Mostrando postagens com marcador Reserva Imovision. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reserva Imovision. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: Curta “Encanto Quebrado” lança feitiço amoroso e transforma vizinho idiota


Curta de Luan Filippo combina horror e humor ao acompanhar uma bruxa que se arrepende do próprio feitiço quando descobre quem é o homem por quem se apaixonou. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O amor pode até ser mágico, mas conviver com a pessoa errada pode transformar qualquer encantamento em uma grande roubada. É justamente dessa situação que parte “Encanto Quebrado”, curta-metragem escrito e dirigido por Luan Filippo, que segue em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision como parte da coleção “Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens”. A produção reúne Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce em uma história que mistura horror, fantasia e humor para brincar com uma velha obsessão romântica: encontrar alguém especial e descobrir, tarde demais, que talvez fosse melhor ter ficado sozinho.

Na trama, uma bruxa do século XXI decide lançar um feitiço de amor para o vizinho. O problema aparece quando o encantamento funciona e ela percebe que o sujeito por quem se apaixonou é, simplesmente, um idiota. Arrependida, tenta desfazer a magia, mas existe uma complicação nada conveniente: o feitiço é irreversível. A premissa dá ao curta uma leitura divertida sobre desejo, paixão e escolhas ruins, colocando uma personagem acostumada ao sobrenatural diante de uma situação bastante humana. A graça está justamente no desespero de alguém que conhece magia suficiente para criar o próprio problema, mas não encontra uma saída para consertá-lo.

“Encanto Quebrado” tem uma trajetória ligada ao cinema fantástico. O filme integrou a programação do 16º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, na Mostra Brasil Fantástico, ao lado de produções nacionais que exploram horror, fantasia, ficção científica e outras vertentes do gênero. O catálogo do festival registra a obra com 16 minutos e 45 segundos de duração e classifica a produção como ficção e horror.

A produção também aparece internacionalmente com o título original “Bitchcraft”, trocadilho que combina a ideia de bruxaria com uma expressão de forte carga irônica. O curta foi identificado em materiais do Cinefantasy com esse título, enquanto a produção brasileira mantém “Encanto Quebrado” como título nacional.

A relação do filme com a Imovision também é curiosa. Segundo Victória Brusco, que protagoniza a produção, “Encanto Quebrado” foi a primeira produção oficial da distribuidora e teve sua estreia no Festival de Cinema Internacional Fantaspoa, em 2024. A atriz também passou a apresentar conteúdos da Imovision relacionados aos filmes distribuídos pela empresa. O curta-metragem foi produzido pela Chá Cinematográfico e tem Luan Filippo na direção e no roteiro. A ficha técnica divulgada pelo Cinefantasy confirma ainda Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce no elenco. Uma opção rápida para quem gosta de histórias fantásticas com humor ácido e personagens que descobrem, da pior maneira possível, que mexer com magia pode trazer consequências bem inconvenientes.


Ficha técnica
“Encanto Quebrado” (título original)
Gênero: ficção/horror. Duração: 16min45s. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 11 de abril de 2024, no Brasil. Idioma: português. Direção: Luan Filippo. Roteiro: Luan Filippo. Elenco: Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não informadas. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

domingo, 16 de agosto de 2026

.: Curta “Os Mortos-Vivos” transforma desaparecimento em inquietante terror


Curta de Anita Rocha da Silveira acompanha rapaz que procura a namorada desaparecida e encontra no vazio das relações uma fonte inesperada de horror. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Os Mortos-Vivos”, curta-metragem escrito, dirigido, montado e produzido por Anita Rocha da Silveira, segue em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision como parte da coleção “Pequenas Jornadas – Curtas-Metragens”. Realizado em 2012, o filme acompanha João, interpretado por João Pedro Zappa, que espera pela ficante Bia diante do banheiro feminino durante uma noite no Rio de Janeiro. Ela desaparece sem explicação, deixando o rapaz entre hipóteses que vão da morte ao sequestro, passando pela possibilidade bem mais banal e dolorosa de ter se apaixonado por outra pessoa. 

A premissa aparentemente simples ganha contornos de terror psicológico quando o desaparecimento de Bia passa a reorganizar a percepção de João. O curta trabalha com uma ideia particularmente contemporânea para uma produção de 2012: alguém pode desaparecer da vida de outra pessoa e continuar existindo nas telas, nas mensagens enviadas e nas tentativas frustradas de estabelecer contato. A frase “Bia está off-line. As mensagens enviadas serão entregues quando Bia estiver on-line” resume o jogo criado por Anita e transforma uma situação cotidiana em uma espécie de pesadelo digital.

Clarice Lissovsky interpreta Bia, enquanto Natália Lebeis, Pedro Tambellini, Anita Chaves, Maria Clara Contrucci, Amanda Lebeis, Raphael Martins e Bruna Lousada completam o elenco. João Atala assina a direção de fotografia; Felippe Mussel responde pelo som direto; Bernardo Uzeda, pela edição de som; Constanza de Córdova e Betina Monte-Mór, pela direção de arte; e Anita Rocha da Silveira também assume a montagem.

A diretora constrói uma atmosfera estranha a partir de situações reconhecíveis da juventude carioca: festas, praias, encontros, flertes e a expectativa por algum tipo de conexão afetiva. Ao redor dessa rotina aparecem elementos que deslocam a narrativa para o fantástico, como pirâmides e esfinges urbanas, além de efeitos visuais que incluem raios coloridos sobre a Catedral do Rio de Janeiro. 

“Os Mortos-Vivos” também ocupa um lugar significativo na trajetória de Anita Rocha da Silveira. O curta foi selecionado para a Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes em 2012, depois de a cineasta realizar “O Vampiro do Meio-Dia” (2008) e “Handebol” (2010). “Handebol” recebeu o Prêmio FIPRESCI no Festival Internacional de Curtas de Oberhausen, enquanto “Os Mortos-Vivos” consolidou a presença da realizadora carioca no circuito internacional.

