Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
Na trama, os espectadores acompanham um professor de educação física interpretado por Gabriel Leone, que se muda para o litoral catarinense após a morte do pai. O que começa como uma tentativa de reorganizar a própria vida rapidamente se transforma em uma investigação íntima e fragmentada sobre o desaparecimento do avô, figura envolta em versões contraditórias e perguntas persistentes. A narrativa se constrói em camadas, explorando o deslocamento do protagonista e sua dificuldade de se inserir em uma comunidade que parece proteger segredos com obstinação.
Muritiba, que já havia demonstrado interesse por personagens à margem em trabalhos anteriores, como Deserto Particular, aposta aqui em uma encenação contida, na qual o não dito tem tanto peso quanto os diálogos. O roteiro, assinado em parceria com Jessica Candal, preserva o espírito introspectivo do livro, ainda que adapte sua estrutura fragmentária para um formato mais linear, sem abrir mão da ambiguidade que sustenta o mistério.
O elenco traz ainda nomes como Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli e Teca Pereira, compondo um conjunto que sustenta a atmosfera de estranhamento e isolamento que atravessa o filme. A presença da cadela Beta, herdada do pai, funciona como elo afetivo e simbólico, reforçando a solidão do protagonista e sua busca por pertencimento.
Exibido na seleção oficial do Festival de Gramado, o longa já havia chamado atenção pela atuação contida de Leone e pela fidelidade temática ao material original. A adaptação carrega ainda a curiosidade de não ter contado com envolvimento direto de Galera no roteiro, decisão que, segundo entrevistas à imprensa, foi respeitada pelo autor, interessado em ver a obra reinterpretada por outros criadores.
Publicado em 2012, o romance original venceu o Prêmio São Paulo de Literatura e foi traduzido para mais de dez idiomas, consolidando-se como um marco da ficção brasileira contemporânea. No cinema, “Barba Ensopada de Sangue” preserva essa vocação para o incômodo e a introspecção, recusando respostas fáceis e convidando o espectador a habitar as lacunas existentes no livro.
Ficha técnica
“Barba Ensopada de Sangue” (título original)
Gênero: drama.
Duração: 108 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: português.
Direção: Aly Muritiba.
Roteiro: Aly Muritiba e Jessica Candal.
Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli, Teca Pereira.
Distribuição no Brasil: O2 Play.
Cenas pós-créditos: não.
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“Barba Ensopada de Sangue” no Cineflix Miramar | Santos
De 2 a 8 de abril | Sessões no idioma original | Sala 1 | 21h00
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