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terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: "O Tardio" leva Maurício Melo Júnior à Bienal com viagem pelo Brasil de 1970


Quarto romance do escritor transforma uma busca familiar em uma jornada por memória, contracultura e liberdade durante a ditadura militar


O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.

O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.

A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior
é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social e possui pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em veículos como o "Correio Braziliense" e há 25 anos apresenta o programa "Leituras", da TV Senado. Também assina resenhas literárias para o jornal "Rascunho" e é colaborador da revista literária "Pernambuco". É autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Ao todo, já escreveu 35 livros. Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e também escreveu para o teatro. Compre os livros de Maurício Melo Júnior neste link.


Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

domingo, 30 de agosto de 2026

.: “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” na Bienal do Livro SP com Thalita Rebouças


Autora promove a adaptação cinematográfica de sua obra na Bienal e participa de sessões de autógrafos nos dias 5 e 6 de setembro, no estande da Rocco

Os leitores de Thalita Rebouças que passarem pela Bienal do Livro SP 2026 terão a chance de encontrar a escritora, garantir um autógrafo e, de quebra, saber um pouco mais sobre a adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha Primeira Vez”, baseada no livro homônimo da autora. O encontro acontece no estande da editora Rocco em duas oportunidades: no sábado, 5 de setembro, às 15h00, e no domingo, 6, às 17h30. Durante as sessões de autógrafos, serão distribuídos marcadores de livro com QR Code que leva à compra de ingressos para o filme, que chega aos cinemas em 17 de setembro.

Dirigido por Claudia Castro, o filme tem roteiro assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta e mergulha no universo juvenil com leveza, humor e uma dose generosa de descobertas. Ritos de passagem, amadurecimento, amizade, sexualidade e a velha diferença entre estar com pressa e estar preparado para descobrir aparecem no caminho. No elenco principal estão Castorine, Duda Matte, Leticia Braga e Livia Silva. O quarteto divide a cena com Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

A produção e a distribuição são da Na Paralela Filmes, com codistribuição da A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. A produção conta ainda com coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.


Quatro amigas, quatro descobertas e nenhuma fórmula pronta
Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” leva para o cinema as descobertas e os ritos de passagem da juventude de maneira leve, madura e descomplicada. A trama acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - enquanto cada uma descobre, à sua maneira, que o despertar da sexualidade não segue manual de instruções. Expectativas, amizade e as diferenças entre pressa e descoberta dão o tom da história. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.

.: Barraco Editorial leva a literatura independente para a Bienal do Livro SP


Editora criada por Wesley Barbosa participa pela segunda vez consecutiva do maior evento literário da América Latina e apresenta "Viela Ensanguentada", "Os Barraquinhos da Favela" e "Ódio ao Poema"

Da venda de livros de mão em mão pelas ruas de São Paulo ao estande de uma das maiores feiras literárias do país. A trajetória da Barraco Editorial ganhou mais um capítulo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Criada em 2023 pelo escritor e editor Wesley Barbosa, a editora confirma presença na 28ª edição do evento, que será realizada entre 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi. 

Será a segunda participação consecutiva da Barraco Editorial na Bienal, levando ao público uma produção literária que coloca autores independentes e vozes das periferias brasileiras no centro da conversa. A proposta continua a mesma: abrir espaço para uma literatura que conhece a quebrada por dentro e que não precisa de tradução para falar sobre suas próprias experiências.

Entre os destaques está a segunda edição do romance "Viela Ensanguentada", de Wesley Barbosa. O editor também apresenta "Os Barraquinhos da Favela", seu primeiro livro infantil, lançado em julho de 2026 pela Editora Moderna, na Coleção Girassol. A obra tem ilustrações de Tainan Rocha e marca uma nova fase na produção do escritor, agora voltada ao público a partir dos seis anos. Escrito em primeira pessoa, "Os Barraquinhos da Favela" recupera memórias da infância de Wesley, que cresceu em barracos e moradias da periferia. O livro encara as dificuldades da vida na quebrada, incluindo a vulnerabilidade de casas de madeira castigadas e arrancadas pela força do vento, mas também encontra espaço para a imaginação e para as pequenas belezas do cotidiano.

Entre arroz e feijão recém-feitos, janelas quebradas e noites de céu aberto, a infância periférica aparece com suas dores e afetos. As estrelas e o horizonte, afinal, também cabem numa janela que já perdeu o vidro. Outro destaque da Barraco Editorial em 2026 é "Ódio ao Poema", de Vitor Miranda, que estará no estande da editora durante toda a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O título é o oitavo livro do autor e idealizador do Movimento Neomarginal.

Com estrutura e ritmo próximos de um manifesto político e estético, a obra transforma o próprio "Poema" em personagem. Distante do lirismo tradicional, ele ganha corpo e voz para encarar a violência urbana, a desigualdade social e as contradições do presente. Vitor Miranda coloca a literatura diante da realidade brasileira sem a preocupação de deixá-la confortável para quem lê.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

.: "Depois que Abri a Porta do Mar" leva Gabriela Curry à Bienal do Livro de SP


Autora transforma 25 anos entre Brasil e Portugal em crônicas sobre identidade, preconceito, feminismo, amadurecimento e as experiências que ajudam a construir uma trajetória

A escritora, jornalista e publicitária Gabriela Curry participa pela primeira vez da Bienal do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, para apresentar "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. O livro reúne crônicas inspiradas nos 25 anos em que a autora viveu entre Brasil e Portugal, depois de deixar o Espírito Santo, em 2001. "Eu estou em êxtase! Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que teria o meu metro quadrado na Bienal", conta Gabriela.

No dia 6 de setembro, a autora participa de um bate-papo no Espaço Escreva Garota, ao lado de Kika Gama Lobo e Manika Apsara. Com o tema "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?", o encontro aborda assuntos como silenciamentos, autorização para escrever, envelhecimento e carreira. Depois da conversa, as três autoras permanecem no espaço para conversar com o público, vender e autografar os livros.

"Foi justamente através de um impulsionamento da Kika que surgiu a ideia de criar o livro", explica Gabriela. Para transformar a proposta em publicação, ela resgatou textos escritos desde a adolescência e passou um mês em cafeterias do Rio de Janeiro reunindo materiais produzidos ao longo de duas décadas.

O título surgiu depois, a partir de uma imagem que traduz a relação afetiva da autora com os dois países. "Esse Atlântico tem uma porta. Imaginária, poética, mas muito real para mim. Eu a abro e chego em casa, em Portugal. Abro-a de novo e retorno para casa, no Brasil. Há 25 anos vivo nesse vai e vem atravessando essa porta sempre aberta e construindo, entre as duas margens, o meu caminho. E casa não é forçosamente um espaço físico, é mais um sentimento. Eu encontro abrigo nos dois lugares", afirma.

As experiências dessa travessia aparecem em diferentes momentos do livro. Gabriela recupera os primeiros anos de adaptação em Portugal, as impressões provocadas pela escola e a experiência de crescer longe do país onde nasceu. Também revisita o retorno ao Brasil, aos 34 anos, justamente a idade em que a mãe havia emigrado para Portugal.

"Há muitos textos que narram os primeiros anos de adaptação: as impressões, os sentimentos e as situações vividas nas escolas. Alguns contam como eu e minha irmã nos emancipamos tão cedo e a importância da confiança e educação da nossa mãe para enfrentarmos muitas coisas. Existem outros sobre os primeiros anos da minha volta ao Brasil, aos 34 anos — a mesma idade em que minha mãe emigrou para Portugal. É uma mistura interessante, porque o leitor acompanhará dois processos vividos em momentos e idades muito diferentes da minha vida", explica.

A escrita acompanha Gabriela desde cedo. Formada em Jornalismo pela Universidade do Porto, ela conta que sempre ouviu de pessoas próximas que deveria seguir carreira na comunicação. "Sou naturalmente midiática: crio, escrevo, capto, edito e tenho pouquíssima dificuldade em falar diante de uma câmera. Claro que ninguém nasce sabendo; vamos aprimorando, errando e aprendendo ao longo do caminho. Mesmo nos curtos períodos em que não tinha vínculos empregatícios, eu roteirizava, captava e editava meus próprios conteúdos para o Instagram", relata.

Depois da graduação, concluída em 2017, Gabriela tomou uma decisão ousada: comprou uma passagem só de ida para o Brasil com o objetivo de trabalhar como repórter. O destino foi o Rio de Janeiro. Em 2018, entregou um currículo na sede da Band e pouco tempo depois foi contratada. A passagem pela emissora durou alguns meses e é definida por ela como uma experiência "intensa e impactante".

