quinta-feira, 31 de julho de 2025

.: Entrevista: Peter LaRubia e o romance que surgiu de uma cena insuportável


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Quando o silêncio fala mais do que a palavra, é porque alguma coisa já morreu - e ninguém teve coragem de enterrar. É nesse terreno movediço entre o que se cala e o que se insinua que o escritor carioca Peter LaRubia finca o quarto romance escrito por ele e, talvez, o mais provocativo: "Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira". O título já é um soco educado. A história, um jantar que ninguém digere. E o autor, uma dessas presenças raras: feroz na escrita, mas discreto o suficiente para deixar desconfiado até o leitor mais atento.

Com uma trajetória marcada por frases cortantes, influências díspares (de Eurípides a Mutarelli) e um olhar clínico herdado da psicologia que nunca exerceu, Peter não oferece respostas, mas distribui feridas abertas. O novo livro, publicado pela Editora Patuá, será lançado na Flip 2025, nasceu do impacto de uma cena real: um suicídio presenciado em família. Mas o autor não buscou espetáculo, e sim abismo simbólico. Quem sobrevive a um jantar desses? Nesta entrevista, Peter encara perguntas que talvez preferisse manter sob o tapete da sala de estar. Afinal, como ele mesmo já escreveu, o silêncio também pode ser uma arma. Compre o livro "Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira", de Peter LaRubia, neste link.


Resenhando.com - Você escreve sobre o silêncio como quem traduz um grito abafado. Já pensou se, no fundo, a literatura é só um disfarce elegante para a nossa covardia de falar o que realmente sentimos?
Peter LaRubia - Gostei muito da analogia, obrigado. Agora, esse disfarce elegante algumas vezes é movido, sim, pela covardia, outras pela vaidade, outras pela curiosidade, outras vezes também pelo altruísmo, muitas vezes por uma necessidade de autocura e quase sempre por tudo isso junto. A literatura permite que o artista fale de si, mas também abre essa porta maravilhosa que é a da imaginação, a da chance de vestir várias peles e de mostrar muitos mundos.


Resenhando.com - “Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira” tem peso de tragédia grega, mas o cenário é um jantar em família. O que é mais insuportável: as tragédias mitológicas ou os almoços de domingo?
Peter LaRubia - Nenhum dos dois supera os jantares de Natal. Porque nada pode trazer alegria mais autêntica ou machucar mais fundo do que as pessoas mais próximas. O que há de trágico desde três mil anos atrás até hoje são os ciclos viciosos e a sensação de inescapibilidade deles. A sensação de que algo está escrito e que é impossível fugir. Como os comportamentos repetitivos que temos com os outros e de como não conseguimos - quase sempre nem nos damos conta - escapar dessa repetição.


Resenhando.com - Um homem se mata diante da ex-mulher e das filhas. Você rumina essa cena há 20 anos. Não seria esse tempo uma espécie de luto emprestado, uma tentativa de ressignificar a própria dor através da dor alheia?
Peter LaRubia - Pode ser. Não saberia dizer. Precisaria de alguns anos de análise pra dar essa resposta. Mas fugi da análise. Talvez por isso tenha escrito o livro. De qualquer forma, o livro acaba tomando um rumo bem diferente da história que ouvi. É a tal porta da imaginação que permite retrabalhar um material num diferente - alquimia das letras.


Resenhando.com - Seu livro é atravessado por mal-entendidos. Qual foi o maior mal-entendido da sua vida que, se não tivesse existido, talvez você nem escreveria?
Peter LaRubia - Impossível dizer. Mas de vez em quando lembro que quase fiz o ensino médio em zootecnia, eu gostava muito de animais e queria estudar e trabalhar com eles, principalmente insetos. Sempre me pego pensando que minha vida seria mais simples e prática, e eu seria muito mais feliz e satisfeito se tivesse tomado esse rumo.


Resenhando.com - Raduan Nassar, Cormac McCarthy, Mutarelli, Eurípides e Sófocles. Numa mesa de bar, com esses cinco, quem você acha que quebraria o silêncio primeiro?
Peter LaRubia - Nenhum. Eles se levantariam um a um se desculpando em gestos confusos e tímidos com a cabeça, sairiam do bar e tomariam o rumo de casa.


Resenhando.com - Frases curtas, imagens densas, diálogos como cordas bambas. Isso é estilo ou é o seu jeito de não deixar o leitor confortável demais?
Peter LaRubia - As duas coisas. A forma é indissociável do conteúdo. O estilo surgiu justamente porque eu precisava deixar o leitor no mesmo desconforto dos personagens.


Resenhando.com - “Entre as coisas humanas que podem nos assombrar, vem a força do verbo em primeiro lugar”, diz a epígrafe. Mas e a ausência do verbo? O que mais lhe assombra: o que foi dito ou o que nunca foi?
Peter LaRubia - O que pode ser dito é o que me dá medo. O que não consigo dizer é o que me persegue.


Resenhando.com - Você estudou Psicologia e Letras, mas nunca atuou. Isso diz mais sobre a universidade brasileira, sobre o mercado de trabalho, ou sobre sua recusa em lidar com a vida real fora da ficção?
Peter LaRubia - A terceira opção. Essa é uma resposta pro divã do terapeuta.


Resenhando.com - Campo Grande, tragédias gregas, bandas de rock alternativo e livros que não consolam. Quem é o Peter LaRubia que você teme que descubram - e quem é o que você tenta proteger?
Peter LaRubia - Independente do que eu responda cada um vai ver o que conseguir/quiser ver. E além do mais, sou apenas um rapaz latino-americano qualquer sem importância nenhuma, a não ser para a minha família e amigos íntimos. O importante mesmo para os outros, espero, são meus livros.


Resenhando.com - Você diz que cada livro é uma tentativa de responder perguntas que nem sabia que tinha. Já cogitou que talvez escreva justamente para não precisar responder a nenhuma?
Peter LaRubia - Pelo contrário, cada vez percebo mais que cada livro é justamente uma tentativa de me conhecer melhor e de lidar melhor com meus demônios.


.: Netflix revela primeiras imagens do filme "O Filho de Mil Homens"


Com direção de Daniel Rezende, produção emocionante chega globalmente à Netflix em 2025; confira a caracterização dos personagens principais. Filme com Rodrigo Santoro e grande elenco é baseado na obra homônima de Valter Hugo Mãe. Fo
to: Marcos Serra Lima / Netflix


A Netflix divulgou, nesta quarta-feira, as primeiras imagens dos personagens principais da adaptação de "O Filho de Mil Homens", filme baseado no livro homônimo de Valter Hugo Mãe. Com direção e roteiro de Daniel Rezende, o longa-metragem é protagonizado por Rodrigo Santoro, Miguel Martines, Rebeca Jamir e Johnny Massaro. "O Filho de Mil Homens" estreia na Netflix em 2025. 

