cidade interiorana.

Poderia citar algumas canções que se tornaram clássicas, como "Trem Azul" (com um solo antológico de guitarra de Toninho Horta), "Cais" (um momento mágico de Milton Nascimento como compositor e intérprete), "Paisagem da Janela" (com vocal de Lô Borges), "San Vicente" (com vocal antológico de Milton). Mas estaria sempre faltando algo, pois até mesmo as menos conhecidas do disco são essenciais para complementar a audição do álbum.

Fernando Brandt resumiu bem a questão da perenidade do álbum em uma de suas declarações dadas há alguns anos, antes de seu falecimento. “Acho que esse é um tipo de música que sempre vai ter gente interessada em ouvir. A influência do Clube está em tudo: música do interior, Folia de Reis, Jazz e dos Beatles, por causa do Lô e do Beto Guedes”.

A educadora e produtora editorial Andréa Estanislau está promovendo uma campanha na plataforma Catarse, com o objetivo de lançar a segunda edição do livro "Coração Americano", que mostra os bastidores da gravação do antológico álbum. Há depoimentos sensacionais dos personagens que fizeram o disco e de pessoas que relatam como essa obra impactou nas suas vidas e na nossa cultura popular. Quem quiser colaborar com a campanha basta acessar o endereço https://www.catarse.me/livro_coracao_americano_2a_edicao.

"Tudo o que Você Podia Ser"

"Trem Azul"

"Cais"



sexta-feira, 29 de abril de 2022

.: "Brother Johnny": Johnny Winter ganha tributo do irmão Edgar em disco


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. 

Falecido há oito anos, o guitarrista Johnny Winter ganha um belo tributo em disco capitaneado pelo seu irmão mais novo, Edgar, contando com a presença de vários músicos de gerações diferentes que foram influenciados pela técnica inconfundível do homenageado. O CD "Brother Johnny" traz 17 canções do rico repertório de Winter, sempre com foco no blues rock.

Após a morte de Johnny Winter em 2014, o irmão Edgar, que gravou e tocou com ele com frequência, sentiu que organizar uma homenagem musical tão perto de sua morte não parecia apropriado. Mas depois de alguns anos, ele foi encorajado por outros, incluindo sua esposa, a seguir em frente.

O resultado é este sincero conjunto de 17 faixas, com Edgar chamando um grupo diversificado de estrelas para ajudar uma banda principal que ele dirige. Músicos que foram influenciados por Johnny (Joe Bonamassa, Derek Trucks, Kenny Wayne Shepherd, Doyle Bramhall ll, Warren Haynes), queriam contribuir como os texanos Billy Gibbons, David Grissom ou colegas como Bobby Rush e Joe Walsh. Todos se revezam em um lote de clássicos, muitos deles covers que o guitarrista fez em seu próprio estilo.

Edgar toca em tudo. Lidera os vocais em cerca de metade das seleções e ajuda a combinar músicas com artistas. Ele também escreveu duas novas composições. “Lone Star Blues”, onde ele compartilha os vocais principais com Keb’ Mo’ (que toca várias guitarras), fala na voz em primeira pessoa de Johnny contando sua história de vida da obscuridade a um relacionamento desconfortável com o estrelato. O encerramento “End of the Line” é uma balada sincera, embora um tanto sentimental, acompanhada de cordas sobre a morte que deixa o álbum em um momento meditativo.

O disco está repleto de performances convincentes, claramente motivadas emocionalmente, mostrando o amor dos participantes pelas músicas, vocais e arranjos que tornaram o toque do blues de Winter tão icônico.

Joe Bonamassa arrepia no efeito slide para a abertura de “Mean Town Blues”. Kenny Wayne Shepherd faz um solo marcante em “Still Alive and Well” e Billy Gibbons duela com Derek Trucks em uma ardente versão de  “I’m Yours and I’m Hers”, que é um destaque do álbum.

Joe Walsh compartilha os vocais com Edgar em "Johnny B. Goode", enquanto este adiciona piano e sax alto. Warren Haynes traz seu estilo para  “Memory Pain” com um solo de guitarra crescente e sua voz que espelha a de Johnny.

Momentos mais introspectivos proporcionam uma pausa no som mais pesado. Michael McDonald segura firme na agridoce “Stranger”, enquanto que  Doyle Bramhall ll  mostra uma versão acústica e fiel de “When You Got a Good Friend”, de Robert Johnson, que Winter incluiu em seu disco de estreia, lançado em 1969.

O falecido Taylor Hawkins (Foo Fighters) faz uma aparição surpresa como cantor na faixa “Guess I’ll Go Away”. Kenny Wayne Shepherd acelera em uma viagem pela “Highway 61 Revisited” e Steve Lukather apresenta “Rock N’ Roll Hoochie Koo” mantendo-se também fiel a versão original.

O álbum "Brother Johnny" tem tudo o que se espera de um tributo musical sincero. Performances marcantes e uma boa dose de emoção motivada pela homenagem ao mito Johnny Winter. Merece ser conferido, especialmente pelos admiradores do estilo blues rock.


