domingo, 5 de maio de 2019

.: Dossiê Cazuza: tudo sobre aquele garoto que ia mudar o mundo


Mais conhecido como Cazuza, Agenor de Miranda Araújo Neto foi um cantor, compositor, poeta e letrista brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 4 de abril de 1958 e morreu em 7 de julho de 1990. Ficou conhecido como o vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho, na qual fez uma bem sucedida parceria com Roberto Frejat, para depois seguir carreira solo, sendo aclamado pela crítica como um dos principais poetas da música brasileira.

Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual. Em 1989, declarou ser soropositivo (termo usado para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), e morreu em 1990, no Rio de Janeiro. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Cazuza na 34ª posição.

Filho de João Araújo (1935-2013), produtor fonográfico e de Lucinha Araújo (1936), Cazuza recebeu o apelido mesmo antes do nascimento. Agenor foi recebido por insistência da avó paterna. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu nome de batismo, por isso não respondia à chamada na escola. Só mais tarde, quando descobre que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade, Angenor, por um erro do cartório), é que Cazuza começa a aceitar o nome.

Cazuza sempre teve contato com a música. Influenciado desde pequeno pelos grandes nomes da música brasileira, ele tinha preferência pelas canções dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Era também grande fã da roqueira Rita Lee, para quem chegou a compor a letra da canção "Perto do Fogo", que Rita musicou. 

Cresceu no bairro do Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio até mudar para o Colégio Anglo-Americano para evitar reprovação. Como os pais às vezes saíam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, Alice. Por volta de 1965, começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. A mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos.

Em 1972, tirando férias em Londres, Cazuza conheceu as canções de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, e logo tornou-se um grande fã. Por causa da promessa do pai, que disse que lhe presentearia com um carro caso ele passasse no vestibular, Cazuza foi aprovado em Comunicação em 1976, mas desistiu do curso três semanas depois. Mais tarde, começou a frequentar o Baixo Leblon, onde levou uma vida boêmia. Assim, João Araújo criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, da qual foi fundador e presidente.

Na Som Livre, Cazuza trabalhou no departamento artístico, onde fez triagem de fitas de novos cantores. Logo depois, trabalhou na assessoria de imprensa, onde escreveu releases para divulgar os artistas. No final de 1979, fez um curso de fotografia na Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos. Lá, descobriu a literatura da Geração Beat, os chamados poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira. 

Em 1980, retornou para o Rio de Janeiro, onde ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador. Foi nessa época que Cazuza cantou em público pela primeira vez. O cantor e compositor Leo Jaime, convidado para integrar uma nova banda de rock de garagem que se formava no bairro carioca do Rio Comprido, não aceitou, mas, indicou Cazuza aos vocais. Daqueles ensaios na casa do tecladista Maurício Barros, nasceu o Barão Vermelho.

O Barão Vermelho, que até então era formado por Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria), gostou muito do vocal berrado de Cazuza. Em seguida, Cazuza mostra à banda letras que havia escrito e passa a compor com Roberto Frejat, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que antes só tocava covers, passa a criar um repertório próprio. Após ouvir uma fita demo da banda, o produtor Ezequiel Neves convence o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo a apostar no Barão.


Barão Vermelho – "Barão Vermelho" (Edição Especial 30 Anos)
Relançamento: 1 de outubro de 2012

Com uma produção barata e gravado em apenas dois dias, é lançado em 1982 o primeiro álbum homônimo da banda, "Barão Vermelho". Das canções mais importantes, destacam-se "Bilhetinho Azul", "Ponto Fraco", "Down Em Mim" e "Todo Amor Que Houver Nessa Vida". 

Apesar de ser aclamado pela crítica, o disco vendeu apenas sete mil cópias. O álbum de estreia do Barão vermelho foi um dos álbuns inaugurais da cena do rock brasileiro dos anos 80. Embora não tenha feito sucesso na época, com o passar do tempo, tornou-se referência na música nacional. 

A sonoridade roqueira com letras poéticas já eram notáveis nas composições de Cazuza. “Todo Amor que Houver Nessa Vida” foi incluída por Caetano Veloso em seu show no ano de 1983. O álbum foi produzido por Ezequiel Neves que, depois de ouvir uma fita demo, convenceu o pai de Cazuza e então presidente da Som Livre, João Araújo, a gravar o álbum.

Em 2012, o álbum recebeu uma nova edição comemorativa aos seus 30 anos. O relançamento do primeiro álbum do Barão Vermelho de 1982, em uma edição especial, com surpresas. Para começar, o projeto foi todo remixado pelos músicos da banda, que mudaram o volume e timbre dos instrumentos. Além de matar saudade de clássicos do rock brasileiro como: “Down em Mim”, “Bilhetinho Azul” e “Todo o Amor Que Houver Nessa Vida”, o público poderá curtir as inéditas: “Nós” e “Sorte e Azar”, e um take alternativo de “Por Aí”. 

“Sorte e Azar” é a última composição da parceria entre Cazuza e Frejat e teve sua base regravada pelo Barão utilizando a voz de Cazuza, retirada das fitas originais. Uma curiosidade é que a música foi cortada do primeiro vinil porque o produtor Ezequiel Neves, por superstição, não quis incluir a canção com a palavra “Azar”. O encarte é uma adaptação do vinil, mas traz mais fotos do início da banda e depoimentos de quem viveu esse período bem de perto: Guto Graça Mello, Caetano e Leo Jaime. 

1. Posando de Star 
2. Down Em Mim 
3. Conto de Fadas 
4. Billy Negão 
5. Certo Dia na Cidade 
6. Rock’n Geral 
7. Ponto Fraco 
8. Por Aí 
9. Todo o Amor Que Houver Nessa Vida 
10. Bilhetinho Azul 
11. Sorte e Azar (faixa bônus)
12. Nós (faixa bônus)
13. Por Aí (faixa bônus)
14. Down em Mim ((faixa bônus)




Barão Vermelho – "Barão Vermelho 2"
Lançamento: 1983
Gravação: 12 de abril a 15 de junho de 1983 

Depois de alguns shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, a banda voltou ao estúdio e com uma melhor produção gravou o disco "Barão Vermelho 2", lançado em 1983. Esse disco vendeu 15 mil cópias. Foi nessa fase que, durante um show no Canecão, Caetano Veloso apontou Cazuza como o maior poeta da geração e criticou as rádios por não tocarem a banda. 

