terça-feira, 7 de julho de 2026

.: Livro revisita o impacto de "Pau Brasil" cem anos após a revolução modernista


Publicação organizada pela pesquisadora Gênese Andrade reúne fac-símile da primeira edição, manuscritos, textos críticos e documentos que reconstituem a recepção do livro e do manifesto no calor da década de 1920


Há cem anos, Oswald de Andrade transformava o nome de uma árvore marcada pela exploração colonial em símbolo de ruptura estética e invenção cultural. É desse gesto fundador do modernismo brasileiro que parte "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora", obra organizada por Gênese Andrade e lançada pela Editora Unesp, que revisita a criação, a circulação e as polêmicas em torno de "Pau Brasil", publicado originalmente em 1925.

Além de recuperar os poemas do livro, a publicação recompõe o ambiente intelectual e artístico que cercou o projeto oswaldiano. O volume reúne a reprodução fac-similar da primeira edição da obra, o “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, manuscritos dos poemas, esboços das ilustrações e da capa de Tarsila do Amaral, além de dezenas de textos críticos, cartas, notas sociais e documentos da época que permitem acompanhar a recepção imediata do livro entre admiradores e detratores.

 “A poesia «pau-brasil» é o ovo de Colombo — esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovez”, escreveu Paulo Prado, no prefácio do livro, apontando que Oswald, em seu projeto estético, defende uma poesia capaz de redescobrir o Brasil a partir de sua própria linguagem e de sua própria experiência histórica. A proposta de “poesia para exportação”, formulada pelo autor, desencadeou intensos debates estéticos e ideológicos, transformando "Pau Brasil" em um dos principais marcos do modernismo brasileiro.

Ao recuperar textos publicados entre 1924 e 1927 em jornais e revistas de diferentes cidades brasileiras, a obra organizada por Gênese Andrade evidencia a dimensão pública dessas disputas. Críticos, escritores e intelectuais como Tristão de Athayde, Menotti Del Picchia, Carlos Drummond de Andrade e Mário Graciotti participaram de um embate que extrapolava a literatura e colocava em jogo diferentes projetos de cultura nacional.

Entre manuscritos, correspondências e registros de circulação do livro, "Pau Brasil 100 Anos" também ilumina os bastidores da construção modernista, revelando o entusiasmo de Oswald de Andrade diante da repercussão da obra. “Os jorná só fala de 'Pau Brasil'. As moça também”, escreveu o autor em uma das cartas reproduzidas no volume.

“Considerado um marco da poesia brasileira e das artes gráficas e visuais do século XX, esta publicação evidencia que temos em 'Pau Brasil' versos como brasa dormida, e Oswald continua sendo ‘com pontaços de exagero, com perfídias líricas, com enorme e suntuoso talento – um grande, um sonhador, um destemido caudilho do pensamento estético no Brasil’”, anota Gênese. Compre o livro "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora" neste link.


Sobre a organizadora
Gênese Andrade é professora universitária, pesquisadora independente e tradutora. Autora de "Pagu/ Oswald/ Segall" (Museu Lasar Segall; Imprensa Oficial, 2009) e "Vicente do Rego Monteiro" (Publifolha, 2013), entre outros. Organizadora de "Feira das Sextas" (Globo, 2004), "Arte do Centenário e Outros Escritos" (Editora Unesp, 2022), "El Arte del Centenario y Otros Escritos" (Eudeba, 2024), de Oswald de Andrade; "Modernismos 1922-2022" (Companhia das Letras, 2022); "Correspondência Mário de Andrade & Oswald de Andrade" (IEB-USP; Edusp, 2023); "1923: Os Modernistas Brasileiros em Paris" (Editora Unesp, 2024). Garanta o seu exemplar de "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora" neste link.

.: Uma girafa, um pelicano e um sonho: a fantasia irresistível de Roald Dahl


Com as premiadas ilustrações de Quentin Blake, o livro "A Girafa, o Pelicano e Eu", de Roald Dahl, lançado pela Editora Galera Junior, é uma história divertida reforça o poder da amizade e nunca desistir de seus projetos. O grande sonho do querido Billy é ser dono da loja de doces abandonada A Bomboneria, que fica perto de sua casa. Mas o lugar, que já teve seus anos de glória, agora está abandonado. A tradução é de Paula Di Carvalho.

Tudo muda com a chegada de moradores inusitados: a Girafa, o Pelicano e o Macaco. Juntos, os animais compõem a Empresa de Limpeza de Janelas Sem Escadas, e logo os três se tornam os melhores amigos de Billy. E então, quando surge uma oferta de trabalho irrecusável, o quarteto aceita o desafio na hora: limpar as 677 janelas da mansão do homem mais rico do país. O patrão só não imaginava que a Empresa de Limpeza de Janelas Sem Escadas tivesse um jeitinho especial para deixar tudo bem limpinho. Compre o livro "A Girafa, o Pelicano e Eu" neste link.


Sobre o autor
Roald Dahl foi espião, piloto de caça, historiador do chocolate e inventor médico. Também foi autor de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Matilda", "O BGA: O Bom Gigante Amigo" e muitas outras histórias incríveis.


Sobre o ilustrador
Quentin Blake ilustrou mais de 300 livros e foi o ilustrador favorito de Roald Dahl. Em 1980, ele ganhou o prestigioso Kate Greenway Medal. E, em 1999, tornou-se a primeira pessoa a receber o Children’s Laureate, tendo sido também, em 2013, nomeado cavaleiro pelos seus trabalhos como ilustrador.

.: Dia Mundial do Rock: livro conta histórias que marcaram o rock brasileiro


Fabricio Mazocco, jornalista e pesquisador, está lançando livro inédito que reúne 50 histórias marcantes do rock brasileiro em mais de sete décadas

13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock no Brasil, outros países fazem a celebração em datas diferentes). Mas o que aconteceu no 13 de julho no nosso país para tal comemoração? Nada. Se tivéssemos uma data para marcar o Dia do Rock Brasileiro, poderia ser 24 de outubro, quando, no ano de 1955, Nora Ney gravou o primeiro rock no Brasil, uma versão em inglês de "Rock Around The Clock". Mas também tem o 30 de janeiro de 1957, quando Cauby Peixoto gravou o primeiro rock composto no Brasil, o "Rock'n'Roll em Copacabana". 

Poderia ser 11 de janeiro, data que marcou o início da primeira edição do Hollywood Rock no Brasil, em 1975, e do Rock in Ruio, de 1985. Todos esses fatos estão no  livro "Esse Tal de Rock'n'Roll - 50 Histórias Essenciais do Rock Brasileiro", do jornalista e pesquisador Fabricio Mazocco e publicado pela Editora Máquina de Livros, que está sendo lançado e que traz uma abordagem inédita ao trazer as histórias em formato de contos e causos (mas todos bem reais).