"Stranger"

"I'm Yours And I'm Hers"

"Mean Town Blues"

sexta-feira, 22 de abril de 2022

.: Crítica musical: "Machine Head", o auge criativo do Deep Purple


Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Lançado há 50 anos, o álbum "Machine Head" é até hoje apontado como o ponto alto da carreira da banda Deep Purple. Não só pela qualidade de algumas faixas que se tornaram clássicos do rock, mas também pelo fato do trabalho, que foi gravado praticamente ao vivo em estúdio, ter uma unidade incrível, soando completo.

A formação da banda estava consolidada com Richie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclados), Roger Glover (baixo), Ian Gillan (vocal) e Ian Paice (bateria). E foi com esses integrantes que a banda chegou na Suiça em dezembro de 1971 para gravar o disco nas dependências de um hotel de Montreux, usando o estúdio móvel dos Rolling Stones.

O hotel, na verdade, foi uma segunda opção, já que o cassino que eles queriam usar acabou sofrendo um incêndio durante um show de Frank Zappa. O fato inusitado acabou inspirando a letra do hit "Smoke On The Water", incluído em "Machine Head".

A banda tinha lançado o álbum "Fireball", que apontava para uma direção mais hard rock. E isso se repetiria em várias faixas de "Machine Head". Mas de uma forma ainda melhor. A começar pela faixa de abertura, "Highway Star", em que há solos memoráveis de Blackmore e Jon Lord. As três faixas seguintes, "Maybe I´m a Leo", "Pictures Of Home" e "Never Before" são faixas com um peso menor, mas nem por isso menos interessantes.

As demais faixas fecham com louvor o álbum. "Smoke On The Water" se tornaria a canção mais conhecida da banda, com o riff antológico criado por Blackmore. "Lazy" tem um trabalho incrível de Blackmore no solo enquanto que a arrasa-quarteirão "Space Truckin" destaca a qualidade técnica de Ian Paice nas baquetas.

O segredo da banda era a coesão. Havia uma sinergia incrível entre os músicos e seus instrumentos. Paice e sua batida quase jazzística em alguns momentos funcionava como uma espécie de liga musical, unindo os demais integrantes. Glover e Lord completavam a base rítmica que dava suporte aos solos antológicos de Blackmore e para o vocal agudo e preciso de Ian Gillan.

Nos discos seguintes a banda continuou produzindo momentos interessantes. Mas definitivamente, "Machine Head" pode ser considerado o seu ponto mais alto, onde tudo deu certo, seja no estúdio, seja na relação entre os músicos.


"Highway Star"

"Smoke On The Water"

"Lazy"


sábado, 16 de abril de 2022

.: Crítica musical: Bruna Nascimento, um novo talento na MPB


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Jovem de origem humilde, a cantora e compositora pernambucana Bruna Nascimento está divulgando o seu primeiro trabalho, o EP "Desamarração", que traz composições próprias interpretadas por ela mesma. Com produção do experiente Luisão Pereira, as canções se mostram antenadas com a nossa boa MPB, investindo em mensagens diretas inspiradas no cotidiano da cantora.

Bruna é filha de retirantes. Nasceu no Recife e morou dos três meses aos 11 anos com a família em um quarto nos fundos de uma fábrica de jeans, em São Paulo. Formada em Engenharia de Produção pela USP e de volta ao Recife, a cantora e compositora lança agora o seu primeiro EP “Desamarração” (pelo selo YB Music) com Luisão Pereira tocando Violão, Baixo, Synth, Rhodes, além de elaborar os arranjos e a programação de sopros. Há participações de Nahor Gomes tocando Trompete e Flugelhorn e Caio Oliveira tocando bateria e percussão. Bruna só teve que se preocupar em soltar a voz.

O EP conta com apenas cinco faixas que mostram uma incrível maturidade artística. A voz suave e afinada de Bruna passeia pelas belas melodias que contam histórias inspiradas em seu cotidiano. Um exemplo é "Quando se Deixa". Como a própria autora explica, “é uma canção sobre o amor, que brinca com a idealização sobre alguém que não consegue se entregar totalmente para a relação”.

"Meu Menino" é uma espécie de acalanto suave, resumido pela autora da seguinte forma: “A letra romântica descreve um cafuné entre um casal, mas traz nas entrelinhas tem um significado oculto: fala sobre o carinho numa relação casual que se revela na frase ´hoje você é o meu ninho”. A faixa "Tsunami" já mostra um arranjo mais festivo, mais próximo dos ritmos baianos e pernambucanos.

Como o EP de estreia, Bruna Nascimento mostra uma ótima perspectiva para o futuro da nossa MPB. Muito distante daquele som comercial e sem conteúdo que tem povoado as rádios nos últimos anos. E nada melhor do que essa "Desamarração" para trazer novos ventos na nossa música.