Na época, as rádios só tocavam pop brasileiro e MPB. O rótulo de "banda maldita" só abandonou o Barão Vermelho quando o cantor Ney Matogrosso gravou "Pro Dia Nascer Feliz". Era o empurrão que faltava, e a banda ganhou vida própria. "Barão Vermelho 2" é o segundo álbum da banda de rock. Assim como o primeiro, "Barão Vermelho 2" não conquista boas vendagens. Só depois que Ney Matogrosso regrava com sucesso uma de suas faixas, "Pro Dia Nascer Feliz", é que as rádios passam a executar a versão original do Barão que se torna seu primeiro hit.

1. Intro/Menina Mimada 
2. O Que A Gente Quiser 
3. Vem Comigo 
4. Bicho Humano 
5. Largado no Mundo 
6. Carne de Pescoço  
7. Pro Dia Nascer Feliz 
8. Manhã Sem Sono  
9. Carente Profissional 
10. Blues do Iniciante 



Barão Vermelho – "Maior Abandonado"
Lançamento: 1 de janeiro de 1984

"Maior Abandonado" é o terceiro álbum da banda  Barão Vermelho, lançado em 1984. É considerado o melhor álbum da banda, tanto pela crítica especializada como pelo público. Foi o último álbum com a formação original, com Cazuza nos vocais, Roberto Frejat na guitarra, Dé Palmeira no baixo, Maurício Barros nos teclados e Guto Goffi na bateria.

Após “Pro Dia Nascer Feliz” virar um hit no Brasil, a banda é convidada para compor e gravar o tema do filme "Bete Balanço". “Bete Balanço” torna-se a música de maior sucesso da banda impulsionando o filme, que vira sucesso de bilheteria. A música também impulsiona as vendagens do terceiro disco do Barão, "Maior Abandonado", lançado em outubro de 1984, que conquista disco de ouro. Outros sucessos do álbum são: “Maior Abandonado” e “Por Que a Gente é Assim?”. Ainda em 1984, é lançado o single “Eu Queria Ter Uma Bomba” (que faz parte da trilha sonora da telenovela "A Gata Comeu"). A banda se apresentou no Rock in Rio em janeiro de 1985 e foi uma das poucas bandas brasileiras a não ser vaiada.

1. Maior Abandonado 
2. Baby Suporte 
3. Sem Vergonha 
4. Você se Parece com Todo Mundo 
5. Milagres 
6. Não Amo Ninguém 
7. Por Que a Gente É Assim? 
8. Narciso 
9. Nós 
10. Dolorosa 
11. Bete Balanço



Cazuza – "Exagerado"
Lançamento:  1985 - Som Livre

"Exagerado" é o primeiro álbum de Cazuza, lançado em 1985. Foi o primeiro álbum lançado pelo cantor após sair do Barão Vermelho, e até hoje vendeu quase 750 mil cópias.

1. 
Exagerado
2. Medieval II
3. Cúmplice
4. Mal Nenhum
5. Balada de um Vagabundo
6. Codinome Beija-Flor
7. Desastre Mental
8. Boa Vida
9. Só as Mães São Felizes
10. Rock da Descerebração



Cazuza – "Só Se For a Dois" 
Lançamento: 1987

"Só Se For a Dois" foi gravado no fim de 1986 e lançado no ano seguinte por conta de problemas com a gravadora. A Som Livre, braço das Organizações Globo, era dirigida pelo pai de Cazuza, João Araújo, e estava dispensando seu elenco para se dedicar apenas ao lançamento de trilhas sonoras de novelas. Cazuza teve seu segundo disco lançado pela Polygram, que o contratou logo após. 

A musicalidade dele já se mostrava muito mais evoluída, cada vez mais distante das sonoridades perpetradas pelo Barão Vermelho. A banda que Cazuza arregimentara para o novo trabalho também fazia a diferença, sobretudo pela presença do baixista Nilo Romero e do guitarrista Rogério Meanda. 

O próprio Cazuza diria estar exercitando um lado “cantor de churrascaria” no disco, algo fora do rock. E estava mesmo. As interpretações são mais cuidadosas, mais contidas e elegantes. Canções como "Lobo Mau da Ucrânia" ou "Balada do Esplanada", que não chegaram a fazer sucesso, são pequenos achados dentro da poesia típica do cantor. Assim também o são "Heavy Love" e a faixa título.

O grande fascínio de "Só Se For A Dois" reside numa trinca de canções que estão no Top 5 da carreira de Cazuza. O primeiro hit do disco, "O Nosso Amor a Gente Inventa (Uma Estória Romântica)" é um pequeno primor de beleza, parceria de Cazuza com Nilo Romero e o tecladista João Rebouças. Versos como "te ver não é mais tão bacana quanto a semana passada" ou "o teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer, o meu, poesia de cego, você nem pode ver" são exemplos da evolução da estética cazuziana no que diz respeito a letras de amor. 

Neste mesmo caminho segue a segunda grande canção do disco, "Solidão que Nada", parceria com o Kid Abelha George Israel e Nilo Romero, que vai num arranjo mais lento e melancólico. O refrão on the run traz "viver é bom nas curvas da estrada, solidão, que nada", bem no espírito do rock nacional oitentista amadurecendo em meio aos holofotes da superexposição.

O grande momento do álbum vem em "Vai À Luta", que se vale de arranjo pop soul, com metais e andamento curvilíneo. A letra de Cazuza fala sobre a fama fácil, o deslumbramento como consequência natural e se encaixa perfeitamente na melodia criada pelo guitarrista Rogério Meanda. Os versos originais "eu te avisei, vai à luta, marca o teu ponto na justa" foram subvertidos em um programa na Rádio Transamérica FM da época para "eu te avisei, vai à luta, marca um encontro com a Xuxa", do tempo em que havia shows ao vivo nas rádios em programas especiais, feitos com visitas dos artistas aos estúdios das emissoras.

1. Só Se for À Dois Cazuza

2. Ritual Cazuza
3. O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)
4. Culpa de Estimação
5. Solidão Que Nada
6. Completamente Blue
7. Vai À Luta
8. Quarta-Feira
9. Heavy Love
10. O Lobo Mau da Ucrânia
11 Balada do Esplanada



Cazuza – "Ideologia" 
Lançamento: 1988

Ideologia é o terceiro álbum solo de Cazuza, lançado em 1988. É um disco conceitual e é também considerado o seu melhor álbum de estúdio e ganhou o Prêmio Sharp de melhor álbum, no ano de seu lançamento. 

