Mostrando postagens com marcador Mostra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mostra. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de junho de 2024

.: CCBB São Paulo recebe a exposição "A.R.L. Vida e Obra"


O legado de Antônio Roseno de Lima, marcado pela extrema pobreza e falta de reconhecimento, poderá ser contemplado a partir do dia 26 de junho, na capital paulista. Na imagem, Sereia de A.R.L.Foto: Adriano Rosa


A exposição "A.R.L. Vida e Obra", em cartaz de 26 de junho a 19 de agosto, no CCBB SP - Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, é uma oportunidade única para o público conhecer a produção de Antônio Roseno de Lima, artista outsider descoberto no final da década de 1980 pelo professor doutor do Instituto de Artes da Unicamp, Geraldo Porto, que também assina a curadoria da mostra. Semianalfabeto, o fotógrafo e pintor tirou da dura realidade de favelado a inspiração para criar uma obra que é reflexo da mais pura e encantadora arte bruta, onde autorretratos, onças, vacas, galos, Santos Dumont, bêbados, mulheres e presidentes foram seus temas principais.

Apesar das condições precárias em que vivia na favela Três Marias, em Campinas, onde morou de 1962 até sua morte, em junho de 1998, Roseno expressava seus sonhos e observações do cotidiano através de suas pinturas, muitas vezes utilizando materiais improvisados encontrados no lixo: pedaços de latas, papelão, madeira e restos de esmalte sintético. Quando gostava de algum desenho, recortava-o em latas de vários tamanhos para usar como modelo, além de outros materiais como lã, em épocas de frio. Seu barraco era sua tela, onde cores vibrantes e figuras contornadas em preto ganhavam vida, revelando uma poesia visual única. Nas obras, as diversas aspirações do artista são representadas, mas uma delas se repete em toda a sua arte: "Queria ser um passarinho para conhecer o mundo inteiro!"

 
Pedaços da alma e da vida
Com o intuito de desvendar as diferentes camadas da obra de Antônio Roseno de Lima, a exposição em cartaz no CCBB São Paulo está dividida em seis seções, apresentando um panorama completo das diversas facetas do artista. Na primeira delas, "O Bêbado", vislumbramos as raízes de A.R.L. em sua arte, onde se destacam cores chapadas e não existem meios-tons ou efeito de claro-escuro, além do uso de palavras. 

Iniciada em 1975, essa série traz rostos de olhos embaralhados e alucinados pela bebida, trabalho que o projetou como artista no mercado internacional, se tornando sua marca registrada. Em "Recortes da Cidade", mergulhamos nas aspirações e fantasias do artista, onde o vemos estampado em notas de dinheiro (fora de circulação); a casa bonita, colorida e com luz elétrica; o prédio moderno e a fábrica onde almejava trabalhar.

 Na seção "Presidentes" figuram fatos históricos e notáveis como Afonso Pena, Nilo Peçanha, Getúlio Vargas, Mário de Andrade e Santos Dumont, o seu maior ídolo (aquele que provavelmente lhe embutiu o desejo de ser um passarinho). Já em "O Fotógrafo", temos reflexos de sua grande paixão, o ofício que aprendeu a exercer aos 35 anos, em São Paulo capital, e tentou manter vivo no interior (Indaiatuba), mesmo depois de fechar seu estúdio por falta de recursos. “Frutos, Flores e Animais” trazem composições ingênuas de galos, sapos, cavalos, gatos, capivaras e onças ou ainda quadros com traços quase "picassianos" de vacas. "Mulheres e Santas" completa o passeio pela alma criativa de Roseno, um galanteador que gostava de retratar mulheres bonitas, e que seguiu as homenageando em forma de sereias ou à imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Serviço
“A.R.L. Vida e Obra” de Antônio Roseno de Lima
Curador | Geraldo Porto
Centro Cultural Banco do Brasil
Prédio Anexo: Rua da Quitanda, 80 – Centro Histórico – SP, próximo à estação São Bento do Metrô
Período: 26 de junho a 19 de agosto de 2024
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças.
Ingressos gratuitos:  disponíveis no site bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB São Paulo
* a partir de 21/6
Classificação Indicativa: livre
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista. Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112, Centro Histórico / São Paulo

domingo, 16 de junho de 2024

.: Exposição "Calder + Miró" traz mais de 150 obras no Instituto Tomie Ohtake


Jaime Acioli, © 2024 Calder Foundation, New York _ Artists Rights Society (ARS), New York _ AUTVIS, Brasil. Alexander Calder, Hello Allentown, 1976, © 2024 Calder Foundation, New York _ Artists Rights Society (ARS), New York _ AUTVIS, Brasil

Ministério da Cultura, Bradesco e Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição "Calder + Miró", que evidencia a ligação entre os trabalhos do escultor norte-americano Alexander Calder (1898-1976) e do espanhol Joan Miró (1893-1983), assim como os desdobramentos dessa amizade na cena artística brasileira. A presente exposição, que já esteve em cartaz no Instituto Casa Roberto Marinho, no Rio de Janeiro, em 2022, chega a São Paulo com novidades. 

Com curadoria de Max Perlingeiro, acompanhado pelas pesquisas de Paulo Venâncio Filho, Roberta Saraiva e Valéria Lamego, a mostra traz  cerca de 150 peças – entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, móbiles, stabiles, maquetes, edições, fotografias e jóias. Ao conjunto originalmente exibido na exposição carioca, soma-se uma obra monumental de Calder, além de trabalhos de Tomie Ohtake entre a seleção de artistas nacionais. A exposição conta com o patrocínio do Bradesco na Cota Apresenta, Aché Laboratórios e Dasa com Patrocínio Institucional, Embaixada e Consulados da Espanha no Brasil e Iguatemi na Cota Apoio, através do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.

Ocupando quase todos os espaços expositivos do Instituto Tomie Ohtake, a mostra contempla a amizade entre um dos principais escultores modernos e um dos mais famosos pintores surrealistas. De origens distintas – Calder era norte-americano e Miró espanhol – os dois desenvolveram uma notável amizade iniciada em 1928, quando ambos viviam em Paris. A relação permaneceu profunda até a morte do escultor, em 1976. “Historicamente, a ligação entre os dois artistas foi objeto de estudo de pesquisadores, com resultados surpreendentes, embora romanceada na maioria das vezes, e, ao longo de décadas, realizaram-se inúmeras mostras e publicações. É o que chamo de 'a estética de uma amizade' ", observa Perlingeiro.

De maneira livre e espontânea, Miró combinava formas orgânicas, cores vibrantes e símbolos enigmáticos, criando uma atmosfera única e intrigante. Esses elementos muito presentes em suas obras, também aparecem no trabalho de Calder, estabelecendo uma relação íntima entre ambas as produções e, por consequência, uma das grandes contribuições para a abstração do século 20. Articulados em pontos de equilíbrio estável, os móbiles de Calder são objetos que fazem um movimento sutil provocado pela passagem de ar. Já os stabiles são esculturas sempre apoiadas no chão. Feitas com o intuito de serem grandiosas e dinâmicas, grande parte das obras públicas do artista são stabiles espalhadas por diversos países.

No Brasil, as obras destes artistas apresentam importantes desdobramentos nos debates estéticos e produções artísticas que, a partir da década de 1940,  passaram a pautar a abstração de maneira mais enfática. A relevância das contribuições de Calder e Miró no contexto nacional se mostra, ainda, na larga presença de seus trabalhos em coleções brasileiras — para esta exposição, todas as obras apresentadas são provenientes de coleções públicas e privadas do Brasil.

À frente do núcleo de artistas brasileiros apresentado na mostra, Paulo Venancio Filho selecionou trabalhos de nomes consagrados e influenciados direta ou indiretamente pelas produções de Calder e Miró, como Abraham Palatnik; Aluísio Carvão; Antonio Bandeira; Arthur Luiz Piza; Franz Weissmann; Hélio Oiticica; Ione Saldanha; Ivan Serpa; Mary Vieira; Milton Dacosta; Mira Schendel; Oscar Niemeyer; Sérvulo Esmeraldo; Tomie Ohtake e Waldemar Cordeiro. Como afirma Venâncio Filho: “ Em ambos, Calder e Miró, a abstração não obedecia a um programa pré-determinado. Estava, antes, fundada na intuição e na imaginação e, portanto, aberta ao instável, ao acaso, ao indeterminado — algumas das características que, não por acaso, vamos encontrar no construtivismo brasileiro a partir dos anos 1950 e que vão estabelecer nossa contribuição original à arte abstrata, particularmente na relação entre forma e cor.”, comenta o curador.

"Viúva Negra" ("Black Widow")
Emprestada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – São Paulo (IAB-SP) especialmente para a exposição paulistana, a obra Viúva Negra (Black Widow), com 3,5 metros de altura e 2 metros de largura, terá uma sala exclusiva. A escultura foi restaurada em 2015 pela Calder Foundation, New York, por ocasião de uma retrospectiva do artista na Tate Modern, em Londres. Criada em 1948, a obra foi exposta no Brasil duas vezes neste mesmo ano. Já em 1954, foi doada pelo artista ao IAB/SP, em agradecimento ao apoio na realização das exposições.

A relação com o Brasil
Calder visitou o Brasil pela primeira vez em 1948, quando foram realizadas exposições individuais no Rio de Janeiro (no atual Edifício Gustavo Capanema) e em São Paulo (MASP).  Intermediada pelos arquitetos Henrique Mindlin (1911–1971) e Rino Levi (1901–1965), a correspondência entre Calder e Pietro Maria Bardi (1900–1999), então diretor do MASP, registrou o interesse deste museu em receber os trabalhos do artista, que naquela época já era uma referência central para a escultura moderna. Para Bardi, a mostra seria o encontro das “equações de cor, forma e equilíbrio” de Calder no país em que “o balão de São João, de cores e formas as mais curiosas, constitui um anseio abstracionista”.

No contexto de suas primeiras mostras no Brasil, a crítica nacional já considerava Calder o “arquiteto das formas móveis”, e as noções de movimento, forma e ritmo presentes em sua obra permearam o pensamento de toda uma geração de arquitetos brasileiros. O artista voltaria ao país mais duas vezes, estabelecendo amizade com artistas, críticos e arquitetos brasileiros. Mário Pedrosa (1900-1981), com quem manteve uma relação mais duradoura, foi um dos críticos que mais escreveu sobre o escultor.

