sexta-feira, 13 de julho de 2018

.: Lançamento: livro de menina que relatou horrores da guerra Síria

Em “Querido mundo”, Bana Alabed, de 9 anos, conta junto com sua mãe Fatemah como a vida tranquila da família foi interrompida por anos de guerra civil 


Bana Alabed levava uma infância tranquila em Aleppo, na Síria, e gostava de tomar banho de piscina, brincar no balanço e ir ao mercado comprar gelatina. Até que, ainda com três anos, a guerra fez com que sua rotina mudasse e a menina se viu aprendendo a diferenciar tipos de bomba. “Aviões enormes voavam pelo céu e deixavam cair bombas por todos os lados, onde quer que lhes desse na cabeça. Às vezes um avião voava tão baixo que conseguíamos ver o piloto. Ele sabia que estava ferindo e matando pessoas? Devia saber, mas como ele podia fazer aquilo?”, se pergunta a menina no livro “Querido mundo”, que a Editora BestSeller lança em julho.

Na obra, Bana e sua mãe Fatemah relatam o dia a dia da guerra e como suas vidas foram impactadas por ela. A menina perdeu a escola, a melhor amiga, passou dias escondida com a família no porão de casa com poucos alimentos e água.  Ela inventava brincadeiras para distrair os irmãos mais novos e com um Ipad de segunda mão que seu pai comprou teve a ideia de pedir ajuda pelo Twitter. Foi assim que o apelo de Bana Alabed ganhou o mundo e foi capaz de mobilizar milhões de pessoas contra a guerra na Síria com a hashtag #StandwithAleppo.

“As pessoas que ajudavam a consertar o Wi-Fi sempre vinham ao nosso bairro para testar a conexão e se certificar de que os cabos estavam funcionando depois de um bombardeio. Elas diziam que era importante que eu continuasse a contar para o mundo o que estava acontecendo”, escreve Bana.

Bana e sua família tiveram uma sorte melhor do que milhares de famílias que foram exterminadas pela guerra. Eles foram levados em segurança para a Turquia, onde refazem suas vidas.

Trecho: 
Muitas famílias como a minha não tiveram escolha senão deixar o país que amamos e ir para outros lugares onde somos refugiados. Algumas pessoas dizem que não querem refugiados no seu país. Elas querem que eles voltem para casa, embora eles não tenham mais uma casa. Ou então que vão para outro lugar, embora as pessoas desse “outro lugar” também não desejem acolhê-los. Mas as pessoas não podem ir para nenhum outro lugar. Se você não tivesse um país ou se seus pais ou filhos fossem mortos, o que você faria?Quando você vai para a casa de alguém na Síria, nós o acolhemos como se fosse da família e dividimos com você o que nós temos, como chá ou doces. É assim que eu gostaria que pudesse ser se uma pessoa fosse para o seu país, que você dividisse suas coisas com ela, a ajudasse e tentasse entender o que ela passou.

Bana Alabed nasceu em 2009 na cidade de Aleppo, Síria, e é conhecida mundialmente por seus tuítes feitos durante o cerco da cidade em 2016 e, posteriormente, por seus apelos por paz e pelo fim do conflito. Os tuítes revelavam uma visão extraordinária sobre os horrores do cotidiano na cidade — incluindo ataques aéreos, fome e risco de morte —, e conquistaram uma legião de admiradores. Quando crescer, Bana quer ser professora, assim como a mãe. Seu pai é advogado, e ela tem dois irmãos mais novos, Noor e Mohamed. Querido mundo é seu primeiro livro.

Leia um dos textos do livro e veja um vídeo sobre a história de Bana no blog da Record: bit.ly/2KQHn1S


Livro: Querido Mundo (Dear World)
Autora: Bana Alabed         
Tradução: Claudia Gerpe Duarte
160 páginas
Editora BestSeller
(Grupo Editorial Record)

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