domingo, 17 de junho de 2007

.: Literatura de qualidade é o melhor remédio para todas as dores do mundo

Literatura de qualidade é o melhor remédio para todas as dores do mundo

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2007


Três livros que podem e devem ser lidos por muitas e muitas vezes. Confira as dicas e sabia mais sobre as obras clicando nos links abaixo!
 


Em meio a um terrível cenário de guerra nasce uma história de amor inesquecível. 
Expectativas e sonhos despontando na vida deste jovem casal. Este é o enredo de Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, isto é, livro que conta uma história de amor verdadeira: "o romance entre o escritor e uma enfermeira".

O final do romance auto-biográfico traz um final feliz, ao contrário da história do autor, isto é, Ernest mistura realidade e ficção. Na obra as personagens são Henry (ele próprio) e Catherine (Agnes von Kurowsky). A história comove e mostra o porque de ter sido aclamada pela crítica como melhor livro de ficção produzido sobre a Primeira Guerra Mundial. Não há como resistir, este livro pode ser lido muito mais de uma vez. Vale a pena conferir!


Livro: Adeus às Armas
Título Original: A Farewell to Arms
Autor: Ernest Hemingway
352 páginas
Ano: 2002
Tradução: 
Monteiro Lobato
Editora: Bertrand Brasil


Uma literatura mais solta e moderna fazem parte do livro O Segredo de Emma Corrigan, de Sophie Kinsella, publicado pela Editora Record. Com uma linguagem bem escrita, mas totalmente bem humorada, a obra cria com rapidez uma identificação imediata do leitor com a personagem, principalmente com a inserção de alguns pensamentos e atos de Emma ao longo do texto, no resto, faz rir e muito.

A personagem Emma Corrigan é uma mulher super moderna, mas não foge dos "padrões": tem os seus segredos, independente do tamanho e grau de importância destes. Entre eles estão usar calcinha fio-dental, apesar de achá-la desconfortável, também não revela ao namorado que detesta jazz ou ainda o fato de ter perdido a virgindade enquanto os pais assistiam ao filme Ben-Hur na sala de TV, além guardar a sete chaves o seu peso verdadeiro.
 


Livro: O Segredo de Emma Corrigan
Título Original Inglês: Can You Keep a Secret?
Autora: Sophie Kinsella
384 páginas
Tradução: Alves Calado
Editora: Record

Um texto de qualidade narrando uma rede de intrigas e desentendimentos. É desta forma que a narrativa de Marçal Aquino na obra O Invasor pode ser definida. Dois sócios de uma empreiteira se desentendem com o terceiro, resolvidos, ele contratam um matador profissional para eliminá-lo. O que dizer de um enredo brilhante? É neste emaranhado de sensações que conhecemos Alaor, Estevão e Ivan.

A obra publicada pela Geração Editorial, de filme homônimo de Beto Brant, traz um suspense policial de arrepiar permitindo ao leitor viver momentos de extrema emoção. Intrigas, morte, desprezo e sangue estão presentes no livro que conta também com o roteiro do longa-metragem.


Livro: O Invasor
Autor: Marçal Aquino
232 páginas

Editora: Geração Editorial

sexta-feira, 1 de junho de 2007

.: Presentes para os internautas do portal Resenhando.com

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em junho de 2007



O cartunista Angeli, a escritora Ana Miranda, a atriz Taís Araújo, o cantor Afonso Nigro, a atriz Léa Garcia, o escritor Ruy Castro, o ator Romeu Evaristo e o escritor Roberto Torero presenteiam os internautas do Resenhando.com no 4º aniversário do site. Confira e aproveite!



Nada de entrevistas longas! O 4º aniversário do site cultural Resenhando.com será comemorado com autógrafos e mensagens de gente de peso. No decorrer destes quarto anos foram muitas dificuldades e muitos momentos de pleno sabor e satisfação à equipe Resenhando. 

Tivemos o orgulho de um dia estar frente a frente com o cartunista Angeli, a escritora Ana Miranda, a atriz Taís Araújo, o cantor Afonso Nigro, a atriz Léa Garcia, o escritor Ruy Castro, o ator Romeu Evaristo e o escritor Roberto Torero. Nestes "encontros" foram trocadas algumas palavras ou somente poucos, porém interessantes idéias. Confira agora o resultado!

 





O primeiro a nos presentear com seu autógrafo totalmente personalizado e diferente dos vistos por toda parte do mundo foi o cartunista Angeli.

Ele deixou sua mensagem sem cortar o seu lado satírico, é claro!















Na sequência, saímos do lado humorístico dos livros e partimos a todo vapor para o ambiente televiso. Encontramos a primeiro protagonista negra da Rede Globo, a atriz Taís Araújo.

"Uma mensagem para os internautas do site Resenhando, por favor!".













A atriz Léa Garcia que interpretou com tanta determinação a vilã da novela "Escrava Isaura" deu à equipe Resenhando.com um terceiro presente que será sempre muito bem guardado. 

Talento? Ela tem de sobra. Fato este que pode ser comprovado. Na época em que tal novela das 18 horas (Escrava Isaura) era exibida, chegou a apanhar de uma telespectadora.












O ator Romeu Evaristo dividiu sua simpatia com a equipe Resenhando.com e deixou um conselho aos internautas:

"Saber o sabor de ser gente"






Em seguida tivemos o prazer de conhecer aquele que com voz melódica embalou os anos 80 liderando o grupo Dominó, o cantor Afonso Nigro.

Na época o grupo emplacou hits como Manequim, Companheiro, "P" da Vida, Ela Não Gosta de Mim, Jura de Amor e ainda fizeram uma parceria com Angélica em As Palavras. Já na carreira solo, Afonso, ficou nas paradas de sucesso com Talvez Seja Amor e Com Todos Menos Comigo. Bons tempos!





O escritor Roberto Torero presenteou os internautas do Resenhando.com duplamente: entrevista e mensagem!

Eis a grande vantagem: Morar na Baixada Santista é estar próximo de um escritor de Santos, mesmo que ele esteja (quase) sempre por outras partes do mundo.










Trocar palavras e ideias com um escritor talentoso como Ruy Castro é uma grande oportunidade.

É claro que os internautas não ficariam de fora deste privilégio.






A escritora de Fortaleza, Ana Miranda, que estreou o link R.G. também deixou uma mensagem de carinho aos internautas, além de uma super entrevista.

"Muito obrigado, Ana"

quinta-feira, 17 de maio de 2007

.: Resenha de "Contos", de Machado de Assis

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em maio de 2007


O veneno que gera prazer intenso. O sarcasmo da humanidade narrado com ironia pelo grande mestre da literatura brasileira.


