quinta-feira, 22 de abril de 2021

.: "#MadalenaSemFiltro", peça inspirada no livro de Rodrigo Alvarez, estreia


Inspirado no livro de Rodrigo Alvarez, espetáculo "#MadalenaSemFiltro", de Lays Ariozi, leva para a cena temas como machismo e feminicídio. Escrito e produzido durante a pandemia da Covid-19, monólogo foi especialmente idealizado para ser transmitido no formato online. Foto: Carlos Mach

O espetáculo "#MadalenaSemFiltro", inspirado no livro homônimo do jornalista e escritor Rodrigo Alvarez, estreia em formato digital nesta quinta-feira, dia 22 de abril. O monólogo, escrito, dirigido e com atuação de Lays Ariozi, narra a história de Madalena, uma mulher contemporânea, atriz de sucesso e youtuber, que vive uma relação abusiva com o parceiro e colega de trabalho, fazendo uma analogia à Maria Madalena, personagem bíblica.

Uma mulher conhece um homem e eles começam a namorar. Tudo vai bem até que uma crise de ciúmes desencadeia uma série de agressões e Madalena resolve assumir o protagonismo de sua própria vida. A história narrada é o enredo da peça "#MadalenaSemFiltro", de Lays Ariozi, mas poderia ser a de uma amiga, uma vizinha, de inúmeras outras mulheres brasileiras. 

Os casos de feminicídio no país aumentaram 2% durante a pandemia. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 90% das mulheres foram mortas pelo companheiro ou pelo ex. No espetáculo, a artista leva para a cena a história de uma mulher contemporânea, atriz de sucesso e youtuber, que encarna as lutas das mulheres por igualdade, reconhecimento, respeito e sororidade, em contraposição ao patriarcalismo, ao machismo, ao feminicídio e à misoginia.

"Madalena nos representa de forma genuína, revelando o amor, a potência do feminino e a força de gerações de mulheres que lutam por reconhecimento e justiça. Acredito que a arte tem uma função social e como atriz me sinto na obrigação de dar o meu melhor para o mundo. Meu objetivo com esse espetáculo é também trazer um pouco de esperança e empoderamento em tempos tão difíceis. É uma honra ter a oportunidade de SER e ESTAR aqui, de ter o meu lar como palco principal e realizar esse projeto junto com uma equipe maravilhosa que produz com garra, amor e propósito! Agradeço ao Rodrigo Alvarez pela parceria e confiança e ao público que nos receberá.", comenta Lays.

Criada por Lays Ariozi e o jornalista Rodrigo Alvarez em 2021, a montagem foi pensada para ser encenada em formato digital, com a utilização de cenas ao vivo e gravadas, causando um impacto ainda maior ao espectador do outro lado da tela. Todas as cenas gravadas foram realizadas com o mínimo de pessoas necessárias no set, respeitando todos os protocolos de prevenção à Covid-19. O espetáculo é um exemplo de resiliência cultural em tempos de pandemia, quando a teatro presencial precisou se reinventar, criando uma nova linguagem.

A estreia acontece nesta quinta-feira, dia 22 de abril, com apresentações até o dia 25, no canal do Youtube do espetáculo. O acesso será feito através da compra de ingressos conscientes (de R﹩0 a R﹩50), que estão disponíveis no site da Sympla. O projeto foi aprovado no edital "Retomada Cultural- RJ" e incentivado através da Lei Aldir Blanc.

Com roteiro, direção e atuação de Lays Ariozi, a ideia do espetáculo surgiu após a artista fazer a leitura do livro homônimo de Rodrigo Alvarez, que apresenta um texto atual em que Maria Madalena ressurge em um tocante depoimento em primeira pessoa e revisita suas lutas e sua relação com Jesus Cristo, mostrando-se indignada com as injustiças que sofreu.

"Quando Lays me procurou querendo fazer uma peça baseada no meu livro sobre Maria Madalena, não tive dúvidas de que era um projeto pertinente, relevante e atualíssimo. Penso que, em grande parte, é isso o que esperamos da ARTE! Acabei me envolvendo e me tornando cocriador, ao lado da própria Lays que se mostrou uma profissional dos palcos com mil e uma qualidades. Penso que mulheres e homens vão ver na peça um entretenimento libertador; ao mesmo tempo uma catarse e uma reflexão sobre os rumos da nossa sociedade", afirma Rodrigo Alvarez.

O monólogo de Lays também traz a história de Madalena, mas não a apóstola. A Madalena da peça é uma mulher contemporânea, atriz, que tem um relacionamento com Pedro, também ator, e ambos fazem parte da mesma companhia teatral. Durante o processo de ensaio para o novo espetáculo, Pedro potencializa seu ciúme doentio por Madalena e no auge de suas crises agride verbal, moral e fisicamente a companheira. Prestes a protagonizar uma das produções mais esperadas em todo o país, Madalena precisa tomar uma decisão importante que pode mudar o rumo de sua vida: escolher seguir o seu grande sonho e brilhar no palco ou respeitar a sua dignidade enquanto mulher.

A narrativa é apresentada em dois tempos: passado (no início da crise sanitária causada pela Covid-19) e presente (que na peça acontece no ano de 2023). As dores vividas pela personagem - término traumático, agressão, machismo no ambiente profissional - agravadas pela solidão do isolamento social levam Madalena a criar um diário digital, onde passa a compartilhar suas angústias, sonhos e anseios.

O roteiro desenvolve uma conexão com a Maria Madalena conhecida hoje por apóstola de Jesus e para muitos como a primeira feminista da história, mas que durante séculos foi desprezada e vista como prostituta. O monólogo conta com trilha sonora original composta por Max Viana, direção de fotografia e edição das cenas gravadas de Tomás Ribas. No dia 23/04, sexta-feira, a sessão será acessível e contará com uma intérprete de Libras.

Ficha técnica
Espetáculo: 
"#MadalenaSemFiltro"
Criação: Lays Ariozi e Rodrigo Alvarez
*livremente inspirado no livro "#MadalenaSemFiltro", de Rodrigo Alvarez
Roteiro, direção e atuação:
Lays Ariozi
Consultoria artística e preparação de elenco: Estrela Straus
Direção de arte: Gabriella Mahaivi
Produção: Lays Ariozi
Assistente de produção: Luciana Magoulas
Diretor de fotografia e edição (cenas gravadas): Tomás Ribas - Cocriação Filmes
Trilha sonora original: Max Viana
Maquiagem gravação: Ana Gangemi
Social media e still: Tainá Ariozi
Videomaker: Abby Liz
Transmissão ao vivo: Gustavo Bricks
Fotos: Carlos Mach
Assistente de fotografia: Daniel Sulima
Maquiagem fotografia: Julia Nunes
Arranjo piano: Maestro Zeca Monteiro
Design gráfico: Antoine Olivier
Intérprete de libras: Juliete Viana - Office Traduções
Participações especiais: Cristiano Gualda (Gregório), Dayse Ariozi (Margarida), Gustavo Mouro (Policial), Lars Marques Hokerberg (Valentim), Luzia Avellar (Lídia) e Victor Almeida (Pedro)

Serviço:
Espetáculo: 
"#MadalenaSemFiltro"
Temporada: De 22 a 25 de abril de 2021 (quinta a domingo)
Horário: 20 horas
Ingresso consciente: http://www.sympla.com.br/produtor/laysariozi
Valores: de R$0 a R$50
Transmissão no YouTube: http://bit.do/madalenasemfiltroespetaculo
Classificação: 16 anos

Tags
#MadalenaSemFiltro #RodrigoAlvarez, #LaysAriozi #Madalena #MariaMadalena 

.: Coletivo de Galochas estreia "Mau Lugar" pelas plataformas digitais

"Mau Lugar - Uma Áudio Libras Ficção", foi montada a partir da transposição da peça homônima do Coletivo de Galochas para a linguagem dos sons e recriada simultaneamente em Libras, Língua Brasileira de Sinais, com parceria do Coletivo ramariaS. A peça estreou, originalmente, em 2017 e passou por importantes espaços, como o TUSP - Teatro da USP (2018), Teatro de Arena Eugênio Kusnet (2019), Teatro da Cia. da Revista (2020), cuja temporada foi interrompida pela pandemia e deu origem a esse trabalho em modo remoto.

A opção radical do grupo pela áudio-difusão, através da construção de um drama sonoro, foi inspirada pelas radionovelas cubanas das primeiras décadas do século XX. É um convite à sensibilidade expandida, a partir de um movimento de encontro de si, mas capaz de imergir na alteridade: ao fechar os olhos e amplificar a escuta atenta, não perdemos a imagem do mundo, antes, ingressamos em sua profundidade sonora.

O trabalho com Libras, Língua Brasileira de Sinais, nasceu da necessidade da transposição da peça para pessoas surdas ou ensurdecidas. Mas acabou se tornando uma reescrita completa do roteiro em Libras. A peça foi montada totalmente em modo remoto, com orientações à distância na interação com atrizes e atores do Coletivo de Galochas, para a produção e registro dos áudios e na gravação das imagens de Libras, pelo Coletivo ramariaS.

"Mau Lugar" reflete sobre um dos mais pesados fardos da própria morte, além da dor e da perda do ente querido: o sequestro do direito ao luto. Nessa distopia onde Lúcia está imersa, o direito à memória da filha, o luto e o respeito ao corpo lhe são violentamente arrancados, assim como as esperanças e crenças em um sistema de valores.