Fabricio Mazocco, que pesquisa o rock brasileiro e é um dos autores da biografia do ex-guitarrista dos Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks, inicialmente identificou quase 500 histórias que poderiam entrar no livro. Para selecionar 50, usou como metodologia a abordagem que transita por todas as décadas, com maior número de artistas e bandas, além de "instituições" e eventos, como o Circo Voador, a Rádio "Maldita" Fluminense, o Teatro Lira Paulistana, o Festival Unificado de Porto Alegre, o Rock in Rio, o Festival de Iacanga, a MTV Brasil, entre tantos outros.  O livro inova ao permitir que o leitor possa ler os capítulos de forma aleatória, como também seguir a ordem cronológica da publicação.

As histórias vão desde a quase demissão de Celly Campello antes do sucesso de "Estúpido Cupido", passando pela Marcha Contra a Guitarra, a expulsão da Rita Lee dos Mutantes por não se "enquadrar" no novo som dos Mutantes, a deportação de Tim Maia, a comunidade dos Novos Baianos, a puxada de tapete no Ritchie, o punk paulistano e de Brasília, o estouro da Blitz,as prisões de Arnaldo Antunes, Lobão e Planet Hemp, a capa da revista que abalou Cazuza, a confusão do show da Legião Urbana, a pandeirada que rolou no Kid Abelha, o Sepultura gravando com os Xavantes, o acidente de Herbert Vianna, o Manifesto Manguebeat, a morte de Chorão, o suicídio de Champignon, até os reencontros dos Titãs, do Barão Vermelho e do Kid Abelha. Também estão lá os mitos e lendas do nosso rock desvendados: é verdade mesmo que Raul Seixas encontrou John Lennon? Serguei teve um caso com Janis Joplin? No livro estão as respostas. O livro está disponível na Amazon e em livrarias e também no formato e-book. Compre neste link.

.: "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé" traz apresentações gratuitas para SP


Uma carroça cenográfica puxada por uma bicicleta, operada por um único artista, transforma o espaço público em um palco de curiosidades, ilusões e descobertas científicas. Foto: Paulo Rapoport

Diretamente do imaginário dos antigos Gabinetes de Curiosidades do século XVI e do realismo mágico da literatura, chega às ruas "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024. Conduzido e operado de forma solo pelo carismático artista Seu Lé, interpretado pelo ator Marcelo Zurawski, este microcirco ambulante acoplado a uma bicicleta viaja pelo espaço e pelo tempo para encantar públicos de todas as idades. As apresentações gratuitas acontecem dia 19 de julho, às 14h00, na Biblioteca de São Paulo, dia 25 de julho, às 16h00, no Parque da Luz, e dia 26 de julho, às 14h00, na Biblioteca Parque Villa-Lobos.

Misturando as linguagens clássicas do circo de rua e do teatro de variedades com o fascinante universo da física e da acústica, o espetáculo apresenta números interativos construídos com aparelhos completamente inusitados. No picadeiro itinerante do Seu Lé, a ciência não é uma matéria de laboratório, mas sim poesia em movimento que ganha vida através da participação ativa dos espectadores.

Nesta temporada de estreia, Seu Lé desafia a lógica dos sentidos e convida o público a interagir diretamente com três invenções extraordinárias. Há o Harmonógrafo: um aparato mecânico que traduz som em imagem, permitindo que a plateia veja a representação gráfica de frequências acústicas desenhadas bem diante dos seus olhos. A Cenoura Sonora: Uma demonstração lúdica de engenhosidade onde uma cenoura comum de feira é escavada ao vivo e transformada em um clarinete perfeitamente afinado e funcional. A Cadeira do Momento Angular: Uma experiência física e sensorial na qual os espectadores são convidados a sentar e sentir no próprio corpo os efeitos invisíveis da conservação do movimento através de um eixo giratório.

Inspirado no lendário cigano Melquíades - personagem de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, que maravilhava a isolada Macondo com imãs, gelo e telescópios -, o espetáculo resgata o papel histórico do circo como o grande difusor das novidades do mundo, democratizando o acesso à cultura e estimulando o pensamento crítico através do riso, do deslumbramento e da curiosidade.


Ficha técnica
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"
Concepção, direção e atuação: Marcelo Zurawski
Concepção e projeto da carroça: Silvia Gandolfi
Música original: Sérgio Zurawski
Construção da carroça: Rosane Gruman e Marcelo Zurawski
Desenvolvimento dos instrumentos científicos: Marcelo Zurawski
Contrarregragem: Anderson Siqueira
Projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024 Produção e Apresentação de Número Circense


Serviço
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"

Espetáculos gratuitos | Indicação: livre -  recomendado para toda a família
Duração: 50 minutos

Biblioteca de São Paulo
dia 19 de julho, domingo, às 14h00
Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Santana

Parque da Luz
dia 25 de julho, sábado, às 16h00
Praça da Luz, s/n - Bom Retiro

Biblioteca Parque Villa-Lobos
26 de julho, domingo, às 14h00
Av. Queiroz Filho, 1205 - Alto de Pinheiros

.: Novo filme "Entrando Numa Fria" muda nome por causa de Ariana Grande


Em resposta aos fãs, Paramount Pictures muda título de filme com Ariana Grande para "Entrando Numa Grande Fria". Com Robert De Niro e Ben Stiller no elenco, quarto filme da franquia de comédia estreia em 26 novembro nos cinemas

Atendendo ao pedido dos fãs, a Paramount Pictures anunciou a atualização do título oficial da nova comédia com a atriz Ariana Grande no Brasil: “Entrando Numa Fria” vira “Entrando Numa Grande Fria”. A mudança faz referência ao sobrenome da artista, que divide o protagonismo do filme ao lado de Robert De Niro e Ben Stiller. 

Neste novo capítulo da franquia, Henry (Skyler Gisondo), filho de Greg (Ben Stiller) e Pam (Teri Polo), se apaixona por Olivia Jones (Ariana Grande), uma mulher que parece não combinar nada com ele. A sequência ainda conta com Owen Wilson, Beanie Feldstein e Blythe Danner no elenco. 

John Hamburg, que produziu “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família”, agora assume a direção e o roteiro do quarto longa. O filme é produzido pela Delirious Media e a Particular Pictures. A distribuição é da Paramount Pictures.

.: "O Solitário" revisita o auge físico e dramático de Belmondo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"O Solitário" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  resgatando um tipo de cinema policial que fez escola na França dos anos 1980, com ação direta, ruas de Paris como cenário e um protagonista que carrega o peso da própria obstinação. Dirigido por Jacques Deray, o longa-metragem marca mais um encontro do cineasta com Jean-Paul Belmondo, parceria que ajudou a consolidar uma vertente popular e musculosa do thriller europeu.

Na trama, Belmondo interpreta Stan Jalard, policial que vê a vida virar do avesso após a execução de um colega durante uma operação. A partir daí, o que se desenha é uma caçada persistente ao responsável pelo crime, o bandido Charly Schneider (Jean-Pierre Malo), que reaparece anos depois, reacendendo uma busca atravessada por violência, corrupção e desgaste emocional. Michel Beaune completa o elenco principal como o comissário Pezzoli, figura que tensiona ainda mais o ambiente policial.