Já Miró, mesmo sem nunca ter visitado o Brasil, estabeleceu vínculo com o país desde que conheceu e tornou-se amigo do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que chegou a Barcelona em 1947 para servir como vice-cônsul. A relação do artista espanhol com este e outros poetas ganha destaque na exposição. Uma das salas conta com vitrines e monitores com versão animada de seis obras gráficas de Miró, quatro das quais em colaboração com poetas, como o romeno Tristan Tzara (1896-1963), os franceses René Crevel (1900-1935) e Robert Desnos (1900-1945), além do autor pernambucano.


Programação pública
Acompanhando todo o período expositivo de Calder+Miró, o Instituto Tomie Ohtake oferece uma programação pública inteiramente gratuita e destinada a públicos diversos. Instigadas pelas obras e pelos processos criativos dos artistas, as diferentes atividades incluirão ativações, oficinas práticas – como de desenho de observação em movimento –, uma programação voltada à exploração sonora das obras, bem como cursos e rodas de conversa que exploram temas como a relação entre vanguarda brasileira e a abstração - incluindo um curso de dois dias sobre arte abstrata no Brasil, o encontro entre arquitetura e artes visuais no Brasil, e a produção de artistas contemporâneos.

Ainda, o Instituto promoverá uma série de ações voltadas especialmente à educação, oferecendo uma programação de abertura para professores da rede pública, um ciclo de conversas que discutirá a intersecção entre arte e educação, além das visitas mediadas e visitas ateliês oferecidas à escolas e outras instituições. As datas da programação pública serão divulgadas nas semanas pré-abertura da exposição através do site e das redes sociais do Instituto.


Exposição
"Calder + Miró"
Curadoria: Max Perlingeiro
Abertura: 20 de junho, às 19h (convidados)
Em cartaz até 15 de setembro de 2024
De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) - Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela
Telefone: (11) 2245-1900

sexta-feira, 14 de junho de 2024

.: Mostra "Araquém Alcântara - 50 Anos de Fotografia" na Pinacoteca de Santos


A exposição de "Araquém Alcântara - 50 anos de Fotografia" está em cartaz na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, dentro da iniciativa Arte na Pinacoteca. A mostra celebra cinco décadas da influente carreira do fotógrafo Araquém Alcântara, pioneiro na documentação dos ecossistemas brasileiros e por suas narrativas visuais que exploram a complexa interação entre humanos e natureza. Esta exposição não é apenas uma retrospectiva de seu trabalho, mas também um destaque sobre como a fotografia pode ser um meio poderoso para o engajamento social e ambiental.

A 2ª Edição do Projeto Plano Anual de Atividades - Arte na Pinacoteca - Pronac 233045 é uma realização do Ministério da Cultura, com o patrocínio da Brasil Terminal Portuário (BTP), MSC, MEDLOG, Ecovias, Rumo e G. PIEROTTI, apoio institucional TV Tribuna, promovido pela Fundação Benedicto Calixto. Arte na Pinacoteca tem se destacado como um vetor importante para a democratização do acesso à cultura em Santos. Cada exposição trazida sob esta iniciativa contribui significativamente para o aumento de visitações, gerando impacto econômico positivo através da criação de empregos diretos e indiretos e estimulando o turismo local.

Além das exposições, o Arte na Pinacoteca engaja o público com uma variedade de atividades educativas, incluindo palestras e oficinas específicas para cada mostra, e promove visitações especiais para alunos de escolas municipais, fortalecendo o papel educativo e inclusivo da arte.


Sobre Araquém Alcântara
Fotógrafo, jornalista e professor, Araquém Alcântara iniciou os estudos em jornalismo na Universidade de Santos em 1970. Como repórter, teve passagens por O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, onde também descobriu sua paixão pela fotografia. Ficou conhecido por seu trabalho ambientalista, especialmente após documentar o Parque da Juréia em 1979, o que o levou a explorar e fotografar a Mata Atlântica. Atuou em grandes jornais brasileiros até se tornar freelancer em 1985, colaborando com publicações nacionais e internacionais. É autor de 17 livros sobre ecossistemas brasileiros e dedica-se a ensinar fotografia em workshops por todo o Brasil, inspirando novas gerações a preservar a natureza.


Sobre a Pinacoteca Benedicto Calixto
Pinacoteca Benedicto Calixto, é reconhecida como um dos espaços culturais mais significativos da Baixada Santista, com um compromisso contínuo de promover arte e cultura. Em um edifício cheio de história, proporciona experiências artísticas diversificadas e ricas, celebrando a arte em todas as suas formas.


Serviço
Exposição "Araquém Alcântara - 50 Anos de Fotografia"
Pinacoteca Benedicto Calixto, Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, SP
Período: até 21 de julho de 2024
Visitação gratuita: de terça a domingo, das 9h00 às 18h00
Informações: (13) 3288-2260
Site: http://www.pinacotecadesantos.org.br

quinta-feira, 30 de maio de 2024

.: Feriadão: Museu da Língua Portuguesa tem gratuidade no fim de semana


A partir de 2 de junho, quem vier aos Museu aos domingos também não pagará nada para visitar suas exposições. 
Imagem da mostra temporária "Línguas africanas que fazem o Brasil". Foto: Guilherme Sai


Cinema ao ar livre e exposição sobre línguas africanas presentes no Brasil são as principais atividades do feriado prolongado no Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Além disso, a partir de 2 de junho, a entrada também passará a ser gratuita aos domingos para todos os públicos – promoção válida até 31 de agosto. Aos sábados, os ingressos já são grátis para todas as pessoas.  

Em cartaz desde o dia 24 de maio, a exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil destaca a presença de línguas oriundas de África no português falado no Brasil. Iorubá, eve-fom e as línguas do grupo bantu também moldaram o modo como pronunciamos as palavras e entoamos as frases. Com curadoria de Tiganá Santana, a mostra contém obras de nomes como Aline Motta, J. Cunha, Goya Lopes e Rebeca Carapiá que ajudam a revelar a existência das culturas africanas na arquitetura, no design e na arte como um todo do país. Sucesso de público, uma sala interativa apresenta o significado de palavras como axé, afoxé e acarajé.  

A exposição conta com patrocínio máster da Petrobras, patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, e da John Deere Brasil; e apoio do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra e da CAIXA.  Outra dica é visitar a exposição principal do Museu, onde a diversidade da língua portuguesa falada no Brasil e em outras partes do mundo é destacada. Tudo isso em meio a experiências audiovisuais e imersivas, por meio das quais adultos e crianças aprendem brincando. Entre elas, o Beco das Palavras, um jogo em que as pessoas juntam sufixos e prefixos para formar uma palavra em uma mesa interativa.  

Também é imperdível uma passada pelo terraço do Museu, de onde há uma vista privilegiada da torre do relógio do histórico prédio da Estação da Luz e do entorno do Museu. Ao redor, podem ser avistados locais como o Parque da Luz e a Sala São Paulo. É um ótimo lugar para registrar a visita e postar a foto nas redes sociais.   

A temporada 2024 conta com o patrocínio máster da Petrobras, patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, e da John Deere Brasil; com apoio do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra, e da CAIXA. Conta ainda com as empresas parceiras Instituto Votorantim, Epson, Machado Meyer, Verde Asset Management. Revista Piauí, Guia da Semana, Dinamize e JCDecaux são parceiros de mídia. A EDP é patrocinadora máster da reconstrução do Museu. A reconstrução e a temporada 2024 são uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.  

Serviço
Exposição principal e mostra temporária Línguas africanas que fazem o Brasil 
De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)
R$ 24 (inteira); R$ 12 (meia) 
Grátis para crianças até 7 anos 
Grátis aos sábados e aos domingos
Acesso pelo Portão A 
Venda de ingressos na bilheteria e pela internet: 
https://bileto.sympla.com.br/event/90834/  


Museu da Língua Portuguesa 
Praça da Língua, s/nº - Luz – São Paulo

terça-feira, 28 de maio de 2024

.: "Macunaíma" é tema de uma exposição interativa de realidade virtual em SP


A ideia é criar uma ponte entre o passado e o presente, utilizando tecnologia para interagir com o escritor e alguns dos mitos retratados em seu clássico.

O livro "Macunaíma" é tema de uma exposição interativa em realidade virtual que acontece até 4 de agosto na Casa Mário de Andrade em São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e gerenciada pela Poiesis. A ideia é criar uma ponte entre o passado e o presente, utilizando tecnologia para interagir com o escritor e alguns dos mitos retratados em seu clássico de maneira envolvente para a geração do século XXI. A entrada é franca e a mostra acontece de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

Assinado por Mário de Andrade, "Macunaíma" foi escrito em 1928 e ainda hoje é um livro de referência para compreendermos nossa diversidade cultural. A exposição “A Origem de Macunaíma” contará com três partes: uma experiência interativa em realidade virtual (VR); uma exposição sobre a expedição Koch-Grünberg de 1911, a partir da qual o autor descobriu os mitos de Macunaíma relatados por indígenas e registrados pelo etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg; e por fim poderá realizar uma visita virtual ao Monte Roraima, considerado sagrado pelos povos indígenas que vivem ao seu redor. 

A mostra, que foi produzida pelo Studio KwO, é composta por três estações de realidade virtual de última geração, com sessões individuais a cada 15 minutos e agendadas gratuitamente no site da Casa Mário de Andrade. Ao colocarem os óculos, os visitantes serão transportados para um encontro virtual com Mário de Andrade em seu escritório, e em seguida levados a uma visita ao Monte Roraima e seus mitos. Dentro da experiência o público poderá interagir com objetos e até conversar com um pajé em volta de uma fogueira, ouvindo as antigas histórias de seu povo. A experiência VR é aberta a todos acima de 12 anos. Segundo Francisco Almendra, curador da exposição e diretor do Studio KwO, a ideia da exposição surgiu em 2021, quando o mundo se encontrava ainda imerso na pandemia. 

“A proposta surgiu do desejo de viajar a algum lugar distante por conta do confinamento forçado, e voltei a sonhar com um desejo antigo e enigmático: o Monte Roraima – ou Rorõ-imã, que nas línguas indígenas Pemon significa “o grande verde-azulado” – uma muralha de pedra envolta em nuvens erguendo-se centenas de metros verticalmente ao redor das selvas e campos da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana”, explica Almendra. 

Localizado no coração da Amazônia, o Monte Roraima é um verdadeiro “Monte Olimpo” latinoamericano, pois segundo a tradição local, em seu cume compartilhado por três países vive o deus-herói complexo e ambivalente Makunaimã, nada menos que a entidade indígena que inspirou Mário de Andrade a escrever seu clássico modernista, Macunaíma. “Fiquei surpreso ao descobrir a ligação entre o Monte Roraima e Macunaíma, e a partir daí nasceu o desejo de criar uma narrativa imersiva, revelando os mitos indígenas da região para o público, e democratizando o acesso aos segredos dessa montanha icônica”, diz. Compre o livro "Macunaíma", de Mário de Andrade, neste link.