É considerado um de seus melhores álbuns e nele Cazuza fala sobre sua relação com a aids e com a morte. A capa do álbum causou certa polêmica pois misturava suásticas e estrelas de Davi. "Ideologia" vendeu até hoje mais de dois milhões de cópias.

1. Ideologia
2. Boas Novas
3. O Assassinato da Flor
4. A Orelha de Eurídice
5. Guerra Civil
6. Brasil
7. Um Trem Para as Estrelas
8. Vida Fácil
9. Blues da Piedade
10. Obrigado (Por Ter Se Mandado)
11. Minha Flor Meu Bebê
12. Faz Parte do Meu Show



Cazuza – "O Tempo Não Pára – Ao Vivo"
Lançamento: 1989


O Tempo não Para é o quarto álbum solo de Cazuza, sendo o último registro ao vivo. Foi gravado durante a turnê do disco Ideologia, nos dias 14, 15, e 16 de outubro de 1988 no Canecão, Rio de Janeiro.

É considerado por muitos seu melhor trabalho e conta com sucessos de toda a carreira solo e da carreira com o Barão Vermelho também. O show foi dirigido por Ney Matogrosso, cantor e amigo de Cazuza.

A canção “O Tempo não Para”, tirada do disco, teve enorme sucesso em todo o Brasil e logo se tornou um clássico de Cazuza. O disco também é o mais vendido do cantor, com mais de 1 milhão de cópias comercializadas.

1. Vida Louca Vida (ao vivo)

2. Boas Novas (ao vivo)
3. Ideologia (ao vivo)
4. Todo o Amor Que Houver Nessa Vida (ao vivo)
5. Codinome Beija-Flor (ao vivo)
6. O Tempo Não Pára (ao vivo)
7. Só As Mães São Felizes (ao vivo)
8. O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica) (ao vivo)
9. Exagerado (Extended Version) (ao vivo)
10. Faz Parte do Meu Show (ao vivo)



Cazuza – "Burguesia" 
Lançamento: 1989

"Burguesia" é quinto álbum de Cazuza, lançado em 1989, duplo, sendo o último registro musical do cantor em vida. O álbum foi gravado quando o cantor já se encontrava bastante debilitado.

Mesmo com seu estado de saúde se agravando cada vez mais, Cazuza escreve o maior número de canções possível. Ele pede aos amigos artistas que o visitavam na Clínica São Vicente para compor música para suas letras.

Cazuza gravou e produziu "Burguesia" quando se encontrava em uma cadeira de rodas e com a voz nitidamente enfraquecida. Sem forças, chegou a gravar algumas faixas deitado. É um álbum duplo de conceito dual, sendo o primeiro disco com canções de rock e o segundo com canções de MPB. Além de composições próprias o disco inclui também regravações de canções da banda Os Paralamas do Sucesso e de Caetano Veloso. A polêmica faixa-título, que critica a burguesia, foi lançada como single.

1. Burguesia

2. Nabucodonosor
3. Tudo É Amor
4. Garota de Bauru
5. Eu Agradeço
6. Eu Quero Alguém
7. Babylonest
8. Como Já Dizia Djavan
9. Perto do Fogo
10. Cobaias de Deus
11. Mulher Sem Razão
12. Quase Um Segundo
13. Filho Único
14. Preconceito
15. Esse Cara
16. Azul e Amarelo
17. Cartão Postal
18. Manhatã
19. Bruma
20. Quando Eu Estiver Cantando



Cazuza – "Por Aí…"
Lançamento: 1991

"Por Aí" é um álbum póstumo de Cazuza, lançado em abril de 1991. É um álbum composto por “sobras” de estúdio, sendo nove faixas sobras de estúdio de "Burguesia" e uma faixa sobra de estúdio de "Só Se For A Dois". O disco vendeu mais de 45 mil cópias.

Lançado em 1991, um ano após a morte de Cazuza, o álbum tem nove sobras de estúdio do álbum anterior, entre elas, regravações como “Camila, Camila” da banda Nenhum de Nós, “Por Aí”, faixa título que já havia sido gravada no primeiro LP da banda Barão Vermelho, “Cavalos Calados” de Raul Seixas e “Summertime” que ficou marcada na voz da cantora americana Janis Joplin, cantora essa que Cazuza era fã desde adolescência.

1. Não Há Perdão para o Chato
2. Paixão
3. Portuga
4. Hei Rei!
5. Camila, Camila (feat. Sandra de Sá)
6. Por Aí…
7. Andróide Sem Par
8. Cavalos Calados
9. Summertime
10. Oriental II
11. O Brasil Vai Ensinar o Mundo



Cazuza ‎– "Millennium - 20 Músicas Do Século XX"
Lançamento: 1998

1. Exagerado (ao vivo)
2. Faz Parte do Meu Show
3. Ideologia
4. Bete Balanço (Barão Vermelho Canta Cazuza)
5. O Tempo Não Pára (ao vivo)
6. Pro Dia Nascer Feliz (Barão Vermelho Canta Cazuza)
7. Só Se For a Dois
8. O Nosso Amor A Gente Inventa (Estória Romântica) (so vivo)
9. Solidão que Nada
10. Vida Louca Vida (ao vivo)
11. Um Trem Para As Estrelas
12. Quase Um Segundo
13. Blues Da Piedade
14. Todo Amor Que Houver Nessa Vida (ao vivo)
15. Boas Novas
16. Minha Flor, Meu Bebê
17. Maior Abandonado (Barão Vermelho Canta Cazuza)
18. Burguesia
19. Brasil

20. Codinome Beija-Flor (ao vivo)


Cazuza – "Novo Millennium: Cazuza"
Lançamento: 13 de Abril de 1999

1. Ideologia
2. O Tempo Não Pára (ao vivo)
3. Sólidão que Nada
4. Brasil
5. Exagerado
6. Malandragem (com Cássia Eller)
7. Todo o Amor Que Houver Nessa Vida (ao vivo)
8. O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)
9. Codinome Beija-Flor
10. Ritual
11. Blues da Piedade
12. Preciso Dizer Que Te Amo (com Marina Lima)
13. Só As Mães São Felizes
14. Vai À Luta
15. Minha Flor Meu Bebê
16. Só Se For À Dois
17. Faz Parte do Meu Show
18. Pro Dia Nascer Feliz (com Ney Matogrosso)
19. Um Trem para As Estrelas
20. Vida Louca Vida

Barão Vermelho - "Rock in Rio 1985"
"Rock in Rio 1985" é o segundo álbum ao vivo da banda de rock brasileiro Barão Vermelho. Foi gravado durante a turnê do disco "Maior Abandonado", nos dias 15 e 20 de janeiro no Rock in Rio, no Rio de Janeiro. Foi relançado em 2007 em CD e DVD com o título "Rock in Rio 1985".