Com roteiro assinado por Jacques Deray, Simon Michaël e Alphonse Boudard, o filme aposta em uma narrativa linear, sustentada pelo carisma físico de Belmondo e por sequências de ação que dispensam dublês sempre que possível. À época das filmagens, o ator já se aproximava dos 55 anos e mantinha a tradição de realizar suas próprias cenas de risco, o que reforçava sua imagem de herói durão e indomável, uma assinatura que o público reconhecia de imediato.

"O Solitário" também evidencia uma mudança de tom na carreira do ator. Longe da leveza irreverente que marcou sua fase na nouvelle vague, Belmondo surge mais rígido, marcado pelo cansaço e por uma solidão que contamina cada decisão do personagem. Essa transição ajuda a entender por que o filme, mesmo com ambição comercial, carrega um subtexto mais amargo, refletindo um policial que já não acredita tanto nas regras que deveria defender.

Curiosamente, a produção chegou a ser comercializada em alguns países como uma espécie de continuação de "O Profissional" (1981), estratégia de mercado que não encontra respaldo na história. Na França, o desempenho nas bilheteiras ficou abaixo do esperado, indicando um certo desgaste desse tipo de narrativa policial naquele momento. Ainda assim, o longa permanece como registro de uma fase em que Belmondo dominava o cinema de ação europeu com presença e energia raras. Com duração enxuta e ritmo constante, "O Solitário" encontra força no embate entre um homem e aquilo que o mantém em movimento: a necessidade de fazer justiça, mesmo quando tudo ao redor parece já ter perdido o sentido.

Ficha técnica
“O Solitário” | "Le Solitaire" (título original)
Gênero: policial, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 18 de março de 1987 (França). Idioma: francês. Direção: Jacques Deray. Roteiro: Jacques Deray, Simon Michaël, Alphonse Boudard. Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean-Pierre Malo, Michel Beaune. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

.: Paula Capovilla entra para o elenco do musical "7 Mulheres e Um Mistério"


Paula Capovilla entra para o elenco da montagem inspirada no clássico francês 8 Femmes. Comédia estrelada por grandes atrizes estreia em 31 de julho no 033 Rooftop. Inspirada na peça do escritor francês Robert Thomas, a montagem musical tem direção de Ricardo Grasson e Heitor Garcia, adaptação e canções originais de Anna Toledo. O projeto integra a programação dos 10 anos do Teatro Santander. Foto: Priscila Prade

A comédia musical "7 Mulheres e Um Mistério - O Musical", de Robert Thomas, primeira adaptação brasileira para o teatro musical da obra 8 Femmes, estreia em 31 de julho, no 033 Rooftop, com uma mudança no elenco. A atriz Paula Capovilla assume o papel que seria interpretado por Alessandra Maestrini, que precisou se afastar do projeto por motivos de saúde. Escrita nos anos 1960, o espetáculo tem adaptação e canções originais de Anna Toledo, direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia e direção musical de Thiago Gimenes. A produção é assinada por Bruna Dornellas e Wesley Telles, da WB Produções. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, e tem patrocínio do Zurich Santander e Laboratório Cristália e apoio da Hyundai e Esfera.

Preservando a tradição de sempre ser interpretada por grandes nomes, o elenco, formado por Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Paula Capovilla, Stella Miranda e Verónica Valentino, dará corpo a uma história repleta de segredos, mistérios e surpresas, envolvendo o público numa trama onde sete mulheres se reúnem para celebrar o Natal - até que um crime inesperado transforma a comemoração em uma investigação repleta de segredos. Presas no mesmo espaço, sem contato com o exterior e desconfiando umas das outras, elas são obrigadas a investigar o mistério… enquanto tentam esconder suas próprias mentiras.

Em 1962, Nathalia Timberg, Suely Franco, Dulcina de Moraes e outras cinco atrizes deram vida à primeira montagem brasileira da obra. Com músicas e composições originais, o espetáculo mantém a essência da trama original protagonizada por grandes atrizes dessa geração. A obra de Robert Thomas é reconhecida como um clássico do suspense policial. O sucesso duradouro revela sua habilidade em criar histórias envolventes que resistem ao tempo. “É uma dramaturgia cheia de detalhes, aguçada, precisa, preciosa. É um texto que lendo hoje, vemos que é mais atual do que nunca. Ele fala sobre as relações humanas, sobre o jogo de poder nas dinâmicas do relacionamento familiar. Eu acho que a vibração, a importância desse texto é essa. Por isso transcende ao tempo, como as grandes obras”, aponta o diretor Ricardo Grasson.

Ainda sobre a atemporalidade, o diretor Heitor Garcia destaca outras pautas presentes na história, como etarismo, papéis de gênero e preconceito na relação entre patrão e funcionários e também bissexualidade. Tudo isso aparece no texto original, que se passa no interior da França nos anos 50. “Vamos revisitar a época em que a história foi escrita, ampliar e observar o quão as questões daquela época ressoam até hoje. A obra distancia essas histórias do realismo fechado da literatura policial, e essa distância é aquela fornecida por um confortável "não leve totalmente a sério", o que nos proporciona como diretores ampliar deliberadamente esse distanciamento autoirônico e aproximar/transformar a história em farsa”.

Responsável pela adaptação e pelas músicas originais, Anna Toledo encarou o desafio de compor para contar a história, usando a música como fio condutor das cenas, a favor de cada interpretação. A escolha pelo tom e pela linguagem também imprimem originalidade ao espetáculo. Na peça francesa, Huit Femmes, de Robert Thomas, existe uma tensão permanente criada pelo confinamento das personagens em um único ambiente, que vai dando vazão a ressentimentos e segredos guardados. “Ao adaptar essa trama para uma comédia musical, eu imaginei que tudo teria que ser exacerbado – os segredos têm que ser bombásticos e as emoções, vulcânicas. Então a música entra para trazer à tona estes sentimentos, virar tudo de ponta cabeça e revelar o que está oculto”, conta.

Tanto a peça original ("Huit Femmes") como as adaptações cinematográficas ("Huit Femmes" e "7 Donne e Um Mistero") foram escritas por homens. Em todas as versões há somente personagens femininos em cena, mas o conflito gira em torno de um único homem: A morte misteriosa do patriarca.  “O desafio que eu mesma me propus foi multiplicar estes conflitos para criar personagens femininos com motivações mais complexas. Neste sentido, o protagonismo feminino não se dá apenas pela presença de atrizes mulheres, mas também pelas ações das personagens, que passam a ser movidas por desejos além da necessidade de validação pela figura masculina”, ressalta Anna Toledo. O espetáculo reúne como produtores associados Bruna Dornellas, Heitor Garcia, Ricardo Grasson e Wesley Telles, profissionais com trajetória consolidada no teatro brasileiro.


