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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

.: Crítica: "Verity" fisga pelo talento do elenco, mas se perde na pegada erótica

Imagem de  "Verity"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em outubro de 2026


Uma escritora desconhecida do grande público consegue a chance na carreira literária, mas como ghost writer (escritor-fantasma) de um nome de sucesso estrondoso. No suspense psicológico "Verity" com Anne Hattaway, Josh Harnett e Dakota Johnson, adaptado do livro de mesmo nome da escritora norte-americana Colleen Hoover ("É Assim Que Acaba"),um a profissional da escrita é contratada para seguir na produção de novos livros da queridinha Verity (Anne Hattaway, "Instinto Materno"). Assim, Lowen (Dakota Johnson, de "Madame Teia") ingressa mna trama ao aceitar organizar anotações da grande escritora, sem receber crédito público ou assinatura pela autoria da obra, mas embolsando uma grande bolada.

O longa começa de modo forte e num encontro ao acaso, porém tremendamente medonho entre Jeremy (Josh Harnett, de "Oppenheimer" e "Armadilha") e Lowen. O resultado é uma forte tensão entre os dois quando o destino consegue uni-los novamente, mas tendo como desculpa uma excelente oportunidade de trabalho. Embora considere por minutos recusar, Lowen aceita a proposta ao assinar um contrato de confidencialidade. Assim, vai passar alguns dias na casa da família Crawford.

Neste jogo de contar e recontar histórias, "Verity" garante bons sustos, mas põe a perder o bom do suspense em nome de pesar a mão em sequências de pegadas eróticas, o que acaba ligando a atriz Dakota Johnson novamente ao sexy "50 tons de cinza", longa que catapultou a filha de Melanie Griffith em Hollywood. Aos fãs de Josh Hartnett também cabe a leve desconfiança em torno das revelações de seu personagem -e parte dela pode ser confirmada.

Embora "Verity" traga a talentosa Hattaway na pele de um personagem inconstante, não espere algo estilo o excelente longa "Instinto Materno". Inicialmente, até se aproxima e faz lembrar, mas conforme a trama se desenrola, acaba parecendo uma releitura de "A Empregada", sem o desfecho desejado e plausível. Uma vez que Lowen mergulha de cabeça nas tragédias da família que vive na casa afastada com um lago adiante -cenário de uma morte dolorosa. 

A brincadeira com os nomes das personagens femininas, a dona da verdade (Verity) que tem em seu caminho alguém mais baixo, considerando as três primeiras letras do nome de Lowen, é uma riqueza que mais impacta na escrita. Assim, ordenando apontamentos de Verity, uma mulher acamada, Lowen passa a desejar ser a outra e suas confusões a levam a um final duvidoso. Infelizmente, a adaptação dirigida por Michael Showalter consegue ser bastante previsível.


Trailer de "Verity"

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

.: Crítica: "A Ilha Esquecida" até lembra "Red", mas foca na amizade e encanta

Imagem de  "A Ilha Esquecida"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em setembro de 2026


A animação que mescla aventura e comédia, "A Ilha Esquecida", entrega colorido de dar inveja nas novas criações Disney, além de estampar os traços artísticos sempre presentes nas produções do mesmo gênero de "Homem-Aranha no Aranhaverso". Da DreamWorks Animation, "A Ilha Esquecida" chega a remeter o também excelente "Red: Crescer é Uma Fera", mas vai além fugindo do realismo, com traços 2D expressivos, dinâmicos e exagerados, inspirados em animes japoneses, o que faz lembrar o sucesso "As Guerreiras do K-Pop", da Netflix.

"A Ilha Esquecida" traz um peso emocional de uma das protagonistas com a avó, como também acontece em "Cara de Um, Focinho de Outro", mas é muito ágil na trama garantino várias reviravoltas. A diferença está no fato de a produção ser focada na amizade e o acerto é em sequência, muito por trazer uma trilha sonora sem defeitos, incluindo "Don't Stop Believin'", "Never Tear Us Apart" e "Nothing's Gonna Stop Us Now", por exemplo. Tanto é que os créditos finais celebra a amizade exibindo fotos reais de amigos e familiares da equipe de produção, em uma homenagem aos temas de memória e amizade do filme.

Sem muita pretensão, a produção de divulgação encabulada, é puro deleite visual e narrativo. Na animação que soma 1 hora e 40 minutos de duração, as melhores amigas Jo e Raissa criam um forte elo desde a primeira topada enquanto aguardavam atendimento da diretora após agirem de modo equivocado em aula. Elas viram adolescentes e quando tudo parecia normal, planos mudam. 