"Meu Menino"

"Tsunami"


"Não Há Prá Que Mentir"



sexta-feira, 8 de abril de 2022

.: Entrevista com Gabriel Thomaz: tocando a música e os negócios


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Líder da banda Autoramas, Gabriel Thomaz também está investindo na seara empresarial. Por intermédio do selo Maxilar, ele já conseguiu abrir espaço para artistas mostrarem seu trabalho, além de proporcionar mais liberdade para tocar os seus projetos. A sua banda, Autoramas, recentemente lançou o álbum “Autointitulado” mantendo o pique de sonoridade de rock de garagem e muitas influências de grupos dos anos 60 e 70.

Em entrevista para o Resenhando.com, Gabriel conta como foi que se deu esse processo de agregar a atividade empresarial com a de músico, além de superar uma internação hospitalar provocada pela Covid-19 e o hiato forçado por conta da pandemia. “Nos concentramos em organizar a carreira digital e manter uma proximidade com o público com as lives pela internet”.
 

Como foi que surgiu a ideia de lançar o selo Maxilar?Gabriel Thomaz – Eu já tinha vontade de fazer um selo para lançar coisas novas faz muito tempo. Acho que tem muita coisa boa rolando e que não consegue destaque, por falta de oportunidade. Com o Maxilar, consigo suprir isso e ajudar vários artistas. E acabo lançando meus projetos pelo selo também, de uma forma mais livre e tranquila. 

Qual a principal diferença entre comandar um selo e ser um artista contratado de gravadora?Gabriel Thomaz – A principal diferença é que agora eu é que contrato os artistas. Hoje o mercado musical é muito fechado e estamos tentando abrir espaço, tanto como artistas tanto como selo É um trabalho muito recompensador. 

Muitos artistas do País sentiram os efeitos desse período pandêmico. Como vocês conseguiram superar esse período?Gabriel Thomaz – Foi bem difícil. Eu tive covid e quase morri na internação. Durante a pandemia fizemos lives para o mundo inteiro, Compusemos muito, organizamos toda nossa carreira digital, montei o selo e gravamos e lançamos um álbum, o "Autointitulado". 

Quantas bandas e artistas o Maxilar lançou até o momento?Gabriel Thomaz – Até o momento, 25 artistas. 

Qual a sua opinião sobre o serviço de streaming no Brasil? Gabriel Thomaz – É muito bem organizado. O Brasil sempre teve uma indústria musical muito forte. 

No disco mais recente do Autoramas, a levada da sonoridade lembra as das boas bandas de garagem. Quais são as referências que vocês tiveram para essa produção?Gabriel Thomaz – Acredito que estamos mantendo nosso estilo: nossas referências são o Rock dos anos 60, os efeitos espaciais, a energia do punk, além das letras espertas e inspiradas. 

A entrada da Erika Martins trouxe  que tipo de mudança no padrão de sonoridade do Autoramas?Gabriel Thomaz – Érika sempre esteve muito próxima da banda, por termos sido casados por muitos anos. Ela sabe qual é o estilo do Autoramas e o que temos que fazer na banda. Ela é muito criativa, colaborativa e versátil.


"Eu Tive Uma Visão"

"No Dope"

"Erupto"


sexta-feira, 1 de abril de 2022

.: Entrevista com Janes Rocha, autora do livro "Os Outubros de Taiguara"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Resultado de um trabalho intenso de pesquisa e entrevistas com pessoas que conviveram com o cantor e compositor, livro resgata a rica obra musical de Taiguara.

Considerado um dos músicos mais perseguidos pela censura durante o Governo Militar, Taiguara tem sua trajetória contada nas páginas do livro “Os Outubros de Taiguara”, da editora Kuarup. Escrito pela jornalista Janes Rocha, o livro foi resultado de um trabalho intenso de pesquisa e entrevistas com pessoas que conviveram com o cantor e compositor, que faleceu precocemente em 1996, vítima de um câncer agressivo na bexiga.

É possível entender por exemplo como se deu o seu processo de formação na música, a elaboração de canções clássicas e a mudança da carreira, que havia sido iniciada interpretando canções românticas e depois seguiu uma linha poética mais crítica contra a repressão e a diretriz imposta pelo Governo Militar nos anos 70.

Essa postura aliás foi um fator que levou os censores a persegui-lo de forma implacável, a ponto de forçá-lo a um autoexílio no exterior em duas ocasiões. Em entrevista para o Resenhando.com, Janes Rocha conta como foi que surgiu a oportunidade de mergulhar na rica história de Taiguara e como se deu o processo de elaboração do livro.


Como foi que surgiu a oportunidade de escrever esse livro?
Janes Rocha - 
Foi a pedido do jornalista Alcides Ferreira, sócio da editora Kuarup, que detinha os direitos de parte da obra de Taiguara e estava preparando um relançamento de músicas. O livro é parte de um projeto de curadoria e recuperação da obra do artista. Era 2012, eu morava no Rio de Janeiro e vivia de free-lancer. Há algum tempo planejava escrever uma biografia, estudava sobre esse tema como ouvinte em uma disciplina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Alcides me pediu, em princípio, para fazer uma pesquisa no Arquivo Nacional sobre os processos de censura ao Taiguara na época da ditadura civil-militar (1964-1985). Depois do material levantado, ele me perguntou se eu queria escrever o livro, eu topei na hora. Só prá você entender, assim como eu, Alcides é jornalista da área econômica e foi nas coberturas de economia que nos conhecemos, muitos anos atrás, ele pelo Estadão, eu pela finada Gazeta Mercantil. Ele continua nessa área, eu saí, há três anos mudei a área de cobertura, hoje sou repórter de ciência, tecnologia e meio ambiente no Jornal da Ciência, uma publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).


