sábado, 18 de outubro de 2014

.: Entrevista com Kel Costa, a escritora da "Fortaleza Negra"

“Eu me considero uma psicóloga dos meus personagens”.
Kel Costa

Por Helder Miranda
Em outubro de 2014

Carioca, Kel Costa fez faculdade de Interpretação Cênica. Aficionada por séries, livros e filmes, administra o site It Cultura. Em 2008, sob o pseudônimo “K®”, criou Fanfics da saga “Crepúsculo” e as ambientou em universos diferentes. Fez muito sucesso e, recentemente, após várias fanfics de sucesso na internet, ela se aventurou em história própria, sobre seres sobrenaturais. 

O livro é “Fortaleza Negra, A Chegada da Nova Era”, que pertence ao selo editorial “Jangada”, do “Grupo Editorial Pensamento”, e vem com a responsabilidade de ser o primeiro romance da autora e, além disso, o primeiro de uma trilogia que apresenta um enredo que se apropria da fantasia para tratar de assuntos comuns ao universo real dos jovens: escolhas, romance, muitas descobertas e tomadas de decisões.

Para quem achava que as histórias sobre vampiros já estavam esgotadas, a autora Kel Costa pretende, em seu livro de estreia, provar o contrário. A autora aborda a temática de um jeito, no mínimo, inusitado. Tendo como pano de fundo inicial o período pós-Guerra Fria, a autora recria no planeta Terra uma realidade distópica na qual seres humanos e vampiros precisam conviver em harmonia em prol da sobrevivência de ambas espécies. Na obra, ela conduz o leitor a uma viagem ao mundo da literatura fantástica e propõe uma aventura com doses de romance em meio a uma batalha entre vampiros e seres mitológicos. 

A narrativa começa na Era Reagan, no final da Guerra Fria, em 1985. Nessa época, os vampiros se revelam à humanidade, tomam posse do poder mundial e se estabelecem como senhores absolutos do planeta em todas as esferas do poder. Sob o comando deles, armas de destruição em massa deixam de existir, e os seres da noite acabam com a Guerra Fria – com um exército de vampiros pondo abaixo o Muro de Berlim – em uma cena de tirar o fôlego. Regidos por um novo conjunto de regras, as duas espécies parecem ter um bom convívio. No entanto, um novo caos se instala na Terra no início dos anos 1990, com a chegada de uma terceira espécie: a dos seres mitológicos. Extremamente fortes e mais violentos, centauros e minotauros colocam em risco a existência dos humanos e dos próprios vampiros, que precisam do sangue dos humanos para sobreviver. 

No meio da batalha eminente, está a jovem Aleksandra Baker, protagonista da trama, e sua família. O pai de Aleksandra, biólogo à frente de importante pesquisa em prol da descoberta de algo que coloque fim à existência dos mitológicos, é convidado pela Realeza Vampírica, para deixar sua terra natal, nos EUA, e se mudar, com toda a família para a Rússia, mais precisamente, na impenetrável “Fortaleza Negra”, o quartel general dos Mestres, o único lugar onde é possível viver sem a presença e os ataques constantes dos mitológicos. 

Em prol da segurança da esposa e dos filhos, o convite é aceito e, a partir disso, um mundo completamente diferente de tudo o que a jovem conhece passa então a fazer parte de sua realidade cotidiana.  Vampiros por todos os lados causam estranhamento à Sasha – como é chamada pelos seus convives mais próximos – que se sente incomodada e angustiada por não saber se sua melhor amiga, Helena, que continua nos EUA, sobreviverá à batalha entre vampiros e mitológicos. 

Por outro lado, o novo endereço lhe traz novos amigos e um, em especial, lhe aguçará ainda mais os sentidos. Trata-se de Mestre Mikhail, um dos Mestres mais poderosos da Realeza Vampírica, que no início implica com a jovem e a deixa irritada, mas que, com o desenrolar da trama, vai revelando que tanta implicância gratuita não seria à toa. 

Dividida, Sasha trava uma batalha interna quase tão grande quanto a que assola o planeta. Se por um lado ela se sente atraída pelos jogos de poder e sedução de Mestre Mikhail, por outro, o fim do caos na Terra representaria para ela e sua família o retorno à normalidade de suas vidas. Quem vencerá a batalha? Que rumos serão traçados na vida da protagonista? As dúvidas são muitas e, pelo menos por enquanto, a única certeza é a de que a vida de nenhum dos personagens da Fortaleza Negra jamais será como antes. 



RESENHANDO - Como e por que você começou a escrever fanfics? 
KEL COSTA - Eu estava apaixonada pela saga “Crepúsculo” e comecei a procurar por comunidades e fãs da história lá no (extinto site de rede social) Orkut. Foi quando descobri a existência das fanfics (até aquele momento, eu nunca tinha ouvido essa palavra) e comecei a ler algumas. Depois me deu vontade de criar uma também. 


