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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

.: Novo cinema brasileiro revela quem paga a conta para filme chegar até você


Fundo Setorial do Audiovisual, leis de incentivo, editais estaduais e municipais e políticas de descentralização ajudam a financiar uma produção que movimentou cifras recordes em 2025


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Antes de existir um filme, existe uma pergunta pouco cinematográfica: quem vai pagar por ele? A questão costuma desaparecer quando começam os festivais. Depois de pronto, o filme ganha cartaz, trailer, entrevistas, sessões e, em alguns casos, prêmios internacionais. O público vê o resultado, enquanto os créditos finais passam rapidamente diante dos olhos. Antes disso, porém, existe um percurso de desenvolvimento, roteiro, contratação de equipe, preparação, filmagem, montagem, finalização, distribuição e divulgação que precisa ser financiado.

O crescimento recente do cinema brasileiro também passa por essa conta. Em 2025, a Agência Nacional do Cinema registrou R$ 1,41 bilhão em recursos efetivamente destinados para o setor, o maior volume da série histórica. No mesmo ano, havia 1.556 projetos audiovisuais em execução com apoio do fomento da Ancine, enquanto outros 3.697 estavam em fase de captação por leis de incentivo ou de contratação de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, o FSA. O número ajuda a explicar por que falar em novo cinema brasileiro também significa lembrar de política pública, investimento, empresas, editais e mecanismos de financiamento, já que uma boa história ainda precisa encontrar dinheiro para virar imagem.

O dinheiro que volta para o cinema
O principal mecanismo federal de investimento direto no audiovisual é o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que recebe, entre outras fontes, recursos da Condecine, contribuição criada para estimular e financiar o desenvolvimento da indústria cinematográfica e audiovisual brasileira. Em 2025, o Fundo alcançou números expressivos. Foram R$ 564,3 milhões contratados em investimentos, segundo a Ancine, o maior valor da série histórica, além de R$ 411,1 milhões destinados a operações de crédito para infraestrutura, modernização de estúdios, equipamentos e criação e comercialização de conteúdos. As leis de incentivo liberaram outros R$ 437,8 milhões.

O FSA pode funcionar por meio de investimento em projetos, enquanto suas linhas de crédito financiam empresas e estruturas do setor. Já os mecanismos de incentivo fiscal permitem que projetos habilitados captem recursos junto a empresas e outros investidores dentro das regras estabelecidas pela legislação. A própria Ancine passou a disponibilizar uma ferramenta que permite consultar as fontes de financiamento das obras brasileiras e identificar aquelas que utilizaram recursos públicos administrados pela agência, como o FSA e as leis de incentivo. O mapa financeiro do cinema, portanto, é mais complexo do que uma simples pergunta sobre quem “bancou” determinado filme.


O Fundo que chega antes do filme
Em 2025, o Comitê Gestor do FSA aprovou um Plano Anual de Investimentos de R$ 911 milhões. Desse valor, R$ 330 milhões foram planejados para o Prodecine, voltado ao cinema; R$ 315 milhões para o Prodav, relacionado à televisão; e R$ 266 milhões para operações de crédito do Proinfra. A existência dessas linhas significa que o financiamento pode alcançar diferentes etapas da cadeia. Desenvolvimento de projeto, produção, infraestrutura, circulação e internacionalização fazem parte de um sistema que tenta manter o audiovisual funcionando para além de um filme específico.

Em dezembro de 2025, por exemplo, o Comitê Gestor aprovou novas ações que incluíram R$ 100 milhões para suplementação da produção cinematográfica, R$ 30 milhões para complementação de projetos, R$ 90 milhões relacionados ao desempenho comercial de produtoras, R$ 40 milhões para desempenho artístico e R$ 25 milhões para coproduções internacionais binacionais. O cinema, portanto, pode receber dinheiro em momentos diferentes. Um projeto pode precisar de recursos para ser desenvolvido antes de conseguir filmar. Uma produtora pode precisar complementar o orçamento. Uma coprodução internacional pode abrir outra porta de financiamento. A famosa expressão “tirar um filme do papel” envolve uma papelada considerável.


O dinheiro também precisa sair do eixo
Se o dinheiro se concentrasse nos mesmos lugares onde historicamente estão as maiores produtoras, distribuidoras, equipes e estruturas, a descentralização da produção continuaria sendo apenas uma promessa. Por isso, os chamados "arranjos regionais" ganharam importância dentro do FSA. O mecanismo combina recursos federais e investimentos de estados e municípios para apoiar políticas audiovisuais locais.

Na edição de 2025, o programa teve R$ 300 milhões aprovados pelo FSA como complemento aos recursos dos entes locais. No resultado final, 41 entes locais foram selecionados e, pelas regras da chamada, 70% dos recursos foram destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto 30% ficaram para propostas do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo. A complementação federal pode chegar a cinco vezes o aporte do ente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e a quatro vezes no segundo grupo. A lógica é simples de entender, embora a operação seja bem mais complicada: o dinheiro federal entra para reforçar estruturas e recursos que já estão sendo organizados localmente.

Em vez de imaginar que uma produtora de Fortaleza, Recife, Belém ou Goiânia precisa disputar exatamente as mesmas condições de uma empresa instalada no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a política tenta criar mecanismos para fortalecer os próprios ecossistemas regionais. É uma mudança importante porque cinema não se faz apenas durante as semanas de filmagem. Para existir produção contínua, uma região precisa de roteiristas, produtores, técnicos, equipamentos, empresas, espaços de formação, festivais, salas e capacidade de distribuição.


Paulo Gustavo deixou dinheiro na ponta
Outro capítulo dessa história foi escrito pela Lei Paulo Gustavo. Criada em 2022, a legislação destinou R$ 3,862 bilhões para ações culturais em todo o território nacional. O dinheiro foi transferido pela União aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, que ficaram responsáveis pela execução de editais, chamamentos públicos, premiações e outras formas de seleção. A diferença em relação a um edital federal tradicional está justamente nessa descentralização. O dinheiro chega aos governos locais, que passam a organizar chamadas de acordo com suas realidades.

Para o audiovisual, isso pode significar recursos para curta-metragem, desenvolvimento de projetos, formação, cineclubismo, manutenção de espaços e outras atividades que dificilmente aparecem quando o público pensa apenas no filme pronto. A Política Nacional Aldir Blanc, por sua vez, foi criada como uma política permanente de financiamento cultural. O modelo prevê um total de R$ 15 bilhões em repasses ao longo de sua implementação, distribuídos de forma descentralizada entre estados, Distrito Federal e municípios. No segundo ciclo, referente a 2025 e 2026, todos os estados e 99,9% dos municípios haviam aderido à política, segundo o Ministério da Cultura.

O resultado dessa descentralização não aparece necessariamente no cartaz de um filme famoso. Pode estar em uma oficina de roteiro, na compra de equipamentos para uma produtora, na formação de uma equipe técnica ou no primeiro curta de alguém que ainda está longe dos festivais internacionais. É assim que uma política cultural começa a produzir efeitos antes mesmo de existir um filme para o público assistir.


O Ceará coloca dinheiro no próprio cinema
O caso do Ceará ajuda a visualizar essa engrenagem. Em 2026, o 16º Edital Ceará de Cinema e Audiovisual reuniu um conjunto de ações que totaliza R$ 34 milhões sendo R$ 25 milhões provenientes do FSA e R$ 9 milhões do Fundo Estadual de Cultura. O pacote inclui modalidades para curtas, desenvolvimento de roteiros, difusão, produção de longas-metragens para salas de cinema e produção para TV e vídeo sob demanda.

É uma política que tenta alcançar diferentes momentos da cadeia. Um cineasta pode precisar de dinheiro para desenvolver o roteiro muito antes de conseguir captar o orçamento de produção. Uma produtora pode precisar de recursos para filmar. Depois, ainda existe a etapa de levar a obra ao público. O cinema independente depende dessa continuidade. 

“Feito Pipa”, filme escolhido para representar o Brasil no Oscar, portanto, não deve ser entendido apenas pelo valor de um eventual edital ou pela quantidade de instituições que aparecem em seus créditos. O filme é resultado de uma cadeia de produção na qual diferentes mecanismos podem se somar. A própria trajetória da Deberton Filmes, sediada em Fortaleza, mostra como uma produtora regional pode construir projetos ao longo de anos, articulando produção, distribuição e parcerias.

