Na edição de 2026, serão premiadas duas obras do gênero romance. A premiação será dividida em duas categorias: Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance de 2025 e Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance de Estreia de 2025. O vencedor de cada categoria receberá R$ 200 mil e o edital para inscrição das obras está disponível por meio do site prêmio são paulo de literatura.org.br.
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terça-feira, 8 de setembro de 2026
.: Prêmio São Paulo de Literatura 2026 abre inscrições para 19ª edição
Na edição de 2026, serão premiadas duas obras do gênero romance. A premiação será dividida em duas categorias: Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance de 2025 e Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance de Estreia de 2025. O vencedor de cada categoria receberá R$ 200 mil e o edital para inscrição das obras está disponível por meio do site prêmio são paulo de literatura.org.br.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
.: Crítica: “Quando”, de Carla Madeira, coloca mãe e filho em lados opostos
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
Existe uma tentação contemporânea de dividir o mundo entre vítimas perfeitas e culpados absolutos. Carla Madeira faz o movimento contrário em “Quando”, quarto e mais ambicioso romance dela, publicado pela Editora Record. Um livro que exige do leitor algo particularmente desagradável: examinar as próprias convicções. Em tempos de uma sociedade cada vez mais adoecida, em que um streamer aborda e ridiculariza um ator da TV Globo na saída do Rock in Rio por causa da roupa que ele vestia e depois justifica a atitude como entretenimento, o livro ganha uma incômoda atualidade.
A história gira em torno de Viridiana, costureira e mãe de Margarida, Valquíria e Tito. Ela vive cercada pelos pequenos rituais da família, pelos afetos domésticos e por uma espécie de fé na possibilidade de manter tudo no devido lugar. Até que uma tragédia desmonta a bolha em que vive. Depois de chamar a polícia e denunciar o próprio filho, passa a conviver com uma pergunta que nenhuma sentença judicial consegue resolver: o que fazer com o amor quando ele está do lado de alguém que fez alguma coisa imperdoável?
A partir dessa premissa, começa a se desenvolver uma história em que maternidade, culpa, violência, homofobia, preconceito e Justiça se confundem até o leitor perceber que talvez não exista personagem suficientemente inocente para ocupar o papel de juiz. O gesto de Viridiana é brutal porque é correto e, ao mesmo tempo, devastador. Ela denuncia Tito à polícia porque amar alguém não significa necessariamente protegê-lo das consequências de seus atos.
Denunciar ou proteger o próprio filho se transforma em uma pergunta moral sem uma resposta satisfatória. A escritora sabe colocar o dedo na ferida e escolhe um lugar particularmente dolorido: o ponto em que uma mãe descobre que amar um filho pode significar entregá-lo à Justiça. Carla Madeira chegou a um ponto raro na trajetória dela como escritora. Depois do impacto de “Tudo É Rio”, da estrutura de “Véspera” e da investigação íntima de “A Natureza da Mordida”, “Quando” confirma uma escritora interessada em testar até onde a literatura pode levar uma situação aparentemente doméstica.
Machado de Assis já havia colocado, no conto “Pai Contra Mãe”, a miséria humana diante de uma escolha em que o afeto e a sobrevivência se enfrentam. Carla Madeira parece inverter o espelho em “Quando”: a situação a mãe contra o filho e o conflito ganha uma camada ainda mais incômoda, porque Viridiana precisa escolher entre proteger quem ama e entregá-lo às consequências do que fez. “Quando” poderia ter sido escrito como uma história convencional sobre culpa, violência e reconciliação.
Carla Madeira prefere desmontar o relógio, embaralhar os pontos de vista e fazer o leitor pensar, já que o livro avança aos solavancos do tempo. Há horários, lembranças, conversas, capítulos chamados “Engramas”, mudanças de perspectiva e episódios que retornam como se a memória fosse uma casa em que ninguém tivesse encontrado ainda o interruptor. A estrutura reproduz a experiência de quem espera: o tempo passa, mas alguma coisa permanece no mesmo lugar.
