Diretor artístico fala sobre música como dramaturgia, Goiás como identidade e o sertanejo como narrativa popular em estado bruto. Foto: Globo/ Rodolfo Sanches
Se toda música sertaneja carrega um enredo pronto para virar novela, "Coração Acelerado" entra de botas, refrão na garganta e alma exposta. A nova novela das sete da Globo transforma a lógica do hit em dramaturgia, troca o palco pelo capítulo diário e assume, sem pudor, que ali quem conduz a história são as mulheres, dentro e fora da ficção. Entre amores interrompidos, contratos sufocantes, fé, rivalidades familiares e o peso da fama mediada pelas redes sociais, o sertanejo deixa de ser pano de fundo para se tornar estrutura narrativa, estética e política.
À frente dessa engrenagem está Carlos Araújo, diretor artístico que atravessa décadas da teledramaturgia brasileira e agora se lança ao desafio de equilibrar tradição novelística, linguagem de show e pulsação contemporânea. Nesta entrevista, ele fala sobre a aposta em Goiás como território simbólico, a música como motor dramático, o protagonismo feminino e os riscos e delícias de colocar a novela para cantar em tempo real, no meio do povo, sob luz de palco e aplauso verdadeiro.
O que o público pode esperar de "Coração Acelerado"?
Carlos Araújo - O público pode esperar uma novela vibrante, solar, que une música, romance e humor em uma história cheia de emoção. "Coração Acelerado" é uma comédia romântica musical que mergulha no universo sertanejo, trazendo a força feminina e os conflitos familiares como pano de fundo.
Vocês estão prevendo participações de nomes consagrados da música, como isso contribui para a trama?
Carlos Araújo - As participações de artistas consagrados, como Maiara & Maraisa, Naiara Azevedo, Daniel, Michel Teló e Ana Castela, dão autenticidade à narrativa e aproximam ainda mais o público desse universo. Elas não são apenas aparições, ajudam a contar a história e reforçam a conexão entre ficção e realidade, criando momentos únicos na trama. Musicalmente, será um grande presente para o público.
Qual a importância de terem gravado as primeiras cenas da novela em Goiás?
Carlos Araújo - Goiás é o coração do sertanejo e traduz a essência da novela. Gravar as primeiras cenas lá foi fundamental para dar verdade à narrativa. Queríamos que o público se reconhecesse nas histórias, e isso só seria possível mergulhando na cultura local. As paisagens do Cerrado, a culinária típica e os cenários icônicos do estado agregam autenticidade e beleza cinematográfica à trama. Essa imersão permitiu criar uma identidade forte com a região e com o povo goiano.
Por que escolher gravar cenas de shows de João Raul (Felipe Bragança) em festivais reais? O que isso exigiu em termos de produção?
Carlos Araújo - Gravar em festivais reais foi uma decisão para levar ao público a energia genuína dos grandes eventos sertanejos. Isso exigiu uma logística complexa: integração com equipes dos shows, captação de som e imagem em ambientes dinâmicos. Um exemplo foi a cena gravada durante um show de Maiara & Maraisa, em Crixás, Goiás, onde o personagem João Raul subiu ao palco para apresentar uma música inédita. Essa escolha trouxe realismo e emoção que seriam impossíveis de reproduzir em estúdio.
O que tem sido mais desafiador na direção desta novela?
Carlos Araújo - O maior desafio é equilibrar duas linguagens: a dramaturgia clássica e a estética dos grandes shows. Temos cenas intimistas, carregadas de emoção, e momentos grandiosos, com multidões e música ao vivo. Conciliar isso sem perder ritmo e mantendo qualidade artística é um trabalho minucioso. Além disso, criar uma identidade visual que dialogue com a cultura goiana sem cair em estereótipos tem sido um exercício constante.
Quais são os principais diferenciais de "Coração Acelerado"? O que você destacaria da novela até agora?
Carlos Araújo - O grande diferencial é a fusão entre novela e música sertaneja, com uma pegada contemporânea e protagonismo feminino. Destaco também a autenticidade das locações, a força dos personagens femininos e a trilha sonora original, que vai emocionar e embalar o público. É uma obra que celebra a cultura brasileira, conecta gerações e traz temas atuais como redes sociais, fama e empoderamento.













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