Não importa a quantidade de personagens, mas a infinita qualidade. O forte de seus contos está no cenário e nas atitudes destas personagens. Refiro-me a "Contos", de Machado de Assis, obra de grande valor para os iniciantes e amantes da literatura. A publicação da Editora Paulus traz os contos O Enfermeiro, A causa secreta, A cartomante, Missa do Galo, Um apólogo, Teoria do medalhão, O caso da vara e O alienista, no total de 112 páginas. Há também uma breve apresentação do autor nas páginas iniciais: "Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 1839, na cidade do Rio de Janeiro, e aí morreu em 1908. De origem humilde, trabalhou como tipógrafo e revisor, passando depois a colaborar na imprensa carioca, vindo a tornar-se um dos mais importantes escritores da nossa literatura, escrevendo romances, contos, poesias, crônicas, crítica literária e peças de teatro".

É claro que há muito mais sobre este formidável autor, digo no verdadeiro sentido da palavra isto é, formidável "que causa pavor; muito bom (popular)". Como assim? Simples. A literatura de Machado nestes contos é requintada e traz um toque aprofundado de malícia. Um bom exemplo é encontrado em "O Enfermeiro", com personagens podem fazer e dizer o que bem entendem, há um misto de prazer cruel no Coronel (ferir o outro de formas possíveis e diversificadas), enquanto que Procópio José Gomes Valongo traz à tona o prazer da vingança.

O insuportável e estúrdio coronel, de tão  exigente, não era suportado pelos outros, até mesmo por seus amigos. Eis que entra em cena Procópio, assim chamado pelo paciente impaciente (o coronel). Juntos, ele vivem setes dias em "lua-de-mel".

"No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertinência da moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar".

Nesta relação de "amor e ódio" há um estopim o sujeito-narrador esgana o coronel durante uma briga e... passa por maus bocados. Em contraponto, tanta dedicação foi merecedora de recompensa. "Assim, por um ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar às minhas mãos. Cogitei em recusar a herança. Parecia-me odioso receber um vintém do tal espólio; era pior do que fazer-me esbirro alugado".

Contos com uma narrativa inteligente e de finais surpreendentes, que podem ser lidos e relidos por infinitas vezes. Não deixe esta leitura para depois!


Livro: Contos

Autor: Machado de Assis

112 páginas

Ano: 2005

Coleção: Nossa Literatura

Editora: Paulus

terça-feira, 1 de maio de 2007

.: Confira as entrevistas mais acessadas do seu site cultural

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em maio de 2007


Marina Elali, Déo Garcez, Sidney Sheldon, Moacyr Scliar, Gabriel O Pensador, Darlan Cunha, Wanessa Camargo, Regina Drummond, Maurício Manieri e Ana Miranda. O que eles tem em comum? São os dez entrevistados do Resenhando.com mais acessados. Confira e deleite-se!


O mês de junho está a caminho. É neste sexto mês de 2007 que grandes novidades culturais despontam nas prateleiras das lojas ou ainda em eventos com lançamento mais requintados. Entre tais feitos há o dia 7 de junho, isto é, o 4º aniversário do site cultural Resenhando.com.

Tendo  em vista que 4 anos é um bom tempo de vida para um site, principalmente se levarmos em conta que este é um veículo cultural brasileiro e que somente conta com informações fornecidas por editoras/distribuidoras, sem apoio financeiro. Nós do Resenhando.com fizemos um levantamento das entrevistas publicadas no site, ou seja, as 10 entrevistas mais acessadas.


A grande recordista de acessos é a cantora Marina Elali, principalmente quando a música One Last Cry, entrou nas paradas de sucesso, canção que intensificou o sofrimento da personagem Nanda (Fernanda Vasconcelos, atriz), na novela das oito, Páginas da Vida. Em segundo lugar está o ator Déo Garcez, o qual com tanto carinho nos tratou, chegando a conceder nova entrevista no mês de fevereiro de 2007, devido a grande quantidade de acessos em seu primeiro R.G. (julho de 2005) para a equipe do Resenhando.com.


Na terceira colocação do nosso Top 10 está o escritor internacional, Sidney Sheldon, o qual deu ao mês de janeiro de 2007 um encerramento um tanto que amargo para seus fãs e leitores assíduos, pois ao ter complicações por conta de uma pneumonia, acabou não resistindo e falecendo, no dia 30. Entretanto, deixou muitas obras publicadas, como por exemplo, O Outro Lado da Meia Noite, O Mestre do Jogo e Se Houver Amanhã.


Na sequência deste ranking está o escritor brasileiro cheio de talento, atenção e respeito (ao entrevistador e fã): Moacyr Scliar. Ele, que no mês de março completou mais um ano de vida, aumentando a alegria de seus leitores, revelou em entrevista que dentre suas grandes obras publicadas, gosta muito de "O Centauro no Jardim", "A Majestade do Xingu" e "A Mulher que escreveu a Bíblia".


A quinta entrevista mais acessada está com o popular e carismático cantor, escritor e poeta, Gabriel O Pensador. O versátil rapper e pensador por vocação, foi criado na classe média alta e desde cedo foi acostumado com o universo da fama já que sua mãe, Belisa Ribeiro, era apresentadora do “Jornal Hoje” na década de 80 e casada com o ator Marcos Paulo, um de seus padrastos. No entanto, Gabriel não seguiu a burguesia carioca: ainda jovem, fez amizade com garotos da favela da Rocinha, parceiros de surf nas praias do Rio.


O ator Darlan Cunha, o sexto desta lista, em seu R.G. contou como foi o início de sua carreira: "Eu tinha nove anos quando uma vizinha nossa da época comentou sobre um grupo de teatro lá da comunidade, do Ernesto Piccolo. Aí eu fui, meio assim de brincadeira. Só que aí eu fui gostando e continuei. Aí fiz minha primeira peça, que foi um musical. Depois veio a segunda peça e quando chegou a vez da terceira o José Celso (do grupo Nós do Morro) assistiu e gostou de mim e me convidou para fazer um teste para o filme Cidade de Deus".


"Quem não gostar, só tem que respeitar", afirmou a sétima integrante deste ranking, a cantora Wanessa Camargo. Ela que concedeu uma entrevista bastante fria e nada fora do padrão disse: "Eu respeito a opinião dos outros. Só acho que para criticar, tem que ter fundamento, tem que conhecer".


