sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” em três sessões


Monólogo autoral de Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, mistura sátira histórica, humor físico e narrativa direta ao público em uma comédia sobre fé, ciência e desinformação — agora em curta reta final, aos finais de semana. Foto: Ronaldo Gutierrez

Depois de uma estreia que movimentou o teatro e de uma temporada que ganhou forte repercussão, a comédia histórica “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” entra em reta final com novas datas aos sábados, devido ao sucesso de público. O monólogo autoral protagonizado por Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, segue em cartaz no Teatro
MorumbiShopping (Teatro Multiplan) e anuncia apenas mais 3 apresentações, de
31 de janeiro a 14 de fevereiro, sempre às 20h30.

Ambientada há exatamente mil anos, em uma praça da Andaluzia medieval, a peça acompanha Raí, um barbeiro-curandeiro que improvisa “tratamentos” para sobreviver - e, no processo, expõe as contradições entre fé, ciência, ignorância e poder. Na trama, o personagem atende aldeões com “procedimentos” tão duvidosos quanto cômicos: cortes de cabelo, extrações de dentes, sangrias, rezas e curas improvisadas. O que começa como ofício e charlatanismo vira uma jornada inesperada quando Raí se vê diante da necessidade - e do desejo - de compreender o que, afinal, é conhecimento
de verdade.

Com humor físico, fala direta com o público e ritmo ágil, a encenação combina sátira histórica e comédia popular, traçando um caminho que leva não só o protagonista, mas o público, ao universo (surpreendentemente reconhecível) da história da medicina. O riso aqui não é só entretenimento - é ferramenta para refletir sobre como (ainda) lidamos com o corpo, a dor, o medo e a desinformação.

O espetáculo faz um “resgate histórico” também na linguagem: sem perder a velocidade contemporânea, o texto de Emerson flerta com um prazer narrativo que lembra as contações de história populares e educativas que marcaram parte da televisão dos anos 1990 - aquele tom de fábula, de causos e de curiosidade que prende o olhar e conduz o público pelo enredo com clareza e surpresa. Ainda que fictícia, a história é atravessada por informações reais e referências históricas que convidam o espectador a “mergulhar” em um tempo que, de algum modo, já estudamos - e a sentir o impacto da distância entre época e presente.

A condução cênica reforça esse jogo com o público por meio do corpo e do movimento, que seguram a plateia no enredo: a cena se organiza como um fluxo de ações e imagens que impulsionam o relato, com fisicalidade precisa e senso de ritmo. Na direção, Ivan Parente utiliza recursos ligados à tradição da commedia dell’arte para construir um teatro vivo, direto e popular. Entre as referências assumidas no processo de escrita, está Dario Fo, mestre do monólogo satírico e popular, cuja tradição de comicidade crítica ecoa no modo como a peça usa o riso para iluminar estruturas sociais
e contradições humanas.


Credibilidade e “boca a boca”
Segundo a produção, a estreia VIP teve casa cheia e reuniu plateia com
influenciadores, jornalistas e críticos — aquecendo o boca a boca que impulsionou a
mudança de datas para o fim de semana. Agora, com somente três sessões, a
temporada entra em clima de “última chance” para quem ainda não viu (ou para quem
quer voltar e indicar).


Serviço
Espetáculo "A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia"
Temporada (reta final): 31 de janeiro a 14 de fevereiro - Três sessões, sempre aos sábados, às 20h30
Teatro Multiplan MorumbiShopping – São Paulo
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Redes: @aprimeiracirurgiadahistoria
Ingressos: Sympla
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