terça-feira, 29 de julho de 2025

.: Comédia policial "Corte Fatal" estreia no Teatro Uol com humor e mistério


Com Carmo Della Vecchia, Douglas Silva, Fernando Caruso, Hylka Maria, Paulo Mathias Jr e Fafy Siqueira no elenco, o espetáculo, que tem seu final decidido de forma coletiva pelo público, é um sucesso absoluto, com mais de 40 anos em cartaz, traduções para 28 idiomas e um público estimado em mais de 14 milhões de pessoas. Foto: Leo Aversa


Estreia em São Paulo, na sexta-feira, dia 8 de agosto, às 20h00, no Teatro Uol, o espetáculo "Corte Fatal", versão brasileira da consagrada comédia policial "Shear Madness", de Paul Pörter. Certificada pelo Guinness World Records como a peça não-musical há mais tempo em cartaz no mesmo teatro, a peça soma mais de 40 anos de sucesso mundial. A montagem brasileira, sob a direção e adaptação de Pedro Neschling, é renovada, contemporânea e eletrizante, apresentando uma estrutura ágil, atual e interativa. Nela, o público decide o final da trama. No elenco, estão Carmo Della Vecchia, Douglas Silva, Fernando Caruso, Hylka Maria, Paulo Mathias Jr e Fafy Siqueira.

A história se desenrola em um excêntrico salão de beleza em Santa Cecília. Uma trama que começa com risos termina em assassinato de uma famosa cantora reclusa. O crime acontece a poucos metros dos clientes e funcionários do salão, todos com motivos ocultos e atitudes suspeitas. Ao longo da peça, pistas vão sendo apresentadas e o público é convidado a participar da investigação, escolhendo coletivamente quem acredita ser o culpado. Essa interação acontece em momentos específicos e é conduzida pelos próprios atores, dentro da lógica cênica, garantindo que ninguém seja exposto individualmente. O resultado é um desfecho diferente a cada sessão, sempre fruto das decisões da plateia, em uma dinâmica leve e divertida.

“'Corte Fatal' tem humor afiado e situações hilárias. A peça quebra a quarta parede, transformando os espectadores no sétimo personagem. É uma mistura de comédia, investigação e  interatividade que nunca vi igual. O público se envolve, se diverte e se empolga tanto que parece uma espécie de teatro infantil para adultos", conta Pedro Neschling, diretor da montagem.


Ficha Técnica
Espetáculo "Corte Fatal"
Autor: Paul Pörter
Direção e adaptação: Pedro Neschling
Tradução: Gustavo Klein
Elenco: Carmo Della Vecchia , Douglas Silva, Fernando Caruso, Hylka Maria, Paulo Mathias Jr e Fafy Siqueira
Figurinista: Antonio Medeiros
Cenógrafo: Gustavo Paso
Iluminação: Adriana Ortiz
Direção de movimento: Toni Rodrigues.
Trilha original: Rodrigo Marçal e Rafael Papel
Produção geral: Sandro Chaim e Miçairi Guimarães
Fotos: Leo Aversa
Visagismo: Diego Nardes
Comunicação e Marketing: Lucas Sancho
Assessoria de imprensa: Pevi 56 - Angelina Colicchio e Diogo Locci
Financeiro - Vianapole
Realização: Magic Group


Serviço
Espetáculo "Corte Fatal"
Teatro Uol - Av. Higienópolis, 618 - Consolação/São Paulo
Temporada: de 8 de agosto a 2 de novembro de 2025. Sextas-feiras, sábados e domingos, às 20h00
Ingressos entre R$ 24,00 e R$ 150,00. À venda pelo site do Teatro Uol
Capacidade: 300 lugares
Classificação: 14 anos
Duração: 75 minutos

.: Vanguart faz show comemorativo aos 22 anos de carreira no Sesc Pinheiros


Formada por Helio Flanders e Reginaldo Lincoln, ambos compositores e vocalistas, a turnê "Demorou Pra Ser" faz uma retrospectiva dos seis álbuns lançados pela banda. Foto: Lucca Mezzacappa  


O Sesc Pinheiros recebe, no próximo domingo, dia 3 de agosto, às 18h00, a banda Vanguart, na turnê "Demorou Pra Ser", que comemora 22 anos de carreira da banda mato-grossense. O show acontece no Teatro Paulo Autran e os ingressos custam de R$ 18,00 (credencial plena) a R$ 60,00 (inteira). Formada por Helio Flanders e Reginaldo Lincoln, ambos compositores e vocalistas, a turnê "Demorou Pra Ser" faz uma retrospectiva dos seis álbuns lançados pela banda. 

Os fãs terão a oportunidade de reviver clássicos como "Meu Sol" e "Demorou pra Ser", além de desfrutar de novas composições que apontam para o futuro criativo do grupo. A Vanguart é conhecida por sua capacidade de conectar-se profundamente com o público, oferecendo apresentações carregadas de emoção e autenticidade. Este novo ciclo de apresentações marca mais de duas décadas de estrada, consolidando a Vanguart como pioneira na cena folk brasileira.


Sobre Vanguart
Nascida em Cuiabá, a Vanguart é um dos nomes mais respeitados da música independente no Brasil, destacando-se por sua abordagem única do folk. Com melodias cativantes e letras marcantes, a banda construiu uma base de fãs fiel e uma carreira sólida ao longo de seus mais de vinte anos.


Serviço
Show Vanguart na turnê “Demorou pra Ser”
Dia: domingo, dia 3 de agosto, às 18h00
Duração: 90 minutos  
Local: Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (credencial plena)
À venda nas bilheterias do Sesc SP, ou aplicativo Credencial Sesc SP
Mais informações acesse: Link 


Sesc Pinheiros  
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h00 às 22h00. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista 

Como chegar de transporte público: 350 m etrosa pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).

Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: João Baldasserini e Fernando Val fazem única apresentação de "Um Pelo Outro"


Com direção de  Valdir Ramos, texto escrito por Ronaldo Ciambronni explora as profundezas da amizade verdadeira e os desafios que ela pode enfrentar. Foto: divulgação


João Baldasserini e Fernando Val apresentarão no próximo dia 2 de agosto, no Teatro Unicid, na zona oeste de São Paulo, o emocionante espetáculo “Um Pelo Outro - Dois Amigos, Dois Irmãos”. Com texto de Ronaldo Ciambronni, direção de Valdir Ramos e produção Rama Kriya Produções, a peça explora as profundezas da amizade verdadeira e os desafios que ela pode enfrentar, sendo apresentados nas histórias dos protagonistas Guido e Will, dois amigos de longa data que se veem em uma jornada de autodescobrimento e superação. 

A trama gira em torno de Guido e Will, dois motociclistas que, após uma aposta em um racha de motos, se veem envolvidos em uma série de eventos que testam os limites de sua amizade. Obstáculos financeiros, dilemas familiares, desafios morais e até espirituais surgem em seu caminho, forçando-os a confrontar as verdadeiras forças que sustentam sua relação. Uma história que vai além da diversão e mostra o valor de um amigo em momentos de crise. 

