sábado, 30 de outubro de 2021

.: O processo de "O Processo", de Franz Kafka, em edição especial da Antofágica


"O Processo"
, a obra-prima de Franz Kafka está de volta às livrarias na Amazon em nova edição com ilustrações labirínticas de Lourenço Mutarelli e apresentação de Noemi Jaffe Josef K. está detido pela justiça – mas não sabe o porquê. Desde a manhã em que os oficiais apareceram em seu apartamento com essa notícia, K. apela a escriturários, advogados, secretárias, funcionários do tribunal e até a artistas para entender o motivo pelo qual está sendo processado.

Este romance póstumo de Franz Kafka, publicado pela primeira vez em 1925, é uma sagaz crítica da claustrofóbica burocracia estatal e da falta de autonomia no mundo moderno. A edição da Antofágica tem ilustrações de Lourenço Mutarelli tão misteriosas quanto o processo de Josef K.: elas foram dobradas e recortadas durante a montagem do livro, restando ao leitor investigá-las para unir os fragmentos. Conta também com tradução de Petê Rissatti e, apresentação da premiada escritora Noemi Jaffe Josef K. e posfácios de Gabriel Alonso Guimarães, (doutor em Literatura Comparada pela UFF), assina um texto de apoio em que esclarece o modo como a edição incorpora os trechos riscados pelo autor.

Adilson José Moreira, (doutor em Direito Constitucional pela UFMG,) tece uma análise jurídica do livro, apontando como o racismo estrutural submete pessoas negras no Brasil a processos verdadeiramente kafkianos, e Noemi Moritz Kon, (doutora em Psicologia Social pela USP), investiga a trama do ponto de vista da psicanálise. Extra: ao escanear o QR Code presente na cinta do livro, você tem acesso a duas aulas do pesquisador Tomaz Amorim, uma para antes da leitura e outra para após a leitura.

A parceria criativa com o Lourenço Mutarelli interpretando Kafka é uma das pedras fundamentais da editora Antofágica. A liberdade artística que ele trouxe ao primeiro livro, "A Metamorfose", desenhando 100 artes de Gregor se metamorfoseando em um inseto monstruoso, e isso se distribuir na edição durante a história, possibilitou um conceito diferente de relação entre arte e texto, em que um não está submisso a outro. De certa forma, criando uma experiência diferente para que o leitor crie suas próprias conexões e eventuais hierarquias entre arte, texto e design.

Em "O Processo", a editora busca revisitar e desdobrar esse sentimento. Se em "A Metamorfose" havia o contraste do desespero de Gregor preso em sua forma de inseto desde o começo do texto, com a transformação visual ocorrendo paralelamente nas artes, nesta edição texto e arte convergem para passar uma sensação de estranheza e de vertigem. 

Assim como Josef K., o leitor está perdido, sem acesso às artes originais, que se entrelaçaram de forma confusa e labiríntica com o também inacabado texto do autor. Ter usado o próprio processo gráfico de dobra dos cadernos para definir essa divisão e confusão realça para mim o lado burocrático e da máquina como algo divino e coletivo que tira, inclusive dos criadores, o controle do resultado do que temos em mãos. Você pode comprar o livro neste link.


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