Para abrilhantar o nosso Top 10, na oitava posição, está a sobrinha do grande autor brasileiro Carlos Drummond de Andrade: Regina Drummond. Ela que tem uma paixão especial pela literatura francesa, disse que seu estilo literário depende muito do dia, da hora, do humor e do tempo que dispõe. "Gosto de tudo que seja bem feito e interessante. Atualmente, ando lendo muita literatura sul-americana e brasileira. Neste momento estou apaixonada pela Leticia Wierzchowski e leio 'Um Farol no Pampa', mas estou sempre relendo os clássicos da literatura universal".


Música de qualidade, educação e talento de sobra compõem o nono entrevistado mais acessado do Resenhando.com. Refiro-me ao cantor Maurício Manieri. O cantor que mantém um blog, sempre atualizado, escreveu: "Quão sem propósito é a nossa falta de humildade, e quão imbecil é ficarmos presos a coisas que simplesmente não nos acrescentam nada. Olha lá na foto!!! A terra!!! Só um pontinho de nada!!!! Hummmmmm, deve ser uma escola!! Obrigado Deus por ter me presenteado com a música!! Ela me aproxima de ti!! Mesmo eu estando aqui, neste pequeno ponto no universo!!! Ela tem me auxiliado muito!!! Que ela seja sempre um canal de onde o amor possa fluir entre eu e as pessoas!!! Oras, se Deus é amor, você então vai estar com a gente também!! Valeu, Deus!!!". Bom, acredito que não seja necessário diz mais nada. não há como deixar de conferir a entrevista deste talentoso músico.

Por fim, e não menos importante, está a nossa primeira entrevistada, a escritora Ana Miranda. Como foi a entrevistada com a equipe? Carinhosa e verdadeira. O que disse? Ao falar sobre o que a literatura representa disse: "É o meu trabalho, é o meu alimento espiritual, é a minha vida, não poderia mais viver sem literatura, seja lendo, seja escrevendo". Não há sombras de dúvidas que estas entrevistas devem ser lidas e relidas infinitas vezes. Confira o R.G. de cada um dos integrantes deste Top 10 e deleite-se!












terça-feira, 17 de abril de 2007

.: Resenha de "Mitos e Arquétipos do Homem Contemporâneo"

Por: Helder Bentes

Em abril de 2007


Uma viagem no tempo por meio do conto "Eros e Psiqué", da mitologia clássica, escrito pela primeira vez por Lúcio Apuleio. Disponível na versão em Espanhol para download em dominiopublico.gov.br, e ainda, na versão impressa: BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Petrópolis, Vozes, 1987, vol.II

 

Havia um casal de rei e rainha que tinham três filhas, sendo que a mais jovem era a mais bela das mortais e estava sendo adorada no lugar de Afrodite, como deusa do amor e da beleza. Afrodite com ciúmes ordenou a seu filho Eros que fizesse Psiqué se apaixonar pelo homem mais monstruoso. O pai de Psiqué consultou o oráculo de Apolo sobre o destino de sua filha, e a resposta foi que ela deveria ser levada ao alto de um rochedo onde se uniria a um monstro horrível.

Eros, no entanto, ao tentar atingir Psiqué com uma de suas flechas, acabou se ferindo e se apaixonando por ela. Pediu então ao vento Zéfiro que a transportasse para o seu palácio. No palácio de Eros, Psiqué foi servida, nos seus desejos, por vozes. Eros vinha à noite, se unia a Psiqué, sem se deixar ver, e desaparecia antes do amanhecer.

 As duas irmãs de Psiqué foram à montanha chorar a ausência desta, que, entristecida, pediu a Eros que as trouxesse ao palácio. As irmãs foram trazidas ao palácio, mas ao verem-na tão rica e feliz sentiram muita inveja e quiseram conhecer o marido de Psiqué. Esta, prevenida por Eros, não respondeu às perguntas e mandou-as de volta.

As duas irmãs eram infelizes com os maridos – um deles era feio e avarento, e o outro era velho e doente. Psiqué, pouco tempo depois, já estava chorando novamente de saudades das irmãs e pedindo a Eros que as deixasse visitá-la de novo. Novamente as irmãs foram levadas pelo vento Zéfiro ao palácio, e desta vez foram mais convincentes e conseguiram fazer Psiqué acreditar que seu marido seria uma serpente gigantesca e monstruosa. Psiqué estava grávida, mas segundo suas irmãs, o marido monstruoso não tardaria a devorá-la.

Psiqué, então, confusa com a conversa das irmãs, acabou lhes confessando não saber quem era seu marido. As irmãs então a fizeram preparar uma lamparina e um punhal. Com a lamparina ela deveria iluminar o rosto de seu esposo e com o punhal cortar-lhe fora a cabeça. À noite, quando Eros já dormia, Psiqué acendeu a lamparina e viu o rosto do marido – um homem belíssimo. Não conseguindo mais pensar em matá-lo, deixou cair o punhal. Ao ver sua aljava, foi tocá-la e se feriu numa das flechas, desta maneira, ficando perdida e eternamente apaixonada por ele. Sem se dar conta, deixou pingar uma gota de óleo quente da lamparina no ombro de Eros, acordando-o e fazendo-o fugir do palácio.

Psiqué, desesperada com a ausência do marido, tenta se matar, jogando-se num rio, mas as águas a devolvem a terra. Pan, que estava por perto, aconselha-a que chame e procure pelo esposo. Enquanto isso, Afrodite fica sabendo que Eros está ferido, e pior ainda, apaixonado por sua rival Psiqué. Curiosa, vai ao encontro do filho. Psiqué, depois de pedir em vão ajuda às deusas Hera e Deméter, e cansada de procurar por Eros, resolve ir ao encontro de Afrodite, para lhe pedir perdão.

 Afrodite, no entanto, a recebe muito mal, humilha-a, espanca-a e ainda lhe impõe quatro tarefas: A primeira tarefa seria separar uma montanha de sementes por espécie, durante o período de uma noite. Psiqué sabia ser uma tarefa impossível para ela, mas vê aparecerem várias formigas que a ajudam e as sementes são rapidamente separadas.

Afrodite, furiosa, lhe passa a segunda tarefa: exige que Psiqué lhe traga, sem falta, flocos da lã de ouro dos carneiros ferozes que existiam ali perto.

Psiqué pensa mais uma vez em se jogar no rio, mas um caniço da beira do rio lhe sugere uma solução para o problema – ela não deveria se aproximar dos carneiros com o sol a pino porque eles estariam enfurecidos e poderiam matá-la. Ela deveria aguardar o calor diminuir, os carneiros, indo descansar, deixariam flocos de lã presos nas árvores do bosque. Seria então fácil para Psiqué colher a lã de ouro que precisasse. E assim foi feito.