Experiência multifacetada
Para criar a experiência imersiva, a equipe técnica do Studio passou duas semanas no topo do Monte Roraima digitalizando seu relevo e flora em 3D. Além da realidade virtual, a mostra também trará imagens panorâmicas em grande formato realizadas durante a expedição, e um tour virtual do Monte Roraima. Um grande mapa cenográfico trará portais digitais para os pontos mais icônicos desta incrível montanha, acessíveis em 360° através de realidade aumentada com os celulares dos próprios visitantes. Será possível até tirar selfies no alto do Monte Roraima e compartilhar diretamente no Instagram. Não será necessário agendamento prévio, e a classificação é livre. 

O projeto foi viabilizado com apoio parcial através do edital de realidade virtual do PROAC-SP em 2021 para a criação da experiência imersiva, e o apoio da Casa Mário de Andrade, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, para a montagem da exposição. Em parceria com a Universidade de Marburg e o Museu Etnográfico de Berlim, a exposição trará reproduções dos mapas, diários, fotos, filmes e gravações fonográficas originais realizadas em 1911 pela expedição Koch-Grünberg, oferecendo uma visão detalhada da vida e mitologia dos povos que guardavam os mitos originais de Makunaimã. Anciãos e lideranças indígenas das comunidades Pemon de Paraitepuy e Kumarakapay também tiveram um papel importante ao trazer as versões atuais dos mitos, complementando os antigos registros feitos há mais de um século. Garanta o seu exemplar de "Macunaíma", escrito por Mário de Andrade, neste link.

Sobre a Casa Mário de Andrade
A exposição faz parte da programação de reabertura da Casa Mário de Andrade, um dos museus mais emblemáticos da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciado pela Poiesis. A Casa Mário de Andrade funciona no endereço da antiga casa do escritor Mário de Andrade, um dos principais mentores do modernismo brasileiro e da Semana de Arte Moderna de 1922. O Museu abriga uma exposição permanente, que é aberta à visitação, com objetos pessoais do modernista, além de documentos de imagem e áudio relacionados à sua trajetória. A instituição também realiza uma intensa programação de atividades culturais e educativas.

Serviço
Exposição "A Origem de Macunaíma"
Data: até 4 de agosto de 2024
Local: Casa Mário de Andrade – Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda – São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: livre
Experiência em realidade virtual: somente com agendamento pelo site: www.origemdemacunaima.com.br. Classificação 12 anos.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

.: Marcos Akasaki na Mostra "Equilíbrio Instável", no Espaço Cultural FESPSP


Artista plástico assina esculturas, pinturas, desenhos, cerâmicas e outras técnicas contemporâneas que se entrelaçam em estruturas que ostentam a instabilidade como expressão artística, Na imagem, a obra "Sonhos de Um Jardim em Movimento"

Com entrada gratuita, a mostra individual do artista plástico Marcos Akasaki, “Equilíbiro Instável” pode ser vista até o dia 29 de junho, de segunda a sábado, das 10h00 às 19h00, no Espaço Cultural da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), que foi reinaugurado no final do ano passado na Rua General Jardim, região Central de São Paulo. É um conjunto de obras compostas por esculturas, pinturas, desenhos, cerâmicas e outras técnicas contemporâneas que ostentam a instabilidade como expressão artística.

“Cada uma das obras da exposição condensa micromundos sensoriais, que, além de evidenciar o potencial autoral de Akasaki, transbordam metáforas e subjetividades pelas cores e formas. Explodem submundos lúdicos costurados por frames cromáticos reverberantes; como moléculas de um universo onírico e propositivo onde o artista projeta fábulas associativas aos espectadores; poemas hilemórficos estruturados em suas cadências de formas, materiais e cores, nas suas espacialidades”, explica o PhD Andrés I. M. Hernández, responsável pela curadoria da mostra.

O artista consegue extrair da instabilidade de materiais densos como o ferro e a cerâmica uma delicadeza no equilíbrio a partir dos tensionamentos formais, conceituais e espaciais, que as obras projetam instaurados na sua concepção, construção e visibilidade que carregam. O “Equilíbrio Instável” está nos embates discursivos provocados pela construção das obras e seus movimentos que sugerem a reformulação e a assimilação de cada componente estrutural e material das obras a partir do encontro com o espectador.

Sobre o artista
Marcos Akasaki nasceu em Tupã (São Paulo) e, atualmente, divide-se entre São Paulo e São José do Rio Preto. Graduado pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing e cursa Artes Visuais na Uninter. Seus trabalhos transitam entre a pintura em tela e esculturas com suporte de peças de cerâmica de Alta temperatura, onde os traços, formas e linhas orgânicas inspiradas na natureza se entrelaçam em um imaginário de cores, formas e movimentos.

Possui obras nos acervos das prefeituras de Praia Grande, Guarulhos e Ilha Bela, decorrentes de prêmios aquisitivos nos salões de Artes destas cidades. Realizou exposições individuais em São Paulo, em galerias, e em Santos e Botucatu, em instituições governamentais. É presidente da Comissão de Artes Plásticas do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social) e organiza o Salão Bunkyo de Arte Contemporânea, a Feira de Arte, além de palestras e o curso infantil de pintura na Instituição.


Serviço
Exposição "Equilíbrio Instável"
Artista: Marcos Akasaki
Curador: PhD Andrés I. M. Hernández
Local: Espaço Cultural da FESPSP
Endereço: Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque / São Paulo
Período de exposição: de 27 de maio a 29 de junho
Horário de visitação: de segunda a sábado, das 10h00 às 19h00

domingo, 26 de maio de 2024

.: Mostra "Línguas Africanas que Fazem o Brasil" no Museu da Língua Portuguesa

Com curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana, projeto destaca a influência das línguas iorubá, eve-fom e do grupo bantu no português falado no Brasil e na cultura nacional. Mostra será aberta no dia 24 de maio. Foto: Guilherme Sai


O dia a dia do povo brasileiro é atravessado pelas presenças africanas na forma como nos expressamos – seja na entonação, no vocabulário, na pronúncia ou na forma de construir o pensamento. É sobre essas presenças que trata a exposição temporária "Línguas Africanas que Fazem o Brasil", com curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana e realização do Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Aberta ao público desde a última sexta-feira, dia 24 de maio, a mostra fica em cartaz até janeiro de 2025. A exposição conta com patrocínio máster da Petrobras, patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, e da John Deere Brasil; e apoio do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra e da CAIXA. 

Línguas dos habitantes de terras da África Subsaariana, como o iorubá, eve-fom e as do grupo bantu, têm participação decisiva na configuração do português falado no Brasil, seja em seu vocabulário ou na maneira de pronunciar as palavras e de entoar as frases, mesmo que esta estruturação não seja do conhecimento dos falantes. Trata-se de uma história e de uma realidade legadas por cerca de 4,8 milhões de pessoas africanas trazidas de forma violenta ao país entre os séculos 16 e 19, durante o período do regime escravocrata. Além da língua, essa presença pode ser sentida em outras manifestações culturais, como a música, a arquitetura, as festas populares e rituais religiosos.  

“Ao mesmo tempo que a gente quer mostrar ao público que falamos uma série de expressões e estruturas que remontam a línguas negro-africanas, também desejamos revelar de que maneira isso acontece. Por que falamos caçula e não benjamim? Por que dizemos cochilar e não dormitar? Essas palavras fazem parte de nosso vocabulário, da nossa vida, do nosso modo de pensar”, afirma Santana. 

A exposição "Línguas Africanas que Fazem o Brasil" recebe o público com 15 palavras oriundas de línguas africanas impressas em estruturas ovais de madeira penduradas pela sala. Serão destacadas palavras como bunda, xingar, marimbondo, dendê, canjica, minhoca e caçula. O público também poderá ouvi-las nas vozes de pessoas que residem no território da Estação da Luz, onde o Museu está localizado.  

Outro destaque no espaço é a obra do artista plástico baiano J. Cunha - um tecido estampado com os dizeres “Civilizações Bantu” que vestiu o tradicional Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, no Carnaval de 1996. Além disso, cerca de 20 mil búzios também estarão suspensos e distribuídos pelo ambiente. Na tradição afro-brasileira, as conchas são usadas em práticas divinatórias e funcionam como linguagem que conecta o mundo físico e espiritual.  

“Os búzios estão presentes nos espaços afro-religiosos no Brasil que foram, não os exclusivos, mas os principais núcleos de preservação e reinvenção das línguas africanas do Brasil. A partir deles, as presenças negras se irradiaram para outras dimensões da cultura popular brasileira”, diz Santana. 

Ainda na entrada da exposição, o público avistará vários adinkras espalhados pelas paredes. Trata-se de símbolos utilizados como sistema de escrita pelo povo Ashanti, que habita países como Costa do Marfim, Gana e Togo, na África. Eles podem representar desde diferentes elementos da cultura até sentenças proverbiais inteiras em um único ideograma. Evidenciando a presença desse povo como parte da diáspora africana, é possível encontrar, em diversas regiões do Brasil, gradis de residências e outras construções arquitetônicas adornados com alguns dos mais de 80 símbolos dos adinkras. 

Fazem parte da exposição duas videoinstalações da relevante artista visual fluminense Aline Motta. Na obra "Corpo Celeste III", emprestada pela Pinacoteca de São Paulo e projetada no chão em larga escala, a artista destaca formas milenares de grafias centro-africanas, especificamente as do povo bakongo, presente em territórios como o angolano. Este trabalho foi desenvolvido com o historiador Rafael Galante. Já em Corpo Celeste V, criada exclusivamente para o Museu da Língua Portuguesa, quatro provérbios em quicongo, umbundo, iorubá e quimbundo, traduzidos para o português, serão exibidos em movimento nas paredes e em diálogo com Corpo Celeste III.  

Um dos principais nomes da nova geração da escultura no país, a baiana Rebeca Carapiá  assina obras de arte criadas em diálogo com frequências e grafias afrocentradas, a partir de seu trabalho com metais. A exposição também mostra como canções populares no Brasil foram criadas a partir da integração entre línguas africanas e o português, como Escravos de Jó e Abre a roda, tindolelê. O “jó”, da faixa "Escravos de Jó", advém das línguas quimbundo e umbundo e quer dizer “casa”, “escravos de casa”.

