Em “Nascer É Uma Catástrofe”, o escritor Vinicius Damasceno coloca o leitor diante de uma pergunta incômoda: quanto de uma trajetória é escolha - e quanto já estava determinado pelas condições de nascimento? Protagonizada por Igor, a narrativa percorre perdas, afetos, conflitos e decisões difíceis em uma realidade urbana na qual oportunidades não são distribuídas de forma igual. Pobreza, abandono, violência e sistema prisional aparecem não como cenário decorativo, mas como forças que atravessam a formação do personagem.
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terça-feira, 21 de julho de 2026
.: "Nascer É Uma Catástrofe" transforma dores invisíveis em reflexão social
Em “Nascer É Uma Catástrofe”, o escritor Vinicius Damasceno coloca o leitor diante de uma pergunta incômoda: quanto de uma trajetória é escolha - e quanto já estava determinado pelas condições de nascimento? Protagonizada por Igor, a narrativa percorre perdas, afetos, conflitos e decisões difíceis em uma realidade urbana na qual oportunidades não são distribuídas de forma igual. Pobreza, abandono, violência e sistema prisional aparecem não como cenário decorativo, mas como forças que atravessam a formação do personagem.
.: Thunderbird homenageia Júpiter Maçã em shows gratuitos nos dias 25 e 26
Serviço
segunda-feira, 20 de julho de 2026
.: Ana Paula Tavares vem à Flip para lançar "O Sangue da Buganvília"
Atração oficial da Flip 2026, escritora angolana conquistou o Prêmio Camões de Literatura em 2025 e publica novo livro no Brasil. Foto: divulgação
Nem tudo o que um povo sabe cabe nos livros. Parte desse conhecimento vive nas histórias contadas pelos mais velhos, nas palavras da língua materna, nos provérbios, nas receitas, nos gestos e na maneira de olhar o mundo. É desse saber coletivo que nasce "O Sangue da Buganvília", lançado pela Pallas Editora, novo livro da escritora angolana Ana Paula Tavares, 73 anos. Reunindo mais de 70 crônicas, a vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2025 aproxima poesia, história e tradição oral para mostrar como uma cultura continua sendo transmitida entre gerações.
Publicados originalmente na década de 1990 para a RDP África e agora reunidos em livro, os textos percorrem assuntos como língua, patrimônio, tradição oral, guerra, infância, culinária e literatura. Mas o que une essas crônicas é, sobretudo, o olhar da Ana Paula. Historiadora e antropóloga de formação, ela encontra nas pequenas experiências do cotidiano um caminho para entender Angola de um modo abrangente, sem separar o íntimo do coletivo nem a poesia da História.
Ana Paula virá ao Brasil na próxima semana para se juntar à constelação de escritores na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2026. No sábado, 25 de julho, às 15h00, a escritora vai brilhar na mesa 'O boi é só. O boi é só. O boi', na qual conversará com o público presente sobre a sua carreira na literatura e a sua poesia, ambas marcadas pela história de Angola e da luta pela emancipação feminina. Falará também a respeito da sua ligação com o Brasil, a partir dos laços que unem os dois países.
Nas crônicas deste livro, um provérbio pode dialogar com Virginia Woolf (1882-1941), uma receita tem o poder de revelar tanto sobre um povo quanto um documento de arquivo e uma buganvília é capaz de explicar melhor um país do que qualquer estatística. Em suas páginas, a tradição oral e as vozes dos que chegaram antes deixam de ocupar um lugar periférico para assumir o centro da narrativa. É ali que a autora encontra aquilo que mais a interessa: as formas pelas quais uma cultura continua viva.
Para além de recordar o passado, Ana Paula escreve como quem recebe uma história para passar adiante. A sua literatura recusa a ideia de que a história de um país possa ser contada apenas pelos grandes acontecimentos, aqueles que saem no jornal. Ela também está na língua materna, nos mercados, nas árvores, nos objetos cotidianos, nas mulheres que preservam saberes ancestrais e nas histórias que circulam de uma geração à outra.