Existe ainda outro caminho: os mecanismos de incentivo fiscal. A Lei do Audiovisual permite que projetos habilitados captem recursos dentro de determinados mecanismos de incentivo. Em 2025, a Ancine liberou R$ 437,8 milhões por meio das leis de incentivo, mantendo esse mecanismo como uma das fontes importantes de financiamento da produção brasileira.

Nesse mesmo ano, os limites de aporte dos mecanismos previstos nos artigos 1º e 1º-A da Lei do Audiovisual foram atualizados para até R$ 12 milhões na soma desses dispositivos, enquanto os artigos 3º e 3º-A passaram a ter limite de R$ 9 milhões na soma. A legislação também teve sua vigência prorrogada até 2029. Na prática, o produtor não recebe simplesmente um cheque do governo para fazer o filme. Existem regras, aprovação do projeto, captação, prestação de contas e acompanhamento da execução. É uma engrenagem que mistura dinheiro público, participação privada e mecanismos de incentivo.


Coproduzir também é uma maneira de produzir
Quando o orçamento brasileiro não é suficiente para determinado projeto, a coprodução internacional pode abrir outra possibilidade. Em 2026, o FSA lançou chamadas específicas para coproduções com Portugal e Argentina. A chamada com Portugal prevê aproximadamente R$ 2 milhões em recursos do FSA para longas-metragens brasileiros realizados em coprodução com o país europeu. A chamada com a Argentina prevê aproximadamente R$ 1,5 milhão do Fundo para longas brasileiros realizados em coprodução com produtoras argentinas.

Coprodução não significa simplesmente conseguir dinheiro estrangeiro. Ela envolve regras, empresas dos países envolvidos, divisão de responsabilidades e reconhecimento formal da parceria. Também pode ampliar o caminho internacional de um filme. Uma obra que nasce no Brasil pode encontrar parceiros, financiamento, profissionais e circuitos de circulação em outros países. O cinema contemporâneo, nesse sentido, pode ser local na história e internacional na estrutura de produção.


O filme começa muito antes da câmera
Existe uma imagem romântica do cinema que começa quando a câmera é ligada. Na prática, o filme já começou muito antes. Começa quando alguém escreve um argumento, procura uma produtora, desenvolve um roteiro, apresenta um projeto, participa de um laboratório, procura financiamento, entra em um edital, negocia uma coprodução, monta um plano de produção e tenta convencer outras pessoas de que aquela história merece existir.

Depois vêm contratação de equipe, locações, elenco, equipamentos, transporte, alimentação, seguros, montagem, correção de cor, desenho de som, acessibilidade, cópias, materiais de divulgação, distribuição e tudo aquilo que aparece nos créditos quando a sessão termina. É por isso que o número de 3.981 obras audiovisuais brasileiras registradas em 2025, recorde histórico, precisa ser lido ao lado dos dados de financiamento. A Ancine registrou ainda 2.500 obras brasileiras independentes naquele ano, crescimento de 6,7% em relação a 2024, e 810 registros de produtoras sediadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, alta de 9%.

No entanto, o aumento dos recursos não elimina os problemas: um edital não garante que um filme encontrará público. Um prêmio não paga sozinho a próxima produção. Um projeto aprovado pode enfrentar dificuldades de captação. Uma produtora pode conseguir realizar um filme e ainda ter problemas para distribuí-lo. Além disso, o dinheiro destinado à produção precisa chegar em tempo suficiente para que o setor consiga transformar orçamento em trabalho.

A própria Ancine registrou, ao lado dos recordes de 2025, milhares de projetos ainda em fase de captação ou contratação. O número mostra que existe dinheiro disponível e uma demanda enorme por recursos. Também existe uma questão que os números não resolvem sozinhos: quem consegue acessar os mecanismos de financiamento? Para um produtor experiente, entender um edital pode fazer parte da rotina. Para quem está começando, as exigências técnicas, jurídicas e administrativas podem ser uma barreira tão grande quanto encontrar dinheiro.


O cinema que aparece na tela tem muitos investidores invisíveis
Quando “Feito Pipa” chegar aos cinemas brasileiros, em 5 de novembro, o espectador poderá acompanhar Gugu, Dilma e aquela história familiar ambientada no Ceará. Poderá gostar ou não do filme, emocionar-se, discordar, encontrar referências próprias ou simplesmente seguir para a próxima sessão. Por trás dessa experiência estarão produtoras, profissionais, equipamentos, editais, fundos, leis de incentivo, investimentos, coproduções e anos de trabalho. Alguns desses nomes aparecem nos créditos. Outros ficam escondidos nos documentos de financiamento.

Em 2025, o audiovisual brasileiro recebeu o maior volume de recursos efetivamente desembolsados pela Ancine em sua série histórica. Ao mesmo tempo, a produção independente bateu recorde e regiões fora do eixo tradicional aumentaram sua participação. Ainda existe uma longa estrada entre conseguir dinheiro e atrair público. Saber disso é uma boa maneira de olhar para o chamado novo cinema brasileiro: os filmes que fazem parte dele são resultado de uma infraestrutura que tornou possível filmá-los.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

.: “Miêdka - Uma Metáfora do Encontro”, na Funarte, recupera memórias inscritas


Criação de Claudia Palma reúne Armando Aurich, Claudia Palma e Ana Mondini em espetáculo inspirado no livro “Escute as Feras”, de Nastassja Martin. Foto: Hamilton Ramos

Depois de décadas de trajetórias que se cruzaram na dança paulistana, Claudia Palma, Armando Aurich e Ana Mondini voltam a dividir a cena em “Miêdka - Uma Metáfora do Encontro”, criação coreográfica de 2023 que reestreia no Complexo Cultural Funarte SP. As apresentações acontecem nos dias 25, 26 e 27 de setembro e 1.°, 2 e 3 de outubro, na Sala Renée Gumiel, dentro do projeto “Ser Tempo”, realizado pela iN SAiO Cia. de Arte.

Dirigido por Claudia Palma, o espetáculo parte de “Escute as Feras”, livro da antropóloga francesa Nastassja Martin. A obra nasceu de uma experiência real vivida pela autora durante uma pesquisa de campo entre os even, na península de Kamtchátka, na Sibéria: o encontro com um urso que deixou marcas físicas e profundas consequências em sua relação com o mundo. Publicado originalmente na França como “Croire aux Fauves”, em 2019, o livro chegou ao Brasil pela Editora 34 em 2021.

A experiência de Martin interessa ao espetáculo justamente pela ideia de encontro como acontecimento capaz de deixar marcas no corpo e na memória. Em “Miêdka”, Claudia Palma, Armando Aurich e Ana Mondini não retomam coreografias antigas de suas trajetórias. O reencontro acontece a partir das lembranças, sensações, afetos e experiências acumuladas ao longo dos anos.

A palavra que dá nome à criação vem de uma referência ligada aos povos even e designa a pessoa marcada pelo encontro com um urso, que passa a carregar uma condição entre o humano e o animal. A própria companhia apresenta a figura da miêdka como alguém que sobrevive ao encontro e passa a compartilhar marcas e sonhos com a natureza.

A escolha do livro de Nastassja Martin também aproxima a dança de uma experiência antropológica bastante particular. Em sua obra, a autora parte do episódio ocorrido em 25 de agosto de 2015 para refletir sobre identidade, natureza, mito e as fronteiras entre diferentes formas de existência. “É um extrato essencial daquilo que reflete nos nossos corpos hoje”, afirma Claudia Palma, que dirige a iN SAiO Cia. de Arte desde 2010. A companhia tem uma trajetória dedicada à pesquisa do corpo e das possibilidades expressivas do movimento e reúne, em seu repertório, trabalhos como “Um Outro Corpo”, “Cálamo”, “Lugar Algum”, “Dark Room”, “Abissal” e “Ato Infinito”.

A criação também marcou a temporada de 2023 ao receber o prêmio APCA Dança de Melhor Elenco para Armando Aurich, Claudia Palma e Ana Mondini. A premiação reconheceu o trio pela atuação em “Miêdka - Uma Metáfora do Encontro”. A programação da Funarte amplia a proposta da apresentação com atividades gratuitas relacionadas à dança e ao processo criativo. No dia 26 de setembro, após a sessão, acontece o bate-papo “Dança e Etarismo - A Potência das Idades”, com Ana Terra e Mariana Muniz. A apresentação do dia 27 terá audiodescrição.

