domingo, 11 de abril de 2021

.: Cia. Repertório Rodriguiana montará todas as peças de Nelson Rodrigues


“Toda a minha obra é uma reflexão sobre o amor e a morte”, Nelson Rodrigues.

Cia. Repertório Rodriguiana faz retomada histórica com projeto ambicioso: remontar a obra teatral completa de Nelson Rodrigues. Detalhe de desenho de Roberto Rodrigues, irmão do Nelson, liberadas gentilmente pelo Instituto Sérgio Rodrigues.


Com leituras dramáticas de cinco peças de Nelson Rodrigues, mais dois contos quase inéditos publicados na coluna "A Vida Como Ela É...", no Jornal Última Hora, na década de 1950, a companhia quer difundir a obra de Nelson Rodrigues como vacina contra os vírus da ignorância, da estupidez e ao autoritarismo que nos cercam. 

Para a primeira edição do Festival da Tragédia Brasileira, a Cia. Repertório Rodriguiana dedicado ao dramaturgo Nelson Rodrigues, escolheu três peças, com diferentes forças e gêneros, mas representativas da grandeza do teatro rodriguiano: "Perdoa-me por Me Traíres"; "Álbum de Família""A Serpente" e também os contos "Obsessão Preta" "A Sogra Peluda".

Por meio da Lei Aldir Blanc, a companhia também realiza temporada das leituras dramáticas de "Toda Nudez Será Castigada" e "Viúva, Porém Honesta",(refeitas excepcionalmente para este momento) com seis apresentações de cada peça. Para o Festival estão programadas as leituras encenadas de "Álbum de Família"; "Perdoa-me por Me Traíres"; "A Serpente" e dois contos quase inéditos ao leitor contemporâneo: "A Sogra Peluda" e "Obsessão Preta", compõem o festival de uma semana online dedicado ao dramaturgo. Tudo vai acontecer a partir de 12 de abril.

Complementando a cena Rodriguiana, Braz traz um convidado por mês para a “Psicanálise de Botequim”, um bate-papo mensal transmitido pelo canal do YouTube da Cia. A estreia será com o escritor e biógrafo de Nelson Rodrigues, Ruy Castro. Marco Antonio Braz, professor, diretor e estudioso da obra de Nelson, que está à frente da Cia, assinala que somadas, essas obras formam uma radiografia profunda das sombras do ser humano e do brasileiro.

“O maior objetivo do Festival é brindar o grande público de forma que ele possa se espelhar e refletir sobre o amor e a morte, além de provar o que Sábato Magaldi já afirmava em sua célebre apresentação do teatro rodriguiano: 'O teatro do reacionário Nelson Rodrigues é na verdade absolutamente revolucionário'. Encenar a obra do dramaturgo e debatê-la com as perspectivas críticas da atualidade são formas de comprovar que o teatro rodriguiano faz a denúncia dos grandes dilemas da contemporaneidade brasileira como o racismo, machismo, patriarcalismo, violência doméstica, cultura do estupro, dentre outros”, complementa Braz.

Com exibição programada para o mês de abril, a partir do dia 12, as leituras reúnem em seus elencos atores veteranos e jovens atores, que se revezam nos personagens. Dos veteranos alguns participaram de sua fundação e da primeira montagem de "Perdoa-me por Me Traíres" como Flávia Pucci, Patricia Gordo e Sílvio Restiffe, ao qual se juntam a convidados especiais; Lucélia Santos, Miriam Mehler e Renato Borghi, e os demais abaixo citados nas fichas técnicas das peças.

A ideia de fazer um Festival da Tragédia por mais que pareça contraditório ao unir na sua expressão a festa e a tragédia teve como referência os festivais de teatro da antiga Grécia, quando a sociedade se unia para assistir de comédias a tragédias e, com isso, mergulhar em uma consciência dos seus conflitos mais profundos. Apesar de desagradáveis e corrosivas na observação da nossa realidade, as obras de Nelson possuem uma estética sofisticada e plena poesia dramática.  

Braz recorda que Nelson foi amigo de Abdias Nascimento, para o qual escreveu "Anjo Negro", e grande incentivador de seu Teatro Negro. Já no final dos anos 1950, o dramaturgo foi o primeiro grande autor brasileiro a denunciar e apontar o racismo tupiniquim e suas características, demonstrando através de sua obra aquilo que hoje conhecemos como racismo estrutural. Na sua intuição genial de artista, contribui para o debate de temas fundamentais que visam reconhecer nossas cicatrizes dolorosas e procurar uma saída rumo a uma sociedade brasileira mais humana e justa.

Em decorrência da pandemia todos tiveram de aprender a lidar com o formato online, que por um lado se mostrou bastante eficiente em adiantar um processo de leitura, estudo e pesquisa, aquilo que numa montagem é chamado de trabalho de mesa e neste caso, de torna-la pública com capacidade de atrair o espectador.


A companhia

O histórico da Cia Repertório Rodriguiana vem de pelo menos três décadas. Desde quando o diretor Marco Antônio Braz montou sua primeira versão de "O Beijo no Asfalto" na faculdade e sentiu a necessidade da construção de uma companhia de pesquisa da obra de Nelson Rodrigues. Já em São Paulo, terra em que escolheu viver e trabalhar por ser o berço e a capital do teatro profissional brasileiro, encenou "Perdoa-me por Me Traíres", "Valsa N.°6", "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária" e a versão de 2001 de "O Beijo no Asfalto", com a qual ganhou o prêmio APCA de melhor direção.

Desde então, fomenta incansavelmente estudo contínuo da obra do autor em companhia de um núcleo de artistas que segundo ele, possuem o DNA necessário para a realização de uma cia de repertório. O intuito da Cia é gerar trabalho para atores, técnicos e artistas envolvidos, e, sobretudo, gerar um movimento de público que possa mergulhar e conhecer com profundidade a obra do maior dramaturgo brasileiro.

Elenco por peça:

"Álbum de Família"
Jonas - Jairo Mattos
D. Senhorinha - Flávia Pucci
Tia Rute - Patricia Gordo
Guilherme - Leonardo Silva
Edmundo - Alex Lanutti
Glória - Viviane Monteiro
Teresa - Maria Clara Haro
Voz De Mulher - Maria Claro Haro
Avô - Eduardo Silva
Heloísa - Nathalia Lorda 


"Perdoa-me por Me Traíres"
Nair - Viviane Monteiro
Glorinha - Patricia Gordo
Pola Negri - Ulisses Sakurai
Madame Luba - Lizette Negreiros
Dr. Jubileu De Almeida - Eduardo Silva
Enfermeira - Valéria Arbex
Médico - Mauro Schames
Tia Odete [A Louca Do Silêncio] - Almara Mendes
Ceci - Carol Centeno
Cristina - Maria Clara Haro
Tio Raul - Flávia Pucci
Gilberto - Sílvio Restiffe
Judite - Viviane Monteiro
Mãe - Almara Mendes
Primeiro Irmão - Leonardo Silva
Segundo Irmão – Mauro Schames


"A Serpente"
Décio - Nilton Bicudo
Lígia - Nathalia Lorda
Guida - Patricia Gordo
Paulo - Sílvio Restiffe
Crioula de Ventas Triunfais – Ana Negraes

 
"A Sogra Peluda" e "Obsessão Preta"
"O Nelson Que Ninguém Leu - Contos"

Nilton Bicudo
Eduardo Silva
Claudia Benedetti
Lizette Negreiros


"Toda Nudez Será Castigada"
Herculano - Jairo Mattos
Nazaré - Lizette Negreiros
Patricio - Sílvio Restiffe
Tia Nº 1 - Miriam Mehler
Tia Nº 2 - Ana Medeiros
Tia Nº 3 - Almara Mendes
Geni - Antoniela Canto
Odésio - Eduardo Silva
Serginho - Leonardo Silva
Médico - Augusto Cesar
Padre - Nilton Bicudo
Delegado - Riba Carlovich


"Viúva, Porém Honesta"
J.B. de Albuquerque Guimarães – Renato Borghi
Pardal – Elcio Nogueira
Madame Cri-Cri – Miriam Mehler
Dr. Lupicínio – Kiko Marques
Dr. Sanatório – Eduardo Silva
Diabo da Fonseca – Nilton Bicudo
Ivonete De Albuquerque Guimarães – Lucélia Santos
Dr. Lambreta – Jairo Mattos
Tia Assembléia – Flávia Pucci
Tia Solteirona – Patricia Gordo
Dorothy Dalton – Leonardo Silva
Padre – Crica Rodrigues


"Viúva, Porém Honesta" (1957) - Viúva, porém honesta, peça escrita por Nelson Rodrigues em apenas uma semana, foi uma espécie de vingança contra a crítica teatral que havia destruído seu texto Perdoa-me por me traíres (na peça existia uma cena que denunciava o aborto). Apesar das circunstâncias, é uma farsa irresponsável, verdadeira metralhadora giratória de deboche e escárnio contra as instituições nacionais. A peça sobreviveu e continua mais atual do que nunca.

