quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

.: Entrevista com Gottsha, atriz, cantora e dubladora

"...qualquer personagem me fascina",
Gottsha - atriz, cantora e dubladora.

Por Helder Moraes Miranda, em novembro de 2017.



Nascida Sandra Maria Braga Gottlieb, ela ficou conhecida como Gottsha. O nome é a fusão da primeira sílaba do sobrenome e a primeira sílaba do prenome acrescido de H, para ficar sonoro. A força de como ela é chamada revela uma mulher espetacular repleta de sensibilidade e talento. 

Gottsha é capaz de brilhar nos palcos de grandes musicais e em novelas de sucesso, como em "Senhora do Destino", quando interpretou a cantora Crescilda, fenômeno de audiência quando foi exibida no horário nobre e a reprise de mais audiência da década esse ano, no "Vale a Pena Ver de Novo". 

Mas o talento dela não tem fronteiras, por isso também é a voz brasileira da Mother Gothel, vilã de "Enrolados", a Roz de "Monstros S.A.", e a Bulda de "Frozen", todos clássicos da Disney. Cantora do estilo eurodance, teve seu primeiro sucesso tocado nas rádios em 1994. "No One to Answer", que deu nome ao seu primeiro álbum, foi sucesso em cerca de 50 países. "Break Out", o segundo grande hit, foi utilizado em quase todas as academias de ginástica brasileiras.

Em 1997, ela estreou profissionalmente no teatro, com o musical "As Malvadas", de Charles Möeller e Cláudio Botelho, com quem voltou a trabalhar no ano 2000, com o musical "Cole Porter - Ele Nunca Disse que Me Amava", que bateu todos os recordes de público dos teatros em que se exibiram durante os três anos em cartaz e lhe rendeu o Prêmio Qualidade Brasil de Atriz Revelação de Teatro. Outro momento marcante da carreira de Gottsha foi entre 2016 e 2017, quando protagonizou ao lado de Marcelo Médici a montagem brasileira do musical "The Rocky Horror Show", de Richard O'Brien, mais uma vez dirigida pelos mestres Charles Möeller e Claudio Botelho, no Teatro Porto Seguro, onde interpretou as personagens Baleira e Magenta - crítica nesse link.






RESENHANDO - Você nasceu Sandra Maria Braga Gottlieb. Por que o nome Gottsha?
GOTTSHA - Esse nome foi dado a um trio que tive em 93. Eu queria que fosse um nome que pudesse ser meu caso o trio acabasse, e foi exatamente o que aconteceu. O nome foi dado por um grande amigo que se inspirou no "gotcha" do americano "te peguei". Logo descobri que essa sonoridade existia em meu pré-nome e sobrenome (Sandra Gottlieb) , invertendo-os e cortando as sílabas, além de um acréscimo de "H" entre o "S" e "A" do meu pré-nome, ou seja: GOTT + SHA. 


RESENHANDO - Quando percebeu que queria, mesmo, ser artista?
GOTTSHA - Desde que me entendo por gente queria ser atriz, mas a música estava em mim desde muito pequena, minha mãe conta que assobiei antes de falar, mas me lembro que aos sete anos ganhei um gravador e não parava de me gravar e ouvir. 


RESENHANDO - Como, quando e por que você começou a cantar?
GOTTSHA - Estudei numa escola maravilhosa chamada Colégio Andrews e lá tínhamos aulas de teatro e saraus no final do ano. Era louca pelas aulas de teatro, mas tinha que chegar a uma determinada série pra poder desfrutar dessa "matéria", então fugia e me escondia dentro do teatro e assim podia me encantar com as montagens e aulas na época, do nosso querido Miguel Falabella, que era o professor. Participava dos saraus também e quando tive oportunidade de cursar o teatro, fiz um musical chamado "Happy End", com direção do Miguel. Tudo começou aos 14 anos.


RESENHANDO - Que dificuldades você teve para se profissionalizar e ser respeitada nos musicais e afins?
GOTTSHA - Tudo foi acontecendo muito naturalmente. Quando conheci Charles Moeller  e Claudio Botelho em 96, logo estreei num musical chamado "As Malvadas" e nunca mais parei.


RESENHANDO - E se não fosse artista, o que escolheria como profissão?
GOTTSHA - Não me vejo fazendo outra coisa a não ser relacionado às artes... Talvez algo ligado à moda, que sou apaixonada também.