O autor, a obra e os prêmios
Robert Thomas foi um escritor, roteirista, diretor e ator francês que ajudou a criar o gênero de comédia suspense. Em 1958, publicou o texto Huit Femmes (8 Mulheres), em 1961 o texto ganhou vida e virou um espetáculo teatral dirigido por Jean Le Poulain, ele também ganhou o Prix du Quai des Orfèvres que premia textos inéditos de mistério policial. A obra de Robert Thomas é reconhecida como um clássico do suspense e do teatro policial. O sucesso duradouro é um testemunho da genialidade de Thomas como dramaturgo e de sua habilidade em criar histórias envolventes que resistem ao teste do tempo.

Em 1971 o espetáculo foi remontado pelo mesmo diretor. Em 2002 o François Ozon lançou a versão cinematográfica da peça, transformando para além do suspense e da comédia um filme musical. O filme ganhou um total de 31 prêmios, entre eles o César e o Urso de Prata. No teatro brasileiro, a primeira encenação do texto 8 Mulheres foi uma montagem da companhia da Dulcina-Odilon, dirigida por Luís de Lima em 1962. O elenco era formado por grandes divas, como Nathalia Timberg, Suely Franco, a própria Dulcina de Moares, Margarida Rey, Maria Fernanda, Maria Sampaio, Iracema de Alencar e Sônia de Moraes.

A peça voltou a ganhar uma adaptação em 2021 pelo cineasta italiano Alessandro Genovesi, que abriu mão do estilo musical e investiu em uma linguagem cinematográfica voltada para uma ambientação de mistério e suspense, e mudou o título da peça para 7 Mulheres e Um Mistério. O longa foi um sucesso na Netflix, sendo o filme de língua não inglesa mais assistido, com 9.89 milhões de horas assistidas.


Sinopse de "7 Mulheres e Um Mistério - O Musical"
Na véspera de Natal, a festa de família é interrompida por um crime misterioso. Presas numa mansão isolada, sete mulheres precisam descobrir o culpado antes que um novo crime aconteça. Entre revelações surpreendentes e segredos de família, todas tem um bom motivo e um péssimo álibi.  Com uma sequência alucinante de confissões absurdas, alianças improváveis e rivalidades hilárias, "7 Mulheres e Um Mistério - O Musical" é uma comédia cheia de reviravoltas, mistérios e personagens tão exagerados quanto irresistíveis.


Ficha técnica
"7 Mulheres e Um Mistério - O Musical"
AUTOR: Robert Thomas.
ADAPTAÇÃO, MÚSICAS E LETRAS: Anna Toledo.
DIREÇÃO ARTÍSTICA: Ricardo Grasson e Heitor Garcia.
DIREÇÃO MUSICAL: Thiago Gimenes.
DIREÇÃO DE MOVIMENTO E COREOGRAFIA: Keila Bueno e Victoria Ariante.
PRODUÇÃO GERAL: Bruna Dornellas e Wesley Telles.
ELENCO: Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Paula Capovilla, Stella Miranda e Verónica Valentino.
SWINGS: Carla Masumoto e Larissa Noel.
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: Andrey Serra e Lucia Rosa.
DESENHO DE SOM: Tocko Michelazzo.
DESENHO DE LUZ: Gabriele Souza.
VISAGISMO: Simone Momo.
FOTOGRAFIAS: Priscila Prade.

EQUIPE MUSICAL:
ARRANJOS: Thiago Gimenes e Tiago Saul.
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO MUSICAL, PIANO E REGÊNCIA: Johnny Mantelato.
COPISTA: Ivan Nascimento.
BAIXO ACÚSTICO: Ingrid.
BATERIA E WASHBOARD: Ramiz Oliveira.

EQUIPE DE CENOGRAFIA:
CENOGRAFIA: Natália Lana.
CENÓGRAFO ASSISTENTE: Matheus Muniz. 
ASSISTENTE DE CENOGRAFIA: Gabriela Calenti.
CENOTECNIA: Casa Malagueta.
COORDENADOR DE CENOTECNIA: Alicio Silva.
PRODUÇÃO DE CENOTECNIA: Joana Pegorari.
SERRALHERIA: Igor B. Gomes, Edras Alexandre, Jeremias Alexandre e André Souza.
MARCENARIA: Deoclécio Alexandre, Shampzss, Leandro Aleixo, Kelvin Costa e Chris Oliveira.
PINTURA E ADEREÇOS: Danndhara Shoyama, Beatriz Leandro, Gonzalo Dourado, Felgas e Thamyris Soares.
COSTUREIRA: Julia Leandro e Jess Almeida.

EQUIPE DE FIGURINO:
FIGURINISTA: Ligia Rocha.
ASSISTENTE DE FIGURINO: Acrides.
COSTURA: O Atelier e Studio JhonC.
CALÇADOS: Calçados Porto Free.

EQUIPE DE PRODUÇÃO:
GERENTE DE PRODUÇÃO: Deivid Andrade.
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Clarice Coelho.
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Guilherme Balestrero e Hadassah Wengler.

EQUIPE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING:
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: Bárbara Kuster.
DESIGNER GRÁFICO: Alana Karralrey, Jhon Lucas Paes e Natália Farias.
SOCIAL MEDIA: Luis Mousinho.
GESTÃO DE TRÁFEGO: Válvula Marketing.
GESTÃO DE MÍDIA: Tathiana de Puglia.

EQUIPE TÉCNICA:
DIREÇÃO DE PALCO E STAGE MANAGER: Tatah Cerquinho
TÉCNICA DE SOM: Maria Lia.
TÉCNICA DE LUZ: Carol Dourado.
CONTRARREGRAS: Adriana Oliveira e Anderson Assis.
MICROFONISTA: Carolina Delfino.
CAMAREIRA: Luciana Galvão.
PERUQUEIRA: Milena Santos.
COPEIRA: Eliana Dourado.
INTÉRPRETE DE LIBRAS: Karina Zonzini.

STAFF GERAL:
BUFFET: Edith Eventos.
CARREGADORES: Peso Carregadores.
TÉCNICOS MONTADORES: Marcos Carvalho e Peter Silva.
LIMPEZA: DR Serviços.
RECEPCIONISTAS: Lord Eventos.

ASSESSORIAS E ADMINISTRAÇÃO:
COORDENAÇÃO ADMINISTRATIVA: Vianapole Arte e Comunicação.
ASSESSORIA JURÍDICA: Maia, Benincá & Miranda Advocacia.
ASSESSORIA CONTÁBIL: Gavacon Contabilidade.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.