Para o diretor Valdir Ramos, “Um Pelo Outro não é apenas uma história de amizade, é um retrato das trajetórias humanas que passamos como profissionais, como amigos e como seres espirituais. Esse espetáculo mexe profundamente com as emoções do público, pois a proposta não é apenas fazer teatro, mas viver o teatro, é permitir que as emoções guiem a experiência”. A peça oferece mais do que um simples enredo, levando o público a uma reflexão sobre os vínculos que ultrapassam a matéria e nos fazem repensar até onde estamos dispostos a ir por aqueles que amamos. Guido e Will nos mostram que, mesmo nas situações mais extremas, o amor e a lealdade são forças capazes de transformar vidas. 

A produção do espetáculo também destaca o trabalho Lucienne Cunha, na direção de produção; a colaboração de  Rafael Bugath na sonorização e iluminação, que juntos criam a atmosfera envolvente e emocionante necessária para que a história se revele da maneira mais impactante possível.

Deveras, um espetáculo que convida à reflexão  sobre a verdadeira natureza da amizade, os sacrifícios que ela exige e o quanto estamos dispostos a enfrentar por aqueles que chamamos de irmãos. Uma história que tocará o coração do público e ficará com ele muito após o fim da última cena. Não perca a chance de vivenciar essa emocionante jornada de amizade, lealdade e transformação. 

 
Serviço
Espetáculo “Um Pelo Outro - Dois Amigos, Dois Irmãos”
Teatro Unicid: Avenida Imperatriz Leopoldina,550; na Vila Leopoldina
Sábado, dia 2 de agosto, às 21h00
 R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia entrada). Para compra, acesse: https://www.diskingressos.com.br/evento/633/2025-08-02/sp/sao-paulo/um-pelo-outro

.: James Cameron toca o terror e “Fogo e Cinzas” é o "Avatar" mais sombrio


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com.

O aguardado terceiro filme da franquia “Avatar”, intitulado "Avatar - Fogo e Cinzas" ("Avatar - Fire and Ash"), tem estreia marcada para o dia 18 de dezembro de 2025 e promete levar os espectadores a uma jornada ainda mais profunda e sombria pelo universo de Pandora. Sob a direção do cineasta James Cameron, vencedor do Oscar e conhecido por sua obsessão pela perfeição visual e narrativa, o longa continua a saga épica iniciada em 2009, trazendo de volta personagens centrais como Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña), agora imersos nos dilemas familiares e espirituais provocados pela morte do filho Neteyam, ocorrida no final do segundo capítulo da saga, "Avatar - O Caminho da Água".

O trailer divulgado recentemente, que teve estreia nos cinemas antes das sessões de "Quarteto Fantástico - Primeiros Passos", revelou paisagens deslumbrantes, efeitos visuais de tirar o fôlego e uma nova ameaça: o Povo das Cinzas, um clã Na’vi que vive em regiões vulcânicas de Pandora e que rejeita a deusa Eywa, entidade espiritual venerada pelas outras tribos do planeta. Liderados por Varang, interpretada por Oona Chaplin - conhecida pelo papel marcante em "Game of Thrones" - os Ash People apresentam um olhar pragmático, cético e combativo diante da espiritualidade dominante, o que promete reconfigurar os embates éticos e políticos do universo criado por Cameron. Ao contrário dos vilões clássicos, Varang surge como uma figura multifacetada, que acredita estar lutando pela sobrevivência de seu povo, mesmo que isso implique em confrontar as demais tribos Na’vi e ameaçar o já frágil equilíbrio do planeta.

O roteiro, assinado por James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver, a partir de uma história também desenvolvida com Josh Friedman e Shane Salerno, pretende explorar a tensão entre tradição e ruptura, espiritualidade e razão, coletividade e individualismo. Além de Worthington, Saldaña e Chaplin, o elenco traz de volta nomes como Sigourney Weaver, Kate Winslet, Stephen Lang, Cliff Curtis, Britain Dalton, Trinity Bliss, Jack Champion e Bailey Bass. Há ainda novas adições importantes, como David Thewlis, que interpreta um Na’vi de destaque, e Michelle Yeoh, vencedora do Oscar, cujo papel ainda é mantido sob sigilo, mas que já gera grande expectativa entre os fãs.

Filmado na Nova Zelândia entre 2017 e 2020, simultaneamente com "Avatar - O Caminho da Água", a continuação "Fogo e Cinzas" passou por uma série de adiamentos - nove, no total - até chegar à atual data de estreia. James Cameron, no entanto, justifica os atrasos como parte de seu esforço por entregar um épico visual e emocional à altura das expectativas. E promete: este será o mais longo dos três filmes lançados até agora, com duração superior a três horas. A fotografia é assinada por Russell Carpenter, enquanto a trilha sonora fica a cargo de Simon Franglen, que segue os temas criados pelo saudoso James Horner, compositor do primeiro filme.

Um dos grandes atrativos do novo capítulo é a introdução dos Wind Traders, um grupo nômade que viaja pelos céus de Pandora e representa um contraponto ao radicalismo dos Ash. A coexistência (ou não) entre esses povos distintos, além do retorno da ameaça humana encarnada na figura do coronel Quaritch (Stephen Lang), agora em sua forma recombinante, adiciona camadas à narrativa de resistência, pertencimento e reconstrução. Pandora, que já foi um cenário de fuga e refúgio, agora se torna o palco de disputas internas e fraturas culturais que ultrapassam a dicotomia entre humanos e Na’vi.

O filme será exibido em uma gama de formatos premium, incluindo IMAX 3D, RealD 3D, Dolby Cinema, Cinemark XD, 4DX e ScreenX, reafirmando o compromisso da franquia com a imersão tecnológica e sensorial. James Cameron já declarou que, embora esteja profundamente envolvido com a finalização deste terceiro capítulo, os roteiros dos episódios quatro e cinco estão prontos, com lançamento previsto para 2029 e 2031, respectivamente. Com isso, a saga Avatar pretende atravessar três décadas de cinema, consolidando-se como um dos projetos mais ambiciosos e visualmente revolucionários da história da sétima arte.

Com uma narrativa centrada no luto, na ruptura cultural e na resistência, "Avatar - Fogo e Cinzas" promete ir além do espetáculo visual. James Cameron desafia o público a refletir sobre o que é sagrado, quem define o bem e o mal, e até que ponto a sobrevivência justifica o conflito. Em meio a vulcões ativos, rituais de guerra, novos clãs e dilemas ancestrais, Pandora continua sendo um espelho grandioso das contradições humanas - mesmo quando estas vêm com cauda, pele azul e uma conexão neural com a natureza.


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"Avatar - Fogo e Cinzas" | "Avatar - Fire and Ash"
Classificação:
a definir (provavelmente 12 anos, como os filmes anteriores) | Ano de produção: 2020 (filmado entre 2017 e 2020) | Idioma: inglês e na’vi | Direção: James Cameron | Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver | Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet, Oona Chaplin, Cliff Curtis, Britain Dalton, Trinity Bliss, Jack Champion, Bailey Bass, David Thewlis, Michelle Yeoh | Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures | Duração: estimada em mais de 3 horas (tempo oficial ainda não divulgado) | Cenas pós-créditos: não (seguindo o padrão dos filmes anteriores da franquia) | Sinopse resumida: em "Avatar - Fogo e Cinzas", James Cameron leva o público de volta a Pandora, onde Jake Sully, Neytiri e seus filhos enfrentam um novo e explosivo desafio: o clã rebelde dos Na’vi conhecidos como Povo das Cinzas. Vivendo entre vulcões e rejeitando a deusa Eywa, esse grupo liderado por Varang ameaça a harmonia do planeta, enquanto os Sully lutam para proteger sua família e seu lar em meio ao luto, à guerra e a um mundo cada vez mais dividido.