A filmografia posterior ajuda a dimensionar a importância desse curta-metragem. Anita estreou no cinema de longa-metragem com “Mate-me por Favor”, selecionado para a mostra Orizzonti do Festival de Veneza de 2015, e depois dirigiu “Medusa”, que chegou à Quinzena dos Cineastas de Cannes em 2021. A Academia Brasileira de Cinema registra ainda que Anita passou a integrar, em 2023, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Em “Os Mortos-Vivos”, o terror nasce de uma situação íntima: a sensação de perder alguém sem compreender exatamente quando, como ou por quê. O desaparecimento de Bia abre uma espécie de buraco na experiência de João, e Anita explora esse desconforto com uma narrativa que mistura horror, fantasia e retrato de juventude.


Ficha técnica
“Os Mortos-Vivos” | “The Living Dead” (título internacional).
Gênero: ficção, terror, fantasia. Duração: 19 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2012. Data de lançamento: 19 de maio de 2012, na França, durante o Festival de Cannes. Idioma: português. Direção: Anita Rocha da Silveira. Roteiro: Anita Rocha da Silveira. Elenco: João Pedro Zappa, Natália Lebeis, Clarice Lissovsky, Pedro Tambellini, Anita Chaves, Maria Clara Contrucci, Amanda Lebeis, Raphael Martins e Bruna Lousada. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision, em streaming. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: “A Divina Sarah Bernhardt” torna lenda do teatro em mulher de carne e osso


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Sarah Bernhardt já havia se tornado uma celebridade mundial antes de o mundo aprender a fabricar celebridades em escala industrial. No fim do século XIX, o rosto dela estampava cartazes, o nome cruzava fronteiras e as aparições mobilizavam multidões. Em uma época sem televisão, redes sociais ou cinema, a atriz francesa transformou a própria existência em espetáculo. É essa mulher gigantesca, extravagante, apaixonada e extremamente contraditória que Sandrine Kiberlain interpreta no filme “A Divina Sarah Bernhardt”, dirigido por Guillaume Nicloux.

Ambientado inicialmente em Paris, em 1896, o longa-metragem acompanha Sarah no auge da fama. Considerada por muitos a primeira grande celebridade internacional da era moderna, ela circulava entre artistas, escritores, políticos e amantes com a mesma desenvoltura com que ocupava os palcos. A produção, porém, escolhe olhar para a personalidade que existia por trás da imagem pública. O resultado é uma cinebiografia que prefere os bastidores, os afetos, as brigas e as fragilidades à reconstituição convencional de uma carreira.

O roteiro de Nathalie Leuthreau concentra boa parte da narrativa na relação de Sarah com Lucien Guitry, interpretado por Laurent Lafitte. Os dois mantêm durante anos uma relação amorosa marcada por idas e vindas, ciúmes, outros parceiros e uma intimidade que parece sobreviver até mesmo quando o romance já não funciona da maneira esperada. A escolha é interessante porque permite que a personagem seja observada em situações nas quais não precisa convencer uma plateia a respeito da própria genialidade. 

O filme mostra muito pouco da atriz efetivamente atuando. A grandeza de Sarah é constantemente anunciada por quem a cerca, pelas personalidades que a admiram e pelo peso do nome dela, mas raramente isso é demonstrado em cena. Guillaume Nicloux parece interessado na distância entre a mulher e o mito. Sarah pode ser arrogante, generosa, cruel, divertida, manipuladora, apaixonada e consciente do poder que exercia sobre os outros. Sandrine Kiberlain abraça todas essas contradições sem tentar transformar a personagem em uma santa. Na interpretação dela o espectador enxerga uma mulher expansiva, teatral mesmo quando está longe dos palcos, capaz de transformar uma conversa íntima em uma espécie de espetáculo particular. O corpo, a voz, os gestos e principalmente o olhar fazem da personagem uma presença que domina cada ambiente em que entra.

A trajetória também passa por um dos episódios mais dramáticos da vida da artista. Em 1905, durante uma apresentação de “Tosca”, no Rio de Janeiro, Sarah sofreu uma grave lesão no joelho após uma queda no palco. O problema se agravaria ao longo dos anos e levaria à amputação da perna direita em 1915. O acontecimento aparece como parte fundamental da narrativa e ajuda a estabelecer um contraste curioso: a mulher que construiu uma imagem pública de força precisa lidar com um corpo que passa a impor limites àquela existência acelerada.

A passagem pelo Brasil acrescenta uma camada particularmente interessante à história. Sarah Bernhardt esteve no país em diferentes momentos e chegou a ser admirada por Dom Pedro II. O filme recupera essa dimensão internacional e evoca também a proximidade com nomes como Victor Hugo, Oscar Wilde, Émile Zola e Sigmund Freud. Sarah viveu num período em que a circulação internacional de artistas ainda exigia viagens longas e complexas. Mesmo assim, conseguiu transformar as turnês em acontecimentos capazes de mobilizar públicos em diferentes continentes.

Sarah Bernhardt compreendeu, antes de a indústria cultural desenvolver suas ferramentas modernas, que uma estrela também precisava saber administrar a própria imagem. Fotografias, cartazes, aparições públicas, histórias sobre sua vida e a maneira como era comentada contribuíam para ampliar a fama dela. Nesse sentido, a personagem parece antecipar uma figura que hoje seria imediatamente reconhecida como uma celebridade global.

Nicloux evita transformar tudo isso em uma biografia cronológica. O tempo se organiza por lembranças e saltos temporais, aproximando diferentes momentos da vida de Sarah. A estrutura permite que passado e presente se contaminem, embora também possa provocar certa sensação de fragmentação. O filme aposta mais na memória e na personalidade da protagonista do que na apresentação organizada de acontecimentos históricos. Visualmente, “A Divina Sarah Bernhardt” encontra uma de suas maiores forças na reconstituição de época. Figurinos, cenários, objetos e direção de arte recriam uma Belle Époque exuberante, marcada pelo luxo e pela teatralidade. A fotografia de Yves Cape acompanha essa atmosfera e ajuda a estabelecer uma diferença visual entre o período de glória e os anos posteriores da protagonista.

