quinta-feira, 29 de julho de 2010

.: Entrevista com Márcio Vassallo, escritor e jornalista

“Não escreveria nunca, se não fosse um leitor apaixonado”. - Márcio Vassallo

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em julho de 2010


Histórias fascinantes escritas diretamente para os leitores mirins. Conheça melhor o escritor e jornalista Márcio Vassallo.


Um jornalista, poeta e escritor de obras infantis seduzido pelo universo da literatura infantil. O AMOR pela escrita é (definitivamente) o "pó mágico" de Márcio Vassallo. Com sabedoria, o autor utiliza tal ingrediente em suas histórias encantadoras e, assim, enobrece a todos que têm a oportunidade de fazer parte de uma história criada por nossa entrevistado do mês de julho. Com tanta sensibilidade na escrita direcionada aos leitores mirins, não há leitor que passe ileso (independentemente de idade) desta escrita fascinante. 

BIOGRAFIA: Márcio Vassallo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de dezembro de 1967. Jornalista e escritor, faz palestras e oficinas, há mais de dez anos, em todas as regiões do Brasil. O autor já publicou livros como,  A Princesa Tiana e o Sapo Gazé, O Príncipe sem Sonhos, O Menino da Chuva no Cabelo, Valentina e A Fada Afilhada e de Mario Quintana, primeira biografia do poeta gaúcho, publicada dentro da coleção Mestres da Literatura. Livros que foram selecionados para o Catálogo de Autores Brasileiros da Feira do Livro de Bolonha, na Itália, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, seção brasileira do IBBY - International Board on Books for Young People, órgão consultivo da Unesco. 

Valentina também foi escolhido como um dos trinta melhores livros do ano publicados no Brasil, pela Revista Crescer, e O Menino da Chuva no Cabelo foi selecionado para o catálogo The White Ravens 2006, organizado pela Biblioteca Internacional da Juventude de Munique, na Alemanha, entre milhares de livros enviados de todo o mundo. Junto com a escritora Maria Isabel Borja, organizou as coletâneas Valores para Viver e O Livro dos Sentimentos, reunindo textos de alguns dos mais importantes escritores da língua portuguesa, além de publicar o livro de entrevistas Mães - o que elas têm a dizer sobre educação. Organizou e selecionou a obra Para viver com poesia, antologia temática com pensamentos de Mario Quintana, lançada em 2008. Seu último lançamento é o livro Da minha praia até o Japão. 

Vassallo foi repórter do Segundo Caderno, do jornal O Globo, e do suplemento cultural Bis, da Tribuna da Imprensa, além de colaborar como free lancer em resenhas, entrevistas, matérias e outros textos para os cadernos de cultura dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo. Vassallo também escreveu textos encomendados pelas revistas Você S.A., da editora Abril; Crescer, da editora Globo; e Leituras Compartilhadas, da Ong Leia Brasil. Além de criar e editar ao longo de três anos o jornal literário Lector, entrevistando alguns dos principais autores, editores, agentes literários, professores e especialistas em educação e leitura do Brasil. 

Atualmente, presta serviço de consultoria para autores e várias editoras do país, avaliando projetos, originais e linhas editorais. É o jornalista responsável pelo site da Agência Riff (www.agenciariff.com.br), que representa, no Brasil e no exterior, alguns dos mais consagrados autores brasileiros. A agência também representa os livros de Márcio Vassallo. (Fonte: http://www.marciovassallo.com.br)


RESENHANDO - O que a literatura representa em sua vida? 
MÁRCIO VASSALLO - Tudo o que inspira a minha vida me move para escrever, e tudo o que me move para escrever inspira a minha vida. Eu poderia ser um leitor apaixonado e nunca me tornar escritor, claro. Mas não escreveria nunca, se não fosse um leitor apaixonado.


RESENHANDO - Como surgiu a história de "Da minha praia até o Japão"? 
M. S. - Tenho visto muitos pais apressados para deixar seus filhos felizes, enchendo a vida das crianças de passeios espetaculares, presentes cobiçados, viagens incríveis, olhando mais no relógio que nos olhos delas. Acho que pressa não combina com felicidade. É claro que temos que correr para trabalhar, é claro que o dia a dia é uma correria desembestada. Mas a felicidade exige demora e calma amorosa. Era essa demora e essa calma que o meu pai tinha comigo, quando defendíamos a praia de terríveis monstros marinhos e cavávamos um buraco para cabermos dentro e chegarmos até o Japão. Meu pai é oficial de Marinha. Passou a minha infância e a minha adolescência viajando muito, e trabalhando mais do que um bocado, mas sempre teve interesse e paixão por se espalhar no chão comigo e meus dois irmãos. E a minha mãe também tem uma importância essencial nessa história. Afinal, foi ela que me ensinou a contemplar beleza onde quase ninguém vê. Dedico esse livro para ela. Meu pai sempre encheu o meu coração de fantasia. Mas se não fosse pela minha mãe, se eu não tivesse aprendido a olhar, não teria me tornado escritor. 


RESENHANDO - Ainda sobre este lançamento editorial. Para um carioca, como é escrever um livro infantil ambientado na praia?
M. S. - Antes de começar a escrever, não costumo pensar na geografia das minhas histórias. Para mim, são os personagens que puxam os enredos, as cenas, os ambientes, não o contrário. 


RESENHANDO - O que diferencia "Da minha praia até o Japão" de seus outros livros?
M. S. - Ainda não tinha escrito um livro na primeira pessoa, assim, tão íntimo. 


RESENHANDO - Fale um pouco sobre a questão da "educação para o encantamento".
M. S. - Educar para o encantamento é ensinar aos outros a fazer suas próprias escolhas e aprender a lidar com os próprios sentimentos de forma leve, profunda, autêntica e inspiradora. Viver com encantamento no dia-a-dia não é só um dom, uma vocação, um destino. Acima de tudo é uma escolha, uma questão de educação. Há mais de dez anos, tenho conversado com públicos de todas as regiões do Brasil, em palestras e oficinas, sobre essas e outras tantas questões, e constato, de Norte a Sul do país, que esse é um tema cada vez mais irresistível e cheio de desdobramentos. Aprender a parar, reparar e se surpreender, sem pressa e sem cansaço, são passos essenciais na educação para o encantamento. E, mais do que tudo, o que é essencial na educação para o encantamento? Qual a serventia da beleza no dia a dia da gente? Como apurar o olho para viver em estado de poesia? Tenho respondido perguntas dos leitores sobre esse assunto, numa coluna, toda quinta-feira, no meu site (www.marciovassallo.com.br).


RESENHANDO - Por que mergulhar no universo infantil? Por que esta escolha?
M. S. - É o universo infantil que mergulha em mim. Gosto do olhar de assombro, perplexidade e descoberta das crianças diante das coisas, dos momentos, das pessoas, das cenas aparentemente mais simples e sem importância. É esse olhar que mais seduz para escrever e para viver.


RESENHANDO - Você lia muito quando criança?
M. S. - Lia muitos gibis, nem tantos livros. Comecei a ler mais livros a partir dos onze, doze anos. Mas passei a infância toda ouvindo histórias maravilhosas das minhas avós, na hora de dormir. Meus pais também liam um bocado para mim. Minha mãe desdobrava imagens no meu pensamento. Meu pai fazia sonoplastias e fundos musicais para as cenas. O encantamento sempre fez parte do meu dia a dia. 


RESENHANDO - Como e quando começou a escrever? O que escrevia?
M. S. - Escrevi a minha primeira história aos quatorze anos. Era uma história de horror das mais horrorosas. Eu obrigava todo mundo a ler e a gostar dela. As pessoas liam porque gostavam de mim, evidentemente. Acho que o boca a boca desses meus leitores não foi tão forte. Meu primeiro livro eu publiquei aos quinze anos. Os meus pais resolveram reunir as crônicas que eu escrevia, nessa época, a maioria falando de futebol, e rodaram o livro numa gráfica, por conta própria. Esse foi um gesto de bondade amorosa deles. Não para exibir o filho, atender um capricho dele, ou investir no futuro do garoto. Foi só para dar ainda mais poesia, encantamento e beleza na minha vida. Depois, meu primeiro livro publicado no mercado foi A princesa Tiana e o Sapo Gazé, pela Brinque-Book. Essa é a história de uma princesa cansada dos príncipes e de um sapo metido a conquistador, que se gaba com os amigos de fazer as lagartixas subirem pelas paredes. 