.: “Pietá - Um Fractal de Memórias” em agosto, no Teatro de Arena, em SP


Espetáculo com texto de Marcelo Novazzi traz Dan Rosseto e Giselle Tigre como protagonistas em espetáculo ambientado nos anos 80

Com trajetória ampla no audiovisual, Paulo Gabriel encara um novo desafio: dirigir nos palcos um texto relevante a sociedade moderna: a saúde mental. A peça “Pietá, Um Fractal de Memórias” faz temporada de 1º a 17 de agosto no emblemático Teatro de Arena, em São Paulo, com dramaturgia original de Marcelo Novazzi, e sessões às quintas, sextas e sábados às 20h00 e domingo às 18h00.

O espetáculo será contado pelo prisma de uma dinâmica terapêutica, como uma espécie de um jogo teatral visto em psicodramas. Os então atores-jogadores tomarão posse de seus personagens e iremos vivenciar e presenciar as angustias de Pedro (Dan Rosseto), um fotojornalista, apaixonado pela escrita, imagens e pensamentos filosóficos, mas que acaba por viver preso nas lembranças e em seus traumas. Deslocado da realidade, Pedro se encontra refém das suas frustrações e mazelas e não consegue sair disso o que o leva a quadros de ideações suicidas- tema principal da sessão. 

Em uma noite de Natal da década de 1980, o protagonista já tomado pela depressão avançada, busca cúmplices e justificativas para tirar a vida, e nesse pensar e remoer sobre a própria trajetória, reavive fragmentos de densas lembranças com pessoas que marcaram sua vida, como a trágica mãe Odete (Giselle Tigre) e sua intensa namorada Carol (Mayara Mariotto), mas que encontra um farol de salvação na terapia inovadora aplicada por Susan Helena (Giovana Yedid).

A peça aborda temas importantes e atuais, como a depressão, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o principal fator de risco para o suicídio; o suicídio, que em si é considerado por especialistas, um dos grandes problemas do século e intenso entre os jovens; e por fim a Saúde mental, a conscientização e expansão da importância do assunto nos dias de hoje e da gama de processos terapêuticos convencionais e não convencionais, como forma de tratamento desses padrões comportamentais.

“O texto de 'Pietá' me foi apresentado na pandemia pelo autor Marcelo Novazzi. Um texto intenso que demonstrava já na leitura quilate para performances vertiginosas e intensas. Escolhi 'Pietá' para os palcos por dialogar com outras Obras que venho em diálogo e que complementam o tema acerca da saúde mental- a presença e ausência dela-, como o longa-metragem 'Fatalidade' que debate etarismo e Alzheimer; o 'Águas do Litigio' que debate a violência física e mental contra a mulher e ‘Caso Leonardo’, que debate o excesso de poder que resulta na truculência das corporações policiais contra o cidadão comum; Três anos depois, o sonho de ver 'Pietá' nos palcos se tornará realidade e com um time sedento e talentoso por contar essa história”, conta Paulo.

“Pietá, Um Fractal de Memórias” é uma produção independente da Emotion Cultural, Lugibi & Aplauzo Produções e conta no elenco ainda com Mayara Mariotto e Giovana Yeddid e direção de produção de Fabio Câmara. “'Pietá' é um espetáculo que permite valorizar a cena teatral: iremos transitar entre cenas, como em um jogo, fragmentando o ato de contar em prol de uma alegoria teatral em forma de mandala cênica. Debater no tablado estados avançados de depressão que podem levar a ideações suicidas é algo importante a ser explanado e que apesar do ‘pensar trágico’, existe também num outro extremo, o ‘pensar farol’, ou seja, é possível sermos luz ao próximo. O gatilho da esperança e do despertar pode ser um telefonema amigo, um abraço afetuoso, um simples ‘bom dia’ genuíno ou uma dinâmica teatral como esta proposta. A surdez social que vivemos por vezes nos ofusca ao outro, mas que se percebido e tratado a tempo o desfecho pode ser outro. A compaixão é um vetor muito forte na história”, finaliza Paulo Gabriel. Os ingressos de “Pietá, Um Fractal de Memórias” estão à venda neste link. 

Ficha Técnica
Espetáculo “Pietá, Um Fractal de Memórias”
Texto: Marcelo Novazzi
Adaptação e direção: Paulo Gabriel
Direção de produção: Fabio Camara
Direção residente: Dan Rosseto
Elenco: Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto
Iluminador: Wagner Pinto e Carina Tavares
Assistente de direção: Giovanna Campanharo e Isabelli Zavarello
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Bruna Longo
Figurino e cenário: Fabio Camara
Arquitetura cênica: Paulo Gabriel
Operador de luz: Beto Boing
Operador de som: Giovanna Campanharo
Fotos: Erik Almeida
Redes sociais e arte gráfica: Stephano Matolla
Comunicação: Fabio Câmara
Produtora associada: Girassol em Cena Produções e Candeal Produtora
Realização: Applauzo Produções, E!motion Cultural e Lugibi Produções
 

Serviço
Espetáculo “Pietá, Um Fractal de Memórias”
Temporada: 31 de julho a 17 de agosto
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Endereço: Rua Doutor Teodoro Baima, 94, República
Lugares: 99 lugares.
Dias e horários: quintas, sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h99
Informações: (11) 95077 7050
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia).
Duração: 75 minutos
Gênero: drama/ existencialista
Classificação: 14 anos

.: "Buraco Quente", de literatura erótica feminina, será lançada nesta quarta


Nesta quarta-feira, dia 30 de julho, às 20h00, a editora Garoupa vai fazer o lançamento de "Buraco Quente - Antologia de Literatura Erótica Feminina", o primeiro título de Piranha, seu selo destinado a literatura erótica. O evento acontece no UM55 - Rua Epitácio Pessoa 15, na Vila Buarque, Centro de São Paulo - SP. Algumas autoras estarão no evento e farão leitura de seus textos. A entrada é gratuita.

Organizada pela editora, escritora e pesquisadora Marina Ruivo, a antologia traz textos de Adriana Garcia, Adriana Mondadori, Alice Queiroz, Amara Moira, Ana Dos Santos, Anna Apolinário, Beth Brait Alvim, Carolina Montone, Catia Cernov, Cibely Zenari, Cida Pires, Cíntia Colares, Fernanda Jaber, Geruza Zelnys, Giselle Ribeiro, Helena Tabatchnik, Iara Rennó, Isabella Miranda, Kah Dantas, Leila Ferraz, Lídia Codo, Lúcia Santos, Maíra Valério, Márcia Barbieri, Maria Fentz, Marina Ruivo, Monique Prada, Ná Estima, Natália Nolli Sasso, Natânia Lopes, Sílvia Caselatto, Tereza Almeida, Yolanda Serrano Meana.