Nelson consegue atirar para todos os lados e mostrar através de muito humor a hipocrisia reinante nas relações de poder no Brasil, não restando pedra sobre pedra. Diz o personagem Diabo da Fonseca: “Que família? A tua? A dele? E vou provar o seguinte, querem ver? Que é falsa a família, falsa a psicanálise, falso o jornalismo, falso o patriotismo, falsos os pudores, tudo falso! [põe-se no meio do palco e berra] Olha o rapa!”

Os personagens da peça formam um painel de caricaturas da nossa realidade. Estamos diante de uma farsa completamente livre, onde a fantasia do autor brinca com a estrutura da dramaturgia e expõe o próprio fazer teatral.  O protagonista desta farsa irresponsável é justamente o Diabo da Fonseca, um verdadeiro penetra da cena, que, ao contrário do que sugere seu nome, vem a ser o mais puro e romântico dos personagens. Seu único objetivo é encontrar o amor eterno na figura de uma viúva que seja honesta. A peça é hilariante e extremamente popular. Apesar das décadas que nos separam de sua estreia, é outro texto rodriguiano que parece ter sido escrito ontem para ser encenado nos dias de hoje.
 

"Toda Nudez Será Castigada" (1965)  - Toda nudez será castigada já é um dos clássicos do moderno teatro brasileiro. A realização de uma Companhia de Repertório de Nelson Rodrigues não poderia se dar sem a encenação deste texto. Toda nudez será castigada foi escolhida justamente por conta da sua gritante atualidade. A narrativa moral do texto rodriguiano se mostra cada vez mais uma radiografia profunda e aguda das sombras do brasileiro. O que mais espanta é essa absurda contemporaneidade da peça, independente da linguagem e gírias de época. O texto se comunica diretamente com o público atual. Ele parece um texto escrito ontem para os dias de hoje.
 

"Perdoa-me por Me Traíres" (1957) - A nona peça de Nelson, uma tragédia carioca de costumes, estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1957, com direção de Léo Júsi. Única peça em que Nelson atuou, como o tio Raul. A peça foi tão aplaudida quanto vaiada. Era um canto à infidelidade, mesmo não pronunciada. "A adultera é mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela". A esse ambiente soma-se o incômodo grotesco: as primas que se interessam pelo prostíbulo, o desejo incestuoso do tio Raul, que criou Glorinha para que fosse sua. Quase todo o segundo ato se passa em flashback, quando o tio revela o interesse dos irmãos pela mesma mulher, que morre envenenada. 
 

"Álbum de Família" (1946) - A terceira peça de Nelson ficou proibida durante dezenove anos devido ao alto número de incestos. No depoimento intitulado "Teatro desagradável", de 1949, Nelson afirma: "a partir de Álbum de família enveredei por uma caminho que pode me levar a qualquer destino, menos ao êxito". Com uma quantidade enorme de incestos, a peça visa criar o tifo e a malária na plateia. Jonas, personagem principal, açoita a esposa, Senhorinha, com o amor por meninas de onze a treze anos. O amor adolescente, traduzindo o amor do pai pela filha, também marcará o teatro de Nelson. A peça foi apresentada pela primeira vez no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, em 1967, com direção de Kleber Santos.


"A Serpente" (1978) - A última peça de Nelson, em ato único, estreou no Teatro do BNH, no Rio de Janeiro, em 6 de março de 1980, com direção de Marcos Flaksman. Os personagens repetem, quase que integralmente, os mesmos nomes do romance de estreia de Nelson, "Meu Destino É Pecar". Peça que pode ser tomada como exemplo da concisão que seu teatro foi adquirindo: com menos personagens do que todas as outras, exceto "Valsa N.°6", a história se passa na casa onde moram dois casais, cunhados entre si. Um deles faz amor o dia todo; o outro não consegue encontrar prazer, a não ser no adultério do marido com a crioula das ventas triunfais. Vítima desse dissabor, uma irmã oferece à outra uma noite com o marido. O fim é a tragédia resultante dessa improbidade.
  

"A Sogra Peluda" e "Obsessão Preta" são contos de "A Vida Como Ela É..." quase inéditos, só publicados e lidos na coluna de a "Última Hora" na década de 1950. Os contos retratam dois temas contemporâneos com a maestria da escrita de Nelson Rodrigues, revelando questões de gênero e racismo.


Ficha técnica
Primeiro Festival da Tragédia Brasileira
Direção geral e concepção: 
Marco Antonio Braz
Assistente de direção: Ulisses Sakurai e Leonardo Silva
Produção executiva: Bia Gomes
Coordenador de produção: Bia Gomes e Patricia Gordo
Produção: Leonardo Silva
Concepção de arte e figurino: Telumi Hellen
Aula magna: Braz
Psicanálise de Botequim: Ruy Castro
Captação de imagem e finalização: Vino de Lucia
Assessoria de imprensa e divulgação: Adriana Monteiro
Social media: Leonardo Silva
Design gráfico: Tim Ernani
Administrador financeiro: Ulisses Sakurai
Assessoria jurídica: Carol Centeno


"Toda Nudez Será Castigada"
Dias 12,13 e 14 de abril
Em dois horários: das 15h às 18h e das 19h às 22h.


"Viúva, Porém Honesta"
Dias 15,16,17 de abril
Em dois horários: das 15h às 18h  e das 19h às 22h.


Primeiro Festival da Tragédia Brasileira

"Perdoa-me por Me Traíres"
"Álbum de Família"
"A Serpente"
"O Nelson que Quase Ninguém Leu: 'A Sogra Peluda' e 'Obsessão Preta'"


Do dia 18 ao dia 24  de abril, disponível durante 24 horas para visualização.

Dia 26 de abril, das 22h às 0h  - “Psicanálise de Botequim” com Ruy Castro (convidado do mês)

Dia 27 de abril, das 22h às 0h - Aula magna com Marco Antonio Braz


No Canal do YouTube Oficial da Cia. Repertório Rodriguiana: 
https://linktr.Ee/Ciarepertoriorodriguiana

*Os vídeos só estarão disponíveis no YouTube nos dias e horários acima citados.
Classificação etária:
14 anos


.: Peça “Que Fim Levou Carlotinha?” se apresenta online e gratuitamente


Peça escrita por José Cetra Filho e Arnaldo D’Ávila “Que Fim Levou Carlotinha?” se apresenta online e gratuitamente nos dias 12, 13 e 14 de abril. Com direção de Cida Almeida, solo com três personagens é interpretado por Arnaldo D'Ávila. Espetáculo é uma divertida comédia que provoca reflexões sobre o amor, a solidão e o mal de Alzheimer. Fotos: Deborah Schcolnic


“Que Fim Levou Carlotinha?” teria uma temporada presencial, porém por conta do atual quadro da pandemia, será apresentada apenas virtualmente. As transmissões ao vivo serão feitas gratuitamente nos dias 12, 13 e 14 de abril, com sessões às 19h e às 21h, no canal do ator Arnaldo D’Ávila, no YouTube: www.youtube.com/arnaldodavila.

Uma senhora, supostamente sequestrada, aguarda o homem que a raptou voltar do mercado com amêndoas para que ela lhe prepare um bolo, já é tarde da noite, não tem mais metrô e ela está assustada. Enquanto isso, conversa com um gato de porcelana. O texto flerta com a comédia e o teatro absurdo. As personagens nos surpreendem constantemente com questionamentos e um certo suspense que pretende instigar o espectador através de situações absurdas.

A direção da peça está a cargo de Cida Almeida, especialista na preparação de atores através das Máscaras Teatrais, com ênfase na linguagem do clown, se sentiu muito à vontade para conduzir a encenação, principalmente na cena do gato Ferdinando, onde pode aplicar toda sua técnica. Mesmo nas personagens que não usam máscaras, a direção buscou aproximar as interpretações da linguagem clownesca com as técnicas de palhaçaria e da menor máscara de todas, que é o nariz de palhaço. 