“Escravizados ladinos, crioulos e mulheres negras, que realizavam trabalho doméstico e falavam tanto o português de seus senhores quanto a língua dos que realizavam trabalhos externos, foram a ponte para a africanização do português e para o aportuguesamento dos africanos no sentido linguístico e cultural”, diz Tiganá Santana com base nas pesquisas da professora Yeda Pessoa de Castro. 

Além dos búzios, a mostra explora outras linguagens não-verbais advindas das culturas africanas ou afro-diaspóricas. Entre elas, os cabelos trançados, que, durante o período de escravidão no Brasil, serviam como mapas de rotas de fugas. E de turbantes, cujas diferentes amarrações indicam posição hierárquica dentro do candomblé. Há ainda dois trabalhos da designer Goya Lopes, cujas principais referências são as capulanas, os panos coloridos usados por mulheres em Moçambique. Tais trabalhos enfatizam uma articulação significativa com a língua iorubá. 

Outro exemplo da linguagem não-verbal são os tambores, que compõem uma cenografia constituída por uma projeção criada por Aline Motta, com imagens do mar e trechos do texto Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira, de Lélia Gonzalez, uma das principais intelectuais do Brasil, referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe. Nestes trechos, verifica-se o uso da expressão pretuguês cunhada pela intelectual. Por fim, ainda nessa cena, é importante ressaltar a presença de esculturas da Rebeca Carapiá, conversando com as frequências dos tambores. Numa sala de cinema interativa, o visitante será surpreendido com uma projeção de imagens ao enunciar palavras de origem africana como axé, afoxé, zumbi e acarajé.  

O público terá acesso a uma série de registros de manifestações culturais afro-brasileiras e de conteúdos sobre as línguas africanas e sua presença no português do Brasil. Há performance da cantora Clementina de Jesus, imagens da Missão de Pesquisas Folclóricas idealizada por Mário de Andrade, entrevistas com pesquisadores como Félix Ayoh’Omidire, Margarida Petter e Laura Álvarez López, além de gravações de apresentações do bloco Ilú Obá De Min e da Orkestra Rumpilezz, e o vídeo Encomendador de Almas, de Eustáquio Neves, que retrata o senhor Crispim, da comunidade quilombola do Ausente ou do Córrego do Ausente, na região do Vale do Jequitinhonha.  

Tudo isso em meio a sons de canções rituais e narrativas em iorubá, fom, quimbundo e quicongo, captados pelo linguista norte-americano Lorenzo Dow Turner nos anos de 1940 na Bahia e cedidos pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Será possível, ainda, assistir aos filmes sobre o Quilombo Cafundó: um que já existia há mais de 40 anos e outro que foi concebido para a exposição, versando sobre a língua cupópia de modo mais enfático.  


Serviço
Exposição temporária "Línguas Africanas que Fazem o Brasil"
Até janeiro de 2025
De terça a domingo, das 9h00 às 16h30 (com permanência até as 18h) 
R$ 24 (inteira); R$ 12 (meia) 
Grátis para crianças até 7 anos 
Grátis aos sábados 
Acesso pelo Portão A 
Venda de ingressos na bilheteria e pela internet: 
https://bileto.sympla.com.br/event/90834/  
Museu da Língua Portuguesa   
Praça da Língua, s/nº - Luz – São Paulo

sexta-feira, 24 de maio de 2024

.: Desaparecida, pintura "Viúva'" ressurge em mostra no Museu Lasar Segall


“Witwe” ou "Viúva", de Lasar Segall. Foto: Alexandre Santos Silva


A pintura “Witwe” ou "Viúva", de Lasar Segall, que fez parte da exposição "Arte Degenerada" em Munique, Alemanha, iniciativa de Joseph Goebbels durante o governo nazista de Adolf Hitler, ressurge no Brasil após oito décadas de desaparecimento. Considerada perdida, a obra foi encontrada na Europa pelo marchand Paulo Kuczynski e estará no centro da mostra "Witwe, Uma Pintura Reencontrada", do Museu Lasar Segall. Juntamente com a pintura, serão exibidas gravuras produzidas pelo artista na mesma época, parte do acervo de mais de 3 mil itens que a instituição conserva e divulga. A exposição abre durante a 22ª Semana Nacional de Museus, uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), e segue em cartaz até 18 de agosto. 

Dada como perdida há cerca de 80 anos, Kuczynski encontrou a pintura na França há cerca de dois anos. "São momentos inesquecíveis na vida de um marchand - o prazer da descoberta. No entanto, neste caso, a emoção é de outra natureza e há pouca chance de que se repita na minha vida", afirma. "No caso de 'Viúva', no entanto, existiu um salvador, e isso me intriga, faz minha imaginação voar. A pintura certamente magnetizou o olhar de alguém (um oficial nazista?), que por ela se encantou a ponto de, contra as ordens oficiais, escondê-la e poupá-la da fogueira — um delito grave naquele momento de extremos".

Depois de algumas tratativas, Kuczynski conseguiu trazer a tela para o Brasil e apresentou-a ao Museu Lasar Segall, centro de referência para o estudo da obra do artista, onde foi analisada e autenticada pelo então diretor, Marcelo Monzani, e sua equipe técnica. Os ex-diretores do museu Marcelo Araújo, Jorge Schwartz e Giancarlo Hannud também foram convidados para ver a pintura pessoalmente, que até então só conheciam por fotos em preto e branco de antigos catálogos e livros. "Pude perceber, ao observar esses apaixonados por Segall, o frisson provocado pela fatura, pelo colorido e por toda a carga histórica da obra milagrosamente intacta", concluiu.

“'Viúva' é uma testemunha da história, uma obra sobrevivente, profunda e intrigante que, reencontrada tantos anos após seu desaparecimento, mereceria voltar para casa, para o museu de onde foi confiscada [Folkwang Museum, em Essen], avalia Pierina Camargo, museóloga e pesquisadora do Museu Lasar Segall há mais de 40 anos. Após análise dos especialistas e autenticidade confirmada, o público terá chance de encontrar a tela sobrevivente no museu dedicado ao artista, fundado dez anos após sua morte, em 1967, no lugar viveu com a família, na Vila Mariana.


A história do quadro
"Viúva" ("Witwe"), de Lasar Segall, foi pintada em 1920, em Dresden, durante o auge da produção expressionista do artista. No mesmo ano, Segall inaugurou sua primeira grande exposição individual na Europa, no Folkwang Museum, em Essen, o principal museu de arte moderna da Alemanha na época. Além de "Viúva", a mostra incluiu 30 desenhos, 35 gravuras e 15 pinturas.

No catálogo da exposição, o crítico e historiador de arte alemão Will Grohmann destacou Segall como um dos grandes artistas inovadores que migraram da Rússia para o país, juntamente com Wassily Kandinsky e Marc Chagall. Sobre a pintura "Viúva", Grohmann escreveu: "O conceito em forma de afresco, uma premonição daquilo que poderia vir a ser um novo templo. 'Viúva', nobre majestade, é apenas uma proteção para os filhos que certamente vão se impor como a vida futura" . O quadro foi adquirido para integrar a coleção do museu alemão, porém, infelizmente, não permaneceu no acervo por muito tempo.

Em 1937, o governo de Adolf Hitler lançou uma campanha oficial contra o que considerava "arte degenerada", rotulando assim todas as obras que não se encaixavam nos padrões clássicos de beleza e representação naturalista, que valorizavam a perfeição, harmonia e equilíbrio das figuras. Todas as obras desenvolvidas dentro das vanguardas modernas, como cubismo, expressionismo e fauvismo, eram consideradas "degeneradas" pelos nazistas. O governo confiscou cerca de 16 mil obras de arte, incluindo aproximadamente cinquenta de autoria de Lasar Segall.

Naquele mesmo ano, em julho, 650 dessas obras, confiscadas de 32 museus, incluindo duas pinturas de Segall, foram apresentadas na mostra "Entartete Kunst" ["Arte Degenerada"] em Munique. Apesar da desaprovação, infâmia e escárnio do povo alemão, a exposição foi um sucesso de público, recebendo mais de 2 milhões de visitantes e causando grande repercussão. Após a mostra, essas obras seriam destruídas pelo governo. Sabendo das cifras que alguns artistas alcançavam no mercado internacional, entretanto, os nazistas venderam trabalhos assinados por nomes como Picasso, Kandinsky, Chagall e Van Gogh, o que evitou sua destruição. A partir de 19 de maio, as pessoas também terão a oportunidade de encontrar no Museu Lasar Segall uma dessas raridades salvas da destruição nazista.


Sobre Lasar Segall 
De origem judaica, Lasar Segall (1889-1957) nasceu na Lituânia e migrou para a Alemanha em 1906 para estudar na Escola de Artes Aplicadas e na Academia Imperial de Belas Artes em Berlim. Sua produção foi, inicialmente, marcada por referências impressionistas e pós-impressionistas. Traços mais ligados ao expressionismo, tendência à qual o artista é relacionado, começam aparecer em seu trabalho a partir de 1914.

Após o impacto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Segall reflete em suas obras preocupações com injustiças sociais e sofrimento humano. Embora tenha visitado o Brasil em 1912, foi somente 10 anos depois que se mudou para o país, fixando residência em São Paulo em 1923. Segall tornou-se uma referência na cena artística da arte moderna brasileira, também dialogando com a produção de artistas nacionais como Tarsila do Amaral. Suas primeiras obras pintadas no Brasil mostram interesse pela luz e pelas cores tropicais. 


Sobre o Museu Lasar Segall
Idealizado por Jenny Klabin Segall, viúva do artista, o museu foi criado pelos filhos Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall em 1967. O acervo foi doado pela família à Associação Museu Lasar Segall que, em dezembro de 1984, se transformou no Museu Lasar Segall, hoje uma unidade do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura.


Serviço
"Witwe, Uma Pintura Reencontrada" | Até 18 de agosto | Museu Lasar Segall | Rua Berta, 111 - Vila Mariana / São Paulo | De quarta a segunda das 11h00 às 19h00 | Entrada gratuita.

domingo, 12 de maio de 2024

.: Pinacoteca de São Paulo apresenta mostra panorâmica de Cecilia Vicuña


"Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro" é a primeira grande exposição da artista chilena no Brasil que fica em cartaz de 18 de maio a 15 de setembro. Na imagem, o quadro "As Lágrimas de Tara (Uma Oração pelo Mundo)", de 2021


A Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição "Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro" no próximo sábado, dia 18 de maio, na Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea. Primeira grande mostra da artista chilena Cecilia Vicuña no Brasil, a retrospectiva reúne cerca de 200 obras que abrangem os 60 anos de sua produção. Com curadoria de Miguel A. López, a mostra apresenta o compromisso de Vicuña com as lutas populares, o respeito aos direitos humanos e a proteção ambiental. Entre os trabalhos que são destaque na Pinacoteca estão a instalação "Quipu Menstrual" (2006), criação site-specific para a Pina, e a obra "Fidel e Allende" (1972), exposta apenas nessa etapa da itinerância.