O filme ainda se permite uma liberdade que combina com a própria personagem. Sarah Bernhardt aparece como uma figura quase maior do que a realidade, cercada por animais exóticos, festas, admiradores e personalidades célebres. Em vez de desmontar completamente o mito para encontrar uma verdade definitiva, Guillaume Nicloux parece aceitar que Sarah também foi uma invenção de si mesma. Essa liberdade tem um preço. Ao privilegiar a vida afetiva, o filme deixa de explorar diversas dimensões de uma carreira extraordinária. Sarah interpretou mais de uma centena de papéis, administrou teatros, comandou companhias e ajudou a redefinir a relação entre artista, imprensa e público. A produção poderia ter mostrado mais do talento que justificou tamanha devoção. Em determinados momentos, fica a impressão de que o filme está tão interessado na mulher que acaba esquecendo a atriz.

Ainda assim, existe uma inteligência na escolha de apresentar Sarah pelas contradições. Ela é inconveniente, vaidosa, impulsiva e, muitas vezes, insuportável. Ao mesmo tempo, possui uma liberdade que impressiona quando observada a partir do período histórico em que viveu. A vida amorosa, a relação com o próprio corpo e a postura diante das convenções sociais ajudam a explicar porque o nome dela continua provocando interesse mais de um século depois da morte dela.

Ficha técnica
“A Divina Sarah Bernhardt” | “Sarah Bernhardt, La Divine” (Título original)

Gênero: drama, romance, biografia. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 16 de julho de 2026. Idioma: francês. Direção: Guillaume Nicloux. Roteiro: Nathalie Leuthreau. Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar, Pauline Etienne, Mathilde Ollivier, Laurent Stocker, Grégoire Leprince-Ringuet, Clément Hervieu-Léger, Sébastien Pouderoux, Sylvain Creuzevault, Arthur Mazet e Arthur Igual. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.



Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

sábado, 8 de agosto de 2026

“Diva Futura” resgata império erótico e escancara o preço da fama nos anos 80


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.


“Diva Futura” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision e encara um capítulo incômodo e fascinante da cultura pop italiana. Dirigido e roteirizado por Giulia Louise Steigerwalt, o longa-metragem recria os anos 1980 e 1990 a partir da figura de Riccardo Schicchi (Pietro Castellitto), fundador da agência que ajudou a transformar o erotismo em espetáculo midiático e produto de massa. Inspirado no livro “Non Dite Alla Mamma Che Faccio la Segretaria”, de Debora Attanasio, o filme acompanha os bastidores da ascensão de nomes como Ilona Staller, a Cicciolina (Lidija Kordic), e Moana Pozzi (Denise Capezza), personagens que atravessaram a fronteira entre entretenimento adulto e política institucional - Cicciolina chegou ao Parlamento italiano, enquanto Pozzi ensaiou uma candidatura à prefeitura de Roma. A narrativa se ancora no olhar de Debora (Barbara Ronchi), secretária da agência, que observa, de dentro, a engrenagem afetiva e profissional desse grupo improvável.

Steigerwalt, que já havia chamado atenção com “Settembre”, mantém aqui o interesse por personagens femininas em conflito com estruturas sociais rígidas. Ao revisitar a trajetória da Diva Futura, a diretora não se limita ao escândalo: investiga vínculos, disputas, fragilidades e o preço cobrado pela exposição pública. A produção teve estreia mundial em competição no Festival de Veneza 2024, reforçando o peso histórico do material que revisita.

A arte presente no escritório de Schicchi reproduz traços do quadrinista Milo Manara, referência italiana no erotismo ilustrado, e o título do filme só aparece nos créditos finais, gesto que desloca o olhar do espectador para os personagens antes da marca. Com fotografia de Vladan Radovic e trilha de Michele Braga, “Diva Futura” se constrói como um retrato de ambição, desejo e contradição, evitando simplificações sobre um período em que a mídia ampliou vozes e, ao mesmo tempo, moldou destinos.


Ficha técnica
“Diva Futura”
Gênero: drama. Duração: 125 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 16 de julho de 2026. Idioma: italiano. Direção: Giulia Louise Steigerwalt. Roteiro: Giulia Louise Steigerwalt e Debora Attanasio. Elenco: Pietro Castellitto, Denise Capezza, Barbara Ronchi, Lidija Kordic, Tesa Litvan. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

.: Documentário “Lampião, Governador do Sertão” questiona o mito: herói?


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Lampião, Governador do Sertão” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision com fôlego de investigação e gosto por contradição. Dirigido por Wolney Oliveira, que assina o roteiro ao lado de Margarita Hernández, o documentário encara de frente a figura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, sem aliviar nem simplificar. O que se vê é um personagem que ainda provoca disputa de narrativas: herói popular para alguns, líder violento para outros, sempre no centro de um país que nunca resolveu completamente suas próprias tensões.

O longa-metragem costura imagens raras, documentos, depoimentos e registros orais para reconstituir uma trajetória que não cabe em rótulos fáceis. Lampião surge como produto de um tempo e, ao mesmo tempo, como invenção contínua da cultura brasileira. A câmera percorre territórios do Nordeste e recolhe histórias que mantêm o cangaço vivo na memória, na literatura de cordel, no artesanato e no cinema. Esse percurso, aliás, não nasceu agora: o diretor acumula anos de pesquisa e chegou a registrar cerca de 180 horas de material sobre o tema em projetos anteriores, como “Os Últimos Cangaceiros”.

Apresentado no 29º Festival É Tudo Verdade e exibido também no Cine Ceará, o filme ganhou impulso em circuito de festivais antes de encontrar o público mais amplo. A produção ainda coleciona prêmios no Fest Aruanda, incluindo melhor documentário, roteiro, som e edição — reconhecimento que ajuda a dimensionar o cuidado formal do projeto. A trilha original leva a assinatura de DJ Dolores (Helder Aragão), enquanto a fotografia de Rogério Resende acompanha o tom investigativo com rigor e sensibilidade.