Não por acaso, a planta dá nome ao livro. Na crônica que inspira o título, a buganvília floresce apesar do vento, da seca e do tempo. A imagem costura silenciosamente toda a obra e acaba se confundindo com a própria escrita de Ana Paula Tavares, que insiste em florescer onde muitos enxergariam apenas ruínas. Pela Pallas, Ana Paula já publicou "Amargo como os Frutos - Poesia Reunida" (2010) e participou de "Verbetes para Um Dicionário Afetivo" (2021), ao lado de Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção. Agora é a vez de "O Sangue da Buganvília", que confirma algo que a autora vem construindo há décadas: escrever também pode ser uma forma de cuidar. Cuidar das palavras, da memória e das pessoas que fazem a História existir antes mesmo de chegar aos livros. Compre o livro "O Sangue da Buganvília" neste link.
.: Plácido Berci aborda saúde mental, relações familiares e envelhecimento
O jornalista e escritor Plácido Berci lança seu primeiro romance ficcional, “Louca Normalidade”, pela editora Mondru. A obra mergulha em temas profundos como saúde mental, laços familiares e a passagem do tempo, narrando a história de Francisco Solano, um jornalista investigativo aposentado com um quadro psiquiátrico misterioso que, após sofrer um AVC, passa a registrar tudo em blocos de notas para preservar sua memória.
A trama ganha contornos de mistério quando Francisco acorda com uma anotação enigmática sobre uma mulher, uma praia e uma sequência de letras e números. Entre flashbacks, sonhos e investigações solitárias, o protagonista tenta decifrar se testemunhou um crime ou se sua mente fragilizada criou realidades paralelas. A narrativa alterna entre a terceira pessoa e as anotações íntimas de Francisco, recurso que aproxima o leitor do confuso universo mental do personagem. “Meu objetivo foi gerar reflexão sobre o preconceito em relação a quem é visto como fora dos padrões por questões ligadas à saúde mental”, comenta Plácido.
Inspirado na figura de seu pai, Pedro Berci Filho, o autor começou a escrever o livro em 2018, observando o hábito paterno de anotar tudo após um AVC. “O personagem principal, Francisco Solano, é praticamente todo inspirado no meu pai, fisicamente e, principalmente, em termos de comportamento e personalidade”, revela. A morte do pai durante o processo de escrita acrescentou novas camadas emocionais à obra, tornando-a também um exercício de luto e elaboração.
“É uma história sobre reflexão, aceitação e libertação; para o personagem, para o autor e, porque não, para o meu pai também”, define. Com cinco anos de escrita e mais dois até a publicação, “Louca Normalidade” dialoga com referências cinematográficas de diretores como Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, e literárias de autores como Daniel Galera e Raphael Montes.
Além do suspense, o romance aborda com sensibilidade dinâmicas familiares complexas, especialmente a relação entre avô, filho e neto. “O livro também filosofa sobre outros temas como a brevidade da vida, luto, solidão, amor e saudade”, completa o autor. A obra chega com projeto gráfico cuidadoso e já desperta interesse para adaptações audiovisuais. “Acho que o livro tem potencial para um filme ou uma minissérie. Procurei escrever cenas detalhadas e visualmente ricas com a intenção de transportar o leitor para o Rio de Janeiro colapsado de Francisco Solano”, adianta Plácido, que atua como repórter e apresentador esportivo da TV Globo em São Paulo. Compre o livro "Louca Normalidade", de Plácido Berci, neste link.
Sobre o autor
Plácido Berci, 36 anos, é jornalista formado pela PUC-Campinas e atua como repórter e apresentador da editoria de esporte da TV Globo desde 2015. Natural de Araraquara e criado em São Carlos, já morou em cidades como Campinas, Rio de Janeiro, Manchester (Inglaterra) e Nairóbi (Quênia), onde foi o primeiro correspondente esportivo brasileiro. É autor dos livros “Paixão: uma viagem pelo futebol inglês” e “Nuvem de terra: relatos do primeiro correspondente esportivo brasileiro no Quênia”. “Louca normalidade” marca sua estreia na ficção e é publicado pela editora Mondru. Compre os livros de Plácido Berci neste link.