“Que Fim Levou Carlotinha?” é uma comédia que não foi feita para gargalhar, mas para sorrir, divertir e refletir” afirma Cida Almeida. “O espetáculo caminha entre o absurdo e a árdua, porém bela, tarefa de se revelar a interpretação do artista fabulador, que se impõe ao trazer o seu olhar sobre as pequenas personagens da vida cotidiana: sombras que passeiam anonimamente em uma noite qualquer de uma metrópole”, completa. 

Arnaldo D'Ávila, que também assina o desenho de luz da peça, é um artista multifacetado, ator, dramaturgo, diretor, cenógrafo, iluminador e produtor, natural de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, onde iniciou sua carreira em 1992. Está radicado em São Paulo desde 1996. Seus últimos trabalhos como ator foram nas peças: "Lili Carabina", de Aguinaldo Silva, onde contracenava com Viviane Araújo (2017); "Luz del Fuego", de Julio Kadetti, estrelada por Rita Cadillac (2018) e "Fred & Jack", de Alberto Santoz (2019).

“Que Fim Levou Carlotinha?” é um projeto antigo do inquieto artista, que desde a conclusão do texto em 2012, vem tentando montá-lo. D'Ávila está muito feliz por finalmente tirar do papel este projeto que considera uma pequena jóia lapidada a quatro mãos com José Cetra Filho, mentor da ideia, a quem é muito grato por dividir com ele essa preciosidade.

Os figurinos de Carol Badra buscam uma certa estranheza, pensando em um mundo pré pandemia, mas absolutamente plausível, sobretudo nos dias de hoje. As personagens se apresentam de pijama ou camisola na rua, no metrô ou no supermercado: sonho, pesadelo ou vida real? Nosso mundo hoje, onde as enxurradas de lives nos trazem as personalidades em suas casas, como elas são, nos abre essa porta onde a vida se revela do avesso, onde a vida pública existe na intimidade à tela aberta. Então a roupa de dormir é aquela que passamos o dia e que fazemos todas as atividades do dia em tempos pandêmicos.  

A cenografia desenvolvida por Marcelo Andrade foi construída em MDF com peças de encaixe, para facilitar o transporte e o armazenamento, conservando as cores naturais da madeira, os desenhos são estilizados sugerindo a cenografia descrita no texto, como o pechinchê do quarto da Carlotinha, que é todo vazado.

A peça foi produzida com recursos da Lei Aldir Blanc, através do ProAC LAB. “O teatro resiste, apesar de todas as baixas que temos sofrido, com perdas irreparáveis para a nossa cultura. Além da pandemia ainda temos que enfrentar esses tempos obtusos, de sombras e censuras, onde a cada dia tentam nos calar e nos enterrar mais” argumenta Arnaldo D'Ávila.


A gênese de “Que Fim Levou Carlotinha?”, por José Cetra Filho
A personagem Carlotinha surgiu para mim em março de 2009 na oficina “Dramaturgia do Quotidiano” ministrada por Jorge Louraço. Ao ser provocado para escrever sobre uma passagem quotidiana fiz narrativa de uma lauda onde um jovem senhor observava uma senhora idosa sentada em sua frente no metrô e pensava como ela se parecia com Carlotinha, sua madrinha que ele nunca mais viu.

Ao transformar a narrativa em texto teatral resolvi escrevê-lo a partir da Senhora como personagem já instalada no apartamento daquele homem. O resultado foi uma pequena cena onde ela divaga sobre os motivos dele tê-la convidado para ir até o seu apartamento. Ele foi até o mercado comprar os ingredientes para ela fazer um bolo e enquanto isso ela se dirige a Ferdinando, o gato da casa.

Algum tempo depois, Arnaldo D’Ávila, um admirador desse pequeno texto, pensou em montá-lo e conversamos sobre a possibilidade de ampliá-lo de acordo com ideia que eu já tinha em mente que era criar mais duas cenas, uma na perspectiva do homem e outra na do gato Ferdinando. Arnaldo e eu juntamos nossas forças e na companhia de muito macarrão e muito vinho escrevemos essas duas cenas, batizando o homem de Ricardo e colocando em cena também Dinorah, uma calopsita, rival de Ferdinando. Foi assim…

Ficha Técnica:
Espetáculo:
“Que Fim Levou Carlotinha?”
Autores: José Cetra Filho e Arnaldo D’Ávila
Ator: Arnaldo D’Ávila
Direção: Cida Almeida
Cenografia: Marcelo Andrade
Figurino: Carol Badra
Costureira: Judite de Lima
Desenho de luz: Arnaldo D'Ávila
Operação de som e luz: Hugo Peake
Trilha sonora: Cida Almeida e Arnaldo D'Ávila
Designer de perucas: Luiz Crispin
Fotos: Deborah Schcolnic
Vídeo: Franz Cultural
Designer gráfico: Gustavo Xella
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção executiva: Franz Granja
Direção de produção: Arnaldo D’Ávila 

Serviço
Espetáculo: “Que Fim Levou Carlotinha?”
Temporada: dias 12, 13 e 14 de abril com sessões às 19h e 21h no canal do ator Arnaldo D’Ávila, no youtube: www.youtube.com/arnaldodavila
Duração 
: 45 minutos
Classificação etária: 14 anos
Gratuito



sábado, 10 de abril de 2021

.: Crítica: "A Colheita" traz segredo de décadas no povoado de Amish


"A Colheita", filme dirigido por Ivan Kraljevic, segue o formato de terror antigo, sem muitos efeitos especiais ou cortes para assustar. Assim, em meio ao suspense sobre o que está por vir, a trama é apresentada eum vilarejo bucólico e de aparência familiar: Amish. 

Contudo, a cidadezinha é cercada por uma floresta que, segundo o pastor local, esconde segredos liberados no solstício. O desespero de manter todos longe do conjunto de árvores, até remete o filme "A Vila", embora usassem o poder de persuasão para fazer o inverso, não deixar ninguém sair.

Em meio a cavalos, carroças e vestimentas de época, o trabalho na terra gera uma discussão. Para tanto, Amos (Jack Buckley) desobedece a ordem. Vai e volta da floresta. Contudo, agarra um machado que descansa num tronco e com todos reunidos à mesa para a refeição age de movo descontrolado. Cena que impressiona sem expor.


Longe dali, na cidade, um casal, Jake (Chris Conner) e Dinah (Elena Caruso) tenta resgatar o matrimônio após uma traição e imaginam que passar o verão em algum lugar pacato, ajudará a unir mais mãe, pai, filho e filha. As crianças fazem a viagem contrariadas e na casa são perseguidos por algo maligno. Assim, descobrem que chegaram à Amish com o objetivo de concretizar algo que desconhecem. 


Embora seja um longa de terror, A Colheita", o primeiro longa-metragem do cineasta Ivan Kraljevic (diretor assistente de "Caça aos Gângsteres", "Livrai-nos do Mal" e "Annabelle"), é, em partes, solar. A arquitetura da cidade, típica de cidadezinhas pacatas americanas, ainda remete ao clássico de Tim Burton, "Os Fantasmas Se Divertem", com uma ponte coberta. 

Estrelado por Elena Nikitina Bick ("Cloverfield: Monstro"), Chris Conner ("A Minha Casa Caiu") e Jennifer Gareis ("Miss Simpatia"), o suspense de terror está disponível em cópias dubladas e legendadas e pode ser adquirido para aluguel e compra no NOW, LookeVivo Play, Google Play, Microsoft e iTunes.

Filme: A Colheita

Título Original: The Harvesting

EUA | 2019 | 92 min. | Terror – Suspense – Drama | 14 anos

Direção: Ivan Kraljevic

Roteiro: Ben Everhart

Elenco: Elena Caruso, Chris Conner, Jennifer Gareis, Greg Wood, Noah Headley, Accalia Quintana, Alex Yurcaba, Jack Buckley

Distribuição: A2 Filmes

Trailer

.: Sesc RJ apresenta temporada de "Vozes do Silêncio - Filme Não Filme"


Híbrido de linguagens, projeto é composto por três curtas com textos do escritor e dramaturgo irlandês Samuel Beckett que dão vozes às mulheres silenciadas pela sociedade. 
A atriz Carolina Virgüez em cena de "Vozes do Silêncio". Foto: Fábio Ferreira


O espetáculo “Vozes do Silêncio - Filme Não Filme”, que estreou no último dia 2 pelo Sesc RJ, segue em temporada até 25 de abril, com sessões transmitidas na plataforma Zoom de sexta a domingo, às 19h. A atração – um híbrido entre teatro e cinema – é estrelada pela premiada atriz Carolina Virgüez sob direção de Fábio Ferreira. A apresentação é gratuita, mas com vagas limitadas, que podem ser garantidas em  www.sympla.com.br/produtor/vozesdosilencio.