Em 15 e 20 de janeiro de 1985 a Barão Vermelho se apresentou na primeira edição do Rock in Rio para um público de aproximadamente 85 mil pessoas. Apesar de Eduardo Dusek e Kid Abelha terem sido vaiados no primeiro dia, o Barão conseguiu cativar os fãs de heavy metal. A apresentação da banda no primeiro dia do festival coincidiu com o fim da ditadura e com a eleição do presidente Tancredo Neves. Para comemorar, a banda se apresenta em verde e amarelo e Cazuza cantou "Pro Dia Nascer Feliz" envolto na bandeira do Brasil.

O Barão Vermelho apresenta seus maiores sucessos até então como "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Por Que A Gente É Assim?". A banda também apresentou o público uma nova canção, "Mal Nenhum", que mais tarde faria parte do primeiro álbum solo de Cazuza.

O DVD inclui nos extras o documentário "Aconteceu em 1985". O som do DVD foi remixado e remasterizado e as imagens receberam tratamento especial.

1. Maior Abandonado 
2. Milagres 
3. Subproduto de Rock 
4. Sem Vergonha 
5. Narciso 
6. Todo o Amor que Houver Nessa Vida 
7. Baby, Suporte 
8. Bete Balanço 
9. Mal Nenhum 
10. Down em Mim 
11. Por que a Gente É Assim? 
12. Menina Mimada 
13. Pro Dia Nascer Feliz 
14. Um Dia na Vida (Faixa Bônus)
No DVD, "Um Dia na Vida" é incluída como faixa extra ao invés de ser tocada com o resto do show.



Vários Artistas – "Agenor – As Canções de Cazuza" 
Lançamento: 13 de Agosto de 2013

"Agenor" é o próprio Cazuza, muito prazer. Em busca de celebrar o lado B do poeta do rock, artistas da nova geração gravaram um disco intitulado “Agenor – Canções de Cazuza”. No tributo, canções como “Exagerado” e “Vida Louca” saíram de cena para dar lugar a obras como “Down em Mim” interpretado por Wado e “Não Amo Ninguém” por Letuce.

São 17 canções com releituras modernas e texturas eletrônicas. A homenagem é assinada pelo DJ Zé Pedro, por meio do selo Jóia, que já celebrou as obras de Marina Lima, Péricles Cavalcanti e Angela Ro Ro. 
Entre os artistas convidados estão Silva, Mombojó, China e Felipe Cordeiro. A curadoria é da jornalista e apresentadora Lorena Calábria. O projeto gráfico é de Omar Salomão. O CD ganhou formato físico.

1. Gatinha de Rua - Do Amor
2. Amor, Amor - Tono
3. Culpa de Estimação - China
4. Vingança Boba - Domenico Lancellotti
5. Tapas na Cara - Felipe Cordeiro
6. Down em Mim - Wado
7. Ritual - Botika
8. Doralinda - Kassin
9. Não Amo Ninguém - Letuce
10. Mais Feliz - Silva
11. A Inocência do Prazer - Bruno Cosentino
12. Vem Comigo - Mombojó
13. Incapacidade de Amar - Mariano Marovatto
14. Sorte e Azar - Qinho
15. Largado no Mundo - Catarina Dee Jah
16. Nunca Sofri por Amor - Brunno Monteiro
17. Blues do Iniciante - MoMo



Cazuza – "Exagerado"
Lançamento: 12 de julho de 2017

Mais uma coletânea de Cazuza (1958 – 1990), foi lançada no mercado fonográfico. Só que "Exagerado", compilação lançada em 9 de junho daquele ano, teve como isca o póstumo reencontro romântico do cantor e compositor carioca com Ney Matogrosso em música inédita intitulada "Dia dos Namorados".

Sobra das sessões de gravação do segundo álbum solo de Cazuza, "Só se For a Dois "(gravado em 1986, mas lançado em 1987), a música gravada por Cazuza foi repaginada pelo produtor Nilo Romero com a inclusão da voz de Ney, se tornando um dueto romântico que faz sentido na história dos dois artistas, já que Cazuza e Ney namoraram por alguns (tórridos) meses no fim da década de 1970.

"Dia dos Namorados" é música feita por Cazuza em parceria com o compositor e guitarrista baiano Perinho Santana (1949 – 2012). Embora integre a compilação "Exagerado", a faixa "Dia dos Namorados" também foi lançada de forma avulsa, como single, pela Universal Music.

1. Dia Dos Namorados (feat. Ney Matogrosso)
2. O Nosso Amor A Gente Inventa (Estória Romântica)
3. Todo O Amor Que Houver Nessa Vida (ao vivo) 
4. Exagerado (ao vivo) 
5. Cúmplice 
6. Faz Parte do Meu Show 
7. Só Se For À Dois 
8. Solidão Que Nada 
9. Minha Flor Meu Bebê 
10. Codinome Beija Flor (ao vivo) 
11. O Mundo É Um Moinho 
12. Mulher Sem Razão 
13. Heavy Love 

.: Mostra revela a trilha das primeiras casas brasileiras de linhas retas

Gregori Warchavchik na Casa da Rua Santa Cruz – 1971. Um dos últimos registros do arquiteto, 
que morreu em 1972. Foto: Boris Kossoy/Acervo Pessoal
O universo do arquiteto e sua produção permeiam toda a Ocupação Gregori Warchavchik do momento em que rompe com a arquitetura eclética e lança as primeiras casas modernistas no país, com a sua assinatura nos projetos, até as críticas recebidas e o mundo do mesmo movimento moderno que o cercava. Acompanhe abaixo, alguns nichos da exposição no Itaú Cultural e aqui o percurso da mostra estendida ao Museu Lasar Segall.