A trajetória profissional, porém, encontrou novos caminhos na publicidade. Gabriela passou a construir carreira na área e se especializou em gestão de atendimento, atividade que reúne organização, visão estratégica e compreensão ampla do marketing. "Aos poucos, fui construindo minha carreira nessa área. Acabei me encontrando dentro da gestão de atendimento, uma área essencialmente relacional, que exige muita organização, visão estratégica e uma compreensão 360º do marketing. Minha primeira grande experiência em uma empresa global foi na Ogilvy Brasil, e ela foi uma verdadeira escola. Trabalhei com grandes marcas, processos altamente dinâmicos e desafios complexos. Foi uma base muito sólida e forte para a construção da minha carreira", conta.

Essa trajetória entre diferentes áreas e países também está presente nas páginas de "Depois que Abri a Porta do Mar". Aos 15 anos, Gabriela chegou a Portugal e passou a experimentar o cotidiano sob a perspectiva da cultura portuguesa. No lugar de Machado de Assis, conheceu Luiz de Camões. Antes do almoço e do jantar, incorporou o hábito português de tomar sopa. Entre costumes, descobertas e adaptações, construiu uma identidade marcada pela mistura das duas culturas.

Aos 16 anos, começou a trabalhar em telemarketing, uma experiência que, somada às viagens pela Europa e ao contato precoce com o universo profissional, ajudou a moldar sua personalidade. "Trabalhar tão cedo moldou traços da minha personalidade, como esse meu lado tão social e extrovertido. Trabalhar, e conviver com adultos já formados, inclusive em dado momento com a minha própria mãe, que pagavam boletos e tinham suas próprias responsabilidades, me deu muito cedo um senso de compromisso e responsabilidade com tudo o que faço", afirma.

A convivência entre Brasil e Portugal também provocou questionamentos sobre pertencimento. Gabriela passou por momentos em que não sabia exatamente como definir sua identidade ou explicar de onde era. "Hoje, é uma diversão que conduzo com leveza, mas houve momentos de crise, sem saber exatamente de onde eu era, a que lugar pertencia ou como deveria escrever. Eu não sabia nem como me apresentar. 'Mas és brasileira ou portuguesa?', 'onde você nasceu?'. Decidi incorporar tudo: sou brasileira, lusa, escrevo e falo tudo misturado. Atualmente, quando estou em Portugal, falo como uma portuguesa; quando estou no Brasil, falo como uma brasileira", relata.

O sentimento de não pertencimento também esteve relacionado a episódios de xenofobia que a autora vivenciou e transformou em matéria literária. O preconceito contra brasileiras na Europa aparece em uma das crônicas do livro, assim como uma situação envolvendo a irmã de Gabriela, que aos 13 anos reagiu a uma ofensa preconceituosa dentro da escola. "Sofri com estereótipos, rótulos, preconceitos. 25 anos atrás, para muita gente na Europa, brasileira era vista apenas como prostituta ou manicure. Até você explicar que não há problema algum em ser qualquer uma das duas, a conversa costumava ser longa, ou terminava em tapa (risos). Uma das minhas crônicas, inclusive, fala de um caso em que minha irmã, aos 13 anos, voou na jugular de um sujeito que gritou no corredor da escola: 'Lá vêm as brasileiras, filhas da put&!'. Ela respondeu na hora: 'Da minha mãe você não fala!'", lembra.

A experiência pessoal acabou dando à autora uma perspectiva mais ampla sobre temas como preconceito, feminismo, racismo e os direitos da população LGBTQIAPN+. Para Gabriela, a escrita também representa uma forma de não permanecer em silêncio diante dessas questões. "São causas que não pertencem a um grupo específico; elas devem ser olhadas e defendidas ativamente por todos nós. Escrevo sobre elas porque não posso passar omissa diante das inúmeras barbáries cometidas todos os dias contra mulheres, pretos e pessoas LGBTQIAPN+. Se você se cala, pode até não cometer o crime, mas se torna cúmplice daquilo que permite que continue acontecendo", finaliza.


Sobre Gabriela Curry
Nascida em 1985, no Espírito Santo, Gabriela Curry é licenciada em Jornalismo pela Universidade do Porto, em Portugal, e também construiu carreira na área de Publicidade. Anualmente, colabora com a revista portuguesa I Love Brides, mantendo a ligação com o universo da escrita e da comunicação. Ao longo da experiência entre diferentes culturas, lugares e encontros, Gabriela passou a compartilhar nas redes sociais crônicas escritas durante boa parte da vida. Aos poucos, conquistou leitores e consolidou seu trabalho autoral.

A partir de uma inquietação da escritora Kika Gama Lobo, começou a desenvolver "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. Além da trajetória literária, Gabriela atua há nove anos como publicitária, com passagens por algumas das principais agências do mercado, entre elas Ogilvy, BETC Havas e Rock World. Ao longo desse período, desenvolveu projetos para grandes marcas e consolidou experiência em comunicação e gestão de contas.

Sem abandonar o jornalismo, escreve desde 2022 para a revista I Love Brides, em Portugal. Também produz roteiros, edita e cria conteúdos autorais de viagens para o Instagram, além de ter participado de diferentes projetos editoriais. No Brasil, trabalhou como repórter na TV Bandeirantes.


Serviço
Bienal do Livro de São Paulo 2026
Evento: Bate-papo "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?"
Participantes: Gabriela Curry, Kika Gama Lobo e Manika Apsara
Data: 6 de setembro de 2026
Local: Espaço Escreva Garota
Livro: "Depois que Abri a Porta do Mar – Crônicas Entre Dois Continentes"
Editora: Lacre
Onde comprar: Editora Lacre
Instagram: @gabycurry

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Thiago Vicente lança na Flip livro-carta sobre sobrevivência e recomeço


Em “Sobre.Viver”, Thiago Vicente transforma luto e reabilitação em narrativa autobiográfica escrita à mãe; sessões de autógrafos acontecem nos dias 24 e 25 de julho, no estande da com.tato 

A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty recebe este ano um lançamento que promete tocar fundo em quem já enfrentou a dor da perda e a luta para se reerguer. Trata-se de “Sobre.Viver”, do artista visual, escritor e performer Thiago Vicente. O livro, que já está em pré-venda, chega à Flip em edição física e será apresentado ao público em duas sessões de autógrafos: uma no dia 24 de julho, às 16h00, e outra no dia 25, às 13h00, ambas no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. Durante toda a festa, a obra estará disponível para compra no mesmo estande.

“Sobre.Viver” é um relato autobiográfico escrito em formato epistolar: cartas endereçadas à mãe do autor, Maria, que faleceu em seus braços durante um grave acidente de carro em janeiro de 2023. Com as duas pernas quebradas e presas nas ferragens, Thiago sobreviveu, mas iniciou uma longa e dolorosa jornada de reabilitação física e emocional. O livro nasceu como uma forma de lidar com o luto e com todas as perdas que se seguiram: a morte da mãe, a do pai dias depois, a do cão de apoio emocional Yuri, a da irmã Rosane, e a perda do Ninho, a casa na roça que ele mesmo construiu com as próprias mãos.

“O livro são cartas que escrevi para minha mãe, depois de sofrer um acidente de carro, quebrar as duas pernas e perdê-la em meus braços. Conto nas cartas como tem sido sobreviver, e voltar a viver mesmo em reabilitação (que já dura mais de três anos) e os aprendizados que tenho tido nesse renascimento”, explica o autor. O processo de escrita, segundo ele, levou cerca de dois anos e foi “doloroso, difícil, com muita alma e lágrimas”, mas também transformador.

A obra é guiada por temas como luto, superação, resiliência, força, amor e autoconhecimento. “Utilizei da escrita para aliviar o peso da história e as dores, físicas e emocionais. E transformar em algo bom, bonito, até mesmo poético - para me curar, e ajudar outras pessoas também”, afirma Thiago. O livro, que ele define como sua “maior herança”, é a materialização de uma busca diária por equilíbrio e paz de espírito.

Nas páginas de “Sobre.Viver”, o leitor acompanha não apenas a sequência dos acontecimentos, mas também as reflexões do autor sobre o silêncio, a solidão e a reconstrução da identidade após um trauma. Thiago fala abertamente sobre a tentativa de suicídio, a depressão profunda, as acusações injustas que recebeu da própria família e o longo processo de fisioterapia e cirurgias, incluindo o uso de um fixador externo (a “gaiola” de Ilizarov) que o acompanhou por meses. A narrativa, no entanto, não se resume à dor: é também um testemunho de como a arte, a escrita e a fé podem ser ferramentas de cura. “Este livro é a minha maior herança: a transformação de muita dor em palavras, amor e afeto. Como gosto de dizer: em cor”, aponta. Compre o livro "Sobre.Viver" neste link.


Sobre o autor

Thiago Vicente é artista visual, escritor, designer e performer. Graduado em Design e Fotografia e mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE, em Lisboa (Portugal), sua trajetória atravessa as artes visuais, a literatura e a performance. Autor de livros infantis, desenvolve obras que unem produção editorial e artes visuais com sensibilidade e reflexão. Após o acidente e o longo processo de reabilitação, sua investigação artística passou a explorar com ainda mais profundidade temas como vulnerabilidade, silêncio e reconstrução. Residente em João Pessoa, na Paraíba, cria trabalhos que combinam instalação, performance, escrita e audiovisual. Na escrita livre, encontrou também um gesto de cuidado: uma forma de aliviar a alma e seguir colorindo a vida. Compre os livros de Thiago Vicente neste link.