Qual foi o capítulo que deu mais trabalho na elaboração do livro?
Janes Rocha - 
Não tive mais ou menos trabalho com capítulos específicos. Tudo deu trabalho, a pesquisa, as entrevistas, a organização dos dados, dos documentos. Um grande desafio é encontrar as pessoas que fizeram parte do passado do biografado e convencê-los a falar, principalmente quando o personagem viveu em outra época. Mas essa é uma dificuldade típica do trabalho de pesquisadores e jornalistas. 


Durante a obra de Taiguara, quando foi que o patrulhamento da censura começou a apertar o cerco?
Janes Rocha - 
Conforme relatei no livro, enquanto era um cantor essencialmente romântico, Taiguara não foi incomodado pelo regime militar. Porém, na época dos festivais de música – entre o fim dos anos 1960, início dos 70 -, no contexto da perseguição a outros artistas, quando ele passou a questionar poeticamente a situação ou avançar em temas considerados ofensivos ao moralismo (sexo, drogas), começou a chamar a atenção dos censores do Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP) da Polícia Federal.


Ao contrário de Simonal, Taiguara não chegou a ser cancelado pela classe artística. Mesmo assim acabou se afastando da mídia. Na sua opinião, por que ele não deu continuidade ao trabalho no Brasil?Janes Rocha - São dois eventos separados da vida dele: as viagens e estadias fora do Brasil e o afastamento da mídia. Taiguara, assim como outros artistas (Geraldo Vandré, Caetano, Gil e Chico Buarque), foi “forçado” a um autoexílio. Coloco entre aspas porque ele não foi preso nem torturado, mas a censura ao seu trabalho, às letras das composições e o clima de perseguição tornou o ambiente irrespirável e ele decidiu partir para a Europa. Em 1974 ele parte para a primeira temporada artística em Londres. Depois ele volta ao Brasil, lança do disco “Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara” que foi recolhido pela censura quando já estava nas lojas. Foi um tremendo baque e ele decide partir novamente, dessa vez para a África. Quando ele volta dessa viagem, em 1977, estava bastante mudado e muito politizado. Se engajou na militância política de esquerda, se aproximou muito do Luís Carlos Prestes e ficou nove anos sem lançar discos, sem lançar novas canções, sem se apresentar, em protesto pela censura. Esse foi o motivo do afastamento da mídia. 


Qual foi a importância do maestro Gaya na evolução do Taiguara como músico e intérprete?
Janes Rocha - 
O maestro Lindolfo Gaya foi um grande companheiro e conselheiro. Esteve presente em vários trabalhos de Taiguara: orquestrou o disco “Viagem” (1970) que traz entre suas faixas um dos maiores sucessos de Taiguara, a música “Universo no Teu Corpo”, dirigiu o disco “Piano e Viola” (1972) e regeu a versão final de sua obra prima, o disco “Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara” (1975).


"Hoje"

"Universo do Teu Corpo"

"Teu Sonho Não Acabou"



sexta-feira, 25 de março de 2022

.: Música: Colin Hay, com “aquele toque beatle” em novo CD


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Ex-vocalista da banda australiana Men At Work nos anos 80, Colin Hay desenvolve uma interessante e produtiva carreira solo, pontuada por trabalhos com qualidade musical convincente. O mais recente, o álbum "Now and The Evermore", segue nessa linha com o auxílio luxuoso do ex-beatle Ringo Starr, que toca bateria na faixa título.

A ilustre presença do ex-beatle não aconteceu por acaso. Colin Hay já integrou a All Starr Band e deve voltar a tocar na próxima turnê do projeto do ex-beatle. O disco tem uma pegada pop irresistível, com várias faixas com potencial para tocar nas rádios. É uma linha mais soft, um pouco mais distante da sua antiga banda. Sempre mostrando as influências musicais que recebeu, principalmente as dos anos 60.

A faixa título é um dos melhores momentos do disco. E saber que nas baquetas está o Ringo Starr torna a faixa ainda mais especial. Posso citar ainda as faixas "Love Is Everywhere" e "When Does The End Begin" como outros destaques desse novo trabalho. Mas a verdade é que o disco inteiro tem uma forte pegada radiofônica.

Como bem definiu o release do álbum, “Now and The Evermore é uma celebração desafiadoramente alegre da vida e do amor, que insiste em encontrar forros de esperança e motivos para sorrir através dos desafios dos tempos recentes. Isso não quer dizer que o disco se iluda sobre as realidades do nosso mundo moderno, mas sim que ele consistentemente escolhe responder à dor com beleza e à dúvida com admiração”Colin Hay conseguiu produzir um álbum capaz de deixar o ouvinte com alto astral, cheio de vibrações positivas. E isso já é um bom motivo para você conferir o disco.