RESENHANDO - E quando percebeu que era boa fazendo isso?
K.C. - A primeira foi bem curtinha, era sobre a lua de mel de Edward e Bella, pois no livro a autora cortava a “parte boa e quente” da coisa. E aí, quem leu adorou e eu fui criando outras fanfics, empolgadíssima com a aceitação das pessoas. Quando os leitores começaram a aumentar, sempre elogiando minha escrita, minhas ideias, foi que eu percebi que estava mesmo fazendo alguma coisa certa.



RESENHANDO - Por que, depois de fazer sucesso com fanfics, você resolveu investir em um projeto autoral?
K.C. - Porque eles me incentivavam a publicar livros. Queriam que eu adaptasse várias fanfics para que virassem livros, mas isso não era simples (eu até cheguei a fazer esse processo com a fanfic mais famosa, “The Cullen’s Secret”). Porque comecei a perceber que usava muitas ideias legais e originais nas fanfics. Eu estava escrevendo histórias que dariam bons livros e as desperdiçando como fanfics. Então decidi que ia escrever um livro, um enredo original e que não tivesse ligação nenhuma com o universo de “Twilight” e fanfics. Até hoje eu penso como teria me arrependido se tivesse usado a ideia de Fortaleza Negra como uma fanfic de “Crepúsculo” (risos).


RESENHANDO - Neste romance, você se aproxima do universo dos jovens:  escolhas, romance, muitas descobertas e tomadas de decisões... Como você utiliza a linguagem para cativar os leitores que estão iniciando a vida?
K.C. - Eu leio muito e, principalmente, leio muita literatura juvenil e new adult. Tenho 31 anos, mas gosto bastante dos livros voltados para esse público. Também vejo muitos filmes e seriados para esse segmento. Sou fã de bandas e cantores adolescentes, ou seja, gosto de muita coisa que as meninas mais novas curtem. Justamente por escrever para esse público, procuro sempre estar ligada nessas coisas, então acabo me sentindo muito à vontade na hora de escrever para o jovem. Dessa forma, eu consigo saber que tipo de protagonista as meninas de hoje preferem, como é o galã dos sonhos de todo mundo, o que agrada em termos de comédia e piadinhas, etc.. 


RESENHANDO – Você utiliza alguma referência?
K.C. - Tenho um cuidado maior na hora de escrever o livro, para evitar uma linguagem que possa estar ultrapassada para eles (e que não estaria para uma pessoa de 40 anos), assim como sempre procuro usar referências que possam interessá-los. O ideal é que o leitor, ao ler o livro, possa se imaginar vivendo aquela história ou, mesmo que não chegue a tanto, que ele pelo menos se identifique com algum personagem.


RESENHANDO - É uma tendência os autores investirem tanto no universo sobrenatural, principalmente vampiros, e histórias com continuidade - trilogias, quadrilogias - para o público jovem? 
K.C. - As séries e trilogias viraram mesmo tendência. Hoje em dia, raro é o livro que eu pego para ler e descubro que é único. Acho que os autores e editoras descobriram que o jovem gosta de se apegar a uma série, aos personagens... e se deixar ele não larga mais. Basta pegar o caso “Harry Potter”. Se a J. K. (Rowling) quisesse escrever mais uns dez volumes da série, os fãs festejariam (risos). Só que tudo tem dois lados, né? E acho que isso se torna negativo a partir do momento em que o autor enrola, estica dali e daqui, coloca coisa que não precisava colocar, só para poder render mais alguns volumes. Eu, como leitora, fico muito chateada quando começo a ler uma trilogia/série e percebo que não há enredo para uma continuação. Então eu torço para que a tendência continue (porque eu adoro), mas com histórias de qualidade e com estrutura para tal. O foco no universo sobrenatural acho que tende a aumentar cada dia mais. Existe uma gama bem variada de seres que podem ser explorados dentro desse gênero e, se o autor fizer um bom trabalho, dá para fugir do mais do mesmo. Já o mito do vampiro, eu acho que enfraqueceu um pouco. Noto um preconceito grande com livros desse gênero, principalmente aqui no Brasil. Muita gente ainda olha para uma história de vampiro e imagina algo trash, clichê e cafona.


RESENHANDO - Dizem que a juventude hoje em dia não lê. Os livros de uma saga, com várias continuações, desmentem isso? 
K.C. - Com certeza. Claro que não dá para dizer que alcançamos o nível desejado, mas que o jovem hoje lê muito mais do que lia há dez anos, isso não dá para negar. Basta ver como ficam as sessões de autógrafos dos autores de literatura juvenil. Nem precisa citar autor internacional não. Paula Pimenta, Carina Rissi, Thalita Rebouças, Bruna Vieira, o casal Raphael e Carolina... olha quantos jovens esses autores arrastam por onde passam! E claro, acho que esse número só tende a aumentar.


RESENHANDO - Os personagens das sagas são tão bem construídos, a ponto de terem fôlego para serem escritos em vários livros? 
K.C. - Bem, os meus eu considero que sim (risos). Criei personagens que possuem possibilidade de crescimento durante a trilogia. Minha protagonista começa o primeiro livro ainda imatura e inocente e vai traçando uma evolução ao longo da história. É algo bem perceptível ao leitor e acho isso importante, principalmente por ela estar numa fase turbulenta e cheia de descobertas. Os meus vampiros são bem complexos e não entrego todo o ouro no primeiro volume. 


