terça-feira, 11 de agosto de 2015

.: Crítica de "Interestelar", o mais audacioso de Christopher Nolan

Por Helder Miranda
Em agosto de 2015

É injusto demais um pai enterrar um filho? Ou a lei da vida pode se modificar diante de determinadas circunstâncias? Interestelar, que assisti no Cine Roxy (o mais tradicional cinema de Santos, litoral de São Paulo, com as iniciativas mais bacanas da região), dentro da programação do 2º Cine Nerd Fest Santos é, antes de qualquer coisa, uma ode ao amor entre pais e filhos. Trata, entre outros assuntos, da Teoria da Relatividade e de imagens belíssimas do espaço sideral. Por si só, é interessante por ser considerado o filme mais audacioso de Christopher Nolan, da trilogia mais recente de Batman, aclamada por público e crítica que em breve retornará com "Batman Vs. Superman - A Origem da Justiça".

Nessas quase três horas de filme que não chegam a ser cansativas, o ingresso de cinema ou a exibição na televisão de sua casa, na tela de um computador ou do celular vale como uma viagem. Basicamente é um viúvo, Cooper (Matthew McConaughey), com dois filhos, o adolescente Tom (Casey Affleck) e uma menina de dez anos, Murphy Jeune, interpretada brilhantemente por Mackenzie Foy. O pai vai para uma viagem intergalática para checar a possibilidade de sobrevivência fora do planeta Terra.

A premissa é meio bobinha, as belas imagens dos planetas, estrelas, satélites como a lua de pertinho e buracos negros são lindas, mas só servem como pano de fundo para um reencontro que o espectador torce para acontecer, mas não sabe se será concretizado. 

Há duas das cenas mais bonitas que vi no cinema; A partida do personagem de McConaughey e a reação da menina. Ambos exteriorizam a dor de diferentes maneiras. Ela, imatura, pelos gritos. Ele, massacrado pela vida, com um choro contido.

Depois, a menina já crescida, interpretada por Jessica Chastain, sempre agradável de se ver, cobrando a promessa que o pai fez a ela em um aniversário essencialmente especial: ele prometeu voltar e talvez - como o tempo cronometrado em outros planetas é diferente do da Terra - com a mesma idade dela. Murphy, então, esbraveja, porque acaba de completar a mesma idade que ele tinha quando partiu, com a promessa não cumprida, até então, de voltar.

Vendo a atriz no filme é impossível não pensar em "True Detective", a série de sucesso da HBO que cogitou colocá-la em um dos papéis principais da segunda temporada. A personagem acabou indo para Rachel McAdams. Matthew McConaughey, já envelhecido para os papéis de galã que ostentava anos atrás, estrevbe na primeira temporada do mesmo seriado. Espero, o ator vem investindo em personagens mais densos, a exemplo do que ocorre neste filme, na televisão e no "Clube de Compras Dallas", que o consagrou com o Oscar de Melhor Ator. Também brilham, em participações menores, Michael Caine e Wes Bentley, que vem arrebentando em "American Horror Story".

"Interestelar" questiona pelo personagem de Matt Damon até que ponto a dedicação à ciência é abnegação ou estrelismo. Anne Hathaway está convincente no papel de Brand, a astronauta com boas intenções e, até certo ponto, ingênua. Por ter vivido esta experiência e não ter envelhecido, parece estar condenada a ficar com o personagem de Matthew McConaughey. Ao que tudo indica, o futuro da humanidade depende deles e, de uma coisa podemos ter certeza: os filhos sairão lindos!








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