"Love Is Everywhere"


"Now And The Evermore"


"A Man Without a Name"


sexta-feira, 18 de março de 2022

.: Música: Beth Hart presta tributo ao Led Zeppelin em novo CD


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Considerada um dos talentos promissores como intérprete no cenário internacional pela crítica especializada, a cantora Beth Hart decidiu investir em um projeto antigo: gravar releituras prestando tributo a uma de suas influências musicais mais marcantes: a banda Led Zeppelin. E o resultado ficou acima da média.

A ideia ganhou força em 2019, enquanto ela gravava seu álbum solo, "War in My Mind", com o produtor Rob Cavallo. Durante as sessões de gravação, Beth Hart cantou uma versão de "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin. A sua performance impressionou o produtor, que sugeriu a gravação de um álbum inteiro de covers do Zeppelin. Naquela ocasião, a cantora hesitou, dizendo que precisava estar em uma mentalidade específica para cantar essas músicas.

Durante o período pandêmico, Beth chamou Rob Cavallo para o estúdio e colocou em prática a ideia. Foram selecionadas canções conhecidas mais agitadas como "Black Dog", "Good Times Bad Times" e a inevitável (e indispensável) "Whole Lotta Love", que se mesclaram com outras canções mais introspectivas como "Starirway to Heaven" e "Rain Song".

Em todas as faixas Beth Hart esbanja uma energia incrível. Longe de parecer uma cantora cover, ela preferiu trazer as canções para a sua voz forte e característica, evitando assim comparações com as clássicas versões originais. Um exemplo é a versão de "Kashmir", que embora conserve o arranjo original, ganhou uma nova perspectiva na voz da cantora.

Mesmo com uma forte presença orquestral nos arranjos, Beth Hart canta como se estivesse liderando uma banda de bar suada, certificando-se de exorcizar sua raiva. Isso significa que esse álbum traz um hard rock com alto teor de feeling, que surpreenderá de forma positiva até mesmo os fãs que acompanham o seu trabalho.

"Good Times Bad Times"

"Whole Lotta Love"

"Kashmir"


sexta-feira, 4 de março de 2022

.: Eric Gales mostra blues de qualidade no CD "The Crown"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O guitarrista Eric Gales resolveu sair de um hiato musical lançando um disco com temática no blues rock mesclada com outras influências dos anos 60 e 70. Com produção de Bonamassa e de Josh Smith, o disco "The Crown" mostra Gales em excelente forma.

Bonamassa concordou em produzir o álbum numa tentativa de mostrar os talentos e colocar Gales de volta ao posto que ele pertence. O divertido video da canção "I Want My Crown" mostra a dupla "pegando em armas" em um duelo de guitarras simulado em um ringue de boxe. Bonamassa com sua Fender Stratocaster e Gales com sua Magneto Sonnet.

E as 16 faixas do disco mostram que Gales conseguiu atingir o seu objetivo. Na verdade, embora sua base seja o blues, também se nota traços do rock, gospel, soul e funk em sua produção, proporcionando uma mescla musical irresistível para quem curte o estilo.

Além de apresentar os talentos de Gales como guitarrista e cantor, o álbum também destaca suas habilidades de composição. Ele co-escreveu todas as faixas com os produtores Bonamassa e Josh Smith, além de Tom Hambridge, James House, Keb' Mo' e LaDonna Gales, que também contribuíram para uma jornada musical que Gales descreve como sendo “muito emocionante para todos os envolvidos”. Todas as faixas do disco merecem ser destacadas e conferidas. E esperamos que Eric Gales continue com essa mesma pegada no blues rock no seu próximo lançamento.


"I Want My Crown"

"Death Of Me"

"I Found Her"

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

.: "Get Back": o último show dos Beatles, agora em disco


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Na esteira do documentário "Get Back", disponibilizado pelo streaming Disney+, foi lançado em disco o registro da mítica e última apresentação ao vivo dos Beatles. Trata-se do "Rooftop Concert", ocorrido em janeiro de 1969 no telhado do prédio da Apple Corps, empresa fundada pelo quarteto em Londres, na Inglaterra.

Mas os fãs e colecionadores da obra de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr não vão encontrar muitas novidades nesse lançamento. As canções são as mesmas incluídas no álbum "Let It Be".

O ponto interessante é que não há interferência de produtores, como ocorreu no caso do álbum "Let It Be", que contou com a edição de Phil Spector. As canções são mostradas como vieram ao mundo, em versões cruas e sem qualquer tipo de alteração. A única novidade é a versão instrumental curta de "God Save The Queen", que pouco acrescenta ao material apresentado.

O setlist é bem enxuto. Foram executadas "Get Back", "Dig a Pony", "Don´t Let Me Down", "I´ve Got a Feeling", e "One After 909", até a polícia inglesa chegar e pedir para parar o show por conta da confusão no trânsito que estava provocando nos arredores do prédio.