Sobre Buraco Quente, por Marina Ruivo
O universo dos contos eróticos - e da literatura erótica, de modo amplo - surgiu para mim quase por acaso. Era o ano de 2013, eu havia concluído há pouco meu doutorado e estava frequentando pela primeira vez uma oficina de escrita, na busca de enfrentar os fantasmas deste desejo, o da escrita. Tinha colocado algo de forma muito clara para mim: ou eu daria, enfim, vazão a tal desejo, sem medo, ou colocaria nele um ponto final e deixaria tudo para lá, fixando-me na carreira acadêmica.

Em meio a essa decisão, a primeira oficina de que participei foi do escritor Marcelino Freire, uma experiência marcante e que acabou me levando, com os anos, a desistir não da escrita, mas da outra opção, a academia — o que daria origem a outra história, mas esta não cabe aqui, onde o que importa é a erótica. E foi nessa oficina que ela abriu suas portas para mim, pois um dos exercícios que Marcelino nos passou foi o de escrever um conto do gênero. Era algo absolutamente novo para mim e parti de onde imaginei que podia, antes de qualquer tentativa de escrita: da leitura. 

Tinha em casa uma edição de "Delta de Vênus", de Anaïs Nin, e me pus a ler os seus contos, para depois brincar de me colocar em uma situação semelhante à que a autora se encontrou quando os escreveu. Ou seja, tentei imaginar como Preliminares seria se eu tivesse que escrever contos eróticos por encomenda — e com a missão explícita de que eles excitassem o leitor. Será que eu conseguiria?

Foi dessa brincadeira que surgiu a primeira versão de “Riozinho”. Mostrei o conto aos meus colegas de oficina e ao Marcelino, publiquei-o num zine da nossa turma e, depois, em uma revista digital só de arte erótica, hoje extinta (Sexus). Recebi críticas em geral positivas, tanto no âmbito literário, quanto no sentido de que, sim, as pessoas tinham se sentido excitadas durante a leitura. Alguns leitores homens, no entanto, disseram que o narrador ainda não estava plenamente convincente como uma figura masculina, uma observação que registrei em um canto da mente, deixando para verificá-la quando fosse publicar o conto em um livro.

No ano passado, ministrei uma oficina em que o desafio proposto aos participantes foi o mesmo que eu tinha me imposto: lermos os contos de Anaïs Ninn e tentarmos escrever a lgosemelhante, isto é, algo que funcionasse como um bom conto, em termos literários, e que tivesse a capacidade de excitar sensorial e sensualmente o leitor. Foi uma experiência saborosíssima e, dela, duas participantes comparecem aqui neste livro, Cida Pires e Sílvia Caselatto. Quando elaborei a oficina, havia pensado na publicação de um livro de contos como um resultado final, porém a ideia acabou não vingando. Ou melhor, não naquele momento.

Neste ano, conversando com Cristiano N. A. a respeito da editora e de seus caminhos possíveis, surgiu a ideia de criar um selo propriamente erótico, e foi então que ele apresentou a sugestão do nome. No universo dos peixes da Garoupa, o selo erótico só pode ser o Piranha, falou. Rimos muito e adoramos. Pronto, o selo tinha um nome e a Piranha tinha que nascer. Cristiano assumiu a missão de criar o logo, esta poderosa boca de piranha, e eu passei a pensar no que seria seu primeiro livro. Desde o início, imaginei que ele teria de reunir apenas textos escritos por mulheres, pois nós é que somos, ainda hoje e apesar de todas as lutas e conquistas feministas, situadas como objetos do desejo erótico masculino, ou, então, vistas como os seres que deveriam ser desprovidos de desejo, mero receptáculo assexuado do masculino. Dar voz ao desejo feminino e às muitas formas de olhar o sexo das mulheres é o que move este livro, cujo título, aliás, também foi sugerido pelo Cristiano, e novamente como uma brincadeira-provocação: "Buraco Quente".

Comecei a convidar as mulheres, cis e trans, procurando descobrir nomes de autoras que estivessem em várias regiões do país, de várias idades e vivências. E assim fui chegando, com o auxílio generoso das próprias autoras e do editor Genio Nascimento (da Gênio Editorial), a este time fantástico que está aqui, e que figura as múltiplas formas da erótica literária contemporânea. Há, assim, contos e poemas que falam orgulhosamente de nosso órgão sexual, como os poemas de Natália Nolli Sasso, Ana Dos Santos e Lídia Codo, e há textos paródicos e críticos, como o delicioso “Dolores”, de Geruza Zelnys, ou irônicos, como “Confissões de uma histérica”, de Márcia Barbieri, que nos leva a conhecer mais uma personagem feminina viciada em sexo. Há os textos em prosa poética, como “Me chame de Legião”, de Anna Apolinário, ou “Concupiscência”, de Kah Dantas, e ainda os diálogos eróticos com a própria língua e a literatura, feitos por Giselle Ribeiro.

Estão presentes também os textos que falam de experiências sexuais inusitadas, como a que se propôs a narradora de “O túnel”, no conto de Cida Pires, ou aqueles que se propõem ensinar o que o homem deve fazer para nos dar prazer, como “Manual”, de Helena Tabatchink, bem como textos que falam de encontros e desencontros sexuais e amorosos, como os poemas “Da epiderme ao osso”, de Ná Estima, e “É lá no céu que acontece”, de Cíntia Colares, ou os contos “Escrito na areia”, de Sílvia Caselatto, “Do doce ao gozo”, de Adriana Mondadori, e ainda “Quer café?”, de Maria Fentz, e “Cangote”, de Carolina Montone.

Estão aqui também os textos que falam especificamente das delícias do sexo entre mulheres, como o poema “Nas alturas”, de Cibely Zenari, e o conto “O jantar”, de Adriana Garcia, além de textos que enaltecem o prazer sexual inclusive quando o sexo é profissão, como o conto “Babel” de Monique Prada, ou o poema “Parafina”, de Alice Queiroz. E há, por outro lado, aqueles que trazem o peso da culpa que às vezes ainda permeia o sexo, sobretudo quando ligado a experiências não consentidas, questionando-a, como no conto “Camilo em uma noite”, de Tereza Almeida, ou mesmo experiências permeadas pelo tenso cruzamento com o universo religioso, como “Benedictus”, de Natânia Lopes, ou “A régua do desejo é uma palmatória”, de Maíra Valério. Há ainda um conto todo em bajubá, divertidíssimo e escrito a quatro mãos, por Amara Moira e Isabella Miranda, e textos provocativos e brincalhões, como o “Poeminha” de Iara Rennó, ou o delicado poema “Tarde de jogos”, de Yolanda Serrana Meana.

