Por Eduardo Caetano, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Carlos Airó Nascimento e Identidade Visual
Regina Casé, musa de Caetano Veloso, para quem ele compôs a música “Rapte-me, Camaleoa” está novamente em cartaz com o espetáculo “Viva! Vida!”, em São Paulo. O solo escrito por Estêvão Ciavatta e dirigido por Daniela Thomas traz Regina transbordando todo o seu talento enquanto apresenta a biografia da Terra. O DNA do Planeta é surpreendente, mas não tanto quanto a capacidade camaleônica de Regina em nos contar esta trajetória fascinante. O sucesso da primeira temporada, entre julho e agosto, foi tão estrondoso que o público repetia em coro: “Que horas ela volta?”.
Não demorou muito. Novas plateias paulistas poderão apreciar o espetáculo de quinta a domingo, até dia 20 de setembro, no Teatro Sérgio Cardoso. De quinta-feira a sábado, Regina sobe aos palcos às 20h00. Já aos domingos, o “Vida, Vida!” começa mais cedo, às 17h00. Recentemente, fui a São Paulo assistir ao espetáculo. Confesso que foi um "Programa Legal". Havia uma "Muvuca" na entrada do Teatro Sérgio Cardoso, todos ansiosos, mas talvez não tanto quanto eu. Fã da Regina desde muito criança, dos tempos de "TV Pirata", confesso que não estou nada seguro para escrever sobre este solo, mas vou atender ao pedido (e apelo) do meu grande amigo Helder Moraes Miranda para o Portal Resenhando.com.
Na plateia imensa e lotada, eu era pequenininho. Tipo um Plutão. E ela, no palco, gigante diante da Terra, brincava com aquela bolinha azul como se fosse Michael Jordan. Regina, que no latim significa rainha, reina diante do público e faz toda a galáxia gravitar ao seu redor. Poeira de estrelas que somos, Regina resgata a nossa condição galáctica ao mesmo que nos lembra do nosso parentesco com o outro, as samambaias e as baratas.
A jornada da vida na Terra tem milhões de anos e o Planeta outros tantos bilhões de existência. Atravessa do Sagrado ao científico. Vai da imensidão da floresta ao pé de boldo no quintal. Do cosmos ao toque do celular. Da teia de aranha ao colo de Nossa Senhora protegendo o Menino Jesus na fuga para o Egito. E cabe numa única célula. Literalmente, Regina tem o Mundo em suas mãos e nos faz repensar sobre as mãos que governam o mundo.
Atriz, diretora, mulher, mãe, apresentadora, avó, esposa, roteirista e onça, a camaleoa interage com a plateia emprestando às árvores o seu protagonismo. Da genealogia de Adevic, Ademar e Adejar, carioca da gema, soteropolitana por mérito e pernambucana legitimada pela lei, Regina é múltipla. Emociona e arranca gargalhadas com a mesma intensidade. Aborda a rotina, o algoritmo, o tomate do nhoque, o candomblé, os yanomamis e as cianobactérias. Vai do profano e ao Sagrado num piscar de olhos, costurando os temas, que nem vagonite.
Regina faz das notificações do WhatasApp e do toque do celular seus aliados, enquanto nos alerta sobre a urgência de uma sociedade sustentável. Com o aquecimento global, o Planeta Esquenta! Mas não do jeito que a gente gosta e merece. Mudança climática não é praia. É enchente. É deserto! Por isso, a importância de tratarmos a Terra com Amor de Mãe.
Enquanto a Terra é gerada no ventre da sobrinha da Tia Julinha, refletimos sobre a potência da vida. Camaleoa, diante de nós Regina é o Sol. E para relembrar a capacidade de reinvenção da Mãe Natureza, a onça nos dá uma aula sobre fotossíntese utilizando o seu farol em verso, caetaneando: “Luz do sol/ Que a folha traga e traduz/ Em verde novo/ Em folha, em graça, em vida, em força, em luz”. Caetano que também sou, fui raptado.
Ficha técnica e serviço
Espetáculo “Viva! Vida!”
Elenco: Regina Casé
Roteiro: Estêvão Ciavatta
Direção: Daniela Thomas
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP)
Até dia 20 de setembro
Quinta-feira a sábado, às 20h00. Domingos, às 17h00.













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