RESENHANDO - Como é encontrar um personagem perdido na literatura infantil?
M. S. - É como encontrar um amor. A gente só encontra quando não está procurando por ele. Mas é preciso ficar de coração arreganhado para isso. E saber o que fazer com ele depois. 


RESENHANDO - Qual a sua dica para os pais que pretendem tornar seus filhos em bons leitores? Como balancear escola, videogame, internet e leitura?
M. S. - Olha, não transformar o livro em dever de casa é um passo importante. Ler não é dever. Não existe suspiro obrigatório. Antes de despertar o encantamento pela leitura em alguém, a gente precisa se encantar com os livros, de verdade, não só para encantar leitores. Por isso, não tente dizer para os seus filhos que ler é importante para o futuro deles. Não acredito nessa história de leitor do futuro. Para mim, quem lê o futuro é cartomante. A formação de leitores é essencial. Mas não devemos achar que uma criança lê hoje a Sylvia Orthof, ou a Christiane Griebel, só para um dia ler o Guimarães Rosa, ou o Machado de Assis. A literatura considerada infantil (que pode ser lida por crianças e adultos) não é um mero passo para uma verdadeira literatura, que um dia vai chegar. É isso o que eu penso. Podemos balancear escola, videogame, internet e leitura, sim, desde que a leitura seja apresentada de uma forma sedutora, e não entre no cotidiano das crianças ou dos adolescentes como uma tarefa, um dever, uma obrigação para que eles sejam alguém na vida. As crianças e os jovens não precisam ser alguém na vida. Eles já são alguém.


RESENHANDO - Na hora da leitura, qual o seu estilo preferido?
M. S. - Histórias e poemas deliciosos, apaixonantes, belos e perturbadores. Se um texto não me tira o ar, se não me clareia um sentimento, se não me amansa o coração, se não me surpreende, se não me encanta, se não me lateja o corpo, se não me desembesta a alma, se não me puxa, de alguma forma, é porque não mexeu comigo. Livros têm que mexer com a gente, fazer a gente pensar, suspirar, se emocionar de todo modo. 


RESENHANDO - Como você analisa o cenário editorial infantil brasileiro da atualidade?
M. S. - Há livros maravilhosos publicados, mas a maioria dos lançamentos ainda é bem ruim. As edições estão cada vez mais caprichadas e cuidadosas, mas sinto falta de mais textos arrebatadores, emocionantes, originais, realmente encantadores. Afinal, a literatura é o texto, a frase que nos provoca um sobressalto, a palavra certa no momento inesperado, as entrelinhas de uma cena, as brumas de uma personagem feita sob medida para se espalhar na gente para sempre.


RESENHANDO - Entre os novos escritores de literatura infantil, qual nome destaca? Por quê?
M. S. - Ah, eu destaco a Janaína Michalski, que é uma estrela da literatura infantil brasileira. Ela tem um texto forte e macio que demora dentro da gente. De fato, a Janaína é uma escritora brilhante. Seu livro de estreia é um dos mais bonitos e mais líricos que eu já li até hoje. Espero que ela já esteja escrevendo belezas novas. Bem, esse livro que eu recomendo se chama Onde o sol não alcança, e foi publicado pela Nova Fronteira. Como eu escrevo na quarta capa desse lançamento, mais do que contar a deliciosa história da amizade entre duas meninas vizinhas, e de um muro que as aproxima em vez de afastá-las, a Janaína atravessa fundo os sentimentos mais simples e sublimes que vamos deixando de lado ao longo do tempo, por causa das nossas pressas, dos nossos atropelos, das nossas perdas, dos nossos medos, da nossa falta de reparo no que é realmente essencial. 


PING-PONG
Gosto de: ouvir o riso mais desembestado do meu filho.
Detesto: gente que passa a frente de menino na fila. 
Vivo por: um prazer irresistível.
Meus escritores favoritos são: Mario Quintana, Luis Fernando Verissimo e Carlos Drummond de Andrade. 
Escrevo por: uma vontade profunda de me aproximar das pessoas e de mim mesmo, dos meus sentimentos, das minhas emoções, dos meus pensamentos.
Mensagem para o público: Fico bem feliz quando percebo que um leitor encontrou nos meus livros um silêncio de sono tirado, um suspiro preso no tempo, uma voz que ninguém ouvia, um reparo sem pressa, um sentimento que eu nem imaginava que existia na história. Não escrevo para passar mensagens. Eu escrevo para passar, e ficar, passar e ficar. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

.: Resenha crítica de "Toy Story 3", animação Disney e Pixar

A revolução dos brinquedos
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em julho de 2010


Os brinquedos mais queridinhos de todo mundo no formato 3D. Saiba mais da animação Toy Story 3 e divirta-se!


Em "Toy Story 3", a nova produção dos estúdios Disney-Pixar, os brinquedos mais famosos do meio cinematográfico acabam indo "voluntariamente" para a creche Sunnyside. Tudo porque não interpretaram corretamente o que Andy, agora adolescente, pretendia fazer com eles (dentro de um saco de lixo preto). A verdade é que após ficarem esquecidos (e por que não abandonados?) em uma caixa de brinquedos, Andy acaba "reencontrando" os seus amigos de infância. No entanto, o tiro sai pela culatra.

É claro que Andy não vai brincar com Woody, Buzz Lightyear ou qualquer um dos outros. Após ficarem arrasados com o desinteresse de Andy, os ex-brinquedos do jovem "descobrem" que somente Woody será levado para a universidade. Sem saber o que o destino prometia... os brinquedos mantêm a esperança de uma nova vida. Afinal, Andy, seu verdadeiro dono, não quer mais brincar com eles. 

Confuso sobre o que fazer com os brinquedos Andy sabe perfeitamente que precisa esvaziar o seu quarto e decidir o que irá levar para o ambiente universitário, o que ficará para a irmãzinha, o que será doado para a creche e o que será guardado no sótão. Após colocar Woody em sua caixa para a universidade, os outros brinquedos vão parar em saco preto (cenas hilárias e até desesperadoras). 

Calma! Acha que Andy teria coragem de colocar os seus amigões no lixo? É claro que não. Entretanto, a mãe dele encontra o saco preto pelo caminho e... Oh, destino cruel! Para salvar a própria pele (o plástico e/ou pano), o grupo, menos Woody, decide entrar na caixa destinada à creche Sunnyside, local em que serão amados novamente. Pelo menos é o que esperam. Resumo da ópera: Muita confusão (na trama de colorido impecável).

Entretanto, Woody tenta explicar aos amigos todo o mal-entendido e acaba indo parar na "encantadora" creche. Inicialmente, tudo parece perfeito em Sunnyside. Ledo engano, o ursinho de pelúcia rosa com cheiro de morango, chamado Lotso Ursinho Fofo, não é tão amável quanto parecia ser. Sendo assim, o pesadelo dos brinquedos de Andy e da Barbie da irmã de Andy, ganha forma e dimensão inesperada. 

No decorrer do longa, os brinquedos de Andy ganham muitos companheiros e adversários que aumentam a adrenalina do expectador diante desta aventura surpreendente. De fato, grande parte do filme convence por trazer uma história inovadora, mesmo tratando-se de uma sequência. Contudo, Toy Story 3 têm momentos muito escuros (em 3D, é melhor tirar os óculos nestes momentos) e acabam diminuindo a dinâmica e agilidade da película. 