Viridiana espera Tito durante horas, dias, meses, vinte anos. Carla Madeira entende que o tempo sabe envelhecer pessoas, mas definitivamente não consegue educar sentimentos. Alguns leitores podem estranhar o ritmo contemplativo, sobretudo quando a narrativa parece interromper a ação para permanecer algum tempo dentro de uma lembrança, de uma conversa ou de uma sensação. Essa escolha, porém, está profundamente ligada ao que o romance pretende investigar: a autora quer que o leitor permaneça dentro das consequências.
Também é particularmente feliz a decisão de não transformar Viridiana em uma santa de porcelana. Ela erra, julga, sente vergonha, arrepende-se, recorda episódios que preferia esquecer e tenta compreender as próprias covardias. Em determinado momento, a mulher que se julgava correta percebe que já havia escolhido não enxergar outras dores quando elas bateram à própria porta. A maternidade, então, ganha contornos menos confortáveis. Uma mãe também pode ser espectadora, cúmplice involuntária, mulher amedrontada, pessoa preconceituosa e alguém capaz de rever a própria história.
Tito, por sua vez, não é apenas o filho denunciado, também está representado pela ausência que reorganiza a família. A homofobia surge dentro desse mecanismo familiar em que os personagens orbitam. O preconceito aparece em casa, no constrangimento, na vergonha, na religião usada como argumento, no medo da opinião alheia e na tentativa de transformar a sexualidade de alguém em problema coletivo. O romance entende que a violência também pode morar numa frase dita à mesa de jantar.
Carla Madeira não trata a dor como uma obrigação de solenidade. Pessoas continuam com fome durante tragédias, brigam por coisas pequenas, fazem sexo, criam filhos, queimam carne, tomam decisões ruins, sentem desejo, falam besteira e riem quando deveriam chorar, afinal, a vida tem péssimo gosto para escolher momentos adequados. O livro também não transforma sofrimento em espetáculo. A autora conhece o apelo da tragédia, mas não parece interessada em entregar ao leitor o conforto de um melodrama convencional. Carla Madeira escreve sobre uma família, mas observa um país.
O Brasil dos anos 1980 aparece como cenário social de uma narrativa marcada por preconceitos que não ficaram confinados ao passado e ainda ecoam em 2026. Homofobia, violência doméstica e familiar, autoritarismo e a ideia de que educar um filho significa moldá-lo pela força aparecem como sintomas de uma sociedade que aprendeu a chamar brutalidade de correção. Dentro desse contexto, expõe-se a fantasia de que os monstros nascem prontos, mas a escritora se mostra interessada no processo contrário: em como uma pessoa se forma dentro de uma família, quando uma violência pode ser ensinada, reproduzida e naturalizada, em como uma criança pode aprender que humilhar alguém é uma forma aceitável de exercer poder.
“Quando” deixa de ser apenas um romance sobre uma família destruída e passa a ser uma história sobre aquilo que o tempo faz quando decide não curar ninguém. O relógio anda, as pessoas envelhecem, o mundo continua, mas determinadas coisas permanecem no lugar em que foram pausadas. O quarto romance de Carla Madeira confirma uma escritora que poderia facilmente repetir a fórmula que a transformou em fenômeno editorial, mas prefere complicá-la. Em vez de oferecer outra história devastadora apenas pela devastação, constrói uma narrativa sobre o que vem depois da tragédia. Compre o livro “Quando”, de Carla Madeira, neste link.
