terça-feira, 17 de setembro de 2019

.: "O Médico e o Monstro", clássico do terror, finalmente é relançado


Todos temos um lado pouco conhecido, secreto, por vezes maligno e até monstruoso. Raros, porém, são aqueles que dão vazão a esta faceta. O escocês Robert Louis Stevenson soube retratar, como poucos, este aspecto das personalidades múltiplas em sua novela gótica, "O Médico e o Monstro", publicada originalmente em 1886, em Londres. 

Considerado um dos três maiores clássicos do gênero de horror, ao lado de Frankenstein e Drácula, O Médico e o Monstro inspirou incontáveis traduções, adaptações, interpretações e homenagens ao longo das décadas. A DarkSide® Books, primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror e à fantasia, anuncia a peça que faltava para completar a tríade monstruosa e atemporal na coleção "Medo Clássico": "O Médico e o Monstro & Outros Experimentos" é o livro que todo darksider sempre sonhou. 

Capa dura para proteger o material de elementos químicos destrutivos, tradução cuidadosa de Paulo Raviere para honrar o trabalho de Stevenson, ilustrações impecáves de Alcimar Frazão para explorar as nuances metafóricas dos personagens - e, claro, uma seleção de contos perfeita para quem quer conhecer ou revisitar o talento inigualável de Stevenson.

Além da curiosa história do advogado Gabriel John Utterson preocupado com o comportamento estranho do seu amigo Dr. Henry Jekyll, outros “experimentos” de Stevenson que flertam com o terror e o sobrenatural estão presentes neste volume. É o caso dos contos “Markheim”, “O Apanhador de Corpos”, “Olalla” e “Janet, a Entortada”), sem falar nos contos de mistério e aventura (“A Praia de Falesá”), e fantasia (“O Demônio da Garrafa”, “A Ilha das Vozes”). Nenhuma dessas narrativas, porém, pode ser resumida a um gênero e enquadrada em apenas uma categoria. Alguns deles estão entre os mais brilhantes exemplares de ficção de horror do século XIX.

Como aponta o tradutor Paulo Raviere na introdução do volume, “O Apanhador de Corpos" é inspirado no célebre caso de Burke e Hare, serial killers escoceses que matavam para fornecer cadáveres a um professor de anatomia. Em “Markheim”, conto de horror psicológico, Stevenson evoca alguns dos grandes assassinatos ingleses do século XIX para narrar o desespero de um homicida imediatamente após o seu ato. “Janet, a Entortada” é exploração linguística que, se em primeiro plano conta uma história de possessão demoníaca, mais a fundo sugere quão terrível pode ser uma multidão assustada e supersticiosa, mal que afligira a Europa durante a Inquisição, e atualmente apenas mudou de forma. “Olalla” é o soturno relato do enfermo que decide passar uma temporada na villa de uma nobre, porém decadente família espanhola.

A edição conta ainda com ensaio de Marcel Schwob sobre o autor, publicado originalmente em 1896. Stevenson foi um artista que, feito raro mesmo entre os autores clássicos, entrou para o imaginário da sua época e foi ao mesmo tempo um sucesso de público e da crítica especializada. Agora, o autor de um dos maiores clássicos do terror finalmente recebe o tratamento dark que merece.

A coleção "Medo Clássico" se consolida a cada mestre que entra em sua casa, fazendo uma homenagem aos grandes nomes da literatura que já causaram pesadelos inenarráveis aos leitores, década após década. As edições monstruosas trazem ilustradores brasileiros convidados e tradutores que respiram e conhecem profundamente as obras, além de imagens inéditas, rascunhos originais e textos de apoio. Mary Shelley, Bram Stoker, H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe e Robert Louis Stevenson estão em casa.

Sobre o autor
Robert Louis Stevenson nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1850. Proveniente de tradicional família de construtores de faróis, o escritor seguiu, por sua vez, prolífica carreira literária que legaria romances, novelas, contos, ensaios, poemas, peças teatrais, relatos de viagem, e ao menos dois clássicos da literatura universal: "A Ilha do Tesouro" e "O Médico e o Monstro". 

Apesar de considerado por muitos como autor infantojuvenil, Stevenson foi celebrado por um heterogêneo rol de escritores, tais como Jorge Luis Borges, Vladimir Nabokov, Virginia Woolf, G.K. Chesterton, Arthur Conan Doyle, Marcel Schwob e Henry James. Até hoje sua obra inspira incontáveis traduções, adaptações, interpretações e homenagens. Debilitado, por conta do clima europeu, em 1887 sai do continente em busca de ares mais amenos, e após alguns meses de viagens, passa por fim a viver nas Ilhas Samoanas, onde permaneceria até o fim da vida e seria conhecido como tusitala, o contador de histórias.

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