Primeira adaptação de um livro do escritor Valter Hugo Mãe, a obra é um best seller e acompanha Crisóstomo (Rodrigo Santoro), pescador solitário que tem o sonho de ter um filho. Sua vida muda quando ele encontra Camilo (Miguel Martines), um menino órfão que decide acolher. Em uma tentativa de fugir de sua própria dor, Isaura (Rebeca Jamir) cruza o caminho dos dois, e, em seguida, Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, também se conecta com eles. Juntos, os quatro aprendem o significado de família e o propósito de compartilhar a vida.

Com produção da Biônica Filmes e da Barry Company, também fazem parte do elenco Antonio Haddad, Carlos Francisco, Grace Passô, Inez Viana, Juliana Caldas, Lívia Silva, Marcello Escorel, Tuna Dwek, entre outros. 

"O Filho de Mil Homens" foi gravado entre Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, e na Chapada Diamantina, na Bahia. As imagens divulgadas estarão em exposição para o público, a partir de amanhã, 31 de julho, na casa literária Esquina piauí + Netflix, durante a 23ª edição da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, mesma ocasião em que o autor do livro, Valter Hugo Mãe, se reúne com o diretor e roteirista do longa, Daniel Rezende, e a líder de filmes da Netflix Brasil, Higia Ikeda, para debater sobre os aspectos mais relevantes dessa adaptação. Compre o livro "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, neste link.

Ficha técnica
"O Filho de Mil Homens"
Direção: Daniel Rezende
Produzido pela Biônica Filme
Roteiro: Daniel Rezende (adaptação do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe)
Produção: Karen Castanho, Juliana Funaro, Bianca Villar, Fernando Fraiha, Krysse Melo, René Sampaio.
Produção Executiva: Bianca Villar, Daniel Rezende, Juliana Funaro, Karen Castanho, Rodrigo Santoro
Elenco: Luciano Baldan
Direção de Fotografia: Azul Serra
Direção de Arte: Taísa Malouf
Figurino: Manuela Mello
Caracterização: Martín Macías Trujillo
Montagem: Marcelo Junqueira
Música: Fábio Góes
Supervisão de Efeitos: Juliano Storchi
Supervisão de pós-produção: Bruno Horowicz Rezende
Produtor associado: João Macedo 


.: Escritora narra o rompimento com a fé em romance com traços autobiográficos


Em "Mulher de Pouca Fé", romance de formação com tintas autobiográficas, Simone Campos conta a jornada de uma menina carioca desde a infância, quando se converte a uma renomada denominação evangélica, até a vida adulta - momento em que rompe com a igreja. Uma história de amadurecimento, vínculos familiares e convicções que, muitas vezes, podem cair por terra. Lançado pela Companhia das Letras, o livro de 240 páginas tem capa de Alles Blau.

Nascida em uma família católica nos anos 1980, a narradora de "Mulher de Pouca Fé" se converte, ainda criança, a uma influente igreja evangélica no Rio de Janeiro depois que o pai decide abraçar a doutrina pentecostal e se torna um fiel fervoroso. Para quem nunca se sentiu acolhida na escola, entre colegas, e pela sociedade de modo geral, a religião surge como resposta para a dor da solidão.

Fazer parte da igreja passa a ter muitos significados. Vestir o rótulo de “crente” num meio de classe média em que eles são minoria a enquadra em um estigma, mas por outro lado faz com que a menina se sinta parte de algo maior. Criança precoce, desde cedo é chamada a cumprir papéis importantes na comunidade religiosa: orar na rádio, cantar no púlpito e, já na adolescência, participar da campanha política de um candidato-pastor e trabalhar como sua ghost-writer.

Ao descrever o desabrochar da sexualidade e do interesse por música e por literatura, a protagonista relata seu percurso espiritual, afetivo e profissional desde a infância até o começo da vida adulta. O machismo aparece como plano de fundo imprescindível da trama, pelo olhar de uma narradora que sente na pele o peso dos comportamentos que a doutrina evangélica rotula como desviantes e condenáveis.

No auge da juventude, alguns episódios fazem com que a personagem passe a questionar as próprias convicções, e ela decide romper com a igreja. Já adulta, recebe o diagnóstico de autismo e busca se reaver com o passado a partir de novas interpretações para os momentos e as situações que a formaram. Mulher de pouca fé é uma obra de ficção que parte de um testemunho real para narrar uma trajetória pouco convencional, em que a religião se apresenta, num primeiro momento, como acolhimento e, mais tarde, como privação. Compre o livro "Mulher de Pouca Fé", de Simone Campos, neste link.

Sobre a autora
Simone Campos nasceu no Rio de Janeiro em 1983. É doutora em literatura pela UERJ e autora de "No Shopping" (7 Letras, 2000), "A Feia Noite" (7 Letras, 2006), "A Vez de Morrer" (Companhia das Letras, 2014) e "Nada Vai Acontecer com Você" (Companhia das Letras, 2021), entre outros livros. Fopto: Luiza Sigulem. Compre os livros de Simone Campos neste link.


.: Nei Lopes traduz conceitos dos direitos humanos para a linguagem cotidiana


Vencedor do Prêmio Jabuti e considerado um dos principais intelectuais brasileiros em atividade, Nei Lopes lança "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" pela Editora Civilização Brasileira. Na obra, o autor, compositor e cantor “traduz” quase 500 verbetes para a fala popular, esclarecendo conceitos e práticas ligadas aos direitos humanos. Nei é um dos autores confirmados na programação oficial da Flip 2025.

Figura essencial para o pensamento brasileiro, no livro ele oferece ferramentas para ampliar a leitura de mundo de pesquisadores, ativistas, educadores e estudantes. Mais do que palavras impressas no papel, os significados listados no livro têm implicações na vida prática. A obra reúne quase 500 verbetes que explicam, em linguagem acessível, termos relacionados a esse vasto campo teórico e de prática que assegura a dignidade a todas as pessoas, principalmente àquelas pertencentes a grupos não hegemônicos. E faz isso apresentando com a mesma clareza e profundidade tanto conceitos populares, como “periferia”, “discurso de ódio” e “samba”, quanto os que circulam mais restritamente, como “decolonialidade”, “Estado democrático de direito” e “lugar de fala”.

Como Carlos Alberto Medeiros afirma no prefácio do livro, este "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" poderia ser descrito como manual antirreacionarismo. "Capaz de transmitir os princípios básicos a serem defendidos por todos aqueles que valorizam a convivência harmônica e o apoio mútuo entre os seres humanos”, define.

Com obras que vão da música à literatura, Nei Lopes se consagra como um dos intelectuais mais prolíficos e multifacetados do país. Seu mais novo livro desmitifica conceitos e expressões que antes ficavam restritos à esfera acadêmica. Dessa forma, além da obra ser uma rica fonte de estudo, o autor traz, para as massas, a clareza no que diz respeito a defesa dos direitos da cidadania de todo o povo brasileiro. Compre o livro "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" neste link.