Afrodite agora mais furiosa, achando que Psiqué só conseguira se desincumbir das tarefas por estar sendo ajudada por Eros, ordenou-lhe que cumprisse mais uma: com um vaso de cristal dado por Afrodite, Psiqué deveria apanhar água da fonte dos rios Cocito e Estige (rios infernais – sua nascente era guardada por dois dragões).

 Psiqué novamente pensou em desistir de tudo, mas desta vez foi ajudada pela águia de Zeus, isto é, o próprio Zeus metamorfoseado em águia cumpriu a tarefa por ela.

Veio então a quarta tarefa, e a mais difícil de todas: Psiqué deveria buscar no Hades, o reino dos mortos, com Perséfone, sua rainha, uma caixa que continha a "poção da beleza imortal" para ser entregue a Afrodite.

Psiqué, totalmente desesperançada, subiu a uma torre alta para se jogar lá de cima. A torre, no entanto, aconselhou-a a como se desincumbir satisfatoriamente desta empreitada: deveria levar na boca duas moedas para pagar a passagem de ida e volta ao barqueiro Caronte. Em cada mão levaria um bolo de cevada para dar ao cão Cérbero que guardava a entrada e saída do Hades. Ela sofreria quatro tentações ao longo do caminho: primeiro passaria por um homem coxo, puxando um asno também coxo que carregava lenha. Deveria recusar-se a ajudá-los. Depois, já no barco de Caronte, um velho surgiria da água e lhe pediria "carona" no barco. Psiqué não poderia ajudá-lo. A terceira tentação seria quando passasse por tecedeiras que também lhe pediriam ajuda, e mais uma vez deveria se negar em ajudar.

Por fim, a quarta tentação seria quando encontrasse Perséfone, não deveria aceitar o seu convite para jantar, o mais importante de tudo: logo que conseguisse a caixa, teria que retornar rapidamente sem abri-la. Psiqué seguiu as instruções da torre em quase tudo, mas não resistindo à curiosidade sobre a caixa da beleza, acabou por abri-la e caiu num sono mortal.

Eros então, penalizado, vem agora em socorro de sua esposa. Guarda de novo o conteúdo na caixa e desperta Psiqué novamente para a vida. Zeus eleva Psiqué à imortalidade do Olimpo. Do casamento nasce uma menina chamada Volúpia.


EROS E PSIQUÉ – SOBRE A INDIVIDUAÇÃO DA MULHER

Para entender melhor a leitura deste artigo, você precisa primeiro conhecer o conto "Eros e Psiqué", pois aqui se propõe um rastreamento simbólico da formação individual da mulher, a partir deste conto, que usa atributos de deuses mitológicos, para criar uma história arquetípica. Recompondo-a, compreendemos o eu feminino individual e socialmente.

Há um conflito no processo de individuação do feminino. Este conflito parte das expectativas da sociedade sobre a mulher, dos papéis que lhe são reservados, e de seus anseios individuais.

Ao lermos o mito de Eros e Psiqué, podemos interpretar instâncias relacionadas ao universo social feminino, tais como o casamento e os papéis de filha e de mãe.

O casamento é um rito que marca a transição entre papéis tipicamente femininos: os de filha, de esposa e de mãe. Toda mulher, ao vivenciar o amor com um homem, rompe o cordão umbilical que a liga à sua mãe. Esse rompimento compara-se à morte simbólica da filha e à passagem para as condições de esposa e de mãe, para as quais a menina deve tornar-se mulher.

A evolução narrativa do mito de Psiqué corresponde ao processo de individuação da mulher, que parte da condição de filha para a disputa com Afrodite (mãe de Eros), motivada pela vaidade ou busca de um ideal de beleza, como condição para encontrar seu próprio caminho. Para perceber isto, basta ao leitor fazer correlações entre a simbologia do conto e os processos psíquicos de formação do eu.

Psiqué: personagem feminina cuja beleza provoca os ciúmes de Afrodite. Representa a mulher que, motivada pela competição feminina em benefício da vaidade, parte em busca de seu próprio eu.

Vozes: servem Psiqué no Palácio de Eros, depois deste haver se apaixonado por ela, ao tentar atingi-la com uma flecha, para cumprir as determinações de Afrodite e fazer Psiqué apaixonar-se por um monstro. Como o feitiço volta-se contra o feiticeiro, Eros apaixona-se por Psiqué e arrebata-a ao seu Palácio, onde vozes a atendem em todos os seus desejos. Essas vozes representam à fase ideal do enamoramento por que passam as relações amorosas.

A chegada de Psiqué ao Palácio de Eros: representa a descida ao inconsciente. A auto-análise requer uma fase em que há vozes a serviço do eu, em que a felicidade parece haver sido encontrada definitivamente. Isto corresponderia à fase imediata ao já referido rompimento do cordão umbilical, em que a menina torna-se mulher pela experiência de enamoramento, pela sensação de casamento, sem estar necessária e legitimamente casada, mas apta a assumir os papéis de esposa e mãe.

As duas irmãs invejosas: exercem os papéis de filha e mãe dentro de seus casamentos, em relação a seus maridos, pois um é velho e feio (filha), e o outro é doente (mãe). Somente Psiqué parece não haver estagnado no papel de filha ou pulado para o de mãe, mas vive uma fase ideal importantíssima no processo de individuação da mulher, em que o ideal de felicidade se lhe afigura na presença amorosa de um homem provedor/protetor, para o qual a mulher parece predestinada.

O punhal e a lamparina: Psiqué, induzida pelas irmãs, aproxima-se de Eros com um punhal e uma lamparina, enquanto ele dorme, a fim de desvendar seu mistério e assassiná-lo. Porém, descobre nele um homem lindo e, ferida por uma flecha de sua aljava, apaixona-se por ele também. Mas deixa cair óleo quente da lamparina sobre seu ombro e o desperta. Ele foge, deixando-a sozinha. O punhal é o elemento que corta e separa, representa o corte racional necessário para a individuação da mulher, o distanciamento emocional necessário à compreensão de sua própria condição feminina, independente da figura masculina ou de qualquer outra. A lamparina é a luz da consciência, não dissociada do punhal.

A saída do Palácio: representa a busca independente da mulher por seu próprio eu, através do amor personificado em Eros.

A partir deste momento, na narrativa, a mulher enfrentará obstáculos, mas contará com o auxílio de outras entidades em benefício da auto-superação. Essas entidades são representações de virtudes essenciais no processo de individuação, tais como, o deus Pan (representa o instinto), Hera, Deméter e Afrodite (representam à rivalidade, a indiferença e a própria violência intrínseca ao processo de individuação, pois essas entidades negam ajuda a Psiqué, aumentando-lhe a dor e o sofrimento necessários à maturação individual).