Cecilia Vicuña é poeta, artista visual e ativista feminista. Boa parte de sua produção se volta para sua relação com seu país natal, a cordilheira dos Andes, as lutas feministas, a memória têxtil pré-colombiana e a emancipação das comunidades indígenas. Desde os anos 1960, a obra visionária da artista dedica-se a honrar o equilíbrio e a reciprocidade do mundo natural. Seu trabalho valoriza a dimensão ritual, medicinal e curativa da arte. A exposição tem patrocínio da Goldman Sachs, na cota Prata, e apoio da Embaixada do Chile no Brasil.

Sobre a exposição
"Sonhar a Água" foi originalmente organizada pelo Museu Nacional de Bellas Artes de Santiago do Chile e itinerou para o Malba, em Buenos Aires, antes de chegar à Pinacoteca de São Paulo. O nome da exposição representa um convite para mudarmos nossa relação com a terra. “Sem umidade não há humanidade”, nos lembra Vicuña. Suas criações não são somente depoimentos sobre o passado, mas também sobre todos os testemunhos de um futuro aberto – assim como essa retrospectiva, que apresenta sua obra como uma experiência que não é definitiva, mas sim viva e em construção.

O trabalho "Quipu Menstrual, o Sangue dos Glaciais", originalmente concebido pela artista em 2006, foi criado como uma ação ritual para a anulação de um projeto para extração de ouro por meio da destruição de três geleiras no norte do Chile. Adaptada especialmente para o espaço da Grande Galeria, a instalação é composta por nós de lã na cor vermelha e constituem um bosque penetrável, no qual os visitantes são convidados a circularem em seu interior.

“A poética de Vicuña abraça tudo e nada ao mesmo tempo, contamina linguagens, desconhece hierarquias e se expressa com uma forma sísmica. Pode tomar a forma de poesia, pintura, escultura, colagem, desenho e muito mais. Seu trabalho se conecta com a forte tradição de experimentação poética desenvolvida no Brasil desde os anos 1950, em que a poesia se converte em um motor de pensamento crítico e mobilização social”, comenta o curador Miguel López.


Núcleos da exposição
1. "Tribu No"
Em setembro de 1967, Vicuña escreveu No manifiesto. O documento deu origem ao Tribu No, um grupo de jovens artistas e poetas de Santiago que, como ela, buscavam expressar sua oposição às forças conservadoras do Chile. As improvisações da Tribu No, que consistiam em dançar livremente, falar por muitas horas, pintar, tecer, jogar e escrever peças de teatro infantil para a televisão, estavam influenciadas pelos experimentos autorreflexivos que ocorriam no campo da poesia e da expansão internacional do happening.


2. "Pinturas, Poemas e Explicações"
Cecilia Vicuña começou a pintar em meados dos anos 1960. Se viu influenciada pela arte indígena e mestiça produzida entre os séculos XVI e XVII. O encontro com a pintora Leonora Carrington em 1969 também se mostrou significativo para sua produção. Suas pinturas estão carregadas de energia feminina e desafiam o controle patriarcal das normas culturais. As peças incluem mulheres que protestam nas ruas, fantasias de animalidade, filosofia andina, mitos e folclore popular, além de representações de personagens políticos ou ativistas feministas e dos direitos civis. Este núcleo apresenta algumas de suas primeiras pinturas produzidas em Santiago, Londres e Bogotá, junto com textos explicativos da própria artista.


3. "Artistas pela Democracia"
No dia 11 de setembro de 1973 aconteceu o golpe militar no Chile. No ano seguinte, Vicuña fundou em Londres, junto com David Medalla, John Dugger e Guy Brett, uma organização em solidariedade ao país, chamada Artistas pela Democracia. A organização mobilizou art istas e intelectuais internacionais, que doaram e produziram obras que seriam leiloadas em benefício da luta chilena para restaurar a democracia. Este núcleo reúne uma série de documentos, fotografias e materiais impressos relacionados com as campanhas de solidariedade com o Chile.


4. "Vicuña na Colômbia"
Em 1975, Vicuña deixou Londres e viajou para a Colômbia, um dos poucos países da América do Sul que não estava vivendo uma ditadura. A artista se estabeleceu em Bogotá, onde viveu por cinco anos. Ainda que vivendo em condições muito precárias, Vicuña atravessou um período de explosão criativa no qual deu vida a centenas de desenhos, colagens e pinturas, ações em espaços públicos, oficinas educativas, projetos cenográficos no Teatro La Candelaria, em Bogotá, e filmes experimentais em 16 mm, feitos nas ruas da cidade.

5. "Palabrarmas"
Em 1973, Vicuña começou a produção de uma série de desenhos, colagens, vídeos e performances que refletiam sobre o papel da poesia em um tempo de repressão política e desaparecimentos forçados na América do Sul, e de violência imperial em todo o mundo, de causadora de distorções de discursos públicos e desinformação. Produzidas inicialmente em Londres e Bogotá, as Palabrarmas aludem aos paradoxos entre arte e política revolucionária. Ao mesmo tempo, transitam de uma poesia baseada na linguagem aos poemas escultóricos, performáticos e especiais para criar consciência sobre o modo em que as palavras dão forma à paisagem social do mundo. A artista continua realizando Palabrarmas até os dias de hoje.

6. "Quipu Desaparecido"
O "Quipu Desaparecido" faz alusão ao legado de sequestros e assassinatos por motivos políticos perpetrados por várias ditaduras latino-americanas do século XX. Ao adotar esse nome para o projeto, Vicuña estabelece uma conexão direta com a eliminação do quipu e de outras tradições indígenas por parte dos conquistadores espanhóis, que no século XVI se propuseram a extinguir esses métodos de comunicação altamente codificados e, por isso, para eles, potencialmente subversivo.


7. "Precarios"
As primeiras obras precárias de Vicuña foram criadas na Praia de Concón, no Chile, em 1966. As pequenas assemblages, feitas de madeira flutuante, seixos, penas e cordas, foram concebidas como oferendas sagradas e como um refúgio da vida microscópica. As peças abriam um diálogo expandido com a natureza: quando subia a maré, as ondas as levavam. Com o passar dos anos, a artista continua produzindo essas obras e se referindo a elas indistintamente como “performances rituais”, “metáforas espaciais” e “poemas multidimensionais”.


8. "Quipu Menstrual"
Michelle Bachelet foi eleita como a primeira mulher presidente do Chile em 15 de janeiro de 2006. Nesse dia, Vicuña emitiu seu voto de uma forma diferente: instalou seu Quipu menstrual (O sangue dos glaciais) aos pés do El Pomo, uma montanha na região metropolitana de Santiago. Dez meses depois, a artista expôs uma versão adaptada para o Centro Cultural Palacio de La Moneda, em Santiago, composta por 28 nós de lã cor de sangue e um vídeo que documentava a performance ritual anterior na geleira. A instalação estava acompanhada de uma carta que Vicuña escreveu para Michelle Bachelet. Na carta, pedia que anulasse a autorização do Projeto Pascua Lama, que visava destruir três geleiras ao norte do Chile para a extração de ouro. Na Pinacoteca, a instalação ganha uma versão feita para o espaço da Grande Galeria, além do vídeo que documenta seu voto ritual em El Plomo, em 2006.

Sobre a artista
Cecilia Vicuña (1948, Santiago, Chile) é uma poeta, artista e ativista. Seu trabalho se debruça sobre o mundo moderno, olhando para a destruição ambiental, direitos humanos e homogeneização cultural. Nascida e criada em Santiago, no Chile, a artista vive no exílio desde 1970, ano do golpe militar contra o presidente Salvador Allende. A artista é cofundadora do grupo “Artistas pela Democracia”, criado em Londres, em 1974. Em 2022 ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, foi comissionada pela Tate Modern de ocupar o icônico espaço Turbine Hall.


Serviço
Exposição "Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro"
De 18 de maio a 15 de setembro de 2024
Curadoria: Miguel A. López
Edifício Pina Contemporânea (Grande Galeria)
De quarta a segunda, das 10h00 às 18h00 (entrada até 17h00)
Gratuitos aos sábados - R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios - válido somente para o dia marcado no ingresso
Quintas-feiras com horário estendido B3 na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h)

quinta-feira, 9 de maio de 2024

.: Exposição "Efeito Japão: moda em 15 Atos" reúne expoentes na Japan House


A mostra apresenta as transformações da moda no Japão, por meio de peças de designers renomados criadas desde a década de 1950 aos anos 2000, desvendando as influências, sensibilidades e estética japonesas


O impacto e as influências da moda japonesa no cenário global ganham destaque na exposição inédita “Efeito Japão: moda em 15 Atos”, em cartaz no segundo andar da Japan House São Paulo. A partir de 15 trajes de importantes estilistas nipônicos, a mostra busca desvendar o poder do design japonês que assimila as tendências do mundo e as transformam em novas tendências por meio de uma sensibilidade particular.  Com entrada gratuita e em cartaz até 1º de setembro, a exposição foi coordenada pelo diretor de moda Souta Yamaguchi, responsável pelo design das roupas utilizadas pelo staff na cerimônia de entrega de medalhas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tokyo 2020. Yamaguchi inclusive já ministrou palestra na Japan House São Paulo. 

Dentre as peças selecionadas especialmente para a exposição, estão produções de Hanae Mori (1926 - 2022); Masao Mizuno (1928 - 2014); Kansai Yamamoto (1944 - 2020); Kenzo Takada (1939 - 2020); Yohji Yamamoto (1943); Isao Kaneko (1939); Yoshiki Hishinuma (1958); Issey Miyake (1938 - 2022); Junya Watanabe (1961); Jun Takahashi (1969); Kunihiko Morinaga (1980); Junichi Abe (1965) e Chitose Abe (1965). 

“Esta exposição é uma valiosa oportunidade para conhecermos um panorama das transformações da moda no Japão, as quais se iniciaram na década de 1950 e continuam ocorrendo até hoje. Espero que os visitantes desta exposição entrem em contato com a sensibilidade japonesa, que é capaz de contemplar a mudança dos tempos através das tendências da moda, como um espelho que reflete a sociedade”, afirma o coordenador da mostra, Souta Yamaguchi. 