Outro ponto alto da nova animação é o fato de ter a Barbie e o Ken (estes que não foram autorizados pela marca para estrelarem os filmes anteriores) ao lado dos brinquedos cinematograficamente famosos. É agradável ver na telona estes modelos dos anos 80, principalmente para aqueles que brincaram com um exemplar destes. De fato, eu ainda tenho um Ken com esta roupa de lencinho e tenho que revelar, em seu formato original ele veio acompanhado de um macaquinho, seus cabelos são da cor marrom escuro -nada de ruivo- e seus sapatos são da cor cinza.

Não há como criticar negativamente um desenho que é simplesmente perfeito. Embora o 3D não seja suficientemente marcante (como em outros desenhos já lançados neste formato). Ao consideremos a história e a perfeição visual da animação, somente restam elogios. Até porque, o drama de Andy e a separação de seus brinquedos amados envolve tanto o público que não fica difícil derramar pelo menos uma lágrima que seja. Aproveite as férias para ver Toy Story 3. Você não vai se arrepender!

Filme: Toy Story 3 (Toy Story 3, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Animação
Duração: 103 minutos
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Michael Arndt
Elenco no original: Ned Beatty, Joan Cusack (Jessie - voz), Wallace Shawn (Rex - voz), Whoopi Goldberg, Timothy Dalton (Voz), Michael Keaton (Ken - voz), John Ratzenberger (Porquinho), Tim Allen (Buzz Lightyear - voz), Jeff Garlin, Tom Hanks (Woody - voz)

.: Resenha crítica de "Plano B" com Jennifer Lopez

Mais uma história de amor às avessas (com Jennifer Lopez)
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em julho de 2010


Uma pantera (a famosa "cougar" americana) com tudo no lugar sem conseguir alguém para amar. Saiba mais da comédia romântica Plano B!


Sabe aquele filminho que serve para distrair após uma semana corrida? Um filme para se ver a dois  e não pensar nos problemas do cotidiano? "Plano B" é justamente esse longa, ou seja, é o tipo de filme que não estabelece qualquer ligação mais profunda com seu expectador. A película simplesmente é projetada, passa diante de seus olhos e faz rir. 

A nova história de amor cinematográfica de J-Lo (às avessas? - nem tanto assim) é engraçadinho e consegue fazer o público dar boas (e altas) risadas. Neste, tudo começa quando Zoe (Jennifer Lopez), após tantos e tantos namoros sem futuro (e fruto), decide pular uma etapa (natural) da vida, ou seja, ela quer ser mamãe, sem ter alguém ao seu lado para ser papai.

Na falta de um amor verdadeiro (e de uma "barriga"), Zoe segue para uma inseminação artificial com total certeza do que está fazendo. Entretanto, neste mesmo dia ela conhece Stan (Alex O'Loughlin), homem que disputa o mesmo táxi com a nova mamãe do pedaço. A disputa não acaba muito bem. É claro que o ódio à primeira vista transforma-se, aos pouquinhos, em AMOR. Para não perder o homem ideal Zoe omite a verdade: não revela estar grávida (por inseminação artificial). 

A decisão de elevar o grau de amizade entre ambos fica mais difícil a cada minuto do longa, afinal, Zoe percebe que Stan é um bom homem, ou melhor, o homem de seus sonhos. Na tentativa de encontrar um ponto de equilíbrio entre ser mãe (por inseminação) e ter o parceiro ideal, Zoe deixa tudo acontecer naturalmente, ou seja, empurra com a barriga, até que tudo acaba vindo às claras.

Definitivamente Plano B é um filme fraquinho, mas consegue fazer o espectador relaxar, principalmente se considerarmos que rir é um grande remédio para esquecer os problemas enfrentados no cotidiano. Até porque as simples ou mais confusas "trapalhadas" da vida são sempre (mais, muito mais) engraçadas quando encenadas na telona do que na vida real. E você? Está sem planos? Um Plano B pode ser algo agradável por 106 minutos.

Filme: Plano B (The Back-up Plan, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Comédia / Romance 
Duração: 106 minutos
Direção: Alan Poul 
Roteiro: Kate Angelo 
Elenco: Jennifer Lopez, Alex O'Loughlin, Eric Christian Olsen, Anthony Anderson, Linda Lavin, Michaela Watkins, Noureen DeWulf

quarta-feira, 2 de junho de 2010

.: Resenha crítica de "A Caixa", com Cameron Diaz e James Marsden

Uma caixa de segredos 99% monótonos
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em junho de 2010


História sem pé nem cabeça e tão quadrada quanto uma caixinha. Saiba mais do longa "A Caixa", estrelado por Cameron Diaz, James Marsden e Frank Langella!


"A Caixa" (The Box) até consegue atrair a atenção do público pelo fato de ter bons atores em papeis de destaque, porém engana-se aquele que pensa estar diante de um grande filme. Embora a proposta do longa dirigido por Richard Kelly seja interessante e tenha cenários muito bem ambientados no ano de 1976, a missão mais difícil não é alcançada: o filme não convence, desde o texto à edição, tudo deixa a desejar. Resultado: Um filme sem nexo.

Neste longa de ficção científica o casal formado pelas estrelas Cameron Diaz (Norma Lewis) e James Marsden (Arthur Lewis), durante a madrugada, recebem uma misteriosa caixa de madeira e um envelope com o anúncio de uma ligação, às 17 horas. É nesta hora marcada que o senhor Steward, entra na casa dos Lewis. Desta forma, apresenta uma chave para abrir a caixa que, dentro, tem um botão. Sem muitas delongas, Norma fica ciente de cada detalhe do que poderá acontecer caso pressione o tal botão. Mas por que ela o pressionaria? Simples. Pela bagatela de 1 milhão de dólares em dinheiro, o que implicaria na morte de um estranho. Forte? Sim. Entretanto, há outro detalhe, caso os Lewis não aceitem, a oferta será feita para outra família de estranhos, de modo sucessivo.

Eis que surge a questão toda que dita o ritmo (lentíssimo) do filme. Na verdade, a professora e o engenheiro que trabalha para a NASA, ficam tentados com a proposta pelo fato de estarem em uma situação financeira bastante complicada. Diante de tamanha dúvida (cruel), eles que têm um filho, chamado Walter e viviam tranquilamente numa casa de subúrbio americano envolvem-se numa barca furada, sem direito a salva-vidas ou boias. 

Levando em consideração o orçamento de US$30 milhões, o trailer e a sinopse de A Caixa é possível esperar um filme interessante e envolvente. No entanto, o que se vê é um longa pretensioso mergulhado em um suspense desconexo, com uma série de revelações jogadas ao expectador em seus minutos finais. O longa de Richard Kelly baseado no conto de Richard Matheson que originou um episódio da série The Twilight Zone (Button, Button foi exibido em 1986), é totalmente diferente do original (o conto) e de seu antecessor (o episódio de The Twilight Zone). O longa-metragem simplesmente não consegue manter a tensão e nem mesmo envolver o espectador no drama e dilemas morais vividos pelos Lewis. Tudo aqui acontece de um modo tão lento que chega a dar muito, muito sono. 

Os efeitos ridiculamente ruins só confirmam a superficialidade desta história de ficção científica mal contada. Em contrapartida, está a ideia que mais aborrece: a de um "recomeço" desta história. É então, que fica inevitável dizer: - Não, não. Chega! Um só já é o suficiente para sequelar qualquer mente sã. 

Extras do DVD e Blu-ray: Menu interativo; Seleção de cenas; Formato de Tela: Widescreen 16:9; Áudio: Dolby Digital 2.0 (Inglês e Português); Legendas: Espanhol, Inglês e Português.

Filme: A Caixa (The Box, EUA)
Ano: 2009
Gênero: Ficção Científica
Duração: 115 minutos
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Linda Wolverton 
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella

terça-feira, 1 de junho de 2010

.: Entrevista com Lucas Celebridade, webcelebridade

“...para causar realmente e se tornar inesquecível, precisa-se ter os pés no chão e se reciclar para estar sempre no coração do povo”. - Lucas Celebridade

Por: Helder Miranda e Esmejoano França
Colaboração: Evana Ribeiro e Walter de Azevedo 

Em junho de 2010



Webcelebridade – A primeira entrevista séria com Lucas Brito, a cereja do bolo da internet e dos sete anos do Resenhando, e o Macunaíma da atualidade.