.: "O Tesoureiro" revisita o caso PC Farias pelo olhar de Xico Sá
Livro recupera a investigação que levou o jornalista ao paradeiro do tesoureiro de Fernando Collor e reconstitui bastidores de um dos episódios mais emblemáticos da política brasileira. Foto: Renato Parada / Capa: Veridiana Scarpelli
O resultado é um livro que acompanha a ascensão e a queda de uma das figuras mais controversas da Nova República enquanto também registra a formação de um jornalista diante de uma cobertura que atravessou política, corrupção, perseguições e mistérios. A narrativa preserva ainda a marca literária do autor, que se inspira em referências como Hunter S. Thompson e incorpora elementos de literatura policial à investigação. Entre as figuras que povoam a história está a misteriosa informante conhecida pelo codinome Brigitte Monfort, nome emprestado de uma personagem de romances populares. Compre o livro "O Tesoureiro", escrito por Xico Sá, neste link.
Sobre o autor
.: “Gente Pobre” e “A Dócil” recolocam Dostoiévski no centro do debate literário
Novas traduções diretas do russo, lançadas pela Via Leitura, aproximam leitores contemporâneos de dois textos fundamentais do escritor e filósofo russo
O interesse também aparece nas livrarias. O mercado editorial brasileiro tem ampliado a publicação de coleções e novas traduções de autores russos, muitas delas realizadas diretamente a partir do idioma original. É nesse cenário que a Via Leitura lança “Gente Pobre” e “A Dócil”, dois livros que ajudam a compreender por que Dostoiévski continua dialogando tão de perto com o presente. As novas edições têm tradução direta do russo assinada pela linguista e tradutora Natalia Petroff, formada pela USP e especialista no idioma. O trabalho busca preservar a força dos textos originais e, ao mesmo tempo, oferecer ao leitor brasileiro uma porta de entrada acessível para a obra do escritor.
Publicado originalmente em 1846, apresentando uma narrativa epistolar de forte dimensão social, “Gente Pobre” foi o primeiro romance de Dostoiévski. A narrativa acompanha, por meio de cartas, dois personagens humildes que compartilham sentimentos, expectativas e dificuldades provocadas pela pobreza. A troca epistolar revela tanto as limitações impostas pela condição social quanto a sensibilidade e a dignidade daqueles que vivem à margem. Compre "Gente Pobre", de Dostoiévski, neste link.
Concentra em poucas páginas um intenso estudo sobre a mente humana,“A Dócil” apresenta um dos momentos mais concentrados e perturbadores da literatura de Dostoiévski. Após o suicídio da jovem esposa, um homem tenta reconstruir os acontecimentos que levaram à tragédia. Entre lembranças, justificativas e contradições, a narrativa expõe temas como solidão, orgulho, incomunicabilidade e os impasses das relações afetivas. Compre "A Dócil", de Dostoiévski, neste link.
Essa capacidade de observar o indivíduo em seus momentos de maior fragilidade explicam a permanência de Dostoiévski. Culpa, medo, isolamento, desigualdade, relações humanas e conflitos psicológicos atravessam o tempo e encontram eco em questões discutidas atualmente, inclusive no campo da saúde mental. Os livros integram a coleção de literatura russa da Via Leitura, que também reúne títulos como “Memórias do Subsolo” e “Noites Brancas”. Com a iniciativa, o Grupo Editorial Edipro amplia o acesso a traduções diretas e aproxima do público brasileiro obras fundamentais da literatura mundial. Para quem ainda vê os clássicos russos como leituras distantes ou difíceis, os dois lançamentos também podem funcionar como ponto de partida.
Sobre Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski (1821-1881) foi escritor, jornalista e filósofo russo. Considerado um dos grandes nomes da literatura universal e um dos precursores do pensamento existencialista, construiu uma obra marcada pela investigação dos conflitos psicológicos e das contradições humanas. Entre seus livros mais conhecidos estão “Crime e Castigo”, “O Idiota” e “Os Irmãos Karamázov”. Sua trajetória pessoal também foi marcada por dificuldades financeiras e familiares, além de períodos de exílio e intensa produção literária. A experiência de Dostoiévski diante da pobreza, da culpa, da perda e das relações humanas atravessou seus livros e ajudou a formar uma literatura que continua provocando leitores de diferentes gerações. Compre os livros de Dostoiéviski neste link.