No entanto, as duas se deparam com um portal misterioso que as transporta para a ilha fantástica chamada Nakali. Enquanto vivenciam o que juravam não existir, como por exemplo, criaturas mágicas, Jo e Raissa descobrem a importância da amizade verdadeira de longos anos, uma vez que o preço para voltar para casa são as memórias da relação construída por elas. Por outro lado, juntas elas buscam uma forma de sair do lugar dos sonhos sem que uma esqueça da outra para sempre. Imperdível!


Trailer de "A Ilha Esquecida"




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terça-feira, 8 de setembro de 2026

.: “Loucos por Cinema!”: a cinefilia como matéria-prima de viagem pela memória


Arnaud Desplechin mistura ficção, documentário e ensaio para revisitar a formação de Paul Dédalus e investigar por que o cinema continua ocupando um lugar tão particular na vida de quem assiste

Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Ir ao cinema pode ser uma experiência tão íntima que, em determinados momentos, um filme parece saber alguma coisa sobre quem está sentado diante da tela. É nesse território de lembranças, descobertas e obsessões que Arnaud Desplechin coloca “Loucos por Cinema!”, produção francesa que chega à plataforma de streaming da Reserva Imovision depois de passar por festivais como Cannes e Festival do Rio.

O cineasta retoma Paul Dédalus, personagem que funciona como seu alter ego, para reconstruir a formação de um espectador apaixonado por filmes. A trajetória começa na infância, quando o garoto descobre o cinema levado pela avó para assistir a “Fantômas”, e acompanha diferentes fases de sua vida até o momento em que a cinefilia deixa de ser apenas uma paixão e passa a interferir na maneira como ele compreende o mundo.

Paul é interpretado em diferentes idades por Louis Birman, Milo Machado-Graner, Sam Chemoul e Salif Cissé. Mathieu Amalric, presença recorrente na filmografia de Desplechin e intérprete de Paul Dédalus em “Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual)”, aparece como o cineasta. A escolha reforça uma espécie de jogo de espelhos que acompanha o diretor há décadas.

A graça está justamente nessa mistura. “Loucos por Cinema!” se move entre a memória pessoal, a encenação ficcional, entrevistas, reflexão sobre a experiência de assistir a um filme e uma quantidade generosa de referências cinematográficas. Desplechin olha para a própria formação como cinéfilo e, ao fazer isso, acaba convidando o público a recuperar suas próprias primeiras sessões, os filmes descobertos por acaso, os personagens que permaneceram na lembrança e até aquelas obras que modificaram alguma coisa sem que fosse possível perceber imediatamente.

O diretor passeia por nomes e títulos fundamentais para a formação de seu olhar. “Os Incompreendidos”, de François Truffaut, “Gritos e Sussurros”, de Ingmar Bergman, “As Pequenas Margaridas”, de Věra Chytilová, e “Shoah”, de Claude Lanzmann, aparecem em uma coleção de referências que ajuda a desenhar a educação sentimental de Paul. A própria escolha de “Fantômas” como ponto de partida remete a uma lembrança de infância do cineasta. Desplechin quer entender por que as pessoas continuam indo ao cinema depois de mais de um século de imagens projetadas. Cannes definiu a produção como uma homenagem às salas de cinema, enquanto o próprio diretor explicou que reuniu memórias, ficção e investigação para criar uma espécie de percurso de formação de um espectador.

O problema aparece quando a paixão do diretor começa a pesar sobre a narrativa. As referências são tantas, e a vontade de discutir cinema é tão evidente, que determinadas passagens parecem destinadas principalmente a quem já domina o repertório apresentado. O filme ganha força quando transforma a cinefilia em memória compartilhada; perde um pouco dela quando se fecha em conversas e associações que exigem do público uma intimidade semelhante com a história do cinema.

Ainda assim, existe algo bastante simpático nessa imperfeição. Desplechin não tenta organizar sua paixão de maneira didática. Ele deixa que lembranças, cenas, ideias e personagens se encontrem, como acontece na própria memória de quem passa anos assistindo a filmes. Uma lembrança de Bergman pode levar a uma discussão filosófica; um cineclube escolar pode despertar uma paixão; uma sessão pode se transformar em acontecimento amoroso; um personagem de ficção pode carregar traços de quem o criou.