Sinopse
"Mau Lugar" retrata uma sociedade controlada pelo Remédio da Felicidade que já não pode mais conter a onda de suicídio entre os jovens. Como resposta, o suicídio é criminalizado, com violentas punições aos familiares das pessoas que tiram ou tentam tirar a própria vida. Lúcia, uma gerente de fábrica, vê tudo se transformar após encontrar a filha que se enforcou e ser denunciada. Entrando e nos arrastando com ela para um "Mau Lugar", onde os corpos dos mortos são apenas fardos pesados e o luto um ritual de queima no lixão. Ela deve se livrar do corpo, para não sofrer sansões e acaba se encontrando com os Mercadores de Corpos.


Episódios
"Mau Lugar" será dividida em três episódios, que vão estrear pelo YouTube, Spotify e SoundCloud, nas páginas do Coletivo de Galochas e permanecerão publicadas nas plataformas para serem ouvidas gratuitamente. Os episódios são apresentados em sequência, com dois dias de apresentação cada e, no final da temporada, será feita uma “maratona” com a apresentação consecutiva dos três episódios em um mesmo dia:

1. "Empacotando a Filha" (dias 22 e 23, abril)
2. "Felicidade em Chamas" (dias 24 e 25 de abril)
3. "A Vida É Uma Dádiva" (dias 27 e 28 de abril)
4. Maratona – Apresentação completa dos três episódios (dias 29 e 30 de abril)


Diálogos em tempos de isolamento
Rodas de Conversas sobre teatro, translinguagem, acessibilidade, luto e morte. Nos dias 23, 25, 28 e 30 de abril serão realizadas os "Diálogos em Tempos de Isolamento", rodas de conversa sobre temas suscitados pelo espetáculo, com Psicólogos, artistas, pessoas que trabalham com acessibilidade pública e os grupos envolvidos.


23 de abril - Capítulo I - "Empacotando a Filha"
Roda I - Campo Expandido da Sensibilidade: O Encontro Entre Linguagens Enquanto Potência Criativa. Com o Coletivo ramariaS

25 de abril - Capítulo II - "Felicidade em Chamas"
Roda II - Ocupação Cultural e Acessibilidade: Avanços e Desafios. Com Glauce Teixeira, Nana Roots e Mona Rikumbi

28 de abril - Capítulo III - "A Vida É Uma Dádiva"
Roda III - Diálogos Sobre Luto e Morte: Falar Para Resistir. Com a Professora Maria Júlia Kovács, do Laboratório dos Estudos Sobre a Morte, Psicologia/USP.

30 de abril - Espetáculo completo 
Roda IV - Criação em Tempos de Isolamento: a Transposição do Teatro Presencial para o Online e Sua Potência Investigativa. Com Coletivo de Galochas.

As atividades terão início sempre às 19h e acontecerão em sala fechada, sendo transmitidas simultaneamente em três diferentes redes sociais do Coletivo de Galochas [YouTube, Facebook e Instagram].  A interação com a plateia se dará via chat, com monitoramento da assessoria de mídias sociais.  Todos os encontros terão a presença de intérpretes de libras. As lives ficarão salvas no canal do Youtube.


Libras
A produção foi transposta para a Libras (Língua Brasileira de Sinais), com uma reescrita completa do roteiro para que a mesma sensação de drama possa ser compartilhada por quem não pode ouvir, mas lida com os sons do mundo de uma outra forma.

A adaptação do espetáculo "Mau Lugar" para a versão em Áudio Libras ficção e sua exibição são possíveis graças ao edital ProAC Expresso LAB nº36/2020, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, possibilitado pela Lei Aldir Blanc, da Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal.


Ficha técnica
Espetáculo:
"Mau Lugar - Uma Áudio Libras Ficção"
Criação: Coletivo de Galochas
Elenco: Diego Henrique, Kleber Palmeira, Natália Quadros, Rafael Presto, Mariana Queiroz e Wendy Villalobos.
Libras: Coletivo ramariaS - Amanda Assis, Amanda Lioli, Edinho Santos, Fábio de Sá, Marita Oliveira, Nayara Rodriguez.
Dramaturgia: Antonio Herci e Rafael Presto.
Assessoria de imprensa: Pombo Correio.
Assessoria de mídias sociais: Dora Scobar.
Produção executiva: Rafael Vix.
Direção de produção: Deborah Penafiel.
Captação, sonoplastia, montagens de libras e edição de AV: Antonio Herci e Daniel Lopes.
Direção: Antonio Herci e Daniel Lopes.


Tags
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.: Espetáculo "Scroll Roll" faz pesquisa sobre a compulsão humana


"Scroll Roll" é um aplicativo inventado para o encontro virtual dos personagens-intérpretes do espetáculo, que estreia dia 22 de abril, em transmissão pelo canal do espetáculo no Youtube, com texto de Antônio Rogério Toscano e direção coletiva do grupo. 

Em português significa “pergaminho” e também se refere ao ato de “rolar para baixo”, com intuito de atualizar o conteúdo do aplicativo no qual o usuário navega virtualmente. Contudo, nem sempre esse "rolar para baixo" tem um fim ou propósito definido, proporcionando uma sensação de falta ao sujeito.  

Esta falta ou ausência, é o disparador do espetáculo Scroll Roll, no qual quatro artistas - a atriz Raquel Parras e os atores Danilo Martim, Luiz Felipe Bianchini e Walmick de Holanda – unem-se no desejo de pesquisar as possíveis razões pelas quais comportamentos compulsivos e autodestrutivos se estabelecem como hábitos nos seres humanos e em suas relações virtuais e reais. 

A dramaturgia é construída em formato de um aplicativo de encontro fictício e no avançar de etapas que o aplicativo propõe, que faz com que os usuários se exponham, revelando-se a si e, assim, o app revela a continuidade e descontinuidade entre os distúrbios para que seus usuários recolham as pistas – as migalhas deixadas – e sigam rolando o pergaminho da timeline para baixo, atualizando o conteúdo e passando de fase. O conceito da encenação virtual é realizado coletivamente, porém, a direção de cada intérprete foi feita por outro artista, de modo que cada ator/atriz do trabalho dirige outro ator/atriz.


Sinopse 
Não porque querem, mas porque sentem que necessitam, quatro desconhecidos entram em um aplicativo chamado "Scroll Roll". Esse é o gatilho que precisavam para continuar sobrevivendo ao isolamento social. No jogo, pistas e desafios aparecem para que eles avancem de fase. Eles falam sobre si, seus comportamentos, seus segredos, suas compulsões e tudo aquilo que não se deseja que se descubra que alguém procura na busca do Google. Para a criação do espetáculo, o dramaturgo Antônio Rogério Toscano tem como referência norteadora a obra do coreano Byung-Chul Han. 

Hoje o mundo vive uma adaptação, pelo contexto de pandemia, segundo a qual o humano - e o Teatro por sua vez - precisam reinventar-se. O que se percebe é que a lógica do neoliberalismo invadiu de forma radical o nosso modo de pensar, agir e nos relacionar. As práticas de manipulação estabelecidas a partir das redes sociais são evidentes - como exemplo podemos indicar o documentário “O Dilema nas Redes” (2020), dirigido por por Jeff Orlowski e produzido pela Netflix.

No nosso tempo presente, os indivíduos se vêem escravos de um sistema coercitivo de produtividade, que fica cada vez mais explícito. Em “Psicopolítica - o neoliberalismo e as novas técnicas de poder” (2018), Han propõe que muitos dos transtornos psíquicos como depressão, ansiedade e síndrome de burn out - (CID-10 Z73), também chamada de esgotamento profissional - são reflexos de um humano escravizado pelo neoliberalismo, que explora a liberdade do sujeito. A necessidade do consumo, de tornar-se produto nas redes sociais, de produzir, de realizar e acompanhar lives, de gerar consumo e engajamento sobre algo, aumenta cada vez mais. É visível que esta lógica adoece. 

À luz do pensamento proposto por Han, identificamos que o contexto ao qual se vive propicia comportamentos compulsivos que geram dor e sofrimento. O intuito, ao abordar tais temáticas, é problematizar o que diz respeito a um modus operandi fruto do capitalismo neoliberal, que com uma ideia sedutora, mas ditadora, de produtividade adoece o humano ao aumentar ansiedades, estresses, sentimentos de insatisfações constantes e, como consequência, gera compulsões. 