Wolney Oliveira, cineasta cearense com formação em Cuba, sustenta uma relação antiga com o universo do cangaço. Há muita pesquisa histórica, relatos de ex-cangaceiros e da própria cultura popular nordestina. Em “Lampião, Governador do Sertão”, essa dedicação aparece sem pressa, deixando que o material respire e revele suas próprias tensões.


Ficha técnica
“Lampião, Governador do Sertão”
Gênero: Documentário. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 2025 (circuito e streaming). Idioma: Português. Direção: Wolney Oliveira. Roteiro: Wolney Oliveira e Margarita Hernández. Elenco: Depoimentos, imagens de arquivo e registros históricos de Virgulino Ferreira da Silva. Distribuição no Brasil: Kajá Filmes / Reserva Imovision (streaming). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

domingo, 2 de agosto de 2026

.: Da era “Bruceploitation”, filme “Jogo da Morte II”, traz Bruce Lee de volta

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Jogo da Morte II” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision como um artefato curioso de um momento em que a indústria de Hong Kong ainda tentava lidar com a ausência de Bruce Lee e, ao mesmo tempo, explorava a imagem dele até o limite. Lançado em 1981, o longa-metragem dirigido por Ng See-yuen, com sequências supervisionadas por Sammo Hung e Corey Yuen, reorganiza fragmentos do astro em uma narrativa de vingança que rapidamente troca de protagonista para seguir com outro corpo em cena.

Na trama, Billy Lo “retorna” em imagens de arquivo enquanto investiga a morte suspeita do amigo Chin Ku. O roteiro, assinado por Ting Chak-luen e Ho Ting-sing, conduz a história por caminhos abruptos até eliminar o personagem e transferir o eixo dramático para Bobby Lo, interpretado por Tong Lung (na verdade Kim Tai-chung), um dos vários dublês associados ao fenômeno que ficou conhecido como “Bruceploitation” - nome dado a uma onda de filmes produzidos após a morte de Bruce Lee, nos anos 1970 e início dos 80, que exploravam a imagem e popularidade dele. Esses longas-metragens usavam dublês fisicamente parecidos, nomes artísticos semelhantes (como Bruce Li, Bruce Le, Dragon Lee) e até cenas reaproveitadas do próprio ator para simular sua presença. 

Era uma estratégia comercial para manter o público atraído pelo mito de Bruce Lee, muitas vezes com resultados irregulares, mas que acabou se tornando um subgênero cult do cinema de artes marciais. A partir daí, o filme assume de vez sua vocação de espetáculo físico, com combates coreografados que sustentam o ritmo mesmo quando a narrativa se mostra irregular. O elenco reúne nomes recorrentes do cinema de artes marciais da época, como Hwang Jang-lee, Roy Horan e Roy Chiao.

Nos bastidores, o projeto carrega a marca da Golden Harvest, produtora que capitalizou o legado de Bruce Lee após sua morte em 1973. Parte das cenas com o ator foi reaproveitada de “Operação Dragão”, estratégia que já havia gerado controvérsia em “Jogo da Morte” (1978), dirigido por Robert Clouse. Em "O Jogo da Morte 2", a montagem tenta integrar melhor esse material, ainda que o resultado revele suas costuras.

Há momentos que beiram o delírio - um caixão roubado por helicóptero durante um funeral, um palácio comandado por um vilão excêntrico cercado por leões - e que ajudam a explicar por que o filme ganhou status de peça cult entre fãs do gênero. Longe de ser unanimidade, “Jogo da Morte II” segue despertando curiosidade por aquilo que representa: um cinema que improvisa, recicla e insiste em transformar ausência em presença.


Ficha técnica
“Jogo da Morte II” | “Si Wang Ta” (título original) | “Torre da Morte” (título em Portugal)
Gênero: ação / artes marciais. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1981. Data de lançamento: 21 de março de 1981. Idioma: cantonês. Direção: Ng See-yuen, Sammo Hung, Corey Yuen. Roteiro: Ting Chak-luen, Ho Ting-sing. Elenco: Bruce Lee, Tong Lung (Kim Tai-chung), Hwang Jang-lee, Roy Horan, Roy Chiao. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: "As Cores do Tempo", novo filme de Cédric Klapisch, em cartaz nos cinemas


Selecionado para o Festival de Cannes e sucesso de público na França, longa chega aos cinemas brasileiros com Suzanne Lindon no papel principal


O premiado cineasta francês Cédric Klapisch, diretor da aclamada trilogia formada por “O Albergue Espanhol”, “Bonecas Russas” e “O Enigma Chinês”, retorna às telas com "As Cores do Tempo", que estreia nos cinemas brasileiros em 30 de julho, com distribuição da Imovision. Selecionado para o Festival de Cannes, o longa conquistou o público francês ao vender quase 1 milhão de ingressos, consolidando-se como um dos destaques do cinema francês recente.

A protagonista é Suzanne Lindon, uma das jovens atrizes mais promissoras do cinema francês, conhecida por seu trabalho em “Jovens Amantes”. Filha do premiado ator Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain, Suzanne conduz uma narrativa que transita entre diferentes épocas para refletir sobre herança, identidade e os laços invisíveis que conectam gerações.

Em "As Cores Do Tempo", quatro primos distantes se reencontram ao herdar uma antiga casa da família, preservada praticamente intacta desde 1940. Enquanto exploram o imóvel, encontram quadros, cartas e objetos da trajetória de Adèle, uma jovem de 20 anos que viveu ali em 1895 antes de partir para Paris em busca de um novo destino.