Afrodite lhe impõe quatro tarefas impossíveis que representam situações de auto-superação:

1. Separar uma montanha de sementes por espécie, durante o período de uma noite: tarefa onde Psiqué conta com a ajuda das formigas. A montanha de sementes por espécie simboliza os complexos inconscientes que, individualmente, constituem elaboração e crescimento virtuais. As formigas representam à paciência, a diligência e a sabedoria instintiva para distinguir os complexos amontoados.

2. Trazer flocos da lã de ouro de carneiros ferozes: representam à impulsividade agressiva, irreflexiva e negativa. Esta tarefa leva Psiqué a pensar em suicídio pela segunda vez, mas ela conta com a ajuda de um caniço, que representa a salvação e a sabedoria, a necessidade de esperar para agir, de meditar primeiro para não agir precipitadamente.

3. Apanhar água da fonte dos rios Cócito e Estige, com um vaso de cristal dado por Afrodite: esses rios referidos são infernais e guardados por dois dragões, mas Psiqué conta com a ajuda do próprio Zeus que se transforma numa águia e cumpre a tarefa por ela. A água representa a vida no seu fluir até a morte que, por não poder ser retida ou controlada pela humanidade, deve ser manipulada apenas pela divindade, donde a intervenção de Zeus na narrativa.

4. Buscar a caixa da beleza imortal para entregá-la a Afrodite: essa caixa estava com a rainha Perséfone, no reino dos mortos (Hades). Mas desta vez Psiqué conta com a ajuda da própria torre na qual sobe para suicidar-se diante da dificuldade da tarefa. A torre simboliza uma construção humana como sua própria consciência, a introversão e o isolamento necessários à amplitude da mesma consciência.

Essas quatro tarefas têm em comum o grau de dificuldade desanimador que culmina com o desespero da personagem, sendo, no entanto, compensado pelo auxílio das formigas, do caniço, de Zeus e da torre que representam instâncias reguladoras do processo de maturação feminina.


As tentações de Psiqué:

A torre a aconselha a munir-se de duas moedas para pagar a passagem de ida e volta do Hades a Caronte, e de bolos de cevada e mel para dar a Cérbero, mas a alerta para tentações que têm em comum a motivação do lado bom de Psiqué. O processo de maturação do eu feminino requer, às vezes, uma renúncia à bondade, uma indiferença às necessidades alheias e periféricas diante da necessidade individual da mulher, por isso a torre pede a Psiqué que tenha forças para resistir à tentação de ser piedosa. Essas tentações estão representadas no conto por:

1. Um homem e um asno coxos: Este homem chama-se Ocnus e deixa cair a corda com que puxava o asno. Ele seria a representação da hesitação à medida que, naquelas circunstâncias, não se poderia sair do lugar (a busca da perfeição feminina não pode desobstinar-se diante da imperfeição humana ou animal).

2. Um velho que lhe pediria carona no barco de Caronte: esse velho representa neuroses, que às vezes dominam a consciência. Há pessoas que surgem no caminho da individuação feminina e cuja aparência madura pode indicar benefícios a este processo pessoal, mas deve haver resistência por parte da mulher, pois se tal processo é individual, a ajuda mútua recorrente pode não ser útil. Digo recorrente porque, em outros momentos do conto, Psiqué já fora ajudada por entidades mais experientes, estando inclusive gozando desta ajuda para discernir a tentação do velho. Quando você ajuda alguém, você tende a identificar-se com este alguém e Psiqué não poderia identificar-se com a maturidade do velho, como não o pôde com as limitações físicas do homem e do asno, e como não o poderá com o enredamento dispersivo das tecedeiras.

3. Um grupo de tecedeiras: essas tecedeiras seriam em número de três e estariam associadas às três moiras (Cloto, Láquesis e Átropo), as divindades do destino na Grécia. A lição aqui seria não dar atenção ao destino, não tentar entendê-lo e nem manipulá-lo, mas deixar que as coisas aconteçam. As tecedeiras poderiam representar, entre os fios de tecidos de seu trabalho, caminhos que poderiam dispersar Psiqué de sua tarefa principal àquele momento.

4. O convite de Perséfone para jantar: nada, por mais prazenteiro que seja, deve atrapalhar o alcance de sua meta. Estabelecer relações com as pessoas no seu caminho pode desviá-la de sua meta.

Finalmente, todas essas categorias de tentação são vencidas, cada uma com seu próprio ensinamento. Apesar de serem uma luta contra a própria natureza. Há, porém, uma tentação relativa à curiosidade feminina, que leva Psiqué a abrir a caixa da beleza e cair em sono mortal.

Isto lhe vulnerabiliza e a condiciona à intervenção masculina e divina personificadas respectivamente em Eros, que a ajuda e a desperta para a vida, e Zeus, que a imortaliza no Olimpo, dando origem à outra entidade feminina que recebe o nome de Volúpia.

Psiqué, ao desincumbir-se das tarefas e manter sua beleza, desperta medo em Eros por parecer com Afrodite. Mas, ao vulnerabilizar-se, reacende os cuidados de Eros.

Ser mulher é isto: um entre-lugar onde força, vaidade, autoridade e fragilidade se misturam para provocar o imaginário masculino.

Indicação de leitura:

BOECHAT, Paula Pantoja. Eros e Psiqué – sob o ponto de vista da individuação da mulher (p.97-112) In: BOECHAT, Walter (Org.). Mitos e arquétipos do homem contemporâneo. Petrópolis, Vozes, 1995, 198 págs.

Um estudo da mitologia à luz da psicologia junguiana. Os símbolos mitológicos ou literários tratados neste livro representam arquétipos de nossa formação individual. O símbolo pode iluminar o desenvolvimento psicológico do indivíduo e os problemas sociais da cultura atual.


Livro: Mitos e Arquétipos do Homem Contemporâneo

Ano: 1987

Editora: Petrópolis e Vozes

domingo, 1 de abril de 2007

.: Resenha de "O Livro dos Contos Enfeitiçados", de Marta Argel

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2007


A magia em estado puro: Os fenômenos inexplicáveis são o recheio de O Livro dos Contos Enfeitiçados, de Marta Argel, publicado pela Landy Editora.

 

Misterioso e surpreendente! "O Livro dos Contos Enfeitiçados", de Marta Argel, publicado pela Landy Editora trazem a magia em estado simples e puro. Magia esta, que com poder, revira o universo dos leitores interessados em desafiar o seu lado adormecido do fantástico.