Lembra do que queria Peter Pan, o líder dos Garotos Perdidos? Ser criança pra sempre. Aposto que este era o sonho de muitos homens e mulheres, crescidos e atarefados de hoje em dia. Seria muito bom se conseguíssemos levar um pouco do espírito de Peter para a vida adulta e conseguir realizar nossos desejos infantis, o que queríamos ser quando crianças. Ser um Garoto Perdido é melhor do que ser um homem perdido no meio de tanta poluição, estresse... Assim fez Lucas Brito. 

Não se esqueceu do que queria ser quando criança: lutou pela fama e a conseguiu. Conseguiu através de uma identidade “secreta”, o Lucas Celebridade. O Super-Homem usava uma cabine telefônica para se transformar naquilo que todos admiravam. O Lucas usa a Internet para tanto. Para ser admirado e criticado como o Homem-Aranha que num certo ponto do desenho vira um incompreendido: parte da cidade o adora, a outra o critica... 

Mas quem gosta de verdade daquele homem, que é metade aranha, sabe que ele luta para manter os moradores de Nova York livres do mal... Assim também faz o nosso Celebridade, nos livra de um de nosso maiores males: o baixo-astral.

Este é Lucas, destaque em programas como Fantástico, da Rede Globo, e das programações da TV Band, MTV e também nos meios impressos, como a revista Info e da coluna Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo. Ele vira Brito ou @lucasfamapop de acordo com a situação, mas não deixa de ser Lucas... este Lucas que foi simpático e solícito ao conceder essa entrevista ao Resenhando... o garoto Lucas, orgulho de Luzilândia, que sendo Peter Pan, conseguiu realizar muitos de seus sonhos. Que tal agora revelar a identidade humana de nosso mais novo e famoso herói brasileiro? 




RESENHANDO - Como surgiu a ideia de criar o Lucas Celebridade?
LUCAS CELEBRIDADE - Vendo que a televisão precisa de um diferencial e pelo sonho que tenho desde a infância de emplacar o personagem em um programa de comédia. Acredito que a comicidade é a linha que me encaixo.


RESENHANDO - Por que a denominação "o clamor luzilandense"?
LUCAS CELEBRIDADE - Conota em um ícone, uma celebridade da nata luzilandense, que se espalhou pelo mundo, por isso dou o mote de clamor.


RESENHANDO - O que separa o Lucas Brito do personagem Lucas Celebridade? 
L.C. - O Lucas Brito é um professor de Língua Portuguesa, Radialista e Mestre de Cerimônias de 25 anos que sustenta a família e labuta constantemente para colocar comida dentro de casa. É um cidadão sofrido. O Lucas Celebridade é um personagem cômico, que luta pela fama, se acha sensual e é bizarro até no olhar. 


RESENHANDO - Até onde vai o limite entre um e outro?
L.C. - A disparidade de cada um é exatamente o fato de o Brito lutar pela sobrevivência, devido sua vida difícil, e a de o Celebridade viver um pseudo-glamour que se torna bizarro para o olhar do mundo.


RESENHANDO - Qual a real definição, e o papel, de uma verdadeira celebridade?
L.C. - Celebridade é a consequência de um trabalho midiático, e sabe que minha linha se consagrou (risos). Atender aos fãs é o verdadeiro papel de um célebre, pois são dos tietes que precisamos.


RESENHANDO - Como é saber que Luzilândia ficou conhecida por sua causa?
L.C. - Fico feliz! Luzilândia é uma cidade linda, com uma história emocionante e ela faz parte de mim!


RESENHANDO - Quem é seu ídolo?
L.C. - Deus. Ele é o criador de tudo.


RESENHANDO - Quando menino, você já gostava da ideia de fama?
L.C. - Sim. Na minha casa tinha um corredorzinho e eu levava um espelho e brincava como se fosse um programa de televisão, se a internet fosse mais acessível naquela época, eu já era famoso precocemente


RESENHANDO - Como a internet entrou em sua vida? 
L.C. - Pelos meus amigos Costa Neto e James, ambos técnicos de informática. Eles tiraram minhas primeiras fotos em 2004, me ensinaram tudinho e de lá para cá caminhei sozinho e tornei o Lucas Celebridade, um personagem.


RESENHANDO - O que pensa de outras celebridades que surgiram na internet, como Tessália Sereghelli (a @twittes), Marimoon, e Sthephany Absoluta?
L.C. - Geralmente para mulher tudo é bem mais fácil, há mais campo para o mundo feminino. Mas comédia é um campo vasto também e estou tentando me inserir. Tomara que tudo possa dar certo.


RESENHANDO - Em seu blog há patrocinadores e você cobra para fazer a cobertura dos eventos. Como, quando e por que começou a ser colunista social?
L.C. - Comecei porque vi que dava lucro. E pela minha exposição na mídia apareceram bastantes coberturas, isso se encetou em meados de 2006 e é um bom negócio sim, porém, não ganho um mar de dinheiro, se tornou também um meio de vida.


RESENHANDO - Por que começou a publicar ensaios sensuais na internet? 
L.C. - Comecei fazer ensaios para expor o personagem Lucas Celebridade no tima de comediantes. Quem nunca deu risadas altas quando viu minha "sensualidade"?


RESENHANDO - Você posaria nu?
L.C. - Posaria sim, sem problemas... 


RESENHANDO - Qual o segredo para fazer sucesso no mundo virtual?
L.C. - É usar alguma forma diferente de fazer web. O público gosta de rir e comicidade é uma excelente pedida. Hoje em dia está fácil ficar famoso, porém, para causar realmente e se tornar inesquecível, precisa-se ter os pés no chão e se reciclar para estar sempre no coração do povo.


RESENHANDO - O que você pretende fazer para conseguir mais do que 15 minutos de fama?
L.C. - Eu continuo persistindo na comicidade usando cada vez mais segmentos diferenciados para levantar o astral "sensualmente" da tietagem. Se ficar na mesmice, cai no ostracismo mesmo.



RESENHANDO - Por que perseguiu tanto a fama? 
L.C. - Sou fã de muita gente, mas Tatyanne Goulart, a Bia de Felicidade, foi minha musa inspiradora. Assistia a novela, sonhava com ela e com o Eduardo Caldas. Queria estar alí contracenando com eles. Começou daí...


RESENHANDO - Na descrição em seu blog, você se define como "Radialista, Mestre de Cerimônias, Cantor, Ator, Comediante e Professor." Por que não escolheu apenas uma carreira e batalhou por ela?
L.C. - Exatamente, ali está tudo o que eu sei fazer, mas escolhi lançar Lucas Celebridade para a comédia porque sei que o Brasil precisa sorrir, pois nosso país é sofrido.


RESENHANDO - É possível conseguir êxito em todas essas funções ao mesmo tempo?
L.C. - Se conseguir oportunidades, sim.


RESENHANDO - Como é a realidade de Luzilândia?
L.C. - Uma realidade como qualquer outra cidade do Brasil: Acordamos, trabalhamos, estudamos... É assim que se vive! O diferencial é que Luzilândia é bastante pacata. Pode usar o celular tranquilamente pelas ruas e outras coisas...


RESENHANDO - Acredita que as pessoas que criticam o seu visual sentem inveja de você?
L.C. - Cada um tem sua opinião. Adoro quando me desancam, chego até a rir. Claro que eu também não sou flor que se cheire, mas costumo não ligar pra isso.


RESENHANDO - Como foi recepcionado pela imprensa paulistana? 
L.C. - Bom, eu gostei muito de São Paulo que cheguei a chorar bastante quando segurei meus trapos para ir embora. A mídia é centrada lá e por isso adoraria ter uma oportunidade de viver no solo paulista ou até mesmo carioca, que ainda não cheguei a conhecer. São Paulo tem muitas oportunidades, é grande, quando terminar meu curso vou me mudar para facilitar a vida e ajudar meu povo aqui.