Até ali, apesar dos perrengues que ocorreram durante a elaboração das canções, os Beatles ainda demonstravam um certo entrosamento tocando, com a inclusão do excelente Billy Preston nos teclados. Havia uma vontade de mostrar as canções e ver como o público reagia. Afinal de contas, eles não se apresentavam ao vivo desde 1966, quando então passaram a gravar somente em estúdio.

Mais tarde, ainda em 1969, eles gravaram em estúdio o "Abbey Road" e depois se separaram em 1970. O álbum "Let It Be", lançado também em 1970, é feito justamente com esse material que eles produziram em janeiro de 1969. Foi o último lançado, mas o último gravado por eles em estúdio foi o "Abbey Road".

Ouvindo eles ao vivo nesse "Rooftop Concert", tenho a impressão que a banda caminhava para a elaboração de um tipo de som mais pesado. As canções tinham riffs fortes ("Get Back" e "I´ve Got a Feeling" são bons exemplos). E a coisa se repetiu em várias faixas do "Abbey Road". Esse CD "Get Back (The Rooftop Concert)" vai agradar os fãs e também aqueles que passaram a descobrir o quarteto vendo o documentário produzido e editado por Peter Jackson.


"Don´t Let Me Down"

"Get Back"


"I´ve Got a Feeling"


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

.: Crítica musical: Autoramas apresenta o álbum "Autointitulado"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

O novo álbum da banda de rock Autoramas já chegou em todas as plataformas digitais. Com produção musical dividida por Gabriel Thomaz, Alê Zastrás e Jairo Fajersztajn, o grupo continua mostrando aquele som característico de banda de garagem com um caldeirão de influências musicais.

A banda de rock foi criada em 1998 e atualmente tem na formação, Gabriel Thomaz (voz e guitarra), Érika Martins (voz, miniguitarra, órgão, percussão e theremin óptico), Fábio Lima (bateria) e Jairo Fajersztain (baixo). 

O lançamento estava previsto para 2020, mas não pôde nem ser gravado por conta da pandemia da covid-19. O baixista Jairo, diante dos protocolos de saúde e de funcionamento do mundo da música tomou uma atitude e montou na sua casa em Itatiba, interior de São Paulo, um estúdio para a gravação do álbum, batizado agora de Estúdio Vegetal.  

Em 2021 a banda lançou seu primeiro single “A Cara do Brasil”. A faixa que traz parceria com Rodrigo Lima, do Dead Fish, também ganhou videoclipe no youtube. Na sequência foram lançados a balada “Eu Tive Uma Visão”, uma parceria entre Gabriel e Érika Martins, “Sem Tempo” também com participação do Rodrigo Lima (Dead Fish), “Dia da Marmota” e “Nóias Normais”.

O som da banda mantém o pique dos oito discos anteriores. É um rock com cara de som de banda de garagem com muitas influências musicais, especialmente do punk e das bandas de rock dos anos 60. E vale a pena ser conferido. Mais informações sobre a banda no site oficial www.autoramasrock.com.br.

"Eu tive Uma Visão"

"No Dope"

"Noias Normais"



sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

.: Disco resgata canções geniais e esquecidas de David Bowie


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Por volta do ano 2000, David Bowie fez um dos movimentos mais inesperados em uma carreira repleta deles: ele começou a revisitar algumas das primeiras músicas de sua carreira profissional, a maioria das quais ele havia lançado na adolescência ou no início dos 20 anos. Uma versão de seu quarto single, "Can't Help Thinking About Me", originalmente lançado em 1966, tornou-se um destaque de seus shows ao vivo entre 1999 e 2000.

Mais tarde, ele levou sua banda de turnê para o estudio e regravou mais de uma dúzia de canções para um álbum chamado “Toy” que, devido a complicações com sua gravadora, não foi lançado na época. Muito embora várias músicas tenham sido lançadas separadamente e a coisa toda tenha vazado alguns anos atrás. O produtor e colaborador de longa data de Bowie, Tony Visconti, descreveu o álbum como “um dos melhores trabalhos de David”.

Destaco as faixas "The London Boys" e "Conversation Piece", ambas revestidas com a aura camaleônica de Bowie, além, é claro, da já citada "Can't Help Thinking About Me". Energia pura. O álbum foi lançado pela primeira vez como parte do box "Brilliant Adventure (1992-2001)". E agora o lançamento de 'Toy:Box' foi ampliado em três discos, apresentando tomadas alternativas e gravações despojadas das sessões originais. O mais interessante é que ele não apenas deixou para trás um álbum inédito após sua morte. E sim uma edição expandida completa para ser apreciada nos próximos anos.

"The London Boys"


"Can´t Help Thinking About Me"

 "Baby Loves That Way"


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

.: "Future Past": Duran Duran resgata sonoridade clássica dos anos 80


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Lançado no final de 2021, o novo disco do Duran Duran, ícone do pop britânico dos anos 80, parece resgatar a sonoridade do início da carreira dos músicos. O novo trabalho, intitulado "Future Past", teve colaborações do mítico produtor Giorgio Moroder e de nomes como Mark Ronson (Amy Winehouse) e Erol Alkan.