Ruptura com a arquitetura eclética
Em 1923, quando chega ao Brasil, Warchavchik se depara com uma São Paulo ainda dominada pelo estilo eclético – muito ornamentado e imponente, o ecletismo mistura elementos de diferentes momentos da história da arquitetura, como o renascentista, o barroco e o neoclássico.

Paralelamente, havia acabado de acontecer a Semana de Arte Moderna de 1922, que marca o início do rompimento nas artes com esses mesmos estilos. Recém-formado pela Reggio Instituto Superiori di Belle Arti de Roma, o arquiteto trouxe consigo os debates que já aconteciam na Europa acerca da arquitetura.

Quando vem para o Brasil, ele entra em contato com o meio industrial ao atuar na Companhia Construtora de Santos, dirigida por Roberto Simonsen. Em 1925, publica no Correio da Manhã o texto Acerca da arquitetura moderna, considerado o primeiro manifesto da arquitetura moderna no Brasil – iniciando assim um processo de ruptura com o ecletismo. Este espaço abre a Ocupação com mobiliário que remete à estética do período da chegada de Warchavchik, propondo assim uma experiência sensorial do momento e dessa ruptura – que fica evidente ao longo da exposição.



Casa Santa Cruz
A Casa da rua Santa Cruz é estimada a primeira obra de arquitetura moderna no Brasil. O projeto da residência é feito em 1927 e ela termina de ser construída em 1928. Pensada no mesmo ano em que Gregori Warchavchik se casa com a cantora lírica e paisagista Mina Klabin, seria a morada da família.

A construção se localiza em uma parte de um terreno de 13 mil metros quadrados possuído pela família Klabin na Vila Mariana. Para seguir os critérios arquitetônicos modernistas, Warchavchik teve de driblar restrições da gestão municipal, que seguia princípios estéticos conservadores. No projeto, o arquiteto indicou a exigida colocação de ornamentos – mas não a realizou, alegando, depois, falta de recursos.

O paisagismo da casa, assim como em outros projetos de Warchavchik, foi projetado por Mina Klabin, que, contra os padrões da época, fez uso de plantas típicas brasileiras.


Casa da Rua Itápolis Foto: Autor Desconhecido/Coleção Gregori Warchavchik
Casa Itapólis
Dificuldades da indústria, do mercado de matérias-primas e de mão de obra brasileiros fizeram com que a Casa Santa Cruz não cumprisse tão bem os preceitos modernistas. Para o projeto da casa da rua Itápolis, concluído em 1930, Gregori Warchavchik montou oficinas próprias para produzir componentes como janelas, portas e móveis, além de orientar pessoalmente seus trabalhadores. O resultado é mais moderno, pela racionalidade da planta, uso dos espaços e disposição dos volumes.

Exposição de uma Casa Modernista
A casa da rua Itápolis foi exibida ao público de 24 de março a 20 de abril de 1930 – foi a primeira Exposição de uma Casa Modernista, sendo que a segunda seria organizada no Rio de Janeiro, em 1931, no projeto da rua Toneleros. Essa mostra foi a maior reunião de artistas e intelectuais ligados ao modernismo brasileiro desde a Semana de 1922; expôs obras de pintores como Anita Malfatti, Lasar Segall e Tarsila do Amaral e teve vinte mil visitantes.

Residência de Max Graf
Construída na Rua Melo Alves, em São Paulo, em 1928/1929, a obra foi projetada seguindo o protótipo da localizada na Rua Itápolis, em que se destacam o uso do concreto armado e a substituição da varanda pela marquise.


Casa da Rua Bahia. A imagem faz referência ao jardim em três patamares, com padrão geométrico, feito por Mina Klabin
Foto: Autor Desconhecido/Coleção Gregori Warchavchik
Casa da rua Bahia
A exposição mostra fotografias das áreas interna e externa da residência Luiz da Silva Prado, construída à rua Bahia, em São Paulo, no ano de 1930. Podem-se ver, ladeando o portão de entrada, cubos de cimento armado e tijolos de vidro que, à noite, auxiliavam na iluminação. O jardim em três patamares e padrão geométrico foi realizado pela paisagista e cantora lírica Mina Klabin, esposa de Gregori Warchavchik.

Casa Tomé de Souza
Residência de Cândido Silva, construída à rua Tomé de Souza, em São Paulo, no ano de 1929. Ali se vê contraste entre a arquitetura de Warchavchik e a as moradias no entorno: a estrutura em concreto armado, a opção por suprimir o telhado com uma laje e a limpeza formal presente na fachada se distanciam das estruturas encontradas ao redor.

Rua Toneleiros, Rio de Janeiro
A primeira casa modernista no Rio de Janeiro, a residência Nordschild, também tem a assinatura de Warchavchik. Na mostra se vê imagens da fachada e detalhamento da fachada posterior do terceiro pavimento da desta casa construída em 1931. Encontra-se também, o projeto e detalhamentos.

Desenhos e projetos
Entre os desenhos e projetos, encontra-se também, na Ocupação, o desenho isométrico da fachada da residência de Antônio da Silva Prado, construída à rua Estados Unidos, em São Paulo, em 1931, e a planta da residência. Este projeto se diferencia de outros elaborados por Warchavchik por ter apenas um pavimento térreo e trazer um jardim suspenso e salas com janelas que cobrem todo o pé direito, dando visibilidade e iluminação mais intensas para o espaço.

Críticas
Com a Casa da Rua Santa Cruz, Warchavchik concretizou uma ruptura com o que era a arquitetura no Brasil no momento, e esse movimento não agradou a todos – diferentes arquitetos do período, como Dacio de Moraes e Cristiano das Neves, criticaram duramente o ucraniano. Dacio de Moraes ganhou espaço em diferentes jornais para publicar seus descontentamentos, que abordavam do processo construtivo à falta de ornamentos da fachada.

Um desses textos, A arquitetura moderna em São Paulo, foi publicado em 1928 no Correio Paulistano e está exposto na Ocupação. Em resposta a Dacio, uma das iniciativas de Warchavchik foi publicar 10 artigos no mesmo veículo, um dos poucos que abriu espaço para a divulgação das ideias de artistas modernistas. A sequência de respostas é uma série de estudos sobre a arquitetura do século XX. Nos textos, ele aborda o panorama das pesquisas desenvolvidas pelo mundo – como aproveitamento de novos materiais e nova concepção de construção – e comenta os princípios que guiavam a nova arquitetura.

