A comédia animada "Maya, Dê-Me Um Título" exibida durante o Festival de Cinema Francês do Brasil de 2025, na Cineflix Cinemas de Santos, usa a técnica de animação recortada em papel e stop motion, mesclada com apresentações curtas de ação ao vivo. A produção dirigida por Michel Gondry ("Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças"), reforça o laço de afeto entre pai e filha ainda que estejam distantes fisicamente, mas não na mente e até nos olhos.
Assim, com muita imaginação, a produção tão pessoal de Michel Gondry, com a voz original de Pierre Niney ("O Conde de Monte Cristo" e "Amantes") como narrador, faz tudo ser possível de acontecer com a garotinha e seus familiares. Maya pode passar de uma fotógrafa a uma sereia, enquanto que o pai faz o chão tremer ao tocar bateria no centro da Terra.
Num visual de primeira linha, ainda com toque artesanal por conta das "colagens", o longa é definitivamente uma produção sofisticada e bastante diferente. "Maya, Dê-Me Um Título" é um compilado de variadas histórias animadas que, para ganhar a telona, recebeu o acréscimo de efeitos, como por exemplo, sonoplastia.
Transbordando a marca registrada do estilo de Gondry, cada conto criativo fantástico é de encher os olhos e levar a imaginação a um novo patamar. Somando cada título dado por Maya para as animações, a produção chega a 61 minutos. Com muito colorido e sequências de ação que jorram criatividade. O resultado é recebido pelo público, uma vez que há facilidade de Michel Gondry levar todos ao universo da filha. Assim, esbarra também em familiares da garota, todos, incluindo a protagonista, fazem aparições encantadoras. Vale a pena conferir!
"Maya, Dê-Me Um Título". (Maya, donne-moi un titre). Gênero: animação, comédia, aventura. Direção: Michel Gondry. Roteiro: Michel Gondry. Duração: (1h 01min). Elenco: Pierre Niney (narração), Maya Gondry, Miriam Matejovsky, Steven Matejovsky, Anita Matejovsky. Sinopse: Um pai e uma filha mantêm seu vínculo apesar de viverem em países diferentes por meio de um ritual noturno criativo, no qual ela sugere um título e ele cria curtas-metragens de animação estrelados por ela como a heroína.
"Vizinhos Bárbaros" usa a comédia com sabedoria ao tratar de xenofobia. O longa que abriu o Festival de Cinema Francês do Brasil de 2025, em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos, tem direção de Julie Delpy (par romântico de Ethan Hawke na trilogia "Antes do Amanhecer", "Antes do Pôr do Sol" e "Antes da Meia-Noite") que tira boas risadas do público enquanto faz refletir sobre pensamentos impregnados de preconceitos.
Contudo, a produção também apresenta o outro lado, daqueles que estão empenhados em receber os outros e suas diferenças. Um bom exemplo é a professora Joëlle Lesourd (Julie Delpy), interpretada pela diretora do longa Julie Delpy. Todavia, mesmo com boa vontade e acolhimento, não consegue convencer a todos a aceitarem a nova família na bucólica cidade de Paimpont, na região da Bretanha, França.
Reunidos com o prefeito Sébastien Lejeune (Jean-Charles Clichet), os moradores votam, em um ato de solidariedade, para receber refugiados ucranianos em troca de subsídios do governo. Para tanto, o prefeito passa a ter consigo uma equipe de filmagem a fim de registrar tudo, inclusive a chegada da nova família. No entanto, para surpresa de todos, o que intensifica mais os conflitos encabeçados pelo encanador Hervé Riou (Laurent Lafitte, de "A Mulher Mais Rica do Mundo") e torna tudo caótico é que os novos residentes são, na verdade, sírios.