O projeto “Ser Tempo” continua em outubro com uma residência artística conduzida pelos três intérpretes-criadores, entre os dias 6 e 9, além de duas mesas de discussão. “Políticas Públicas e Perspectivas para os Trabalhadores da Dança”, no dia 8, reúne Zé Maria Carvalho e Zé Renato. No dia 9, “Criação e Memória na Dança” recebe Mariana Muniz, Luis Arrieta e Wellington Duarte, com mediação de Ana Terra.

Toda a programação é gratuita, incluindo as apresentações de “Miêdka – Uma Metáfora do Encontro”. O projeto da iN SAiO Cia. de Arte foi contemplado pela 39ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo “Miêdka - Uma Metáfora do Encontro”
Direção Geral e Artística: Claudia Palma | Intérpretes-Criadores: Armando Aurich, Claudia Palma e Ana Mondini | Trilha Sonora Original: Joaquim Tomé | Ambientação Cênica, Desenho e Operação de Luz: Hernandes Oliveira | Operação de Som: Gui Afonso | Figurino: Elenco | Provocação Filosófica: Rodrigo Vilalba | Escrita e Colaboração Dramatúrgica: Tatiana Avanço | Fotografia: Hamilton Ramos | Assessoria de Comunicação: Elaine Calux | Produção artística: Cristina Ávila | Produção executiva: Dionísio Produção Cultural (Cristiane Klein).


Serviço
Espetáculo “Miêdka - Uma Metáfora do Encontro”
Com: Claudia Palma, Armando Aurich e Ana Mondini
Dias  25, 26 e 27 de setembro | Sexta-feira, às 19h00; sábado e domingo, às 18h00
Dias 1.°, 2 e 3 de outubro | Quinta a sábado, às 19h00
Complexo Cultural Funarte SP - Sala Renée Gumiel
Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos / São Paulo
Duração: 60 minutos. Classificação: livre. Acessibilidade: sim. Audiodescrição: 27 de setembro, mediante reserva pelo WhatsApp 11 99548-4773. Ingressos: gratuitos, distribuídos uma hora antes do espetáculo

Residência artística “Miêdka”
6 a 9 de outubro, das 11h00 às 14h00 | 25 vagas

Mesas de discussão
8 de outubro, das 19h00 às 21h30 - “Políticas Públicas e Perspectivas para os Trabalhadores da Dança”
9 de outubro, das 19h00 às 21h30 - “Criação e Memória na Dança”
Toda a programação é gratuita.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

.: Dez motivos para ler "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral


Romance de estreia de Thiago Sobral mergulha em violência familiar, desejo, fé, racismo, homofobia e culpa para construir uma história em que ninguém é completamente inocente

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com. 

Poucas coisas são tão literárias quanto descobrir que o monstro da história pode ter sido vítima antes de virar monstro e que isso, definitivamente, não resolve o problema. Nessa história, há um pai morto, um filho tentando justificar o injustificável, um amor que poderia ter sido e uma cidade pequena onde todo mundo parece saber da vida alheia antes mesmo de a própria pessoa descobrir. É desse material inflamável que Thiago Sobral constrói "O Pai, a Faca e o Beijo", romance de estreia publicado pela Editora Patuá, que será lançado neste sábado, dia 5 de setembro, às 16h00, na Casa das Culturas de Santos. Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00, o lançamento será na Bienal Internacional do Livro, no Estande K45 da Editora Pauá.

Ambientado em Cubatão, no litoral de São Paulo, o livro acompanha Santiago e Davi, o Pirueta, em uma relação marcada por desejo, rejeição, violência e uma quantidade considerável de coisas que poderiam ter sido resolvidas com uma conversa. Ex-seminarista franciscano e professor de Língua Portuguesa, Thiago Sobral leva para a ficção questões ligadas à fé, à moral, à família e às contradições humanas. O resultado é um romance seco, provocador e pouco interessado em oferecer ao leitor aquela sobremesa reconfortante chamada redenção.

O próprio autor explica que escreveu a história a partir da ideia freudiana de “matar o pai”, explorada em "Totem e Tabu", relacionando a morte do patriarca à busca de liberdade de Santiago. Depois do crime, porém, o personagem percebe que eliminar o pai não significa necessariamente eliminar aquilo que o pai deixou dentro dele. O romance também nasceu de uma provocação que Sobral ouviu em uma conversa, em 2022, quando alguém afirmou que, para o Brasil “ir para frente”, seria preciso “matar o seu pai”. A frase ficou rondando a cabeça do escritor até virar literatura. Em 2025, depois de retomar o projeto, ele pesquisou casos reais de parricídio e conceitos da psicanálise para dar corpo à narrativa. A seguir, dez motivos para colocar "O Pai, a Faca e o Beijo" na lista de próximas leituras. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.


1. Romance transforma o conflito entre pai e filho em uma guerra psicológica
Santiago e Severo não travam apenas uma disputa doméstica. O relacionamento entre os dois concentra violência, medo, desejo de aceitação e uma tentativa desesperada de romper com aquilo que o personagem entende como origem de todos os seus problemas. O resultado é uma relação familiar em que cada gesto parece carregar uma conta antiga. Santiago acredita que matar o pai poderá libertá-lo.


2. Um protagonista difícil de defender
Santiago está longe de ser um "mocinho de estimação". Negro e homossexual, ele carrega o peso do racismo e da homofobia, mas também reproduz contra si e contra os outros parte da violência que sofreu. É homossexual e homofóbico, racista e vítima do racismo, desejante e repressivo, amoroso e cruel. Essa coleção de contradições torna o personagem incômodo e difícil de digerir.


3. O livro pergunta se violência sofrida pode justificar violência cometida
Severo acredita estar protegendo o filho. As agressões são apresentadas por ele como uma forma de educação e de prevenção contra sofrimentos futuros. A mãe relativiza. Os irmãos reproduzem comportamentos. Santiago absorve tudo e, depois, despeja parte dessa brutalidade sobre Davi. Thiago Sobral transforma a violência em uma engrenagem familiar. Quem bate acredita corrigir. Quem se omite acredita evitar problemas. Quem sofre pode acabar repetindo o comportamento que aprendeu. A pergunta fica para o leitor: compreender a origem de uma violência significa perdoá-la?


4. Freud explica e entra na história de maneira indireta
A ideia de “matar o pai” percorre o romance como metáfora de libertação. Thiago Sobral, mesmo que de maneira indireta, mergulhou em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud, para construir a relação de Santiago com o pai morto e explorar a ideia de ruptura com a figura paterna. O detalhe mais interessante está na falha dessa libertação. Santiago mata o pai, mas não consegue matar aquilo que carrega dentro de si. A faca resolve uma parte do problema. O restante continua andando pela casa. Como resolver essa situação?


5. Cubatão, que já foi a cidade mais poluída do mundo, deixa de ser cenário e ganha personalidade
Localizada no litoral de São Paulo, Cubatão já foi considerada a cidade mais poluída do mundo pela ONU na década de 1980 e ficou conhecida como "Vale da Morte". Na geografia apertada entre a Serra do Mar, rios, mangues e a área industrial, a atmosfera da narrativa é construída. Thiago Sobral relaciona o espaço físico da cidade ao comportamento dos personagens e à sensação de sufocamento experimentada por Santiago. A própria indústria, com calor e fuligem, reforça essa atmosfera. Cubatão também aparece como território do julgamento. Em lugar pequeno, uma vida privada pode durar pouco tempo antes de virar assunto público.


6. A experiência religiosa do autor aparece sem virar catecismo
Thiago Sobral foi seminarista franciscano, e essa formação inevitavelmente deixa marcas na literatura. O romance trabalha com religião, fé, culpa e moralidade, mas não oferece respostas religiosas mastigadas. O padre Jorge, por exemplo, surge como personagem capaz de apresentar outra possibilidade de relação com a fé, enquanto a instituição religiosa aparece cercada pelas próprias limitações. No contexto do livro, a literatura não substitui a religião, mas pode abrir caminhos e possibilidades para o leitor.

