sexta-feira, 31 de julho de 2020

.: Renato e Seus Blue Caps: o legado de Renato Barros na música


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical. Foto: Reprodução/Instagram

Renato Barros, que faleceu no início desta semana no Rio de Janeiro após uma delicada cirurgia cardíaca, foi um dos pilares do movimento Jovem Guarda. O som de sua guitarra ajudou a definir o estilo que viria a tomar de assalto as rádios e a televisão nas jovens tardes de domingo. Com seu grupo, o Renato e Seus Blue Caps, emplacou vários hits, alguns deles feitos a partir de versões de bandas que faziam sucessos na época, como Beatles e The Hollies, só para citar dois exemplos. 

Mas também tinha uma produção autoral rica e capaz de fazer frente com as versões dos sucessos estrangeiros. Um irmão de Renato, Paulo Cesar, foi baixista dos Blue Caps e é considerado um dos melhores músicos de estúdio da atualidade. E o outro irmão, Ed Wilson (já falecido), virou um cantor de sucesso na Jovem Guarda.

Dois discos lançados no início da Jovem Guarda ("Isto É Renato e Seu Blue Caps" e "Um Embalo com Renato e Seus Blue Caps") são os meus preferidos de sua discografia. Há uma coleção de hits antológicos nesses dois álbuns. Algumas canções como "A Primeira Lágrima" mostravam o potencial de Renato como hitmaker. Há também uma notável parceria dele com Lilian Knapp (da dupla Leno e Lilian), na canção Devolva-me, que recentemente foi regravada com grande sucesso pela cantora Adriana Calcanhoto.

Outro ponto marcante na sua produção autoral foi a canção "Você Não Serve Para Mim", que Roberto Carlos gravou e inclui na trilha de seu primeiro filme ("Roberto Carlos em Ritmo de Aventura"). Renato contou em uma entrevista que a canção incialmente foi feita para seu grupo. Durante um dos ensaios no estúdio, Roberto ouviu a canção e pediu para gravar, o que foi inicialmente negado. Foi preciso a intervenção do diretor da gravadora, Evandro Ribeiro, que convenceu Renato a ceder a canção, certo de que ela teria o sucesso que acabou tendo na voz do Rei.

Se por um lado a produção nos anos 70 já não foi tão significativa, por outro lado seu legado construído nos anos 60 permitiu que a banda permanecesse na ativa. Até recentemente, antes de falecer, Renato se apresentava ao lado dos companheiros de banda, como Cid Chaves (outro remanescente da formação original). E conservava mesmo pique musical dos anos 60.

Acredito que o principal legado deixado por Renato Barros tenha sido basear sua produção musical na simplicidade e na mensagem direta para o público ouvinte, além das ricas e inconfundíveis harmonias vocais, que eram e continuarão sendo sempre a sua marca registrada.

"A Primeira Lágrima"

"O Meu Primeiro Amor"

"Meu Bem Não me Quer"

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