O projeto apresenta três curtas com textos do escritor e dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989) que dão vozes às mulheres silenciadas pela sociedade (“Não Eu”, “Passos” e “Cadência”). Ao ser encenada nos dias de hoje, a obra do artista joga luz sobre a crise do humanismo e propõe o repensar das perspectivas para a vida humana no planeta. A ideia é reintroduz o problema da incomunicabilidade entre os homens e chamar a atenção que para além das ideologias e da desrazão está a falta de escuta do “outro”.  

Gravado em um casarão da Glória, Zona Sul do Rio, “Vozes do Silêncio” apresenta os três curtas complementares que trazem referências do cinema experimental russo e da artesania teatral, com uma riqueza metafórica intensa. São cenas plásticas e poéticas que transcendem a dramaturgia, mas que conversam com ela numa narrativa oscilante em que as vozes femininas se desdobram criando sombras, reminiscências, deslocamentos ao ponto do espectador se questionar sobre quem fala e de onde vêm essas vozes.

“Brinco com as possibilidades de registrar o momento com câmera por meio de fusões, inversões de sentido e articulações entre trilha e movimento”, revela o diretor Fábio Ferreira, que começou sua carreira artística aos 16 anos como assistente do cineasta Silvio Tendler.


Arte em Cena
“Vozes do Silêncio – Filme Não Filme” integra a programação do Arte em Cena - Temporadas, braço de temporadas teatrais do projeto em que Sesc RJ transmite espetáculos artísticos em suas redes sociais e em plataformas digitais. Escritos entre 1972 e 1980, os três textos formam uma trilogia conhecida internacionalmente como "Whitelaw", em referência à atriz inglesa Bille Whitelaw, principal intérprete das obras de Beckett.

“Embora formem uma trilogia, nenhuma produção se propôs a apresentar os três espetáculos no mesmo programa pela alta complexidade dos textos. Aqui no Brasil, já foram montados, mas separadamente”, conta Fábio Ferreira. “O texto beckettiano tem uma sonoridade própria. A Carolina Virgüez é minha parceira de longa data. É uma atriz completa que tem todas as qualidades técnicas para essa montagem, um desafio que requer virtuose vocal e intensidade física”, elogia.

Os três filmes - “Não Eu”, “Passos” e “Cadência” - são dispositivos cênicos que dialogam entre si e revelam existências femininas marcadas pelo tempo, que resistem (ou não) à erosão do dia-a-dia, e que têm em comum a repetição dos hábitos, o cancelamento e outras violências. Estudioso da obra de Samuel Beckett, Fábio Ferreira conta que apesar de as protagonistas femininas terem demorado a aparecer nos textos do escritor irlandês, elas surgem de uma forma bastante contundente, interrogando os cancelamentos da presença (e da voz) da mulher na sociedade.

“São personagens atuais até hoje, que têm suas vozes e corpos negados. A voz feminina tem sido calada ao longo de séculos na cultura ocidental. Pensar o que se perdeu com todo esse silenciamento e perceber como se deu e se dá até hoje, pode tornar mais claros os caminhos futuros”, propõe. “Digo que ‘Vozes do Silêncio’ é um falso monólogo porque traz muitas vozes. E elas não estão sozinhas. São vozes que ecoam e se multiplicam nas vozes de mãe e filha”, completa.

A parceria entre Fábio Ferreira e Carolina Virgüez começou em 2008, com a encenação de “Mistério Bufo”, de Vladimir Maiakovski, montado pela Companhia Bufomecânica, e seguiu em “Penso Ver o Que Escuto”, de Shakespeare, e “Two Roses for Richard III”, encenado na Inglaterra numa coprodução com a Royal Shakespeare Company. “Vozes do Silêncio” é o quarto projeto em que os dois trabalham juntos.

“As três peças, em diferentes aspectos, têm uma relação com a maternidade. Há sempre duas mulheres se olhando, se projetando uma na outra. São mulheres que, de alguma maneira, ficaram presas a situações. Falamos sobre a ausência do ser, sobre negação, silenciamento, servidão, luto e imposição”, conta Carolina Virgüez.

A atriz conta que, para além da grandiosidade da obra, o texto de Beckett traz muitas rubricas técnicas, que são desafiantes, como a marcação de passos e o momento exato de uma ação ou fala. “'Não Eu' é um jogo de palavras com 16 minutos, sem pausa, num fôlego só. São palavras que nem passam pelo fluxo do pensamento. É um lampejo, um fragmento de memória, de vidas e tempos sobrepostos e invertidos. Requer uma entrega, um estado de suspensão e um preparo vocal intenso”, revela Carolina.

“Essas vozes não são de uma única mulher. São vozes de todas as mulheres. Eu trago também a minha voz. Eu entro nesse trabalho com meu corpo, com a memória dele. E eu também tenho memórias do que eu vivi, do que eu vi, escutei ou sinto, presencio e percebo. E essa memória do corpo vaza para a cena. A palavra é do Beckett, mas o corpo é meu e tudo que está impresso nele vaza para a cena”
, completa a atriz.

A iluminação de Renato Machado, a trilha sonora original de Felipe Storino, o visagismo de Cleber de Oliveira e os figurinos de Luiza Marcier visam, de modos variados, a evidenciar e a reverberar essas vozes que foram esquecidas.


Tradução
O interesse do diretor Fábio Ferreira pela obra de Samuel Beckett remonta dos anos 80, e lhe levou a vários escritos críticos, dissertação e tese de doutorado, além de traduções inéditas para o português. Foram dois anos no projeto de tradução de “Não Eu”, “Passos” e “Cadência”. Em 2018, ele passou uma temporada de pesquisa em Copenhagen, na Dinamarca, onde encontrou biógrafos e pesquisadores de Beckett para seu projeto de tradução. A investigação se estendeu a Reading, na Inglaterra, cidade cuja universidade mantém os Arquivos Beckett, com os manuscritos, textos datilografados e provas organizadas por James Knowlson, principal biógrafo de Samuel Beckett e amigo pessoal do escritor.

“Fábio fez um trabalho artesanal na tradução. Ele me mandava os textos e depois me ligava, da Dinamarca, para verificar como o texto soava”, lembra Carolina Virgüez. “Existe uma diferença muito grande quando se traduz literatura e quando se traduz para o teatro. Fábio tem um apuro com a palavra, com a cadência musical do texto, com a palavra e com o silêncio”, elogia.

“Vozes do Silêncio – Filme não Filme” será lançado ainda este ano pela Editora Cobogó, com endosso de especialistas como o professor, poeta e tradutor Paulo Henriques Britto e Fábio de Souza Andrade, considerado o maior tradutor de Beckett do país.


Carolina Virgüez
Com vasta experiência em teatro, a atriz trabalhou com Bia Lessa, Luiz Arthur Nunes, Marco André Nunes (Aquela Cia), Gracindo Júnior, Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha, Antônio Karnewale, Georgette Fadel, Yara Novaes, Adriano Guimarães, Pierre Astriè, Dácio Lima, Cláudio Baltar e Fábio Ferreira, entre outros. Junto à Cia BufoMecânica, participou em Stratford e Londres, na Royal Shakespeare Company, do espetáculo “Two Roses for Richard”.

Em cinema, trabalhou em Hollywood com Bill Condon no filme “Breaking dawn - Saga Crepúsculo”. Entre seus mais recentes filmes estão “Fernando”, “Veneza” e “Casa flutuante”, produção portuguesa com estreia prevista para 2021. Em teatro recebeu os prêmios Molière (“Dois Idiotas Cada Qual no Seu Barril”); Mambembe (“Cinderela Chinesa”); Shell, Questão de Crítica e APTR (“Caranguejo Overdrive”). Ainda como atriz, foi indicada aos prêmios Mambembe (“Petruska”), Shell (“Médico à Força”), Questão de Crítica (“Penso Ver o que Escuto”), Coca-Cola (“Cinderela Chinesa”).