EQUIPE DO TEATRO:
HEAD SÊNIOR DE EXPERIÊNCIA, CULTURA E SOCIAL E PRESIDENTE DO SANTANDER CULTURAL: Bibiana Berg.
HEAD DE EXPERIÊNCIA E CULTURA E DIRETOR DO SANTANDER CULTURAL: Marcelo Demetrius.
GERENTE DE OPERAÇÕES E PRODUÇÃO: Rodolfo Costa.
GERENTE DE INFRAESTRUTURA: Alessandro Mariano.
COORDENADORA DE PRODUÇÃO: Kika Queiroz.
COORDENADOR DE PRODUÇÃO TÉCNICA: Anderson Hayashi.
COORDENADORA COMERCIAL: Renata Hassid.
COORDENADORA ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO: Sueli Pereira.
SUPERVISOR DE OPERAÇÃO: Luciana Viana e Henrique Albuquerque.
SUPERVISOR TÉCNICO: Alberto dos Santos.
SUPERVISOR DE INFRAESTRUTURA: Nathaly Barros.
EQUIPE DE PRODUÇÃO: Fernando Pereira, Peterson Souza e Sueli Santiago.
EQUIPE TÉCNICA: Carlos Eduardo, Gerson Santos e Paulo Mendes.
EQUIPE DE MANUTENÇÃO: Claudio Souto, Jonathan Rosa, José Flavio e Ricardo Vieira.
EXECUTIVA DE VENDAS: Roberta Pezzano.
ASSISTENTE DE MARKETING: Camilla Oliveira.
ASSISTENTE ADMINISTRATIVO: Dayane dos Santos.
IDEALIZAÇÃO: Nosso Cultural e Francisco Antonelli.
PRODUTORES ASSOCIADOS: Bruna Dornellas, Heitor Garcia, Ricardo Grasson e Wesley Telles.
APRESENTADO POR: Ministério da Cultura e Santander
PATROCÍNIO: Laboratório Cristália
APOIO: Hyundai Financiamentos e Esfera
CORREALIZAÇÃO: WB Produções.
REALIZAÇÃO: Nosso Cultural.0

Serviço:
"7 Mulheres e Um Mistério - O Musical"
Temporada: 31 de julho a 4 de outubro de 2026.
Sextas, às 20h00. Sábados, às 16h00 e 20h00. Domingos, às 15h00 e 19h00.

Ingressos:
MESA PREMIUM: R$ 300,00 inteira e R$ 150,00 meia-entrada
PLATEIA SOFÁ: R$ 250,00 inteira e R$ 125,00 meia-entrada
PLATEIA: R$ 200,00 inteira e R$ 100,00 meia-entrada
PLATEIA POPULAR: R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia-entrada
Vendas: sympla.com.br ou bilheteria do Teatro Santander
Duração: 120 minutos (com intervalo de 15 minutos)
Classificação etária: 14 anos.
Local: 033 Rooftop
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Vila Nova Conceição, São Paulo - SP
Capacidade: 388 lugares.
Acessibilidade: Temos produtor/instrutor para atendimento acessível em caso de necessidade. Espaço acessível para cadeirantes. Programa em braile. Intérprete de libras sempre nas sessões de domingo, 15h00.

.: "A Guerra das Bichas", romance do polemista Copi, ganha edição brasileira


Em um mundo em que os conflitos do século XX não foram resolvidos, mas apenas varridos para debaixo do tapete, "A Guerra das Bichas", romance do argentino Raúl Damonte Botana, conhecido como Copi, volta à tona com seu tom incômodo, violento e com um senso de humor inegável. Se as pessoas pensam que o fim está perto, como se a extinção da humanidade implicasse também no ponto final do planeta, o melhor talvez seja rir de todos os absurdos à nossa frente.O que leva ao começo de uma guerra? Diante dos noticiários atuais todos têm as próprias respostas e Copi também carrega as dele, e elas acabam colidindo neste livro.

Lançado originalmente em 1982, "A Guerra das Bichas" só agora ganha edição no Brasil, pela Editora Ercolano. De terras brasileiras e com planos de dominação intergalática chegam à França a travesti intersexo Conceïçâo do Mundô e o temerário boyceta Viniciô da Luná. Mas, antes de conquistarem o mundo, eles precisam tomar de assalto a vie en rose da classe média gay e branca parisiense. A guerra das bichas revela-se, ao mesmo tempo, uma obra de ficção científica, uma história de amor (ou do que fazer com o que resta do amor) e uma sátira fulminante dos nossos tempos. E, claro, uma fábula sem pé nem cabeça, mas com plumas de pavão. O livro tem tradução de Régis Mikail, projeto gráfico de Estúdio Margem e design de Tereza Bettinardi.

O romance é ainda uma chance de enfim as pessoas enquadrarem Copi no melhor da literatura fantástica da América Latina. Afinal, essa é uma espécie de Jornada nas estrelas queer, que mistura discos voadores e amazonas em fúria e conta até com “pontas” de Michel Foucault e Marguerite Duras, assassinados numa cozinha. Como explica a escritora e pesquisadora Amara Moira, consultora de linguagem da tradução brasileira, na orelha do livro: “Tudo é nonsense à primeira vista, mas tais cenas também brincam com os estereótipos e fantasias que o Norte Global criou em relação às nossas travestis. Impossível não lembrar de Viagem ao Brasil (1557), de Hans Staden, obra também conhecida como descrição verdadeira de um país de selvagens nus, ferozes e canibais, situado no Novo Mundo América: a diferença é que agora essas figuras estão levando sua barbárie à própria Europa”.

Falecido em 1987, aos 48 anos, em decorrência da aids, Copi tem sido publicado de forma dispersa no Brasil. A guerra das bichas é uma chance singular de os leitores brasileiros conhecerem um talento único da geração do pós-boom latino-americano. Compre o livro "A Guerra das Bichas", de Copi, neste link.
 
Sobre o autor
Raúl Damonte Botana (1939–1987), conhecido simplesmente como Copi, foi um escritor, dramaturgo, romancista e cartunista argentino radicado na França. Tornou-se uma figura central da cena contracultural francesa a partir dos anos 1960, reconhecido por seu humor absurdo e por sua linguagem provocadora. Na literatura e no teatro, Copi desenvolveu uma obra transgressora. Entre seus livros mais conhecidos estão os romances A internacional argentina (1988), O uruguaio (1973), A vida é um tango e A guerra das bichas (1982), além de peças fundamentais como Eva Perón (1970), sátira feroz sobre a figura da líder argentina que escandalizou parte do público à época. É considerado um dos autores mais originais da literatura argentina do século XX e uma figura fundamental da cultura queer e experimental latino-americana. Garanta o seu exemplar de "A Guerra das Bichas", de Copi, neste link.

.: Peça inspirada em livros de Édouard Louis segue em cartaz no Teatro Faap


Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e de Marcelo Grabowsky, espetáculo foi criado a partir de três livros do francês Édouard Louis, um fenômeno da literatura mundial. Foto: Elisa Mendes

Indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias de melhores direção, ator protagonista e direção de movimento depois de grande sucesso na capital carioca, "Eddy – Violência & Metamorfose" segue em temporada no Teatro FAAP até dia 6 de agosto, com sessões de terça a quinta-feira, às 20h00. O espetáculo tem direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky e traz no elenco João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro. A montagem reúne três contundentes obras - “O Fim de Eddy”, “História da Violência” e “Mudar: Método” - do premiado autor francês Édouard Louis, traçando um panorama ampliado da sua trajetória. Vale mencionar que o trabalho teve o aval caloroso do próprio autor: “É a primeira vez que uma proposta assim foi realizada no mundo”, diz Louis, que já teve seus livros levados à cena em diferentes países.