Ficha técnica:
Espetáculo:
"Scroll Roll"
Dramaturgia: Antônio Rogério Toscano
Direção e elenco: Danilo Martim, Luiz Felipe Bianchini, Raquel Parras e Walmick de Holanda
Orientação de direção de interpretação: Vanessa Bruno
Direção musical: Josyara
Consultoria psicoterapêutica: Ana Luiza Leão
Operação técnica: Guilherme Matzei
Edição: Pablo Diego Garcia e Walmick de Holanda
Produção: Leonardo Birche
Projeto gráfico: Walmick de Holanda

Serviço:
Espetáculo:
"Scroll Roll"
22 a 30 de abril
Dias e horários: 22/04 - 21h, 23/04 - 20h, 24/04 - 20h, 28/04 - 20h, 29/04 - 20h, 30/04 - 21h
Link para acesso: www.youtube.com/espetáculoscrollroll 
Grátis
Classificação indicativa: 12 anos


Tags
#ScrollRoll #AntônioRogérioToscano #AntonioRogerioToscano #DaniloMartim #LuizFelipeBianchini #RaquelParras #WalmickDeHolanda #VanessaBruno #Josyara

.: Com Gabriela Alcofra, espetáculo de dança-teatro "Sede" estreia


Gabriela Alcofra, intérprete-criadora e dramaturga, estreia o espetáculo "Sede" nesta quinta-feira, dia 22 de abril. Foto: Marilia Scharlach

Idealizado em 2015, na gravidez de Gabriela Alcofra, intérprete-criadora e dramaturga do espetáculo, Sede nasce de um incômodo real vivido a partir do conflito de uma maternidade e postura de gênero idealizadas por padrões sociais midiáticos versus a experiência prática. Com direção de Leonardo Birche e direção musical de Daniel Conti, o espetáculo de dança-teatro aborda, portanto, o puerpério como eixo dramatúrgico para pesquisar relações entre corpo, palavra e gesto, a partir de questões sociais mobilizadoras, tais como a perspectiva de gênero, o casamento e a maternidade real. A temporada acontece de 22 a 25 de abril, com sessões às 20h e às 23h pelo Youtube. 

“Em um caminho intermediário entre a realidade e ficção, Sede mergulha na solidão, no confinamento, na sobrecarga de tarefas e nas questões culturais de ser mulher, fazendo disso seu material poético e estético”, conta Gabriela. 

Com o advento da pandemia de covid-19, que isolou o mundo em seus ambientes privados como forma de conter o avanço da doença, o espetáculo se amplifica nos ecos do ser humano confinado e sobrecarregado, seus encontros e reencontros consigo, as dores e as delícias de se descobrir vivo.


Questões da pandemia

Assolada pela sobrecarga de funções, pelo questionamento de sua identidade, pelas incertezas de seu futuro profissional como intérprete e pela solidão advinda das suas multitarefas enquanto mãe e artista, seu puerpério tornou-se fruto de muitas questões individuais e políticas. Essas questões mobilizaram Gabriela Alcofra a começar a investigar poeticamente na linguagem da dança-teatro esse novo universo inaugurado pela maternidade, tendo a parceria do diretor teatral Leonardo Birche, na condução e direção da pesquisa, assim como do músico Daniel Conti, na concepção da ambientação sonora do espetáculo.

Sua inquietação a levou também para o aprofundamento de suas questões através do doutorado em Artes da Cena na Unicamp, debruçada sobre a questão central “como ser mãe e ser artista na dança contemporânea em São Paulo?”, orientada pela profª Drª Julia Ziviani Vitiello e defendido em 2019. Na ocasião da cerimônia de defesa, a pesquisa prática em andamento, até então intitulada de Bunker, foi apresentada para a banca avaliadora.

O processo de pesquisa foi sendo retroalimentado através da teoria e prática, utilizando referências bibliográficas propostas pelo Programa de Pós-Graduação, assim como realizando diários de campo de auto-observação e análise de seu próprio corpo e de seu filho em desenvolvimento e realizando entrevistas com mulheres puérperas artistas em São Paulo. 

Paralelamente a isso, junto com o diretor Leonardo Birche, Gabriela Alcofra foi investigando o caminho inter-linguagem da dança-teatro, mesclando referências  específicas da área do teatro, como a metodologia proposta por Stanislaviski, com seu histórico de referências na dança, como, por exemplo, a investigação expressiva através do estudo do movimento, como proposto por Klauss Vianna.

Nesse processo, Gabriela Alcofra escreveu uma dramaturgia como forma de organizar a composição coreográfica a partir dos sentidos e paisagens estéticas levantadas. Nessa dramaturgia, corpo, palavra, sensação e som são trabalhados mutuamente, de forma democrática, não-hierárquica. Foram levantadas cinco cenas divididas a partir das situações vividas por essa mulher: a relação com seu próprio corpo, a relação com seu filho, o casamento, a relação com a imagem social, a descoberta das emoções.

O título anterior do trabalho, “Bunker” se deu a partir da sensação de confinamento gerada pela maternidade e suas angústias advindas das amarras psicossociais impostas às mulheres nesse novo papel. Curiosamente, o isolamento social causado pela pandemia de covid-19 em 2020 no mundo trouxe à tona esta circunstância vivida por muitas mulheres no puerpério, fazendo uma associação metafórica com a maternidade e os efeitos do isolamento social. 

Sendo assim, os temas anteriormente abordados na pesquisa tornam-se ainda mais pertinentes e com mais possibilidades de leituras semânticas, trabalhando assuntos como: a incerteza do futuro, a imobilidade social, a sobreposição de tarefas e papéis sociais circunscritos em um mesmo espaço físico, o universo familiar e profissional convivendo em um mesmo espaço-tempo.

Em 2020, os artistas criadores decidem mudar o nome de “Bunker” para "Água-me" (título provisório para o ensaio aberto realizado em janeiro de 2020) e então escolhem o título "Sede", por acreditarem que o nome Bunker tem um peso histórico marcante e possivelmente crítico se pensado atualmente. O título "Sede" faz menção ao texto falado por Gabriela Alcofra em uma das cenas, onde constantemente pede por um copo d´água para matar a sede. 

A sede é uma constante no puerpério, pois a amamentação provoca fisiologicamente essa necessidade. A sede pode ser vista também como a falta de auxílio, de conforto, de suporte, de cuidados essenciais. Além disso, referencia a água (também presente na dramaturgia do texto) que vai além da água potável, expandindo a sensação para os líquidos do corpo: lubrificações, sangue, útero, menstruação, leite.

"Sede" pretende aprofundar e finalizar a pesquisa iniciada em Bunker, repensando caminhos estéticos adaptados para o formato audiovisual online, debruçando-se sobre os eixos já levantados, tais como: solidão, reconhecimento do corpo da mulher em transformação, a imagem de um corpo mulher-mãe para a sociedade, relação com o espaço confinado da casa, loucura gerada pela exaustão, exercício de um amor em construção.

Nessa pesquisa, o audiovisual é considerado como mais uma camada da dramaturgia, pensando os planos de câmera como aliados da composição coreográfica, tendo na vídeodança a inspiração para uma linguagem híbrida borrando as fronteiras entre a dança, o cinema e o teatro. Para isso, a cineasta e também mãe, Marilia Scharlach, contribuiu com sua visão na direção de fotografia e câmera. 

Durante a gravação, microfones direcionais e de ambiência captaram os sons do movimento da intérprete, gerando estímulos que, processados eletronicamente e somados ao canto da intérprete-criadora, ruídos e ambiências pré-gravados, desenham as paisagens sonoras vivas que compõem a trilha sonora original, a cargo de Daniel Conti. Dessa maneira, Sede se envereda pelos caminhos poéticos da metáfora para propor uma cena para além da literalidade, fundada em paisagens sonoras e visuais, atuando em um lugar fronteiriço entre o gesto, a palavra e a imagem, que ampliam as camadas de sentido do espectador.


Ficha técnica
Espetáculo:
"Sede"
Interpretação e dramaturgia: Gabriela Alcofra
Direção: Leonardo Birche
Trilha sonora e captação direta: Daniel Conti
Direção de fotografia e câmera: Marilia Scharlach
Edição e montagem: Gabriela Alcofra e Daniel Conti
Direção de arte: Eliseu Weide
Produção: Renata Allucci
Projeto gráfico: Fernanda Allucci
Tradução: Letícia Rodrigues
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Serviço: 
Espetáculo: 
"Sede"
Quinta-feira, dia 22 de abril, às 23h
Sexta-feira, dia 23 de abril, às 23h
Sábado, dia 24 de abril, às 20h e 23h
Domingo, dia 25 de abril, às 20h e 23h
Duração: 35 minutos
Classificação: 16 anos
Link de acesso: http://bit.ly/videodancasede
Grátis


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Sede #Gabriela Alcofra #Leonardo Birche #Daniel Conti #Marilia Scharlach #Eliseu Weide #RenataAllucci

quarta-feira, 21 de abril de 2021

.: Diário de uma boneca de plástico: 21 de abril de 2021


Querido diário...

Hoje é dia 21 de abril... Dia de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier que foi dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político brasileiro, que atuou nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou seja, era participante ativo na Inconfidência Mineira. 

A inconfidência mineira teve como objetivo a proclamação de uma República independente, além de criar uma universidade e abolir dívidas junto à Fazenda Real. E qual fim Tiradentes teve? Foi o único do grupo a ser condenado ao enforcamento em 1792, no 21º dia de abril. Antes de morrer disse: “Se dez vidas tivesse, dez vidas daria”“Se dez vidas tivesse, dez vidas daria”

Nesse mesmo dia de hoje celebramos o anivesário de outras grandes figuras, uma gringa e outra brasileira: Charlotte Brontë e Hilda Hilst, respectivamente. 

Diário, eu amo tanto os escritos das irmãs Brontë. É que eu tenho um lado romântico aflorado. Até tento escapar, mas... 

E quem foi Hilda Hilst?! Uma mulher considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Neles aborda o misticismo, insanidade, erotismo e libertação sexual feminina. A escritora que nasceu em Jaú, foi muito influenciada por James Joyce e Samuel Beckett, tal influência surge em temas e técnicas recorrentes como o fluxo de consciência e realidade fraturada.