Serviço | Agenda Flip 2026
Eventos: Sessões de autógrafos de Thiago Vicente com o livro “Sobre.Viver”
Dias 24 e 25 de julho (sexta e sábado, respectivamente)
Horário: no dia 24, às 16h00; no dia 25, às 13h00
Local: Estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota! - Flip, Paraty (RJ)
Vendas durante a Flip: O livro estará disponível no estande da com.tato durante toda a festa, pelo valor promocional de R$ 50,00. 

.: Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip para lançar romance "O Tardio"


O escritor, jornalista e apresentador Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com seu lançamento de 2026, o romance "O Tardio", publicado pela Editora Rua do Sabão. No sábado, dia 25 de julho, à tarde, Maurício estará na Casa Oásis, ao lado dos escritores Alessandra Cysneiros e Luiz Biajoni, em um encontro com leitores durante a programação literária que movimenta Paraty no período da Flip.

Quarto romance do autor, "O Tardio" tem como pano de fundo o Brasil dos anos 1970 e acompanha a jornada de um homem que deixa sua vida para trás em busca de respostas sobre o irmão que nunca conheceu. Entre memória, liberdade e desencontros, a narrativa percorre diferentes regiões do país e revisita as marcas deixadas pela ditadura, pela contracultura e pelos sonhos de uma geração.

Maurício Melo Júnior é também jornalista, crítico literário e documentarista. Há 25 anos, apresenta o programa Leituras, da TV Senado, o primeiro dedicado à literatura e a conversas com escritores, pesquisadores e nomes do mercado editorial. Ao longo de sua trajetória, publicou 35 livros e dirigiu mais de 20 documentários. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.

Sinopse de "O Tardio"
O pano de fundo de "O Tardio", quinto romance de Maurício Melo Júnior, é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto - a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?

A vida de Sérgio parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo - à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão. Anos atrás, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos. Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito: “o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante”, “o calor sobe do chão como nuvem”“cada lugar carrega o peso de quem passou por ele”. O Brasil que emerge dessas páginas é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius.

"O Tardio" é o romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade. 


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense. Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE). Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. 

É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para "Não Me Empurre para os Perdidos" e "Sujeito Oculto". Ao todo, já escreveu 35 livros e "O Tardio" é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país. Garanta o seu exemplar de "O Tardio", escrito por Maurício Melo Júnior, neste link.

.: Livro sobre cura coletiva e resistência feminina terá sessão de autógrafos


“Palco dos Que Sofrem”, de Letícia Ávila, investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social. Foto: divulgação


A escritora e jornalista Letícia Ávila participa da programação paralela da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma sessão de autógrafos de seu romance de estreia, "Palco dos Que Sofrem". O encontro acontece neste sábado, dia 25 de julho, às 19h00, na Casa Pagã. O romance mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família. 

Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)? 

“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.

Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia. 

O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias. Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa. Compre o livro "Palco dos Que Sofrem" neste link.


Sobre a autora
Letícia Ávila
é escritora, jornalista e feminista. Nascida em Aracaju (SE), cresceu em São Paulo e atualmente vive em Ilhabela (SP). Formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM FMU, atua desde 2012 no mercado de cinema e entretenimento, experiência que influencia o ritmo e a construção de suas narrativas. Após concluir o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia na literatura com o romance "Palco dos que Sofrem", obra contemplada pelo ProAC PNAB. Em sua escrita, investiga temas como memória, trauma, redes de apoio e protagonismo feminino, entendendo a literatura como um espaço de acolhimento, cura e ressignificação. Compre os livros de Letícia Ávila neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos - "Palco dos Que Sofrem"

Data: sábado. dia 25 de julho, às 19h00
Local: Casa Pagã – Rua Dona Geralda, 76 – Centro Histórico, Paraty (Rio de Janeiro)

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: Casa cheia com Itamar Vieira Junior no primeiro dia do Sesc na Flip


Itamar Vieira Junior na programação do Sesc na Flip 2026. Foto: divulgação

A programação do Sesc na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty começou em grande estilo e com casa lotada nesta quinta-feira, dia 23 de julho. Mais de 300 pessoas assistiram a conferência “70 Anos de Grande Sertão: Veredas”, com o escritor Itamar Vieira Junior. O encontro proporcionou uma reflexão sobre a atualidade e a potência da obra de Guimarães Rosa, em celebração às sete décadas de publicação de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Nesta sexta-feira, dia 24 de julho, o escritor volta à programação do Sesc em um dos encontros mais aguardados da programação. Às 19h30, ele participa do talk show literário comandado por Tati Bernardi. O papo acontecerá no charmoso casarão do Sesc Santa Rita, localizado em um dos cartões postais da cidade, e promete revelar bastidores da leitura e da escrita em um formato leve, bem-humorado e interativo. O talk show também será transmitido ao vivo no YouTube do Sesc Brasil.


Edição especial comemora os 70 anos do clássico "Grande Sertão: Veredas"

Publicado originalmente em 1956, "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Exatamente 70 anos depois da primeira publicação, a edição especial comemorativa do romance chega às livrarias em 16 de julho. Esta edição especial, com novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes, traz um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.

O volume conta também com depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Compre a edição especial de 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, neste link.


Mais comemorações ao longo dos próximos meses
A celebração dos 70 anos de "Grande Sertão: Veredas" na Companhia das Letras inclui ainda o lançamento do audiolivro inédito narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio. Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro.

Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.

Nas redes sociais, a editora prepara uma série de com depoimentos de autores e especialistas contemporâneos, como Érico Melo, Caetano W. Galindo, Alison Entrekin e Bruna Kalil Othero. Haverá também um episódio especial do podcast Rádio Companhia, além de um zine comemorativo na campanha “Literatura Brasileira Viva”. 

.: Carolina Santos lança o premiado "Bocas Mestiças" na Flip 2026


Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário, livro reúne contos escritos ao longo de 12 anos que transformam experiências íntimas em reflexão sobre o Brasil contemporâneo. Foto: divulgação


A Editora Orlando apresenta na 24ª Flip - Feira Literária Internacional de Paraty o lançamento de "Bocas Mestiças", da escritora e socióloga goiana Carolina Santos. Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário na categoria Contos, o livro reúne narrativas interligadas que formam um mosaico sobre identidade, ancestralidade e resistência no Brasil. Com uma prosa que transita entre realismo, lirismo e elementos fantásticos, a obra coloca em cena personagens em conflito com as imposições de raça, gênero, classe e família. A autora lança a obra no dia 24 de julho, sexta-feira, às 15h00, em sessão de autógrafo no espaço da editora orlando na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty. Antes, às 14h, no mesmo local, participa da mesa de conversa “Classismo, Racismo e Ascensão Social na Literatura Brasileira”, com os autores Maurício Mendes, Marcelo Nery e Rafael Caneca.

O título já anuncia o que o leitor encontrará: “Bocas mestiças é para quem não tem medo de sujar as mãos de terra, de leite, de sangue e de prazer. É para quem sabe que a guerra nunca terminou. E que a poesia e a literatura, muitas vezes, são as únicas armas que nos restam”. Mulheres, crianças e corpos dissidentes ocupam o centro da cena não como vítimas, mas como forças vivas que dançam, gozam, resistem e reinventam o mundo em meio ao caos.

O percurso de escrita do livro é também uma travessia pessoal e política da autora. “A diferença entre eles é de 12 anos, 3 eleições presidenciais e 3 copas do mundo”, conta Carolina Santos, referindo-se ao intervalo entre o primeiro conto escrito, “Colar Essencial”, e o último, “Sem Carne e Em Chamas”. “Eu comecei com a história de uma mulher jovem e solteira buscando sua revolução erótica e íntima, na defesa de uma solidão prazerosa e terminei com uma mulher que se vê empurrada de forma violenta e até mesmo trágica para uma revolução íntima e política”.

É nesse arco que o livro explora o que as feministas dos anos 1960 já anunciavam: o pessoal é político. A narrativa de abertura, que conduz o leitor das margens do rio Araguaia às periferias de Brasília, é um exemplo contundente dessa costura entre violência histórica e desejo de liberdade. Outros contos mergulham em Brasília como personagem — “cidade construída sobre a terra vermelha do Cerrado, promessa de futuro erguida sobre camadas de memória e violência” — e na boca como símbolo do lugar da palavra e do desejo, onde diferentes heranças se tornam mestiças.