A banda representa o auge do movimento new romantics nos anos 80, que teve grupos como Spandau Ballet, Classic Nouveaux e Soft Cell, entre outros como expoentes. E esse novo álbum é o primeiro de inéditas dos últimos seis anos. Até então os músicos haviam lançado "Paper Gods" em 2015.

A formação permanece com membros originais, incluindo o vocalista Simon Le Bon, o tecladista Nick Rhodes, o baixista John Taylor e o baterista Roger Taylor. E o som mostra um pouco daquele tempero forte dos anos 80. São músicas que podem ser tocadas em qualquer pista de dança do mundo, assim como os seus antigos hits.

Destaco as faixas "Anniversary" (com clipe feito com sósias de personalidades conhecidas do mundo britânico), "Invisible" e a que deu nome ao disco ("Future Past"). Em todas elas é possível notar que Simon Le Bon não sentiu os efeitos do tempo. Seu vocal continua firme e forte, como sempre foi.

Em tempos de pandemia que infelizmente ainda está muito presente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, é um alento saber que o Duran Duran continua sua jornada na música e sem hora para terminar. Esse trabalho vai agradar em cheio os fãs do grupo, com toda certeza.

"Anniversary"

"Invisible"

"All Of You"


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

.: "Stomping Ground": Dion di Mucci grava disco com convidados especiais


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Após o aclamado "Blues With Friends", Dion di Mucci está de volta, mais uma vez com um elenco de estrelas da música em seu novo álbum, "Stomping Ground", lançado recentemente pelo selo Keep the Blues Alive Records (KTBA). Produzido por Wayne Wood e Dion, o álbum foi gravado durante a pandemia e apresenta o veterano pioneiro do rock´n roll em plena forma.

O álbum conta com convidados como Boz Scaggs, Mark Knopfler, Eric Clapton, Peter Frampton, Patti Scialfa, Bruce Springsteen, Billy Gibbons, Keb "Mo", Sonny Landreth, Joe Menza, Mike Menza, Marcia Ball, Jimmy Vivino , Rickie Lee Jones, Wayne Wood, Joe Bonamassa e GE Smith. Também inclui encarte com texto de Pete Townshend, do The Who.

São 14 faixas, a maioria co-escritas por Dion e Mike Aquilina, "Stomping Ground" encontra o veterano em seu autêntico elemento de blues / rock & roll, com músicos famosos se juntando a ele. Um vocalista suave e cheio de alma, Dion abre espaço para os convidados artistas para emprestar seu estilo único a cada música.

Um dos destaques é a faixa "Take It Back", com participação de Joe Bonamassa, da geração mais recente de guitarristas do estilo blues rock. Dion é um artista que permaneceu relevante e inovador da década de 50 até o presente. Em sua adolescência, cantou nas esquinas das ruas do Bronx e em bares locais, reunindo outros cantores, usando suas vozes em vez de instrumentos.

Em 1957 ele formou o Dion and The Belmonts, criando hits no estilo doo-wop e se tornou uma sensação nacional. Posteriormente, sua carreira solo nos anos 1960, 70 e 80 produziu uma série de sucessos, culminando com sua inserção no Hall da Fama do Rock and Roll em 1989.

Ele é citado como uma grande influência de artistas como Bruce Springsteen, Paul Simon, Lou Reed e outros. O álbum "Stomping Ground" serve para consolidar a incrível e contínua jornada musical de Dion.



"Take It Back"

"Dancing Girl"

"Cryin Shame"

sábado, 25 de dezembro de 2021

.: Parceria de Virginie Boutaud com Arrigo Barnabé nos anos 80 é lançada


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Uma fita perdida reencontrada em Paris, surpreendentemente intacta, livre de fungos ou oxidação, registrado a parceria de Virginie Boutaud com Arrigo Barnabé. A gravação de "Sur Une Plage du Brésil", foi feita em 1986 e agora está sendo disponibilizada para audição e compra na plataforma bandcamp.

A aparente mistura inusitada do ícone da música de vanguarda paulista (Arrigo Barnabé) com a vocalista da banda pop Metrô (Virginie) não é tão surpreendente. Durante uma saída da banda, Virginie chegou a trabalhar com Arrigo, vindo daí a sua relação de amizade musical com ele.

Quando os dois ouviram a fita, decidiram retomar o plano inicial: "Vamos lançar estas músicas com todo o carinho que as nossas bossas merecem!", comentaram os compositores. Inédita, com lançamento surpresa neste fim de ano, "Sur Une Plage du Brésil" vai ser o lado A de um vinil a ser lançado em breve pela dupla de compositores e cantores, Arrigo Barnabé e Virginie. Será fabricado no Brasil por Vinil Brasil.