Ocupação Gregori Warchavchik
De 27 de abril a 23 de junho

No Itaú Cultural
Terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h (permanência até as 20h30)
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Piso térreo
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1777
Acesso para pessoas com deficiência
Ar-condicionado
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
www.itaucultural.org.br

No Museu Lasar Segall
Quartas-feiras a segundas-feiras, 11h às 19h
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
Rua Berta, 111
Fone: 11. 2168-1777

Café | Wi-Fi | Fraldário | Bicicletário

Ar-condicionado
www.mls.gov.br/o-museu/

sábado, 4 de maio de 2019

.: "Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer", a estreia de Val Emmich

O multifacetado Val Emmich lança seu romance de estreia sobre um homem que não queria lembrar e uma menina que não conseguia esquecer. 

Nem sempre os elementos da vida se arranjam de forma tão perfeita como as notas de uma canção memorável, mas descompassos fazem parte do conjunto da obra de cada um. Quando duas vidas com tempos, ritmos e percepções completamente diferentes se cruzam, e juntas encontram a harmonia, a amizade surge afinada como dois instrumentos em sintonia perfeita. É assim que se desenrola a história de Joan Lennon e Gavin Winters em "Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer", romance de estreia de Val Emmich. 

Com muita leveza, a obra é conduzida como um movimento musical, em que os personagens centrais se alternam na narração dos capítulos. O livro, lançado no Brasil pela Intrínseca, é emocionante, divertido e repleto de reflexões sobre o significado e a natureza das lembranças.

Joan Lennon é uma menina de 10 anos com uma capacidade especial extremamente rara. Portadora de memória autobiográfica altamente superior, ela é capaz de lembrar, com exatidão de detalhes, tudo que aconteceu em sua vida. Mas se lembrar de tudo tem seu preço, e o que Joan mais teme é que se esqueçam dela. Quando ela conhece Gavin, amigo dos pais da época da faculdade, nasce uma improvável amizade. Gavin, que acabou de perder subitamente o amor da sua vida, vê em Joan a oportunidade de encarar o passado que vem tentando esquecer. Juntos eles embarcam no desafio de aprender a lidar com o peso das memórias e de conviver com o impacto que outras pessoas têm sobre suas vidas.

Na tentativa de criar uma música que, ao mesmo tempo, fale de todos os sentimentos vividos por Gavin e faça Joan ser lembrada como uma grande compositora, eles vão construindo a trama ao som de Beatles, banda favorita da menina. Os prós e os contras de nunca esquecer foi o segundo livro do intrínsecos, clube de assinatura da Intrínseca, que oferece aos leitores lançamentos especiais antes de chegarem à livraria.

Val Emmich é escritor, compositor, cantor e ator. Atuou nas séries de TV "Vinyl", "30 Rock", "The Big C" e "Ugly Betty". Vive em Jersey City, New Jersey, com a esposa e os dois filhos. "Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer" é seu primeiro livro. Seu romance mais recente, "Dear Evan Hansen", inspirado no musical homônimo ganhador do Tony, é best-seller do jornal The New York Times.

"Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer"
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca 
320 páginas
Impresso: R$ 44,90
E-book: R$ 29,90

.: Manifesto acerca da arquitetura moderna, por Gregori Warchavchik


A nossa compreensão de beleza, as nossas exigências quanto à mesma, fazem parte da ideologia humana e evoluem incessantemente com ela, o que faz com que cada época histórica tenha sua lógica de beleza. Assim, por exemplo, ao homem moderno, não acostumado às formas e linhas dos objetos pertencentes às épocas passadas, eles parecem obsoletos e às vezes ridículos.

Observando as máquinas do nosso tempo, automóveis, vapores, locomotivas, etc, nelas encontramos, a par da racionalidade da construção, também uma beleza de formas e linhas. Verdade é que o progresso é tão rápido que tipos de tais máquinas, criadas ainda ontem, já nos parecem imperfeitos e feios. Essas máquinas são construídas por engenheiros, os quais, ao concebê-las, são guiados apenas pelo princípio de economia e comodidade, nunca sonhando em imitar algum protótipo. Esta é a razão por que as nossas máquinas modernas trazem o verdadeiro cunho de nosso tempo.

A coisa é muito diferente quando examinamos as máquinas para habitação – edifícios. Uma casa é, no final das contas, uma máquina cujo aperfeiçoamento técnico permite, por exemplo, uma distribuição racional da luz, calor, água fria e quente, etc. A construção desses edifícios é concebida por engenheiros, tomando-se em consideração o material de construção da nossa época, o cimento armado. Já o esqueleto de um tal edifício poderia ser um monumento característico da arquitetura moderna, como o são também pontes de cimento armado e outros trabalhos, puramente construtivos, do mesmo material. E esses edifícios, uma vez acabados, seriam realmente monumentos de arte da nossa época, se o trabalho do engenheiro construtor não se substituísse em seguida pelo arquiteto decorador. É aí que, em nome da ARTE, começa a ser sacrificada a arte.

O arquiteto, educado no espírito das tradições clássicas, não compreendendo que o edifício é um organismo construtivo cuja fachada é sua cara, prega uma fachada postiça, imitação de algum velho estilo, e chega muitas vezes a sacrificar as nossas comodidades por uma beleza ilusória. Uma bela concepção do engenheiro, uma arrojada sacada de cimento armado, sem colunas ou consolos que a suportem, logo é disfarçada por meio de frágeis consolas postiças asseguradas com fios de arame, as quais aumentam inútil e estupidamente tanto o peso como o custo da construção.

Do mesmo modo cariátidas suspensas, numerosas decorações não construtivas, como também abundância de cornijas que atravessam o edifício, são coisas que se observam a cada passo na construção de casas nas cidades modernas. É uma imitação cega da técnica da arquitetura clássica, com essa diferença que o que era tão só uma necessidade construtiva ficou agora um detalhe inútil e absurdo. As consolas serviam antigamente de vigas para os balcões, as colunas e cariátidas suportavam realmente as sacadas de pedra. As cornijas serviam de meio estético preferido da arquitetura clássica para que o edifício, construído inteiramente de pedra de talho, pudesse parecer mais leve em virtude de proporções achadas entre linhas horizontais. Tudo isso era lógico e belo, mas não é mais.