RESENHANDO - Você parece não se importar com críticas e segue a máxima "fale bem ou mal, mas fale de mim". Em algum momento em que as críticas e chacotas do público o incomodaram e o fizeram querer desistir da busca pela fama?
L.C. - De maneira alguma. Críticas para mim são sinal de futuro progresso. Elas me dão até força de seguir em frente.


RESENHANDO - O que sua família pensa a respeito?
L.C. - Bom, eles acatam minha decisão, até porque eu quero isso, sou maior de idade, ajudo em casa... Então, desde quando eu assumo as responsabilidades é porque sei o que estou fazendo.


RESENHANDO - Como é ser homossexual em Luzilândia? Sofreu, ou sofre, algum tipo de preconceito? 
L.C. - Se me permite fazer uma correção, eu sou bissexual, mas não gosto de falar sobre sexualidade, mas sim de sexo. Sofri há muito tempo, hoje em dia de maneira alguma. Sou bastante respeitado e o mundo gay tem status. O mundo é gay!


RESENHANDO - Sua superexposição na Internet já chegou a atrapalhar o desempenho de suas atividades como professor?
L.C. - Não. Da porta da escola pra frente sou um Professor chamado Lucas Brito, onde transmito meus conhecimentos. Da porta pra fora sou o comediante mais bizarro do Brasil


RESENHANDO - Você sonha em participar de um reallity show. O que faria, em um deles, para conquistar o público?
L.C. - Não adianta falar aqui, mas seria um perfil bem diferente de muita coisa repetitiva que se vê anualmente. Isso eu garanto e muito mais!



RESENHANDO - Explique essa frase, publicada em um de seus ensaios sensuais: "Quem não se acha sensual não é normal!".
L.C. - A autovalorização é algo em que inclui a moral. Quem se desmoraliza está com uma anormalidade. É exatamente isso! 


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Twitter: http://twitter.com/lucasfamapop

domingo, 2 de maio de 2010

.: Resenha crítica de "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton

Tim Burton "erra" feio em Alice
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em maio de 2010


Um longa sem a essência de Tim Burton. Saiba mais do visualmente belo, Alice no País das Maravilhas!


Trabalhar sob pressão não é bom para ninguém. O prejuízo pode chegar a grandes proporções, pois o resultado deste trabalho pode ser totalmente diferente das expectativas que provoca no público. Tim Burton, diretor importante e genial acabou mostrando que também pode fraquejar na questão êxito cinematográfico. Após tanto burburinho "Alice no País das Maravilhas" chegou aos cinemas brasileiros e não mostrou tudo o que prometia (considere trailers, imagens e tantas otras cositas que foram espalhadas pela internet), ou que, pelo menos, deu a entender que traria grande inovação aos filmes em 3D.

Não digo que a nova produção de Burton seja um fracasso, mas caiu na mesmice das outras produções em 3D: mil e um efeitos em uma história insossa (ou jogada de escanteio?). Nesse quesito Alice no País das Maravilhas, Avatar e Premonição 4 estão no mesmo patamar. Todos não tem um roteiro forte e envolvente e, por fim, pecam ao ignorar, por várias vezes a história que deu origem ao longa.

Nesta adaptação de textos do escritor Lewis Carroll, tudo começa quando Alice (Mia Wasikowska), aos 19 anos, vai a uma festa e é pedida em casamento diante de muitos convidados da alta sociedade. Confusa, ela pede um tempo para pensar e, causa maior espanto quando, no auge de sua indecisão, sai correndo e deixa o "quase noivo". Calma! Ela não corre sem motivos. Ela procura desesperadamente pelo coelho branco que passou pelos jardins da festa. É claro que o inevitável acontece: ela cai em um buraco e chega ao País das Maravilhas.

Entretanto, esta visita ao País das Maravilhas é uma revival, pois a mocinha já havia passado neste mundo, mas pensava se tratar de apenas um sonho. Aos poucos (devagar mesmo!) ela nota que muita coisa mudou e, para pior. A Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) agora é quem dá as cartas, e continua disposta a cortar as cabeças daquele que a desagradar. O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e a Rainha Branca (Anne Hathaway) esperam desesperadamente pela verdadeira Alice, esta que irá trazer de volta a paz e a harmonia do Mundo Subterrâneo. Entretanto, a garota começa a viver em um impasse: Não sabe se ela é a Alice verdadeira, ou seja, a essência da história é a mesma (da já conhecida em desenho, também dos Estúdios Disney), o autoconhecimento e as transformações da vida de uma garota para a vida adulta. 

Legal? Pode até ser. Mas, e a criatividade inventiva de Tim Burton? Onde foi parar? Talvez tenha caído pelo buraco do País das Maravilhas (a soberana Walt Disney Company!?!?) e tenha ficado por lá. O toque especial do genial diretor ficou abafado, chegando a aparecer, mas de modo tímido. Talvez a culpa seja das tantas especulações e a força esmagadora da Disney que, no quesito filmes (não digo animações), sempre segue o mesmo roteiro insosso. De repente, nem existam tantas desculpas. Quem sabe este não tenha sido o primeiro erro cinematográfico de Tim Burton e só?

Para falar a verdade, Alice não chega aos pés de "Encantada" e passa longe da beleza de "O Estranho Mundo de Jack" ou "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Caso fosse para fugir do estilo Tim Burton a Disney deveria ter feito um remake de Alice, levando somente o nome de Tim Burton. Eis que surge a pergunta: O que será das "novas produções cinematográficas"? Efeitos visuais que enchem os olhos e esvaziam a mente? É claro que é mais fácil segurar o público por meio de imagens impactantes, mas e a história? Afinal, se a história é fraca, o filme faz-se desnecessário. Quer sinceridade? Leia ou releia os livros, que ficará tudo certo, ou se preferir, adquira os produtos da linha, só para colecionar!


Filme: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Aventura / Fantasia 
Duração: 108 minutos
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Wolverton 
Elenco: Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin Glover, Alan Rickman, Mia Wasilkowska, Stephen Fry, Michael Sheen, Timothy Spall

terça-feira, 20 de abril de 2010

.: Resenha de "www.twitter.com/carpinejar", Fabrício Carpinejar

Reflexões criativas de um poeta moderno
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em março de 2010


Tweets e aforismos no Twitter. Saiba mais de www.twitter.com/carpinejar, de Fabrício Carpinejar!



Reflexões que provocam risos e até mexem com as emoções do leitor. O livro "www.twitter.com/carpinejar", de Fabricio Carpinejar, é a primeira publicação com frases postadas no Twitter por um escritor brasileiro. Nas 84 páginas de seu livro, Carpinejar publica (e eterniza) seus pensamentos poéticos, criativos e/ou reflexivos de apenas 140 caracteres sobre as relações humanas, tão banalizadas com a modernidade.

Ao expressar seus pensamentos repletos de sensibilidade, Carpinejar provoca o leitor sobre a banalidade: das relações, do sofrer, do cotidiano, da família e dos amores. É usando o seu lado poético que Carpinejar fala das relações humanas.

Já antes de impregnar o leitor com seu paradoxos, na orelha deste livro de um frasista iluminado, a assinatura de Fernanda Takai, Daniel Piza e Abonico, também respeitam os 140 caracteres permitidos pelo Twitter. "Minha terra tem palmeiras/ Onde cantam os sabiás/ Mas aqui ninguém gorjeia/ Melhor que o Carpinejar", escreve Daniel Piza. Já Abonico ressalta: "Original, criativo, ousado, exagerado, visionário, cara de pau: se lhe faltam + adjetivos, unam-se sobrenomes e crie-se o verbo carpinejar". Entretanto Fernanda Takai comenta: "O pio generoso alegra a sua corte digital. Uns milhares sortudos já viciados em tão fino alpiste... Toma aqui o teu! E, se piscar, tem mais".

