sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

.: Conhecer as gerações facilita a compreensão do mundo atual

Por Rosana Schwartz*
Em dezembro de 2015

O comportamento de cada geração entrelaça-se ao momento social, político, econômico e histórico em que ela está inserida. Caracterizou-se pelos comportamentos criados e mantidos em seu cotidiano. 

Denomina-se: Veterana, Boomers, Y e Z. A chamada Geração dos Veteranos é constituída por indivíduos que em 2015 encontram-se aproximadamente na faixa etária entre 83 e 63. Nascidas no período da falência das democracias em decorrência do totalitarismo – fascismo, nazismo – do entre guerras mundiais.

A Segunda Guerra marca com disciplina essa geração. Educada para obedecer a hierarquias, trabalhar exaustivamente e comprar à vista – (guardar para o dia de amanhã), desvela em seu comportamento cotidiano reflexos das incertezas advindas desse momento histórico. A geração que se segue, a geração dos Boomers, é a da Pós-Segunda Guerra, sedenta por transformações, por liberdades, crente no poder das contestações e organizações de movimentos sociais focados em causas macros - movimentos feministas, negro, gay, estudantil, operário, meio ambiente, entre outros. Acredita na ascensão profissional, na fidelidade às organizações e na política. Criam alianças e composições múltiplas para atingir objetivos. Vivia num mundo dividido entre capitalistas e socialistas.

Na sequência vem a Geração X, assim chamada por falta de denominação. Nascidos durante os anos 60 até 1977 é mais cética, descrente e apática politicamente. Reflete a sociedade de massas, as desilusões da geração anterior, e a sociedade de consumo. Vive ditaduras militares na América Latina e Europa. Busca equilíbrio e segurança na vida profissional e pessoal. Mantém-se fiel aos seus ideais pessoais e não aos das organizações em que trabalham.  Tanto a mulher quanto o homem trabalham no mercado produtivo, mas as tarefas domésticas ainda são femininas. Cresceu envolta à descoberta do vírus HIV, medo da política (tortura- violência) e reorganização dos movimentos sociais.

Já a Geração Y, filhos das gerações BOOMERS e X são em geral mais superprotegidos e acostumados a terem o que desejam para compensar a ausência dos pais workahoclics que trabalham para manter e aumentar bens materiais. Exige equilíbrio entre o profissional e o pessoal. É uma geração agitada, inquieta, não sabe lidar com frustrações, mas sabe muito bem lidar com a tecnologia. O sujeito descentralizado e globalizado interfere na sua essência. Nada é sólido, o amor, as relações, o comprometimento são como Bauman denomina, líquidos. 

Por ter crescido com amplo acesso ao conhecimento muitas vezes não sabe como aplicá-lo. Entendidos e classificados como intolerantes, prepotentes ou até petulantes, têm muito a ensinar aos mais velhos. Organizam-se em coletivos, criaram novas sociabilidades, lutam por causas específicas. Não acreditam em partidos políticos e no modo arcaico de fazer política. Ao mesmo tempo em que alguns abraçam bandeiras progressistas e de respeito aos Direitos Humanos, outros são radicais, preconceituosos e conservadores. Desvelam as permanências históricas do passado em meio às transformações. Querem um mundo novo, com novos valores.

Carecemos de entender cada geração e seu contexto histórico para compreendermos os caminhos, decisões e escolhas dos indivíduos no mundo ocidental.

*Rosana Schwartz é professora de Sociologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutora em História, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP (2007). Professora Pesquisadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, desde 1999. Graduação em Comunicação Social: habilitação em Jornalismo e Publicidade e Propaganda.
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