Como entender os fenômenos do cotidiano que interferem no decorrer da sua vida? Esta é uma pergunta bastante complexa, a qual exige bastante conhecimento para uma resposta plausível. Em contraponto, é certo que existem inúmeras suposições para esta incógnita e, até, muitas pessoas interessadas em explicá-las. Contudo, ainda sim, não há uma boa resposta para tal pergunta.

Entretanto, a verdade importante é que a literatura possibilita estabelecer inúmeras relações entre a magia e a realidade. Surge então, com grande força, o universo mágico da escrita fantástica. É exatamente neste campo que Martha Argel transita com grande talento fazendo com que os contos enfeitiçados tornem-se verdadeiros na mente de seus leitores.

Amarelo... Amarelo é o primeiro dos 7 contos desta obra que brota magia em suas formas mais variadas. De que modo? Simples. Seja pelo pensamento de uma garotinha que ama ver tudo na cor amarela ou por meio de palavras premonitórias de um sábio que habita a floresta tropical. Não há o que questionar-se, deixe-se guiar pela universo enfeitiçado destes contos. Confira!

Autora: É autora de diversos livros de literatura fantástica. Seus temas passeiam pela ficção científica, terror, fantasia e vampiros. Relações de Sangue (Novo Século, 2002) é um romance policial com vampiros, ambientado na cidade de São Paulo. Contos Improváveis (Writers, 2000), O Vampiro de Cada Um (edição da autora, 2003) e Olhos de Gato (Writers, 2005) são coletâneas de contos. Organizou a antologia Lugar de mulher é na cozinha (Writers, 2000), reunindo contos fantásticos de onze autoras brasileiras e uma portuguesa.

Participou de várias antologias e seus contos já foram publicados em revistas, jornais zines e sites de literatura. Em parceria com Giulia Moon edita o FicZine, que reúne contos fantásticos. Doutora em Ecologia e ornitóloga, atua como consultora em Meio Ambiente e em divulgação cientifica. Publicou Voando pelo Brasil (Cuca Fresca, 2004), um livro sobre as aves brasileiras voltado para o públiço infanto-juveniL, e é autora dos textos do livro Maravilhas do Brasil: Aves (Escrituras, 2005), com fotos de Fábio Colombini. Tem artigos científicos e de divulgação publicados no Brasil e no exterior. Atualmente trabalha para o Wildlife Conservation Society, desenvolvendo o Projeto Aves do Brasil, cujo objetivo é incentivar o amor e o interesse dos brasileiros pelo rico patrimônio natural do país.


Livro: O Livro dos Contos Enfeitiçados

Autora: Marta Argel

166 páginas

Ano: 2006

Coleção: Novos Caminhos

Editora: Landy

terça-feira, 20 de março de 2007

.: Resenha de "Seja Você Mesma", de Care Santos

As transformações na adolescência e o valor de sempre ter autenticidade
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em março de 2007


Não importa os seus problemas... sempre, sempre seja você mesma (o).


"Seja você mesma (o)!". Esta é uma frase que muitas vezes vem à nossa cabeça ou até falamos. Contudo, esta é uma tarefa um tanto que difícil de ser aplicada no cotidiano. Se para os adultos esta é uma árdua tarefa, imagine para uma adolescente como Elisa que tem uma vida familiar cheia de altos e baixos. Por esse motivo ela diz no capítulo de abertura do livro: "A vida não é como nas propagandas".

Em "Seja Você Mesma", de Care Santos, segundo livro da coleção Amigas para Sempre, publicada pela Editora Record temos como narradora, Elisa. Lisa, é uma modelo de sucesso e aparece em vário comerciais e propagandas de revista e televisão. Eis um grave problema para a garota: Ela não agüenta mais esta situação, mesmo porque, quem se aproxima dela sempre tem o interesse de estar junto de alguém "famoso".

Lisa também está decidida a abandonar sua carreira de modelo, pois pretende envolver-se em projetos artesanais, que segundo ela, é o que realmente gosta. Em contraponto, a mãe de Lisa não entende essa atitude, embora a filha somente queira aproveitar a vida com as amigas, mas em completo anonimato. Outro problema na vida de Lisa é sua vida familiar; a mãe gosta de glamour enquanto que o pai sempre está em viagens de negócios. Sobrou o irmão? Este só pensa na namorada ruiva. 

Que dó de Lisa, por isso ela logo diz nas primeiras linhas do livro. "Vocês já pararam para pensar como querem nos fazer acreditar que o que está nas propagandas de televisão é a vida? Os meninos sãos bonitos e têm os dentes perfeitos, as casas são grandes, os pisos estão sempre brilhantes, os detergentes fazem milagres (assim como os sabonetes, as pastas de dentes, as aspirinas), as crianças falam como se fosse superdotadas, as famílias são sempre felizes e sorriem o tempo todo e, se você compra um carro, é certo que a sua vida se tornará espetacular para sempre".

Ufa! Que desabafo! Sim, é exatamente desta forma que Elisa conta a história de sua vida: sempre desabafando seus medos, desejos e anseios. Saiba como o conturbado relacionamento entre mãe e filha adolescente pode tornar-se respeitoso, ainda mais quanto se tem na vida uma avó (alheia) e cheia de vida, e também, aprenda que não existe antídoto para a paixão e desta forma, você irá fazer parte do clube das apaixonadas crônicas. Vale a pena mergulhar nas dúvidas do universo feminino adolescente. Confira!

Livro: Seja Você Mesma
Título Original: Sé Tú Mesma
Autora: Care Santos
164 páginas
Ano: 2007
Tradução: Miguel Barbero
Editora: Record

terça-feira, 13 de março de 2007

.: Resenha de “Uma Longa Queda”, de Nick Hornby

Do down ao up
Por: Helder Moraes Miranda

Em março de 2007


Em seu melhor e mais provocativo romance, Nick Hornby propõe o desafio de tirar personagens do fundo do poço sem ser sentimental ou irrealista


Será que os verdadeiros amigos "realmente" dão as caras nos piores momentos, quando mais precisamos deles? E se quem estender a mão for um ilustre desconhecido? E se, por acaso, essa pessoa estiver na mesma ou em pior situação, será capaz de ajudar ou pode atrapalhar? 

Agora, multiplique esse desconhecido por quatro pessoas que, de tão estabanadas consigo e com a organização de suas vidas, não valem por uma? Os personagens em questão são Martin, Mauren, Jess e JJ, todos do livro “Uma Longa Queda”, de Nick Hornby, lançado no Brasil pela editora Rocco. No mundo todo, rapidamente a obra comoveu milhares de leitores, arrancou elogios da crítica e chegou ao topo da lista dos mais vendidos.