Em "www.twitter.com/carpinejar" o observador da vida trabalha as trivialidades da vida cotidiana de modo sensível e sagaz. Ao analisar o fantástico das pequenas coisas da vida, no livro, o escritor surpreende ao apresentar 416 máximas escritas por ele no microblogging. Um exemplo é a mensagem do dia 22 de agosto: "Quando não sabemos como falar um assunto é certo que contaremos do pior jeito".

AUTOR: Carpinejar recebeu o Prêmio Jabuti 2009 na categoria Contos e Crônicas. Escreve em pensamento para não sofrer com queda de luz, embora seja autor de 14 livros, entre eles, Diário de um apaixonado - Sintomas de um bem incurável, Canalha!- Retrato poético e divertido do homem contemporâne, Meu filho, minha filha, O Amor Esquece de Começar, Cinco Marias, Caixa de sapatos - antologia e As Solas do Sol.

TWITTER: é uma rede social, no modelo de microblogging, que permite que os usuários enviem e leiam atualizações pessoais de outros contatos, escritos em textos até 140 caracteres, conhecidos como tweets. As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las. Os usuários podem atualizar sua página e visualizar as atualizações dos amigos. A comScore, empresa que mede estatísticas na Internet, declarou que o site passou de 10 milhões para mais de 40 milhões de usuários únicos de fevereiro a abril de 2009. A rede social é uma ferramenta eficiente de comunicação entre usuários da web, ganhando importância para diversos segmentos. Atualmente, o Twitter já faz parte do planejamento estratégico de muitas empresas, não apenas de comunicação.


Frases do livro:

“Eu perdoo as mentiras. O que não desculpo é a distorção.”

“O abraço é o excesso de palavras.”

“Nunca bebo uísque para tomar coragem; não é bom misturar.”

“Escutar não é deixar de falar. É deixar de se ouvir.”

“Se é para ser o último a saber, quero todos os detalhes.”

“A maior frustração para quem gosta de brigar é ouvir que tem razão no início da conversa. Terá que desativar seu arsenal de argumentos.”

“Homem que discute o relacionamento quando sua mulher pede satisfação não entendeu o recado.”

“Maturidade é diferenciar a tentação da encrenca. A tentação é o desejo certo no momento errado. Encrenca é desejar o momento errado.”

Livro: www.twitter.com/carpinejar
Autor: Fabrício Carpinejar
84 páginas
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Pensamento

quinta-feira, 1 de abril de 2010

.: Entrevista com Saulo Roston, cantor vencedor do "Ídolos"

“Ser reconhecido é a coisa mais gostosa desse mundo, é a prova viva do carinho que me elegeu ganhador do programa. Esse carinho de fã é o sentimento mais puro que existe, porque a pessoa te ama de graça, sem querer, literalmente, nada em troca.” - Saulo Roston


Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Colaboração: Helder Miranda
Em abril de 2010


Nova Paixão: Saulo Roston, vencedor do programa "Ídolos", mostra a que veio.


O que faz ou torna alguém um exemplo para outras pessoas se espelharem? Saulo Roston pode ainda não ter essa resposta, mas foi consagrado, na última temporada do programa "Ídolos", da TV Record, como um deles. Se ele, artista principiante e com uma voz suave merece tal honraria, ou se irá manter-se no posto por muito tempo, só o futuro dirá. O que pode ser constatado é que talento, ele tem de sobra. Personalidade, também, pois a cada "round" do realitty show imprimia suas marcas vencendo, num duelo entre Davi e Golias, o grande favorito da última e mais importante noite. Para o respeitável público, Saulo Roston. Desta vez, mostrando o seu verdadeiro "eu".

Biografia: Saulo do Amaral Freire Oliveira Souza nasceu em São Paulo, capital. Eliminado no Top 30 do Ídolos 2008, Saulo não desistiu, voltou ao programa e se classificou com destaque. Começou a cantar com 12 anos de idade, sendo que aos 13, fez um show para 4 mil pessoas na Barra do Garça. Com o apoio dos pais constante, Saulo Roston fez alguns meses de aula de canto em São Paulo. Estudou e toca violão e também um pouco de piano. Após cantar em bares e eventos fechados e, até ser fixo em alguns desses bares, ingressou no Ídolos 2009 e seguiu rumo ao estrelado. O novo ídolo do Brasil compõe para outros artistas e conseguiu gravar músicas de sua própria autoria.


RESENHANDO - Como começou a sua história no meio musical?
SAULO ROSTON - Comecei a cantar com 13 anos e o engraçado é que nos lugares que ia tocar não podia entrar. Tive que me esconder várias vezes e parar o show para aquele clássico intervalinho de 15 minutos para me esconder até o pessoal do juizado de menores ir embora. Aos 15 anos, mudei para Goiania e continuei cantando em bares. Aos 17, mudei para Malaysia, onde fui contratado por 1 ano para cantar como backing vocal e “refronista” do rapper Joe Flizzow, Too Phat. Retornei e em 2008 participei do Ídolos, não passei da primeira vez, fiquei entre os 30. Em 2009, estudei e ralei muito durante 1 ano para chegar aqui. E olha onde eu tô!


RESENHANDO - Em uma reportagem exibida no programa "Hoje em dia", da Rede Record, quando estava com o seu CD em mãos, você disse: "- Eu sonho como isso desde criança". Conte um pouco da sua realização como músico.
SAULO ROSTON - O CD foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, resultado de muito esforço e estudo. Sempre quis ter um CD com meu nome, onde eu pudesse mostrar para as pessoas o meu jeito de interpretar a vida e as canções. 


RESENHANDO - O programa Ídolos, em 2009, teve grandes vozes na disputa pelo primeiro lugar da competição. Agora, com o CD gravado, como é ser o escolhido do grande público?
SAULO ROSTON - Primeiro, eu me senti super honrado de ser o escolhido do Brasil entre esses cantores maravilhosos que participaram do Ídolos. É muito bom saber que as pessoas gostam de você e gostam de te ouvir, é um dos melhores sentimentos do mundo, se não o melhor! Saber que uma pessoa tirou do dinheiro do sustento da família para, literalmente, me dar de presente é simplesmente lindo! Afinal eles votaram em mim, me escolheram.



RESENHANDO - O seu concorrente final, Diego Moraes, é talentosíssimo, porém não foi eleito. Você pensou que conseguiria vencê-lo?
SAULO ROSTON - Acreditar no nosso potencial é sempre muito importante, mas confesso a minha surpresa e a felicidade de ter um cantor como o Diego ao meu lado na final e ainda sair vitorioso.


RESENHANDO - A partir de qual momento você se sentiu vitorioso no programa Ídolos? Por quê?
SAULO ROSTON - No dia que consegui superar a marca da minha participação anterior já me senti vitorioso, mas nada como chegar na final e sair com o meu tão sonhado CD.


RESENHANDO - Como é ser reconhecido nas ruas? O carinho dos fãs lhe surpreende? Há algum fato curioso para contar?
SAULO ROSTON - Ser reconhecido é a coisa mais gostosa desse mundo, é a prova viva do carinho que me elegeu ganhador do programa. Esse carinho de fã é o sentimento mais puro que existe, porque a pessoa te ama de graça, sem querer, literalmente, nada em troca. Cada pessoa do mundo devia ter uma fã! Sou apaixonado pelas minhas e devo tudo a elas! Recebi a maior homenagem e a mais linda de duas fãs, elas tatuaram meu nome. 


RESENHANDO - Em meio a dificuldades para ingressar na carreira musical (até no programa Ídolos) e ter, hoje, seu sonho realizado. Qual o significado desse seu primeiro CD? 
SAULO ROSTON - É o fruto de muito trabalho, muito estudo e muita persistência. Ele significa o começo, a primeira pagina do livro da minha carreira!


RESENHANDO - Como aconteceu a produção do seu primeiro CD?
SAULO ROSTON - A produção do cd foi feita por Luis Carlos Maluly que fez questão que eu participasse de todo o processo. 