Sobre o autor
Nei Lopes
(Rio de Janeiro, 1942) é bacharel em Direito e Ciências Sociais pela UFRJ e doutor honoris causa por quatro prestigiosas universidades: UFRJ, UERJ, UFRRJ e UFRGS. Autor de mais de quarenta livros, incluindo ficção e poesia, assina também diversas obras de referência, como "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" (Selo Negro) e "Novo Dicionário Banto do Brasil" (Pallas). 

Na música popular, sobretudo no samba, é compositor premiado, com parcerias renomadas e obras interpretadas por grandes artistas, como Alcione, Candeia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho. Recebeu a prestigiosa medalha da Ordem do Rio Branco pela importância de sua obra sobre cultura africana e afro-diaspórica. Pela editora Civilização Brasileira, publicou "Dicionário da História Social do Samba", vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção, e "Filosofias Africanas: uma Introdução" (ambos em parceria com Luiz Antonio Simas), além de "Dicionário da Antiguidade Africana". Compre os livros de Nei Lopes neste link.

.: "Um Clássico: matou a Família e Foi ao Cinema" em cartaz na Vila Maria Zélia


Com uma abordagem ácida e provocativa, o espetáculo desconstrói a moralidade e explora os limites entre realidade e ficção, revelando os dilemas de uma geração perdida. Na imagem, 
Walmick de Holanda, Carlos Jordão e Lucas Rocha em cena. Foto: Dany Fontana

Com uma abordagem crítica e provocativa, o espetáculo "Um Clássico: matou a Família e Foi ao Cinema" desconstrói a moralidade e explora os limites entre realidade e ficção, revelando os dilemas de uma geração perdida. A nova temporada acontece de 9 de agosto a 7 de setembro, com sessões aos sábados e domingos às 16h00. Ingressos a R$ 80,00 e R$ 40,00 na temporada de resistência do grupo XIX na Vila Maria Zélia.

A peça está indicada ao prêmio Shell 2025 na categoria melhor Direção. Participou do Festival de Teatro de Curitiba de 2025, do Farofa na Funarte-São Paulo, além de já ter sido contemplada pelo prêmio Zé Renato de Circulação da Secretaria de Cultura de São Paulo. 

Decorrente do núcleo de pesquisa O Cinema Como Presença, desenvolvido e orientado por Luiz Fernando Marques - Lubi, dentro do contexto dos núcleos de pesquisa do Grupo XIX de Teatro, a montagem traz a busca por pertencimento e a banalização da violência traçando um retrato de uma geração perdida entre o desejo de se rebelar e a incapacidade de agir.

Inspirado em dois filmes marcantes dos anos 60 - "Matou a Família e Foi ao Cinema", de Júlio Bressane, que trouxe terror e comédia juntos ao cinema e "Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora", de Djalma Limongi, um dos primeiros filmes a abordar uma relação homossexual no cinema brasileiro - o espetáculo brinca com a fronteira entre o que é visto na tela e o que acontece ao vivo. No palco, dois homens, duas mulheres e um narrador criam um jogo onde passado e presente se confundem, convidando o espectador a construir sua própria narrativa.

Essa história cinematográfica leva aos palcos um olhar inquietante sobre a apatia contemporânea e o papel do entretenimento na construção de narrativas que anestesiam a realidade. Com uma encenação provocativa, o espetáculo convida o público a refletir sobre os limites entre a ficção e a brutalidade do cotidiano.


Sobre a Temporada de Resistência na Vila Maria Zélia
Desde 2004, o grupo XIX de Teatro realiza uma residência artística nos espaços históricos e públicos da Vila Maria Zélia. Em 2025, o grupo foi intimado a se retirar do local. A princípio, a temporada realizada em maio marcaria a despedida de uma trajetória de 21 anos de residência. Uma solicitação de diálogo foi feita à Funarte, que se dispôs a interceder junto ao INSS. No entanto, enquanto não há uma definição sobre a permanência no espaço, o grupo segue sendo cobrado pelos aluguéis vigentes.

Neste contexto, serão realizadas uma série de ações voltadas à manutenção do grupo na Vila Maria Zélia, sendo esta temporada parte dessas iniciativas. Como forma de ampliar o acesso do público, está sendo oferecida uma cota de ingressos sociais gratuitos. Não será exigida qualquer forma de comprovação para a retirada desses ingressos, seja na compra online ou na bilheteria. Siga a peça no Instagram @umclassico.mffc.


Sinopse de "Um Clássico: matou a Família e Foi ao Cinema"
Em um país onde cinemas se transformaram em igrejas pentecostais, dois filmes brasileiros pioneiros, lançados em 1968 e 1969, abordam temas homoafetivos. Essas histórias pertencem a um passado conservador em preto e branco ou são presságios de um presente tingido de sangue?

Os clássicos de Júlio Bressane e Djalma Limongi (1950-2023) se encontram na fricção entre cinema e teatro, dando forma a uma experiência única. O público recria a narrativa, mesclando o que foi filmado com o que acontece ao vivo. Dois filmes, uma peça, duas mulheres, dois homens e um narrador entrelaçam passado e presente na busca por um futuro mais diverso.


Ficha técnica
Espetáculo "Um Clássico: matou a Família e Foi ao Cinema"
Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Marques (Lubi). Diretora assistente: Juliana Mesquita. Artistas Colaboradores e Atuantes: Bruna Mascarenhas, Clara Paixão, Carlos Jordão, Lucas Rocha e Walmick de Holanda. Cenografia e Edição de vídeo: Luiz Fernando Marques (Lubi). Figurino, visagismo e direção de arte: Bruna Mascarenhas, Clara Paixão, Carlos Jordão, Juliana Mesquita, Lucas Rocha, Luiz Fernando Marques Lubi e Walmick de Holanda. Técnico de Luz, som e vídeo: Luiz Fernando Marques (Lubi) e Juliana Mesquita Técnico de apoio: Cafi Otta e Luís Roberto Oliveira Mídias Sociais: Wagner Marinho Produção:Grupo XIX e Corpo Rastreado Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.


Serviço
Espetáculo "Um Clássico: matou a Família e Foi ao Cinema"
De 9 de agosto a 7 de setembro - Sábados e domingos, às 16h.
Duração: 80 minutos. Indicação: Maiores de 18 anos. Capacidade: 50 espectadores por sessão. Ingressos: R$ 80,00 e R$ 40,00.Compras pelo Sympla : https://www.sympla.com.br/eventos?s=um%20classico%20matou
Vila Maria Zélia - Rua Mário Costa 13 (Entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres) – Belém. Telefone – (11) 2081-4647. Acessibilidade. Estacionamento: gratuito. 

.: Jéssica Balbino lança "Porca Gorda" na Flip e transforma gordura em manifesto


Livro é publicado pela Barraco Editorial e, em formato de bolsa, expõe as violências da gordofobia. Foto: Jéssica Balbino / Selfie


No dia 1º de agosto, às 10h00, na Casa Queer, durante a Flip 2025 - Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora, jornalista e curadora Jéssica Balbino lança "Porca Gorda". Misturando memória, desejo e política em uma autoficção radical, a autora transforma a própria carne em campo de batalha e convida o leitor a encarar o que normalmente é escondido: o corpo gordo, sexual, ferido e indomável. O resultado é um texto direto, brutal e, por vezes, desconcertante, que denuncia a gordofobia como violência estrutural e escancara a hipocrisia dos discursos de aceitação.