.: "Espirais" leva Nelson Job às origens do Druamverso na Bienal de São Paulo
Romance de ficção especulativa combina filosofia, ciência, espiritualidade e cultura pop para contar a história de uma sociedade ancestral
Nelson Job na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
sábado, 5 de setembro de 2026
.: "As Irmãs de Amarelo" mergulha em escolhas difíceis e na sobrevivência
Novo romance de Mieko Kawakami chega ao Brasil pela Intrínseca e acompanha mulheres que tentam sobreviver à pobreza, à criminalidade e à falta de perspectivas. Foto: Reiko Toyama
Quanto de liberdade existe quando escolher é um privilégio que o dinheiro pode comprar? Em "As Irmãs de Amarelo", novo romance de Mieko Kawakami, autora de "Peitos e Ovos", essa pergunta ganha contornos cada vez mais incômodos ao acompanhar mulheres que encontram na amizade, no trabalho e até na criminalidade maneiras de escapar de uma vida marcada pela precariedade.
Publicado pela Intrínseca, o livro leva o leitor às noites de Tóquio do fim dos anos 1990 e retoma alguns dos assuntos recorrentes na obra da escritora japonesa, como desigualdade social, trabalho feminino e os limites impostos às mulheres quando faltam dinheiro, proteção e perspectivas. Vencedora do Prêmio Yomiuri de Literatura, Kawakami constrói uma narrativa em que as escolhas pessoais nunca estão completamente separadas das condições sociais que as cercam. A tradução é de Rita Kohl.
A história começa em abril de 2020. Aos 40 anos, Hana se depara por acaso com uma notícia de jornal sobre Kimiko Yoshikawa, uma mulher de 60 anos que está sendo julgada por agredir e manter uma jovem em cárcere privado. O nome faz Hana voltar no tempo, até uma fase da vida que parecia definitivamente arquivada. Em 1998, aos 15 anos, ela morava com a mãe na periferia de Tóquio, enfrentava dificuldades financeiras e trabalhava para juntar algum dinheiro. Em uma casa sem segurança e com poucas possibilidades de decidir o próprio futuro, Hana encontra em Kimiko uma espécie de porta de saída.
As duas abrem o Lemon, pequeno bar no bairro de Sangenjaya que acaba se tornando ponto de encontro e abrigo para Hana e outras duas jovens, Lan e Momoko. As quatro passam a trabalhar juntas e dividir a mesma casa. Por algum tempo, aquela família improvisada oferece algo que parecia impossível: pertencimento. Só que contas não costumam respeitar sonhos. Quando o dinheiro começa a desaparecer, a sensação de liberdade também perde força. Hana acaba envolvida no submundo dos golpes, onde necessidade e ganância passam a dividir uma fronteira cada vez mais estreita. O que parecia uma alternativa para sobreviver começa a cobrar um preço próprio. É nesse terreno desconfortável que Kawakami desenvolve a principal questão do romance: até onde uma escolha pode ser considerada realmente livre quando as outras opções praticamente desapareceram? Compre o livro "As Irmãs de Amarelo", de Mieko Kawakami, neste link.
Sobre a autora
Mieko Kawakami é autora do best-seller internacional "Peitos e Ovos", escolhido pelo jornal The New York Times entre os livros notáveis do ano e incluído pela revista Time entre os dez melhores livros de 2020. Entre seus outros romances estão "Paraíso", finalista do International Booker Prize de 2022, e "Todos os Amantes da Noite", finalista do National Book Critics Circle Award de 2023 na categoria ficção. Em 2024, "As Irmãs de Amarelo" recebeu o Prêmio Yomiuri de Literatura. Traduzidos para mais de quarenta idiomas, os livros da escritora são conhecidos pelas reflexões sobre gênero, classe e ética na sociedade contemporânea. Nascida em Osaka, Kawakami vive atualmente em Tóquio, no Japão. Compre os livros de Mieko Kawakami neste link.