RESENHANDO - Como as músicas foram selecionadas? 
SAULO ROSTON - Eu escolhi o repertório, é claro em conjunto com a gravadora e meu produtor. No processo de gravação, eu e o Maluly, fizemos questão que todos os músicos tivessem liberdade de criação, conquistando todo o envolvimento das pessoas que participaram das gravações conseguimos acrescentar riqueza aos arranjos. Ao final do processo, estávamos todos apaixonados pelo trabalho!


RESENHANDO - Qual música deste álbum é a sua preferida? Por que?
SAULO ROSTON - Impossível escolher! Mas confesso que tenho um carinho diferente pela música Nova paixão e pela música de minha autoria, Você foi feita para mim.



RESENHANDO - Quais cantores e/ou cantoras lhe influenciaram?
SAULO ROSTON - Ah, entre estrangeiros e nacionais, os brasileiros são Marisa Monte, Taiguara, Ed Motta, Roberto Carlos. Os internacionais são John Mayer, Jason M’Raz, Michael Bubble e Steve Wonder.


RESENHANDO - Quais seus planos no cenário musical?
SAULO ROSTON - Quero me consolidar como cantor no meu país, gravar mais CDs, os próximos com mais composições de minha autoria, gravar duetos com os artistas que admiro. Depois gravar um álbum em outro idioma e por aí vai... 



Para acompanhar o cantor basta procurá-lo nos endereços:
Twitter: http://twitter.com/sauloRoston
My Space: http://www.myspace.com/sauloroston


PING-PONG:
Gosto de: música
Detesto: hipocrisia
Vivo por: amor
Meus músicos favoritos são: John Mayer e Ed Motta
Canto por: prazer
Mensagem para o público do Resenhando.com: Meus queridos, muito obrigado pelo carinho e não deixem de escutar o CD, pois foi feito para vocês! Beijos, galera do Resenhando.com!

terça-feira, 2 de março de 2010

.: Kathryn Bigelow: A estrela do Oscar 2010

Kathryn Bigelow: a estrela do Oscar 2010
Por: Amanda Aouad*
Em março de 2010


Oscar 2010: Comentários da roteirista e publicitária, Amanda Aouad, sobre a maior festa do cinema. Confira o texto!


Já passava da meia-noite no Kodak Theatre, quando Barbra Streisand anunciou a quebra de um tabu. Coincidência ou não, em pleno dia internacional da mulher, pela primeira vez uma representante do sexo feminino venceu o Oscar de melhor direção. E não foi só isso. O filme de Kathryn Bigelow levou seis estatuetas das nove que concorria, tornando-se o grande vencedor da noite. O grande injustiçado, mais uma vez, foi Tarantino. Gênio incompreendido que ficou sem nenhuma estatueta. "Bastardos" só subiu ao palco representado pelo já esperado melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz. 

No geral, a cerimônia foi morna, poucas surpresas como o melhor curta de animação para Logorama e o Oscar de filme estrangeiro para "O Segredo dos seus olhos", filme Argentino que desbancou o favorito absoluto A Fita Branca. Steve Martin e Alec Baldwin fizeram ótimas piadas e divertiam o público, mas no geral, as apresentações foram maçantes, repetindo o "Arquivo Confidencial" no anúncio dos Oscars de melhor atriz e ator. Teve uma bela homenagem aos que já foram, com James Taylor cantando "In my life" dos Beatles. E um especial para os filmes de Terror, pegando desde Nosferatu a... Crepúsculo (?), passando por clássicos como "O Iluminado", "O Exorcista", "Tubarão" e "Sexta-Feira 13". Mas, o momento mais marcante para quem viveu os anos 80 foi a homenagem a John Hughes. Diretor, produtor e roteirista que nos presenteou com clássicos juvenis como Curtindo a vida adoidado, Garota nota 1000, O clube dos cinco, A garota de rosa Shocking. Gostei de ver ainda Star Trek ser lembrado pelo menos em maquiagem. E adorei Up ter vencido em melhor trilha sonora, que é mesmo emocionante.

Apesar de dez concorrerem a melhor filme, três tinham alguma chance de levar, onde dois eram apostas precisas: "Guerra ao Terror" ou "Avatar"? Se Bastardos Inglórios ganhasse seria uma surpresa, mas não era tão improvável quanto qualquer um dos outros sete concorrentes. De certa forma, três filmes de guerra, cada um com seu estilo próprio e com algo a acrescentar à história do cinema. Bastardos Inglórios não inova, aliás, bebe na fonte dos clássicos do velho oeste, com a linguagem já registrada de Tarantino. Mas, é uma aula de cinema, por isso, merecia o título. Avatar traz uma grande inovação tecnológica, uma nova forma de filmar em 3D, um jogo de imagens ímpar que conseguiu até mesmo colocar legenda nas projeções dos filmes neste formato. A história, apesar de parecida com muitas, é bem contada, tornando o filme um clássico moderno desde seu nascimento. Já Guerra ao Terror é a surpresa da tensão realista com um ritmo eletrizante na montagem. Tudo é detalhadamente calculado para que fiquemos roendo as unhas na cadeira. No final, acho que o filme de Kathryn Bigelow representou bem a categoria. Assim como o título de melhor direção. Além do tabu quebrado, soube representar a classe com maestria, escolhendo os ângulos certos e gerando o suspense necessário para o filme. 

Já entre os atores, não teve muita surpresa. Quando a gente pensa na categoria melhor ator e melhor atriz, sempre vêm em mente grandes interpretações, de tirar o fôlego com cenas de catarse. Nem sempre é assim. Às vezes, a melhor interpretação é aquela que passa naturalidade simplesmente. Você acredita estar vendo o personagem e não um ator interpretando um personagem. Jeff Bridges, além de uma carreira sólida e ascendente, consegui dar veracidade ao cantor country e alcoólatra que busca uma reabilitação. Mereceu, apesar de Jeremy Renner, por Guerra ao Terror e Morgan Freeman, por Invictus também serem boas apostas. A polêmica veio mesmo na categoria de melhor atriz. Sandra Bullock tinha fãs ardorosos e críticos ferrenhos. Não é a toa que se tornou a primeira atriz a “ganhar” o Framboesa de Ouro em um dia, e o Oscar no outro. A verdade é que nenhuma das cinco indicações foi fenomenal, nem mesmo a eterna estrela Meryl Streep. Bullock acabou sendo beneficiada por um papel diferente do costume. 

Já melhor ator e atriz coadjuvante eram os prêmios mais certos da noite. Não conheço uma só pessoa que não concorde que Christoph Waltz mereceu o Oscar de ator coadjuvante. Ele é a alma do filme, interpretando Hans Landa tornou Bastardos Inglórios ainda melhor de ser visto. Já a comediante Mo’Nique levou não apenas pela atuação, como pelas concorrentes. Anna Kendrick e Vera Farmiga estão bem em Amor sem Escalas, mas nada que justifique um prêmio. Já Penélope Cruz é uma das piores coisas de Nine, no próprio filme você encontra interpretações melhores. Maggie Gyllenhaal, por sua vez, estava esquecida em outras premiações e surgiu no Oscar como zebra da vez, uma boa atriz, mas sem muito destaque no filme.

Uma premiação estranha foi a de melhor roteiro. O que é um melhor roteiro? Normalmente é aquele que você não percebe na tela, afinal, a função do filme é fazer com que você entre naquele universo sem ser lembrado a todo momento que está assistindo a uma obra fictícia. A economia narrativa, os pontos de virada, a preparação para o clímax, tudo tem que ser estudado com muita técnica, assim como os diálogos, uma arte a parte que poucos conseguem escrever sem ser artificial. Por isso, a classe briga tanto com diretores que insistem em querer roteirizar seus filmes. Mas, claro, há exceções. Se existe uma coisa que Tarantino já provou é que é um bom roteirista. Todos os seus filmes têm uma capacidade ímpar de contar histórias e com Bastardos Inglórios não é diferente. A forma como as narrativas se cruzam, as sátiras ao nazismo, as brincadeiras com as línguas e o jeito alemão de ser. Sem dúvidas merecia o prêmio. Dá-lo a Guerra ao Terror, não chega a ser uma injustiça, já que é um bom roteiro, mas dói ao ver um gênio não ser reconhecido. 