“Sou porca. E isso é um elogio”, escreve Jéssica, em um dos trechos da obra. "Escrevo com a gordura que vocês tentam apagar com bisturi”. A autora constrói uma narrativa que mistura crônica, manifesto e prosa poética, e desafia qualquer tentativa de enquadramento. "Porca Gorda" é literatura feita de suor, sexo, escárnio, cicatriz e palavras afiadas. O lançamento acontece na programação independente da Flip, em Paraty, e segue para a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) em São Paulo. Com ela, promete marcar a edição com uma das vozes mais inquietas e provocadoras da nova literatura brasileira.


Sobre a autora
Jéssica Balbino é jornalista com mais de 20 anos de carreira, mestre em Comunicação pela Unicamp e professora de bibliodiversidade no Centro Universitário Assunção (PUC). Colunista do Estado de Minas, escreve sobre literatura, corpo e dissidências. Atua como curadora, consultora de conteúdo e ministra oficinas e cursos em instituições como o Sesc, além de festivais como FLIPEI, MIA, FLUP e FLIMA. É autora de Gasolina e Fósforo (selo Doburro) e co-criadora do curso Insurgências Gordas.

Apresentadora do podcast Rabiscos, já integrou júris de prêmios como Jabuti, Arte como Respiro (Itaú Cultural) e Caminhos. Seus textos foram adotados em universidades no Brasil e no exterior, como a Universidade de Berlim, como bibliografia obrigatória para disciplinas de literatura marginal e periférica. Defende uma literatura viva, acessível e plural - e acredita nela como espaço de encontro e confronto.

Serviço
Lançamento do livro "Porca Gorda"
Sexta-feira, dia 1° de agosto de 2025, às 10h00
Casa Queer – Flip (Paraty/RJ)
Evento gratuito

quarta-feira, 30 de julho de 2025

.: Inácio Araujo detona farsas e revela os bastidores da análise cinematográfica


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: redes sociais do crítico

Fazer cinema é uma arte. Assistir também. Mas escrever sobre ele com lucidez, coragem e ironia - isso é para poucos. Inácio Araujo, crítico de cinema da Folha de S.Paulo, montador nos anos 1970, professor desde os anos 90 e escritor premiado, transita por essas múltiplas dimensões com uma lucidez rara. Em pleno 2025, quando a crítica cultural parece pisar em ovos e o algoritmo dita a relevância, Araujo continua escrevendo com o refinamento de quem acredita que um filme pode ser desvendado - ou desmascarado.

À frente de mais uma edição do curso “Cinema Moderno e Contemporâneo”, ele conversou com o Resenhando.com sobre cinema, política, redes sociais, farsas premiadas, cochilos confessos e a arte de dizer “esse filme é ruim” sem perder o sono - ou a elegância. Há uma honestidade crua em Inácio Araujo que falta a boa parte da crítica cultural contemporânea - aquela que se preocupa mais com o engajamento que com o pensamento. O resultado é uma conversa entrecortada por humor ácido, referências afiadas e a consistência de quem carrega 40 anos de crítica sem nunca ter pedido desculpas por pensar demais. 


Resenhando.com - Você foi montador, roteirista, crítico e professor de cinema. O que mais te emociona: o “corte seco” de uma edição bem-feita ou uma plateia que realmente entendeu um subtexto que o próprio diretor talvez não tenha percebido?
Inácio Araujo - Prefiro o primeiro, porque o segundo não existe, é um sonho.


Resenhando.com - Em tempos de redes sociais, onde todo mundo virou “crítico de cinema” com duas linhas e uma hashtag, como você lida com a banalização da crítica?
Inácio Araujo - Acho que ainda não há tempo para julgarmos as redes sociais, nesse sentido. Me parece muito bom que muitas pessoas possam escrever, pensar, discutir sobre filmes. Claro, sempre haverá quem esteja mais bem preparado ou não para    isso.  Pessoalmente, quase não frequento redes sociais, mas não por ser contra. Fui formado em outra época. Mas não creio que redes sociais possam ser responsáveis pela banalização do que quer que seja. Talvez a nossa formação, brasileira, seja muito fraquinha. Isso, sim, é uma questão.


Resenhando.com - O curso "Cinema Moderno e Contemporâneo" fala de reinvenção. Qual cineasta contemporâneo você considera uma farsa elegante e qual é um gênio silencioso que ainda será descoberto?
Inácio Araujo - Cineasta farsa: Peter Greenaway. Ainda por ser descoberto: vários, mas André Novais Oliveira me parece especial.


Resenhando.com - . O crítico deve mesmo dizer quando cochila ou há um pacto de silêncio entre o tédio e a diplomacia? 
Inácio Araujo - Acho que certas reações indicam o que sentimos. Tive um amigo que, quando gostava mesmo de um filme, não saía da sala para fumar  (e era um grande fumante). Por vezes me parece justo, até saudável, reportar alguma reação desse tipo. Mas muito raramente. Não acho que haja pacto, e sempre é possível rever um filme... Só dormi (dormi dormido) em um filme na vida: "Tommy", de Ken Russell. Vai passar numa retrospectiva da Cinemateca. Será que em  50 anos eu mudei, ou o filme mudou?


Resenhando.com - Você já foi acusado de escrever críticas “hostis” demais. Prefere a franqueza que machuca ou a gentileza que mente? Por quê?
Inácio Araujo - Eu posso não gostar de um filme, de um modo de filmar, de olhar o mundo. Mas posso apenas dizer o quanto não gostei do filme. Outras pessoas podem gostar. De todo modo, tomo cuidado de, eventualmente, ser contra o filme, não contra o diretor ou o roteirista. Não ataco pessoas. Tudo de que um crítico dispõe é do seu pensamento, da sua maneira de olhar o mundo. Se você não for fiel a isso, acabou. Pessoalmente, acho desagradável, mas tenho de dizer às pessoas coisas como "olha, eu não gostei". Faz parte e não quer dizer que eu esteja dando a última palavra. Um crítico é um intérprete, não um juiz.


Resenhando.com - Brian De Palma, David Lynch, Abbas Kiarostami: se os três estivessem em uma mesma sala e você tivesse que tirar um para conversar a sós, quem você escolheria - e por quê os outros dois ficariam de fora?
Inácio Araujo - Os três na mesma sala? Eu sairia. Deixa que eles se entendam. Quem sou eu para escolher um deles?