O single foi originalmente gravado no “ Nosso Estudio”, em São Paulo, em outubro de 1986. A gravação contou com um time competente de músicos, incluindo Arismar do Espírito Santo (baixo) e Ulisses Rocha (violão), além do próprio Arrigo Barnabé no piano, teclados eletrônicos e arranjo da canção. O resultado da parceria pode ser conferido na plataforma bandcamp, no seguinte endereço https://virginieboutaud.bandcamp.com/track/sur-une-plage-du-br-sil.



sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

.: Rod Stewart mostra vitalidade no CD de estúdio "Tears Of Hercules"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Com 76 anos e uma carreira pontuada por vários sucessos, Rod Stewart parece disposto a continuar sua trajetória na música. Pelo menos é o que ele demonstra em seu 31º album de estudio, "Tears Of Hercules", lançado recentemente. 
Trata-se de seu primeiro material inédito em três anos. Um disco gravado a moda do vinil antigo, com doze faixas concisas que confirmam o astro britânico como ícone da música internacional.

Co-produzido com o membro de longa data de sua banda, Kevin Savigar, o disco mostra um Rod Stewart bem a vontade com um som de banda de garagem, que remonta ao seu período inicial. Há uma releitura primorosa de "Some Kind Of Wonderful", de Carole King, além canções com temática pop bem ao seu estilo, como "One More Time". Há também um tributo ao ícone Marc Bolan, da banda T-Rex, na faixa "Born to Boogie".

Como de costume, Rod Stewart se dá bem com as baladas Hold On e Touchline, esta última escrita em homenagem ao seu pai. E ainda consegue surpreender com uma maravilhosa versão de "These Are My People" de Johnny Cash. E assim Rod Stewart segue no jogo da música. Mantendo a vitalidade de um jovem no alto de seus 76 anos. E que continue assim por muito mais tempo.

"One More Time"

"I Can´t Imagine"

"Hold On"

domingo, 12 de dezembro de 2021

.: "Canto para Atabaque": o lado musical de Carlos Marighella


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

Conhecido pelo ativismo político contra o governo militar nos anos 60, Carlos Marighella, que teve um filme sobre sua trajetória recentemente lançado no cinema, com direção de Wagner Moura, está tendo resgatado também o seu lado como escritor. "Canto para Atabaque", poema de sua autoria, foi musicado por Tiganá Santana, em parceria com o grupo BaianaSystem.

Neste mês, completam-se 110 anos do nascimento de Marighella. E para marcar a data, a atriz Maria Marighella, neta do ativista, convidou inicialmente o baiano Tiganá Santana para musicar um poema de seu avô. O poema escolhido foi "Canto para Atabaque", que cita o lugar do tambor e das africanias na constituição do Brasil. Logo após traduzir em harmonia e melodia as palavras do poema, Tiganá convidou o grupo BaianaSystem e o músico Sebastian Notini para juntos construírem os arranjos e interpretarem a canção,

Homenagear o tambor que protagoniza o texto de Marighella demonstra um simbolismo de dimensão ampla. Considerando o tambor não apenas como objeto-instrumento, mas sim como entidade que nos informa sobre modos de existir no mundo. É como combater o racismo religioso, ir ao encontro de um conjunto negro de saberes que não dissocia estética de política, ética de conhecimento. O atabaque se faz presente na gravação e é essa força presente nos candomblés e nas dimensões de encantamento.

"Canto para Atabaque" vem nesse momento para celebrar, conectar, transcender e aproximar através da arte nossas dimensões humanas. Um encontro de pessoas e gerações que lançam mão do toque dos tambores e da força do verbo para falar de Brasil, de África, de tempo e de espaço. E podemos afirmar que foi uma feliz iniciativa resgatar a obra de Marighella como poeta e escritor.


"Canto para Atabaque"


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

.: Crítica musical: Voodoo Shyne mostra influência do rock setentista


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

O cantor e compositor paulista Voodoo Shyne está divulgando o álbum "Love, Martyrs & Archetypes". O disco está disponível nas plataformas digitais e traz nove músicas, sendo duas inéditas.

As faixas "Unique", "A Perfect Match", "Love Corrupts Myself to Death", "Instinct in Me", "Through Her Womb", "Fright (People)" e "Promises" já foram lançadas como singles entre 2020 e 2021. E agora ganharam versões remasterizadas no álbum completo. As duas inéditas são a instrumental Trap of Love e A.L.L. Impossível não associar o trabalho de Voodoo Shyne com o rock produzido nos anos 70. As referências são inúmeras, passando por Black Sabbath, T-Rex, Marc Bolan e muitos outros.

As músicas e letras são de Voodoo Shyne, que também faz vocal, baixo, sintetizadores, guitarras e bateria. Estevan Sinkovitz também gravou guitarras, e ainda baixo e violão em Through Her Womb. Ele é integrante da banda Marrero. Eklon Eleutério toca piano em A Perfect Match. 

Essa enxuta cozinha ritmica acaba produzindo um som capaz de convencer o ouvinte que curte hard rock. Faixas como Through Her Womb e Promises estão bem próximas do som dos anos 70. A produção é de Voodoo Shyne e Estevan Sinkovitz. O disco foi mixado e masterizado por Estevan Sinkovitz no estúdio Lichen Ideias Sonoras.

 "A Perfect Match"

"Promises"

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