Fábio Ferreira
Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC Rio e pela Universidade de Copenhagen e bacharel em Teoria do Teatro pela UNIRIO, Fábio Ferreira é diretor teatral, dramaturgo, tradutor e professor universitário. Escreveu crítica teatral em publicações como o Jornal do Brasil (Caderno B) e as revistas Bravo!, Gesto e Questão de Crítica. É também professor de Artes Cênicas, Letras e Filosofia da PUC Rio. Criou os Festivais riocenacontemporânea e ArtCena: Processos de Criação.

Diretor teatral desde 1991, com “Dorotéia, a Farsa” (1991/92), de Nelson Rodrigues, “Traço Obscuro” (2007) “O Idiota - Primeiro Dia” (2010), “A Dona do Fusca Laranja” (2011). Junto com o diretor Claudio Baltar, criou a Cia. Bufomecânica, com a qual desenvolveu pesquisas que resultaram nas encenações “Mosaico Maiakovski” (2008), “Mistério Bufo” (2009), “Penso Ver o que Escuto” e “Two Roses for Richard III”.


Ficha técnica:
Espetáculo: 
"Vozes do Silêncio - Filme Não Filme"
Textos: Samuel Beckett
Tradução: Fábio Ferreira
Direção: Fábio Ferreira
Performance: Carolina Virgüez
Roteiro: Fabio Ferreira
Assistente de direção: Carolina Rocha
Cenografia: Fabio Ferreira
Iluminação: Renato Machado
Assistente de iluminação: Rodrigo Lopes
Visagismo: Cleber de Oliveira
Figurinista: Luiza Marcier
Assistente de figurino: Júlia Roliz
Trilha sonora: Felipe Storino
Participações especiais: Gerald Thomas (contrabaixo), Paulo Passos (clarone)
Direção de movimento: Paulo Mantuano
Supervisão vocal: Jaqueline Priston
Câmera: André Monteiro
Assistente de câmera: Fernando Rezend
Administrativo e prestação de contas: Patrícia Basílio
Produção executiva: Ártemis e Alex Nunes
Direção de produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela
Realização: Sesc RJ


Serviço
Espetáculo:
"Vozes do Silêncio - Filme Não Filme”
Projeto Arte em Cena, do Sesc RJ
Temporada: até 25 de abril de 2021 – De sexta a domingo, às 19h.
Classificação: 14 anos
Acesso: www.sympla.com.br/produtor/vozesdosilencio


.: "O Mágico de Oz" promete muita fantasia no Diversão em Cena


Clássico da literatura é adaptado para pocket show e será transmitido online no próximo domingo, dia 11 de abril.

"O Mágico de Oz" será encenado no Diversão em Cena ArcelorMittal, no próximo domingo, dia 11 de abril, a partir das 16h. Produzido pela companhia Cyntilante Produções, o espetáculo será transmitido ao vivo pelo canal no YouTube da Fundação ArcelorMittal e página no Facebook do Diversão em Cena.

A narrativa conta a história da personagem Dorothy que, após um tornado no Kansas, vai parar na fantástica Oz. No entanto, a menina quer retornar para sua casa e precisa encontrar um mágico para realizar seu desejo. Em sua jornada, Dorothy viverá uma aventura inesquecível junto a seus novos amigos: Espantalho, Homem de Lata e Leão que viajam pelo caminho de tijolos amarelos.

Com muita música e interatividade do público, o espetáculo apresentará a clássica aventura de uma maneira divertida e inovadora e que agradará pais e filhos. A Cyntilante Produções é uma premiada companhia teatral em Belo Horizonte, que investe na difusão do teatro musical, especialmente para a infância e a juventude.

Considerado o maior programa de formação de público para teatro infantil no Brasil, o Diversão em Cena ArcelorMittal é viabilizado por meio das Leis de Incentivo à Cultura Federal e Estaduais (São Paulo e Minas Gerais). Ao longo de mais de uma década, cerca de 500 mil pessoas já conferiram aos mais de 1,3 mil espetáculos apresentados.

Em decorrência da pandemia, o programa continuará a adotar o modo remoto para apresentação das atrações de maneira segura. Elas seguem todos os protocolos sanitários preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Diversão em Cena não abre mão do seu objetivo: contribuir para a democratização da cultura e oferecer uma programação regular de qualidade.


Serviço
Diversão em Cena AcelorMittal
Espetáculo: "O Mágico de Oz"
Data: domingo, dia 11 de abril
Horário: 16h
Indicação etária: a partir de dois anos


Ficha técnica
Diversão em Cena AcelorMittal
Espetáculo: "O Mágico de Oz"
Texto:
L. Frank Baum
Adaptação, direção e iluminação: Fernando Bustamante
Elenco: Raíssa Alves, Alex Alves, Tiago Colombini, Rogério Hasten, Raquel Carneiro, Maria Tereza Costa e Luísa Pacheco
Stand-by: Tiago Colombini
Cenário: Cynthia Bustamante
Figurino: Ricca Costumes

.: Grátis e online, "Meus Cabelos de Baobá" estará em cartaz neste domingo


Fernanda Dias, Ana Paula Black e Beá no espetáculo "Meus Cabelos de Baobá", com direção de Vilma Melo e transmissão direto do Rio de Janeiro. Foto: Cyntia Sales

No ar desde maio do ano passado, a programação Teatro #EmCasaComSesc segue em 2021 com espetáculos diversificados, sempre mesclando artistas, companhias e grupos consagrados no cenário brasileiro com as novas apostas. As apresentações seguem às quartas-feiras e aos domingos, sempre às 19h, no Instagram Sesc Ao Vivo e no YouTube Sesc São Paulo .

Neste domingo, dia 11, a série Teatro #EmCasaComSesc recebe Fernanda Dias, Ana Paula Black e Beá no espetáculo "Meus Cabelos de Baobá", com direção de Vilma Melo e transmissão direto do Rio de Janeiro. A história se desenvolve em torno de diálogos da Rainha Dandaluanda com o Baobá, árvore milenar de origem africana, que a ensina sobre os valores africanos e desperta sua autoestima: primeiro, como menina; em seguida, como mulher e, finalmente, como rainha, consciente de sua beleza singular, de sua força ancestral e de sua identidade negra.

A adaptação é costurada por textos da poeta Conceição Evaristo. Após a exibição, acontece um bate-papo com a atriz Fernanda Dias. Classificação indicativa: 16 anos. Transmissão ao vivo acontece no YouTube do Sesc São Paulo e no Instagram do Sesc ao Vivo: youtube.com/sescsp e instagram.com/sescaovivo. A série #EmCasaComSesc teve início em abril de 2020, com um conjunto de transmissões ao vivo das linguagens de música, teatro, dança, crianças e esporte - que somaram 13,5 milhões de visualizações, até dezembro do ano passado, no total de 434 espetáculos. 




.: #EmCasaComSesc recebe Cia Bendita com o espetáculo "Terremota"


Neste sábado, dia 10, às 15h, a atriz Jackie Obrigon e o ator Guto Togniazzolo apresentam o espetáculo "Terremota", que conta a história de Maria, menina corajosa e esperta que funda, na própria sala de casa, uma nova ordem: a República Terremota. Foto: Maria Clara Diniz

No ar desde maio do ano passado, a programação do Crianças #EmCasaComSesc segue em 2021 com apresentações diversificadas, sempre mesclando artistas, companhias e grupos consagrados no cenário brasileiro com as novas apostas. As transmissões permanecem aos sábados, mas este ano em novo horário, às 15h, no Instagram Sesc Ao Vivo e no YouTube Sesc São Paulo.

Em conformidade ao anúncio do Governo de São Paulo, que reclassificou todo o estado para a fase mais restritiva da quarentena onde são permitidas apenas atividades essenciais, as transmissões do #EmCasaComSesc serão realizadas da residência ou estúdio de trabalho dos artistas, seguindo todos os protocolos de segurança.

Direto de São Paulo, Jackie Obrigon e Guto Togniazzolo, da Cia. Bendita, apresentam o espetáculo "Terremota", com texto e direção de Marcelo Romagnoli. A peça conta a história de Maria, uma menina corajosa e esperta que mora com o tio Bigode e o gato Platão (boneco manipulado pelos atores). A garota, que passa grande parte do dia sozinha em casa, tem como diversão analisar o mundo pela janela. Num certo feriado, tio Bigode combina de viajar com Maria. Mas uma forte chuva atrapalha os planos - e a menina fica indignada. Cheia de ideias e transbordando liberdade, ela decreta autonomia e funda, na própria sala de casa, um outro mundo, uma nova ordem: a República Terremota.

