terça-feira, 1 de março de 2016

.: A esposa invisível, por Donatella Fisherburg

Por: Donatella Fisherburg


Tentava de tudo para não deixar transparecer a frustração. Era alta e magra, mas mesmo assim era do tipo que não se destacava na multidão. Era quase invisível. Não!! Nunca reclamou disso. Dizia ter tamanho, não ser a nova Gisele Bündchen. Gostava de passar despercebida.

Contudo, ao casar, desejou o oposto. Um pouco de atenção já bastaria. A verdade é que mesmo tendo o marido ao lado, a moça permanecia na invisibilidade. Situação cruel. No início chorava por noites e noites, escondido. Não queria que soubessem que já havia constatado a plena insignificância que lhe cabia.

Em casa, tinha a obrigação de liderar todas as atividades, mesmo quando cabia ao homem. Lá estava ela. No entanto, não era valorizada. Era como se tivesse a obrigação de estar sempre disponível. Ou era obrigação mesmo?

Todos os dias, tudo era igual. 

Marido saiu do banho, molhou todo o chão por não se secar dentro do box? Tarefa dela colocar tudo em ordem. Ele fez um lanchinho e deixou migalhas até no chão? Lá ia ela limpar. Enfim, sabia que era mera ferramenta para seu parceiro.

Tinha o desejo de jogar tudo para o alto e apertar aquele botãozinho especial, mas não tinha coragem. Só sabia acionar o botão da invisibilidade. Assim o fez, manteve-se fora de qualquer foco. Esta é Vicentina.


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