sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: No Sesc Pinheiros, texto de Padre Antônio Vieira usa humor e música para falar da injustiça social


De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, "Sermão de Santo Antônio aos Peixes", texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. Foto: Nil Caniné

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes", de Padre Antônio Vieira, é um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa. Com humor e crítica ácida, o espetáculo do século 17 toca em assuntos como desigualdade social, exploração econômica, corrupção e escravidão dos povos indígenas. De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, Sermão de Santo Antônio aos Peixes, texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical. A temporada é de 16 de julho a 8 de agosto.

O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o "Imperador da Língua Portuguesa". No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.

“Padre Antônio Vieira é o nosso Shakespeare. Como o inglês, Vieira escreveu textos para serem falados, alcançou enorme sucesso popular e sua obra permanece viva e atual. Vieira era performático. É impossível ler seus sermões sem imaginar sua atuação cênica. O púlpito era seu palco, sempre diante de uma audiência numerosa. Suas palavras são inteligentes, curiosas, engraçadas e dialogam com o nosso tempo”, afirma o diretor.

Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.

Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes" realizou temporadas no Sesc Copacabana e no Centro Cultural Baukurs Botafogo, ambos no Rio de Janeiro. Nesta montagem, Moacir Chaves revisita a obra de Padre Antônio Vieira três décadas após sua primeira aproximação com o autor, quando dirigiu Sermão da Quarta-feira de Cinza, espetáculo protagonizado por Pedro Paulo Rangel (1948–2022).

Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. “O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Texto: Padre Antônio Vieira. Direção, Concepção e Dramaturgia: Moacir Chaves. Elenco: Márcio Vito e Moacir Chaves. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Corsi. Cenário: Sergio Marimba. Figurino: Inês Salgado. Iluminação: Aurélio de Simoni. Assistentes de Direção: Maria Clara Schwerdtner e Isis Pessino. Direção Técnica: Anderson Bispo. Fotos: Nil Caniné. Arte e Design Gráfico: Maurício Grecco. Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes. Gestão e Conteúdo de Mídias: Sarah Marques. Produção Executiva: Flávia Primo. Produção: Ana Barroso e Monica Biel /BB Produções Artísticas.


Serviço
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran – R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP
De 16 de julho a 8 de agosto. Quinta a sábado, às 20h30. Dias 31 de julho e 7 de agosto, sessões às 16h00 e às 20h30
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Vendas em sescsp.org.br, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 minutos | Classificação: 14 anos.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Nos dias 31 de julho e 1° de agosto, as sessões contam com tradução em Libras.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h00 às 22h00. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

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