A montagem busca inspiração em duas grandes personagens do universo infantil: "Mafalda", a menina sagaz, política e humanista criada pelo cartunista argentino Quino (1932-2020), e "Píppi Meialonga", a adorável garota inventada pela escritora sueca Astrid Lindgren (1907-2002), símbolo de independência e coragem. O jogo criado por Maria e seu tio Bigode pretende revelar a psicologia da relação de poder entre adultos. As reflexões do espetáculo se estendem sobre a própria essência da educação, tocando em questões políticas, éticas e pedagógicas.

A Cia. Bendita é um grupo paulistano, fundado por Jackie Obrigon (atriz e produtora) e Johana Albuquerque (diretora e produtora), que já realizou oito espetáculos, ao longo de seus dez anos de existência. A companhia se destaca na produção para o público infantil e tem como linha de pesquisa a criação de espetáculos com linguagem crítica e poética voltada ao Brasil contemporâneo. 

Tem como princípio estimular a inteligência e o humor do público de todas as idades, perseguindo o ideal de um teatro "sério" (em termos temáticos) e paradoxalmente, divertido. Transmissão ao vivo acontece no YouTube do Sesc São Paulo e no Instagram do Sesc ao Vivo: youtube.com/sescsp e instagram.com/sescaovivo. A série #EmCasaComSesc teve início em abril de 2020, com um conjunto de transmissões ao vivo das linguagens de música, teatro, dança, crianças e esporte - que somaram 13,5 milhões de visualizações, até dezembro do ano passado, no total de 434 espetáculos. 


.: Com câmeras simultâneas, espetáculo "Medeia em Faces" estreia online


Interpretada pela Cia. de Teatro Variante, a peça será transmitida ao vivo pela plataforma Sympla Streaming e vai contar com quatro câmeras de captação de cenas e microfonação individual, levando o público para dentro do espetáculo; ingressos gratuitos estão disponíveis.

Com mais de 500 ingressos gratuitos já reservados, o espetáculo “Medeia em Faces” entra em uma maratona de apresentações nesta semana, estendendo-se ao longo de abril com ingressos ainda disponíveis. Durante os próximos fins de semana, serão seis datas com transmissões ao vivo por meio da plataforma Sympla Streaming, em função do cenário de pandemia. O público já pode acessar a plataforma e fazer a reserva do seu ingresso, que é totalmente gratuito: https://www.sympla.com.br/produtor/ciadeteatrovariante.

Retomado dentro do edital do Proac Expresso (Estadual), por meio da Lei Aldir Blanc, o espetáculo é uma adaptação livre da tragédia grega de Eurípides (431 a.C.). Para garantir uma experiência diferenciada ao público que irá assistir à distância, a peça será interpretada ao vivo por quatro atores e atrizes do elenco da Cia. de Teatro Variante, do Instituto IA3.ORG, de Pindamonhangaba, com câmeras que irão garantir a proximidade com cada uma das cenas.

“Serão quatro câmeras com tomadas e ângulos diferentes, algumas delas entrando nas cenas, participando do espetáculo”
, explica Wesley Peterson da Silva, da direção de “Medeia em Faces”. “Os atores e atrizes terão microfones individuais, o que possibilitará que o público possa ouvir de forma clara, já que o áudio da trilha e microfones irão diretamente para quem estiver assistindo, separadamente do áudio interno da apresentação”.

Wesley destaca que a opção por uma transmissão mais interativa é um desafio a ser executado, mas representa uma grande novidade. “Decidimos ousar um pouco e fazer uma encenação com várias tomadas de imagem, captação de áudio separada, e uma estrutura de iluminação para teatro e multimídia com projeções e interações com público”, explica. Atores e atrizes irão utilizar máscaras especiais de proteção individual durante a peça. A encenação será a partir da Estação Ferroviária Central do Brasil, localizada na região central de Pindamonhangaba – o prédio é tombado como patrimônio histórico pelo Governo Federal e está em concessão formal ao IA3.ORG.

Após a primeira montagem do texto – que é uma adaptação livre da tragédia grega de Eurípides (431 a.C.) –, conduzida pelo dramaturgo Alberto Marcondes Santiago, em 2012, o projeto foi retomado no ano de 2018, já apoiado pelo Instituto IA3.ORG dentro do projeto Atores Sociais, chegando agora a sua terceira fase de apresentações. A peça já conquistou diversas premiações, como no Festival Estudantil de Mogi das Cruzes e no Festival de Teatro de Itapevi.


Sinopse do espetáculo
“Medeia em Faces” traz de forma íntima o mito, até hoje recorrente em nossa sociedade, que desafia o tempo ao aproximar a mulher grega da mulher contemporânea provocando o paradoxo da razão versos emoção no público, ao julgar essa amante que oscila entre o mito e o humano. Ela é a bruxa, a mãe e a dona de casa, um ser passional que usa todo o seu conhecimento para dar à Jasão, seu marido, o poder desejado e, em retribuição, é traída por ele. Sem família, sem rumo, ultrajada vai às últimas consequências, do amor incondicional à ira irreversível, ao assassinato dos seus filhos que ela tanto ama.


Sobre o projeto “Medeia em Faces”
Baseado em “Medeia”, tragédia grega de Eurípides (431 a.C.), e em livre adaptação do dramaturgo Alberto Santiago, o projeto “Medeia em Faces” nasceu em 2012, do sonho do ator pindamonhangabense Mauro Morais. Desde 2018 apoiado pelo Instituto IA3.ORG, por meio do Projeto Atores Sociais, a iniciativa tem como proposta contribuir para a formação cultural universal de alunos do ensino médio, educadores e público em geral, enfatizando a associação do mito à realidade atual nas relações familiares, despertando a visão humana à figura idealizada da mulher, mãe. Nos últimos anos, o projeto conquistou diversos prêmios, como no 6º Festemec (Mogi das Cruzes) e no 2º Festita (Itapeva) – ambos no estado de São Paulo.


Sobre o projeto Atores Sociais
Amparado nas diversas ferramentas de desenvolvimento, interpretação cênica e exercícios de dramaturgia, o projeto Atores Sociais visa ao protagonismo de crianças e adolescentes e ao fomento à cidadania. Em mais de 5 anos de projeto, foram atendidas cerca de 500 crianças e jovens residentes nos bairros do Araretama, Jardim Regina, Piracuama, Feital e bairros circunvizinhos. Neste período foram mais de 60 apresentações ao público.


Sobre o IA3
O IA3.ORG – Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Humano, a Artes e Aprendizagem – foi constituído em 15 de maio de 2008, caracterizando-se como uma associação sem fins lucrativos de iniciativa privada com independência administrativa e financeira. Com sede no bairro Feital, em Pindamonhangaba (SP), o IA3.ORG tem como missão contribuir para a formação integral de adolescentes através de atividades educacionais, culturais, esportivas e qualificação profissional, como alternativa de inclusão social, combate à pobreza e emancipação daqueles em situação de vulnerabilidade social. Em seus 12 anos de atuação no município, são cerca de 4 mil atendidos por meio de múltiplos projetos mantidos pela instituição, como projetos dos Programas Educação para o Trabalho, Incentivo à Cultura e Socialização e Educação e Conscientização Ambiental.


Ficha técnica
Espetáculo: 
“Medeia em Faces”
Dramaturgia: Alberto Santiago
Direção de produção: Alberto Santiago
Direção artística: Wesley Silva
Figurino: Marlene Santiago
Sonoplastia: Natália Mendrot
Operador de som: Anderson da Silva
Iluminação: Alberto Santiago
Operador de luz: Anderson da Silva
Maquiagem: Ellen Prado
Orientador sócio educativo: Fábio Mendes
Preparador vocal: Wilson Maximiano
Preparação de corpo: Alessandra Rodrigues
Criação da personagem: Alberto Santiago
Contextualização Histórica e Simbólica: Fábio Mendes
Imagens: André Nascimento
Edição de Imagens: Nando Brook
Serviços de sonorização e iluminação: Osnei de Oliveira/Live Art


Equipe divulgação
Publicidade:
Macost
Fotografia: Raquel Marques
Assessoria de imprensa: Communicare
Conteúdo digital: Communicare; Macost; Sorella Studio
Gênero: tragédia
Classificação: 16 anos
Duração da peça: 60 minutos.
Duração da discussão: até 30 minutos


Serviço
Datas:
dias 10 e 11; 17 e 18; 24 e 25 de abril de 2021.
Horários: Sábados e domingos, às 20h.
Todas as apresentações são gratuitas e online
Apresentações: https://www.sympla.com.br/produtor/ciadeteatrovariante.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

.: Diário de uma boneca de plástico: 9 de abril de 2021

Querido diário,

Hoje fui ao banco rapidinho com maridão, pagar as contas e só liguei o computador agorinha. Ao conferir o Twitter estava lá: denunciada.

