domingo, 8 de março de 2026

.: “Barquinho de Papel”, de Jadna Alana, vence a 10ª edição do Prêmio Kindle


O romance “Barquinho de Papel”, da escritora paraibana Jadna Alana, venceu a 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura, uma das principais iniciativas de incentivo à literatura independente no Brasil. A edição deste ano foi considerada histórica, reunindo mais de 3.200 obras inscritas. Com a vitória, a autora receberá R$ 50 mil em prêmio e adiantamento de royalties, terá o livro publicado pelo Grupo Editorial Record, ganhará uma edição especial enviada aos assinantes da TAG Experiências Literárias e contará com adaptação em audiolivro pela Audible. Além disso, Jadna Alana passa a integrar o grupo de jurados da próxima edição do prêmio.

Ambientado em um vilarejo fictício da Bahia, o romance acompanha Jurema, menina que vive na orla de Cruz-credo, um lugar marcado pela precariedade e pela sensação de abandono. Entre as figuras que povoam o cotidiano da pequena comunidade está o padre Cícero, responsável pela capela azul do povoado e alvo constante das provocações da protagonista. A relação entre os dois mistura humor, curiosidade e uma tentativa insistente de catequese, já que Jurema nunca foi batizada - fato que, segundo os moradores, explicaria seu espírito inquieto.

O enredo se constrói a partir de uma imagem delicada e simbólica: a menina recolhe do lixo pedaços de papel, cartas incompletas e fragmentos de histórias esquecidas. Com esses restos, decide construir um barquinho de papel capaz de carregar sonhos e memórias. Cada relato ouvido, cada lembrança abandonada pela comunidade passa a compor o casco, as velas e o leme dessa embarcação imaginária. O gesto simples transforma-se em metáfora de travessia e de reinvenção.

Ao acompanhar o crescimento de Jurema, o romance propõe uma reflexão sobre memória, pertencimento e desejo de partida. A protagonista vive entre a afeição pelas pessoas do vilarejo e a vontade de conhecer o mundo além-mar. O barquinho, feito de palavras descartadas, simboliza justamente essa possibilidade de partir sem deixar de carregar consigo as histórias que moldam a identidade.

Antes mesmo da conquista do Prêmio Kindle, “Barquinho de Papel” já havia recebido reconhecimento ao vencer o Prêmio Carolina Maria de Jesus em 2023. A obra dialoga com o campo que a autora investiga academicamente: o chamado regionalismo fantástico, vertente que mistura elementos da cultura regional brasileira com atmosferas fabulares e imaginativas. Compre o livro "Barquinho de Papel", de Jadna Alana, neste link.


Sobre a autora

Formada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba e mestre em Linguagem pela Universidade Federal de Ouro Preto, Jadna Alana já vinha se destacando no cenário literário. O livro anterior dela, “Se Tu Me Quisesse”, foi finalista do Prêmio Kindle em 2022 e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2023. A autora também venceu o Prêmio Marília Arnaud com o conto “O Menino de Imburana”.

Além da produção literária, Jadna atua como profissional de texto na ALCE, sua marca editorial, e dirige o selo Candeário, dedicado à publicação de obras ligadas ao regionalismo fantástico. A vitória no Prêmio Kindle consolida sua trajetória e amplia a visibilidade de uma proposta estética que busca unir tradição regional, imaginação e experimentação narrativa.

Com “Barquinho de Papel”, Jadna Alana apresenta uma narrativa sensível sobre infância, memória e desejo de deslocamento. Ao transformar restos de histórias em matéria literária, o romance reafirma a potência das pequenas narrativas e das vozes esquecidas - aquelas que, dobradas com cuidado, podem se tornar barcos capazes de atravessar qualquer mar. Compre os livros de Jadna Alana neste link.

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