O espetáculo, que aborda temas urgentes como violência de classe, de gênero e sexual, homofobia, machismo e xenofobia, dá continuidade à pesquisa da Polifônica a respeito da violência e da dominação masculina nas relações humanas e suas devastadoras consequências. A montagem gira em torno de um episódio real vivido por Édouard Louis no Natal de 2012, em Paris. Após um jantar com amigos, ao voltar para casa, o escritor é abordado por um jovem de origem argelina, chamado Redá, e, então, os dois seguem para o apartamento do escritor. Mas, após uma noite de amor, na manhã seguinte, Édouard é violentado por este homem e quase assassinado. 

O episódio traumático, elaborado na obra “História da Violência”, dá início a uma jornada reflexiva e de elaboração a respeito das estruturas sociais que viabilizam a produção, a reprodução e a circulação da violência em nossas sociedades. Um ano após o terrível episódio, após lidar com uma série de procedimentos médicos, policiais e jurídicos relacionados ao caso, Édouard inicia uma viagem de retorno à sua cidade natal. Ele hospeda-se na casa da sua irmã, Clara, e é a partir deste reencontro que se inicia um jogo de relatos, de narrativas e de representações que reconstituem e investigam o ocorrido naquela noite, em que vêm à tona uma pluralidade de questionamentos e de reflexões acerca do machismo, do racismo e da homofobia enraizadas na nossa sociedade. 

Ao longo do espetáculo, a narrativa de “História da Violência” também é atravessada por trechos de “O Fim de Eddy” e culmina na recriação de fragmentos de “Mudar: Mtodo”, obra em que Édouard reconta sua trajetória de emancipação social e intelectual, desde a saída da sua cidade natal, Hallencourt, até a sua chegada e estabelecimento em Paris. “Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão; sobre como isso produz danos nos mais diferentes corpos — humanos, além de humanos e de toda a Terra —, mas, principalmente, em tudo aquilo que se aproxima ou é identificado como feminino”, elabora o diretor Luiz Felipe Reis.

“Meu interesse pela obra do Édouard surge como desdobramento dessa investigação contínua que venho realizando sobre diferentes modos de violência, sobretudo os que constituem o mundo masculino - seu ethos e psiquismo, as regras e normas das sociedades patriarcais e, sobretudo, do regime totalitário do capital sob o qual estamos todos subjugados. Édouard reflete e escreve sobre violência social, política, econômica, cultural, racial, sexual, de gênero, ou seja, sobre inúmeras formas de produção e de circulação da violência, sobre todo um circuito de violência que rege nossos comportamentos e pensamentos, sociais e individuais. Em outras palavras, Édouard descreve com precisão iluminadora os efeitos devastadores das forças de opressão e de destruição que constituem a nós e nossas sociedades contemporâneas ”, acrescenta.

O cineasta Marcelo Grabowsky, que já havia colaborado com a Polifônica no espetáculo “Amor em Dois Atos”, foi convidado para retomar sua parceria com o grupo, coassinado a direção e a dramaturgia de “Eddy - Violência e Metamorfose”, ao lado de Luiz Felipe Reis.“Admiro muito a forma como a companhia enxerga a cena teatral e propõe esse cruzamento de linguagens. Adaptar a obra do Édouard para o palco encontra a importância de encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena. Mesmo com o avanço e a legitimação de muitas vozes LGBTQIAP+ no Brasil, o conservadorismo e o preconceito insistem em revelar e exercer a sua violência. Édouard elabora de uma forma instigante seu olhar sobre a violência, encarando sua complexidade, e questionando sua origem. Consegue transformar suas próprias experiências, por mais duras que possam ser, em literatura, em arte, para alcançarem e sensibilizarem outras pessoas”, analisa Grabowsky.

"Eddy" também dá sequência à pesquisa estética da Polifônica acerca da noção de polifonia cênica, em que busca estabelecer uma relação criativa e não hierárquica entre o teatro e diferentes linguagens e formas de arte, como o cinema, a literatura e o som - pesquisa elaborada desde o primeiro espetáculo da companhia, “Estamos Indo Embora…” (2015), assim como em todos os trabalhos subsequentes: “Amor em Dois Atos” (2016), “Galáxias” (2018), “Tudo Que Brilha no Escuro” (2020), “Vista” (2023) e “Deserto” (2024) - esse último em cartaz atualmente no Teatro Poeira, com temporada prorrogada até agosto, devido ao sucesso, e indicações ao Prêmio APTR para Melhor Dramaturgia, Direção e Ator. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Sinopse de “Eddy - Violência & Metamorfose”
“Eddy - Violência & Metamorfose”é um espetáculo baseado em três obras do escritor francês Édouard Louis: “O Fim de Eddy”“História da Violência” e “Mudar: Método”. Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, o elenco conta com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro. Indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias Melhor Direção, Melhor Ator Protagonista e Melhor Direção de Movimento, “EDDY” aborda temas urgentes como violência sexual, homofobia, xenofobia, machismo e dominação masculina, a partir de um episódio real vivido pelo autor em Paris no Natal de 2012. Com esta imersão na obra de Édouard Louis a Polifônica dá sequência a uma pesquisa continuada, desenvolvida ao longo da última década, a respeito da violência e da dominação masculina nas relações humanas e suas múltiplas consequências. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Sobre Édouard Louis
Édouard Louis, nascido Eddy Bellegueule, em 1992, na região operária da Picardia, norte da França, é um dos principais nomes da literatura contemporânea europeia. Formado em sociologia pela École Normale Supérieure, foi aluno do filósofo e sociólogo Didier Eribon, cuja influência transparece em sua obra. Estreou em 2014 com “Para Acabar com Eddy Bellegueule, uma narrativa autobiográfica que retrata a infância marcada pela pobreza, homofobia e violência familiar. Em 2016, publicou “História da Violência”, um relato intenso sobre o estupro que sofreu e seus desdobramentos psicológicos e sociais. Em 2018, lançou “Quem Matou Meu Pai”, uma denúncia comovente sobre as consequências das políticas neoliberais no corpo e no destino de seu pai operário.