RESENHANDO - O que fazer para manter a coerência da personalidade deles nestes casos?
K.C. - Deixo o leitor saber apenas o que me interessa, pois vou mostrando aos poucos as personalidades de cada um. Acho que o mais importante é: o leitor não pode descobrir tudo no primeiro capítulo, mas o autor precisa conhecer a fundo o seu personagem. Saber como ele agiu no passado, o que o influenciou nas ações do presente e como tudo que ele já viveu vai refletir no futuro. Eu me considero uma psicóloga dos meus personagens (risos). Conhecê-los é uma das coisas mais importantes na hora de escrever um livro.



RESENHANDO - O que você tem da Aleksandra Baker, protagonista de seu livro, e por que os leitores irão se identificar com ela?
K.C. - Eu não tenho nada (risos)! Ok, para não dizerem depois que eu fico mentindo, confesso que gosto muito de cabelos coloridos (já fui ruiva há alguns anos, quase do tom da Aleksandra). Mas nossa semelhança termina aí. Se eu tivesse metade do atrevimento que a Sasha (Aleksandra) tem, eu seria demais! Sério, acharia muito sem graça criar uma personagem parecida comigo. Acho que os leitores se identificam porque ela é aquela típica adolescente-problema. A Sasha não leva desaforo para casa, faz o que tem vontade, é alegre, moderninha e muito gata! Em compensação, apesar dessa imagem de durona que ela transmite, Sasha também é uma menina cheia de dúvidas e indecisões, que está descobrindo o amor pela primeira vez e não sabe direito como se comportar em relação a isso. E eu conheço muitas meninas que adorariam ser poderosa como ela ou que estão passando (ou já passaram) pelos mesmos momentos conturbados. De uma forma ou de outra, alguém sempre acaba se identificando. Tenho leitoras que dão até uma de ombro amigo para a Sasha. Que me escrevem para dar conselhos a ela (risos)!



RESENHANDO - Como surgiu a ideia de criar o site “It Cultura”?
K.C. -
Foi numa época que eu e minha amiga Mayara ficávamos sempre conversando sobre os livros que lemos ou queríamos ler. A gente conversava muito sobre isso e também sobre outros assuntos em comum, como esmaltes, filmes, música, etc. Como os blogs estavam na moda, resolvemos criar o “It Cultura” juntas. O que a gente queria era poder dar nossa opinião e deixar que as pessoas soubessem. Dividir isso com mais alguém, sabe? E foi uma das melhores coisas que já fiz. Amo o “It Cultura”, ele é meu cantinho de fuga, é uma terapia. Hoje a May não contribui mais com o blog, mas eu não consigo me desapegar. Mesmo com o tempo corrido, tento sempre dar um jeito de postar de vez em quando. Só que agora falo somente sobre livros. Deixei os outros assuntos de lado por falta de tempo.



RESENHANDO - Quais são as suas predileções como leitora? 

K.C. - Literatura fantástica e qualquer coisa que envolva o sobrenatural (risos)! Também curto muito distopias e romances voltados para o “new adult”, com pegada mais hot. De autores, sou muito fã de Anne Rice, André Vianco, Richelle Mead, J. R. Ward, Suzanne Collins, Stephen King. E adoro romances mais lights, como os da Fernanda Belém, da Tammy Luciano, Maurício Gomyde, Sophie Kinsella, Meg Cabot... Enfim, deu para ver que é uma mistureba, né?


RESENHANDO - Pensa em escrever para o público adulto? Pode nos adiantar algo?
K.C. - Não vou dizer “nunca”, mas por enquanto não. Eu gosto muito de escrever para o público jovem ou no máximo jovem adulto (o famoso new adult) e só publicaria algo fora desse universo se surgisse uma história daquele tipo que não deixa o autor em paz, entende? Quando a gente sonha, dorme, acorda, escova os dentes, sempre pensando na história e precisa colocar tudo no papel. Mas não tenho planos para isso no momento e depois da trilogia “Fortaleza Negra”, já tenho outro livro esperando para ser escrito. Para os jovens (risos)...

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4 comentários:

  1. Fantástica!!!! *o* Livro viciante, narrativa cativante, enredo estimulante, autora apaixonante!!!!

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  2. Lindaaaaa! A Kel Costa é sem sombra de dúvidas a mais nova maior escritora brasileira! O livro Fortaleza Negra é incrível e seus personagens conseguem atingir todas as idades! Sua escrita é leve e sua história é forte! Além das suas fanfics serem sensacionais! Estão de parabéns pela entrevista!

    http://nayaragilio.blogspot.com.br/?m=1

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  3. O que dizer da Kel? Excelente escritora, sabe envolver o leitor nas narrativas. Adorei esta entrevista!

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  4. Amei a iniciativa..adoro entrevistas pq podemos conhecer mais sobre o autor..e desa vez, foi nossa querida Kel.. ela é o máximo...amei a entrevista, nos permitiu conhecê-la mais e sobrer sobr suas inspirações, projetos e o livro tão cobiçado A Fortaleza Negra. :D
    bjs

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