À medida que acompanham os passos dessa familia enigmática, passado e presente passam a dialogar de forma surpreendente. A investigação sobre a vida de Adèle revela segredos familiares esquecidos e proporciona uma viagem no tempo para a França da Belle Époque, com as contribuições das obras de grandes artistas como Claude Monét, estabelecendo paralelos entre os desafios enfrentados no final do século XIX e aqueles vividos pelos descendentes em 2025, em uma narrativa sensível sobre o universo artístico, memória e transformação.

Com seu olhar característico para as relações humanas, Cédric Klapisch constrói um filme que combina drama, emoção e delicadeza, reafirmando sua habilidade em retratar personagens em momentos decisivos de suas vidas. “Passado, presente e uma generosa dose de licença poética se fundem de forma divertida em As Cores do Tempo”, elogiou o veículo Screen Daily. Já a Variety afirmou que “o genial filme de Cédric Klapisch fala sobre arte e ancestralidade, com uma narrativa em duas linhas temporais, que agrada ao público”. 


Leia+

.: Crítica: "As Cores do Tempo" é espiral constante de vivências geracionais

.: Crítica: "O Próximo Passo" ensina a viver as vidas que a vida dá

.: Crítica: "O Renascimento" é imperdível comédia sobre arte e sua feitura

.: Crítica "A Musa de Bonnard" é delicadeza sobre Bonnard e Marthe

.: Crítica: "Sob as Estrelas" comove e inspira enquanto enche os olhos

.: Crítica: "O Sabor da Vida" é história de amor pela culinária e cozinheira

sábado, 25 de julho de 2026

.: “Infantaria” revela violência doméstica em narrativa densa e inquieta


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O filme “Infantaria” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision dentro da Mostra Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens, apostando na potência do formato curto para lidar com temas espinhosos. Dirigido e escrito por Laís Santos Araújo, o curta coloca uma festa de aniversário no centro de um território instável: uma casa sem pai, desejos que se acumulam e uma presença inesperada que bagunça qualquer ideia de controle.

Joana, que completa dez anos, quer menstruar logo. O irmão, Dudu, deseja a volta do pai militar. A adolescente Verbena aparece sem convite e, a partir daí, o clima muda completamente. O que parecia rito de passagem vira algo pesado. A diretora conduz esse encontro com olhar atento para o feminino e para a violência que ronda relações familiares marcadas por ausências e autoridades mal-resolvidas.

No elenco, Ane Oliva se destaca ao lado de Ana Luiza Ferreira Santos, Karolayne Raissa e Francisco Nunes. A câmera de Wilssa Esser captura um Brasil úmido e denso, em que o ambiente participa ativamente da narrativa. A montagem, assinada pela própria diretora, sustenta o desconforto sem recorrer a atalhos, enquanto o desenho de som de Leo Bulhões amplia a tensão.

O curta não passou despercebido no circuito de festivais. Em Alagoas, virou protagonista na Mostra Sururu de Cinema ao conquistar sete prêmios, incluindo Melhor Filme pelo júri oficial e popular, além de reconhecimento técnico e de atuação . Também circulou por eventos como o Cine Ceará, onde rendeu à diretora o Troféu Mucuripe, e garantiu espaço em debates sobre o cinema feito fora do eixo tradicional.

Há um dado que chama atenção: Laís Santos Araújo já vinha acumulando trajetória consistente antes de “Infantaria”. Foi a primeira mulher em Alagoas a vencer um edital de longa-metragem no estado e teve projetos reconhecidos internacionalmente, como o roteiro de “Marina”, que passou por laboratórios e fundos estrangeiros . Esse percurso se reflete na segurança com que ela articula imagens, corpos e conflitos.

Filmado na Barra de São Miguel e finalizado em Maceió, o curta carrega o peso e a beleza de um cinema regional que não se limita ao rótulo. A produção contou com apoio da Lei Aldir Blanc, reforçando o impacto de políticas públicas no fortalecimento do audiovisual local. Em 24 minutos, “Infantaria” não resolve tudo, mas prefere provocar, deixar marcas e sair de cena com ecos difíceis de ignorar.


Ficha técnica
“Infantaria” (título original) 
Gênero: curta-metragem, drama. Duração: 24 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2022. Idioma: português. Direção e roteiro: Laís Santos Araújo. Elenco: Ane Oliva, Ana Luiza Ferreira Santos, Karolayne Raissa, Francisco Nunes, José “Zé” Nunes, Renan Ferreira da Silva. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Curta-metragem “Beijo de Sal” expõe amizade e implode certezas masculinas


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beijo de Sal”, curta-metragem dirigido por Fellipe Barbosa, estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision como parte da coleção “Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens”, que reúne histórias breves e contundentes. Lançado originalmente em 2005, o filme circulou por festivais relevantes - venceu o Curta Cinema (Rio, 2006) e marcou presença em Gramado, Sundance e Clermont-Ferrand -, consolidando o nome do diretor ainda no início da carreira.

Ambientado em uma ilha isolada na Costa Verde do Rio de Janeiro, o filme acompanha Rogério (Rogério Trindade), um quarentão hedonista que vive entre festas e excessos. A rotina muda quando ele recebe o amigo Paulo (Domingos Alcântara), agora comprometido, acompanhado da nova parceira. O encontro, que deveria ser uma celebração de velhos tempos, vira campo de disputa. Rogério tenta resgatar o amigo para uma vida que já não cabe mais, enquanto a presença feminina tensiona uma relação marcada por dependência, ciúme e disputas de território.

O roteiro, assinado pelo próprio Fellipe Barbosa, investe em diálogos diretos e situações que flertam com o desconforto. A dinâmica entre os personagens escancara ambiguidades afetivas, sugerindo camadas que ultrapassam a amizade convencional. Em entrevistas à época, o diretor comentou que relações muito próximas podem carregar zonas de ambiguidade emocional, leitura que o filme sustenta sem didatismo. No elenco, além de Rogério Trindade e Domingos Alcântara, aparecem Suzana Pires, Pollyanna Simões, Mônica Bresser, Juliana Gonçalves, Eduardo Dargains e Bruno Mendes. O conjunto sustenta a atmosfera crua da narrativa, que não suaviza conflitos, nem busca conciliação.