O arquiteto moderno deve estudar a arquitetura clássica para desenvolver seu sentimento estético e para que suas composições reflitam o sentimento do equilíbrio e medida, sentimentos próprios à natureza humana. Estudando a arquitetura clássica, poderá ele observar quanto os arquitetos de épocas antigas, porém fortes sabiam corresponder às exigências daqueles tempos.

Nunca nenhum deles pensou em criar um estilo, eram apenas escravos do espírito do seu tempo. Foi assim que se criaram espontaneamente os estilos de arquitetura conhecidos, não somente por monumentos conservados – edifícios, como também por objetos de uso familiar colecionados por museus. E é de se observar que esses objetos de uso familiar são do mesmo estilo que as casas onde se encontram, havendo entre si perfeita harmonia. Um carro de cerimônia traz as mesmas decorações que a casa do seu dono.

Encontrarão os nossos filhos a mesma harmonia entre os últimos tipos de automóveis e aeroplanos de um lado e a arquitetura das nossas casas de outro? Não, e esta harmonia não poderá existir enquanto o homem moderno continue a sentar-se em salões estilo Luiz tal ou em salas de jantar estilo Renaissance, e não ponha de lado os velhos métodos de decoração das construções. Vejam as clássicas pilastras, com capitéis e vasos, estendidas até o último andar de um arranha-céu, numa rua estreita de nossas cidades! É uma monstruosidade estética! O olhar não pode abranger de um golpe a enorme pilastra, vê-se a base e não se pode ver o alto. Exemplos semelhantes não faltam.

O homem num meio de estilos antiquados, deve sentir-se como num baile fantasiado. Um jazz-band com danças modernas num salão estilo Luiz XV, um aparelho de telefonia sem fio num salão estilo Renascença, é o mesmo absurdo como se os fabricantes de automóveis resolvessem adotar a forma de carro dos papas do século XIV. Para que a nossa arquitetura tenha seu cunho original, como o têm as nossas máquinas, o arquiteto moderno deve não somente deixar de copiar os velhos estilos, como também deixar de pensar no estilo.

O caráter da nossa arquitetura como das outras artes, não pode ser propriamente um estilo para nós, os contemporâneos, mas sim para as gerações que nos sucederão. A nossa arquitetura deve ser apenas racional, deve basear-se apenas na lógica e esta lógica devemos opô-la aos que estão procurando por força imitar na construção algum estilo. É muito provável que este ponto de vista encontre uma oposição encarniçada por parte dos adeptos da rotina. Mas também os primeiros arquitetos do estilo Renaissance, bem como os trabalhadores desconhecidos que criaram o estilo gótico, os quais nada procuravam senão o elemento lógico, tiveram que sofrer uma crítica impiedosa de seus contemporâneos. Isso não impediu que suas obras constituíssem monumentos que ilustram agora os álbuns da história da arte.

Aos nossos industriais, propulsores do progresso técnico, incumbe o papel dos Médice na época da Renascença e dos Luizes da França. Os princípios da grande indústria, a estandartização de portas e janelas, em vez de prejudicar a arquitetura moderna, só poderão ajudar o arquiteto a criar o que, no futuro, se chamará o estilo do nosso tempo. O arquiteto será forçado a pensar com maior intensidade, sua atenção não ficará presa pelas decorações de janelas e portas, buscas de proporções, etc. As partes estandartizadas do edifício são como tons de música dos quais o compositor constrói um edifício musical.

Construir uma casa a mais cômoda e barata possível, eis o que deve preocupar o arquiteto construtor da nossa época de pequeno capitalismo, onde a questão de economia predomina sobre todas as mais. A beleza da fachada tem que resultar da funcionalidade do plano da disposição interior, como a forma da máquina é determinada pelo mecanismo que é a sua alma. O arquiteto moderno deve amar sua época, com todas as suas grandes manifestações do espírito humano, como a arte do pintor moderno ou poeta moderno deve conhecer a vida de todas as camadas da sociedade.

Tomando por base o material de construção de que dispomos, estudando-o e conhecendo-o como os velhos mestres conheciam sua pedra, não receando exibi-lo no seu melhor aspecto do ponto de vista da estética, fazendo refletir em suas obras as ideias do nosso tempo, a nossa lógica, o arquiteto moderno saberá comunicar à arquitetura um cunho original, cunho nosso, o qual será talvez tão diferente do clássico como este o é do gótico. Abaixo as decorações absurdas e viva a construção lógica, eis a divisa que deve ser adotada pelo arquiteto modernista.

Gregori Warchavchik

*Manifesto publicado no jornal Correio da Manhã, Rio de Janeiro, em 01 de novembro de 1925. Republicado em Depoimentos no 1, Centro de Estudos Brasileiros, GFAU, São Paulo, s/d, na Arte em Revista no 4 (Arquitetura Nova), São Paulo, em agosto de 1980, e em Arquitetura Moderna Brasileira: Depoimento de uma Geração (coletânea de textos organizada por Alberto Xavier), ABEA/FVA/PINI – Projeto Hunter Douglas, São Paulo, 1987.


Ocupação Gregori Warchavchik
De 27 de abril a 23 de junho

No Itaú Cultural
Terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h (permanência até as 20h30)
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Piso térreo
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1777
Acesso para pessoas com deficiência
Ar-condicionado
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
www.itaucultural.org.br

No Museu Lasar Segall
Quartas-feiras a segundas-feiras, 11h às 19h
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
Rua Berta, 111
Fone: 11. 2168-1777

Café | Wi-Fi | Fraldário | Bicicletário
Ar-condicionado

www.mls.gov.br/o-museu/

.: Wes Anderson ganha retrospectiva completa com entrada gratuita no MIS

Entre os dias 8 e 12 de maio, o público poderá ver (ou rever) todos os filmes da carreira do diretor norte-americano, que completa 50 neste mês.

O MIS - instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo - realiza uma mostra retrospectiva da obra completa do diretor norte-americano Wesley Wales Anderson, conhecido como Wes Anderson, que completa 50 anos em maio. Vencedor de diversos prêmios de cinema, o norte-americano é conhecido por um traço estético único nas telas que o distingue largamente dos demais diretores de sua geração.