.: Falta de humanidade nas cidades vira pintura em mostra gratuita em SP
"Tudo Sobre Mim", estreia no dia 23 de julho no Espaço República, e marca a volta de Maazo Heck às exposições individuais após 7 anos, com 25 pinturas inéditas. Foto: divulgação
Uma exposição gratuita no centro de São Paulo parte de uma inquietação bem atual: a sensação de impotência diante da falta de humanidade nas grandes cidades. "Tudo Sobre Mim", do artista visual Maazo Heck, ocupa o Espaço República entre 23 de julho e 3 de agosto, com 25 pinturas inéditas produzidas ao longo de cinco anos de pesquisa. A exposição marca a primeira mostra individual do artista na capital paulista.
Como parte da programação especial da mostra, o público poderá participar de duas atividades gratuitas conduzidas pelo artista Maazo Heck e pela curadora Michaela A F. No dia 25 de julho, das 15h00 às 16h00, será realizada uma demonstração prática de pintura ao vivo, seguida de um bate-papo sobre o processo criativo, a pesquisa artística e os conceitos que permeiam a exposição.
Já no dia 1º de agosto, também das 15h00 às 16h00, os visitantes poderão acompanhar uma visita guiada com o artista e a curadora, que apresentarão detalhes sobre as obras, os símbolos presentes na série e os caminhos que deram origem à mostra “Tudo Sobre Mim”.
Ao entrar na mostra, o visitante encontra pinturas que transitam entre a figuração e a abstração. Corpos parcialmente ocultos por tecidos dividem espaço com imagens que se aproximam do símbolo, criando composições de forte impacto visual em que as dobras, os volumes e as formas assumem protagonismo.
O título "Tudo Sobre Mim" carrega uma ironia. Embora a série tenha origem nas inquietações pessoais do artista, as pinturas não propõem uma narrativa autobiográfica. A partir de experiências íntimas para construir imagens abertas a diferentes interpretações, Maazo transforma questões individuais em uma reflexão sobre a condição humana. A série nasceu da inquietação que acompanha o artista há anos. O contato cotidiano com a realidade das pessoas em situação de rua e a sensação de impotência diante da crescente falta de humanidade nas grandes cidades tornaram-se o ponto de partida para a pesquisa desenvolvida desde 2020.
"Minha angústia é a falta de humanidade. Convivo diariamente com cenas que me atravessam e permanecem comigo. A pintura foi a forma que encontrei de transformar esse incômodo em reflexão", afirma Maazo. Segundo a curadora Michaela A F, os tecidos ocupam um papel central na construção da série, revelando e ocultando simultaneamente figuras, formas e significados. "Em alguns momentos, deixam de remeter a um corpo específico e passam a operar como símbolos abertos, evocando vestígios cuja significação permanece em suspensão".
Formado em Belas Artes, Maazo desenvolveu grande parte de sua trajetória artística em Salvador, onde realizou sua última exposição individual, no Palacete das Artes, atual Museu Rodin Bahia. Desde então, participou de exposições coletivas e salões de arte, mantendo ativa sua pesquisa artística e integrando um grupo permanente de cinco artistas que se reúne para discutir processos criativos e arte contemporânea.
Hoje, mantém seu ateliê no Espaço República, ambiente que considera fundamental para o desenvolvimento de seu trabalho. A convivência diária com outros artistas e o incentivo promovido pelo gestor do espaço, o artista plástico Philip Haji-Touma, ampliam as oportunidades de diálogo, intercâmbio e circulação de sua produção.
"Uma exposição sempre muda quando sai do ateliê e encontra o público. É nesse momento que o trabalho ganha outra dimensão. Minha expectativa é que as pessoas percorram esse caminho comigo e construam suas próprias interpretações", conclui Maazo.