.: “Nefelibato” retorna a São Paulo e coloca a loucura diante do espelho
Monólogo de Regiana Antonini, estrelado por Luiz Machado, investiga os limites entre lucidez e loucura e volta ao Teatro B32 para temporada de 4 a 27 de setembro. Foto: Claudia Ribeiro
A medida econômica mergulhou milhares de brasileiros em desespero e levou muitos à bancarrota. Anderson foi um deles. Perdeu o negócio, uma pessoa querida, um grande amor e, depois de tudo isso, acabou nas ruas. Entre a realidade e a imaginação, passa a perambular carregando consigo aquilo que restou de seu mundo. É nesse território de fronteira que “Nefelibato” encontra sua força. A peça investiga o quanto de loucura pode existir como mecanismo de sobrevivência e até onde alguém consegue ir para continuar vivo. Para Anderson, a rua se transforma numa espécie de refúgio possível diante de uma existência que deixou de caber nos moldes convencionais.
“O público fica muito impactado, pois o espetáculo reflete uma realidade que tentamos fazer invisível, mas que está sempre à disposição de nossos olhos. Então, é muito interessante quando a plateia percebe que a atitude do personagem é consequência de um ato político e se aproxima ainda mais desta verdade social em que vivemos”, afirma Luiz Machado. O ator conta que se encantou pelo personagem desde o primeiro contato com o texto. "A história de Anderson me fascinou completamente, pois é um personagem que vive no limite da vida e do sonho, entre a lucidez e a loucura", conclui.
Fernando Philbert define a montagem como uma mistura de realidade, fantasia, humor e poesia, tendo como centro um personagem que carrega o próprio universo em um carrinho e, ao mesmo tempo, dentro de si. “Um fato real, que se mistura com a nuvem da fantasia, do drama, do épico, do louco, do homem, do ‘Nefelibato’ que mora na praça que cada um possui no meio do peito. O projeto ‘Nefelibato’ é um espetáculo teatral da dimensão humana que se refaz no humor, na poesia, na força, na busca por um lugar no mundo, seja o mundo real ou mundo imaginário. Este personagem que carrega seu próprio mundo em um carrinho, que tem seu próprio mundo dentro de si, vai como Dom Quixote, como Hamlet, como o capitão Ahab de “Moby Dick” à procura de sua baleia branca, em busca de enfrentar seus moinhos e demônios para ser feliz. Sim, ser feliz é o que todos queremos, este singelo momento que justifica a vida, sorrir ao acordar”, assim o diretor Fernando Philbert discorre sobre o tema da peça.
A trajetória de Anderson também coloca em cena uma pergunta incômoda: o que acontece quando a sociedade empurra alguém para fora dela e depois finge que não viu? Ao transformar a rua em escolha de sobrevivência, o personagem expõe as consequências de uma realidade social que costuma ser empurrada para debaixo do tapete. Com uma única pessoa em cena, Luiz Machado sustenta o espetáculo e transforma a instabilidade emocional do personagem em matéria teatral. A atuação foi reconhecida com indicação ao Prêmio Cenym de melhor ator e com o Prêmio Aplauso Brasil, na categoria especial de Destaque do Ano.
Ficha técnica
Espetáculo "Nefelibato"
Texto: Regiana Antonini. Supervisão artística: Amir Haddad. Direção: Fernando Philbert. Interpretação: Luiz Machado. Direção de produção: Gerardo Franco. Cenografia e figurino: Teca Fichinski. Iluminação: Vilmar Olos. Músicas: Maíra Freitas. Direção de movimento: Marina Salomon. Preparação vocal: Edi Montecchi. Design gráfico: Cláucio Sales. Assistente de direção: Alexandre David. Assistente de cenário: Juju Ribeiro. Realização: LM Produções Artísticas. Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro.