Há poemas curtinhos, como uma rapidinha, tal qual os haicais de Lúcia Santos ou Fernanda Jaber, e há poemas bem mais longos. Há também aqueles que dialogam com o surrealismo, como os de Beth Brait Alvim e Leila Ferraz, ou os afiados poemas de Catia Cernov, que fazem uso de um registro todo próprio da linguagem. Em Buraco quente, como se vê, a variedade é o que reina, como várias são as formas de dar vazão ao desejo erótico. Para a minha participação, resolvi voltar a “Riozinho”, e acabei por reescrevê-lo, ainda que preservando seu enredo e personagens. É ele, inclusive, o único conto que fala a partir da ótica de um narrador e personagem masculino, mas resolvi mantê-lo assim, até porque acredito que pode ser bem interessante uma mulher escrever um conto erótico do ponto de vista masculino. Fomos narradas e representadas por homens desde sempre, por que não podemos inventar experiências para narradores masculinos? A ficção é o território da liberdade — e nisso ela se aproxima de forma muito íntima da erótica. Este livro, leitora, leitor, é para você. Para você se divertir, se deliciar, rir, se emocionar e, evidentemente, se excitar. Compre o livro "Buraco Quente - Antologia de Literatura Erótica Feminina" neste link.


Ficha técnica
"Buraco Quente - Antologia de Literatura Erótica Feminina"
Editora Garoupa
Preparação de originais: Carolina Passos
Revisão: Maria Paula Lucena Bonna
Diagramação: Vagner Mun
Fotos do miolo: Nana Santos (@nanasantos.pa)
Capa: Cristiano N. A.
Edição: Marina Ruivo
Páginas: 172
ISBN: 978-65-987299-0-5


Serviço
Lançamento da antologia "Buraco Quente - Antologia de Literatura Erótica Feminina"
UM55 - Rua Epitácio Pessoa 15, na Vila Buarque, Centro de São Paulo
Quarta-feira, 30 de julho de 2025, às 20 horas
Entrada gratuita

segunda-feira, 28 de julho de 2025

.: Fran Ferraretto, a atriz que costura poesia e porrada com linha de cena


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Fotos:  Julieta Bacchin 

Se a arte fosse uma espécie de luta, Fran Ferraretto entraria no palco sem luvas, mas com a alma em punho. Ela faz mais que interpretar personagens - ela os encarna até o osso. E quando escreve, não faz literatura: brada em forma de texto. Atriz, dramaturga, professora, pesquisadora, premiada, inquieta e indisciplinadamente verdadeira, Fran transita entre o lúdico e o abismo com a naturalidade de quem se recusa a ser domesticada pela caretice estética, política ou espiritual.

Depois de colocar a infância para pensar sobre relacionamentos abusivos em "A Minicostureira", ela volta ao palco agora com "Adulto" - um espetáculo que não pega o espectador pela mão, mas empurra pela consciência. A peça se divide em duas camadas narrativas: a da autora que escreve a obra enquanto, em cena, acontece uma crise conjugal entre os personagens João e Sara, intensificada com a chegada de Vitor e Paula, um casal de amigos que acende o pavio de questões silenciadas. 

Entre revelações, rachaduras e provocações, temas como traição, monogamia, maternidade, machismo, saúde mental e o mito do amor romântico explodem em cena com honestidade brutal. Nesta entrevista exclusiva ao Resenhando.com, Fran não economiza palavras, não disfarça verdades, não posa de musa e nem tenta parecer simpática. Ela é. Ela existe. Ela grita. Ela arrebata. E ponto. Quem não estiver preparado, que desvie o olhar. O palco já está armado.


Resenhando.com - Você já disse que “o palco a deixa em carne viva”. No Brasil de hoje, ser atriz é mais ato político, exercício espiritual ou sadomasoquismo profissional?
Fran Ferraretto - Eu disse isso? (risos). Bom, sem dúvida é um ato político! E se a gente pensar na falta de incentivo que temos no nosso país, eu diria que é um ato de resistência também. Mesmo que os teatros estejam lotados, e com toda a repercussão do cinema nacional pelo mundo, o investimento na cultura ainda é muito difícil, e sem isso não viabilizamos nada. Portanto, quando conseguimos realizar alguma coisa, esse trabalho é um retrato de luta. E isso precisa mudar!


Resenhando.com - Você fala com propriedade sobre relacionamento abusivo em obras para crianças. Mas e no mundo adulto da cultura, qual foi o "relacionamento abusivo" mais difícil de romper: com um diretor, um personagem ou com a ideia de sucesso?
Fran Ferraretto - Eu acredito que foi comigo mesma. Em me enxergar e me aceitar como uma mulher realizadora, não foi fácil. Tentei negar, diminuir essa pulsão, me descredibilizar, e isso tudo porque ainda temos muito poucas figuras de mulheres de autoridade e poder no nosso meio, infelizmente. Os espaços artísticos ainda são dominados por homens. E isso nos faz pensar que a gente não pode, ou não consegue. Mas isso não é verdade, e estamos concretizando essa mudança.


Resenhando.com - O espetáculo “Adulto” estreia em breve. Na sua opinião, quando é que a gente vira “adulto”? Ao pagar boletos, ao se apaixonar por quem não retribui ou ao ter que aplaudir colega ruim só por educação?
Fran Ferraretto - Sim, estrearemos muito em breve. Dia 29 de agosto no Sesc Ipiranga, e ficamos até 12 de outubro. Eu estou muito feliz! Acho que entre os muitos temas que a peça aborda, esse é um deles, o marco de entrada na vida adulta. Não existe uma regra, um guia, então acho que cada pessoa vai encontrar o seu caminho. Mas o capitalismo é imponente, e sem dúvida essa conquista passa pela liberdade financeira, seja para sair da casa dos pais, ter filhos, viajar, fazer uma faculdade, enfim. O dinheiro não é uma escolha, mas cada pessoa lida de uma forma com essa demanda, e isso será bem debatido no espetáculo.


Resenhando.com - Você já viveu o teatro sob direções muito distintas - das mais experimentais às mais afetivas. Qual foi a maior revolução estética ou ética que um processo de criação já provocou em você?
Fran Ferraretto - Olha, estou justamente passando por isso agora. Trabalhar com a Lavínia Pannunzio era um sonho antigo. Nos conhecemos em 2014, e eu sou louca nessa mulher desde então. E agora estar vivendo e dividindo a criação de uma obra com ela, tem sido extraordinário. A escuta, o cuidado, a atenção, o respeito, a inteligência, a generosidade, tudo isso tem sido uma revolução pelo amor. Um dia antes da gente começar os ensaios ela disse: "vamos colocar nossas almas nessa peça, Fran". E assim tem sido!


Resenhando.com - Você já lavava as mãos antes da pandemia. Hoje, o que você não lava mais: a consciência, as mãos de certos convites ou o sangue simbólico dos papéis que te atravessam?
Fran Ferraretto - Eu não sei se entendi a pergunta, mas acho que estou cada vez mais lavando a ideia de dar conta de tudo, sabe? Uma hora na vida adulta a gente entende que depende de nós, aí vamos virando uma máquina de fazer, render, produzir, e isso é muito perigoso. É uma armadilha dos nossos tempos, e tem adoecido muita gente. Então estou tentando me livrar dessas expectativas idealizadas que colocam nas nossas cabeças, e a gente aceita sem pensar.


Resenhando.com - Você disse que as crianças a ensinam a assimilar melhor as coisas do mundo. O que os adultos, principalmente os homens, ainda têm a aprender com você no palco?
Fran Ferraretto - Não sei se aprender comigo, mas o meu próximo espetáculo, "Adulto", vai propor algumas reflexões importantes nesse sentido, principalmente sobre a consciência de um privilégio estrutural direcionado aos homens. E sem esse entendimento não avançaremos.