Ufa! Que dia lindo, hein!?

Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,








.: Ciclo de encontros "Abismos de Dostoiévski" começa nesta quarta-feira


No período de 21 a 26 de abril, a cada dia, às 20h, será transmitida pelo canal do YouTube do Centro Cultural São Paulo uma experiência cênica inspirada na obra de Dostoiévski seguida por debate com integrantes da equipe de criação, mediados por Elena Vássina, também curadora de "Abismos de Dostoiévski".

“Pairando sobre o abismo” e mergulhando nos “abismos de Dostoiévski”, atores dirigidos por  diferentes diretores e equipes – que de alguma forma já vivenciaram a obra de Dostoiévski – criam  seis experiências audiovisuais inspiradas em seis diferentes obras do escritor russo e convidam os espectadores a refletir sobre a existência do mal no mundo, sobre a natureza humana com aquilo que há do irracional e tenebroso nela, sobre o coração do homem que, segundo Dostoiévski, é o campo de batalha mais feroz entre Deus e Diabo. 

O projeto – idealizado pela produtora Marlene Salgado e a pesquisadora e ensaísta russa Elena Vássina, com a colaboração da atriz Luah Guimarãez – busca por diferentes abordagens que possam explorar e potencializar a diversidade polifônica, a linguagem cine-teatral e a experimentação de caminhos e descaminhos, na transgressão e na descoberta por novas formas, imagens ou metáforas que ajudem a entender todas as questões malditas de Dostoiévski, nosso contemporâneo. 

No período de 21 a 26 de abril, a cada dia, às 20h, será transmitida pelo canal do YouTube do Centro Cultural São Paulo uma experiência cênica inspirada na obra de Dostoiévski seguida por debate com integrantes da equipe de criação, mediados por Elena Vássina, também curadora de "Abismos de Dostoiévski". Nesta quarta-feira, dia 21, Vivien Buckup (direção) e Celso Frateschi (atuação) em "Crime e Castigo"; dia 22, Ondina Clais e Ruy Cortez (direção) e Marina Tenório (atuação) em "A Dócil"; dia 23, Vadim Nikitin (direção) e Luah Guimarãez (atuação) em "Os Demônios"; dia 24, Donizeti Mazonas (direção e atuação) e Wellington Duarte (atuação) em “O Grande Inquisidor”; dia 25, Clarissa Campolina e Yara de Novaes (direção) e Rômulo Braga (atuação) em "O Veredicto" e dia 26 Cibele Forjaz (direção) e Matheus Nachtergaele (atuação) em “O Sonho de Um Homem Ridículo”.

Considerado o “profeta da literatura russa”, Dostoiévski (1821 -1881) é um dos escritores mais conhecidos e lidos no mundo e sua singular atenção para questões da existência humana nunca foi tão pertinente quanto agora, quando se celebra 200 anos de nascimento do escritor que acreditava que “a Beleza salvará o mundo”.

Muitas das personagens de Dostoiévski são indefesas, solitárias, cheias de complexos, mas são exatamente essas pessoas humildes e mansas que Dostoiévski opõe ao mundo endurecido que precisa da tolerância e da bondade como um de seus principais remédios.

“Apesar de toda a distância histórica que nos separa do gênio russo, sentimos que ele continua a ser o nosso contemporâneo hoje, aqui e agora, nos desafiando com a necessidade urgente de buscar respostas a todas as questões mais doloridas do mundo que, se usarmos as palavras do próprio Dostoiévski,  ‘está em algum ponto final, pairando sobre o abismo’", comenta a curadora do projeto, Elena Vássina. 

Para o processo de criação foi importante encontrar os personagens de Dostoiévski no limiar das últimas decisões, nos momentos de crises e reviravoltas – todos aqueles momentos que ajudam a “descobrir o homem no homem”, aquilo que, acreditamos, o nosso mundo precisa agora muitíssimo.



Sobre Elena Vássina (Idealização, curadoria e mediação dos debates)
Pesquisadora e ensaísta russa, professora do curso das Letras Russas da USP. Formada na Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscou Lomonóssov (MGU). Possui mestrado em Literatura Comparada pela Universidade Estatal de Moscou, doutorado em História e Teoria de Arte e Pós-doutorado em Teoria e Semiótica de Cultura e Literatura pelo Instituto Estatal de Pesquisa da Arte (Rússia). 

Organizadora, autora e tradutora dos livros “Tipologia do Simbolismo nas Culturas Russa e Ocidental” (2005), “O Cadáver Vivo”, de Liev Tolstói (2007), “Liev Tolstói: Os Últimos Dias” (2011), “Teatro Russo: Literatura e Espetáculo” (2011), “Stanislávski: Vida, Obra e Sistema” (2015), “Eugênio Oneguin”, de A. Púchkin (2019), entre outros. Foi finalista do prêmio Jabuti e do prêmio Aplauso Brasil. 



Sobre as experiências audiovisuais
"O Sonho de Raskólnikov"a partir da obra "Crime e Castigo"

A potência de Dostoiévski se manifesta pelo conjunto da sua obra, mas também em cada romance, novela e capítulo. Esse pequeno sonho narrado ainda no início do romance  “Crime e Castigo”, sintetiza de forma onírica a alma de nosso herói e ao mesmo tempo, relido após dois séculos, envolve e questiona a alma de cada leitor que experimenta a sua leitura. Este trabalho procura reforçar o sentido dessa narrativa e oferecer esse sonho fábula para o prazer e a reflexão de quem assistir.

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Paulo Bezerra. Atuação: Celso Frateschi. Direção: Vivien Buckup. Cenografia e figurino: Sylvia Moreira. Fotografia: João Caldas. Edição: Tom Butcher Cury. Música: Miguel Caldas. Câmera: Alexandre Kok. Coordenação Ágora Teatro Virtual:  Francisco C. Martins.



"A Dócil"

A Companhia da Memória apresenta uma livre adaptação audiovisual da obra “A Dócil”, que acompanha os pensamentos de um usuário, cuja mulher acabou de se suicidar. Nas horas que se seguem à morte, sozinho em casa, ele tenta compreender o que aconteceu e como as coisas chegaram a esse ponto. 

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Marina Nogaeva Tenório. Atuação: Marina Nogaeva Tenório. Direção: Ondina Clais e Ruy Cortez. Assistência de direção: João Vasconcellos. Edição: Elizaveta Stishova. Roteiro de edição: Ruy Cortez. Câmeras: Ondina Clais e Elizaveta Stishova. Som: Anna Ostrovskaia. Fotos: Ondina Clais. Produção: Companhia da Memória.



"Stavrôguin, Eu Mesmo"
A partir de “Com Tíkhon”, capítulo proibido do romance "Os Demônios". “Com Tíkhon” é um capítulo-demônio do romance "Os Demônios" (1871-1872), de Fiódor Dostoiévski: foi censurado pelo seu editor, Mikhail Katkóv, porque os críticos o reputavam “real demais”. Esse capítulo-poema, contudo, tem a lógica de um delírio. Dostoiévski, de resto, jamais o viu publicado em vida. Ele pode ser lido como o romance inteiro em miniatura. Ou como todo o terrorismo russo flagrado nos olhos de um ícone. Nikolai Vsiévolodovitch Stavrôguin, o dândi andrógino terrorista, e os seus duplos, a menina Matriôcha, a senhoria, um funcionário pobre-diabo. E a sua própria sombra de Bucéfalo, o cavalo de Alexandre o Grande.  

A leitura desse capítulo-sortilégio, marinada numa polifonia de linguagens – o diabo no meio do redemoinho –, é um filme-experimento que almeja auscultar a consciência ao mesmo tempo nítida e nebulosa desse mais um perigoso homem ridículo dostoievskiano.

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Paulo Bezerra. Atuação: Luah Guimarãez. Roteiro, dramaturgia e direção: Vadim Nikitin. Direção de arte e figurinos: Joana Porto. Fotografia, câmera e montagem:  Paulo Camacho. Som direto: Tiago Bittencourt . Trilha sonora original: Cacá Machado. Voz russa e ícones russos: Elena Nikitina. Mixagem de som: Ivan Garro.



"Em Teu Nome"
O espetáculo "Em Teu Nome" é uma livre adaptação da obra “O Grande Inquisidor”, de Fiódor Dostoiévski. É interessante pensar que esse texto é um fragmento, excepcional, de uma de suas maiores obras: “Os Irmãos Karamazov”. Uma coisa dentro da outra, nos remete  à matrioska, tradicional boneca russa, e seu jogo de espelhamentos. 

"Em Teu Nome", por sua vez, é um experimento cênico híbrido que parte desse texto literário, ganha corpo com a linguagem do teatro e da dança, mediado pela linguagem do vídeo. A escolha desse luminoso fragmento de Dostoiévski busca também num certo espelhamento, refletir sobre os tempos sombrios em que vivemos. Escrito em 1880, o texto traz questões acerca da natureza humana, da liberdade, do papel dos poderes políticos e religiosos sobre o homem.

A lenda de "O Grande Inquisidor" torna-se uma metáfora perfeita para o fundamentalismo evangélico e seu plano de poder em curso no Brasil. Nesse sentido a obra de Dostoiévski torna-se por demais contemporânea, no sentido de que ao olhar para o passado lança luz sobre as trevas do presente.

