Montagem luso-brasileira dirigida por Diana Herzog integra a Miacena e faz três apresentações gratuitas no Teatro Arthur Azevedo. Foto: Flávia Montenegro
Tema delicado, mas de natureza universal, e que recentemente virou lei no Brasil - punindo o abandono afetivo -, a ausência paterna ganha a cena em "Frágil", espetáculo protagonizado por Inês Oneto, com direção de Diana Herzog. A montagem parte de relatos reais para investigar as marcas que essa falta deixa na vida das pessoas, construindo uma narrativa sensível que mistura depoimentos, memória e criação cênica. A produção luso-brasileira faz únicas apresentações dias 15, 16 e 17 de maio, no Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso.
Em parceria com a Miacena - Mostra Internacional de Artes Cênicas para Espaços Não Convencionais, os produtores Dani Angelotti e André Acioli, junto à Mescla Associações e Inês Oneto, trazem a estreia do espetáculo no Brasil, viabilizada pelo programa de apoio à internacionalização da Dgartes através do Ministério, Cultura Juventude e Desporto e com o apoio da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo.
O texto foi escrito por Herzog e Rafaela AmoDeo (também diretora de movimento), e contém relatos de entrevistas e depoimentos coletados durante a pesquisa. A peça utiliza a técnica do teatro verbatim - em que a atriz reproduz, em tempo real, áudios de testemunhos ouvidos por fones - criando um jogo entre escuta e presença. O resultado é um solo que se desdobra em múltiplas vozes, atravessado por emoções como afeto, abandono, raiva e esperança.
"A escolha pelo verbatim veio da necessidade da Inês de contar outras histórias além da dela. Ao tentar falar de si, a fragilidade do tema a leva a atravessar relatos de outras mulheres, que ecoam afetivamente - são, no fundo, histórias de filhas marcadas pela ausência paterna. O recurso busca preservar ao máximo a fala original, com o cuidado de repetir intenção e palavras com fidelidade. Assim, essas vozes costuram a dramaturgia e fazem emergir múltiplas presenças em cena, mesmo em um solo. É autoficção, mas também teatro documental”, afirma a diretora Diana Herzog.
"Frágil" nasce de uma investigação artística que envolveu diferentes públicos e especialistas, ampliando o olhar sobre o impacto da ausência paterna. Em cena, o vazio se transforma em matéria dramatúrgica: uma falta que ocupa espaços, atravessa silêncios e molda trajetórias. Assumir o solo marcou uma virada para a atriz. “Foi um salto grande, pessoal e artístico. O projeto nasceu para três atores, mas em algum momento entendi que precisava ser um solo, mesmo sendo o meu primeiro. Parte de um lugar íntimo, mas rapidamente percebi que a ausência paterna atravessa muitas vidas. Tornou-se urgente falar sobre isso: não normalizar, não romantizar, não desculpar”, conta Inês Oneto.
"Frágil" nasce de uma investigação artística que envolveu diferentes públicos e especialistas, ampliando o olhar sobre o impacto da ausência paterna. Em cena, o vazio se transforma em matéria dramatúrgica: uma falta que ocupa espaços, atravessa silêncios e molda trajetórias. Assumir o solo marcou uma virada para a atriz. “Foi um salto grande, pessoal e artístico. O projeto nasceu para três atores, mas em algum momento entendi que precisava ser um solo, mesmo sendo o meu primeiro. Parte de um lugar íntimo, mas rapidamente percebi que a ausência paterna atravessa muitas vidas. Tornou-se urgente falar sobre isso: não normalizar, não romantizar, não desculpar”, conta Inês Oneto.
A atriz também destaca a escuta como eixo da criação: “Colocar-me como mediadora dessas vozes foi, acima de tudo, um exercício de escuta. Cada história é única, mas partilha muitos pontos de contato. Em cena, trago essas experiências sem as representar literalmente, abrindo espaço para fragilidade, humor, raiva e ternura. No solo, estamos expostos, mas também livres. O que procuro é criar uma ponte com o público — um espaço de encontro onde cada um possa reconhecer algo de si e olhar para o que muitas vezes fica por dizer”. A equipe criativa reúne ainda Clívia Cohen (direção de arte), Renato Machado (desenho de luz) e Rui Pinho Aires (direção musical), compondo uma encenação que valoriza a presença da atriz e a força dos relatos. Mais do que um espetáculo sobre ausência, "Frágil" propõe um espaço de identificação e reflexão, onde histórias individuais revelam uma experiência compartilhada.
No final da sessão, o público é convidado a integrar o objeto artístico criado em cena, assumindo um papel de cocriação. A cada participação, a obra se transforma e passa a carregar a marca de quem esteve ali, tornando-se um testemunho coletivo. Nenhuma sessão se repete: cada intervenção gera uma composição única, atravessada pela memória e pela presença do público.
Ficha técnica
Espetáculo "Frágil"
Direção: Diana Herzog. Dramaturgia: Diana Herzog e Rafaela AmoDeo. Elenco: Inês Oneto. Direção de Movimento: Diana Herzog e Rafaela AmoDeo. Concepção Cênica e Figurinos: Clívia Cohen. Desenho Musical: Rui Pinho Aires. Desenho de Luz: Renato Machado. Imagem Gráfica: Inês Oneto e Sofia Calvário.Assistente de Produção: Helena Veloso. Produção BR: Cubo Produções. Direção de Produção BR: Dani Angelotti e André Acioli. Realização: Inês Oneto, Mescla Associados e Miacena Conexões. Espetáculo apoiado pela República Portuguesa/DGArtes. Instagram @fragil_peca / @diana.herzog / @rafaelaamodeo / @inesoneto
Serviço
Espetáculo "Frágil"
Dias 15, 16 e 17 de maio de 2026 - Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18h00.
Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso
Av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo
Duração: 60 minutos + 30 minutos de interação
Classificação: 12 anos
Ingressos: gratuitos













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