RESENHANDO - Você é atriz, cantora e dubladora. Bem-sucedida em todas essas áreas. Dessas profissões, em qual você se sente mais realizada e em qual sente mais prazer?
GOTTSHA - A música sem dúvida é uma coisa divina ,  nasceu em mim, digo que esse dom foi realmente um presente de Deus.


RESENHANDO - A reprise de "Senhora do Destino" teve muita repercussão e a sua personagem fez sucesso. Quais as lembranças têm da época dessa novela?
GOTTSHA - Senhora do Destino foi maravilhoso em minha vida, estava cercada de feras no meu primeiro trabalho grande em TV, vai ser inesquecível e essa segunda reprise sempre traz boas lembranças e comentários.


RESENHANDO - Quais são os papéis dos sonhos de Gottsha - na TV, no teatro e no cinema?
GOTTSHA - Na TV, acredito que todo ator quer um personagem cruel, o vilão é sem dúvida um sonho de consumo. No teatro, não tenho grandes ambições, fico feliz só de poder estar no palco, qualquer personagem me fascina. No cinema, como nunca fiz, adoraria começar com uma comédia, um personagem divertido, talvez até pra crianças, que amo.


RESENHANDO - "No One to Answer" e "Break Out" foram alguns de seus grandes sucessos e até hoje são lembrados. O que essas canções tinham de autobiográficas?
GOTTSHA - Na verdade, nada autobiográficas. Fui a primeira cantora brasileira da década de 90 a fazer um trabalho todo produzido e cantado em inglês, made in Brasil. Essas composições me foram dadas por colegas de trabalho e transformadas numa "praia" que eu adoro que é a dance music. Tudo foi muito pensado para ter a ver com minha voz, meu estilo e a época em que foram lançadas.


RESENHANDO - Há algum projeto de retomar a carreira de cantora com lançamento de álbum e show solo?
GOTTSHA - Há, sim! Tenho muita vontade de lançar um EP, com alguma música inédita em português, mas, independente disso, já estou preparando um trabalho apenas com músicas de Michael Jackson que deve sair em 2018 e consequentemente teremos o show. Tenho um show que já existe há quatro anos chamado "Discotheque", só com hits dos anos 70, que sou apaixonada e que é toda minha influência musical, devo apresentá-lo no Rio em Janeiro.



RESENHANDO - Em 1997, você fez a sua estreia profissional no teatro pelas mãos da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, com o musical "As Malvadas". Como é trabalhar com esses dois gênios do teatro musical? 
GOTTSHA - Quando os conheci, percebi que nossa amizade seria para sempre. Foi realmente amor à primeira vista. Eles sempre foram geniais e, a cada dia, percebo que vêm evoluindo e se superando. É um orgulho e uma felicidade estar tão próxima de pessoas como eles.


RESENHANDO - Por falar em "malvadas", você dublou a personagem Gothel, a vilã de Rapunzel em "Enrolados". Interpretar vilãs é mais prazeroso do que mocinhas? Como essa personagem foi parar na sua voz?
GOTTSHA - Os vilões são sempre muito interessantes, eu amei poder dublar a Mother Gothel. Passei por alguns testes que foram mandados para fora do Brasil e fui aprovada. Dublar é bem difícil, mas o produto final é emocionante.


RESENHANDO - Que novidades você pode nos adiantar sobre Gottsha nos palcos em 2018?
GOTTSHA - 2018 está me reservando algumas novidades e boas surpresas, uma delas é o musical sobre a obra de Michael Jackson, com alguns cantores que estou trabalhando pela primeira vez e que são maravilhosos! Está sendo um processo super prazeroso, pois a equipe é muito bacana, é um projeto despretensioso, apesar de o Michael ser um dos maiores artistas do mundo, com pouca verba, mas que, tenho certeza, já vai iniciar o ano num super astral. Estreia dia 3 de janeiro, no Teatro das Artes no shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, mas obviamente estamos na torcida por turnês pelo Brasil mais tarde.




Gottsha - "No One to Answer"

Gottsha - "Break Out"

Gottsha no programa "Xuxa Park" (1995)

Gottsha no programa "Jô Soares Onze e Meia" (1995)

Gottsha em "Enrolados"

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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2 comentários:

  1. Entrevista sensacional. Fiquei extremamente feliz em saber mais desse ícone de musicais brasileiros. Um talento louvável!

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  2. Gottsha tem um vozeirão lindo e ainda parece ser legal!

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