Em seu quarto romance, o mais provocativo de todos, Nick Hornby induz o leitor a pensar sobre a vida. Por pior que ela esteja, sempre vai haver um momento assim, há necessidade de destruir, acabar com tudo, ou é apenas uma fase passageira? Este livro fala sobre pessoas diferentes que se encontram na virada do ano, no terraço de um dos maiores prédios de Londres, durante a tentativa de suicídio. E enxergam, nos outros, a chance de recomeçar do ponto que pararam.

O livro é todo narrado em primeira pessoa pelos quatro aspirantes a suicidas: Martin, um apresentador de TV que assiste a carreira ir ladeira abaixo após se envolver em um escândalo sexual; Mauren, uma mulher cuja vida se resume na criação do filho em estado vegetativo; Jess, a mal-educada filha do ministro da Educação; e JJ, um músico frustrado que entrega pizzas. Horny surpreende com a mudança drástica do tom da narrativa de acordo com a alternância de personagens, que continuam a história de acordo com seus pontos de vista do ponto que o personagem que contava a história parou.

O autor justifica que abordar um tema denso, como o suicídio, de modo leve e irônico deve-se ao fato que, se escrevesse um livro que chocasse sobre algo extremamente para baixo, teria dúvidas em como tirar as personagens do fundo do poço sem ser sentimental ou irrealista. “Se eu escrevesse um livro sobre depressão completamente depressivo, por que alguém o leria?!”. 

O resultado é um comovente e divertido relato sobre os percalços da vida. E a certeza de que tudo passa, é só esperar tranqüilo para os dias dessa fase “chatinha” passar, mas fique tranquilo, passa mesmo. Os personagens do livro estão de prova. Recomendável para quem está com o coração em frangalhos e quer ficar bem, é uma ótima dose de senso de humor.


Livro: Uma longa Queda
Título Original: A Long Way Down
Autor: Nick Hornby
304 páginas
Ano: 2006
Tradução: Antonio E. de Moura Filho
Editora: Rocco

sábado, 10 de março de 2007

.: Resenha de "Quem Perde a Voz Perde a Vez", de Maurício Veneza

A voz do poder que manda e desmanda
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em março de 2007


Saiba como e porque ter uma voz possante pode fazer com que um homem tenha o poder de mandar em um povoado submisso!


Toda a história de "Quem Perde a Voz Perde a Vez", de Maurício Veneza acontece numa pequena cidade de um país bastante enorme. Eis que neste lugar há um homem de voz possante que de tão forte em toda sua sonoridade vocal, resolveu das ordens para outros dois. 

Estes dois homens, muito astutos não deixaram por menos, e também resolvem mandar. "Por sorte", logo encontram quem também lhes obedecesse. "Como todo mundo sabe, as pessoas importantes devem ser obedecidas: São as chamadas ordens superiores".

É assim que a cidade passa a ser habitada por pessoas que mandam e obedecem. "Os pais mandavam nos filhos. O padre mandava na igreja. O general mandava nos soldados. O patrão mandava nos empregados. E todos obedeciam ao Homem". Com tanta submissão neste povoado, algo acaba por acontecer: o primeiro homem, o grande "mandão" desta história, perde a voz, e a cidade descobre que pode "funcionar" sem ordens. "No princípio, o povo estranhou e ficou um pouco confuso com aquela história de ter que decidir as coisas por si mesmo. Afinal, era muita responsabilidade".

É claro que o "senhor mandão" não queria perder a vez de mandar. Decidiu procurar sua voz: nas gavetas, debaixo da cama, nas latas de lixo e procurou, procurou e procurou. Sem dúvidas, sem sua voz, ela foi esquecido por todos. A voz do homem chega a ir para outro lugar e... O povo fica sem receber ordens por pouco tempo, porque é claro que quem perde a voz perde a vez, mas para outro!

Maurício Veneza usa a literatura infantil com inteligência, pois nesta história os pequenos descobrem que para se mandar (em uma pessoa ou em grupos grandes) é necessário responsabilidade e sabedoria, porém quem muito manda, um dia pode perder o seu poder, quando menos esperar, e ser definitivamente esquecido por todos que seguiam suas ordens sem pestanejar.

Sobre o autor: Maurício Veneza nasceu em Niterói (RJ). É desenhista atuante na área dos meios de comunicação (histórias em quadrinhos, desenhos humorísticos, ilustrações, etc.), junto às editoras e agências de publicidade do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Paraná. Além disso, em 1987, estreou como escritor de livros Infanto¬Juvenis, ao publicar pela Formato Editorial Quem perde a voz, perde a vez e O barquinho vai..., que foi considerado "altamente recomendável para crianças" pela FNUJ em 1988. É colaborador regular da revista Ciência Hoje das Crianças (editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e membro da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.


Livro: Quem Perde a Voz Perde a Vez
Autor: Maurício Veneza
16 páginas
Ano: 1987
Produção Gráfica: Paulo Roberto de Aquino
Editora: Formato

quinta-feira, 8 de março de 2007

.: Resenha de "Como Ficamos Amigas", de Care Santos

Amizade que surge em meio a grosserias juvenis
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em março de 2007


Uma amizade que surge em meio a grandes conflitos próprios da adolescência. Conheça Elisa, Júlia e Anali em Como Ficamos Amigas!


Júlia é uma garota que em plena flor da adolescência precisa aprender muitas e muitas coisas. Quer que eu cite alguma? Um exemplo é saber controlar-se, para viver melhor em "comunidade", digo pelo que a própria palavra diz: comum unidade. Contudo, parece que nossa amiga não está interessada nisso, mas somente em fazer o que acha melhor para ela. É com cara feia e atitudes grosseiras que ela espanta a vizinha Anali e a loira de propaganda Elisa.

Bem, vamos começar a história que não tem um início muito agradável. Em "Como Ficamos Amigas", de Care Santos, até que tudo parecia estar perfeito para a protagonista e narradora. Por que? Porque após muito esperar, a chance de Júlia acontece, mudar-se. Contudo a família troca de casa, mas permanece no bairro, para pesadelo da jovem.

Para tornar tudo ainda mais terrível o primeiro encontro com os novos vizinhos não acontece da maneira mais pacífica possível. De cara Júlia detesta Anali. "- Aconteceu alguma coisa, filha? - perguntou mamãe, que deve andar sempre armada com um detector de confusões. / - Nada - expliquei -, uma idiota estava me fazendo caretas na rua. / Cinco minutos depois, a idiota estava diante de mim, com o mesmo sorriso e os mesmos olhos achinesados. / - Esta é nossa filha - disse a loira, olhando com orgulho para a menina. Veja, Ana-Li, esta menina vai ser sua vizinha".