Resenhando.com - Seu texto sobre "Que Horas Ela Volta?" toca em um ponto sensível: a herança escravocrata brasileira. O cinema nacional está preparado para ser político sem virar panfleto?
Inácio Araujo - Está muito bem equipado. Essa geração que surge entre o fim dos 90 e o século XXI é ótima. Mas "Que Horas Ela Volta" é uma falsa boa ideia. Uma ideia traiçoeira...Mas se a mesma Anna Muylaert filmasse, digamos, a história de um cotista e o que ele sofre quando frequenta, por exemplo, a Medicina da USP... Como é hostilizado pelos riquinhos... Tenho certeza de que faria um bom filme. Ela é muito boa diretora… Mas talvez para fazer esse filme que estou propondo fosse melhor chamar o fantasma do Pasolini... O Pasolini do Salô, claro, só ele está à altura de mostrar a sordidez da riqueza nacional.


Resenhando.com - Você já dedicou linhas duras a filmes da Globo Filmes. Se fosse convidado para escrever um roteiro para a própria Globo, você aceitaria? 
Inácio Araujo - Veja: enquanto eu falava mal dos filmes da Globo Filmes, minha mulher os estudava. E me convenceu, no fim sobre o quanto esses filmes eram importantes, porque "mercado também é cultura", como dizia o Gustavo Dahl... então, a Globo, os roteiristas e artesãos que fazem esses filmes, compreendem muito melhor um público grande, que eu mesmo não compreendo. Então, eu "falava mal" porque falava em nome dos princípios da arte. Mas arte ou "arte"? Não sei. Agora, claro que a Globo não me convidaria para escrever um roteiro, porque não entendo bem o desejo desse público, o que ele quer ver, por que quer etc... Não que eu tenha mudado de ideia: quase todos esses filmes são insuportáveis para quem tem o hábito de ver filmes, cinema. Mas de vez em quando aparece uma joia, como que para provar que, se a gente insistir, se a gente pensar em aproveitar a experiência dessa população, pode-se chegar a bons resultados. Foi assim com o cinema popular dos anos 60/70. Pode vir a ser de novo... por exemplo, existe uma comédia que uma joia, chama-se "Os Parças" (2017), popular e inventivo. Depois a Globo foi lá e fez "Os Parças 2" e estragou tudo. Acontece. Às vezes a gente tem de entender o que há por trás daquilo. Por que 2 milhões de pessoas foram ver "De Pernas para o Ar"? É claro, porque fala, a seu modo, de liberação feminina. Mas quando você escreve o filme ainda não foi visto... A melhor crítica seria, nesse sentido, aquela que você faz vendo o filme junto com o público. Sobretudo de filmes endereçados a um público diferente do que você é, mas igualmente merecedor de atenção e respeito

Resenhando.com - A crítica cultural, hoje, parece andar sobre ovos para não ser “cancelada”. O que dá mais medo: um filme ruim ou uma plateia que prefere a mediocridade bem embalada?
Inácio Araujo - O problema para mim é que vivemos num mundo em que a intolerância é enorme. A vigilância é permanente, por todos os motivos: políticos, religiosos e tudo mais. Todo mundo virou polícia de todo mundo. E eu não gosto de polícia. Já fui repórter na vida, cobri  muita polícia.


Resenhando.com - Aos 40 anos de carreira como crítico, qual foi o momento em que você pensou: “Agora entendi o cinema”?
Inácio Araujo - Nunca. Ele é como o tempo, escapa sempre.


Serviço 
Curso “Cinema Moderno e Contemporâneo” com Inácio Araujo
Início: 28 de julho de 2025
Horário: Segundas-feiras, das 20h às 22h30
Plataforma: Zoom (com gravação das aulas para acesso posterior)
Duração: 20 aulas (até 8 de dezembro)

Conteúdo
O curso percorre a transformação do cinema no pós-guerra, com foco em cineastas como Orson Welles e Roberto Rossellini, movimentos como o neorrealismo italiano e a nouvelle vague francesa, e segue até o cinema contemporâneo, incluindo nomes como Abbas Kiarostami, Brian De Palma, David Lynch, além do cinema feminino, negro e das vanguardas orientais.

Investimento: 5 parcelas de R$ 300,00

Inscrições e informações:
WhatsApp: (16) 97414-3634 (com Letícia)
E-mail: cinegrafia@uol.com.br


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As principais estreias da semana e os melhores filmes em cartaz podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

.: Gabriel Braga Nunes e Luis Carlos Vasconcelos: leitura dramática em SP


Gabriel Braga Nunes e Luis Carlos Vasconcelos protagonizam leitura dramática de “Perfídia”, obra sobre amor, obsessão e vício emocional


Nesta quinta-feira, às 20h00, o Teatro D-Jaraguá, em São Paulo, recebe a leitura dramática do espetáculo "Perfídia - Viciados de Amor", protagonizada por Gabriel Braga Nunes e Luis Carlos Vasconcelos. O texto é assinado por Darson Ribeiro, ator e diretor que mergulha nas complexidades das relações humanas para criar uma história atemporal e provocativa entre dois homens marcados por uma ligação tão intensa quanto destrutiva.

Inspirado em uma experiência amorosa vivida pelo próprio autor com uma mulher, o texto migra para o universo masculino como forma de universalizar a narrativa e questionar a banalização de termos como “relacionamento tóxico”. “Criei uma história fictícia entre dois homens para expor que o amor é sobre tudo e todos - e que ele pode atravessar preconceito, vínculos familiares, suicídio e outros tantos temas difíceis”, explica Darson Ribeiro. A peça coloca em cena, inclusive, uma Medida Protetiva em vigor entre os personagens, algo raramente abordado quando se trata de relações homoafetivas.

A leitura propõe uma análise crua e sem estereótipos da dependência emocional por meio de um embate entre o amor idealizado e a racionalidade psicanalítica freudiana. O espetáculo se constrói como uma ode ao amor contemporâneo - aquele que não cabe mais em moldes pré-estabelecidos e que escancara as falências afetivas de indivíduos e da própria sociedade. Com estética arrojada, marcada por espelhos no piso e nas paredes, a encenação proporciona ao público uma experiência tridimensional, quase voyeurística. “O deleite é trágico, mas também é expurgatório”, afirma Darson, que dedica a obra à memória do diretor curitibano Cleon Jacques, brutalmente assassinado em plena juventude e que, segundo o autor, teria se tornado um dos maiores nomes do teatro brasileiro se estivesse vivo.

Inspirado também em peças como “Zoo Story”, de Edward Albee, "Perfídia" busca abraçar o público que já experimentou os abismos do amor — o platônico, o passional, o que se deseja, o que destrói. “É uma simbiose doentia. Um relacionamento que pode ter começado como amor, mas se transformou em vício. Com a Medida Protetiva em vigor, o público assume o papel de testemunha das visitas obrigatórias e torna-se cúmplice daquela relação em ruínas”, afirma Darson.

Serviço
Espetáculo “Perfídia  Viciados de Amor”
Quinta-feira, 31 de julho de 2025, às 20h00, no Teatro D-Jaraguá – Hotel Jaraguá São Paulo
Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista, São Paulo – SP
Duração: aproximadamente 80 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$ 20,00
Gênero: drama contemporâneo

.: Nos cinemas, “Amores Materialistas” reúne três lendas da Marvel


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com.