Serviço
Exposição "Tudo Sobre Mim"
Entrada gratuita
Artista: Maazo Heck
Curadoria: Michaela A F
Período: 23 de julho a 3 de agosto
Horário de visitação: das 13h00 às 19h00
Espaço República | Avenida São Luís, 86, 5º andar - São Paulo
Programação especial: 25 de julho | 15h00 às 16h00: pintura ao vivo e bate-papo com o artista Maazo Heck e a curadora Michaela A F
1º de agosto | 15h00 às 16h00: visita guiada com o artista Maazo Heck e a curadora Michaela A F
.: “Preta Gil nunca teve medo”, destaca Mini Kerti em "Meu Nome É Preta"
Produzida pela Conspiração, série de quatro episódios se aprofunda em momentos íntimos da trajetória da artista, com depoimentos inéditos de familiares e amigos. Imagem: divulgação
Conhecida pela irreverência, amor escancarado pelos amigos e a coragem de viver sem filtros, a cantora Preta Gil fez da vida uma celebração de afeto e liberdade. Um ano após o falecimento dela, o público poderá revisitar sua trajetória a partir desta segunda-feira, dia 20 de julho, com a estreia da série "Meu Nome É Preta", original do Globoplay. Dividida em quatro episódios, a produção reconstrói a história da artista a partir do olhar daqueles que compartilharam sua vida, compondo um mosaico afetivo sobre seu legado. Produzida pela Conspiração e dirigida por Mini Kerti, a obra terá o primeiro episódio disponível e aberto para todo o público, incluindo não assinantes do streaming.
Para dar forma a essa narrativa, a produção resgata registros históricos e familiares raros, incluindo filmes inéditos em Super 8 de sua infância na Bahia, a vivência de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, e imagens comoventes do seu irmão Pedro Gil, falecido em 1990. Em contraste com essa atmosfera íntima, os arquivos de mídia dos anos 2000 relembram os embates públicos enfrentados pela cantora, evidenciando seu pioneirismo ao pautar discussões sobre corpo, orientação sexual e diversidade quando esses temas ainda eram tabus. “Fizemos um recorte que narra sua vida a partir dos acontecimentos marcantes que mudaram seu rumo: a morte do irmão mais velho ainda na adolescência, o primeiro disco em que posou nua na capa, a criação da Noite Preta, depois o Bloco da Preta”, descreve a diretora Mini Kerti.
Com depoimentos inéditos que se transformam em verdadeiras cartas de amor, a obra conta com a participação especial de amigos, como Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Duh Marinho, Gominho, Ivete Sangalo, Hugo Gloss, Alice Carvalho e Ana Carolina, bem como de familiares, entre eles, Gilberto Gil, Sandra Gadelha, Fran Gil, Flora Gil, Bela Gil, Otávio Muller e Davi Moraes, que revelam momentos importantes da jornada de Preta. A presença marcante da artista se reflete na própria estrutura da série, que coloca Preta Gil como narradora de sua história, num “diálogo” com os amigos e parentes, guiando o público por meio de um extenso trabalho de pesquisa que recupera entrevistas concedidas por ela ao longo de toda a vida. O vasto material de arquivo aborda desde o seu nascimento, passando pela maternidade, sua atuação pioneira como empresária, até sua forte ligação com o Carnaval.
Segundo a diretora Mini Kerti, a produção evidencia a personalidade monumental de Preta, mas sem perder a sensibilidade dos bastidores. “A série mostra que Preta Gil nunca teve medo de revelar a sua essência para o mundo. Ela se conectava de forma generosa com as pessoas e se expunha impiedosamente. Ela não criava pautas, ela era a própria pauta”, pontua.
A produtora Luísa Barbosa complementa: “O que mais surpreende ao mergulhar na história de Preta Gil é a coerência radical entre a pessoa pública e a privada. Fica claro que aquela personalidade expansiva, generosa e sem filtros que o público via era exatamente quem ela era na intimidade. Contar sua história é reconhecer a força de quem escolheu viver com autenticidade, mesmo sob julgamento constante, e evidenciar o impacto real que isso teve na cultura e no imaginário coletivo”.
A preservação dessa memória e legado estende-se para além do streaming, integrando o projeto "Quanto Mais Preta Melhor" uma homenagem da Globo à trajetória e à força da artista. No dia 20 de julho, mesma data de estreia da série do Globoplay, a TV Globo exibe o filme documental "Preta - Eu Não Ando Só". O projeto nasceu de um pedido da própria Preta Gil e é focado em sua luta contra o câncer, construído com imagens de celular gravadas por ela mesma e por sua rede de apoio durante o tratamento. O filme tem direção artística de Monica Almeida, direção de Sandra Kogut, roteiro de Renato Terra, produção executiva de Fernanda Neves e produção de Elaine Sá.