Pensou que fica por aí e elas tornam-se amigas? Se disse sim, errou feio, coisas bem piores acontecem entre as duas, sem contar que Júlia também tem uma diferença com a loira que sempre está no apartamento da cobertura, o mesmo em que tem um gatinho por quem nossa amiga brabinha "arrasta um bonde", mas é claro não revela para ninguém.

Descubra como estas três encrenqueiras tornaram-se mais do que amigas, até mesmo amigas inseparáveis, pois uma festa no bairro e o show de Mike Pita tem o poder de fazer milagres. Como Ficamos Amigas, de Care Santos é uma boa pedida para jovens leitores que estão transitando neste universo cheio de dúvidas, novidades e muitas curiosidade. Confira a Coleção Amigas para Sempre, da Editora Record!


Livro: Como Ficamos Amigas
Título Original: Cómo Nos Hichimos Amigas
Autora: Care Santos
140 páginas
Ano: 2007
Tradução: Ledusha Spinardi
Editora: Record

segunda-feira, 5 de março de 2007

.: Resenha de "Story – Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiros"

Para ler e comer pipoca
Por: Helder Moraes Miranda

Em março de 2007


Os mandamentos da escrita de um bom roteiro. O que acontece quando o mago dos roteiros lança um livro com todos os macetes de sua profissão, e os segredos de filmes bem-sucedidos? Entretenimento e cultura de qualidade para leitores e aspirantes à arte de contar histórias.


O que é um beat? Uma cena? Uma seqüência? O clímax de um filme? Agora, aspirantes a roteirista têm nas mãos uma facilidade que os colegas de profissão da velha guarda não tiveram, além de todas as respostas acima e muitas outras mais. 

Tudo porque a editora Arte & Letra lança, nas mãos desse público e de interessados em saber mais a respeito da arte de contar histórias, o livro "Story – Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiros", escrito por Robert Mckee, considerado o mago dos roteiristas nos Estados Unidos. 

Esta facilidade pouco dada a profissionais da antiga vai dar a novos roteiristas, entre outros embasamentos, o discernimento sobre a diferença entre história e estória, palavra há pouco tempo, no português, banida de nosso dicionário, o que transformou a palavra “História”, antes referente apenas a fatos reais ou históricos, também no significado de enredos ficcionais. 

Se por um lado essa profissão repleta de magia é composta por muita gente auto-didata, por outro, o livro, de tão bom e fácil entendimento, vai gerar muita concorrência entre essa nova safra de talentos que podem vir por aí. Ao contrário de outros livros voltados para a técnica de escritas de roteiros, Story emprega mais de 100 filmes como exemplo e aborda a forma eterna e universal, não a fórmula dos roteiros. Ao dissecar cenas clássicas, de filmes que variam de O Senhor dos Anéis a O Show de Truman, McKee revela passo a passo não apenas como uma cena funciona, mas o motivo pelo qual ela dá certo. 

Em suma: é um livro a respeito de princípios, não regras. Arquétipos, não esteriótipos. Eficácia, não atalhos. Realidades, não mistérios da escrita. Tornar-se um perito na arte, não conjeturar o mercado. Respeito, não desdém com o público, Originalidade, não plágios.

Com a vantagem de não ser escrito por tantos “zé-manés” que se auto-intitulam roteiristas, e sim por um nome de peso na dramaturgia mundial, Story vai mais fundo do que outros livros anteriormente lançados, ao mencionar o porque das histórias declinarem durante seu andamento. 

De acordo com o autor, uma “estória” bem contada é aquela que agrega estrutura, ambiente, personagem, gênero e idéia. Para descobrir essa harmonia, necessariamente o roteirista deve conhecer bem os elementos, a substância, bem como os princípios do design de uma boa história, além da importância das subtramas. Indispensável para qualquer escritor de roteiro, independentemente de sua realidade local.


Livro: Story – Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiros
Título Original: Story – Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting
Autor: Robert McKee
430 páginas
Ano: 2006
Tradução: Chico Marés
Editora: Arte & Letra

sexta-feira, 2 de março de 2007

.: Resenha de "Pontos na Barriga", de Tânia Alexandre Martinelli

Nada de cirurgias na criatividade dos pequenos
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em março de 2007


Filipe é um garotinho que faz perguntas e mais perguntas. O que fazer com ele? Descubra em Pontos na Barriga!

Um garotinho perguntador, chamado Filipe, chega a deixar a mãe tonta de tanto querer saber das coisas. O que fazer com uma criança assim? A única saída (aparentemente) era seguir a sugestão da vizinha: "Tirem uma radiografia do menino. Vai ver descobrem", disse a mulher.

A mãe cansada de responder às perguntas do menino e de inventar inúmeras respostas, é claro, levou Filipe ao médico. Resultado: Descobriram que o garotinho havia engolido um ponto de interrogação. "Era um pontão só na barriga do menino". O que fazer? Sim. Filipe foi medicado. "É só dar uma colherada de ponto final três vezes ao dia. Não precisa acordá-lo à noite".

Apesar dos pesares, o que seria melhor para Filipe: perguntar e perguntar tudo ou dar uma ponto final para todas suas dúvidas? Eis tarefa difícil que a mãe do garoto terá de resolver. Sem contar, que o tratamento para a grande interrogação não sai como o esperado e Filipe passa a ter reticências na barriga, depois ponto de exclamação e, finalmente, pontos finais. O que fazer diante de tal situação?

Esta é a interessante e educativa história de "Pontos na Barriga", de Tânia Alexandre Martinelli, publicado pela Atual Editora. Sem dúvida este livro é uma lição aos pequenos sobre o uso da pontuação nos textos, porém é um "cutucão" aos pais e outra lição para as crianças, pois mostra a importância do querer saber, sempre. Pontos na Barriga ensina que o questionamento e a reflexão são meios de aprimoramento ao ser humano.

Por meio das belas ilustrações de Natália Forcat nota-se que tal fase de Filipe serve para aproximar, mãe e filho, além de mostrar o quanto é ruim conversar com alguém que não tem dúvidas; que não conclui seus pensamentos ou ainda que já sabe tudo. Outro ponto positivo do livro está no Suplemento de Leitura, o qual auxilia, as crianças a compreender a história de Filipe e toda sua importância. Vale a pena questionar-se, mas ler Pontos na Barriga é certamente conhecer melhor o universo infantil.



Livro: Pontos na Barriga
Autora: Tânia Alexandre Martinelli
16 páginas
Ano: 2005
Ilustrações: Natália Forcat
Editora: Atual Editora

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