Estreia nos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira, a comédia romântica “Amores Materialistas” (“Materialists”) é um filme escrito e dirigido por Celine Song. A trama gira em torno de Lucy, uma casamenteira sofisticada interpretada por Dakota Johnson, que se vê dividida entre dois homens: Harry (Pedro Pascal), um empresário rico e encantador, e John (Chris Evans), o ex-namorado aspirante a ator e garçom. Ambientado em Nova Iorque, o filme combina luxo e ironia para refletir sobre escolhas afetivas, poder e as normas modernas do amor. 

A crítica especializada já reage com entusiasmo: o filme acumula 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, e resenhas como as de TheWrap, Variety, BBC, Entertainment Weekly e The Hollywood Reporter destacam o caráter sofisticado do roteiro e a profundidade intelectual da direção, contrastando com o visual leve de uma comédia romântica clássica e questionando os valores contemporâneos sobre relacionamentos. 

Entre as curiosidades do filme, o relacionamento entre os três protagonistas gerou um “problema adorável” para a diretora Celine Song, pois a química natural entre Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans era tão autêntica que criava tensão na narrativa: era preciso que houvesse resistência emocional, e não amizade entre os personagens. Além disso, os três atores compartilharam conexões com a Marvel: Chris Evans foi Capitão América, Johnson aparece como Cassandra Webb em "Madame Teia", e Pascal está brilhando como Reed Richards em "Quarteto Fantástico - Primeiros Passos".


"Amores Materialistas" aborda relacionamentos modernos e reflete tendência do Brasil
No Brasil, uma parceria entre o site MeuPatrocínio e o Instituto QualiBest revelou que 37% das jovens brasileiras manifestaram algum interesse em um relacionamento em que se busca um parceiro com maior status econômico e social (“Sugar Daddy” e “Sugar Baby”) - justamente o perfil representado por Pedro Pascal no filme. A pesquisa mostra que segurança emocional (38%) e estabilidade financeira (34%) são os atributos mais buscados. O enredo, portanto, toca uma tendência real ao questionar as prioridades modernas no amor e no casamento, como o pagamento de luxos e a autonomia feminina, alinhando-se com o lema que inspira a protagonista: “algumas pessoas apenas querem mais”

Caio Bittencourt, especialista em relacionamento do MeuPatrocínio, explica a tendência nacional: “Hoje em dia, ninguém quer perder tempo com aborrecimentos desnecessários. Com mulheres bem preparadas e financeiramente independentes, a busca é por alguém que realmente possa somar”, afirma. “Muitas mulheres estão equilibrando responsabilidades e bem-estar, e o estilo de vida Sugar oferece essa alternativa, permitindo que sejam apoiadas por seus parceiros, sem abrir mão de sua autonomia, enquanto vivem experiências únicas. Mimos, presentes luxuosos e viagens estão entre os agrados que os sugar daddies costumam oferecer. E vamos concordar que qualquer mulher decidida merece esse tipo de tratamento”, finaliza Caio.


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Programação do Cineflix Santos
“Amores Materialistas” | “Materialists” | Sala 3
Classificação indicativa:
14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Celine Song. Roteiro: Celine Song. Elenco: Dakota Johnson, Chris Evans, Pedro Pascal, Zoë Winters, Marin Ireland, Dasha Nekrasova, Louisa Jacobson, Sawyer Spielberg, Eddie Cahill, John Magaro (voz), entre outros. Distribuição: Sony Pictures. Duração: 1h57. Cenas pós-créditos: não.

Sinopse resumida de "Amores Materialistas"
Lucy, uma casamenteira de elite em Nova York, vive unindo casais. Na véspera de seu décimo casamento de sucesso, conhece Harry, um verdadeiro “par perfeito”, mas reencontra John, seu ex-namorado garçom e aspirante a ator. Dividida entre conforto e paixão, ela precisa questionar se o amor pode ou deve ser quantificado a partir de status e segurança emocional, ou se ainda vale deixar-se levar pelo sentimento.

Dublado
31/7/2025 - Quinta-feira: 15h10
1°/8/2025 - Sexta-feira: 15h10
2/8/2025 - Sábado: 15h10
3/8/2025 - Domingo: 15h10
4/8/2025 - Segunda-feira: 15h10
5/8/2025 - Terça-feira: 15h10
6/8/2025 - Quarta-feira: 15h10

Legendado
31/7/2025 - Quinta-feira: 17h40 e 20h10
1°/8/2025 - Sexta-feira: 17h40 e 20h10
2/8/2025 - Sábado: 17h40 e 20h10
3/8/2025 - Domingo: 17h40 e 20h10
4/8/2025 - Segunda-feira: 17h40 e 20h10
5/8/2025 - Terça-feira: 17h40 e 20h10
6/8/2025 - Quarta-feira: 17h40 e 20h10

.: "Aldo Baldin - Uma Vida pela Música": a história do tenor que o Brasil ignora


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com.

Nesta quinta-feira, dia 31 de julho, estreia nos cinemas brasileiros o documentário musical "Aldo Baldin - Uma Vida pela Música" ("Aldo Baldin - A Life for Music"). Dirigido por Yves Goulart, o filme traça a impressionante trajetória do tenor Aldo Baldin, natural de Urussanga, Santa Catarina, que conquistou os palcos mais prestigiados do mundo da ópera.

Com duração de 1h14, a produção trouxe depoimentos do próprio Aldo, entrevistas com familiares, amigos, músicos renomados - entre eles Isaac Karabtchevsky e o compositor Edino Krieger - além da viúva e filhas dele, em uma narrativa em primeira pessoa que revela tanto os desafios quanto os encantamentos da vida num mundo operístico internacional. Gravações dos mais de 100 discos dele, cenas íntimas e entrevistas ao longo de 14 anos reunidos entre tropeços e triunfos, compõem o mosaico de uma carreira que ganhou inúmeras premiações internacionais - 24 ao todo - mas que permanece relativamente desconhecida no Brasil 

O filme se distingue por humanizar uma figura do universo erudito sem recorrer a arroubos grandiosos: a direção de Yves Goulart privilegia a simplicidade e a autenticidade, mostrando aquele cantor de origem modesta que, guiado por vocação, alcançou fama mundial. O afeto pela música e o orgulho nacional presente em cada depoimento revelam o quanto Aldo Baldin era considerado um verdadeiro embaixador da ópera brasileira 

O documentário “Aldo Baldin - Uma Vida pela Música” tem sido enquadrado como uma celebração da força transformadora e redentora da música no universo da ópera. Esta produção levou 14 anos para ser concluída, evidenciando o compromisso de Goulart em capturar detalhes da trajetória de Aldo Baldin e climas diferentes de memória, emoção e contribuição cultural. O conjunto da obra - depoimentos íntimos, arquivos sonoros, prêmios internacionais e ambientação cruzando gerações - compõem não apenas uma biografia de um artista lírico, mas um registro afetivo e histórico de uma forma de arte que, por força da qualidade, transcende fronteiras.