Com 88 minutos, “Loucos por Cinema!” tem o tamanho de uma lembrança que se recusa a terminar. A produção francesa foi apresentada na Sessão Especial de Cannes em 2024 e chegou aos cinemas brasileiros em março de 2025. O resultado é irregular, mas coerente com o próprio objeto. Afinal, a cinefilia também tem seus excessos. Há quem assista a um filme e siga para casa. Há quem passe dias pensando nele, procure entrevistas, leia sobre o diretor, descubra outro título, monte uma lista e volte à sala de cinema para rever aquilo que acabou de descobrir. Desplechin claramente pertence ao segundo grupo.


Ficha técnica
“Loucos por Cinema!” | “Spectateurs!” (título original) | “Espectadores!” (título em Portugal)
Gênero: drama, comédia e ficção documental. Duração: 88 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 15 de janeiro de 2025, na França. Idioma: francês. Direção e roteiro: Arnaud Desplechin. Elenco: Louis Birman, Dominique Païni, Clément Hervieu-Léger, Françoise Lebrun, Sandra Laugier, Olga Milshtein, Milo Machado-Graner, Margaux Mussano, Sam Chemoul, Marilou Poujardieu, Salomé Rose Stein, Micha Lescot, Shoshana Felman, Kent Jones, Salif Cissé e Mathieu Amalric. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

.: Resenha crítica: "O Sorveteiro" é trash colorido com muito sangue jorrando

Cartaz de "O Sorveteiro"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em setembro de 2026


O terror slasher "O Sorveteiro" é o tipo de filme com baixo orçamento que até tem uma boa premissa e tenta apresentar uma história assustadora (dentro das possibilidades). Assim, a aposta no elenco infanto-juvenil para protagonizar uma trama que tinha grande chance de se tornar um clássico do gênero, cai com facilidade, diretamente, no trash de colorido encantador na telona de cinema com muito sangue jorrando.

Sem querer agradar, a produção do diretor Eli Roth ("Cabana do Inferno" e "O Albergue") foca no diálogo com quem aceita a sua proposta despojada e o ritmo de diversão violenta. Numa história de vingança da figura pavorosa de um sorveteiro, o longa que soma 1 hora e 27 minutos de duração, o público que admira o terror tradicional ou busca diversão é levado a Bayleen Bay.

Calma! Não se trata de um flerte com o clássico "Os Pássaros", embora tudo aconteça numa baía e tenha nos seus primeiros minutos um campo aberto com crianças, como acontece em "A Bolha Assassina". A nova produção sanguinolenta traça um caminho próprio entregando um toque do seriado "The Walking Dead" e de filme para TV.

A película que poderia ser apenas um episódio do seriado "American Horror Stories", devidamente aproveitado (considerando a premissa) ou daqueles que só servem para retomar o hiato e que ninguém sabe a motivação de ter sido produzido (considerando o filme entregue), apresenta três jovens que não comeram o sorvete amaldiçoado distribuído pelo misterioso sorveteiro e tentam impedir que a carnificina acabe com o local idílico.

"O Sorveteiro" é uma super opção quando se considera o longa pelo lado do terrir e trash como um resgate do cinema B raiz dos anos 1980 pelo uso de efeitos práticos e humor macabro. Vale destacar que o longa apresenta uma cena pós-créditos. Assista por sua conta e risco!


"O Sorveteiro" (Ice Cream Man). Gênero: Terror. Eli Roth. Roteiro: Noah Belson e Eli Roth. Duração: 1h 26 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Eli Roth, Ari Millen, Charlie Zeltzer e Snoop Dogg. Sinopse: Tudo acontece em torno de um misterioso e simpático sorveteiro ambulante. Ele passa a distribuir sorvetes e picolés amaldiçoados para as crianças locais.

Trailer de "O Sorveteiro"



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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

.: "Aventura de Férias" embaralha férias, memória e família sob o sol da Sardenha


Filme de Sophie Letourneur, destaque do Festival do Rio, acompanha viagem de uma família francesa pela Sardenha e chega ao Brasil pelo Belas Artes à La Carte

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Destaque na programação do Festival do Rio 2025, "Aventura de Férias" chega ao Brasil pelo streaming Belas Artes À La Carte com uma proposta que parece simples até a família colocar o pé na estrada: passar as férias de verão na Sardenha. O problema é que férias em família raramente obedecem ao roteiro imaginado antes de fechar as malas. Dirigido por Sophie Letourneur, o filme acompanha Claudine, uma menina que está prestes a completar 11 anos e decide registrar as histórias da viagem enquanto percorre a ilha italiana de carro com a mãe, Sophie, o padrasto, Jean-Philippe, e o irmão caçula, Raoul, de três anos. Entre passeios, refeições, pequenas descobertas, discussões e as inevitáveis trapalhadas provocadas por uma criança que parece ter energia para abastecer uma cidade inteira, a viagem vai ganhando contornos muito menos turísticos.