Serviço
Espetáculo "Nefelibato"
Teatro B32 | Espaço Experimental | Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi / São Paulo
Temporada: 4 a 27 de setembro, às 20h00. Domingos, às 18h00. Ingressos: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia-entrada). Classificação: 14 anos. Duração: uma hora. Lotação: 70 lugares. Atenção: não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
.: "Nino" torna diagnóstico de câncer em jornada íntima pelas ruas de Paris
Drama de Pauline Loquès acompanha jovem que recebe uma notícia devastadora e ganha dois dias para reorganizar a própria vida antes de iniciar o tratamento
Ficha técnica
"Nino" (título original)
Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
.: Livro "Compêndio..." reúne gigantes e pigmeus na Bienal de São Paulo
Leonardo Menegatto mistura mito, religião, fantasia e ciência em cinco narrativas que percorrem diferentes formas de contar o mundo
Leonardo Menegatto chega à 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "Compêndio das Grandes e Pequenas Existências", publicado pela Mondru Editora. O escritor participa de autógrafos e bate-papo em 8 de setembro, no Gaeb - Grupo Associado de Escritores Brasileiros, na Travessa 11 (Travessa Literária). O livro reúne cinco textos independentes ligados por uma presença em comum: gigantes e pigmeus. A partir desse fio, cada narrativa assume uma estrutura própria e conduz o leitor por diferentes épocas, gêneros e maneiras de imaginar e registrar a realidade.
Sobre Leonardo Menegatto
Serviço
Leonardo Menegatto na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
.: “Duelo na Riviera Francesa” faz da traição de 40 anos um acerto de contas
Comédia francesa de Ivan Calbérac chega ao Belas Artes À La Carte com André Dussollier, Sabine Azéma e Thierry Lhermitte em uma história na qual o ciúme envelhece, mas aparentemente não prescreve
Descobrir uma traição quarenta anos depois pode parecer um excelente motivo para deixar o passado quieto. Para o personagem François Marsault, definitivamente não. Em “Duelo na Riviera Francesa”, comédia francesa de Ivan Calbérac que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte., um general aposentado resolve transformar uma velha infidelidade conjugal em assunto de primeira ordem - porque, para ele, certas ofensas têm prazo de validade semelhante ao vinho francês: aparentemente, quanto mais antigas, mais inflamáveis.
Interpretado por André Dussollier, François é casado há cinco décadas com Annie, vivida por Sabine Azéma. O casamento segue firme quando ele encontra, no sótão, cartas apaixonadas que revelam um caso extraconjugal ocorrido quatro décadas antes. Annie admite o romance e tenta argumentar que o episódio pertence a uma época tão distante que já deveria ter prescrito. François, contudo, não está interessado em jurisprudência sentimental. Decide pedir o divórcio e localizar Boris, o antigo amante da mulher, para acertar as contas pessoalmente.
A missão leva o casal até Nice, na Côte d’Azur, onde o passado reaparece na figura de Boris, vivido por Thierry Lhermitte. O sujeito não parece exatamente disposto a colaborar com a paz matrimonial: ainda guarda sentimentos por Annie e volta a cortejá-la. O que poderia ser apenas uma briga de casal ganha proporções familiares quando os três filhos entram na equação, transformando a viagem numa espécie de excursão involuntária pelos problemas, segredos e afetos de uma família que já deveria saber se comportar melhor.
Calbérac escreve e dirige uma comédia apoiada no choque entre a rigidez de François e a capacidade de Annie de enxergar a situação com alguma distância. A premissa tem uma boa dose de absurdo: um homem de 73 anos decide fazer justiça pelas próprias mãos por causa de algo que aconteceu quando ainda era jovem. O curioso é que o filme não trata o personagem simplesmente como um velho ciumento. A crise acaba servindo para colocar em xeque a maneira como ele passou décadas comandando a própria família.