A recepção crítica foi marcada por reações divididas. Parte do público destacou a ousadia temática e a execução técnica, enquanto outros apontaram incômodo com determinadas escolhas visuais - especialmente na cena final, pensada pelo diretor como metáfora de marcação de território. Ainda assim, o filme ganhou fôlego em revisões posteriores, sendo reconhecido pela construção de personagens e pela coragem em tratar de masculinidade, posse e desejo sem fazer nenhuma concessão. Com menos de 20 minutos, “Beijo de Sal” entrega um recorte intenso sobre amizade e transformação. 


“Beijo de Sal”
Gênero: drama, curta-metragem. Duração: 19 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2005. Idioma: português. Direção e roteiro: Fellipe Barbosa. Elenco: Rogério Trindade, Domingos Alcântara, Suzana Pires, Pollyanna Simões, Mônica Bresser, Juliana Gonçalves, Eduardo Dargains, Bruno Mendes. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: “Jogo da Morte”: filme inacabado de Bruce Lee revela bastidores incômodos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Jogo da Morte” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision carregando um peso que poucos filmes sustentam: a ausência do próprio protagonista. Lançado em 1978, cinco anos após a morte de Bruce Lee, o longa-metragem dirigido por Robert Clouse foi remontado a partir de material incompleto, dublês e decisões que ainda hoje dividem fãs e críticos. Na trama, Billy Lo (Bruce Lee), astro do cinema de artes marciais, recusa a proteção - e o controle - de uma organização criminosa. A resposta vem em forma de atentados. Para sobreviver, ele simula a própria morte e retorna às sombras, disposto a desmontar o esquema por dentro. O enredo do filme, cujo título original é “Game of Death” e em Portugal se chama “O Último Combate de Bruce Lee”, vai direto ao ponto e serve de trilho para sequências de luta que alternam vigor e improviso técnico.

A produção carrega marcas visíveis de uma produção conturbada. Lee havia iniciado o projeto em 1972, com uma ideia mais ambiciosa: um percurso filosófico e físico por uma torre, enfrentando adversários em cada nível - conceito que ficou célebre na sequência final. Com a morte repentina do ator, vítima de edema cerebral em 1973, o projeto foi interrompido. Coube a Clouse - que já havia dirigido o astro em “Operação Dragão” - finalizar o material com um novo roteiro, incorporando dublês, cenas de arquivo e até imagens reais do funeral de Lee.

Essa costura irregular aparece em cena. Em vários momentos, o rosto do protagonista é ocultado ou recriado de forma rudimentar, enquanto o corpo pertence a outro intérprete. Ainda assim, quando Lee de fato surge - especialmente no confronto com o gigante Kareem Abdul-Jabbar - o filme ganha outra atmosfera. São minutos que lembram por que o nome dele marcou a história do cinema. 

Entre as curiosidades que cercam a produção, destaca-se o uso de mais de 30 minutos de material original filmado por Lee, além da participação de nomes próximos ao ator, como Dan Inosanto, seu colaborador nas coreografias. O icônico macacão amarelo com listras pretas, criado para o filme, se tornaria referência pop replicada em obras posteriores. Também chama atenção o fato de a versão final ter abandonado quase completamente a proposta filosófica original do artista, substituída por uma narrativa de vingança mais convencional. Há cortes bruscos, soluções apressadas e escolhas discutíveis. Ainda assim, resiste como documento de um projeto interrompido e de um artista que não chegou ao fim do próprio filme.


Ficha técnica
“Jogo da Morte” | “Game of Death” (título original) | “O Último Combate de Bruce Lee” (título em Portugal)
Gênero: ação / artes marciais. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1978. Idioma: inglês e cantonês. Direção e roteiro: Robert Clouse, Bruce Lee. Elenco: Bruce Lee, Colleen Camp, Robert Wall, Gig Young, Dean Jagger, Kareem Abdul-Jabbar. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: Julio Medem reconstrói a história e coloca açúcar em “8 Décadas de Amor”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A trajetória de um amor que insiste em sobreviver ao tempo e às agruras de um país move “8 Décadas de Amor”, novo longa de Julio Medem que chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Conhecido por obras como “Lúcia e o Sexo” e “Os Amantes do Círculo Polar”, o cineasta espanhol constrói uma narrativa guiada por coincidências, circularidade e afetos em permanente tensão. Protagonizado por Javier Rey e Ana Rujas, o filme acompanha Octavio e Adela, nascidos em 14 de abril de 1931, marco da proclamação da Segunda República Espanhola.

Embora compartilhem origem temporal e geográfica, pertencem a universos sociais opostos. Ele cresce em um ambiente privilegiado; ela, em uma realidade marcada pela escassez. Ao longo de oito décadas, seus caminhos se cruzam em encontros intensos e desencontros que deixam marcas, enquanto a Espanha atravessa guerra civil, ditadura e redemocratização. Dividido em oito episódios, muitos deles encenados em planos-sequência, o longa-metragem percorre quase um século de história europeia sem abandonar o eixo íntimo dos personagens. A direção de fotografia de Rafael Reparaz aposta em variações de cor e textura para situar cada período, enquanto a trilha de Lucas Vidal sublinha o tom romântico que sustenta a narrativa. No elenco de apoio, nomes como Álvaro Morte, Tamar Novas e Carla Díaz ampliam o mosaico de relações que orbitam o casal central.

Premiado pelo público no Festival de Málaga, “8 Décadas de Amor” revela a ambição de Medem em articular história coletiva e experiência privada. Em entrevistas à imprensa europeia, o diretor destacou o desejo de abordar temas como polarização social, memória e transformação do papel feminino ao longo do século XX. A estrutura fragmentada, com saltos temporais, ecoa essa intenção ao transformar o romance em espécie de fio condutor para atravessar diferentes momentos históricos.