“'Bocas Mestiças 'é um livro sobre corpos em disputa”, resume a autora. “Os contos abordam ancestralidade, raça, gênero, desejo, erotismo, afetos, espiritualidade, memória e território”. Ao lado de narrativas sobre colonialismo, mestiçagem e desigualdades sociais, o livro dedica atenção especial ao erotismo feminino e aos modos pelos quais mulheres e corpos dissidentes reivindicam autonomia sobre seus desejos. “O prazer aparece não como tema secundário, mas como força política, espiritual e transformadora”.

A escrita de Carolina Santos bebe de fontes diversas: Jorge Amado, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Mia Couto, Conceição Evaristo, Gloria Anzaldúa e María Lugones estão entre suas principais referências. “Aprendi com eles que território, linguagem, memória e corpo podem ser inseparáveis”. As epígrafes do livro — um trecho de María Lugones sobre a mestiçagem e outro de Jorge Amado — já anunciam esse diálogo.

A obra também reflete a trajetória da autora, que entrelaça literatura e ativismo. Formada em Ciências Sociais pela UFG e mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, Carolina Santos atuou por anos na defesa dos direitos das mulheres “Sinto como se eu estivesse constantemente viajando entre-mundos”, diz sobre uma escrita atravessada pelo Cerrado, pela experiência da mestiçagem e pelo deslocamento entre diferentes geografias e linguagens.


Sobre a autora
Carolina Santos é escritora e socióloga goiana, radicada em Brasília. Mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, escreve sobre corpo, desejo, memória e ancestralidade. Sua ficção dialoga com os feminismos, a colonialidade e as paisagens do Cerrado brasileiro. É vencedora de prêmios como o Agente Jovem de Cultura (2011), Expressões Culturais Afro-Brasileiras (2012) e o Tato Literário (2025), e foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura em 2014.


Sobre a Orlando
A Editora Orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando.


Lançamento na Flip: "Bocas Mestiças", de Carolina Santos
Data: 24 de julho, sexta-feira
Espaço da Orlando, na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty (RJ)
Horário: 14h00 (roda de conversa) e 15h00 (sessão de autógrafos)

.: Globo Livros na Flip com Valter Hugo Mãe, Rui Couceiro e Vitor Martins


Programação reúne debates com os autores e celebra os lançamentos de O século dos imbecis e Morro da Pena Ventosa

A Globo Livros marca presença na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma programação que reúne os escritores Valter Hugo Mãe e Rui Couceiro, publicados pela Biblioteca Azul, além de uma conversa sobre a adaptação cinematográfica de "Quinze Dias", de Vitor Martins, publicado pela Alt. O autor, que estava confirmado no evento, precisou cancelar sua participação por questões de saúde.

Um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe chega a Paraty para celebrar "O Século dos Imbecis", novo romance dele. Com humor, sátira e elementos de realismo mágico, o livro propõe uma reflexão sobre as contradições humanas. Durante a Flip, o escritor português participa de cinco encontros, ao lado de nomes como Carla Madeira, Alessandra Roscoe, Cris Gazotto, Rui Couceiro, Marcelino Freire e Fernando Rocha.
 
Também pela Biblioteca Azul, Rui Couceiro leva ao evento "Morro da Pena Ventosa", novo livro dele. No romance, o autor português constrói uma narrativa sobre memória, pertencimento e o poder da imaginação. Em Paraty, Couceiro participa de conversas sobre literatura, condição humana e o papel de livrarias e festivais literários na transformação dos territórios.

A programação também celebra a chegada de "Quinze Dias", de Vitor Martins, às telas. Em uma conversa promovida pela FlipZona, Paula Drummond, editora de aquisições responsável pelo livro na Alt/Globo Livros, reúne-se com profissionais da Conspiração Filmes e jovens do coletivo para compartilhar os bastidores do percurso da obra, desde sua publicação até o desenvolvimento do longa-metragem. O filme também será exibido no Cinema da Praça. Confira a programação atualizada:
 

23 de julho | Quinta-feira
10h00 - Casa da Arquitetura
"Quando o Século"
Com Valter Hugo Mãe e Carla Madeira
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
 

24 de julho | Sexta-feira
15h00 - Casa de Portugal
"Quando os Livros Transformam Territórios - Livrarias e Festivais Literários"
Com Rui Couceiro, José Luiz Tahan, Pedro Matias e Ricardo Duque
Mediação: Ana Marta Cattani
Endereço: Rua Dona Geralda, 152
 
15h30 - FlipEduca | Mezanino do Cinema da Praça
"Morte e Vida na Literatura - Diálogos com a Escola"
Com Valter Hugo Mãe, Alessandra Roscoe e Cris Gazotto
 
17h00 - Caixa de Histórias
"O Que Nos Torna Humanos"
Com Valter Hugo Mãe e Rui Couceiro
Mediação: Guilherme Amado
Endereço: Rua Dona Geralda, 140
 
17h00 - Central Flipinha
"Quinze Dias que Chegaram Até Aqui"
Com Paula Drummond, Clarisse Goulart e João Abbade
Em diálogo com Chrystine, Naná e Pedro, da FlipZona


25 de julho | Sábado
14h00 - Casa da Arquitetura
"O Futuro Como Biblioteca: Palavras, Utopias e Distopias"
Com Rui Couceiro, Eliana Alves Cruz e Vivien Merciel Suarez
Mediação: Jorge Sobrado
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
 
18h30 - Cinema da Praça
Exibição do filme "Quinze Dias"
 
19h00 - Casa Paratodos
"Afinidades Poéticas Transatlânticas"
Com Valter Hugo Mãe e Marcelino Freire
Mediação: Simone Paulino
Endereço: Rua Dr. Samuel Costa, 254
 

26 de julho | Domingo
10h00 - Casa da Arquitetura
"Todos os Séculos para a Cultura"
Com Valter Hugo Mãe e Fernando Rocha
Endereço: Rua Dona Geralda, 351

quarta-feira, 22 de julho de 2026

.: Angela Chaves lança na Flip livro que transforma monumentos do Rio


Criadora da série "Pedaço de Mim", da Netflix, e autora de novelas como "Éramos Seis" e "Os Dias Eram Assim", escritora apresenta "Histórias de Ferro e Pedra", coletânea que convida leitores a redescobrir a cidade pela imaginação


Depois de uma trajetória dedicada à televisão, ao streaming e à literatura, a roteirista Angela Chaves leva sua imaginação às ruas do Rio de Janeiro. Durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty 2026, a escritora lança "Histórias de Ferro e Pedra", pela Editora Mondru, coletânea de sete contos que transforma estátuas, chafarizes, praças e monumentos cariocas em protagonistas de narrativas fantásticas. O livro será apresentado no dia 24 de julho, às 18h30, no Auditório Areal, durante a mesa "Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo", ao lado dos escritores Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira.

Mestra em Literatura Brasileira, Angela escreveu inúmeros programas para televisão e foi autora e colaboradora de séries e novelas como "Éramos Seis", "Os Dias Eram Assim" e "Maysa - Quando Fala o Coração". Mais recentemente, criou e escreveu a série "Pedaço de Mim", da Netflix, e assina a adaptação do romance "Véspera", de Carla Madeira, para a HBO Max. Ao longo da carreira, foi indicada ao Emmy por Maysa. Em 2025, recebeu o prêmio da APCA de Melhor Novela por Pedaço de Mim e também foi indicada ao Rose d'Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo.

Em "Histórias de Ferro e Pedra", Angela parte de uma pergunta simples: e se os monumentos observassem a vida das pessoas? A partir dessa premissa, cria um universo em que esculturas, calçadas, fontes e estátuas escondem desejos, ressentimentos, lembranças e sonhos. Inspirados em monumentos e espaços públicos do Rio de Janeiro, os contos convidam o leitor a observar a cidade como um exercício da imaginação.

A ideia do livro nasceu de um episódio real envolvendo a estátua Inverno, instalada no Passeio Público do Rio de Janeiro. A escultura desapareceu por um período, reapareceu em outro local e depois voltou ao parque, despertando a curiosidade da autora. "Esse livro começou com o encanto pela estátua Inverno e sua história real, quando esteve desaparecida do Passeio Público e apareceu em outro lugar. Depois voltou ao Passeio Público. Isso motivou minha imaginação", conta Angela. A partir desse primeiro impulso, desenvolvido durante um curso de leitura e escrita com Rona Hanning, surgiram os demais contos da coletânea.

Cada conto constrói um pequeno universo fantástico inspirado em um patrimônio real da cidade. A estátua Inverno, moldada em ferro e estanho, sonha com alguém capaz de compreender sua solidão. A deusa Tétis, no Jardim Botânico, observa discretamente os amores humanos. Duas esculturas de leões disputam protagonismo no Largo dos Leões. Uma lagartixa aventureira desafia a imobilidade de Santa Genoveva. As pedras portuguesas de Vila Isabel transformam relações amorosas em partituras melancólicas. Personagens inusitados também habitam o Cemitério São João Batista e o Colégio Orsina da Fonseca.

