Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação
Se Milton Nascimento tem “a voz de Deus”, como sentenciou Elis Regina, é possível dizer, sem medo de exagero que Fafá de Belém tem a voz de Maria, a mãe de Jesus, que sofre, protege e canta para embalar e para acordar o mundo. Em “BrasilEssenza”, show apresentado ao lado do pianista André Mehmari no renovado Teatro do Sesc Santos, assim como faz a santa católica em outras vertentes, Fafá consagra as músicas de uma maneira absolutamente inesquecível. O formato é simples: voz e piano. A viagem proposta pelo repertório passa pelas raízes da MPB revisita clássicos cristalizados no imaginário da música brasileira e inclui sucessos da própria Fafá, além de arranjos originais de Mehmari.
A cantora é uma estrela de primeira grandeza que atravessa cinco décadas sem perder o eixo. A voz dela continua ampla, vibrante, carregada de personalidade. Na apresentação dela, há domínio sobre o tempo. Quando entoou “Vermelho”, o teatro literalmente veio abaixo, em uma mistura de memória afetiva, identidade e país condensado em refrão. Mas seria injusto falar de “BrasilEssenza” sem destacar a arquitetura invisível construída por André Mehmari.
A cantora é uma estrela de primeira grandeza que atravessa cinco décadas sem perder o eixo. A voz dela continua ampla, vibrante, carregada de personalidade. Na apresentação dela, há domínio sobre o tempo. Quando entoou “Vermelho”, o teatro literalmente veio abaixo, em uma mistura de memória afetiva, identidade e país condensado em refrão. Mas seria injusto falar de “BrasilEssenza” sem destacar a arquitetura invisível construída por André Mehmari.
Pianista de rara inteligência musical, ele transforma o instrumento em extensão do próprio pensamento. Em determinado momento, pede sugestões ao público e cria, no improviso, um pout-pourri que costura melodias com naturalidade desconcertante. A interação é um espetáculo à parte, pois o público consegue perceber o carinho, o respeito e a escuta mútua entre os dois artistas. Fafá conversa com a plateia, conta histórias, contextualiza composições, compartilha bastidores.
O impacto do show também dialoga com o momento vivido pelo Teatro do Sesc Santos. Após profunda reestruturação técnica ao longo de 2025, com implantação de sistema motorizado de varas cênicas, modernização da iluminação em LED e novo piso de madeira Tauari, o espaço atinge padrão equivalente aos grandes teatros do país. “BrasilEssenza” mostra que a música brasileira não precisa ser reinventada a cada temporada para continuar viva; precisa ser revisitada com inteligência e paixão. Fafá e Mehmari fazem isso com rigor artístico e entrega emocional. No palco desse show, há voz, há piano e há principalmente o Brasil que quer continuar na democracia.













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