Resenhando.com - “A Minicostureira” tem inspiração no Tarô egípcio. Se você tirasse uma carta hoje para o teatro brasileiro, qual seria e por quê?
Fran Ferraretto - A primeira que eu pensei foi a "Roda da Fortuna". Que é também um desejo de que as coisas mudem e se transformem para melhor. Que os projetos encontrem as pautas, que os artistas encontrem as oportunidades, que o teatro encontre fomento e o público sempre.


Resenhando.com - Se a Fran Ferraretto de 2025 encontrasse a Fran criança, aquela que não tinha respostas nem acolhimento, o que ela diria? E o que a pequena responderia?
Fran Ferraretto - Primeiro eu a abraçaria, e tenho feito isso diariamente. Diria que as coisas seriam melhores do que ela pensava, pediria para ela não perder alegria, e nem aquela confiança interna que sempre acompanhou a gente. E também agradeceria, afinal, de certa forma foi ela que me trouxe até aqui.


Resenhando.com - Como é trabalhar em um país em que o maior cachê de um artista pode vir de uma publi no Instagram e não de uma peça que esgota ingressos? Isso a desespera ou a desafia?
Fran Ferraretto - É desolador, né!? Foi tudo o que falei nas outras respostas. São tantos desafios, que sem resistência a gente não dura um dia nessa profissão. Mas falando individualmente, eu prefiro não colocar muito meu foco nessa questão, até porque acho que me desanimaria demais, sabe? Eu estou ciente, mas prefiro trabalhar nos meus projetos e brigar pelas minhas peças.


Resenhando.com - Entre Blanche Dubois, de "Um Bonde Chamado Desejo", Mirella, de “Feras”, Clara, “a minicostureira”, e a Fran da vida real - qual delas você levaria para uma ilha deserta? E qual você deixaria na rodoviária sem olhar para trás?
Fran Ferraretto - Eu levaria a Clarinha, óbvio. "A Minicostureira" foi minha primeira dramaturgia e idealização, significa muito para mim essa peça. Inclusive estamos voltando a circular aqui em São Paulo, depois de oito anos da estreia, e tem sido maravilhoso. Em setembro estaremos no Sesc Interlagos, e estou muito feliz. Acho que não conseguiria deixar nenhuma, sou apegadinha (risos).


Serviço
Espetáculo "Adulto"
Temporada: de 29 de agosto a 12 de outubro de 2025
Dias e horários: sextas e sábados, às 20h00; domingos, às 18h00
Sessão extra para grupos: quinta-feira, 9 de outubro, às 20h00 (em substituição ao dia 7 de setembro)
Local: Sesc Ipiranga – Teatro
Endereço: rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga / São Paulo
Duração: Aproximadamente 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: à venda no site sescsp.org.br/ipiranga e nas unidades do Sesc
Valores: R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia-entrada), R$ 40,00 (inteira)

.: Música: Marisa Monte surpreende e anuncia turnê com orquestra sinfônica


"Marisa Monte une sua voz à força de uma orquestra sinfônica em 'Phonica': um encontro inesquecível entre o popular e o erudito. Foto: Leo Aversa

"Phonica - Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo" é a primeira turnê de Marisa Monte com banda e orquestra sinfônica formada por 55 músicos especialmente selecionados, sob regência do maestro André Bachur. Em parceria com a T4F, o espetáculo passará por seis cidades brasileiras, com apresentações marcadas para: Belo Horizonte (18 de outubro, no Parque Ecológico da Pampulha), Rio de Janeiro (1º de novembro, na Brava Arena Jockey), São Paulo (8 de novembro, no Parque Ibirapuera), Curitiba (15 de novembro, na Pedreira Paulo Leminski), Brasília (29 de novembro, no Gramado do Eixo Cultural Ibero-Americano) e Porto Alegre (6 de dezembro, no Parque Harmonia). Os ingressos estarão à venda exclusivamente pelo site www.ticketsforfun.com.br. Mais informações serão divulgadas em breve.

O projeto tem patrocínio da Shell e conta com a realização da T4F e parceiros locais em cada cidade. A proposta do espetáculo é unir o popular ao erudito, criando uma experiência sonora única com arranjos complexos e grande riqueza musical. A banda que acompanha Marisa Monte é formada por Dadi Carvalho (violão e guitarra), Pupillo (bateria), Alberto Continentino (baixo) e Pedrinho da Serrinha (cavaquinho e percussão).

A Orquestra Sinfônica é composta por músicos de destaque nacional, entre eles nomes como Priscila Rato, Willian Gizzi, Paloma Pitaya, Beatriz Rodrigues e diversos outros nas seções de cordas, sopros, metais, harpa, percussão, piano e acordeon. A regência é assinada por André Bachur, regente e instrumentista paulistano conhecido pela versatilidade e atuação em importantes formações orquestrais do país, como a Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP), Orquestra do Theatro São Pedro, Orquestra Moderna e Orquestra da Universidade Federal da Paraíba.

"Ao longo dos anos, tive algumas chances de cantar com orquestras, tanto no Brasil quanto no exterior. Foram experiências extraordinárias, emocionantes e inesquecíveis. A interação entre os músicos no palco, a complexidade dos arranjos e a combinação de técnica com a emoção fizeram desses concertos experiências verdadeiramente mágicas". Para esta série especial de seis shows, a artista se uniu novamente ao maestro André Bachur, com quem já havia trabalhado no concerto de comemoração dos 90 anos da USP. “Selecionamos músicos virtuosos das melhores orquestras do país. Junto com minha banda, unimos o popular ao erudito para interpretar clássicos, criando mais uma experiência transcendental”, afirma a cantora Marisa Monte.

"É uma imensa alegria poder participar deste projeto e estar no palco novamente com essa grande artista que admiro desde sempre. O encontro entre Marisa e a Orquestra Sinfônica promete, mais uma vez, uma energia arrebatadora, repleta de ritmos, cores e nuances musicais", destaca o maestro André Bachur. Ele afirma ainda que cada apresentação será única, emocionante e inesquecível para todos os envolvidos.

"Marisa Monte é uma das artistas mais importantes da música brasileira e que vem atravessando gerações com a mesma força, sensibilidade e relevância. Produzir seus shows ao lado de uma orquestra, em parques e lugares que carregam memória e beleza, é mais do que realizar um espetáculo: é construir experiências que tocam profundamente quem assiste e quem faz",  afirma Maitê Quartucci, Head Artístico Nacional da T4F. 

As apresentações contarão com apoios e parcerias locais: em Belo Horizonte, apoio da Shell e parceria da Ímpar Shows; no Rio de Janeiro, apoio da Shell; em São Paulo, patrocínio da Shell e parcerias de mídia com Nova Brasil FM, Alpha FM e Eletromídia; em Curitiba, apoio da Shell; em Brasília, apoio da Shell e parceria da OH! Artes; em Porto Alegre, apoio da Shell, parcerias de mídia com Imobi e Eletromídia, promoção da 102 FM e parceria da Maia Entretenimento.