Ao final de cada narrativa, notas históricas apresentam a origem, a localização e a história dos monumentos que inspiraram a ficção, aproximando fantasia e realidade. Para a autora, a principal proposta da obra é provocar um novo olhar sobre aquilo que faz parte da rotina. "Com este livro, procura-se acordar contadores. Da próxima vez que passar por uma figura de ferro ou pedra, no Rio de Janeiro ou em qualquer lugar do planeta, o convite é olhar o mundo como exercício da imaginação." A orelha da obra é assinada pela escritora Luize Valente, que destaca o caráter poético, memorialístico e lúdico da coletânea.


Sobre a autora
Angela Chaves nasceu no Rio de Janeiro, cresceu na zona norte da cidade e atualmente divide seu tempo entre a zona sul carioca e o sertão do Nordeste. É formada em Letras, mestre em Literatura Brasileira (1993) e atuou como roteirista da Globo entre 1995 e 2021. Atualmente está à frente da produtora Palavra Chave, dedicada ao mercado audiovisual.

Tem cinco livros infantis e infantojuvenis publicados e escreveu séries, novelas e minisséries para a televisão. Entre seus trabalhos estão "Éramos Seis", "Os Dias Eram Assim" e "Maysa - Quando Fala o Coração". Criou e escreveu a série "Pedaço de Mim," da Netflix, e assina a adaptação do romance "Véspera", de Carla Madeira, para a HBO Max.

Foi indicada ao Emmy por "Maysa - Quando Fala o Coração". Em 2025, recebeu o prêmio da APCA de Melhor Novela por "Pedaço de Mim" e também foi indicada ao Rose d'Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo. Nas redes, é @angelachaves66.


Serviço - Flip 2026
Lançamento do livro "Histórias de Ferro e Pedra" (Editora Mondru)
Mesa: "Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo" – com Angela Chaves, Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira
Data: sexta-feira, dia 24 de julho de 2026, às 18h30
Local: Auditório Areal, Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
Sessão de autógrafos no estande da Mondru: data e horário a confirmar

segunda-feira, 20 de julho de 2026

.: Ana Paula Tavares vem à Flip para lançar "O Sangue da Buganvília"


Atração oficial da Flip 2026, escritora angolana conquistou o Prêmio Camões de Literatura em 2025 e publica novo livro no Brasil. Foto: divulgação

Nem tudo o que um povo sabe cabe nos livros. Parte desse conhecimento vive nas histórias contadas pelos mais velhos, nas palavras da língua materna, nos provérbios, nas receitas, nos gestos e na maneira de olhar o mundo. É desse saber coletivo que nasce "O Sangue da Buganvília", lançado pela Pallas Editora, novo livro da escritora angolana Ana Paula Tavares, 73 anos. Reunindo mais de 70 crônicas, a vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2025 aproxima poesia, história e tradição oral para mostrar como uma cultura continua sendo transmitida entre gerações.

Publicados originalmente na década de 1990 para a RDP África e agora reunidos em livro, os textos percorrem assuntos como língua, patrimônio, tradição oral, guerra, infância, culinária e literatura. Mas o que une essas crônicas é, sobretudo, o olhar da Ana Paula. Historiadora e antropóloga de formação, ela encontra nas pequenas experiências do cotidiano um caminho para entender Angola de um modo abrangente, sem separar o íntimo do coletivo nem a poesia da História.

Ana Paula virá ao Brasil na próxima semana para se juntar à constelação de escritores na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2026. No sábado, 25 de julho, às 15h00, a escritora vai brilhar na mesa 'O boi é só. O boi é só. O boi', na qual conversará com o público presente sobre a sua carreira na literatura e a sua poesia, ambas marcadas pela história de Angola e da luta pela emancipação feminina. Falará também a respeito da sua ligação com o Brasil, a partir dos laços que unem os dois países. 

Nas crônicas deste livro, um provérbio pode dialogar com Virginia Woolf (1882-1941), uma receita tem o poder de revelar tanto sobre um povo quanto um documento de arquivo e uma buganvília é capaz de explicar melhor um país do que qualquer estatística. Em suas páginas, a tradição oral e as vozes dos que chegaram antes deixam de ocupar um lugar periférico para assumir o centro da narrativa. É ali que a autora encontra aquilo que mais a interessa: as formas pelas quais uma cultura continua viva.

Para além de recordar o passado, Ana Paula escreve como quem recebe uma história para passar adiante. A sua literatura recusa a ideia de que a história de um país possa ser contada apenas pelos grandes acontecimentos, aqueles que saem no jornal. Ela também está na língua materna, nos mercados, nas árvores, nos objetos cotidianos, nas mulheres que preservam saberes ancestrais e nas histórias que circulam de uma geração à outra. 

Não por acaso, a planta dá nome ao livro. Na crônica que inspira o título, a buganvília floresce apesar do vento, da seca e do tempo. A imagem costura silenciosamente toda a obra e acaba se confundindo com a própria escrita de Ana Paula Tavares, que insiste em florescer onde muitos enxergariam apenas ruínas. Pela Pallas, Ana Paula já publicou "Amargo como os Frutos - Poesia Reunida" (2010) e participou de "Verbetes para Um Dicionário Afetivo" (2021), ao lado de Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção. Agora é a vez de "O Sangue da Buganvília", que confirma algo que a autora vem construindo há décadas: escrever também pode ser uma forma de cuidar. Cuidar das palavras, da memória e das pessoas que fazem a História existir antes mesmo de chegar aos livros. Compre o livro "O Sangue da Buganvília" neste link.

sábado, 18 de julho de 2026

.: Aos 40 anos, Companhia das Letras na 24ª Flip leva casa para a festa


Mais de 50 autores publicados pela Companhia das Letras participam da programação em Paraty. Zadie Smith, Ève Guerra, Milton Hatoum, Andréa del Fuego, Andrea Bajani e Drauzio Varella estão na programação oficial da Flip
 
A Companhia das Letras estará na 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorrerá entre 22 e 26 de julho, no centro histórico da cidade. Além de marcar presença com mais de 50 autores na programação, a editora traz como grande destaque para esta edição da festa literária a Casa Companhia das Letras, um espaço de convivência que celebra o aniversário de 40 anos da editora e pretende ser um ponto de encontro para leitores, autores e livros. Na sexta, dia 24, às 17h00, a Companhia oferecerá ao público da Flip um presente especial: uma roda de samba gratuita na Praça da Bandeira, no Centro Histórico, com o grupo local Samba da Benção.  
 
Casa Companhia das Letras. Localizada na Rua da Matriz, nº 107, e aberta de quinta a sábado, a Casa Companhia das Letras convida o público a viver a literatura de diferentes maneiras. Levando para a Flip a campanha livro é companhia, que marca os 40 anos da Companhia das Letras, a casa terá uma cabine fotográfica gratuita na qual os visitantes poderão registrar sua passagem pela festa literária. Os leitores também poderão ouvir audiobooks narrados pelos próprios autores e degustar os aperitivos e bebidas do Gastromar, parceiro da editora pelo segundo ano consecutivo.
 
Além dos livros, que serão vendidos na casa pela Livraria da Travessa, o público vai encontrar produtos exclusivos da Companhia das Letras, como o boné leitora, a bandeira leitora latina, e itens especiais feitos em collab com marcas parceiras: uma Tote Bag comemorativa dos 40 anos, da Toró, e a placa decorativa esmaltada livro é companhia, produzida pela marca Um canto lá de casa. Na compra de dois livros, o leitor ganhará uma ecobag. Brindes também serão distribuídos.
 
Haverá, ainda, uma programação especial voltada a todas as idades, com bate-papos, lançamentos, contação de histórias e oficinas de arte. Luiz Schwarcz e Paulo Henriques Britto serão os convidados da edição ao vivo do podcast Rádio Companhia, apresentado pela editora Stéphanie Roque. Autores e autoras publicados pela Companhia farão leituras de trechos de livros que marcaram suas vidas aos longos dos 40 anos da editora. A programação completa da Casa Companhia das Letras pode ser vista mais abaixo.
 
Programação principal. Neste ano, a Companhia das Letras marca presença na programação oficial da Flip com nomes nacionais e internacionais. Na quinta-feira, às 17h00, o italiano Andrea Bajani compõe a mesa “a infância volta devagarinho” ao lado de Maria Esther Maciel, com mediação de Anabela Mota Ribeiro. No sábado, às 19h00, a autora inglesa Zadie Smith sobe ao palco para a conversa “e este chão não existe, e esta paz é vertigem”, mediada por Juliana Borges. No domingo, às 10h00, a francesa Ève Guerra encerra a participação da Companhia das Letras no programa principal da Flip, na mesa “a porta está aberta”, com Ernesto Mané e mediação de Adriana Ferreira Lima. Os brasileiros Milton Hatoum, Drauzio Varella e Andréa del Fuego também estarão no Auditório da Matriz.
 