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Paulo Bezerra. Adaptação, direção e interpretação: Donizeti Mazonas. Coreografia, canto e interpretação: Wellington Duarte. Fotografia e edição: Edson Kumasaka. Captação de som: Éric Vasconcelos. Música: Gregory Slivar. Pesquisa de imagens: Paulo Campagnollo. Cenografia: Donizeti Mazonas. Produção executiva, operação de luz e vídeo: Jota Rafaelli.


"O Veredicto"
Publicado originalmente em  “Diário de Um Escritor”, no número de outubro de 1876, "O Veredicto" é uma narrativa em primeira pessoa em que o protagonista procura justificativas materialistas para o suicídio. Uma experiência essencialmente dialógica que encerra numa única personagem os papeis de réu, defensor, promotor e juiz. 

"O Veredicto", uma carta audiovisual criada por Clarissa Campolina, Rômulo Braga e Yara de Novaes, estrutura-se no diálogo entre duas experiências fílmicas em que um mesmo ator atravessa o tempo e reedita uma antiga personagem, como se ela fosse um espelho sobre o qual se busca a imagem da nova personagem.  Enquanto uma perambula pela cidade em busca de si mesma, a outra faz de uma poltrona vermelha o seu lugar no mundo. Um jogo de espelhos que revela que o mal-estar da personagem de Dostoiévski cabe em qualquer tempo e lugar e que, como ele mesmo escreveu a seu irmão, Mikhail, “a vida é vida em toda parte”.

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Priscila Marques. Direção Clarissa Campolina e Yara de Novaes. Atuação Rômulo Braga. Imagem e captação: sonora Rômulo Braga. Fotografia: Gustavo Marx. Arquivo: “Os que se vão”, dirigido por Clarissa Campolina e Luiz Pretti, fotografado por Lucas Barbi e gentilmente cedido pelas produtoras Anavilhana e Errante. Trilha sonora: Morris Picciotto. Montagem: Luiz Pretti. Finalização de imagem: Lucas Campolina - Olada. Assistentes de produção e pesquisa: Daniela Cambraia e Larissa Barbosa. Produção: Yara de Novaes e Anavilhana;



“O Sonho de Um Homem Ridículo”
Escrito em 1877. o texto retoma o tema da idade de Ouro, da utopia social, muito recorrente na obra de Dostoiévski. Aqui a Idade de Ouro é definida como “o mais improvável de todos os sonhos que já houve, mas pelo qual os homens deram toda a sua vida e todas as suas forças, pelo qual morreram e mataram profetas, sem o qual os povos não querem viver e não conseguem morrer”.  (...) No breve relato Dostoiévski expõe sua concepção do destino histórico do homem e da Cultura.  (Paulo Bezerra, "Duas Narrativas Fantásticas", ed.34, 2003). 

Nessa leitura por meio de uma plataforma digital, Matheus Nachtergaele confronta a visão de Dostoiévski, expressa no conto de 1877, com a sua vida aqui e agora, em meio a uma crise global - a pandemia de Covid-19 – agravada no Brasil por um governo genocida. Essa releitura cênica do sonho deste “Santo Ridículo” põe em foco a relação complexa dos povos originários (e seus modos de bem viver) diante da civilização ocidental do século XXI e o seu “pecado original”, a separação entre natureza e cultura, assim como suas consequências perigosas para a vida de Gaia, a Terra. Uma luta entre Eros e Thanatos, tanto no campo da subjetividade, quanto no plano social e político. 

De Fiódor Dostoiévski. Tradução: Vadim Nikitin. Elenco: Matheus Nachtergaele e Cibele Forjaz. Leitura, depoimentos, roteiro e atuação: Matheus Nachtergaele. Câmera, videografia, roteiro e edição: Manoela Rabinovitch. Direção e roteiro Cibele Forjaz.


Sobre o projeto "Abismos de Dostoiévski".
Idealização:
Marlene Salgado e Elena Vássina
Curadoria: Elena Vássina
Produção: Marlene Salgado
Projeto contemplado e realizado com recursos da Lei Emergencial Aldir Blanc 


Serviço:

Quarta-feira, dia 21 de abril, às 20h
"O Sonho de Raskólnikov"a partir da obra "Crime e Castigo"
Com Celso Frateschi
direção de Vivien Buckup


Quinta-feira, dia 22 de abril, às 20h
"A Dócil"

Livre adaptação audiovisual. Com Marina Nogaeva Tenório. Direção de Ondina Clais e Ruy Cortez.


Sexta-feira, dia 23 de abril, às 20h
"Stavrôguin, Eu Mesmo"

A partir de "Com Tíkhon", capítulo proibido do romance "Os Demônios". Um filme de Luah Guimarãez, Joana Porto, Paulo Camacho, Tiago Bittencourt, Ivan Garro, Elena Nikitina e Vadim Nikitin.


Sábado, dia 24 de abril, às 20h
"Em Teu Nome"
Livre adaptação de "O Grande Inquisidor". Com Donizeti Mazonas e Wellington Duarte. Fotografia e edição de Edson Kumasaka.


Domingo, dia 25 de abril, às 20h
"O Veredicto"
Carta audiovisual criada por Clarissa Campolina, Rômulo Braga e Yara de Novaes.


Segunda-feira, dia 26 de abril, às 20h
“O Sonho de Um Homem Ridículo”
Exercício audiovisual ao vivo por plataforma digital. Criação de Cibele Forjaz e Matheus Nachtergaele com cine artivismo de Manoela Rabinovitch.


Confira a programação - De 21 a 26 de abril

Dia 21, Vivien Buckup (direção) e Celso Frateschi (atuação) em "Crime e Castigo"

Dia 22, Ondina Clais e Ruy Cortez (direção) e Marina Tenório (atuação) em "A Dócil"

Dia 23, Vadim Nikitin (direção) e Luah Guimarãez (atuação)  em "Os Demônios"

Dia 24, Donizeti Mazonas (direção e atuação) e Wellington Duarte (atuação) em "O Grande Inquisidor"

Dia 25, Clarissa Campolina e Yara de Novaes (direção) e Rômulo Braga (atuação) em "O Veredicto" 

Dia 26 Cibele Forjaz (direção) e Matheus Nachtergaele (atuação) em “O Sonho de Um Homem Ridículo”

Acesso ao YouTube do Centro Cultural São Paulo no link: https://www.youtube.com/channel/UCY-_qOo_QsPxIFce2qlhpZg



.: Entrevista com Caio Afiune, eliminado do "Big Brother": "Faria tudo novamente"


Eliminado do "Big Brother Brasil", Caio Afiune comenta a trajetória no reality show. Foto: João Cotta

Muitos foram os desafios que cercaram a trajetória de Caio Afiune na 21ª edição do "Big Brother Brasil": a saudade da família, uma lesão no pé que precisou ser imobilizado e novidades que não faziam parte de seu universo como fazendeiro no interior de Goiás. Mas sua vontade de superar os obstáculos o fez permanecer no jogo até as últimas semanas. 

O integrante do grupo Pipoca - formado por anônimos - teve, durante boa parte da competição, a amizade indispensável de Rodolffo, de quem era fã antes de entrar no programa. Eliminado com 70,22% dos votos na última terça-feira, dia 20, depois de enfrentar Fiuk e Gilberto Nogueira no paredão, Caio faz um balanço positivo de sua jornada no reality e não se arrepende de seu posicionamento no game.

“Acho que a pessoa que se formou hoje veio dos erros que eu cometi lá dentro. Eu estou tão feliz com o que eu sou agora, que faria tudo novamente para estar tranquilo e consciente neste momento”, declara. Na entrevista a seguir, o ex-participante comenta sobre seus pontos-chave no programa e o que pretende fazer daqui por diante.

 
Que balanço você faz da sua participação no "Big Brother Brasil"?
Caio Afiune - Foi muito bacana eu ter conseguido entrar. Cometi erros lá dentro, mas eu me permiti errar nesse jogo porque é um jogo que eu nunca joguei. É uma experiência que traz muitas emoções e eu sou movido por elas. A gente fica restrito de informações, com emoções muito elevadas e uma pressão para a gente falar. Tudo nós temos que justificar, então tem horas que precisamos procurar motivos para falar as coisas. Em todo o contexto, eu fico feliz em saber que foi uma participação legal e que eu fui bem. 

 
Você era fã do Rodolffo e teve uma enorme surpresa ao descobrir que ele também estava no programa. A identificação foi imediata e mútua. O que essa amizade representou para você no jogo e na vida?
Caio Afiune - Eu mexo com fazenda, então tenho um lado muito sozinho durante o dia. Quando eu entrei, tinha muito medo do convívio com mais 19 pessoas que eu não conhecia. Não que eu seja bicho do mato, mas eu tinha receio das relações. Eu me perguntava como eu faria lá dentro, com quem eu iria conversar, se iriam gostar de mim ou não. Então, deu muito certo com o Rodolffo por sermos muito parecidos. Foi um prazer imenso para mim dividir esses momentos com ele, ver tudo o que ele fez por mim, o tanto que ele me ajudou... Eu pensei em sair por conta do machucado no pé e ele falava "Caio, relaxa, tenha calma". Pelo lado fã, foi uma emoção muito grande. Logo no primeiro dia – eu tinha acabado de entrar na casa – e ele estava lá. Foi uma surpresa boa demais. Eu fiquei muito feliz por ter tido essa amizade com ele lá dentro e ter saído com ela. Quando ele me entregou o boné antes de deixar a casa, eu fiquei bastante emocionado. Foi muito gratificante ter vivido isso lá dentro, com ele participando dos meus quase 100% do programa. 
 