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Programação do Cineflix Santos
“Aldo Baldin - Uma Vida pela Música” | "Aldo Baldin - A Life for Music" | Sala 2
Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2023. Idioma: português e alemão. Direção: Yves Goulart. Roteiro: Yves Goulart. Depoimentos de: Aldo Baldin (em imagens de arquivo), familiares, amigos e músicos como Isaac Karabtchevsky e Edino Krieger. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Duração: 74 minutos. Cenas pós-créditos: não.


Sinopse resumida de "Aldo Baldin - Uma Vida pela Música"
O documentário apresenta a trajetória do tenor catarinense Aldo Baldin, desde sua origem humilde em Urussanga até sua consagração nos maiores palcos de ópera da Europa. Por meio de imagens raras, entrevistas e gravações musicais, o filme retrata a paixão de Baldin pela música e seu impacto duradouro na cultura erudita internacional. A produção é um tributo sensível a um artista brilhante e pouco reconhecido em seu país de origem.

Idioma original
31/7/2025 - Quinta-feira: 17h10
1°/8/2025 - Sexta-feira: 17h10
2/8/2025 - Sábado: 17h10
3/8/2025 - Domingo: 17h10
4/8/2025 - Segunda-feira: 17h10
5/8/2025 - Terça-feira: 17h10
6/8/2025 - Quarta-feira: 17h10

.: "Quando o Brasil Era Moderno" estreia nos cinemas depois de se destacar


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com.

O documentário "Quando o Brasil Era Moderno" estreia nos cinemas, depois de se destacar no Festival É Tudo Verdade, com exibições em São Paulo e no Rio de Janeiro, e receber menção honrosa pela pesquisa e clareza ao articular arquitetura, política, arte e educação brasileira. Dirigido por Fabiano Maciel, que também assina o roteiro junto com Guilherme Vasconcelos e Lauro Cavalcanti, o filme se inspira no livro "Moderno e Brasileiro", de Cavalcanti, e explora como o modernismo arquitetônico foi parte ativa de disputas de poder no Brasil entre 1930 e 1960 - desde o emblemático Ministério da Educação e Saúde no Rio até a construção de Brasília 

O elenco de depoimentos inclui personalidades como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Paulo Mendes da Rocha, além de críticos, sociólogos e historiadores como Guilherme Wisnik, Carlos Lemos, Renato Anelli, Lauro Cavalcanti e Maurício Lissovsk. Com duração de cerca de 93 minutos, a partir de 10 anos, o longa-documentário foi produzido pela Ocean Films e distribuído pela O2 Play, distribuidora ligada ao grupo O2 Filmes.  

As filmagens começaram durante as eleições de 2018. Com o desenrolar dos acontecimentos, o diretor percebeu que não se tratava apenas de estética, mas de um debate urgente sobre um projeto de nação abandonado. Segundo Fabiano Maciel, as disputas ideológicas dos anos 1930 se repetem hoje com forças tão radicais quanto antes, evidenciando o fracasso de um ideal de país mais justo, belo e moderno. A narrativa foi considerada por um veículo como "um dos filmes mais tristes que já vi", exatamente por expor a alienação entre o sonho modernista e a realidade de um país que, sete anos depois do início das filmagens, continuava na encruzilhada entre passado escravocrata e futuro prometido. 

Em um trecho impactante, alguém pergunta no documentário: “quando é que trocámos o modernismo pelo ‘burrismo’?”, resumindo a tensão entre o projeto cultural e político que falhou em se consolidar. O júri do festival "É Tudo Verdade" elogiou a amplitude da pesquisa, a estrutura narrativa e a forma contundente como o documentário conecta marcos da arquitetura à trajetória política do Brasil e a essa crise de identidade nacional.

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As principais estreias da semana e os melhores filmes em cartaz podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Programação do Cineflix Santos
"Quando o Brasil Era Moderno" | Sala 2
Classificação indicativa: a partir de 10 anos. Ano de produção: 2024. Idioma: português. Direção: Fabiano Maciel. Roteiro: Fabiano Maciel, Lauro Cavalcanti e Guilherme Vasconcelos. Depoimentos de: Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Paulo Mendes da Rocha, Guilherme Wisnik, Renato Anelli, Carlos Lemos, Lauro Cavalcanti, entre outros especialistas e estudiosos. Distribuição: O2 Play. Duração: 93 minutos. Cenas pós-créditos: não.

Sinopse resumida de “Quando o Brasil Era Moderno”  
O documentário revisita um momento crucial da história brasileira, entre 1930 e 1960, quando o país tentou se reinventar por meio do modernismo arquitetônico, representado por obras icônicas como o Ministério da Educação e Saúde e a cidade de Brasília. Através de imagens de arquivo e depoimentos de arquitetos, críticos e historiadores, o filme discute como a arquitetura moderna foi usada como instrumento político e símbolo de um projeto de nação que buscava romper com o passado colonial e desigual - um sonho que hoje parece esfacelado.

Idioma original
31/7/2025 - Quinta-feira: 19h40
1°/8/2025 - Sexta-feira: 19h40
2/8/2025 - Sábado: 19h40
3/8/2025 - Domingo: 19h40
4/8/2025 - Segunda-feira: 19h40
5/8/2025 - Terça-feira: 19h40
6/8/2025 - Quarta-feira: 19h40

terça-feira, 29 de julho de 2025

.: Rafael Dentini, o homem que virou Elton John, responde sem piedade


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Com mais de meio século de carreira, Elton John é daqueles artistas que atravessam décadas, estilos e gerações. Ícone da música pop mundial, as canções dele embalaram amores, despedidas e revoluções pessoais - e ainda seguem ecoando, mesmo para quem nasceu muito depois de "Your Song" tocar pela primeira vez nas rádios. Na próxima sexta-feira, dia 1º de agosto, a Arena Tatuapé recebe o espetáculo "Tributo a Elton John by Rafael Dentini", considerado o maior da América Latina. 

Mais que um cover, Rafael Dentini mergulha na alma artística de Elton com voz, figurino, carisma e - principalmente - respeito. Nesta entrevista exclusiva para o Resenhando.com, Rafael fala sobre a trajetória, o que significa interpretar um ícone vivo, os desafios de não virar uma caricatura e os bastidores de um tributo feito com paixão, intensidade e muito glitter.

Resenhando.com - Rafael, a semelhança vocal com Elton John é impressionante, mas como você trabalha para ir além da imitação e trazer sua própria identidade artística para o palco?
Rafael Dentini - A minha voz natural, tanto falando quanto cantando outras músicas, normalmente não se assemelha à do Elton John. Mas para fazer esse tributo, estudei bastante. Foi um longo processo até entender a dinâmica e o jeito dele de cantar e falar. Por ser britânico, ele tem particularidades no inglês que são diferentes do inglês americano, o que influencia muito a forma de pronunciar as palavras. Ainda hoje continuo estudando bastante, e conforme avanço, descobri novas nuances e formas de cantar, ajustando minha voz para me aproximar mais do timbre dele. Tudo isso, somado ao figurino, ao visual do show e à produção como um todo, contribui para criar essa semelhança - fruto de muito estudo. A voz do Elton John também mudou bastante ao longo da carreira, então procurei focar no período em que ela mais se parecia com a minha, que foi nos anos 70 e início dos 80. Esse recorte me permitiu chegar mais próximo da essência dele. Foi um processo longo, mas muito divertido.