Programação paralela. Ao longo dos dias, diversos autores que publicam nos diferentes selos da Companhia farão parte da programação paralela em casas parceiras.  Amyr Klink participa da conversa “100 dias – Entre o livro e o filme”, sobre o filme baseado em seu livro Cem dias entre céu e mar, publicado pela Companhia das Letras e que acaba de ganhar uma nova edição. O encontro acontecerá no dia 23 de julho, às 17h, na Casa da Cultura.  Lilia M. Schwarcz e Heloísa Starling estarão na mesa “Brasil: Uma Biografia. Que Novos Capítulos Já Escrevemos Neste Quarto de Século?”, sob mediação de Guilherme Amado, na casa Brasil de Histórias, na sexta-feira, às 18h30.  A livraria das Marés receberá nomes como Eucanaã Ferraz, Alice Sant'Anna, Natalia Timerman e Jeovanna Vieira.
 
Para os pequenos. Na Flipinha, nomes como Kammal João, Madu Costa e André Gravatá participarão de atividades, desde oficinas e contação de histórias a encontros literários. Na Livraria das Marés, serão realizados bate-papos seguidos de sessões de autógrafos com diversos autores da casa, dentre eles Marília Garcia, Eva Potiguara, Isabella Miranda, Eva Uviedo e Janaina Tokitaka. Autores da Companhia participarão também da FlipEduca, uma programação voltada a educadores e pessoas interessadas no debate sobre educação. Nesses encontros, serão discutidos temas como literatura negra nas escolas e clubes de leitura. Nomes como Calila das Mercês, Maitê Freitas e Caco Galhardo compõem o programa. Confira a programação exclusiva da Companhia das Letras na 24ª Flip:
 
23 de julho - Quinta-feira
11h00 - Livro é Companhia para as Infâncias 
Lançamento do livro Uma casa, de Alice Sant’Anna e Kammal João
Atividade com sessão de autógrafos, narração de histórias e oficina de arte. 
Local: Casa Companhia das Letras
 
24 de julho - Sexta-feira 
11h00 - Livro é Companhia para as Infâncias 
Eva Potiguara, Madu Costa, Rodrigo Andrade e Waldete Tristão
Atividade com sessão de autógrafos, narração de histórias e oficina de arte. 
Lançamento coletivo dos livros: Do Òrun ao Àiyé, Biguru e Tudo é mar
Local: Casa Companhia das Letras

15h00 - Livro é Companhia para Imaginar
"Invernagem: Uma História, Múltiplos Relatos"
Nesta conversa, Marina Person recebe Alice Sant'Anna (Companhia das Letras), Estela Renner (Maria Farinha Filmes) e Elisa Chalfon (Netflix Brasil) para contar como a história de Tamara Klink, a primeira velejadora mulher já registrada a fazer uma invernagem em solitário, extrapola a narrativa escrita e ganha nova vida em documentário ainda inédito.
Local: Casa Companhia das Letras

17h00 - Roda de samba da Companhia
Grupo Samba da Benção
Local: Praça da Bandeira - Paraty
Entrada gratuita
 
25 de julho - Sábado
11h00 - Rádio Companhia ao vivo
Paulo Henriques Britto e Luiz Schwarcz
Local: Casa Companhia das Letras

15h00 - Livro é Companhia: Com a Palavra, os Autores 
Autores da editora apresentam trechos de livros que fizeram companhia a eles em momentos importantes da vida.
Local: Casa Companhia das Letras
 
Serviço:
Casa Companhia das Letras
Funcionamento: 23 a 25 de julho (quinta, sexta e sábado)
Horário: 10h00 às 22h00 – Gastromar aberto das 14h00 às 22h00.


.: Biblioteca de São Paulo diversas atividades na programação de julho


A programação inclui ainda a experiência coletiva "Contaí", que recebe a Trupe Arlequinos e Colombinas e a atriz Kiara Terra, na imagem. Foto: divulgação

A Biblioteca de São Paulo (BSP), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela SP Leituras, realiza, ao longo de julho, uma programação gratuita com atividades para diferentes públicos. A agenda reúne exposição multissensorial, sessões de cinema, contação de histórias, espetáculo, oficina de esgrima histórica, de amigurumis e xadrez, clubes de leitura e atividades especiais de férias. As atividades acontecem em diferentes espaços da biblioteca, são gratuitas e, em sua maioria, não exigem inscrição prévia, com vagas preenchidas por ordem de chegada.

Entre os destaques está a exposição "Sentir pra Ver: Gêneros da Pintura na Pinacoteca de São Paulo", em cartaz até 2 de agosto, no piso térreo. Com recursos multissensoriais, como reproduções em relevo, audiodescrição e videolibras, a mostra apresenta 14 reproduções fotográficas de obras do acervo da Pinacoteca, abrangendo natureza-morta, retrato, paisagem e abstração, com acesso garantido a pessoas com deficiência. Ao longo de julho, o espaço também recebe a programação Férias na Biblioteca, que ocupa o período de recesso escolar com atividades lúdicas para crianças e jovens, como gincana, campeonato de ping pong, jogos de tabuleiro e desafios de leitura dinâmica (datas e horários abaixo).

O BiblioCine exibe filmes para toda a família com distribuição de pipoca. No dia 19 de julho, às 15h00, a programação traz "DC Liga dos Superpets", animação que acompanha Krypto, o Supercão, em uma missão de resgate ao lado de animais com superpoderes. Já no dia 26 de julho, no mesmo horário, será exibido "Lego Ninjago - O Filme", em que pai e filho entram em um confronto épico para testar uma equipe de ninjas modernos.

No dia 19 de julho, às 14h00, a BSP recebe o espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", da companhia Furunfunfum, na tenda da biblioteca. O microcirco ambulante acoplado a uma bicicleta mistura teatro de rua, circo, física e acústica em números interativos para todas as idades. O Clube de Leitura BSP - Histórias Compartilhadas acontece no dia 18 de julho, às 15h00, com discussão sobre a obra "Crônica de Uma Morte Anunciada", de Gabriel García Márquez, com mediação de Claudia Aratangy.

A programação inclui ainda a experiência coletiva "Contaí", que recebe a Trupe Arlequinos e Colombinas no dia 18 de julho, às 15h00, com atrizes e pesquisadoras da cultura popular e Libras no teatro. No dia 25 de julho, também às 15h00, o Contaí conta com participação da atriz, escritora e pesquisadora da narrativa oral e da Sociologia da Infância Kiara Terra. No dia 25 de julho, das 16h00 às 18h00, acontece mais uma edição da batalha de rima com Carandirap.

Nos dias 25 e 26 de julho, das 10h00 às 18h00, a Federação Paulista de Esgrima Histórica realiza a primeira edição da Copa SP – Torneio de Armas Mistas, com a AEEA Stahlfechter, em que atletas combatem com espadas de diversos períodos históricos, unindo esporte, estratégia e história. Confira a programação completa abaixo.


Exposição
Até 2 de agosto -
"Sentir pra Ver: Gêneros da Pintura na Pinacoteca de São Paulo" (das 9h30 às 18h30, piso térreo)

Férias na Biblioteca
21 de julho -
Campeonato de Ping Pong (15h00)
22 de julho - Leitura Dinâmica (15h00)
23 de julho - Gincana (15h00)
24 de julho - Jogo de Adivinhações O Termo (15h00)

BiblioCine
19 de julho -
DC Liga dos Superpets (15h00, auditório)
26 de julho - Lego Ninjago – O Filme (15h00, auditório)

Contação de Histórias - "Contaí"
18 de julho -
Arlequinos e Colombinas, com Trupe Arlequinos e Colombinas (15h00, piso térreo)
25 de julho - Kiara Terra (15h00)

Carandirap
25/07 -
Batalha de rima com Carandirap (16h00)

Espetáculo
19 de julho -
 "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", com Furunfunfum (14h00 às 15h00, tenda)

Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre
19 de julho - Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre (16h00)
26 de julho - Oficina de Xadrez – Jogada de Mestre (16h00)

Empreendedorismo BSP
18 de julho -
Oficina de bordado livre (14h00)
25 de julho, 1° e 8 de agosto - Oficina de amigurumis, com Coletivo Meiofio (14h00 às 16h00, tenda)

Clubes de leitura
18 de julho - Clube de Leitura BSP -
Histórias Compartilhadas: "Crônica de Uma Morte Anunciada", de Gabriel García Márquez (15h00)

Copa SP: Torneio de Armas Mistas
25 e 26 de julho -
Copa SP: Torneio de Armas Mistas, com AEEA Stahlfechter (10h00 às 18h00, tenda)

Oficina de demonstração - Esgrima Histórica
26 de julho
- Esgrima Histórica na BSP (10h00), com a AEEA Stahlfechter

Sarau da Juventude
26 de julho -
Sarau da Juventude com Equipe BSP (14h00)


Serviço
Biblioteca de São Paulo

Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana, Parque da Juventude, São Paulo/SP (ao lado do Metrô Carandiru – Linha 1-Azul)
Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados, das 9h30 às 18h30
Entrada gratuita.


sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: "100 Dias" atraca na Flip e terá painel especial com Amyr Klink e convidados


Com mediação de Marcelo Tas, o encontro acontece na Casa da Cultura, no dia 23 de julho, e reúne navegador, diretor e roteiristas para compartilhar os desafios de transformar um dos maiores clássicos da literatura brasileira de aventura de não-ficção em experiência cinematográfica. Na imagem, Filipe Bragança como Amyr Klink em “100 Dias”. Foto: Fabio Braga/ Pivô Audiovisual


Quarenta anos após a histórica travessia que marcou gerações de leitores, a jornada de Amyr Klink ganha um novo capítulo. Durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, o navegador, o ator Filipe Bragança, o diretor Carlos Saldanha e as roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares participam da mesa “100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os Caminhos para Transformar Um Clássico da Literatura Brasileira em Experiência Cinematográfica”, que abordará o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar" para o cinema.