Por meio das peças e de uma linha do tempo, a mostra destaca marcos históricos e contextos sociais da moda no Japão e no mundo, desde o período pós-Segunda Guerra Mundial, quando a cultura da vestimenta no Japão passou por uma grande transição entre os quimonos e as roupas ocidentais; passando pela consagração de estilistas japoneses no cenário internacional e a influência do street style japonês. Aborda também os novos nomes da moda japonesa, que ascenderam ao liderar as tendências contemporâneas como o uso da tecnologia de ponta que leva em consideração a sustentabilidade, além de designers promissores atuantes no cenário global que expressam as suas complexas singularidades.  

“Com certeza, os visitantes vão se deparar com pelo menos um nome familiar durante a visita à esta mostra, já que vários destes designers são reconhecidos internacionalmente pela inovação e a criatividade que tornou a moda japonesa relevante mundialmente. Alguns nomes apresentados, inclusive, já estiveram presentes em atividades da Japan House São Paulo anteriormente. Para aprofundar, realizaremos diversas atividades paralelas em que a moda japonesa será nosso grande foco, culminando inclusive com a abertura de outra exposição complementar em breve”, ressalta a Diretora Cultural da JHSP, Natasha Barzaghi Geenen. 

De forma a estender a experiência do público para além da exposição, a JHSP promoverá, no dia 7 de maio, às 11h30 e às 15h, a Visita Guiada "Efeito Japão: moda em 15 Atos", com Souta Yamaguchi. Nesta visita, o designer guiará o público por cada um dos núcleos da exposição.  No mesmo dia, às 19h00, ele também ministra a palestra Perspectiva da Moda Japonesa. As duas atividades acontecem presencialmente e os interessados podem retirar senha na recepção da instituição antes de cada atividade (sendo 30 minutos, no caso da Visita; e 90 minutos para a Palestra). Dentro do programa JHSP Acessível, a exposição “Efeito Japão: moda em 15 Atos” ainda conta com recursos táteis, audiodescrição e vídeo libras.


As histórias que as obras expostas desvendam
Na década de 1950, o Japão do pós-guerra estava remodelando o quimono e as roupas ocidentais em termos de função, higiene e economia. A peça mais antiga da mostra é confeccionada com a combinação de tecidos de quimono feitos em técnica de tecelagem tradicional de Okinawa, Ryūkyū kasuri, em que o algodão é tingido com corantes naturais. A peça foi produzida quando os desfiles de moda começaram a se espalhar no Japão, refletindo o contexto histórico da transição da moda japonesa dos quimonos para as roupas ocidentais.  

Com a aproximação da década de 1960, o surgimento de tecidos sintéticos elásticos levou gradualmente à integração das roupas ocidentais, iniciando o desafio do design de estilo japonês. Entre as peças em exposição, está o vestido com estampa de bambu confeccionado em uma única peça de tecido crepe poliester sem cortes na região dos ombros de Hanae Mori, primeira designer asiática aceita na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne.  

Na década de 1970, houve um ressurgimento do orientalismo em um contexto caracterizado pela liberdade e estilos que misturavam influências japonesas com ocidentais se tornaram populares. Tais referências podem ser observadas na   peça de Kenzo Takada, costurada em linhas retas como um quimono e descrita como “anti alta-costura”. Outro exemplo é a criação de  Kansai Yamamoto, que utilizou ousadamente um motivo utilizado na pintura de pipas japonesas na confecção de um macacão com base no traje do Kabuki. 

Já na década de 1980, surgiram dois momentos importantes. O primeiro foi da moda extravagante, que refletia o alto crescimento econômico e a bolha econômica do Japão, representado na exposição por uma peça volumosa, elaborada com detalhes em pregas delicadas, rendas, babados e apliques, que são a base da cultura kawaii do Japão. Por outro lado, no mesmo período nasceu a "Shock Wave", que movimento que rejeitou a elegância ocidental, ilustrado por uma peça com drapeados ousados com várias camadas sobrepostas de lã crua. 

A partir da década de 1990, o Street style japonês atraiu a atenção internacional, com estilos que remixam diversas culturas e designs usando técnicas avançadas de processamento. Yoshiki Hishinuma, que trabalhou no Miyake Design Studio, utilizou a termo plasticidade do poliéster para criar obras aplicando a tradicional técnica japonesa shibori (tingimento que envolve prender partes do tecido que não serão tingidas e mergulhá-lo em pigmento, criando estampas orgânicas e exclusivas).  

Dos anos 2000 em diante surgiram os designs minimalistas que levam em consideração a sustentabilidade e a expressão da complexidade de personalidades. Desta forma, surgem peças confeccionadas com a combinação de vários materiais de diferentes texturas com formas assimétricas e costuras sem padrão. A intenção é romper a própria beleza e transformar o processo de confecção de roupas permitindo que o usuário crie o design. A exposição traz a peça de patchwork de vanguarda da Anrealage - que já expôs na JHSP - um trabalho manual que vai além do digital e analógico e oferece uma visão panorâmica da transição cada vez mais diversificada da moda japonesa contemporânea.


Serviço
Exposição “Efeito Japão: moda em 15 Atos”
Coordenação: Souta Yamaguchi
Período: até dia 1º de setembro de 2024
Local: Japan House São Paulo, 2º andar - Avenida Paulista, 52, São Paulo/SP 
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Entrada gratuita. Reservas on-line antecipadas (opcionais) no site.
* Existem restrições para foto e vídeo de dois looks da exposição.

domingo, 28 de abril de 2024

.: Mostra inédita sobre Salvador Dalí chega a São Paulo na FAAP


Chega a São Paulo a Mostra “Desafio Salvador Dalí”, dedicada à vida e obra do renomado pintor e multiartista espanhol. Sediada no prestigiado Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), a exposição abrirá suas portas ao público em 1º de maio de 2024. Os ingressos já estão à venda no site salvadordalisp.com.br e na bilheteria oficial. 

Com mais de 100 conteúdos expositivos inéditos no país, trazidos diretamente da Espanha sob supervisão da Fundação Gala-Salvador Dalí, esta mostra é uma oportunidade imperdível para os brasileiros explorarem o universo surrealista do artista e conhecerem mais sobre sua capacidade de antecipação, o respeito pelo ofício, a admiração pela tradição clássica e a relação pouco convencional com a esposa Gala, entre outros. 

A vida e a obra de um gênio, cujo trabalho influenciou gerações ao redor do mundo, é apresentada em linguagem absolutamente contemporânea e acessível. Os ingressos incluem um áudio-relato, em formato de podcast, ativado pelo celular com um código QR no dia da visita, que convida a transitar pelo universo daliniano. Com produção geral da Conteúdo Criativo, responsável pelo projeto, os objetos, conteúdos e interatividades concebidos pela empresa espanhola ArtDidaktik estarão distribuídos em seis áreas expositivas, convidando a uma jornada fascinante pela mente criativa do mestre do surrealismo:


Descobrindo Dalí
Organizada por décadas, contendo a evolução de sua trajetória pessoal e produção como pintor em paralelo à história do século XX que tanto o influenciou, esta enorme galeria conta com grandes paredes retroiluminadas que permitem ao visitante ver as obras ampliadas, a fim de perceber detalhes e entender as diferentes técnicas utilizadas por Dalí em suas pinturas.


Dalí Poliédrico
Aqui os visitantes conhecerão as ilustrações de Dalí para clássicos da literatura (como “Dom Quixote”); suas cenografias originais desenvolvidas para teatro e cinema (em obras de Luis Buñuel e Alfred Hitchcock, por exemplo); a ourivesaria que deu origem a coleções de jóias; a direção de arte e o protagonismo para campanhas publicitárias disruptivas; e as aparições imprevisíveis que o transformaram em cineasta e produtor de curtas metragens.


O ateliê daliniano
O principal ateliê do artista será recriado em um espaço que reproduz o existente na Casa-Museu Salvador Dalí em Port Lligat, litoral da Catalunha. O ambiente compreende a influência do ateliê em seus principais trabalhos, começando com El Cristo, passando pelos retratos de sua esposa Gala - inúmeras vezes representada em todas as fases do artista -, e culminando em grandes obras como El Descubrimiento de América.


Surrealismo
Os visitantes percorrerão um túnel em que participarão de uma inserção sensorial nos quadros mais representativos da obra de Dalí, podendo admirar e interagir com as possibilidades sonhadas pelo artista.


Imagens de dupla interpretação e estereoscopia
Contando com cenografia avançada, recursos de iluminação especial e óculos 3D em parte do percurso, as experiências estéticas e científicas de Salvador Dalí com o mundo imagético levarão o público a refletir sobre como os caminhos da arte podem influenciar, subverter ou apenas agradar aos sentidos humanos. 


A inspiração de Salvador Dalí
Para encerrar a visita, será oferecido um conteúdo audiovisual com oito minutos de duração, totalmente desenvolvido em realidade virtual, com trilha sonora especialmente composta para a mostra, possibilitando através da computação gráfica a percepção de detalhes que durante anos foram invisíveis inclusive aos maiores críticos de arte e especialistas na obra do pintor. Aqui serão oferecidos óculos de realidade virtual (VR) e fones de ouvido.

A exposição conta com acessibilidade física e comunicacional em todos os ambientes, além de monitores capacitados para auxiliar o público, visando proporcionar uma experiência enriquecedora para todos os visitantes.


Serviço
“Desafio Salvador Dalí” na FAAP
Apresentação: Youse, CNP Seguros Holding Brasil e Caixa Seguridade
Patrocínio: Sabesp
Parceiros de Mídia: UOL, BandNews FM e Eletromídia
Apoio Cultural: Fundação Armando Alvares Penteado e Museu de Arte Brasileira/FAAP
Concepção: Art Didaktik
Licença e Supervisão: Fundação Gala-Salvador Dalí
Ticketeira: Fever
Realização: Conteúdo Criativo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal


Serviços:
Bilheteria Oficial (sem cobrança de taxa de conveniência): FAAP (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo – SP | Subsolo. Todos os dias das 10h às 20h)
Valor: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia-entrada)
Período: 1° de maio a 30 de junho de 2024
Horário: 10h00 às 21h00 (última entrada às 20h), fechado às segundas-feiras, inclusive feriados.
Localização: MAB FAAP (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo – SP)
Classificação etária: livre para todas as idades
Acessibilidade: local acessível para cadeirantes. Audiodescrição disponível para pessoas com deficiência visual.

quinta-feira, 14 de março de 2024

.: Japan House SP prorroga exposição "Convivendo com Robôs" até 19 de maio


Graças ao sucesso de visitação, a exposição “Convivendo com Robôs” ganha mais tempo em cartaz e terá seu período estendido até o dia 19 de maio na Japan House São Paulo, localizada na Av. Paulista, 52, em São Paulo. Vista por mais de 200 mil pessoas, a exposição com curadoria do pesquisador de tecnologia e robótica Zaven Paré, apresenta 11 “robôs amigáveis” e os aspectos particulares dos robôs japoneses. Utilizados de forma terapêutica ou para o entretenimento, os robôs são projetados para interagir de forma simpática, segura e colaborativa, e desmistificam a interação com os humanos.