7. Desejo, liberdade e um amor possível, desde que disposto
O personagem Davi, o Pirueta, funciona como contraponto ao protagonista. Ligado à dança, à poesia e à expressão artística, ele carrega uma relação diferente com o próprio corpo, com o desejo e com a liberdade. Enquanto Santiago se debate contra aquilo que sente, Davi parece encontrar na arte uma forma de existir. A relação entre os dois, por isso, ganha uma dimensão que ultrapassa o romance amoroso convencional. O beijo do título não é apenas um gesto de afeto. Ele também representa tudo aquilo que Santiago deseja e, ao mesmo tempo, rejeita.


8. Livro aposta na oralidade e na voz própria dos personagens
Thiago Sobral afirma que buscou reproduzir a oralidade típica de famílias cubatenses formadas por migrantes nordestinos, incluindo referências à própria história familiar. Os diálogos carregam insinuações, ironias, desconfianças e lacunas. Essa escolha aproxima o romance da vida cotidiana e evita personagens que parecem ter saído de um manual de literatura e desembarcado diretamente na página.


9. Machado de Assis aparece como influência sem virar fantasia de imitador
A ironia e a recusa de absolver os personagens aproximam o romance "O Pai, a Faca e o Beijo" da tradição machadiana. A referência está no prazer de observar seres humanos cometendo erros enquanto encontram excelentes justificativas para continuar cometendo os mesmos erros. O resultado é uma narrativa que desconfia das versões oficiais de todos aos fatos que vivem, inclusive daquela contada pelo próprio protagonista.


10. Romance se recusa a entregar a catarse que o leitor espera
"O Pai, a Faca e o Beijo" cria expectativas de reconciliação, redenção e libertação, mas não oferece nenhuma garantia de que isso vá acontecer. Thiago Sobral afirma que a literatura depende da cumplicidade do leitor e afirma que uma mesma narrativa pode produzir histórias diferentes a cada leitura. Diferentes leitores podem querer salvar Santiago, condená-lo, compreendê-lo ou simplesmente mandar todo mundo para terapia, uma alternativa que, infelizmente, não parece estar disponível no universo do livro.

Serviço | Lançamento de "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral

Casa das Culturas de Santos
Sábado, dia 5 de setembro, às 16h00
Rua Sete de Setembro, 49 - Vila Nova / Santos

Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00
Estande K45 da Editora Pauá



segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: Filme "Homem-Aranha: Um Novo Dia" alcança 10.ª maior bilheteria da história


Novo filme da Marvel ultrapassa US$ 1,7 bilhão e entra para o ranking das maiores arrecadações do cinema mundial. Imagem: divulgação

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" acaba de alcançar mais uma marca expressiva nas bilheterias. Duas semanas depois de chegar aos cinemas, a nova aventura do herói da Marvel já ultrapassou US$ 1,7 bilhão em arrecadação mundial e ocupa a décima posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos. O longa-metragem também já havia feito história no Brasil ao registrar a maior estreia da história do cinema no país. Agora, com US$ 1.708.805.242 acumulados, segundo dados do Box Office Mojo, o filme supera outras grandes produções e passa a integrar um ranking dominado por alguns dos maiores fenômenos comerciais da história do cinema.

O desenvolvimento de "Homem-Aranha: Um Novo Dia" foi anunciado em outubro de 2024 pela Marvel Studios e pela Sony Pictures. Desde então, o projeto se tornou um dos mais acompanhados pelos fãs, impulsionado pelas notícias sobre as filmagens, rumores envolvendo o elenco e pela campanha de divulgação protagonizada por Tom Holland e Zendaya. Na trama, Peter Parker tenta seguir em frente depois que sua identidade foi apagada da memória das pessoas. Enquanto continua atuando como o Amigão da Vizinhança e protegendo Nova York, o herói se depara com uma série de crimes misteriosos que o conduz até uma conspiração de proporções muito maiores.

Tom Holland retorna ao papel de Peter Parker ao lado de Zendaya, novamente como MJ, e Jacob Batalon, que interpreta Ned. O elenco também reúne Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk e Michael Mando como Escorpião. Outra novidade é a presença de Jon Bernthal como o Justiceiro, personagem que faz sua estreia nos cinemas. Liza Colón-Zayas, conhecida por The Bear, e Sadie Sink, de Stranger Things, também fazem parte da produção.

A direção é de Destin Daniel Cretton, responsável por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O roteiro foi escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, dupla que já trabalhou em outros filmes do universo do Homem-Aranha. Distribuído pela Sony Pictures, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é produzido pela Columbia Pictures em parceria com a Marvel Studios e a Pascal Pictures.


As dez maiores bilheterias da história do cinema
Na liderança está "Avatar" (2009), de James Cameron, com US$ 2.923.710.708 arrecadados mundialmente. Em segundo lugar aparece "Vingadores: Ultimato" (2019), com US$ 2.799.439.100, seguido por "Avatar: O Caminho da Água" (2022), também dirigido por Cameron, com US$ 2.334.484.620. A quarta posição pertence à animação chinesa "Ne Zha 2" (2025), que soma US$ 2.270.700.370. Logo atrás está "Titanic" (1997), outro fenômeno de Cameron, com US$ 2.264.812.968. Em sexto lugar aparece "Star Wars: O Despertar da Força" (2015), com US$ 2.071.310.218, enquanto "Vingadores: Guerra Infinita" (2018) ocupa a sétima colocação, com US$ 2.052.415.039. Na oitava posição está outro filme do herói aracnídeo: "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" (2021), que acumulou US$ 1.921.426.073. "Zootopia 2" (2025) aparece em nono lugar, com US$ 1.866.647.950. Fechando o top 10, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" registra US$ 1.708.805.242. Os dados são da Box Office Mojo.

O cinema foi buscar o público em casa
Depois de anos marcados pelos efeitos da pandemia e pela consolidação do streaming, 2026 desponta como um dos períodos mais fortes para a indústria cinematográfica desde a retomada das atividades. O ano já reúne cinco filmes com mais de US$ 1 bilhão em arrecadação mundial: "A Odisseia", de Christopher Nolan, "Homem-Aranha: Um Novo Dia", "Super Mario Galaxy", "Michael" e "Toy Story 5".

A lista ainda pode crescer. As projeções do mercado apontam "Duna: Parte Três" e "Vingadores: Doomsday" como candidatos a alcançar a marca até o fim do ano. Se as previsões se confirmarem, 2026 terá o maior número de produções bilionárias desde 2019, quando nove filmes ultrapassaram US$ 1 bilhão. Parte importante desse movimento passa pela Gen Z. O público entre 14 e 29 anos representou quase 40% dos espectadores pagantes na América do Norte no último ano e teve participação decisiva no desempenho de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", respondendo por metade de sua audiência de estreia na região.

A recuperação também está relacionada ao próprio modelo de consumo. O aumento no preço médio dos ingressos nos Estados Unidos, que passou de cerca de US$ 9 em 2019 para aproximadamente US$ 13,50 atualmente, elevou a receita por espectador. Ao mesmo tempo, formatos premium como IMAX, Dolby Cinema, ScreenX e 4DX transformaram a ida ao cinema em uma experiência mais sofisticada e imersiva. O cenário de 2026 revela ainda uma diversidade de produtos capazes de atrair públicos diferentes: animações, cinebiografias musicais, superproduções de heróis e adaptações de obras literárias de enorme tradição. No caso de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", o fenômeno ajuda a explicar como um personagem conhecido há décadas continua encontrando novas gerações dispostas a acompanhá-lo nas salas de cinema.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

.: Dez motivos para ler "Amaridades", de Sandra Tello Bohorquez


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O livro "Amaridades" surge de um ponto delicado: o instante em que a vida exige revisão. Sandra Tello Bohorquez, colombiana radicada no Brasil, estreia no livro depois dos 60 anos, quando já não há interesse em performance, mas uma urgência em compreender a vida. O resultado é um texto que olha para o envelhecimento sem rodeios e sem idealizações, tratando-o como um território de reencontro com aquilo que ficou mal resolvido, dito pela metade ou simplesmente herdado sem escolha.

Dividida em 12 capítulos, a obra se organiza como uma travessia íntima. O livro não oferece soluções, mas exige um trabalho paciente de leitura das próprias origens, sustentado pela escuta e pelo reconhecimento de que a história familiar continua agindo mesmo quando não é óbvia. A seguir, dez razões para entrar nesse percurso. Compre o livro "Amaridades", de Sandra Tello Bohorquez, neste link.