Há também um componente simbólico evidente na repetição do número oito, que organiza a narrativa e sugere ciclos, retornos e permanências. Essa escolha dialoga com a filmografia do diretor, frequentemente interessada em destinos que se cruzam de forma quase inevitável. Ao mesmo tempo, a dimensão histórica ganha peso ao inserir os personagens em eventos que moldaram a identidade espanhola contemporânea. Com 2h06 de duração, o longa aposta em um ritmo contemplativo, sustentado por reencontros que carregam tanto desejo quanto frustração. Entre escolhas pessoais e imposições externas, Octavio e Adela seguem caminhos distintos - inclusive ao lado de outros parceiros -, mas mantêm um vínculo que resiste às rupturas.

Ficha técnica
“8 Décadas de Amor” | “8” (Título original)
Gênero: drama, romance. Duração: 126 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 11 de junho de 2026. Idioma: espanhol. Direção e roteiro: Julio Medem. Elenco: Javier Rey, Ana Rujas, Álvaro Morte, Tamar Novas, Carla Díaz. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

domingo, 12 de julho de 2026

.: “Mãe D’Água”: documentário revela ritual inédito e tensiona fronteiras


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mãe D’Água”, novo documentário dirigido por Karim A. Soumaïla, estreia na estreia plataforma de streaming Reserva Imovision com um mergulho sensível e rigoroso em práticas espirituais e na memória viva do povo Kariri-Xocó. A produção acompanha o próprio cineasta franco-africano em uma jornada de iniciação ao ritual da jurema, conduzida dentro da aldeia, em Alagoas, território historicamente marcado por disputas e resistência cultural.

A presença de Soumaïla no ritual carrega um peso simbólico: pela primeira vez na história recente, a comunidade autoriza a participação de um estrangeiro nesse processo, tradicionalmente restrito. A decisão amplia o alcance do filme e transforma a experiência em registro raro, que articula pertencimento, escuta e responsabilidade. O diretor não se coloca como observador distante; assume o risco da vivência e incorpora ao filme as tensões desse encontro.

Ao longo de 53 minutos, “Mãe D’Água” constrói um percurso que cruza espiritualidade, identidade e política. A narrativa percorre histórias de luta pela terra, evidencia vínculos entre povos indígenas e afrodescendentes e recupera memórias que permanecem fora dos arquivos oficiais. A jurema, elemento central do ritual, aparece não apenas como prática religiosa, mas como elo entre gerações e forma de preservação de saberes ancestrais.

Karim A. Soumaïla, conhecido por trabalhos que investigam deslocamentos culturais e identitários, mantém aqui uma abordagem direta, com imagens que privilegiam o tempo do ritual e a escuta dos participantes. O documentário evita didatismos e aposta na experiência como forma de aproximação, convidando o espectador a acompanhar um processo que altera a percepção do próprio realizador sobre o Brasil e sobre si.

Produzido no Brasil, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre território, ancestralidade e reconhecimento, ampliando o olhar para comunidades que seguem defendendo seus modos de vida diante de pressões externas. A estreia na Reserva Imovision reforça o espaço do documentário como instrumento de circulação dessas narrativas.

Ficha técnica
“Mãe D’Água” 
Gênero: documentário. Duração: 53 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: português. Direção e roteiro: Karim A. Soumaïla. Elenco: Povo Kariri-Xocó e Karim A. Soumaïla. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

sábado, 11 de julho de 2026

.: Alanté Kavaïté conduz “Beladona” e desafia o olhar sobre a finitude


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beladona” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em uma ficção científica de atmosfera rarefeita para encarar um tema que ainda provoca desconforto: o envelhecimento. Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, o longa-metragem francês parte de uma premissa inquietante para construir sua narrativa. Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz), uma jovem que vive isolada em uma ilha cuidando de um grupo de idosos que escaparam de uma política estatal que os remove do convívio social. A rotina, marcada por um equilíbrio frágil, ganha novos contornos com a chegada de Aline (Daphné Patakia), David (Dali Benssalah) e uma criança. O que parece sopro de vitalidade logo se converte em tensão: os moradores mais velhos começam a morrer, um a um, enquanto a suspeita cresce em torno dos visitantes.

Exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, o filme dialoga com discussões contemporâneas sobre etarismo e políticas de controle dos corpos. A própria diretora revelou, em entrevistas à imprensa europeia, que o roteiro começou a ser desenvolvido ainda em 2016, mas ganhou novas camadas durante a pandemia de Covid-19, quando a vulnerabilidade da população idosa passou a ocupar o centro do debate global. Essa experiência atravessa a construção dramática do longa, especialmente na maneira como o cuidado é tensionado pela liberdade.

Kavaïté, que também assina o roteiro, opta por acompanhar o ponto de vista de quem cuida, e não dos idosos, escolha que desloca o eixo tradicional dessas narrativas. Gaëlle surge como uma personagem em conflito: ao mesmo tempo em que protege, também restringe, revelando contradições que atravessam relações afetivas marcadas pela finitude. Há ecos evidentes de outras produções recentes que exploram distopias sobre envelhecimento, como o brasileiro “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro - comparação reconhecida pela própria diretora. Ainda assim, “Beladona” prefere um caminho mais introspectivo, investindo em uma encenação contida, fotografia de luz natural e uma narrativa que preserva lacunas. O resultado pode dividir o público: enquanto alguns embarcam na ambiguidade proposta, outros podem sentir falta de respostas mais concretas.

O elenco reúne nomes experientes como Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart e Jean-Claude Drouot, que ajudam a sustentar a tensão silenciosa que percorre o filme. Nadia Tereszkiewicz, por sua vez, carrega o peso dramático da protagonista com intensidade contida, reforçando a sensação de isolamento que define a obra. Sem recorrer a grandes reviravoltas, “Beladona” aposta em uma inquietação progressiva. O filme provoca ao encarar o envelhecimento sem romantização, abrindo espaço para discutir desejo, autonomia e os limites do cuidado em uma sociedade que ainda hesita em lidar com a velhice de forma plena.