Já em 2021, publicou “Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher”, focando na trajetória de sua mãe, uma mulher que tenta romper com as amarras da submissão patriarcal. Os livros de Louis têm sido traduzidos para dezenas de idiomas e amplamente debatidos por seu teor político e sua fusão entre experiência pessoal e crítica social. Seus temas centrais - identidade, exclusão social, sexualidade, violência e desigualdade - conferem à sua obra um caráter profundamente político e transformador. Embora jovem, já recebeu reconhecimento significativo, como o Prêmio Pierre Guénin Contra a Homofobia (2014), e teve suas obras adaptadas para o teatro e analisadas em meios acadêmicos. Sua escrita, marcada por uma linguagem direta e sem ornamentos, faz da dor um ponto de partida para repensar as estruturas sociais que moldam e limitam as vidas marginalizadas. Compre os livros de Édouard Louis neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Eddy - Violência & Metamorfose"
Idealização, produção e realização: Polifônica (Luiz Felipe Reis e Julia Lund)
Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky com João Côrtes, Julia Lund, Erom Cordeiro
A partir das obras de Édouard Louis - “O Fim de Eddy”, “História da Violência”, “Mudar: Método”
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto
Preparação corporal: Alexandre Maia
Cenografia: André Sanches
Assistente de cenografia: Débora Cancio e Nicole Suzana Santos da Silva
Direção de tecnologia: Julio Parente (Para Raio)
Iluminação: Julio Parente (Para Raio)
Figurino: Antônio Guedes
Assistente de figurino: Mari Ribeiro
Criação de vídeo: Daniel Wierman
Trilha sonora: Luiz Felipe Reis
Direção musical: Carol Mathias
Produção musical: Pedro Sodré
Técnico de luz: Rodrigo Lopes e Gabriel Lagoas
Operador de luz e vídeo: Rodrigo Lopes
Técnico-operador de som: Joy Espindola
Hair stylist: Salão Ará
Make: Sabrina Sanm
Fotografia de estúdio: Renato Pagliacci
Identidade visual: Guilherme Falcão
Assessoria de comunicação: Pombo Correio
Direção de produção: Luiz Felipe Reis e Julia Lund (Polifônica)
Produtor associado: Sérgio Saboya (Galharufa)
Produção executiva: Roberta Dias (Caroteno Produções)


Serviço
Espetáculo "Eddy - Violência & Metamorfose"
Temporada: até dia 6 de agosto de 2026
Terças, quartas e quintas-feiras, às 20h00
Teatro FAAP - Rua Alagoas, 903, Higienópolis / São Paulo 
Ingressos: R$ 130,00 (inteira) e R$ 65,00 (meia-entrada)
Bilheteria: de quarta a sábado, das 14h00 às 20h00, e domingo, das 14h00 às 17h00. Durante os dias de espetáculo, até o início da apresentação
Duração: 110 minutos
Classificação: 18 anos
Capacidade: 477 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Quintas de luta e cinema: a coleção Bruce Lee em foco na Reserva Imovision


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Toda quinta-feira, o público tem encontro marcado com um verdadeiro ritual cinematográfico: a revisitação de um clássico essencial da Coleção Bruce Lee. A programação, em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision, abre com "O Dragão Chinês" e percorre uma sequência de títulos que não apenas marcaram época, mas ajudaram a redefinir o cinema de ação no mundo, como "A Fúria do Dragão", "O Voo do Dragão" - dirigido pelo próprio Bruce Lee - e os eletrizantes "Jogo da Morte" I e II. A estreia no streaming é uma oportunidade rara de acompanhar, em ordem, a construção de um mito e a consolidação de uma linguagem que influenciaria gerações.

Mas a experiência não se limita à força física ou à precisão coreográfica. Há também um componente sensorial que amplia o impacto dessas obras. Em "O Dragão Chinês", por exemplo, uma curiosidade que atravessa décadas chama a atenção dos mais atentos: em algumas versões do filme, é possível identificar trechos de músicas da banda Pink Floyd inseridos de forma não creditada na trilha sonora. Um detalhe quase clandestino, que revela tanto sobre práticas da época quanto sobre o diálogo inesperado entre culturas e que adiciona uma camada ainda mais fascinante à experiência.

Testemunhar "O Dragão Chinês", filme que abre a Mostra na Reserva Imovision, é assistir ao nascimento de uma lenda. Dirigido por Wei Lo e Chia-Hsiang Wu, o longa-metragem apresenta ao mundo a presença magnética de Bruce Lee em sua primeira grande atuação como protagonista. Na trama, Cheng é um jovem que tenta honrar um juramento de não violência, até ser empurrado ao limite ao descobrir uma rede criminosa infiltrada em uma fábrica de gelo na Tailândia. O que se segue é uma explosão de intensidade: golpes secos, movimentos milimetricamente coreografados e uma energia crua que atravessa a tela. Ali, mais do que um filme, nasce um novo código para o cinema de ação — direto, visceral e absolutamente inesquecível. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
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.: Últimas apresentações de "Nocaute", inspirado no boxe e em Muhammad Ali


Com texto de Ronaldo Fernandes e direção de Helena Cardoso, o espetáculo aborda os afetos interditos de uma masculinidade negra em ruínas. Foto: Noelia Nájera

Referência por expressar a complexidade da identidade negra, a figura do lendário pugilista estadunidense Muhammad Ali (1942-2016) inspira a criação da peça "Nocaute", idealizada e estrelada por Felippe Salve e Ronaldo Fernandes. O espetáculo da Cia. Trilha de Teatro, dirigido por Helena Cardoso, está com as últimas apresentações em cartaz no Sesc Pinheiros, de quinta a sábado, às 20h30, até dia 11 de julho. Inspirado nas linguagens do boxe e do teatro contemporâneo, "Nocaute" é um duelo à espera de um jantar, entre o que se sente e o que se cala. Trata-se de um espetáculo que aborda masculinidades em colapso, sentimentos reprimidos e a coragem de permanecer em pé mesmo depois do último soco.

O projeto nasce do desejo de Felippe Salve e Ronaldo Fernandes de investigar a poética do "quase", esse território de incompletudes onde desejos, afetos e decisões permanecem em suspenso. “Nossa vontade era compreender o que nos impede de avançar. O trabalho surge desse olhar para as nossas próprias fragilidades que se depararam, inevitavelmente, com a masculinidade de dois homens pretos, e para o vazio que, muitas vezes, atravessa as nossas vivências”, afirma Ronaldo Fernandes.

Nesse percurso, a trajetória de Muhammad Ali surge como referência de força e deslocamento. “Ali nos ensinou que o afeto é um gesto político. Para nós, esta peça é sobre ter a coragem de ser vulnerável e reivindicar o amor que, historicamente, nos foi negado por um mundo que sempre tentou nos endurecer”, completa Felippe. Caio e Miguel, dois homens negros, encontram nessa figura masculina e na trajetória histórica do boxeador uma possibilidade de se reconhecerem plenamente em seus desejos, em suas sexualidades e na forma como vivenciam a homoafetividade.

Muhammad Ali foi mais do que um boxeador lendário; seu impacto na comunidade preta, especialmente em relação à masculinidade, é profundo e significativo. “A referência a essa figura inspira a criação não apenas de uma história de luta e superação, mas também de uma ode à resiliência e a busca pela identidade. É também uma forma de explorar a complexidade da identidade negra e da auto aceitação desses personagens”, cita Ronaldo Fernandes, autor do texto.


