sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

.: #VivoLendo: "50 Poemas Escolhidos Pelo Autor", de Flávio Viegas Amoreira



quando a palavra goza

Por Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Um caudaloso, lascivo e camaleônico oceano fonético onde os versos estalam em vagas, vagidos e vertentes. Um universo marítimo cromático e sonoro, asperamente solícito e convidativo à amplitude do mergulho. O poeta se faz mar e nele os tesouros poéticos emergem e desnudam conceitos, desejos, referências e reverências. A relevante coletânea "50 Poemas Escolhidos Pelo Autor", de Flávio Viegas Amoreira, publicada por Cloé Editora nos revela infinitos ângulos multifacetados de um manancial inesgotável detectados pelo prisma evolutivo de constante aprimoramento. Seguindo a orientação de Kavafis, Viegas perscruta infatigavelmente seu quadrante oceânico interior, e qual etéreo escafandrista, nele descobre, resgata e nos oferece abundantes relíquias, conjecturas, influências, ferramentas, memórias e espelhos.

A presença constante, em seus escritos, de citações respeitosas a inúmeros poetas, músicos e pintores de diferentes períodos, vem enaltecer influências e aprendizado e nos remeter a um complexo e generoso caleidoscópio cultural a enriquecer o teor temático de cada poema. Além de envolver furtivamente cada texto escolhido em uma atmosfera de serena e difusa lascívia através da qual um erotismo velado envolve e sustenta preciosamente o viés abrangente e libertário do poeta.

Em destaque, na coletânea, dois longos poemas em homenagem à São Paulo. De mãos dadas com Piva e Willer, Flávio transita por becos noturnos, ambientes obscuros, parques, avenidas e contrastes sociais, qual um guia obcecado por alternativas marginais, entre a fauna urbana e seus ambientes repletos de desejos explosivos em meio ao concreto frio das esquinas e aos literais avessos da complexidade antropofágica paulistana.

Em um relevante posfácio analítico, Ademir Demarchi complementa a edição com um preciso tratado sobre a trajetória poética de Flávio Viegas Amoreira e sua original e complexa obra autoral onde segundo seus versos todo o mistério visível só é perceptível na poesia.
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