O filme "100 Dias" estreia em 29 de outubro e acompanha a histórica expedição de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada sozinho, em um barco a remo. Mais do que retratar uma travessia extraordinária, o longa acompanha a jornada de um homem confrontado por seus medos, limites e inseguranças. O painel durante a Flip propõe uma conversa sobre o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspirou o longa-metragem, compartilhando as escolhas narrativas e revelando os bastidores para levar às telas uma das histórias mais marcantes da literatura brasileira contemporânea.

A conversa abordará Amyr Klink revisitando a trajetória que transformou sua expedição pelo Atlântico Sul em um clássico da literatura brasileira, enquanto Carlos, Elena e Thais revelarão os bastidores da adaptação. Ao final, Filipe Bragança se junta ao grupo para compartilhar sua preparação para interpretar Amyr e os desafios de levar às telas um personagem inspirado em uma figura tão emblemática da navegação brasileira.

“100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os caminhos para transformar um clássico da literatura brasileira em experiência cinematográfica” acontecerá no dia 23 de julho, às 17h00, na Casa da Cultura, em Paraty, no Rio de Janeiro. A mediação ficará a cargo de Marcelo Tas, jornalista, apresentador e comunicador reconhecido por sua longa trajetória à frente de entrevistas e debates. Para maiores informações sobre a FLIP, acesse o site oficial do evento.

Além da participação do filme na programação da Flip, a Companhia das Letras aproveita o evento para lançar a nova edição de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspira o longa "100 Dias". Publicado originalmente em 1985, cerca de um ano após a histórica travessia de Amyr Klink a bordo da "lâmpada flutuante" - como o navegador carinhosamente apelidou seu barco -, o livro acompanha, em primeira pessoa, a expedição que transformou seu autor em um dos maiores nomes da literatura de viagem brasileira.

Com o texto revisado e novo projeto gráfico, a edição celebra os 41 anos da publicação e convida uma nova geração de leitores a revisitar a jornada que agora também ganha vida nas telas. Na sexta-feira, 24 de julho, Amyr Klink participará de uma sessão de autógrafos da nova edição, em um encontro com leitores durante a Flip. A sessão será realizada no Bar Atlântico, no Centro Histórico de Paraty, das 17h00 às 19h00, com acesso por ordem de chegada.

terça-feira, 14 de julho de 2026

.: Beto Matos estará na Flip em debate sobre fragmentação do tempo


Evento na Casa Urutau durante a FLIP discutirá memória, aceleração e as novas formas de narrar o presente

A literatura contemporânea e os desafios de representar um mundo marcado pela fragmentação estarão no centro da participação do escritor e ator Roberto Basílio de Matos na 4ª edição da Casa Urutau, espaço integrante da programação paralela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). No dia 25 de julho, sábado, às 16h00, o autor participa da mesa "Este Velho Mundo Novo (e Louco): O Tempo do Fragmento", ao lado de Leonardo Mourão Carrara e Zeh Gustavo, em um encontro dedicado a refletir sobre como a literatura responde às experiências do presente por meio da memória, do tempo e das narrativas fragmentadas.

O convite reforça o momento vivido por Roberto Basílio de Matos com o romance ** Longitude 33º Oeste **, publicado pela Editora Urutau. A obra transporta o leitor para o isolamento do Atol das Rocas, onde acompanha a luta de uma família para sobreviver em meio à escassez, ao silêncio e à força da natureza, transformando esse cenário em uma reflexão sobre pertencimento, resistência e a própria condição humana.

A construção narrativa do romance dialoga diretamente com o tema da mesa da Flip. Com estrutura fragmentada e múltiplos pontos de vista, Longitude 33º Oeste apresenta diferentes perspectivas de seus personagens para revelar como memória, tempo e experiência moldam a percepção humana. O autor, com experiência como ator e dramaturgo, utiliza a locução em seu processo de escrita, dando particular importância ao ritmo e sonoridade do texto. A obra combina lirismo, oralidade e regionalismo em uma narrativa que rompe a linearidade para aproximar o leitor das inquietações de cada integrante da família retratada.

"A fragmentação não é apenas uma escolha estética. Ela traduz a forma como vivemos, lembramos e compreendemos o mundo. A literatura precisa encontrar novas maneiras de narrar essa experiência contemporânea sem perder sua capacidade de provocar reflexão", afirma Roberto Basílio de Matos. Ao mesmo tempo em que mergulha em um território geograficamente isolado, o romance amplia sua discussão para temas universais como solidão, deslocamento, memória e sobrevivência. "Somos seres sociais, não isolados. O livro aborda essa fragilidade do humano perante o outro e a si mesmo, quando os laços externos são cortados. Que mundo queremos para nós, quando destruímos aquilo que nos mantém vivos?", destaca o autor.

A participação na Casa Urutau consolida a presença de Roberto Basílio de Matos entre os autores que discutem os caminhos da literatura brasileira contemporânea durante a FLIP. Ao levar Longitude 33º Oeste para um dos principais encontros literários do país, o escritor amplia o debate sobre as novas formas de narrar o presente e reafirma a literatura como espaço de reflexão sobre as transformações do mundo e da experiência humana.

 
Sobre o autor
Roberto Basílio de Matos (Beto Matos) acumula uma trajetória premiada nas artes. Cofundador da Cia. De teatro Phila7 e vencedor do Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2005, já publicou Guarda-chuva? Guarda-chuva!  (Prêmio Lusofonias em Portugal) e Nosso diário (2019). Em "LONGITUDE 33° Oeste", ele une seu olhar biológico sobre a natureza e sua experiência dramática para construir uma narrativa sensível sobre a condição humana.


Serviço
Mesa: "Este Velho Mundo Novo (e Louco): O Tempo do Fragmento"
Sábado, dia 25 de julho, às 16h00
Casa Urutau – Flip 2026
Participantes: Roberto Basílio de Matos, Leonardo Mourão Carrara e Zeh Gustavo

.: Luci Collin: 30 anos de literatura em nova coletânea de contos


Em "Acontecidos", lançamento da Maralto Edições, a vencedora do Prêmio Jabuti apresenta uma seleção de textos que percorre sua trajetória como contista e reafirma sua aposta na invenção, no humor e na liberdade da linguagem. Foto: Annie Libert

Uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea, a escritora curitibana Luci Collin lança pela Maralto Edições o livro "Acontecidos: Contos Escolhidos", coletânea que reúne 44 narrativas produzidas ao longo de quase três décadas de carreira. A obra percorre um arco temporal que vai de 1997 até textos inéditos escritos para esta edição, oferecendo ao leitor um panorama abrangente da produção contística da autora, reconhecida pela experimentação formal, pela musicalidade da escrita e pelo constante diálogo com os limites da linguagem. O livro será lançado na Flip - Festa literária Internacional de Paraty 2026 no próximo dia 23,  às 12h30, na Casa Acaso. O evento contará com um bate-papo mediado pela escritora e artista visual Julie Fank.

Com prefácio do escritor e tradutor Caetano Galindo, o volume apresenta uma seleção criteriosa realizada a partir de cerca de 130 contos publicados por Luci Collin em oito coletâneas ao longo de sua trajetória. Organizado cronologicamente, Acontecidos funciona como uma espécie de cartografia literária de uma autora que sempre privilegiou a inventividade, a ruptura de convenções e a busca por novas possibilidades narrativas.

A seleção dos textos levou em consideração tanto a representatividade formal quanto temática da produção da escritora. O objetivo foi apresentar contos capazes de sintetizar as principais características de sua literatura, marcada por estruturas fragmentadas, jogos de linguagem, cortes narrativos, humor ácido e um afastamento deliberado das formas mais convencionais do gênero. “Foi um processo de escolha muito cuidadoso. Busquei contos que trouxessem essa marca de inventividade e transgressão dos padrões tradicionais da narrativa, reforçando uma linguagem mais ágil, fragmentada e menos realista, características muito presentes na literatura contemporânea”, afirma a autora.