Serviço
Show "Phonica - Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo"
Ingressos em: www.ticketsforfun.com.br
Belo Horizonte - 18 de outubro - Parque Ecológico da Pampulha
Rio de Janeiro - 1° de novembro - Brava Arena Jockey
São Paulo - 8 de novembro - Parque Ibirapuera
Curitiba - 15 de novembro - Pedreira Paulo Leminski
Brasília - 29 de novembro - Gramado do Eixo Cultural Ibero-Americano
Porto Alegre - 6 de dezembro - Parque Harmonia
Patrocínio: Shell

.: Silvio Meira e Maria Valéria Rezende são os convidados do "Sempre Um Papo"


Encontro propõe uma conversa entre literatura, tecnologia e educação popular para pensar caminhos sustentáveis em um mundo em transformação. Fotos: divulgação

A escritora Maria Valéria Rezende e o cientista e professor Silvio Meira são os próximos convidados do "Sempre Um Papo" no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Os dois vão conversar sobre o tema “Educação para Um Futuro Sustentável”, sob a mediação da jornalista Semayat Oliveira. O evento acontece no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, no dia 5 de agosto, terça-feira, às 19h30.

Na ocasião, os convidados falarão sobre a educação como ferramenta de transformação para um mundo mais justo e sustentável, abordando desigualdades, ancestralidade e novas pedagogias. A entrada para o evento é gratuita, e os ingressos ficam disponíveis para retirada uma hora antes, na bilheteria do Sesc. Depois da conversa, os dois convidados seguem para uma sessão de autógrafos dos seus livros.


Sobre os convidados
Maria Valéria Rezende nasceu em 1942, em Santos, em família de escritores e artistas santistas e mineiros, e vive na Paraíba desde 1976. Conheceu Paulo Freire aos 18 anos e desde então dedicou-se à Educação Popular, em diferentes regiões do Brasil e no exterior.  Publicou seu primeiro livro de ficção às vésperas de completar 60 anos. Desde então publicou mais de 20 livros para crianças, jovens e adultos, recebendo vários prêmios (Jabuti, São Paulo, Oceanos, Biblioteca Nacional, Casa de las Americas, etc). Tem obras traduzidas e publicadas em França, Espanha, Itália, Portugal, Argentina, República Dominicana, China, Inglaterra e Rússia.

Silvio Meira é engenheiro (Eletrônico, ITA, 1977), MSc (Computação, UFPE, 1981), PhD (Computing, Kent, 1985), Fundador e Cientista-Chefe da TDS.company, Professor Extraordinário da cesar.school e Distinguished Research Fellow da Asia School of Business. Meira é um dos fundadores do CESAR e do Porto Digital, onde preside o Conselho de Administração. Autor de “O que É Estratégia?”, é membro dos Conselhos da CI&T, Magalu, MRV e Professor na Escola de Marketing do Futuro.

Sempre um Papo - 39 anos 
Criado em 1986, pelo jornalista Afonso Borges, o "Sempre Um Papo" é um projeto cultural que realiza encontros entre importantes nomes da literatura e personalidades nacionais e internacionais com o público, ao vivo, em auditórios e teatros. Em sua história, chegou a 30 cidades de oito estados do país, tendo sido realizado também na Espanha e Portugal. Em 39 anos de trabalho, aconteceram mais de sete mil eventos, que reuniram um público superior a 2,5 milhões de pessoas. Atua em conjunto com o Sesc SP há 23 anos consecutivos, tendo passado por diversas unidades da instituição.

Serviço
"Sempre Um Papo" com Silvio Meira e Maria Valéria Rezende
Dia 5 de agosto, terça-feira, às 19h30.
Retirada de ingressos, gratuitos, na bilheteria da unidade, 1h antes do início da atividade.
Local: Teatro Paulo Autran (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo).
Informações: (11) 3095-9400 - https://www.sescsp.org.br/programacao/sempreumpapo/
Informações: www.sempreumpapo.com.br - @sempreumpapo
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br

.: Liam Neeson vira piada e Pamela Anderson está de volta em comédia


Vídeo divulgado pela Paramount Pictures conta ainda com depoimentos de Pamela Anderson, o produtor Seth MacFarlane e o diretor Akiva Schaffer. Foto: divulgação


“É um gênero novo para mim”, conta Liam Neeson em novo vídeo de bastidores de “Corra que a Polícia Vem Aí”, divulgado hoje pela Paramount Pictures Brasil. “As pessoas estão precisando de algo como esse filme”, comenta o produtor Seth MacFarlane. Conhecido por seu trabalho nas séries animadas “Uma Família da Pesada” e “American Dad!”, ele conta que cresceu amando a franquia e o tipo de comédia absurda que ela propõe. 

Com Liam Neeson e Pâmela Anderson como protagonistas, “Corra que a Polícia Vem Aí” acompanhará a jornada do Tenente Frank Drebin Jr., que mostra como apenas um homem tem as características específicas para liderar o Esquadrão Policial e salvar o mundo. O elenco ainda traz nomes como Paul Walter Hauser (Cobra Kai), Liza Koshy (Transformers: O Despertar das Feras), Kevin Durand (Planeta dos Macacos: O Reinado) e Danny Huston (Mulher Maravilha).

Escrito e dirigido por Akiva Schaffer, o filme é uma associação entre a Paramount Pictures com a Domain Entertainment e a Fuzzy Door Productions. Além de Schaffer, Dan Gregor e Doug Mand também assinam o roteiro. “Corra que a Polícia Vem Aí” estreia em 14 de agosto nos cinemas nacionais. 


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As principais estreias da semana e os melhores filmes em cartaz podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

.: Música e arte: cartunistas prestam homenagem à cantora Preta Gil


A artista, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, trilhou seu próprio caminho, construindo uma carreira marcada por autenticidade, talento e uma energia contagiante. Cartum: Marcelo Maraska

A cantora Preta Gil, que morreu no último domingo, dia 20 de julho, aos 50 anos, após longo tratamento contra um câncer, deixa um vazio imenso no cenário artístico brasileiro. A cantora participou de vários movimentos sociais, como a luta contra a gordofobia, apoio a pessoas LGBTQIA+ e muitos outros. Por isso, sempre esteve em evidência na vida artística e social.

A artista, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, trilhou seu próprio caminho, construindo uma carreira marcada por autenticidade, talento e uma energia contagiante. E como não poderia ser diferente, os cartunistas invadiram as redes sociais com suas homenagens, desenhando caricaturas e cartuns que retratam sua trajetória. Os desenhos foram reunidos pelo presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), José Alberto Lovetro (JAL), e se transformaram na exposição virtual “Preta Gil em Traços Carinhosos”. A exposição pode ser conferida no Blog HQMIX.

