domingo, 11 de novembro de 2018

.: 5 datas que construíram o Dia da Consciência Negra

No mês do Dia da Consciência Negra, homenageado no dia 20 de novembro, é necessário conhecer a origem da data nacional: lembrar Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado por tropas coloniais em 1695. Dentro deste dia, existem muitas outras datas históricas gravadas na trajetória da batalha dos negros contra o preconceito em solo brasileiro. Confira!


20 de novembro de 1695 - Zumbi é morto pelas tropas de Domingos Jorge Velho
Foi de 50 mil réis, o equivalente a mais ou menos 70 gramas de ouro pela cotação da época, o prêmio que dom Pedro II de Portugal e Algarve, também chamado de “O Pacificador”, concedeu ao capitão Furtado de Mendonça, um dos comandantes das tropas do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, em troca da cabeça de Zumbi. O guerreiro foi morto aos quarenta anos em uma emboscada em 20 de novembro de 1695, em seu último esconderijo, entrincheirado na mata fechada entre as serras da Barriga e Dois Irmãos, perseguido pelos antigos e longos caminhos que misturavam os territórios de Alagoas e Pernambuco.

28 de setembro de 1871 - Lei do Ventre Livre prepara fim da escravidão no Brasil
A Lei do Ventre Livre, apresentada pelo gabinete do conservador José Maria da Silva Paranhos, o visconde do Rio Branco, tinha a intenção de garantir a transição gradual do sistema escravocrata para o de mão de obra livre e remunerada, a contragosto dos cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O texto determinava que filhos de escravas nascidos em cativeiro seriam considerados livres, mas deveriam permanecer até os oito anos de idade sob a tutela dos senhores, quando estes poderiam decidir se permaneceriam responsáveis por eles para usufruir gratuitamente do trabalho até a maioridade, na época aos 21 anos, ou se iriam entregá-los ao governo em troca de indenização em dinheiro.

13 de maio de 1888 - Lei Áurea marca fim da escravidão
Foram necessários quatro séculos e o sacrifício de muitas vidas até que o Brasil, finalmente, ficasse livre da escravidão institucionalizada. Inicialmente rejeitada por proprietários rurais, em particular pelos fazendeiros de café, a Lei Áurea, no 3.353, sancionada no Paço Imperial pela princesa Isabel, na ausência do pai, dom Pedro II, foi precedida de outras quatro, representando a lenta evolução da legislação brasileira. Ainda assim, a abolição da escravatura no país procurou atender a pressões comerciais inglesas e não apenas questões humanitárias.

22 de novembro de 1910 - Revolta da Chibata contra escravidão a bordo
Tripla jornada de trabalho, comida ruim e chibatadas. Comuns nas senzalas, os castigos aos afrodescendentes não cessaram com a publicação da Lei Áurea. No Brasil, o último país republicano a acabar com a escravidão, os maus-tratos se repetiam no dia a dia em quartéis e navios da Marinha. Escravos libertos ou filhos de ex-cativos, os tripulantes subalternos, negros e mestiços na maioria, eram submetidos a longos períodos de serviço militar nos primeiros anos da Primeira República, comandados por oficiais brancos. Reunidos clandestinamente nos cantos e porões das embarcações ou nos bares do cais, os marinheiros do Rio de Janeiro passaram a aglutinar forças e articularam apoio para planejar uma reação. Flagrado com bebida alcoólica a bordo, o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes foi preso pela Marinha, e agrediu o cabo que o denunciou. A punição imposta a ele, 250 chibatadas diante de toda a tripulação, foi o estopim da revolta. Por volta das dez da noite do dia 22 de novembro, um grupo rendeu e matou o comandante Batista das Neves a tiros e coronhadas, o mesmo destino que tiveram os três outros oficiais da embarcação. Inclusive aquele que chicoteou Menezes. Pelo menos a metade dos 4 mil homens embarcados participaram do motim que aconteceu até 27 de novembro e exigia o fim dos castigos corporais, melhor alimentação e condições de trabalho, além da anistia aos revoltosos.

23 de julho de 1993 - Chacina da Candelária
Negros, pobres e jovens – seis ainda adolescentes, quase crianças. Este era o perfil das oito vítimas da chacina da Candelária, assassinadas a tiros enquanto dormiam praticamente amontoadas para se esconder do frio de julho, no centro histórico do Rio de Janeiro. Quatro morreram ali mesmo, na escadaria da igreja, um caiu sem vida ao tentar correr, dois foram levados de carro pelos criminosos até o aterro do Flamengo e lá executados, e um morreu no hospital alguns dias depois. Os assassinos eram policiais militares. O massacre ocorreu em 23 de julho de 1993. Pouco antes da meia-noite, dois carros com as placas cobertas pararam diante da Candelária. Em seguida, os ocupantes atiraram contra mais de cinquenta pessoas, a maioria crianças e adolescentes. Uma cruz de madeira, posteriormente fincada no jardim da igreja, no local do crime, tirou do anonimato Paulo Roberto de Oliveira, 11 anos; Anderson de Oliveira Pereira, 13; Marcelo Cândido de Jesus, 14; Valdevino Miguel de Almeida, 14; “Gambazinho”, 17; Leandro Santos da Conceição, 17; Paulo José da Silva, 18; e Marcos Antônio Alves da Silva, 19.

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