Selecionado para a mostra Panorama Mundial do Festival do Rio, "Aventura de Férias" chamou atenção pela maneira como transforma o cotidiano familiar em matéria cinematográfica. O filme acompanha situações aparentemente banais e encontra nelas humor, desconforto, ternura e uma certa melancolia. A proposta está longe da comédia familiar convencional, aquela em que cada confusão precisa desembocar em uma lição edificante antes dos créditos finais. Nesse filme, a família pode discutir, perder a paciência, rir, irritar e continuar junta. Como acontece na vida real, para desespero de quem esperava uma viagem perfeitamente organizada.

A estrutura do filme tem uma particularidade saborosa: as conversas familiares são fundamentais para a construção da narrativa. Letourneur utiliza gravações realizadas durante viagens feitas em 2016 como matéria-prima para o projeto. Segundo informações divulgadas sobre a produção, ela registrou aquelas conversas sem saber exatamente, naquele momento, qual seria o destino do material. Anos depois, as gravações passaram a alimentar a escrita do filme.

O resultado cria uma curiosa mistura de ficção e experiência pessoal. As falas carregam uma naturalidade desconcertante, enquanto a encenação organiza aquilo que poderia parecer apenas um amontoado de lembranças de férias. A própria diretora já havia trabalhado com procedimento semelhante em "Voyages en Italie", de 2023, primeiro filme de uma trilogia dedicada aos relacionamentos e às viagens pela Itália. "A Aventura" é o segundo capítulo desse projeto.

E o título não é por acaso. "Aventura de Férias" faz uma referência direta a "L'Avventura", clássico de Michelangelo Antonioni lançado em 1960. A brincadeira já havia aparecido no filme anterior de Letourneur, "Voyages en Italie", uma alusão evidente a "Viagem à Itália", de Roberto Rossellini. O cinema italiano, portanto, está no retrovisor, embora a família de Letourneur esteja ocupada demais tentando sobreviver às férias para prestar muita atenção à cinefilia.

A comparação com Antonioni, porém, serve mais como provocação cinéfila do que como indicação de que os filmes tenham propostas semelhantes. O clássico de 1960 é uma obra fundamental do cinema moderno, enquanto a produção de Letourneur mergulha no cotidiano, nas relações familiares e na memória. A ligação está principalmente no título e no desejo de transformar uma viagem em uma experiência de observação.

"Aventura de Férias" também carrega uma trajetória internacional respeitável. O filme abriu a programação da ACID no Festival de Cannes 2025, uma das importantes seções paralelas dedicadas ao cinema independente. Depois, passou por outros festivais, entre eles o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. A imprensa francesa destacou a combinação entre humor, intimidade e situações corriqueiras. O jornal "Le Monde" chamou atenção para a maneira como Letourneur transforma episódios triviais - refeições, passeios, praias, caprichos infantis e pequenas tensões - em material para refletir sobre a passagem do tempo e as transformações dentro de uma família.

Claudine observa tudo com a curiosidade de quem ainda está descobrindo os adultos e suas contradições. Ao registrar as conversas da família, ela transforma a viagem em memória antes mesmo de ela terminar. É como se a menina soubesse que aquelas pequenas confusões, que naquele momento parecem intermináveis, um dia serão as histórias que todos vão querer lembrar.

Com humor agridoce, uma dose generosa de desconforto e um olhar bastante particular para a vida cotidiana, Sophie Letourneur faz de "Aventura de Férias" uma viagem que interessa menos pelo destino turístico do que pelas pessoas dentro do carro. A Sardenha está lá, bonita como cartão-postal. A família, felizmente, trata de estragar um pouco a fotografia.