Já o melhor roteiro adaptado me incomodou mais. Apesar de ter vencido o prêmio do Sindicato dos Roteiristas e estar cotado entre os favoritos, o roteiro de Preciosa não tem nada demais. Chega a ser bobo em sua teia clichê do melodrama clássico. Ao contrário de seu concorrente direto Amor sem Escalas. O que me encantou neste roteiro foi a capacidade de brincar com os clichês e lugar comum, construindo uma história envolvente desde a primeira cena. Tudo ali é bem amarrado e faz completo sentido. 

Outra categoria certa era animação. Talvez por isso, tenham inovado na apresentação dos concorrentes com uma divertida simulação de entrevista com os personagens principais. Apesar de ser o primeiro ano em que a categoria tem cinco indicados e que todos eles são excelentes produções, Up - Altas aventuras é a animação da vez. A Pixar em parceria com a Disney criou uma jornada diferente que foca suas emoções em relações humanas. A primeira parte do filme é esplêndida, o amor entre Carl Fredricksen e sua esposa é lindo. A entrada do pequeno Russell também é muito interessante, criando uma relação avô-neto linda. Tudo desanda, ao meu vêr, com a entrada do vilão e seus cachorros falantes, o que era uma inovação incrível virou o maior dos clichês. Por isso eu preferia todos os outros quatro filmes da categoria, apesar de compreender a qualidade técnica do filme, que teve inclusive uma indicação na categoria principal. O Fantástico Sr. Raposo é uma boa fábula, repleta de surpresas, gosto bastante. Fico feliz também em ver uma produção como Coraline não ser esquecida. Comemoro a volta dos clássicos Disney com A Princesa e o sapo. E vibro com a lembrança a uma produção franco-belga como O Segredo de Kells, a grande surpresa do ano para mim, adorei a experiência.

A vitória de Guerra ao Terror, com seis estatuetas, mostra que tecnologia não é tudo no cinema. Claro que o 3D está aí para encher nossos olhos e levar novos adeptos à sala de projeção, mas a arte cinematográfica é um conjunto de técnicas que não podem estar desequilibradas. Isso faz pensar sobre o futuro do meio e talvez, possa frear um pouco essa onda em terceira dimensão que invadiu os estúdios. Ainda há espaço para um bom filme em 2D. Outra lição fica para os distribuidores brasileiros, que em uma miopia incrível tinham lançado Guerra ao Terror direto no DVD e tiveram que fazer um relançamento às pressas no cinema. Prova de que prêmio pode não mudar a opinião do espectador, mas é uma boa ferramenta de marketing junto a propaganda boca-a-boca. 


* Roteirista e Publicitária. Escreve o blog http://www.cinepipocacult.com.br

.: Framboesa de Ouro 2010 premia os piores da década no cinema

Framboesa de Ouro 2010: A grande novidade ficou por conta da escolha dos piores da década
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em março de 2010


Antes do Oscar: Confira aqui os vencedores do Framboesa de Ouro. A premiação dos piores do cinema!


Completando 30 anos, o Framboesa de Ouro 2010 premiou Transformers: A Vingança dos Derrotados com três prêmios: pior filme, pior roteiro e pior diretor. Desta vez, Michael Bay não teve como escapar da estatueta indesejada, pois conseguiu se safar com "Armaggedon" e "Pearl Harbor".

Os Razzies também foram parar nas mãos da atriz Sandra Bullock duas vezes, pois além de receber como a pior atriz do ano por seu trabalho em All About Steve, também teve que dividir o troféu de pior dupla em cena com Bradley Cooper pelo mesmo filme. 


Pior filme
Transformers: A Vingança dos Derrotados (vencedor)
All About Steve
G.I. Joe: A Origem de Cobra
O Elo Perdido
Old Dogs


Pior ator
Todos os três Jonas Brothers (Jonas Brothers 3D - O Show)  (vencedores)
Will Ferrell (O Elo Perdido)
Steve Martin (A Pantera Cor de Rosa 2)
Eddie Murphy (Imagine Só!)
John Travolta (Old Dogs)


Pior atriz
Sandra Bullock (All About Steve)  (vencedor)
Beyoncé (Obsessiva)
Miley Cyrus (Hannah Montana: O Filme)
Megan Fox (Garota Infernal e Transformers: A Vingança dos Derrotados)
Sarah Jessica Parker (Cadê os Morgans?)


Pior dupla/casal
Quaisquer dois (ou mais) Jonas Brothers (Jonas Brothers 3D - O Show)  (vencedores)
Sandra Bullock & Bradley Cooper (All About Steve)
Will Ferrell & Qualquer Coprotagonista ou Piada (O Elo Perdido)
Shia LeBouf & Megan Fox ou Qualquer Transformer (Transformers: A Vingança dos Derrotados)
Kristin Stewart & Robert Pattinson ou Taylor Lautner (A Saga Crepúsculo: Lua Nova)


Pior atriz coadjuvante
Sienna Miller (G.I. Joe: A Origem de Cobra)  (vencedora)
Candice Bergen (Noivas em Guerra)
Ali Larter (Obsessiva)
Kelly Preston (Old Dogs)
Julie White (as Mom) (Transformers: A Vingança dos Derrotados)


Pior ator coadjuvante
Billy Ray Cyrus (Hannah Montana: O Filme)  (vencedor)
Hugh Heffner (Miss March)
Robert Pattinson (A Saga Crepúsculo: Lua Nova)
Jorma Taccone (O Elo Perdido)
Marlon Wayans (G.I. Joe: A Origem de Cobra)


Pior remake, derivado ou continuação
O Elo Perdido  (vencedor)
G.I. Joe: A Origem de Cobra
A Pantera Cor de Rosa 2
Transformers: A Vingança dos Derrotados
A Saga Crepúsculo: Lua Nova


Pior diretor
Michael Bay (Transformers: A Vingança dos Derrotados)  (vencedor)
Walt Becker (Old Dogs)
Brad Silberling (O Elo Perdido)
Stephen Sommers (G.I. Joe: A Origem de Cobra)
Phil Traill (All About Steve)


Pior roteiro
Transformers: A Vingança dos Derrotados, de Ehren Kruger & Roberto Orci & Alex Kurtzman  (vencedor)
All About Steve, de Kim Barker
G.I. Joe: A Origem de Cobra, de Stuart Beattie e David Elliot & Paul Lovett
O Elo Perdido, de Chris Henchy & Dennis McNicholas
A Saga Crepúsculo: Lua Nova, de Melissa Rosenberg, baseado no romance de Stephenie Meyer


Pior filme da década
A Reconquista (10 indicações, 8 Framboesas, incluindo Pior Drama dos Nossos 25 Primeiros Anos)  (vencedor)
Fora de Casa (9 indicações, 5 Framboesas)
Contato de Risco (10 indicações, 7 Framboesas, incluindo Pior Comédia dos Nossos 25 Primeiros Anos)
Eu sei Quem me Matou (9 indicações, 8 Framboesas)
Destino Insólito (9 indicações, 5 Framboesas)


Pior ator da década
Eddie Murphy (12 indicações, 3 Framboesas)  (vencedor)
Ben Affleck (9 indicações, 2 Framboesas)
Mike Myers (4 indicações, 2 Framboesas)
Rob Schneider (6 indicações, 1 Framboesa)
John Travolta (6 indicações, 3 Framboesas)


Pior atriz da década
Paris Hilton (5 indicações, 4 Framboesas)  (vencedora)
Mariah Carey (A maior votação individual da década: mais de 70% dos votos na categoria de pior atriz em 2001)
Lindsay Lohan (5 indicações, 3 Framboesas)
Jennifer Lopez (9 indicações, 2 Framboesas)
Madonna (6 indicações, 4 Framboesas)

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