Qual era sua estratégia para chegar o mais longe possível na disputa por R$ 1,5 milhão?
Caio Afiune - Eu tenho um jeito de não ficar indo conversar muito e resolver alguns problemas – isso é meu. E, às vezes, eu mantinha algumas relações superficiais ou até tranquilas, porém ponderadas, visando o jogo. Não que eu fosse falso. Eu respeitava, mantinha uma boa convivência por uma questão de jogo. Se fosse aqui fora mesmo, talvez eu não conviveria. Mas, como eu era obrigado a conviver com as pessoas dentro da casa, eu tinha um sentimento positivo. Não era igual com todas as pessoas, mas eu tentava manter uma boa relação até com os mais distantes de mim. Foi diferente em relação à Camilla, com quem eu tive uma aproximação natural mesmo. Não era bem uma estratégia, mas eu tentava ficar bem com todo mundo para eu estar bem. Quando eu votava nas pessoas, eu explicava os motivos, o que tinha acontecido, o que eu não tinha gostado. Por vezes acontecia de ser alguém mais distante ou que eu precisava votar para me livrar do paredão ou ajudar o Rodolffo.

 
Logo no início do programa você teve um desentendimento com a Lumena. Acredita que aquela situação te desestabilizou ou te acordou para o game, de alguma forma?
Caio Afiune - Aquele momento me assustou muito e ali eu dei uma refletida maior sobre as coisas. Tentei abrir mais a minha visão para evitar cometer certos tipos de erro, não pelo jogo, mas pela vida. Realmente deu um “start” para mim.
 

Em certo momento do jogo, ver sua família virou praticamente uma meta. Logo depois disso, você ganhou três provas do anjo seguidas. Esses momentos te fortaleceram? Qual foi a importância disso?
Caio Afiune - Foi uma mistura de dois sentimentos: o conforto em ver que estava tudo bem com a minha família – isso dá um gás para a gente – e, ao mesmo tempo, a saudade que aumenta. Era difícil vê-los ali do outro lado e controlar essa saudade.
 

Você também chamou a atenção pela sorte, que inclusive te levou a escapar de paredões na Bate e Volta. Você sempre foi sortudo ou a sorte começou no prograna? Acha que ela foi decisiva?
Caio Afiune - A sorte foi só lá no "BBB" mesmo. Se eu dependesse disso antigamente, eu estaria morto (risos). Mas, no jogo, foi um gás nos momentos em que eu precisava. No começo, com o primeiro anjo; na prova logo depois que eu machuquei o pé, com aquela situação toda. Eu não pude fazer algumas provas, mas eu pensei que, se já eu estava lá, eu ia tentar até onde eu desse conta. Então, a sorte foi decisiva para eu ganhar o anjo, ser autoimune, ganhar Bate e Volta, prova do líder.
 
 
Você acabou machucando o dedo do pé em uma das provas e precisou ficar um tempo com ele imobilizado. Como foi passar por isso dentro de uma competição? 
Caio Afiune - Foi desesperador. Primeiro, porque eu sempre busquei na minha vida fazer o meu máximo sem pedir ou depender de ninguém. Eu tenho problema para pedir coisas para as pessoas e, de uma hora para a outra, eu me vi numa situação em que eu precisava fazer isso quase que o tempo todo. Fiquei preocupado também por estar fora de algumas provas. É muito difícil estar no "Big Brother" e não participar das disputas, tentar ganhar para ver sua família, conquistar uma liderança. Ainda tinha  dor que eu sentia. Foi uma loucura.


O que te motivou a continuar no reality?
Caio Afiune - O que me motivou a continuar foi o meu objetivo de entrar, ficar longe da minha família por um tempo, para depois voltar para ela com coisas boas. Dar dois passos para trás para depois dar cinco para frente. Eu já estava lá e, se eu tinha me machucado lá, eu ia tentar superar lá dentro mesmo. Coloquei isso como meta – foi difícil amadurecer essa ideia – e tentei me agarrar a ela. E, claro, o Rodolffo me ajudou demais nesse sentido. A casa toda me ajudou muito, todo mundo teve compaixão comigo. Mas o Rodolffo estava ali do meu lado, dizendo que ia passar. Isso me deu força para vencer esse desafio.

 
Seu voto na Sarah, no paredão que a eliminou, chamou a atenção dela. A Juliette também chegou a te questionar sobre tê-la puxado num contragolpe, e não o Fiuk, que seria sua primeira opção de voto. Olhando agora para essas situações, você teria feito diferente, nessa ou em outras oportunidades de voto, se tivesse a chance? 
Caio Afiune - No decorrer do jogo, o Rodolffo era o meu segundo lugar no pódio. A Sarah era o terceiro. Eu tinha que tentar defende-lo. Eu não votei nela achando bom, não queria magoar a Sarah, muito pelo contrário. Mas eu precisava ajudar o Rodolffo, que era o cara mais próximo a mim. A Sarah, por exemplo, tinha o Gil como o mais próximo dela; e eu, o Rodolffo. O cara me deu a imunidade na primeira semana, quando eu mais precisei, esteve comigo nos momentos mais difíceis. Eu entendo a mágoa dela, mas eu tinha que tentar defender o Bastião. Na questão da Juliette, eu já havia votado nela no início para tentar escapar do paredão. Como eu já tinha dado andamento a esse caminho, eu segui por ele. Não tinha para onde ir, já que eu já havia votado nela em outras situações. Naquela hora, estava todo mundo se defendendo ali e vindo para cima de mim, então fui para o jogo.
 

Algo mudou no seu jogo ou nas suas relações dentro da casa depois da saída do Rodolffo?
Caio Afiune - Como nós estávamos muito certos e ficávamos muito juntos, quando ele saiu surgiu espaço para eu ter mais contato com outras pessoas. Aumentou a amizade, o convívio e o diálogo com mais participantes. Não que ele me travasse disso. Mas, no meu modo de ver, a gente sempre estava muito juntos, falávamos dos mesmos assuntos. Não evitávamos outras pessoas, só fluía. Se eu tivesse saído antes, ele também teria se aproximado de outras pessoas. 

 
Qual foi a sensação de ir do paredão à liderança?
Caio Afiune - Foi um sentimento de luxo, uma sensação de explosão, muito gostoso. Quando você vem de um paredão, parece que o gás é diferente, a emoção vem mais forte. Quando você está na pior situação do jogo, que é o paredão, e vai para uma boa, que é a liderança, é muito prazeroso.
 

Por que acha que foi eliminado desta vez?
Caio Afiune - Eu encarei duas torcidas, mas não acredito que tenha sido somente isso. Acho que eu posso ter cometido alguns erros de jogo. Só que é muito complicado quando você não está vendo tudo e vai tendo informações pontuais, que chegam atravessadas. No calor do momento, você vai ficando doido. Havia situações com pessoas que eu tinha amizade e acabava no meio de uma briga. Errei com algumas coisas sim e essa junção de fatores me levaram à eliminação.
 

Que aprendizados o "Big Brother" te trouxe?
Caio Afiune - Amor, vida, respeito. Eu aprendi que realmente a gente precisa muito entender todos os lados para poder abrir a boca antes de julgar alguém ou uma situação. Precisamos ter muita informação para fazer um comentário, por exemplo. Temos que ter cuidado com as coisas que falamos. Por mais que eu tenha feito julgamentos lá dentro, não passei por cima do caráter de ninguém, não desmereci ninguém. Não deixei de julgar pelas informações que eu recebia, mas percebi que a gente precisa ter esse cuidado. Eu descobri também que em mim cabia muito mais amor do que eu já tinha. Foi maravilhoso.
 

Você se arrepende ou teria feito algo diferente no confinamento? 
Caio Afiune - Não. Pelo Caio que eu sou hoje, pelo que eu cresci e aprendi, eu teria medo de ter a opção de mudar alguma coisa e não ter esse sentimento que eu tenho hoje. Acho que a pessoa que se formou hoje veio dos erros que eu cometi lá dentro. Eu estou tão feliz com o que eu sou agora, que eu faria tudo novamente para estar tranquilo e consciente neste momento.
 

Quem está jogando bem e tem chances de chegar à final?
Caio Afiune - Eu acho que o Gil tem grandes chances. Pelo que eu já vi aqui fora, a Juliette também. E eu queria muito que o Arthur chegasse pelo menos perto. Tivemos algumas questões no começo do game, quando ele estava distante. Mas, é uma pessoa que ficou junto comigo, conheci a história dele e tive conversas boas. 
 

Além do Rodolffo, que outras amizades você tem o desejo de levar daqui por diante? 
Caio Afiune - Eu quero muito manter a amizade com o Gil. O João também é alguém que eu gostei muito, tivemos muitas conversas legais. Saindo do jogo, eu não levo nada de ruim de ninguém. Gosto de ver as qualidades e o que há de bom neles. O Arthur também é, incontestavelmente, uma pessoa com quem eu quero ter amizade. 
 