Fiquei chocada sobre o que se tratava. 

Uma mulher fotografou outra pessoa enquanto aguardava entrada num empório, postou no Instagram e marcou o cantor Rodolffo para que ele corresse! Claramente se referindo ao ocorrido entre o sertanejo e o professor João no reality show Big Brother Brasil. 

Lá, João teve o cabelo comparado ao de um homem do tempo das cavernas... Aqui fora, os adeptos do pensamento de escolher outros para serem zoados, ao que tudo indica, já pegou.

Esse tipo de atitude com o intuito de ridicularizar o outro em redes sociais não é de hoje, muito pelo contrário, ficou ainda mais popular com os celulares permitindo fotografar, inclusive sem que o outro perceba.

Medonho! Ao menos as pessoas denunciaram o ig dessa tal mulher...

Contudo, entender o que acontece com pessoas que são desse jeito, só é preciso considerar o que o Brasil elegeu para ser presidente que entenderemos rapidinho a idolatria desse tipo de postura... 

Hoje em dia, massacrar o outro é sempre motivo de orgulho.

Será que a humanidade tem cura?!

Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,

Donatella Fisherburg




.: Entrevista: Maggie Reilly tem obra revisitada em CD


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.

A cantora britânica Maggie Reilly está tendo parte de sua obra revisitada por intermédio  do lançamento de uma coletânea em CD. E a iniciativa acabou chamando a atenção da crítica especializada para seu trabalho, seja em carreira solo, seja em colaborações com músicos como Mike Oldfield, Jack Bruce e David Gilmour, só para citar alguns exemplos. 

Dona de uma voz singular e doce, Maggie aparenta estar antenada com o som pop mais suave dos anos 80, muito embora também invista em uma sonoridade mais dançante em alguns momentos. Com Mike Oldfield, por exemplo, gravou o hit "Moonlight Shadow". Mas teve sucessos na carreira solo, como a dançante "Everytime We Touch". Em entrevista para o Resenhando, Maggie conta detalhes sobre o seu início da música e sobre algumas passagens marcantes da carreira. E apesar de ainda não ter vindo ao Brasil, revela conhecer um pouco de nossa arte. “A música brasileira tem uma forte carga emocional”.


Resenhando - Como foi o seu início na música?
Maggie Reilly - Meu pai era cantor de uma banda na Escócia. Então eu cresci assistindo ele e cantando com ele às vezes. Entrei para uma banda quando tinha 15 anos ou mais e fiz shows na Escócia por um tempo. Então, um amigo que era compositor me pediu para cantar algumas de suas canções em seu filme, apenas para variar as vozes que alguns produtores ouviram e me ofereceram um contrato de gravação.


Resenhando - Durante sua carreira percebemos vários trabalhos com músicos e bandas conceituadas. Como foram essas experiências?
Maggie Reilly - Tive muita sorte de ter a chance de trabalhar com alguns músicos brilhantes. Eu fui questionada de várias maneiras. Ou eu os conheci primeiro e então eles me perguntaram se eu o faria. Ou alguém entrou em contato comigo para ver se eu estava interessada em trabalhar com eles. Isso significa que tive a chance de trabalhar musicalmente em todos os setores. De coisas como os grupos Sisters of Mercy e The Stranglers, passando por Simon Nicol (Fairport Convention), Mike Oldfield, Jack Bruce e David Gilmour. Sempre me arrependi de "aqueles que fugiram". Fui procurada, mas não consegui conciliar as datas funcionarem em alguns casos, como com Gerry Rafferty e John Martyn, para citar apenas dois exemplos.


Resenhando - Seu trabalho com Mike Oldfield foi marcante. Quais as maiores lembranças desse período?
Maggie Reilly - Trabalhar com Mike por quatro ou cinco anos foi uma mistura de memórias. Muito trabalho duro no estúdio, gravávamos e depois gravávamos em turnê. Os shows eram fantásticos, eu costumava sair na frente a qualquer momento E tinha uma pausa para ouvir as partes instrumentais. Foi uma experiência muito intensa trabalhar com muitos grandes músicos que estiveram envolvidos ao longo dos anos, muitos de nós mantemos contato e trabalhamos juntos novamente quando possível ao longo dos anos desde então.


Resenhando - Como foi trabalhar com o lendário Jack Bruce?
Maggie Reilly - Eu conheci Jack em um hotel da Alemanha. Nós dois estávamos em turnê ao mesmo tempo. Um tempo depois, recebi um telefonema de seu letrista perguntando se eu estaria interessada em gravar uma música com Jack. Sempre fui um grande fã dele e adorei todo o seu trabalho solo, então disse que adoraria. Lembro que gravamos em uma casa com vista para uma floresta. Depois no aniversário de Jack, houve alguns shows em Colônia, na Alemanha, para o aniversário dele que foram gravados para um filme. É muito triste por ele não estar mais por perto. Seu filho Malcom convocou um grupo de amigos de todo o mundo para fazer um show em Londres há alguns anos para celebrar sua memória. Tive a honra de ser convidada a participar.


Resenhando - Você gravou um elogiado disco em 2003, com releituras de canções que marcaram a sua formação musical. Pretende repetir essa experiência?
Maggie Reilly - Ah, esse foi o álbum "Save It For a Rainy Day". Foi minha tentativa de gravar músicas de outros compositores que admirava. Essa música-título do disco era de Stephen Bishop, sempre adorei o material dele. Eu fiz o álbum na Dinamarca com a maioria de músicos dinamarqueses e a ideia era torná-lo o mais ao vivo possível. Então ficamos a maior parte do tempo no estúdio tocando as músicas até que estivéssemos felizes com o resultado. Sim, eu gostaria de fazer algo assim de novo. Talvez incluir uma música de Milton Nascimento ou da Flora Purim na próxima vez.


Resenhando - Você conhece bem a nossa música. Já esteve no Brasil?
Maggie Reilly - Conheci a Flora Purim e o Airto Moreira nos anos 70 quando estava no CadoBelle e então conheci o Milton Nascimento. Eu amo músicas como Silver Sword (do repertório de Flora Purim) e "Nada Será como Antes". A música é tão emocional que adoro. Mas nunca estive no Brasil. Há alguns anos quase consegui ir, mas não consegui encaixar na minha agenda. Morei ao lado de uma senhora brasileira por muitos anos em Londres. Vou apenas dizer que sempre gostei de suas festas muito animadas. Também nos últimos anos o bairro local teve muitos negócios brasileiros movimentando, o que tem animado a região musicalmente e culturalmente. Espero um dia poder ver o seu país. Ir e tocar lá seria fantástico.


Resenhando - Como foi a recepção do seu disco nos Estados Unidos?
Maggie Reilly - Eu tive sorte de poder sair depois da primeira onda para terminar alguns programas de TV que não foram cancelados. Então o álbum foi lançado e as pessoas parecem gostar. Esse tem sido um ponto brilhante em uma época sombria.


Resenhando - A pandemia afetou o trabalho dos músicos?
Maggie Reilly - A pandemia foi terrível para o mundo. Todo mundo sofreu. Músicos tiveram tudo cancelado e muitos não tinham uma tábua de salvação e caíram na rede por qualquer ajuda do governo. Aqueles que tinham energia conseguiram usar o desligamento forçado para escrever novas canções ou gravar. Eu tinha acabado de fazer o master do meu novo álbum, o Passado Presente Futuro. Estava prestes a fazer uma turnê e programas de TV. Então tudo parou. Como todo mundo, estou ansiosa para voltar à vida normal em breve, mas quem sabe quando será? Temos que aguardar e continuar redobrando os cuidados com a saúde.


"Everytime We Touch"

"Moonlight Shadow"

"Follow The Midnight Sun"

.: Rita Lee e Roberto de Carvalho lançam álbum de remixes

Capa do disco "Rita Lee & Roberto – Classic Remix Vol. I". Foto: Arte de João Lee

A dupla que marcou o cenário pop e rock brasileiro revive os grandes sucessos de mais de 50 anos de carreira com um projeto de remixes. Rita Lee e Roberto de Carvalho anunciam novas versões de 36 faixas do repertório, incluindo as produções de Dubdogz e Watzgood para “Mania de Você” (1979) e de Tropkillaz para “Saúde” (1981).