Resenhando.com - Em meio a figurinos e performances que marcaram gerações, qual foi o maior desafio que você encontrou para equilibrar espetáculo visual e autenticidade musical?
Rafael Dentini - O maior desafio foi, além de cantar e tocar músicas com alto grau de dificuldade técnica, incorporar a performance visual. Reproduzir os figurinos, os gestos e o comportamento de palco do Elton John - especialmente nos anos 70 - exigiu bastante. Ele era extremamente performático: subia no piano, corria pelo palco, interagia o tempo todo, tudo isso sem perder a qualidade musical. Para mim, o mais desafiador foi unir todos esses elementos de forma natural, reproduzindo cada performance com intensidade e fidelidade.


Resenhando.com - Elton John é conhecido por sua vulnerabilidade e personalidade multifacetada. Como você incorpora essa complexidade emocional na sua performance, especialmente para um público que já conhece tão bem o original?
Rafael Dentini - Desde o início, fiz questão de deixar claro que o show é de fã para fã. Eu não sou o Elton John, nem quero ser ele. O que busco é homenageá-lo da melhor forma possível. Me colocar no lugar do fã, ao lado de quem está assistindo, cria uma conexão muito especial. Todos ali reconhecem a importância e a relevância que Elton John tem em suas vidas. As músicas falam diretamente ao coração das pessoas, despertam lembranças e emoções. Isso tudo constrói um ambiente muito emocionante e cria uma conexão verdadeira entre a banda e o público.


Resenhando.com - A música de Elton John atravessa gerações. Qual história pessoal ou reação do público mais te marcou em algum show seu?
Rafael Dentini - Um momento que me marcou profundamente foi em um show, ao final, quando fui tirar fotos com o público. Uma senhora estava muito emocionada. Chorando bastante, ela se apresentou e disse que tinha 92 anos e quase não saía mais de casa, mas que o grande sonho da vida dela era ver um show do Elton John - algo que nunca conseguiu realizar. Quando soube do nosso show, decidiu ir. E para ela, aquela experiência foi tão significativa que disse que, a partir daquele momento, poderia morrer feliz. Histórias como essa nos tocam profundamente e dão ainda mais sentido a tudo o que fazemos.


Resenhando.com - O tributo é “feito por fãs e para fãs”. Como você lida com as expectativas do público mais tradicional versus os novos fãs que talvez conheçam Elton John apenas por memes ou redes sociais?
Rafael Dentini - O Elton John tem um público muito amplo e diverso, porque ele também é um artista que está sempre se renovando. É o único que conseguiu emplacar sucessos no topo das paradas por cinco décadas consecutivas. Fazer um show de no máximo duas horas tentando representar toda essa carreira é um grande desafio. Por isso, montamos o repertório com base no público que estará presente, escolhendo as músicas que acreditamos que irão tocar mais as pessoas naquele momento. O público costuma se entregar muito, canta, dança e se emociona... A conexão acontece de forma muito natural e espontânea, impulsionada pelos grandes hits e pelas músicas que marcaram a trajetória do Elton John.


Resenhando.com - Você acredita que um tributo pode ser considerado uma forma legítima de arte, ou ele está sempre à sombra do artista original?
Rafael Dentini - Acredito que um tributo pode levar a mensagem e a música de um artista para lugares e pessoas que nunca tiveram a oportunidade de vê-lo ao vivo. Encaro o tributo como um grande espetáculo musical, quase como uma peça de teatro, como acontece na Broadway, onde se reproduzem obras de outros autores. Orquestas tocam sinfonías de Beethoven, de Bach... E eu estou ali, fazendo a minha representação de um artista que considero um dos maiores músicos que já existiram. 


Resenhando.com - Qual o seu papel nesse diálogo entre homenagem e criação?
Rafael Dentini - Continuar o legado de Elton John, especialmente agora que ele encerrou as turnês, é uma forma de manter viva sua música e levá-la ao maior número possível de pessoas.

Resenhando.com - Em um mundo cada vez mais digital e efêmero, que papel você acha que a música ao vivo, especialmente tributos como o seu, tem para manter viva a memória de artistas lendários?
Rafael Dentini - Estar presente em um show, vivenciar a experiência ao vivo, muda completamente a forma como sentimos a música. Música é sentimento. E ali, além da música, há o visual, a iluminação, os detalhes pensados para emocionar e transmitir a essência do show original. Essa troca entre o público e a banda eleva a experiência a um nível que nenhuma gravação consegue alcançar. Isso é fundamental para manter viva a chama, especialmente porque o Elton John sempre transmitiu essa energia contagiante aos fãs.


Resenhando.com - Se pudesse sentar para uma conversa franca com Elton John, o que você gostaria de perguntar ou dizer para ele sobre o que representa seu trabalho como tributo?
Rafael Dentini - Se eu tivesse a chance de estar frente a frente com o Elton John, a primeira coisa que faria seria agradecer por tudo que ele representa para mim e pela influência que teve na minha vida. Também mostraria o trabalho que faço no Brasil em homenagem a ele. De resto, não teria nada muito programado... deixaria o momento guiar a conversa, falaria o que sentisse vontade ali na hora. Acho que seria algo muito natural e espontâneo.


Resenhando.com - Seu repertório inclui os clássicos que todos amam, mas há alguma música menos conhecida de Elton que você sente que deveria ganhar mais destaque nos shows?
Rafael Dentini - Nosso repertório é baseado nas músicas mais famosas do Elton John no Brasil, especialmente aquelas que tocaram em novelas e fizeram muito sucesso por aqui. São canções que marcaram épocas e momentos importantes na vida de quem vai ao show. Sempre incluímos alguma surpresa também - uma música menos conhecida, seja por satisfação pessoal ou para apresentar ao público outras obras do Elton que talvez ainda não conheçam. Escolher uma agora seria difícil, porque sempre trazemos algo diferente para renovar a energia do espetáculo.


Resenhando.com - Pensando na sua trajetória, qual foi o momento em que você percebeu que não estava apenas reproduzindo uma voz, mas contando uma história, uma vida, através da música de Elton John?
Rafael Dentini - Acredito que percebi o verdadeiro impacto do show já na estreia. Quando acabou, vi a reação do público, os comentários, os abraços sinceros. Muitos fãs de Elton John vieram falar comigo, dizendo o quanto acharam bonito e emocionante o tributo. A aceitação ali, no momento do show, e a repercussão on-line me trouxeram uma paz muito grande. Eu tinha muito receio de não estar à altura do que o Elton John representa. Mas perceber que consegui transmitir ao menos um pouco da sua essência ao público foi o que me deu a motivação e a certeza de que estou no caminho certo - e que devo continuar levando essa homenagem adiante.


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