1. O envelhecimento como ajuste de rota
Sandra Tello Bohorquez trata o tempo como matéria ativa, não como contagem regressiva. Envelhecer implica revisar decisões, reavaliar vínculos e reconhecer o que ainda está em aberto. "Amaridades" acompanha esse movimento sem pressa, observando como escolhas antigas continuam produzindo efeitos. Cada capítulo amplia esse deslocamento, mostrando que o avanço da idade pode reorganizar prioridades. O leitor encontra um convite à revisão sem estar acompanhado de promessa de conforto imediato.


2. Histórias familiares tratadas como matéria viva
Os episódios narrados partem de situações reconhecíveis: conversas interrompidas, conflitos recorrentes, afastamentos que nunca se explicaram por completo. Ao trazer esses fragmentos, constrói um painel em que o passado não está encerrado. O que foi vivido permanece operando, mesmo sem nome. A leitura evidencia como essas histórias continuam moldando comportamentos e decisões no presente.


3. Psicogenealogia aplicada ao cotidiano
A psicogenealogia aparece como ferramenta de leitura das relações familiares, sem excesso de terminologia técnica. Sandra articula conceitos com exemplos diretos, o que permite ao leitor identificar padrões sem depender de explicações acadêmicas extensas. A proposta não simplifica o tema, mas o aproxima da experiência comum. Ao observar repetições e rupturas entre gerações, o livro oferece instrumentos para reconhecer dinâmicas que muitas vezes passam despercebidas. O resultado é um entendimento mais claro das heranças invisíveis.

4. Escrita sustentada por experiência real
A trajetória da autora que deixou o ambiente corporativo para se dedicar ao projeto "Amaridades" passa pelo livro sem virar autobiografia. Esse percurso funciona como eixo e o texto se constrói a partir do que foi vivido, incluindo o processo de envelhecimento compartilhado com a mãe. Essa dimensão concreta dá densidade à narrativa e evita generalizações. O leitor acompanha transformações que não foram planejadas, mas assumidas ao longo do caminho.


5. Um projeto que antecede o livro
Desde 2017, Sandra coleta relatos de pessoas mais velhas sob o lema “Contando Histórias, Inspirando Futuros”. Esse acervo alimenta a escrita e amplia seu alcance. O livro não surge isolado; é resultado de uma prática contínua de escuta e registro. As experiências reunidas ao longo desses anos aparecem como pano de fundo, enriquecendo a análise das relações familiares. Essa base confere consistência ao texto e reforça seu vínculo com histórias reais.

6. A árvore genealógica como ferramenta de leitura
A investigação das origens familiares ganha forma concreta na reconstrução da árvore genealógica. O processo revela repetições, apagamentos e escolhas que atravessam gerações. Ao organizar essas informações, o leitor passa a enxergar conexões antes dispersas. A proposta não é apenas conhecer nomes e datas, mas compreender dinâmicas. Esse exercício desloca a percepção sobre a própria história e amplia o entendimento sobre comportamentos herdados.

7. Reinterpretação de dores antigas
Abandono, rejeições, segredos e perdas aparecem de maneira direta, sem tentativa de suavização. O diferencial está na forma como esses elementos são reorganizados ao longo da narrativa. Ao identificar padrões e vínculos, o livro propõe uma leitura mais ampla dessas experiências. O que antes parecia isolado passa a integrar um conjunto maior. Essa mudança de perspectiva não apaga a dor, mas altera sua posição dentro da história.

8. Relação entre memória e comportamento
O texto evidencia como experiências não elaboradas continuam influenciando atitudes, escolhas e relações. Emoções reprimidas e episódios não resolvidos reaparecem em situações distintas, criando repetições difíceis de identificar. Ao reconhecer essas conexões, o leitor passa a observar suas próprias respostas com mais precisão. "Amaridades" sugere que compreender essas relações pode abrir espaço para decisões diferentes, ainda que o processo não seja simples.

9. Um livro que se sustenta na escuta
A escuta aparece como prática central. Sandra constrói sua narrativa a partir de relatos, observações e convivências, sem impor interpretações fechadas. Essa postura cria um texto que acolhe diferentes experiências e permite múltiplas leituras. Ao priorizar o ouvir, "Amaridades" desloca o foco da explicação para a compreensão. O resultado é uma escrita que acompanha o ritmo das histórias que a originaram.

10. Maturidade como construção contínua
"Amaridades" apresenta a maturidade como processo em andamento. Trata-se ade lidar com o que foi recebido e decidir o que permanece. O livro aponta que esse trabalho envolve escolhas conscientes e revisão constante. Ao longo da leitura, fica claro que amadurecer exige enfrentar a própria história sem intermediários. O movimento proposto não encerra questões, mas reposiciona o leitor diante delas.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

.: Ivan Lins lança álbum dedicado ao samba com grandes parcerias


"Sambadouro" traz composições da carreira do músico carioca com arranjos tradicionais do samba, além de uma faixa inédita. Na imagem, capa do álbum. Projeto gráfico: Alexandre Amaral

"Sambadouro", novo álbum de Ivan Lins lançado pelo Selo Sesc, retoma as raízes de um dos maiores nomes da música brasileira, trazendo composições consagradas do músico, além de canções menos conhecidas do público, com arranjos tradicionais de samba. O álbum chega às principais plataformas de áudio em 24/7, sexta-feira. Além da versão digital, o álbum chega também em versão física nas Lojas Sesc. O Sesc Pinheiros recebe os shows de lançamento do disco nos dias 29 e 30 de agosto.

Uma das preciosidades de Sambadouro são as participações de peso do álbum: Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem e Diogo Nogueira nas vozes, Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas e Rafael dos Anjos nos arranjos, além de Hamilton de Holanda no bandolim. “Quando eu decido fazer um disco só de samba, estou realizando um sonho que eu sempre carreguei durante muitos anos. Tô quase morrendo do coração aqui porque eu tô ouvindo a minha música de uma maneira que eu, pessoalmente, não me sentiria capaz de fazer exatamente dessa forma”, declara Ivan.

"Sambadouro" surge como um álbum que preza pela criação coletiva e realiza o sonho de Ivan de prestar uma homenagem ao samba, reafirmando o amor pela música de um dos grandes mestres da Música Popular Brasileira, que completou 80 anos em 2025. “O samba sempre conviveu comigo, e ele foi entrando devagar porque eu já vinha com outras influências. Eu sempre gostei muito de tudo quanto é tipo de música. Isso é um dom que eu recebi. E o samba cada vez foi se incorporando mais. Foi me levando a esse amor pelas nossas raízes, pelo meu próprio país. O samba me ajudou a amar mais o meu país”.
 
"Sambadouro" abre com "Nosso Samba Já É Um País", canção de 2014 presente no álbum "América, Brasil". "Diplomação", canção de 2001 de "Basta Um Tambor Bater" traz Zeca Pagodinho em parceria com Ivan, seguida de "Prece ao Samba", de 2006. Xande de Pilares empresta sua voz a "Saravá, Saravá", canção de 2004 comporta em parceria com Martinho da Vila. Em "É de Deus", de 1995, do disco "Anjo de Mim", precede "Porta Entreaberta", de "Cantando Histórias", lançado em 2004 e que em "Sambadouro" Ivan vem acompanhado de Diogo Nogueira. Ambas de 1974, presentes em "Modo Livre", o disco segue com "Não Tem Perdão" e "Deixa Eu Dizer", esta com participação de Ferrugem. Entre elas, homônima ao álbum, "Sambadouro", de 1993, presente em "Coisas de Brasil". Ivan Lins e Hamilton de Holanda trazem "Parei Contigo", novamente de "Contando Histórias", seguida da parceira com Mart'nália com "Sou Eu", canção de 1990 de "A Doce Presença de Ivan Lins". Fechando o disco, Ivan Lins entoa "Maravilhado", faixa inédita que condiz com a sensação da realização do disco.
 
“O samba significa, para mim, uma identidade. Inclusive uma identidade citadina. É uma identidade urbana no Brasil. Desde que eu me senti capaz de entender e compreender música, eu escuto samba”, completa Ivan. A capa do álbum foi inspirada na única foto da casa de Tia Ciata, local que teve papel central para o samba enquanto gênero e na sua relação com o carnaval e que foi frequentado por figuras como João da Baiana, Pixinguinha, Hilário Jovino e Sinhô, hoje demolido. A foto pertence ao Arquivo Geral do Rio de Janeiro.
 