Desde os primeiros filmes de sua carreira, passando pelo que o deixou conhecido mundialmente, “Os excêntricos Tenenbaums”, até o filme pelo qual recebeu duas indicações ao Oscar (de Melhor Direção e Melhor Filme), “O Grande Hotel Budapeste”, passando por animações como “O Fantástico Sr. Raposo” e “A Ilha dos Cachorros”, seu último filme, serão exibidos no Museu.

Programação
8 de maio, quarta-feira | Auditório MIS (172 lugares)

16h - "Pura Adrenalina" ("Bottle Rocket", 1996, EUA, 92min”, dir. Wes Anderson, policial, comédia, Blu-Ray, 14 anos )
18h - "Três É Demais" ("Rushmore", 1998, EUA, 89”, dir. Wes Anderson, comédia, DVD, 14 anos)  
20h - "Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", 2001, EUA, 110”,dir.Wes Anderson, Comédia , Drama, DVD, 14 anos)

9 de maio, quinta-feira | Auditório MIS (172 lugares)
16h - "O Fantástico Senhor Raposo" ("Fantastic Mr. Fox", 2009, EUA, 87”, dir.Wes Anderson, aventura, comédia, Blu-Ray, 10 anos)
20h - "Grande Hotel Budapeste" ("The Grand Budapest Hotel", 2014, dir.Wes Anderson, EUA/Alemanha, 100”, Comédia, 14 anos)
18h - "Moonrise Kingdom" ("Moonrise Kingdom", 2012, , dir.Wes Anderson, EUA, 94”, Comédia, Drama, Blu-Ray, 12 anos)

10 de maio, sexta-feira | Auditório LABMIS (66 lugares)
17h30 - "Hotel Chevalier" ("Hotel Chevalier", 2007, EUA/França, 13”, dir. Wes Anderson, drama/romance, digital, 14 anos) e "Viagem a Darjeeling" ("The Darjeeling Limited", 2007, EUA, 107”, dir. Wes Anderson, drama, comédia, digital, 14 anos)
20h - "Ilha dos Cachorros" ("Isle Of Dogs", 2018, Alemanha, EUA, 102 min”, dir. Wes Anderson, animação, aventura, Blu-Ray, 12 anos)

11 de maio, sábado | Auditório LABMIS (66 lugares)
16h - "Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", 2001, EUA, 110”,dir.Wes Anderson, Comédia , Drama, DVD, 14 anos)
18h - A Vida Marinha com Steve Zissou" ("The Life Aquatic With Steve Zissou", 2005, EUA, 119”, Wes Anderson, aventura, comédia, DVD, 14 anos)
20h15 - "Moonrise Kingdom" ("Moonrise Kingdom", 2012, , dir.Wes Anderson, EUA, 94”, Comédia, Drama, Blu-Ray, 12 anos)

12 de maio, domingo | Auditório MIS (172 lugares)
15h - "Ilha dos Cachorros" ("Isle Of Dogs", 2018, Alemanha, EUA, 102 min”, dir. Wes Anderson, animação, aventura, Blu-Ray, 12 anos)
17h - "O Fantástico Senhor Raposo" ("Fantastic Mr. Fox", 2009, EUA, 87”, dir. Wes Anderson, aventura, comédia, Blu-Ray, 10 anos)
19h - "Hotel Chevalier" ("Hotel Chevalier", 2007, 13”, EUA, FR, dir. Wes Anderson, drama/romance, DVD, 14 anos) e "Grande Hotel Budapeste" ("The Grand Budapest Hotel", 2014, dir.Wes Anderson, EUA/Alemanha, 100”, Comédia,Drama, Blu-Ray, 14 anos)

Serviço

Retrospectiva Wes Anderson 50 Anos
Data: 8 a 12 de maio
Horário: diversos
Local: Auditório MIS (172 lugares) e Auditório LABMIS (66 lugares)

Ingresso gratuito
Classificação: de acordo com cada filme

Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo| (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br
Estacionamento conveniado: R$ 18. Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado.

.: “Nem Aqui Nem Na China”, nova música do duo Tritom, tem videoclipe

O trabalho da Tritom não para. Mesmo com o single "Sapatinho de Cristal" em alta, tendo ultrapassado os 20 mil plays somente no Spotify, onde também conquistou boas posições nas playlists “Novidades da Semana” e “Pop Nacional do Digster Brasil”. 

O duo de R&B apresenta seu novo single, “Nem aqui Nem na China”, mais uma canção que promete ser a trilha sonora dos casais apaixonados. 

A produção assinada pelo hitmaker Papatinho, atualmente um dos nomes mais relevantes da música urbana, reflete o intimismo do romance malandro sugerido na composição, que é acompanhada apenas pelo violão. O lyric video da faixa também já está no canal oficial da Tritom, no YouTube.



“Ela retrata o momento em que se conhece a pessoa amada e a encara como sua alma gêmea, ressaltando todas as suas qualidades e todas as coisas boas que ela te faz sentir”, observa a dupla. “Além de apreciar suas características, essa música fala sobre o sentimento de ter encontrado a pessoa ideal, deixando de lado tudo o que for passado e apreciando o fato de como você e ela combinam em tudo e foram feitos um para o outro”. Com "Nem Aqui Nem na China", a Tritom também inicia os preparativos para os seus primeiros shows, que serão anunciados em breve.

.: Saiba como os médicos podem ajudar pacientes no Google

Técnicas de SEO são usadas em conteúdos de profissionais da área médica com objetivo de ajudar pacientes que pesquisam doenças na Internet 

Com um número cada vez maior de pessoas pesquisando suas doenças e sintomas no Google, a Internet se tornou um pesadelo. “Por isso, é importante para os médicos saberem como ajudar os pacientes com material de qualidade, bem escrito e que realmente tenha valor para os interessados”, explica Fernando Azevedo, CEO da empresa de reputação online Silicon Minds.

Para o Dr. Gustavo Bonfadini, oftalmologista do Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro (IORJ), “os médicos podem ajudar muitas pessoas escrevendo artigos de qualidade”. Ele aproveita as próprias perguntas dos pacientes para escrever e melhorar constantemente seus artigos. 

Azevedo explica que “o médico segue o guia de SEO (Search Engine Optmization) da Silicon Minds para escrever artigos de qualidade que ranqueiem bem no Google, com respostas para as perguntas mais frequentes e guias para ajudar pacientes na Internet”. O CEO chama a atenção para a importância da indexação de informações corretas e alerta para o perigo de conteúdos equivocados.

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