No Globoplay, os episódios de "Meu Nome É Preta" terão publicação semanal, chegando ao streaming às segundas-feiras. O quarto e último episódio será lançado em uma data especial: no sábado, dia 8 de agosto, celebrando a efeméride de aniversário de Preta Gil. A série Original tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O primeiro episódio estará disponível também para não assinantes. Confira a entrevista com a diretora Mini Kerti e com a produtora Luísa Barbosa.
Que significado tem, para você, contar a história de uma mulher como a Preta Gil?
Mini Kerti - Eu chorei vários dias, nas filmagens e na ilha de edição. Preta foi muito ela mesma, sob milhares de holofotes e, muitas vezes, incompreendida, o que não é nada simples. Mas mesmo assim foi construindo uma rede enorme de afetos. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria.
Como a trilha sonora foi pensada para dialogar com a história de Preta?
Luísa Barbosa - A trilha sonora segue esse retrato íntimo e histórico, começando nas referências formativas de Preta, como os Doces Bárbaros e o rock anos 80 da sua prima Marina Lima, até chegar na própria carreira de Preta, marcada pela mistura de gêneros como axé, funk, MPB e pop.
O que mais surpreendeu ao mergulhar na história da Preta durante o processo da série?
Mini Kerti - A liberdade. Preta era livre e profundamente fiel a si mesma, sem medidas.
Quais critérios orientaram a escolha dos amigos e pessoas próximas que aparecem na série?
Luísa Barbosa - Adotamos dois critérios centrais: reunir pessoas que ajudassem a cobrir diferentes momentos da linha do tempo de sua vida e, ao mesmo tempo, que representassem as muitas facetas que ela assumiu: filha, irmã, mãe, avó, amiga, empreendedora, influenciadora, ativista e cantora.
Preta Gil sempre foi uma voz ativa em diferentes temas da atualidade. Como esses pilares foram abordados na narrativa da série?
Mini Kerti - Esses temas diversos aparecem por meio da própria história de vida da Preta, com suas palavras, atitudes e pensamentos. De maneira clara, pessoal e íntima.
Que novas perspectivas a obra traz sobre sua história e legado?
Luísa Barbosa - Ao colocar a própria Preta como narradora de sua história, a série revela suas contradições, fragilidades e afetos, oferecendo um retrato muito mais humano, profundo e complexo de sua biografia.
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domingo, 19 de julho de 2026
.: "Viva" Vida!" celebra a Terra com a força camaleônica de Regina Casé
Por Eduardo Caetano, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Regina Casé, musa de Caetano Veloso, para quem ele compôs a música “Rapte-me, Camaleoa” está em cartaz com o espetáculo “Viva! Vida!”, em São Paulo. O solo escrito por Estêvão Ciavatta e dirigido por Daniela Thomas traz Regina transbordando todo o seu talento enquanto apresenta a biografia da Terra. O DNA do Planeta é surpreendente, mas não tanto quanto a capacidade camaleônica de Regina em nos contar esta trajetória fascinante.
Domingo passado fui a São Paulo assistir ao espetáculo. Confesso que foi um "Programa Legal". Havia uma "Muvuca" na entrada do Teatro Sérgio Cardoso, todos ansiosos, mas talvez não tanto quanto eu. Fã da Regina desde muito criança, dos tempos de "TV Pirata", confesso que não estou nada seguro para escrever sobre este solo, mas vou atender ao pedido (e apelo) do meu grande amigo Helder Moraes Miranda para o Portal Resenhando.com.
Na plateia imensa e lotada, eu era pequenininho. Tipo um Plutão. E ela, no palco, gigante diante da Terra, brincava com aquela bolinha azul como se fosse Michael Jordan. Regina, que no latim significa rainha, reina diante do público e faz toda a galáxia gravitar ao seu redor. Poeira de estrelas que somos, Regina resgata a nossa condição galáctica ao mesmo que nos lembra do nosso parentesco com o outro, as samambaias e as baratas.