Ao revisitar textos escritos ao longo de quase 30 anos, Luci Collin também encontrou uma oportunidade de refletir sobre sua própria trajetória. Segundo ela, os primeiros contos surgiram em um momento em que suas propostas literárias eram frequentemente percebidas como rebeldes por se distanciarem dos modelos narrativos mais tradicionais. Hoje, no entanto, a autora percebe um público mais familiarizado com procedimentos como a fragmentação, a montagem e os jogos linguísticos que sempre fizeram parte de sua escrita.

“Olhar para trás foi um exercício emocionante. Muita coisa mudou no mundo e na minha vida desde então. Permaneci acreditando em uma escrita experimental que sempre disse muito sobre quem sou. Ver essa trajetória reunida em um único volume é um presente indescritível”, comenta. Ao longo das páginas de "Acontecidos", o leitor encontra personagens excêntricos, diálogos marcados por ruídos de comunicação e narrativas que são uma reflexão sobre o próprio ato de escrever. A fragilidade da linguagem, os impasses da vida urbana contemporânea e as múltiplas formas de construção da identidade aparecem como temas recorrentes, tratados sempre com uma combinação singular de humor, ironia e refinamento formal.

Embora reconhecida pelo experimentalismo, Luci Collin destaca que sua literatura nunca abriu mão da comunicação com o leitor. “Escrever corresponde a uma necessidade profunda de comunicação. Não sou uma escritora radical em relação à forma. Tenho muitos leitores jovens que leem meus textos com facilidade, e isso me alegra porque mostra que o tratamento que dou à linguagem não a torna hermética ou inacessível”, afirma.

Outro elemento fundamental da obra de Luci Collin é sua estreita relação com a música. Pianista e percussionista profissional durante muitos anos, ela incorporou à escrita princípios como ritmo, melodia, pausas e contrapontos. Não por acaso, referências a compositores como Mozart e Beethoven aparecem em seus contos, assim como termos do universo musical. “O convívio com a música trouxe para a minha escrita recursos ligados à sonoridade, à cadência e à polifonia. Muitas vezes trabalho a narrativa pensando no ritmo da fala, nos silêncios e na musicalidade das palavras”, finaliza.

Com "Acontecidos", Luci Collin oferece aos leitores uma síntese poderosa de uma trajetória dedicada à experimentação estética e à reinvenção permanente da narrativa, reafirmando seu lugar entre os nomes mais inventivos da literatura brasileira contemporânea. A obra já está disponivel no ecommerce da Maralto Edições e também faz parte do Programa de Formação Leitora Maralto, uma iniciativa direcionada para escolas de todo o país.


Sobre a autora
A curitibana Luci Collin é escritora, tradutora e professora. Formou-se em Piano/Performance, Letras (Português/Inglês) e Percussão Clássica, é doutora em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (USP) e tem dois pós-doutorados em Tradução de Literatura Irlandesa. Lecionou na UFPR entre 1999 e 2019. Estreou na literatura em 1984 com Estarrecer e construiu uma carreira reconhecida na poesia e na prosa. Foi finalista do Prêmio Oceanos com Querer falar (2014), venceu o Prêmio Jabuti com A palavra algo (2016) e recebeu distinções como o Prêmio Clarice Lispector e o Prêmio Literário Biblioteca Nacional com Dedos impermitidos, (2021). Tradutora de autores como Virginia Woolf e Seamus Heaney, tem obras publicadas no Brasil e no exterior e integra a Academia Paranaense de Letras (Cadeira 32).


Serviços
Eventos de lançamento
Flip 2026

Data: 23 de julho, quinta-feira, às 12h30
Casa Acaso | O evento contará com um bate-papo mediado pela escritora e artista visual Julie Fank.

Lançamento em Curitiba
Data: 15 de agosto, sábado, às 14h00
Livraria Telaranha | R. Ébano Pereira, 269 – Centro

segunda-feira, 13 de julho de 2026

.: A coleção que transforma memórias em experimentação literária


Inspiradas na cultura dos zines e do faça-você-mesmo (Do It Yourself/DIY), quatro autoras exploram identidade, infância, corpo e reconstrução em obras inéditas 


Desde 2024, o selo Tato Literário, da com.tato, publica uma coleção de plaquetes anual com curadoria e edição de Thaís Campolina e Karol Lopes. Inspirada na cultura "Do It Yourself" ("Faça Você Mesmo"), na estética dos zines e no formato livreto, a edição de 2026 traz uma novidade marcante: pela primeira vez, as obras compartilham de uma forte coesão temática. Embora transitem por gêneros, propostas e estilos diversos, os quatro títulos selecionados partiram da memória e de suas diferentes interpretações na construção do material produzido. As plaquetes serão lançadas na 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, em sessão de autógrafos com as autoras no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, onde a coleção também será comercializada.

A base desta coleção foi a 3ª edição do minicurso “Plaquetes: Espaço para Experimentação”, conduzido pela poeta e mediadora de leitura Thaís Campolina. Todos os participantes da oficina submeteram originais para seleção. A escolha dos quatro projetos finais aconteceu de forma orgânica, quando as curadoras perceberam a sinergia entre os textos: “Todos os materiais apresentados eram excelentes, o que trouxe um enorme desafio para a curadoria. Como não há definição de temática prévia e cada pessoa escreve e produz o que quer na oficina, aproveitamos a coincidência para construir algo novo e trazer, pela primeira vez, um tema-guia para a coleção”, comentam as curadoras.

Historicamente utilizadas para circular textos poéticos ou manifestos de forma rápida e acessível, as plaquetes ganham na Tato Literário um contorno de resistência editorial, liberdade criativa e abertura para a hibridez de linguagens. O formato enxuto permite que o leitor e autor experimentem a literatura de forma tátil, íntima e direta, celebrando o erro, o ensaio e a potência da palavra em seus mais diversos formatos. 


A memória e suas possibilidades: crônica, poesia e hibridez  
A coleção de 2026 é composta por quatro obras que, a suas maneiras, investigam o corpo, o tempo, as heranças individuais e coletivas e as miudezas do cotidiano:

"Passar Inteira pelo Buraco da Agulha" (Cacá Silveira): estreia solo da autora após publicações em revistas e coletâneas. A obra traz poemas que abordam as contradições humanas e a subjetividade da identidade. Com um olhar afetuoso e incômodo para as memórias, o eu-lírico transita entre tralhas e bugigangas, costurando a terra com o fio do mar para tecer roupagens para o existir.

"Viva Pelo Avesso" (Talita Franceschini de Carvalho): uma obra que nasce do diálogo com a poesia de Ana Cristina Cesar e Eunice Arruda. Tomando essas referências como norte, os poemas exploram os múltiplos sentidos do "avesso" — aquilo que se inverte, desloca ou revela por outro ângulo —, estabelecendo uma relação de enfrentamento, sensibilidade e voz própria. A memória aqui surge desse entrelace entre os dois grandes nomes de poetas já falecidas e a produção literária de Talita. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 24 de julho, às 20h00.

"Ficção que Chamo de Eu" (Luciana Palhares): em um mundo dominado por selfies e influencers, a multiartista e terapeuta holística investiga quem verdadeiramente é após 37 anos seguindo regras incompreendidas. Neste primeiro volume, a autora compartilha treze “causos” marcantes de sua primeira infância, acompanhando as inocências perdidas e as incompreensões de seus anos de formação. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 23 de julho, às 11h00.

"Tornozelo" (Bianca Smanio): essa é uma plaquete sobre as consequências de um salto único. O que era para ser apenas um pulo no pula-pula termina em um tornozelo quebrado e no hiato de uma rotina interrompida. Durante os meses de recuperação, surge uma coleção de descobertas anatômicas e existenciais que viraram texto. Essa é uma jornada sobre cair, quebrar, esperar e aprender a se reconstruir, pedrinha por pedrinha. A autora realiza sessão de autógrafo na Flip no dia 23 de julho, às 13h00.


Agenda Flip
Sessões de autógrafos com autoras da nova coleção de plaquetes do Tato Literário 2026

23 de julho (quinta-feira)
11h00 - Sessão de autógrafos da plaquete “Ficção que Chamo de Eu”, de Luciana Palhares
13h00 -   Sessão de autógrafos plaquete “Tornozelo”, de Bianca Smanio.

24 de julho (sexta-feira)
20h00 - Sessão de autógrafos da plaquete “Viva pelo Avesso”, da Talita Franceschini de Carvalho
Local: estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, no Centro Histórico de Paraty (RJ).


Ficha técnica
Coleção de Plaquetes da Tato Literário 2026
Autoras: Bianca Smanio, Cacá Silveira, Luciana Palhares e Talita Franceschini de Carvalho
Gêneros: poesia e crônica
Editora: Tato Literário (selo da com.tato)
Ano: 2026
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