Com tamanha reviravolta e diversas mudanças nos planos daquele povoado, até mesmo o ponto de encontro de amantes é ameaçado quando o camponês Yves Auteuil (Albert Delpy) decide vender uma casinha que mantinha caindo aos pedaços por somente um dólar para os novatos que em seu país de origem um era arquiteto, outra designer gráfica e uma médica. Quando a comunidade é forçada a confrontar os próprios preconceitos, redefinindo quem ali, era de fato, vizinho, estrangeiro ou "bárbaro", é que o respeito ao diferente ganha espaço ainda que seja medido em seu momento extremo como quando Géraldine (India Hair, de "Três Amigas") entra em trabalho de parto.
No elenco ainda estão nomes conhecidos como Sandrine Kiberlain (Crônica de Uma Relação Passageira), na pele de Anne, a melhor amiga da professora e esposa do dono da mercearia que doa produtos vencidos aos refugiados, Phillipe (Mathieu Demy), quem também inicia um caos em nome de umas especiarias consumidas por um dos refugiados. É inegável que "Vizinhos Bárbaros"é um filmaço imperdível!
"Vizinhos Bárbaros". (Les Barbares). Gênero: comédia, drama. Direção: Julie Delpy. Roteiro: Julie Delpy, Matthieu Rumani, Nicolas Slomka. Duração: (1h 41min). Elenco: Julie Delpy, Laurent Lafitte, Sandrine Kiberlain, Mathieu Demy, Marc Fraize, Ziad Bakri, India Hair, Dalia Naous. Sinopse: No coração de uma pequena aldeia bretã, a municipalidade decide acolher uma família de refugiados ucranianos. Acontece que os refugiados que chegam não são ucranianos, mas sírios.
O longa francês "Entre Duas Mulheres" pode facilmente ser classificado como um drama debochado e focado no empoderamento feminino. Com direção de Chloé Robichaud, o filme de 1 hora e 40 minutos de duração, começa quando Violette (Laurence Leboeuf, "O Segredo"), diante de uma licença-maternidade difícil diz ouvir corvos, até que aponta o barulho como vindo da vizinha Florence (Karine Gonthier-Hyndman, "Frimas"), durante seus momentos de prazer. Contudo, Florence está numa depressão persistente e sem um pingo de libido.
Ao tentar sanar tal barulho, entra em cena um caçador, e por ele o rumo da trama muda completamente, tanto para Violette quanto para Florence. Assim, a sensação de fracasso de uma vida pacata é revirada numa ebulição de desejos diversos. Todavia, os maridos delas começam a desconfiar de que tem gato no telhado.
O filme lança reflexões a respeito do ser mulher diante da maternidade, a forma de se lidar com os desejos e as pressões impostas pela sociedade. "Entre Duas Mulheres" é libertador ao focar na emancipação da feminina, sem prendê-las na aceitação da ausência do marido ou as traições dele. Vale a pena conferir!
"Entre duas mulheres". (Deux femmes en or). Direção: Chloé Robichaud. Duração: 1h 40min. Roteiro: Catherine Léger, Elenco: Karine Gonthier-Hyndman, Laurence Leboeuf, Félix Moati, Mani Soleymanlou, Sophie Nelisse, Juliette Gariépy. Distribuição: Imovision. Sinopse: Violette enfrenta uma licença-maternidade difícil. Florence, uma depressão persistente. Mesmo com vidas estáveis, ambas se sentem fracassadas. Mas e se a felicidade estiver em romper expectativas?
"Truque de mestre - O 3º ato" volta de modo surpreendente para as telonas, entregando jogos intrincados capazes de resgatar toda a magia dos dois filmes anteriores. Desta vez, os Quatro Cavaleiros retornam com uma nova geração de ilusionistas para enfrentar desafios ainda maiores e desvendar segredos mais profundos, em um truque que envolve a joia mais valiosa do mundo que está nas mãos da tremenda vilã Veronika Vanderberg (Rosamund Pike, de "Garota Exemplar" e "Saltburn").