“Rita Lee & Roberto – Classix Remix” foi organizado por João Lee - DJ, produtor, filho da artista, criador da capa do álbum e quem fez o convite aos DJs brasileiros. Serão três volumes do disco, com primeiro lançamento de 12 faixas nesta sexta-feira (9). Ouça e baixe aqui: https://umusicbrazil.lnk.to/ClassixRemix.

Para Marcos e Lucas, irmãos gêmeos que formam o Dubdogz, “Mania de Você” é uma música que atravessou gerações. “Ouvimos desde criança e nossos pais adoram, por isso esse remix representa muito para nós! Fazer parte da história da Rita Lee, remixando um de seus maiores hits, não tem dinheiro que pague. É realmente muito especial e estamos muito felizes com o resultado", contam sobre a colaboração com os amigos de infância Watzgood.

"Quando o João Lee chamou a gente para fazer parte do projeto, claro que além de muito honrado, foi difícil escolher qual música iríamos remixar. Porém, a sugestão foi certeira. ‘Saúde’, o que mais a gente quer nesses tempos difíceis?”, revelam Zé Gonzales e André Laudz, nomes por trás do Tropkillaz. Entre os demais artistas que fazem parte do projeto de remixes para os clássicos de Rita Lee e Roberto de Carvalho estão Vintage Culture, Gui Boratto, David Morales, DJ Marky, DJ Tennis, Harry Romero, Renato Cohen e The Reflex (Nicolas Laugier).


Mais sobre Tropkillaz:
Tropkillaz surgiu a partir da união de dois dos maiores produtores e DJs do Brasil: Zegon e Laudz. A dupla representa o melhor da musica urbana no Brasil e no mundo. O resultado é um som único, misturando bass music aos mais diversos estilos de dance music e sons tropicais do Brasil, como funk, samba, passando pela house music até ritmos jamaicanos e o hip hop, fazendo um set com muita energia que agrada a todos os tipos de público e pistas de dança.

Tendo seu pontapé inicial no hip hop Brasileiro, Zegon é um dos mais experientes produtores nacionais, fez parte da formação mais clássica do Planet Hemp, e expandiu para o resto do mundo trabalhando com grandes nomes como Kanye West, M.I.A, Jorge Ben Jor, entre outros.

Laudz vem da nova geração de produtores e DJs, mas apesar da pouca idade, já chamou a atenção de grandes nomes mundiais como Snoop Dogg e Dr. Dre. Juntos, eles já trabalharam em produções e remixes de artistas como Major Lazer, Childish Gambino, Dj Snake & Justin Bieber, Jason Derulo, Sting, Anitta, Criolo, entre muitos outros.

Nos últimos anos, o Tropkillaz lançou mais de 100 musicas, entre singles autorais e remixes, atém de ter tocado nos principais festivais e clubs do mundo (fizeram mais de 300 shows em 30 países diferentes). Em 2018 iniciaram uma nova fase de sua carreira: assinaram um acordo global com a Universal Music, e já lançaram mais três sucessos: “Milk & Honey”, em parceria com o cantor norte-americano Aloe Blacc, “Loko”, com Major Lazer, Kevinho e Busy Signal, e “Bola Rebola”, com Anitta, J. Balvin e MC Zaac.

“Bola Rebola” foi instantaneamente um sucesso e bateu um milhão de streams em apenas 12 horas no Spotify, além de ter sido a música mais transmitida na plataforma no Brasil por mais de 30 dias.  No iTunes alcançou rapidamente o 1º lugar no ranking de downloads no Brasil, também entrou no 2º lugar no Equador, Top 20 em Portugal e Top 100 no México, Espanha, Suíça e Itália. Já o videoclipe alcançou mais de 7 milhões de visualizações em apenas 24 horas.

Mais sobre Dubdogz:
Dubdogz é uma dupla de música eletrônica formada pelos irmãos gêmeos Marcos Ruback Schmidt e Lucas Ruback Schmidt. Nascidos em Juiz de Fora, Minas Gerais, os jovens contabilizam mais de 10 anos de carreira, nos quais criaram diferentes projetos solos de Hi-Tempo, sendo eles Wega e Ruback . Após amadurecimento artístico e musical, o projeto Dubdogz teve início em 2016, com o primeiro grande sucesso sendo o remix de “Pumped Up Kicks”, da banda Foster The People, em colaboração com Joy Corporation, com quase 20 milhões de streams no Spotify.

A faixa autoral “Techno Prank”, o primeiro grande hit do duo, contabiliza mais de 50 milhões de transmissões. Já a música “Infinity”, em parceria com Bhaskar, chegou ainda mais longe: mais de 62 milhões de plays rompendo as barreiras continentais e ficando entre as músicas mais tocadas da França e Alemanha.

O duo apresenta produções afiadas que transitam entre o Slap House / Slap Bass até o Progressive House, com shows completos e muito carisma, característica especial dos produtores que nasceram para fazer a alegria das pistas. Os artistas já tocaram em diversos países, como África do Sul, Alemanha Austrália, Dinamarca, França, Inglaterra, México, Portugal, Suíça e Tailândia; além de ter na bagagem passagens por grandes festivais, como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Tomorrowland Brasil, XXXperience, Só Track Boa, Electric Zoo Brasil e Ultra Music Festival Brasil.

2020 foi um ano com muitas músicas para a dupla, entre elas “Infinity”, em parceria com Bhaskar; “Free My Mind”, com Alok e Rooftime; remix de “Baila Conmigo”; single “Atomic Bomb (feat. Juan Alcasar)” com Jetlag e Vitor Bueno; “Pablo Escobar (feat. Charlott Boss)”; “Cookie Dough” com Quarterhead; “Love It (Sun Goes Down) (feat. Lauren Nicole)”, em parceria com KVSH e Disorder; remix de “Tu Tu Tu (That’s Why We)”, do Galantis, com SUBB; remix de “Psycho Killer”, collab com Ten Tonne Skeleton; remix de “Dias Melhores”, do Jota Quest; “Drop It (feat. LUISAH)”, com Flakkë e Mariana BO; e dois EPs - “Day” e “Night”, pela Spinnin’ Records.

Tracklist de “Rita Lee & Roberto – Classix Remix”:

1. Mutante (Gui Boratto rework)

2. Mania de Você (Dubdogz & Watzgood music remix)

3. Cor de Rosa Choque (Mary Olivetti remix)

4. Caso Sério (DJ Marky latin love song remix)

5. Lança Perfume (The Reflex music revision)

6. Vírus do Amor (Krystal Klear remix)

7. Doce Vampiro (Inner Soto remix)

8. Mania de Você (Harry Romero remix)

9. Caso Sério (DJ Marky drum'n'bass remix)

10. Saúde (Tropkillaz remix)

11. Atlântida (Renato Cohen remix)

12. Nem Luxo Nem Lixo (Chemical Surf remix)

.: Amy Adams brilha no trailer do suspense "A Mulher na Janela"


A Netflix lançou o trailer de "A Mulher Na Janela", filme estrelado por Amy Adams, Gary Oldman, Anthony Mackie, Fred Hechinger, Wyatt Russell, Brian Tyree Henry, Jennifer Jason Leigh, Jeanine Serralles, Mariah Bozeman e Julianne Moore. No longa-metragem, a psicóloga infantil Anna Fox (Amy Adams) sofre de agorafobia. Confinada em casa, ela começa a observar pela janela a vida aparentemente perfeita dos vizinhos da frente.


Um dia, ela acaba sendo testemunha de um crime violento, que vira sua vida de cabeça para baixo. Baseado no best-seller de Tracy Letts, este suspense psicológico revela segredos terríveis e mostra que ninguém é o que parece. Com Amy Adams, Gary Oldman, Anthony Mackie, Fred Hechinger, Wyatt Russell, Brian Tyree Henry, Tracy Letts, Jennifer Jason Leigh e Julianne Moore no elenco.


Sobre a Netflix
A Netflix é o principal serviço de entretenimento por streaming do mundo. São 204 milhões de assinaturas pagas em mais de 190 países com acesso a séries, documentários e filmes de diversos gêneros e idiomas. Quem assina a Netflix pode assistir a quantos filmes e séries quiser, quando e onde quiser, em praticamente qualquer tela com conexão à internet. Assinantes podem assistir, pausar e voltar a assistir a um título sem comerciais e sem compromisso. 

Trailer de "A Mulher na Janela" 


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