Sobre o olhar da direção
Uma das fundadoras do coletivo teatral A Digna, Helena Cardoso estreia na direção com "Nocaute". “Discutimos muito como, em nossa sociedade, às pessoas criadas como homens não é oferecido um espaço de comunicação e conexão com os próprios sentimentos”, relata a diretora. Reunindo referências estéticas e um olhar sobre o corpo do ator, marcas presentes em sua trajetória artística, Helena continua: “Logo na primeira cena, eles apresentam máscaras que vão se desmontando, deixando a fragilidade interna vir à tona. Esses trabalhos têm como elemento central o corpo dos atores e um elemento de cenografia que os ativa”, afirma.

O processo corporal, conduzido por Helena em parceria com a diretora de movimento Ana Vitória Bella, foi intenso para a construção narrativa: “Foi um trabalho para que os atores pudessem contar a história através de seus corpos”. Esse eixo se articula a outros elementos fundamentais da cena. “A presença do músico Gustavo Bento é outro ponto importante, com composições criadas a partir dos ritmos que desenvolvemos”, destaca Helena. E continua: “Os figurinos de Rogério Romualdo dialogam com referências de Muhammad Ali nos anos 1970, enquanto o cenário de Caio Marinho e a luz de Letícia Nanni foram pensados de uma maneira conjunta, nos ajudando a mostrar os contornos sociais que esses corpos foram tomando, não só pelas questões da masculinidade, mas também da pretitude”.


Sobre a Cia. Trilha de Teatro
A Cia. Trilha de Teatro é um coletivo com mais de 23 anos de trajetória. Atualmente segue em cartaz com “O Plano” – Espetáculo que mostra que a abolição da escravatura foi uma conquista, um plano e “Benjamim: O Filho da Felicidade”, espetáculo que conta um recorte da trajetória do Benjamin de Oliveira, primeiro palhaço negro do Brasil. O espetáculo estreou em 2018 dentro do projeto “Manufatura de Monólogos” produzido pelo SESC Santos e com participação no 5º Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas.

Entre as produções do coletivo estão “Amâncio”, espetáculo criado durante a pandemia com quatro temporadas transmitidas via plataforma zoom e selecionado para o Festkaos, Fescete, Festival Cena Barbara, Cia Cênica-Mostra Resistência, “[A]Gente”, espetáculo protagonizado pela atriz Fábia Mirassos, “Meu Deus...” e “Nó Na Garganta” produzido em parceria com o Grupo de Teatro Tescom, “Algumas histórias” com a Cia da Solitude, vencedor do Prêmio PROAC, “Fragmentos”, “Femininas – Um Espetáculo Musical” também vencedor do Prêmio PROAC e O Pássaro do Poente, de Carlos Alberto Soffredini.


Ficha técnica
Espetáculo "Nocaute"
Idealização: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Dramaturgia: Ronaldo Fernandes
Direção: Helena Cardoso
Elenco: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Músico e produtor musical: Gustavo Souza
Direção de movimento: Ana Vitória Bella
Cenografia: Caio Marinho
Figurino: Rogério Romualdo
Desenho de luz: Letícia Nanni
Assistente técnica de luz: Isabel Violante
Produção: Cia Trilha de Teatro 
Coordenação de produção: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes 
Produção executiva: Thais Cabral
Técnico de som: Fabiano Kari
Cenotécnico: Gustavo Lara
Fotos: Noelia Nájera
Redes sociais: Celso Bandarra 
Designer gráfica: Keila Gondim
Filmagem: Rodrigo Portela 


Serviço
Espetáculo "Nocaute", com Cia. Trilha de Teatro 
Temporada: até dia 11 de julho de 2026
Quinta a sábado, às 20h30.
Dia 10 de julho, sessões às 16h00 e às 20h30.
Local: Sesc Pinheiros - Auditório
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena) Vendas on-line em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Capacidade: 100 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira: 10h00 às 22h00. Sábados: 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: "Os Anarquistas" resgata fúria política e expõe dilemas de uma geração


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"Os Anarquistas" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte para ajudar a entender de onde veio parte da força do cinema sul-coreano que, anos depois, conquistaria o mundo. Dirigido por Yu Young-sik e com roteiro assinado por Park Chan-wook, o longa-metragem lançado no ano 2000 mergulha na Xangai dos anos 1920 para acompanhar um grupo de jovens coreanos dispostos a tudo contra a ocupação japonesa.

A narrativa se constrói a partir do olhar de Sang-gu, o mais jovem entre os revolucionários, que relembra sua entrada na célula anarquista e o aprendizado brutal de uma militância feita de atentados, assaltos e perdas sucessivas. Interpretado por Kim In-kwon, o personagem funciona como ponte entre o espectador e um grupo vivido por nomes que se tornariam gigantes do cinema asiático, como Jang Dong-gun, Kim Sang-jung e Jeong Jun-ho.

Há um cuidado visual que chama atenção já de início: a fotografia aposta em sombras densas, fumaça e uma iluminação que flerta com o expressionismo, enquanto as sequências de ação evocam o cinema de Hong Kong e o chamado “heroic bloodshed”, um subgênero do cinema de ação surgido em Hong Kong nos anos 1980, marcado por violência estilizada aliada a forte carga dramática. Popularizado por diretores como John Woo, traz protagonistas geralmente anti-heróis envolvidos em conflitos morais, com histórias que valorizam lealdade, amizade e sacrifício. As cenas de ação são coreografadas, com câmera lenta e tiroteios intensos, enquanto a narrativa costuma conduzir a desfechos trágicos ou melancólicos. A encenação acompanha o desgaste emocional dos personagens, que veem seus ideais se chocarem com a realidade de uma luta sem garantias.

"Os Anarquistas" também carrega um peso histórico relevante. Inspirado, ainda que livremente, em movimentos de resistência coreanos durante o domínio japonês, o filme foi a primeira coprodução entre Coreia do Sul e China, com filmagens realizadas em locações de Xangai e arredores. A reconstrução de época evita o artificial e aposta em cenários amplos e figurinos detalhados, resultado de uma colaboração com equipes locais experientes.

Lançado antes da explosão global do cinema coreano, o longa-metragem acabou ganhando outra dimensão com o passar dos anos. Revisto hoje, funciona como registro de uma geração de artistas que redefiniria a indústria, além de revelar um Park Chan-wook ainda em processo de afirmação como roteirista, pouco antes de dirigir títulos que se tornariam cultuados mundialmente. A luta política se mistura à amizade, à desconfiança e ao desgaste de quem passa a viver no limite. A trajetória do grupo aponta para um destino inevitável, conduzido por escolhas que cobram um preço alto demais.


Ficha técnica
"Os Anarquistas" | "The Anarchists" (título original)
Gênero: drama, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2000. Data de lançamento: 29 de abril de 2000. Idioma: coreano. Direção: Yu Young-sik. Roteiro: Park Chan-wook, Lee Moo-young, Bangnidamae. Elenco: Jang Dong-gun, Kim Sang-jung, Jeong Jun-ho, Lee Beom-soo, Kim In-kwon, Ye Ji-won. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.
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