Serviço
Exposição “Convivendo com robôs”
Período: até 19 de maio de 2024
Local: Japan House São Paulo, térreo - Avenida Paulista, 52, São Paulo/SP
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita. Reservas online antecipadas (opcionais): https://agendamento.japanhousesp.com.br/
Apoio: Consulado Geral do Japão em São Paulo, Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, JETRO, Museu Nacional de Ciências Emergentes e Inovação e Jornal Asahi Shimbun

domingo, 10 de março de 2024

.: MASP apresenta mostra de Mário de Andrade a partir de perspectiva queer


O público poderá conferir um conjunto de 88 obras – entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e fotografias – do acervo pessoal do intelectual considerado um ícone do modernismo brasileiro e um dos escritores mais estudados do país. Na imagem, "Retrato de Mário de Andrade", Tarsila do Amaral, 1922


O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 22 de março a 9 de junho de 2024, a mostra "Mário de Andrade: duas Vidas", que ocupa o mezanino localizado no primeiro subsolo do museu. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, e assistência de Daniela Rodrigues, assistente curatorial, MASP, a exposição reúne um conjunto de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e fotografias da coleção pessoal do intelectual brasileiro, ativo na primeira metade do século 20, a partir da perspectiva de uma sensibilidade queer. A mostra tem patrocínio da Lefosse e apoio cultural do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP).

Mário de Andrade (São Paulo, 1893–1945) é um ícone da literatura e do modernismo no Brasil, além de ser um dos escritores mais estudados do país. Em sua faceta pública, foi contista, músico, poeta, professor, romancista, crítico e historiador das artes plásticas, da música e da literatura, além de agente cultural, colecionista e jornalista. Autor de "Pauliceia Desvairada" (1922) e "Macunaíma" (1928), participou da Semana de Arte Moderna (1922) e dedicou-se a registrar, estudar, preservar e divulgar as mais diversas manifestações culturais do país, tanto eruditas quanto populares. Esteve à frente do Departamento de Cultura e Recreação da Municipalidade de São Paulo (1935-1938) e criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) (1937), o primeiro órgão do gênero. 

“Passados quase 80 anos da sua morte, a produção intelectual de Mário de Andrade sobre música, artes visuais e arquitetura, seus romances, contos e poemas, além dos levantamentos etnográficos realizados pelo artista, foram e continuam sendo centrais para a compreensão do modernismo no Brasil e para a construção de uma ideia de brasilidade”, elucida a curadora coordenadora, Regina Teixeira de Barros.

Através da perspectiva de uma sensibilidade queer, a exposição "Mário de Andrade: duas Vidas" apresenta um recorte de 88 obras – entre pinturas, desenhos, esculturas e fotografias – do acervo do intelectual, hoje sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). A mostra reflete sobre itens da sua coleção de artes plásticas e fotografias com os quais conviveu em sua intimidade, longe dos olhos da censura e dos preconceitos vigentes na época. A “tão falada homossexualidade” de Mário de Andrade, como descrita pelo artista em uma carta enviada a Manuel Bandeira em 1928, tornou-se objeto de estudo somente em 2015, quando todos os seus escritos caíram em domínio público e sua produção literária começou a ser analisada à luz de suas preferências homoafetivas, um assunto considerado tabu até então. 

A ideia de “duas vidas”, subtítulo desta exposição, aparece em diversos escritos do autor e exalta a dualidade vivida por Andrade, entre a vida profissional e pessoal. “Mário se qualifica ora como um 'vulcão controlado', ora tomado por uma 'feminilidade passiva'; oscila entre ser um pansexual casto (!) e um monstro libidinoso”, ressalta Teixeira de Barros. Em carta para Oneyda Alvarenga, o intelectual afirma: “Eu sou um ser como que dotado de duas vidas simultâneas, como os seres dotados de dois estômagos. O que mais me estranha é que não há consecutividade nessas duas vidas”. 

O artista registrou em fotografias suas viagens ao Norte e Nordeste do Brasil, entre 1927 e 1929. Na série Tarrafeando (1927), feita no igarapé de Barcarena, nos arredores de Manaus, os homens estão focados no trabalho enquanto Andrade capta imagens de seus corpos de costas. Em outro conjunto de retratos, adota uma estratégia diversa, fixando o olhar franco e direto de trabalhadores, como se observa em Vaqueiro marajoara Tuiuiú (1927). Visto que a câmera era o único objeto que impedia Mário e o retratado de se olharem mutuamente, a curadora reflete que “o fotógrafo permanece protegido pelo objeto diante de si, impossibilitado de retribuir o olhar, defendido de si mesmo e do próprio desejo”.

A mitologia pessoal de Mário também foi registrada em autorretratos ao longo de sua vida. As imagens de um intelectual que dominava todos os códigos da vida pública heteronormativa contrastam com as fotografias mais espontâneas, como em Aposta do Ridículo (1927), captada em um momento descontraído durante a sua viagem ao Amazonas. Essa fotografia revela um homem que podia assumir diversos papéis, já que sabia se divertir e, de fato, performar uma masculinidade queer.

A assistente curatorial Daniela Rodrigues constata que, através de seus escritos e das muitas correspondências, é possível observar o erotismo como um tema que perpassa a vida e o imaginário do autor sobre o Brasil, que se utilizava de inúmeras estratégias literárias para dizer sem explicitar. “Não se trata de ler sua produção como autobiográfica, como se tudo remetesse a ele mesmo, mas em alguns textos veem-se vestígios da sua inquietação sobre a sexualidade enquanto tema e vida”, completa.

Em relação à sua coleção de arte, a pintura "O Homem Amarelo" (1915-16), de Anita Malfatti, – vista por Mário na famosa exposição de 1917 – inaugurou seu interesse pelas artes visuais. Na ocasião, o poeta profetizou: um dia o quadro seria dele. De fato, comprou a obra na Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, em 1922. No primeiro artigo que escreveu sobre Anita, em outubro de 1921, descreveu O homem amarelo como uma figura fatídica, “feminilizada por uns olhos longínquos, cheios de nostalgia”

Em "Retrato de Mário de Andrade" (1927), Lasar Segall registrou o poeta de frente, captando sua expressão serena em meio aos atributos modernos — como a gravata estampada com losangos e o fundo abstrato-geométrico. Apesar de reconhecê-la inicialmente como “uma das obras mais admiráveis de seu talento de pintor”, em carta ao artista, alguns anos mais tarde o romancista mudou de ideia, pontuando que Segall captou o que havia de perverso nele. “Ambíguo e conflituoso, compreendendo e registrando como poucos o que constituía um país tão contraditório, Mário pouco conhecia a si mesmo”, reitera Daniela.

"Mário de Andrade: duas Vidas" integra a programação anual do MASP dedicada às "Histórias da Diversidade LGBTQIA+". Este ano a programação também inclui mostras de Gran Fury, Francis Bacon, MASP Renner, Lia D Castro, Catherine Opie, Leonilson, Serigrafistas Queer e a grande coletiva Histórias da diversidade LGBTQIA+.


Acessibilidade
Em 2024, todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em libras ou descritivas; textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil, com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados. Os conteúdos ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu.


Catálogo
Acompanhando a exposição, será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, com a reprodução de obras da coleção do escritor. A publicação, organizada por Regina Teixeira de Barros, com assistência de Daniela Rodrigues, inclui textos de Carolina Casarin, Daniela Rodrigues, Ivo Mesquita, Jorge Vergara, Nathaniel Wolfson e Regina Teixeira de Barros. Com design de Bruna Sade, a publicação tem edição em capa dura.


Serviço
Exposição "Mário de Andrade: duas Vidas"
Curadoria: Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, com assistência de Daniela Rodrigues, assistente curatorial, MASP
1º subsolo (mezanino)
22.3—9.6.2024
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista/São Paulo 
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta, quinta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 70 (entrada); R$ 35 (meia-entrada)
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Av. Paulista, 1578 - São Paulo

sexta-feira, 8 de março de 2024

.: Simões de Assis apresenta primeira individual de Jean-Michel Othoniel


"Sob Outro Sol" exibe esculturas totêmicas, pendentes de vidro e pinturas sobre folhas de ouro do artista francês reconhecido internacionalmente pelo deslumbre estético e obras monumentais. Na imagem, a obra "Precious Stonewall", 2024. Foto: Claire Dorn; Jean-Michel Othoniel / ADAGP, Paris, 2024

Reencantar o mundo. Essa é a proposta do artista francês Jean-Michel Othoniel, que ganha sua primeira individual no Brasil a convite da Simões de Assis a partir de 16 de março. Othoniel é reconhecido por instalações de dimensões arquitetônicas em que experimenta uma diversidade de materiais para compor das obras como vidro, ouro, cera, enxofre, obsidiana e metal.

Sob outro sol apresentará esculturas totêmicas de vidro indiano espelhado, pinturas sobre folhas de ouro e pendentes de vidro Murano, além de uma escultura de aço inoxidável espelhado. Esta última, a obra “Collier Miroir”, é uma escultura semelhante aos colares de vidro pendentes que o artista produz em vidro de Murano, mas dessa vez feita em inox espelhado e autoportante, com quase três metros de altura.

Estes trabalhos transitam no limiar entre o íntimo e o monumental – pinturas delicadas sobre folhas de ouro convivem com grandes pendentes de contas e as séries radiantes de tijolos de vidro, como Wonder Block (2023) e Oracle (2023), expostas também em 2021 no Petit Palais, em Paris.

No campo da pintura, Othoniel se interessa enfaticamente no simbolismo potente das flores, assim como materialidade, focada especificamente na ambiguidade entre a força e a fragilidade do vidro. Nelas, o artista continua a investigar acerca da natureza através de uma abordagem contemplativa e minimalista, retratando sua visão romântica do mundo em que prazeres simples, como a fauna, são reflexos de significados ocultos.