Reconhecido internacionalmente, Ivan Lins construiu uma carreira que atravessa mais de cinco décadas, com mais de 20 álbuns autorais, e canções suas gravadas por importantes nomes da música nacional e internacional como Elis Regina, Gonzaguinha, Sting e Barbara Streisand. Vencedor por cinco vezes do Grammy Latino, o artista recebeu o último deles em 2025 com o Prêmio à Excelência Musical, um reconhecimento à sua produção e à sua relevância na música, que é corroborada agora com Sambadouro.
 

Faixas 

1 – "Nosso Samba Já É Um País" (Ivan Lins e Vitor Martins)
2 – "Diplomação" (Ivan Lins e Celso Viáfora) part. Zeca Pagodinho 
3 – "Prece ao Samba" (Ivan Lins e Nei Lopes)
4 – "Saravá, Saravá" (Ivan Lins e Martinho da Vila) part. Xande de Pilares 
5 – "É de Deus" (Ivan Lins e Vitor Martins)
6 – "Porta Entreaberta" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Diogo Nogueira 
7 – "Não Tem Perdão" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Péricles 
8 – "Sambadouro" (Ivan Lins e Vitor Martins)
9 – "Deixa Eu Dizer" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Ferrugem 
10 – "Parei Contigo" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Hamilton de Holanda 
11 – "Sou Eu" (Ivan Lins e Chico Buarque) part. Mart’nália 
12 – "Maravilhado" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

sábado, 25 de julho de 2026

.: "Meu Corpo Está Aqui", no Sesc 24 de Maio, com reflexões sobre corpos PCDs


Espetáculo vencedor dos prêmios FITA e APTR e indicado ao Prêmio Shell tem temporada de 23 de julho a 9 de agosto. Foto: Nil Caniné

O Sesc 24 de Maio recebe, de 23 de julho a 9 de agosto, a temporada do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui", obra vencedora dos prêmios FITA e APTR e indicada ao Prêmio Shell. Com texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner, a montagem aborda afeto, desejo e sexualidade a partir das vivências de artistas com deficiência, tema inédito nos palcos brasileiros. Construído a partir das experiências pessoais do elenco, formado por artistas PCDs, o espetáculo apresenta personagens que falam abertamente sobre seus relacionamentos, seus corpos e seus desejos. A partir de depoimentos ficcionalizados, a obra convida o público a refletir sobre os estigmas, silenciamentos e apagamentos historicamente impostos às pessoas com deficiência.

A dramaturgia, escrita por Julia Spadaccini, também pessoa com deficiência, e Clara Kutner, mistura relatos pessoais e ficção para retratar os encontros entre desejo e afeto, evidenciando tanto as descobertas quanto os obstáculos vividos por corpos frequentemente colocados à margem das representações sociais. No elenco estão Bruno Ramos, artista surdo usuário de Libras; Juliana Caldas, atriz com nanismo, Pedro Fernandes, ator com paralisia cerebral com cognitivo preservado e usuário de cadeira de rodas; e Sara Bentes, artista cega. A direção de produção e coordenação geral do projeto são de Claudia Marques.

Em "Meu Corpo Está Aqui", a ficção surge como ferramenta de aproximação e reconhecimento. Ao evidenciar experiências afetivas e desejos que atravessam todas as pessoas, o espetáculo questiona preconceitos e amplia o debate sobre inclusão, autonomia e diversidade. A montagem propõe um olhar que reconhece as pessoas com deficiência como sujeitos plenos, capazes de viver e narrar suas próprias histórias.

Além da temporada, no dia 1º de agosto, às 18h00, o Sesc 24 de Maio recebe o lançamento do livro "Meu Corpo Está Aqui" e a exibição do documentário homônimo. A programação tem início com um bate-papo de aproximadamente 30 minutos, com a participação das diretoras do espetáculo e autoras do livro, Clara Kutner e Julia Spadaccini, da diretora do documentário, Camila Sokolowski, e do elenco da peça. Na sequência, será exibido o documentário, com 22 minutos, seguido de sessão de autógrafos do livro no foyer do teatro até o horário do espetáculo, às 20h00. Compre o livro do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui" neste link.


"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"
No Rio de Janeiro, quatro artistas PCDs, vindos de lugares diversos do Brasil, se reúnem para ensaiar uma peça teatral. Celebram alegria de seguir o caminho artístico, reafirmando no palco a potência de suas vozes e a luta contra o capacitismo. O que acontece quando o afeto e o desejo ocupam o centro do palco através de corpos que a sociedade, historicamente, tentou invisibilizar? Juntos, eles trazem para a cena vivências reais que misturam ficção, depoimentos e poesia visual. 

A diretora Camila Sokolowski acompanhou o grupo desde o dia 1 da chegada ao Rio, passando pelo processo de ensaio, as vivências individuais e pelos impactos dessa experiência na vida de cada um dos participantes.


"Meu Corpo Está Aqui" - Livro
Sucesso no teatro, a peça "Meu Corpo Está Aqui", que aborda a sexualidade das pessoas com deficiência, é lançada em livro pela editora Cobogó. Escrita por Julia Spadaccini e Clara Kutner, a dramaturgia foi construída a partir de experiências pessoais das atrizes e dos atores PCDs que estrelam o espetáculo, posteriormente ficcionalizadas para retratar vivências afetivas e sexuais. Agora publicada em livro, a obra conta com prefácio assinado por Benedita Casé e apresenta um jogo entre as pulsões e os obstáculos encontrados pelas personagens em suas descobertas afetivas e sexuais, tratando abertamente sobre essas experiências em cena.

Paradigmas culturais e históricos sobre a sexualidade das pessoas com deficiência são questionados com humor, sem que a urgência e a importância do tema sejam deixadas em segundo plano. O resultado é uma conexão entre cena e público, evidenciando as semelhanças que existem entre todos nós: almas habitando corpos diferentes.

Ficha técnica (espetáculo)
"Meu Corpo Está Aqui", da Fábrica de Eventos
Texto e direção: Julia Spadaccini e Clara Kutner
Elenco: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Intérpretes de Libras: Christofer Moreira
Direção de produção: Claudia Marques
Diretor assistente: Michel Blois
Produção: Fabricio Polido
Pesquisa de dramaturgia: Marcia Brasil
Colaboração de texto: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Haonê Thinar, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Figurino e cenografia: Beli Araujo
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Direção de movimento: Laura Samy
Música: Luciano Câmara
Visagismo: Cora Marinho
Operador de luz: Leandro Barreto
Operador de som: Carlos Gabriel
Realização: Fábrica de Eventos


Ficha técnica (documentário)
"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"

Gênero: documentário
Direção: Camila Sokolowski
Elenco: Haonê Thinar, Juliana Caldas, Bruno Ramos e Pedro Fernandes.
Produção: Julia Spadaccini
Fotografia: Felipe Marques, Geovane Ferreira e Victor Gautier
Duração: 22 minutos
Realização: Minhoca Filmes, Inova Filmes, Criativa Wip e Fábrica de Eventos


Serviço
Espetáculo "Meu Corpo Está Aqui"
Com Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Temporada: até dia 9 de agosto de 2026
Quintas, sextas e sábados, às 20h00 (exceto dia 6 de agosto). Domingos e feriados, às 18h00
Sessão extra no dia 8 de agosto, às 17h00.
Acessibilidade: intérprete de Libras em todas as sessões e audiodescrição nos dias 25 de julho, 1° e 8 de agosto.
Teatro do Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República / São Paulo
Classificação: 16 anos
Ingressos: no site sescsp.org.br/24demaio e no aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc)
Duração: 60 minutos


"Meu Corpo Está Aqui": documentário, lançamento do livro e bate-papo
Participantes: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes (elenco do espetáculo), as Clara Kutner e Julia Spadaccini (autoras e diretoras do espetáculo e livro) e Camila Sokolowski (diretora do documentário).
Dia 1° de agosto de 2026, às 18h00
Acessibilidade: Intérprete de Libras e audiodescrição
Classificação: 16 anos
Ingressos: gratuito com retirada de ingressos uma hora antes
Duração: 60 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

terça-feira, 14 de julho de 2026

.: Musical brasileiro transforma clássico de Shakespeare em festa junina


Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, espetáculo ambientado nas festas juninas celebra a cultura brasileira ao misturar romance, comédia e fantasia. Foto: 
João Pedro Hachiya

Em uma vila tomada pelo céu estrelado e pela magia das festas juninas, nasce uma história de amor que vai conquistar o seu coração. Com direção de Thereza Falcão, que assina o texto com Mariana Mesquita, “Festa no Arraial, O Musical” estreia no Teatro Sabesp Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca, na Consolação, temporada de 24 de julho a 16 de agosto, com sessões de sexta a domingo em diferentes horários. No palco, um grande elenco com Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga.

Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, o espetáculo transporta para o universo das festas juninas uma trama envolvente sobre desejos, escolhas e os caminhos inesperados do amor. Vibrante, emocionante e divertido, mistura romance, comédia e fantasia para celebrar a cultura brasileira em uma experiência única para toda a família. "Festa no Arraial é um convite para que o público volte a acreditar na força dos encontros, dos sonhos e do amor. É uma história que celebra nossas raízes, nossa cultura e tudo aquilo que faz o coração bater mais forte. Queremos que cada pessoa saia do teatro com a sensação de ter vivido uma noite mágica", conta Thereza Falcão, diretora e autora do espetáculo.

O elenco, formado por 14 atores, cantores e instrumentistas, dão vida a personagens apaixonantes em uma história cheia de reviravoltas, encontros e desencontros, na qual o amor precisa enfrentar tradições, interesses e até forças encantadas da natureza. Com músicas que vão fazer você se divertir, se emocionar e cantar junto do início ao fim, o espetáculo convida o público a mergulhar em um universo onde o amor é desafiado, os sonhos ganham voz e a magia pode transformar destinos.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e criaturas encantadas da mata, “Festa no Arraial” nos lembra que o amor verdadeiro não se impõe, e sim floresce. Um musical inédito, brasileiro e feito para emocionar todas as idades. Venha se apaixonar, se divertir e celebrar. Porque nessa festa, o coração também entra na dança. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Brasilprev, com patrocínio do Laboratório Cristália, produção e marketing da Inova Brand e realização da Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

"Patrocinar um musical original e autoral como 'Festa no Arraial' reafirma nosso compromisso com a cultura nacional e a valorização de histórias que conectam gerações. Celebrar tradições como as festas juninas e suas múltiplas expressões, em um espetáculo que reúne música, dramaturgia e elementos da arte popular brasileira, é um estímulo para que mais pessoas vivenciem essa experiência e um meio de democratizar o acesso cultural", diz Laura Beltran, gerente de Comunicação da Brasilprev.


Sinopse de “Festa no Arraial, O Musical”
Em uma pequena vila nordestina, tomada pela magia das festas juninas, na noite mais brilhante do ano, quando o céu se ilumina para celebrar, nasce uma história de amor guiada pelas forças da natureza encantada. Hérmia e Lisandro são dois jovens apaixonados que sonham em se casar durante a grande noite do arraial. Mas, quando algo inesperado surge em seus caminhos, seus planos tomam rumos imprevisíveis, o amor dos dois é colocado à prova e o destino de todos ao seu redor começa a se transformar.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e canções que embalam a festa, a trama ganha novos contornos quando a floresta revela seus mistérios e o mundo dos encantados atravessa o caminho dos personagens. Em meio a encontros e desencontros, cada um será levado a entender o que realmente significa amar. Livremente inspirado em Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, “Festa no Arraial, O Musical” é um espetáculo vibrante, emocionante e divertido, que mistura romance, comédia e fantasia em uma grande celebração da cultura brasileira, para toda a família.

Ficha técnica
“Festa no Arraial, O Musical”
Texto: Thereza Falcão e Mariana Mesquita
Direção: Thereza Falcão
Idealização e produção geral: Sérgio Lopes
Elenco: Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga
Marketing e comercial: Mauricio Tavares
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Pesquisa musical: Rodrigo Faour
Cenários e figurinos: Mauro Leite
Coreografias: Renato Vieira
Iluminação: Adriana Ortiz
Produção de elenco: Felipe Ventura
Assistente de direção: Luiz Fernando Bruno
Direção de produção: Filomena Mancuzo
Produção executiva: Neco Fx
Assessoria de imprensa: Carlos Pinho
Produção e marketing: Inova Brand
Realização: Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil


Serviço
“Festa no Arraial, O Musical”

Teatro Sabesp Frei Caneca - Shopping Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569, Consolação / São Paulo
Temporada São Paulo: de 24 de julho a 16 de agosto de 2026

Sessões
Sextas-feiras, às 20h00: dias 24 e 31 de julho; 7 e 14 de agosto.
Sábados, às 17h00: 1°, 8 e 15 de agosto.
Sábados, às 20h00: dias 25 de julho, 8 e 15 de agosto.
Domingos, às 18h00: dia 2, 9 e 16 de agosto.
Domingo, às 19h00: dia 26 de julho


Ingressos
Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca e no site https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/festa-no-arraial-o-musical-16282

Valores
Plateia I: R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia-entrada)
Plateia II: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada)
Plateia Superior: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)

Ingresso Solidário:
50% de desconto mediante a doação de 1kg de alimento não perecível
Classificação: livre
Duração: 90 minutos
Rede social: @festanoarraial

sábado, 11 de julho de 2026

.: Estreia "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo em nova montagem brasileira


Após temporada no Rio de Janeiro, o musical será apresentado no Teatro Viradalata em uma nova montagem brasileira da obra autobiográfica de Jonathan Larson, que inspirou o premiado filme estrelado por Andrew Garfield. Foto: Paulo Aragon


O musical "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo para uma curta temporada até dia 19 de julho, no Teatro Viradalata. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a produção da Play It! Produções leva à capital paulista uma nova montagem da obra, considerada um dos musicais mais emocionantes e pessoais do teatro musical contemporâneo. Aclamado desde sua estreia Off-Broadway, o espetáculo recebeu sete indicações ao Drama Desk Awards, incluindo Melhor Musical, e conquistou o Outer Critics Circle Award de Melhor Musical Off-Broadway. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Poucas obras retratam com tanta honestidade as dúvidas, as angústias e as esperanças de quem decide perseguir um sonho artístico quanto "tick, tick... BOOM!". Escrita por Jonathan Larson, criador do premiado musical "Rent", a obra nasceu de experiências pessoais do autor e acompanha Jon, um jovem compositor prestes a completar 30 anos que tenta concluir o musical que poderá mudar sua trajetória enquanto enfrenta as incertezas da vida adulta. Dividido entre a estabilidade e o desejo de viver da arte, ele se vê diante de escolhas que colocam à prova seus relacionamentos, suas convicções e o próprio futuro.

Embora ambientado no início da década de 1990, o musical permanece atual ao abordar temas como ansiedade, propósito, frustrações profissionais e o peso das decisões que acompanham a vida adulta. Com humor, emoção e uma trilha sonora vibrante, a obra transformou inquietações pessoais em uma narrativa universal, capaz de dialogar com artistas e com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se está no caminho certo.

A nova montagem brasileira reúne Matheus Boa no papel de Jon, Camille Dutra como Susan e Diego Montez como Michael. O elenco conta ainda com os covers João Ferreira e Mariana Ramirez. A direção é compartilhada por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires - que somam passagens por produções como "Beetlejuice", "Querido Evan Hansen" e a novela "Garota do Momento", da TV Globo -, com direção musical de Caio Loureiro, arranjos vocais e orquestrações de Stephen Oremus, versão de Bruno Narchi e Thiago Machado e regência de Thalyson Rodrigues. A equipe criativa conta ainda com direção de movimento da 53 Produções, cenografia de Pugli, design de som de Fernando Sagas, desenho de luz de Dans Souza e Rodrigo Sawl, produção executiva de Flavio Boa e coordenação de produção de Gabriel Barbosa.