Ficha técnica
“Beladona” | “Belladone” (Título original) 
Gênero: ficção científica, drama. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção e roteiro: Alanté Kavaïté. Elenco: Nadia Tereszkiewicz, Daphné Patakia, Dali Benssalah, Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart, Jean-Claude Drouot. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: Bruce Lee explode na tela e redefine o kung fu em “A Fúria do Dragão”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Segundo filme de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” chega ao catálogo da plataforma de streaming Reserva Imovision reafirmando o impacto duradouro de Bruce Lee no cinema de ação. Dirigido e escrito por Wei Lo, o longa de 1972 - originalmente intitulado “Jing Wu Men” e conhecido em mercados internacionais como “Fist of Fury”, além de receber em Portugal o título “O Invencível” - permanece como uma peça-chave na consolidação do kung fu nas telas e na construção do mito em torno de seu protagonista.

A trama acompanha Chen Zhen (Bruce Lee), discípulo do mestre Huo Yuanjia, que retorna a Xangai para se casar e encontra seu mentor morto sob circunstâncias suspeitas. Durante o funeral, a humilhação imposta por um dojo japonês acirra tensões já latentes. Ao descobrir que houve envenenamento, Chen abandona qualquer contenção e parte para uma escalada de vingança que rapidamente ganha contornos trágicos. O elenco reúne ainda Nora Miao, James Tien, Maria Yi e Robert Baker, compondo um quadro típico das produções da Golden Harvest no início dos anos 1970.

Filmado em Hong Kong com orçamento modesto, o longa-metragem transformou limitações em estilo. As cenas de luta, coreografadas pelo próprio Bruce Lee, apostam na contundência dos golpes e na fisicalidade do ator, afastando-se do tom mais coreografado que dominava o gênero até então. Foi também nesse filme que Lee popularizou o uso do nunchaku no cinema, elemento que se tornaria inseparável da imagem dele.

O contexto histórico, ambientado na Xangai sob influência estrangeira no início do século XX, ecoa tensões reais entre chineses e japoneses, ainda frescas na memória coletiva à época da produção. Essa camada política impulsionou a recepção do filme na Ásia, onde se tornou um enorme sucesso de bilheteria e ajudou a projetar Bruce Lee internacionalmente. Nos Estados Unidos, chegou a ser relançado como “The Chinese Connection”, em uma tentativa de evitar confusão com o título anterior do ator.

Há curiosidades que ampliam o fascínio em torno do filme. Jackie Chan aparece brevemente como figurante em cenas de luta, antes de se tornar estrela global. O próprio Bruce Lee dublou o vilão interpretado por Robert Baker nas versões em mandarim e cantonês. Divergências criativas e pessoais levaram Lee a romper com o diretor Wei Lo após este trabalho, encerrando uma parceria que havia rendido seus primeiros sucessos no cinema. E o final abrupto, congelado no instante de um salto em direção ao confronto inevitável, tornou-se uma das imagens mais lembradas de sua filmografia.

“A Fúria do Dragão” se sustenta pela presença magnética de Bruce Lee e pela intensidade de suas sequências de combate. O filme cristaliza a figura do herói que reage à humilhação com fúria e paga o preço por isso continua sendo um retrato que dialoga com o imaginário de resistência de uma época e segue mobilizando plateias décadas depois.

Ficha técnica
“A Fúria do Dragão” | “Jing Wu Men” (título original) | “O Invencível” (título em Portugal)
Gênero: ação, drama. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1972. Data de lançamento: 22 de março de 1972 (Hong Kong). Idioma: mandarim, cantonês e inglês. Direção e roteiro: Wei Lo. Elenco: Bruce Lee, Nora Miao, James Tien, Maria Yi, Robert Baker, Fu Ching Chen, Shan Chin, Ying-Chieh Han, Chikara Hashimoto. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision (streaming). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

.: Quintas de luta e cinema: a coleção Bruce Lee em foco na Reserva Imovision


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Toda quinta-feira, o público tem encontro marcado com um verdadeiro ritual cinematográfico: a revisitação de um clássico essencial da Coleção Bruce Lee. A programação, em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision, abre com "O Dragão Chinês" e percorre uma sequência de títulos que não apenas marcaram época, mas ajudaram a redefinir o cinema de ação no mundo, como "A Fúria do Dragão", "O Voo do Dragão" - dirigido pelo próprio Bruce Lee - e os eletrizantes "Jogo da Morte" I e II. A estreia no streaming é uma oportunidade rara de acompanhar, em ordem, a construção de um mito e a consolidação de uma linguagem que influenciaria gerações.

Mas a experiência não se limita à força física ou à precisão coreográfica. Há também um componente sensorial que amplia o impacto dessas obras. Em "O Dragão Chinês", por exemplo, uma curiosidade que atravessa décadas chama a atenção dos mais atentos: em algumas versões do filme, é possível identificar trechos de músicas da banda Pink Floyd inseridos de forma não creditada na trilha sonora. Um detalhe quase clandestino, que revela tanto sobre práticas da época quanto sobre o diálogo inesperado entre culturas e que adiciona uma camada ainda mais fascinante à experiência.

Testemunhar "O Dragão Chinês", filme que abre a Mostra na Reserva Imovision, é assistir ao nascimento de uma lenda. Dirigido por Wei Lo e Chia-Hsiang Wu, o longa-metragem apresenta ao mundo a presença magnética de Bruce Lee em sua primeira grande atuação como protagonista. Na trama, Cheng é um jovem que tenta honrar um juramento de não violência, até ser empurrado ao limite ao descobrir uma rede criminosa infiltrada em uma fábrica de gelo na Tailândia. O que se segue é uma explosão de intensidade: golpes secos, movimentos milimetricamente coreografados e uma energia crua que atravessa a tela. Ali, mais do que um filme, nasce um novo código para o cinema de ação — direto, visceral e absolutamente inesquecível. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.