O que pretende fazer daqui para frente? Pensa em movimentar mais as redes sociais, agora que tem mais de 3 milhões de seguidores?
Caio Afiune - Eu quero muito, sim, experimentar esse novo desafio, ver se funciona, se eu vou dar conta de me encaixar nisso tudo. É um mundo novo para mim. Eu tento falar bem certinho quando eu estou nessas situações, como no "ao vivo" com o Tiago, por exemplo. Quando eu estou em conversas mais sérias, eu tento ter uma certa cautela para falar. Não é como eu falo no meu dia a dia. Eu tenho medo, mas eu quero tentar (risos).
 


.: “ReverberÁfrica”, da Cia. Repentistas do Corpo, estreia temporada gratuita


A Cia. Repentistas do Corpo completa 20 anos de existência em 2021 e estreia seu primeiro trabalho online, “ReverberÁfrica”, no dia 21 de abril de 2021, quarta-feira, às 21h. A temporada virtual segue nos dias 23 e 24 de abril, sexta e sábado, às 21h e nos dias 25, 28 e 30 de abril, domingo, quarta e sexta, às 18h. O espetáculo de dança contemporânea, música, poesia e videoarte será transmitido gratuitamente pelo Canal da Cia. Repentistas do Corpo no YouTube.

O trabalho investiga as conexões sensoriais e imateriais entre Brasil e África, através de um mergulho nas memórias afetivas, nas sonoridades e nos movimentos que habitam no universo particular de cada intérprete-criador, independentemente da cor da pele e seus matizes.

Desde os primórdios, o som do tambor carrega em si a ideia de um coração que explode e desperta as energias pulsantes da mãe-África com a força motriz que se mantem nos corpos e segue expandindo tudo à sua volta. Nesse sentido a trilha sonora, composta por Cesar Assolant, reverbera a sonoridade dos elementos e das forças da natureza aliando o toque dos tambores à sua técnica apurada e exuberante de violonista brasileiro. Os elegantes figurinos assinados por Lu Grecco são inspirados em referências da relação Brasil-África, de maneira revisitada e contemporânea.

A pesquisa audiovisual de linguagem realizada pelo artista Giuliano VJ Scan utiliza diferentes recursos para compor, de maneira poética, a ligação entre os imaginários dos dois continentes separados pelo mar. No entanto, o elo cultural resiste e se sobrepõe à geografia para traduzir na potência dos movimentos, nas sensações e gestos dos corpos, nas músicas, poesias e nas imagens, a imperiosa necessidade de reconexão entre o homem, a natureza e suas origens, respeitando os ritmos naturais da vida.

Esses corpos únicos, distintos entre si, impregnados de afetos e memórias, forjados pela mistura racial brasileira e de suas artes, descortinarão as semelhanças, as identidades e o reconhecimento de que a brasilidade é maravilhosamente indissociável da matriz africana, sugerindo uma reflexão: “Que África reverbera em você?”

“A ideia deste espetáculo já existe há, pelo menos, dez anos e o desejo principal não mudou...Transformar em arte as influências culturais que recebemos da África, partindo do ponto de vista de cada intérprete criador do trabalho, independentemente de raça ou gênero. O caminho escolhido foi olhar para si mesmo, respeitar o outro e se reconectar com a natureza”, comenta Sérgio Rocha. O projeto foi contemplado pelo Edital ProAC LAB nº 37 e realizado com recursos da Lei Aldir Blanc.


Sobre Repentistas do Corpo
A Cia. Repentistas do Corpo, fundada em 2001, é formada por artistas do cenário da dança contemporânea brasileira que trazem significativa bagagem artística e cultural associada à proposta de pesquisa consistente e inovadora. A linha de investigação prática é a interdisciplinaridade entre a dança contemporânea, o teatro, a música e a percussão corporal em movimento buscando os possíveis pontos de convergência entre estas áreas e a sua abordagem conjunta. A inspiração vem de diferentes manifestações da cultura brasileira e suas identidades; especialmente a literatura, a música e as festas, além do contexto histórico onde estão inseridas. Desta forma, a Cia. busca novos significados para sua dança e afirma sua maneira de estar no mundo: sempre em movimento, com um corpo brasileiro.

Entre os trabalhos realizados ao longo de vinte anos de existência, estão: “Cordel Encorpado” (2001), “Nessa Onda Que Eu Vou” (2002), “Corpoemas (2004)”, “Lado B” (2007), “Carnaval em Sampa” (2008), “WC Feminino” (2010), “Cordel Encorpado e Revisado” (2012), “Sambabembom” (2012), “Tupiliques – O Espetáculo” (2014), “Corpos Brasileiros” (2017), “Olhares Alheios” (2019) e “Um Olhar Muda Tudo” (2019).


Ficha Técnica
Espetáculo: 
“ReverberÁfrica”
Concepção e direção geral: Sérgio Rocha
Assistente de direção: Cláudia Christ
Intérpretes criadores: Carlos Antônio dos Santos, Cláudia Christ, Marcela Miyashita e Sérgio Rocha. Trilha sonora: Cesar Assolant
Figurinos: Lu Grecco
Direção de arte e edição: Giuliano VJ Scan
Captação de imagens: Giuliano VJ Scan e Rogério Queiroz
Percussão corporal e Djembê: Sérgio Rocha
Fragmentos poéticos: Carlos Antônio dos Santos
Canto à capela: Sérgio Rocha
Vozes em off: Carlos Antônio dos Santos, Cláudia Christ e Marcela Miyashita
Assessoria de imprensa: Alex Olobardi
Programador visual: Giuliano Vj Scan
Serviço de transmissão: Ten Lives
Produção executiva: Rocha Christ Produções Artísticas
Agradecimentos: Mônica Maciel, Zulmira Cícera de Araújo e a todos os artistas, coletivos, grupos, companhias, movimentos, cooperativas, associações, sindicatos e parlamentares que se uniram e lutaram para viabilizar a Lei Aldir Blanc


Serviço

Espetáculo: “ReverberÁfrica”
Transmissão Online
Estreia:
21 de abril de 2021. Quarta-feira, às 21h
Temporada: 23 e 24 de abril. Sexta e sábado, às 21h. 25, 28 e 30 de abril. Domingo, quarta e sexta, às 18h.
Classificação: livre
Duração: 30 minutos
Ingresso: grátis
Transmissão: canal YouTube da Cia. Repentistas do Corpo.
Link para o canal: https://www.youtube.com/Repentistasdocorpo

.: Espetáculo "Fêmea" explora a violência doméstica naturalizada contra a mulher

Dirigida por Carmem Soares, peça da Cia do Despejo investiga o teatro gestual e a dança para refletir sobre a marginalização social feminina. Foto: Antonio Simas Barbosa


Com o objetivo de refletir sobre o que é ser mulher nos dias de hoje, a Cia. do Despejo fez uma ampla pesquisa em teatro gestual e dança para desenvolver o espetáculo “Fêmea”, que ganha exibições online pelo YouTube ou o Facebook de vários grupos e instituições entre os dias 21 e 25 e 28 a 30 de abril, sempre às 20h. Confira o serviço completo abaixo. 

A obra, dirigida por Carmem Soares, é construída a partir dos corpos femininos e suas interações com diversos objetos-símbolo associados à figura da mulher. Essa fisicalidade foi criada por meio do estudo da motricidade de animais usados para adjetivar negativamente as mulheres, como porca, galinha e vaca. As movimentações incorporadas afloram as distorções existentes entre a maneira como são comparadas, vistas, tratadas e seus corpos reais presentes. 

Serviram como influências dramatúrgicas a escritora Carolina Maria de Jesus e sua obra "Quarto de Despejo"; o livro “Presos que Menstruam: a Brutal Vida das Mulheres - Tratadas como Homens - Nas Prisões Brasileiras”, da jornalista Nana Queiroz, e os documentários “Estamira”, de Marcos Prado, e “Meninas”, de Sandra Werneck. Além de referências autobiográficas da equipe de criação.

Para dar o tom do espetáculo, a música é executada ao vivo e explora sonoridades afro-brasileiras em composições autorais. As potentes vozes femininas se juntam aos instrumentos melódicos e percussivos, como a alfaia, o djembe, o violão e o agogô. Há também a constante exploração de sons de elementos da natureza e dos arquétipos animais, como água, lama, madeira, grunhidos de porcos, sinos de vacas e sonoridades do mangue.

“Nossa pesquisa também contemplou os cantos ancestrais, como o vissungo, que se originou entre os negros escravizados na região de Minas Gerais. Ouvimos muito Clementina de Jesus, que tem um disco unindo diversos cantos vissungos. O grupo Clarianas, que explora os cantos caboclos, foi outra referência – a Naruna Costa até nos cedeu uma canção”, comenta Aline Machado, uma das atrizes-criadoras do trabalho. 

As cenas bastante imagéticas evidenciam as violências sofridas pelas mulheres, o que possibilita a criação de um espaço de acolhimento, potencializado por um bate-papo com o público logo após o espetáculo. Para a temporada virtual, estão programados encontros com os espectadores pelo Zoom nas sessões dos dias 22, 24, 28 e 29.

