domingo, 12 de maio de 2019

.: Entrevista exclusiva com Olavo de Carvalho, por Sérgio Sayeg


Crônica ficcional de Sérgio Sayeg, em maio de 2019.


-  Obrigado, mestre,  por dar essa canja.

-  Tá, depois você me manda uns alunos e fica tudo bem. Nunca deixo de prestigiar profissionais não alinhados aos vermelhos.

- Como foi o processo de apoio ao presidente eleito?

- O Bozo? Sempre desconfiei que a vocação dele era mais para estatista do que para estadista. Quase foi cooptado pelos militares esquerdistas. Se me permite o infame trocadilho, estava ‘PRESTES’. Eu só o apoiei por causa dos meninos. Eles me convenceram de que, durante a campanha, converteriam aquele capitão bronco pra agenda liberal. Estavam certos. Bastou falar que, pra liquidar a esquerda e o MST, era mais eficiente abrir a economia do que armar os fazendeiros, ele topou na hora. Passou até a apoiar a reforma da Previdência. Esses meninos são meu maior orgulho.

- O senhor se refere aos filhos do presidente?

- Claro! O Carlinhos e o Dudu são meus fieis seguidores. Graças a discípulos como eles, minhas aulas estão sempre repletas de otár..., digo, alunos. Eles me ajudaram também a arrecadar fundos para pagar uma multa milionária por sonegação de impostos. Nem mesmo sob Trump, a Receita americana larga do meu pé. Uma ingerência inaceitável do Estado na vida do cidadão.

- E como o senhor avalia os primeiros meses do presidente?

- Meio decepcionado. Ele trocou militantes por militares. A coloração do governo tá mais pra oliva do que pra Olavo. Precisa ‘endireitar’.

- O senhor não acha que esses embates com os militares podem prejudicar o governo?

- E daí? Não posso abrir mão da minha imagem de polemista desbocado. Bastou chamar o general Santos Cruz de “bosta engomada”, meu livro subiu 3 posições na lista de mais vendidos.

- Mas isso, não pode desgastar Bolsonaro?

- O Mike Pompeo já me orientou a não perder tempo com a América Latrina. Tudo que fica ao sul do Texas é shit. Não temos tempo a perder com essas republiquetas. Só precisamos de muitos quilômetros de muros e arame farpado pra manter essa sub-raça de viralatas de bombachas fora do território americano. Termos ao Sul um vassalo servil quando precisarmos de apoio estratégico, já é alguma coisa.

- O senhor mantém contato direto com o governo Trump?

- Eles me dão um subsídio mensal pra manter a pregação entre os incivilizados do Terceiro Mundo com esse blábláblá de ‘hegemonia da civilização ocidental’, ‘multiculturalismo’, ‘ameaça comunista’ e outras baboseiras. Nosso foco é outro. A única figura imprescindível é o Netanyahu, além das novas lideranças da direita europeia. Aquele cara da Hungria é bom, mas meio fracote com os imigrantes. O da Bulgária também, mas é um cagão: pra fazer média com a comunidade católica recebeu aquele comuna-mor de batina.

- O senhor refere-se ao papa? Mas o senhor não é fiel a Cristo?

- Cristo? Aquele comunistazinho judeu que conspirava com os bárbaros contra o portentoso Império Romano? Um merdinha revolucionário. Meu negócio é direto com o pai. Quero lá saber do filho bastardo. Está na hora de fazer uma revisão do evangelho e valorizar os ensinamentos do Antigo Testamento, pilar da civilização judaico-cristã.

- Como o senhor avalia a influência que exerce sobre o atual governo?

- Bom, o pai zonzão come nas mãos dos filhos que comem na minha mão. Isso basta. Esse negócio de ministério é secundário. O chanceler Ernesto Araújo é nossa grande aposta, um fiel escudeiro do trumpismo num posto chave. Só que não deixam o homem trabalhar. O filho da p(*) do Mourão conseguiu congelar a mudança da embaixada brasileira pra Jerusalém. E a representante da turma do boi, a vaca da ministra da Agricultura ainda preparou um jantar pra bajular os patetas muçulmanos e convencê-los a não barrar a importação de carne. Precisou de um banquete com bastante kibe cru e kafka preparados com a autêntica carne halal pra eles amansarem o discurso.

- O senhor quer dizer kafta...

- É isso! Precisamos apoiar a cruzada de Netanyahu contra os infiéis de turbante. Israel é o baluarte do Ocidente glorioso naquele c(*) de mundo, resolve pra nós o problema dos palestinos da única maneira possível: exterminando todos. Pra cada israelense morto, ele mata 100 filhos da p(*) na faixa de Gaza.

- Voltando ao Brasil, qual sua opinião sobre Lula?

- Longa vida na prisão para o bêbado barbudo. Sem ele, não seríamos nada. O dia que ele morrer, morre junto o PT. E aí, quem vamos martirizar? E ainda ele nos fez o favor de deixar no comando aquela idiota da Gleisi, elogiando o Maduro e o STF. Não podíamos ter inimigo melhor pra bater.

- Pra finalizar, mestre, é verdade que o senhor não acredita em aquecimento global?

- Claro que não. Assim como evolucionismo, teoria da relatividade, heliocentrismo, vacinas e outras asneiras produzidas pelo marxismo cultural. Estou preparando estudos desmascarando a farsa televisiva do homem na Lua e provando pra esses cientistas ateus que o ‘buraco negro’ fotografado há pouco é, na verdade, o c(*) de Deus.

- Algum novo livro em vista?

- Tenho alguns ensaios quase prontos: “Estratégia Gramsciana de Doutrinação Infantil nos Ensinamentos de Dona Benta”, “Benefícios do Tabaco no Combate a Tumores Malignos”, “A Ameaça Globalista dos Médicos Sem Fronteiras” e “Islamização do Ensino: Influência Nefasta dos Algarismos Arábicos na Destruição dos Valores Cristãos da Matemática”

- Obrigado pela entrevista, mestre.

- Leve uns panfletinhos do meu curso de filosofia. Aceito artistas. Órfãos da Lei Rouanet têm desconto. O Lobão e o Roger já são meus discípulos. A Regina Duarte e a Nana Caymmi acabaram de se inscrever. Faço também mapas astrais a preços módicos.

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