A dupla André Dussollier e Sabine Azéma acrescenta uma camada particularmente saborosa ao projeto. Os dois atores voltam a interpretar um casal depois de inúmeras colaborações, entre elas “Tanguy”, “On Connaît la Chanson”, “Cœurs” e “Les Herbes Folles”, trabalhos associados, em boa parte, ao cineasta Alain Resnais. Para “Duelo na Riviera Francesa”, essa história compartilhada ajuda a vender uma intimidade que o roteiro precisa construir rapidamente. A própria imprensa francesa chamou atenção para a 12ª colaboração cinematográfica entre os dois.
Thierry Lhermitte entra como o ingrediente capaz de incendiar novamente a situação. Boris é o antigo amante que, quatro décadas depois, ainda conserva uma queda por Annie. O encontro entre os três produz a faísca central da comédia: enquanto François está preocupado em defender uma honra conjugal que já atravessou quatro décadas, Boris parece muito mais interessado em descobrir se uma velha paixão pode ganhar uma segunda temporada.
A origem da história também tem um quê de roteiro pronto. Segundo as informações de produção divulgadas sobre o filme, Calbérac teve a ideia depois de ler uma notícia sobre um italiano com mais de 90 anos que pediu o divórcio ao descobrir antigas cartas de amor endereçadas à esposa. A anedota real acabou virando uma comédia sobre memória, casamento, orgulho e aquela velha mania humana de transformar uma questão encerrada há décadas em emergência nacional.
Lançado na França em 24 de abril de 2024, “Duelo na Riviera Francesa” teve uma abertura expressiva: alcançou 34.020 espectadores no primeiro dia, ficando atrás apenas de “Back to Black” entre os lançamentos daquele dia. Na semana de estreia, acumulou 234.009 espectadores e chegou ao fim de sua passagem francesa com cerca de 594 mil entradas. O filme também circulou internacionalmente com o título “Riviera Revenge”, chegando a outros mercados europeus e à Austrália.
“Duelo na Riviera Francesa” parece interessado em observar o ridículo de homens que levam a própria honra a sério demais e mulheres que já descobriram que determinadas guerras conjugais simplesmente não merecem munição. No fim, a viagem para a Riviera deixa de ser apenas uma perseguição ao amante do passado. François precisa encarar a mulher com quem passou 50 anos, os filhos que conhece menos do que imagina e, sobretudo, a possibilidade incômoda de que uma vida inteira não cabe nas versões que cada integrante da família construiu dela. É uma comédia sobre casamento, velhice e ciúme em que ninguém parece exatamente inocente.
Ficha técnica
“Duelo na Riviera Francesa” | “N’avoue Jamais” (título original) | “Nunca Confesses” (título em Portugal) | “Riviera Revenge” (título internacional)
Gênero: comédia. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: não localizada em fonte oficial brasileira até o momento; na França, o filme recebeu classificação “Tous publics” (livre para todos os públicos). Ano de produção: 2024. Data de lançamento: setembro de 2026 no Belas Artes À La Carte; estreia original na França em 24 de abril de 2024. Idioma: francês. Direção: Ivan Calbérac. Roteiro: Ivan Calbérac. Elenco: André Dussollier (François Marsault), Sabine Azéma (Annie Marsault), Thierry Lhermitte (Boris Pelleray), Joséphine de Meaux (Capucine Marsault), Sébastien Chassagne (Adrien Marsault), Gaël Giraudeau (Amaury Marsault), Eva Rami (Mika), Michel Boujenah (Clément Fontaine), Solal Bouloudnine (Mourad), Frédéric Deleersnyder (tenente Théo), Christiane Conil (Sophie Désenclos), Jacques Brunet (almirante) e Marie Fabre (Marjorie Marsault). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
.: Música: Barbara Rocha apresenta material autoral em turnê intimista
.: Com “World Ablaze”, Luiza Girardello estreia em disco autoral
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
