Ficha técnica
"Aventura de Férias" | "L'Aventura" (título original)
Gênero: comédia dramática. Duração: 1h40min. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 2 de julho de 2025, na França; 2 de julho de 2026, em Portugal. Idioma: francês. Direção: Sophie Letourneur. Roteiro: Sophie Letourneur e Laetitia Goffi. Elenco: Sophie Letourneur, Philippe Katerine, Bérénice Vernet e Esteban Melero. Fotografia: Jonathan Ricquebourg. Montagem: Sophie Letourneur. Música: Laure Arto e Carole Verner. Produção: Sophie Letourneur, Tristan Vaslot, Thomas Verhaeghe e Mathieu Verhaeghe. Produtoras: Tourne Films, Atelier de Production e Sacré Vendredi Productions. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção


"Uma Infância Alemã"" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com. Em maio de 2026

Em busca de realizar o desejo da mãe, garotinho Nanning (Jasper Billerbeck) descobre que além do rio há uma realidade ainda mais cruel e capaz de fazê-lo romper a inocência diante do recesso de itens comuns como a farinha de trigo. Ambientado na primavera de 1945, "Uma Infância Alemã" (Amrum), em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision, apresenta uma aventura épica na ilha isolada de Amrum, no Mar do Norte.

O drama que acontece ainda nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, leva o menino de 12 anos que aguarda o retorno do pai do front, a protagonizar uma verdadeira jornada do herói com uma trajetória emocionante, que o faz caçar focas, pescar à noite, trabalhar no campo para sustentar a mãe grávida e até o faz cair no erro de cometer alguns delitos. 

O longa exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, baseado em memórias reais que pincelam o fim da guerra e segredos familiares profundos, entrega uma perspectiva emocional e psicológica sobre a Segunda Guerra Mundial. Logo, "Uma Infância Alemã" é um retrato delicado sobre o amadurecimento diante da realidade, assim como o impacto do fascismo e do trauma por meio dos olhos de uma criança criada dentro da ideologia nazista.

"Uma Infância Alemã" (Amrum). Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. 

Ficha técnica
"Uma Infância Alemã" | "Amrum" (título original)
Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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Trailer de "Uma Infância Alemã"



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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

.: Crítica: "O Convite" faz convocação claustrofóbica para reavaliar a relação


Cartaz de "O Convite"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2026


Baseada no filme e peça "Sentimental", do cineasta Cesc Gay, a comédia dramática "O Convite" é uma intrincada armadilha emocional que percorre desentendimentos surpreendentes para permitir que casal reavalie a relação. Ambientado num apartamento bem espaçoso (até que as conversas começam a afunilar os debates), a produção dirigida por Olivia Wilde, apresenta um casal em crise que recebe os vizinhos do andar de cima, o que torna o jantar caótico e totalmente hilário.

De um lado, em meio ao desgaste afetivo e o tédio conjugal, estão os donos do apartamento, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), que "aguardam" a chegada dos visitantes. Numa implicância silenciosa, os dois recebem o casal ardente Pinã (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). De fato, Joe fica incomodado com os sons das festas sexuais dos vizinhos e, acaba sendo levado a verbalizar tamanho desagrado.

Em meio a cutucadas provocativas e bastantes claustrofóbicas que vão além das paredes daquele apartamento como cenário, surgem diálogos inteligentes regando o desconforto do casal com a curiosidade e vontade de sair do marasmo que mergulharam. Assim, o público embarca, mesmo que com receio, na tensão e humor bem balanceados de um relacionamento longo.

O filme que transita na contramão do moralismo, tem um roteiro reflexivo e maduro para uma trama conflitante e tão humana a ponto de permitir que o público, por vezes, consiga se identificar com determinados episódios de uma vida a dois. Sem forçar um desfecho, "O Convite" tem seus minutos finais em silêncio, deixando livre a interpretação do público, se ocorreu uma reconciliação ou apenas o término pacífico do casamento. Vale muito a pena conferir!


"O Convite" (The Invite). Gênero: Comédia, drama, romance. Direção: Olivia Wilde. Roteiro: Rashida Jones, Will McCormack e Cesc Gay. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Filmes. Elenco:  Seth Rogen (Joe), Olivia Wilde (Angela), Penélope Cruz (Piña) e Edward Norton (Hawk). Sinopse: Joe e Angela formam um casal preso na rotina e com o relacionamento à beira de um colapso. A dinâmica muda quando eles decidem convidar os enigmáticos vizinhos do andar de cima, Hawk e Piña, para um jantar casual. O que seria uma noite tranquila transforma-se em um encontro repleto de revelações, constrangimentos e discussões sobre intimidade e desejos reprimidos.

Trailer de "O Convite" 





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