"Nós, cartunistas, somos uma tribo que adora música. Desenhamos ouvindo uma trilha sonora conforme nossa arte exige. Preta Gil, com certeza, é uma das cantoras que vão além da música. Foi atriz, empresária e uma das pessoas que muita gente ouve para aprender. Mesmo sendo filha de quem é, conseguiu fazer seu próprio caminho. Que essa homenagem dos cartunistas seja mais um carinho em forma de desenhos para lembrarmos de sua trajetória neste planetinha. Preta Gil vive em sua música dentro de nossos corações”, declarou JAL. A exposição virtual pode ser vista neste link.

sábado, 26 de julho de 2025

.: Carol Prado fala sobre o podcast "Marília - O Outro Lado da Sofrência"


 Podcast inédito do G1 mostra impacto musical e cultural da artista que revolucionou o sertanejo

Marília Mendonça, voz que mudou o sertanejo e a música brasileira, faria 30 anos nesta terça, dia 22. Para reverenciar o legado da artista, morta em um acidente aéreo em 2021, estreia "Marília - O Outro Lado da Sofrência", novo podcast do G1. O podcast busca analisar o impacto provocado pela obra da cantora e compositora que colocou o feminino no centro de um gênero em que os homens eram protagonistas. O projeto também mergulha em sua influência na indústria musical e na formação de novos talentos, além do luto coletivo provocado pela sua partida. Disponível no g1, no Spotify e nas demais plataformas de áudio, o projeto terá cinco episódios, com publicação semanal, às terças-feiras.   

A narrativa é conduzida pela apresentadora Carol Prado, jornalista do G1, que, a partir de entrevistas com artistas, especialistas, fãs e pessoas próximas a Marília, relembra o efeito da sua música e figura pública. Entre os convidados estão precursores do sertanejo, como a dupla Chitãozinho & Xororó; nomes que dão continuidade ao movimento consolidado pela "Rainha da Sofrência", como Simone Mendes; jovens de uma nova geração que tiveram as portas abertas por Marília, como Mari Fernandez e Yasmin Santos; e cantores de outros gêneros que colaboraram com ela, como o rapper Xamã, compositor do hit "Leão", que está entre as mais ouvidos da década no Brasil. 

“Esse é um projeto que tem como objetivo criar um registro jornalístico que dimensione a importância da Marília Mendonça. É algo que, pensando no tamanho que ela teve, o impacto que ela causou, foi pouco discutido até hoje. E, nesse processo, a gente foi descobrindo que não é por acaso que foi pouco discutido”, destaca Carol, que explica que ainda existe um preconceito em reconhecer o trabalho da artista por ela ter representado um estilo de música popular, ao mesmo tempo em que o trauma da sua partida faz com que haja uma dor em uma parte da classe artística em falar sobre ela.   

Para contar essa história, Cláudia Croitor, editora-chefe do g1, reforça o cuidado na apuração, que se concentrou na relevância artística e sociocultural de Marília. “Nosso objetivo é dar um tratamento sensível, aprofundado e de alta qualidade à jornada da artista. O g1 traz uma abordagem que vai além do factual: a equipe faz uma seleção criteriosa dos momentos mais emblemáticos da trajetória de Marília Mendonça, destacando não só os marcos de sua carreira, mas também os dilemas, conquistas e bastidores pouco conhecidos”, avalia.     

Sobre o primeiro episódio   

Na estreia, o podcast relembra a chegada da "Rainha da Sofrência" ao auge, tornando-se uma das vozes mais queridas do Brasil. O primeiro episódio também se aprofunda na tragédia que tirou a vida de Marília e como o ocorrido deixou um país em luto. Além disso, aborda o trauma e as mudanças que a ausência da cantora provocou no mercado da música, refletindo na carreira de outros talentos, como a dupla Zé Neto & Cristiano. "Marília - O Outro Lado da Sofrência", disponível no G1, no Spotify e nas demais plataformas de áudio. O projeto terá cinco episódios, com publicação semanal, às terças-feiras. Carol Prado, jornalista e apresentadora do podcast, fala sobre esse trabalho.    


Como você avalia a importância de Marília Mendonça para a música brasileira?   

Carol Prado - A Marília foi uma figura central do movimento feminejo, que abriu as portas para uma geração de cantoras que surgiu depois. Se a gente olhar para a história do sertanejo, desde o início do século passado - quando foi gravada a primeira moda de viola - até meados dos anos 2010, havia pouquíssima representatividade feminina. Um estilo nascido num contexto muito masculino e, também, dentro de uma estrutura que promovia os artistas, mas que sempre foi muito dominada por homens. A geração do feminejo, que veio liderada pela Marília, mudou totalmente essa perspectiva. Colocou a mulher realmente no centro da narrativa. Isso mudou o mercado para sempre porque esse estilo de compor e cantar virou um filão muito lucrativo na música. Hoje as cantoras sertanejas que surgem, que bombam nas paradas, já encontram um mercado muito mais amigável para as mulheres. A gente tem cantoras que fazem muito sucesso, como Simone Mendes, Ana Castela, Lauana Prado, que estão aí sempre se revezando no topo das paradas, muito graças a essa porta que foi aberta pela Marília Mendonça.   


Qual foi o desafio de, em cinco episódios, fazer uma retrospectiva da carreira da cantora e dimensionar o seu impacto?    

Carol Prado - O principal desafio foi organizar os braços temáticos que mostram a importância da Marília Mendonça. Ela fez tanta coisa, foi uma artista tão grande apesar do pouco tempo: foram seis anos só de trajetória como cantora. Ela já tinha uma carreira pregressa como compositora, mas, como cantora mesmo, famosa no Brasil, foram seis anos. Ela foi a cantora mais popular da última década no Brasil e também da era da música consumida pela internet no país. Dimensionar e dividir essa importância em temas foi difícil, a gente teve que se sentar e organizar: o que a gente vai falar sobre a Marília compositora? O que a gente vai falar sobre a Marília cantora? E da relação da Marília com os fãs?   


O que você descobriu sobre a carreira da Marília que mais a marcou durante a gravação do podcast?    

Carol Prado - Tem duas coisas que me surpreenderam muito. A primeira é sobre o início da carreira dela. Eu já sabia que a Marília tinha começado muito nova a compor músicas, ainda adolescente, mas eu não tinha o conhecimento mais profundo sobre as músicas que ela compôs. Ela começou a compor com 12 anos e já eram músicas muito maduras. Se olharmos as letras, eram canções com discursos maduros, com situações e sentimentos complexos. Isso me deixou muito fascinada. (...) A segunda coisa é, na verdade, o impacto da morte da Marília. Eu já sabia que a morte dela foi muito intensa para o mercado da música, que tinha gerado um trauma, mas eu não sabia que algumas coisas práticas mudaram no sertanejo por causa disso.   


O que o público pode esperar do podcast?  

Carol Prado - O público vai ficar com muitas saudades da Marília, mais ainda do que a gente já sente. O legal é que essa é uma história enriquecedora, não só para quem é fã da Marília, mas também para quem, às vezes, não curte o sertanejo e não presta muita atenção nesse tipo de música. Essa é uma história interessante para todo mundo. Como uma grande artista, por meio do talento, do posicionamento, das escolhas, da estratégia, consegue mudar questões estruturais no mercado. Para quem gosta de música, é uma história muito interessante, muito curiosa. Eu tenho certeza de que quem ouvir vai sair com perspectivas novas sobre música, a indústria musical, sobre o que é ser artista, talento, luto, porque esse é um tema muito forte quando a gente fala de Marília Mendonça. Então, o que o público pode esperar é isso. Muitas saudades, mas também reflexões muito importantes.   

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