Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_
No princípio, havia o nada, e do nada, criou-se o tudo. Do tudo veio o todo e do todo fizeram-se as partes; ou das partes fez-se o todo, tanto faz. Digo isso porque aqui temos o princípio do que antes era o nada para mim. Devo confessar que esta é a primeira vez que me cedem uma coluna. Estou lisonjeado, encantado e um pouco tímido, mas não deixarei isso transparecer. Antes, fingirei costume e erguerei o nariz; deslizarei a pena, deitando ao papel palavras que se pretendem como um manual crônico para aqueles que tiverem a gentileza e a paciência de as ler.
Ainda que não lhe faça promessas, juro que trarei aqui palavras leves, mesmo que carreguem o peso do sentido. Não ofertarei reflexões profundas, embora, vez ou outra, possamos dar algum mergulho no reino das palavras. Não farei filosofia, mesmo quando quisermos saber o porquê. Não serei proselitista, ainda que, por vezes, queira convertê-lo ao verbum literário. Na verdade, meu capitão, pretendo oferecer um verdadeiro "Manual Crônico" da vida prática, a saber: a beleza escondida em um verso qualquer, o fiat lux de um movimento literário ou o sorriso banguela de um cãozinho de rua que tenha cruzado meu caminho.
Sim, tudo isso pode vir a ser objeto do nosso "Manual Crônico" da vida prática, que lhe ofertarei em troca do módico valor de sua atenção. Esse é o meu devir. Talvez seja muito o que lhe peço, mas peço de coração. Se assim puder agir, prometo - sem jurar - retribuir-lhe com palavras de mentira e fingimento, pois não posso trair nossa divindade suprema, Fernando Pessoa (sou politeísta, confesso), que determinou que “o poeta é um fingidor”. Acolhi esse verso como um mandamento.
E por que deve você, meu capitão, dar-me fé e atenção? Digo sinceramente que não sei, mas desejo ardentemente que faça isso. Sou um modesto professor de Língua Portuguesa e Literatura, estudante de Filosofia, autor de romances e crônicas, que busca ardentemente o apodo de escritor. Se me leres, serei mais feliz. Se não, paciência - nem todo céu se dá ao homem, nem todo inferno se dá ao ser. E, quando um não quer, dois não brigam.
Como sou politeísta (sei que já disse isso e não quero amolar mais, mas sinto-me obrigado), rendo graças aos deuses editores deste nobre veículo que me cedem esse espaço, ainda que talvez paguem um preço alto por isso. Mas eles são pessoas de bom coração, e juro - sem prometer - que farei de tudo
para não decepcioná-los.
Como no princípio havia o nada, já agora temos alguma coisa, talvez uma parte de um todo que se pretende construir com crônicas, ensaios e artigos literários. E, se os deuses quiserem, permitirem e me inspirarem, alguma poesia, porque ninguém é de ferro. Espero alcançar tal intento. Por ora, é o que temos: a palavra se fez texto e esta coluna está entre nós. Eis o nosso "Manual Crônico".













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