A encenação aposta na proximidade entre artistas e plateia para transformar o público em parte da jornada de Jon. Cenário, figurinos, movimentação e construção das cenas foram concebidos para criar uma experiência imersiva, aproximando os espectadores dos conflitos, sonhos e emoções vividos pelo protagonista.A atmosfera é potencializada por uma banda formada por quatro músicos que executam ao vivo as composições de Jonathan Larson, preservando toda a força e a energia da trilha original. A formação é composta por Thalyson Rodrigues (piano e regência), Ingrid Cavalcanti (baixo elétrico), Jorge Ervolini (guitarra e violão) e Kiko Andrioli (bateria), que conferem ainda mais potência e dinamismo às canções que conduzem a narrativa.

O alcance da obra foi ampliado em 2021, quando "tick, tick... BOOM!" ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Lin-Manuel Miranda, em sua estreia como diretor. Estrelado por Andrew Garfield, o longa recebeu elogios da crítica internacional, conquistou duas indicações ao Oscar e rendeu ao ator o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical, apresentando Jonathan Larson e sua trajetória a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Produzido pela Play It! Produções, empresa carioca dedicada ao desenvolvimento de novos talentos do teatro musical, o espetáculo reúne uma equipe formada por artistas de diferentes trajetórias para revisitar uma obra que segue emocionando plateias ao transformar sonhos, frustrações e escolhas em uma narrativa profundamente humana. Mais de três décadas após sua criação, "tick, tick... BOOM!" reafirma seu lugar entre os títulos mais sensíveis e marcantes do teatro musical contemporâneo.


Serviço
Exspetáculo "tick, tick... BOOM!"

Temporada: 9 a 19 de julho de 2026
Sessões: Quintas e sextas, às 20h00. Sábados e domingos, às 16h00 e 20h00
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Vendas: Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/121848?share_id=1-copiarlink
Local: Teatro Viradalata
Endereço: Rua Apinajés, 1387 - Sumaré / São Paulo
Abertura da casa uma hora antes do espetáculo
Gênero: teatro musical
Classificação etária: 16 anos
Duração: 100 minutos 

sábado, 4 de julho de 2026

.: 11 motivos para assistir o emocionante musical "Diana - A Princesa do Povo"

Elenco de "Diana - A Princesa do Povo": Sara Sarres, Claudio Lins, Simone Centurione e Giselle de Prattes. Imagem: Sergio Baia


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


O aclamado espetáculo musical da Broadway, "Diana - A Princesa do Povo", em cartaz nos palcos brasileiros pela primeira vez, encerra a temporada oficial em São Paulo neste fim de semana, com as últimas sessões em cartaz no Teatro Liberdade. Para que você não perca a montagem impecável sobre a intensa e emocionante trajetória da britânica Lady Di, nós do Resenhando.com elencamos 11 motivos para assistir a produção da Estamos Aqui Produções com direção de Tadeu Aguiar. Programe-se e divirta-se!


1. Retorno triunfal de Sara Sarres: A aclamada soprano, um dos maiores nomes do teatro musical brasileiro (com carreira internacional em produções como "O Fantasma da Ópera", "Os Miseráveis", "Annie, o Musical"), retorna ao Brasil após um hiato de 5 anos para viver o papel-título.

2. Elenco de peso: Ao lado de Sara, a montagem tem grandes estrelas dos palcos brasileiros no elenco, incluindo Claudio Lins no papel do Príncipe Charles, Simone Centurione interpretando a Rainha Elizabeth II e Giselle de Prattes como Camilla Parker Bowles.

3. Versão brasileira "não-réplica": Com liberdade criativa, a direção de Tadeu Aguiar adaptou a obra original da Broadway para a nossa realidade emocional, dando maior profundidade e camadas à narrativa, tornando-a mais próxima e empática para o público nacional.

4. Figurinos deslumbrantes: O espetáculo é um verdadeiro desfile de moda. São mais de 250 figurinos construídos com cerca de 1,5 km de tecidos, recriando fielmente os looks icônicos da Lady Di — incluindo o famoso e ousado "vestido da vingança" e até mesmo o vestido de noiva.

5. Cenografia grandiosa e iluminação de encher os olhos: A montagem conta com dezenas de cenários móveis luxuosos, além de mais de 2.000 pontos de fibra ótica criando diante do público um céu estrelado e lustres monumentais que descem em cena, criando uma atmosfera mágica e imersiva.

6. Coreografias e números musicais: Com direção musical de Thalyson Rodrigues e coreografias de Sueli Guerra, a peça equilibra momentos de forte tensão dramática com coreografias energéticas e memoráveis.

7. Foco no legado humanitário: Longe de ser apenas um drama sobre a realeza, a peça homenageia a força de Diana em causas sociais, como a luta pioneira ao lado de pacientes com o vírus HIV.

8. Trilha sonora tocante: As canções originais foram traduzidas e adaptadas com maestria para a língua portuguesa, emocionado o público com a força das letras e melodias.

9. A mulher por trás da coroa: O texto permite enxergar a complexidade, transformando sofrimento em voz e empatia, assim como as dores e as inseguranças da jovem que tentou viver uma história de amor e acabou no centro dos holofotes mundiais, 

10. Acessibilidade garantida: Pensada para ser "de todos e para todos", a produção oferece recursos como roteiros em Braille, programa em áudio, abafadores de ruído e sessões com tradução simultânea em Libras.

11. Temporada curta na reta final: A temporada em São Paulo é curtíssima e se despede definitivamente dos palcos brasileiros em 5 de julho de 2026.

Serviço

Espetáculo "Diana - A Princesa do Povo"
Local: Teatro Liberdade
Rua São Joaquim, 129 - Liberdade | São Paulo
Temporada até dia 5 de julho de 2026
Sessões: Sextas às 20h00, Sábado às 16h00 e 20h30. Domingos às 15h00 e às 19h30

Ingressos
Plateia Premium 
Sexta-feira, sábado e 1ª sessão de domingo - R$340,00 (Inteira) | R$170,00 (Meia)
Quinta-feira e 2ª sessão de domingo - R$ 280,00 | R$140,00 (Meia)

Plateia 
Sexta-feira, sábado e primeira sessão de domingo - R$250,00 (Inteira) | R$125,00 (Meia)
Quinta-feira e segunda sessão de domingo - R$ 190,00 | R$85,00 (Meia)
Balcão Visão Parcial - R$120,00 (Inteira) | R$60,00 (Meia)
Balcão A - R$170,00 (Inteira) | R$85,00 (Meia)
Balcão B: R$50,00 (Inteira) | R$25,00 (Meia)
Vendas: Site Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114505) ou Bilheteria local
Gênero: musical
Duração: 150 minutos (com intervalo)
Classificação: 12 anos

Descontos
*Desconto 35%: Obtenha 35% de desconto no ingresso inteiro ao preencher o formulário durante o processo de compra.
Para comprar mais de um ingresso nessa modalidade, basta preencher um formulário por ingresso conforme será solicitado. Desconto disponível para todos os públicos.
*Clientes Glesp: têm 25% de desconto nos ingressos inteiros mediante a aplicação do cupom, limitado a 4 ingressos por cupom. Válido para todos os setores.
*Crianças até 24 meses não pagam entrada e ficam no colo dos responsáveis durante a apresentação. A partir de 02 anos e 1 dia, a criança paga meia-entrada mediante apresentação da carteira de identidade ou certidão de nascimento.

Ingressos
Internet (com taxa de conveniência):
Bilheteria física (sem taxa de conveniência):
Horário de funcionamento de bilheteria:
Atendimento presencial: de terça à sábado das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados apenas em dias de espetáculos até o início da apresentação.

Acessibilidade
Deficientes físicos: teatros adequados às normas de acessibilidade, contendo elevador, corrimão, espaço para cadeirantes e acompanhantes, banheiros adaptados.
Deficientes auditivos – Agenda de apresentações com tradução em libras (em construção)
Deficientes visuais - Previsão de que, quando solicitada, a produção disponibilize texto da peça em Braile e resumo descritivo do espetáculo em Braille e em áudio (para cidadãos devidamente identificados)
Deficientes intelectuais – Quatro (quatro) assentos posicionados em local de fácil mobilidade para este público, proporcionando conforto caso haja necessidade de se retirar durante a sessão e, ainda, previsão de que, quando solicitada, a produção disponibilize abafadores de ruído (para cidadãos devidamente identificados)
Este espetáculo contém Luz Estroboscópica (flashes de luz intensa). Este efeito visual é contraindicado para pessoas com epilepsia, sensibilidade à luz ou autismo. Aconselhamos cautela.


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 



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