segunda-feira, 11 de maio de 2026

.: “Hamlet, Sonhos que Virão” reestreia com Ícaro Silva no papel título


Após três meses de ingressos esgotados, a encenação ‘site-specific’ de Rafael Gomes para a tragédia de Shakespeare ganha um novo protagonista e prorroga seu enorme sucesso, transformando ruína arquitetônica em dramaturgia. Foto: Rael Barja


Escrita entre 1599 e 1601 por William Shakespeare, a peças teatral "Hamlet" é considerada a obra mais célebre da dramaturgia ocidental. A tragédia acompanha o príncipe da Dinamarca confrontado com o assassinato do pai, a ascensão ao trono de um tio usurpador e um mundo moralmente corrompido, no qual agir parece tão impossível quanto não agir. Ao longo da peça, Shakespeare constrói um retrato radical da dúvida, da crise de sentido e do conflito entre desejo, poder e responsabilidade - temas que atravessam mais de quatro séculos de história e seguem interpelando o presente.

Após uma primeira temporada de enorme repercussão, estrelada por Gabriel Leone e vista por mais de 25 mil pessoas, o clássico estende sua temporada na cena paulistana, reestreando com novo protagonista. "Hamlet, Sonhos que Virão", a adaptação inédita e contemporânea, com direção de Rafael Gomes e produção de Rafael Rosi, inicia uma nova fase, reafirmando seu lugar como um dos acontecimentos teatrais mais impactantes da cidade. E agora com Ícaro Silva no papel título:

“Talvez eu tivesse pensado duas vezes sobre o desafio tremendo que é ocupar o lugar de um ator brilhante como Gabriel Leone, em um elenco que há meses arrebata o público, se não tivesse assistido à essa montagem tão especial dirigida por Rafael Gomes. Mas como recusar esse convite, quando vi pessoalmente o poder da peça sobre o público? É teatro da melhor qualidade, o paraíso de qualquer ator. “ Parceiro de longa data do diretor em diversos outros trabalhos, incluindo quatro longas-metragens, Ícaro afirma: “O privilégio maior é que esse me parece um momento ideal no tempo e no mundo para se aprofundar nas humanidades que Shakespeare desvela através da tragédia, especialmente em uma encenação como essa. Estou muito animado e não vejo a hora de ocupar o trono da Dinamarca.”

O espetáculo desloca o teatro para fora do teatro, ocupa o canteiro de obras do Nu Cine Copan - desativado há décadas e atualmente em reforma para ser devolvido à cidade como um cinema de última geração, previsto para 2027 - e oferece ao público uma experiência site specific única, transformando o próprio edifício, suspenso entre abandono e reconstrução, no centro da dramaturgia.

Mais do que um cenário, a ruína arquitetônica torna-se linguagem. Em vez da tradicional caixa preta, a montagem inverte a lógica do espaço: a plateia, com cerca de 360 pessoas, ocupa a área onde antes ficavam a tela e o palco do cinema, enquanto a ação se desenrola no antigo espaço da plateia, criando um palco monumental. O público assiste à tragédia de Hamlet dentro de um corpo arquitetônico marcado por camadas de memória urbana, uso e desgaste do tempo.

“Hamlet fala de um mundo que ruiu, de estruturas que já não se sustentam”, afirma Rafael Gomes. “Encenar a peça em um edifício em ruínas não é um efeito estético, é uma tomada de posição. A ruína é o próprio estado do drama.”

Um clássico em estado de crise
Na tragédia de Shakespeare, "Hamlet" é um jovem deslocado em um mundo que já não reconhece. Incapaz de aderir plenamente às regras da corte e igualmente incapaz de se retirar da ação, ele vive paralisado entre o desejo de justiça e a impossibilidade de agir sem se corromper. Em Hamlet, sonhos que virão, essa crise existencial encontra eco direto no espaço que abriga a encenação: um edifício em suspensão, à espera de um novo destino.

A adaptação é assinada por Rafael Gomes e Bernardo Marinho e propõe deslocamentos internos no texto, incluindo a reorganização de alguns solilóquios e centrando o foco do drama no enigma do desejo e nas personagens consumidas por impasses internos e pelo transbordamento de suas paixões. A montagem parte da tradução de Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington, conhecida por sua linguagem direta e contemporânea, aproximando o texto do espectador de hoje.


Ícaro Silva como "Hamlet"
Reconhecido como um dos nomes mais consistentes de sua geração no audiovisual e no teatro brasileiro, Ícaro Silva assume agora um dos personagens mais emblemáticos da história do teatro. Com trajetória consolidada na televisão, no streaming, no cinema e nos palcos, Ícaro reúne forte presença cênica, reconhecimento de público e credibilidade artística.

Sua presença em "Hamlet" não representa apenas a chegada de um nome de grande repercussão: trata-se de uma escolha artística que amplia o alcance simbólico da obra, atualiza sua leitura e fortalece seu diálogo com o Brasil de hoje. Ao longo da carreira, Ícaro também se destacou por participar ativamente de discussões sobre representatividade e diversidade no entretenimento brasileiro, especialmente no que diz respeito ao protagonismo negro e à ampliação de espaços na indústria cultural.


Um gesto urbano e cultural
Após a temporada de "Hamlet, Sonhos que Virão", o Nu Cine Copan entrará em obras e será devolvido à cidade em 2027 como um importante equipamento cultural, abrigando um cinema de grandes dimensões com tecnologia de última geração. O espetáculo marca, assim, um momento histórico e limiar: a última grande ocupação artística do espaço antes de sua transformação definitiva. “Existe algo de muito potente em habitar esse lugar exatamente agora, neste intervalo entre o que foi e o que ainda vai ser”, afirma Rafael Gomes. “O espetáculo acontece nesse estado de passagem. São, também, os sonhos que virão.”

Ficha técnica
"Hamlet, Sonhos que Virão", de William Shakespeare
Direção: Rafael Gomes
Adaptação: Bernardo Marinho e Rafael Gomes
Tradução: Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington
Elenco: Ícaro Silva, Susana Ribeiro, Eucir de Souza, Samya Pascotto, Fafá Renó, Bruno Lourenço, Daniel Haidar, Felipe Frazão, Rael Barja, Davi Novaes, Conrado Costa, Giovanna Barros e Lua Dahora
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Visagismo: Pamela Franco
Trilha sonora: Antonio Pinto e Barulhista
Design de som: Gabriel D’Angelo e Fernando Wada
Design gráfico: Izabel Menezes
Diretor residente: Victor Mendes
Direção de movimento e coreografia: Fabrício Licursi
Diretor de produção: Rafael Rosi
Coordenação de produção: Luciana Fávero
Produtor executivo: Diogo Pasquim
Realização: Art’n Company, Substância Filmes e Viva do Brasil


Serviço
"Hamlet, Sonhos que Virão", de William Shakespear
 Entrada pela Galeria do Copan
De 16 de maio até 14 de junho
Quintas e sextas-feiras, às 20h30. Sábados, às 16h00 e 20h00. Domingos, às 17h00.
Ingressos: à venda no site https://nucinecopan.byinti.com/ e na bilheteria do Teatro Renault
Duração: 130 min, sem intervalo.
Capacidade: 360 lugares.
Classificação indicativa: 14 anos.
Nu Cine Copan. Av. Ipiranga, 200 - Centro / São Paulo.

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