Entre museus de arte, espaços públicos e coleções privadas, as obras de Othoniel impressionam pela estética deslumbrante e pelo diálogo com o entorno. São muitas as obras criadas para espaços públicos como na Catedral de Angoulême, no Palácio Ideal do Facteur Cheval, em jardins botânicos do Brooklyn, no jardim de Versalhes ou no transporte público de Paris. Esta última, “Le Kiosque des Noctambules”, é uma instalação site-specific localizada na estação Palais Royal - Musée du Louvre. Comissionada para a celebração do centenário do metrô de Paris, a escultura colorida acolhe o público como uma pausa de encantamento na histeria da cidade apressada.

Segundo Marc Pottier, que assina o texto crítico, a mostra exibe “uma ampla gama de trabalhos que não podem ser confinados a nenhuma categoria, mas que também não compõem uma retrospectiva. O que o artista aspira é prover uma visão global de seu trabalho multifacetado”.

A técnica no tratamento dos materiais é a pedra angular do trabalho do artista, que há 30 anos descobriu no vidro soprado uma infinidade de variações possíveis para a elaboração conceitual do seu trabalho em parcerias com mestres vidreiros e artesãos de várias partes do mundo como Itália, Suíça, México e Japão, por exemplo.

“Os materiais são uma das chaves para a leitura dos meus trabalhos, são a parte visível do iceberg; a sequência de significados também se faz por meio de palavras, textos, obsessões, coisas não ditas, encontros, perdas”, declara o artista.

A passagem de Othoniel pelo Brasil tem início na Simões, se expandindo para o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, no último trimestre de 2024, com uma exposição individual e a participação na Bienal de Curitiba, ambas curadas por Marc Pottier, apresentando a obra "The Eye of Night".

“A ideia de encantamento e admiração é o que o artista colocou no centro de sua exposição na Galeria Simões de Assis, e suas transgressões estéticas sempre levam a uma forma de reencantamento”, afirma Pottier. Com um sentido amplo, o título da mostra está ligado tanto às obras muito luminosas, como as pinturas de flores e os tijolos em vidro, como à chegada do artista em outro hemisfério, que potencializa novas interpretações do seu trabalho.


Sobre o artista
Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1961) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. 

Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais, como o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Comtemporary Art (MoCA), Miami; e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York.


Sobre Marc Pottier
Marc Pottier é um curador de arte contemporânea, com ênfase em arte em espaços públicos e plataformas culturais digitais. Trabalhou por oito anos no Ministério de Relações Internacionais da França no Rio de Janeiro e em Lisboa como cultural attaché. Desenvolveu a curadoria de importantes exposições no Brasil e na Europa, além de coordenar o Royal Group Public Art Park nos Emirados Árabes. É o autor do livro “Made by Brazilians”, apresentando entrevistas com 230 profissionais do cenário da arte contemporânea brasileira, além de ter sido o curador convidado da 3ª Bienal da Bahia. Desde 2016, colabora com o projeto da Cidade Matarazzo Floresta Atlântica em São Paulo, em parceria com Jean Nouvel e Philippe Starck, com 50 obras de arte site-specific e em áreas públicas.

Sobre a Simões de Assis
Desde a sua abertura, a Simões de Assis dirige o seu olhar para a arte moderna e contemporânea, especialmente para a produção latino-americana. Ao longo de décadas de trabalho, a galeria se especializou na preservação e na difusão do espólio de importantes artistas como Emanoel Araujo, Ione Saldanha, Carmelo Arden Quin, Cícero Dias e Miguel Bakun, contando com a parceria de famílias e fundações responsáveis.

A arte é também aquilo que se produz a partir dos tantos encontros. A partir do contato estreito com pesquisadores e curadores, a Simões de Assis conseguiu a articulação necessária para difundir e representar seus artistas no Brasil e no exterior.Ampliando o alcance do mercado de arte no Brasil, a Simões de Assis tem três espaços, em São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú, estimulando trocas e debates, além de fomentar a carreira de seus artistas.


Serviço
Exposição “Sob Outro Sol” | Individual de Jean-Michel Othoniel
Abertura: 16 de março
Período: 16 de março a 4 de maio
Local: Simões de Assis
Endereço: Alameda Lorena, 2050 – Jardim Paulista, São Paulo
Entrada gratuita 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

.: CAIXA Cultural SP inaugura exposição de revistas "Pequenas Utopias"


Mostra reúne títulos publicados nas últimas cinco décadas em cinco regiões brasileiras. Foto: Pulga, São Paulo, 2013 - Coleção Livro de Artista / divulgação

Até dia 31 de março, a CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição “Pequenas Utopias – Revistas de Artista no Brasil”. Com a curadoria de Amir Brito Cadôr, a mostra revela uma centena de revistas de artista editadas entre 1960 e 2021, de forma independente e em diferentes formatos, como artes gráficas, arte-postal, arte sonora, zines, entre outras. A entrada é gratuita.

A edição de revistas, jornais e outras publicações seriais por artistas, a partir dos anos 1960 constitui uma forma de atuação artística que sempre buscou aproximar as obras de um público mais amplo, possibilitando novos circuitos de produção e consumo. Produzida a partir de diferentes linguagens, a revista de artista surge num momento histórico em que os artistas reivindicavam o papel de mediadores de suas obras com o público, lugar antes ocupado por críticos, curadores e professores de arte.

“Essas revistas trazem de modo implícito certa utopia de seus editores, de que a arte seja acessível, que ela faça parte do cotidiano e possa ser produzida e consumida por mais pessoas. Mas elas também são utópicas no sentido de criar espaço, físico ou mental, para o debate e a apresentação de obras contemporâneas de jovens artistas que encontram dificuldade para chegar na grande mídia ou que manifestam desinteresse em participar do sistema de galerias”, afirma o curador da mostra, Amir Brito Cadôr. 

A exposição reúne importantes títulos publicados em diferentes períodos, de norte ao sul do Brasil, como "Artéria" (1975-2016), "Qorpo Estranho" (1976-1982), "À Margem" (1986-2001), "Comunicarte" (1991-2010), "Malasartes" (1975-1976), Sofá (2003-2011), "Karimbada" (1978), "Arte em São Paulo" (1981-1987), entre outras. 



Foto: "Sofá-inflável", Florianópolis, 2004 – Coleção Livro de Artista / divulgação


As obras foram distribuídas em nove núcleos temáticos, mapeados conforme as práticas artísticas veiculadas nas últimas décadas: arte postal, arte sonora, escritos de artista, ensaios gráficos, exposição portátil, poesia visual, revista-montagem, revistas de uma página e zines. Essas categorias cumprem um caráter didático, com o propósito de destacar a diversidade e as características das publicações.

Uma das categorias mais curiosas da exposição é a revista de uma página, nome que deriva de uma publicação em inglês, one page magazine, que serviu de título para uma exposição realizada no Cabinet du Livre d’Artiste em Rennes, na França. Essa exposição reuniu outras publicações com essa característica, sendo que a revista de artista Comunicarte foi a única publicação brasileira incluída na mostra. 

Ao visitar a exposição “Pequenas Utopias – Revistas de Artista no Brasil”, o público terá a oportunidade de explorar um universo de revistas alternativas que não imaginava existir, já que muitas das publicações são pouco conhecidas fora do círculo especializado.


Serviço
Exposição: “Pequenas Utopias – Revistas de Artista no Brasil”.
CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo/SP).
Até dia 31 de março de 2024.
Visitação de terça a Sábado, das 10h00 às 18h00. Domingo, das 9h00 às 17h00.
Classificação indicativa: livre para todos os públicos.
Entrada franca.
Acesso para pessoas com deficiência.
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal. 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

.: Grátis: Museu da Língua Portuguesa lança catálogo da exposição "Nhe’ẽ Porã"


Publicação foi distribuída em primeira mão na abertura da itinerância da mostra no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará. Versão do material também pode ser baixada em pdf.


O Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, lançou o catálogo da exposição "Nhe’ẽ Porã: memória e Transformação". A publicação impressa sobre a mostra foi distribuída em primeira mão no Museu Paraense Emílio Goeldi, onde uma versão itinerante da exposição ficará em cartaz até 28 de julho. O material, em formato PDF, também pode ser encontrado e baixado gratuitamente neste link

A exposição itinerante "Nhe’ẽ Porã: memória e Transformação" conta com articulação e patrocínio máster do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet.  Além de imagens de obras de artistas como Tamikuã Txihi, Glicéria Tupinambá, Denilson Baniwa e Paula Desana, e de mapas produzidos exclusivamente para o projeto, o catálogo contém textos da curadora da exposição, a artista indígena e mestre em Direitos Humanos Daiara Tukano, e também nas línguas tupi-antigo, xavante, yanomami, dahseaye e mbya.   

Quem quiser saber mais sobre a exposição, outra dica é conhecer a versão on-line da mostra que esteve em São Paulo entre outubro de 2022 e abril de 2023, atraindo mais de 189 mil visitantes. O acesso ocorre por meio da exposição virtual https://nheepora.mlp.org.br.

 "Nhe’ẽ Porã: memória e Transformação" propõe um mergulho na história, memória e realidade atual das línguas dos povos indígenas do Brasil, através de objetos etnográficos, arqueológicos, instalações audiovisuais e obras de arte. A exposição busca mostrar outros pontos de vista sobre os territórios materiais e imateriais, histórias, memórias e identidades desses povos, trazendo à tona suas trajetórias de luta e resistência, assim como os cantos e encantos de suas culturas. Daiara Tukano assina a curadoria, e a antropóloga Majoí Gongora é a cocuradora.  

Patrocinadores e parceiros
A mostra itinerante  "Nhe’ẽ Porã: memória e Transformação" conta com articulação e patrocínio máster do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e é correalizada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. O projeto tem cooperação da UNESCO no contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) e parceria do Instituto Socioambiental, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e Museu do Índio da FUNAI. A realização é do Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.  

Serviço
Catálogo da exposição "Nhe’ẽ Porã: memória e Transformação"
Disponível e baixado gratuitamente neste link

Exposição itinerante "Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação" – Belém (PA) 
Museu Paraense Emílio Goeldi - Centro de Exposições Eduardo Galvão.  
Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz - Belém (PA).  
Até dia 28 de julho de 2024.
De quarta a domingo, inclusive feriados.  
Até maio - das 9h às 14h, com bilheteria até 13h.  
Depois de junho – 9h às 16h, com bilheteria até 15h.  
R$ 3,00 (inteira) e R$ 1,50 (meia) e gratuidades garantidas por Lei.

Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.