A jornada da vida na Terra tem milhões de anos e o Planeta outros tantos bilhões de existência. Atravessa do Sagrado ao científico. Vai da imensidão da floresta ao pé de boldo no quintal. Do cosmos ao toque do celular. Da teia de aranha ao colo de Nossa Senhora protegendo o Menino Jesus na fuga para o Egito. E cabe numa única célula. Literalmente, Regina tem o Mundo em suas mãos e nos faz repensar sobre as mãos que governam o mundo.
Atriz, diretora, mulher, mãe, apresentadora, avó, esposa, roteirista e onça, a camaleoa interage com a plateia emprestando às árvores o seu protagonismo. Sobrinha da Tia Julinha, carioca da gema, soteropolitana por mérito e pernambucana legitimada pela lei, Regina é múltipla. Emociona e arranca gargalhadas com a mesma intensidade. Aborda a rotina, o algoritmo, o tomate do nhoque, o candomblé, os yanomamis e as cianobactérias. Vai do profano e ao Sagrado num piscar de olhos, costurando os temas, que nem vagonite.
Regina faz das notificações do WhtasApp e do toque do celular seus aliados, enquanto nos alerta sobre a urgência de uma sociedade sustentável. Com o aquecimento global, o Planeta Esquenta! Mas não do jeito que a gente gosta e merece. Mudança climática não é praia. É enchente. É deserto! Por isso, a importância de tratarmos a Terra com Amor de Mãe.
De quinta a domingo, até dia 2 de agosto, “Viva! Vida!” está em turnê em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso. Domingo é final de Copa do Mundo e alguém pode perguntar: “Que horas ela volta?” e a resposta é que neste dia o solo foi mais cedo, ao meio-dia.
Enquanto a Terra é gerada no ventre da sobrinha da Tia Julinha, refletimos sobre a potência da vida. Camaleoa, diante de nós Regina é o Sol. E para relembrar a capacidade de reinvenção da Mãe Natureza, a onça nos dá uma aula sobre fotossíntese utilizando o seu farol em verso, caetaneando: 🎶 “Luz do sol/ Que a folha traga e traduz/ Em verde novo/ Em folha, em graça, em vida, em força, em luz”🎶. Caetano que também sou, fui raptado.
Ficha técnica e serviço
Espetáculo “Viva! Vida!”
Elenco: Regina Casé
Roteiro: Estêvão Ciavatta
Direção: Daniela Thomas
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP)
Até dia 2 de agosto
Quinta-feira a sábado, às 20h00. Domingos, às 17h00.
sábado, 18 de julho de 2026
.: Livro de Juliana Dal Piva é semifinalista do Jabuti Acadêmico
Obra "Crime Sem Castigo" é publicada pela Matrix Editora e esmiúça como foram descobertos os assassinos do ex-deputado federal após mais de 40 anos do desaparecimento. Foto: Custódio Coimbra
.: Teatro: "Abracadabra - O Circo Musical" une arte e conscientização sobre a água
Com patrocínio da Sabesp, a superprodução circense leva ao público uma experiência imersiva que combina música, acrobacias e mensagens sobre a importância da preservação dos recursos hídricos. Foto: divulgação / Sabesp
O espetáculo "Abracasabra - O Circo Musical", superprodução do Reder Circus em homenagem aos 90 anos de Dedé Santana, estará em cartaz até novembro, na Arena Sabesp, que fica no Mooca Plaza Shopping, em São Paulo. Patrocinada pela Sabesp por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a atração será apresentada na Arena Sabesp e promete reunir entretenimento, música, ilusionismo, acrobacias e tecnologia em uma experiência voltada para toda a família.
"Abracadabra - O Circo Musical"
.: Aos 40 anos, Companhia das Letras na 24ª Flip leva casa para a festa
Mais de 50 autores publicados pela Companhia das Letras participam da programação em Paraty. Zadie Smith, Ève Guerra, Milton Hatoum, Andréa del Fuego, Andrea Bajani e Drauzio Varella estão na programação oficial da Flip
























