quarta-feira, 14 de agosto de 2019

.: Peça teatral "Tutankáton" está em cartaz no Sesc Avenida Paulista


"Tutankáton", com sua aparente distância e indiferença para as atribulações de nossos dias, seja pela forma elevada do texto, seja pela temática histórica, seja ainda pela ambientação num Egito de há mais de três mil anos, é um texto oportuno para os tempos em que vivemos, de intolerância, de incompreensões, de extremos.

Com texto de Otávio Frias Filho e direção de Mika Lins, a peça estimula a reflexão acerca dos horrores da verdade única, dos pavores da imposição de cima para baixo, de dogmas e de ideologias. Sob a aparência primeira de que nada acontece, tudo acontece: trata-se quase de um libelo pela liberdade de pensamento, de culto, de vida.

A supremacia do Deus único, Áton, sobre um Egito historicamente politeísta, encontra-se nesta peça em seus últimos momentos. Ao personagem título, vítima de uma conjunção de tragédias e a quem não é mais dada outra escolha, cabe extinguir a obrigatoriedade de adoração ao deus único e restituir o culto pagão a vários deuses, devolvendo assim a paz ao povo egípcio.

Tutankáton, que passará para a história com o nome de Tutankamon, aquele que restituiu a soberania do deus Amon e seu panteão de tantos outros deuses.

“O texto de Otávio Frias Filho fala de um determinado momento da história em que o tempo parece enclausurado. Trata-se de quando o povo, num Egito pós-revolução de Aton, clama pela volta do antigo culto aos deuses, e Tutankáton se encontra no meio da anti-revolução”, explica a diretora.

Segundo o autor, “a revolução de Aton não se tratava apenas de uma reforma religiosa; parece que se pretendeu uma modificação global e profunda que alcançaria as relações sociais, os costumes e a arte. Consta que o governo de Akenaton, ao menos numa determinada fase, buscou apoio na classe popular e até mesmo recrutou funcionários nela. Apesar da repressão governamental, que na certa foi violenta e indiscriminada, aparentemente a doutrina do rei era pacifista em política externa e estimulava a liberdade intelectual. Uma cidade foi erguida, em local não consagrado até então a nenhuma divindade, a fim de sediar a capital do país. Para lá se deslocaram artesãos da nova ordem com a tarefa de criar os padrões da arte revolucionária”, explica Frias Filho.

“Foi esse Egito que Tutankáton, aquele que viria a ser a múmia mais famosa da história, herdou. Nosso espetáculo se passa exatamente nesse momento, quando o povo insatisfeito insurge. Proponho servir ao texto de Otávio e radicalizar a percepção de ”tempo parado” da civilização egípcia. Visualmente, a baixa densidade demográfica do deserto colocará personagens e cenas fisicamente distantes umas das outras. A firmeza dos diálogos e a ironia do texto ficarão como primeiro plano da encenação”, completa Mika.

Ficha Técnica
"Tutankáton"
Texto: Otávio Frias Filho
Direção: Mika Lins
Elenco: Samuel de Assis, Augusto Pompeo, Rogério Brito, Daniel Infantini, Monalisa Silva e Reynaldo Machado.
Atriz convidada: Bete Coelho
Musica original: Marcelo Pellegrini
Assistente de direção: Daniel Mazzarolo
Produtor executivo: Fernando Azevedo
Assessoria de imprensa: Morente Forte
Direção de produção: Dani Angelotti
Idealização e produção: Cubo Produções e Cia Instável
Realização: Sesc

Serviço
"Tutankáton"

Sesc Avenida Paulista (64 lugares)
Avenida Paulista, 119

Informações: (11) 3170-0800
Bilheteria: terça a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 10h às 19h.
Ingressos à venda nas bilheterias em toda rede Sesc SP
Quinta a sábado às 21h | Domingos às 18h
Ingressos: R$ 40 |  R$ 20 (meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência) | R$ 12 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
** Sessão extra dia 28 de agosto, quarta, às 21h**
Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos
Curta temporada: até 1º de setembro

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