O cenário e o figurino evidenciam ainda mais a temática. As atrizes vestem bermudas, sutiãs com fecho frontal e corpetes pós-cirúrgicos, em referência aos padrões de beleza impostos pela sociedade. Conforme a peça avança, seus corpos e vestimentas ganham tons de vermelho, simbolizando tanto a violência quanto a emancipação feminina. Já o cenário se divide em três espaços: o ambiente doméstico, formado por mobílias como fogão, cadeiras e relógio; o “não-lugar”, que fica vazio e é onde as atrizes encontram seu local de fala; e a área dedicada às musicistas.  No elenco estão Aline Machado, Carolina Gracindo e Ingrid Alecrim. As musicistas são Aryani Marciano, Beth Sousa e Helena Menezes e o dramaturgista é o Felipe Dias Batista. 


Sinopse
"Fêmea" é um espetáculo de teatro gestual que apresenta cenas imagéticas. A narrativa é construída através de corpos femininos, da relação da casa com esses corpos e da musicalidade entoada ao vivo. As cenas elucidam violências cotidianas a que estão submetidas tantas mulheres em nossa sociedade e investigam quais aspectos são entendidos como determinantes do que é "ser mulher" em nossa cultura. Os elementos postos em cena podem trazer memórias afetivas sob a lente poética que amplia perspectivas possíveis da mulher sobre as situações em que é posta. Aos poucos, as histórias pessoais apresentadas ganham processos emancipatórios possíveis e interdependentes.

Sobre Carmem Soares - Direção 
Carmem Soares é moradora do Grajaú, mulher cis, lésbica, periférica. É atriz, diretora, educadora e produtora. E Licenciada e bacharelada em Artes Cênicas pela Faculdade Paulista de Artes e Mestra em Arte Educação pelo Instituto de Artes da UNESP. É idealizadora do A Casala Espaço Cultural e do Projeto La Fancha - Casa Restaurante e integrante da Cia Teatral As Truparteiras.


Ficha técnica
Espetáculo:
"Fêmea"
Diretora: Carmem Soares
Dramaturgista: Felipe Dias Batista
Atrizes criadoras: Aline Machado, Carolina Gracindo e Ingrid Alecrim
Musicistas criadoras: Aryani Marciano, Beth Sousa e Helena Menezes
Sonoplastia: Nina Oliveira
Técnica e operação de som: Wayra Arendartchuk
Criadora de luz: Carolina Gracindo
Iluminação: Dara Duarte
Orientadoras de corpo: Ana Paula Bouzas e Mariana Arantes
Orientação musical: Valquíria Rosa
Costureira: Duda Viana
Cenotécnica: Ingrid Oliveira
Cenográfa: Carolina Gracindo
Figurinista e concepção de maquiagem: Ingrid Alecrim
Produção: Felipe Dias Batist
Filmagem e edição: Bruta Flor Filmes
Assessoria de Imprensa: Agência Fática
Este projeto foi realizado com recursos da Lei Federal 14.017/2020 - Lei Aldir Blanc, através do Edital Proac Expresso Lab da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.


Serviço
"Fêmea", da Cia do Despejo
Temporada:
21 a 25 e 28 a 30 de abril, 20h
Transmissões pelo YouTube ou Facebook de vários grupos e instituições:
Dia 21:
YouTube de Aline Machado
Dia 22: YouTube de Aline Machado - seguido de conversa
Dia 23: YouTube da Cia do Despejo
Dia 24: YouTube da Cia Enchendo Laje & Soltando Pipa - seguido de conversa
Dia 25: YouTube do Grupo Xingó
Dia 28: Facebook do Coletivo Subversivas - seguido de conversa
Dia 29: Facebook do Madeirite Rosa - seguido de conversa
Dia 30: Facebook do Centro Cultural Grajaú
Classificação: 14 anos
Duração: 40 minutos
Facebook: @ciadodespejo
Instagram: @ciadodespejo


.: Experimento virtual "ELAS", do Coletivo Caracóis, estreia temporada


Nos meses de abril e maio de 2021 o Coletivo Caracóis estará em temporada com o experimento virtual "Elas" na plataforma SP Escola Digital no Sympla a partir de 21 de abril. 

O projeto "ELAS" foi concebido inicialmente como um experimento cênico virtual, criado durante a pandemia da Covid-19. O Coletivo chama o trabalho de experimento cênico virtual, por entender que habita um espaço novo de criação. A própria plataforma do Zoom virou espaço de pesquisa ou palco virtual, foi utilizada como cenário e elo de ligação entre as personagens. A distância e a virtualidade determinaram e habitaram a estética para a construção de planos explorada pela encenação.

O start para pesquisa foi a moldura ficcional: duas mulheres lésbicas, que se relacionam e estão separadas por conta da pandemia, marcam um encontro virtual para elaborar seus sentimentos, revelando o efeito do isolamento e distanciamento em sua relação. Partimos da questão: É possível a manutenção e permanência de uma relação amorosa, construída na presencialidade, e que agora, por questões que fogem ao controle, se restringe a um ambiente virtual?

É notório que durante este momento pandêmico, onde tanto as convivências intensificadas quanto as distâncias não planejadas se tornaram realidades impostas, muitos casais se separaram, periódica ou definitivamente. Temos experiências como estas dentro de nosso próprio coletivo de trabalho. Então, partindo de nossas experiências pessoais, de nossas vivências e também de nossas observações e questionamentos, surge a pulsão para criação de "ELAS".

A dramaturgia, escrita em processo colaborativo, é precisa e aguda ao transformar o diálogo entre elas em um poético desabafo sobre nossa realidade global - atravessada por acontecimentos incontroláveis e, ao menos, sobre a ótica de quem nos tornamos a partir deles, irreversíveis. A narrativa dramatúrgica trata não só da relação amorosa de duas mulheres, mas também sobre a nossa necessidade de persistirmos tentando nos relacionar mesmo quando a distância física nos é imposta. O texto pode ser lido como metáfora do próprio encontro deste grupo de mulheres artistas: a resistência e persistência exercida ao fazermos teatro intermediadas pela tela.

"ELAS" é sobre a complexidade das relações humanas, suas dores e delícias, uma ode virtual à presença. É sobre a beleza do encontro, sobre a saudade latente de quando isto era possível sem a necessidade das janelas de navegadores, sobre como esse grupo de artistas mulheres inventou possibilidades de resistir a partir da nova e transitória, esperamos, realidade.

Em paralelo à temporada, o Coletivo fará Residência Artística ocupando as redes do Centro Cultural da Diversidade, compartilhando com o público os desdobramentos de pesquisa em torno do experimento virtual "ELAS". 

Para a Residência, o Coletivo Caracóis programou uma pesquisa virtual em forma do questionário “ELAS: O Amor em Tempos Pandêmicos” , com o objetivo de coletar histórias de como as relações amorosas têm sido afetadas nestes tempos de pandemia, tendo  como perspectiva o relato de mulheres, principalmente lésbicas. 

Os relatos colhidos nesta pesquisa servirão de material para a produção do Episódio 2 do experimento virtual "ELAS". Tal ação é um desdobramento da pesquisa do Coletivo, pois se no primeiro episódio a equipe recolheu e compartilhou as histórias das próprias artistas durante o processo, neste segundo episódio, pretende-se dar voz a mais mulheres, ampliar suas perspectivas, refletir sobre as relações e dar continuidade a um trabalho conectado com o tempo em que vivemos. 

Já estão agendadas algumas ações, no dia 29/04, às 19hrs, pelo instagram do Centro Cultural da Diversidade, o Coletivo Caracóis apresenta a desmontagem do experimento cênico-virtual "ELAS", com fragmentos do processo de construção do primeiro episódio, reunindo as artistas do projeto. Esta ação se dará de forma paralela à temporada na plataforma SP Escola Digital, pelo Sympla. No final de Maio, o Coletivo fará o compartilhamento do processo de construção de "Elas, episódio 2", através de uma abertura de processo.

Sinopse:
Brasil, 2020. Elas não estão juntas. O que eram dias, se tornaram meses e elas já perderam as contas. Apesar dos quilômetros que as separam, um encontro é marcado em uma plataforma virtual: o olho no olho, o toque, o cheiro, a possibilidade de um último beijo não existem. E se tudo isso não tivesse acontecido, como estaríamos agora? 


Ficha técnica
Espetáculo:
"ELAS"
Criação: Carina Murias, Carol Moreno, Fernanda Heitzmann, Maria Carolina Ito, Náshara Silveira e Sol Faganello
Direção: Náshara Silveira e Sol Faganello
Dramaturgia: Carina Murias
Textos e atuação: Carol Moreno e Fernanda Heitzmann
Concepção de Luz e Som: Maria Carolina Ito
Arte gráfica, fotos e vídeos: Sol Faganello
Produção e Realização: Coletivo Caracóis


Serviço:
Espetáculo: 
"ELAS" | Coletivo Caracóis
Temporada - SP Escola Digital | Sympla
Datas: 21, 22, 27, 29 de abril e 4, 5, 6 de maio, às 21h.
Ingressos: https://www.sympla.com.br/produtor/spescoladeteatrodigital 
Valores opcionais:
R$ 10 - R$25 - R$50

"Elas" - Desmontagem
Canal Instagram: 
@ccdivervidade - 29/04 - 19h
Abertura de processo: "ELAS, Episódio 2"
Canal Instagram: @ccdiversidade -  final de maio, data a confirmar.
Questionário pesquisa virtual: https://forms.gle/a31AF6ceY4xyebSu5

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