A produção com puro ilusionismo usa pouco da modernidade e seus efeitos visuais, com efeitos práticos, consegue prender ainda mais o público, que se sente presenteado ao ver o regresso da velha guarda atuando ao lado de novos talentos: Dominic Sessa ("Os Rejeitados"), Ariana Greenblatt ("Barbie") e Justice Smith ("Jurassic World: Reino Ameaçado"). Aliás, é justamente pelo truque dos novatos que os verdadeiros cavaleiros retornam -por meio de pura enganação, inclusive.
Assim, o elenco original reprisa os papéis de modo empolgante, Jesse Eisenberg (Daniel Atlas), Woody Harrelson (Merritt McKinney), Dave Franco (Jack Wilder), Mark Ruffalo (Dylan Rhodes) e Morgan Freeman (Thaddeus Bradley). Até mesmo Isla Fisher (Henley Reeves), que ficou de fora do segundo filme, retorna, além de Lizzy Caplan como Lula. Vale destacar que há uma cena final que indica uma nova sequência.
O jogo de gato e rato e a distribuição de dinheiro dos milionários volta a acontecer para o público dos shows, porém, o foco fica numa pedra preciosa que implica numa diferença familiar tão bem amarrada que não desperta um pingo de desconfiança do público. Ao criar todas as situações e revelar cada detalhe, o longa consegue manter a qualidade e surpreender com cada reviravolta. "Truque de mestre - O 3º ato" é um super filme imperdível!
"Truque de mestre - O 3º ato". (Now You See Me: Now You Don't (ou Now You See Me 3). Gênero: Suspense, Ação, Crime. Direção: Ruben Fleischer. Roteiro: Seth Grahame-Smith, Eric Warren Singer. Duração: (1h 52min). Sinopse: Os Quatro Cavaleiros estão de volta com uma nova geração de ilusionistas e uma trama cheia de reviravoltas, mágicas e surpresas, em um truque que envolve uma joia valiosa do mundo. Eles se reúnem para derrubar uma empresa corrupta que lava dinheiro para criminosos.
"Homo Argentum" entrega 16 histórias variadas e surpreende com versatilidade impressionante de Guillermo Francella, estrela das peripécias muito bem humoradas, com toque de crítica social. O longa dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat ("O Cidadão Ilustre" e "Meu Querido Zelador") é excelente ao refletir a realidade do povo argentino, seja entre os seus ou com outros povos, inclusive em solo italiano.
Na primeira história, Guillermo vive um homem que durante uma festa debate sobre os jovens argentinos partirem em busca de uma vida melhor, deixando o país. Após defender ideais patriotas, vai sozinho à sacada do local para fumar quando torna-se responsável por um acidente que ganha grandes proporções. Deixando a todos diante da telona boquiabertos, sai da cena de fininho e festeja com os seus dançando. Eis o retrato da hipocrisia.
A produção que soma 1 hora e 38 de minutos é ágil, divertida ao usar o humor ao fazer críticas sociais. Com sagacidade, une muito bem histórias distintas, bem identificadas por títulos, a ponto de fundir uma na outra. Entretanto, usa o visual para deixar claro que se trata de uma nova situação a ser apresentada, embora, às vezes, pareça similar a anterior, algo acaba trazendo novidade, entregando nuances inimagináveis.
A entrada conturbada e silenciosa do presidente argentino em rede nacional ou a namorada do papai viúvo há um ano vira pauta. Entre possibilidades de uma mente que consegue ver um futuro capaz de acabar com a vida de um homem riquíssimo numa simples subida num elevador até o 54º andar a alguém que vai para outro país conhecer seus ancestrais levando alfajor e sai corrido levando pedrada. "Homo Argentum" faz rir e refletir, com um ferrenho humor ácido. Vale a pena conferir!
"Homo Argentum". (Homo Argentum. Direção: Mariano Cohn e Gastón Duprat. Duração: 1h e 50min. Gênero: comédia. Distribuição: Disney. Sinopse: O filme é composto por 16 histórias curtas e independentes que formam uma crítica social sobre a realidade argentina.